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“Graças a Deus, todo mundo aqui na SR é amigo.“ DONA ANA NUNES

São Remo Abril de 2010 ANO XVII nº 2

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Um são remano no Haiti

Diego Pereira, 22 anos, soldado do Exército Brasileiro, passou seis meses servindo a missão de paz no Haiti. PÁG. 6

debate

são remano

Moradores opinam sobre os direitos dos deficientes

A força do batuque são remano

Acessibilidade PÁG. 2

Samba de qualidade até altas horas

são reminho

VAMOS REDESCOBRIR O BRASIL E NOSSAS ORIGENS!

PÁG. 8

feminino

esportes

comunidade

Por dentro da ala obstétrica e da maternidade do hospital

Equipe está classificada para a segunda fase da Copa Femsa

Dona Eva e a sua luta a favor do ambiente

Parto no HU PÁG. 10

Catumbi avança PÁG. 11

Verde novo PÁG. 4

NOVIDADE: A EDIÇÃO ONLINE VOLTOU! ACOMPANHE NO SITE WWW.ECA.USP.BR/NJSAOREMO

ARQUIVO PESSOAL

Notícias do Jardim


2 Notícias do Jardim São Remo Abril de 2010

debate

“Os deficientes têm mais é que ser vistos!” Maria elma rabelo, mãe

Acessibilidade: porta para a inclusão Leandro Carabet A novela “Viver a Vida” está provocando discussões sobre o tema da acessibilidade para os deficientes. A personagem Luciana, que usa cadeira de rodas, retrata a falta de preparo da sociedade para conviver com essas pessoas: faltam rampas, guias rebaixadas, respeito e paciência. Para Gérson Nascimento, a situação é complicada. “Se as pessoas que não são deficientes já têm poucas oportunidades na vida, imagina os que são deficientes!” Durante uma visita à comunidade, o NJSR deparou-se com uma

van do Atende (Atendimento Especial da SPTrans), a qual aguardava Willian Rabelo, que usa cadeira de rodas, para levá-lo ao trabalho. O motorista Ailton dos Santos, no Atende há cinco anos, afirmou que é muito gratificante conviver com os deficientes e prestar esse serviço. “Dessa convivência, aprendi a ser mais calmo e compreensivo. Minha cabeça mudou, é uma honra poder trabalhar com a acessibilidade.” Várias opiniões Enquanto se acompanhava o embarque de Willian, o morador Antonio Batista afirmou que pessoas com deficiência deveriam ficar em

casa e receber um salário da prefeitura. Ao ouvi-lo, Maria Elma Rabelo, mãe de Willian, discordou: “Os deficientes têm mais é que ser vistos! Meu filho é um vencedor, trabalha até em uma editora. Quantos por aí têm braços e pernas e não fazem nada na vida?” Maria Aparecida, que também observava o embarque, disse que não há espaço para a passagem de cadeiras de rodas e que o lixo bloqueia o caminho. “A prefeitura tinha que ter medido a calçada antes, agora é tarde demais! Quebrar tudo e refazê-las seria impossível.” Apesar de apresentarem diversas opiniões sobre o tema, os mora-

maneira de lidar com a deficiência é escondê-la, mantê-la no conforto de casa com um sustento mínimo. Tal ideia é ultrajante, visto que um deficiente físico não pode ser privado do seu direito de usufruir de um espaço social. A sociedade, portanto, deve ser acessível para todos os cidadãos que a formam, tanto cadeirantes quanto cegos, surdos ou mudos. Com que frequência vemos um ônibus devidamente equipado para um deficiente? Com que frequência vemos um edifício com rampas e elevadores largos o suficien-

te para uma cadeira de rodas passar? Infelizmente, o espaço físico urbano de São Paulo não está preparado para as necessidades dos deficientes físicos. E um agravante dessa situação é a condição financeira. A personagem Luciana, da novela, pode “comprar” sua acessibilidade e conforto, o que muitos infelizmente não podem. A acessibilidade, porém, não é um produto ou um luxo para poucos, é um direito básico que a sociedade deve fornecer. As pessoas com deficiência física são cidadãs que têm seus direitos negligenciados.

shayene metri

Adeus, degraus: entrada adaptada para ser acessível a morador dores concordam em um ponto: na verdade, é a nossa sociedade que ainda está deficiente quando o assunto é acessibilidade.

Opinião

O inacessível pode mudar Isadora Bertolini Labrada

Os deficientes físicos vivem em um espaço urbano incompatível com suas necessidades e direitos. Essa dura dificuldade é vivida diariamente por cerca de 200 mil brasileiros, e ainda assim só foi entrar em discussão por causa da novela. Por que será? O que causa a falta de visibilidade dos problemas dos deficientes é uma opinião extremamente equivocada. Alguns acreditam que a melhor EXPEDIENTE

Tanto no acesso a espaços físicos quanto à questão da empregabilidade (uma empresa deve ter entre 2 a 5% de funcionários deficientes, dependendo do número de vagas que possui). A falta de fiscalização e de conscientização compõe a permanência desse quadro alarmante. A novela contribuiu para a divulgação do problema. Já o campo da fiscalização e da ação, esse ainda permanece inacessível para a sociedade.

ERRATA: O e-mail correto de Elvis Lesivlée, organizador do Sarau, é e_elvis@itelefonica.com.br

Notícias do Jardim São Remo: publicação do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Reitor: João Grandino Rodas. Diretor: Mauro Wilton de Sousa. Chefe de departamento: José Luiz Proença. Professores Responsáveis: Dennis de Oliveira e Michaella Pivetti. Edição, planejamento e diagramação: Alunos do primeiro ano de jornalismo. Secretária de redação: Isadora Bertolini Labrada. Secretária adjunta: Anna Carolina Papp. Secretários gráficos: Ana Carolina Marques e Victor Ferreira. Editor de imagens: Bruno Federowski. Editores: André Cavalieri, Belisa Godoy, Bruno Capelas, Gregório Nakamotome, Gustavo Pessutti, Job Henrique Casquel, Mariana Payno Gomes, Rafaella Peralta. Repórteres: Beatriz Montesanti, Carolina Linhares, Danila Moura, Felipe Poroger, Giovanna Rossin, Glenda Almeida, Guilherme Bruniera, Jéssica Stuque, João Carlos Saran, Juliana Malacarne, Leandro Carabet, Maria Clara Vieira, Mayara Teixeira, Pedro Gallo, Renata Hirota, Ricardo Bomfim, Shayene Metri. Edição Online: Ana Claveria e Rafael Carvalho. Correspondência: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Bloco A Cidade Universitária – CEP 05508-990. Fone: 3091-1324. E-mail: njsaoremo@gmail.com Site: http://www.eca.usp.br/njsaoremo Impressão: Gráfica Atlântica. Edição mensal: 1500 exemplares.


