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Jo達o Barcellos

MAIRINQUE

Entre o Sert達o e a Ferrovia

[Das palestras de Jo達o Barcellos, de 1991, 1992 e 2009, em Mairinque, S達o Roque e Sorocaba.]

Edicon / TerraNova Comunic 2015


CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

B218m

Barcellos, João, 1954Mairinque : entre o sertão e a ferrovia / João Barcellos. - São Paulo : EDICON, 2013. 32 p. : il. ; 21 cm

ISBN 978-85-

1. Sertões - História. 2. Brasil - Geografia histórica. I. Título.

13-2077.

01.04.13 04.04.13

CDD: 508.81 CDU: 551.7(213.54)

043919


Índice

Apresentação Tereza de Oliveira

Acerca de Mairinque Hernâni Donato

Semente Republicana Aziz Ab´Sáber

Mairinque entre o sertão e a ferrovia

Tábua Cronológica do Séc. 16 ao Séc. 20

Municipalidade Bandeira, Brasão, Hino & Poder Municipal.

Anexo - Um Empreendedor Chamado Mayrink - A Contribuição Japonesa Na Descoberta Do Eldorado Verde - Região das Cangueras, Fazenda Manduzinho & Piabiyu

Notas & Anotações Bibliografia


Apresentação As palestras apresentadas pelo intelectual português João Barcellos, no âmbito das suas pesquisas luso-brasileiras, em 1991 e 92, em Mairinque e São Roque, levantam questões geográficas e sociais e históricas da colonização portuguesa entre o litoral vicentino e o sertão a oeste do planalto piratiningo. Ele já visualizara na palestra “koty: de costa a costa com a casa às costas” e na reedição do livro “A Derrubada”, do poeta Baptista Cepellos, a falta de estudos sobre o que ele diz ser “o sertão de cangueras”, embora escreva “terras de cangueras” para melhor exprimir o assunto que aos povos nativos tupis e guaranis diz respeito. E, diz ele, “os nativos montam os seus santuários (cangueras) de oração e veneração aos mortos em locais abertos e entre caudais d´água (rios, riachos, córregos), o que parece uma característica comum em todos os territórios americanos”, e “desta orientação de vento e água é que os colonizadores aprendem o jeito de viver dos nativos”. Entretanto, assim como na floresta do Morro Grande, no sertam d´Itapecerica, para onde deslocaram em 1703 a Aldeia Koty, encontram-se cangueras, o avanço colonial dá conta que “a canguera é também um ´farol´ na sinalização dos caminhos que ligam os povos nativos em todos os corredores do Piabiyu, e mais entre os morros até São Roque e às margens daquele velho caminho guarani”. Isto significa, diante dos estudos de João Barcellos, que as terras de cangueras foram conhecidas ainda no Século 16 e, já então, muitas delas tomadas e transformadas em sítios agrícolas para sustentação familiar e, logo, de sertanistas e bandeirantes. Uma civilização que chega, cerca e toma e transforma a civilização dominada. Foi assim na Ásia e na Europa, teria que ser assim na América. É neste ambiente de “assentamento colonial, militar e religioso” que as terras de cangueras se transformam em fogos e fazendas. No caso específico de Mairinque, cujo nome vem de Mayrink, o conselheiro que teve a coragem de abrir caminho para a ferrovia no oeste paulista, aquele entroncamento das vias nativas era o ideal para uma parada-estação entre o sertão e a Serra do Mar. A utilização fundiária de cangueras passou então da fazenda para a ferrovia num convívio econômico diretamente relacionado à evolução social da Província de São Paulo. Desta maneira, João Barcellos apresenta-nos “a história como ela foi gerada no assentamento colonial português, católico e mameluco” e nos dá uma visão da “importância social e econômica que as terras de cangueras tiveram na evolução colonizadora”. OLIVEIRA, Tereza – artista plástica e professora. Artigo para o jornal “Treze Listras” (Cotia/SP). Embu, 1991.


Acerca de Mairinque Canguera, enquanto santuário tupi como guarani, deu-nos a vantagem de logo reconhecer que os povos do chamado ´sertão dos carijós´ tinham uma fé própria, uma civilização a ser conversada e não conquistada. Mas, a colonização é ato imperial de conquista. “Os portugueses”, e diz bem o historiador João Barcellos, “conquistam terras e gentes para a cristandade e administram a seu favor vertendo sangue de um lado e do outro”. No caso de Mairinque, o historiador logra mostrar-nos “o mapa do assentamento colonial com a verdade dos documentos e as raízes geográficas e sociais”, que nos servem, também, de testemunho. Dos primeiros exploradores aos bandeirantes, dos tropeiros à maria-fumaça, “Mairinque respira a evolução natural da colônia que se transforma em império e, depois, em república independente na sua essência de políticas municipalistas”. Eis uma história, porque embora nem sempre pareça, todas as histórias têm diferenças, e a de Mairinque é ela por si mesma, como revela João Barcellos. DONATO, Hernâni – historiador. Carta a João Barcellos. São Paulo, 1991.

Semente Republicana Algumas fazendas dos escravagistas “portugueses, ou já luso-paulistas ou brasileiros”, como diz João Barcellos, tornam-se vilas no oeste paulista. Essa transformação deve-se muito ao espírito republicano embutido na criação das municipalidades a partir de S. Vicente, no litoral. Embora não se note muito na história oficial, como lembra o mesmo Barcellos, esse “espírito republicano mentalizado por vários colonos poderosos vem a estabelecer políticas públicas antes impensáveis no mando reinol – ora, é aqui que está a semente republicana que origina o Brasil-nação” e municipalidades como S. Roque e Mairinque, na serrania sanroquense. Estudar este pormenor historiográfico é muito importante para se perceber a formação geográfica e sociopolítica do Brasil, por isso, os estudos do jornalista e historiador João Barcellos assumem referência bibliográfica. AB´SÁBER, Aziz N. – geógrafo Carta a João Barcellos. Cotia-SP, 1991.


MAIRINQUE Entre o Sertão e a Ferrovia

O instante em que o jesuíta Manoel da Nóbrega decide abandonar o projeto da Aldeia Maniçoba, que chega a funcionar de 1551 a 1552 no sertão das serranias além Wotucatu, ele está no planalto de Piratininga, e o seu olhar encontra-se com o sertão trilhado pelos guaranis e os tupis, entre outros povos, na direção do sul. Mas é a malha de caminhos do Piabiyu que ele vislumbra e quer adentrar pelo oeste bravio da região Piratininga, e então, decide, neste momento de 1553, lançar uma aldeia-base no planalto para dar logística à entrada sertaneja dos padres da sua companhia. Levanta-se, então, a aldeia Sam Paolo dos Campu de Piratinin, já agora como marcozero da colonização luso-católica para o sudeste e o centro-este, após o assentamento litorâneo em Santos, São Vicente e Cananeia. Uma região é continuamente assinalada nas falas dos nativos tupi-guaranis: cangueras. Já sabendo dos sambaquis vistos e estudados pelo Bacharel de Cananéia e nos quais os povos litorâneos também enterram os seus mortos, além de restos de animais, os portugueses escutam a palavra canguera... No início, só entendem que os nativos dão grande importância a “essas terras” além do pico da Serra do Mar e para lá partem a todo o momento, ou pela trilha de Cananéia ou a de Piaçaguera. Só quando alguns aventureiros pagos pelos colonos vão a conhecer os caminhos e as terras é que se descobre que canguera é cemitério e que as terras são boas para cultivo por estarem entre rios e córregos, e algumas delas com nascentes. Então, os


portugueses percebem que o Brasil não é uma ilha, mas um território vasto. Algo que, por exemplo, os padres jesuítas não ignoram, mas não falam. Os padres querem conhecer as trilhas do Piabiyu que levam aos guaranis sulistas. Não por acaso, eles não registram nas suas cartas-relatórios as informações logísticas relativas aos caminhos e primeiras aldeias [v. Maniçoba]: a informação é um segredo e é um poder.

Entre o instante de 1553 e o estabelecimento social e bélico dos portugueses, definitivo em 1592, com o banqueiro, político, minerador e preador Affonso Sardinha [o Velho] a assumir o posto de Capitam de Gentes da Villa para domar nativos e conquistar o Pico do Jaraguá, vários dos caminhos de ligação do Piabiyu são tomados e começam a surgir fogos dispersos de agropecuária e, logo, fazendas. São estes fogos e fazendas que dão sustentação aos primeiros movimentos do ciclo bandeirístico, entre Ibitátá, Carapocuyba, Koty, nas ramificações para o Cerro Ybiraçoiaba, de um lado, e para a Serra de Wotucatu, por outro lado, na lenta, mas decidida penetração para o sul e o centro-oeste.


além morros um mar de cangueras além morros vastas e férteis terras no eterno cântico das gentes nativas novas gentes na velhas trilhas além morros um novo altar sobre as cangueras além morros um novo deus se diz em velhas terras João Barcellos, in “ritual de passagem”. Mairinque, 1991.

