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ESCOLA

BÍBLICA

Princípios Elementares da Fé Cristã III Revista EBD - n°03 - Ano II


Celebrando

a Maturidade.

A maturidade não vem como bônus da idade, mas é fruto de crescimento saudável, alicerçado na palavra.

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Editorial 2012 – Celebrando a Maturidade na EBD Em tempo de celebrar a maturidade estamos dando murro em ponta de faca? “EBD é coisa do passado”, estão dizendo alguns. “Domingo de manhã já não funciona mais”, dizem outros, “pois as coisas mudaram e as igrejas já não funcionam mais assim”, justificam. Com tanta novidade, temos que fugir delas e renovar a nossa mente como nos ensina a Palavra de Deus,(Rm.12.2) sem nos conformar com este século que vive de “tititi”, inclusive em relação a fé. A proposta de Deus é renovação não novidade. Não há novidade na fé. Jesus vai voltar e buscar a sua igreja e o Juízo final é um dos temas desta revista. A Mensagem mais antiga do evangelho, proclamada primeiro pelos anjos quando O Senhor era assunto aos céus, vai pegar muitos de surpresa. Quando ao longo da história a igreja foi em busca de novidade, foi necessário uma renovação da mente, segundo a Palavra, gerando a reforma protestante e dentro desta história, vamos lembrar a história dos Batistas no Brasil, dos Batistas Nacionais, afinal, é tempo de celebrar 50 anos! Que ao fim de tudo isto possamos nos descobrir, adoradores que buscam a Face do Deus vivo, de onde vem motivação para cuidado mútuo e o serviço que dispensamos uns aos outros. Que um diagnóstico de Maturidade mostre em nós a sabedoria de Tomé, associado ao engajamento de Marta e à sensibilidade de Maria e será na renovada Escola Bíblica, não apenas dominical mas Discipuladora, embasando nossa fé e alegria de Servir ao Senhor da Seara. Obrigado aos professores, autores, coordenadores e alunos. Bom ter você (e sua família) conosco em busca de maturidade!

Pr. Cleydemir Santos Celebrando

a Maturidade.


Revista Princípios Elementares da Fé Cristã III Tiragem: 200 exemplares PIBANI - Primeira Igreja Batista Nacional de Ipatinga Rua Varginha, 84 - Centro - Ipatinga/MG CNPJ.: 21.224.589.0001-81 31 3822.1480 www.pibani.org.br


ÍNDICE

Índice

Lição 01 - O Juízo Final

06

Lição 02 - A Reforma Protestante

10

Lição 03 - Os Reformadores e suas Marcas

15

Lição 04 - A Igreja Batista: Um pouco de nossa História

19

Lição 05 - Agradando a Deus em nossa Existência

24

Lição 06 - Expressão de Adoração: Reverência e Santidade

29

Lição 07 - Expressão de Adoração: Louvor/Música

33

Lição 08 - Características do Servo de Cristo

36

Lição 09 - Quem não vive para Servir...

40

Lição 10 - Uma Re-visão da nossa ‘‘visão de serviço’‘

44

Lição 11 - Comunhão que nasce na Eternidade

48

Lição 12 - A Vida em Comunidade

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Colaboradores Referências Bibliográficas

Escola Bíblica Discipuladora - Revista III - Ano 02


Lição 01

O Juízo Final Texto: Mateus 25:31-46

Introdução Fato do Juízo Final

O

dia do Juízo é uma verdade afirmada e pregada na palavra de Deus, profetizada pelos profetas, poetizada pelos salmistas, ensinada pelos apóstolos, desejada pelos justos e mártires do Antigo e Novo Testamento. A igreja compartilha essa expectativa e anuncia tal fé em sua declaração doutrinária: Cremos que se aproxima o fim do mundo; que no último dia, Cristo descerá dos céus e levantará os mortos do túmulo para a recompensa final; que ocorrerá então uma solene separação; que os ímpios serão entregues a punição sem fim e os justos à bem-aventurança para sempre; e que esse julgamento, baseado nos princípios da justiça, determinará o estado final dos homens no céu ou no inferno (extraído Declaração Doutrinária Batista; Parágrafo XVIII - Do Mundo Vindouro)

01 O tempo do Juízo Quando acontecerá o julgamento final? Ao longo da história Deus exerce sua soberania manifestando seu juizo conforme lhe agrada. A Biblia mostra que em alguns casos o julgamento já aconteceu: Jesus disse já o príncipe desse mundo esta condenado (João 16:11). Deus arrebatou Enoque e Elias para estarem com ele, enviou o dilúvio a terra, puniu Ananias e Safira. No entanto o julgamento definitivo acontecerá no futuro. Mesmo Sodoma e Gomorra que foram destruídas por causa da justiça de Deus se apresentarão diante do grande trono branco, conforme podemos interpretar do texto de Mateus 11:24. As escrituras deixam claro que o julgamento ocorrerá após segunda vinda de Cristo. No entanto nao se pode determinar em termos absolutos a ocasião, pode ser fixada relativamente, isto é, com relação a outros eventos escatológicos. O que afirmamos ao certo é que: será no fim do presente mundo, pois será um julgamento sobre toda a vida de todos os homens (Mateus 13:4043; II Pedro 3:7): Além disso, será concomitante com a vinda (parousia) de Jesus Cristo (Mateus 25:19-46; II Tessalonicense 1:7-10; II Pedro 3:9, 10), e se seguirá imediatamente à ressurreição dos mortos (Daniel 12:2; João 5:28, 29; Apocalipse 20:12, 13).

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O Juízo Final

02 Jesus Cristo será o Juíz O livro de Hebreus apresenta Deus como Juiz, então cabe a Ele julgar, mas Deus confiou ao Filho a honra de julgar os vivos e mortos. “Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento... e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. (João 5:22, 27, conf. Atos 10:42). Passagens como Mateus 28.18; João 5.27; Filipenses 2.9, 10, tornam mais que evidente que a honra de julgar os vivos e os mortos foi conferida a Cristo, o Mediador, como recompensa por Sua obra expiatória e como parte de Sua exaltação. De passagens como Mateus 13:41, 42; 24:31; 25:31, pode-se inferir que os anjos o assistirão nesta grande obra. Evidentemente, os santos, nalgum sentido, vão assentar-se e julgar com Cristo, Salmo 149.5-9; I Corintios 6:2, 3; Apocalipse 20:4. É difícil dizer o que isto envolve. Temse interpretado no sentido de que os santos condenarão por sua fé o mundo, assim como os ninivitas teriam condenado as cidades incrédulas dos dias de Jesus. Ou que eles meramente estarão presentes ao julgamento presidido por Cristo. Por esses textos conclui-se os salvos terão alguma parte ativa no juízo de Cristo, embora seja impossível dizer precisamente o que será isso.

03 As Partes que serão Julgadas Quem será julgado? A Biblia diz que todos serão julgados. (Mateus 25:32; II Coríntios 5:10; Hebreus 9:27; Salmo 50:4-6; Eclesiastes 12:14; Mateus 12:36, 37; 25:32; Romanos 14;10; II Coríntios 5:10; Apocalipse 20:12;) O julgamento não envolve apenas seres humanos, conforme a Biblia, os anjos que não guardaram seu estado original e Sataná serão julgados; a) Os anjos serão julgados: A Escritura contém claras indicações de que os anjos decaídos comparecerão perante o tribunal de Deus (Mateus 8:29; I Coríntios 6.3); Segundo a referência de II Pedro 2:4 os anjos rebeldes foram lançados no inferno a fim de serem reservados para o juízo; e Judas diz que esses anjos foram guardados por Deus sob trevas “para o juizo do grande dia” (Judas 6). Satanás e seus demônios verão sua ruína final no dia do juízo. b) Os crentes serão julgados: A partir dos textos já citados neste estudos podemos compreender que os crentes também serão julgados. Esta afirmação talvez poderá causar desconforto, visto que o julgamento está fortemente relacionado a condenação. Então, como entender que salvos comparecerão perante Cristo? Jesus diz, em João 5:24, “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. Como explicar este texto? O texto se harmoniza perfeitamente com o restante das escrituras como se observa claramente dentro do contexto, que o crente não entrará em juízo condenatório. Mesmo que os pecados dos salvos sejam expostos como a Escritura nos leva à certeza de que acontecerá, serão revelados como pecados perdoados. (II Coríntios 5:10; Hebreus 9) O julgamento não se trata só de condenação mas se refere a recompensa, galardão; as escrituras ensinam que haverá graus de recompensa para os crentes. (I Coríntios 3:12-15; Lucas 19: 17,19)

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Lição 01

c) Os descrentes serão julgados: Os ímpios serão julgados e sentenciados a condenação eterna (II Tessalonicenses 1-6; Apocalipse 21:8). Paulo fala do dia da ira de Deus, quando se revelará o seu justo julgamente, “Deus retribuirá a cada um conforme o seu procedimento,” “haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça” (Romanos 2:5,6,8)

04 O Propósito do Juízo A Bíblia afirma claramente que Deus será totalmente justo no dia do julgamento, Pedro diz que Ele julga imparcialmente a obra de cada um (I Pedro 1:17), ninguém será capaz de reclamar que Deus o tratou com injustiça (Romanos 2:11; 3: 19). Através do Juízo, Deus manifestará sua graça e sua misericórdia na aprovação dos salvos e a glória e justiça na condenação dos reprovados. O julgamento final se harmoniza com o caráter santo e justo de Deus. Os anjos e os salvos louvarão a Deus por toda a eternidade. No tempo do juízo haverá grande louvor no céu, conforme João descreve: “Depois destas coisas, ouvi no céu como que uma grande voz de uma imensa multidão, que dizia: Aleluia! A salvação e a glória e o poder pertencem ao nosso Deus; porque verdadeiros e justos são os seus juízos” (Apocalipse19: 1,2a).

05 A Validade desta declaração de Fé para os dias de Hoje Qual o sentido prático desta doutrina para minha vida? O que precisamos ter em mente quando estudamos sobre o juízo final? O cristão deve temer o juízo divino? O escritor Wayne Grudem apresenta alguns princípios, que possivelmente nos ajudarão a entender a aplicação prática desta doutrina. a) A doutrina do juízo final satisfaz nosso senso interior de necessidade de justiça no mundo. Quem nunca ficou indignado diante da injustiça, quando um político corrupto sai ileso de um processo? Ou um criminoso é absolvido por falta de provas, ou por que subornou os magistrados? E quando um inocente é condenado injustamente? O fato de que haverá o juízo nos assegura de que Deus está no controle do universo e mantém os registros exatos e finalmente todas as contas serão acertadas nenhuma injustiça passará despercebida diante de Deus (Amós 5:24; Malaquias 3:16; Apocalipse 20:12) b) Capacita-nos a perdoar aos outros livremente. Se crermos que o Senhor julgará vivos e mortos, aceitaremos o fato de que a vingança não cabe a nós. Deus reservou esse direito a si próprio. “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus, pois está escrito: minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor” (Romanos 12:19). Desse modo sempre que formos prejudicados devemos deixar nas mãos de Deus, porque somente ele pode julgar corretamente, visto que, a justiça é um de seus atributos morais. A nós cabe seguir o exemplo de Jesus; “quando injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se aquele que julga justamente.” (I Pedro 2:23) Ele também orou por aqueles que açoitavam: “Pai perdoa-lhes...” (Lucas 23:34).

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O Juízo Final

c) Motiva-nos a viver retamente. Para os crentes o juízo final precisa ser visto como um incentivo a fidelidade e boas obras: estas não servem como um meio para obter perdão dos pecados, mas como meio de ganhar recompensa eterna maior. Jesus disse, “mas ajuntai para vós tesouros no céu.” (Mateus 6:20) a consciência do juízo final é conforto para os crentes; e advertência para os descrentes a não continuarem em seus caminhos maus. d) Proporciona grande motivo para a evangelização. Quanto ao juízo, precisamos entender que Deus não tem prazer em julgar os ímpios. Pedro salienta que o retardamento do retorno do Senhor é devido ao fato de que Deus é paciente e sua vontade é que todos se arrependam. (II Pedro 3:9); Jesus e João Batista anunciaram a chegada do reino como um momento de juízo, mas também uma oportunidade de arrependimento: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus... Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento... ... E já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível. (Mateus 3:2, 7, 8, 10,12, conf. Marcos 1:14, 15)

Se Deus não tem prazer na perdição do ímpio é missão da igreja anunciar a mensagem de arrependimento. Disse Jesus: “E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” (Mateus 24:14)

Anotações

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Lição 02

A Reforma Protestante Texto: Romanos 1:17 Efésios 2:8

Introdução

D

urante muito tempo, os primeiros cristãos foram perseguidos e até mortos por causa de Cristo. A situação mudou quando o imperador romano Constantino em 313 d.C. instituiu uma série de benefícios ao Cristianismo, tais como: isenção de impostos, doação de terras, pagamento dos bispos e ajuda na construção de templos. Poder e dinheiro passaram a influenciar a vida da Igreja, que, em 392 d.C., se fundiu com o Estado, tornando-se a mesma coisa. Com isso, muitos passaram a fazer parte da “nova religião”, não por convicção e fé, mas por favores e benefícios. Aquela vida comunitária, aquele amor cristão, o partir o pão de casa em casa e o socorrer aos necessitados viraram práticas do passado. O Cristianismo começou a decair moralmente, e seus fiéis desprezaram a Palavra e a vontade de Deus. Diante de tantas coisas erradas e corrompidas uma Reforma era urgente. A igreja precisava voltar à Palavra de Deus e ser restaurada no reto caminho e abandonando os desvios que havia tomado.

01 Pré-Reforma Importante saber que, antes da Reforma Protestante, houve a Pré-Reforma. Na qual se iniciaram as bases ideológicas que posteriormente resultaram na reforma iniciada por Martinho Lutero. a) Valdenses. A Pré-Reforma tem suas origens em uma denominação cristã do século XII conhecida como Valdenses, que era formada pelos seguidores de Pedro Valdo, um comerciante de Lyon que se converteu ao Cristianismo por volta de 1.174 d. C. Ele decidiu encomendar uma tradução da Bíblia para a linguagem popular e começou a pregá-la ao povo mesmo não sendo um sacerdote. Ao mesmo tempo, renunciou à sua atividade profissional e aos bens que possuia, e repartiu entre os pobres. Desde o início, os Valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua, considerando ser a fonte de toda autoridade eclesiástica. Eles reuniam-se em casas de famílias ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à perseguição da Igreja Católica Romana, já que negavam a supremacia de Roma e rejeitavam o culto às imagens, que consideravam como sendo idolatria.

