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4ª Edição - Março 2017

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HISTÓRICO

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NOTÍCIAS

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SOLIDARIEDADE

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cultura

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RECEITA

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Agenda de Abril

Editora: Diana Bernardo Design: Anne-Claire Pickard newsletteracademiabacalhau@gmail.com


Histórico A história até à inauguração Pelos compadres desta Academia

“Depois do regresso de África, os primeiros tempos de adaptação a Portugal não foram fáceis”. Só quem passou por aquele Continente e ali viveu durante uns tempos é que pode verdadeiramente apreciar quão grande é a mudança de usos e costumes, de ambientes e da própria maneira de viver e de ser. Não e, portanto, de estranhar que os “africa-

Academia do Bacalhau da Costa do Estoril

nos” se procurem mutuamente, para, em conjunto, reviverem o passado recente. A Academia do Bacalhau, com as suas raízes, e o seu “modus vivendi”, foi, para muitos de nós, o escape que nos ajudou no recomeço de uma nova vida. Ali encontramos velhos amigos, gente com quem facilmente nos identificávamos, que conhecíamos e nos conheciam. Quem estava a morar ao longo da “linha”, ia de vez em quando aos almoços da Academia de Lisboa. Porém, a ida a Lisboa não se tornava

fácil. Se íamos de carro, era o tráfego da autoestrada, as portagens, o trânsito em Lisboa, o estacionamento, e tudo o mais que se nos deparava, de maneira que tinha mesmo de haver muito boa vontade para se almoçar com os amigos. “Dia de almoço, dia perdido”- diziam aqueles que ainda exercem a sua atividade. Essa foi, primordialmente, a razão

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que fez surgir em alguns de nós, daqueles que se deslocavam de vez em quando a Lisboa, a ideia de formarmos a nossa própria Academia. A ideia tomou forma, a mensagem foi passada de uns para os outros. Todos os que vivíamos deste lado aderimos à ideia que para nós se tornava tão conveniente. O telefone estabeleceu o contato, criou o circui-


Histórico

to. Restava apenas dar corpo àquilo que todos nos pretendíamos. Primeira Reunião Foi no dia 11 de março de 1995 que nos reunimos no que seria o nosso primeiro almoço. O local escolhido, propriedade também de um ex-residente em Joanesburgo, foi a Casa da Ponte, em Manique de Baixo. Ali se congregaram os compadres Carlos

Academia do Bacalhau da Costa do Estoril era novo para nós, porque existia a experiência de muitos anos. Assim, para além do agradável convívio, a reunião serviu apenas para que fossem votados os corpos-gerentes da futura Academia, e para que fossem tomadas as decisões necessárias à nossa apresentação como Academia no próximo Congresso, que seria o do Porto. Das nossas intenções demos conta por carta datada de 11/04/95, enviada em mão própria à Academia-Mãe, como mandam as normas, sendo seu transportador o Compadre Ramiro Jorge, ao tempo Presidente da Academia-Mãe. Foi este Compadre que, conhecendo bem o grupo proponente e o ambiente académico que se vivia já então no nosso seio, onde já estivera e partilhara dos nossos almoços-convívio, se prontificou a advogar a nossa causa. Nessa carta dava-se conta também de como tinha ficado constituída a Direção provisória da Academia, a saber: como Presidente Provisório, Carlos Oliveira, tendo como vices,

de Oliveira, Carlos Machado, Carlos Demétrio, João Rosa Pinto, Norberto Madeira, Firmino Silva, Jorge Simmons, Manuel Amaro e Pedro Amaro. As normas, já as conhecíamos. Nada

“Quem estava a morar ao longo da “linha”, ia de vez em quando aos almoços da Academia de Lisboa. Porém, a ida a Lisboa não se tornava fácil.” 3

Nota A ideia era abordar o histórico das Academias pela sua ordem de criação. A quarta Academia a ser oficializada foi a de Mbabane (Suazilândia), que foi contatada para o efeito mas não enviou os conteúdos solicitados. Foi então publicado este artigo em substituição. O objetivo é continuar pela ordem de oficialização das Academias, tanto quanto possível.

Norberto Madeira e Firmino Silva. Como Secretários ficaram Carlos Machado e João Rosa Pinto, tendo Carlos Demétrio Silva sido designado para o cargo de Tesoureiro. Jorge Simmons foi o escolhido para Relações Publicas, e tanto Manuel como Pedro Amaro ficaram como Vogais. Para surpresa nossa, começamos a ouvir rumores de que a nossa intenção estava a ser bastante criticada – imagine-se – não pelos interessados, que, neste caso, seria a Academia de Lisboa, mas, pelos


Histórico compadres da Academia-Mãe, que se insurgiram contra a criação de mais uma Academia como se isso fosse alguma anomalia, citando todos os inconvenientes que a nossa abertura poderia acarretar. Sabendo antecipadamente que a propagação do ideal das Academias, onde quer que existisse um grupo de portugueses, sempre foi o lema das mesmas, não compreendíamos a razão de tanta contestação, e decidimos continuar, como se de nada tivéssemos conhecimento. Entretanto, uma nova carta foi endereçada à Academia-Mãe, em Joanesburgo, com data de 13 de julho de 1995, onde dávamos conta da nossa intenção de respeitar as normas e explicamos as razões básicas que nos levaram a criar esta Academia, afinal, as razões descritas no início deste artigo. Mais explicávamos que tivéramos o cuidado de efetuar os nossos almoços-convívio quinzenalmente, às quintas-feiras, intercalados com os

“Foi no dia 11 de março de 1995 que nos reunimos no que seria o nosso primeiro almoço.”