Nesta caminhada serr´acima e sertão adentro, surge uma nova expressão entre os portugueses e os padres: bugre. A expressão bugre define a pessoa não-cristã. Entretanto, passa a ser aplicada a qualquer pessoa ignorante, assim como caipira define pessoa rural e sem polimento social sob o olhar das pessoas urbanas, o que não significa que estas sejam mais do que aquelas. E ela se aplica com autenticidade à pessoa mameluca, filha de nativa com português – pois, a gente mameluca desconhece o deus da cristandade e é arredia ao mando colonial. É na gente mameluca que está a primeira manifestação de brasilidade. Os primeiros fogos, ou ranchos, abertos no sertão além da Serra do Mar são de gente mameluca com gente nativa – gente rude que só se sente bem na sua terra. Raros são os casais de portugueses que se aventuram nas trilhas do sertão, preferem a relativa segurança das margens do Jeribatyba e do Anhamby, ou mais dentro, do Koty e do Soroca[ba], no que ao oeste diz respeito, e do Parayba, a norte. Da bifurcação assinalada na saída do Ribeirão da Vargem Grande, na Koty carapocuibana, adentrando o maciço da serrania sanroquense, logo se chega aos lugares de encontro entre nativos onde “cangueras sinalizam velhas civilizações do sertão” [Ab´Sáber, 1990]


Na maioria dos fogos e fazendas assentadas, o exercício colonial ocupa e destrói culturas nativas e, em muitos casos, os santuários do culto aos mortos dos povos nativos. Algumas fazendas agropecuárias tomam tais santuários, ou canguera [do tupiguarani, q.s. ossário / ossos, ou cemitério] porque estão em terrenos ´beijados´ por rios e riachos, e principalmente os que cercam olhos d´água [nascentes]. Na região da Koty, o sargento-mor Medella constrói casa-grande e moinho e senzala na floresta de Morro Grande em pleno sertam itapecericano, e mais para o sul, entre a Koty e a Serra da Cahatyba [ou, cachoeira Boturantim, como dizem os nativos da região],


[Mapa com a região de cangueras, de Cahatyba/Cativa e São Paulo]

os cresos Pero Vaz de Barros e Guilherme Pompeo de Almeida [este, padre jesuíta, fazendeiro e banqueiro] aprisionam milhares de nativos e transformam as suas aldeias e cangueras em unidades de produção agropecuária e fruteira, com incidência maior na produção de marmelada e vinho, para o abastecimento das minas do centro-oeste da Capitania de S. Vicente que, no momento, tem Sant´Anna de Parnaíba como centro financeiro e produtor e não a Villa de Sam Paolo dos Campu de Piratinin. Uma das aldeias tomadas aos nativos fica denominada, em meados do Séc. 18, como Fazenda Canguera, e pertence ao capitão José Joaquim Xavier de Lima Rato, mas que antes é propriedade de Manuel da Costa Nunes, um preador temido pelos nativos e conhecido como manduzinho. No meados do Séc. 18 já não é o olhar jesuítico que comanda a colonização pela orientação do Piabiyu, mas olhar pombalino que quer e exige resultados na produção agropecuária e na extração de pedras preciosas. E assim é que ao tempo do capitão-general Luís Antônio de Souza Botelho e Mourão [o 4º Morgado de Matheus], amigo do rei e do conde d´Oeiras [leia-se Marquês de Pombal] se dá início ao reaproveitamento fundiário das sesmarias que dos jesuítas foram, e também daquelas que ficam improdutivas sob o mando de reinóis da vida boa, e daqui se constrói uma Capitania de São Paulo forte e ousada o suficiente para se transformar em polo de urbanização – a saber: fogos e fazendas, sesmeiras ou não, são agora base territorial de novas vilas e cidades, quer no oeste quer no centro-oeste da capitania.


o silvo da maria-fumaça rompe o ritmo dos gritos da terra brava gente do barão de mauá a mayrink a nação nova esquece a alma eloquente dos povos da terra já agora nem em sinais de fumaça

não há nem aliança o mundo a vapor s´abraça mauá e maylasky e mayrink são grito da nova raça estrada de ferro em moderna fumaça

João Barcellos, in “ritual de passagem”. Sorocaba, 1991.

O velho Piabiyu dos guaranis, que tantos sonhos realizou a aventureiros portugueses e castelhanos, italianos e alemães, é agora a planta naturalíssima em que assentam as novas vias da comunicação portuguesa em solo tropical, seja pelas bandas da Cahatyba e do Ybiraçoiaba, seja pelas bandas do Wotucatu a adentrar o caminho dos Goyazes, enquanto lá ao sul continua a dura batalha pela posse da ´rabeira´ da tal linha de Tordesilhas à sombra da Colônia de Sacramento e sob a cristalina saudação do Rio da Prata. E assim é que entre os sertões piabiyuanos, a Fazenda do Manduzinho transforma-se em ponto de encontro para tropeiros vindos do sul e a caminho do litoral...


Tábua Cronológica Século 14 Após uma forte tempestade de vários dias, a frota do capitão Sancho Brandão, da Marinha Mercante portuguesa, que estava na costa d´Etiópia, vulgo África, encontra-se frente a outra costa, do outro lado do mar atlântico, onde encontra povos guaranis e tupis numa entrada e foz de rio que os nativos dizem ser siará, q.s., caranguejo. Aqui, em meados de 1342, os portugueses descobrem o páo vermelho, já conhecido como pau-brasil, mas comprado aos orientais para formulação de tinta. Em carta ao papa Clemente VI, em Fevereiro de 1343, o rei português Afonso IV anuncia a descoberta da Ilha de Brasil, ou de Brandão – pelo já aí nomeia a nova região.

Século 16 As entradas exploratórias encontram trilhas e encontram outras civilizações. As pessoas não-cristãs passam ser chamadas de bugres. Por isso, as suas crenças e os seus cultos aos mortos [cangueras] não têm significação diante da colonização lusocatólica. 1- Nativos informam sobre o Piabiyu e cangueras além da Serra do Mar e fazemse seguir pelos portugueses. Dá se início à fase exploratória do chamado sertam dos guaranis. 2- Após a descoberta de ouro no morro Byturuna, Affonso Sardinha [o Velho] desloca-se para o Cerro Ybiraçoiaba pelo tronco principal do Piabiyu, entre Koty e as cangueras. A descoberta de ferro e a instalação da primeira usina de fundição de ferro nas Américas, no Cerro Ybiraçoiaba, faz das terras das cangueras um ponto de passagem.


3- No final do Século 16, e logo após a conquista do Pico do Jaraguá, onde o ´velho´ Sardinha instala nova fazenda e faz mineração de ouro e prata, abre-se o caminho das cangueras à perspectiva de novos pouso e fogos. Os santuários dos mortos começam a ser profanados e destruídos, enquanto os povos nativos são ´empurrados´ para a região das sorocas e das serranias do Wotucatu. A conquista do oeste piratiningo alarga a Capitania de S. Vicente, mesmo com a interdição temporária do Piabiyu pelas autoridades lusas.

Século 17 A geração mameluca começa a se instalar nos sertões, mas são os portugueses que percebem nas terras das cangueras a possibilidade de novos ranchos. 1- A chegada do governador Francisco de Souza abre campo para a instalação de fogos/ranchos e fazendas em todo o oeste piratiningo, e ele mesmo despacha das minas de ferro do Ybiraçoiaba, onde instala a Villa de Nª Sª do Monte Serrat. 2- A região das terras das cangueras passa a ser um entroncamento na comunicação terrestre na via principal do Piabiyu. A terra é boa para cultivo e não falta água para irrigação. Com os nativos em fuga nas sorocas e no Wotucatu, os portugueses, assim como a gente mameluca, arrancham a colonização em definitivo.

Século 18 A expulsão dos jesuítas e o reordenamento fundiário pombalino, feito com mão de ferro pelo Morgado de Matheus, primeiro capitão-general da Capitania paulista, faz nascer novas vilas a partir da quebra das velhas sesmarias e fazendas. 1- Surgem várias fazendas nas terras de cangueras e uma delas leva mesmo o nome de Fazenda Canguera, que passa por vários proprietários, que são agropecuários e preadores, e um deles tornou-se famoso pela crueldade, tanto que o seu nome [Manuel da Costa Nunes] era sinônimo de manduzinho, i.e., diabinho. Depois de ter sido capataz, torna-se dono da fazenda. 2- No entroncamento de cangueras já existe certo assentamento de fogos por famílias que tentam a sorte na área hortifrutigranjeira e na área pecuária e têm, inclusive, produção comprada por intermediários da Capital paulista, a exemplo de outras paragens no sertão. As carroças de bois sulcam e perpetuam as trilhas do Piabiyu, de um lado, para a região das sorocas, do outro, para a Koty e Ibitátá. É o interior sertanejo a abastecer a Capitania.


3- É neste abastecimento precário que o Morgado de Mateus, governador da colossal Capital paulista vê, em 1765, a possibilidade de mobilizar e dar civilização ´ocidental e cristã´ à região: ele aproveita a mente republicana e municipalista já dinâmica na colônia para gizar um plano de desenvolvimento a começar pela construção de novas vilas ao longo do Piabiyu e dar vantagens econômicas e segurança às vilas antigas. Quando termina a sua gestão, em 1775, o morgado e governador é tido como “povoador”. Na verdade, ele impulsionou o municipalismo de tal maneira que aí se formou um núcleo brasileiro com o pensamento no Brasil-nação...

Século 19 Parte Primeira

O Tropeirismo

[pintura de Rugendas]

A atividade do Ciclo Tropeiro aumenta a produção agropecuária e frutífera entre cangueras; e, logo, a modernização industrial nas vias de comunicação altera os planos social e econômico da região. 1- Desde o Rio Grande e Viamão, tropeiros reinventam as vias de abastecimento para Sorocaba, as minas do centro-oeste e a própria Capital, com descida para Santos. 2- Todas as regiões agropecuárias e frutigranjeiras a oeste da Capitania ganham importância. A economia organizada é um bem para todas as gentes, apesar do ouro e dos diamantes. 3- A já famosa Fazenda Canguera passa a ser também ponto de encontro de tropeiros que se dirigem para a costa de Santos e S. Vicente. E da Koty, agora Acutia situada no sertão itapecericano, saem empreendedores dispostos a bons negócios na terra de cangueras, como rezam vários testamentos e registros religiosos.


Fértil historicamente, o Século 19 faz a região das cangueras viver momentos escaldantes: primeiro, a Lei Áurea, que acaba [oficiosamente] com a escravatura; segundo, a Independência do Brasil no discurso de Diogo Feijó nas cortes de Lisboetas [25 de Abril de 1822] e, logo, a 7 de Setembro, na declaração imperial do corte político e administrativo com Portugal. E, enquanto isso, o tropeirismo definha e acaba quando das minas não se extrai mais o ouro e os diamantes no nível industrial necessário à sua manutenção. Mas, o Brasil imperial tem um empreendedor que, apesar de boicotado até pelo imperador, ousa mostrar que a Nação pode ser econômica e industrialmente sustentável com parques têxteis, navegação nos principais rios e uma linha férrea a ligar portos e centros de produção. É o barão de Mauá.

