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NIPPON KOMA FESTIVAL DE CINEMA JAPONÊS 2006


Tal como nas lendas japonesas em que os protagonistas vagueiam por mundos de fantasia e realidade, sem terem que decidir entre uma ou a outra, esta nova edição do Nippon Koma explorará mais uma vez os interstícios entre o não-representativo, o representativo e o apresentativo. Enquanto que as animações, curtas e longas, aludem simultaneamente ao inconsciente e ao virtual, ao recorrerem a fábulas e formas que desafiam todas as expectativas sobre o simbólico ou imaginário, os documentários exploram idiossincrasias e tensões sociais passadas e presentes, articuladas em modos por vezes profundamente desconcertantes. No seu conjunto, e por entre os mais diversos hibridismos e particularismos, os trabalhos propostos pretendem garantir mais uma oportunidade para explorar, de forma estimulante e intelectualmente cativante, os territórios em permanente recriação da animação e documentário japoneses.


NIPPON KOMA FESTIVAL DE CINEMA JAPONÊS Comissariado: ACT

DOCUMENTÁRIOS E FILMES DE ANIMAÇÃO DE 4 A 9 SEGUNDA-SÁBADO · DEZEMBRO 2006 18H30 E 21H30 · PEQUENO AUDITÓRIO

4 SEG ∙ 18H30 Documentário Narita: Aldeia de Heta, 1973 de OGAWA Shinsuke

5 TER ∙ 21H30 Documentário 30 Anos de Irmandade, 2004 de YAMAGAMI Chieko / SEYAMA Noriko

4 SEG ∙ 21H30 Animação Agente Paranóia Vol. 3: Psicose em Série, 2004 de Kon Satoshi

6 QUA ∙ 18H30 Documentário Cinco Dias, 2003 de NAKAJIMA Takashi

5 TER ∙ 18H30 Animação Buraco, 2005 de FUJII Shiro A Magia de Amélia, 2005 de Ekakiya O Amor, 2005 de AOMATSU Takuma O Choque Surpresa de Mokomichi, 2005 de MITSUZOU Keppek Boneca, 2005 de Piropito Demência, 2005 de HORIUCHI Katsuyuki O Ritmo do Símbolo “e”, 2005 de SHINKAI Tarou AspEcto, 2005 de Equinox A Rola está a Arrulhar, 2005 de KUWAYAMA Kayoko Corre Sakadachi-kun, 2005 de MURATA Tomoyasu A Todo o Gás, 2005 de SAYAMA Makoto Anima, 2005 de Hotchi Kazuhiro Visão do Portão, 2005 de KOBAYASHI Kazuhiko YWR, 2005 de TAMUKAI Jun Minúsculo, 2005 de SHIBATA Daihei ZOU, 2005 de URYU Madoka O Habitual nas Raparigas, 2005 de ENDO Yukari Pirasareyan, 2005 de TOYAMA Hiroto Rotação, 2005 de Ohrys Bird O Gato Kotatsu, 2005 de AOKI Jun

6 QUA ∙ 21H30 Animação Agente Paranóia Vol. 4: Adeus Maromi, 2004 de Kon Satoshi 7 QUI ∙ 18H30 Animação Para lá da Linha do Comboio, 2005 de MIKAGE Tayuta Casulo Pálido, 2005 de YOSHIURA Yasuhiro Saída [Viral], 2006 de TOMIOKA Satoshi Valentão, 2005 de KISHIMOTO Shintarou Auto-estrada 77, 2005 de NAKAO Hiroyuki / P.I.C.S. Pássaros, 2005 de Hanzaki Toshiaki Gosto da tua Cara, 2005 de NODA Nagi O Colector de Lixo, 2005 de HANAFUSA Makoto Espectro, 2005 de YABUKI Makoto Plataforma, 2004 de Tacoroom História aos Quadradinhos, 2005 de Ne-O Carne Humana, 2005 de PACCIANI Alessandro Máquina de Rodeo, 2005 de Groovisions Senhor Cerveja, 2005 de 5JGN / VJ GEC Raparigas em Flor, 2005 de MASAKATSU Takagi Viciado em Pontos, 2005 de SUGAWARA Makoto Quero saber mais, 2005 de TANAKA Hideyuki Floral, 2005 de HASHIMOTO Daisuke / P.I.C.S.

Viagem de Uma Vida, 2005 de Le Pivot / Kirameki Vara de Porcos, 2005 de Furi Furi Choque de Samurais, 2005 de INOUE Taku / P.I.C.S. Tufão de Altifalantes, 2005 de TANAKA Hideyuki O que é Nosso, 2005 de +Cruz / W+K Tokyo Lab 7 QUI ∙ 21H30 Documentário Kiba, Micropólo de Tóquio, 2004 de CADOU Catherine 8 SEX ∙ 18H30 Documentário Uma Visita às Produções Ogawa, 2001 de OSHIGE Junichiro 8 SEX ∙ 21H30 Animação Memórias da Escuridão, 2000 de TANAAMI Keiichi Olhar de Verão, 2002 de TANAAMI Keiichi Memórias, 2002 de TANAAMI Keiichi Fetiche do Peixe Dourado, 2002 de TANAAMI Keiichi Porquê? Remix, 2002 de TANAAMI Keiichi Puzzle de Outono, 2003 de TANAAMI Keiichi Diário de Recortes, 2004 de TANAAMI Keiichi Viagem, 2005 de TANAAMI Keiichi /  AIHARA Nobuhiro Máscara, 1991 de AIHARA Nobuhiro Poder Aéreo, 1994 de AIHARA Nobuhiro Peixe Amarelo, 1998 de AIHARA Nobuhiro Vento, 2000 de AIHARA Nobuhiro Memória do Vermelho, 2004 de AIHARA Nobuhiro

