Page 1

161


162


BIENAIS DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA - UMA CURTA REALIDADE – “Liberdade de pensamento e de expressão artística são os suportes básicos e alicerces de toda criatividade humana. Liberdade não quer dizer libertinagem de costume, subversão de valores, rebaixamento moral do homem, destruição da família e solapamento das estruturas sociais.”

Ciccillo Matarazzo1

UM POUCO DE HISTÓRIA “A Bienal de São Paulo 2 , inspirada na mais antiga exposição do gênero, a Bienal de Veneza, realizada em 1895, foi montada em 20 de outubro de 1951, criada pelo Museu de Arte Moderna, o MAM, colocando o país no roteiro dos grandes eventos internacionais de arte. Nessa época, havia poucos museus no Brasil, e o público começava a tomar conhecimento da ‘arte moderna’, tentando compreender as ousadas propostas de Picasso, Jackson Pollack, René Magritte, Giorgi Morandi, entre os internacionais, e Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Lasar Segall, Victor Brecheret, Bruno Giorgi entre os brasileiros. O mentor intelectual da criação da Bienal foi o empresário de origem italiana Francisco Matarazzo Sobrinho, mais conhecido como Ciccillo Matarazzo. Essa criação, desafio para a época, provocou a reavaliação da produção nacional de arte e, ainda, tirou do Rio de Janeiro, então capital federal, o poder de centro cultural do Brasil. Passados pouco mais de cinqüenta anos, hoje o Brasil já tem representatividade nas artes em todo o mundo e os ‘Salões e ‘Bienais’ estão sendo transportados também dos grandes centros, para cidades do interior que, sob as vistas de críticos, curadores e marchands, ávidos de novas propostas, poderão revelar grandes talentos e novas linguagens.” Na verdade, a Bienal de São Paulo foi um marco, um divisor de águas nas artes plásticas não só de São Paulo, mas do Brasil e tornou-se uma importante referência artística. Quanto às últimas Bienais de São Paulo, a de 2008, denominada “Bienal do Vazio” ou “O Vazio na Arte” , trouxe muita polêmica, pois público, artistas e críticos consideraram-na decadente, não sendo mais representativa da contemporaneidade, considerando, inclusive, que a representação nacional fora esmagada; e que ela ficou menor e menos importante 3. As polêmicas começaram antes mesmo de sua realização: “o curador pretende substituir formas por discursos e atualizando de maneira macabra o debate sobre a morte da arte”, disse Aguilar. 4 O curador, Mesquita, 5 defendeu-se, afirmando que: “a polêmica revelou a capacidade de mobilização em torno da Bienal e o lugar que ela ocupa no imaginário da cidade. (...) Devemos abandonar, temporariamente, nossas origens intelectuais no barroco e seu ‘horror vacuii’ e encarar o fato de que há, sim, um vazio, mas ele não está apenas na Bienal de São Paulo.” Dentre as manifestações contra esta Bienal, um grupo de artistas promoveu um enterro simbólico de sua curadoria e presidência ostentando uma faixa com os dizeres: “Viva a liberdade de expressão, abaixo o vazio intelectual”. Dessa maneira, aguardou-se a “Bienal 2010” 6, que sob o título “Há sempre um copo de mar para um homem navegar” 7, fez a relação entre arte e política, tema que foi a tônica da exposição, com curadoria de Moacir dos Anjos 8. Afirmou o curador que existiu o consenso de que esta exposição deveria falar de “uma nova configuração de mundo a partir do Brasil” e completou esclarecendo que houve aumento do número de vídeos, já que “nossa relação com o mundo é, hoje, toda medida por telas”. Aconteceu, pois, em 2010, a 29ª Bienal de São Paulo, com seus prováveis, infinitos e criativos caminhos. 163


BIENAL EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA Em 1997, tomou posse o prefeito Laert de Lima Teixeira, que resolveu não mais realizar o Salão de Artes Plásticas de São João da Boa Vista. Era diretora de Cultura Vânia Gonçalves Noronha. No entanto, José Marcondes não se conformou com essa decisão, pois a cidade, no seu entender, não podia ficar sem uma mostra de arte. Em suas considerações, a “vida” dos Salões de Arte de São João da Boa Vista tinha sido demasiadamente curta, porém, sabia ele que os motivos de sua extinção eram vários, não só de âmbito local, mas também conjuntural, cujas causas estavam além do município. Se havia decrepitude no modelo em que eram realizados, poderia, quem sabe, tentar resolver este problema, dar-lhe uma sobrevida. Talvez até pudesse renascer. Assim sonhava o nosso “cavaleiro da esperança”. Tinha consciência, no entanto, de que este processo seria um tanto arriscado e sem certeza de êxito, além do mais, o poder público já havia afirmado que não queria dar continuidade aos Salões. Diante do fato assim consumado, Marcondes só tinha uma certeza: algo deveria ser feito! A cidade, nas Artes Plásticas, tinha uma tradição que se iniciara na década de 1920 e, neste viver, muita experiência, muitas sementes existiram, as quais poderiam, ainda, dar bons frutos. É a partir dessas conjecturas, que lhe surgiu a idéia da Bienal, em moldes diferentes dos tradicionais Salões. Passo seguinte foi conversar com Vânia Noronha que abraçou a idéia e, juntos, vão até o Gabinete do Prefeito, para expor-lhe a proposta da Bienal, a qual ele aceitou, de imediato. Em seguida, pedem uma audiência à Câmara Municipal, onde, Vânia e Marcondes levam o projeto já definido, e, em sessão pública, o artista apresentou-o discursando sobre a proposta e o valor de tal evento. O projeto foi aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo prefeito. Em linhas gerais, a proposta apresentada foi a seguinte: “as Mostras não seriam anuais e sim bienais; o prefeito nomearia um curador que formaria sua equipe de trabalho; os cargos não seriam remunerados; para a Mostra, não haveria inscrições abertas e os artistas seriam convidados pelo curador e sua equipe; não haveria premiações; cada artista se responsabilizaria pelo envio das obras e retirada das mesmas; a Mostra teria âmbito nacional”. Oficialmente, foi criada pela “Lei NR 178 - 02/09/98, que institui a Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista”. Foram realizadas três Bienais com artistas convidados. A primeira, em 1998, teve como curador José Marcondes e foi realizada nas dependências do Theatro Municipal, que se encontrava em restauro. A segunda, em 2000, ainda sob a curadoria de José Marcondes, na Avenida João Batista Barbosa, 222, nas dependências da loja de Móveis Getúlio Vargas, gentilmente cedidas por seu proprietário Getúlio Vargas Barbosa. A terceira foi realizada em 2002, nas dependências do Departamento de Cultura de São João da Boa Vista, espaço Fernando Arrigucci, antiga Estação de Ferro Mogiana. A curadora foi a artista plástica Rô Gonçalves. Porém, quando era para acontecer a quarta Bienal, em 2004, a Prefeitura, através do Departamento de Cultura, alegou falta de verbas e não a realizou. Lamentável!! Nelson Mancini Nicolau, ao assumir a prefeitura em 2005, foi procurado por José Marcondes, que lhe pediu a continuação das Bienais, alegando que a cidade não deveria ficar sem eventos nas Artes Plásticas; afirmou-lhe ainda que ele não pretendia ficar na curadoria, mas São João possuía muitos artistas capacitados e habilitados para levar uma Bienal a bom termo. Algum tempo depois o prefeito deu-lhe uma resposta positiva, mas infelizmente nenhuma das partes restabeleceu contato e tudo terminou aí. “A Bienal é um evento importante para a cidade, pois, traz artistas do Brasil inteiro. São João é um polo de artistas e tem grandes atrações culturais. Não pode, não deve ficar sem movimento nas Artes Plásticas”, assim se manifestou Marcondes. 9 A I Bienal de Artes Visuais foi realizada de 10 a 30 de outubro de 1998, no Theatro Municipal de São João da Boa Vista que estava sendo restaurado. A Mostra aconteceu na plateia, ainda no contra piso, sendo que as poltronas não tinham sido colocadas. A montagem estendeu-se, inclusive até ao palco que, por não estar pronto, pôde ser usado. No total, foram 118 artistas, cada um com uma obra. Foi uma Bienal eclética, onde várias tendências artísticas puderam ser apresentadas, cujo objetivo era dar oportunidade ao público de conhecer e analisar os diferen164


tes caminhos que as Artes Visuais estavam tomando no Brasil. “Ao som de violinos, 10 que faz bem a quem ouve, o público foi chegando ao Theatro Municipal, ontem à noite para a solenidade de abertura da 1ª Bienal de Artes de São João da Boa Vista. Aos poucos, todos iam entrando e tendo desvendadas as maravilhas artísticas que tanto esperavam para conferir ao vivo e a cores. O curador da Bienal, José Marcondes, assessorado pela esposa Maria Célia e por toda comissão organizadora, recebia e conduzia os visitantes ao passeio, cuidadosamente planejado e preparado no espaço interior do Theatro Municipal, onde, além das obras, muitos de seus autores estavam presentes, emprestando um brilho ainda maior ao evento. Vi...Vendo lá esteve registrando tudo que foi possível. (...) Você que ainda não pôde conferir, não deixe de agendar e ir, pois esta magnífica exposição prossegue até o próximo dia 30, e, de longe este evento cultural é Vista Geral da Primeira Bienal - Theatro Municipal - 1998 um dos melhores, já realizado na terrinha. Imperdível!!!” Era Prefeito Municipal o Sr. Laert de Lima Teixeira, Diretora de Cultura e Turismo, Vânia Gonçalves Noronha e a curadoria coube a José Marcondes. A Comissão Organizadora foi formada: por Hélio Corrêa Fonseca Filho, Márcia Ramires Barbosa, Úniver Cristiano Nogueira da Silva, Isabel Cristina Barbosa Oliveira Vieira, Haydée Borges Eduardo, Maria Célia de Campos Marcondes, Antonio Carlos Rodrigues Lorette e Eduardo dos Santos Guimarães. 11 O patrocínio do comércio e indústria foi fundamental para a realização de tal evento, não havendo, praticamente, ônus para a Prefeitura.

OS PARTICIPANTES José Marcondes, sempre preocupado com a memória artística de São João da Boa Vista, fez novamente uma homenagem aos artistas que viveram na cidade na década de 1930. Não se esqueceu, entretanto, dos artistas sanjoanenses que, naquele momento, estavam na ativa, fazendo arte e história: Agnaldo Manócchio; Ângela Bonfante; Benedito Bernardes Soares; Fafá Noronha; João Batista Fracari; José Marcondes; Marcelo Peres; Maércio Mazzi; Maricy Tischev Vallim; Maurício Matielo; Nádia Frigo; Neyde Arrigucci; Rô Gonçalves; Ronaldo Noronha; Tabajara Arrigucci; Simphoroso Alonso e Vânia Palomo. Nessa exposição, participaram 118 artistas, sendo dado um destaque especial a Aldemir Martins, Athos Bulcão, Pacheco Ferraz, Alberto Teixeira, Bernardo Caro, Thomaz Perina, Francisca Carolina do Val, Gilberto Dutra e Makoto Takahashi. Foram convidados pela curadoria e participaram, além dos artistas destacados acima: Alfredo Rocco; A. Prefeito Laert Teixeira, Yong Koh e o curador José Marcondes - Bienal 1998 Pellizari; Adriano Colângelo; A. Vilhena; Agnes Rambo; Alexandre Fausto; Aldo Stoppa; Alzira Ballestero; Ancy Namur; Ana Rita Videira; Antonio Natal Gonçalves; Antonielli Lacerda; Ary Queirós Barros; B. Moraes Leite; Carolina Berti; Caio Carvalho; Carlos de São Thiago Lopes; Cauchick; Cecília 165


Mazon; Célia Palma; Cavallari; Claudio Ashcar; Cris Mazon; D. Socram; De Faria; Eliseu Ferreira; Emanuel Rubin; Eduardo Borges de Araújo; Francisco Amêndola; Fernanda Amalfi; Francelino Rodrigues Pereira; Francisco Biojone; Francisco Panachão; Hilton Greco; Helena Armond; Gilco A. Forster; Isa Pardini; Jerci Maccari; João Batista dos Santos; João Bosco Campos; José Ferraz Pompeo; João Proteti; Jonas Lemes; L. Gonçalvez; Leila de Sarquis; Luis Pinto; Luis Carlos Moretto; Maria Cecília Neves; Maria Cristina Billa Libardi; M. J. Spironello; Mário Marangoni; Manoel Martho; Marcelo Araújo; Marcos Marin; Maria Rosa Cambra; Mauritto Ganzarolli; Maurício N. Lima; Marilu Trevisan; Morelato; Morgilli; Miguel Ângelo; Miro Bampa; Januário; Nadir da Costa; Nando D’Ale; Nikolaus; Nilo Siqueira; Osmar dos Santos; Padula; Palmiro Romani; Paulo Cheida Sans; Paulo de Carvalho; Pedro Gava; R. Boner; Píndaro Zerbinatti; R. Jeron; Raphael Ramiro; Ronaldo Lopes; Romildo Paiva 12; Rosali Plentz; Rosângela Mena; S. Guadrini; Sadi Souza Barros; Somara; Tereza Ciripieri; Tebaldo A. Simionato; Tarocco; Sandra Tucci; Vera Ferro; Vera Lúcia Santos; Waldomiro Sant’Anna; Walter Nather Jr. e Young Koh. Na noite de abertura, apresentou-se o “Quinteto de Cordas Villa Lobos”. As escolas da cidade, durante todo o período da exposição, estiveram presentes com seus alunos e professores. JORNAIS NOTICIAM O EVENTO:

“Bienal abre as portas para a arte”. - Curador destaca a importância do evento

“José Marcondes acredita que o evento poderá trazer de volta a ênfase das artes à cidade, que teve expressivos talentos como Guiomar Novaes, Fernando Furlanetto, Pagu, Orides Fontela e outros, menos famosos, porém talentosos a ponto de alimentar a cidade como polo da cultura. Nunca tivemos tantas escolas de arte na cidade, há muitos artistas e oportunidades para ela crescer neste sentido, afirma Marcondes, que vê a primeira edição da Bienal como um marco para as artes plásticas. O artista não deixa de lembrar o apoio que obteve de amigos, do Departamento de Cultura e de sua esposa Maria Célia para viabilizar o sonho da ‘I Bienal’ da cidade”.

13

Adriano Colângelo, Célia Palma, Maria Célia Marcondes, Chica Do Vall, Francisco Biojone, N.I, José Marcondes - 1a. Bienal - 1998

“I Bienal supera as expectativas” 14 “(...) Até dia 30 de outubro, a ‘I Bienal’, fica aberta para visitação pública no Theatro Municipal. Cerca de 150 pessoas vêm visitando diariamente a exposição que reúne obras de renomados artistas de todo o Brasil. Diversas cartas e ofícios de outras cidades cumprimentando São João pelo evento, foram recebidas, algumas indagando como foi conseguida a presença de tantos artistas destacados. (...) São João tem que se calcar no turismo cultural, comentou Marcondes e lembrou também que cidades maiores da região ainda não reuniram tantos talentos numa só mostra.” “Encontro com homens notáveis” Tarcílio S. Barros 15 escreveu: “O jornalista, representando esse jornal visitou José Marcondes, renomado artista plástico, em sua residência. O bom gosto notado nas suas telas compõe a beleza do confortável interior (...) onde podemse apreciar suas obras, além de outros artistas. Marcondes possui o dom artístico, sendo autodidata, pois quando, ainda pequeno, na zona rural, já esboçava com carvão, pego no fogão a lenha, alguns desenhos. Conversando com José Marcondes, sentimos uma personalidade vibrante, de gestos largos, fala rápida. Assuntos ligados à pintura são narrados com um sabor agradável ao ouvinte. Terminado o curso ginasial, passou a compor suas primeiras experiências com tinta a óleo, inspirando-se em obras de Araújo Lima, que conhecera em residências particulares desta cidade. A partir de então, o artista não mais 166


parou, (...) trilhando, com ascensão, o mundo das artes plásticas. (...) O artista plástico José Marcondes possui versatilidade. Idealizou uma significativa Bienal para as várias tendências de ‘Artes Visuais’ em nível nacional, graças ao grande relacionamento que mantém nos meios artísticos de todo país. (...) Surpreendente a afluência de público à Bienal que atingiu milhares de visitantes. (...) O idealizador da Mostra contou com o apoio de uma comissão de trabalho. (...) José Marcondes é um ser versátil, além de veia artística é também educador.”

CORRESPONDÊNCIAS CHEGARAM... “Itanhaém, novembro de 1998 Prezado colega Marcondes, É muito importante saber que existem pessoas que através da sensibilidade produzem arte. É tão fascinante estarmos diante dessas obras de arte, onde possamos admirar a sensibilidade, a criatividade dos artistas. Tudo isso, porém, não tem sentido se não existir alguém que tenha muita iniciativa para organizar os salões ou exposições de arte. Portanto, não poderíamos deixar de registrar o louvável esforço de José Marcondes e da Comissão Organizadora da I Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista, para que tão grandiosa Mostra se realizasse. Este evento, com certeza, é uma grande contribuição para valorização de nossa cultura, como também das Artes Plásticas. Meus parabéns a São João da Boa Vista e à Comissão Organizadora. Ronaldo Lopes” 16

“Ribeirão Preto, 7 de outubro de 1998 Prezado Marcondes, Os artistas ribeirãopretanos Clara Cauchick, Célia Palma, Carlos Tarocco, Isa Pardini, Gilco Forster e Mário Padula, convidados para a primeira Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista, honradamente agradecem e parabenizam o artista plástico José Marcondes, curador da Bienal. Tal evento demonstra que o mesmo possui dinamismo, coragem e espírito de luta em prol da arte. Respeitosamente desejamos que em sua caminhada de lutas o sucesso esteja presente. Que esta Bienal seja marco preponderante para o acontecimento de outras Bienais”. Seguem as assinaturas. Roberto Constantino, artista plástico de São Paulo e participante da “I Bienal de São João da Boa Vista”, também envia correspondência: (...) “quando vemos a iniciativa brilhante de uma cidade como São João da Boa Vista de promover a cultura através de uma Bienal, outro sentimento não se poderia ter a não ser o de orgulho e congratulação. Porque esta primeira Bienal, além de trazer valores artístico-culturais de outras regiões do país, com dimensão continental como é o Brasil, ainda tem a prerrogativa de deslocar do eixo Rio - São Paulo as manifestações e mostras das obras atuais. (...) Parabéns ao curador da Bienal, José Marcondes pela coordenação, pelo convite e seleção dos participantes, pelo espírito empreendedor e altruísta que só os homens de visão têm.” Aldo Stoppa e José Marcondes - Bienal 1998

Mais uma correspondência: “A prefeitura desta bela cidade teve a brilhante idéia de iniciar uma Bienal, sob a batuta de José Marcondes, que une as raras qualidades de ser um artista sério e um grande idealista, mas um idealista que tem senso prático, isto é, sabe fazer as coisas da arte e da cultura com objetividade. Num tempo no qual a arte plástica anda numa confusão total, porque também nela ‘liberou geral’, com as conseqüências que todos sabemos, nada melhor do que o interior tomar a iniciativa para mostrar, sob convite e sem premiações inúteis, o que está acontecendo na sua criatividade artística. 167


A idéia é ótima, sadia e forte, com aquela suave e perfumada brisa que vem da Mantiqueira, podendo trazer surpresas e achados de ótima qualidade. Fazemos votos que a Bienal de São João da Boa Vista possa significar não somente um encontro de ‘Arte e seus Criadores’, mas o surgimento de uma ‘Central de Energia Aquariana’, com toda sua força e espontaneidade para agregar pessoas, idéias, iniciativas e expressões estéticas, tão necessárias para uma renovação importante no quadro das artes plásticas e figurativas.

Adriano Colângelo” - Artista Plástico e Professor de História da Arte, em 15 de outubro de 1998

OS SANJOANENSES “Parabenizo os senhores José Marcondes e Maria Célia, pelo sacrifício imenso que tiveram, levando a cabo essa brilhante exposição, dando-nos a oportunidade de conviver e sentir a profundidade dos temas que levaram seus autores toda gama de sentimentos ali impressos. Pela feliz iniciativa nesse empreendimento, que dá a nossa querida cidade o valor que ela bem merece. Nessa 1ª Bienal, a magia impressa nas telas e esculturas, demonstra claramente o quanto seus autores foram bafejados pelos deuses. Aos queridos amigos, parabéns com louvor. Aproveitando o ensejo congratulamo-nos com os queridos amigos pelo dia dos professores, uma grata efeméride, e, pela paciência e dedicação, quando nos propiciaram desvendar o intrincado mundo das Letras. Reiteramos nosso protesto com admiração e respeito. Waldemar Belatto” - Casa das Tintas

“São João da Boa Vista, novembro de 1998 Prezado Marcondes, Os verdadeiros amigos sempre se alegram com o sucesso do outro. Parabéns pelo projeto arrojado que culminou em agrado geral. Artistas sanjoanenses: Fafá Noronha, José Marcondes, Ângela Bonfante. I Bienal - 1998 Você foi mais do que corajoso e merece todos os aplausos. Lembrei-me de meu tempo de estudante em Casa Branca, ao deparar com uma tela de Pacheco Ferraz, meu ex professor de desenho. Desejo-lhe mais e mais sucessos. Com seu desprendimento e competência, continue a espalhar cultura à nossa gente, que acaba por gostar do que é bom e bonito. Você é um idealista com os pés no chão! Felicidade extensiva à Maria Célia, batalhadora também, e às meninas. Um grande abraço de congratulações. A sempre amiga, Odila Oliveira Godoy.”

