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L I V R E T O

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apartamento 23


Este projeto ĂŠ dedicado ao meu pai, que a seu modo me conduziu a varias releituras de mim mesmo.

JOSÉ JUAREZ BORGES 07 de dezembro de 1930 - 06 de dezembro de 2017


R E L E I T U R A Em todo o imóvel, de 97m², predomina nessa releitura a valorização do espaço, emoldurado pela incidência da luz natural. A nova geometria encontra também as novas necessidades do público que chega para habitar a região: um espaço amplo, coeso e que resgata o conceito de morar bem.


“ a ideia foi aproveitar a excelente metragem do imóvel para comportar um outro estilo de vida.” O resultado é um loft reversível.


P L A N T A O R I G I N A L


P L A N T A M O D I F I C A D A


C O B O G Ó S Pensado para solteiros ou casais sem filhos, o apartamento está todo integrado. Nele, as áreas compartilham de uma luz natural privilegiada, contudo, há uma “divisão conceitual” que foi possível através do uso de blocos vazados – os cobogós – uma referência icônica aos anos 1950. Através do uso do concreto em estado bruto, esses ícones da época foram traduzidos para a contemporaneidade.


A geometria retangular foi mantida, ainda que algumas paredes tenham sido removidas para dar vida à ideia da integração dos espaços.


P A R Q U E T

Um dos destaques do projeto são os parquets que antes compunham o piso do apartamento. Ao serem analisados pelo restaurador, identificou-se que eram de madeira imbuia dourada, uma espécie há muito extinta no planeta. Consequentemente, foram eles que nortearam o projeto de revestimentos. Reciclados em grandes painéis, eles são hoje o principal revestimento presente no apartamento, além de parte da assinatura exclusiva dessa releitura.


madeira de restauro, aço e cimento são os materiais que mais se destacam.


O piso em madeira, substituindo os antigos parquets, confere maior unidade aos ambientes.


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R E B O C O

Nas paredes está aquilo que Eduardo considera um dos pontos altos dessa releitura, até com uma certa dose de poesia. “Ao retirarmos o reboco original das paredes para trabalhar os projetos elétrico e hidráulico, verificamos que haviam várias camadas de tinta sobrepostas, em cores diversas. Essa caliça* foi peneirada e, com isso, obtivemos um agregado leve, quase branco, com pontinhos coloridos das cores das tintas usadas no passado, que foi a base para fazermos o reboco aparente, o detalhe final. Ou seja, o que cobria as paredes voltou a cobri-las novamente, agora como um elemento de destaque”, diz ele. *resíduo normalmente descartado em obra.

toda reutilização é sustentável


Essa foi a forma encontrada pelo designer de manter as “experiências” contidas nas paredes, além de poupar o meio ambiente de mais caliça a ser descartada. “O mesmo fizemos com tijolos que foram retirados de um espaço e usados em outro, gerando ainda menos resíduos da obra”, conta.


I L U M I N A Ç Ã O O projeto luminotécnico, por sua vez, foi pensado de forma a enaltecer a nova cobertura das paredes. Foi criado um sistema que se assemelha àqueles utilizados por galerias de arte, com iluminação focal e outra geral com dimmer regulador. Há também uma iluminação especial, instalada de modo a marcar a divisão dos ambientes, atuando em conjunto com as estruturas metálicas de sustentação.


Na cartela de cores, tonalidades de cinza e azul, alĂŠm de madeiras em diferentes tons.


O maior desafio do projeto foi trabalhar com a alvenaria estrutural, um sistema construtivo comum da época, em que as paredes são feitas por blocos cerâmicos e têm a função de suportar todo o peso do imóvel. Por outro lado, abriu espaço para o uso de vigas de aço nos espaços das paredes removidas, o que colaborou para a estética contemporânea pensada desde o início.


O B R A S

D E

A R T E

Eduardo especificou obras de arte do artista visual William Menkes e da curitibana Maya Weishof. Maya, indicada em 2017 pela revista Amarello como um dos nomes mais proeminentes da nova geração de artistas brasileiros, colabora com três obras da série Disfunções Migratórias. William está presente através de gravuras da série Geometrias Urbanas, que descobre novas “oportunidades visuais” em objetos familiares. Torres transmissoras, tão comuns no cotidiano, mobilizam Menkes a buscar ângulos, sombras e texturas que a repetição da imagem no cotidiano costuma apagar de nossos olhos.