Noite Amarela, 2005 de AIHARA Nobuhiro Sopro de Vento, 2001 de TANAAMI Keiichi / AIHARA Nobuhiro O Homem que Corre, 2002 de TANAAMI Keiichi / AIHARA Nobuhiro Boneca Fetiche, 2003 de TANAAMI Keiichi / AIHARA Nobuhiro Paisagem, 2004 de TANAAMI Keiichi /  AIHARA Nobuhiro Sonhos de Dez Noites, 2004 de TANAAMI Keiichi / AIHARA Nobuhiro 9 SÁB ∙ 18H30 Documentário Salto de Esqui em Pares – A Caminho de Turim 2006, 2005 de MASHIMA Riichiro / KOBAYASHI Masaki 9 SÁB ∙ 21H30 Animação Cidade Assombrada 2 – A Inocência, 2004 de Oshii Mamoru


Contra a Corrente: Questionar os Padrões do Cinema Japonês em Transformação de aaron gerow Desde a década de 60, altura em que Aihara Nobuhiro, Tanaami Keiichi e Ogawa Shinsuke se iniciaram no cinema, tiveram lugar muitas e significativas mudanças. A indústria da animação japonesa estava a dar os primeiros passos em direcção àquilo que é hoje. Tratando-se de um modo de produção que requeria elevada mão-deobra, resistia mal à investida implacável da Disney, revelando-se sempre escassos os recursos disponíveis (excepto por um breve período durante a Segunda Guerra Mundial, quando os filmes americanos foram proibidos e a indústria foi inundada de subsídios estatais) para produzir algo que pudesse competir com o Rato Mickey. Foi somente na década de 50 que a Toei, o estúdio de maior sucesso da idade de ouro do cinema japonês, teve a possibilidade de investir nos recursos técnicos e humanos necessários à produção de animação de qualidade. Foi também por essa altura que começaram a surgir filmes experimentais. Contudo, a animação artística, liderada por colectivos como o Grupo de Animação dos Três (“Animeshon Sannin no Kai” formado por Kuri Yoji, Manabe Hiroshi e Yanagihara Ryohei – com quem Tanaami iria futuramente colaborar), sofria das mesmas restrições. A grande maioria dos animadores tinha outros empregos (eram frequentemente designers ou ilustradores, como o próprio Tanaami) e a capacidade de execução limitava-se aos filmes de curta duração. Em comparação, Aihara era mais profissional, tendo trabalhado no Studio Zero, uma das várias empresas que produziam animação para tv após o sucesso de Astro Boy de Tezuka Osamu (Tetsuwan

Atomu, 1963). Não obstante, os trabalhos independentes continuavam circunscritos a pequenos festivais e mostras restritas em galerias. Em termos monetários, este tipo de iniciativa não contava com subsídios do Estado nem tão pouco – salvo raras excepções – com financiamentos de entidades privadas. O panorama sofreu entretanto uma transformação significativa. Os avanços da tecnologia digital transformaram a animação de uma actividade que em circunstâncias ideais requer dezenas de empregados a trabalhar durante largas horas em milhares de folhas de celulóide, num produto capaz de ser criado de forma bastante profissional por um único indivíduo num computador pessoal, utilizando software fácil de adquirir, como provou inequivocamente Shinkai Makoto com As Vozes de uma Estrela Distante (Hoshi no koe, 2003). Esta transformação pode ser comparada à forma como o vídeo revolucionou o filme documentário. Se por um lado o documentário esteve durante um longo período limitado pelo formato de 16mm (não apenas em termos de custos mas também pelo tempo das bobines de película, que não excediam os 10 ou 20 minutos de filme que não podia ser “re-gravado”), o vídeo por seu turno colocou ao alcance do comum dos indivíduos uma câmara de preço acessível que lhe permitia filmar exaustivamente a sua realidade circundante. É a este momento que remonta a proliferação do activismo em vídeo e a ascensão do documentário pessoal, que para alguns críticos (tais como Jon Jost, numa entrevista para a Documentary Box), veio por outro lado enfraquecer a sensibilidade e auto-controlo do realizador, cuja inclinação para a observação cuidadosa e selecção criteriosa antes de premir o botão é agora menor. Estes factores são conducentes a uma diminuição dos padrões de exigência e qualidade, especialmente no momento que vivemos actualmente, quando sites como o YouTube permitem a

qualquer pessoa colocar as suas criações na Internet, cada vez mais inundada de criações individuais que, na sua vasta maioria, não valem a pena ser vistas. A Internet veio permitir a animadores independentes, por exemplo, alcançar públicos que eram inimagináveis nos tempos do Grupo de Animação dos Três, mas tal como noutras esferas de transmissão de informação, interrogamo-nos sobre a forma como estes trabalhos serão distribuídos, seleccionados e avaliados. A revolução digital na animação deu sobretudo aos estudantes e aos jovens um meio de expressão, tal como as revistas restritas e altamente especializadas (dojinshi) de manga haviam dado aos seus fãs a possibilidade de produzir os seus próprios trabalhos, esbatendo a fronteira entre produtor e consumidor, por vezes de forma surpreendente. Esta fusão da arte com o gosto popular poderá ter sido um dos objectivos a que almejavam os artistas gráficos da Pop Art tais como Tanaami. No entanto, persistem ainda dúvidas sobre que sistemas e que padrões serão formulados para as instâncias de concepção e avaliação. No Japão, é consensualmente aceite que na última década a crítica de cinema se extinguiu por completo ou quanto muito, existe como uma sombra do que fora no passado. O número de revistas a publicar crítica de cinema séria tem vindo a diminuir drasticamente, e o que resta é uma crítica de imprensa que mais não é do que uma apresentação factual e comercial dos novos filmes a ser lançados no mercado. A crítica de cinema na Internet tem vindo a tomar o lugar da crítica publicada, mas na sua grande parte resume-se apenas a comentários de algumas linhas onde o espectador declara se gostou ou não do filme. É inevitável questionarmo-nos se no Japão o cinema pode evoluir positivamente no seu todo, se a sua avaliação crítica está inevitavelmente reduzida a uma apreciação assumida e essencialmente consumista