Abril de 2010 Notícias do Jardim São Remo 3

entrevista

“Cadeira de rodas não prende, liberta, pois assegura o direito de ir e vir do deficiente” Blog sonhos de Luciana, personagem da novela “viver a vida”

Jairo Marques fala sobre acessibilidade Para o jornalista, a abordagem do assunto na novela aumentou o interesse do público Danila Moura Na novela “Viver a Vida”, a personagem Luciana consegue mostrar às pessoas que é possível retomar seus projetos de vida após sofrer um acidente que a deixou tetraplégica. No entanto, ainda falta muito para que as pessoas que usam cadeira de rodas consigam ter um cotidiano “normal”. Faltam rampas e acessos adaptados em quase toda a cidade. Para saber mais sobre o assunto, o NJSR entrevistou o jornalista Jairo Marques, 35 anos, que usa cadeira de rodas desde os seis por conta de uma poliomelite. Autor do blog “Assim Como Você”, Marques já foi entrevistado até por Jô Soares e deu seu depoimento à novela. NJSR: O que você enxerga de positivo na novela “Viver a Vida” em relação aos deficientes físicos? Jairo Marques: O fato de mostrar o cotidiano de um cadeirante já é um avanço para a nossa sociedade, que costuma esconder pessoas nessa situação. Elas não

são vistas transitando pela cidade, mo uma cadeira de rodas, sendo porque quase não há acessos ou que as mais simples não são venônibus adaptados circulando. Por didas por menos de três mil reais. esse lado, a iniciativa da A realidade de LuciaRede Globo foi positiva, “aPESAR DAS na é totalmente fora do gerou discussões, o pú- TENTATIVAS DE padrão econômico de blico está mais interessagrande parte da popuMANTERMOS do no tema, independen- UM DIA-A-DIA lação e, portanto, não te de ser ou ter parentes retrata as verdadeiras COMO O DE com deficiência. E isso é TODO MUNDO, É dificuldades de quem visto no tratamento com MUITO DIFÍCIL” usa cadeira de rodas. os cadeirantes, as pessoas estão os encarando com outros NJSR: Existe algum tipo de olhos, vendo que levam uma vida auxílio do governo para quem normal, como a de todo mundo, e precisa comprar uma cadeira são mais receptivas. de rodas? JM: Nenhum, é “cada um por NJSR: E o lado negativo? si”. Algumas ONGs até fazem doJM: Apesar das tentativas de ações, como a Movimento Supemantermos um dia a dia como ração, mas apoio financeiro do o de todo mundo, é muito difí- governo não há. E um deficiente cil. Na novela, a personagem tem físico não precisa só da cadeira de uma cama adaptada, bicicleta es- rodas, também pode ser necessápecial, enfermeiras e todo tipo de rio sonda, remédios e outros eleequipamento para auxiliá-la. Para mentos para mantê-lo com saúde, ter uma ideia, a cama da persona- que custam caro e são essenciais. gem Luciana custa cerca de 50 mil reais. Muita gente não conNJSR: Qual é a sua recomensegue pagar por uma enfermei- dação para as pessoas com dera, não tem quem possa auxiliar ficiência física? nas tarefas diárias de casa ou mesJM: Vocês precisam sair de

casa, não tem jeito. Falo isso sempre no meu blog. É difícil encontrar ônibus adaptados, rampas e elevadores, para alguns é quase impossível sair de casa sozinho. Porém, se não dermos as caras na rua e exigirmos dos comerciantes rampas e afins, não conseguiremos chamar a atenção da sociedade. Inclusão é isso.

Informações » Blog Jairo Marques: assimcomovoce.folha. blog.uol.com.br/ » Atende: Rua Dr. Ulpiano da Costa Manso, 201 - Butantã (11) 37394978 » Movimento Superação: movimentosuperacao. ning.com/ » Vagas no mercado de trabalho para deficientes: deficienteonline.com.br

Cenas da São Remo

Giovanna Rossin

Giovanna Rossin

Giovanna Rossin

maria clara Vieira


44 Notícias do Jardim São Remo Abril de 2010

comunidade

“[Acho que as árvores] embelezam qualquer lugar, e por isso, vão tornar a São Remo mais bonita.” Dª. EVA, SOBRE “O VERDE VAI INVADIR”

Vacinação dos idosos começa em maio Campanha Nacional começa mês que vem; a vacina imuniza idosos contra a gripe comum MINISTÉRIO DA SAÚDE

Felipe Poroger Se você tem mais de 60 anos, fique atento: entre os dias 8 e 21 de maio, acontecerá a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso. Nesse período, todos os idosos serão vacinados gratuitamente contra a gripe comum. A campanha de 2010 tem uma novidade em relação à do ano passado: ela coincidirá com a quarta etapa de vacinação contra a Influenza H1N1 (veja box ao lado). Sendo assim, os idosos portadores de doenças crônicas, como diabetes, obesidade, cân-

cer, AIDS e problemas cardiorrespiratórios, deverão, também, se vacinar contra a gripe suína. A união das campanhas fará com que o idoso não tenha que se deslocar duas vezes a postos de saúde. Ainda que as vacinas não sejam integradas, ou seja,

há uma dose contra a gripe comum e outra contra a Influenza H1N1, as duas serão aplicadas na mesma ocasião. A relação dos postos de saúde credenciados e a lista completa das doenças crônicas cujos portadores devem ser vacinados podem ser encontradas no site da Secretária Estadual de Saúde de São Paulo (www.saude.sp.gov. br), ou pelo telefone (11) 30668000. Próximas à São Remo, as UBS do Butantã e do Rio Pequeno, assim como o Centro SaúdeEscola Samuel Pessoa, oferecerão o serviço de vacinação.

