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Alf창ndega do Porto


FACHADA OCIDENTAL, DA «CASA DO INFANTE», ANTES DO RESTAURO - FOTOGRAFIA POR J. M. A. J.


O primeiro edifício da Alfândega surge no reinado de D. Afonso IV, quando este mandou fazer o ‘’almazém e alffandega’’, nas traseiras da rua da Fonte Taurina, em 1320. Este armazém serviria para resguardar as mercadorias que até então se encontravam dispersas por várias casas, onde corriam o risco de extravio ou então de não haver lugar para descarga. No entanto, a construção deste edifício está marcada por conflitos, já que a posição do rei ao mandar construir tais armazéns foi mal recebida pelo bispo, que então reclamava os seus direitos em tal intervenção real no seu domínio. Levantaram-se então questões que recaiam sobre o limite dos territórios mas cedo vence a posição real, facilitada pela ausência do bispo em Avinhão. Aquando o regresso deste, já todas as casas do Almazém estavam construídas, servindo de Alfândega, reclamando o rei a dízima sobre todas as coisas que entrassem por mar, entregando à Igreja do Porto a redízima. Esta solução originou ainda mais conflitos e o bispo retirou-se novamente, perante um tumulto popular. Um acordo chega depois, com a intervenção do Papa, determinando que as casas ali continuassem mas que a Coroa pagasse o foro à Mitra. Actualmente o edifício da Alfândega Velha é a Casa do Infante, e recebe este nome dado que se considera que lá terá nascido o Infante D. Henrique, aquando duma visita à Cidade.

Primeiro Almazém e Alffândega


CIMA - O VELHO PÁTIO, CUJA ORIGEM REMONTA À IDADE MÉDIA – FOTOGRAFIA A. 1958 ESQUERDA - ENTRADA DA CASA DO INFANTE, ANTES DOS RESTAUROS – FOTOGRAFIA A. 1958 DIREITA - O INTERIOR DO ARMAZÉM, CHEIO DE MERCADORIA – FOTOGRAFIA A. 1958

8 De 1320 a 1860


ESCUDO PORTUGUÊS GRAVADO NA FACHADA DA ALFÂNDEGA VELHA. - FOTOGRAFIA POR MARCO GELEHRTER RICCA GONÇALVES

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Um Novo Espaço da Cidade

Em finais do século XVIII, um problema recorrente ao longo dos tempos veio agudizar-se: a falta de espaço para as mercadorias. Para temporariamente se resolver este problema, foram ocupados armazéns particulares, como o do Cais Novo, onde foram depositados géneros coloniais e do Brasil e o transformaram numa segunda casa alfandegária, denominada de “Alfândega de Massarelos”. Mas logo viu-se a necessidade da construção de um espaço comum, digno do comércio da cidade do Porto, para que as mercadorias não se encontrassem espalhadas pela cidade. Esta iniciativa surge após o Triunfo Liberal e à luz das mudanças que dele advieram, com especial incidência nos recursos e meios económicos para relançar a actividade comercial. Este processo suscitou interesse no corpo de comerciantes da cidade, e em particular num comerciante portuense de nome António José Borges, que teve uma atitude pró-activa neste assunto e que propôs novos locais para a construção do novo edíficio, enunciando os prós e os contras de cada um. Porém, este problema veio arrastar-se por décadas sem que nada fosse feito. A 16 de Junho de 1852 é que se deu o primeiro passo na resolução do problema, com a Carta de Lei que autorizava o governo a contrair um empréstimo de 240 contos para a construção da Alfândega Nova.

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A 22 de Julho, o governo constitui uma comissão encarregada de negociar o empréstimo e da escolha do local, tendo em conta os planos antigos e os modernos, agora elaborados pelo engenheiro Jean F.G. Colson, contratado pelo Ministério das Obras Públicas a cargo de Fontes Pereira de Melo. Em 1860 estava definido o plano para o novo complexo portuário, com a sua localização final na praia de Miragaia. Somente vinte anos depois esta obra viu-se acabada, com a colaboração de arquitectos e engenheiros portugueses como Francisco Mourão Pinheiro, Faustino José de Vitória e João Joaquim de Matos. Uma das características deste edifício é a maneira como se ligam três materiais tão distintos, como a pedra, o ferro e a madeira e vários tipos de estruturas: pilares e abóbadas em pedra nos pisos subterrâneos com colunas de ferro nas alas laterais dos pisos superiores. A sua fachada é rematada por um frontão neoclássico, sendo este o único elemento decorativo da fachada do edifício, onde reina a solidez, robustez e poder das suas paredes de granito. A praia de Miragaia desapareceu para dar lugar a esta plataforma, e adicionalmente foi criada a Rua Nova da Alfândega, que permitia melhor acesso ao edifício.