Narita: Aldeia de Heta de OGAWA Shinsuke

(vende ou não vende), com as críticas a proliferar de tal maneira que grande parte delas nunca serão lidas. De igual modo, interrogamo-nos sobre a natureza da futura produção em animação e em documentário, numa altura em que todo e qualquer utilizador, não obstante a ausência de formação técnica ou académica em história ou teoria da imagem, pode criar “conteúdos” sem qualquer enquadramento avaliador. Podemos considerar esta conjuntura muito democrática, mas receio que estejamos perante não uma democracia da era digital mas sim uma manifestação de um “capitalismo dos conteúdos”. O trabalho cinematográfico documental de Ogawa Shinsuke centrava-se noutro tipo de democracia radical. Formado na melhor instituição japonesa para o estudo do documentário nos anos 50 – as Produções Iwanami – Ogawa abandonou esse universo do documentário de “relações públicas” (maioritariamente filmes de aspecto polido a publicitar a grandeza da indústria nacional) para se dedicar a trabalhos que dessem voz aos que haviam sido silenciados durante o período de intenso crescimento económico do Japão. As capacidades e o carisma pessoal de Ogawa (que atraiu para junto de si um grupo de realizadores de talento) permitiram-lhe desenvolver um trabalho vigoroso mas contudo distinto dos seus congéneres das


décadas de 60 e 70, que celebravam o documentário politicamente comprometido. Ogawa apercebeu-se que apenas conseguiria retratar de forma fidedigna estas vozes e estes testemunhos de vida se tivesse uma compreensão total e física da sua origem. Narita: A Aldeia de Heta (Sanrizuka: Heta buraku, 1973) representou um ponto de viragem no seu trabalho, assinalando o momento em que o realizador decidiu extremar a sua posição. Não bastava colocar-se a si e à sua câmara do lado dos oprimidos, na luta contra o Estado, teria que ir mais longe e tentar perceber o mundo em que existiam, o seu contexto formador e definidor. Após Narita: A Aldeia de Heta, estas tomadas de posição radicais levaram a uma corajosa mudança de Sanrizuka para Yamagata para se dedicar à agricultura, com o fito de conhecer na pele a perspectiva dos trabalhadores agrícolas que filmava. Desta feita, este tipo de realização exigia para além de anos, senão mesmo décadas de entrega e esforço, uma aprendizagem pela experiência, pela autocrítica e pela dedicação aos testemunhos dos seus sujeitos. Dado que se encontrava a trabalhar com filme de 16mm, Ogawa viu-se na necessidade de criar organizações nacionais de voluntários para apoiar o seu trabalho. Apesar do peso esmagador de Ogawa no documentário japonês da era pós-anos 60,

Agente Paranóia Vol. 3: Psicose em Série de KON Satoshi

esta área desbravou novos territórios na década de 70 e seguintes. Uma crescente apatia política esvaziou o mundo do documentário politicamente comprometido que, até à explosão do activismo em vídeo no final dos anos 90, regrediu em grande parte a uma realização pré-determinada e com guião pré-definido que, ao contrário dos filmes de Ogawa ou Tsuchimoto Noriaki, não possuíam quaisquer ambições pedagógicas ou de auto-questionamento face aos seus sujeitos. Mais excitante viria a revelar-se a ascensão do documentário pessoal graças a realizadores como Suzuki Shiroyasu e Kawase Naomi que começaram a filmar as suas próprias vidas e das suas famílias. O filme de 8mm permitiu a Kawase fazê-lo de forma intimista e a um custo irrisório, mas o vídeo depressa se tornou o meio de eleição para muitos realizadores que se lhe seguiram. Nascia assim uma forma alternativa de realização democrática, à medida que os documentaristas individuais afirmavam a importância de um universo não público, que se subtraía às pretensões universalistas de grande parte dos documentários políticos, onde os indivíduos agiam como instâncias de representação de algum valor abstracto. Nos documentários pessoais, os indivíduos valiam por si próprios. Esta oportunidade de exprimir a própria vida era de tal forma apelativa a um grande número de jovens cineastas que, durante um período, metade dos projectos dos estudantes de cinema envolvia necessariamente um qualquer tema pessoal. Mas sem uma teorização adequada da ideia “o pessoal é político”, faltava a muitos documentários pessoais um elemento de atracção e interesse geral, tendo o sucesso emergido apenas quando algum aspecto familiar ou pessoal representado despertava o interesse do público. Dear Pyongyang, de Yang Yonghi, que foi bem recebido pelo público este ano, é disso um bom exemplo. Filmar-se a si próprio