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A Reforma Protestante

a) John Wycliffe e Jan Hus. No século XIV, o inglês John Wycliffe, considerado como principal precursor da Reforma Protestante, levantou diversos questionamentos sobre questões controversas que envolviam o Cristianismo, mais precisamente a Igreja Católica Romana. Entre outras idéias, Wycliffe queria o retorno da Igreja à primitiva pobreza dos tempos dos evangelistas, algo que, na sua visão, era incompatível com o poder político do papa e dos cardeais, e que o poder da Igreja devia ser limitado às questões espirituais, sendo o poder político exercido pelo Estado, representado pelo rei. Contrário à rígida hierarquia eclesiástica, Wycliffe defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos. Estes padres foram conhecidos como "lolardos". Mais tarde, surgiu outra figura importante deste período: Jan Huss. Este pensador tcheco iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wycliffe. Seus seguidores ficaram conhecidos como Hussitas.

02 A Reforma No início do século XVI, Martinho Lutero, um monge alemão, abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 d.C. e 1517 d. C. Lutero, a partir do estudo das Escrituras, descobriu a verdade de que o justo deveria viver pela fé (Romanos 1:17). Transformado por essa verdade da Palavra de Deus, Lutero desejava agora corrigir os erros que encontrava na Igreja Católica. Alguns dos pontos, considerados erros da igreja, incluíam: 380 d.C. – Oração pelos mortos 535 d.C. – Instituição das procissões 538 d.C. – Celebração da missa de costa para o povo 757 d.C. – Adoração de imagens 884 d.C. – Canonização de santos 85 d.C. – Adoração da “Virgem Maria” 1.022 d.C. – Legalização da penitencia por dinheiro 1.059 d.C. – Aceitação da transubstanciação dos elementos da Ceia (acreditar que o pão e o vinho se transformam verdadeiramente no corpo e sangue de Cristo, de forma tal, que embora pareça pão e vinho, o que você esta comendo e bebendo é o próprio e real corpo e sangue de Jesus). 1.215 d.C. – Adoção da confissão auricular 1.470 d.C. – Invenção do rosário

Em 31 de outubro de 1.517 d. C. (véspera do “Dia de todos os Santos”) Lutero pregou as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante. O conteúdo das teses era um protesto contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Condenavam a "avareza e o paganismo" na Igreja, e pediam um debate teológico sobre o que as indulgências significavam. As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês se haviam espalhado por toda a Europa.

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Lição 02

Excomunhão e novo começo para Lutero Após diversos acontecimentos, em junho de 1518 d.C. foi aberto um processo por parte da Igreja Romana contra Lutero. Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em heresia. Depois disso, em agosto de 1518 d.C. o processo foi alterado para heresia notória. Finalmente, em junho de 1520 d. C. reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em janeiro de 1521d.C., a bula "Decet Romanum Pontificem" excomungou Lutero. Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no Castelo de Wartburg (onde compôs o hino Castelo Forte), em Eisenach, lugar em que permaneceu por cerca de um ano. Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro de 1.522 d. C.

03 Princípios da Reforma Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas: Sola Scriptura – Somente as Escrituras. A Bíblia era conhecida somente pelos estudiosos da Igreja Católica que a utilizavam como bem entendiam. A Igreja defendia práticas totalmente estranhas a Palavra de Deus ensinando “doutrinas que são preceitos de homens” (Mc 7.7). O movimento da Reforma disse “não” a esse procedimento da Igreja Romana e afirmou Sola Scriptura, ou seja, somente cremos e praticamos o que a Bíblia ensina. Somente a Bíblia deve ser a nossa regra de fé e prática. Solus Christus – Somente Cristo. Jesus afirmou que as Escrituras testificam dele (João 5.39; Lucas 24.25-27). Assim sendo, a teologia não pode estar centrada no homem, mas em Cristo. A igreja Romana, jeitosamente, colocava o homem no centro. Eram as necessidades do homem que precisavam ser atendidas e não a vontade de Deus expressa em sua Palavra. Devemos nos lembrar das palavras do apóstolo Paulo aos gálatas: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gálatas 1.10). Somos servos de Cristo e não de homens. Portanto, somente Cristo. Sola Gratia – Somente a Graça. A Igreja Romana ensinava que a graça de Deus era concedida ao crente na medida em que ele cooperava com ela. Os reformadores se levantaram contra isso afirmando a verdade bíblica de que a graça é imerecida. Em momento algum, mesmo que realizando um ato de extrema bondade aos olhos dos homens, somos dignos de qualquer merecimento da parte de Deus. Afirmar que o homem coopera com a graça de Deus é buscar uma pregação centrada no homem e não em Deus, “porque Deus é quem efetua em vos tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2.13). Lembramos, ainda, das palavras de Paulo aos Romanos: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Romanos 9.16).

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A Reforma Protestante

Sola Fide – Somente pela Fé. A Igreja Romana não negou a necessidade da fé para a salvação. Porém, eles referiam-se a uma fé que, na verdade, era um mero consentimento ao ensino da igreja. Não é essa a fé da qual fala Bíblia. Os reformadores demonstraram que é a fé que traz a salvação e a confiança na promessa de Deus e Cristo de salvar pecadores. Somos declarados justo pelo sacrifício perfeito de Cristo, pois somente ele é perfeitamente justo. A justiça de Cristo é imputada a nós pela fé. Não se trata de uma fé, que também seria “cooperativa”, mas da fé que nos é concedida por Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2.8). Soli Deo Gloria – Somente glória a Deus. “Pregar a Escritura é pregar a Cristo; pregar a Cristo é pregar a cruz; pregar a cruz é pregar a graça; pregar a graça é pregar a justificação; pregar a justificação é atribuir o todo da salvação a gloria de Deus e responder a essa Boa Nova em grata obediência por meio de nossa vocação no mundo.” (Michael Horton).

Tudo resulta na glória de Deus. Toda a glória é devida ao seu nome. Deus revelou-se através das Escrituras; enviou seu Filho para morrer no lugar de seus escolhidos; concedendo, somente por sua graça, a salvação pela fé. Os alcançados pela graça divina rendem louvores em espírito e em verdade ao Deus Todo-Poderoso. Devemos ter em mente que toda glória deve ser dada somente a Deus.

03 Contra Reforma

Reação da Igreja Católica Romana

Reagindo à Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana decidiu tomar medidas para frear o avanço da Reforma. Realizou-se, então, o Concílio de Trento (1545-1563 d. C.), que resultou no início da Contra-Reforma ou Reforma Católica, na qual os Jesuítas tiveram um papel importante. A Inquisição e a censura exercida pela Igreja Católica foram igualmente determinantes para evitar que as idéias reformadoras encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália, países católicos. O biógrafo de João Calvino, o francês Bernard Cottret, escreveu:

"Com o Concílio de Trento (1545-1563)… trata-se da racionalização e reforma da vida do clero. A Reforma Protestante é para ser entendida num sentido mais extenso: ela denomina a exortação ao regresso aos valores cristãos de cada "indivíduo". (...) A reforma cristã, em toda a sua diversidade, aparece centrada na teologia da salvação. A salvação, no Cristianismo, é forçosamente algo de individual, diz mais respeito ao indivíduo do que à comunidade", diferente da pregação católica que defende a salvação na igreja.

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Lição 02

O principal acontecimento da contra-reforma foi o Massacre da noite de São Bartolomeu. As matanças, organizadas pela casa real francesa, começaram em 24 de Agosto de 1572 d. C, e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 70.000 a 100.000 protestantes franceses (chamados huguenotes).

Resultados da Reforma Um dos pontos de destaque da reforma é o fato de ter ela possibilitado um maior acesso à Bíblia, graças às traduções feitas por vários reformadores (entre eles o próprio Lutero) a partir do latim para as línguas nacionais. Tal liberdade fez com que fossem criados diversos grupos independentes, conhecidos como evangélicos agrupados em denominações, destacando o Luteranismo e as Igrejas Reformadas ou calvinistas (Presbiterianismo e Congregacionalismo). Nos séculos seguintes, surgiram outras denominações reformadas, com destaque para os Batistas e os Metodistas. Falaremos com mais detalhes na próxima lição.

Anotações

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Lição 03

Os Reformadores e suas marcas Texto: Romanos 1:17 Efésios 2:8

Introdução

C

omo citado na lição anterior, a Reforma Protestante teve por precursores; John Wycliffe, Pedro Waldo, Jan Huss e outros, não citados neste estudo. Foram eles perseguidos e torturados por causa da tentativa de reformarem a igreja. Depois outros movimentos surgiram com o mesmo intuito, mas também sem êxito. Até que, num momento propício, apareceu Martinho Lutero e outros reformadores mudando a história da sociedade e da igreja.

01 Principais Reformadores Além de Lutero, que faleceu em Eisleben no dia 18 de fevereiro de 1.546 d. C., podemos destacar outros reformadores, como: a) ÚlricoZwínglio (1.484-1.531d. C.) Úlrico Zwinglio nasceu na Suíça, no dia 1º de janeiro de 1.484 d.C. Tinha formação e idéias diferentes do reformador alemão, Lutero. Estudou na Universidade de Viena, de Basiléia e de Berna. Graduou-se Bacharel em Artes, em 1.504 d., e Mestre dois anos depois. Em 1.506 d. C., Zwinglio tornou-se padre, embora o seu interesse pela religião fosse mais intelectual do que espiritual. Em 1.520d.C, Zwinglio passou por uma profunda experiência espiritual. Dois anos depois iniciou um trabalho de pregação do evangelho, baseando-se tão somente na Escritura Sagrada. O Papa Adriano VI proibiu-o de pregar. Poucos meses depois, o governo de Zurique, na Suíça, resolveu apoiar Zwinglio e ordenou que ele continuasse pregando. Em 1.525d.C., Zwinglio casou-se com uma viúva chamada Ana Reinhard. Nesse mesmo ano Zurique tornou-se, oficialmente, protestante. Em 1.531 d.C, estourou a guerra entre os estados católicos e os protestantes, liderados por Zurique. Zwinglio, homem de gênio forte, também foi para o campo de batalha, onde morreu no dia 11 de outubro de 1.531 d.C. Zwinglio morreu, mas o movimento iniciado por ele não morreu. As igrejas que surgiram como resultado do movimento iniciado por ele são chamadas de igrejas reformadas em alguns países, e igrejas presbiterianas em outros. Dentre os líderes que levaram avante o movimento iniciado por Zwinglio destacam-se Guilherme Farel e João Calvino.

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Lição 03

b) Guilherme Farel (1.489-1.565 d. C.) Guilherme Farel nasceu em Gap, província francesa do Delfinado, no ano de 1.489 d.C. Os seus biógrafos o descrevem como um pregador valente e ousado. Em 1.521d.C. iniciou um trabalho de pregação sob a proteção do bispo de Meaux, Guilherme Briconnet. Mas logo depois foi proibido de pregar e expulso da Franca, acusado de estar divulgando idéias protestantes. Em 1.524 d.C., estava em Basiléia fazendo as suas pregações mas logo foi expulso por sua impetuosidade. Em 1.526d. C., Farel iniciou o seu trabalho de pregação na Suíça onde se juntou aos seguidores de Zwinglio. Em 1.532d. C. entrou em Genebra pela primeira vez. Sua pregação causou tumulto na cidade. No dia 21 de maio de 1.536 d.C., a Assembléia Geral declarou a cidade oficialmente protestante. Farel convidou João Calvino para reorganizar a vida religiosa de Genebra. No dia 23 de abril de 1.538 d.C., Farel e Calvino foram expulsos da cidade. Calvino foi para Estrasburgo. Farel foi para Neuchatel, uma cidade que havia sido conquistada por ele para o Evangelho. Farel permaneceu em Neuchatel, onde faleceu em 1.565 d.C., com 76 anos de idade. c) Filipe Melâncton (1.497-1.560 d. C.) Nascido em Bretten, na Saxônia, era o mais velho entre cinco irmãos. Perdeu o pai aos onze anos. Graduou-se em artes, fez mestrado em Filosofia, Foi convidado pelo príncipe-eleitor, Frederico da Saxônia, para a recém-fundada Universidade de Wittenberg. Foi aluno de Teologia de Lutero, em 1.519 d.C., o qual, por sua vez, apesar de 14 anos mais velho, foi seu aluno de grego. Melanchthon casou em 1.520 com Katharina Krapp, a filha do prefeito de Wittenberg. É considerado o primeiro sistemático da Reforma. Melanchthon publicou trabalhos não apenas na Teologia, mas também na Psicologia, Física e filosofia. Além desses trabalhos, Melanchthon escreveu comentários ao Novo Testamento, publicando em 1.537 d.C seu comentário sobre a Epístola aos Colossensses e entre 1.529 d.C. e 1.556 d. C. seu comentário sobre a Epístola aos Romanos. Colaborador de Lutero, redigiu a Confissão de Augsburgo e também a Apologia desta confissão, em 1.530 d. C., as quais continuam tendo caráter fundamental para as igrejas luteranas até os dias de hoje. d) João Calvino (1.509-1.564 d.C.) Primeiros Anos João Calvino nasceu em Noyon, Picardia, França, no dia 10 de julho de 1.509 d. C. Antes de completar doze anos, foi nomeado capelão de La Gesine, próximo de Noyon, devido à influência de seu pai, Geraldo Calvino, junto ao bispado. Em agosto de 1.523 d. C, logo depois de ter completado 14 anos, João Calvino ingressou na Universidade de Paris. Ali completou seus estudos de pre-graduação no começo de 1.528 d. C. A seguir foi para a Universidade de Orleans onde se formou em Direito. Calvino, que estudara Direito para satisfazer o pai, após a morte do mesmo, resolveu tornar-se pesquisador no campo de literatura e filosofia. Para isto, matriculou-se no Colégio de Franca, instituição humanista fundada pelo rei Francisco I. Estudou Grego, Latim e Hebraico. Em 1.532 d. C, João Calvino lançou o seu primeiro livro: Comentários ao Tratado de Sêneca sobre a Clemência. Os intelectuais elogiaram muito a obra. Mas o público ignorou o lançamento – poucos compraram o livro.