Ofício 228/98 – Câmara Municipal de São João da Boa Vista 20 de outubro de 1999 Requerimento 0323/98, de autoria do vereador Antônio Fernandes Filho, sendo presidente da Câmara o Sr. Antônio Aparecido da Silva. Consta nome dos demais edis. “(...) Os cumprimentos da Câmara Municipal de São João da Boa Vista a José Marcondes pelo grandioso evento ‘I Bienal de Artes Visuais’, que conta com a participação de artistas de renome nacional, alguns com trabalhos já expostos e premiados no exterior. 168


Este evento é de suma importância para nossa cidade, já que os artistas sanjoanenses encontram-se hoje num elevado nível artístico, devendo este fato ser levado ao conhecimento e reconhecido de toda nossa população (...) Os nossos sinceros cumprimentos.” A “II Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista” foi realizada de 23 de setembro a 22 de outubro de 2000, nas dependências da “Loja de Móveis Getúlio Barbosa”, gentilmente cedida por seu proprietário Getúlio Vargas Barbosa, que providenciou melhorias para receber este evento, num “comportamento exemplar e digno de aplauso. (...) Seu empenho foi grande junto com sua equipe de funcionários na articulação das ações que tornaram o evento possível naquele espaço generoso; além da importante parceria com o Departamento de Cultura” 17. O espaço localizava-se na Avenida João Batista de Almeida Barbosa, 222, no Bairro do DER, paralela à pista que vai a Águas da Prata. A exposição foi realizada em um amplo espaço, com mais de 1.000 metros quadrados, dividido em dois ambientes, ligados por três arcos. A curadoria foi de José Marcondes; foram convidados 122 artistas, cada um com uma obra. Nessa Bienal foi introduzida a fotografia e houve sete diferentes palestras, em locais diversos da cidade.

PREPARATIVOS A imprensa, já em agosto, 18 noticiou: “II Bienal de Artes Visuais” “São João fará realizar em setembro próximo a II Bienal de Artes Visuais. O objetivo dessa exposição é mostrar aos sanjoanenses e moradores das cidades da região, as mais diferentes tendências da arte neste final de milênio e propiciar aos visitantes a oportunidade de aprenderem diferentes leituras e interpretações do mundo, advindas de variadas criações artísticas. A finalidade é somente cultural.” Para viabilizá-la, foi montada uma Comissão Organizadora, comandada pelo curador José Marcondes e composta por: Cecília Mazon, Denise Isabel Miráglia Sibin, Lenira Alcione Esteves Silva, Lucy Helena Mendonça Castilho, Maria Aparecida Marcondes Noronha, Maria Bernardes, Maria Célia de Campos Marcondes, Maria Imaculada Merlin Carvalho, Marina Scarparo Caldo, Sandra Regina Junqueira Franco, Celi Maria C. Manócchio, Sônia Maria Silva Quintaneiro e Vera Oliveira. O apoio cultural foi da Secretaria de Estado da Cultura, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo e do Deputado Estadual Sidney Estanislau Beraldo -1º vice-presidente da Assembléia Legislativa do Estado. Vista geral da II Bienal - Pavilhão Móveis Getúlio Vargas - 2000

169


Foi uma realização da Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista, sendo prefeito Laert de Lima Teixeira, diretora do Departamento de Cultura e Turismo Vânia Gonçalves Noronha e funcionários Hélio Corrêa da Fonseca Filho e Sônia Regina Pavani Binatti Peluque. O patrocínio do comércio e indústria foi fundamental para a realização de tal evento. O catálogo foi impresso pela “Imprensa Oficial”, graças a Sidney Estanislau Beraldo.

ARTISTAS PARTICIPANTES Prestou-se uma homenagem póstuma ao artista Eliseu Ferreira Diniz, falecido nesse mesmo ano. Um espaço foi reservado para expor uma pequena amostra das várias fases de sua produção artística, obras pertencentes a particulares e ao Museu da cidade. De nossa cidade participaram: Agnaldo Manócchio; Alfredo Nagib Filho “Fritz”; Ângela Bonfante; Antonio Carlos Rodrigues Lorette; Ângelo Molina Mascoli; Clara Giannelli; Joaquim Mello; José Marcondes; Jonathas Mattos Júnior “Jotinha”; Nádia Frigo Januário; Plínio Ayub; Rô Gonçalves. Participaram ainda: Adriano Colângelo; Aércio Flávio Consolin; Aldo Stoppa; Andréa Farias; Andréa Gomes de Matos; Armindo Accorsi Neto; Bassano Vaccarini; Bernardo Caro; Carlos Parada; Carlos Silva; Carolina Berti; Carolina Engler; Carolina Lattes; Caru Duprat; Cecília Mazon; Célia Palma; Celina Carvalho; Clara Cauchick; Clara Purchio; Domingos Pistelli; Eber de Góis; Eduardo Borges de Araújo; Egas Francisco; Elder Rocha; Emílio Moreno; Ênio Cintra; Esther Nogueira; Eurico Rezende; Eva Ilg; Fábio Fantazzini; Fernando Carpaneda; Fernando Durão; Francisca Carolina do Val “Chica do Val”; Francisco Amêndola; Francisco Biojone; Geninha Penteado; Gilberto Dutra, pertencente à família Dutra de Piracicaba com oito gerações de artistas plásticos; Gilco Augusto Forster; Helga Nicklas; Hilton Greco; Iole Di Natale; Iría Galgano; Jerci Maccari; Joaquim Machado; Jorge Amery; José Aguilera Fernandez; José Antônio Moreto; José Simeone; José Torres; Judith Klein; Juliana Engler; Lecy Beltran; Lílian C. Piccilli; Lúcia Hinz; Luiz Sacilotto; Marcia Gebara; Marcos Perón; Marcos Zequetto; Maria Bernardes; Maria Cecília Neves; Maria D’Oliveira; Maria Germano; Mariana Martinelli; Mariana Braghetto; Mario Marangoni Filho; Marisa Coli Mouallem; Melissa Klitzke; Miguel Angel Navas Aguilera; Miguel Simão; Nadir da Costa; Narim; Oziel Araújo; Palmiro Romani; Paola Antony; Pasqualet; Paulo Acencio de Araújo; Paulo Cheida Sans; Paulo de Carvalho; Pedro Gava; Píndaro Zerbinatti; Regina Rennó; Roberto Constantini Sobrinho; Rodrigo Biojone; Sainy Veloso; Sérgio Bastos; Silvia Matos; Silvia Z. Coelho; Sousa Rodrigues; Tadeu De Morungaba; Torocco; Teobaldo A. Simionato; Thomaz Perina; Tina Gonçalez; Vera Ferro; Vera Orsini; Vicent Van Ojen; Waldomiro Sant’Anna; Young Koh e Zequeto.

TEORIA E DEBATE

Concomitantes à exposição da Bienal, foram realizadas, em diferentes espaços, sete palestras, pelos seguintes artistas: - Adriano Colângelo, professor de História da Arte, artista plástico de São Paulo que, no Rotary Club Centro de São João da Boa Vista, dia 28 de setembro, versou sobre “Arte no Próximo Milênio”. - Carlos Silva, artista plástico e professor da Universidade Nacional de Brasília - UnB, que desenvolveu o tema “A arte em Brasília, um olhar crítico” na Papyrus Livraria, no dia 22 de setembro. - Francisca Carolina do Vall “Chica do Val”, artista plástica de São Paulo e botânica da Universidade de São Paulo - USP, no Museu do Ipiranga, fez a palestra “A Interpretação da Natureza na Aquarela”, nas Faculdades Associadas de Ensino - UniFAE, dia 29 de setembro. - Regina Rennó, artista plástica de Ribeirão Preto e Diretora de Cultura daquele município, falou, em 6 de outubro, no próprio recinto da Bienal sobre “Produção de Sentidos”. - Tina Gonçalez, artista plástica de Campinas, com o tema “A Arte como Visualidade do Mundo” fez sua palestra na Papyrus Livraria, no dia 13 de outubro. - Maria Bernardes, artista plástica de Campinas falou sobre “A Arte no Computador”. Sua explanação foi no Centro Educacional São João Batista, em 19 de outubro. - Silvia Matos, artista plástica de Campinas, versou sobre os “Artistas Educadores na Região de Campinas”. Dia 20 de outubro na Fundação de Ensino Octávio Bastos - UniFEOB. É bom salientar que os palestrantes não cobraram cachês, ou seja, todos vieram graciosamente contribuir para o engrandecimento do evento e enriquecimento cultural da cidade.

170


MOTIVANDO O SANJOANENSE Nos dias que antecederam a abertura e no próprio dia, a imprensa fez divulgação da Mostra e de alguns artistas participantes. Esse fato contribuiu para despertar a curiosidade e a atenção dos sanjoanenses. “Quem vai estar na Bienal?” Silvia Borges 19 nos conta que: “Nos anos 50, o Brasil é marcado pela consolidação das conquistas culturais no eixo Rio - São Paulo e em outras capitais. No interior paulista, Campinas e Ribeirão Preto vão destacar-se pela vitalidade de seus movimentos e pelo número de artistas expressivos que lá vivem e trabalham, tanto que precedem os movimentos dos anos 60.”

CAMPINAS A jornalista narra-nos ainda que: “Em Campinas, o movimento nasceu em torno de Mário Bueno, Thomaz PeriArtistas Plásticos: José Marcondes, Cecilia Mazon, Thomaz Perina na e Eneás Dedeca. Em 1953, esses artistas fazem uma exposição no saguão do antigo Theatro Municipal de Campinas sob intensa reação dos acadêmicos que os consideram loucos, mas defendidos pela imprensa que os chama de ‘jovens pesquisadores’ da pintura. A partir daí, alunos de pintura de Perina como Francisco Biojone, Geraldo de Souza, Raul Porto, Maria Helena Mota Paes juntam-se ao trio; e em 1958, com a volta de Geraldo Jurgensen, do Rio de Janeiro, Eduardo Caetano, dos Estados Unidos, Franco Sacchi e Edoardo Belgrado, da Itália, vão realizar a ‘1ª Exposição de Arte Contemporânea de Campinas’ e criar o ‘Grupo Vanguarda’, desencadeando intensos contatos com os movimentos de outras cidades, principalmente com o ‘Grupo Concreto’ de São Paulo. Em 1964, Bernardo Caro incorpora-se ao Grupo permanecendo até sua extinção em 1966.” Três artistas que fizeram parte do famoso Grupo de Vanguarda de Campinas (1958/1966), estiveram presentes em Bienais em São João da Boa Vista: Bernardo Caro, Thomaz Perina e Francisco Biojone. Thomaz Perina “Pinta desde 1943 e acredita que a ruptura se deu quando toma consciência da quantidade e qualidade dos trabalhos contemporâneos na I Bienal de São Paulo, em 1951. Perina transforma suas paisagens em composições construtivas quase abstratas, numa tonalidade alaranjada ou cinza arroxeado de diferentes intensidades. Em 1961, após receber o prêmio Governador do Estado, o artista deixa-se tentar pelo objeto e pela arte ambiental, mas volta às suas paisagens depois de certo tempo, e é esse tipo de trabalho que veremos nesta Bienal de São João Boa Vista.” Bernardo Caro Antes de aderir ao “Grupo Vanguarda”, dedicava-se à xilogravura com bastante êxito e ficou conhecido quando na XII Bienal de São Paulo, em 1973, mostrou uma instalação com as séries “Cavalo-Brinquedo” e “Das Garrafas”. Francisco Biojone “Realiza, na 2ª metade da década de 60, uma série de instalações dotadas de espaços amplos e quase vazios, nos quais o espectador tenta cumprir certos gestos sugeridos por formas e letreiros presentes. Atualmente suas pinturas buscam ‘a intensificação das relações de forma e cor’ e a ‘fragmentação do espaço bidimensional’, agindo em planos multiplicados em infinitas luminosidades” 20.

RIBEIRÃO PRETO “A renovação artística em Ribeirão Preto se deu em torno de Domênico Lazzarini e Bassano Vaccarini, consolidando-se com a criação da Escola de Artes Plásticas, em 1957. Mais tarde, juntam-se ao grupo Francisco Amendola, Sílvio Pléticos, Mário Moreira Chaves e Odila Mestriner. 171


A atividade foi crescendo, atraindo outros artistas como Wesley, Fajardo, Baravelli, Trindade Leal, e Leonelo Berti. Depois de 1966, a Escola de Artes Plásticas passa a pertencer à UNAERP.” Bassano Vacarini 21 “Nascido em São Colombano al Lambro (Lombardia), Itália, em 1914, o artista estudou e se formou na renomada Academia de Brera, em Milão, vivenciou e participou ativamente dos movimentos de Arte Moderna que aconteciam naquela cidade. Foi um artista notável no ambiente milanês, considerado o melhor escultor jovem, muito elogiado pela crítica italiana. Teve uma obra premiada, a escultura ‘Mia Madre’, que pertence à Coleção da Cassa Di Risparmio delle Province Lombarde S.P.A. e obras adquiridas pela Prefeitura de Milão. Suas pinturas e esculturas fazem parte, até hoje, da Galeria de Arte Moderna daquela cidade. Expôs na Bienal de Veneza, em 1942, e se especializou em escultura em 1943. Veio para o Brasil em 1946 já com rica experiência artística. Passou rapidamente pelo Rio de Janeiro e se fixou em São Paulo, onde ficou por 10 anos e participou ativamente da vida artística. Ganhou vários prêmios, entre eles, em 1948, “1º Prêmio no Concurso Internacional” realizado na Espanha, para o ‘Monumento Padre Anchieta’. Em 1947, ganha o 1º prêmio em escultura no Salão Paulista de Belas Artes de São Paulo. Participou também da I e III Bienais Internacionais de São Paulo em 1951 e 1955. Foi professor, de 1951 a 1955, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAU, da USP; trabalhou como diretor técnico e cenógrafo do Teatro Brasileiro de Comédia e também da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Realizou grandes painéis, em pedra, na Agência Central do Banco do Brasil, em São Paulo. Em 1955, foi convidado por Constábile Romano, então prefeito de Ribeirão Preto, para planejar e executar os pavilhões destinados à Exposição Comemorativa do Centenário de Ribeirão Preto, transferindo-se para essa cidade, onde continou à se dedicar a pintura e à escultura utilizando os mais variados materiais e técnicas. Acabou radicando-se nessa cidade onde fundou a ‘Escola de Artes Plásticas’ e esteve envolvido em quase todas as atividades artísticas da cidade. Produziu uma obra original, moderna, que faz parte do acervo artístico de Ribeirão Preto”. Francisco Amêndola 22 “Nasceu em Ibitinga, em 1924. Divide suas atividades de pintor com a fotografia e comunicação visual, com prêmios em concursos de cartazes e ilustrações de livros. Desde 1951, Amêndola vem participando, tanto no Brasil como no exterior, de vários Salões como em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Buenos Aires, México, Milão e Reno. Em 1963, foi premiado no Salão Paulista de Arte Contemporânea e participou da I, IV, VII e IX Bienais de São Paulo. Apresenta uma pintura de tendência abstrata informal, lançando mão de várias técnicas para sua realização.”

GRANDE SÃO PAULO Luís Sacilotto 23 “Luís Sacilotto, hoje com 76 anos, residente em Santo André, é considerado o mais concreto dos concretos. Seu trabalho possui efeitos óticos e cromatismo intenso, estruturados de forma em que nada é gratuito, aleatório, usando a seriação com conhecimento e elegância. Em abril de 1947, foi realizada uma única Mostra Coletiva com 19 artistas de tendências expressionistas, comuns na época; entre eles estavam Aldemir Martins, Augusto Marx, Charox, Shiró, M. Grassmann, Otávio Araújo, Guersoni e Luís Sacilotto. O evento transformou-se num acontecimento cultural relevante, equivalente a um movimento, devido à importância dada pela imprensa paulistana. O “Grupo dos 19”, como foi denominado, enquanto movimento, não evoluiu, pois as diferenças entre seus integrantes eram marcantes e, com o passar dos anos, elas se tornaram cada vez mais acentuadas. Isso se tornará claro em uma exposição realizada no MASP, em 1978, 31 anos depois, quando são colocadas, lado a lado, as obras daquela época, os primórdios de cada artista, e a produção atual. Entre os 19, apenas os citados acima evoluíram, transformando-se em artistas importantes das Artes Plásticas, no Brasil. As primeiras experiências absoluto-geométricas de Sacilotto datam de 1947, quando passa a trabalhar com diversos suportes e materiais, como: madeira, fibra de cimento, tinta esmalte, alumínio etc. e, já no início dos anos 50, apresenta obras concretas, realizadas com enorme economia de formas e cores. Além de pintar, Sacilotto é desenhista, escultor e “designer”. Participou de várias Bienais Internacionais de São Paulo, e em 1952 esteve na Bienal de Veneza. Nesse mesmo ano, expõe com o ‘Grupo Ruptura’, assinando manifesto, com mais seis artistas, sendo assim um dos introdutores da arte concreta no Brasil. Participou de muitas exposições realizadas no país e no exterior, uma delas em Zurique, em 1960, na Mostra Internacional de Arte Concreta organizada por Max Bill. No ano seguinte, no Museu de Arte Moderna - MAM, do Rio de 172


Janeiro, aconteceu uma restrospectiva de sua obra realizada durante os anos 50 e 60. Autor de três trabalhos expostos na ‘Exposição Comemorativa dos 500 anos do Descobrimento do Brasil’, realizada no Ibirapuera, está na II Bienal de São João da Boa Vista, apresentando um trabalho inédito.” Adriano Colângelo 24 “Artista italiano radicado no Brasil há 40 anos. Contam em seu currículo inúmeras exposições no Brasil e no exterior. É conferencista da História da Arte, ensaísta e jornalista. É pela segunda vez que participa, como expositor, da Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista. Já participou, também, de várias Exposições de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes, sendo homenageado na VII Exposição, acontecida em 1983. Nesta quinta feira última, dia 28, fez, dentro das atividades da Bienal, conferência no Rotary Club Centro, da nossa cidade. Colângelo seduz pelo conhecimento que possui da arte e da história, é um estudioso sério e profundo também do esoterismo. (...). Ele afirma que: ‘quem apaga a própria memória trai o presente e perde, inexoravelmente, o futuro’. Por isso, considera o Museu e a História tão importantes, quanto a informática e a tecnologia. A arte, para ele, não ficará de fora dessas mudanças todas; vai ampliar-se na forma dos conteúdos humanos, profundamente cultivados. (...) Sendo o momento de aproveitar, sobretudo, este avanço tecnológico irreversível para, ao lado disso, construir um novo homem. Considera, ainda, que não é necessário só combater o assassino, o político corrupto, o narcotraficante. Muito mais importante é combater o medíocre, o cinzento e a modorra, nos quais o medíocre gosta de viver e não deixa o mundo e as coisas avançarem”. Fernando Durão 25 “Artista plástico e fotógrafo de grande sensibilidade artística, natural da cidade do Porto, Portugal, nasceu em 1952; é radicado no Brasil desde 1969. Realizou inúmeras exposições individuais no Brasil e no exterior como na cidade do Porto; em Roma; na Galeria Portinari; no Memorial da América Latina, em São Paulo. Participou das coletivas: Bienal Internacional de São Paulo, em 1976; além de exposições no Japão; China, Taiwan; Alemanha; Equador e Argentina.” “Vamos Comer Arte na Abertura da II Bienal de Artes Visuais”

26

Jorge Luis Brás

“Este é o título de performance teatral que o Teatro de Tábuas estará apresentando por ocasião da abertura da II Bienal de Artes Visuais, hoje no Espaço Cultural Móveis Getúlio Vargas, às 20 h. Uma apresentação em que a metáfora da fome que sentimos, nesse ermo cenário cultural onde vivemos, transforma-se em uma alusão séria, investigada e profissional, proporcionando a todos uma reflexão pun-

gente do motivo de estar em um evento eclético e portentoso para nossa cidade,

como é esta Bienal. Fomos convidados pelo curador deste evento, o Sr. José Marcondes, e nos sentimos muito honrados, pois como ele, temos sentido o pesado fardo de fazer arte com qualidade neste atual cenário econômico e social em que vivemos. Aproveito para parabenizar este corajoso e sério professor-artista, pelo zelo e seriedade com que promoveu este evento, Daniel Salvi como estátua, Andréia Mourão, Jean Carlos do Santos e Tiago Kávila, na performance evento que, saibam os senhores leitores, “Vamos Comer Arte” - Atores do Teatro de Tábuas - II Bienal - 2000 começa muito antes do que se pensa. Acompanhei de perto, durante todo este ano, a incessante labuta do Sr. José Marcondes, da peregrinação por apoios que, apesar de seu histórico e confiabilidade da equipe que o apoiou, mesmo assim, não aconteceram facilmente. Além do empenho da equipe, junto com Maria Célia, ficou claro quanto prestígio, junto à comunidade artística do país, é necessário para conseguir tantas adesões de tão alto quilate, por esta realização e outras iniciativas que ficaram no passado e nas cabeças de todos os sanjoanenses, como a I Bienal de Artes Visuais e os Salões de Arte que antece173


deram este evento. Nosso reconhecimento e votos de merecido sucesso. Quando cito, em um parágrafo anterior, professor-artista, faço uma brincadeira com a imagem saudosa do professor de Educação Física, lá no curso ginasial em que conheci o professor-artista, quando nos dá exemplos de como produzir arte com seriedade; talvez essa admiração seja fortalecida pela dupla importância do professor. Parabenizo também a Diretoria Municipal de Cultura, na pessoa da senhora Vânia Noronha, pelo tradicional apoio ao evento em questão. Voltando à performance, convidamos todos para presenciar a surpresa que estamos preparando para hoje, logo mais às 20 horas. Nesta ocasião resolvemos transformar a arte em alimento e abordar uma questão fundamental na vida de um artista, a coragem de ser e a covardia de não ser.” MAIS NOTÍCIAS

O jornal, uma edição após a abertura da II Bienal, publica, do mesmo articulista, a seguinte reportagem:

“Todos bem alimentados...”

27

“Essa é a sensação que perdura após o banquete regado a cabeças decepadas que falam e, da estátua desnuda que traz do oculto mais que a forma e a estética, alimentando as pessoas com arte comprometida e investigativa. Também ficam tantas outras sensações em meio a um universo eclético de pessoas que estiveram no vernissage da II Bienal de Artes Visuais. Momento rico e proveitoso, no qual pude conhecer pessoas admiráveis pelo senso crítico e sensibilidade, pois a tônica da conversa surpreendia pelo profundo engajamento desses artistas com sua obra, portanto, com seus pensamentos; fantástico e inegável, uma noite memorável para a arte sanjoanense. Arte não pode reduzir-se ao seu fim, ela deve ser o meio que vem pedir mudanças, vem atestar outros caminhos e provocar crescimento no espírito, e, sem que percebamos, traz ao corpo uma saudável recompensa. Na performance ‘A coragem de ser artista e a covardia de não ser’, vivenciamos este pensamento. E não nos importamos com nada a não ser estar lá na Bienal e, através de nossa arte, o teatro, mostrar nosso pensamento. E foi emocionante! Conheci pessoas maravilhosas do meio artístico, mas o que valeu foi estar lá e poder dizer a todos: “Isso é o que pensamos”.