Vacine-se contra o vírus H1N1 Gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos, doentes crônicos, adultos de 20 a 29 anos e idosos devem ir aos postos de saúde entre 22/3 e 21/5. A partir de 10/5, quem tem de 30 a 39 anos também deve se vacinar. O serviço é gratuito. Mais informações: 0800 61 1997 ou no site: www. vacinacaoinfluenza.com.br

O verde vem aí Depois da greve, Plantio de mudas aulas são repostas dena árvores ajudará segurança Alunos reclamam da falta de planejamento

da comunidade

Shayene Metri

Juliana Malacarne

mo das lições tem sido acelerado. Além disso, teme-se que o currículo A greve da rede de ensino esta- não seja dado até os vestibulares. dual, iniciada em 8 de março, terGabriel Bayson, aluno da escola, minou no dia 15 de abril. Porém, considerou a greve ridícula: “Agora nenhuma das reivindicaestão passando um mon“[A GREVE] ções, como o aumento de te de trabalho pra gente, salários, foi atendida pelo FOI SÓ PRA só pra darem a nota do figoverno de São Paulo. IMPLICAR nal do bimestre.” A Escola Estadual COM O SERRA. A direção da escola acreEmygdio de Barros adeELE SAIU DO dita que a greve não preGOVERNO riu à greve, e, agora, com judicará os alunos, pois as o retorno dos docentes, E A GREVE aulas serão repostas. Mas preocupa-se com o conACABOU” o cronograma de repositeúdo perdido durante (CAÍQUE SILVA) ção ainda está sendo disa paralisação. cutido pelos professores e Muitos estudantes reclamam só entrará em vigor após ser aproque, desde a volta das aulas, o rit- vado pela direção.

O “Verde vai invadir” é um projeto idealizado por D. Eva, moradora e proprietária de um bar na São Remo, com a ajuda de sua amiga Daniela. O programa tem como objetivo plantar mudas de árvores no barranco que fica ao lado do estabelecimento. Dessa forma, possíveis deslizamentos de terra podem ser prevenidos, pois as raízes das árvores ajudam a impedir que o solo se desloque, mesmo com fortes chuvas, contribuindo assim, para a segurança da comunidade. Para D. Eva, além de evitarem acidentes, as árvores “embelezam

BEATRIZ MONTESANTI

qualquer lugar, por isso vão tornar a São Remo mais bonita”. Esse fator foi fundamental para o projeto passar do papel para a realidade. O programa ganhou até propaganda em uma das entradas da São Remo (na foto acima). Após a documentação da metragem do terreno onde serão plantadas as árvores ser regularizada, D. Eva conseguirá cinco mudas de graça no Parque do Ibirapuera.


Abril de 2010 Notícias do Jardim São Remo 55

65% dos tabagistas começam a fumar antes dos 15 anos, segundo pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

comunidade

São remanos aprovam a Lei Antifumo A lei gera discussões entre os moradores da comunidade; donos de bares elogiam a medida MAYARA TEIXEIRA

Os moradores e a Lei Antifumo Nota-se, contudo, que, apesar A Lei Antifumo, em vigor há de muitos aprovarem a lei, ela quase um ano em São Paulo, pro- ainda recebe muitas críticas. O íbe o fumo em qualquer ambiente senhor Antônio (mais conhecifechado de uso coletivo, como ba- do como “Antônio doido”) conres, restaurantes, casas noturnas sidera que a lei é certa, sim, para e até mesmo fumóbares e restaurantes. dromos. Ao restrin“NÃO Mas diz achar errada gir o uso do cigarro, AGUENTAVA a proibição do fumo a intenção é proteger MAIS CHEGAR EM nas casas noturnas. a saúde dos não fu- CASA CHEIRANDO A maioria, entretanmantes, livrando-os, A CIGARRO” to, agradece ao banipelo menos parcialmento dos cigarros. mente, da exposição à fumaça. Pessoas que trabalham em bares Na São Remo é perceptível que na comunidade, como José de Olia lei funciona: placas da campa- veira Filho (dono do Bar do José nha antifumo estão penduradas Preto), consideram a lei ótima. De pelos lugares públicos fechados e acordo com ele, às vezes alguns os fumantes saem dos bares para até tentam fumar, mas os próprios acender seus cigarros. clientes reclamam e os impedem. Shayene Metri

Maurício, do Bar do Manoel Lagoa, é a favor da Lei Antifumo Outro que se mostrou contente foi Maurício, do Bar do Manoel Lagoa. Ele afirmou que já havia pensado, antes da lei, em parar de vender cigarros no bar. Segundo a comunidade, a São Remo mostra uma postura exem-

plar de respeito a quem não fuma. Como foi dito por muitos, chega a ser difícil, ultimamente, ver pessoas acenderem cigarros em lugares fechados, até mesmo nas vielas, pois se sabe que os não fumantes vão reclamar.

Regularização da rede elétrica continua na SR

Programa da PM propõe conscientização cidadã

Eletropaulo garante melhoria nas instalações

Com resultados positivos, projeto é elogiado

Beatriz Montesanti A AES Eletropaulo continua a regularização da rede elétrica da comunidade. Agora, as casas estão recebendo os relógios de medição de consumo e, após o término desta etapa, a empresa promete substituir os postes de madeira e as fiações inadequadas. Assim que instalados os relógios, os moradores devem realizar a ligação desses para dentro das residências; do contrário, podem ficar sem energia elétrica por causa da

retirada da antiga rede informal. A AES confirmou a substituição de até quatro lâmpadas por residência. Serão realizados diagnósticos energéticos nas casas, visando identificar eventuais necessidades de substituição de geladeiras em mau estado e reforma de instalação interna em condições precárias. O prazo para execução dessas atividades é de sete dias úteis. A Eletropaulo declarou que, se houver necessidade, poderá ser marcada uma reunião para mais esclarecimentos.

rigido pela policial Ivone Machado, voluntária treinada para lidar com O Programa Educacional de Re- o público infantil. sistência às Drogas e à Violência As aulas ocorrem semanalmen(PROERD) tem caráte, tendo como maNAS ESCOLAS ter social preventivo, terial de apoio uma EM QUE O é realizado pela Polícia apostila feita especialPROERD ATUA, Militar e visa transmimente para o curso. HOUVE QUEDA tir noções de cidadania As crianças são remaNO NÚMERO DE às crianças, oferecendo nas que participaram DEPENDENTES atividades educaciodo projeto aprovam. QUÍMICOS nais em sala de aula. Os alunos, as mães e O PROERD é aplicaa comunidade são esdo em várias escolas, incluindo a senciais para que o projeto contiE.E. Emydgio de Barros, onde é di- nue dando resultados positivos. Juliana Malacarne


6 Notícias do Jardim São Remo Abril de 2010

comunidade

“´É difícil conviver em um país devastado. Lá [no Haiti] você aprende a dar valor.” Diego Pereira

“O Haiti não é uma guerra”

