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DOCUMENTÁRIOS E FILMES DE ANIMAÇÃO Comissariado: ACT

De Segunda 3 a Sábado 8 de Dezembro de 2007 Pequeno Auditório · 18h30 / 21h30 Filmes legendados em inglês

SEGUNDA 3

QUINTA 6

17h00 · Conferência ‘Anime’ e Documentários Japoneses Por Kyoko Hirano

18h30 · Documentário Mary de Yokohama, de Nakamura Takayuki, 2006 · 92’

18h30 · Animação Paprika, de Kon Satoshi, 2006 · 90’

21h30 · Animação Fantasma na concha – complexo solitário Volume 1, de Kamiyama Kenji, 2004-05 · 120’

21h30 · Documentário Minamata, as vítimas e o seu mundo, de Noriaki Tsuchimoto, 1971 · 167’ 5 centímetros por segundo, de Shinkai Makoto

TERÇA 4 18h30 · Documentário Realizar cinema é documentar vidas: A vida e a obra de Noriaki Tsuchimoto, de Fujiwara Toshi, 2007 · 94’ 21h30 · Animação Negadon: O monstro de Marte, de Awazu Jun, 2005 · 26’ 5 centímetros por segundo, de Shinkai Makoto (2007) · 87’ QUARTA 5 18h30 · Animação Loop de Tóquio, de Vários, 2006 · 75’ 21h30 · Documentário Campanha, de Soda Kazuhiro, 2007 · 120’

SEXTA 7 18h30 · Animação New Hal & Bons, de Miki Shunichiro, Ishimine Hajime e Ishii Katsuhito, 2006 · 44’ 21h30 · Documentário Rapsódia Rokkasho, de Kamanaka Hitomi, 2006 · 119’ SÁBADO 8 18h30 · Animação A história da minhoca (1989), Aventura Haruko (1991), Cidade pessoal (1990), Idade da caixa (1992) e O bramido do mar (1988), de Kurosaka Keita · 108’ 21h30 · Animação TekkonKinkreet, de Michael Árias, 2006 · 111’


Real ou irreal: Anime e Documentários Japoneses Por Kyoko Hirano Ao longo das duas últimas décadas, sensivelmente, o anime e o manga japoneses tornaram-se populares a nível internacional. Devido ao seu esplendor visual, à sofisticação técnica e às mensagens filosóficas que veiculam, têm sido amplamente consumidos, apreciados e debatidos. Paprika (2006), de Satoshi Kon, constitui um exemplo recente de uma animação com uma apresentação visualmente elaborada e uma estrutura narrativa multifacetada, em que se explora o tema da consciência humana.1 O filme tem como personagens uma jovem psicoterapeuta, Atsuko, que, juntamente com o seu genial colega otaku (fanático) Kosaku, leva a cabo o seu trabalho de terapeuta entrando no subconsciente dos seus pacientes como uma jovem detective adolescente chamada Paprika. Os espectadores sentem-se frequentemente perdidos, interrogando‑se sobre o seu lugar na história do filme – estarão no interior da realidade de Atsuko, no seu sonho, na aventura de Paprika sob a forma do alter-ego de Atsuko, ou nos pensamentos imaginários do seu paciente? Foram necessários vários anos para que Kon pudesse adaptar o popular romance de Yasutaka Tsusui com o mesmo título, publicado em 1993, o que sucedeu depois de Tsusui ter visto Millenium Actress (2003), realizado por Kon, e ter pedido ao realizador para adaptar o seu romance a um filme animado. Kon revela o alcance da sua

imaginação num dos aspectos mais difíceis desta adaptação – tornar os sonhos visíveis. Mamoru Oshii é outro grande nome neste domínio, que analisa a relação entre o humano e o artificial e entre as memórias e a informação, desenvolvida em torno do seu fascinante imaginário. O nível de refinamento dos elementos visuais e narrativos deste anime japonês demonstra claramente que não foi apenas realizado para crianças. A história dos filmes animados nipónicos remonta às experiências realizadas nos anos 20 do século passado. Noburi Ofuji, um dos pioneiros nesta área, é conhecido pelo seu refinamento artístico obtido através de fotografias de recortes e pela criação de filmes com efeitos de sombra sobre as imagens. Em 1927, realizou o filme Baleia (Kujira), que conta a história de três homens e uma mulher engolidos vivos por uma baleia, tendo realizado a mesma história a cores em 1952. Posteriormente, utilizou recortes de celofane colorido para criar Navio Fantasma (Yureisen, 1956), um filme sobre um navio assombrado pelos espíritos de uma princesa e de um guerreiro mortos por piratas. 2 A Aranha e a Tulipa (Kumo to churippu, 1943), de Kenzo Masaoka, retrata a comovente história de uma joaninha ameaçada por uma maldosa aranha, que acaba por ser socorrida por uma tulipa. Apesar da ausência de cor, o filme é extraordinário. Ao contrário do que sucedeu com este trabalho, a maioria do anime e dos filmes japoneses em geral, realizados na década de 40 do século xx, não escaparam à imposição da propaganda política relacionada com a guerra.

Um dos mais conhecidos anime deste género é Momotaro, o Soldado Divino do Oceano (Momotaro Umi no shinpei, 1944), de Mistuyo Seo, tendo como protagonista Momotaro, uma personagem bem conhecida retirada de um conto tradicional japonês para crianças, que lidera um grupo de animais, cada um dos quais simboliza a nação do Sudeste Asiático nas lutas travadas contra os colonialistas anglo-americanos.3 O desenvolvimento do anime no pós-guerra deu origem a mestres como Taiji Yabushita, Osamu Tezuka, Yoji Kuri, Kihachiro Kawamoto e Renzo Kinoshita, nos sectores comercial, independente e experimental, nas décadas de 1950 e 1960. O advento da televisão acelerou o aumento das produções anime destinadas principalmente a crianças e jovens. Algumas são adaptações de séries manga publicadas em revistas semanais, tais como Kimba, o Leão Branco (Janguru taitei; série manga iniciada em 1950, série televisiva iniciada em 1965), Astro Boy (Tetsuwan Atomu; manga em 1952, série televisiva em 1963) e Princesa Safira (Ribon no kishi; manga em 1953 e série televisiva em 1967), todas da autoria de Tezuka. Os temas abordados por Tezuka são variados e vão desde o mundo animal à ficção científica, passando pela aventura histórica. Outras notáveis séries anime televisivas são igualmente variadas, reflectindo a diversidade de géneros do manga original: Sazae-san (manga em 1946; série televisiva em 1969), de Machiko Hasegawa, inclui crítica social e política no retrato humorístico da vida familiar de um vulgar funcionário de escritório; Gigantor (Tetsujin 28 go; manga