Academia do Bacalhau da Costa do Estoril

almoços da Academia de Lisboa, daí o facto de não poder haver competição com aqueles, mas sim, uma adição aos mesmos. Pedíamos ainda que o nosso pedido fosse aceite, de maneira a poder ser ainda aprovado no Congresso a realizar no Porto, nos dias oito, nove e dez de setembro daquele ano. Entretanto, as nossas reuniões quinzenais na Casa da Ponte continuaram, tendo cada um de nós a missão de comunicar o facto a todos aqueles que conhecíamos, e dando preferência aos que tinham passado pela África do Sul. – Porém, já alguns de nós conheciam pessoas que reuniam o perfil de futuros compadres e, como resultado, o grupo foi engrossando. Foi um dos membros desse ainda pequeno grupo, o Compadre Ribeiro Gomes, que ofereceu a sua casa de campo nas imediações de Santarém, para ali se fazer uma petisqueira e assim podermos divulgar a Acade-

mia e os seus princípios junto dos convivas, que perfizeram um total de … trinta! Chegou-se a uma altura em que já não cabíamos na pequena sala de jantar da Casa da Ponte, e assim, com muita mágoa nossa e do casal Silva – que ficaria ligado à história da nossa Academia – tivemos que procurar lugar mais amplo, que pudesse albergar aquele grupo de novos e velhos compadres, a engrossar de almoço para almoço. Coincidiu esta mudança com a abertura da Casa do Cajica, em Carcavelos, propriedade do Compadre Jorge Simmons, e durante alguns meses foi este o sítio do nosso encontro quinzenal. Contudo, com o aumento constante do número de compadres, uma vez mais tivemos que mudar de poiso, e tendo chegado a acordo com a INATEL, ali reunimos durante alguns meses. Havia apenas um inconve-

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niente, falta de privacidade! As nossas praxes, de Badalo e “Gavião do Penacho”, surpreendiam aqueles que almoçavam no espaço contíguo, suscitando curiosidade e os mais variados comentários, e, à saída éramos olhados como se de aves raras se tratasse. Tudo isso nos levou a procurar um novo poiso, tendo chegado a acordo com o Hotel de Inglaterra. A partir de então foi o local a base dos nossos convívios, e onde permaneceríamos até a data da nossa inauguração oficial, em 28 de dezembro de 1996, não havendo, por parte de todos os compadres, qualquer tipo de reclamação contra o que quer que fosse. Para trás tinha ficado a nossa participação no Congresso do Porto, onde a intervenção do nosso Presidente Carlos Oliveira, suscitou momentos de alta tensão pois, embora não tivéssemos infringido quaisquer das normas vigentes nas Academias e tivéssemos participado antecipadamente ao Congresso a nossa pretensão, houve quem não aceitasse que a nossa proposta de abertura ali fosse lida. Mesmo assim, devemos ao Compadre Ramiro Jorge – nessa data ainda no exercício da sua Presi-


Histórico

Academia do Bacalhau da Costa do Estoril

“Para surpresa nossa, começamos a ouvir rumores de que a nossa intenção estava a ser bastante criticada pelos compadres da Academia-Mãe”

dência da Academia-Mãe - e à sua coragem, a leitura desse documento; porém, esse facto não foi suficiente para que a nossa abertura fosse aprovada nesse ano. No ano seguinte, estivemos representados no Congresso de Durban, e aí já a

nossa presença - representada pelo Compadre João Rosa Pinto - foi premiada com a chamada para a mesa do Congresso. Uma vez mais, ali foi defendida a nossa causa, tendo sido aprovada oficialmente a abertura da Academia da Costa do Estoril para

esse ano. Antecipando a possibilidade de a abertura da Academia se vir a verificar, como veio, no Hotel Palácio, do Estoril, ali decidimos efetuar alguns almoços para nos habituarmos ao pessoal e ao ambiente. Num desses almoços, tivemos a grata pre-

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sença do Presidente da Câmara de Cascais, José Luís Judas, bem como do Comendador Horácio Roque, que à data já sabíamos ir ser um dos nossos patrocinadores para a Festa de Inauguração. Houve uma corrente favorável as férias de Verão seguinte para a abertura, tanto mais que sabíamos ser essa a época em que muitos compadres da África do Sul se encontravam em Portugal. Por azar nosso, todas as datas que propusemos aos hotéis da zona do Estoril, foram por estes recusadas, uma vez que se encontravam cheios. De adiamento em adiamento, e, para evitar que mais um ano-calendário avançasse, decidimos ir para a única data aberta, em fins de 96, tendo o Hotel Palácio sido o eleito para a festa que nos propúnhamos.