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Os Reformadores e Suas Marcas

Conversão João Calvino converteu-se a Jesus Cristo entre abril de 1.532 d. C e o inicio de 1.534 d. C. No dia 1º de novembro de 1.533 d. C, Nicolau Cop, amigo de Calvino, tomou posse como reitor da Universidade de Paris. O seu discurso de posse falava em reformas, usando linguagem semelhante às idéias de Lutero. E o comentário geral era que o discurso tinha sido escrito por Calvino. O rei Francisco I resolveu agir contra os luteranos. Calvino e Nicolau Cop foram obrigados a fugir de Paris. No dia 4 de maio de 1.534 d. C, Calvino compareceu ao palácio do bispo de Noyon, a fim de renunciar ao cargo de capelão. Foi preso, embora por um período curto. Libertado logo depois, achou melhor fugir do país. E no final de 1.535 d. C chegava a Basiléia, cidade protestante, onde se sentiu seguro. Calvino em Genebra Em julho de 1.536, Calvino chegou a Genebra. A cidade tinha se declarado oficialmente protestante no dia 21 de maio daquele ano. Calvino estava hospedado em uma pensão, quando Farel soube que ele estava na cidade foi ao seu encontro e o convenceu a permanecer ali para ajudá-lo na reorganização da cidade. Calvino era bem jovem – tinha apenas 27 anos, conquistou muitos adversários e opositores em Genebra. À medida que ele ia apresentando as normas que pretendia implantar na cidade, a oposição ia crescendo. E no dia 23 de abril de 1.538 d. C, Calvino e Farel foram banidos de Genebra. Calvino foi para Estrasburgo e casou-se com Idelette de Bure. No dia 13 de setembro de 1.541 d. C, Calvino retornou para Genebra. E, enfim, pode reorganizar a vida religiosa da cidade e fez de Genebra uma cidade modelo. No dia 29 de marco de 1.549 d. C, Idelette faleceu. Mas Calvino continuou o seu trabalho. Em 1.559 d. C, fundou a Academia Genebrina – a Universidade de Genebra. Jovens de vários países vieram estudar ali e levaram a semente do evangelho na volta a sua terra. Esses jovens se espalharam pela Franca, Países Baixos, Inglaterra, Escócia, Alemanha e Itália. João Calvino faleceu em Genebra, no dia 27 de maio de 1.564 d. C. João Calvino foi responsável pela sistematização doutrinária e pela expansão do protestantismo reformado. Por isso, o sistema de doutrinas adotado pelas Igrejas Reformadas ou Presbiterianas chama-se calvinismo. Os Escritos de Calvino Num período de aproximadamente 30 anos Calvino escreveu: comentário de todos os livros do NT (exceto 2 e 3 João e Apocalipse); A série Corpus Reformatorum contendo 872 sermões; opúsculos e tratados de diversos assuntos; vários Escritos eclesiásticos; Cartas para outros reformadores, governantes de diferentes países, igrejas perseguidas, crentes encarcerados, pastores e colportores. Sua obra mais importante foi as Institutas da Religião Cristã, que também é considerada a mais completa e importante obra produzida no período da Reforma. A publicação das Institutas fizera dele um dos mais importantes líderes da Reforma na Franca. Calvino produziu ao todo oito edições desta obra magna em latim e cinco traduções para o francês. A 1ª edição (1536) tinha apenas seis capítulos e a última (1559) totalizou oitenta. Essa edição equivale em tamanho ao

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Lição 03

Antigo Testamento somado aos evangelhos sinóticos e segue o padrão geral do Credo dos Apóstolos, tendo como objetivo ser um guia para o estudo das Escrituras. É composta de quatro livros: I – O conhecimento de Deus, o Criador; II – O Conhecimento de Deus, o Redentor; III – A maneira como recebemos a graça de Cristo; IV – Os meios externos pelos quais Deus nos convida para a sociedade de Cristo. e) John Knox (1.505-1.587 d. C.) O grande nome da reforma escocesa é John Knox. Supõe-se que tenha nascido entre os anos 1.505 d. C a 1.515 d. C. Estudou teologia e foi ordenado sacerdote, possivelmente em 1.536 d. C. Em 1.547 d. C, foi levado para a Franca, onde ficou preso dezenove meses, por causa de sua Fé. Libertado, foi para a Inglaterra, onde exerceu o pastorado por dois anos. Em 1.554 d. C teve que fugir da Inglaterra, indo, inicialmente, para Frankfurt, e depois para Genebra, onde foi acolhido por Calvino. Em 1.559 d. C voltou para a Escócia, onde liderou o movimento de reforma religiosa. Sua influência extrapolou a área religiosa, atingindo também a vida política e social do país. O parlamento escocês declarou o país oficialmente protestante, em dezembro de 1.567 d. C. A igreja organizada por ele e seus auxiliares recebeu o nome de Igreja Presbiteriana. John Knox faleceu no dia 24 de novembro de 1.587 d. C.

Conclusão A verdade é que, Deus, através da maravilhosa obra do Espírito Santo do decorrer da história, conduziu homens para que a Igreja voltasse à verdade da sua Palavra. Os discípulos de Cristo do período da Reforma deixaram marcas profundas na sociedade e na Igreja. Nós, discípulos de Cristo hoje, devemos continuar deixando as mesmas de um evangelho comprometido com a verdade para as gerações futuras.

Anotações

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Lição 04

A Igreja Batista: Um pouco da nossa História

Texto: Efésios 4:1-6

Introdução

P

ara podermos compreender a Nossa História Batista Nacional, necessariamente teremos que estudar as nossas origens. Impossível também não destacarmos a Brilhante e valorosa história da nossa Igreja Mãe: a Igreja Batista Brasileira. É importante também, conhecermos nossos princípios e sobre o que estamos edificados. Nesta lição você terá um resumo do que é a nossa a história.

01 Origem das Igrejas Batistas A história aceita, academicamente, sobre a origem das Igrejas Batistas é a sua incepção como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII. A primeira igreja batista nasceu quando um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas. John Smyth discordava da política e de alguns pontos da doutrina da Igreja Anglicana, da qual ele era pastor, após uma aproximação com os menonitas e, examinando a Bíblia, creu na necessidade de batizar-se com consciência e em seguida batizou os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim a primeira Igreja Batista organizada. Até então, o batismo não era por imersão, só os batistas particulares por volta de 1642 adotaram oficialmente essa prática tornando-se comum depois a todos os batistas. A primeira confissão dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo.

O Nome Batista Surgiu pela crença no Batismo Adulto e consciente por imersão. Cremos que o batismo seja uma ordenança para as pessoas adultas (ordenança, para os batistas, é diferente de sacramento: deve ser obedecida, mas é apenas ato simbólico e não obrigatório para salvação), que deve ser respeitada a menos que o indíviduo não tenha oportunidade de ser batizado.

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Lição 04

02 Os Batistas Brasileiros e sua Convenção a) Sua Origem. Na mesma busca de espaço e liberdade religiosa vivenciados pelos citados acima, chegaram ao Brasil os pioneiros da Fé Batista, o Pr. Willian Buck Bagby e Anne Luther Bagby, no início do ano de 1880. Logo após sua chegada, já no ano de 1882 foi organizada a Primeira Igreja Batista, voltada para a evangelização do Brasil. No entanto, já existiam duas outras igrejas batistas, organizadas por imigrantes norte-americanos, residentes na região de Santa Bárbara do D'Oeste e Americana, São Paulo. Os casais de missionários batistas norte-americanos, recém chegados ao Brasil, Willian Buck Bagby e Anne Luther Bagby, os pioneiros; e Zacharias Clay Taylor, Kate Stevens Crawford Taylor, auxiliados pelo ex-padre Antônio Teixeira de Albuquerque, batizado em Santa Bárbara D'Oeste; decidiram iniciar a sua missão na cidade de Salvador, Bahia, com 250.000 habitantes. Ali chegaram no dia 31 de agosto de 1882 e no dia 15 de outubro, organizaram a PIB do Brasil com 5 membros; os dois casais de missionárias e o ex-padre Antônio Teixeira. b) O Início. Nos primeiros vinte e cinco (25) anos de trabalho, Bagby e Taylor auxiliados por outros missionários e, por um número crescente de brasileiros, evangelistas e pastores, já tinham organizado 83 igrejas, com aproximadamente 4.200 membros. c) Organização da Convenção. Segundo José dos Reis Pereira, Salomão Ginsburg foi a primeira pessoa a pensar na organização de uma Convenção Nacional dos Batistas Brasileiros. Em 1907, a idéia foi concretizada. A. B. Deter, Zacharias Taylor e Salomão Ginsburg concordaram em dar prosseguimento ao plano. Eles conseguiram a adesão de outros missionários e de líderes brasileiros, inclusive Francisco Fulgência Soren, que tinha, inicialmente, algumas reservas. A comissão organizadora optou pela data de 22 de junho de 1907 para organizar a Convenção, na cidade de Salvador, quando transcorreriam os primeiros 25 anos do início do trabalho batista brasileiro, também começado na referida cidade.

03 Os Batistas Nacionais Os Batistas Nacionais são renovados, e por conseqüência não podemos estudá-los sem entender de fato o que foi e o que significou a Renovação Espiritual. Por isso, segue a história. A Renovação Espiritual nasceu no coração de D. Rosalee Mills Appleby, de José Rêgo do Nascimento e de Enéas Tognini. Depois, o fogo, na misericórdia de Deus, se alastrou para outras vidas, para outras igrejas e para outras denominações. Renovação Espiritual, como a palavra bem o expressa, é aproveitar o que existe. José Rego do Nascimento gritou muitas vezes "Renovação

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A Igreja Batista: Um pouco da nossa História

Espiritual é uma mensagem bíblica no poder do Espírito para sacudir as igrejas que existem, mas que dormem embaladas pelo comodismo e pela inatividade." Quando esta mensagem começou a entrar nas igrejas históricas, correspondia exatamente ao anseio do nosso povo. Era resposta divina de orações que os servos do Senhor fizeram de joelhos, ou com o rosto em terra e com lágrimas. Igrejas se despertaram e começaram a viver no poder do Espírito e a experimentarem vitórias retumbantes no Senhor. E o Reino cresceu e houve a necessidade de se estabelecer os novos rumos da Igreja Batista Brasileira. Após muitos acontecimentos, oficialmente, em janeiro de 1965, na cidade de Niterói, a Convenção Batista Brasileira excluiu cerca de 32 igrejas de seu rol. No ano seguinte o número de igrejas desarroladas chegou a 52.

04 Criação da AME e surgimento da CBN A primeira pessoa a pensar na importância de redirecionar estas 52 igrejas recém desligadas da CBB, foi Ilton Quadros, na época, pastor da Igreja Batista do Barreiro, em Belo Horizonte (MG), que conversando com Pr. Artur Freire (Vitória da Conquista - BA), viram que não era bom erguer a bandeira de uma nova convenção, devido aos acontecimentos, então, sugeriram a criação de uma Ação Missionária. Em Janeiro de 1966, organizou-se, a Ação Missionária Evangélica, cuja sigla era AME. A partir de muitos encontros tornou-se necessário organizar o trabalho, reestruturá-lo e unificá-lo, e somente uma convenção ofereceria balisas seguras para o prosseguimento da obra avivada e nos moldes democráticos que caracterizam as igrejas batistas. Então, em Setembro de 1967 os Estatutos da AME foram reformados, passando assim a ser uma instituição “congrega igrejas que pugnam por uma genuína renovação espiritual, crentes no batismo do Espírito Santo e nos dons espirituais, como realidades para a Igreja de Cristo presente no mundo”. Este foi o início de um trabalho vitorioso: a Convenção Batista Nacional. A Convenção Batista Nacional, além de representar centenas de igrejas batistas no Brasil, também é responsável pela organização de vários seminários teológicos, de adoração e de interceção espiritual. Em dados do IBGE, em 2006 a CBN contava com 1.500 igrejas organizadas, 1208 congregações ou missões, e 390.000 membros espalhados pelo Brasil.

05 Princípios Batistas Nacionais A Autoridade 1. Cristo como Senhor: A suprema fonte de autoridade é o Senhor Jesus Cristo, e toda esfera da vida está sujeito à Sua Soberania. 2. As Escrituras: A Bíblia, como revelação Inspirada da vontade divina, cumprida e completada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo, é nossa regra autorizada de fé e prática. Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 04

3. O Espírito Santo: O Espírito Santo é o próprio Deus revelando Sua Pessoa e vontade aos homens. Ele, portanto, interpreta e confirma a voz da autoridade divina.

O Indivíduo 1. Seu Valor: Cada indivíduo foi criado à imagem de Deus e, portanto, merece respeito e consideração como uma pessoa de valor e dignidade. 2. Sua Competência: cada pessoa é competente e responsável perante Deus, nas próprias decisões e questões morais e religiosas. 3. Sua Liberdade: Cada pessoa é livre perante Deus em todas as questões de consciência e tem o direito de abraçar ou rejeitar a religião, bem como de testemunhar sua fé religiosa, respeitando os direitos dos outros.

A Vida Cristã 1. A Salvação Pela Graça: A salvação é dádiva de Deus através de Jesus Cristo, condicionada, apenas, pela fé em Cristo e rendição à soberania divina. 2.As Exigências do discipulado: As exigências do discipulado cristão, baseadas no reconhecimento da soberania de Cristo, relacionam-se com a vida em um todo e exigem obediência e devoção completas. 3. O sacerdócio do crente: Cada cristão, tendo acesso direto a Deus, através de Cristo, é seu próprio sacerdote e tem a obrigação de servir de sacerdote de Cristo em benefício de outras pessoas. 4. O Cristão e Seu Lar: O lar é básico, no propósito de Deus para o bem-estar da humanidade, e o desenvolvimento da família deve ser de supremo interesse para todos os cristãos. 5. O Cristão Como Cidadão: O cristão é cidadão de dois mundos - o reino de Deus e o Estado – e deve ser obediente à lei de seu país, tanto quanto à lei suprema de Deus.

A Igreja 1. Sua Natureza: A igreja, no sentido lato, é a comunidade fraterna de pessoas redimidas por Cristo e tornadas uma só na família de Deus. A igreja, no sentido local, é a companhia fraterna de crentes balizados, voluntariamente unidos para o culto, desenvolvimento espiritual e serviço. 2. Seus Membros: Ser membro da igreja é um privilégio, dado exclusivamente a pessoas regeneradas que voluntariamente aceitam o batismo e se entregam ao discipulado fiel segundo o preceito cristão. 3. Suas Ordenanças: O Batismo e a Ceia do Senhor, são as duas ordenanças da igreja, são símbolos da redenção, mas sua observância envolve realidades espirituais na experiência cristã. 4. Seu Governo: Uma igreja é o corpo autônomo, sujeito unicamente a cristo, sua cabeça. Seu governo democrático, no sentido próprio, reflete a igualdade e responsabilidade de todos os crentes, sob a autoridade de Cristo. 5. Sua Relação Para Com o Estado: a Igreja e o Estado são constituídos por Deus e perante Ele responsáveis. Devem permanecer distintos, mas têm a obrigação do reconhecimento

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A Igreja Batista: Um pouco da nossa História

e reforços mútuos, no propósito de cumprir-se a função divina. 6. Sua Relação Para Com o Mundo: A igreja tem uma responsabilidade no mundo; sua missão é para com o mundo, mas seu caráter de ministérios é espiritual. 7. Seus Oficiais: Pastores – pessoas genuinamente vocacionados por Deus para O servirem, de acordo com o que estabelece as Sagradas Escrituras e as deliberações da Ordem de Ministros Batistas Nacionais. Diáconos – oficiais que assistem o pastor, liberando-o para ocupar-se primeiramente da palavra e da oração. São escolhidos pela igreja, observando-se as recomendações do apóstolo Paulo a Timóteo (I Timóteo 3.8-10). 8. Seu Sustento: O sustento de uma igreja batista nacional provém das contribuições regulares e voluntárias de seus membros, através de dízimos e ofertas alçadas, ou de gratidão e campanhas especiais.