em 1956, série televisiva em 1963), de Koki Yokoyama, tem como protagonista um herói humano que se move num enredo de ficção científica; Osomatsukun (manga em 1962, série televisiva em 1966), de Yukio Akatsuka, é uma comédia nonsense sobre seis gémeos; A Estrela do Gigante (Kyojin no hoshi; manga em 1966, série televisiva em 1968), de Ikki Kajiwara e Noboru Kawasaki, é sobre um rapaz que deseja ser jogador de basebol profissional; e A Rosa de Versailles (Berusaiyu no bara; manga em 1972 e série televisiva em 1979), de Riyoko Ikeda, é uma série de animação romântica que tem a Revolução Francesa como pano de fundo. A riqueza dos temas e a elevada qualidade destes filmes revelam um aspecto único da cultura japonesa: quando as crianças já não lêem livros, aprendem matérias como a Revolução Francesa através do manga e do anime.

Fantasma na concha – complexo solitário Volume 1, de Kamiyama Kenji


Ao mesmo tempo, e uma vez que o manga e o anime se tornaram indústrias multimilionárias, alguns dos maiores talentos optam sem hesitação por estes domínios em detrimento da literatura e da imprensa, sectores tradicionalmente respeitados. Por conseguinte, ao longo das últimas décadas, mais de 50% dos filmes cinematográficos e das séries dramáticas televisivas com actores reais basearam-se no manga popular e não em obras literárias. Além disso, o Governo japonês tem levado este assunto a sério, introduzindo as indústrias do manga e do anime (cultural e financeiramente importantes) no estrangeiro de forma sistemática, através da organização de exposições, conferências para profissionais e competições para estreantes. O crítico cultural Hiroki Azuma afirma que o recente envolvimento do Governo nestas indústrias é olhado com desconfiança por alguns grupos de artistas de tradição antigovernamental, uma vez que o anime e o manga foram durante muito tempo ignorados pelas autoridades, não tendo sido levados a sério. 4 Os japoneses Hayao Miyazaki e Isao Takahata, criadores de anime mundialmente conhecidos, são bons exemplos, representativos da posição ideológica radical, que assumiram posições activas no movimento sindicalista, na luta por melhores condições para os trabalhadores da indústria anime.5 As suas visões artísticas são totalmente originais. No início da década de 70, Takahata e Miyazaki começaram a realizar excelentes séries anime para a TV, criando jovens heroínas atraentes e alegres como as que são retratadas em Panda kopanda

(1972-73) e Heidi (Arupusu no shojo Haiji, 1974), cujas imagens foram herdadas pelas heroínas dos últimos trabalhos de Miyazaki. O tempo e o espaço são únicos nos filmes de Miyazaki. Para o cenário dos seus filmes, Miyazaki alternou livremente entre o Japão – O Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro, 1988), A Princesa Mononoke (Mononoke-hime, 1997) e A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no monogatari, 2001), por exemplo – e a Europa não específica – Laputa (1986), Kiki’s Delivery Service (Majo no takkyubin, 1989) e O Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro, 2004), por exemplo. É fascinante a forma como os realizadores concebem o espaço algures entre o real e o imaginário. Tekkonkinkreet (2006) evoca também um sentido de espaço e tempo irreais criados pelo realizador americano Michael Arias. Baseado no manga popular de 1993, da autoria de Taiyo Matsumoto, o filme centra-se em duas crianças de rua, Shiro e Kuro, com poderes sobrenaturais. A sua cidade está dominada por um yakuza (membro de uma organização criminosa) e por poderes ainda mais malévolos. As pinturas gastas nas paredes, os balões com publicidade voando em direcção ao céu, os automóveis, as pequenas lojas de rua inundadas de pessoas e as lanternas dos festivais locais, tudo contribui para recriar o ambiente dos últimos anos das décadas de 40 e 50. Esta sensibilidade notável das “ruas do passado” foi inspirada pelas fotografias de Tóquio no pós‑guerra, da autoria de Daido Moriyama, Katsumi Watanable e Nobuyoshi Araki. 6 Por que razão alguns realizadores

escolhem imagens animadas em detrimento de imagens com actores reais? Provavelmente acreditam que podem criar um mundo irreal único através da expansão da sua imaginação. Por outro lado, por que razão alguns realizadores escolhem o documentário como meio de apresentação do seu trabalho? Provavelmente, tal deve-se ao facto de os documentários conseguirem captar momentos que não podem ser recriados por actores ou realizadores. Neste sentido, o caso de Campanha (Senkyo, 2007), de Kazuhiro Soda, é interessante uma vez que, após terem visualizado o filme, alguns espectadores perguntaram ao realizador se o papel de Yamauchi, o protagonista que se candidata às eleições locais, tinha sido desempenhado por um actor. A história de Yamauchi poderia ser interpretada como não sendo real, já que a câmara o segue continuamente observando as práticas absurdamente idiossincrásicas do Partido Democrata, uma após a outra; além disso, o que Yamauchi pretende comunicar a nível político é totalmente vazio. O município de Yamauchi é constituído maioritariamente pela classe média, sem assuntos sociais relevantes ou pendentes; por conseguinte, todos os candidatos se apoiam em frases abstractas para apelarem ao seu eleitorado. A forma desinteressada como Yamauchi reage às necessidades do seu partido e a forma como a relação com a sua esposa se vai alterando são os momentos mais intrigantes e envolventes do filme. Soda nutre uma grande admiração pelo documentarista Frederick Wiseman e, tal como ele, os seus filmes não são narrados nem têm legendas,

