Falar sobre o imaginário do ouro nos leva a apelar não a formas dicotômicas do pensamento racional, mas a formas míticas, místicas e poéticas. Os povos arcaicos, como bem acentua Mircea Eliade, viviam em intensa conexão com a natureza e as distinções entre elementos vegetais ou minerais, não eram bem determinadas. O homem participava de uma verdadeira harmonia cósmica. Antes que as distinções e classificações entre coisas e pessoas fossem estabelecidas em reinos, gêneros, espécies, sexos, costumes e civilizações, o século XVI representa um momento de transição entre a variedade das vozes e misturas e o medo da poluição e do contágio.