F I C H A T É C N I C A Conceito: Eduardo Borges Realização: EABORGES – Lifestyle www.eaborges.com.br 41 99647 3496 Execução de obra: Same Construções 41 99643 6334 Estruturas Metálicas e Floreiras: Metal Firon 41 99600 2537 Movelaria de Restauro e Painéis em Parquet: Geppetto Falegnameria 41 99644 4447 Piso em Madeira: Made Pisos 41 3077 0053

obra Cubas Esculpidas em Quartzo e Tampos em Granito: Firenze Granitos 41 99928 4009 Estofaria: V. Estofaria 41 99985 0443 Iluminação: Led Iluminação 41 3233 1566 Persianas: Vizare Persianas Curitiba 41 3045 3883


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R E B O C O

Por Eduardo Borges


Aqueles que navegam pelo mar da arquitetura e das formas, conhecem bem o reboco. Uma mistura de cimento, areia e água. Uma alquimia que no girar do tambor ou nos movimentos pendulares da pá, como foi o caso aqui, se faz a senhora do acabamento. A areia, a qual chamamos agregado miúdo, foi aqui substituída por um pó fino e esbranquiçado, resultado da cuidadosa “peneiração” do reboco antigo que cobria as paredes deste espaço. Este pó trazia em si pequenas partículas coloridas, que nos contaram quais as cores que um dia revestiram estas paredes. Quando observei esses pequenos pontos coloridos, senti uma imensa ternura por este senhor apartamento. Senti que ele me trazia, através das cores, fragmentos de histórias ali vividas e impregnadas nessas paredes outrora cobertas por cores pálidas.

Esse senhor que se despiu da sua própria pele para que nós, seus artesãos, pudéssemos ver e aprender, através de suas entranhas, a realidade do tempo, o trabalho meticuloso desse Saturno implacável. E quando foi chegado o momento de cobrirmos esse antigo corpo, com uma nova pele, decidimos trazer de volta, em forma de REBOCO APARENTE, as pequenas partículas coloridas que guardavam na sua palidez cálida histórias de outrora. Concluído o processo, as novas paredes guardam, em si, parte do que foram. Elas trazem para o seu presente as pálidas cores do seu passado que, por sua vez, se traduzem no aconchego daquele espaço que soube, tão bem, conduzir para o agora o que realmente teve importância no ontem.


P A R E D E S

Por Eduardo Borges


Falando de paredes, elas são as estruturas que vedam, que protegem. São aquelas estruturas que numa releitura, docemente, se rendem a uma nova realidade. É o balé das paredes em alternância que faz desse processo de aberturas algo tão mágico. Neste caso, em especifico, são elas que dão forma e sustentam o todo. São elas que se entrelaçam e se abraçam em continuidade. São as paredes que abrigam as “artérias” da morada. São elas que dão guarita às mazelas do tempo, acobertando a ação desse Saturno implacável.

Porém, também, são elas que, conscientes de sua responsabilidade enquanto porto seguro, se abrem e revelam a arte desse deus do tempo. São as paredes que se deixam retirar para que o espaço aconteça e, gentilmente, retornam quando necessárias, para vedar e proteger o que nelas está contido. As paredes são a pele do espaço, vistas de dentro. Em suma, são elas o abraço aconchegante da morada mãe.


C O N T E Ú D O

pen card Nesse dispositivo você encontrará um “registro em movimento” do projeto APARTAMENTO 23. São dois filmes: um do espaço original e outro já com a releitura completa, além de uma sugestão de ambientação. Esse registro poético tem a edição de Pedro Pontoni e a primorosa coleta de imagens de Sergio Twardowski, com conceito e realização de Eduardo Borges. Ainda nesse pen card, um PDF com o registro em fotos da ambientação do APARTAMENTO 23.


WWW.EABORGES.COM.BR EDUARDO@EABORGES.COM.BR

EAB - Apartamento 23 - Livreto2 _V2  
EAB - Apartamento 23 - Livreto2 _V2  
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