5 centímetros por segundo, de Shinkai Makoto

pelo que apelida o seu estilo de “filme de observação”. Contudo, ao contrário de Wiseman, Soda não se limita ao cinema, tendo colocado Campanha a circular em vídeo, afirmando que a sua mobilidade e o baixo custo de produção concedem vantagens que o cinema não permite obter.7 Um dos papéis mais importantes que os documentaristas independentes desempenham é o de serem socialmente responsáveis por se tornarem a voz dos marginalizados. Neste sentido, nas décadas de 60 e 70, houve dois importantes realizadores no Japão. Shinsuke Ogawa realizou uma série de documentários sobre as lutas dos agricultores contra a construção do novo Aeroporto Internacional de Narita levada a cabo pelo Governo. Noriaki Tsuchimoto chamou a atenção para as vítimas do envenenamento por mercúrio em Minamata, causado pelas descargas de mercúrio no mar por parte de uma grande fábrica, e ignorado pelo Governo durante vários anos. Tsuchimoto filmou as vítimas de Minamata pela primeira vez em 1965, para um programa televisivo, antes de ter começado a realizar longas-metragens sobre este tema. O realizador afirmou que os seus docu-


mentários sobre Minamata marcaram a diferença por terem dado a conhecer esta situação à sociedade, uma vez que nenhum outro meio de comunicação o havia feito anteriormente. 8 No documentário Minamata, as Vítimas e o Seu Mundo (Minamata kanjasan to sono sekai, 1971, o primeiro de uma série de filmes sobre o tema, que teve continuidade até ao presente, num total de 11 filmes), Tsuchimoto revela ser um documentarista sem precedentes no retrato real da situação das vítimas no seu quotidiano e do auge da sua revolta na reunião com os accionistas da Chisso, a empresa responsável pela contaminação. O realizador retrata também a vontade de viver do povo de Minamata. A alegria irradia do rosto de um pescador, enquanto este apanha um polvo no mar. As vítimas de Minamata vivem do mar, sendo este o seu meio de sustento. Apesar das dificuldades, as suas vidas têm de continuar e a sua sobrevivência deve ser celebrada. Toshifumi Fujiwara, um realizador

Campanha, de Soda Kazuhiro

pertencente a uma geração mais jovem, caracteriza Tsuchimoto não só como um lutador inabalável, mas também como um filósofo que capta a resiliência da natureza humana, no seu filme Realizar Cinema é Documentar Vidas: A Vida e a Obra de Noriaki Tsuchimoto (Eiga wa ikimono no kiroku dearu: Tsuchimoto Noriaki no shigoto, 2007). O espírito humanista de Tsuchimoto, demonstrado na sua preocupação pelas vítimas dos grandes poderes e da sociedade, tem tido continuidade por parte de jovens realizadores. Hitomi Kamanaka investiga de que modo a contaminação nuclear afecta os agricultores e a população local residente nas proximidades de uma central nuclear, em Rapsódia Rokkasho (2006). Com medo de provocar as grandes empresas que operam centrais nucleares, apenas os produtores independentes podem abordar um tema tão controverso. Mary de Yokohama (2006), de Takayuki Nakamura, analisa a vida de uma mulher de idade que vive na rua e que se destaca pelo uso de uma maquilhagem e roupas exageradas, que no passado foi uma prostituta. Acompanhar a vida de uma pessoa que vive na rua, durante um determinado período de tempo, também constitui um projecto difícil para o meio televisivo e para as empresas cinematográficas, uma vez que um projecto deste género terá poucas probabilidades de êxito ao nível das vendas, num meio onde prevalecem as imagens monolíticas e sensacionalistas. A importante missão da tradição do documentário independente japonês tem sido continuada de geração em geração.

1 Manohla Dargis, um crítico do filme Paprika, de Satoshi Kon, exprime o seu agrado pelo facto de o filme evidenciar a superioridade dos criadores de filmes animados japoneses relativamente aos americanos, que continuam a realizar filmes para crianças. “At the New York Film Festival, a Global Glimpse of the State of the Cinema” em New York Times, 16 de Outubro de 2006. 2 Da brochura de apresentação de “Anime: The History of Japanese Animated Films”, a primeira de uma série de exposições organizada pela Associação Japonesa de Nova Iorque (Japan Society of New York), entre 11 de Dezembro de 1998 e 26 de Fevereiro de 1999. 3 Para uma análise detalhada, ver Scott Nygren, “The Pacific War: Reading, Contradiction & Denial”, Wide Angle, vol. 9, n.º 2; e Toshiya Ueno, “The Other and the Machine”, Pearl Harbor 50th Anniversary, Media Wars: Then & Now, Yamagata International Documentary Film Festival (Festival Internacional de Cinema Documental de Yamagata), 1991. 4 Hiroki Azuma sobre o tema “Otaku Unmasked – The Life, Death and Rebirth of Japan’s Pop Culture”, na Associação Japonesa de Nova Iorque, Nova Iorque, 30 de Novembro de 2005. 5 Biografia de Hayao Miyazaki, Cine-Front N.º 249 (Julho de 1997), p. 21; Hayao Miyazaki e Isao Takahata, Wikipedia. As condições de trabalho dos trabalhadores da indústria anime não melhoraram de forma significativa e, pela primeira vez, foi criada uma associação neste sector, a JAniCA , em 13 de Outubro de 2007, por animadores e realizadores. (Mainichi Shimbun, 13 de Outubro de 2007)

6 Material de imprensa alusivo ao filme Tekkonkinkureet, preparado pela Sony Pictures Classics, 2007. A palavra tekkonkinkureet constitui um jogo de palavras obtido pela distorção da palavra “tekkinkonkurito,” que significa “cimento suportado por estruturas de ferro”. 7 Conversa com Kazuhiro Soda, Nova Iorque, 29 de Agosto de 2007. Quanto a Wiseman, quando questionado por que razão prefere o filme cinematográfico ao filme digital, respondeu afirmando que gosta da textura do filme. Frederick Wiseman em Perguntas e Respostas, no BAM Cinema, Nova Iorque, 7 de Junho de 2004. Por sua vez, Sidney Lumet afirmou recentemente que, uma vez experimentado o filme digital, nenhum realizador gostaria de voltar ao filme cinematográfico, pois deste modo não é necessário recorrer a laboratórios, para além de que as cores e a realidade são captadas de forma melhorada. Sidney Lumet em Perguntas e Respostas, no Festival de Cinema de Nova Iorque, 19 de Setembro de 2007. 8 Noriaki Tsuchimoto na apresentação do seu filme, Minamata, as Vítimas e o Seu Mundo, no Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, 22 de Junho de 2003.