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«O novo edifício da alfândega do Porto consta de 3 corpos principais, já em relação à sua posição, já em relação aos fins para que são destinados. O corpo central do edifício, destinado para a administração, tem 62m,20 de comprimento e 53m,80 de largura. A face do lado do rio, tem 3 portas de largura de 3m,00 cada uma, para entrada na alfândega das mercadorias, e a face oposta, do lado de terra, tem ao centro uma única porta, para saída geral, de 3m,50 de largura. Em toda a extensão desta última face, e exteriormente ao edifício, há um pórtico de ferro, da largura de 6m,00 para o carregamento a coberto. Este corpo compõe-se, em geral, do rés do chão da altura de 9m,60, e de 1 andar de 5m,60 de altura até à parte superior do entablamento. Em partes há um entrecolo que divide a rés do chão do 1º andar, ficando então o rés do chão com a altura de 5,30 e o entrecolo com 4m,30. Ao centro d’este corpo há um frontão da altura de 5m,50, de maneira que a altura total da parte do edifício destinado para a administração, superior à dos outros corpos é de 20m,70. De um e outro lado do corpo central há 2 corpos laterais e simétricos, destinados para

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armazéns, os quais estão separados do dito corpo central por uma distância de 20m. Este intervalo é ocupado ao centro com um pateo de 20m,00 em quadro, e dos lados com 2 pequenos armazéns, da altura de 5m,30, completando a largura dos armazéns. (...) Nos extremos do edifício há ainda uns pequenos armazéns (...) destinados um para arrecadação de materiais inflamáveis e outro para mercadorias que não possam entrar imediatamente na alfândega, os quais são afastados do edifício por um pequeno pátio de 10m, no sentido do comprimento do mesmo, tendo do lado oposto, para simetria e isolamento, um outro pátio análogo. (...) Todos estes corpos ficam do lado do rio no mesmo alinhamento, o qual à vista das dimensões acima indicadas, é do comprimento total de 322m,15.» excerto do artigo no jornal “Comércio do Porto”

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Museu dos Transportes e da Comunicação

Actualmente, o edifício da Alfândega está destinado para o Museu dos Transportes e Comunicações, após uma renovação feita pelo arquitecto Souto Moura. Aqui podemos encontrar exposições de carácter permanente relacionadas com a comunicação e os transportes bem como exposições temporárias em colaboração com diversas identidades. Mas as actividades não se resumem somente à promoção e manutenção destas exposições. O museu ainda dispõe de um Centro de Formação que desenvolve acções no âmbito da museologia e as suas potencialidades e um Serviço Educativo e de Animação, que promove as relações entre o Museu e a comunidade, com programas lúdico-pedagógicos autónomos ou integrados em exposições. EXPOSIÇÕES PERMANENTES “O Automóvel no Espaço e no Tempo” A exposição permanente “O Automóvel no Espaço e no Tempo”, organizada pela Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações em colaboração com o Clube Português dos Automóveis Antigos, tem como conceito base a interpretação do fenómeno automóvel na sua relação com a história social do século XX. Pretende-se com esta exposição, compreender não só o aparecimento e evolução do automóvel enquanto máquina como analisar o seu impacte no espaço e no tempo das sociedades do século XX. Começando por uma abordagem cronológica da história do automóvel, analisam-se alguns dos factores mais marcantes,