Parte Segunda

Caminho De Ferro & Sertão

[a estrada de ferro sulca o sertão]

A estrada de ferro é uma modernidade industrial que rasga as terras da América do Norte e da Europa levando progresso e conforto. A primeira a ser instalada foi a da linha Stokton-Darlington, na Inglaterra, com 60 km de trilhos, inaugurada em 27 de Setembro de 1825. Com empresários e políticos brasileiros em viagens cada vez mais constantes pelo mundo, e particularmente, França e Inglaterra, a novidade da maria-fumaça não tarda em ser discutida. Ainda em 1839, brasileiros levam um esboço de projeto ao engenheiro Robert Stephenson: a construção de uma estrada de ferro na Serra do Mar, uma vez que o porto de Santos está isolado do planalto paulista e das áreas produtivas. Robert é filho


de George Stephenson, que inventou a primeira locomotiva a vapor e construiu a linha Manchester-Liverpool. Mas, o projeto fica apenas no papel, como tantos outros... Entre os empreendedores do Brasil está Irineu Evangelista de Souza, barão de Mauá, e da sua ousadia nasce o projeto e a realização da estrada de ferro na linha Porto de Mauá a Fragoso, no Rio de Janeiro, com 14,4 Km logo ampliado para 15,19 Km. Inaugurada em 30 de Abril de 1854 com administração da Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petropolis, eis o fruto do empreendedorismo do Barão de Mauá.

[Mauá e a sua maria-fumaça. Certificado da Companhia.]

E, em 1859, finalmente, o Barão de Mauá convence o imperador Pedro da necessidade de uma estrada de ferro a ligar São Paulo ao Porto de Santos, e o próprio barão projeta e coordena os estudos para a área entre Jundiaí e o alto da Serra do Mar. Abre-se ao tráfego ferroviário, em 16 de Fevereiro de 1867, a São Paulo Railway. E, logo, em 1870, surge a Estrada de Ferro Ytuana, fruto de uma concessão a ligar Itu e Jundiaí, para, em 1877, chegar também a Piracicaba. O progresso é tal que alinha prolonga-se até São Pedro e depois até Botucatu, para embarcar a produção ribeirinha na foz do Rio Tietê e no Salto de Avanhandava.

Ligam-se os sertões pelo movimento metálico da maria fumaça. E a economia do Brasil imperial trilha os objetivos do capitalismo liberal. A região das cangueras não pode ficar a ver a passar a maria fumaça sem embarcar no projeto de um Brasil de e para todos. De importância extrema na ligação mercantil e agropecuária, enquanto entroncamento, dos sertões no oeste paulista, a região das cangueras é ponto de passagem logo assinalado pelos empreendedores e engenheiros da ferrovia.


E é. Pelo que em 1892 as companhias Ytuana e Sorocabana unem-se, técnica e administrativamente, e o trecho da linha Itu-Mairinque é assentado com bitola ampliada para 1 metro, i.e., um ramal para Jundiaí e outro para Mairinque.

O presidente da estrada de ferro é o conselheiro Francisco de Paula Mayrink, cujo olhar geossocial e mercantil perspectivou o entroncamento da região das cangueras como eixo para o progresso harmonioso da maria-fumaça paulista.

Sobre a EFS Os trilhos da EFS serviram (e ainda servem) de apoio ao desenvolvimento industrial e agrícola do oeste paulista. A linha tronco expandiu-se e chegou a Presidente Epitácio [1922] e a Presidente Prudente [1929], o que foi possível pela abertura de pátios e estações em Itararé e Iperó [1909 seguindo a rota tropeirista do centro-oeste e do sul. Só depois, e até Mairinque e Amador Bueno [em Itapevi, então região de Cotia]. A empresa, estabelecida em 2 de Fevereiro de4 1870, tem então um capital inicial de 1 200 contos de réis, depois elevado para 4 mil contos pelo sócio Baptista; entretanto, o sócio Maylasky obtém do governo paulista a garantia de juros de 7% ao ano sobre o capital que fosse investido na ferrovia. Uma ´cartada´ que logo indicia a possibilidade de falcatruas. O primeiro trecho da EFS, de uma linha em bitola métrica, é inaugurado em 10 de Julho de 1875 entre São Paulo e a Real Fábrica de Ferro de São João do [Rio] Ipanema passando por Sorocaba.


Maylasky & Mayrink Empreendedor criativo e de soluções adequadas ao seu tempo, mas com visão além dele, Francisco de Paula Mayrink deixa a diretoria do Banco Comercial e, em 1880, assume a chefia da Estrada de Ferro Sorocabana [EFS]. Criada em 1871, pelo industrial sorocabano Roberto Dias Baptista e pelo militar austro-húngaro Luís Mateus Maylasky [de forte ligação com Portugal, que lhe deu título de nobreza], a EFS estagnou na febre do ouro branco, diga-se, sucesso do algodão, e quase paralisou, porque servia unicamente de base logística àquela indústria.

[Mayrink e Maylasky]

Acusado publicamente de gestão fraudulenta, Maylasky é demitido e Mayrink ratifica as acusações, e de tal maneira o faz que logo demonstra como a EFS poderia sair da estagnação: tudo pode continuar na logística de apoio ao algodão, mas a EFS tem de ser expandida para servir também a indústria cafeeira. Por isso, e de imediato, Mayrink faz os trilhos rumarem para Botocatu atingindo Assis. No mesmo passo, a EFS integra a Estrada de Ferro Ythuana. O oeste paulistano desenvolve-se com as marias-fumaça depois dos bandeirantes e do tropeirismo.


Uma Ilha Ferroviária

No meio do sertão, os santuários espirituais tupi-guaranis dão lugar a uma fazenda colonial e esta transforma-se em vila operária para abrigar uma ilha ferroviária...

do pó que nos é alma erguemos civilização na vila fazemos nação o progresso arranca de nó em nó desatamos o velho nó eis a rota onde não há lugar para gente só

BARCELLOS, João – “Entre Mayrink e o ferro d´Ypanema”, poema. 1996.

Para engrossar o ´caldo´ do progresso instalado na Villa o melhor ´condimento´ está no modernismo da época: a arquitetura d´art noveau. Melhor ainda: convidar o arquiteto Victor Dubugras, francês com estudos na Argentina e ligação acadêmica no Brasil (quando se radica em São Paulo), para esboçar o projeto Estação Mayrink.


Ele é um dos mais representativos arquitetos dos novos traços urbanísticos que surgem na América do Sul e opera o gótico e o colonial, o ecletismo funcional e a art noveau.

Parte do seu traço lembra o gótico e o colonial de José Custódio de Sá e Faria, engº-militar que atuou com o Morgado de Mateus no Século 18 e legou uma marca urbanística que resiste até hoje. Entretanto, Dubugras vai além e esboça um projeto onde introduz novas técnicas de construção e logística – a saber: a) desenha uma estação ferroviária com base no concreto armado; b) faz da estação uma ilha que é farol logístico dando passagem a diversa navegação ferroviária. E, aqui, ele retoma a essência das confluências logísticas do Piabiyu guarani onde ora assentam as estradas de ferro do sertão ao litoral... Inaugurada em 1906, a Estação Ferroviária Mayrink torna-se modelo modernista na construção e por situar-se entre os trilhos. Por que a Estação Mayrink chamou a atenção política? Porque ela seria o nó logístico de apoio na nova linha férrea a ligar a Real Fábrica de Ferro de São João do [rio] Ipanema, na região das sorocas, a São Paulo e ao litoral, com uma extensão de 120 km – linha inaugurada em 1872.


Deve se lembrar que da Estação Ipanema, na Real Fábrica de Ferro São João do [rio] Ipanema, saíram armas e munições para a Guerra do Paraguai e – na tradição da Família Sardinha, que ali no Cerro Ybiraçoiaba inaugurou a primeira usina de fundição das Américas, no Séc. 16 – produzia utensílios domésticos, agrícolas, engenhos de açúcar e café, luminárias, etc. e etc., e essa estação foi construida em 1928, e mudou o nome para Varnhagen, em 1949, para homenagear o ybiraçoiabano Visconde de Porto Seguro.

Com término da Guerra do Paraguai a linha férrea passa a ter uma função primordial no desenvolvimento socioeconômico do Brasil e a Estação Mayrink tem, então, um papel logístico de grande importância enquanto a de Ipanema vira um ponto de passagem. Hoje, a Estação Mayrink é um ponto de estudos arquitetônicos no campus do urbanismo que se readapta aos novos tempos sociais e industriais. Entre acadêmicos e economistas, eis que a Estação Mayrink retorna à sua função com a redescoberta da importância dos caminhos de ferro para a economia do Brasil e da América do Sul.

Cecília Uma Elegante Maria-Fumaça

Após dominar parte da malha ferroviária norte-americana e europeia, a locomotiva Baldwin chegou ao Brasil com o empreendedorismo do Barão de Mauá. Algumas


delas integraram a Estrada de Ferro Sorocabana, mas também muito utilizadas no transporte de cana d´açúcar no velho sertão do oeste paulista. Uma dessas locomotivas, do tipo “a vapor”, estava nos trilhos sorocabanos de entre a Estação de Ipanema – ou, leia-se Real Fábrica de Ferro de São do (Rio) Ipanema – e a Estação de Mairinque. Não se sabe ao certo o porquê do nome, mas os funcionários do início do século 20, em Mairinque, batizaram a maria-fumaça (construída em 1906) de “Cecília” – e assim ela está exposta hoje publicamente na cidade que leva o nome do empreendedor Mayrink. Segundo dados da EFS, o Brasil adquiriu um lote de locomotivas Baldwin a vapor, substituídas depois pelas de tecnologia diesel-elétrica. A maria-fumaça do tipo “Cecília” ficou muito popular no oeste e centro-oeste paulista, do mesmo modo que ficou na memória de americanos e europeus. É este tipo de “cavalo de ferro” que nos surge como cartão postal em muitas cidades brasileiras. A construção pesada e ao mesmo tempo elegante deste tipo de maria-fumaça dominou a imaginação de muitas gerações que tinham a estação ferroviária como ponto de encontro. Ela faz parte da memória coletiva do Brasil paulista e, muito em particular, das gentes de entre Ipanema e Mairinque, além de ser parte da base histórica “São Paulo: a locomotiva do Brasil”. BARCELLOS, João Fazenda Ipanema, RFFSJI / 2011.