conferência Anime e Documentários Japoneses Por Kyoko Hirano Seg 3 de Dezembro, 17h00 Pequeno Auditório A conferência será falada em inglês, sem tradução Nesta palestra, serão explorados elementos importantes do anime (filmes animados) e dos documentários cinematográficos japoneses mais recentes, com enfoque em vários trabalhos apresentados no Festival Nippon Koma deste ano. Quanto ao anime, analisaremos o que torna o anime japonês tão popular internacionalmente, através da observação das suas formas, práticas e estratégias estéticas, narrativas e tecnológicas. A produção de Satoshi Kon, Paprika (2006), será debatida, bem como a história original da autoria do escritor Yasutaka Tsutsui; além disso, iremos proceder a uma comparação de estilos entre Kon e Mamoru Oshii. Seguidamente, será traçada a história dos filmes animados japoneses desde os anos 20, fazendo-se menção aos trabalhos dos pioneiros experimentalistas como Kenzo Masaoka e Noburo Ofuji, o realizador do período da guerra, Mitsuyo Seo, o mestre do pós-guerra, Osamu Tezuka, entre outros, cujos trabalhos foram primeiramente publicados na imprensa, nomeadamente em revistas semanais ou jornais sob a forma de séries manga (história gráfica), e posteriormente emitidos semanalmente na televisão, apresentados nos cinemas,

depois como filmes de longa-metragem, e, finalmente, reproduzidos em palco. Analisaremos aspectos singulares da cultura japonesa em que o manga e o anime florescem enquanto produtos de consumo, não só para crianças mas também para leitores e audiências adultas, disponíveis em vários géneros e subgéneros; a sua relação com a imprensa escrita e literária tradicionais; e o recente envolvimento do Governo japonês nas indústrias do manga e do anime. Ao analisar a sensibilidade peculiar reflectida no tempo e no espaço concebidos por Michael Arias em Tekkonkinkreet (2006), veremos também de que forma o tempo e o espaço são tratados por Hayao Miyazaki e Isao Takahata. A questão de saber de que forma os realizadores de anime percepcionam a realidade e formam a sua própria imagem, em termos de tempo e espaço, conduzirá a outra questão – a de saber de que forma os realizadores de documentários abordam a realidade nos seus trabalhos. Veremos o modo como o realizador Kazuo Soda capta o imaginário

Nuance, de Tomoyasu Murata

urgente e incomensurável do seu colega de faculdade Kazuhiko Yamauchi, um candidato às eleições locais no seu filme Campanha (2007). Discutiremos a importância do cinema documental japonês dos anos 60 e 70, nomeadamente o caso de Noriaki Tsuchimoto e o compromisso assumido ao longo de 40 anos para com as vítimas da contaminação por mercúrio em Minamata, causada pelas águas residuais provenientes de uma fábrica detida por uma grande empresa, desde o documentário televisivo realizado em 1965. Veremos o primeiro de uma série de filmes relacionados com este tema, realizados por Noriaki Tsuchimoto, Minamata, as Vítimas e o Seu Mundo (1971), e analisaremos de que forma o seu trabalho inspirou a geração mais jovem de realizadores de documentários japoneses. O documentário Realizar Cinema é Documentar Vidas: A Vida e a Obra de Noriaki Tsuchimoto (2007), de Toshi Fujiwara, retrata a devoção de Tsuchimoto pelo activismo radical no seu meio de comunicação de eleição; Rapsódia Rokkasho (2006), de Hitomi Kamanaka, explora os efeitos de uma central nuclear nas aldeias circundantes; e Mary de Yokohama (2006), de Takayuki Makamura, retrata a vida de uma mulher idosa que vive na rua. Reconheceremos o papel dos documentaristas enquanto pessoas socialmente responsáveis por explorarem temas controversos e por se tornarem a voz dos mais desfavorecidos e explorados pelos grandes poderes, como uma característica essencial da tradição do cinema documental no Japão.

Kyoko Hirano é uma escritora e académica independente. Após a conclusão do doutoramento em estudos cinematográficos na Universidade de Nova Iorque, onde leccionou, Kyoko Hirano foi professora nas seguintes instituições: New School University, Keio University, Universidade de Tóquio, Graduate School of Film Producing, Temple University, no Japão, e na Universidade de Liubliana. Participou como júri nos festivais de cinema internacionais de Berlim e do Havai, e na atribuição do prémio Kyoto Prize. Entre os seus livros contam-se Mr. Smith Goes To Tokyo: Japanese Cinema under the American Occupation 1945-1952 (1992), cuja tradução japonesa é Tenno to Seppun (1998); e Manhattan no Kurosawa (2006), sobre o seu trabalho na Associação Japonesa de Nova Iorque, onde analisa mais de 800 filmes japoneses realizados entre 1986 e 2004. É membro da administração da Downtown Community TV Center (DCTV) da Cidade de Nova Iorque.


segunda 3 · 18h30

Paprika

Paprika de Kon Satoshi, 2006 90’ · animação Atsuko Chiba Megumi Hayashibara, Seijiro Inui Toru Emori, Torataro Shima Katsunosuke Hori, Kosaku Tokita Toru Furuya, Toshimi Konakawa Akio Ohtsuka, Morio Osanai Kouichi Yamadera, HIM Hideyuki Tanaka, Boneca japonesa Satomi Kohrogi, Hajime Himuro Daisuke Sakaguchi, Yasushi Tsumura Mitsuo Iwata, Nobue Kakimoto Rikako Aikawa, Jornalista Shinichiro Ohta, Mágico Shinya Fukumatsu, Empregada de mesa Akiko Kawase, Locutor Kumiko Izumi, Investigador Anri Katsu, Membro do Instituto Eiji Miyashita, Pierrot Kouzo Mito Participação Especial: Sr. Kuga Yasutaka Tsutsui, Sr. Jinnai Satoshi Kon Produzido por “Paprika” Film Partners MADHOUSE/Sony Pictures Entertainment (Japan) Inc., Desenvolvido por Masao Maruyama, Argumento original escrito por Yasutaka Tsutsui, Argumento Seishi Minakami/Satoshi Kon, Design de personagens/Director de Animação Masashi Ando, Director Artístico Nobutaka Ike, Design Gráfico Satoshi Hashimoto, Director de fotografia Michiya Kato, Música de Susumu Hirasawa, Director de

som Masafumi Mima, Montagem Takeshi Seyama, Co-Produtor Satoki Toyota, Produtor executivo Jungo Maruta/Masao Takiyama, Animação por MADHOUSE, Inc., Realizador Satoshi Kon A Dra. Atsuko Chiba é uma atraente mas modesta psicoterapeuta japonesa de 29 anos que trabalha numa das áreas mais avançadas da sua especialidade. O seu alter-ego é uma “detective de sonhos” de 18 anos, atraente e destemida, cujo nome de código é PAPRIKA, e que consegue entrar nos sonhos das pessoas e sincronizar-se com o seu inconsciente de modo a descobrir a origem das suas ansiedades e neuroses. No laboratório de Atsuko, existe um novo e poderoso aparelho de psicoterapia chamado “DC-MINI”, inventado pelo seu brilhante colega, Dr. Tokita, um génio obeso e patético. Embora este aparelho de ponta pudesse revolucionar o mundo da psicoterapia, a sua potencial utilização nas mãos erradas poderia ser devastadora, permitindo ao utilizador aniquilar completamente a personalidade do sonhador enquanto este dorme.