Vista Geral da II Bienal - Pavilhão Móveis Getúlio Vargas - 2000

174


MANIFESTAÇÕES

As manifestações de apreço à II Bienal vieram mesmo antes da abertura oficial. “Forrobodó - Sérgio Meirelles 28 Diz a lenda que Michelângelo ao terminar sua mais perfeita escultura tenha ordenado ‘Parla’. Lenda ou história, fato ou lorota, não importa. Importa o símbolo. O notável artista plástico, após muitos anos de apuro diante da insólita fria e desfigurada pedra bruta, lapidou-a, poliu-a com suas mãos, certamente calejadas pelos cinzéis e martelos, para no final acariciá-la com a suavidade dos dedos de um recém-nascido. Na pedra arrancada da rocha, ainda britada, vislumbrou a imagem final que dela extrairia, majestosa, encantadora. Ninguém poderia imaginá-la senão ele e somente ele. E é esta a magia da obra de arte e do artista que a produz. É claro que muitos o ajudaram a desbastar as bordas, mas até o ponto de esboço. Daí em diante só a sensibilidade e o talento geniais podem prosseguir nas proporções exatas, nos detalhes minuciosos, na última flanela. Num pintor de paredes encontra-se, não raro, um talentoso e instigante pintor de murais. Quem for a Brodósqui/ SP, pode ver o que o garoto Cândido Portinari fazia para deixar a casa de seus pais mais bonita. E mesmo sem ser um cristão de carteirinha deixou, na Igreja Matriz de Batatais, uma Via Sacra de emocionar ateus e agnósticos. Depois, ah! Depois, quanta obra prima. Eu prefiro ‘Canudos’ do Marcondes, daqui mesmo, agitador da II Bienal de Artes Visuais que será aberta hoje. O que mais intriga na obra de arte é, a saber, como o ator pode enxergar aquela imagem pronta. Com aquela harmonia e equilíbrio. Será para tentar adivinhar, mais uma vez, que eu vou à Bienal, onde estarão expostos artistas dos mais respeitados e premiados. Sim, não estranhe o ‘expostos’. É proposital. Penso que a obra de arte expõe o seu autor, invade a privacidade de seu espírito, da sua alma. Portanto, as obras expostas, expõem seus criadores. Nesta Bienal, que neste ano tem como novidade a arte fotográfica, como arte visual que é poderão ser apreciados Luís Sacilotto, que está merecendo destaque da “Exposição dos 500 Anos”; Bozzano Vaccarini; Thomaz Perina, Waldomiro Sant’Anna, Francisco Amêndola, Egas Francisco, Biojone, Tadeu De Morungaba, Regina Rennó, Maria Bernardes, Fernando Durão, Vicent Van Ojen, da Holanda, Lúcia Hinz, da Bélgica, Bernardo Caro, Cecília Mazon, e muitos e muitos outros craques das artes visuais. A seleção foi rigorosa e criteriosa, comandada pelo Marcondes, que , como curador, é garantia de excelência. (...) Com esta Bienal, poderemos de forma franca e gratuita, encontrar a beleza e a harmonia necessárias para a sensibilidade que nos afasta da barbárie e nos aproxima da natureza mais rica da humanidade; nos afasta das disputas e das querelas próprias da mediocridade dos incompletos e nos remete ao mundo do espírito, dos sonhos e dos devaneios. Quando eu era menino, meu avô recomendava que comesse cenoura por ser bom para vista. Acho que aquele farmacêutico estava enganado. Bom para a vista é o Belo, seja ele nas luminosidades das auroras e dos crepúsculos, seja ele produto da criatividade nas telas, nas pedras ou nos diafragmas. Como versou o ‘poetinha’: ‘Beleza é fundamental’. Vamos a ela.” Uma edição após a abertura da II Bienal, o mesmo articulista, membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista, escreveu: “Forrobodó - Sérgio Meirelles 29 ‘Com que roupa?’ Perguntou Noel, que, com a dúvida, deixou o samba indeciso. Pelo sim, pelo não, os homens buzuntaram gomalina e as mulheres lambuzaram batom. Era sábado, e porque era sábado, carecia capricho no costume. Era uma noite quente e, porque estava quente, exigia leveza nos panos. Era uma noite de gala e, por ela, garbo era fundamental. Noel resolvido. Em forma para o espaço largo da Móveis Getúlio Vargas. Contidos na elegância e ansiosos na expectativa. Procuravam a obra de arte. E ela estava na II Bienal de Artes Visuais, que sabiam ser corretas. Sem sisos nem sinos. Como da primeira vez, há dois anos, quando foi criada, por Lei Municipal, de iniciativa do Prefeito Laert que os vereadores foram unânimes em aprovar. Nem poderia ser diferente numa cidade que costuma ninar talentos. E quantos e tantos! Criar condições para que exponham não é mais que obrigação de quem os sabe perto. E São João, padroeiro, agradece retribuindo com a luminosidade dos crepúsculos. Amarrou-se um pacto. Sem demagogias, nem alaridos estéreis. Apenas sensibilidade. Reconhecimento de valores. Respeito à criação humana. Identificar a ‘ponte possível entre o mistério profundo do ser humano e o mundo exterior’ como observa Sônia Maria Quintaneiro no libreto editado pela Secretaria de Estado da Cultura, especialmente para o evento. 175


E o prefeito Laert que não é bobo, nem nada, pôs a Vânia Noronha para assessorar o projeto, a qual, que não dorme de touca, por sua vez, para dirigi-lo tinha Marcondes, forrado e estofado pelo reconhecimento, e nasceu uma exposição bienal com a expressão das demais, a tempo e hora. Assim, aparecendo do nada, como as flores na primavera. Mas que nada, ao nada se junta à coletividade um grupo de mulheres dispostas e decididas, um punhado de empresários engajados e atentos. Realiza-se em parceria, pela renúncia do Getúlio Vargas Barbosa, que tem a ‘lucidez dos loucos’ e como diz Egas Francisco, um evento de rara beleza. Exemplo de integração social – dirigentes e dirigidos – na preparação do futuro, como na Semana Fernando Furlaneto, no Festival de Dança, na restauração do Theatro Municipal, na consagrada Semana Guiomar Novaes, do Núcleo Experimental do Teatro de Tábuas, na agitação cultural da Livraria Papyrus, na Academia de Letras, no Fonteatro Emílio Caslini. E os pássaros daqui não gorjeiam como lá. E os meninos daqui acalantam-se como os de lá, na intimidade com a arte, tapete para a formação de homens e mulheres mais sólidos, neste mundo de tantas reduções”. A cidade de Campinas também noticia nossa Bienal, no dia de sua abertura.

Visitando a 2a. Bienal: Antônia Cabrelon, Lisete Galvani Bittar e suas filhas Lilian e Simone

“São João à Vista” 30 “A II Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista, tem seu início hoje (...) e Campinas estará representada pelas obras de vários artistas. Dentre eles Francisco Biojone, Egas Francisco, Vera Orsini, Bernardo Caro, Thomaz Perina, Vera Ferro, Cecília Mazon, que estará participando pela 2ª vez consecutiva, entre outros. Eva Ilg, ceramista, austríaca que há 30 anos reside em Campinas, estará participando com um conjunto formado por três totens que, em 1998, estiveram expostos no Tribunal Regional do Trabalho, 15ª Região - Campinas. Em abril, Eva mostrou suas obras ao lado

do artista plástico Egas Francisco. Os fotógrafos da cidade também marcam presença com Rodrigo Biojone, Juliana e Carolina Engler, e Fábio Fantazzini. Juliana Engler apresenta parte de seu mais novo ensaio ‘Fotografismo’ que pode ser classificado como uma espécie de fotograma. Já Carolina apresenta uma foto de seu último trabalho, intitulado ‘Variações’ a foto é feita sobre movimentos e sobreposições do corpo humano. Fábio Fantazzini, autor de elogiado ensaio fotográfico sobre a fábrica de chapéus Cury (1991), estará participando com um trabalho de 1998, uma usina abandonada em Santa Bárbara D’Oeste. ‘É uma foto inédita em termo de exposição’, explicou o fotógrafo, que estará participando pela primeira vez da Bienal. Reafirmando sua importância dentro dos salões de arte da região, a II Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista deve abarcar, este ano, mais de 100 trabalhos de artistas de várias partes do Estado (...).” “A Bienal na visão de Adriano Colângelo.” 31 “Em nossos tempos modernos tão contrastantes e cheios de graves problemas, como a superpopulação e o esgotamento dos recursos energéticos, a globalização chegou, infelizmente, também às artes, especialmente às plásticas. A época pós-moderna já se esgotou por si mesma e deu lugar a modismos e tendências, que, por sua vez, se tornaram logo estéreis, indicando que aquela mesma globalização não funciona nas artes, já que a criatividade humana da qual a arte é a expressão mais nobre, não pode ser enquadrada dentro de um sistema ou tendência que seja. O resultado, especialmente nas megalópoles mundiais, é produzir (evidentemente, não criar) alguma coisa (que não é arte), que agrade alguns críticos da moda (que não entendem de arte) e que alguns detentores do poder econômico (impermeáveis à beleza e à poesia da vida) compram apenas para enfeitar, muitas vezes com resultados cafonas, senão horripilantes, as paredes dos escritórios luxuosos ou de suas gélidas residências. Mas, graças ao bom Deus, nas províncias do mundo todo, nas quais certos hábitos domésticos, naturais e familiares conseguem resistir à globalização, a arte e o artesanato, não somente sobrevivem, mas estão mostrando que a alma de um povo e, como consequência, sua cultura, estão vivos e se renovam, cada vez mais, sem precisar dos modismos e tendências e menos ainda daquele sinistro sub produto da megalópole, que é um certo intelectual urbanóide. É justamente neste ângulo sadio, forte e jovem que estamos felizes em saber da ‘II Bienal de São João da Boa Vista’, na qual, sem nenhum preconceito, mas apenas se preocupando com a qualidade, a província dá uma lição de abertura para a criatividade autêntica e a emoção genuína de um artista caipira ou não, que possa exteriorizá-la com 176


linguagem e expressão próprias, sem as investidas radioativas daquele intelectual urbanóide, citado antes. Então teremos, mais uma vez, na bela São João da Boa Vista, uma outra bela Bienal, cuja arte e artistas serão como um sopro de ar fresco e sadio, não poluído e pesado como aquele das outras Bienais das megalópoles. E aqui desejo ressaltar os méritos, o entusiasmo e a garra de José Marcondes, amigo e artista de velha data, que permite, estimula, a realização desse belo evento que, junto com a Semana Guiomar Novaes, honram e muito, essa bela cidade e todo o estado de São Paulo com tão exemplares iniciativas”.

BIENAL EM BALANÇO

32

“No último dia da II Bienal de São João da Boa Vista, o curador artista plástico José Marcondes faz uma avaliação, do que foram esses 28 dias de exposição”: Artistas de São João: “Segundo o regulamento, o curador pode convidar até dez artistas da cidade, incluindo o próprio curador. Segui o regulamento e procurei escolher quem pudesse representar as várias tendências da arte contemporânea.” Importância Didática: “Muitas escolas visitaram a Bienal, a maioria do bairro do DER e Vila Brasil. Quero citar o trabalho maravilhoso do Prof. Edson Elídio Adão, da Escola Padre Josué; da leitura que fez com seus alunos, e agradecer a presença dele em todas as palestras. Outro professor, o José Carlos dos Reis, da Escola São João Batista, que também levou várias turmas de alunos; a Vânia Palomo; a escola El Shadai; a FAE; a escola Germano Cassiolato que foi com a Profa. Sônia Quintaneiro e muitas outras. Tudo foi registrado fotograficamente. O fato de ter sido realizado em um dos bairros mais populosos de São João deu oportunidade à população desses bairros de visitarem a exposição. O que foi muito gratificante. Foi possível constatar a necessidade de desenvolver um sistema para que a arte, de um modo geral, chegue mais aos bairros.(...).” Montagem e Catálogo: “Tina Gonçalez, artista plástica de Campinas, a convite do curador e sua equipe, foi quem, didaticamente, auxiliou na montagem da exposição. Já o catálogo foi, também a nosso convite, projetado graficamente pela artista plástica de Campinas, Maria Bernardes. Ficou excelente. A tiragem foi de 1.000 exemplares, distribuídos aos visitantes e enviados a muitas galerias e museus do Brasil.” Visitantes: “Foi a exposição que deu oportunidade para todos fazerem uma leitura, um estudo das obras. Ela foi mesclada, o que agradou e atraiu muitas visitas, uma oportunidade de desenvolver a sensibilidade e gosto artístico. Artistas de Limeira, Casa Branca, Ribeirão Preto alugaram ônibus para visitarem a exposição, além de visitantes de Campinas, São Paulo, Poços de Caldas, Espírito Santo do Pinhal entre outras cidades.” A Próxima Bienal: “O meu maior desejo é que os próximos curadores deem sequência com qualidade cada vez melhor e que não aconteça com a Bienal o que aconteceu com o Salão de Artes, já tradicional, com 20 anos de existência, oficializado pela prefeitura e que agregava também todas as tendências, desde as obras acadêmicas até as contemporâneas, e foi abandonado. O poder público vai querer que a Bienal tome rumos maravilhosos no futuro e que não mergulhe no caos...” Pareceres dos alunos da UNIFAE à Imprensa: 33 “Alunos do Curso da Comunicação Social da UniFAE foram até a Bienal conhecer e apreciar as diversas obras ali expostas. Camila França, 20 anos, adorou a exposição. A estudante acredita que para apreciar a arte tem que ter duas visões: ‘Não podemos ter um só primeiro olhar, mas um segundo, para você poder entender as obras e ver o que está por detrás delas’. A professora Maria José Moreira, que acompanhou os alunos, achou a exposição excelente, pois apresentou obras ‘muito interessantes, bonitas e diversificadas’. Dentre as obras expostas na Bienal, duas, em especial, chamaram a atenção da professora: ‘gostei bastante da obra de Silvia Matos, ‘Caixas de Gritos Mudos’, e a da artista Caru Duprat ‘O Ar se 177


Renova e a Terra Transpira’. Eu gosto de instalação, acho muito interessante, diferente, e não vemos sempre’. Suzimar Couto, 20 anos, achou muito interessante a Bienal e salientou a obra ‘Olhares’ de Plínio Ayub: ‘as duas crianças me impressionaram muito, porque os olhares delas passaram-me um quadro de pobreza e solidão. Essa foto deu-me um grande impacto, na hora em que a vi’. Janaina Oliveira, 18 anos, achou muito importante a iniciativa da UniFAE em levar os alunos para verem a exposição. Ela acredita que a arte é uma cultura para todos, é sempre bom, principalmente para os alunos da área de jornalismo, pois eles podem estar por dentro de todos os acontecimentos. ‘A interpretação da arte é diferente para cada um. Cada pessoa tem um olhar clínico, por isso, que ele é tão interessante’. Janaina gostou muito da obra de Sílvia Matos. Wanderson Mendes, 18 anos, achou a Bienal muito bem montada e concebida, com interpretações e expressões de autores bem significativos.”

EXPOSITORES SANJOANENSES AVALIAM A BIENAL A jornalista Silvia Borges, avaliação.

34

realizou também uma entrevista com alguns artistas participantes que fizeram a sua

Joaquim Mello - arquiteto e escultor: “Esta foi minha primeira Bienal, gostei muito de ter participado. A maior preocupação foi quanto à qualidade do trabalho que eu iria apresentar, pois sabendo do excelente nível deste evento, a preocupação era de não estar à altura. Há apenas dois anos estudando na ‘Arte e Fato’ com Maryci Vallin, todas as pessoas que viram o meu trabalho gostaram e elogiaram. Acho que todos os sanjoanenses devem orgulhar-se e parabenizar o curador pela iniciativa e escolha dos artistas participantes.” Alfredo “Fritz” Nagib Filho - fotógrafo: “A Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista é um evento muito importante e funciona, a meu ver, como uma mostra panorâmica com trabalhos de várias tendências e autores. Esta exposição não aprofundou o trabalho de um determinado artista ou tendência. Sua importância está no fato dela conter uma diversidade de linguagens artísticas. Considerei bom o nível da exposição e que este tipo de iniciativa é indispensável para a vida cultural da cidade.” Clara Giannelli - arquiteta e fotógrafa: “Nesta segunda edição, a Bienal de São João da Boa Vista adquiriu a posição de grande evento no campo das Artes Plásticas, conquistando respeito em nível nacional. Chamou atenção a variedade de materiais e técnicas apresentadas, demonstrando as infinitas possibilidades da expressão artística. Merece elogio a iniciativa de convidar artistas de renome no Brasil e exterior e artistas iniciantes que puderam mostrar seus trabalhos de ótima qualidade numa montagem que privilegiou a todos sem distinção. Estou feliz por ter tido a oportunidade de apresentar meu trabalho ao lado de nomes consagrados das artes plásticas. Parabéns ao Marcondes pela iniciativa e coragem desta realização.” Antonio Carlos R. Lorette - arquiteto, fotógrafo e professor: “Achei que esta Bienal foi mais direcionada. Houve um outro critério até na questão das obras. Esse cuidado apareceu, e acredito que a próxima será melhor ainda. Desta vez, Marcondes dividiu mais o trabalho, podendo assumir a curadoria de uma forma mais específica. Na Bienal passada foi plantada uma idéia e isso refletiu num trabalho mais articulado com bons resultados. Outro fator positivo foi a forma de montagem, de lidar com o patrocinador, o caráter educativo da mostra, as palestras extrapolando o espaço físico da exposição no uso de diferentes locais da cidade. A idéia de juntar artistas de tendências diversas é muito difícil, pois a exposição corre o risco de parecer uma feira, um ‘bric-a-brac’, e isso não aconteceu. O espaço foi muito bem escolhido e a exposição bem montada. Para próxima, talvez, um número menor de participantes. Fui convidado para participar mais na questão da fotografia, não sou um artista, sou um profissional da área visual. Senti que a fotografia poderia ter uma presença marcante. Ainda falta uma discussão acerca do antigo Salão de Artes Plásticas, o que ele representou e se valeria a pena voltar.” Plínio Ayub - veterinário e fotógrafo: 35 “Participei com a foto ‘Olhares’ e escolhi esta foto, porque suas características, como o fogão a lenha, o olhar e o estilo do povo nativo da região do Mato Grosso chamou muito minha atenção. Este clima que construiu o Brasil, que é o clima do forno a lenha é muito antigo, muito característico de todo nosso Brasil. Lá, isso ainda é o cotidiano, então me 178


traz uma sensação bonita, gostosa, que eu sempre apreciei e eu a trouxe para a foto, como recordação. Estou achando um espetáculo a Bienal. Tem obras excelentes”. Maria Bernardes - artista: “A discussão da arte no computador ainda está começando. Até agora o virtual é um pouco longe das pessoas; então, ele se torna um assunto quase místico. Quanto mais se mostrar e desmistificar, mais próximo das pessoas ele vai ficar. Acredito que o computador veio liberar todo tipo de arte e não acabar com as outras artes. Toda arte ficava basicamente em museus. Hoje o computador está trazendo esta arte para fora, libertando-a do museu, mesmo porque o computador não trabalha por si só, a arte não existe, se você não a criar. É muito grande a importância deste evento que São João da Boa Vista está organizando, pois ele trouxe representações de várias áreas da arte. Isso é fantástico, pois você pode confrontar a arte acadêmica com a arte moderna. São João da Boa Vista ganhou um respeito muito grande, por ter coragem de sediar um evento, misturando a arte super moderna com acadêmica. Meu trabalho, nesta Bienal, discute a entrada da televisão na família, um período em que esta se reunia para rezar. A televisão interrompeu esse hábito. Meu trabalho é uma metáfora, eu usei a aquarela e o computador, para fazer esse paralelo entre uma situação delicada, que era a junção da família em volta de um oratório e a TV, que veio mexer com essa delicadeza toda. É esse resgate que eu proponho com o meu trabalho, olhar para esse lado de novo, do relacionamento, para descobrir o que a pessoa tem de bom.”

AS CORRESPONDÊNCIAS...

Foram vários os pareceres que artistas enviaram diretamente ao curador.