NOTÍCIAS José Contente reeleito presidente da Academia-Mãe até 2019

Texto: Michael Gillbee / Fotos: Carlos da Silva

Por Jornal “O Século”

José Contente foi reeleito presidente da Academia do Bacalhau de Joanesburgo até 2019, por unanimidade e aclamação, no dia 2 de março. A Assembleia-Geral e o convívio da Academia-Mãe tiveram lugar na União Portuguesa, em Turffontein, num evento contou com 47 compadres e comadres. O adágio popular “em equipa que ganha não se mexe” aplicou-se na perfeição, pois por total unanimidade e aclamação, José Manuel Contente foi reeleito presidente da Academia-Mãe. O antigo presidente da tertúlia, compadre honorário Silvério Silva, a exercer por delegação as funções do presidente honorário Adriano Leão (ausente por motivos de doença), propôs à assembleia que Contente ocupasse o cargo até 2019, isto porque em 2018 a Academia-Mãe irá celebrar 50 anos de existência e organizará o Congresso Mundial das Academias, justificando-se a continuidade com o

Joanesburgo, África do Sul

facto de não haver interrupções no trabalho de organização e gestão do certame. “Comadres, compadres”, começou por declarar Contente no seu discurso de aceitação, “não era este o plano. Primeiro, quero agradecer a confiança depositada em mim, quero agradecer à minha esposa por todo o apoio e ajuda e ao meu executivo. Peço-vos, que quando vos pedir ajuda, não me virem as costas porque eu estou aqui hoje, a dar a cara e o melhor pela nossa Comunidade e Tertúlia. Podem contar comigo e vamos trabalhar para fazer de 2018 o maior e melhor Congresso de sempre”, concluiu o presidente. Mas antes da eleição, procedeu-se ao fecho do mandato anterior. O compadre Vasco de Abreu, tesoureiro, apresentou o relatório de contas da Academia e informou que, pela primeira vez na história da tertúlia, superou-se o milhão de randes em receitas e donativos angariados. Esta última informação valeu uma forte e longa salva de palmas por parte dos presentes. O compadre Abreu informou os compadres e comadres que o total de receitas da gerência do ano findo a 24 de fevereiro foi de R1,544,124 e o total de despesas e doações foi de

R992,504,88, o que deixou um saldo positivo de mais de meio milhão de randes na conta corrente da Academia-Mãe.

“Em 2018 a AcademiaMãe irá celebrar 50 anos de existência e organizará o Congresso Mundial das Academias” 6

Vasco de Abreu declarou que “é um bocado complicado andar com a casa às costas, mas temos conseguido, por vezes semanas em sucessão, ter almoços patrocinados e conseguimos aumentar as receitas das quotas pagas pelos compadres, as receitas angariadas e o número de presenças nos almoços”. O tesoureiro aproveitou para informar que o excedente na conta da Academia servirá já para ajudar a organizar o Congresso Mundial


NOTÍCIAS

das Academias. Foram também distribuídos cheques ao compadre Gilberto Martins - R25.000 para o Centro de Dia “Coração de Maria” – e à comadre honorária Isabel Policarpo, presidente da Direção da Sociedade Portuguesa de Beneficência - R100.000 com destino ao Lar de Idosos Rainha Santa Isabel. Seguidamente, o presidente fez o balanço do seu mandato ao apresentar o relatório da presidência. Abordou, entre outros temas, o périplo iniciado no seu segundo mandato, com o apelo de pelo menos um patrocínio mensal dos almoços. “No que toca aos almoços

Joanesburgo, África do Sul

das quintas-feiras, patrocinados pelos nossos compadres, quero mais uma vez agradecer-lhes do fundo do coração, pois inicialmente o pedido era de pelo menos um almoço por mês e tivemos ocasiões onde fomos patrocinados em sucessão, tendo as nossas economias aumentado substancialmente. Contabilizamos um valor aproximado de 180.000 randes no total destes patrocínios. Bem hajam e, se possível, deem continuação a este tipo de apoio em 2017.” “Para distribuição dos fundos angariados para as nossas ações de solidariedade social, as institui-

ções contempladas foram, como no passado, a SPB e o seu Lar Rainha Santa Isabel, o Lar de Nossa Senhora de Fátima de Benoni, o Centro de Dia do Núcleo de Arte – “Coração de Maria”, o St. Patricks Mother Theresa de La Rochelle, o Bienvenu Shelter , o Grupo HELPO e a Casa do Gaiato em Moçambique”, listou. Continuou dizendo que “durante este período, juntaram-se a nós 41 novos membros sendo 35 compadres e 6 comadres que recebemos de braços abertos. Registámos a presença nos almoços das quintas-feiras, um total de 1,630 com-

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padres e comadres (um aumento substancial de 17% face ao ano passado) que reconhecemos e louvamos pela participação.” Após a intervenção do presidente, foi-lhe feita uma homenagem com uma ovação, de pé, que lhe valeu também uma forte e longa salva de palmas. O compadre Jorge Araújo propôs de imediato um “Gavião de Penacho” ao presidente e ao seu executivo, o que foi prontamente feito por todos. Assim, José Manuel Contente cessou o seu mandato de presidente da Academia-Mãe do Bacalhau, para de imediato começar um novo.