Conclusão Amados, temos uma história muito importante e linda. Necessitamos conhecê-la melhor para entendermos nossa própria Igreja. Nossos princípios, posturas, ensinamentos não surgiram por acaso ou por uma simples “revelação ou visão”, muitos dedicaram suas vidas por amor ao Reino de Deus, sejam nossos Irmãos Batistas Brasileiros, ou mesmos os nossos Irmãos pentecostais, cada qual a seu modo, mas com um único objetivo: Salvação de Vidas, pregação da Palavra! Com os Renovados não é diferente. Defendemos a bandeira da Renovação Espiritual e da crença e vivência dos dons espirituais de uma maneira equilibrada e sadia, mas sempre pensando no crescimento do Reino de Deus até que Jesus volte para buscar a Sua Igreja.

Anotações

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Lição 05

Agradando a Deus em nossa Existência Texto: Salmos 95:6,7

Todo ser que respira, louve ao senhor! (salmos 150.6) Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas de sua mão. (Salmos 95:6-7).

Introdução

V

ivemos em nossos dias uma grande confusão sobre este assunto: o que é adoração, a que se propõe como acontece, e tantas questões que alguns de nós se confunde por parecer até uma guerra e todo mundo acaba pensado: “Bem você adora a Deus do seu jeito e eu O adorarei do jeito dEle”; ou seja, cada um acredita que tem toda a verdade revelada sobre a adoração e o “meu jeito” acaba sendo sempre confundido com o jeito de Deus e muito conflito no meio das igrejas tem surgido sempre. Entre os protestantes contemporâneos encontramos diferenças significativas na adoração. Algumas formas de adoração são cheias de cerimônias e rituais formais, enquanto outras são muito casuais e informais. Algumas são barulhentas e turbulentas, enquanto outras são quietas e contemplativas. Algumas acontecem em belas catedrais, outras em armazéns ou nos campos. No meio de tal diversidade, os cristãos, algumas vezes, perguntam se a adoração é simplesmente uma questão de gosto. Todas as formas de adoração agradam igualmente a Deus, desde que os adoradores sejam sinceros? Ou algumas formas de adoração são aceitáveis e outras não? A maioria dos cristãos não sabe o que é adoração.

01 A Necessidade da verdadeira Adoração A maioria dos cristãos não sabe o que é adoração. Poderíamos conceituar adoração da seguinte forma: “você foi planejado para o prazer de DEUS”. A vida do homem tem que dar prazer a Deus. Todos os cristãos precisam cultivar uma vida com Deus que está em crescimento e desenvolvimento. Se não estivermos crescendo, estagnaremos ou morreremos. A adoração coorporativa do povo de Deus é um meio crucial e essencial que Deus deu para nos ajudar a crescer. Pense sobre as palavras de Hebreus 10:19-22:

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Agradando a Deus em nossa Existência

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus Cristo, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre à casa de Deus, aproximemonos com sincero coração, em plena certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água pura. O Cristianismo é uma religião na qual indivíduos se tornam uma parte integral do corpo de Cristo. Não somos simplesmente uma associação de pessoas, mas estamos organicamente unidos uns aos outros (1 Coríntios 12:12-27; Efésios 1:22-23). Expressamos que somos o corpo de Cristo, especialmente quando encontramos a Deus juntos em adoração pública. a) Adorando Falsos Deuses . João Calvino chamou, de maneira apropriada, o coração humano de “uma fábrica de idolatria”. Pecadores se tornam idólatras porque Deus plantou tão profundamente a necessidade dEle mesmo nos corações humanos, que quando não conhecemos ao Deus verdadeiro, inventamos falsos deuses e falsa adoração. “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.3) é como se falasse: não use a sua capacidade de adorar para o lado errado. b) Adorando o Deus Verdadeiro Falsificadamente (Êxodo 20:4-6). A adoração de falsos deuses não é somente o único tipo de idolatria condenada na Bíblia. A proibição contra imagens significa que devemos adorar o verdadeiro Deus somente nas formas que Lhe agrada. O povo de Israel reivindicou que eles estavam adorando o Senhor como o verdadeiro Deus quando eles fabricaram o bezerro de ouro. Eles consideravam a imagem como Jeová (Êxodo 32:5-6). A história do bezerro de ouro nos lembra que o próprio povo de Deus pode cair em idolatria em sua adoração dEle. Podemos querer ser criativos e originais na adoração, mas essa criatividade pode conduzir à idolatria. Paulo escreveu ao Colossenses condenando suas novidades e experiências como “adoração autoimposta” escorada em regras humanas (Colossenses 2:23). Jesus advertiu contra permitir que tradições dominem e subvertam a Palavra de Deus: “E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus” (Mateus 15:6). Jesus não estava falando sobre adoração quando ele fez esta declaração, mas então ele usou Isaías 29:13, que é sobre adoração, para confirmar suas palavras: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem. (vv. 8-9)

02 O Caráter da Adoração Para aprender como adorar a Deus de uma forma que agradará a Ele, ao invés de ofendê-Lo e ser julgado por Ele, devemos começar entendendo a definição da Bíblia do que é adoração. A Bíblia usa a palavra adoração em formas distintas e igualmente importantes. Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 05

a) Adoração Pessoal. Antes de tudo, refere-se a toda vida do cristão. Nós devemos viver nossas vidas para Deus e sob Deus. (Romanos 11.36) Devemos procurar que tudo o que façamos seja um serviço de amor para com Ele. Paulo tinha este senso de adoração em mente quando prevendo a futilidade na adoração: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis há este século, mas transformaivos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:1)

Nestes versos toda a vida é considerada como adoração, como resposta ao convite do Salmo 150.6 – todo ser que respira, louve! Em casa, no trabalho, solteiro, casado, louve ao Senhor! (1 Coríntios 10.31). Também, a adoração pessoal refere-se àqueles tempos diários e pessoais de oração, louvor, reflexão ou leitura da Bíblia, quando nos focamos em Deus. Davi adorava a Deus enquanto ele orava e cantava sozinho de noite: No meu leito me lembro de ti; medito em ti nas vigílias da noite. Pois tu tens sido o meu auxílio; de júbilo canto à sombra das tuas asas. (Salmos 63:6-7). Quando o homem entende que está neste mundo para trazer prazer a Deus, acaba por descobrir o sentido da vida. Imagine uma pessoa que vive para servir a Deus: Ela vai ao trabalho, serve a Deus; Ela vai para a escola, e serve a Deus; Ela está dirigindo, e serve a Deus; Ela está em sua casa com a família, e serve a Deus; Ela está em qualquer lugar e está sempre servindo a Deus. O que podemos concluir desta pessoa? Ela é de Deus! Mesmo passando por dificuldades ela está sempre preocupada em servir a Deus. b) Adoração Corporativa. A adoração pode se referir ao tempo quando os cristãos se reúnem oficialmente, como uma congregação, para louvar a Deus. Esta forma de adoração é recomendada e ordenada nas Escrituras. “Não deixemos de reunir-nos, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia” (Hebreus 10:25). O Salmista celebra este privilégio da adoração corporativa: Aleluia! De todo o coração renderei graças ao Senhor, na companhia dos justos e na assembléia! (Salmo 111:1)

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Agradando a Deus em nossa Existência

Devemos lembrar que a adoração corporativa é um encontro com o nosso Deus, que é um fogo consumidor; e para isto acontecer, devemos conhecer a vontade de Deus com respeito a como devemos adorar. Este conhecimento vem somente através do conhecimento da Sua Palavra c) A adoração Cristã. Reflete a ênfase da Bíblia sobre a obra de cada pessoa na Deidade. O Pai é particularmente o objeto da nossa adoração. Freqüentemente oramos como Jesus nos ensinou “Pai Nosso”. O Filho é o mediador da nossa adoração. Jesus abriu o caminho ao Pai para nós, pela Sua obra salvadora, e nós sempre nos achegamos ao Pai em Seu nome. O Espírito capacita e abençoa nossa adoração. Ele aquece os nossos corações, e nos traz não para Si mesmo, mas a Jesus e à Sua Palavra. A própria natureza de Deus nos conduz a adorar o Pai, através do Filho, pelo Espírito Santo.

03 A Adoração e a Palavra A Bíblia deve ser mais que guia de nossa adoração, por que é o meio através do qual nos achegamos a Deus. Conhecemos, servimos e adoramos a Deus através da Sua Palavra. Ela é também “lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Salmos 119:105) na adoração. A Palavra deve estar presente e encher nossa adoração. Vejamos como: a) Lendo a Palavra de Deus. A Palavra deve ser uma parte distinta e central da adoração em 1 Timóteo 4:13 é dada uma importância à leitura da Bíblia que é coordenativa à pregação e ao ensino. A Bíblia não estabelece nenhuma regra com respeito a quanto da Escritura deve ser lida em qualquer culto de adoração, mas, nós realmente amamos a Palavra de Deus, se nos contentarmos somente em ouvir um ou dois versos em uma reunião? Devemos lê-la com a mesma regularidade que comemos e alimentamos o corpo. b. Orando com a Palavra de Deus. A Palavra deve também encher as nossas orações. As orações da igreja devem ser ricas em linguagens da própria Bíblia, oferecendo a Palavra de Deus de volta a Ele, em adoração. As palavras da Bíblia devem formar nossas orações como a verdade de Deus, as promessas de Deus, e as bênçãos de Deus sobre o Seu povo. A adoração é A Palavra dEle, que o descreve, que é crida e expressa em admiração Àquele que é digno de louvor. Temos o privilégio de falar com Deus, juntos, como o Seu povo, de uma forma que mostre que Sua Palavra encheu nossas mentes e corações e o Espírito Santo usará isto na adoração. c) Cantando a Palavra de Deus A Palavra deve ser a base do nosso cantar. Avaliamos sempre se os cânticos usados na igreja relatam as verdades da obra salvadora de Deus. Freqüentemente na história da igreja, os Salmos do Antigo Testamento formavam tudo ou pelo uma parte significante do louvor do povo de Deus. Cantar os Salmos é uma forma maravilhosa de esconder a Palavra de Deus em nossos Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 05

corações, e é uma maneira certa de agradar ao Senhor que os inspirou e lhes deu ao Seu povo, para o seu bem. Temos também estimulado sempre a “Cantar cântico novo” conforme orientação do Salmo 96 e cremos que o pastor e mestre precisam dar suporte aos ministros que estão na condução do louvor na adoração comunitária. Infelizmente, muita influência de teologias modernas, muito atraentes, mas distantes da doutrina dos salmos tem sido conteúdo de muitos louvores que fazem sucesso. São pensados para fazer sucesso e não para adoração. As palavras que saem dos nossos lábios para cantar a Deus devem ser verdadeiras e agradáveis a Ele. d) Instrumentos e Ritmos. Não há ritmo certo ou errado, ou instrumento certo ou errado. A poucos anos a maioria dos instrumentos, inclusive os citados nos salmos eram abominados pelas igrejas histórias. Entendemos que a igreja local, através de sua liderança, deve estabelecer uma linha que norteia a adoração comunitária, de acordo com a identidade da igreja e humildemente entender que nunca vão agradar a todos; focando no alvo da adoração que é o Trono de Deus, enquanto adoramos os que ainda não se converteram e que estão entre nós, vão sentir a presença dEle e o temerão!

04 Servindo ao Próximo Todo o serviço é uma forma de adoração, e quando Jesus lavou os pés aos discípulos estava adorando o Pai com o seu trabalho; e quando morreu por nós, ele estava adorando ao Pai com a sua vida.

Conclusão O assunto adoração é impossível de ser esgotado, pois inclui toda a vida humana. Os textos nos atraem para adorar em particular e em comunidade. Em todo o tempo. Com toda intensidade sem perder o equilíbrio. Com qualidade sem perder o contato com a realidade. Deus nos convida a desenvolver um estilo de vida que o agrade em todos os aspectos. Se tem fôlego, louve, se tem entendimento, louve em comunhão, como um corpo vivo, deixando que Ele, o cabeça do corpo, conduza os movimentos como um maestro que conhece a partitura, o ritmo, o tempo, o compasso, o ambiente e principalmente, o próprio objeto de adoração – o Deus Todo-Poderoso. Que o Espírito Santo nos use no templo e fora do templo, em todo tempo. Como adoradores que somos por formação, se não estivermos adorando o Deus vivo, a quem estamos adorando?

Anotações

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Lição 06

Expressão de Adoraçao: Reverência e Santidade

Introdução

A

doração é um assunto vasto, e de certa maneira, bastante subjetivo: ou seja, o que é importante para alguns às vezes não é tão importante para outros. Contudo, vale nos concentrarmos exatamente naquilo que seja importante para Deus e nunca em nossa volumosa lista de especulações de leigos. Ou seja, para falar sobre adoração é necessário falar de Bíblia (e muita Bíblia!), ainda mais que este tema passa por questões comportamentais! Por isso, escolhemos uma série de passagens bíblicas que nos mostrarão algumas atitudes, suas conseqüências e como isso está relacionado à reverência e santidade dentro da adoração. Por fim, também definiremos qual é a reverência esperada de um crente moderno.

01 Conceituando Adoração não é música; é atitude! E a música, um detalhe, que pode ou não estar relacionado a adoração. Assim, a adoração subsiste sem qualquer manifestação musical porque é possível expressarmos uma gama enorme de coisas através de “atitudes de adoração”. Contudo, sem reverência e santidade não há adoração genuína. A adoração não subsiste sem que haja atitudes que revelem temor e nem os anseios do espírito. Portanto, avaliemos algumas atitudes apropriadas na adoração.

Reverência e Santidade ao longo dos Séculos 1. As primeiras determinações de Deus sobre “busca de santidade pessoal”: Levítico 11:45 (ibidem: 19:2, 20:7 e 21:8 / há ainda outras passagens). 2. Santidade pessoal não fica restrita apenas ao campo moral: Deuteronômio 23:13, 14 (ordem, zelo, decência, de alguma maneira tudo isso está relacionado ao comportamento de gente santa, atitudes que convém aos santos). 3. Certas ações de Deus parecem estar condicionadas a consagração do seu povo: Josué 3:5 (a travessia do Jordão exigiria atitude de santificação). Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 06

4. A santificação pode ter implicações em questões como galardão e até mesmo salvação: Hebreus 12:4 e 14.

A Validade deste conceito para os dias de hoje I Pedro 1:14 e 15 e Apocalipse 22:11. Se estas histórias estão na Bíblia precisam ser devidamente consideradas, ainda mais que o conceito se mostrou bastante atemporal.