reflexos da influência da generalização deste meio de transporte na nossa sociedade, economia e espaço urbano. “Comunicação do Conhecimento e da Imaginação” Parece natural associar a temática “comunicação” ao Museu dos Transportes e Comunicações. Nesse sentido, foi inaugurada a 21 de Fevereiro de 2002 a exposição permanente “Comunicação do Conhecimento e da Imaginação”, que ocupando uma área de 2.200 m2 no primeiro piso do Museu, se apresenta como um espaço expositivo, oficinal e laboratorial. Além das comunicações aí se “mostram” e interrogam os seus conteúdos privilegiados, o conhecimento e a imaginação, não enquanto um conjunto de saberes e obras já fixados e estabelecidos, esperando pacífica e pacientemente serem comunicados, mas enquanto actos, enquanto movimentos, enquanto desejo de conhecer e enquanto prazer de imaginar, dinâmicos, continuamente em mudança e transformação. De forma a completar a temática “Comunicações” tornando-a viva, activa e interventiva, é conferida na exposição, uma especial atenção aos novos processos comunicacionais, possibilitando aos visitantes um contacto experiencial com as seguintes áreas: habitação, jornal, televisão, rádio, ciência, novas tecnologias, imaginação e expressão. Em síntese, as relações complexas entre o conhecimento, a imaginação e a comunicação estão patentes nesta exposição, que procura contribuir para uma consciência crítica e participativa dos cidadãos.


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Centro de Congressos e Exposições

Desde as furnas, com a sua floresta de pilares em granito, até às amplas salas dos andares superiores, tanto orientadas para o Porto histórico como debruçadas sobre o rio Douro, a amplitude do edifício, acrescida ao encantamento vindo da arquitectura e monumentalidade do mesmo, fazem deste um lugar importante para a realização de congressos e grandes eventos. Entre eles destaca-se a VIII Cimeira Ibero-Americana, em Outubro de 1998, que com a presença de múltiplos chefes de Estado fez deste evento a realização de maior pendor simbólico. Ainda, foi local de acolhimento para o prestigiado Portugal Fashion 2011 e a feira Stock Off.

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SALA DO ARQUIVO Projectado para ser o Salão Nobre do Edifício da Alfândega, a sua construção não foi concluída devido a restrições orçamentais então verificadas. A recuperação pelo Arquitecto Souto Moura manteve o aspecto original do espaço dotando-o das infra-estruturas necessárias às novas funcionalidades: ar condicionado, vidros duplos, sistema de iluminação e de som. A actual Sala do Arquivo é caracterizada pela sua beleza, funcionalidade e polivalência. É utilizada para a realização de congressos, exposições, banquetes, apresentação de produtos, entre outros eventos.

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SALÃO NOBRE Orientado a Sul e com o rio Douro como cenário, faz ligação ao mesmo através de três portas amplas. Tem um pé-direito de 9 metros. As suas paredes estão decoradas com um conjunto de painéis da autoria de Martins Barata. Actualmente é utilizado para a realização de eventos institucionais, sessões solenes e jantares. FURNAS NASCENTE/POENTE Espaços totalmente construídos em cantaria, com 72 pilares em cada sala a sustentar um magnífico tecto abobadado. De uma verdadeira raridade em termos arquitectónicos, estas salas apresentam as características ideias para a realização de banquetes, exposições, ou feiras. PISO 0 NASCENTE/POENTE Construído para o armazenamento de mercadorias, foi recuperado pelo Arquitecto Souto Moura que manteve os trilhos outrora destinados à circulação de vagonetes. Dispõe de 98 colunas de ferro fundido que sustentam um tecto à cota de 4 metros. Destina-se actualmente à realização de exposições, jantares, cocktails e festas.

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SALテグ NOBRE

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SALテグ NOBRE

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FURNAS

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PISO 0 NASCENTE/ POENTE


Com 34.000 m² de área coberta, o edifício da Alfândega dispõe de mais espaços como a Sala dos Despachantes com cerca de 500 m² e outros que podem ser úteis no apoio a qualquer evento. Salas de Briefing, amplos Foyers para coffee-breaks, exposições e áreas de descanso. Uma sala de refeições, pequenos gabinetes/salas de reuniões, equipados com climatização e ligações ADSL, representam um apoio precioso na concepção e organização de eventos de grandes dimensões.

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RIBEIRA NEGRA JÚLIO RESENDE

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SALA DOS LEILÕES CUBO DE EDUARDO SOUTO DE MOURA

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TESOURARIA DA ALFÂNDEGA

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SALA DOS DESPACHANTES

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BIBLIOTECA

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A todos os que fizeram parte da realização desta prova, quer de forma directa ou indirecta, em especial à sra. Paula Moura pelo tempo disponibilizado para me acompanhar nas visitas ao Edifício e todas as informações que me providenciou sobre o edifício, os meus sinceros agradecimentos.


PAA