Parte Terceira E assim nasce Mairinque... A região do entroncamento de cangueras fica no rumo da vila sanroquense dos vinhos, fundada no Século 17 pelo capitão Vaz-Guassu. É um local de muita produção marmeleira, vinhos, algodão, e está muito próxima à Fazenda Canguera... A velha Fazenda Canguera tem como último proprietário o fazendeiro Antônio da Silva Eugênio Bey, e em seu território o que existe é já um vilarejo de agricultores e tropeiros. Logo recebe, também, operários ligados à expansão da estrada de ferro, e a população residente chama a vila de manduzinho, para não esquecer aquele diabinho que fora capataz e dono da fazenda.


Obviamente, a expansão ferroviária atrai mais famílias e mais comércio para as suas margens e dá mais vida às vilas existentes. A do manduzinho é uma delas. Com uma perspectiva de progresso, a companhia ferroviária dirigida pelo conselheiro Mayrink adquire na região de cangueras 264 alqueires e amplia o vilarejo.

A expansão dinâmica do movimento da maria-fumaça tem a direção da Serra do Mar e do litoral, e, em 1890, a vila é assinalada ainda como estação Canguera. Alguns a querem como Manduzinho, mas a maioria da população residente opta, em 1892, por dar o nome de Mayrink à estação e à vila. Uma justa homenagem a quem logrou dar alcance social e econômico a um vilarejo parado no tempo tropeiro.


27 de Outubro de 1890

Surge o oeste da Villa de Sam Paolo dos Campi de Piratin [grafia antiga] mais uma vila com origem numa fazenda. Uma pá de jacarandá com cabo e adornos de prata artisticamente representando a flor-de-lis nos cantos memoriza: Inauguração da Vila Mayrink, 27 de outubro de 1890.

Século 20.

Distrito Judicial A vila passa, em 1904, a ser região Judicial.


Distrito de Paz Em 24 de Setembro de 1908, pela Lei Estadual nº 1131, é criado o Distrito de Paz de Mairinque, no Município e Comarca de São Roque.

1931 Estação Canguera Com trilhos de ida e vinda, é inaugurada em 24 de Maio de 1931 a Estação de caminhos de ferro da Canguera. A primeira estação é um trem, a segunda uma casa de madeira e, em 1934, já de alvenaria, recebe o telégrafo. 1931 Cine Mairinque Construído pela Sociedade Recreativa Mairinque, o Cinema é, ainda hoje, uma estrutura urbana de alto valor arquitetônico e funcional. [Desde 2009 sedia o Centro Municipal de Educação e Cultura – CEMEC] 1953 Ambiente Religioso A colonização luso-cristã assentou no Brasil, desde os primeiros fogos dos portugueses de serr´acima, um ambiente religioso que levou as pessoas a transitarem entre as paróquias para celebrarem a fé, em procissões locais ou em caminhadas e cavalgadas para locais mais distantes.

[imagens publicadas por José Carlos Rodrigues – in historiascaipiras.blogspot.com.br]

E assim, em meados do Séc. 20, em 1953, gente de Mairinque, como os Villioti, os Godinho e Tino Barbeiro, entre outros, organizaram a primeira Romaria a Pé ao Santuário do Bom Jesus de Pirapora – uma tradição consolidada junto da Paróquia de São José. Além da tradicional “romaria a pé”, Mairinque tem hoje também a Romaria dos Cavaleiros de São Jorge, que faz jus à relevante odisseia dos tropeiros ao tempo da Fazenda Manduzinho, a par da gastronomia da Queima do Alho.


1958 Liberdade & Plebiscito O desmembramento territorial de São Roque, diante das possibilidades econômicas da villa de canguera, só é possível pela batalha social e política de gente aguerrida como João Chesini, Arganauto Ortolani, José Francisco dos Santos, Francisco Rodolpho Bertollini e Luiz Zaparolli. É constituída a Comissão Pró-Emancipação de Mairinque em 23 de Janeiro e agendado o plebiscito para 7 de Dezembro. Após o plebiscito, Mairinque torna-se município e o primeiro prefeito é Arganauto Ortolani, que administra de 1960 a 1963, tendo como vice-prefeito José Francisco dos Santos. As primeiras providências são a instalação da Prefeitura e da Câmara Municipal, que vêm a funcionar no velho prédio que logo sediará a Delegacia de Polícia, no centro da cidade, e aquisição de um caminhão basculante para coleta de lixo, porque o serviço é executado pela Estrada de Ferro Sorocabana com uma carroça puxada por burro.

Municipalidade A lei estadual nº5285, de 18 de Fevereiro de 1959, cria, entre outras, a Municipalidade de Mairinque.

Lei nº 5.285, de 18 de fevereiro de 1959 Dispõe sobre o Quadro Territorial, Administrativo e Judiciário do Estado, para o qüinqüênio 1959-1963 e dá outras providências. Francisco Franco, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, tendo em vista a rejeição do veto parcial aposto pelo Governador do Estado ao Projeto de Lei nº 2.052, de 1958, de que resultou a Lei nº 5.121, de 31 de dezembro de 1958, promulga, com fundamento no artigo 25, parágrafo único da Constituição do Estado e de acordo com o artigo 243, § 2.º, do Regimento Interno, a seguinte lei: Artigo 1.º - O Quadro Territorial, Administrativo e Judiciário do Estado, para o qüinqüênio 1959-1963, é o estabelecido nesta lei. Artigo 2.º - Os atos que disserem respeito à interpretação das linhas divisórias intermunicipais e interdistritais, que se tornarem necessários à sua perfeita caracterização, atendendo às conveniências de ordem geográfica ou cartográfica, poderão ser executados a qualquer tempo.


Artigo 3.º - O Quadro Territorial, Administrativo e Judiciário do Estado compreende 195 comarcas, 505 municípios e 841 distritos, conforme os anexos nº s 1 e 2, que ficam fazendo parte integrante desta lei. Artigo 14 - Aplicado o critério estabelecido pelo artigo 2.º e seu parágrafo único da Lei nº 1.174, de 21 de agosto de 1951, o número de vereadores dos municípios criados por esta lei, é fixado, para a primeira legislatura, da seguinte forma: a) 23 (vinte e três) para Osasco b) 11 (onze) para Inúbia Paulista, Itapevi,

Mairinque, Nova Odessa e Santa

Albertina. [...] Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, aos 18 de fevereiro de 1959. a) Francisco Franco, Presidente Publicado na Secretaria da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, aos 18 de fevereiro de 1959. a) Francisco Carlos, Diretor Geral - Substituto.

Sede Em divisão territorial datada de 1º de Julho de 1960, o município é constituído do distrito sede e assim permanece. 1980 Pela lei estadual nº 2343, de 14-05-1980, é criado o distrito de Alumínio e anexado ao município de Mairinque. 1986-87 Estação Mayrink / Patrimônio Histórico Estação Ferroviária de Mairinque / Número do Processo: 24383/86 Resolução de Tombamento: Resolução 46 de 28/10/86 Publicação do Diário Oficial Poder Executivo, Seção I, 29/10/1986, pg.19 Livro do Tombo Histórico: inscrição nº 257, p. 68, 23/01/1987 A autorização para a construção da Estrada de Ferro Sorocabana foi dada em 1870, atendendo aos interesses da economia algodoeira. Em 1895, inaugurou-se a sua primeira estação, em madeira. Nesta ocasião, devido a problemas financeiros, a Companhia União Sorocabana foi adquirida pelo governo do Estado de São Paulo que a arrendou à Sorocabana Railway Company até 1919, voltando, neste ano, a ser administrada pelo governo estadual. O projeto para a construção da Estação de Mairinque foi elaborado por Victor Dubugras, entre 1902 e 1907, cabendo ao engenheiro Alfredo Maia auxiliá-lo nos cálculos estruturais. De linhas avançadas para a época, o uso do concreto armado possibilitou o arrojo na concepção dos espaços. O partido adotado é o de estação-ilha, isolado entre duas linhas férreas, com acesso às plataformas através de um túnel sob os trilhos. [Obs.: como a Estação já havia sido oficialmente inaugurada em 1931, o novo edifício em art-noveau de 1906 foi entregue sem cerimonial.]

1991 Início das atividades para transformar o Distrito de Alumínio em Município. Rodovalho De fazenda e Indústria a Cidade O bairro de Santo Antônio surge do pátio industrial estabelecido para beneficiamento de calcário pelas empresas do coronel Antônio Proost Rodovalho, e quando a Villa de Canguera tornou-se município com o nome de Mairinque é que o Bairro Santo Antônio virou Bairro do Rodovalho. Era uma fazenda, virou indústria e estação ferroviária. A fabricação do Cimento Rodovalho iniciou-se em 1892.


[O coronel Rodovalho, a estação ferroviária e a fábrica de cimento]

No ano 1941, Pereira Ignácio, em parceria com o genro José Ermírio de Moraes, forma a Sociedade Anônima Votorantim e monta uma fábrica de alumínio. A nova indústria é batizada como Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), fundada em 1955, e mantém sua história diretamente ligada ao município, daí o nome Alumínio. O bairro foi elevado à categoria de distrito de Mairinque, em 1980, e logo quer a sua emancipação, uma vez que já tem demarcação territorial [divisas com Mairinque, Sorocaba, Votorantim e Ibiúna], tem 5 vereadores na Câmara de Mairinque, número de habitantes superior a 10.000 e eleitorado superior a 10% do total de residentes, e renda mínima suficiente. E assim é que Alumínio se desmembra de Mairinque e surge como município em 2 de abril de 1993. Hoje, no Sec. 21, tem aproximadamente 17.000 habitantes e a maior fábrica de alumínio da América Latina.

1991 Criado o Hino de Mairinque pela Lei 1.665. 1993 Mario Nishimori funda a Folha de Mairinque. 2000 [29 de Agosto] Mairinque é elevada à categoria de Comarca.


Estrada de Ferro

A História Da

Mairinque-Santos

Projetada desde 1889, segundo a logística da malha piabyuana guarani, a Mairinque-Santos é um caminho de ferro que quebra o monopólio da SPR para ligar o interior ao litoral e a sua construção inicia-se em 1929 para ser terminada só em 1937.