Ana Maria Badaró: 36 “A vida é como a arte; Esta história escrevi para ser a abertura de meu livro - ‘A arte é como a vida, a vida é como a arte’, - ainda em andamento. Eu a dedico, hoje, ao artista plástico José Marcondes. A ele, que criou a Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista, com muito empenho e coragem, fazendo jus ao brilhantismo de outros grandes talentos dessa cidade. Aos 179 anos, São João da Boa Vista, presenteia seus habitantes e interior do Estado, com uma nova empreitada cultural: a realização da II Bienal de Artes Visuais, graças a uma equipe de garra comandada pelo curador Marcondes e com o apoio do Departamento de Cultura. Está de parabéns essa bela cidade, fonte tradicional de grandes artistas em todas as áreas. Sabiamente, a realização dessa Bienal transforma São João numa das cidades pioneiras em sediar um número tão expressivo de grandes artistas e hospedar criações e criadores que levam a cada pessoa aquilo que de melhor poderíamos receber de Deus: o dom da criação.” Paulo Acêncio: 37 “Algo além da agricultura e pecuária está acontecendo a pouco mais de 200 quilômetros do burburinho intenso e dinâmico da capital paulista. Está florescendo um polo cultural da maior importância, tanto para o público em geral da região de São João da Boa Vista como para nós artistas. A iniciativa de se criar uma Bienal de Artes Visuais fora dos grandes centros propicia a ampliação e divulgação de nossas ações. Este é um exemplo a ser seguido, pois, quando pretendemos uma melhor qualidade de vida, ela precisa ser completa: matéria, intelecto e espírito. A cultura é fundamental para o equilíbrio de nossa caminhada. Temos o dever de incentivar trabalhos como esse. Sabemos que a tarefa é gigantesca e fazer cultura em nosso país tem, muitas vezes, sabor utópico; não tanto por falta de raízes, mas acima de tudo por descaso do sistema que não prioriza a educação. No entanto, isoladamente, podemos contar com o apoio de administrações conscientes. Estão de parabéns, portanto, o artista e curador da Bienal, José Marcondes e todos que direta e indiretamente se dignam a colaborar para o êxito desse evento tão necessário para o fortalecimento de nossa cultura.” Roberto Constantino: 38 “De todos os atos que exteriorizam a realidade do comportamento humano, podemos dizer que a arte é o principal deles. Efetivamente, através da história, pode-se observar que a cada tomada de posição do homem na sociedade, fosse através das guerras de conquista, fosse através dos grandes descobrimentos ou das grandes invenções, imediata179


mente tais efeitos se faziam sentir na pintura e escultura, na literatura, na dança e na música. Esses movimentos, como o renascimento no final da Idade Média, e os movimentos modernistas na atualidade, representavam, antes de mais nada, um processo de conscientização de questões sociais, econômicas e políticas, num determinado momento. O movimento modernista de 1922 foi uma prova disso, onde um grupo de artistas rompe com preconceitos e sai à cata de uma arte cheia de riquezas e atrevimentos para a época. A partir daí, vários caminhos tomou a arte, passando pelo autodidatismo de um grupo como o ‘Santa Helena’, onde artesãos, artistas sem nome, simples homens do povo, imigrantes alguns, filhos de imigrantes outros, produziram uma obra de grande valor. E, se é verdade que hoje nossa arte criou pernas e se impôs como algo autêntico de um povo e de uma nação, limitando-se ao máximo no que tange à importação de estilos como ocorreu em determinadas épocas de nossa vida intelectual, não menos verdade é que passamos a exportar nossa criatividade com vários artistas brasileiros, marcando presença no exterior. Por essa razão, quando vemos a iniciativa brilhante de uma cidade como São João da Boa Vista de promover a cultura através de uma Bienal, outro sentimento não se poderia ter a não ser de orgulho e congratulação. Porque esta Bienal, além de trazer valores artísticos e culturais de outras regiões de um país de dimensão continental como é o Brasil, ainda tem a prerrogativa de deslocar do eixo Rio-São Paulo as manifestações da arte atual, seja de artistas brasileiros, seja de estrangeiros trazendo para uma cidade do interior de São Paulo, já rica por suas próprias características econômicas, políticas e culturais, um fator maior ainda de enriquecimento cultural, que é a realização de uma Bienal. Está de parabéns a cidade pela sua segunda Bienal, está de parabéns a Prefeitura pelo apoio despendido, está de parabéns sua Secretaria de Cultura por acreditar no evento, estão de parabéns os senhores vereadores por saberem qual é o interesse da população e está de parabéns o curador da Bienal, o Professor José Marcondes, pela coordenação, pelo convite aos participantes, pelo espírito empreendedor e altruísta que só os homens de visão têm. Que este evento sirva de exemplo a tantas outras cidades brasileiras. É o nosso desejo.” A Câmara Municipal de São João da Boa Vista enviou, em 19 de setembro de 2000, ao curador José Marcondes, o Ofício 354/00, de autoria de Valter Peres Franco, req. 0320/00, subscrito pelos demais vereadores, cumprimentando-o pela curadoria e sucesso da II Bienal de Artes Visuais.

“O CONTEMPORÂNEO”

Com o objetivo de implantar e implementar a Bienal em São João da Boa Vista, Marcondes foi curador por duas edições. Considerava, no entanto que, para as próximas, seria melhor outro dirigente, assim teria outras características, uma nova leitura das Artes Visuais. Para tanto, entrou em contato com a amiga e artista plástica Rô Gonçalves, convidando-a para a curadoria. Ela aceitou e Marcondes levou seu nome à Diretora de Cultura e ao Prefeito que a oficializaram como curadora. Assim, de 26 de outubro a 17 de novembro de 2002, foi realizada a III Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista, no Espaço Cultural Fernando Arrigucci, na antiga Estação Ferroviária, na Praça Rui Barbosa, 41. Era prefeito Municipal o Sr. Laert de Lima Teixeira e Diretora de Cultura e Turismo Mônica Trajan Real Orrú. A curadoria geral coube à artista plástica Rô Gonçalves que fez convites para curadorias específicas. Dessa maneira, a curadora da sessão de vídeo-instalações ficou a cargo da artista plástica Samantha Moreira; como curador da sessão de fotografias ficou Alfredo Nagib Filho “Fritz” e o tema escolhido foi “O Contemporâneo”. 39 A Diretora de Cultura deixou no catálogo a mensagem: “Nestes primeiros dois anos à frente do Departamento de Cultura e Turismo, realizamos inúmeros eventos culturais no município, divulgando e fortalecendo os grandes nomes da arte sanjoanense. 180


Retratar o nosso dia a dia na arte e envolver pessoas dos mais diferentes segmentos e apreciar o belo são os maiores objetivos de nossa ‘III Bienal de Artes Visuais’. A curadora, convidada de 2002, é a artista plástica Rô Gonçalves, que por seu talento, enche de orgulho aos sanjoanenses, amantes da arte e que não mediram esforços para que essa Bienal se concretizasse. Superando as dificuldades em conseguir recursos para a realização da mesma, fica aqui o meu reconhecimento a todos os artistas que dela participam, bem como o apoio dado pelo prefeito Laert, pelo deputado estadual Sidney Beraldo e a nossa artista Rô Gonçalves. Mônica Tranjan Real Orru” - Diretora do Departamento de Cultura e Turismo

A mensagem da curadora foi:

“Ao ser convidada para a curadoria geral da III Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista, pareceu-me um grande desafio a ser enfrentado. A ideia de promover uma exposição com alguns dos mais significativos nomes da Arte Contemporânea era tentadora e ousada. Tentadora, pela possibilidade de trazer ao público, não só da nossa cidade, como da região, a oportunidade de apreciar obras importantes em nosso Centro Cultural; ousada, pela dificuldade de deslocar esses artistas do eixo cultural dos grandes centros urbanos. Para me auxiliarem, convidei a artista plástica Samantha Moreira para a curadoria da sessão de vídeo-instalações e Fritz Nagib para curadoria da sessão fotografia. A expectativa de que os artistas aceitassem participar da nossa Bienal foi superada com imensa satisfação, o convite foi generosamente aceito por todos, inclusive para estarem presentes no dia da abertura. Quero aqui deixar patente o meu agradecimento aos artistas que direta ou indiretamente colaboraram para que este evento se tornasse possível. Realizar é não desistir nunca! Rô Gonçalves” - Curadora Geral

Obra de Rô Gonçalves - Curadora da III Bienal - 2002

181


UM TEXTO... Na abertura da Mostra foi distribuído um folheto aos visitantes, o qual continha um belo texto literário e até mesmo filosófico, de autoria de Samantha Moreira. Discorria sobre o tempo, um tema que instiga, provoca e intriga a autora deste trabalho. “O tempo é um meio contínuo e indefinido, no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis. O tempo me interessa, e me interessa o tempo como uma das discussões fundamentais na produção da arte atual. Escolher artistas que discorressem sobre o tema ‘Contemporâneo’, da III Bienal de São João de Boa Vista, trouxeme a constatação de que tudo está relacionado ao tempo. Tempo é corpo, pensamento, processo, trajeto, distância, matéria, paisagem, movimento, escrita, comida, amor, espaço, pessoas, ritos; tudo é tempo. O que se apresenta ‘são tempos’ de alguns artistas, recortados em duas situações diferentes de produção: intervenções temporárias e vídeos. No primeiro, intervenções temporárias, os artistas Cecília Stelini e Jurandy Valença apresentam trabalhos produzidos especificamente para o lugar – a estação e seus arredores. Estes trafegam entre o espaço e o público, o público e o privado. Estão de passagem assim como os trens e os carros que passam por ali sem necessariamente uma visita à estação. Cabe então aos trabalhos visitá-los. Expostas ao tempo, interagem à paisagem, abrindo espaços a serem observados e modificados, escolhidos a absorvê-los como corpo e obra. O segundo vídeo é dos artistas Ana Montenegro, Fábio Luchiari, Lia Chaia e Neide Jallajeas. O vídeo, veículo cada vez mais investigado pelos artistas, apresenta experiências, manifestações, ações e processos. Acontecem não como registro, mas sim como imagens que se constroem, colocam-se em movimento obras inicialmente transitórias que se perpetuam. O que une estes artistas é o fato de tratarem da permanência e do provisório – temporaneidades contemporâneas. O tema dessa III Bienal ‘O Contemporâneo’ foi inspirado no próprio espaço onde foi realizada a Mostra. A estação nos remete ao tempo pela própria existência, tanto como espaço físico, quanto pelo processo histórico. TEMPO enquanto linguagem poética. TEMPO dinâmico, estático. TEMPO da espera, da urgência. TEMPO corpóreo, estéril. TEMPO perdido, passado, presente e futuro. Caminhando por esses trilhos, nossa viagem nos levará a este espaço e ao encontro de importantes nomes da arte contemporânea, fazendo com que esta Estação do TEMPO volte a funcionar a pleno vapor, dinâmica, viva e atuante.”

PARTICIPANTES: De São João da Boa Vista: José Marcondes, Ronaldo Noronha; Tabajara Arrigucci. Outros participantes: Aguilar; Ana Montenegro; Ana Nitzan; Beth Turkieniez; Caciporé; Cazzaré; Cecília Stelini; Fábio Luchiari; Granato; Gustavo Rosa; Ju Corte Real; Jurandy Valença; Lia Chaia; Mascaro; Neide Jallajeas; Otoni Gali Rosa; Paulo Queirós; Peticov; Tomoshige e Tozzi. Os artistas participantes são possuidores de currículos 40 brilhantes e estão entre grandes nomes das Artes Plásticas. Aguillar “José Roberto Aguilar, artista paulistano, que em 1965 junto com outros artistas nacionais e internacionais participou da Mostra ‘Opinião 65’, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Entre outros prêmios, em 1967 recebeu o ‘Prêmio Itamarati’ na ‘Bienal de São Paulo’. Morou em Londres e realizou exposições em Birminghan. Em 1975 e 1976 viveu em Nova York e desenvolveu um 182


trabalho pioneiro de vídeo-arte. Participou das Bienais de São Paulo, em 1977 e 1979. Em seus trabalhos são constantes as demonstrações de não ter medo de experimentar. Nos anos 90, realizou mega exposições com quadros de grandes dimensões no MASP -1991 e no MAM/SP -1996. Como diretor da Casa das Rosas, dinamizou esse espaço com exposições sobre a cultura brasileira. É também escritor com vários livros editados.” Caciporé - escultor “Expôs nas Bienais de São Paulo e de Veneza; na Mostra ‘Jovens de Paris’; na ‘Quadrienal de Roma’; em ‘Neuchâtel’, na Suíça; além do Iraque, Venezuela, Chile, Paraguai, Austrália e ‘Brasil -500 anos – Arte Contemporânea’. Expôs individualmente no Museu de Artes de São Paulo - MASP; Museu Brasileiro de Escultura - MUBE; Museu de Arte Contemporânea - MAC e Museu de Arte Moderna - MAM. E em várias galerias no Brasil e no exterior. Ganhou os principais prêmios nas Bienais e nas Mostras mais importantes do Brasil, tais como: ‘Prêmio Viagem à Europa’; ‘Prêmio MAC’; ‘Prêmio Itamarati’; ‘Prêmio do Salão de Brasília’ ; ‘Medalha de Ouro do Salão Paulista de Arte Moderna’.” Cazarré - escultor “Ganhador de vários prêmios em Mostras Oficiais, culminando com ‘Prêmio Incentivo à Pesquisa’ da XII Bienal de São Paulo. Tem trabalhos em várias coleções pelo mundo: Japão, Israel, Itália, França, Portugal, Estados Unidos e países da América Latina. Desenvolveu trabalhos abstratos criando obras tridimensionais - objetos de parede -, as quais representam relevos de mais de 20 cm. Cazarré é um artista coerente, e se mantém fiel ao seu trabalho, ao qual dedicou toda sua vida.” Cecília Stelini “Nasceu em São Paulo, atualmente vive em Campinas. Atua na contemporaneidade, desenvolvendo a construção do objeto, com conceito, utilizando-se de diversas técnicas em vidro, metal, tela, cerâmica e acrílico. Participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior em galerias, espaços culturais e alternativos. Trabalha na grande dimensão, com instalações apropriações e interferência urbanas.” Granato “Ivald Granato, fluminense de nascimento, veio jovem para São Paulo, onde vive e produz suas obras. Na década de 1970 destacou-se com ‘un enfant terrible’, em performances impagáveis. Contracenou, em outros momentos, mesmo que informalmente, com artistas alemães. As figuras humanas eletrizadas, formadas com uma coloração jovial, criam uma atmosfera de modernidade, marca registrada de Granato.” Gustavo Rosa “O ludismo de Gustavo Rosa”. “O artista é uma das figuras mais destacadas no campo das artes visuais brasileiras, um destaque que ele conquistou com sua pintura lúdica, irônica, agressiva e mentalmente lúcida. Com um ‘design’ singelo e pragmático, ele cria suas figuras lapidares, agressivamente recortadas, impertinentemente simplificadas, irônicas e brincalhonas, produtos de um humor gozador de todas as fraquezas humanas. Há muita crítica aguda em suas gozações, há muita lucidez discernidora em suas composições, ou, melhor dizer, apresentações. Porém, esta crítica, não é maldosa, não é destruidora, não é negativa, embora se trate de uma autêntica crítica. Gustavo se espanta com a estupidez de nossa vida, o ridículo de nossos amores, paixões, costumes e de nossos chiliques. Tudo isso o leva a criar seu mundo pictórico de inesgotável humor caricatural, porém bondoso com nossas fraquezas e loucuras. Seu desenho é exato, frio, matemático, singelo, agressivo e irônico. (...) Ele se destaca pela sua originalidade. É, portanto, um grande talento, com o carisma de um agudo e muito puro e claro espírito.” Jurandy Valença “Jovem artista com destaque no cenário nacional, é uma grande promessa nas artes plásticas; participou de exposições de Arte Contemporânea, como a Bienal Nacional, de Santos, onde, na 8ª, ganhou ‘Prêmio Aquisição’. Também participou do Salão de Arte Plástica de Americana, de Piracicaba e outras. Foi ainda assessor da escritora e poeta Hilda Hilst, repórter e colaborador de jornais de Campinas e São Paulo, de projeção nacional.” 183


Cláudio Tozzi “Nasceu em São Paulo, onde vive. Participou de várias exposições entre as quais: Bienal de São Paulo; Bienal de Veneza ,1976; de Paris,1980; de Medelin – Colômbia, 1981; de Havana, 1986; de Makurazaki/Japão,1991. Participou da exposição ‘Brasil – 500 anos” Arte Contemporânea -2000’. Realizou exposições individuais no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo e no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, em 1993; no Museu de Arte Moderna, de Londrina; Museu de Arte, de Cascavel; Museu Andrade Muricy, em Curitiba, 1999 e em diversas galerias no Brasil e no exterior. Fez exposição e tese de doutorado, no Museu Brasileiro da Escultura na FAU/USP, em 2001. Recebeu vários prêmios, entre os quais: ‘Prêmio Viajem ao Exterior’ no Salão de Arte Moderna em 1979, e ‘Prêmio Viagem do Instituto Brasil e Estados Unidos’, melhor exposição em 1999. Realizou painéis em espaços públicos entre os quais: ‘Painel Zebra’, na Praça da República em São Paulo; Painel para a Estação Sé do metrô, de São Paulo; Painel no Edifício Spázio, 2.222, em São Paulo. Venceu o prêmio ‘Quota da Arte’, painel de 600 m2 em Edifício na Avenida Angélica, em São Paulo.” Antonio Peticov “O artista sempre resolveu equações em nome da beleza, primeiramente em cartazes para bandas de rock e capas de álbuns musicais, depois em pinturas e artes gráficas com visualidade sincera que manipula generosamente, até hoje, a figuração e as possibilidades cromáticas, mas também com a inteligência e a sensibilidade. Considerado o grande artista brasileiro proveniente de uma vertente psicodélica, originária ‘underground’ internacional, ele tem uma postura que nos faz lembrar artistas como Pete Max e Guy Paelaert, para citarmos apenas dois criadores geniais, também iniciados na senda lisérgica que explodiu na década de setenta em todo o mundo. Artista de vastos recursos, Antônio Peticov tem se dividido entre muitos suportes que vão da pintura à informática, das artes gráficas ao paisagismo”. Peticov foi assunto de jornal 41, em 2008, por ocasião da 28ª Bienal em São Paulo: “Um grupo de artistas promoveu na manhã de ontem um enterro simbólico da curadoria e da presidência da Bienal de São Paulo, no último dia do evento. Cerca de 20 pessoas lideradas pelo artista Antônio Peticov e sua mulher Cíntia Oliveira, levaram para dentro da 28ª Bienal dois caixões de papelão e uma faixa com os dizeres: ‘Viva a Liberdade de expressão, abaixo o vazio intelectual’ “.

Correspondência São João da Boa Vista, 05 de novembro de 2002 “Caro José Marcondes, Venho, por meio desta, agradecer sua disponibilidade em participar da III Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista, um evento que busca promover, aprimorar e estimular, ainda mais, a cultura em nossa cidade. Evento esse que com o seu trabalho e dos demais expositores proporcionou a uma cidade do interior o que há de melhor nas artes em telas, esculturas, instalações, fotografias e vídeos, como ocorre nas Bienais dos grandes centros urbanos. Esperamos contar com sua presença em outros eventos culturais no município. Atenciosamente, Laert de Lima Teixeira” - Prefeito de São João da Boa Vista

184

Esta foi a terceira e última Bienal de Artes Visuais de São João da Boa Vista.


Notas Referenciais

BIENAIS DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA 1- Ciccillo Matarazzo é considerado o mecenas das artes, do século XX, pois foi o grande incentivador das artes visuais, incorporando o cinema, teatro, literatura. Entre suas obras, além da criação da Bienal São Paulo, há grandes iniciativas tais como: o “Museu de Arte Moderna”, os festejos do “IV Centenário de São Paulo”, a “Companhia Cinematográfica Vera Cruz” e “Teatro Brasileiro de Comédia”, como também participou da criação do “Museu de Arte Contemporânea”, “Museu do Presépio”. Legou, ainda, sua biblioteca de aproximadamente 10 mil volumes à Universidade de São Paulo - USP. 2- Góis, Éber. Jornal “O Município”, agosto de 2000 – “O Brasil tem hoje representatividade nas artes em todo o mundo”. 3- Muniz, Vik. “A Bienal Esmagou a Arte Brasileira”, Revista IstoÉ, 29 de abril de 2009, p. 7. 4- Aguilar, Nelson. “Perda Irreparável”. Jornal “Folha de São Paulo”. Tendências/Debates. 01/12/2007. 5- Mesquita, Ivo. “Temos que enfrentar o Horror do Vazio”. Jornal “Folha de São Paulo”, Tendências/Debates, 01/12/07. 6- “O Estado de São Paulo”, “Sai primeira lista dos artistas da 29ª Bienal”, Caderno 2, 06/02/2010, p. D5. 7- Verso do poeta alagoano, Jorge de Lima. 8- Aconteceu de 21 de setembro a 12 de dezembro de 2010. 9- Marcondes, José em entrevista ao Jornal “O Município”, 17 de dezembro de 2005. 10- Jornal “O Município”, 14 de outubro de 1998, p.1. 1ª Bienal de Artes Visuais de São João Boa Vista por Vera Oliveira. 11- A Coordenação do Catálogo coube a Hélio Correa Fonseca Filho, com fotos de Antonio Carlos R. Lorette; a marca de Identificação Visual é de Agnaldo Manóchio, a parte de informática, diagramação e capa coube a Silvio César Pereira, o fotolito e impressão foi da Gráfica Sanjoanense. 12- Romildo Paiva, gravurista sanjoanense, residente em São Paulo, participou da “XIII Bienal de São Paulo”. Vide dados sobre ele no capítulo “Artistas Sanjoanenses”. 13- Jornal “O Município” Caderno Cultura, 14 de outubro de 1998. 14 -Jornal “O Município”, 24 de outubro de 1998, p.10, com fotos de Leandro Gullin ilustrando a reportagem. 15 -Barros, Tarcílio de Souza. Jornal “Gazeta de São João”, 1998. 16- Ronaldo Lopes é artista plástico e foi Secretário da Cultura de Itanhaém/SP. 17 -Jornal “O Município”. 18- “Jornal Edição Extra”, 12 de agosto de 2000, p.11. 19- Borges, Sílvia. Jornal “A Cidade de São João” – Contra Regra Nett- 23 de setembro de 2000- p.5. 20- Pizelli, Marcos, Arte no Brasil - Vol.2. 21- Fortes, Ana Maria. Jornal “O Município”, 23 de setembro de 2000. 22- Borges, Sílvia. Jornal “A Cidade de São João” – Contra Regra Nett -23 de setembro de 2000- p.5, com acréscimos de outras fontes. 23- Jornal “A Cidade de São João”, 9 de setembro de 2000, p.7. Caderno Contra Regra Nett - “Luís Sacilotto, na II Bienal de São João da Boa Vista”. 24- Borges, Sílvia. ”VIDARTEVIDARTEVIDARTE”. Jornal “A Cidade de São João”, 30 de setembro de 2000, p.4. Caderno Contra Regra-Nett. Texto completado com outras pesquisas. 25- Markovitch, Marco. Anuário de Artes. São Paulo: Marco Markovitch, 1999, p.29. 26- Braz, Jorge Luis. Jornal “A Cidade de São João” – Contra Regra Nett - 23 de setembro de 2000 - p.5. – o articulista é diretor e ator teatral que criou, na cidade, o Teatro de Tábuas. 27 - Braz, Jorge Luis. Jornal “A Cidade de São João”, 20 de setembro de 2000, p.4 Caderno Contra Regra Nett. 28 - Meirelles, Sérgio. Jornal “Edição Extra”, 23 de setembro de 2000, p.2. 29 - Meirelles, Sérgio. Jornal “Edição Extra”, 30 de setembro de 2000, p.2. 30 -Ribeiro, Bruno. “São João à Vista”. Jornal “Correio Popular”, Campinas, 23 de setembro de 2000, p.6. Caderno C. 31 -Colângelo, Adriano. - “A importância da Bienal”. Jornal “Edição Extra”, 30 de setembro de 2000, p.14. Artes Plásticas. 32 - Borges, Silvia. “A Bienal em Balanço”. Jornal “A Cidade de São João”, 28 de outubro de 2000, p.5. Caderno Contra Regra Nett. 33 - Bertoldo, Daniela. Jornal “O Município”, 21 de outubro de 2000. “II Bienal de Artes encerra-se hoje”. 34 - Borges, Sílvia. “A Bienal em Balanço”. Jornal “A Cidade de São João”, 28 de outubro de 2000, p.5. Caderno Contra Regra Nett. 35 - Bertoldo, Daniela. Jornal “O Município”, 21 de outubro de 2000, p. 1. 36 - Artista plástica, residente em Campinas, possuidora de um extenso currículo, com inúmeras premiações, entre elas a Medalha Carlos Gomes. 37 - Artista plástico de São Paulo. 38 - Artista plástico de São Paulo. 39 - Essa Bienal teve o apoio cultural da Imprensa Oficial do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria de Estado da Cultura, do Departamento Municipal de Cultura e Turismo e da Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista. 40- Dados retirados do catálogo da exposição. 41 -Jornal ”Folha de São Paulo” caderno Brasil-A-15, de 7 de dezembro de 2008. 185


SALÃO PAULISTA DE BELAS ARTES “Tudo leva a pensar que existe certo ponto do espírito de onde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo cessam de ser percebidos contraditoriamente.”