pode facilmente descambar no narcisismo se não num esforço solipsístico, que reproduz a atomização da sociedade de consumo em vez de a combater através das inter-relações que cineastas como Ogawa procuravam revelar. O teste para alguns destes cineastas será constatar se serão capazes de produzir um segundo filme sobre um qualquer outro tema. É de esperar que um cineasta conheça a sua própria família ou vida mas será ele/ela capaz de realizar um filme fora desse âmbito ou repensar o eu de uma perspectiva radicalmente diferente? Uma questão que permanece em aberto é que padrões se devem usar para avaliar o pessoal ou quaisquer passos dados fora desse âmbito. Pode-se argumentar que as medidas recentemente adoptadas pelo Estado procuram dar resposta à questão dos padrões de referência para a animação e para o documentário, ainda que apontem para direcções preocupantes. O governo japonês ignorou durante muito tempo o mundo do cinema, abandonando-o à sua própria sorte. Após a indústria ter atingido o seu ponto mais baixo no fim da década 80, o Fundo Japonês para as Artes começou a apoiar de forma limitada quer o cinema de ficção quer o documentário, olhando no entanto com desdém a animação e outras actividades satélite tais como a manga e os jogos de vídeo. Foi apenas no fim da década de 90, quando se tornou claro que a animação japonesa havia conquistado a pulso o mercado mundial da animação para televisão, que o governo começou a mudar de atitude. Com a competição na indústria mundial dos “conteúdos” a tornar-se cada vez mais intensa, a animação e “conteúdos” relacionados tornou-se uma “indústria chave” e objecto de um apoio estatal concertado, especialmente após a promulgação da Lei para a Promoção dos Conteúdos, em 2004. A anterior Lei da Promoção da Arte e da Cultura (2001) abriu

caminho para as mudanças na política geral de apoio ao cinema, com o relatório do Comité para a Promoção do Cinema, datado de 2003, a servir de base para a formulação de medidas específicas implementadas em 2004 e posteriormente. Mas quando se considera que parte destas medidas promove em especial os novos média e suas tecnologias, ou que o Ministério da Educação tem encorajado que os cursos de cinema universitários adoptem uma forte componente de animação, torna-se notório que o enfoque do governo privilegia a animação e os média ligados aos “conteúdos” em detrimento do cinema de ficção ou mesmo do documentário. A razão subjacente não é puramente económica mas é também política, com políticos de peso como o Ministro dos Negócios Estrangeiros Aso Taro a tecer elogios ao “suave poder” da animação e da manga para criar uma impressão favorável do Japão no estrangeiro. A utilização recorrente do termo “conteúdos” indica que a política governamental está menos preocupada com a criação de padrões de referência para a produção e recepção, que com assegurar aos “conteúdos” japoneses a primazia nos receptáculos que são os cinemas, dvds, Internet e ecrãs de televisão, sobrepondo-se aos “conteúdos” de outros países e nacionalidades. A quantidade é mais importante que a qualidade. Na opinião de alguns, este tipo de políticas fomenta ou mesmo encarna as circunstâncias actuais, representadas pela facilidade da produção e pela falta de linhas delimitadoras críticas, que criam as condições para um enorme fluxo de informação. É lícito temer-se que isto seja menos democrático do que afogar o público em criações transformadas numa torrente de bens de consumo. A existir, quaisquer padrões de referência para estes “conteúdos” só podem ser benéficos para o país. Dada a presente situação, penso que é importante interrogar os filmes e os seus


realizadores no sentido de aferir quais os seus padrões orientadores, de que forma se auto-limitam e criticam, o que têm aprendido sobre o meio e o seu posicionamento político e económico e de que forma os seus trabalhos reflectem todos estes factores. É por esta razão que considero que Inocência, de Oshii Mamoru, continua a ser uma obra importante e relevante, apesar do seu tom por vezes pretensioso e opressivo. A sua investigação de natureza filosófica sobre as relações entre humanos e as suas bonecas, que questiona se estas imitam pessoas ou antes confirmam a natureza mecânica dos próprios humanos, pode ser aplicada à animação, da mesma forma que Oshii nos pode perguntar por que razão se investe tanto numa série de desenhos projectados num ecrã, tratando-os como se fossem pessoas. Em última análise, o que é que isso diz sobre a nossa própria “animação” (do Latim anime, “vida, fôlego”), naquilo que fingimos ser a realidade? Não estaremos a reconhecer na animação a nossa própria natureza como uma construção mecânica da percepção? Não é de todo acidental que Inocência seja o resultado de diferentes estilos de animação, com fluidas imagens geradas por computador a contrastar com movimentos entrecortados reminiscentes das animações básicas que celebrizaram a animação japonesa. Qual dos dois, pergunta-nos Oshii, é mais “real” e qual é mais “mecânico”? A exemplo de outros filmes da autoria de Oshii, Inocência termina sem uma resposta, uma solução clara, mas dialoga de forma crítica e exigente com o seu meio e com os padrões em que este assenta, questionando o seu papel e o que pode fazer. Ao contrário de muitos trabalhos da actualidade que apregoam serem “expressões” de “criadores” mas que não passam de “conteúdos” para encher os tais “receptáculos”, o filme questiona-nos sobre o que são estes média e porque estamos tão desesperados para os inundar.

Aaron Gerow é Professor Assistente de Línguas e Literaturas da Ásia Oriental e Estudos de Cinema da Universidade de Yale. Após completar o Bacharelato e o Mestrado em Artes pela Universidade de Columbia, doutorou-se pela Universidade do Iowa em Estudos de Cinema. A sua pesquisa, cujo enfoque compreende desde o nacionalismo japonês ao cinema japonês contemporâneo, passando pela literatura do pós-guerra e os livros de banda desenhada, foi já publicada em várias línguas, incluindo em japonês. Na Universidade de Yale, Aaron Gerow lecciona as cadeiras Cinema Japonês e Introdução aos Estudos de Cinema. Viveu no Japão entre 1992 e 2003, leccionando durante sete anos na Universidade Nacional de Yokohama, antes de se mudar para Yale em 2003.

segunda-feira, 4 · 18h30

segunda-feira, 4 · 21h30 Agente Paranóia Vol. 3: Psicose em Série de Kon Satoshi · 2004 animação · 1h15