O plano? A ligação das duas frentes: a de Santos e a de Mairinque. A obra passa ser uma das mais comentadas no campo da logística nacional, porque mesmo antes de ser entregue já locomotivas trafegavam desde 1930: o trecho desde Santos até Samaritá havia sido adquirido em 1927 da Southern São Paulo Railway, operante desde 1913. Com o fim da Sorocabana e a criação da Fepasa, em 1971, a linha é prolongada até Boa Vista [retificação do antigo ramal de Campinas]. O tráfego de passageiros entre Mairinque e Santos acontece até 1975 e, entre Embu-Guaçu e Santos, até 1997.

O sr. dr. Agenor Guerra Corrêa, chefe do serviço de construção da linha Mayrink-Santos, no trecho 51, em companhia de outros engenheiros e pessoal da Sorocabana, junto ao marco inicial da estrada, próximo à estação de Samaritá. Foto e legenda: jornal A Tribuna, Santos, 15/9/1929 [coleção do Museu da Companhia Paulista - in site E.F.Brasil].

Alterações Operacionais Em 1930, a oficina da Estrada de Ferro Sorocabana é transferida para Sorocaba. Com a mudança, Mairinque tem uma queda no desenvolvimento e quase desaparece do mapa paulista.


Em 1978 é inaugurada uma linha entre Paraitinga (uma estação próxima a Samaritá) e Piaçagüera, na E.F. Santos a Jundiaí, o que permite que trens com pedras calcárias da região de Sorocaba cheguem às linhas de produção de aço da Cosipa. No início dos anos 1990, a linha Mayrink-Santos é reformulada com a introdução de bitola dupla [1.00 m/1.60m] e a duplicação no trecho na Serra do Mar. A linha Campinas-Mayrink da antiga E.F. União Ythuana / E.F. Sorocabana também passa por reformulação e todos os trens do interior paulista chegam a Santos (e viceversa) nos trilhos da Campinas-Mayrink-Santos e sem dependerem das complicadas e congestionadas rotas para intercâmbio de linhas da capital paulista. Mais tarde, as linhas da antiga E.F. Santos a Jundiaí passam ao controle da M.R.S. Logística, enquanto a de Mairinque a Santos passa a ser operada pela empresa Ferrovias Bandeirantes S.A. (Ferroban), subsidiária da Brasil Ferrovias S.A.

Recuperação da Malha Ferroviária Brasileira Passa por Mairinque

Em março de 1997, a América Latina Logística – ALL obtêm o direito de explorar com exclusividade a infraestrutura ferroviária na Malha Sul brasileira e já em 1998 opera a parcela sul da Malha Paulista. A empresa, agora América Latina Logística – rumo ALL possui várias concessões ferroviárias no Brasil, totalizando 12,9 mil km de ferrovias, cerca de 1.000 locomotivas e 27.000 vagões, “bagagem” ferroviária que lhe permite transportar commodities agrícolas e produtos industriais. Entre os trilhos paulistas o entroncamento de Mairinque continua como polo de desenvolvimento na logística sul-americana.


MUNICIPALIDADE


Bandeira, BrasĂŁo, Hino & Poder Municipal.

SĂ­mbolos & Hino


Lei Municipal nº 804/1977 Institui a bandeira do município de Mairinque e dá outras providências: Antônio Alexandre Gemente, Prefeito Municipal de Mairinque (SP), usando das atribuições legais que lhe são conferidas, faz saber que a Câmara Municipal decreta e ele promulga a seguinte Lei: Artigo 1 - Fica instituída a Bandeira do Município de Mairinque, que terá as seguintes características, conforme modelo anexo que, devidamente rubricado pelo Prefeito e pelo Presidente da Câmara, fica fazendo parte integrante desta Lei: Bandeira na medida oficial de 1,95m por 1,35m, apresentando seu campo em três partes ou palas iguais, sendo na primeira, junto à driça verde, que simboliza a esperança, a alegria, o entusiasmo, a riqueza e a liberdade; no centro, sobre o campo branco que evoca a vitória, a pureza do ideal o brasão de armas do Município de Mairinque, nas suas cores ou esmaltes; no terceiro campo, de azul, simboliza a lealdade, saber, majestade, prudência e serenidade. Artigo 2 – Para ocorrer às despesas com a confecção da Bandeira a que se refere o artigo anterior, fica o Executivo Municipal autorizado a abrir um Crédito Adicional Especial no valor de Cr.500,00 (sete mil e quinhentos cruzeiros). Artigo 3 – O Crédito autorizado no artigo anterior será coberto com os recursos provenientes do excesso de arrecadação apurado tecnicamente no presente exercício. Artigo 4 – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.


Lei Municipal nº 814/1977 Introduz modificações no Brasão de Armas do Município de Mairinque e dá outras providências: Antônio Alexandre Gemente, Prefeito Municipal de Mairinque (SP), usando das atribuições legais que lhe são conferidas, faz saber que a Câmara Municipal decreta e ele promulga a seguinte Lei: Artigo 1 – O Brasão de Armas do Município de Mairinque passa a ter as seguintes características na sua composição: Escudo redondo, cortado e partido, tendo no primeiro campo, de ouro, o perfil do edifício de uma indústria na cor prata; no segundo campo, de blau, uma roda dentada de ouro; no terceiro campo, do mesmo metal que o segundo, uma locomotiva de ouro. À destra, um ramo de carvalho na sua cor. Num listel de blau, em letras de ouro, a legenda latina “ITINERE MEO LUX REFULGET” (No meu caminho resplandece a luz). Por timbre, uma coroa de prata, com oito torres, por ser característico de Município. Artigo 2 – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário e, em especial o artigo 1º da Lei Municipal nº803/77, de 17/10/77.


CANTO A MAIRINQUE I O progresso conduzindo para as bandas do ocidente, trilhos férreos que se estendem lançam aqui sua semente. II Onde outrora foi Cangüera do tupi o nome primeiro, hoje ostenta em homenagem o que lembra o Conselheiro. III Das terras do Manduzinho eis o mais belo recanto, um prêmio da natureza a irradiar seu encanto. IV Ao nascer co’a ferrovia herda força e diligência, e no ardor da evolução, jovem ganha a independência. V A cidade inda menina, neste outeiro cresce, avança, e o verde cinto que a envolve resoluta breve alcança. VI Oh cenário Mairiquense; pitoresco e invulgar; de paisagem mui singela lindo cromo está a lembrar. VII É Mairinque destacada, por seu clima, por sua gente; esta terra acolhedora, onde tão feliz se sente. VIII Solo rico e produtivo, com razão seu povo canta; frutos vários e deliciosos, tudo dá que aqui se planta.


IX Colinas tão verdejantes, oh que ar puro e saudável! molduras de eucaliptos a difundir aroma afável. X Um rincão privilegiado dá a seus filhos ufania e os que buscam seus domínios rogam-lhe a cidadania. XI ao citá-lo, assim em versos, tão modestos quão sinceros, ponho aqui minha amizade ao local que tanto quero, XII que se orgulha de teu povo de conduta modelar, e que tem como divisa o trabalho, a fé e o lar.

Letra: José Pinto do Amaral Música: Maestro Benedito Camargo


EMANCIPAÇÃO

Emancipação 1 É tentada pela primeira vez, em 1953, a emancipação política do Distrito, mas fracassa, porque ainda não existem condições objetivas.

Emancipação 2 Com o apoio de toda a população, é feito plebiscito em 7 de 1958; o ato político leva à criação do Município de Mairinque, através da Lei nº 5285, de 18 de Fevereiro de 1959, e a população mairinquense elege Arganauto Ortolani como primeiro Prefeito.


DADOS MUNICIPAIS Políticos & Administrativos [Atualizados em 2013]

Localização

O município está situado no interior do Estado paulista, a 70 Km do marco-zero da capital, à qual se liga pela Rodovia Raposo Tavares e também pela Rodovia Castello Branco, ambas oriundas da malha do Piabyu [ou Peabiru] por onde se iniciou a colonização feita pelos portugueses no eixo da ´linha´ do Tratado de Tordesilhas.

Fundação

27 de Outubro de 1890. Inicialmente chamada "Vila Mayrink", como parte de São Roque, torna-se município com o nome de "Mairinque" em homenagem ao diretor da ferrovia Francisco de Paula Mayrink. Nas margens da Estrada de Ferro Sorocabana, e ponto do principal entroncamento do ferroviário do Estado paulista, Mairinque alia uma natural vivência rural com o movimento ferroviário de cargas.

A estação ferroviária é a primeira arquitetura de concreto armado do Brasil, estrutura idealizada pelo arquiteto francês Victor Dubugras, abriga o museu da Estrada de Ferro Sorocabana.


Território

Mairinque possui uma área de 209,757 km², sendo 18 km² de áreas urbanas, com uma topografia de ligeiras ondulações, o que origina um clima temperado e seco, coma temperatura de 18ºC em média.

Demografia

43.223 Habitantes [IBGE / 2007-2010], com 21.685 mulheres e 21.538 homens para 12.978 domicílios, com a seguinte distribuição territorial: 34.690 na área urbana e 8.533 na área rural. Densidade / 206,07 Hab/Km2 Expectativa de Vida / 72,42 [anos] Taxa de Fecundidade / 2,30 [filhos por mulher] Taxa de Alfabetização / 92,79% Índice de Desenvolvimento Humano / IDH 0,801

[A maria-fumaça e a cidade de Mairinque]

Hidrografia Transportes

A região conta com o Rio Sorocaba e a Represa de Itupararanga.

Servem a região as empresas de ônibus Viação Cometa, Viação São Roque, Rápido Luxo Campinas e Jundiá, além da FERROBAN (antiga Fepasa e atual ALL), com ligação direta com o cais do Porto de Santos, Campinas, Sorocaba, Sorocaba e São Paulo.