André Breton, 1929. HISTÓRICO O Salão Paulista de Belas Artes, o mais conceituado Salão de Artes de São Paulo, esteve sempre entre os importantes do Brasil. Constituiu-se numa referência no mundo pictórico. Seu primórdio talvez esteja em 1911, com a Exposição Brasil de Belas Artes realizada no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Porém, foi somente a partir da Revolução de 1930, que começou um movimento mais sistemático dos artistas plásticos de São Paulo, com a finalidade de criar um espaço oficial de exposição. Dessa maneira, muitas iniciativas foram tentadas, até que surgiu o arquiteto Alexandre de Albuquerque, que conseguirá, com seu apoio e dinamismo, transformar as idéias e projetos em realidade. Destarte, em 1932, através de decreto estadual, foi criado o “Conselho de Orientação Artística de São Paulo”, 1 que foi o responsável pela criação e organização do Salão Paulista de Belas Artes, cuja finalidade era “expor ao público nesta Mostra oficial de arte o que de melhor existe das artes plásticas no nosso meio cultural e auxiliar os artistas nacionais, não só divulgando seus trabalhos, como também proporcionando prêmios e maiores possibilidades de venda de suas obras.” Possuía as seções de Pintura, Escultura, Arquitetura e Arte Decorativa. O regulamento, elaborado pelo próprio “Conselho”, 2 foi aprovado em 1933 e nesse mesmo ano, em 4 de outubro, o Salão foi instituído, pelo Decreto Estadual nº 6.111 e aprovado pelo Interventor Federal no Estado de São Paulo, Dr. Armando de Salles Oliveira. Tornou-se, assim, uma realização da Secretaria de Estado da Cultura. A inauguração do 1º Salão aconteceu em 25 de janeiro de 1934, no antigo prédio do Diário Oficial de São Paulo, 3 mesmo ano da fundação da Universidade de São Paulo–USP, o que não é apenas uma coincidência, mas a demonstração de que São Paulo vivia uma efervescência cultural e artística. A maioria de seus participantes era constituída de artistas consagrados com as mais altas premiações do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Entre eles, sem desmerecer outros: Oscar Pereira Silva, Eliseu Visconti, Pedro Alexandrino, Anitta Malfatti, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi. Quatro participantes desse 1º Salão Paulista de Belas Artes, Juarez de Almada Fagundes, Torquato Bassi, Eurico Fanco Caiuby e José Maria da Silva Neves, também premiados no Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, foram fundadores da Associação Paulista de Belas Artes, em 1942. O então professor de desenho do “Ginásio do Estado de São João da Boa Vista”, Attílio Baldocchi, participou desse primeiro Salão e ganhou o Prêmio Prefeitura Municipal de São Paulo. O Salão Paulista tornou-se um marco, uma referência de qualidade, sendo, pois, concorridíssimo. Ser selecionado para dele participar, consistia, por si só, uma consagração, uma verdadeira proeza, motivo de orgulho e comemoração. Tornou-se, ainda, a mais antiga entidade artística do Estado de São Paulo, reunindo obras dos mais diversos estilos e escolas oriundas de todos os recantos do país, com artistas de renome na pintura, escultura, arquitetura e desenho. Porém, a pintura, sempre foi seu forte. Poucos salões brasileiros conseguiram a tradição e vida exuberante dessa instituição, que primou sempre por uma coerência e um sentido, como afirmou Lima, 4 “embora tenha aberto suas portas e paredes a estilos e categorias diversas, o Salão constitui um espaço de manifestações tradicionais, chamadas de acadêmicas (...) que sempre soube conciliar a ética com a estética e a respeitabilidade”. Até o V Salão, em 1938, a participação de artistas modernos, junto com os acadêmicos, era grande, mas a partir do VI, os conflitos entre eles, 5 que vinham num crescer, inclusive quanto ao destino do Salão, fez com que a presença dos “modernos” diminuísse consideravelmente; o que ocasionará ao Júri um maior rigor qualitativo na seleção das obras 186


para que o Salão não perdesse excelência e fosse, de fato, uma mostra de excepcional valor artístico. Este fato teve como conseqüência mais ampla, a melhoria significativa da arte acadêmica como um todo. Não perdendo, assim, a arte figurativa, seu lugar de destaque no panorama artístico nacional. Destarte, passou, a partir de 1939, a expor quase que exclusivamente obras acadêmicas, isso até o 43º Salão, em 1979 e, de maneira mais significativa, até sua 47ª edição, em 1984, quando voltou a abrir suas portas as variadas tendências de produção artística. Essa nova realidade fez com que a famosa crítica de arte, Radha Abramo, 6 em 1984, afirmasse que antevia um futuro primoroso para o Salão o qual poderia transformar-se num autêntico mostruário da arte atual, ou seja, representativo de todo universo artístico produzido, desde que mantida uma política mais ampla. No mesmo artigo, comenta ainda que nos “Salões de Arte Contemporânea é mais fácil ver obras de péssima qualidade, artesanais, disfarçadas em abstratas. Nos Salões dos chamados ‘acadêmicos’ isto é mais difícil, pois quem não sabe pintar um jarro ou uma perna, não tem como disfarçar a falta de estudo.” Os grandes artistas que expuseram no Salão Paulista de Belas Artes, de acordo com a monografia consultada, foram, entre outros: Pedro Alexandrino; Eliseu Visconti; Y.Takaoka; Giovanni Oppido; Omar Pellegatta; Colete Pujol; Dario Mecatti; Oswaldo Teixeira; Expedito Camargo Freire; Vicente Caruso; Salvador Rodrigues Jr.; Gino Bruno; Durval Pereira; Youssef Trabulsi; S. Takaki; Oscar Valzachi; Francisco Rebollo Gonzáles; a família Dutra com Arquimedes, João, Alípio e Antônio. Importantes artistas da arte contemporânea participaram das primeiras edições do Salão Paulista. Assim temos: Anita Malfatti, que foi agraciada com a grande Medalha de Prata, em 1935, além de Victor Brecheret, Thomaz Perina, Manabu Mabe; Alfredo Volpi, Clodomiro Amazonas, Arcanjo Ianelli, este premiado em 1952 e em 1957. Além destes, são nomeados outros artistas, que tiveram alguma ligação com as artes plásticas de nossa cidade. São eles: Alberto Tomazzi, Aldo Cardarelli; Alfredo Rocco; Antônio Pacheco Ferraz; Arlindo Castellani de Carli; Bruno Filisberti; Ettore Federighi; João Dutra; Luis Bruno da Silva e Manoel Martho. São João da Boa Vista também fez-se representar no Salão Paulista com artistas que tiveram suas histórias de vida ligadas à nossa terra. São eles: Attílio Baldocchi 7 que entre 1934 e 1980 participou, na Sessão Pintura, em treze Salões, sendo premiado em seis. Luiz Gualberto, 8 entre 1939/1966, participou, desse Salão, também na Sessão Pintura, e foi premiado em 6. Já José Marcondes, também na Sessão Pintura, participou em cinco e foi premiado duas vezes. Temos ainda, em 1966, no 31º Salão Paulista, Maria Luisa “Maísa” Barcelos do Amaral participando com o desenho a pastel “Retrato de Dª Helena Amaral” e Jordano Paulo da Silveira com uma vista de Caraguatatuba em datilogravura, além de Lucien. Já Agnaldo Luz na Taipa - Obra de José Marcondes Manócchio, na sessão Desenho, participou em 1988, no 50º Salão. Com o decorrer do tempo, o Salão Paulista de Belas Artes começou a declinar rapidamente, a ponto de não ser mais uma referência das artes plásticas e, dessa maneira, os meios de comunicação passaram a não lhe dar espaço. O OCASO Segundo Antonelli e Thommasi: 9 “O 50º Salão Paulista de Belas Artes foi realizado em 1988. Após essa data, ficou desativado por onze anos, relegado ao esquecimento. Em 1998, Marcos Mendonça, Secretário de Estado da Cultura, com apoio do governador Mário Covas, resolveu resgatá-lo com todo o seu tradicional prestígio e respeitabilidade perante o cenário artístico nacional. Prometeu, perante numerosos artistas da Associação Paulista de Belas Artes, que seria realizado o 51º Salão. A Associação Paulista de Belas Artes, convocada a colaborar nesse evento, teve importante papel, por possuir 187


toda documentação desde o 1º Salão. (...) e, empenhou-se ao máximo no seu resgate. Finalmente, aos 25 de janeiro de 2000, data da Fundação de São Paulo, foi solenemente inaugurado o 51º Salão Paulista de Belas Artes, no nobre Hall Monumental da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. (...). Além das obras premiadas e classificadas (...), foram expostas doze magníficas telas dos ‘Grandes Mestres’ da pintura brasileira, como homenagem ao ‘Brasil 500 Anos’. Na fachada da Assembléia, foi colocado também um enorme ‘banner’ com a obra de Antônio Rocco, intitulada: ‘Os Imigrantes’, em homenagem a eles que engrandeceram São Paulo, tornando-a na metrópole que é hoje. (...) O 52º Salão Paulista de Belas Artes foi inaugurado em 25 de janeiro de 2001, (...) no magnífico Espaço Cultural do Edifício dos Correios e Telégrafos, prédio histórico de grande valor arquitetônico, construído pelo emérito Ramos de Azevedo.(...). Devido ao absoluto sucesso desses dois Salões, foi realizado o 53º Salão Paulista de Belas Artes, inaugurado aos 25 de janeiro de 2002, no Salão Almeida Junior, Galeria Prestes Maia.(...). Houve a participação de 1.200 artistas, sendo selecionadas 150 obras (...). Foram concedidos 27 prêmios honoríficos e 10 aquisitivos entre os da Assembléia Legislativa e os da Secretaria de Estado da Cultura. A visitação atingiu o elevado número de 3.500 visitantes. Esse 53º Salão Paulista de Belas Artes, apesar de manter sua opção preferencial pela arte figurativa, tornou-se mais eclético, porque abriu espaço para a Arte Moderna, desde que seu ponto de partida fosse o figurativismo. Deve-se ressaltar que o figurativo, apesar da polêmica existente, de que não é contemporâneo, podemos afirmar que está sim, na contemporaneidade, porque sem se ater à literalidade do classicismo dos antigos, ainda expressa e capta a paisagem física, social, política e religiosa, quanto aos costumes da atualidade em que vive. (...) O 54º Salão Paulista de Belas Artes teve sua inauguração aos 14 de junho de 2003, no Museu Imaginário do Povo Brasileiro, local nobre. A Comissão não mediu esforços para o sucesso dos 51º, 52º, 53º e 54º Salões Paulistas de Belas Artes, (...) sempre se pautando por incontestável honestidade, e assumindo com responsabilidade a tarefa que lhe foi confiada. Respeitando totalmente o artista, tanto em suas escolas como nas suas tendências artísticas.(...), premiando apenas pela boa qualidade da obra exposta.” O 54º Salão Paulista de Belas Artes foi o derradeiro. Infelizmente, acabou sendo legalmente extinto em 26 de dezembro de 2006, pela lei nº 12.497, da Assembleia Legislativa de São Paulo. 10 Entretanto, numa tentativa em dar continuidade aos salões de arte figurativa, foi feita uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Associação Paulista dos Amigos da Arte - APAA. Criaram, assim, o Salão de Belas Artes de São Paulo - SBASP, em 2007. Parte desse Salão esteve em exposição em nossa cidade, em 2008, por ocasião da “Virada Cultural Paulista”.

PARTICIPAÇÕES DE JOSÉ MARCONDES

44º Salão Paulista de Belas Artes

6 a 30 de novembro de 1980 Salão Almeida Júnior - Galeria Prestes Maia – Praça do Patriarca, São Paulo. Organização: Secretaria de Estado da Cultura. Obra: “ Luz na Taipa - Fogão a Lenha”. Catalogada sob nº 455. Prêmio Participação em dinheiro. Salão montado e decorado por Aldemir Martins. Júri: Arlindo Castellani de Carli; Durval Pereira; Nicola Petti; Nassin Feres; Habuba Farah Riccetti. Secretário de Estado da Cultura: Deputado Cunha Bueno. Homenagem póstuma aos artistas Benedito José de Andrade; Rebolo Gonzales; Oscar Valzachi; Takaoka e também ao grande Mestre Oswaldo Lacerda Gomes Cardim, pelos inestimáveis serviços prestados à causa das artes no estado de São Paulo. Artistas participantes, entre outros: Attílio Baldocchi; Antonio Pacheco Ferraz; Alberto Simão; Alcides Navajas; Aldo Cardarelli; Alfredo Rocco; Arlindo Castellani de Carli; Arnaldo Barbieri; Carlos Bueno Assumpção; Djalma Urban; Durval Pereira; Emma Tonanni; Expedito Camargo Freire; Giovanni Oppido; Gladys Maldaun; Guerino Grosso; Innocêncio Borghese; José Ferreira; José Luis Messina; Luis Bruno da Silva; Makoto Takahashi; Manabu Mabe; Manoel Martho; Nicola Petti; Roberto Belletato; Salvador Santisteban; S. Takaki; Vicente Caruso e Youssef A. Trabousi.

Correspondências:

188

11

“Prezado Senhor José Marcondes, Em nome da Comissão Organizadora do 44º Salão Paulista de Belas Artes, comunicamos a V. Sª. que haverá uma


cerimônia de encerramento às 18 horas do dia 30 próximo, domingo, último dia da exposição, quando serão anunciados os prêmios que foram conferidos este ano. Posteriormente, haverá uma outra cerimônia para a entrega de medalhas, diplomas, prêmios em dinheiro e participação, em data e local a serem definidos oportunamente e que serão comunicados a todos, através de carta e pela imprensa. Atenciosamente,

Eloir Ascânio Hofig de Castilho” - diretor técnico e membro da Comissão Organizadora

O amigo Jacob “Jack” Eleazar Nemer enviou o bilhete: “São Paulo, 01 de novembro de 1980 Prezado Marcondes, Tivemos ontem o prazer de receber o convite para a exposição de quadros que se realizará na Galeria Prestes Maia. Embora meus conhecimentos não tenham melhorado nem ‘um centímetro’ desde novembro do ano passado quando você me fez uma preliminar sobre a matéria, lá estarei, prestigiando o amigo.(...) Quem sabe também haverá oportunidade de irmos até Embu. Nada como ir ao Embu com alguém que conheça pintura. Quem sabe se poderemos jantar juntos. Jack e Marisa.”

46º Salão Paulista de Belas Artes

13 a 30 de janeiro de 1983 Pavilhão da Bienal – Ibirapuera São Paulo Obras: “Casa em que Nasci” 40X50 ost e “Hortênsias” 50X40 ost Júri de Seleção e Premiação: Giovanni Oppido; Durval Pereira; Milton Pereira; Catálogo p. 8. Secretário de Estado da Cultura: pianista João Carlos Martins.

“47º Salão Paulista de Belas Artes”

15 de março a 8 de abril de 1984 Pavilhão da Bienal – Ibirapuera, São Paulo Obra: “Tulha” ost 50X40, catalogada 165-a Prêmio: Menção Honrosa – recebe o prêmio das mãos do Secretário de Estado da Cultura, Dr. Jorge da Cunha Lima “Marcondes, parabéns e abraços de satisfação pela sua participação no “47º Salão Paulista de Belas Artes”. São João, 19/03/1984 João Baptista Scannapieco” - Delegado de Ensino de São João da Boa Vista Secretaria de Agricultura e Abastecimento – Gabinete do Secretário. “São Paulo, 14 de março de 1984. Prezado Sr. José Marcondes. Em nome do Senhor Secretário de Agricultura e Abastecimento, Nelson Mancini Nicolau, acuso o recebimento do convite para o 47º Salão Paulista de Belas Artes, a realizar-se no dia 15 de março, na Fundação Bienal de São Paulo. Ao ensejo, agradeço a atenção e transmito a V.Sª e aos organizadores do evento, todo o sucesso almejado. Atenciosamente”,

49º Salão Paulista de Belas Artes”

Joaquim Barros Alcântara Neto” - Assessor/GSAA

19 de janeiro a 22 de fevereiro de 1987 Galeria Prestes Maia Obras: “Ingazeiro” ost 80X100 – nº 235 e “Cipós” 12 ost 60X50 Prêmio: Medalha de Prata, com “Ingazeiro” Presidente Comissão Organizadora: Colette Pujol Júri de Seleção e Premiação: Annibal de Moura, Dora Júlia Mantovani, Ruth Rohrer, Manoel Martho, Osório Bernardino Corrêa. Marcondes é citado no catálogo nas pp.22, 28, 43 (foto Ingazeiro) e 94. Secretário de Estado da Cultura: Bete Mendes “Recebi a notícia de que o prezado artista, mui merecidamente, foi premiado com medalha de Prata no 49º Salão Paulista de Belas Artes. Felicito-o na certeza de que continuará com seu trabalho, recebendo inúmeras premiações. Brasília 26/03/1987 Deputado Federal Antonio Salim Curiati “ 189


“Quero parabenizá-lo pelo merecido prêmio conquistado Medalha de Prata no 49º Salão Paulista de Belas Artes. Brasília , 30 de março de 1987 Deputado Federal Joaquim Haickel”

50º Salão Paulista de Belas Artes - Jubileu de Ouro 16 de junho a 15 de julho de 1988 Faculdades São Judas Tadeu - Salão Nobre Rua Taquari, 546 – 2º andar - São Paulo Obra: “Raízes” ost 60X50 Secretária de Estado da Cultura: Bete Mendes

Correspondência Ofício: Governo do Estado de São Paulo - Secretaria de Estado da Cultura “São Paulo, 08 de junho de 1988 - Ofício: 098/88 Prezado Senhor José Marcondes,

Artistas Agnaldo Manócchio e José Marcondes - 50º Salão Paulista. Maria Célia, Bete MendesSecretária de Estado de Cultura e Marisa Antunes Nemer - 1988

“Temos a satisfação de informar que sua obra abaixo relacionada, com inscrição nº 0341, foi selecionada pela Comissão de Júri de Seleção e Premiação e estará exposta no 50º SALÃO PAULISTA de BELAS ARTES. Em cumprimento ao artigo 19, da Lei 978/51, (...) participamos a Vossa Senhoria que (...) a Comissão Julgadora foi composta por: Francisco Cimino; Rios Pinto; Milton Pereira. - Elizabete Mendes de Oliveira - Secretária de Estado da Cultura.”

“Raízes” Obra de José Marcondes 50ª -Salão Paulista de Belas Artes

190


“Ingazeiro” ost 80X100 – Obra José Marcondes - Medalha de Prata no 49º Salão Paulista de Belas Artes - 1987

191


Notas Referenciais SALÃO PAULISTA DE BELAS ARTES 1- Catálogo do “48º Salão Paulista de Belas Artes – Monografias”. “O Salão Paulista de Belas Artes e os Grandes Artistas de todas as tendências que por aqui passaram”. Realização da Secretaria de Estado da Cultura – Imprensa Oficial do Estado, 1986. 2- O “Conselho de Orientação Artística de São Paulo” será extinto em 1948. 3- O “Diário Oficial do Estado” localizava-se na Rua 11 de Agosto e foi demolido em 1947. 4- Lima, Jorge da Cunha. “48º Salão Paulista de Belas Artes”. 1985, p. 1. 5- Esse conflito acontece também no Rio de Janeiro, com artistas ligados à Escola Nacional de Belas Artes, veja detalhes no capítulo História da Pintura no Brasil. 6- Abramo, Radha - “Belas Artes, um Salão Polêmico”, jornal “Folha de São Paulo” de 23/03/1984 - in “48º Salão Paulista de Belas Artes – Monografias” (...). Realização da Secretaria de Estado da Cultura – Imprensa Oficial do Estado, 1986. 7- Vide detalhes em sua biografia. 8- Idem. 9- Dados referentes às últimas Mostras do Salão Paulista de Belas Artes foram retirados do texto de Antonelli, Irene Thommasi; Comissão Organizadora do 1º SBASP – Salão de Belas Artes de São Paulo, 2007. 10- A lei 978/51, do Salão Paulista de Belas Artes, foi revogada pela Lei nº 12.497 de 26 de dezembro de 2006. 11- Divisão de Defesa do Patrimônio Cultural e Paisagístico de São Paulo, 27 de novembro de 1980 - Nº01/80 - Circular. 12- Neste mesmo ano de 1987, a obra “Cipós” que participou do 49º Salão Paulista de Belas Artes, foi Medalha de Ouro no Salão de Rio Claro e recebeu o prêmio “Prefeito Laert Mendes”, no Salão de Matão.