segunda 3 · 21h30

Minamata, as vítimas e o seu mundo

Minamata, as vítimas e o seu mundo de Noriaki Tsuchimoto, 1971 167’ · documentário Produzido por Higashi Productions, Produtor Takagi Ryutaro, Desk Shigematsu Yoshikane, Yoneda Masaatsu, Director de montagem Tsuchimoto Noriaki, Fotografia Otsu Koshiro, Som Kubota Ykio, Assistente de câmara Ichinose Masatumi, Assistente de realização Hori Suguru, Montagem Sekizawa Takako, Montagem sonora Asanuma Yukikazu, Publicidade Shiota Takeshi Na década de 1970, os problemas ambientais resultantes do elevado desenvolvimento económico dos anos 50 e 60 tornaram-se amplamente reconhecidos. Um dos mais devastadores foi o envenenamento orgânico causado pelo mercúrio, originado pela Chisso Corp. em Minimata, Kyushu, Japão. O documentário acompanha as vidas de 29 habitantes envenenados pelo mercúrio, bem como o crescente movimento a favor da sua causa. As imagens revelam uma visão humana do mundo em que os doentes, mais do que vítimas, são ao mesmo tempo doentes e pessoas comuns, trabalhadores e pescadores. O primeiro filme da série “Minamata” marcou uma mudança de enfoque, passando de um estilo construtivista para uma visão global do assunto.

terça 4 · 18h30

Realizar cinema é documentar vidas

Realizar cinema é documentar vidas: A vida e a obra de Noriaki Tsuchimoto de Fujiwara Toshi, 2006 94’ · documentário Produtor Hiro-o Fuseya, Realização, Montagem Toshi Fujiwara, Cinematógrafo Takanobu Kato, Desenho de som Yukio Kubota, Realizador associado Satoshi Imada, Entrevistador Kenji Ishizaka Uma produção VisualTrax, em colaboração com a Ciné-Associé e a Compass Films, com apoios da Agência para os Assuntos Culturais (Agency of Cultural Affairs) 30 anos após a realização de obras de arte como Minamata, as vítimas e o seu mundo (1971) e Shiranui-Sea (1975), Tsuchimoto Noriaki visita as pessoas e os lugares, observa e contempla as transformações ocorridas em Minamata durante as últimas três décadas. Ao intercalar a sua visita a Minamata com uma série de entrevistas, justapondo-as com várias citações das suas próprias grandes obras, este documentário pretende explorar o homem por detrás deste extraordinário documentarista,


os seus métodos de realização, a história de desenvolvimento do Japão da era moderna e as complexas contradições ideológicas, políticas e sociais presentes no seu trabalho, meditando sobre os significados do cinema documental.

terça 4 · 21h30

de Terraformação de Marte. Pouco a pouco, a humanidade é bem sucedida ao transformar Marte num planeta habitável. Mas quando uma nave espacial japonesa se despenha nas ruas de Tóquio no seu regresso de Marte, liberta um monstro gigante e violento. Apenas o Dr. Narasaki e o seu robot há muito abandonado podem salvar a Terra e a humanidade. 5 centímetros por segundo de Shinkai Makoto, 2007 87’ · animação

Negadon: O monstro de Marte

Negadon: O monstro de Marte de Awazu Jun, 2005 26’ · animação Ryuichi Narasaki Dai Shimizu, Seiji Yoshizawa Takuma Sasahara, Emi Narasaki Akane Yumoto, Locutor televisivo/ Narrador Masafumi Kishi Realizador, Argumento original, Computação gráfica Jun Awazu, Música, Efeitos sonoros Shingo Terasawa, Supervisor de efeitos visuais Kenjiro Kato, Animação, Modelagem Shin Miyahara, Coordenador de design Makiko Ohishi, Coordenador de casting Takeshi Yano, Letras musicais Kenjiro Kato, Tema final interpretado por Akane Yumoto Em 2025, a população mundial atinge os 10 mil milhões. Na sua procura por um novo local para viver, a humanidade inicia um programa de exploração espacial intitulado Projecto

Takaki Tono Kenji Mizuhashi, Akari Shinohara (jovem) Yoshimi KONDO, Kanae Sumida Satomi Hanamura, Akari Shinohara (adulto) Ayaka Onoue Storyboard, Design original de personagens Makoto Shinkai, Director principal de animação, Design de personagens Takayo Nishimura, Director artístico Makoto Shinkai, Direcção artística Takumi Tanji, Akiko Majima, Cor Makoto Shinkai, Câmara, Montagem Makoto Shinkai, Director de efeitos sonoros Makoto Shinkai, Director de voz Yuji Mitsuya, Música Tenmon, Arranjo Toshio Okazawa, Canção principal escrita e interpretada por Masayoshi Yamazaki, Produção Makoto Shinkai, CoMix Wave Films, Produtor

Noritaka Kawaguchi, Apresentado por Shinkai Creative, CoMix Wave Films, Realizador, Argumento original, Guião Makoto Shinkai 5 centímetros por segundo deve o seu nome à velocidade a que as pétalas da flor de cerejeira desabrocham. O filme abrange três segmentos e acompanha a vida de um rapaz chamado Takaki, primeiro enquanto estudante do ensino básico, depois enquanto estudante do ensino secundário e enquanto adulto que exerce a profissão de programador de computadores. De forma delicada e emotiva cada segmento explora a complexidade do ser humano, dando aos espectadores uma perspectiva familiar e real das lutas que todos nós enfrentamos contra o tempo, o espaço, as pessoas e o amor.

Sobrevoando Tóquio de Keiichi Tanaami As cores e odores únicos, a sensação de velocidade e o erotismo produzidos pela cidade de Tóquio. O ruído e a tranquilidade, a luz e as sombras. Animação que retrata uma viagem realizada em cima de uma nuvem que sobrevoa a cidade em constante movimento.

quarta 5 · 18h30 Loop de Tóquio de Vários, 2006 75’ · animação

Sobrevoando Tóquio

5 centímetros por segundo

são inegável”. É de certa forma agradável ser dominado pelo poder de uma imagem que não pode ser negada, uma imagem que qualquer ser humano racional veria como “algo especial”.