NOTÍCIAS

Lyon, França

Lyon festejou 10º aniversário

© Fotos: Estelle Guerreiro

Com Lusojornal / Jorge Campos

No dia 4 de março, a Academia do Bacalhau de Lyon organizou o seu jantar-espetáculo de gala, no quadro do seu 10° aniversário, já festejado oficialmente em junho passado. A sala de festas da cidade de Ecully foi o local onde cerca de quatrocentos convivas - os compadres, as comadres e os amigos festejaram este aniversário com um espetáculo apresentado pelo jovem grupo “Sangre Latino” e o conjunto “Nova Imagem”, que animou o baile desta festa de aniversário. O Presidente José Proença começou por agradecer a presença de todos os presentes, em especial ao Maire de Ecully, Yves-Marie Uhlrich, e ao presidente da associação portuguesa local, David Antunes, “que colaboraram connosco para que este encontro fosse possível”. Também agradeceu a presença do representante da Cônsul Geral de Portugal Maria de Fátima Mendes, o Vice-Cônsul Sabino Pereira, o deputado Carlos Gonçalves, o Conselheiro das Comunidades Manuel Cardia Lima, o Presidente da Academia do Bacalhau de Paris

Fernando Lopes, e o Presidente do Banque BCP Jean-Philippe Diehl. “E também agradeço a todos vós, compadres e comadres, que preparastes esta sala, a disposição das mesas e a sua decoração”. Depois, José Proença anunciou que a receita final do jantar seria entregue à associação “Ela” que

“A receita final do jantar seria entregue à associação “Ela” que trabalha na pesquisa de soluções para doenças” 8

trabalha na pesquisa de soluções para doenças como a leuco distrofia. Para além das receitas do jantar, foram ainda angariados fundos através da realização de uma tômbola, onde se sorteou uma semana de férias no Algarve, um prémio oferecido pelo compadre João Domingues.


NOTÍCIAS A Academia do Bacalhau de Lyon conta hoje com cerca de oitenta compadres e comadres que se reúnem no seu habitual jantar de recolha de fundos todas as terceiras sextas-feiras do mês. Para que este evento fosse uma realidade, a direção da Academia fez apelo a parcerias de empresas da região, que responderam afirmativamente. O jovem grupo “Sangre Ibérico”, convidado a apresentar o seu espetáculo musical, teve grande sucesso junto do público presente. Vindos de Lisboa, apresentaram sonoridades ibéricas, em espanhol e português, daí o nome “Sangre Ibérico”. Para a banda, foi o primeiro concerto internacional e o grupo tem já prevista a saída do seu primeiro trabalho em CD, no mês de abril, com doze títulos, com vários temas inéditos. A Academia do Bacalhau de

Lyon, França

Lyon começou a formar-se em 2003. Num jantar entre amigos, foi proposto e decido constituir uma Academia do Bacalhau em Lyon e foi nomeada uma direção que conduziu a mesma à oficialização. Foi no Congresso Mundial das Academias no Estoril que a candidatura foi apresentada e aceite. A Academia que amadrinhou a tertúlia recém-formada foi a Academia do Bacalhau de Paris, o que permitiu a oficialização da Academia do Bacalhau de Lyon no dia 23 junho de 2006, uma cerimónia que juntou compadres e comadres das Academias do mundo inteiro.

“O jovem grupo “Sangre Ibérico”, convidado a apresentar o seu espetáculo musical, teve grande sucesso junto do público presente” 9


NOTÍCIAS Primeiro jantar da nova direção

A 16 de março, a Academia do Bacalhau de Paris realizou o seu primeiro jantar sob o mandato da nova direção, presidida por Fernando Lopes. O evento decorreu na Sala Vasco da Gama, em Valenton, enquadrado na 15ª Semana da Gastronomia Portuguesa. À porta da sala, a acolher os convivas, estavam o presidente da ABP, Fernando Lopes, e a vice-presidente Josefina Rodrigues, que ofereceram um cocktail de boas-vindas a todos os compadres e comadres. 238 pessoas encheram a sala, num caloroso ambiente de convívio e boa disposição. As iguarias da noite foram servidas pelos dois restaurantes presentes na Semana da Gastronomia, o Torres e o Tentações da Montanha. Fernando Lopes começou por agradecer aos antigos presidentes da ABP porque “sem eles, não estaria ali”. Mais tarde, toda a direção seria chamada a

“238 pessoas encheram a sala, num caloroso ambiente de convívio e boa disposição”

Paris, França

pôr-se de pé, com o presidente a declarar aos compadres que “estas pessoas estão aqui para vos servir”. A noite serviu para o lançamento de uma nova versão do livrete que acompanha todos os jantares da ABP. Intitulado “Tertúlias”, conta agora com uma dimensão maior, mais conteúdo e uma agenda de todos os eventos do ano, cumprindo assim uma das promessas da nova direção. Nesta noite de festa foram apadrinhados cinco novos compadres e comadres, que se sentaram na mesa do presidente – algo que Fernando Lopes declarou ser seu objetivo que aconteça em todos os jantares em que haja apadrinhamentos. Kelly de Sousa foi apadrinhada por Alexandre Lopes, Nathalie Vinhas Pereira por Josefina Rodrigues, Leonel Rebelo por António Albuquerque Moniz, Daniel de Sousa Ferreira por José Gonçalves e Georges Neves por Fernando Lopes. Foram ainda apresentados dez novos compadres para apadrinhamento nos próximos eventos. A recém-formada ABP Júnior começou já a mostrar o seu carácter dinâmico, vendendo doces feitos pelos jovens, de maneira a angariar fundos. Com a ajuda do supermercado “Saveurs du Portugal” e de alguns compadres que ofereceram frascos e tecidos,

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foram feitas dezenas de doces, vendidos com sucesso durante a noite. Cinco caricaturistas circularam pelas mesas, desenhando retratos dos convivas, que arrancaram sorrisos a todos. Os caricaturados podiam depois fazer uma contribuição financeira que achassem justa pelo retrato. Manuel Moreira, o carrasco da noite, circulou pelas mesas a multar as pessoas que não cumpriram as regras dos jantares das Academias. Inclusivamente, multou o presidente Fernando Lopes que, apesar de ter relembrado as regras aos presentes, esqueceu-se de dizer aos seus afilhados que é obrigatório usar gravata nos jantares.