Narita: Aldeia de Heta

Narita: Aldeia de Heta de OGAWA Shinsuke · 1973 documentário · 2h26 Quando foram delineados os planos para a criação de um segundo aeroporto internacional para aliviar o congestionamento do Aeroporto Internacional de Haneda em Tóquio, a zona de Sanrizuka foi a seleccionada para o efeito. Os agricultores locais imediatamente reagiram à notícia despoletando um movimento de oposição à execução do projecto. Juntaram-se-lhes estudantes, grupos laborais e intelectuais, o que tornou a área num importante ponto de convergência da luta contra o novo aeroporto. Atraído pela história, OGAWA Shinsuke e a sua equipa instalam-se na aldeia de Heta e durante dez anos acompanham o processo. Narita: Aldeia de Heta é o último filme de uma série de seis. As cenas de contestação, que estiveram em destaque nos filmes anteriores, não aparecem neste. São os habitantes de Heta os protagonistas deste filme. No entanto, a sua luta continua por trás das câmaras e transparece nas conversas e no seu quotidiano.

Um estudante da primária é apontado como responsável por uma série de misteriosos ataques nas ruas de Tóquio. Nenhuma das vítimas se consegue lembrar da cara do rapaz e do ataque que sofreram, mas recordam apenas dois detalhes singulares – uns patins em linha dourados e a arma utilizada, um bastão de basebol dourado amolgado. Dois detectives da polícia são destacados para o caso com o objectivo de encontrar o criminoso e pôr fim à onda de crimes.

Agente Paranóia Vol. 3: Psicose em Série

terça-feira, 5 · 18h30 Buraco de FUJII Shiro · 2005 animação · 1’07’’ A sincronia de um homem a cavar um buraco e uma série de efeitos sonoros dinâmicos.


Felizmente, tem um conveniente método de cortar o cabelo mesmo à mão… Boneca de Piropito · 2005 animação · 2’15’’

Buraco

A Magia de Amélia de Ekakiya · 2005 animação · 3’03’’ Uma menina acredita que tudo na vida pode ser recuado e recuperado – chávenas partidas, peixinhos vermelhos mortos, a visão do seu avô…tudo pode voltar atrás, como quem rebobina uma cassete. Mas será correcto fazê-lo? O que faríamos se tivéssemos os poderes mágicos que ela julga ter? O Amor de AOMATSU Takuma · 2005 animação · 5’08’’

Nas palavras do próprio realizador: “Este filme mostra a história de uma jovem em decomposição, é um pesadelo de grande beleza”. Bonecas do século XIX com mecanismos ocultos na barriga e a chorar lágrimas de joaninha, borboletas em cativeiro, querubins despedaçados… Eis-nos perante o universo de beleza perversa do realizador PiroPito.

A Todo o Gás de SAYAMA Makoto · 2005 animação · 2’54’’

AspEcto de Equinox · 2005 animação · 3’53’’

Um ensaio visual sobre o movimento das personagens e suas personalidades.

Fragmentos rasgados de fotografias a preto e branco mostrando caras de mulheres. De súbito, manchas de tinta negra e de cor surgem a rabiscar-lhes os olhos e as faces, e depois toda a sua figura.

Demência

A Rola está a Arrulhar de KUWAYAMA Kayoko · 2005 animação · 3’ Uma jovem rapariga acorda a meio da noite. Como tem medo do escuro, procura conforto junto do seu gatinho, mas este abandona o quarto. Mal fecha os olhos, a jovem tem visões fantásticas e adormece novamente. O Amor

O Ritmo do Símbolo “e” de SHINKAI Tarou · 2005 animação · 2’33’’ Um mundo de rostos gigantes, paisagens fantásticas e perspectivas distorcidas. Esta

O retrato da própria essência da vida, através de cerca de 1500 esboços a lápis de pessoas em movimento.

Através da captação de fotografias e do seu processamento em formas redondas, o autor do filme constrói imagens não-realistas, preservando simultaneamente o carácter realista das fotografias.

Um par de mãos surge no enquadramento e revela uma série de quadros com cenas surrealistas, algumas oníricas, outras macabras, outras coloridas por um sentido de humor negro, numa magnífica homenagem à imagética de Dali e Magritte.

O Choque Surpresa de Mokomichi de MITSUZOU Keppek · 2005 animação · 1’25’’

Anima de Hotchi Kazuhiro · 2005 animação · 3’42’’

Visão do Portão de KOBAYASHI Kazuhiko · 2005 animação · 5’30’’

Demência de HORIUCHI Katsuyuki · 2005 animação · 5’

Em plena selva, uma mãe enche de carinhos a sua pequena filha, lambendo-a, literalmente, de manhã à noite, perante o olhar algo distante do pai. A letra da canção que acompanha esta animação deixa no ar um aviso contra os perigos do amor excessivamente protector.

Completamente vidrado no seu computador, incapaz de desviar os olhos do monitor por uma fracção de segundo, um jovem é subitamente acometido pelo desejo de se ver livre do seu incómodo cabelo.

animação experimental em Flash recorre de forma exímia à utilização de grandes extensões de branco salpicadas de cores vivas.

YWR de TAMUKAI Jun · 2005 animação · 4’48’’ O som une-se à imagem num efeito sinestésico, à medida que um insuspeito apartamento se transforma ao som da música.

Corre Sakadachi-kun de MURATA Tomoyasu · 2005 animação · 2’40’’ Sakadachi-kun, uma adorável personagem bidimensional sem pescoço e com braços no lugar das pernas, percorre animadamente a cidade a andar sobre as mãos.