Entenda o processo de alistamento

Morador da São Remo integra Tropas de Paz da ONU no país Jéssica Stuque Mayara Teixeira Um jovem são remano esteve recentemente no Haiti. O país mais pobre das Américas foi atingido por terremotos, que agravaram o quadro social já preocupante. A região possui mais de nove milhões de habitantes, dos quais 80% vivem abaixo da linha da pobreza. Desde 2004, forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) atuam no país, contando com o auxílio de tropas brasileiras. Diego Pereira, de 22 anos, foi um dos integrantes dessas tropas. Quando se alistou em 2006, tinha interesse pelo serviço militar, mas hoje - após quatro anos de serviço e mais três pela frente - não sabe se o militarismo é a carreira que pretende seguir. A experiência Diego esteve em Porto Príncipe, capital do Haiti, no período entre 2 de julho de 2009 e 24 de janeiro deste ano, portanto estava no país quando ocorreu o abalo sísmico que tanto desolou a população. Atuando como motorista do Exército Brasileiro, o são remano presenciou ações de resgate:

“Eram cerca de 15 pessoas num local que era um supermercado. Eu era motorista, não retirava as pessoas dos escombros, mas as levava para o atendimento”, diz sobre um dos salvamentos em conjunto com as tropas norteamericanas.

da. “É difícil conviver com a realidade de um país devastado. Tinha gente pedindo água e, no Brasil, nós gastamos água a rodo. Lá você aprende a dar valor.” O Brasil tem sido parceiro dos EUA e do governo haitiano no exerAcervo pessoal

Diego Pereira na missão do Exército Brasileiro no Haiti O processo de seleção para integrar as tropas é concorrido. Há treinamentos físico e psicológico para os soldados selecionados, realizado seis meses antes da parti-

cício militar. “A gente foi por ordem em um país em desordem.” Depois de sua experiência na região, Diego afirma estar disposto a retornar ao país se a oportunidade surgir.

O período de alistamento militar vai até 30 de abril e é obrigatório para homens que completarão 18 anos em 2010, mesmo que morem fora do país. O processo é feito na Junta de Serviço Militar mais próxima de sua residência. Para quem não se alistar, estão vetadas a participação em concursos públicos, a retirada de passaporte e a contratação como funcionário público. Além disso, o infrator é submetido ao pagamento de uma multa. As etapas da seleção Após o alistamento, os inscritos recebem um certificado com a data em que devem se apresentar para a seleção, que geralmente acontece entre julho e outubro. Grande parte dos alistados é dispensada meses antes; os que permanecem no processo são submetidos a exames físico, cultural, psicológico e moral. Feitas todas as avaliações necessárias, mais inscritos são liberados. Depois de seis meses, acontece a seleção final com novos exames e, finalmente, a escolha daqueles com perfis adequados ao Exército.

Alistamento: O prazo encerra-se no dia 30 de abril

conscientize-se: é hora de tirar o título de eleitor

A documentação exigida é a certidão de nascimento, CPF, RG e uma foto recente tamanho 3 x 4. O serviço prestado pelos Órgãos de Serviço Militar é totalmente gratuito aos brasileiros, com exceção da Taxa Militar e da Multa Militar (quando o Alistamento Militar ocorrer fora do prazo previsto), as quais devem ser recolhidas em qualquer agência do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou Correios. Mais informações no site www.prefeitura.sp.gov.br/ ou pelo telefone: 156.

O prazo para retirada ou transferência do título eleitoral estende-se até 5 de maio. O título pode ser retirado via solicitação da inscrição pela Internet, através do sistema Título NET, ou diretamente nos cartórios eleitorais. No cartório, deve-se apresentar: RG original ou certidão de nascimento ou de casamento, comprovante de endereço recente e comprovante de quitação do serviço militar (somente para homens com idade entre 18 e 45 anos). Central de Atendimento nos telefones (11) 2858-2100 ou 148. Informações no site: www.tse.gov.br


Vamos

descobrir o Brasil? Brincadeiras de Ă­ndio

+

caça-palavras

+

tirinha


No dia 22 de abril de 1500, Pedro Álvares Cabral e sua tripulação desembarcaram em terras brasileiras. Imagine a reação dos portugueses, com roupas e barbas, quando viram os índios, nus e pintados, pela primeira vez? O choque foi grande: de um lado, os europeus, com o ouro e as cidades na cabeça, e do outro, os indígenas, que viviam na natureza e a respeitavam. Assim, logo começaram a acontecer brigas e guerras entre eles. Como resultado, milhões de vidas foram perdidas. dE 1500 para cá, a população indígena caiu de 5 milhões para 500 mil.

Os índios receberam esse nome porque, quando os europeus chegaram ao nosso continente, pensavam que haviam chegado à Índia, que fica muito longe, num continente chamado Ásia. VOCÊ SABIA? O dia 19 de abril foi escolhido, em 1940, por todos os países de nosso continente para ser o dia do índio. Três anos depois, a data foi oficializada no Brasil.


Fique ligado!

Q

uem disse que para ser índio tem que viver na mata, morar em ocas e estar longe dos hábitos e ambientes da cidade? Em muitas aldeias, há computadores, os índios usam roupas e sapatos e sabem falar português. Mesmo assim, eles mantêm algumas tradições dos seus antepassados e lutam para preservar sua cultura e sua maneira de viver. Nas cidades, há indígenas frequentando escolas, trabalhando e até participando da política!

BOLICHE DIFERENTE Você vai precisar de: * giz * 2 garrafas plásticas * 2 bolinhas coloridas 1. Com o giz, risquem dois retângulos bem longos, um ao lado do outro, formando um campo. Dividam-se em duas equipes e coloquem uma garrafa de cada lado. 2. Os jogadores de um time ficam numa ponta e jogam a bolinha para derrubar a garrafa do time adversário do outro lado do campo. 3. Depois que todos jogarem, a turma que derrubou mais vezes as garrafas do time adversário vence o jogo.

ACELERE NA CURVA Você vai precisar de: * giz * garrafas de plástico pequenas 1. Dividam a turma em equipes e desenhem círculos bem grandes no chão. 2. Cada equipe fica em um círculo. Um integrante de cada grupo dá duas voltas no círculo, passa a garrafa para um amigo e sai do círculo. 3. A equipe que deixar o círculo vazio primeiro é a vencedora..


Fique por dentro! Há muitas obras brasileiras que se inspiraram nos índios. É o caso dos livros O guarani e Iracema, de José de Alencar, e Macunaíma, de Mário de Andrade.