As receitas conseguidas através dos doces e das caricaturas, juntamente com o valor das multas e doações dos presentes perfizeram um total de cerca de 3.500€. A noite terminou com os compadres a entoar o hino das Academias do Bacalhau acompanhados pela nova versão do mesmo, gravada pelo compadre e cantor Luís Filipe Reis. O próximo jantar da ABP realiza-se a 7 de abril no restaurante Le Lisbonne, em Paris. Foi ainda anunciado um evento de verão, um programa de descoberta do Douro, em Portugal, a decorrer a 8 e 9 de agosto, com um custo de 195€ para compadres e comadres com a quota a dia.


NOTÍCIAS Academia fez jantar com tema dos Anos 20

Por Glória Silva, Academia de Rouen A Academia do Bacalhau de Rouen realizou mais um jantar de amizade, onde os Anos 20 foram o tema da noite. Noite também de música com o grupo Tempo Jazz Quartet, de Rouen.

Rouen, França

Magnífico! Aqueceram-nos o coração pois tocaram quatro músicas portuguesas, o que nos fez estar mais perto do nosso “cantinho à beira mar plantado”. Presentes nesta bela manifestação de amizade estiveram comadres e compadres da Academia madrinha de Paris. É com muito gosto que os acolhemos mais a norte - obrigada ao compadre presidente Fernando Lopes

e toda a sua “diligência”. Presentes estiveram também os responsáveis da rádio portuguesa em Rouen, a Rádio Figo, que se juntaram às nossas causas e fizeram um donativo à Academia no valor de mil euros que, sem dúvida, vão ser empregues para ajudar os mais necessitados. A Rádio Figo esta em antena aos sábados de manhã e às segundas e quartas-feiras das 19h00 às 22h00, e pode ser escutada na frequência da rádio Beur FM 98.7. A Academia do Bacalhau de Rouen continua a crescer e foi com prazer que mais duas comadres e dois compadres aceitaram as regras das Academias e, assim, passaram a fazer parte desta fantástica família bacalhoeira. Bem-vindos! A Academia do Bacalhau de Rouen tem o seu próximo jantar agendado para o dia 16 de junho. Se o tempo assim o permitir, vai ser realizado na rua com uma noite de fado... Não, não fomos expulsos por não pagar a renda, apenas queremos aproveitar a vida! Junte-se a nós!

“Mais duas comadres e dois compadres aceitaram as regras das Academias e, assim, passaram a fazer parte desta fantástica família bacalhoeira.” 11


NOTÍCIAS Entre passado e futuro

Por Isabel Delgado, Academia de Setúbal Desde a sua fundação que a Academia do Bacalhau de Setúbal se tem reunido mensalmente de forma ininterrupta. De acordo com a tradição das Academias madrinhas da Costa do Estoril e de Lisboa, também a Academia do Bacalhau de Setúbal iniciou as suas tertúlias à hora de almoço no conhecido Restaurante “O Quintal”, mas logo após a oficialização, em outubro de 2010, constatámos que, à comunidade setubalense, melhor se adequava a realização das nossas tertúlias mensais em jantar, o que mantém até hoje. Atualmente reunimos à ultima quarta-feira do mês no Hotel do Sado, contando com uma média de trinta convivas. Contudo, trimestralmente organizamos eventos extraordinários com uma média de participação superior. Estes eventos ocorrem normalmente noutro dia e local, até porque pretendem promover o que temos melhor na região e, assim, atrair família e amigos dos compadres e comadres Setubalenses, bem como como compadres de outras Academias que, com regularidade,

Setúbal, Portugal

aderem a estas iniciativas pela singularidade dos respetivos programas. Referimo-nos ao nosso jantar na Adega no início da Primavera, evento em ambiente típico com prova de vinhos e música ao vivo, assim como ao nosso já emblemático cruzeiro no rio Sado no início do Verão, a bordo de um dos Galeões do Sal, durante o qual podemos disfrutar da beleza da baía do Sado e observar a comunidade de golfinhos aí residente. Os últimos jantares-convívio realizaram-se a 25 de janeiro e 22 de fevereiro, ambos no Hotel do Sado, e a 24 de março teve lugar o já tradicional Jantar na Adega com música ao vivo, desta vez na Quinta de Alcube, reconhecido produtor vinícola da região localizado no coração da Serra da Arrábida. Fecharemos o semestre com a realização, no final de junho, de mais um Cruzeiro no Rio Sado, para o qual convidamos desde já todos os compadres e comadres de todas as Academias irmãs. Todas estas informações encontram-se disponíveis no nosso site e o registo dos nossos eventos no grupo fechado do Facebook: www.academiabacalhausetubal. com www.facebook.com/groups/ ab.setubal