Educação A primeira escola pública para as crianças da região é instalada no Arraial dos Sapos sob a batuta progressista de Mayrink, em 27 de outubro de 1890. A casa é rústica e de um cômodo pequeno. O mestre de primeiras letras é Antônio Augusto da Silva, da Escola Normal de Itapetininga: chega diariamente de São Roque, a cavalo ou de "aranha" (carruagem). A escola ganha reforço arquitetônico quando um dos engenheiros da EFS, Henrique Sheveng, percebe que não é mais possível amontoar as crianças... Outra escola de Mairinque é a Escola do Villaça, de 1947. Na verdade, é Grupo Escolar Professor Manoel Martins Villaça, esforçado pedagogo também de São Roque, mas que em Mairinque provou ser possível instruir com qualidade as novas gerações. Depois das primeiras letras, lá vai a juventude mairinquense estudar em outras vilas ou cidades. Até que em 1962 é instalado o Ginásio Estadual de Mairinque. A instalação acontece no edifício do Grupo Escolar Professor Manoel Martins Villaça. A


partir de 1964 passa a ser designado Ginásio Estadual Professora Altina Júlia de Oliveira. Em 1970 o colégio ganha sede própria e passa a funcionar como Colégio.

[Ginásio Estadual Profª Altina Júlia de Oliveira e grupo de alunos da primeira formatura]

Mairinque está no Séc. 21 com uma rede diversificada de ensino público e que atende a demanda educacional da região.

Economia

A partir de finais do Séc. 20 a municipalidade de Mairinque integrouse ao espírito de empreendedorismo que tomou o Estado paulista e logo surgiram focos de modernismo em todas as áreas de atividade profissional, mas também na educação e na cultura. Parte da rotina rural-urbana de Mairinque adaptou-se aos novos tempos e adentrou o Séc. 21 para ser mais uma municipalidade que não vive a ver o tempo passar, mas acolhe o novo e vive nele.

O parque industrial da região expandiu, novas gentes e novas empresas foram acolhidas, e entre as indústrias e outras companhias sediadas estão Cargill, PhytoNatus Nutracêutica, Cuno Latina, Associação Mokita Okada, Agrostahl, Fiorella, Soldatopo, Tortuga, Lancer, Eternox, Fersol, Imagraf, All Flock, Ferplast, Neumatic, Etrúria, CEFRI, Bevi Plastic, Lancer e outras. Obviamente, o progresso industrial não é obstáculo para as atividades de agropecuária e frutigranjeira, pelo que o serviço rural responde por boa parte da renda mairinquense, e a sociedade tem conseguido manter o equilíbrio cidade-campo em níveis de desenvolvimento sustentável.


Turismo

A velha região das cangueras e da maria-fumaça é uma herança do desenvolvimento paulista, logo, Mairinque é uma região de interesse turísticohistórico e isso pode tornar-se mais um fator de desenvolvimento econômico para as novas gerações de mairiquenses.

São José Padroeiro das Famílias de Mairinque

[pintura de Guido Rene, 1635; igreja matriz de Mairinque]

São José ou José de Nazaré, ou ainda José, o Carpinteiro, é, segundo o Novo Testamento, marido de Maria e pai de Jesus. O nome José é a versão lusófona do hebraico Yosef (‫)יוסף‬, com raiz no latim Iosephus. Descendente da casa real de David, é venerado como santo pela igrejas Ortodoxa, Anglicana e Cristã, que o celebra como seu padroeiro universal. A liturgia luterana também dedica um dia [19 de Março] à sua memória. O culto a São José teve início em regiões egípcias. No ano 1870, o papa Pio IX proclamou-o Patrono da Igreja Universal, e, em 1955, o papa Pio XII fixou o culto a São José no dia 1º de Maio – Dia do Trabalhador. Carpinteiro, São José é tido como Padroeiro dos Trabalhadores, e, pela fidelidade a sua esposa e dedicação a Jesus, como Padroeiro das Famílias, emprestando seu nome a muitas igrejas e lugares ao redor do mundo, sendo o padroeiro da Municipalidade de Mairinque, no estado brasileiro de São Paulo.


PODER MUNICIPAL Executivo & Legislativo

Prefeitos Arganauto Ortolani [1960 e 1969], João Chesine [1964 e 1973], Antônio Alexandre Gemente [1977, 1989, 2000], Luiz José Bellini [1983], Luiz José Bellini [1993], João Ideval Cômodo [1997], Dennys Veneri [2005 e 2009], Rubens Merguizo Filho [2013].

Vereança 1960 / João Lucas Ferreira, Luiz Zaparolli, Severino Simões de Almeida, Waldemar Pereira, Antônio Cezar Netto, Abel Souto, Ataliba da Silva, João Chesine, José Angelini, Orlando Silva e Raul Cavalheiro. 1964 / João Loureiro Miranda, Arganauto Ortolani, Benedito Pereira da Silva, Florival Alexandre de Aguiar, Geraldo Pinto do Amaral, João Ramos da Cruz, José Francisco dos Santos, Júlio Pereira Capitão, Orlando Silva, Sadami Hirakawa e Waldemar Pereira. 1969 / João Loureiro Miranda, José Francisco dos Santos, Waldemar Pereira, Aír Sudário da Silva, Arlindo Taraborelli, Florival Alexandre de Aguiar, João Ramos da Cruz, José Rodrigues da Paz Sobrinho, Júlio Pereira Capitão, Mário Nishimori e Orlando Silva. 1973 / Waldemar Pereira, José Netto do Prado, Dagoberto Manoel de Medeiros, Hélio Wanderley Netto, João Loureiro Miranda, José Bento dos Santos, João Francisco dos Santos, José Luiz Bellini, João Pinto do Amaral, Orlando Silva e Sadami Hirakawa. 1977 / José Bentos dos Santos, Arganauto Ortolani, Arantes Bellini, Aristides Ferreira, Dagoberto Manoel de Medeiros, Geraldo Xavier de Lima, João Ideval Cômodo, José Aparecido Tisêo, José Carlos César, José Francisco dos Santos e Mário Miranda do Amaral.


1983 / Geraldo Xavier de Lima, Paulo Assini Junior, Carmo Túlio Martins Camargo, Armando Lino Antunes, Dagoberto Manoel de Medeiros, José Antunes dos Santos, João Batista do Nascimento, José Bento dos Santos, José Carlos César, José Matinaga, Manoel Nelson Ferreira Filho, Manuel Miller e Zacarias Calixto Tobias. 1989 / Jaime Henrique Duarte, Paulo Assini Junior, Carmo Túlio Martins Camargo, Jaime Antunes dos Santos, Luiz Gonzaga Tisêo, Benedito Eduardo Corsi, Luiz Carlos de Oliveira, Severino Dias Ferreira, Dagoberto Manoel de Madeiros, Wilson do Carmo Ribeiro, Vitor Lippi, José Matinaga, João Batista do Nascimento, Benedita Lourdes Totta da Silva, Domingos Gabriel Vernier, Vicente de Paula Alves da Silva e Manoel Nelson Ferreira Filho. 1993 / Domingos Gabriel Vernier, Vicente de Paula Alves da Silva, José Matinaga, Paulo Assini Junior, Manuel Gomes da Conceição, Carmo Túlio Martins Camargo, Valdeci Marques Pereira, Manoel Dorival Nobre, Benedita Lourdes Totta da Silva, Maria dos Santos Mattos, José Roberto Riskallah, Mário Alonso Lopes, Américo Alves da Silva, Benedito Eduardo Corsi, Severeino Soares Ferreira, Uvadil Aparecido dos Santos e José Mariano Azzini. 1997 / Manoel Dorival Nobre, Ricardo de Almeida Souza, Sérgio Antônio Gonçalves, André Gomes Carneiro, Rafael Ernestino de Moraes, Juares Geraldo Reis, Maria Madalena de Aguiar, Paulo Roberto Maretto, Aurea Rolim de Paula, Valdeci Marques Pereira, Sandro Mauro do Nascimento, Paulo Assini Junior, Vicente de Paula Alves da Silva, Darci José de Aguiar, Milton Mitsuo Enokibara, Arnaldo de Jesus Oliveira e Antônio Gilberto de Lucca. 2000 / José Carlos Pereira Moreira, Manoel Lourival Nobre, Arnaldo de Jesus Oliveira, Taufic Elias Fandi Junior, Cosme José da Silva, Paulo Sérgio Batista, Marcilio Duarte Lima, Reinaldo Tibúrcio, Ildeia Maria de Souza, José Martins de Oliveira, José Teixeira de Macedo, Paulo Assini Junior, Ricardo de Almeida Souza, Almir Silva Dias, Benedita Lourdes Totta da Silva, Oséas Francisco Pereira Filho e Juares Geraldo Reis. 2005 / Ricardo de Almeida Souza, José Ednilson Santana Lima, Taufic Elias Fandi Junior, Arlindo Sales, Eredina Gonçalves Rocha, André Gomes Carneiro, Luiz Barbosa Filho, Manoel Lourival Nobre e Paulo Sérgio Batista. 2009 / Alex Gomes Costa, André Gomes Carneiro, José Teixeira de Macedo, José Luiz Alves dos Santos, Geovana Barbara Souto, Sérgio Raimundo Ribeiro, Aline dos Santos da Silva, Ricardo de Almeida Souza, Ildeia Maria de Souza e Arlindo Sales. 2013 / Carlos Alberto Reis, Rodrigo Augusto Conceição, Giovanni Huggler, Riberto Wagner Simão Ierck, José Teixeira de Macedo, Hélio Moretto Junior, Vitório Aldigheri Junior, Ovídio Alexandre Azzini, Maria Selma da Silva, Ildeia Maria de Souza, Kioshi Hirakawa, Abner Segura Fernandes e Fábio Melo dos Santos.