Passeio em Tóquio de Masahiko Sato e Mio Ueta O tema deste filme animado é “expres-

Vinha Trepadora

Vinha Trepadora de Mika Seike Um conjunto de edifícios é visto através de um telescópio. Uma vinha cresce em espiral a partir do solo, a sua fruta aparece junto aos andares mais elevados de um dos edifícios, onde é comida por uma mulher. As pessoas aglomeram-se na rua junto ao edifício e tentam trepar por uma parte da vinha que ficou pendurada, mas esta parte-se e as pessoas que caem são engolidas pela terra, tornando-se fonte de alimento para a vinha, que cresce e se transforma num novo tipo de edifício.


Yuki-chan de Kei Oyama O protagonista observa minhocas num beco. Quando é conduzido a casa pela sua mãe, depara-se com uma rapariga de tez totalmente branca, deitada num colchão. O filme evoca a força grotesca dos organismos vivos e a efemeridade de criaturas tão belas mas que podem morrer tão facilmente. Tudo o que morre desaparece do mundo, mas mesmo depois de terem partido permanece algo deles em mim. Cão & Osso de Kotobuki Shiriagari Olha, o cão está a andar! As suas pernas estão a movimentar-se de um lado para o outro e está à procura de um osso que alguém lhe atirou. Mas há mais. Ele encontra todo o género de pessoas e de objectos em seu redor, mas continua a andar. Ao realizar o filme senti realmente que me tinha transformado num cão. Ainda consigo ver os ossos a dançar no ar. Lavabo Público de Tabaimo Um lavabo público, daqueles que utilizamos todos os dias quando saímos. Nele, uma rapariga arranja-se, penteando o

Lavabo Público

cabelo e retocando a maquilhagem. Atrás dela, várias pessoas entram e saem fazendo uso da mesma casa-de‑banho. Uma exibição de “Tóquio no Quotidiano”, tendo um lavabo feminino como cenário. <Blink>Tóquio</Blink> de Atsuko Uda A primeira impressão que retive de Tóquio foram os sinais de néon da era de Showa. Baseei este trabalho nessa imagem e criei uma estrutura, tendo sempre em mente o sentido de repetição implícito no título Loop de Tóquio. O título <blink>~<blink> é, na realidade, um elemento retirado da linguagem de programação HTML.

Peixe Preto

Peixe Preto de Nobuhiro Aihara Escuridão e flashes de luz, a imagem desaparecida nesse momento, por vezes misturados com cores artificiais, distorcem o movimento da minha imagem, à medida que o piscar dos sinais de néon continua. Desequilíbrio de Takashi Ito Não consigo deixar de sentir que existe uma força misteriosa que perturba o

nosso equilíbrio emocional. O tema do meu trabalho, ao longo dos últimos anos, tem consistido em retratar esta sensação de perturbação. Neste trabalho, centrei-me numa imagem muito negativa de Tóquio e tentei retratar o estado emocional das pessoas que lutam e sofrem neste mundo assaz superficial.

Rapariga de Tóquio

Rapariga de Tóquio de Maho Shimao As raparigas de Tóquio estão nuas. Nas cidades de todo o mundo, as raparigas já passeiam nuas pelas ruas. Quando a noite cai, uma a uma, procuram a luz dos sinais de néon e dos faróis, à medida que saem dos seus ninhos em direcção à cidade. Nas cidades desenvolvidas, esta é uma visão que pode ser observada todas as noites. Homem Manipulado de Atsushi Wada As pessoas da cidade não conseguem viver sem andar. Não conseguem viver sem correr. Não conseguem viver sem falar. É este o tipo de cidade, por isso toda a gente anda, corre e fala. Mas se olharmos com atenção, vemos que as pessoas vivem porque são obrigadas a andar, a correr, a falar. É assim que vivem.

Nuance de Tomoyasu Murata Um trabalho baseado apenas em fragmentos de Tóquio, uma cidade imersa em cores. Nesta curta composição de duas partes, existem apenas eu e os ritmos que fluem dentro de mim. O que pode ser feito relativamente à sensação de sentir apenas a sombra do momento? Nuance tenta responder a esta pergunta. Hashimoto de Taku Furukawa Num certo dia de um determinado mês, o tempo está límpido. De manhã cedo, encontro-me na plataforma da estação JR Hashimoto. Surgem primeiro um fumador e depois outro na plataforma oposta, banhados pelo sol ameno e pouco intenso da manhã, e o local onde se encontram parece flutuar em relação aos restantes; um cenário de uma intimidade e calma tremendas que emanam apenas daquele local.

Funkorogashi

Funkorogashi de Yoji Kuri Funkorogashi é um trabalho de animação analógica onde se exibem dejectos de cães espalhados pela cidade de Tóquio. À medida que desenhava as imagens originais nas células e procedia à ani-


mação do trabalho, da mesma forma que o fizera no passado, tornei-me gradualmente mais interessado no que estava a fazer e embora tivesse parado aos cinco minutos, gostaria de ter realizado algo com o dobro do tempo. Figo de Koji Yamamura No regresso à origem da animação – a “imagem em movimento” – desejava fazer algo tecnicamente tão simples quanto possível: criar o cenário e as personagens numa página – tudo feito numa única página. Um pequeno conto sobre uma noite em Tóquio.

12 horas

12 horas de Toshio Iwai 12 horas é o primeiro de muitos trabalhos realizados utilizando filme e centra-se no motivo do fenacistoscópio, uma invenção do século XIX que deu origem à imagem em movimento. Muitas vezes perguntei a mim mesmo o que teria acontecido se o fenacistoscópio tivesse continuado a evoluir. Talvez acabassem por ser utilizados em relógios como este?