A Rola está a Arrulhar


Rotação de Ohrys Bird · 2005 animação · 0’40’’

quarta-feira, 6 · 18h30

Uma nova abordagem à visualização de imagens, na qual os utilizadores podem rodar o ecrã em sintonia com as cenas.

YWR

Minúsculo de SHIBATA Daihei · 2005 animação, 4’53’’ Esta obra transporta-nos para os pensamentos e emoções que experienciamos quotidianamente.

O Gato Kotatsu de AOKI Jun · 2005 animação · 1’20’’ O gato (“neko” em japonês) está sentado sobre uma kotatsu (mesa baixa aquecida por baixo), e não consegue alcançar o controlo remoto da televisão.

quarta-feira, 6 · 21h30 Agente Paranóia Vol. 4: Adeus Maromi de Kon Satoshi · 2004 animação · 1h15

Esta produção tem por tema a cidade que se contorce e se movimenta partindo de uma gravura em cobre processada/editada em computador.

Uma sátira à psicologia das raparigas. O autor utiliza o método do rotoscópio, o que produz um efeito estilístico muito especial. Pirasareyan de TOYAMA Hiroto · 2005 animação · 3’ Uma reconstrução arquitectural, com sentido de atmosfera e estilo, numa tentativa de reproduzir a sensação de actividade urbana através da sobreposição de pequenos movimentos regulares.

Seleccionei cinco dias do meu diário no ano de 2001 e adaptei cada um deles segundo uma perspectiva diferente. Queria focar em especial a forma como estes dias pareciam encadear-se e dar-se seguimento uns aos outros, fazendo desse período de tempo o somatório dos fluxos intermitentes de cada dia. Cada um dos cinco dias tem um subtítulo: “Entradas”, “Atrás tudo é Branco”, “Habitante da Igreja”, “Remake” e “Sobre o Zero”. (NAKAJIMA Takashi)

terça-feira, 5 · 21h30

ZOU de URYU Madoka · 2005 animação · 3’35’’

O Habitual nas Raparigas de ENDO Yukari · 2005 animação, 3’

Cinco Dias de NAKAJIMA Takashi · 2003 documentário · 52’

Ver Agente Paranóia Vol. 3: Psicose em Série (Segunda-feira, 4 às 21h30). 30 Anos de Irmandade

30 Anos de Irmandade de YAMAGAMI Chieko / SEYAMA Noriko · 2004 documentário · 57’ O filme foca o percurso de várias activistas do movimento japonês pela emancipação feminina. O novo movimento pela emancipação da mulher teve início no Japão em 1970. Apesar do termo “emancipação feminina” parecer hoje ultrapassado, as pessoas que integraram o movimento permanecem em contacto dentro da Irmandade, mantendo vivo o seu espírito. 30 Anos de Irmandade é uma história vivida e narrada no feminino.

quinta-feira, 7 · 18h30 Para lá da Linha do Comboio de MIKAGE Tayuta · 2005 animação · 11’18’’ A história de um rapaz em busca do pai desaparecido que acaba por descobrir uma linha de comboio “onde o tempo vai e vem, numa estação onde o tempo pára”. Graças à ajuda de um misterioso projeccionista, o rapaz e o chefe da estação de caminhos-deferro procuram a verdade sobre a imagem do pai.

Cinco Dias

Casulo Pálido de YOSHIURA Yasuhiro · 2005 animação · 1’30’’ Um futuro onde a continuidade da história foi quebrada, uma exploração arqueológica aos arquivos, restaurando o misterioso registo visual… do passado. Saída [Viral] de TOMIOKA Satoshi · 2006 animação · 42’’ Num hotel, as peripécias incendiárias de um grupo de invasores despoleta uma reacção em cadeia. Um cenário de cores hipervibrantes com trabalhadores nus, mísseis em forma de nabo e serviços de emergência. Valentão de KISHIMOTO Shintarou · 2005 animação · 7’ Cenas de luta ao estilo Ocidental entre dois louva-a-deus capazes de impor respeito, e não só… Auto-estrada 77 de NAKAO Hiroyuki / P.I.C.S. · 2005 animação · 2’ Dois irmãos motociclistas ambicionam ser senhores da estrada, o que os leva a enfrentar a brigada de trânsito bem como o


empregado de uma bomba de gasolina, com a sua assustadora dentadura-projéctil.

Senhor Cerveja de 5JGN/VJ GEC · 2005 animação · 1’36’’

Pássaros de Hanzaki Toshiaki · 2005 animação · 4’02’’ Uma visão de uma cidade do futuro constantemente em guerra, onde os habitantes são obrigados a proteger-se e a ao seu modo de vida. Fazem-no gerando pássaros alados a partir do lixo, que por sua vez afastam as bombas que se aproximam, dirigidas à cidade. Gosto da tua Cara de NODA Nagi · 2005 animação · 1’45’’ O sentido de humor num filme promocional. O impacto explosivo de uma animação curta que pode literalmente colocar o espectador a ver a dobrar. O Colector de Lixo de HANAFUSA Makoto · 2005 animação · 1’52’’ Um exército de inadaptados mutantes reconstituídos a partir de lixo e enfurecidos pelo poder do lixo deformado e hediondo. Espectro de YABUKI Makoto · 2005 animação · 3’20’’ Formas aquáticas ondulantes de cor vermelha imitam organismos reais que vivem no fundo do mar. Uma odisseia subaquática de criaturas primitivas, orgânico-tecnológicas que se transformam graciosamente ao som da música de Rei Harakami em discos sublimes.

As cores esbatidas e um estilo que evoca garrafas de cerveja antiquadas mas refrescantes, com um “toque” moderno (na carica), deixam-nos com sede de cerveja e de ritmos. Para lá da Linha do Comboio

Plataforma de Tacoroom · 2004 animação · 3’ Um acontecimento à primeira vista mundano e desinteressante, a viagem diária entre casa e trabalho, transforma-se num campo de batalha no metro de Tóquio. Cada assalariado por si.