Quem aí nunca comeu MANDIOCA? Ou AÇAÍ, um fruto típico da Amazônia e muito apreciado no PARÁ? O Brasil ainda tem vários estados com nomes de origem indígena: além do Pará, o AMAPÁ, SERGIPE e outros... E a famosa praia de IPANEMA, no Rio de Janeiro? Significa ‘água ruim’ para os nativos. CARIOCA quer dizer ‘casa do branco’. Viu? Você já ouviu falar e falou várias dessas expressões na sua vida! A língua e a cultura indígena ainda vivem no sangue e no dia a dia dos brasileiros. agora Tente encontrar no caçapalavras ao lado todas as palavras destacadas no texto !

L S H R O T E U N A W

E A Y P C A R I O C A

X Q E V I U Ç O P O Z

C U X J P C P L A I Ç

A V C W A Ç A I R D E

R M T A N S O Ç A N K

R T B O E W Q M X A R

Jogos Arte em cima do personagem Tininim, do cartunista Ziraldo. Tininim foi criado em 1960, com a Turma do Pererê. Ele é o indiozinho mais esperto da fictícia tribo dos Parakatokas, cuja aldeia fica na Mata do Fundão.

V A J A M E A P A M A

B Ç A Q A X V H T C O

A S K Y S E R G I P E

I P J O D I A W L R S


Abril de 2010 Notícias do Jardim São Remo 7 7

papo reto

Até a República, Tiradentes era tido como um traidor. Depois, virou símbolo nacional.

“Se dez vidas tivesse, dez vidas daria” Frase proferida por Tiradentes momentos antes de sua morte revela sua paixão pela nação Jéssica Stuque Mayara Teixeira

ARTE: BRUNO FEDEROWSKI E ANDRÉ CAVALIERI

O mapa de Tiradentes

O dia 21 de abril é nacionalmente conhecido como o feriado de Tiradentes. Nesse dia, em 1792, era enforcado José Joaquim da Silva Xavier, personagem símbolo da luta pela independência brasileira. Filho de um pequeno proprietário de terras, Tiradentes seguiu carreira militar e participou do movimento contrário à dominação colonial: a Inconfidência Mineira. No ano de 1789, a elite mineira e parte da classe média se mobilizaram a fim de não somente impedir a “derrama” (cobrança de impostos atrasados sobre a exploração de ouro), mas também de tornar o país independente. A conspiração, contudo, não chegou a acontecer, já que foi delatada aos portugueses por um dos membros do movimento. Uma luta passional “Tiradentes não foi o participante de maior destaque, não tinha fortuna e nem influência, agiu movido pela paixão. Quando ocorreu a ‘devassa’ [data marcada para a cobrança da derrama], muitas pessoas foram presas, torturadas física e psicologicamente. Todos os envolvidos foram condenados à pena de morte, mas, por terem famílias influentes, conseguiram - por meio de generosas contribuições à coroa portuguesa - apenas o degredo. Tiradentes, porém, assumiu a sua punição, e a justiça lusitana optou por uma morte exemplar”, diz o professor Marcos Linari, formado em História pela USP.

MUSEU MARIANO PROCÓPIO, JUIZ DE FORA, MG

Acima são detalhadas as principais características do quadro de Tiradentes: um símbolo republicano A imagem construída Tiradentes permaneceu esquecido na história nacional após a Independência, visto que o país continuou sendo uma monarquia e os atos do inconfidente eram tidos como subversivos frente ao Código Criminal do Império do Brasil. Somente durante a República a imagem de Tiradentes foi tomada como símbolo de personificação republicana. Nada melhor do que um militar com ideais republicanos, morto por defender um movimento de independência, nascido no Sudeste, para representar uma República de domínio majoritário

de militares e fazendeiros paulistas. Seu rosto foi comparado à face de Cristo, um forte apelo, já que o Brasil era um país predominantemente católico (veja infográfico). Hoje, estampando nossas moedas de cinco centavos, está um rosto que provavelmente não corresponde ao que realmente foi. Convivemos com um personagem idealizado, que talvez não tenha sido heroi, nem líder, mas que participou da História e que nela deixou marcado o ideal da sua luta pela independência. Tiradentes foi o símbolo, o mártir de uma República que nascia.

Mas por que Tiradentes? Tiradentes trabalhou como dentista, mas, apesar do apelido, era adepto da odontologia preventiva, preferindo prevenir os pacientes para que os dentes fossem conservados. Inovador, implantava dentes esculpidos por ele mesmo, usando suas habilidades de joalheiro.


8 Notícias do Jardim São Remo Abril de 2010

são remano

“Apenas as produções nacionais representam nosso imaginário, nossos valores e nossa cultura.” CIDÁLIO SANTOS, DO PROJETO CINE B

Eles fazem samba bom até mais tarde Conheça a mais nova iniciativa de moradores para trazer entretenimento aos são remanos “O principal é a comunidade”, diz Raquel da Silva Ferreira sobre o samba que ela ajuda a organizar. Todos os sábados, das 23h às 6h, ela se reúne com outros moradores para se divertir e tentar reconstruir a quadra na qual ocorre o evento. Junto com Sidney, seu irmão, e com Daniel, seu marido, Raquel faz o que pode para melhorar aos poucos a quadra ao lado do Circo Escola. Como ainda não conseguiram um patrocínio para o evento, não há previsão para uma reforma definitiva. Ajustes entre as batucadas A intenção deles é fazer uma cobertura para o local e melhorar seu entorno, retirando, por exem-

plo, o mato que ali se encontra. Com essas melhorias, ela pretende ajudar não só aqueles que participam do samba, mas principalmente quem usa a quadra para praticar esportes ou para brincar. Como acontece A divulgação do samba é feita boca a boca, por meio de panfletos e até via internet (no site Orkut, por exemplo). Aos sábados, comparecem cerca de 500 pessoas dos mais variados locais e idades. “Vai criança, senhora, pai de família. O ambiente é bem legal.” “Nunca será cobrado nada”, diz a moça sobre a festa. A entrada é gratuita e são vendidas bebidas e refrigerantes. No futuro, ela pensa em colocar barraquinhas para vender

ANA C. MARQUES

Guilherme Bruniera

comida durante o evento. Quanto à música, um grupo de samba é contratado para tocar ao vivo. Nos intervalos, é a vez de um DJ alternar funk, blackmusic e psy. Raquel alega que não há uma mú-

sica ou um estilo preferido: “Até se tocar forró o pessoal dança”. A organizadora termina convidando a todos para vir participar: “Todos são bem-vindos, não importa a classe, nem a cor”.