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“Constatámos que, à comunidade setubalense, melhor se adequava a realização das nossas tertúlias mensais em jantar, o que mantém até hoje”

Próximos eventos da Academia do Bacalhau de Setúbal Jantares regulares na última quarta-feira de cada mês 25 de junho – passeio no Sado 28 de outubro – jantar do 7º aniversário 13 de dezembro – jantar de Natal


NOTÍCIAS Evento no Hotel Quinta do Serrado

Na última quinta-feira de fevereiro, e tal como sempre tem sucedido, a Academia do Bacalhau do Porto Santo reuniu os seus compadres para mais um convívio. Desta feita, o mesmo teve lugar no restaurante do ”Hotel Quinta do Serrado”, uma bela unidade hoteleira que marca o turismo no Porto Santo, pois é um hotel de montanha, mas a pouco tempo da praia, que é o maior ponto de referência da ilha no panorama internacional. Mais de duas dezenas e meia de compadres e seus convidados marcaram presença, no sítio do Pedregal, para um jantar muito saboroso, com um “bacalhau com todos”, que decorreu de forma muito agradável e que levou a que, no final, o presidente da Academia Porto-santense tenha pedido um Gavião de Penacho para todo o staff do restaurante que esteve presente na sala. Como é habitual também, e para além da verba que foi recolhida para fins sociais pelas entradas para o convívio, mais uma ajuda foi dada pela coleta efetuada com o badalo no final do jantar.

Porto Santo, Portugal

Para terminar o convívio, foi ainda feita a votação para a eleição do restaurante “Rei do Bacalhau 2017”, após o que foi entoado um último Gavião de Penacho, ficando logo agendado novo convívio para o dia 30 de março, no “Restaurante Café da Marina”, na Marina do Porto, da Ilha de Porto Santo.

“Mais uma ajuda foi dada pela coleta efetuada com o badalo no final do jantar.”

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NOTÍCIAS Tertúlia em Figueira de Castelo Rodrigo

Por jornal “Mundo Português” O restaurante típico Taverna da Matilde, em Figueira de Castelo Rodrigo, foi o local escolhido para esta tertúlia de amigos. Como é habitual, a ementa foi composta por pratos de bacalhau confecionados com o maior requinte acompanhados pelos vinhos da Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo. Alexandrino Costa, presidente do Centro Cultural ‘Os Serranos’ de Newark marcou presença nesta tertúlia e depois de eleger o carrasco e apresentar os novos compadres, explicou os objetivos solidários destas tertúlias “as Academias do Bacalhau têm a particularidade de ajudar quem mais necessita e esta Academia já começa a dar alguns frutos. Já entregámos alguns donativos com aquilo que conseguimos

Serra da Estrela, Portugal

juntar nestas tertúlias”, referiu. No final do seu discurso Alexandrino Costa agradeceu o acolhimento do município a esta tertúlia referindo que “espero que Figueira de Castelo Rodrigo continue a receber as pessoas como tem sabido receber”. José Luís Cabral, presidente desta Academia, por sua vez, começou por explicar a história das Academias do Bacalhau e referir que “a Academia do Bacalhau da

Serra da Estrela existe oficialmente desde que foi aprovada no Congresso Mundial, em setembro do ano passado, e nós queremos ter a dimensão que a Serra da Estrela nos possibilita. Neste momento, já angariámos mais de 5000€ para várias campanhas que levámos a cabo. Apoiámos a recuperação da casa de uma senhora em Gouveia, apoiámos uma associação de apoio aos animais, outra associação em

“O presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo agradeceu à Academia do Bacalhau da Serra da Estrela pela generosidade para com as instituições” 14

Fornos de Algodres e hoje vamos apoiar uma instituição local que o senhor presidente da Câmara escolheu e vai anunciar no final do jantar”. Perto do final, foram atribuídas pelo carrasco as multas aos compadres mais incautos e que durante o jantar prevaricaram das mais variadas maneiras. O valor resultante destas multas reverte para fins de solidariedade.


NOTÍCIAS

No final, o presidente da Academia anunciou a entrega de um donativo no valor de 500€ à Fundação Dona Ana Paula. Paulo Langrouva, na qualidade de presidente do município, recebeu o donativo para entregar à instituição e explicou que “esta fundação foi oferecida por uma benemérita que decidiu deixar um edifício, que queria destinado à finalidade de uma creche e ATL. Hoje cobre várias valências

Serra da Estrela, Portugal

até ao pré-escolar e tem creche dos 3 aos 5 anos. Esta fundação vive com algumas dificuldades e conta também com o apoio do município. Precisa de concretizar algumas obras de melhoria das condições principalmente para as crianças que têm algumas deficiências. Têm também um ATL e um serviço de refeições para os meninos do 1º ciclo, bem como um serviço de refeições para carenciados. Acho

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que faz todo o sentido atribuir esta verba à Fundação Dona Ana Paula e penso que esta ficará muito grata por esta doação. Estou convicto que será muito útil para a concretização dos tais pequenos arranjos que são necessários neste edifício que já tem alguns anos e carece de algumas melhorias”. No final, o presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo agradeceu “à Academia do Baca-

lhau da Serra da Estrela, por terem esta generosidade para com as instituições, ou associações que precisam de apoio e, como sabemos, vivem muitas delas com grandes dificuldades”. O jantar terminou com a entoação de um Gavião de Penacho para agradecer aos compadres presentes e em especial às comadres que, como sempre, marcaram presença nesta tertúlia de amigos.