Gilberto Evaristo, Douglas, Gilberto Dutra, Salvador Rodrigues Jr., Carlos Santiago, José Marcondes. 50º Salão Paulista de Belas Artes - 1988

Fernando Nemer, S.Takaki, José Marcondes, Pacheco Ferraz, Agnaldo Manocchio. 50º Salão Paulista de Belas Artes - 1988

192


NA IMENSIDÃO DE SÃO PAULO

Marcondes participou de várias coletivas na cidade de São Paulo:

“I Salão Oficial de Artes Plásticas”

Organização: Academia Paulista de Belas Artes Comemoração ao seu aniversário de fundação Praça Roosevelt – Galeria Portinari outubro de 1980 Obras: nº 135: “Descanso da Vovó” ost 50X40 nº 136: “Tião, um Caboclo” ost 50X40 Comissão de Seleção e Premiação: Vicente Caruso, Milton Pereira, José Rios Pinto

“1º Salão Nacional de Artes Plásticas Alberto Santos Dumont”

Comemoração à Semana da Aeronáutica Ibirapuera, São Paulo, Capital outubro de 1980 Obra: “Tia Maria” ost 50x40 Premiação: Medalha de Prata - entregue pelo Capitão Adugar Quirino do Nascimento e Souza, representando a Sociedade Brasileira de Belas Artes Organização: Fundação Santos Dumont e Sociedade Brasileira de Belas Artes

“9º Salão de Artes da Associação dos Artistas Plásticos de São Paulo”

Local : Galeria Prestes Maia, Praça do Patriarca, São Paulo, Capital junho 1981 “Vovó” ost 50x40 Catalogado sob nº 174; p. 9 Organização da Associação dos Artistas Plásticos de São Paulo com colaboração da Secretaria de Estado da Cultura e Secretaria Municipal de Cultura Secretário de Estado da Cultura: Deputado Cunha Bueno

“Salão Nacional de Artes Plásticas da Aeronáutica”

Comemoração ao “Cinquentenário do Correio Aéreo Nacional” Local: Ibirapuera, São Paulo, Capital 11 a 20 de junho de 1981 “Luz” – Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ost 50X40 Organização: Sansão Campos Pereira, Ubirajara Carvalho da Cruz, Satyro de Mello Marques Realização: Ministério da Aeronáutica

“III Salão Oficial da Academia Paulista de Belas Artes” - Homenagem ao grande artista mestre Almeida Júnior Palácio das Convenções - Anhembi/SP 1982 Obra: “Vende-se” ost 50x40

“II Salão de Novos”

Sede da Academia Paulista de Belas Artes, Praça Roosevelt, São Paulo 25 de novembro a 10 de dezembro – 1982 Obra: “O Restaurador de Igrejas” Realização: Academia Paulista de Belas Artes

Vende-se - Obra de José Marcondes

193


“IV Salão Oficial da Academia Paulista de Belas Artes” Palácio das Convenções – Parque Anhembi – São Paulo 13 de setembro de 1983 – abertura Obra: “Recanto de Pinhal - Córrego” ost 40X50 - catalogado sob nº 149 Presidente de Honra: Governador André Franco Montoro - agraciado com a Medalha de Membro Honorário da Academia Paulista de Belas Artes, que esteve presente juntamente com sua esposa D. Luci Montoro Participaram, entre outros: Alberto Thomazi, Aldo Stoppa, Arlindo Castellani Di Carli, Durval Pereira, Francisco Cimino, Luís Bruno da Silva, Manoel Martho, Olavo Ferreira da Silva, Roberto Belletato, Salvador Rodrigues Jr., Shokichi Takaki, Sebastião Fonseca e Vicente Cenci.

Foi prestada homenagem póstuma a Nicola Petti e Archimedes Dutra.

José Marcondes, Governador André Franco Montoro e D. Campanelli - Presidente da Academia Paulista de Belas Artes - IV Salão - Anhembi - SP -1983

“Descentralização da Cultura” - Arte do Interior de São Paulo

Galeria de Artes do Sesi da Avenida Paulista, 1.313, São Paulo, Capital 5 a 18 de agosto de 1985 Organização: Sesi e apoio do Centro Brasileiro de Projetos de Arte - CBPA Foram vinte artistas participantes, todos do interior do estado de São Paulo. No catálogo há o quadro de cada um deles, com um pequeno texto. São João da Boa Vista fez-se representar com José Marcondes, a obra “Alameda de Bambus” ost 50X40 e o seguinte texto: “A luz que penetra na sombra da alameda de bambus ofusca o brilho do minúsculo riacho que tem ali o seu trilho úmido. É o adorno que completa as coisas de nossa infância.” Para o quadro “Velho Quintal”, há o texto: ”Manhã de maio, o sol beija os prédios de São João, enquanto aquece o pitoresco ambiente envelhecido, mas cheio de vida, de D. Candinha, de seu galinho de estimação e a cabra mojando, num ambiente de velhos amigos.” Tabajara Arrigucci, de nossa cidade, participou com o quadro “Cena Rural”. Outros artistas participantes e suas respectivas cidades: Quina, da cidade de Americana; Walter Mortari, de Bauru; Maria José Duarte, de Bragança Paulista; Afrânio Montemurro, Pagano e Paulo de Tarso Cheida, de Campinas; Brandina Gatti, de Capivari; Midore Wakano, de José Marcondes, Luiz Bruno da Silva- IV Salão - Anhembi 1983 Indaiatuba; Adão Hebling e Geraldo Suzigan, de Limeira; Cecíla Mazon e Vera Ferro, de Mogi Mirim; Araken Martins, Eduardo Ferreira Grosso e Marilu, de Piracicaba; Hélio Martins e Odilla Mestriner, de Ribeirão Preto; Alcides Rozani, de São José do Rio Preto. As Mensagens

Mensagens de Adriano Colângelo, Radha Abramo e Alceu M. Righetto que constam do catálogo:

“Uma das razões mais importantes das culturas do passado terem dado tantos gênios artísticos e tantas obras de arte, que formam precioso acervo nos principais museus do mundo, foi valorizar não somente os grandes talentos da cidade, mas também aqueles da província. Os exemplos são inúmeros, ao longo da história da arte, valendo a pena lembrar das catedrais góticas da França, as românicas na Itália; de fato, todas elas foram construídas, não somente nos grandes centros urbanos, mas também nas médias e pequenas cidades das províncias. 194


Vale recordar que o fulgor do Renascimento Italiano se deu, além da grande Firenze, nas cidades menores como Piza, Lucca e Pistóia que com seu precioso acervo contribuíram, de forma e cultura altíssimas, a completar aquele organismo artístico, cujo patrimônio urbano e provincial está aí, como exemplo brilhante de uma cultura integrada na qual a cidade e o interior cresceram e criaram em formidável conjunto. Mesmo no Brasil das capitanias mineiras, o brilho inconfundível do barroco colonial se deu, além de Ouro Preto, em belíssimos centros do interior, tais como: Mariana, São João Del Rei, Diamantina e Sabará, confirmando a tese de que a cultura cresce e desenvolve não unilateralmente, mas num conjunto orgânico, no qual cada membro e cada órgão se organizam harmonicamente para formar um ente adulto e sadio. A respeito disso, queremos destacar o caráter pioneiro desta exposição que, dentro daquele espírito integrativo, nasceu e desenvolvem num projeto de confraternização e colaboração entre a crítica de arte Srª Radha Abramo, presidente do Centro Brasileiro de Projetos de Arte - CBPA, o Sr. Cildo de Oliveira, artista plástico e coordenador do projeto, o Sr. Antônio Carelli, assistente do projeto, o Sr. Alceu Righetto, programador cultural da cidade de Rio Claro, e nós da Galeria de Arte do SESI que estamos patrocinando o evento. Por sinal, nós já abrimos, sem preconceito nenhum, as portas da galeria para ótimos artistas interioranos, tais como: Ateliê, de Franca, José Marcondes, de São João da Boa Vista e Vera Ferro, de Mogi Mirim. Queremos destacar que esta exposição tem a finalidade de começar a aproximar, e quem sabe confraternizar credos, personalidades e talentos diversos, num diálogo e num debate estético que possa, como passo inicial modesto, mas firme, fazer nascer e desenvolver, com outros projetos e ações culturais similares, uma consciência, uma postura lúcidas pelo menos em relação a uma cultura ao mesmo tempo paulista e paulistana. Adriano Colângelo” - Coordenador e Programador da Galeria de Arte do SESI “Esta exposição fala um pouco do interior, mas onde fica o interior? Fica ali mesmo, em qualquer canto, sempre há um pouco de vida interiorana, ainda que seja nos usos e costumes. A arte não está dispensada. As cidades, ao longo das ferrovias e das estradas, alçadas pela mídia eletrônica, também se modificam, também se renovam, mas sempre dentro de um processo social e menos traumático possível. A característica social das comunidades interioranas depura o novo. A absorção de novos valores procura a conciliação com o tradicional. Assim, apesar do digital, o galo continua despertando. A arte não se distancia deste universo cultural, é parte dele. As variações temáticas convivem tanto com o clássico evidenciado pela beleza farta da natureza, como o chegado abstracionismo, indefinido, imaginário, sem limites. Sem as costumeiras triagens conceituais, Arte/Interior é um painel aberto às tendências, mostrando o artista do Interior com seu referencial maior: o próprio talento. Alceu M. Righetto” - de Rio Claro “O cenário cultural dos centros econômicos mais desenvolvidos como Rio de Janeiro, São Paulo, etc., recebe influências e até mesmo modelos culturais internacionais, desenvolvendo-os aqui como uma Arte. Ressonante que, de certa forma, projeta seus paradigmas para o desenvolvimento artístico dos centros mais distantes, como Rio Claro, Americana, Piracicaba, São João da Boa Vista etc. A descentralização cultural visa prioritariamente um intercâmbio e um debate sobre a questão da arte entre os centros mais distantes e os centros monopolistas da cultura e vice-versa. Este projeto se originou da ‘Primeira Mostra de Artes Plásticas Regional de Rio Claro’, representada por vinte cidades do Interior e serve de Projeto Piloto para despertar a consciência crítica sobre a descentralização como meio de crescimento artístico e cultural de um povo. Radha Abramo” - Crítica de Arte

“IV Salão Nacional de Artes Plásticas ‘Brigadeiro Eduardo Gomes” Ibirapuera São Paulo – Capital novembro de 1985 Obra: “ Leiteiro de Mariana/MG” Prêmio: Medalha de Bronze Organização: União Nacional dos Artistas Plásticos.

“Grande Seleção da União Nacional dos Artistas Plásticos- UNAP” São Paulo 1986

“Salão do Figurativo e Acadêmico da União Nacional dos Artistas Plásticos- UNAP” São Paulo 1986

195


“Núcleo de Arte e Cultura NOVA ERA- NACNE” 14 de julho de 1986 São Paulo Obra: “Cansado” ost 50X40 Organização: “Brasil Acadêmico de Artes Plásticas”

“SÃO JOÃO DA BOA VISTA MOSTRA SUA FORÇA EM SÃO PAULO”

- Arte e Cultura Sanjoanenses SESI, Avenida Paulista, 1.313 - São Paulo 19 a 31 de outubro de 1987 Presidente do Serviço Social da Indústria: Mário Amato Esta exposição foi uma realização da Associação dos Amigos da Arte e da Cultura de São João da Boa Vista “AMARTE” que, a convite de Adriano Colângelo, coordenador e programador da Galeria de Arte do SESI, levou para lá artistas sanjoanenses das diversas áreas para exporem suas obras. Eram obras de artistas vivos e também falecidos; foi uma coletânea e significativo resgate da arte e da cultura de nossa terra. Participantes: Artes Plásticas: Benedito Bernardes Soares; Eliseu Ferreira Diniz; José Marcondes; Neyde Arrigucci; Ronaldo Noronha; Simphoroso Alonso e Tabajara Arrigucci. In memoriam: Araújo Lima; Attílio Baldocchi; Fernando Furlanetto; Jácomo Furlanetto e Luiz Gualberto. Cinema e Fotografia: Gilberto Sibin e Dilo Gianelli - in memoriam. Literatura: Ademir Barbosa de Oliveira; Christino Cardoso de Pádua; Davi Arrigucci Jr.; Matildes Rezende Lopes Salomão; Orides de Lourdes Teixeira Fontela e Iola Oliveira Azevedo In memoriam: Anésia Martins Mattos; Emílio Lansac Tôha; José Osório de Oliveira Azevedo; Maria Leonor Alvarez e Silva e Patrícia Rehder Galvão “Pagu”.

Leando Mazzutti, José Marcondes, Jack Nemer e Rodolfo Galvani - SESI - São Paulo - 1987

Música: Cláudio Richerme In memoriam: Edivina Noronha de Andrade; Guiomar Novaes; Maestro João de Mello “João Menino” e Nascipe Atalla Murr

Dr. Joaquim José de “Oliveira Neto” escreveu o texto que constou do Catálogo:

“As pesquisadoras Maria Leonor Alvarez Silva e Matildes Lopes Salomão anotam que a primeira tentativa de jornal em nosso município foi publicada em 1884 e tinha o título de ‘O Marimbondo’, com quatro páginas manuscritas a tinta, quinzenal e assinatura anual de dois mil réis. O primeiro jornalista foi Galdino Siqueira, mais tarde Juiz e autor de livros de Direito Penal e Processual. Tinha como auxiliares Francisco da Costa Aguiar e Barbosa Sandeville. Dois jornais foram de grande importância para o povo: ‘A Cidade de São João’ e o ‘O Município’, mas só apareceram com a proclamação da República, ambos em 1891, e foram diretores e colaboradores: Júlio Pereira de Freitas, Cândido Pio da Silva, João Pires de Aguiar, Manços de Andrade, entre outros. Na ‘Cidade de São João’ também de 1891, foi redator colaborador Silviano Barbosa. Outro jornal que não durou muito tempo foi o ‘Telefone’, seguido do ‘Intransigente’, do ‘Prelúdio’, da ‘Gazeta’, do ‘Municipalista’, assim como a ‘Gazeta de São João’, de responsabilidade de Ostiano Sanderville e Manços de Andrade. Em 1904, apareceu e durou muito pouco ‘IL Secolo XX’ com tendências socialistas. No novo século, vários jornais surgiram, como o ‘Eco Juvenil’, ‘O Careca’, ‘O Correio de São João’, o ‘São João’, o ‘Sanjoanense’, o ‘Bizarro’, o ‘A Evolução’, o ‘Ginasiano’, o ‘Alvorada’, o ‘Estudante’. Com as revistas, a mais importante foi a denominada ‘Cirrus’, publicada em 1904 a 1905, tipografia de Carlos Lumann, com artigos dos principais intelectuais da época. Eram eles: Luis Gambeta Sarmento, Thiers Galvão - pai de Pagu, Nathanael Pereira - pai Jaçanã Altair, Manços de Andrade, João Batista Boa Vista. Uma outra revista, denominada ‘A Vida’, foi dirigida pelo dr. Mauro Pacheco, teve três números apenas. O ‘Bi196


nóculo’, de sua responsabilidade, também é de curta duração. O ‘Stecomia’, dirigida por João dos Santos com o pseudônimo de Benigno Tejas, revista de humorismo, no tempo da febre amarela. A revista ‘Crepúsculo’, tipo ‘Manchete’, editada em Poços de Caldas, tendo como diretor Emílio Lansac Tôha, e responsável Jayro Sguassábia, era muito bem feita. As historiadoras do nosso município colocam Jaçanã Altair Pereira Guerrini, como a primeira sanjoanense a publicar livro. Maria Leonor Alvarez Silva publicou um romanJosé Marcondes, Jack Nemer, Cidinha e Dino Noronha, Maria Célia Marcondes, ce denominado ‘Mãe Solteira’, além de uma Monografia sobre Monteiro Lobato, um livro de Biografias e outras obras de valor. Emílio Lansac Tôha lançou vários livros de esplêndidos versos como ‘Entardecer’, ‘Mensagem’, ‘Remanso’, ‘Todos Cantam a sua Terra’, ‘Vigília de Ternura’, ‘Cântaro Vazio’. Octávio Pereira Leite escreveu os livros: ‘Sob os céus da Europa’ e o ‘Nordeste e a Amazônia’, recordações de suas viagens. Acácio Ribeiro Vallin nos legou o ‘Girivá’, ‘Crepúsculo Rural’, ‘Dias de Esperança’, ‘Terra Lavrada’, ‘Caminhos do Coração’ e outros. Davi Arrigucci Júnior crítico literário autor do ‘Escorpião Encalacrado’, ‘Achados e Perdidos’, ensaios notáveis. Roberto Júnior, professor, era consumado poeta e temos dele o grande livro denominado ‘Ângelus’. João Batista Sguassábia já escreveu ‘Coisas da Vida’ e Iola Oliveira Azevedo ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance com a sua obra ‘A Reconquista’.” Já Adriano Colângelo, artista plástico, diretor da Galeria de SESI e curador da Mostra deixou esta mensagem no Catálogo: “Dentro de nossa filosofia de trazer para a Galeria não somente artistas novos ou desconhecidos, mas também manifestações culturais mais completas nas suas diversificações, estamos inaugurando esta importante mostra da cultura da pequena cidade de São João da Boa Vista do interior paulista. Cidade rica em personalidades artísticas de projeção nacional e internacional, como Pagu e Guiomar Novaes, detém, em seu seio, personalidades de destaque, como o grande escultor acadêmico Fernando Furlanetto, já falecido, o jovem e grande pianista Cláudio Richerme, paralelamente às manifestações culturais de notável importância, qual a Semana Guiomar Novaes, talvez a mais completa realização musical do interior. Cidade que deu, também uma das maiores figuras da literatura nacional contemporânea, Davi Arrigucci Júnior.

Aparecidinha Mangeon Oliveira, Luiza Sibin, Dom Luiz Bergonzini, Alice Merlin, Salma Adib, Ademir Oliveira, Simphoroso Alonso, Orides Fontela, José Marcondes, João Batista Merlin e a menina Manoela D. Fadiga - SESI - 1987

197


São João da Boa Vista manda para São Paulo um acervo cultural dos mais interessantes e ricos, não somente para a visitação de vernissage, mas também como precioso material de estudo relacionado com a cultura nacional e sua memória. De fato, os estudiosos, os pesquisadores e os estudantes em geral terão oportunidade de ter acesso a um material precioso e variado que poderá, neste breve tempo da exposição, enriquecer muito as informações necessárias a um crescimento da cultura e pesquisas pessoais. Por isso tudo, acreditamos com firmeza, que esta Mostra, que nos parece a primeira e única no gênero em São Paulo, se revestirá de um caráter artístico e cultural de suma valia, já que é chegada a hora de realmente realizar uma releitura e uma reavaliação histórica daquilo que o Brasil concretizou até agora. Esta preciosa Mostra sanjoanense poderá até alertar e estimular, quem sabe um pouco mais, a memória nacional e, sobretudo, a consciência desta mesma como um patrimônio que, saindo de seus arquivos, possa irradiar novamente, em nossa moderna Galeria, sua força e sua energia. Se isso for alcançado, nos sentiremos, ao lado dos cidadãos desta bela cidade paulista, orgulhosos de ter feito, mesmo que seja um pouco, alguma coisa honesta e bem realizada a respeito da cultura e da memória nacional, ultimamente um pouco esquecidas apesar, como esta Mostra aponta, de ter um material rico e às vezes pouco conhecido, o que não justifica o esquecimento e a indiferença de certas áreas relacionadas com a cultura. São João da Boa Vista, a ‘Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos’, dá um belo exemplo de vida, de arte e de consciência nacional com cuidado e amor com os quais soube conservar viva a sua arte e seus filhos tão ilustres. Vale a pena visitar esta Mostra tão preciosa.” A poeta Orides Fontela esteve presente à Mostra e o jornal “Gazeta de São João” 1 noticiou: “A intelectual Orides Fontela, uma das grandes sensações da noite, arrasando com suas gafes monumentais, chegando para o poeta sanjoanense (...) , soltou esta: ‘meu querido Akira Kurosawa, que bom ver você e vivo’.” Sob o título “Arte e Cultura Sanjoanense movimentam São Paulo”, a “Gazeta de São João” 2 publicou: “Sinais de cultura pelos lados desta cidade. Brilhante. Brilhante mesmo a iniciatiAdriano Colângelo e José Marcondes - SESI - São Paulo - 1987 va da AMARTE, presidida pela baluarte Aparecidinha Mangeon Oliveira, que organizou em São Paulo, na noite de dezenove que se foi, uma das maiores expressões artísticas, movimentada com a presença de artistas, intelectuais e jornalistas, a exposição Arte e Cultura Sanjoanenses, na Galeria de Arte do SESI. O evento reuniu muitos sanjoanenses que residem na Capital. Houve uma confraternização entre os sanjoanenses de ‘lá’ e de ‘cá’. Gente que não se encontrava havia mais de 30 anos, revendo juntos a tradição e a cultura sanjoanenses. Vimos: Edith Leitão Alves, Plínio Roberto Alves, o sempre charmoso Jack Nemer, sua esposa Marisa e o filho Fernando, Neneca Lopes Salomão, Walquiria Campos, Dr. Domingos Teodoro Azevedo Neto, Dr. José Osório de Azevedo Jr., Antonio Tambasco Glória Neto, sua esposa Marília e os filhos Gustavo e Ana Laura, Antonio Carlos Lorette, Francisco Peres Paschoal, Maurício José de Oliveira Azevedo, Donizetti Aparecido Leite de Camargo que representou o prefeito Sidney Estanislau Beraldo, Miguel Sguassábia Ferreira, Maria Silvia Galuzzo, prof. Benjamin Prizteh, sua esposa Ana Maria Salomão Prizteh e a filha Helena, Idalina Corsi Zucatto, Rosina Campos, o artista José Marcondes e sua esposa Maria Célia de Campos Marcondes, Mons. Luiz G. Bergonzini, Maria Stela Marcondes, Conceição Bento, Celina Bragnole Hentz, Rosângela Bueno Camargo, Olímpia e Waldemar Lúcio, Mercedes Beozzo Furlanetto e seu irmão Dorival Beozzo, Dino Noronha e sua esposa Cidinha, Salma e Verinha Antakly Adib, Maria Denise M. Sibin, Marília Reis Guarita, Vera Guarita, Fernando e Dulce Reis Guarita, Glaycol José Alves, Jussara Alonso Cancelara, Silvia Cordeiro, Clícia Dotta Fadiga e sua filhinha Manoela, Márcia e Fernanda Brumoro, Silvia Raposo, Luiza Zerbetto Sibin, Mariângela Sérgio Oliveira, o poeta Ademir Barbosa de Oliveira, Dr. Arthur de Almeida Carvalho, Yvone Rocha Palhares e Wanderli Estequi, entre outros.”

