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superfuzz A

quinta edição do zine SuperFuzz traz uma entrevista com a Crime Caqui, banda de post-rock paulista, que conversou sobre início, ideias e sonhos do projeto. A banda Strawberry Licor lançou o primeiro disco cheio no começo deste ano, sob influências noventistas, emo e math-rock, apresentam um repertório recheado por instrumentos distorcidos. Do interior paulista, a banda “O Candido” traz indie rock e pop mesclados à sonoridades brasileiras com seu primeiro EP, “O Que Pensar, Dizer, Sentir, Fazer”. Em setembro deste ano (2019), o LP1 da lendária banda de Illinois, American Football, completa 20 anos - integra a coluna Clássicos desta quinta edição.

Edição n.5 Março, 2019.

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Redação Matheus Arruda @arrudamthh

Fotos Filipa Aurélio (capa e contracapa) @filipaaurelio

Logo Yuri Naoto @naotoyuri

Vivian Fernandes @delicvcsenta

Mayara Vieira @ranc0rosa

Contato no.fuzz666@gmail.com @superfuzzine


sumário Mayara Vieira

Lançamento.Strawberry Licor

Após 5 anos de experiência pela cena paulista, a Strawberry Licor, lançou no dia 15 de fevereiro “Johnny”, primeiro disco da banda. página 4

Divulgação

Lançamento.O Candido

No “Quartinho dos Fundos” da República Linha 2, entre “café, piadas estranhas e amizades” que Matheus Candido se uniu à artistas e deu forma ao seu primeiro EP 'O Que Pensar, Dizer, Sentir, Fazer'. página 8

Filipa Aurélio

Entrevista.Crime Caqui

Foi pelo prazer em tocar e ensaiar covers de Warpaint, que May Manão, Fernanda Fontolan, Yolanda Oliveira Kelly Moraes, montaram a Crime Caqui.

página 12

Divulgação

Clássico.American Football

O primeiro disco do American Football marca silenciosamente o epílogo da vida universitária de Mike Kinsella, Steve Holmes e Steve Lamos, e, paralelamente representa o prelúdio de uma estética.

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Foto: Mayara Vieira

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strawberry licor Redação

Após 5 anos de experiência pela cena interiorana paulista, a Strawberry Licor, lançou no dia 15 de fevereiro “Johnny” - intimamente conhecido como "discão" -, primeiro disco cheio da banda, sob selo Midsummer Madness. A banda, por este registro, apresenta sua identidade musical - vocais sufocados por instrumentos distorcidos com ganhos elevados e (quase) ensurdecedores -, influenciada por bandas de rock alternativo, emo e math-rock, em versos, ecoam sobre o desalento da vida adulta. Os músicos Luciano Ayub (voz e guitarra), Gabriel Wiltemburg (voz e guitarra), Raoni Rocha (baixo e voz) e Yuri Naoto (bateria), através de 11 sons convidam o ouvinte a um passeio pelos anos 90 e sua atmosfera envolta pela depressão, e uma ansiosa busca pela libertação do conservadorismo.

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Divulgação/Acervo Pessoal

Johnny (Álbum)

Strawberry Licor 15/fev/2019 Midsummer Madness Luciano Ayub (Guitarra e voz) Gabriel Wiltemburg (Guitarra e voz) Raoni Rocha (Baixo e voz) Yuri Naoto (Bateria) Produção por Strawberry Licor Master e Mix por Gabriel Wiltemburg @ Napô Place (Itapetininga, São Paulo)


O título do disco, de acordo com Luciano Ayub, é uma forma de homenagem àqueles que partiram. “Johnny é meu pai, é um apelido carinhoso que eu dei a ele há uns tempos. Tem umas fotos de quando ele jogava em times de futebol, com o corte de cabelo parecido ao Johnny Ramone. - aí veio a homenagem dos meninos da banda, a qual eu achei linda e maravilhosa.”. Luciano também ressalta a tentativa da banda em sintetizar os sentimentos de um espaço físico - sua casa de infância que hoje, aos fundos, abriga o estúdio Napô Place, onde a Strawberry Licor nasceu e atualmente, em duas pequenas salas adornadas por fotografias antigas, souvenirs, lembranças de shows e instrumentos, traça seu curso musical. Johnny apresenta algumas referências clássicas de bandas do underground, como em “Little Mouth”, com uma breve citação aos escoceses do Teenage Fanclub. (“When you were a teenager and had no fanclub”). A respeito disto, Ayub diz que não foi proposital, um ato do subconsciente - um adolescente que ainda é apaixonado pela melhor banda do mundo. As referências estendem-se a “Book”, que cita um disco do Garage Fuzz, clássica banda de hardcore de Santos. (“Change your views/Relax in your favorite chair”). Caballero No início de fevereiro deste ano (2019), a Strawberry Licor divulgou no YouTube o webclipe de "Caballero", música que integra o repertório de “Johnny”. Produzido com smartphones, o vídeo revela a quimera do consumo de drogas psicotrópicas como um escape à realidade. Sem roteiro previamente definido, a produção utilizou dos reveses como eventos favoráveis ao clipe, que ao ser finalizado, propõe possibilidades de análise semiótica. Contou com os intérpretes Marielie Domingues e Samir Nanini. Os responsáveis pela produção visual foram os integrantes Gabriel Wiltemburg (imagens) e Raoni Rocha (direção e imagens).