SOLIDARIEDADE Sol Fraterno: uma tia que caiu do Céu

Céu Cunha, mais conhecida como Tia Céu, trabalhava na Câmara Municipal de Oeiras mas foi dispensada porque não podiam passa-la a funcionária efetiva, uma vez que não tem nacionalidade portuguesa, embora tenha deixado a Angola natal há várias décadas. Mas, com a fé segura que tem em Deus, e porque “Ele escreve direito por linhas tortas”, passou a dedicar o seu tempo a ajudar o próximo. Cerca de quatro anos depois, é a personificação perfeita de que “há males que vêm por bem”. Tia Céu criou a Sol Fraterno, uma associação de solidariedade social, sediada no concelho de Oeiras, que tem como objetivo apoiar crianças, jovens, idosos e famílias, assim como promover a integração social e comunitária. A diferença entre esta associação e muitas outras existentes no concelho é a rapidez com que responde aos apelos que lhe são

feitos, estando sempre disponível para providenciar um apoio rápido e eficaz. Todos os dias, entre as 19h00 e a 1h00 da manhã, membros da associação passam por restaurantes, cafés, supermercados e hotéis para recolher sobras alimentares que são depois levadas para o frigorífico da Sol Fraterno. No dia seguinte, a partir das 14h00, famílias do concelho chegam para recolher a refeição para mais um dia. Neste momento, a associação apoia 130 famílias de forma regular e dá ajuda continuada a quatro crianças e jovens com doenças graves. Isto para além das “emergências” que aparecem regularmente: há alguém a precisar de material médico? A Sol Fraterno não descansa até conseguir o necessário. Há crianças desprotegidas, abandonadas ou abusadas? A Tia Céu não hesita em abrir a porta de sua casa e acolhê-las até ser preciso, tornando-se tia – ou mãe – de mais alguém. Chegou a ter dezoito jovens em sua casa! Acredita que, ao estender-

“A associação apoia 130 famílias de forma regular e dá ajuda continuada a quatro crianças e jovens com doenças graves.” 16

-lhes a mão, ajudando-os a ter um presente melhor, estes jovens tornar-se-ão também adultos melhores no futuro. Quando abre a porta de sua casa, a Tia Céu abre também a porta à esperança num amanhã melhor para a sociedade em que vivemos. Começando do nada, a Tia Céu foi construindo um império de bem-fazer. Extremamente proativa, não mede esforços para divulgar a Sol Fraterno e para conseguir mais gente envolvida na causa, a colaborar com as necessidades da associação e das pessoas dela dependentes. A associação recolhe todo o material que lhe seja oferecido, vendendo-

-o depois na sua loja social – ou transformando-o noutros produtos que gerem lucro também. Nada se perde, tudo se transforma, e tudo é bem-vindo.


SOLIDARIEDADE

Com uma crescente exposição mediática, a Sol Fraterno foi ganhando também cada vez mais sócios e amigos, dentro e fora de portas. Há gente a apoiar a associação a partir da Suíça ou da Polónia, por exemplo. E gente de todo o lado em Portugal. Há também diversas empresas que fazem donativos regulares e à porta de quem a Sol Fraterno sabe que

pode bater quando se vê a braços com emergências. No verão de 2016, a Academia do Bacalhau de Lisboa (ABL) juntou-se à lista de parcerias da Sol Fraterno. Tudo começou quando a comadre Patrícia Cruz, que colaborava pontualmente com a associação da Tia Céu, precisou de encontrar uma associação que lhe passasse um recibo

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referente a material médico doado a uma pessoa em necessidade. Todas as associações lhe fecharam a porta exceto a Sol Fraterno. No seguimento, o presidente da ABL, Mário Nunes, visitou as instalações da associação e convidou a direção a estar presente num dos eventos seguintes da Academia. Foi assim que a Tia Céu, juntamente com dois colegas da direção, foi até ao Hotel Sana, em Lisboa, para descobrir o mundo das Academias do Bacalhau. E aí se solidificaria uma relação de entreajuda mútua. A ABL angariou 1.500€ que foram entregues à Sol Fraterno que, na altura, se via a braços com obras de requalificação da sua cozinha. Um valor insuficiente, tendo em conta os 40.000€ necessários mas que, sem dúvida, foi um contributo importante. Depois do primeiro jantar, a Tia Céu voltou a estar presente nas tertúlias da Academia do Bacalhau de Lisboa. E no seu jeito aberto e generoso de ser, foi conquistando os compadres e comadres de Lisboa, que vão ajudando a Sol Fraterno sempre que podem. Às vezes, há rifas que revertem a favor da associação, outras vezes a ABL doa bens à Sol Fraterno para que ela os venda ou rife, angariando mais fundos; os

apoios vão surgindo. Mas a relação não funciona apenas num sentido. Por exemplo, a ABL recebeu um pedido de ajuda por parte da Academia do Bacalhau de Maputo, que necessitava de roupa, calçado e material escolar para as crianças da Casa do Gaiato. A Sol Fraterno disponibilizou-se a ajudar e meteu mãos à obra, angariando um contentor de bens com destino a Moçambique. As bases estão lançadas para uma relação sólida e frutífera entre a Academia do Bacalhau de Lisboa e a Sol Fraterno. Nas palavras da comadre Patrícia Cruz, “às vezes é preciso levantarmo-nos da cadeira. Há associações que precisam de fundos mas não fazem nada. A Tia Céu faz!”. E porque o que tem feito até agora é verdadeiramente extraordinário, está a ser preparado um livro com a sua história, para a redação do qual a ABL também contribuiu financeiramente. Quando o livro estiver pronto e as receitas do mesmo começarem a chegar, a Céu já sabe que destino lhes dar: quer criar a Fundação Tia Céu, que se há-de dedicar a criar abrigos para todos aqueles que precisem. É que o coração de Tia Céu é gigante mas ainda não consegue albergar toda a gente – mas para lá caminha.