quarta 5 · 21h30

Campanha

Campanha de Soda Kazuhiro, 2007 120’ · documentário Candidato à Câmara Municipal de Kawasaki (PLD – Partido Liberal Democrata) Kazuhiko Yamauchi, Esposa de Kazuhiko Yamauchi Sayuri Yamauchi Primeiro-Ministro do Japão/Presidente do PLD Junichiro Koizumi, Antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros (PLD)/ Candidato à Câmara dos Conselheiros Yoriko Kawaguchi, Antigo Ministro das Obras Públicas e dos Transportes (PLD) Nobuteru Ishihara, Membro da Câmara dos Representantes (PLD) Kazunori Tanaka, Membro da Câmara dos Representantes (LDP) Daishiro Yamagiwa, Membro da Câmara dos Conselheiros (PLD)/Vencedor da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos (esqui nórdico) Kenji Ogiwara, Membro da Câmara dos Conselheiros (LDP)/Vencedor da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos (speed skating) Seiko Hashimoto, Presidente da Câmara Municipal de Kawasaki (PLD) Hirotaka Yazawa, Membro da Assembleia Prefeitoral de Kanagawa (PLD) Fumio Mochida, Vereador da cidade de Kawasaki (PLD) Fuminao Asano, Vereador da Cidade de Kawasaki (PLD)

Yasuhiro Ishida, Presidente da Associação de Apoiantes de Yamauchi Toshio Yamada, Secretário dos Conselheiros de Akio Koizumi Kikuo Takao, Antigo Secretário dos Representantes de Kazunori Tanaka Shojiro Matsukawa, Director da sede de campanha de Yamauchi Haruko Nagai Cidadãos de Kawasaki, PLD de Kawasaki, Aves canoras, Alunos da Universidade de Tóquio Realização, Filmagem e Montagem Kazuhiro Soda, Legendas em inglês Kameron Steele No Outono de 2005, a tranquila e monótona vida de Kazuhiko “Yama-san” Yamauchi, um trabalhador por conta própria de 40 anos, vira-se do avesso. O Partido Liberal Democrata (PLD) elege-o como seu candidato oficial a um lugar na câmara municipal de Kawasaki. Contudo, Yama-san não tem qualquer experiência a nível político nem apoiantes, ou tempo para se preparar para as eleições iminentes. Assim, o PLD cria uma forte equipa de campanha composta por todos os políticos do PLD da região de Kawasaki, a fim de enfrentar esta intensa batalha. A equipa de campanha convida muitos dos políticos do PLD com maior peso a apoiarem o seu inexperiente candidato, uma visão rara em eleições numa cidade suburbana politicamente insignificante. Aderindo à táctica da campanha que consiste em “acenar a toda a gente, mesmo aos postes de fios telefónicos”, Yama-san visita os festivais locais, os eventos desportivos realizados em infantários, associações de reformados e estações de comboio, de modo a estender a mão a toda a gente que passa por ele.

quinta 6 · 18h30

Mary de Yokohama

Mary de Yokohama de Nakamura Takayuki, 2006 92’ · documentário Ela Godai Michiko, Ele Genjiro Nagato, Ela Yoko Yamazaki Realizador Takayuki Nakamura, Cinematógrafo Kensuke Nakazawa, Montagem Kazuhiro Shirato, Som Takuma Saiki, Música Yaegashi Comoesta, Produtor Kazuhiro Shirao, Planeamento Organvital Uma senhora idosa cuja maquilhagem é tão branca como a de um actor de Kabuki, vestida de forma aristocrática, encontra-se nas ruas de Yokohama. Ocultou o seu nome e idade verdadeiros e durante 50 anos após a guerra foi prostituta. Ficou conhecida como a mais bela prostituta do seu tempo e a sua presença elegante tornou-se parte integrante da cidade. As pessoas chamam-na “Mary de Yokohoma”. No Inverno de 1995, Mary desaparece subitamente. Uma vez que ninguém sabia nada sobre ela, começam a espalhar-se rumores e um dia Mary transforma-se na heroína de uma lenda


urbana. Ganjiro Nagato, um cançonetista sem muito tempo de vida, diz-nos o que sente por Mary: “Quero encontrar Mary outra vez. Quero cantar para ela outra vez…”

quinta 6 · 21h30

Fantasma na concha – complexo solitário Volume 1

Fantasma na concha – complexo solitário Volume 1 de Kamiyama Kenji, 2004-2005 120’ · animação Vozes da versão original: Makoto Kusanagi Atsuko Tanaka, Daisuke Aramaki Osamu Saka, Bateau Akio Otsuka, Togusa Koichi Mamadera, Ishikawa Hiroshi Nakano, Saito Toru Okawa, Pazu Takashi Onozuka, Boma Taro Yamaguchi, Tachikoma Sakiko Tamagawa Ideia original Masamune Shirow, Realização Kenji Kamiyama, Projecto Mitsuhisa Ishikawa (Production I.G.) e Shigeru Watanabe (Bandai Visual), Argumento Shotaro Suga, Yoshiki Sakurai, Dai Sato, Junichi Fujisaki e Nobutoshi Terado, Desenho de personagens Hajime

Shimomura, Desenhos mecânicos Kenji Teraoka e Shinobu Tsuneki, Direcção artística Yusuke Takeda, Cor Yumiko Katayama, Fotografia Koji Tanaka, Direcção de 3D Makoto Endo, Edição Junichi Uematsu, Som Kazuhiro Wakabayashi, Efeitos sonoros Daisuke Jinbo, Música Yoko Kanno, Animação Production I.G., Produtores Yuichiro Matsuka (Production I.G.), Tsutomu Sugita (Bandai Visual), Charles McCarter (Bandai Entertainment USA) e Kaoru Mfaume (Manga Entertainment), Produção Ghost in the Shell Stand Alone Complex Committee, Genérico (tema de abertura) Inner Universe (Universo interior), Música Yoko Kanno, Letra Origa/Shanti Snyder, Intérprete Origa, Genérico final (tema final) Lithium Flower (Flor de litio), Música Yoko Kanno, Letra Tim Jensen, Intérprete Scott Matthew Baseado no manga de Masamune Shirow e realizado por Kenji Kamiyama, Fantasma na Concha: Complexo Solitário conduz os espectadores a uma sociedade futurista onde a tecnologia saturou as vidas dos cidadãos no seu quotidiano. Com a nova tecnologia surgem também novos tipos de crime, mas o cyborg feminino Motoko Kusanagi e a sua equipa policial, a Secção 9, dedicam-se a perseguir criminosos, na Terra e no ciberespaço. Nestes episódios (o DVD Volume 1 contém os primeiros quatro), a equipa tem de perseguir um tanque com quatro pernas que destrói tudo à sua volta, descobrir o segredo por detrás de uma invasão de andróides suicidas, pôr termo a uma ampla conspiração provocada por um hacker, resolver uma situação de tomada de reféns e muito mais.

sexta 7 · 18h30

sexta 7 · 21h30

New Hal & Bons

Rapsódia Rokkasho

New Hal & Bons de Miki Shunichiro, Ishimine Hajime e Ishii Katsuhito, 2006 44’ · animação