Raparigas em Flor de MASAKATSU Takagi · 2005 animação · 5’20’’ Explosões pictóricas e primorosamente orquestradas surgem no ecrã enquanto rostos de jovens raparigas se fundem e confundem com o movimento abstracto e saturado de cor.

História aos Quadradinhos de Ne-O · 2005 animação · 3’30’’

Um trabalho enigmático e alucinante através do qual atravessam prováveis noções de uma filosofia oriental. Máquina de Rodeo de Groovisions · 2005 animação · 4’17’’ Uma vibrante correria pelos subúrbios anónimos de Quioto, num autêntico Carnaval de carros, cavalos e outras tantas coisas.

Floral de HASHIMOTO Daisuke / P.I.C.S. · 2005 animação · 1’04’’ Uma onda de cores delicadas semelhantes às de pinturas antigas. Cores sintéticas e vibrantes que crescem e dão origem a um universo natural orgânico de flores, aranhas, fetos e borboletas em harmonia perfeita. Viagem de Uma Vida de Le Pivot / Kirameki · 2005 animação · 4’34’’ Num cenário ousado composto por linhas e formas simples, a bidimensionalidade retrata o esforço contínuo da vida através das aventuras de uma lagarta que se transforma gradualmente numa linda borboleta.

Uma paisagem urbana de ruas e edifícios, onde a acção decorre ao som de uma música sincopada que acompanha a cadência das luzes intermitentes da cidade e os rastos dos faróis no trânsito em movimento. Carne Humana de PACCIANI Alessandro · 2005 animação · 5’

por um ovni que gravita sobre ele. Mas o disco voador e os seus estrépitos pulsantes são enfrentados por heróis em camisas havaianas comicamente armados de vassouras.

Casulo Pálido

Viciado em Pontos de SUGAWARA Makoto · 2005 animação · 2’ Um animal diabólico devorador de ferrovelho é descoberto pelo protagonista da história, que tem cara de robot. Ele descobre ainda um objecto mágico num futurístico parque de diversões urbano e acaba por se ver a braços com mais do que esperava. Quero saber mais de TANAKA Hideyuki · 2005 animação · 1’ Um buliçoso mercado tailandês é tomado

Vara de Porcos de Furi Furi · 2005 animação · 3’ Uma vara de pequenos porquinhos é descoberta e observada por um biólogo. A comunidade suína vive numa espécie de formigueiro onde tudo é alegria e cor, desde os porcos trabalhadores aos soldados, cozinheiros, bebés, artistas e, é claro, a rainha. No entanto, esta vida simples e feliz não está livre de ameaças… Choque de Samurais de INOUE Taku / P.I.C.S. · 2005 animação · 58’’ Guerreiros samurais que ao estilo tradicional defrontam os mafiosos da actualidade


nas ruas da zona de Shibuya em pleno século XXI ou em Edo, a Tóquio de outrora, num combate emocionante entre espadas e armas, arranha-céus e templos.

porto de Narita e a extinção do movimento estudantil. Ogawa e a sua equipa tinham-se transferido para Yamagata em busca de um novo tema, um novo modo de vida, e um novo formato de documentário. O work-inprogress com que Oshima se depara desafia as fronteiras entre filme promocional, filme científico, propaganda de agitação, antropologia visual, história do cinema e documentário.

Tufão de Altifalantes de TANAKA Hideyuki · 2005 animação · 4’52’’ Nas ruas de Bangkok, os aficionados do hiphop – b-boys – passeiam-se em grande estilo nas motoretas tuktuk juntando-se às bailarinas e à música funk que inunda as ruas.

Espectro

O que é Nosso de +Cruz / W+K Tokyo Lab · 2005 animação · 4’07’’ Uma celebração da cultura japonesa. A música, o folclore, a identidade, a arte e a tecnologia japonesas reinterpretadas, numa expressão contemporânea híbrida da milenar história japonesa.

quinta-feira, 7 · 21h30 Kiba, Micropólo de Tóquio de CADOU Catherine · 2004 documentário · 1h01 Um retrato altamente sensível, uma espécie de plano aproximado de Kiba, um bairro da baixa de Tóquio intimamente ligado à sua história e representativo da diversidade da

Kiba, Micropólo de Tóquio

sua vida citadina. Desde 1974, de cada vez que se desloca a Tóquio a realizadora tem por hábito instalar-se em Kiba, pelo que desenvolveu uma forte ligação a esta zona, com as suas lojas e habitações, fábricas e oficinas, factores que se juntam para criar um todo coeso. Junto a um santuário com cerca de 300 anos ergueu-se outrora a Ponte Vermelha, que foi desmantelada exactamente na altura em que o filme começou a ser rodado. Assim, o filme torna-se igualmente o relato da reconstrução da ponte, um poderoso símbolo dessa parte de Kiba e da história da luta dos seus habitantes para proteger o seu modo de vida tão próprio.

sexta-feira, 8 · 18h30 Uma Visita às Produções Ogawa de OSHIGE Junichiro · 2001 documentário · 1h02 Uma Visita às Produções Ogawa é um registo da visita de Oshima Nagisa a este colectivo durante a filmagem de Uma Aldeia Japonesa – Furuyashikimura. Assim, não devia surpreender-nos que a obra consista sobretudo de pessoas a comer, a beber e a conversar. Permanentemente a conversar. Oshima escolheu um momento oportuno para visitar as Produções Ogawa em Yamagata, já a prever a conclusão do aero-

sexta-feira, 8 · 21h30 Memórias da Escuridão de TANAAMI Keiichi · 2000 animação · 4’ A predominância do traço a carvão gera uma diversidade de formas livres, em constante mutação, que se sucedem a um ritmo impetuoso. Olhar de Verão de TANAAMI Keiichi · 2002 animação · 6’ Uma mescla de figuras descortina personagens e situações que são constantes na obra do autor. O ritmo e a intensidade das imagens conjecturam uma provável narrativa, porém esta nunca se liberta da intermitência.