02 Quando a Irreverência bate de frente com a Santidade Atitudes irreverentes acarretam a reprovação do Senhor. Muitas vezes, O Senhor usou de misericórdia quando o povo gemeu nas conseqüências de seu próprio pecado, mas há coisas que foram “inegociáveis”: muitos já sofreram a ira de Deus e por fim a coisa terminou em morte! O registro destes eventos deveria afetar bem mais o nosso comportamento atualmente. Eis aqui algumas passagens bastante perturbadoras sobre o assunto: a) Levíticos 10:1 e Números 26:61. O fato mostra que: usurpar a função sacerdotal tem um preço e fogo estranho na adoração causa ira da parte do Senhor. b) I Samuel 2:12, 17, 22 e 25 – 4:11. Observando a vida dos filhos de Eli nós aprendemos a evitar o desrespeito pelos ambientes sagrados e também portar-se com temor. c) II Samuel 6:7. Uzá nem tinha que estar lá - ainda que a intenção fosse boa! d) Atos 5:1-10. A mentira no altar: parece uma punição severa, contudo Pedro foi implacável, pois o fato poderia ser um embrião ou “protótipo” para futuras corrupções religiosas; o mal foi cortado pela raiz. e) Atos 12:22, 23. A quem pertence à glória afinal? Vangloriar-se é um grande risco!

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Expressão de Adoração: Reverência e Santidade

03 A Síntese Perfeita Finalmente, vale à pena compreendermos o quanto reverência e santidade devem ocupar nossa vida. Faremos isso através da experiência do grande profeta Isaías (fazer a leitura Isaías – 6:1-8). a) É de se esperar que o profeta, quando teve a famosa “visão do seu chamado” estivesse exatamente no templo (v.1). Ou seja, ele estava num local e numa situação que deveria lhe aumentar a propensão a ter um contato mais profundo com Deus. Imaginamos também que não estivesse ali fazendo qualquer outra coisa que não fosse ligada a vida devocional: lendo, meditando, orando, oferecendo sacrifícios, adorando, etc. b) A visão gloriosa de Deus trouxe consigo também a noção exata da sua condição de pecador (v.5), fato que o induziu a confessar temor e dependência de Deus! c) A seguir, Deus liberou perdão sobre Isaías, removendo-lhe a culpa (v7), purificando seu coração, e nestas condições ele se tornou mais aberto a direção que Deus tinha pra ele. d) Foi aí que o seu chamado profético se concretizou, fechando de uma maneira perfeita todo o ciclo de adoração do profeta naquele instante.

04 O padrão ‘‘Isaías 6'’ para a Igreja Moderna A reverência produzida pelo temor, a santificação produzida pelo reconhecimento de pecado seguido de remissão de culpa no faz manter nossa conexão com Deus. Isso é adoração! Adorar é desfrutar desta conexão para expressar coisas ao Senhor, mas também para sermos profundamente edificados por Ele! Isaías foi um profeta de conexão assombrosa! Seu texto é tão profundo que os estudiosos classificaram esse livro de “proto-Evangelho”, porque além do conteúdo histórico pertinente a Israel, além de toda escatologia que contém, também é um retrato impressionante da pessoa de Cristo e de sua obra. O profeta que adorou e viu o Senhor, também recebeu Dele um chamado e um conteúdo digno dos maiores profetas que Deus levantou nesta terra. Mas este é o profeta que nas primeiras linhas de seus escritos disse “aí de mim!”. Como Isaías entraria em nossos templos, e o que poderia contemplar neles? Teria ele condições, paz, estímulo para buscar ao Senhor bem ao nosso lado? Ouvindo ou não o bom louvor que é feito na igreja moderna, Isaías sentiria uma atmosfera favorável, encorajadora para poder contemplar por horas a fio (ou minutos) suas visões proféticas?

Conclusão A reverência e a santidade são a fórmula de um “perfume” muito distinto na adoração, que afeta o coração de Deus! Tal fórmula existe ao longo de toda a Bíblia mesmo que a gente acredite que por algum motivo Deus agia de maneira diferenciada nos tempos da lei. Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 06

Mas Ele é o mesmo, ontem, hoje e sempre! Se algo mudou, fomos nós. Nossas dinâmicas de vida, de culto. Nossa expressão de adoração. Mas, o quanto nos é permitido mudar? É evidente que há um limite para a liberdade, um limite para brincadeiras, um limite para a informalidade. Até mesmo a “espontaneidade” precisa ser revista caso venha se transformar em exagero e acabe se igualando à irreverência. O que cabe em nossos altares, pátios, corredores, salas? O silêncio sepulcral ou o alarido de feira livre? Que atividades podem ser desenvolvidas no mesmo ambiente que rotineiramente nos colocamos de joelhos para clamar pelo Senhor? Ao fim deste estudo somos levados a pensar em questões como o uso deste espaço que chamamos igreja, sobre as nossas conversas no templo e nos corredores. Sobre nossos projetos interesseiros acoplados aos da igreja de modo utilitarista. Somos levados a pensar em nossas atitudes, em nossas expressões coletivas e individuais. Toda atitude reflete uma verdade interior, assim como a boca fala daquilo que o coração está cheio! É óbvio, é elementar, o quanto reverência e santidade afetam a nossa expressão de louvor, o nosso prazer na adoração, na saúde de nossa linguagem. O temor (reverência) é o princípio da sabedoria, e o anseio por santidade, um sintoma bem claro e típico daqueles que são filhos de Deus, pois almejam imitar o Pai, absorver coisas que nos identifiquem N'Ele! Reverência e santidade: havendo estas duas coisas, fica franqueado o caminho para que na adoração flua o agir de Deus sobre nós, assim como aconteceu com Isaías!

Anotações

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Lição 07

Expressão de Adoraçao: Louvor / Música

Texto Base: Salmos 47:6

Introdução

Q

uando o assunto é adoração pode-se ter certeza que o que será abordado é algo muito abrangente e vasto, nada mais óbvio levando-se em consideração a imensidão do Ser que será adorado. No entanto, a Bíblia nos oferece todo suporte no que diz respeito ao que Deus espera de nós como adoradores. Nos dias de hoje é praticamente impossível mencionar adoração sem que a palavra música venha à tona. Música e Adoração hoje, se fundiram erroneamente como se fossem uma palavra, um único sentido. É fato que a música está presente de uma maneira muito incisiva dentro das igrejas como instrumento de adoração a Deus, e sendo assim, muitos até confundem adoração com louvor/música. Nesta lição, veremos que a música como forma de louvor não é “A” adoração em si, mas uma das ferramentas que temos a nossa disposição também para adorar a Deus.

01 Conceituando louvor O dicionário define louvor como “Ato de enaltecer alguém ou alguma coisa”. Por esta definição fica fácil compreender logo de cara que Louvor não se restringe somente a música. Para se enaltecer algo ou alguma coisa pode-se usar de qualquer artifício que consiga alcançar este objetivo. Ou seja, a música pode , como é, ser um instrumento de adoração a Deus.

02 A Música na Igreja II Crônicas 5:12,13 A Bíblia Sagrada nos oferece diversas passagens em que a palavra Louvor, em seu devido contexto, se refere à música como ferramenta de adoração. No livro de Neemias, por exemplo, no capítulo 12 verso 8 o profeta menciona o louvor como uma das atribuições musicais que era conduzida pelos levitas. Desde que você se tornou um Cristão e congrega em alguma igreja você deve ter convivido com a música. O período de louvor em uma igreja é algo praticamente universal nos dias de hoje. Cada povo, de acordo com a sua cultura, usa a música como ferramenta de adoração a Deus. Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 07

A Bíblia Sagrada nos oferece diversas passagens em que a palavra Louvor, em seu devido contexto, se refere à música como ferramenta de adoração. No livro de Neemias, por exemplo, no capítulo 12 verso 8 o profeta menciona o louvor como uma das atribuições musicais que era conduzida pelos levitas. Desde que você se tornou um Cristão e congrega em alguma igreja você deve ter convivido com a música. O período de louvor em uma igreja é algo praticamente universal nos dias de hoje. Cada povo, de acordo com a sua cultura, usa a música como ferramenta de adoração a Deus. A prática de louvarmos com cânticos e instrumentos como vemos na igreja contemporânea veio se desenvolvendo com o passar do tempo. No livro de Salmos em várias passagens somos ensinados a louvar a Deus entoando louvores e cânticos ao som de instrumentos e com tudo que temos: a) Salmos 33:1-3 b) Salmos 68:4 c) Salmos 81:1-3 d) Salmos 100:1 e) Salmos 101:1 f) Salmos 108:1,2 g) Salmos 146:2

03 A Música como Instrumento de Adoração

Salmos 150

A música como expressão artística está relacionada à exteriorização dos sentimentos do artista, parte do cotidiano de toda a natureza, incluindo a do ser humano. Sua abrangência é singular, única arte totalmente universal na sua interpretação. Além de irrestrita, não possui barreiras e isso explica muito bem o porque dela ser assim, amplamente usada como forma de Adoração. A música que agradava a Deus no Antigo Testamento envolvia além do cantar, o uso de vários instrumentos: a) Êxodo 15:20-21 b) 1 Samuel 10:5 c) 1 Crônicas 15:16, 28 d) 1 Crônicas 16 Essas referências nos fazem perceber que a música está presente junto ao povo de Deus desde os tempos mais antigos do Cristianismo, mais precisamente na Criação do Universo, no coração de Deus: Leia Jó 38:4-7

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Expressão de Adoração: Louvor / Música

04 A Essência da Adoração Já falamos muito sobre Louvor/Música, conceituamos, falamos sobre os fundamentos bíblicos para sua existência dentro da igreja, agora iremos refletir sobre o mais importante: a essência. Em ciência, define-se essência por aquilo que é constituído de propriedades imutáveis. Quando pensamos em essência da adoração é possível fazer um paralelo semelhante. O que nos leva a adorar a Deus? Se é através da música, como tenho lidado com o que canto? É algo que carrego na minha essência ou é artificial? Banal? Isso traz à memória a história de Paulo e Silas na prisão. Dois homens de Deus, que sofreram em nome de Deus, mas que mesmo assim não importando a situação, adoravam a esse Deus. “Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus e os outros presos os escutavam.” Atos 16:25

Conclusão Compreendendo tudo isso, entendemos que existimos para a única e exclusiva finalidade de glorificar e adorar a Deus. A nossa vida deve ser uma eterna adoração ao Senhor. Se dançarmos, Ele deve ser glorificado através da nossa dança. Se cantarmos, devemos glorificá-lo através disso. E se assim fazemos, que seja verdadeiro. Em Isaías 29:13, Deus afirma: “Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens”. Não cante hinos que adorem a Deus como se fossem apenas belas canções ou por que algum ministro o conduziu a isso. Cante entendendo que a música é uma ferramenta de adoração, e sendo assim, deve ser sincero, genuíno. Pois adorar a Deus vai muito além das palavras, precisa vir de dentro, da essência.

Anotações

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Lição 08

Características do Servo de Cristo Texto: Mateus 24:46

Introdução

P

rimeiramente vamos falar sobre o serviço cristão.

O serviço cristão é o trabalho amoroso que os salvos consagram ao Senhor, visando a expansão do Reino de Deus e à edificação do corpo de Cristo. O servo é alguém que tem de servir, e este serviço deve ser segundo um modelo, um padrão estabelecido pelo Senhor, e que prestaremos contas quando chamados à eternidade.

01 O Serviço Nós, que somos salvos em Cristo, temos a responsabilidade e o compromisso de servir a Deus e ao próximo, pois, a nossa dedicação para os necessitados é uma expressão de fé e espiritualidade por expressar o amor de Deus (João 3:16). a) Ele é ordenado por Deus (Marcos 5:19). Conforme o texto, este homem deve ter feito conforme lhe foi pedido e muitos foram abençoados por Deus pelo serviço prestado por este servo de Cristo. b) Em relação à Deus (Genesis 4:26). Mediante a adoração também servimos a Deus. A bíblia nos informa que após o nascimento de Enos passou-se a invocar o nome do Senhor. A igreja primitiva via a adoração como uma atividade diária e constante (Atos 2:42-47). c)Em relação ao próximo (1 João 4:21). Quem ama a Deus ama ao próximo, pois, não é possível amar o próximo sem que antes se ame a Deus. O serviço cristão só faz sentido neste mundo quando servimos a Deus e ao próximo em perfeito amor.

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Características do Servo de Cristo

02 Características do servo de Cristo Na parábola dos dois servos, Jesus Cristo nos mostra que cada salvo é um servo e que todo servo é alguém que tem de servir, conforme o modelo de Cristo. a) Amor. É uma característica indispensável nos servos do Senhor. Este amor não é apenas a essência da comunhão entre Deus e os homens, mas é, como afirma Paulo, a primeira característica do fruto do Espírito (Gálatas 5:22); portanto, este amor tem de se traduzir em atitudes, serviços, se manifestando fora do indivíduo (João 15:13 – 1 João 3:16). Jesus Cristo enquanto esteve na terra demonstrou o seu amor ao que era direito e seu ódio ao que era errado. Ele não media palavras quando expunha os hipócritas religiosos dos seus dias. Assim, como predissera a seu respeito, “amava a justiça e odiava a iniqüidade” (Salmos 45:7 – Mateus 23: 2-32 – João 8:44). Também o apóstolo Paulo possuía amor pela justiça e repudiava ao que era mau, por isso, empenhou em forte luta contra os desejos pecaminosos de sua carne (Romanos 7: 15-25 - 1 Coríntios 9:27). Ele nos mostrou o seu amor pela justiça ao tratar com seus irmãos (Gálatas 2: 11-14); com os de fora da congregação (Atos 24: 25-27) e preocupava-se com a verdade (Gálatas 1: 6-9). b)Compromisso. Sabemos que há duas maneiras de viver: viver como salvo ou viver sem compromisso com a salvação. O salvo deve andar como Ele andou (1 João 2:6); esse “Ele” fala de Jesus Cristo. O apóstolo Pedro nos diz com “Ele andou”, como Deus ungiu a Cristo com o Espírito Santo e com virtude, o qual andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus era com Ele (Atos 10:38). Enquanto que os sem compromissos com Deus seguem “... andando segundo as suas próprias concupiscências ”(2 Pedro 3:3). c) Humildade. Humildade é uma condição necessária para que todo aquele que quer viver como servo do Senhor. É-nos ensinado que o orgulho, a altivez e a soberba são coisas do mundo e que “... Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Tiago 4:6). O apóstolo Paulo nos diz em Filipenses 2:3 que “nada façais por contenda ou vanglória, mas, por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Portanto, para viver como servo do Senhor é necessário andar na humildade. Entretanto devemos ressaltar que: ► Humildade não é pobreza – nem todo pobre é humilde e nem todo rico é soberbo. ► Humildade não é ignorância – nem todo analfabeto é humilde e nem todo letrado tem de ser altivo e soberbo. ► Humildade não é aparência exterior – para sermos servos do Senhor não é necessário ter “cara e nem jeito de coitado”, não é alimentar-se e vestir-se mal, isto pode denotar desleixo, sovinismo e até falta de higiene.