Rapsódia Rokkasho de Kamanaka Hitomi, 2006 119’ · documentário

Escrito e realizado por Katsuhito Ishii, Voz off Shunichiro Miki, Ikki Todoroki, Katsuhito Ishii, Produtor Kazuto Takida Departamento de animação por computação gráfica: Direcção cinematográfica-Direcção técnica Satoshi Tomioka, Modelagem gráfica de personagens Aguri Miyazaki Iluminação gráfica: Composição de efeitos Hiroyasu Ota, Pós-Produção Shinji Tsuchiya / Mistura Koichi Mori / Efeitos musicais Toshimasa Yanagihara, Música Eiko Sakurai, Produtor musical Toru Midorikawa Algures no espaço, existe um planeta chamado Himatama onde vivem dois cães. Hal & Bons, os dois cães, limitamse a estar sentados e a beber durante todo o dia. Certo dia, um entrevistador inoportuno, Mochi-kun, muda-se para os seus aposentos. New Hal & Bons é uma sequela das curtas originais de Hal & Bons realizadas para a Revista de DVD Grasshoppa!, em 2001.

Produtor Shukichi Koizumi, Realizador Hitomi Kamanaka, Camâra Ohno Natsuki, Takayuki Matsui, Frank Batertsby, Assistente de realização Juka Kawaai, Som Juka Kawaai, Edição Yoshiko Matsuda, Efeitos sonoros Toshiaki Abe, Música Yamato-Shamisen trio, Harry Williamson Em 2004, a construção da central de reprocessamento de Rokkasho ficou concluída. Trata-se de um complexo destinado a extrair plutónio a partir do combustível nuclear irradiado, proveniente de reactores nucleares. O filme capta a reacção de alguns habitantes que assumem posições diversas relativamente a este projecto nacional de grande dimensão, no momento da sua entrada em pleno funcionamento. Tanto os que se posicionam a favor ou contra a construção da central são agora obrigados a conviver com a energia nuclear. Em paralelo com o avanço no caminho seguido pelos habitantes, a central de reprocessamento de Rokkasho continua a funcionar. A câmara centra-se também


na central de reprocessamento de Sellafield, em Inglaterra, onde ocorreu uma série de acidentes. Os quarenta anos de história do reprocessamento de combustível nuclear irradiado dão uma ideia de qual será o futuro de Rokkasho. Existem múltiplos pontos de vista que se sobrepõem, à medida que o momento de efectuarmos as nossas próprias escolhas se aproxima.

o caos. A cor passa progressivamente a dominar a acção até reinar uma ordem aparente. No entanto, nos recantos da cidade, nas pessoas e na sucessão vertiginosa de imagens, a presença do verme continua latente.

sábado 8 · 18h30 A história da minhoca (1989) Aventura Haruko (1991) Cidade pessoal (1990) Idade da caixa (1992) O bramido do mar (1988) de Kurosaka Keita 108’ · animação

A história da minhoca

A história da minhoca (1989) Uma rapariga monologa, de forma mecânica, ao ritmo de jogos de sombras projectadas a preto e branco. Entretanto, um verme entra em cena. O pequeno ser cresce e assume uma aparência antropomórfica, cuspindo fogo e provocando

Cidade pessoal

Aventura Haruko (1991) Ao acordar, uma mulher depara-se com um ambiente de desorganização e catástrofe. Sozinha vagueia por um cenário monocromático de ruínas do que fora outrora uma cidade. O isolamento, o mal-estar, a náusea são tratados repetitivamente. Finalmente, os escombros no exterior deixam transparecer e confundem-se com a desorganização psicológica interior da personagem. Cidade pessoal (1990) Boca, estômago, a pressão e ruído da grande cidade são o mote para o encontro de três personagens numa casa de banho. Vulneráveis e cúmplices na situação em que se encontram, envolvem-se num intrincado jogo de expressões, olhares e linguagem corporal. Uma amálgama de corpos envolve-se numa espécie de dança, plena de tensão e erotismo. Finalmente, tudo acaba por

retornar ao ruído da cidade e à casa-de‑banho onde as personagens inicialmente se encontraram. Idade da caixa (1992) Uma forma orgânica em sofrimento decompõe-se e transmuta-se em diversas personagens. Estas manipulam-se e exorcizam-se mutuamente, vagueando numa torrente de memórias, obsessões e desejos reprimidos. A nudez, a lubricidade latente, o movimento descontínuo dos corpos conseguido através de fotogramas, descortina múltiplas personalidades que nos conduzem numa viagem até ao íntimo da psique humana. O bramido do mar (1988) Incursão pormenorizada, a preto e branco, pela geografia e cultura de uma aldeia piscatória tradicional, onde locais desabitados, zonas portuárias, pescadores, velhos barcos, redes e peixes se decompõem como fractais. Antigos rituais são acompanhados por um ruído omnipresente que parece provir do fundo do mar. Imagens subliminares que se repetem quase imperceptíveis ao longo do filme, guiam-nos por entre uma sensação mista de familiaridade e suspense até ao desfecho.

TekkonKinkreet

sábado 8 · 21h30 TekkonKinkreet de Michael Árias, 2006 111’ · animação Realizador Michael Arias, Produtor Eiko Tanaka, Eiichi Kamagata, Masao Teshima, Ayao Ueda, Montagem Mutsumi Takemiya, Argumentista Anthony Weintraub, da obra de Taiyo Matsumoto, Música Plaid TekkonKinkreet é um conto dinâmico sobre a fraternidade e os defeitos da sociedade de hoje, a perda amorosa e a generosidade do ser humano. Trata-se de uma elegia brutal nos actuais tempos de mudança, bem como de uma obra-prima visual. TekkonKinkreet é uma história com coração, profundamente marcante. O título TekkonKinkreet resulta de um jogo de palavras japonesas – “cimento”, “ferro” e “músculo”, e sugere as imagens antagónicas das cidades de aço e cimento que se unem contra os poderes da imaginação. Até ao momento, e sobretudo nas produções estrangeiras, o estilo anime tem sido quase sempre caracterizado pela presença de heróis com olhos grandes, robots de grande dimensão e enredos desinteressantes. TekkonKinkreet abandona estes estereótipos a favor de características mais realistas e europeias, introduzindo com êxito personagens infantis atractivas e um enredo complexo numa história poética e emocionante.

Nippon Koma 2007  
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