Cultura São Jorge: o filme português sobre os anos da troika

Nuno Lopes interpreta (São) Jorge, um pugilista desempregado que aceita um trabalho numa empresa de cobrança de dívidas como forma de garantir o sustento para a família e impedir que a ex-mulher regresse ao Brasil, levando o filho de ambos. Usando o seu corpo treinado, passa a intimidar pessoas que, tal como ele, se encontram numa situação desesperada. Rapidamente dá por si a atravessar a fronteira da moralidade e a entrar num mundo de criminalidade gerada pela pobreza e pela falta de alternativas. O mais recente filme de Marco Martins passa-se em bairros sociais de Setúbal e Seixal, no Portugal controlado pela troika do início desta década. “Para a minha geração foi um momento muito marcante, o momento da crise, o momento em que sentimos o país a afundar. Era um momento decisivo em que a própria soberania do país era posta em causa, a própria vontade dos cidadãos de atuar sobre a sua vida estava condicionada por uma vontade externa”, declarou à Lusa Marco Martins. A ideia partiu de Nuno Lopes, que a partilhou com o realizador que já o havia dirigido em Alice (2005) e Como Desenhar um Círculo Perfeito (2009). Mas o que começou como um

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filme sobre pugilismo, rapidamente avançou para um retrato do Portugal de há uns anos atrás, mergulhado numa intensa crise, económica e social. “Havia um hiato enorme entre o que se ouvia falar sobre a crise, nos telejornais e nas rádios, e aquilo que víamos todos os dias nos bairros sociais. Quisemos falar sobre esse hiato e quisemos pôr rostos e dar voz. O filme não procura dar uma resposta sobre o que deveria ter sido feito, mas aponta claramente um problema entre o que existia nas notícias e a realida-

de”, disse Nuno Lopes à Lusa. O filme, que estreou nas salas portuguesas no início do mês de março, já foi premiado em festivais internacionais. Nuno Lopes e Marco Martins foram premiados com os títulos de “Melhor Ator” e “Melhor Realizador” no primeiro Festival Internacional de Cinema de Macau. Nuno Lopes conquistou também prémio de “Melhor Ator” no Festival de Veneza, o que, para ele, “é importante para captar mais público para o cinema nacional”.

“O filme passa-se em bairros sociais de Setúbal e Seixal, no Portugal controlado pela troika do início desta década”


Receita Bacalhau à Gomes de Sá

Preparação:

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Com antecedência, escalde as postas de bacalhau durante 3 minutos, limpe-as de peles e espinhas e separe em lascas. Coloque-as num recipiente, cubra com leite quente e deixe repousar cerca de 1 hora.

Ingredientes: • 800 g bacalhau demolhado • 1 kg batatas grandes • 3 ovos cozidos • 3 cebolas

• 3 dentes de alho

• 2 dl azeite

• 1 ramo de salsa • q.b. sal

• q.b. pimenta

• azeitonas pretas

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Descasque e corte as cebolas em meias luas e coloque-as num tacho largo, refogando-as em azeite, juntamente com alho picado, até ficarem translúcidas. Ligue o forno a 200ºC.

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© Fonte: 1001receitas.com

Retire do forno e decore com ovos cozidos às rodelas ou picados, salsa picada e azeitonas pretas. Sirva quente. 19

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Ao mesmo tempo, coza as batatas inteiras e com pele em água temperada com sal grosso, mais ou menos durante 35 minutos, conforme o tamanho. Não deixe cozer demais. Deixe arrefecer um pouco, descasque-as e corte-as em pedaços pequenos.

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Junte as batatas e o bacalhau misturando o conjunto levemente para não desmanchar muito, mas de maneira a ficar incorporado na cebolada sem refogar (por isso o tacho largo). Retifique o sal e tempere com pimenta. Coloque num tabuleiro e leve ao forno 15 minutos, a alourar.


Agenda de Abril Faial, Portugal Dia 27, jantar às 20h00

Joanesburgo, África do Sul Almoços todas as quintas-feiras Lyon, França Dia 21, jantar Namíbia Dia 8, às 13h00 Almoço no restaurante Social, em Windhoek New Jersey, Estados Unidos Dia 17, no P.I.S.C Elizabeth, New Jersey Festa do 17º aniversário Paris, França Dia 7, às 19h30 Jantar no Restaurante Le Lisbonne São Miguel, Portugal Dia 5, jantar Casa do Bacalhau de Ponta Delgada Setúbal, Portugal Dia 26, jantar 20

Newsletter 4 - Abril 2017  

Edição nº4 da newsletter das Academias do Bacalhau - Abril 2017

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