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Lição 08

O prazer de Paulo era de servir a Deus com humildade, compaixão e alegria (Atos 20:19 – Efésios 4:2 – Colossenses 3:12). d) Pureza. A pureza fazia parte do seu ministério, pois, Paulo tinha a responsabilidade de mostrar a verdadeira mensagem de salvação, sem nenhuma espécie de camuflagem (Isaías 52:11 – 2 Coríntios 6:6; 1 Timóteo 3:9). O zelo que o apóstolo Paulo tinha pela justiça destacava-se nas cartas paulinas; ele escreveu à congregação de Corinto que havia tolerado a presença de um homem imoral no seu meio: “expulsai o perverso do meio de vós” (1 Coríntios 5:13). Para estes mesmos cristãos e com justa indignação ele escreveu: “não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Quanto aos que pregavam e não praticavam, este apóstolo tinha palavras de condenação (Romanos 2:1, 21 e 22). e) Perseverança. Temos no Antigo Testamento exemplos de servos perseverantes como: Josias – em seus deveres de rei (2 Reis 22:2), Jó em sua vida religiosa (Jó 23: 11). Os servos do Senhor devem ser perseverantes na doutrina e não temer os falsos mestres que surgem para afrontar a igreja. Paulo, perseverando, ensinava a sã doutrina enfrentando os incrédulos (2 Coríntios 4: 1 e 16). Jesus Cristo nos deu a maior prova de perseverança quando ia em direção à cruz (Lucas 9: 51).

03 Outras características 1. Santidade – Êxodo 28:36 – Levítico 21:6 – Tito 1:8,2. paciência – Romanos 12: 12 2. Ser voluntário – Isaías 6:8 – 1 Pedro 5:2 3. Não ter cobiça – 2 Coríntios 11:13 e 14 – 1 Tessalonicenses 2:6 4. Ser abnegado – 1 Coríntios 9:27 5. Ser dedicado à oração – Efésios 3:14 – Filipenses 1:4 6. Ser forte na fé – 2 Timóteo 2:1

04 Alguns exemplos de Servos de Cristo 1. Noé – Gênesis 6: 9 2.Eliseu – 1 Reis 19:20 3. Pedro e André – Marcos 1:18 4. Débora –Juízes 4: 4 5. Dorcas – Atos 9:36 6. Lídia – Atos 16:14 e 15.

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Características do Servo de Cristo

05 Algumas declarações sobre Servo - o fundamento do servo é o caráter, - a natureza do servo é o serviço, - o motivo do servo é o amor, - a medida do servo é o sacrifício, - a autoridade do servo é a submissão, - o propósito do servo é a Glória de Deus, - as ferramentas do servo é a Palavra de Deus e a oração, - o privilégio do servo é o crescimento, - o poder do servo é o Espírito Santo, - o modelo do servo é Jesus Cristo. (adaptado do livro “Making sense of the ministry” – Warren e David Wiersbe).

Conclusão Talvez, um dos maiores mitos pregados pelo humanismo seja o da liberdade humana. A visão bíblica, aceita pelo apóstolo Paulo é bem simples: quem comete pecado, torna-se servo do pecado. Quem aceita Jesus Cristo, livra-se do pecado e passa a ser servo de Cristo. A servidão do pecado degenera e desfigura, enquanto que a submissão a Cristo ataca a nossa decadência, recupera o projeto original que cada um recebeu do Criador.Todos os cristãos são conclamados para o serviço, mas, há uma diversidade de dons, chamados e ministérios. Não são todos que são chamados para um ministério de tempo integral, mas todos são chamados para que de tempo integral sirvam a Deus. Ninguém pode negar que, depois de Jesus Cristo, o apóstolo Paulo é o personagem mais importante do Novo Testamento. Sua vida, ministério e ensinamentos, beneficiaram toda a humanidade. A sua vida nos deixa muitas lições, seu fervor missionário e seu zelo pela igreja de Deus nos estimulam para uma vida de amor, compromisso, humildade e pureza, dedicados ao serviço do Senhor. Qualquer que seja o serviço que realizamos para a obra de Deus devemos pensar na possibilidade de “fazer tendas”.

Anotações

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Lição 09

Quem não vive para servir... Texto: Efésios 4:12

...”tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” – Efésios 4:12

Introdução

O

que fica bem claro na nossa percepção como cristãos é que a nossa vida começa a ter sentido a partir da nossa experiência de salvação em Cristo Jesus, que nos trás o entendimento de que da maneira como andávamos, jamais acertaríamos os alvos estabelecidos por Deus. Saber que fomos recolocados por Sua maravilhosa graça no reino de Jesus faz uma enorme diferença. Jesus agora reina como Rei em nossos corações e mentes, e nós somos Seus gratos servos. Uma vez reconciliados com Deus através da obra redentora de Jesus Cristo na cruz, somos não só tirados do mundo, mas também inseridos numa comunidade de redimidos chamada também de corpo de Cristo, conforme afirmação de Paulo em Romanos 12:5: "um corpo em Cristo" , que ilustra muito bem certas toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Viver assim é ter uma vida com propósitos: existimos para adorar a Deus e edificar uns aos outros sendo capacitados com os dons e talentos que nos foram dados por Deus.

01 Forma como fomos Ensinados

Experiência da Bacia e Toalha

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” – João 13:35 João nos dá uma visão muito interessante que mostra que o servir uns aos outros é tão importante que o próprio Jesus deu o exemplo no seu ministério, quando de posse de uma bacia com água e uma toalha jogada no ombro e começou a lavar os pés dos discípulos, ensinando a eles e a nós que devemos viver em função de servir uns dos outros.

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Quem não vive para servir...

Não entender e não fazer assim, conforme palavras de Jesus dirigidas a Pedro é não ter parte com Ele: “se eu não te lavar, não tens parte comigo” (João 13:8). Internalizar essa dinâmica de vida que é a essência do Evangelho é entender que tudo que somos (posição social, formação acadêmica, experiência profissional, etc) e tudo o que temos (dons, talentos, dinheiro, bens, força de trabalho, inteligência, etc) devem ser utilizados para edificação dos santos, para a glorificação do nome do nosso Deus que nos reconciliou consigo. Nas palavras de Jesus essa experiência não é somente para ser vista e contada é para ser vivida: “Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:14; 15).

02 Edificando uns aos Outros

Os recursos de Deus para viver assim

“Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus” – 1 Coríntios 3:9 Os dons espirituais não têm outra função mais especial do que fazer a obra de Deus. E o que entendemos ser a obra de Deus? Na maioria das vezes a igreja entende que fazer a obra de Deus diz respeito somente evangelizar e fazer missões, principalmente se for missões intercontinentais. Isso é sim fazer a obra de Deus, também, mas uma vez alcançados por Deus, o grande desafio aqui dentro, isto é no corpo de cristo, é permanecer – Colossenses 2:6 e João 15:5. Fazer parte do corpo é fazer parte de um organismo, e, organismo é diferente de organização – organismo é vivo, desenvolve, cresce e dá fruto. A luta por permanecer e andar em Jesus é vencida exatamente na convivência, servindo uns aos outros em ajuda e crescimento mútuo onde uns edificam os outros através da ministração de Deus via dons espirituais dados a cada crente. Através dos dons espirituais, Deus usa os crentes para ser a provisão do seu povo, quer seja necessidades materiais, intelectuais, emocionais e espirituais - do corpo, através do corpo. O dom espiritual é a capacidade dada por Deus graciosamente ao crente para servir a sua igreja, isto é, cada crente de forma imerecida, é capacitado para ministrar e edificar uns aos outros como corpo de Cristo, cuja cabeça é o próprio Cristo. Os dons não indicam de modo algum o grau de santificação de uma pessoa. Assim, o dom espiritual é um canal através do qual cada crente sabe exatamente o que fazer quando estiver servindo. No serviço cristão, a figura do corpo é muito útil para descrever características muito importantes como: a) Unidade. Assim como o corpo tem diferentes partes, assim também o grupo que pertence a Deus, formado por muitos tipos diferentes de pessoas, tornando estas diferenças insignificantes devido à fé comum que temos em Cristo: “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (1 Coríntios 12:27); b) Interdependência. Como membros de um corpo estão entrelaçados entre si em um todo unificado, assim também o povo de Deus é interligado, possuindo uma consciência de tal dependência e Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 09

c) Crescimento. É perfeita a figura de um corpo para ilustrar que o povo de Deus é um organismo que sobrevive e cresce de forma saudável pelo serviço individual e adequado de cada parte proporcionando assim, que o corpo de Cristo seja edificado (Colossenses 12:19); d) Uma relação com Cristo. A cabeça do corpo (Colossenses 1:18) – Todo funcionamento do corpo será eficaz a partir da consciência de que é a parte inferior do todo enquanto Cristo é a cabeça, e, como autoridade é de onde sai às decisões sempre de acordo com a vontade e visão de Deus.

03 Motivação para Servir

Fazendo tudo para Glória de Deus

“E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão” (1 Coríntios 3:12-14) Tendo em vista que, de acordo com a disposição do próprio Jesus, somos chamados a servir e não para sermos servidos, então não podemos desfalecer, não podemos perder o foco. Isso se vê claramente ao longo do ministério de Jesus, pontuando três das Suas falas que considero de muita importância para todos que desejem no coração ser alcançados pela visão de Deus: a) Tratar dos negócios do Pai. Naquele episódio do sumiço de Jesus, Maria e José ao retornarem caminho de volta a Jerusalém encontram Jesus aonde? Na casa do Pai. Fazendo o que? Eis a resposta de Jesus: “Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? - Lucas 2:49. Que as pessoas e principalmente o nosso Deus nos encontrem assim: na casa d'Ele, não especificamente no prédio da igreja, mas no corpo, tratando dos negócios d'Ele); b)Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Lucas 4:8). A experiência da tentação de Jesus deixa muito bem entendido que o propósito do tentador naquele momento era impedir que a obra da redenção fosse realizada por Jesus. Assim também, cada um de nós é tentado a sobre a nossa missão de realizar o que nos é proposto por Deus como membros do corpo de Cristo. Em momentos assim, é importante ter em mente o que está escrito sobre o nosso serviço para o bom combate como parte do corpo. c) Trabalho consumado. Assim declara Jesus ao Pai, concluindo ali o seu ministério na terra (João 19) nos ensinando que teremos de prestar contas daquilo que de nós for requerido: O sangue derramado, o sacrifício feito, discípulos treinados, visão transmitida - o trabalho estava terminado.

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Quem não vive para servir...

·O que para os algozes e executores era o fim, na realidade estava apenas no começo de respostas e amostras de que o treinamento de Jesus foi eficaz: ali mesmo, aparece José de Arimatéia para servir a Deus retirando o corpo de Jesus da cruz e ainda cedendo o túmulo para o sepultamento – João 19:38; aparece também Nicodemos com uma mistura de mirra e aloés para servir a Deus ajudando preparar o corpo para a sepultura com panos de linho e especiarias.

Conclusão Sirva, pois há algo que precisa ser feito com a força de suas mãos: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Eclesiastes 9:10a), e saiba que à medida que as coisas vão acontecendo através de sua vida para edificação do corpo, o nome do Senhor é glorificado, e, se quiser vencer todo desânimo e oposição que se apresentar diante de você, tenha a atitude de fazer tudo para glória de Deus, não importando o tamanho dos seus recursos, seja uma vara, sejam cinco pedras, seja uma informação, sejam cinco pães e dois peixes, você é um vaso de honra a serviço de Deus para abençoar o Seus, lembrando-se de que você não é a resposta de Deus para todas as pessoas, para isso existe o corpo de Cristo, como bem disse o filósofo dinamarquês e reformador religioso Soren Kierkegaard: “A questão é entender a mim mesmo, enxergar o que Deus realmente quer que eu faça... encontrar a idéia pela qual eu possa viver e morrer”.

Perguntas para Reflexão 1. O que Jesus quer nos ensinar com a bacia e a toalha? 2. O que nos motiva a servir uns aos outros? 3. O pedacinho que ocupo no corpo está nutrindo aos outros ou somente absorvendo dos outros?

Anotações

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Lição 10

Uma Re-visão da nossa ‘‘visão de serviço’‘ Texto: Marcos 10:45

Introdução

Q

uem conhece o panorama evangélico dos últimos 50 anos talvez já tenha percebido o quanto a igreja evangélica no Brasil oscilou entre alguns extremos. É que nas décadas de 50 e 60, por causa do liberalismo econômico e da concepção teológica norte-americana sofremos alguma influência em nossa prática religiosa. Também a repressão durante a ditadura militar, por um tempo nos empurrou a uma prática cristã socialmente inócua, carregada do pavor de nos assemelharmos aos movimentos de esquerda, fazendo com que a igreja preferisse uma atuação “supra-espiritual”, impossibilitando-nos de um maior envolvimento em questões que pudessem parecer de cunho político. Sofreram com isso as iniciativas de solidariedade aos pobres e necessitados. Mas quando enfim vieram os 70 e 80, surgiram teólogos de grande influência no mundo cristão que apostaram também em movimentos sociais e de certa maneira isso acabou tocando a igreja evangélica, atraído-a novamente para ações de caráter beneficente, conectadas à realidade de nosso povo. Mas aí vieram os anos 90, de grande ênfase neoliberal, arrefecendo a onda de preocupações sociais e, por fim, passados os 10 anos da virada do milênio, cá estamos nós às voltas com o possível fracasso dos modelos econômicos de abrangência global que poderiam mudar a face das coisas. No entanto, levantando nossos olhos continuamos a ver grandes necessidades de pão e de Evangelho pelo mundo. Ainda estamos em busca da síntese perfeita: crescer ou servir? (parecem questões incompatíveis!). É que a ânsia de crescer como igreja (para alguns ministérios apenas) parece não combinar muito com ação social; preocupar-se tanto com o desvalido (looser=perdedor), pra muitos soa como “perda de tempo” e isso é um erro terrível. Não é o Evangelho que se aprende de Jesus! Após tantos ziguezagues, continuamos perguntando como igreja: “o que virá?” e ainda questionamos qual é nosso papel nesta terra. Assim, por circunstâncias do mundo ou da cultura (fatores externos) ou por circunstâncias da carne (fatores internos), como veremos a seguir, fomos levados a esvaziar a visão de serviço que sempre coube à igreja de Deus!

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Uma Re-visão de nossa ‘‘visão de serviço’‘

01 As muitas desculpas para correr do Serviço Em cada uma das fases enumeradas anteriormente, a teologia popular, usando até a bíblia, arrumava jeito de justificar omissões ou prioridades que fossem mais fáceis e leves, para que a vida em igreja pudesse se tornar algo mais ameno, menos comprometida socialmente, etc. Ainda hoje pulsa em nosso meio uma tendência bastante ligada a teologia da prosperidade: entretenimento & auto-ajuda. Contudo, graças a Deus, que por “obra e ação do Espírito Santo” isso parece estar mudando; cada vez mais, ministérios têm finalmente alcançado a tal síntese perfeita no tocante a relevância e a globalidade de suas ações, sejam elas voltadas aos domésticos da fé, como também no atendimento aos não crentes. E com isso, o serviço interno, o zelo, a manutenção, a comunhão e o espírito cooperativo em igreja acabam ganhando novo fôlego. Com isso também é possível ver que o evangelismo, outrora tímido e local, está ganhando uma envergadura regional e também transcultural. O fôlego vem de Deus! E ao mesmo tempo a igreja cuida dos seus domésticos da fé de modo mais arrojado, contextualizado, enxergando-os de um modo mais global. Ninguém precisa “correr do serviço”. No Senhor nenhum esforço é em vão!