Luz, câmera, ação: as telonas vêm à SR Circo Escola unido a projeto do município traz um pouco de cinema para a comunidade Ricardo Bomfim O Circo Escola apresentará no próximo dia 14 de maio uma mostra de cinema com o filme Os doze trabalhos, de Ricardo Elias. Essa exibição é fruto de uma parceria com o projeto Cine B, que poderá trazer mais filmes para a comunidade no futuro. O longa metragem será apresentado depois da exibição do curta Intervozes - Levante sua voz, um documentário de Pedro Ekman sobre o direito à informação. Após a sessão haverá a entrega de um questionário sobre os hábitos cinematográfi-

cos e a opinião dos espectadores a respeito do que foi exibido. Cinema Brasileiro O Cine B é um projeto que pretende divulgar produções do cinema nacional em áreas onde há pouco contato com as salas comerciais. Ele já atuou em diversas regiões de São Paulo como Tatuapé, Vila Prudente e Itaquera. “O mais interessante é ver espectadores que nunca foram ao cinema, gente de 20 a 80 anos que nunca tinha assistido a um filme na grande tela”, declarou Cidálio Vieira Santos, coordenador de produção do projeto.

O espetáculo da vez A produção Os doze trabalhos fala de um jovem que vive na periferia e é obrigado a fazer doze tarefas por São Paulo, trabalhando como motoboy. O filme trata do preconceito, da burocracia e das dificuldades para sobreviver em um emprego. Essa dificuldade é acentuada no caso do protagonista por ele ter acabado de sair da Febem. A exibição ocorrerá na lona do Circo Escola, no próximo dia 14 de maio, às 19h. Há 400 ingressos disponíveis gratuitamente para serem retirados na secretaria do local.

Você sabia? A primeira projeção comercial de filmes foi na França, em 1895. Os irmãos Auguste e Louis Lumière usaram um aparelho inventado por eles, o cinematógrafo, para exibir filmes curtos em preto e branco e sem som. O mais famoso mostrava a chegada de um trem à estação. O público se assustou. O trem vinha de longe, parecia que era real e que iria sair da tela.


Abril de 2010 Notícias do Jardim São Remo 99

são remano

“Não posso ficar quieta, eu ando demais. Ninguém anda como eu!” DONA ANA DO COENTRO, MORADORA

Andanças, vendas e histórias para contar As preciosas memórias de uma animada senhora mineira que não gosta de perder tempo Maria Clara Vieira Dona Ana do coentro, Vovozinha, Tiazinha, Mulher do coentro. Todos esses apelidos carinhosos pertencem à mesma pessoa: Ana Nunes. Famosa por vender saquinhos de coentro a RS 1,50 e sempre usar chapéu, Dª Ana é uma senhora simpática e trabalhadora. Ela mesma busca o famoso tempero: “Daqui até a ponte do CEASA eu vou de ônibus, depois eu vou a pé”. Questionada sobre como consegue pique para toda essa caminhada, Dª Ana responde que Deus lhe deu fé e saúde. E o trabalho não dá descanso: ela sai para as vendas na vizinhança todos os dias, inclusive aos sábados e domingos. Do campo à cidade grande Rio Vermelho, em Minas Gerais, é sua terra natal – e o sotaque não nega. “Estava acostumada na roça. Eu capinava, plantava, cuidava das galinhas. Tenho saudade do sossego de lá.” Mãe de quatro meninas

e cinco meninos, foi graças ao convite de um deles, já adulto, que Dª Ana veio para São Paulo. Desde então, há mais de vinte anos, leva uma vida agitada: “Ninguém anda como eu”. A comerciante não gosta de esperar muito por condução e prefere caminhar. Sempre de vestidos floridos ou saia e chapéu na cabeça, Dª Ana pode ser reconhecida de longe. O chapéu, disse ela, é costume que adquiriu em Minas, quando andava a cavalo.

cuida do neto Vinícius, de 6 anos, enquanto os pais dele trabalham. Além das vendas do coentro e dos cuidados com o neto, ainda tem outra atividade: “Faço benzimento em crianças”. Ocupada e batalhadora, ela diz que não tem tempo para televisão. Assiste apenas ao jornal da noite.

Agenda cheia Apesar de não revelar a idade de jeito nenhum, Dª Ana mantém-se jovem: conversa bastante, os olhinhos brilham e o sorriso vive no rosto. Viúva, ela diz: “Não moro sozinha, eu moro com Deus”. Atualmente Dª Ana

MARIA CLARA VIEIRA

“Comunidade é família” Dª Ana fala que a comunidade mudou muito com os anos.“A São Remo ficou melhor. Agora tem padaria e mercado perto de casa. Antes não tinha isso.” Diz também que nunca se mudou do primeiro terreno em que se instalou na comunidade - apenas trocou o térreo pelo 1º andar. Os filhos de Dª Ana estão hoje “espalhados”, vivendo em diferentes lugares. Ela sente falta deles, mas faz uma observação: “Graças a Deus todo mundo aqui na São Remo é amigo. Considero todos como filhos e netos”.

Agenda Cultural TEATRO

MÚSICA

CINEMA

MUSEUS

MUSICAL “ORFEU E EURÍDICE”

ORQUESTRA DE CÂMARA DA USP

FILME “CÃO DE BRIGA”

MAC

Onde: R. do Anfiteatro, 109, Cidade Universitária Anfiteatro Camargo Guarnieri Quando: Dia 30 de abril (sexta-feira) Às 20h30 Quanto: Grátis

Onde: Av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1700. CEU Butantã Quando: Dia 28 de abril (quarta-feira) - Às 9h e às 15h30 Para maiores de 14 anos Quanto: Grátis

Onde: Av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1700. CEU Butantã Quando: Dias 24 e 25 de abril (sábado e domingo) Às 17h Quanto: Grátis

Exposição “Entre atos 1964/68” Onde: R. Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária Quando: Até dia 01/08 3ª a 6ª das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados das 10h às 16h Quanto: Grátis


10 Notícias do Jardim São Remo Abril de 2010

feminino

“A equipe executa uma assistência humanizada e individualizada às pacientes.” ilva aragaki, enfermeira do hu

Está chegando o bebê, pra onde correr? Hospital da USP mantém completa infraestrutura de Obstetrícia logo ao lado da São Remo JH CASQUEL