ANEXOS

Um Empreendedor Chamado

MAYRINK *

A Contribuição Japonesa Na Descoberta Do Eldorado Verde *

Região das Cangueras, Fazenda Manduzinho & Piabiyu


Um Empreendedor Chamado

MAYRINK

Entre as manobras políticas para deixar o Brasil como colônia e não despertar nele uma Nação continental, dois notáveis empreendedores se destacam: o Barão de Mauá e o Conselheiro Mayrink. Arredios à pasmaceira imperial e à hipocrisia imperial dos republicanos, ambos despertam Brasil e, cada um no seu tempo, realizam obras de grandeza social e industrial. Conselheiro do Império brasileiro, Francisco de Paula Mayrink nasceu [8.12.1839] e morreu [01.1.1907] no Rio de Janeiro. Banqueiro e empresário, ele era irmão do Visconde de Mayrink. Na juventude, após uma briga de rua com um camarada caixeiro (ele trabalhava numa loja na Rua


Matacavalos, no Rio), foi enviado pelo para a Escola Militar de Porto Alegre, mas abandonou as ´armas´ e foi estudar na Escola Politécnica do Rio de janeiro, estudos que também abandonou para se integrar como amanuense no Banco Comercial do Rio de Janeiro, que tinha o próprio pai como um dos fundadores. Com uma disciplina e autocrítica que o profissionalizou, galgou a hierarquia e foi eleito, em 1876, diretor da instituição. Foi nessa época que Francisco de Paula Mayrink conheceu os problemas administrativos, técnicos e financeiros da Estrada de Ferro Sorocabana. A diretoria da sorocabana estava nas mãos de Luíz Matheus Maylasky, que logo foi demitido sob a acusação de má administração da companhia ferroviária. O estudo geo-agrário feito por Mayrink apontava a necessidade de a companhia acompanhar os ´trilhos´ da expansão cafeeira paulista e buscar um entroncamento natural no sertão do velho Piabiyu para as manobras de distribuição. Um dos entroncamentos era perto de São Roque, na região de cangueras, onde ainda existia a Fazenda Canguera, embora que precariamente e já com feição para ser mais um vilarejo no sertão. O povo da região de cangueras, ao transformar a velha fazenda no Vilarejo Canguera optou, com justiça, em dar o nome Mayrink à nova vila. A expansão da estrada de ferro no oeste paulista deu a Mayrink uma projeção política enorme e o seu nome passou a ser referência no cenário nacional. O maior creso brasileiro da sua época, os seus negócios tangiam setores como imigração, iluminação e gás, imprensa, fotografia, transportes, lavoura, higiene, divertimentos públicos, teatro, bancos, companhias de estrada de ferro, carris urbanos, navegação, indústrias, estaleiros, docas, usinas e fábricas. Mayrink foi vice-presidente do Clube de Engenharia, fundador da Sociedade Brasileira de Geografia, cônsulhonorário do Chile no Brasil, e fundador da coleção do Museu Paulista.


A Contribuição Japonesa Na Descoberta Do Eldorado Verde

As primeiras décadas do Século 20 trazem para o Brasil milhares de estrangeiros, mais portugueses e italianos, alemães e russos, mas é a gente japonesa que chega e percebe o eldorado verde. E percebe um dado hidro-geográfico que os colonos portugueses e espanhóis deixam de [a]notar nos Séculos 16 e 17: os povos nativos montam as suas cangueras e as suas aldeias de referência – como as Koty, q.s. ponto de encontro – em locais que sinalizam as suas idas e vindas pelo Piabiyu. São rios e riachos, olhos d´água, e uma advertência: nunca ficar longe dos mananciais.


A leitura que a gente japonesa faz da estrutura hidro-geográfica, que sinaliza a vivência dos povos nativos, leva-a a perceber a existência do aquífero guarani, a maior reserva d´água doce da Terra. A fundação da Cooperativa Agrícola Cotia [CAC] deve-se a essa leitura das potencialidades hidro-geográficas, e então, a CAC expande-se no oeste piratiningo, e daqui para o centro-oeste e para o sul, como havia acontecido com os bandeirantes e os tropeiros. Uma das regiões para assentamento de cooperados é a região das cangueras a partir da Vila Mayrink e a aproveitar já as facilidades logísticas de escoamento de produção pela estrada de ferro. A integração da gente japonesa na região de Mairinque é lenta, mas percebida social e economicamente pelos habitantes, que logo se rendem à criatividade e ao engenho nipônico de viver.

A imigração japonesa em Mairinque alavanca a atividade agrícola da cidade. Muitas cidades brasileiras possuem cidades irmãs japonesas e Mairinque possui duas: a cidade de Mitsuke (que é nome de uma avenida no Jardim Cruzeiro) e a cidade de Ino. Mitsuke (見附市 -shi) localizada na província de Niigata. Na região, a Associação Cultural de Mairinque é foco sociocultural tendo as tradições nipônicas como base das atividades.


Região das Cangueras, Fazenda Manduzinho & Piabiyu [estudos]

Colonização das Cangueras pelas Gentes de Serr´Acima

Das trilhas piabiyuanas percorridas em 1989, com um grupo de portugueses, cariocas e portenhos, resulta, então, uma série de estudos que compartilho em 1992, com Aziz Ab´Sáber, Hernâni Donato e com algumas pessoas de Mairinque, Cotia, São Roque, Araçariguama e Cotia – estudos que me levam fazer um novo traço historiográfico em oposição ao traço oficial luso-brasileiro, errado e impresso nos manuais escolares, e isto porque descubro que o Brasil nasce com as gentes de serr´acima, vindas de Gohayó [S. Vicente], que colonizam os sertões e cangueras a oeste da Villa de Sam Paolo dos Campi de Piratininga com esquina, ou ponto d´encontro na direção Caucaia-Ibiuna e o trevo do Ribeirão da Vargem


Grande na direção da Serra de S. Roque para buscar o ferro e o algodão nas sorocas e no Cerro Ybiraçoiaba [Morro d´Ipanema] e o algodão e o ouro no Cerro Ybituruna [Araçoiaba]... Documentos antigos comprovam este novo mapa e que, nas cangueras de entre Caucaia e Boturanti, os fogos de serr´acima determinam, nos Sécs 17 e 18, a estratégia de urbanização gizada pelo Morgado de Mateus, na reorganização fundiária da Capitania de São Paulo e, com ela, o assentamento do Brasil continental.


No que à Região de Cangueras diz respeito, registro a importância da Fazenda Manduzinho que se transforma, no Séc. 19, em Villa Mayrink sediando uma estação dos caminhos de ferro na logística de apoio à Estação d´Ipanema, para rapidamente transportar armas e munições fabricadas na Real Fábrica de Ferro de São João do [Rio] Ipanema ainda em razão da Guerra do Paraguay.


E mais: esta região tem importância no desenvolvimento da economia liberal desencadeada, primeiro pelo Bacharel de Cananeia, com o Porto das Naus, em Gohayó, e depois por Afonso Sardinha (o Velho), a partir do Portinho de Carapocuyba e da sua Fazenda Ybitátá. [BARCELLOS, João – das palestras feitas em Mairinque, Sorocaba, São Roque, São Vicente, Cananeia, Cotia, São Paulo, Embu, Buenos Aires e Asunción]


Notas & Anotações ANHAMBY – Rio Tietê. BACHAREL DE CANANÉIA – ou Cosme Fernandes, com estudos na Universidade de Salamanca [daí o “bacharel”], judeu ibérico feito cavaleiro da Ordem de Cristo, em Portugal, e enviado pelo rei João II como ouvidor para a feitoria da Costa da Mina e para a feitora de S. Tomé, ambas no golfo guineense. Dali partiu para a ponta sul da Linha de Tordesilhas e desembarcou em 1498 na Ilha Comprida para, logo depois, iniciar a primeira comunidade mameluca em Gohayó (hoje, S. Vicente) e ali construir o Porto das Naus. BOTURANTIM – Do tupi-guarani botu-ra-ti, q.s. Grande Espuma Branca, ou, Cascata Branca, de onde o aportuguesamento Votorantim. CAHATYBA – Também chamada Serra de São Lourenço. Uma parada serrana chamada Votoran, pelos nativos, hoje, municipalidade de Votorantim. [A Primeira Garimpada... Luiz Martins, perito em montanística, a representar Brás Cubas, faz ´entrada´ de 300 léguas pelo sertam carijó, i.e., pelo Piabiyu guarani, e retorna à Villa de Santos onde, na Câmara local, a 25 de Janeiro de 1562, apresenta “ouro que pesava três quartos de dobra e seis grãos”, garimpado na Cahatyba na banda das sorocas. // do livro Do Fabuloso Araçoiaba Ao Brasil Industrial, de João Barcellos.] CANGUERA – Santuário dos Mortos. CARAPOCUYBA – ou Carapicuiba. CRESO – Pessoa abastada. BUGRE – Denominação luso-católica dos colonos portugueses no Brasil para designar pessoa não-cristã. FOGOS – Habitações familiares com 5 ou 7 pessoas arranchadas no sertão e nas serras. GERIBATYBA – Rio Pinheiros. GOYAZ – Trilha de Goyaz. A trilha que ligava o oeste piratiningo ao centro-oeste passando por Wotucatu. IBITÁTÁ – ou Butantã. Foi a primeira fazenda de Affonso Sardinha [o Velho], que se estendia até Carapocuyba, aldeia e portinho que também lhe pertencia. KOTY – Do guarani, q.s., ponto de encontro. A aldeia, que ficava perto de Carapocuyba, até ser mudada para as bandas do sertão de Itapecerica, em 1703, ficou conhecida por Acutia, Cuty, e, finalmente, Cotia. MANDÚ – Pessoa que trajava esteiras de catolé, baeta e folhas de árvores de iô-iô mandu. É uma manifestação de caretas/carrancas para horrorizar outras pessoas e tem origem nas tradições Bantu incorporadas pelos negros africanos de N´Gola na cultura brasileira. Nos séculos 17 e 18 a denominação mandú foi aplicada para designar gente má, e assim, mandú passou a significar diabo e diabinho [manduzinho]. MAMELUCO – Filhos gerados entre nativas e portugueses. Do núcleo da gente mameluca nasceu a Raça Brasileira. MANIÇOBA – Primeira aldeia montada pelos jesuítas acima da Serra do Mar e a oeste do planalto de Piratininga. Não existem referências geográficas precisas sobre a aldeia e as Cartas Jesuíticas só a mencionam no sertão a oeste pelos caminhos guaranis. MAUÁ [Barão de] – ou Irineu Evangelista de Souza. Industrial, banqueiro e político brasileiro que marcou, como empreendedor, o Século 19. Apesar os ciúmes imperiais, recebeu o título de barão [1854] e de visconde [1874]. PIABIYU – ou Peabiru. Do guarani m´byano, q.s. caminho feito a pé. O tronco principal, no Brasil, tinha início perto do Rio Grande e atravessava o sudeste até Piratininga [Sam Paolo dos Campi de], e parte desse tronco foi chamado, depois, Estrada do Sul e, hoje, Rodovia Raposo Tavares. Entretanto, além da parte litorânea [Cananéia], existiam vários ramais cujo conhecimento levou os portugueses do oeste para o centro-oeste. PIAÇAGUERA – Do tupi-guarani, q.s. porto velho (ou abandonado) a designar a região de Cubatão. PREADOR – Caçador de povos nativos. A preação constituiu na colonização portuguesa um importante negócio. SAMBAQUI – Restos de (cascas) de frutos do mar amontoados há milhares de anos por diversos povos litorâneos e que sinalizam a presença humana muitos anos dos povos encontrados pelos portugueses. SACRAMENTO [Colônia de] – Vila fortificada, do Século 17, fundada pelo reinol português Manoel Lobo, no Uruguai, para defender os interesses da Coroa lusa.