02 Igreja que serve Por mais oscilações que a igreja tenha vivenciado ao longo de dois mil anos de história e de tantas mudanças no cenário político mundial, o retrato fornecido por Jesus e os relatos sobre como pensava a igreja primitiva nos indicam de maneira irrefutável: a igreja de Jesus servia como Jesus serviu. Na mesma proporção que a igreja buscava recursos para “acontecer” também buscava recursos em “favor do outro”:

2 Coríntios 8:1-5 e 9:6-11 / Efésios 4:28b Em diversas situações Jesus trouxe o assunto à baila e conjugou o verbo com a maior naturalidade: “eu sirvo, tu deves servir, eles devem servir”. Ao todo, as palavras: “servo” e “servir”, são mencionadas 1452 vezes na bíblia, sendo que Jesus expressou essa verdade na maioria esmagadora dos seus ensinamentos. Quando vemos Jesus agindo nos Evangelhos ele estava servindo. Quando vemos Jesus falando nos Evangelhos ele estava ensinando a servir. Portanto, a igreja que surgiu imediatamente após sua assunção refletia perfeitamente o caráter de seu serviço.

03 Cinco dimensões do Serviço 1. Servir a Deus é servir... A trindade! Em toda a Sua suficiência, soberania e poder e tendo em Sua mão uma incontável hoste celestial, ainda assim, Deus nos prefere como parceiros e ajudadores em seu reino. E por isso, Ele mesmo traçou uma variedade caminhos ou áreas onde o nosso serviço é sempre muito bemvindo, “obrigado”. Escola Bíblica Discipuladora

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Lição 10

No entanto, há um tipo de serviço que se trata de algo fundamentalmente espiritual: começa dentro de nós, em nosso coração, em nossa mente, em nossa alma, em nosso espírito! Neste trabalho (em parceria com O Espírito Santo) geramos oração, intercessão, adoração, contemplação, concordância, inspiração, sentimentos elevados. É uma dimensão fundamental! Dela partem todas as outras dimensões. Todo serviço a Deus começa dentro da gente e termina no outro, no próximo. Confirme isso em Romanos 1:9

2. Servir a Deus é servir... À Família! Diz o ditado: “quem casa, quer ter casa”. Na verdade, quem casa procura família! Ao contrário do impulso egoísta do ser humano que procura casar para constituir um reduto particular que só traz benefício a si mesmo, o casamento e a família precisa se tornar um grande exercício de auto-sacrifício, de amor altruísta e dedicação ao próximo que é “mais próximo” que os outros: ou seja, estamos falando do nosso parente, esposo, esposa, filho e filha. Quem renega ou fere essa verdade não conhece a Deus, não conhece a Cristo! Devemos estar atentos em sermos solidários, frutíferos, construtivos, dentro de nossa casa! Confirme isso em I Timóteo 5:8 e Efésios 5:25

3. Servir a Deus é servir... À Igreja! Numa terceira instância, servir a igreja é o caminho natural de quem comprovadamente ama a Deus e também a própria família! Isso porque se você ama sua família e é membro de igreja, sabe que, aquilo que te faz também poderá fazer bem aos seus; então, desejará inserir sua família na doce, e porque não, difícil “comunhão em igreja”? É em família que podemos aprender que servir a Deus em igreja amplia o cuidado de Deus que tem seu foco na humanidade toda (pois ele quer que todos os homens sejam salvos!). Assim, a igreja se torna sentinela da humanidade, contudo, só cumprirá bem tal propósito se for assistida por servos dedicados e disponíveis. Qualquer família saudável (salva e abençoada) também tem prazer, interesse, apreço em servir a Deus na igreja. A igreja é de Cristo, se a servimos, servimos a Ele! Confirme isso em Atos 20:28

4. Servir a Deus é servir... À sociedade! É claro que tudo que estiver ao alcance da igreja fazer para aliviar determinadas aflições ou injustiças que povoam o mundo em que vivemos, precisa ser feito: e o leque é bem amplo! Podemos atender muito bem ao necessitado que bata à nossa porta, ou quem sabe, criar ações externas, fundar instituições, associações, coordenar ações sociais, participar de campanhas, enfim... Que não nos falte criatividade e nem a visão de serviço que pode ser facilmente adquirida através de Jesus! Confirme isso em Mateus 5:16 e I Pedro 2:12

5. Servir a Deus é servir... A “mim mesmo?!” Jesus nos lembrou da necessidade de amarmos ao próximo como a nós... (Marcos 12:33). Primeira confusão a ser desfeita: esta ordem dada por Deus não significa “amar primeiramente a nós mesmos e depois ao próximo”.

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Uma Re-visão de nossa ‘‘visão de serviço’‘

É preciso interpretar corretamente esse texto: Jesus nos incita a amar ao próximo com a MESMA intensidade que amamos a nós mesmos! Não é uma questão de ordem, mas sim, de proporção! Temos natureza egoísta, logo, Deus não nos daria uma ordem incoerente como alguns procuram distorcer para reforçar e garantir algum sentimento em favor de si mesmo! Outro aspecto dessa quinta colocação é: mas seria possível servirmos a nós mesmos? Dá pra explicar. Podemos dizer que é preciso “servir a nós mesmos de maneira adequada”, porque, com muita freqüência a gente não sabe o que de fato é bom pra gente mesmo! Então, toda escolha deve ser avaliada tomando como parâmetro à boa, perfeita e agradável vontade de Deus pra nossas vidas! Vejamos o sentido real dessa dimensão de serviço: se o homem natural ou o carnal têm dificuldade de saber a diferença entre aquilo que ele “deseja” e aquilo que ele “precisa”, via de regra, as pessoas sem os parâmetros de Deus não conseguirão fazer de fato bem a si mesmas! É isso! Assim, fazer única e absolutamente a minha própria vontade pode ser um “desserviço” a mim mesmo e a Deus, pois pertencemos a Ele! Já, fazer a vontade Dele é um grande serviço a nós mesmos e a Ele! Confirme isso em Provérbios 14; 12 – I Coríntios 3:16-19

Conclusão Há muito serviço diante de nós e a exemplo de Jesus ninguém tem desculpas para “parar de servir”, afinal, Deus criou todas as coisas e permanece até hoje ativo e criativo. Porque ficar parado? - “Meu Pai trabalha até agora e eu também” – João 5:17.

Anotações

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Lição 11

Comunhão que nasce na eternidade. Texto: I João 1:1-3

Introdução

S

egundo Willian Barclay comunhão é aquele vinculo que liga os cristãos uns aos outros e a Deus. A relação eu o outro e Deus só é possível por causa de Jesus Cristo ele é o fundamento da unidade na igreja. Em Cristo não há barreiras nos relacionamentos. N`ele pessoas de todas as etnias, nações línguas e posições sociais são chamadas à fé, todos podem fazer parte da família de Deus. (Efésios 2:19). A proposta das duas próximas lições é nos fazer refletir sobre o propósito da comunhão. Nesta lição entenderemos a origem da comunhão entre os crentes e sua justificativa nos textos sagrados; na próxima lição seremos convidados a repensar nossa vida em comunidade.

01 Porque a comunhão nasce da eternidade? É na eternidade que os propósitos de Deus para a humanidade vieram a existência. O maior evento da história da salvação que aconteceu pouco mais de 2.000 anos atrás, mas, na mente e nos eternos propósitos de Deus já estava estabelecido (leia Isaías 53: 10-12; Efésio 1:4; I Pedro 1: 20; Apocalipse 13:8). Uma leitura atenciosa do texto base nos traz algumas informações importantes sobre esta questão, no versículo 2 e 3 João fala da vida eterna que estava com o Pai, mas que agora foi manifestada e testemunhada por ele e os outros apóstolos. Qual o objetivo da vida eterna? João responderia que é a comunhão que podemos ter com o Pai o Filho e o Espírito Santo. Vida eterna é relacionamento! Isto significa a eternidade toda glorificando a Deus e desfrutando de sua presença. Para compreendermos melhor a proposta de João é preciso termos em mente um dos pontos mais importantes da fé cristã - a doutrina da redenção, especificamente o tópico em que fala da reconciliação. A reconciliação reata o relacionamento com Deus e ainda produz no coração do homem: Paz de Deus: “e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade; e, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto” (Efésios 2:16, 17). Acesso a Deus: “por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes” (Romanos 5:2) Garantia de salvação: “... fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Romanos 5:10) “... agora, contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis” (Colossenses 1:22).

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Comunhão que nasce na Eternidade

O Catecismo Maior de Westminster traz a seguinte pergunta seguida de resposta: Que é a comunhão em graça que os membros da Igreja invisível têm com Cristo? A comunhão em graça que os membros da Igreja invisível têm com Cristo é a participação da virtude da sua mediação, na justificação, adoção, santificação e tudo o que nesta vida manifesta a união com Ele. (Romanos 8:30; Efésios 1:5; I Coríntios. 1:30).

02 Comunhão gera unidade na Igreja Segundo João, o propósito inteiro de seu evangelho é para que os irmãos tivessem comunhão com eles – os apóstolos. Isto significava compartilhar a mesma fé, amor e compreensão do evangelho. Os apóstolos foram os depositários da doutrina de Cristo caberia as igrejas estarem atentas aos seus ensinos, porque falavam de tinham visto, ouvido, contemplado e apalpado (Atos 2:42a; I João 1:1) João falava algo mais que ter tudo em comum falava em unidade a relação entre os irmãos era padrão para definir o nível de maturidade comprometimento destes com o evangelho. O que Jesus, Lucas, Paulo. Pedro e os reformadores falaram sobre unidade?

Conceito de Unidade em Jesus Na perspectiva de Jesus a comunhão tem movimento dinâmico no sentido vertical e horizontal. Este aspecto nos é apresentado em alguns momentos de seu ministério seja através de metáforas ou exemplos práticos: a) A metáfora da videira. Nela temos uma lição de unidade onde o Pai, o Filho e a igreja, são apresentados como pessoas com papéis distintos que trabalham para o mesmo fim - glorificar ao Pai (João 15: 1,5,8); b) O exemplo da bacia e a toalha. Embora largamente representado como símbolos de serviço, tem lições valiosas sobre comunhão. Jesus ensina aos discípulos a partir deste ato a terem uma relação de amor e respeito uns para com os outros (João 13:1, 8,12-15, 34-35); c)A oração de João 17. Jesus ao fazer um relatório de sua missão na terra elucida a unidade que tinha com o Pai na eternidade passada. Na mesma oração intercede pela unidade e santificação da igreja. Isto implica em a igreja viver no mundo como o mundo é, mas sem ter comunhão com o mundo, ao contrário disso ser aperfeiçoada no amor. (cap. 17:1-26 )

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Lição 11

03 Unidade na Diversidade Lucas O evangelho de Lucas pode ser facilmente alcunhado de o evangelho da inclusão; o livro traz uma seleção de texto do ministério de Jesus, que elucida a ação missionária includente de Jesus as classes de pessoas que eram desprezadas, marginalizadas ou consideradas menos merecedoras da graça de Deus são chamadas para uma posição de destaque na narrativa de Lucas: O autor mostra a receptividade de Cristo para com todo tipo de pessoas: Samaritanos – 9.52-56; Pagãos (2.32; 3.6-8); Judeus (1.33; 2.10); Mulheres; Publicanos; Pessoas respeitáveis (7.36; 11.37; 14.1); pobres (1.53; 2.7; 6.20); ricos (19.2; 23.50). Mateus até cita alguns desses fatos, mas Lucas da mais ênfase aos detalhes. A ênfase de Lucas é mostrar quem são os cidadãos do reino de Deus.

Em Atos Uma das características mais marcante do dia de pentecostes foi o falar em línguas cada um ouvindo no seu próprio idioma, (Atos 2:6). Em pentecostes uma barreira que foi imposta por Deus aos seres humanos, por causa da desobediência dos seres humanos, lá em Babel (Gênesis 11:1-9) foi derrubada e Deus visitou o seu povo e rompeu com a barreira da incompreensão. Atos 2 nos dá o molde de como a igreja deve ser; pessoas adorando a Deus a sua própria maneira.

Paulo: comunhão e edificação nos ajuntamentos Nos escritos paulinos a temática da unidade é largamente explorada. Paulo exorta a igreja de Corinto para que entenda o princípio básico da comunhão - a edificação mútua. Os ajuntamentos deveriam servir para a edificação através daquilo que cada um poderia oferecer, sejam salmos, doutrina e revelação, seja na ceia do Senhor (I Coríntios 11: 20-22; 14: 26). Toda prática litúrgica precisa ter sempre o objetivo de contribuir para o crescimento dos irmãos e irmãs. Metáforas do corpo: a igreja funciona como o corpo humano onde cada membro é diferente do outro, mas todos trabalham para o bom funcionamento do corpo. Quando um membro perde a capacidade de trabalhar todo o corpo sofre. Assim é a igreja quando a comunhão é rompida todos os membros sofrem, gera insatisfação, murmuração, acúmulo de trabalho para outros membros e desonra para o corpo como um todo. (I Coríntios 12: 12-13) Unidos pela Cruz de Cristo: Ao escrever a igreja de Éfeso Paulo mostra o lugar em que nós pecadores gentios estávamos sem Cristo; separados, distantes, estranhos, sem esperança e sem Deus. Cristo nos chamou para perto, através da cruz nos aproximou de Deus, então não somos mais abandonados indigentes ou forasteiros temos uma identidade que nos da direito a cidadania, e mais que isso fazer parte de uma família – a família de Deus (Efésios 2: 11-22). Leia ainda Efésios 4:1-6.

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Comunhão que nasce na Eternidade

Pedro: um edifício em contrução Nos escritos de Pedro também podemos extrair algumas lições sobre a comunhão e unidade da igreja, Pedro chama a igreja de “Pedras que vivem” arraigadas na “Pedra que vive,” agrupadas para a edificação de uma casa espiritual. E ainda a igreja é chamada de “sacerdotes de Deus para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus.” Estas características apresentadas por Pedro têm um objetivo didático que será evidenciado nos próximos capítulos da carta. A prática da vida cristã é direcionada pela comunhão com Cristo; a relação com as autoridades (I Pedro 2:13,15,17); a relação com patrões (I Pedro 2:18, 20); nas relações matrimoniais (I Pedro 3:1,7); o amor entre os irmãos e irmãs (I Pedro 3: 8, 9; 4: 7-11).