Giovanna Rossin O atendimento do Hospital Universitário da USP, antes restrito a alunos e funcionários da universidade, passou a receber gestantes que moram na região do Butantã. Após o acompanhamento pré-natal durante o período de gestação, feito no Posto de Saúde mais próNovas mães recebem aulas com instruções para cuidar dos filhos ximo da sua residência, a grávida é encaminhada para o HU para ser realizado o parto. Essa é a definição de parto. 5º andar inteiro, tem a capacidaQuando a paciente chega ao Quando isso acontece, a futu- de total de 52 pacientes. Todas as hospital, passa por diversos exa- ra mamãe é levada à Sala de Par- pacientes recebem o pacote “Mãe mes para conferir se realmente to, onde estão esperando por ela Paulistana”, que contém um peestá em trabalho de para maca, berço aquecido queno enxoval para o bebê. A to. Um deles é a monito- o HU POSSUI para o bebê e inúmeros mãe também recebe, através desragem, na qual a enferequipamentos usados se projeto da prefeitura, um agenTODAS AS meira escuta o coração VACINAS QUE O pela equipe médica. “Em damento para retorno de consulta do bebê por dez minu- BEBÊ PRECISA média, o HU realiza dez ao posto médico, onde foi feito o tos a fim de verificar sua AO NASCER partos por dia, totalizan- acompanhamento pré-natal. vitalidade. Se sim, a gesdo 290 a 310 partos mentante é internada e depois levada sais”, diz a enfermeira Chang As primeiras horas do bebê a uma das quatro salas Pré-parto Yi Wei, chefe da Enfermaria do Logo após o parto, o cordão umdo hospital. É lá que as enfermei- Centro Obstetrício, que trabalha bilical é cortado. O bebê é levado à ras iniciam a preparação da ges- lá há 22 anos. sala de banho, onde toma vacina tante para a operação. contra hepatite B e uma cápsula de Caminhar, tomar banho quente O alojamento vitamina K, para prevenir hemore sentar em uma bola fisioterápiLogo em seguida, tanto a mãe ragias. Esse é o único momento em ca são conselhos para amenizar as quanto o bebê são encaminhados que fica separado da mãe. dores do parto durante essa fase. a uma sala de recuperação, onde Após as horas saudáveis de O acompanhamento familiar é um serão feitas observações em rela- descanso, as enfermeiras minisrecurso essencial, tanto para dimi- ção à sua temperatura, pressão e tram diariamente aulas coletivas nuir a ansiedade da mãe e o pos- freqüência cardíaca. para explicar detalhadasível mal-estar que sente quanto Se tudo correr bem du- as mães têm mente os cuidados que para fortalecer o relacionamento rante e depois do proce- aulas sobre devem ser tomados com da família com o recém-chegado. dimento, ou seja, se não os primeiros os recém-nascidos, além ocorrerem complicações dias de vida de tirarem as dúvidas. O procedimento de parto com nenhum dos dois, “No vídeo, eu aprendi a dos bebês No momento em que o âmnio eles são encaminhados cobrir a orelhinha do bebê (bolsa d´água onde o embrião ao chamado Sistema Alojamento durante o banho, para não molhar; fica mergulhado) se rompe, o cor- Conjunto, um tipo de internação a limpar bem o umbigo com álcopo da mulher se prepara para ex- onde o bebê, após nascer, fica ao ol e a tomar muito cuidado para o pulsar o feto para o meio exter- lado da mãe até ser liberada. sabão não ir aos olhos”, diz Tanieno, devido à contração do útero. Esse alojamento, que ocupa o le Almeida, 19 anos.

Cuidados com o bebê Nos primeiros dias de vida, a amamentação é essencial. Nesse período, o leite recebe o nome de colostro e contém todos os nutrientes que o bebê precisa, além de anticorpos essenciais. Nos seis primeiros meses, não é necessário dar água ao bebê se a alimentação for exclusivamente leite materno. A partir do sexto mês, é necessário complementar a dieta da criança. Os novos alimentos devem ser oferecidos um por dia. Assim, pode-se observar se o bebê tem intolerância a algo. A papinha não pode ser muito mole, para estimular a mastigação e o nascimento dos dentinhos. Deve ser feita com base na refeição normal da família. Sal e óleo podem ser usados, mas fique atenta às quantidades utilizadas. É recomendável amamentar até os dois anos de idade, embora o desmame possa ocorrer antes. Além disso, a amamentação acelera a perda de peso e a volta do corpo ao normal após a gestação.

Atenção, mamãe! O HU possui um Banco de Leite Humano que está sempre aberto a doações. Caso haja leite sobrando, procure o Serviço de Nutrição e Dietética para obter mais informações e fazer sua contribuição.


“O que mais contribuiu para a classificação foi a união do time, o grupo mesmo.” Gilton Maia, Técnico do catumbi

Abril de 2010 Notícias do Jardim São Remo111

esportes

Catumbi vai à segunda fase da Femsa Com uma vitória na última rodada, a equipe são remana ficou em primeiro lugar do grupo fotos: glenda almeida

tos, Hugo, número 8 do Catumbi, quase abriu o placar. Mas foi só aos 31 minutos do primeiro tempo que o gol saiu. Depois de roubar a bola, Josevaldo deu bom passe para Iran que, num lindo chute, fez 1x0 para a equipe são remana.

Renata Hirota O Catumbi venceu o São Marcos de Pirituba por 2x0, no dia 18, classificando-se para a próxima etapa da Copa Femsa (antiga Kaiser). O jogo foi no campo do CDC Liderança, e o resultado favorável ao time da São Remo desclassificou o São Marcos, que precisava ganhar com uma diferença de três gols para passar à fase seguinte, cuja data ainda não foi divulgada. Embora tenha sido campeão da Zona Oeste no ano passado, o Catumbi disputa a série A pela primeira vez, e tem feito uma boa temporada, como mostram os resultados: empatou com o EE Comercial no primeiro jogo (1x1) no dia 14 de março e venceu o SC D’Avila (2x1) no dia 28 de março. O jogo Precisando apenas de um empate, o Catumbi se postou bem na defesa e demonstrou um bom toque de bola. Já o São Marcos, apesar de estar praticamente eliminado, partiu para cima da equipe são remana, jogando duro e cometendo diversas faltas. Pereira, centroavante do Catumbi, afirmou: “Empatando já está bom. Na verdade, a gente só está cumprindo tabela.”