“I Exposição de quadros com temas árabes ‘Souk el Barauiz’ ”

Esporte Clube Sírio - Av. Indianópolis, 1.192 4 a 15 de outubro de 1989 Alguns artistas: Dario Mecatti, Ernesto Capobianco, Eugênio Bassi, Leila Aiach, Nair Lopes, Ivo Blasi, José Marcondes, Renzo Gori 198


“Academia Interamericana de Artes H. Florence” São Paulo 1994 José Marcondes foi júri de Seleção e Premiação

“Coletiva de Inauguração da Galeria Carolina Berti” Galeria Carolina Berti, São Paulo 1999 Obra: “ ‘Corguinho’ São João”

“Exposição Paletas 2000 - Portal do Terceiro Milênio”

Comemoração do lançamento do livro: “Anuário de Artes Marco Markovitch” Saguão da Secretaria de Estado da Cultura, Praça Júlio Prestes, São Paulo 21 de outubro a 10 de novembro de 1999 Obras: “Desiludidos – ‘Sem-Terra’ entrando em Brasília” ost 60X80 “Arredores de São João” ost 90X90 As fotos das duas obras de José Marcondes, assim como o resumo curricular em português e inglês, constam do livro. Alguns dados da divulgação sobre o lançamento do livro acima citado: “O livro-catálogo, idealizado pela Editora Marco Markovith, reúne uma centena de artistas plásticos contemporâneos, brasileiros ou radicados no Brasil, entre eles José Marcondes, que reside em São João da Boa Vista, SP. A publicação reproduz, em cores, obras de arte recente e históricas da carreira dos artistas.”

Marcondes expôs algumas vezes na Galeria Portal de São Paulo, quando ainda na Rua Augusta, São Paulo.

MAIS UM SUCESSO DE SÃO JOÃO, NA CAPITAL PAULISTA “João Visita Paulo, nos seus 450 Anos” “Mostra Coletiva de Artes – José Marcondes e seus Convidados” 03 a 07 de maio de 2004 Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - Palácio 9 de julho. Avenida Pedro Álvares Cabral, 201 – Ibirapuera São Paulo, Capital Esta exposição de artistas sanjoanenses em São Paulo foi consequência do convite para uma individual na Assembleia Legislativa, que o deputado estadual Sidney Estanislau Beraldo fez para Marcondes. Este alegou que seria mais interessante uma coletiva e, como estávamos no ano da comemoração dos 450 anos da cidade de São Paulo, tudo foi organizado, tendo-se em vista esta festividade, inclusive o nome da exposição. O tema da Mostra era a cidade de São João da Boa Vista e o nome, criado por Marcondes, foi “João Visita Paulo nos seus 450 anos.” Artes Plásticas: Pintura: Agnaldo Manócchio; Ângela Bonfante; Fafá Noronha; Gabriela Oliveira; José Marcondes; Rô Gançalves e Ronaldo Noronha. Escultura: Joaquim Mello e Vânia Palomo. Fotografias: Alfredo Nagib Filho “Fritz”; Antônio Carlos R. Lorette; Clara Gianelli; Plínio Bruno Ayub; Samantha Moreira e Silvia Borges. Literatura: Christino Cardoso de Pádua; Clineida Junqueira Jacomini; Francisco de Assis Martins Bezerra; Luis Antônio Spada; Maria Aparecida Pimentel Mangeon Oliveira; Maria Cecília Azevedo Malheiro; Maria Célia de Campos Marcondes; Maria José Gargantini Moreira; Sandra Regina Junqueira Franco; Sônia Maria Silva Quintaneiro e Teófilo Ribeiro de Andrade Filho. Excluindo Sandra R. J. Franco, todos os demais eram membros da Academia de Letras de São João da Boa Vista. Música: Apresentação das músicas “Azul da Serra” de Paulo Braga Silveira e “Mantiqueira” de Terezinha Prímola. Neusa Menezes, no canto e ao piano, Vânia Noronha. 199


O Prefeito Laert de Lima Teixeira escreveu no catálogo: “Valorizar a cultura é, acima de tudo, implantar ações e promover eventos que proporcionem inclusão cultural. Por isso, parabenizo o artista José Marcondes pela iniciativa de valorizar o artista sanjoanense na Mostra Coletiva de Artes ‘João visita Paulo nos seus 450 anos’, na certeza de que o sucesso é inerente aos profissionais de talento.” Já o Deputado Estadual e Presidente da Assembleia Legislativa do estado de São Paulo Sidney Estanislau Beraldo, escreveu: “Divulgar os valores culturais. Com esse objetivo a Assembleia Legislativa de São Paulo promove com frequencia exposições variadas no Espaço Cultural XV de Novembro. Dando prosseguimento ao seu calendário cultural, de 03 a 07 de maio de 2004, a ‘Exposição João visita Paulo nos seus 450 anos’ coordenada pelo amigo artista plástico José Marcondes apresenta trabalho de alguns artistas de São João da Boa Vista na Assembleia Legislativa de São Paulo. É um momento em que todos os paulistas poderão apreciar de Teófilo R. Andrade Filho, Francisco Bezerra, Luiz A. Spada, Sônia Quintaneiro, Jorge Splettstoser, Heleno Montanhani, Maria Célia Marcondes, Maria José Moreira e José Marcondes - Assembleia Legislativa do Estado de São perto a ‘arte com sentimento e Paulo - 2004 técnica’, de sanjoanenses que divulgam o nome de sua cidade, ao lado de Guiomar Novaes, Fernando Furlanetto, Orides Fontela, Patrícia Rehder GalvãoPagu, Davi Arrigucci Júnior, Leilah Assumpção, Cláudio Richerme, Sérgio, Odair e Badi Assad, João Roberto Simões, Suia Legaspe, entre outros. É um orgulho como sanjoanense ter a oportunidade de promover este evento da casa, no legislativo paulista.”

“Público faz elogios e aplaude nossos artistas”

O jornal 3 noticiou: “Todos que passaram pela Exposição só tiveram elogios para fazer. O superintendente do Patrimônio Cultural da Assembleia Legislativa, Emanuel Von Lauenstein Massarani, ficou surpreso com a qualidade dos trabalhos e com o talento dos artistas. Além de trabalhar na Assembleia é embaixador, professor da História da Arte e crítico de arte e afirmou que: ‘Pode-se observar a qualidade dos artistas de São João. Falo não como embaixador que sou, mas como crítico de Arte. Uma revelação! Tem artistas aqui de primeira categoria, que não têm nada a dever em nível internacional’. Emanuel foi um dos que ajudou a criar o acervo na Assembleia, que conta com 550 obras de arte. José Marcondes fez, a pedido, a doação de um quadro para este acervo. O superintendente irá escrever sobre o Marcondes no Diário Oficial: ‘Ele vai merecer uma página. Também não deixarei de escrever de outras revelações que encontrei por aqui’, afirmou Emanuel. Dentre os trabalhos, destacou os de Marcondes e citou um quadro de Ângela Bonfante ‘Cidade Imaginária’ e afirmou ainda que: ‘Acho a criatividade dos fotógrafos curiosa e fico satisfeito que São João tenha vindo para São Paulo’. Agradeceu ao Prefeito Laert de Lima Teixeira, ao Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Sidney Beraldo e ao artista plástico Marcondes que, num gesto de abnegação, reuniu um grupo de artistas e não fez uma mostra só com seus trabalhos.” O jornal publicou, ainda, o parecer de pessoas que compareceram ao evento. Assim temos: “O Marcondes não deveria ter dividido a honra de expor aqui. Mas já que o fez, para mim também foi uma honra. Escrevi o que eu sei da Guiomar Novaes, mas fiz questão de citar todos os artistas sanjoanenses na área musical. Clineida Junqueira Jacomini.” 200


“Acho maravilhoso o sanjoanense poder expor na Assembléia. Sou de São João, nasci olhando para esta serra. Passei minha infância admirando-a. São João é uma cidade que vive, respira muita arte. Gabriela Oliveira”

“Achei ótimo expor na Assembleia. Uma exposição bonita que mostra bem São João, a natureza, o desenvolvimento, essa serra maravilhosa.

Plínio Bruno Ayub”

“Foi uma oportunidade ímpar para mostrarmos nosso trabalho. Acabei me encantando pela cidade, fiquei e adoro. Depois que a conhecemos, nos encantamos.

Maria José Moreira.”

Emanuel Von Lauenstein Massarani escreveu: 4 - “Em comunhão Panteística com a natureza, José Marcondes pinta uma visão Romântica da Mantiqueira” “A serena suavidade da paisagem, o intimismo lírico de uma visão da natureza onde se espelham e quase se objetivam as emoções e as fantasias da alma não estão certamente entre os temas mais comuns da arte de nosso tempo, que pede continuadamente, e até mesmo em demasia, ao pintor de ser testemunha das angústias e das ansiedades que o caracterizam. Não é o caso de José Marcondes, que não teme ser considerado superado ou anacrônico e oferece nas suas imagens um mundo povoado de árvores, de águas, de nuvens, onde é rara a presença da obra do homem. Aqui e acolá de sua encantadora Mantiqueira, ele inclui uma cabana, um teto que emerge entre os galhos de uma árvore e onde reina o silêncio, a pacata harmonia das estações e das horas. A fidelidade a um modo todo interior e quase figurado da memória, de sentir a paisagem, de vivê-la em seus aspectos externos e panorâmicos, a possibilidade que possui de encarnar certos estados de alma, de ser envolvido de um lirismo onde se encontram os muitos segredos da consciência nos seus momentos de contemplação e quase de êxtase, constitui, pois, o tom fundamental da pintura tão intimista e perfeitamente real desse artista de São João da Boa Vista. A difícil missão para a qual José Marcondes vem se dedicando é, sem dúvida, resExposição “João Visita Paulo nos seus 450 anos” - Assembleia Legislativa de São Paulo- Vista tituir ao mundo atual uma visão romântica, Geral - 2004 idílica no sentido etimológico do termo, não renunciando, mas aceitando e transfigurando as conquistas visuais e técnicas da pintura atual, e a leve vibração que anima a matéria de seus quadros, aquele ato de preencher a cor de luz ou da luz veicular uma confissão a uma dilacerada, quase panteística comunhão com a natureza, senão romantismo, o são no sentido mais verdadeiro do termo. Vale ressaltar que, a serviço desse lirismo, desse abandono emotivo, encontramos nesse pintor, defensor da ecologia, uma grande sensibilidade e um ‘métier’ pictórico de consumada habilidade. ‘Remanso do Rio Jaguari na Mata da Fazenda Paraíso’, obra doada ao acervo artístico da Assembleia Legislativa, bem reflete sua aspiração de restituir ao ser humano o elo com a natureza. Sua veia poética é repleta de inspiração. Seus verdes são de ‘per si’ uma elegia e nos envolvem nos mistérios da mata como se fôssemos transportados sobre as asas de um colibri.

Estiveram presentes na abertura, entre outros, os sanjoanenses: Ana Dalva Castro, Beatriz Vaz de Lima, Cel. Ademir Aparecido Ramos, Ciça Carioca, Clineida Junqueira Jacomini, Daniela Bertoldo, Davis de Assis, Edjalma L. Valla, Elizabeth Gonçalves, Fafá Noronha, Frederico Blasi, Gabriela Oliveira, Hélio Fonseca Filho, Jairo Domingues, Jairo Magalhães, João Otávio Bastos Junqueira, João Roberto Junqueira, Jorge Splesttoser, José Benedito Paes Menezes, José Lopes, José Marcondes, José Rubens Blasi, Laert de Lima Teixeira, Lenira Esteves, Luis Antônio Spada, Maria Aparecida Marcondes Noronha, Maria Aparecida “Aparecidinha” P. 201


M. Oliveira, Maria Cecília Mello, Maria Célia de Campos Marcondes, Maria Clara Gianelli, Maria Denize M. Sibin, Maria José Moreira, Mila Beraldo, Mônica Orru, Nadir Oliveira, Neusa Menezes, Rita Noronha, Ronaldo Galvani, Rosina Biazotti Campos, Óliver Simioni, Sandra e Mariana Junqueira Franco, Sidney Beraldo, Sílvia Borges que montou a exposição, Suia Legaspe, Teófilo Ribeiro de Andrade Filho, Terezinha de Jesus Pedrosa, Thais Ballielo, Vânia Noronha, Vânia Palomo, Vick Nhola, Waldemar Yasbek. A Câmara Municipal de São João da Boa Vista, em 20 de abril de 2004, enviou ao curador, o Ofício: 155/04 - Moção de aplauso, nº 0018/04, de autoria do vereador Rudney Fracaro e assinada pelos demais edis. Assunto: curadoria exposição “João Visita Paulo nos seus 450 anos”.

Maria Cecília Melo, Maria Célia Marcondes e Rosina Campos - 2004

Notas Referenciais NA IMENSIDÃO DE SÃO PAULO 1- Jornal “Gazeta de São João”, Cia. Black Tié & Eventos, 24 de outubro de 1987, p. 11 2- Idem. 3- Bertoldo, Daniela. Jornal “O Município” - Caderno “Cultura” - 5 de maio de 2004, p. 3 4- Massarani, Emanuel Von Lauenstein. Crítico de arte e embaixador cultural da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Diário Oficial do Poder Legislativo” - 5 de maio de 2004, p. 8. - ” Acervo Artístico”

Davis Bruscagin Assis, Sidney Beraldo - Presidente da Assembleia, José Marcondes, Ronaldo Galvani, Emanuel Von L. Massarani - 2004

202


NOVOS TRAJETOS Existe algo, assim como a inspiração, mas é necessário estar preparado para ela.

Melvin Calvin.

E foram acontecendo as participações de José Marcondes em vários Salões.

EM PIRACICABA, UM CONSAGRADO SALÃO Durante muitos anos, José Marcondes participou do “Salão de Belas Artes de Piracicaba”, realização da Prefeitura Municipal dessa cidade. Criado em 1953, transformou-se em um tradicional evento que sempre primou pela eficiência e seriedade. Este fato tornou-o muito respeitado e ainda projetou seu nome em todo Brasil. Por ele passaram artistas dos mais importantes nas artes plásticas brasileiras. Participar dessa Mostra constitui, ainda hoje, motivo de reconhecimento e referência para os artistas, tornando-se, pois, muito concorrido. A partir de 1969, na XVII edição, ganhou espaço próprio, quando foi construído, com a finalidade de abrigar a Pinacoteca e as exposições do Salão de Piracicaba, a Casa das Artes Plásticas Miguel Archanjo D’Assumpção Dutra. Marcondes teve a honra de participar de treze edições desse salão, seja como expositor, seja como júri e foi premiado quatro vezes: em 1986, no 34º Salão quando recebeu “Medalha de Prata”; em 1990 no 38º Salão com o “Prêmio Aquisitivo Porta Larga”; em 1992, na 40ª edição, foi agraciado com “Prêmio Aquisitivo da Prefeitura Municipal”; finalmente em 1997, no 45º, recebeu o “Prêmio Aquisitivo Artistas: Eugênio Nardin e José Marcondes com sua esposa Câmara Municipal”. Maria Célia - Piracicaba - 1987 Sua primeira participação foi no 29º Salão de Belas Artes de Piracicaba, em agosto de 1981, com a obra “Quarto da Vovó” (ost 58X48), que pertence, atualmente, ao acervo do Museu de Arte Primitiva de São José do Rio Preto - MAP. Sua segunda participação aconteceu no 33º Salão, em 1985. Depois, no 34º, em agosto de 1986, com a obra “Ingazeiro” - ost 80X100, recebeu a Medalha de Prata. Já em agosto de 1987, participou do 35º Salão de Belas Artes de Piracicaba com “Paisagem” - 60X50. Participou também do 36º Salão, em agosto de 1988, com a obra “Serra de São João” - 60x80. No 37º Salão de Belas Artes de Piracicaba, em agosto de 1989, foi membro de Júri de Seleção e Premiação junto com Antonio Pacheco Ferraz, Miguel Lopes Palla, José Maria Ferreira e Lúcio Bittencourt. Em agosto de 1990, participou do 38º Salão de Belas Artes de Piracicaba com as obras: “Selvagem”, “Entrada” e “Riacho”, este detentor do “Prêmio Aquisitivo Porta Larga”. No 40º Salão de Belas Artes de Piracicaba, acontecido em agosto de 1992, participou com a obra “Velha Adega” - ost 50X60, que recebeu o Prêmio Aquisitivo Prefeitura Municipal, passando a fazer parte da Pinacoteca Municipal de Piracicaba. Foram Júri de Seleção e Premiação desse Salão os artistas: Antônio Pacheco Ferraz, Eugênio Nardin, Miguel Lopes Pallas. Sua próxima participação acontecerá no 41º Salão de Belas Artes em agosto de 1993, com a obra “Riacho”, quando apenas 38 obras foram selecionadas. No 42º Salão de Belas Artes de Piracicaba, acontecido em agosto de 1994, José Marcondes, junto com Alfredo Rocco e Eugênio Nardin, foi membro do Júri de Seleção e Premiação. Em agosto de 1997, participou do 45º Salão de Belas Artes de Piracicaba com as obras: “Batendo Arroz” - ost. 80X80 e “Coisas de Piracicaba” - ost 50x60. Esta logrou o “Prêmio Aquisitivo Câmara Municipal”, passando a fazer parte do acervo dessa instituição. Há correspondência da Câmara Municipal de São João da Boa Vista - Ofício: 299/97 - requerimento: 0353/97 203


Data: 5 de agosto de 1997 - Pedido por Francisco de Assis Carvalho Arten: “Cumprimento pela premiação no 45º Salão de Belas Artes de Piracicaba”. Assinado:

Antônio Aparecido da Silva “Titi” - Presidente, subscrito pelos demais vereadores.

Já no 46º Salão de Belas Artes de Piracicaba, acontecido em agosto de 1998, Marcondes foi membro do Júri de Seleção e Premiação. Sua última participação como expositor aconteceu em agosto de 2002, no 50º Salão de Belas Artes de Piracicaba com a obra: “Desembaraçando a Rede”, quando se deu a comemoração das cinquenta edições do Salão, ou seja, o seu “Jubileu de Ouro”. ARTE E CULTURA EM PIRACICABA Piracicaba é uma cidade que prima pela vida cultural e artística. Dessa maneira, são inúmeros os eventos que ali acontecem, como, entre outros, o Salão de Arte Contemporânea e o Salão internacional do Humor. Muitos deles são ligados ao poder público, outros ligados a organizações ou associações formadas pelos próprios artistas. José Marcondes participou, ainda, em Piracicaba, de várias Mostras não oficiais, como em 1994, quando foi “hors concours”, na III Bienal de Arte Acadêmica Impressionista, promovida pela Escola de Artes do prof. Manoel Martho, e dele recebeu a seguinte correspondência: “Piracicaba, 21 de maio de 1994 Amigo Marcondes, saúde Espero que tudo esteja correndo bem com você e aos seus. Quanto a mim continuo naquela luta, visando formar gente que saiba ver arte, como ela deve ser vista. A coisa não é fácil e você sabe disso. Agora estamos às voltas, alunos e eu, com a realização da nossa Bienal, da qual você já tem algum conhecimento. Tivemos a feliz ideia de acrescentar à mesma um convidado especial, dotado de verdadeiro talento artístico, a fim de dar um cunho de maior importância ao referido evento. Você foi o escolhido. Escolhemos também um escultor, que será o Jairo Mattos. Já conseguimos o espaço para a realização da dita bienal. Entre outros, mande aquele ‘Ingazeiro’, que gostei. De seu amigo Manoel Martho.” 

Artistas: W. Maguetas e José Marcondes - Piracicaba - 1997

Em 2002, ainda em Piracicaba, Marcondes foi membro do júri de seleção e premiação do V Salão de Artes Almeida Júnior junto com Marciel Oehlmeyer e Alfredo José Ricardo. Evento organizado pela Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos - APAP, tendo Marco Cavallari como presidente. Já em 2003, como convidado “hors-concours” participou da II Mostra da Primavera, uma realização também da Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos -APAP. Em dezembro de 2004, foi Júri de Seleção e Premiação do III Salão da Primavera acontecido no Engenho Central, também uma realização da Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos - APAP. No ano de 2009, foi membro de Júri de Seleção e Premiação do Mapa Cultural Paulista referente às artes plásticas da região de Piracicaba, ao lado de Márcia Gebara e Ronaldo Boner. Nesse mesmo ano, participou, ainda, como membro de Júri de Seleção e Premiação do Salão Almeida Júnior, realização da Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos, junto com Márcia Gebara e Ronaldo Boner. NA TERRA DE ALDO CARDARELLI E THOMAZ PERINA Em Campinas/SP, Marcondes participou de vários Salões: 1º Salão Acadêmico de Belas Artes de Campinas Local: Centro de Convivência Cultural – Praça Imprensa Fluminense – Centro 25 de maio a 3 de junho de 1984 “Arredores de São João” ost 30X40 Prêmio: Menção Honrosa Curadoria de Aldo Cardarelli Júri de Seleção e Premiação: Aldo Cardarelli, Pacheco Ferraz e Manoel Martho  Em Anexo, correspondência de Manoel Martho a JMarcondes.