Memórias de TANAAMI Keiichi · 2002 animação · 6’ Uma figura humana percorre um corredor acompanhada de várias outras figuras antropomórficas, surreais, que evocam memórias de infância fragmentadas. Fetiche do Peixe Dourado de TANAAMI Keiichi · 2002 animação · 8’ O peixe-dourado, um dos motivos recorrentes na animação de Tanaami ao longo de 20 anos, é utilizado como ponto de partida para uma vertiginosa viagem pictórica, onde o recurso à estroboscopia e decomposição de movimentos criam no espectador um impressionante efeito psicadélico. Porquê? Remix de TANAAMI Keiichi · 2002 animação · 10’ Esta animação consiste numa interpretação recente de um trabalho elaborado pelo autor em 1975. A cadência hipnótica com que luzes e formas se interpenetram, mostra um universo inóspito onde vários combates são travados. Puzzle de Outono de TANAAMI Keiichi · 2003 animação · 6’ Com base em desenhos e memórias de sonhos, guardados ao longo de duas décadas, Taanami faz uma incursão aos interstícios do seu próprio subconsciente.

Uma Visita às Produções Ogawa


Diário de Recortes de TANAAMI Keiichi · 2004 animação · 4’

Memória do Vermelho de AIHARA Nobuhiro · 2004 animação · 7’

Um “combate entre desenhos” animados, surgido a partir de cerca de cem cenas curtas que se sucedem a uma velocidade estonteante.

Um registo e uma paisagem que se assemelha à câmara lenta, a um momento passageiro ou mesmo, a um instantâneo captado em pausa.

Viagem de TANAAMI Keiichi/ AIHARA Nobuhiro · 2005 animação · 8’

Noite Amarela de AIHARA Nobuhiro · 2005 animação · 6’

Um ensaio sobre o contributo das imagens analógicas para recrear a sensação deste género de viagens interiores.

Uma paisagem desconhecida que emerge depois da rejeição de símbolos e mensagens.

sábado, 9 · 18h30

Salto de Ski em Pares – A Caminho de Turim 2006

Sopro de Vento de TANAAMI Keiichi/AIHARA Nobuhiro · 2001 animação · 4’ Uma composição de diálogos quixotescos sobre a questão de “cair”, desde “cair de cima de” até “cair por cima”. O Homem que Corre de TANAAMI Keiichi/AIHARA Nobuhiro · 2002 animação · 6’ Viagem

Máscara de AIHARA Nobuhiro · 1991 animação · 6’

Uma simples animação de um homem a correr revela toda a complexidade do movimento, desde a actividade dos músculos, a energia, o calor irradiado pelo corpo, e toda uma dinâmica que encerra um erotismo latente.

Poder Aéreo de AIHARA Nobuhiro · 1994 animação · 5’

Boneca Fetiche de TANAAMI Keiichi/AIHARA Nobuhiro · 2003 animação · 4’ A terceira edição da “Batalha de Animação Tanaami contra Aihara” nos últimos anos. “Eros, o Amor, é a eterna questão dos seres humanos e é igualmente um assunto de grande significado e interesse para nós tratarmos”. Ambos os artistas se envolvem num combate erótico de curvas desorientantes. É com expectativa que ficaremos a conhecer que tipos de Boneca Fetiche criaram.

Fetiche do Peixe Dourado

Saltos de Ski em Pares é uma divertida paródia CG (Computer Graphics) protagonizada por dois saltadores que partilham um par de skis. Os seus estranhos saltos conseguiram captar a atenção de toda uma nação. O filme vai relatar a história por trás da origem desta modalidade através de uma perspectiva documental… ou melhor, de uma comédia.

sábado, 9 · 21h30

Paisagem de TANAAMI Keiichi / AIHARA Nobuhiro · 2004 animação · 4’ O filme mostra de forma expressiva, como a memória de Tanaami se traduz na memória colectiva de uma geração, procurando assim marcar uma referência na nova linguagem cinematográfica. Sonhos de Dez Noites de TANAAMI Keiichi/AIHARA Nobuhiro · 2004 animação · 8’

Peixe Amarelo de AIHARA Nobuhiro · 1998 animação · 3’ Vento de AIHARA Nobuhiro · 2000 animação · 6’

Salto de Ski em Pares – A Caminho de Turim 2006 de MASHIMA Riichiro /  KOBAYASHI Masaki · 2005 (pseudo) documentário · 1h22

Uma animação que junta os universos oníricos dos dois realizadores. De entre os vários sonhos de que cada um, escolhem-se dez temas tais como “sonhar”, “noite”, “embriaguez”. Em seguida, cada um escolhe os seus sonhos segundo as categorias definidas.

Cidade Assombrada 2 – A Inocência

Cidade Assombrada 2 – A Inocência de Oshii Mamoru · 2004 animação · 1h40 Batou é um ciborgue (criatura meio-homem, meio robot). Todo o seu corpo e membros foram construídos pelo homem. Apenas lhe restam vestígios do seu antigo cérebro e recordações de uma mulher. Numa era em que a fronteira entre humanos e ciborgues se tornou infinitamente vaga, os humanos esqueceram a sua própria condição. É então que se instala a perversão total...


Culturgest, uma casa do mundo


Nippon Koma 2006