SESMARIA – Terras doadas, em nome d´El-Rey de Portugal, por tempo determinado, a pessoas que teriam de cultivá-las e pagar o dízimo [ou jugada] da produção ao Reino. SOROCA[BA] – Rio das Sorocas, depois conhecido como Sorocaba, assim como a região que atravessa. SOROCA – região de terra cortada, ou rasgada. TORDESILHAS [tratado de] – Cidade galega [Espanha] onde, em 1594, o rei português João II mandou assinar um tratado de divisão do mundo descoberto, e a descobrir, com os assessores da rainha castelhana Isabel. O tratado teve o apoio do papado católico. WOTUCATU – ou Serra de Botucatu. Do tupi, q.s. ar bom.

INSTITUIÇÕES CONSULTADAS Arquivo do Estado de São Paulo. Prefeitura e Câmara Municipal de Mairinque. Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Arquivo da Torre do Tombo / Lisboa-Portugal. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas / IBGE, Museu da Companhia Paulista, Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, Museu Ferroviário Barão de Mauá, Real Fábrica de Ferro de São João do [rio] Ipanema, Museu da Estrada de Ferro Sorocabana, Biblioteca Nacional. ILUSTRAÇÕES estudos.

Fotos do autor, mapas e fotos de instituições expostas na Web para copiagem livre e

ANOTAÇÃO 1 As primeiras anotações que faço acerca de Mairinque surgem em conversas com o jornalista Waldemar Paioli, o geógrafo Aziz Ab´Sáber e o historiador Hernâni Donato, em todas ratifiquei o que conhecimento que tinha da região introduzindo outros. Eram os anos de 1990 e 91 e eu percorria o oeste paulista com o jornal Treze Listras. O que me prendeu a atenção? Primeiro, o pouco conhecimento da gente de Mairinque sobre si mesma, segundo, o despreparo do professorado para expor conteúdos sobre a história paulista que gerou o Brasil a partir do sertão dos guaranis e entre cangueras. Um estudo superficial acerca de cangueras já explica o colonialismo na sua face violenta, aprofundando mais, verifica-se que a religião dos conquistadores assalta também os santuários dos povos nativos. A\ expansão luso-cristã nos trópicos equatorianos é uma aventura de cero e doma e, em pouco tempo, nascem e crescem mamelucos no entorno das capelas – é a raça nova, é o Brasil. O santuário, ou canguera, que se torna fazenda e logo vila e pátio ferroviário, e que originou Mairinque, é um exemplo do Novo Mundo ibero-cristão: a capela é o marco-zero e o poder sociopolítico o mando absoluto, público e privado. Deste marco-zero geossocial e místico nasce e se estabelece o Brasil colonial que logo cria rupturas e se faz nação sob os auspícios republicanos de um progresso tropeiro e ferroviário em meio a muares e marias-fumaças. Falar de Mairinque é expor a história luso-cristã-brasileira na sua essência colonial e republicana com base em documentos que não permitem retratos retocados... ANOTAÇÃO 2 A gravíssima dissidência entre Mayrink e Maylasky mostra como a administração das coisas do Império não é diferente daquela feita pelo Reino português na colônia, ou seja, o aproveitamento de bens públicos para garantir fortunas privadas e poderes politicamente localizados. No famoso Caso Maylasky sobra até para Baptista, o seu sócio capitalista da indústria algodoeira sorocabana e que investiu quase tudo na EFS, e então, não ficou a ver navios passar, mas aguardando a maria-fumaça retornar o capital... Corrupção e desleixo administrativo. E ainda havia gente na região querendo apoiar Maylasky para vereador, umas, e deputado, outras..., segundo o noticiário jornalístico da época. Ao verificar o niilismo empresarial do militar e ´nobre´ Maylasky é que o genial empreendedor Mayrink desbanca administrativamente o fundador da EFS e livra a empresa dos empecilhos feitos de politiquices e malandragens financeiras. Definitivamente, a EFS entra nos trilhos... “O entrave causado pela corrupção de Maylasky quase derrubou o projeto da ferrovia sorocabana e, em tudo, Mayrink teve que corrigir o assentamento dos trilhos” [Ab´Sáber, 1991]. É verdade. Só a imagética empresarial e o dinamismo político de Mayrink faz a sorocabana reviver e renovar a fumaça nos trilhos. No meio da observação das questiúnculas no Caso Maylasky-Mayrink é preciso dizer que apesar de tudo Maylasky construiu uma história própria no oeste paulista, tanto empresarial [EFS] quanto social, pois, assim como Mayrink deu nome à Cidade de Mairinque, também Maylasky deu nome ao Distrito de Mailasque no território de São Roque.


ANOTAÇÃO 3 Ao estudar a personalidade do Visconde de Mauá [Irineu Evangelista] deparei-me com a personalidade de outro brasileiro empreendedor: Antônio Proost Rodovalho, nascido na ´paulicéia desvairada´ que criou tantos e tantos gênios... É interessante [a]notar que ele revive a odisseia municipalista do coronel Vaz-Guassu [Pedro Vaz de Barros, que estabelece a fazenda S. Roque e dela faz Villa] e do irmão Fernão [que constrói a Fazenda Sto Antônio] – aliás, Rodovalho adota Sto Antônio como padroeiro da fazenda que adquire na linha piabiyuana dos trilhos sorocabanos e ythuanos, mas ainda território sanroquense. Na sua fazenda monta pátio industrial para beneficiar calcário e fabricar cimento tendo a facilidade logística de uma estação ferroviária como vizinha... A fazenda vem a ser bairro de Mairinque e ganha o nome Bairro Rodovalho, mais tarde Município de Alumínio. Este notável brasileiro de São Paulo esteve diretamente ligado às ferrovias paulistas e não seria de estranhar que, em algum momento, utilizasse tal conhecimento para expandir os seus negócios, e como o cimento era um deles, o calcário sanroquense deu origem à Fábrica de Cimento Rodovalho, mais tarde Companhia Brasileira de Cimento, e é base econômica e social de vários municípios no oeste paulista. Pode se dizer, e eu digo, que o Brasil deve muito da sua pujança ao empreendedorismo de um punhado de homens que no Séc. 19 quis mostrar com quantas ideias e ações se faz uma nação.

BIBLIOGRAFIA BARCELLOS, João – COTIA - UMA HISTÓRIA BRASILEIRA [2011], ARAÇARIGUAMA - DO OURO AO AÇO [2008], BRASIL - 500 ANOS [2000], CARAPOCUYBA [2010-2013], GENTE DA TERRA [2008], DO FABULOSO ARAÇOIABA AO BRASIL INDUSTRIAL [2011], PIABIYU [2006], MORGADO DE MATHEUS [1992], IPERÓ [2013], PARDINHO [2013, O BRASIL DOS TROPEIROS & ESTRADA REAL [2014], CAUCAIA DO ALTO [2014], GRANJA VIANNA [2014], RYO SIARÁ [2015], BACHAREL DE CANANEIA [2015], VINHO & PODER (história de S. Roque, terminada em 2014), IBIUNA 2014), entre outros livros. – A REGIÃO DAS CANGUERAS NO DESENVOLVIMENTO DA VITICULTURA, AGROPECUÁRIA & LOGÍSTICA FERROVIÁRIA DO ESTADO PAULISTA. Palestra & Opúsculo. Mairinque/Br., 1991; São Roque, 1992; Sorocaba/Br., 2009. CALDEIRA, Jorge – MAUÁ / EMPRESÁRIO DO IMPÉRIO. Ediç Companhia das Letras. Rio de Janeiro, 1995. LEME, Pedro Taques de Almeida Pais – NOBILIARQUIA PAULISTANA HISTÓRICA e GENEALÓGICA [iniciada em 1742] // HISTÓRIA DA CAPITANIA DE SÃO VICENTE [1772] // INFORMAÇÕES SOBRE AS MINAS DE SÃO PAULO [1772] // INFORMAÇÕES SOBRE O ESTADO DAS ALDEIAS DE ÍNDIOS DA CAPITANIA DE SÃO PAULO [1772]. LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira – O MODERNISMO ARQUITETÔNICO EM SÃO PAULO. Vitruvius (Arquitextos), SãoPaulo; Out 2005. LESSA, Francisco de Paula Mayrink – VIDA E OBRA DO CONSELHEIRO MAYRINK [completada por uma genealogia da família]. Pongetti. Rio de Janeiro / Br., 1975. MACEDO. J. C. – A ARTE MERCANTIL E INDUSTRIAL DE MAUÁ DIANTE DO IMPÉRIO IMPRODUTIVO. Palestra e Opúsculo. Niterói e Paraty [RJ], 1989; São Paulo e Cotia, 1990. MOYA, Salvador de – ANUÁRIO GENEALÓGICO LATINO. Vol.1, Ediç Instituto Genealógico Brasileiro, 1494. PASSOS, F.P. [Engº] – AS ESTRADAS DE FERRO NO BRASIL. Rio de Janeiro, 1879. VASCONCELOS, Augusto Carlos de – O CONCRETO NO BRASIL”. Editora Pini; São Paulo, 1992. VASCONCELOS, Max – VIAS BRASILEIRAS DE COMUNICAÇÃO. Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Geografia, 6.ª ed., 1947.

MAIRINQUE | Entre o Sertão e a Ferrovia  

Das palestras de João Barcellos, de 1991, 1992 e 2009, em Mairinque, São Roque e Sorocaba.

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