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o candido Divulgação

Vivian Fernandes

O O Que Pensar, Dizer, Sentir, Fazer (EP)

O Candido

20/fev/2019 Matheus Candido (Voz, guitarra, teclado, escaleta) Jaquie Livino (Backing Vocal, baixo e chocalho) João Siqueira (Backing Vocal, violão, sintetizador e triângulo) Fernanda Fontolan (Bateria) Matheus Mantovani (Guitarra e violão) Rafael Esgalha (Bateria) João Siqueira (Bateria) Produção por Flávia Fontolan Master por Pedro Contente Mix por João Siqueira (Jones) @ Quartinho dos fundos (Tatuí, SP)

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“Quartinho dos Fundos” da República Linha 2, entre “café, piadas estranhas e amizades” foi onde Matheus Candido se uniu à artistas e deu forma ao seu primeiro Extended Play: O Que Pensar, Dizer, Sentir, Fazer. Concebido em Tatuí, a controversa capital da música, o poeta e músico desponta como promissor na cena do interior paulista ao trazer indie rock e pop mesclados à sonoridades brasileiras. As letras, descritas por Candido como “contemporâneas e delicadas”, fazem jus à definição, inseridas em referências que vão do baião aos sintetizadores. O primeiro passo foi o single “Eu Me Rendo”, estreia ao lado do projeto “Som de Fita”, em junho de 2018. De lá para cá, se juntaram à iniciativa Jaquie Livino, João Siqueira, Fernanda Fontolan, Matheus Man-


tovani, Rafael Esgalha e Vinícius Costa, que adicionaram à melodia toques que convergiram nas quatro faixas do EP. Único ponto negativo: o EP nos deixa querendo algo além de doze minutos. Ficasse mais um pouco, tomasse um café comigo também, uma meia horinha. Mas a melancólica “Em Português” chega e nos resta a expectativa para o próximo lançamento. Disponível nas plataformas digitais, O Que Pensar, Dizer, Sentir, Fazer vale a pena ser ouvido.

"Que pena não ter te visto na rua na garupa da da bicicleta da menina sei que daria uma ótima fotografia. Seu rosto corado do vento seus dentes todos a vista palavras estáticas no tempo. Numa postura juvenil seja gentil venha cá de novo vamos conversar em português" Em Português, O Candido

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Divulgação

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Divulgação


Divulgação

Divulgação

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Foto Filipa AurĂŠlio


entrevista Texto Matheus Arruda

F

oi pelo prazer em tocar e ensaiar covers de Warpaint, que a musicista May Manão (guitarra) ao lado da baterista Fernanda Fontolan decidiram formar uma banda. Então, Yolanda Oliveira resgatou seu baixo e integrou-se ao grupo ainda sem nome, sucedida pela guitarrista Kelly Moraes, que completou o quarteto. Em busca da penosa liberdade artística, de poder transpirar emoções, ocupar e fortalecer a presença feminina na música autoral, nasceu a Crime Caqui, banda de post-rock paulista. “Na verdade, aconteceu meio que por iniciativa da May, que desde 2012 tentava fazer acontecer uma banda de mulheres e acabamos nos aproximando por causa disso.”, relembram as meninas. Ao lado das produtoras Flávia de Oliveira e Desirée Marantes, a Crime Caqui hoje trabalha para firmar um conceito e expressar sua identidade cativante, projetando novos ares à cena independente. “Ambas são produtoras maravilhosas e tem nos ajudado com o processo do primeiro EP (Extended Play). Pretendemos lançar cerca de seis músicas no início do segundo semestre, através do selo Hérnia de Discos. Além de concretizar essa etapa tão almejada, atualmente nos vemos no processo de desenvolver nossa identidade visual e também um videoclipe.” Ao curioso nome da banda foi utilizado o método dadaísta - este, que busca desprender-se do racionalismo e aproximar-se dos impulsos psíquicos -, para defini-lo. “Escrevemos palavras aleatórias em pequenos papéis, misturamos e sorteamos duas palavras por vez. Assim, juntamos ‘Crime’ com ‘Caqui’. Mas confessamos, que quase optamos por ‘Quartzo Aranha’, uma bela junção também”. Em entrevista à SuperFuzz, as integrantes Fernanda Fontolan, May Manão, Yolanda Oliveira Kelly Moraes relembraram o surgimento da banda, pensaram na própria sonoridade e identidade artística.