Conclusão Pensar em unidade e comunhão é aceitar o outro como ele é. Na história de missões existem muitos relatos de missionários, que por falta de preparo e discernimento, chegavam a tribos ou comunidades de culturas exóticas e tentavam incutir costumes europeus, americanos, etc. nas pessoas. Autora desta lição presenciou em uma comunidade no sul do Brasil um projeto social onde ensinava a língua alemã a crianças brasileiras que tinham dificuldade de aprendizagem, não sabiam ler e nem escrever em português, não tinham alimento em casa e condições de moradia e higiene precárias. Mas estavam aprendendo outro idioma (pouco popular), de valeria mesmo, dentro da realidade sócio-economica destas crianças? Este tipo de situação acontece porque existe em nós uma dificuldade em conviver com as diferenças. Este é o desafio de uma igreja que celebra a maturidade.

Anotações

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Lição 12

A vida em Comunidade Texto: Atos 2:42

‘‘Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.’‘ - Atos 2:42

Introdução

V

iver em comunidade é um dos grandes desafios do presente século, onde cada vez mais o individualismo é supervalorizado. A possibilidade de se viver sozinho, ou cultivar relacionamentos apenas através das redes sociais, ou seja, de forma impessoal, está influenciando diretivamente o relacionamento na comunidade cristã. O valor dado ao individual faz com que muitos, de maneira errônea, acreditem que o viver em comunhão com o próximo é algo supérfluo, desnecessário. Mas podemos observar em Atos 2.42-47, o que foi vivido na primeira comunidade cristã, que sobre a base de fé comum se produziu uma comunhão íntima com Deus e entre os cristãos, e a adoção de uma nova forma de viver que promove mudanças profundas na ordem social e nas relações humanas, tudo em meio a um ambiente de alegria, humildade e louvor. A comunhão é uma necessidade urgente para qualquer igreja que confessa ter Jesus Cristo como O Cabeça. Somos o Corpo de Cristo e, por isso, temos que praticar a comunhão entre nós (1Co. 12.12). Não fomos chamados para o isolamento. Pelo contrário, fomos intimados por Deus a viver um só Senhor, uma só fé, um só batismo (Ef 4.5). “Comunhão é estar tão comprometido uns com os outros quanto estamos com Cristo” (Rick Warren). Assim sendo, temos que ser vigilantes e perguntar a nós mesmos se estamos praticando a comunhão na maneira como o Senhor requer de nós. Paulo fala sobre essa comunhão e mostra a existência de uma interdependência total entre os membros do Corpo de Cristo. Nenhum desses membros tem o direito de dizer que não depende do outro. Todos têm que ser tratados de igual forma. Não há lugar para exaltação de um e menosprezo do outro. Não existe um mais importante que o outro. Todos fazem parte do corpo de Cristo. O objetivo de tudo isso é para que não haja divisão na Igreja, “mas sim que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos os outros” (1Co 12.25). Isso é a prática da comunhão no corpo de Cristo.

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A Vida em Comunidade

01 Investindo na Comunhão Viver em comunidade é um dos grandes desafios do presente século, onde cada vez mais o individualismo é supervalorizado. A possibilidade de se viver sozinho, ou cultivar relacionamentos apenas através das redes sociais, ou seja, de forma impessoal, está influenciando diretivamente o relacionamento na comunidade cristã. O valor dado ao individual faz com que muitos, de maneira errônea, acreditem que o viver em comunhão com o próximo é algo supérfluo, desnecessário. Mas podemos observar em Atos 2.42-47, o que foi vivido na primeira comunidade cristã, que sobre a base de fé comum se produziu uma comunhão íntima com Deus e entre os cristãos, e a adoção de uma nova forma de viver que promove mudanças profundas na ordem social e nas relações humanas, tudo em meio a um ambiente de alegria, humildade e louvor. A comunhão é uma necessidade urgente para qualquer igreja que confessa ter Jesus Cristo como O Cabeça. Somos o Corpo de Cristo e, por isso, temos que praticar a comunhão entre nós (1Co. 12.12). Não fomos chamados para o isolamento. Pelo contrário, fomos intimados por Deus a viver um só Senhor, uma só fé, um só batismo (Ef 4.5). “Comunhão é estar tão comprometido uns com os outros quanto estamos com Cristo” (Rick Warren). Assim sendo, temos que ser vigilantes e perguntar a nós mesmos se estamos praticando a comunhão na maneira como o Senhor requer de nós. Paulo fala sobre essa comunhão e mostra a existência de uma interdependência total entre os membros do Corpo de Cristo. Nenhum desses membros tem o direito de dizer que não depende do outro. Todos têm que ser tratados de igual forma. Não há lugar para exaltação de um e menosprezo do outro. Não existe um mais importante que o outro. Todos fazem parte do corpo de Cristo. O objetivo de tudo isso é para que não haja divisão na Igreja, “mas sim que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos os outros” (1Co 12.25). Isso é a prática da comunhão no corpo de Cristo.

Quando a comunhão pode ser rompida a)Quando não se tem cuidado com a língua (1Co 15.33; Pv 20.19; Pv 6.16-19). A nossa fala pode matar um irmão. Precisamos estar sempre vigilantes com o que pensamos e falamos. Em Tiago 1.26 diz que “... se não souber controlar a língua, a sua religião não vale nada...” As intrigas, fofocas, juntamente com a imaturidade e a visão distorcida podem minar com todo o relacionamento cultivado dentro de uma comunidade cristã. Use sua boca para abençoar. b) Quando as diferenças não são respeitadas ou levadas em consideração (1Co 12.4-6). Uma igreja é composta de pessoas muito diferentes entre si. Nela há brancos e negros, ricos e pobres, doutores e analfabetos, homens e mulheres crianças e adultos. Ainda sim, existe uma comunhão entre todos, porque essa comunhão que se estabelece é pela obra do Espírito Santo.

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Lição 11

Mesmo servindo em diferentes ministérios, podemos entender que o espírito por traz de todos eles é o mesmo, o Espírito de Deus. Temos diferentes formas de atuação, mas Deus é quem deve ser o responsável por tudo isso em nossa vida. Assim aprendemos a viver em unidade sem perder a diversidade. c) Quando não há comunicação entre líderes, liderados e ministérios (Ef 4.15,16). “... a verdade com espírito de amor...” Este é um ótimo critério para nos orientar em nossos relacionamentos e comunicações. Falar a verdade sem amor geralmente só provocará dor, destruição e ressentimento. Ser amoroso sem revelar a verdade acaba construindo um relacionamento sobre terreno falso e enganoso, que não se sustentará e não ajudará o outro a crescer. O diálogo sempre será essencial para se promover um relacionamento saudável. Os ministérios, da igreja local, precisam se comunicar para que os propósitos almejados sejam compridos. Este tipo de atitude evitará constrangimentos, irritabilidades e outros sentimentos maus entre os irmãos.

A Comunhão que favorece o Crescimento a) Exige esforço conjunto (Ef 4.15,16). “... o corpo todo cresce e se desenvolve por meio do amor.” Para haver crescimento verdadeiro e completo, sejamos verdadeiros e amorosos. b) Precisa estar firmada em Jesus (At 2.42,47). “... todos continuavam firmes, os apóstolos faziam muitos milagres e maravilhas, todos os que criam estavam juntos e unidos e repartiam uns com os outros o que tinham. Todos os dias, unidos, se reuniam no pátio do Templo. Louvavam a Deus por tudo e eram estimados por todos; e o Senhor juntava ao grupo as pessoas que iam sendo salvas”. Quando se produz sobre a base da fé uma comunhão íntima com Deus e entre os cristãos o crescimento é inevitável. c)Reconhece a dependência que temos do outro. (Ro 12.4,5). Somos diferentes, mas não separados um do outro. Estamos todos interligados e interdependentes; precisamos uns dos outros. Como irmãos e irmãs, filhos e filhas de um mesmo Pai, somos convidados a aprender de Deus a aceitação inclusiva, que não faz distinção entre seus filhos e filhas. 54

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A Vida em Comunidade

Conclusão Leia Filipenses 2.1-5 Somos imensamente honrados pela habitação do Espírito de Cristo, que nos une a Ele. Esta união nos anima e nos dá força. Meditemos neste glorioso fato e vivamos sobre este poder de vida e gozo que transborda nos relacionamentos em bondade e misericórdia para com todos. Cada pessoa dispõe de características físicas, intelectuais e de personalidade únicas; ao mesmo tempo compartilhamos características comuns com os outros, desde os familiares até os mais distantes. Esta solidariedade requer uma compreensão e um agir responsável, pois afetamos a vida uns dos outros. As Escrituras aqui nos exortam a construir consensos, a sermos agradecidos e a construir conjuntamente, reconhecendo o valor de cada vida, sem exceção.

Anotações

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COLABORADORES

LIÇÃO 01 | 11 Evane A. S. Lima LIÇÃO 02 | 03 Peter K. A. Machado LIÇÃO 04 Walisson S. Lima LIÇÃO 05 Pr. Cleydemir O. Santos LIÇÃO 06 | 10 Pr. Marcello Fiorentini LIÇÃO 07 Glauber L. X. Soares LIÇÃO 08 Galvani Moreira LIÇÃO 09 Pr. Sebastião Ferreira Cezar LIÇÃO 12 Darlen C. Coelho


Correção DARLEN CRISTINA EVANE LIMA GLAUCIMAR FERREIRA Arte e Diagramação GLAUBER FILHO

COLABORADORES

Revisão EVANE LIMA


Referências Bibliográficas Lição 01 A Bíblia e o Futuro, Hoekema, Casa Editora Presbiteriana Opções Contemporâneas na Escatologia, Erickson, Vida Nova Esboço de Teologia Sistemática. A.B. LANGSTON. Juerp. Rio de Janeiro. 1997, Teologia Sistemática, Louis Berkhof, Campinas: LPC, 1995 Manual de Teologia Sistemática. Wayne GRUDEM Edições Vida Nova. São Paulo. 1999. Introdução à teologia Sistemática, Millard J. Erickson: 2ª edição, Edições Vida Nova, São Paulo, 1998. Bíblia de Estudo de Genebra – revista e atualizada no Brasil. Cultura Cristã, SBB

Lição 02 e 03 http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante http://www.mackenzie.br/acessado http://www.monergismo.com/textos/calvinismo/calvinismo http://www.teuministerio.com.br http://www.espacoacademico.com.br/ Uma Breve História do Mundo - Editora Fundamento História e Vida integrada - Editora ática História Global Brasil e Geral - Gilberto Cotrim História Geral - Editora FTD História Do Mundo Ocidental - Editora FTD História das cavernas ao terceiro milênio- Editora Moderna. História - Editora Ática Bíblia Revista e Atualizada – 2ª Edição Stanley HORTON, Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

Lição 04 Manual de fé Batista Nacional. http://www.cbn.org.br/ http://www.embh.com.br/igrejas/convencao-batista-nacional-seccao-mg/ http://cleudf.blogs.sapo.pt/21090 http://portalibm.com/quem-somos http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Batista_Nacional Primeira Igreja Batista Nacional de Ipatinga


Referências Bibliográficas Lição 05 W. Robert Godfrey, Agradando a Deus em nossa adoração, Cuiabá, 2004 Shedd, Bíblia – edições Vida Nova – São Paulo, 1998 Warren, Rick – Uma Igreja com Propósitos – Ed. Vida, São Paulo, 1997

Lição 06 Chave Bíblica - Sociedade Bíblica do Brasil (Versão revista e atualizada de João Ferreira de Almeida) Pequena Enciclopédia Bíblica O.S. Boyer - Editora Vida - 22ª Edição / 1996 Bíblia Vida Nova - Traduzida de João Ferreira de Almeida - Edição Revista e atualizada. 2ª Edição - 1995. Editora: Soc. Religiosa Edições Vid Nova - Editor: Russel P. Shedd

Lição 07 Chave Bíblica - Sociedade Bíblica do Brasil (Versão revista e atualizada de João Ferreira de Almeida) Pequena Enciclopédia Bíblica O.S. Boyer - Editora Vida - 22ª Edição / 1996 Bíblia Vida Nova - Traduzida de João Ferreira de Almeida - Edição Revista e atualizada. 2ª Edição - 1995. Editora: Soc. Religiosa Edições Vid Nova - Editor: Russel P. Shedd

Lição 08 Warren e David Wiersbe – Making sense of the ministry Stanley M. Horton (CPAD) – I e II Coríntios, os problemas da igreja e suas soluções. Bíblia de Estudo Pentecostal

Lição 09 Quem é você no Corpo de Cristo – Lida E. Knight – Editora Luz Para o Caminho Eu, um Servo? Você está brincando! – Charles R. Swuindoll – Editora Betânia O Novo Comentário da Bíblia – Edições Vida Nova

Lição 10 Chave Bíblica - Sociedade Bíblica do Brasil (Versão revista e atualizada de João Ferreira de Almeida) Pequena Enciclopédia Bíblica O.S. Boyer - Editora Vida - 22ª Edição / 1996 Bíblia Vida Nova - Traduzida de João Ferreira de Almeida - Edição Revista e atualizada. 2ª Edição - 1995. Editora: Soc. Religiosa Edições Vid Nova - Editor: Russel P. Shedd Escola Bíblica Discipuladora


Referências Bibliográficas Lição 11 Bíblia de Estudo de Genebra – revista e atualizada no Brasil. Cultura Cristã, SBB CEZAR, Sebastião Ferreira. Princípios elementares da fé Cristã II – Os passos da Salvação II, Pibani, 2011 DIDAQUÊ: Em que cremos? exemplar 46, Lição 10; Manhumirim, 1999. Disponível em http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismomaior_westminster.htm/ acessado em 04-01-12

Lição 12 SOUZA, Marcos Ferreira. Relacionamentos Interpessoais – Editora Profetizando Vida Edição Abril/2000; Belo Horizonte/MG ZABATIERO, Júlio. Fundamentos da Teologia Prática – Editora Mundo Cristão; São Paulo2005 WITT, Lance; GLADEN, Steve. Smaill Groups (Pequenos Grupos)- Ministério Propósitos; São José dos Campos/SP – 2005 Bíblia De Estudo Conselheiro /Novo Testamento – Tradução Linguagem de Hoje. Sociedade Bíblica do Brasil. Barueri/SP – 2011 WARREN, Rick. Igreja Com Propósitos – Editora Vida – São Paulo -1998 Para contra capa (colorido)

Primeira Igreja Batista Nacional de Ipatinga


Símbolo Convenção Batista Nacional

Chamas = Poder de Deus, Avivamento, Fogo do Espírito Santo, Santificação.

Representação do globo, o Mundo. Nele está inserido o Brasil.

Blocos diferentes, unidos, formando um só corpo. Unidade na diversidade.

Formas geométricas que parecem parênteses, indicando união, reunião, ato de reunir.

Objeto da união, motivo. Isolados podemos ser fortes, mas juntos podemos mais.

Escola Bíblica Discipuladora


Primeira Igreja Batista Nacional de Ipatinga Rua Varginha, 84 - Centro - Ipatinga/MG www.pibani.org.br

31 3822.1480


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revista EBD

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