Série B do torneio começa em breve Glenda Almeida Para os torcedores do Pão de Queijo e do Vila Nova, as

De cima para baixo: a bola entra no ângulo após chute de Iran. Depois, o mesmo Iran inicia, com Marquita, a jogada que originou o segundo gol Mesmo sob pressão dos adversários, o Catumbi dominou a partida e, em vários momentos, deu trabalho ao goleiro do time de Pirituba. Logo no início, com dois minutos

de jogo, ele fez uma ótima defesa após bela cobrança de falta do “Zóio”. Ao longo da partida, outras situações parecidas fizeram a torcida ficar ansiosa – aos 27 minu-

partidas da série B da Copa Femsa (antiga Copa Kaiser) estão próximos. No dia 1º de maio, sábado (Dia do trabalho) , acontecerão os jogos da primeira rodada parcial, na Zona Oeste. O Pão de Queijo

estreia na competição contra o AE Brasilândia, às 14h, no campo da Jaguareense (Caju). E em Vila Izabel, também às 14h, o Vila Nova faz seu primeiro jogo contra o Grêmio Pirituba, de Vila Zatt. Para

Domínio e classificação No intervalo e também durante o jogo, o técnico do São Marcos, Prifist Joviano, pediu mais garra aos seus jogadores. “Você viu a vontade com que ele foi na bola?”, falando sobre um jogador do Catumbi. O goleiro, insatisfeito, disse que, apesar do resultado, “o time tem que jogar”. No segundo tempo, o time de Pirituba diminuiu seu ímpeto inicial, permitindo que o Catumbi controlasse o jogo. Ao longo da segunda etapa, a equipe são remana perdeu inúmeras chances de ampliar o placar. No final, após bela jogada de Marquita – um dos destaques do time -, Juninho só precisou tocar para o gol para definir o jogo. “É mais na vontade mesmo, porque a gente não tem muita técnica”, disse Juninho ao NJSR. O técnico, Gilton Maia, também ressaltou o entrosamento e a garra dos jogadores como os principais fatores para a vitória e a classificação.

checar o endereço dos campos onde os representantes são remanos vão jogar, é só acessar a página www. simmm.com.br, que informa tudo sobre o futebol amador de São Paulo.


12 Notícias do Jardim São Remo Abril de 2010

esportes

“Os jogos deveriam começar às 21h para acabar às 23h.” PRESIDENTE LUIS INÁCIO LULA DA SILVA

Partidas podem terminar mais cedo Novo projeto de lei gera polêmica, mas falicitaria a vida dos moradores da São Remo Carolina Linhares Quarta-feira à noite tem futebol. Os são remanos assistem aos jogos pela televisão preocupados com o horário. Para acabar com esse problema, vereadores de São Paulo elaboraram um projeto de lei que obriga os jogos a começar e terminar mais cedo. Na São Remo, a ideia é benvinda. A lei facilitaria a vida daqueles que se reúnem para assistir aos jogos das 21h50 às quartas-feiras e acabam dormindo após a meia-noite. Os irmãos Rodrigo e Robson Ribeiro, de 10 e 8 anos, assistem aos jogos, mas ficam com sono durante as aulas. Para Elielson Tenório, o jogo deveria durar até no máximo 22h, para que a população pudesse comparecer aos estádios.

O projeto foi O OBJETIVO aprovado pela DO PROJETO Câmara dos VeDE LEI readores, com É GARANTIR 43 votos a fa- O DESCANSO vor, dois conDO tra e três abs- TRABALHADOR tenções, mas EA foi vetado pelo SEGURANÇA prefeito Kassab. DO TORCEDOR A Câmara pode derrubar o veto com a maioria absoluta de votos. Antônio Carlos Rodrigues, presidente da Câmara, diz que fará o possível para isso. O projeto de lei Os autores do projeto, Antônio Goulart (PMDB) e Agnaldo Timóteo (PL), propõem que partidas realizadas em locais com capacidade superior a 15 mil pessoas, na

ras de poder. Além disso, a lei privaria a cidade de sediar campeonatos internacionais e traria prejuízos econômicos à cidade.

A AN

ES QU AR M C.

capital paulista, devem terminar até, no máximo, 23h15. A lei permitirá que o horário se estenda em caso de imprevistos, prorrogação ou disputa de pênaltis. Também prevê fiscalização e multa de R$ 100 mil reais. Kassab alegou que essa questão do horário não é responsabilidade do Município e sim de outras esfe-

Dividindo opiniões Para que o jogo termine às 23h15, deve começar por volta de 21h. Creudo Ribeiro, morador da São Remo, concorda com o horário porque “às 9h da noite todo mundo já chegou do trabalho”. A decisão prejudicaria a rede Globo, que detém os direitos de transmissão dos jogos. O diretor da Globo Esportes e o presidente da Federação Paulista de Futebol são contra a lei. Os quatro grandes clubes não se manifestaram. O comentarista Juca Kfouri afirma que o projeto de lei não é a solução, pois abre diversas exceções.

Jogos da Cidade agitam esporte amador

A competição, que ocorrerá em todo o município, contará com dois times são remanos João Carlos Saran

po da São Remo, na Rua Aquianés. A competição ocorre em duas Os Jogos da Cidade de São Paulo fases. A primeira, regional, vai de são “a maior competição esportiva maio a agosto e classificará as equiamadora do país e pes para a fase muuma das maiores do nicipal, que se iniNA ZONA OESTE HÁ 96 mundo”, segundo o EQUIPES DISTRIBUÍDAS cia em setembro e site da organização termina no dia 12 ENTRE AS CINCO do evento. Neste de dezembro. MODALIDADES, COM ano, estão inscritos Além dos cinDESTAQUE PARA O mais de 30 mil atleco esportes coleFUTEBOL DE CAMPO tas, que farão partivos, os Jogos da te de quatro mil equipes nas mo- Cidade também realizarão alguns dalidades futsal, futebol de campo, “Festivais”, que contemplarão as handebol, basquetebol e voleibol. seguintes atividades: Bocha, GaHá locais de jogos espalhados por teball, Xadrez, Capoeira e Vôlei todo o município, inclusive o Cam- de Areia.

Na São Remo Embora tenha grande alcance e relevância, a penetração do evento na comunidade é pequena. Uma rápida pesquisa pelas ruas mostrou que muitos moradores não conhecem os Jogos da Cidade ou não sabem sobre a participação de equipes da comunidade. Há dois times da São Remo inscritos na modalidade futebol de campo: o Juventos e o Vila Nova, que inicialmente disputarão a fase eliminatória com outras equipes do Butantã. No dia 17 de abril, o congresso técnico da competição sorteou os grupos (veja o box).

Fase regional: grupos dos times da SR Chave B: VILA NOVA F.C.; Estrela F.C. 1010; Muito Chique para Morrer; Trilha F.C. Chave C: JUVENTOS S/A; Os Feras F.C.; Grêmio Esportivo União Mocidade do Jardim Bonfiglioli; A.E. Clube Unidos da Morada do Sol


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