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crime

Filipa Aurélio

SuperFuzz: Como vocês se conheceram? Crime Caqui: “A Kelly era conhecida da May, da Liga de Roller Derby, que ela frequentava. O resto de nós - Yolanda, Mayara e Fernanda - somos de Sorocaba e nos conhecemos na cena cultural de lá, através de amigos em comum.

baixo.Yolanda Oliveira.

SF: Por que montar uma banda?

Filipa Aurélio

CC: “De uma forma ou de outra todas nós já estávamos envolvidas com música, já havíamos participado de outros projetos mas estávamos em busca de formar um grupo onde pudéssemos dar mais vazão à nossa liberdade criativa e nossas composições autorais. Era importante pra gente também que fosse um grupo de mulheres, a experiência de estar só entre mulheres vivenciando esse processo criativo e fortalecer a presença e a voz feminina no meio musical.”

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guitarra.Kelly Moraes


caqui Filipa Aurélio

SF: Para aqueles que nunca viram a Crime Caqui em shows, o que esperar? CC: “Muito drama! Nossas letras e riffs são carregados de sentimentos e isso acaba sendo traduzido no palco através de uma atmosfera etérea e intimista. Acreditamos que compartilhando essas experiências e composições tão pessoais podemos criar uma conexão sincera com o público.”

Filipa Aurélio

guitarra.May Manão.

Filipa Aurélio

SF: Vi que vocês gravaram com o pessoal da Lobotomia, em Sorocaba, o que rolou lá no Maloca (Centro cultural em Sorocaba)? Contem como foi. CC: “Foi demais! Somos muito fãs do trampo do Lobotomia e foi um grande prazer o convite para fazer a session. Tava calor demais! Suamos a suvaca! Mas achamos que ficou ok no vídeo - ou assim esperamos. Estamos ansiosas para ver o resultado. O trampo dos menino é 'fino'!” bateria.Fernanda Fontolan

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a anfootball meric Divulgação

Matheus Arruda

O

primeiro disco cheio do American Football, lançado no fim dos anos 90, marca silenciosamente o epílogo da vida universitária em Illinois de Mike Kinsella (Cap’n Jazz, Owen, Joan Of Arc), Steve Holmes e Steve Lamos, e, paralelamente representa o prelúdio de uma nova estética musical acidentalmente concebida por este LP (Long Play), que continua reverberando inspirações técnicas e artísticas. Após lançar um EP (Extended Play) sob selo da Polyvinyl Records em outubro de 1998, a banda performou em alguns bares e casas de shows pelo centro-oeste dos Estados Unidos - berço do que posteriormente seria denominado como ‘midwest emo’ -. Com o primeiro o debute gravado, seguiram para mais algumas apresentações pela região. O trio de Illinois se despedia pouco tempo após o lançamento do disco. Com os in-

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American Football (LP1) American Football 14/set/1999

Polyvinyl Records Mike Kinsella (voz, guitarra e baixo) Steve Holmes (guitarra) Steve Lamos (bateria, percussão e trompete) Produzido por Brendan Gamble @ Estúdio privado, Champaign-Urbana, Illinois Capa por Chris Strong


Divulgação

tegrantes traçando percursos opostos, o American Football seria somente um projeto esquecido, somando a um montante imensurável de estórias sobre bandas perdidas em memórias etéreas. Isto, se a internet não proporcionasse uma divulgação massiva e involuntária do LP1. Em “Never Meant”, primeira canção do álbum, a bateria de Lamos anuncia a entrada das guitarras com timbres leves e minuciosos, seguidos por exclamações abafadas que ecoam ao fundo do som, por fim, Kinsella abre o vocal com histórias sobre partidas; sobre esquecimentos, arrependimentos - assunto que perdura pelas 9 músicas do LP, hoje, classificado como uma referência na cena do emo underground . Após relançar o debute em 2014, em uma edição especial com demos e lives inéditas, a banda decide se reunir para alguns shows ao lado do baixista Nate Kinsella, que em 2016 integraria o American Football como membro permanente. Com o sucesso alcançado pelos shows de reunião, a banda lançou o segundo álbum, simplesmente intitulado como “LP2”, e embarcou em diversos concertos pelo mundo, resgatando a vitalidade do emo e trazendo novas esperanças ao público. Agora, trabalharam firme para o lançamento do terceiro disco - o qual apresenta um certo rompimento com o passado -, neste, há participação de artistas do mainstream, como Hayley Williams e um forte investimento estético, marcas de uma banda já amadurecida.

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Foto Atiba Jefferson


Profile for SuperFuzz

SuperFuzz n.5  

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