204


Participaram entre outros: Alberto Thomazi; Adelina Rios; Aldo Cardarelli; Alfredo Rocco; Ana Maria Bento; Antonio Pacheco Ferraz; Carlos São Thiago Lopes; Gumercindo de Lourdes Duarte; Giovani Oppido; Luiz Pinto; Luis Cláudio Morgilli; José Valentin Postal; Manuel Martho; Maurito Ganzarolli; Milton Pereira; Nassin Feres; Nilo Siqueira; Pedro Gava Ranulpho Campos Salles; Renato Wagner; Salvador Santisteban; Shokichi Takaki e Virgínia Pinheiro. 2º Salão Acadêmico de Belas Artes de Campinas Centro de Convivência Cultural – Praça Imprensa Fluminense – Centro 19 de maio a 16 de junho de 1985 Obras: “Ladeira” ost 50X60 e “Cansado” ost 40X50 Presidente do Salão: Aldo Cardarelli Prestada homenagem póstuma a Léllio Coluccini e Rui Ferreira Martins Participantes, entre outros: Alberto Thomazi; Antônio Pacheco Ferraz; Arlindo Castelani de Carli; Manoel Martho; Maurício de Toledo Piza Lopes; Maurito Ganzarolli; Alfredo Rocco; Wanda Otero e Olga Coelho 3º Salão Acadêmico de Belas Artes de Campinas Centro de Convivência Cultural – Praça Imprensa Fluminense – Centro 17 de maio a 15 de junho de 1986 Obra: “Ingazeiro” ost. 80X100 Prêmio: Menção Honrosa Júri de Seleção e Premiação: Salvador Rodrigues Júnior; José Rios Pinto e Eduardo Ostergren. Participantes, entre outros: Adelina Rios; Alberto Thomazi; Aldo Cardarelli; Aldo Stoppa; Ana Maria Mortari; Antonio Pacheco Ferraz; Ary de Queiroz Barros; Carlos São Thiago Lopes; Clóvis Péscio; Djalma Urban; Eduardo Ostergren; Gilberto Dutra; Gilberto Geraldo; Gladys Kantovitz; Jane Blumberg; José Antônio Moreto; José Fonseca; José Ferraz Pompeu; José Rios Pinto; José Valentin Postal; Manoel Martho; Maurito Ganzarolli; Neyde Arrigucci; Nilo Siqueira; Pedro Gava e Tabajara Arrigucci. 5º Salão Acadêmico de Belas Artes de Campinas Centro de Convivência Cultural – Praça Imprensa Fluminense – Centro 23 de novembro a 16 de dezembro de 1990 Obras: “Pau de Lenha” e “Outono” ost 40x50. Prêmio Aquisitivo “José Rudney Netto – ME” Júri de Seleção e Premiação: Aldo Stoppa, Álvaro de Bautista, César Augusto Sardorelli, Jany Ruck, Maurito Ganzarolli. Homenageado: José Ferraz Pompeu - artista plástico campineiro Participantes, entre outros: Alcides Rozani; Alfredo Rocco, Antonio do Nascimento Portela; Armando Ferreira Lima; Caio Carvalho; Carmelo Gentil; Clóvis Péscio; Djalma Urban; Eduardo Borges de Araújo; Francisco Prohane; João Bosco Campos; Manoel Martho; Nilo Siqueira; Renato Wagner e Tabajara Heliodoro. 6º Salão Acadêmico de Belas Artes de Campinas. Centro de Convivência Cultural – Praça Imprensa Fluminense – Centro 10 de abril a 10 de maio de 1992 Obras: “Penetras” Prêmio: Medalha de Bronze - ost 50X40 e “Alameda” Participantes entre outros: Agnaldo Manóchio; Aldo Stoppa; Alfredo Rocco, José Ferraz Pompeu e Manoel Martho II Salão de Artes da Academia Campineira de Letras e Artes Local: Campinas/SP Data: 20 de setembro de 1986 Homenageado o acadêmico e artista plástico Aldo Cardarelli Realização: Academia Campineira de Letras e Artes e Secretaria Municipal de Cultura de Campinas 205


E FORAM MUITAS AS CIDADES E OS SALÕES... Outras cidades das quais participou de coletivas foram:  Exposição Permanente de Arte e Artesanato de Águas da Prata Balneário Teotônio Vilela, Águas da Prata/SP junho de 1977 a abril de 1979 I Exposição Coletiva de Artes Plásticas Balneário de Águas da Prata Balneário Teotônio Vilela, Águas da Prata outubro de 1983 Obra: “Paisagem” Realização: Prefeitura da Estância de Águas da Prata/SP II Salão de Artes Plásticas da FUMESP Águas da Prata/SP Membro do Júri de Seleção e Premiação

PRÊMIOS EM AMPARO /SP 6º Salão Municipal de Belas Artes de Amparo Departamento de Cultura janeiro de 1987 Obra: “Cobre e Uva” ost 80X60 - catalogado sob nº 114 Prêmio: Prefeitura Municipal Realização: Prefeitura Municipal de Amparo/SP 7º Salão Municipal de Belas Artes de Amparo Salão de Festas do Hotel Ancona abril de 1988 Obra: “Ingazeiro” ost 80x100 - catalogado nº 093 Prêmio: Grande Medalha de Prata. Realização: Prefeitura Municipal de Amparo/SP A Câmara Municipal de São João da Boa Vista enviou-lhe ofício: 1827/88, de 15 de abril de 1988, a pedido dos vereadores Maria Aparecida Pimentel Mangeon Oliveira e Aquevirque Antonio Nholla. Req. 192/88, cumprimento pela Medalha de Prata no VII Salão de Artes Plásticas de Amparo. X Salão de Artes Plásticas Araraquara/SP 5 a 27 de junho de 1992 Membro do Júri de Seleção e Premiação: José Marcondes; Aldo Stoppa; Cláudio Morgilli e Luis Antônio Rocatelli Realização: Prefeitura Municipal de Araraquara/SP VII Salão Ararense de Artes Plásticas Araras/SP março de 1981 Obra : “Luz” Prêmio: Diploma de Honra ao Mérito Realização: Departamento de Educação e Cultura de Araras/ SP

 As cidades estão colocadas em ordem alfabética.

206


IX Salão Ararense de Artes Plásticas Araras/SP março de 1987 Obra: “Caminho da Serra” Realização: Departamento de Educação e Cultura de Araras/SP

UMA MEDALHA DE OURO II Salão de Artes Plásticas de Arceburgo Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo/MG 20 de junho de 1987 Obras : “Goiás Velho” e “Casa Cora Coralina” - ost 40X50 Prêmio: Grande Medalha de Ouro, pelo conjunto Júri de Seleção e Premiação: Gilberto Dutra; Orlando Ludovici e Aldir Mendes de Souza Realização: Prefeitura Municipal de Arceburgo/MG II Salão de Artes Plásticas de Barretos Barretos/SP 1980 Obras: “Natureza Morta” e “Paisagem” Realização: Prefeitura Municipal de Barretos/SP III Salão de Artes Plásticas de Barretos Barretos/SP 1981 Obra: “Rio Jaguari- Mirim” Realização: Prefeitura Municipal de Barretos/SP IV Salão de Artes de Barretos Barretos/SP 1982 Obras: “Uvas e Cobre” e “Mesa com Frutas” Realização: Prefeitura Municipal de Barretos/SP II Salão Nacional de Artes Plásticas “Guido Vergani” - SNAP Belo Horizonte/MG outubro de 1985 Obra: “Leiteiro em Mariana” - ost 40x50 Mostra de Artes na Galeria Espaço Arte Brasília Design Center, Brasília/DF 1996 VII Mostra de Arte de Campos do Jordão julho de 1979 Obra: “Marinha” - ost 40x60 Prêmio: Diploma de Honra ao Mérito Realização: Prefeitura da Estância de Campos do Jordão/SP Coletiva de Verão “Nini Barontini - Galeria de Artes”, Curitiba/PR Data 6 de dezembro de 2007 a 30 de janeiro de 2008 207


Obras: “Marinhas I, II e III” Primeiro Salão Nacional de Artes Plásticas Waldemar Belizário Ilha Bela/SP julho de 1986 Obra: “Serra do Caracol – Mirante” Prêmio: Medalha de Bronze IV Salão Nacional de Artes Plásticas Benedicto Calixto Itanhaém/SP 10 de outubro de 1987 Realização: Secretaria de Educação e Cultura de Itanhaém/SP XIX Salão de Artes Plásticas Benedicto Calixto Itanhaém/SP 11 a 21 de outubro de 2007 Realização: Secretaria de Educação e Cultura de Itanhaém/SP Mostra de Artes Plásticas Jundiaí/SP outubro de 1978 Obra: “Paisagem” Realização: Secretaria da Educação, Cultura, Esporte e Turismo de Jundiaí/SP XIII Salão Limeirense de Arte Contemporânea-SLAC Limeira/SP 27 de setembro a 12 de outubro de 1986 Obras: “Ingazeiro” - ost 80X100 e “Ladeira” - ost 60X50 Prêmio: Medalha de Bronze com “Ingazeiro”, sendo que a Medalha de Ouro foi para Antonio de Pacheco Ferraz, a Medalha de Prata para Guerino Grosso e o Prêmio Aquisitivo para S. Takaki. Participaram, entre outros: Alcides Rosani; Ana Maria Mortari; Caio Carvalho; Cláudio Malagoli; Clóvis Péscio; Eugênio Nardin; Gumercindo Duarte; Iara Machado; João Ferraz Pompeu; Olavo Ferreira da Silva; Oswaldo Favoreto e Renato Wagner. Realização: Secretaria Municipal de Cultura de Limeira/SP XVII Salão Limeirense de Arte Contemporânea Limeira/SP setembro de 1990 Obra: “Interior de Mata” Realização: Secretaria Municipal de Cultura de Limeira/SP X Salão Oficial de Belas Artes de Matão Casa da Cultura Matão/SP 21 de agosto a 13 de setembro de 1987 Obras: “Cipós” - ost 60X50 e “Raízes” - ost 60X50 Prêmio: “Prefeito Laert José Mendes”, pelo conjunto das obras Realização: Prefeitura Municipal de Matão/SP Mostra de Artes Plásticas:-Vera Ferro, Adriano Colângelo e José Marcondes Local: Agência Regional de City Bank - Av. Cel. João Leite, 300, Mogi Mirim/SP Data: 8 a 10 de novembro de 1985 Curadoria: Eugênio Barbosa Neto 208


V Salão de Artes Plásticas de Mogi Mirim Mogi Mirim/SP setembro de 1992 Membro do Júri de Seleção Premiação Exposição: Releitura Portinari Comemoração aos 100 anos de nascimento de Cândido Portinari Centro Cultural de Mogi Mirim/SP 03 a 14 de dezembro de 2003 Obra: “Portinari, o Brasil continua assim - uma releitura” - ost 80X60. Esta obra encontra-se emprestada e exposta na Sala de Espera da Justiça do Trabalho, de São João da Boa Vista Curadoria: Márcia Gebara e Ana Cláudia Alves II Salão de Verão Paraty/RJ 4 de janeiro de 1986 Obra: “Trilha no Bosque” Prêmio: Menção Especial de Honra Organização: Artistas Plásticos Profissionais do Rio de Janeiro Jubileu de Diamante do Clube Pirassununga. “Um tributo ao grande artista brasileiro, nascido em Pirassununga, Paulo Valle Jr.” Clube Pirassununga/SP outubro de 2003 Obra: participou, a convite, com cinco obras Curadoria de Mauro dos Santos e Sérgio Roberto Baiocco Participantes: Eduardo Borges de Araújo, de Piracicaba; José Marcondes, de São João da Boa Vista; Cecília Mazon, de Campinas; Hilton Greco, de Américo Brasiliense; Márcia Gebara, de Mogi Mirim e Carlos Eduardo Zornoff, de Pirassununga

Doce de Abóbora com Côco - Obra de José Marcondes

209


I Concurso Artístico Cultural - Vida no Campo Comemoração aos “100 anos do 1º vôo do avião Brasil” Fazenda da Aeronáutica de Pirassununga - FAYS maio de 2006 Obra: “Subida” - ost 90X90- “hors concours”, foi doada ao acervo da FAYS Organização: FAYS, com a colaboração de José Marcondes Exposição - Fazendas Antigas Fazenda da Aeronáutica de Pirassununga - FAYS junho de 2007 Organização: FAYS, com a colaboração de José Marcondes, que participou como membro de Júri de Seleção e Premiação. Salão Permanente de Artes “Bruno Filizberti 11 de setembro a 9 de outubro de 1982 Saguão do Teatro Municipal “Benigno Gaiga”, Poços de Caldas/MG Obra: “Tributo ao Bruno” - ost 50x40 Prêmio: Diploma de Honra ao Mérito Organizado pelo “Chico Rei Clube” com apoio da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas e Coordenadoria de Estado de Minas Gerais II Salão Poçoscaldense de Belas Artes Saguão do Teatro Municipal “Benigno Gaiga”, Poços de Caldas novembro de 1985 Obra: “Repouso da Vovó” - ost 60x50 Realização: Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Poços de Caldas/MG III Salão Poçoscaldense de Belas Artes Saguão do Teatro Municipal “Benigno Gaiga”, Poços de Caldas novembro de 1986 Obra: “Cobre e Uvas” - ost 50x60 Realização: Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Poços de Caldas/MG IV Salão Poçoscaldense de Belas Artes Saguão do Teatro Municipal “Benigno Gaiga”, Poços de Caldas novembro de 1987 Obra: “Luz na Parede” Realização: Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Poços de Caldas/MG Exposição Coletiva de José Marcondes e Aldo Stoppa Saguão do Teatro Municipal “Benigno Gaiga”, Poços de Caldas/MG 1988 Realização: Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Poços de Caldas/MG. V Salão Poços Caldense de Belas Artes Saguão do Teatro Municipal “Benigno Gaiga”, Poços de Caldas 16 de dezembro de 1988 a 11 de janeiro de 1989 Membro de Júri de Seleção e Premiação: Arcângelo Ianelli; Bernardo Caro e José Marcondes Realização: Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Poços de Caldas/MG VI Salão Brasileiro de Belas Artes de Ribeirão Preto -VI Sabart Ribeirão Preto/SP outubro de 1997 Obra: “Ouro Preto” - ost 60x50 Realização: Secretaria Municipal da Cultura de Ribeirão Preto/SP 210


VIII Salão Brasileiro de Belas Artes de Ribeirão Preto - VIII Sabart Local: Ribeirão Preto Data: 1999 Participou como membro de “Júri de Seleção e Premiação” Realização: Secretaria Municipal de Cultura de Ribeirão Preto/SP 1º Salão de Artes Plásticas de Rio Claro. Local: Centro Cultural Romani Palmares, Rio Claro/SP Data: 25 de junho a 10 de julho de 1983 Obra: “Caminho” - ost 50X60 Realização: Secretaria de Esporte, Turismo e Cultura de Rio Claro/SP “Marcondes, parabéns pela sua participação no ‘I Salão de Artes Plásticas de Rio Claro’. Acreditamos em você, continue firme. Abraços João Baptista Scannapieco” - Delegado de Ensino de SJBVista, 29 de junho de 1983

4º Salão de Artes Plásticas de Rio Claro Local: Centro Cultural Romani Palmares, Rio Claro/SP Data: 5 a 15 de junho de 1986 Obras: “Beira de Rio” - ost 40X50 e “Ancorados” - ost 40X50 Realização: Secretaria de Educação, Esporte e Turismo de Rio Claro/SP

Contorcidas - Obra de José Marcondes - Década de 1990

211


UMA MEDALHA DE OURO V Salão de Artes Plásticas de Rio Claro Centro Cultural Romani Palmares, Rio Claro/SP 20 de junho a 5 de julho de 1987 Obra: “Cipós” - ost 60X50 Prêmio: Medalha de Ouro Júri de Seleção e Premiação: Alexandre Fausto, Caio Carvalho e Maria Luiza Schmitd Rehder Realização: Secretaria de Educação, Esporte e Turismo de Rio Claro/SP Um dos jurados, que não o conhecia, enviou-lhe a correspondência: “Taquaritinga, 12 de junho de 1987 Permita-me chamá-lo de amigo: José Marcondes Fui um dos integrantes da Comissão Julgadora do Salão de Rio Claro. Quero transmitir os meus parabéns pelo prêmio que foi merecido. No seu dossiê havia um catálogo que gostaria de ter; eu coleciono, quando é possível, tudo o que for de artista: se tiver mais algum, mande-me, se for possível. Qualquer dia, quero conhecê-lo, pois pretendo fazer uma visita ao Aldo Stoppa, que mora numa cidade vizinha a sua. Disponha da minha pessoa, estou às ordens. Alexandre Fausto” - Artista plástico

16º Salão de Artes Plásticas de Rio Claro. Membro do Júri de Seleção e Premiação – Rio Claro/SP 1998 Salão de Artes Plásticas da Sociedade Brasileira de Belas Artes Rio de Janeiro/RJ 1980 Obra: “Marinha” - osm 40x60 II Salão de Artes “Armando Viana” Rio de Janeiro/RJ 1986 Obra: “Paisagem Campestre” Salão Nacional de Artes do Correio Aéreo - CAN Comemoração do Jubileu de Ouro da Aeronáutica Rio de Janeiro 1981 Obra: “Cabeça de Velho” Diploma de Honra ao Mérito pela participação I Salão Leonístico de Artes Plásticas Centro de Cultura de Santos/SP dezembro de 1985 Obra: “Leiteiro” Organização: Associação dos Artistas Plásticos do Litoral Paulista, Secretaria da Cultura da Prefeitura Municipal de Santos/SP, União Nacional dos Artistas Plásticos e Lions Clube de Santos L. 16 Salão de Agosto São Bernardo do Campo/SP 17 a 30 de setembro de 1983 Obra: “Adolescente” Organização: Associação São Bernardense de Belas Artes Mostra de Arte da Grande São Paulo São José dos Campos/SP 9 a 20 de março de 1979 Obra: “Remanso” - ost 40x50 Organização: “Atelier-Escola Edison Braga”, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo 212


XI Salão de Arte Contemporânea de São José de Rio Preto São José do Rio Preto/SP 28 de março de 1992 Organização: Secretaria Municipal de Cultura de São José de Rio Preto/SP Membro de Júri de Seleção e Premiação I Bienal Paulista de Arte Contemporânea de Valinhos Casa de Cultura de Valinhos/SP 15 a 20 de outubro de 1994 Obras: “Estudo I” e “Estudo II” - ambas óleo sobre placa 90X90 Participaram, entre outros: Afrânio Montemurro; Alberto Teixeira; Bernardo Caro; Cecília Mazon; Egas Francisco; Emanuel Rubin; Eurico Rezende; Francisco Biojone; Heitor Takahashi; Iwao Nakajima; Jercci Maccari; João Proteti; Kaneko; Regina Rennó; Roberto Bertoncini; Santos Lopes e Vera Ferro Artistas homenageados: Tonie Ohtake; Aldemir Martins; Tao Sigulda; Tikashi Fukushima; Yutake Toyota e Thomaz Perina. Homenagem póstuma: Geraldo Jürgensen e Flávio de Carvalho I Bienal Internacional de Artes Plásticas Fundação Jack Roc, Vargem Grande do Sul/SP 29 de novembro a 31 de dezembro de 2003 Obra: “Abstrato” 80x80 Prêmio: 1º prêmio em pintura: José Marcondes, Marcos de Oliveira, Romero Brito, os dois últimos de São Paulo. Participantes, entre outros: Menasse Vaindergorn -Romênia; Romano de Marti - Egito. Já da capital paulista participaram: Aldemir Martins, Antônio Petycov; Romero Brito; Billy Gibbson; Gustavo Rosa; Canato; Marcos Oliveira; Márcia Santos; Luis Emaús e Roberto Teixeira. Do interior de São Paulo: Olavo Mutini; José Ernesto Beni Bologna; Gregório Pasquini; Pedro Medis; José Marcondes e Jack Ronc, que foi o curador. IV Bienal Internacional de Artes Plásticas Fundação Jack Roc, Vargem Grande do Sul/SP dezembro de 2009 Obra: “Brincadeira de Criança” 80x60

José Marcondes, Manoel Martho, Aldo Stoppa, seu pai Francisco Stoppa e Benedito Costa - Poços de Caldas/MG - 1987

213


ANEXOS A correspondência entre Manoel Martho e José Marcondes vinha há muito tempo. Já em 1986, Manoel Martho enviou-lhe: “São José do Rio Preto, 4 de 11 de 1986 Amigo Marcondes, Saúde a si e aos seus. Como vê, cá estou em Rio Preto, onde permanecerei até logo após o dia 15. E você aí, como vai de pintura? Devastando as matas de Águas da Prata ou divertindo-se com cobres e frutas? Como é, foi ver o Salão de Poços? (...) Escrevi também, faz já alguns dias, ao nosso amigo Stoppa. Vendo-o, dêlhe abraços. E, como lhe prometi, aí estão dois, ou melhor, duas cópias do meu currículo, uma para você e outra para o João Merlin. Bom, por aqui vou parando – recomendações à sua senhora e às duas preciosas jóias de vocês. Seu amigo - Manoel Martho” A correspondência continuou pelos anos seguintes, pois em 2007, o artista mandou-lhe a carta: “São José do Rio Preto, 28 de setembro de 2007 Meu muito caro amigo e colega, José Marcondes, Saúde, felicidade e prosperidade sempre, assim como a todos os seus. Não repare, ultimamente só escrevo a lápis. Você, e ninguém, serão capazes de calcular a alegria e orgulho que sua correspondência me trouxe. Muito e muito obrigado mesmo! Eu sabia que você chegaria a ser um grande artista. Sinceros parabéns! Não me esqueço da primeira vez que nos vimos num Salão em Campinas; tempo muito feliz. Você e Maria Célia sempre ao seu lado, prestigiando-o. Quanto a mim fiquei impossibilitado de trabalhar por causa de uma constante atordoação. Como Rio Preto, em matéria de medicina rivaliza-se com São Paulo, resolvi fazer consultas aqui. Antes, andei procurando médicos em Piracicaba, sem resultado positivo. Aqui pude me valer do IAMSP, coisa que não funcionava mais em minha doce Terra. (...) Bem, para ir mudando de assunto, acabei vendendo a casa em Piracicaba e comprei um apartamento aqui, gostaria que você aparecesse. E agora finalizando fico-lhe imensamente grato pelas belas e para mim importantíssimas fotos, tanto de seus trabalhos, como as que me mostram rodeado de queridíssimos amigos. Sem mais, então, recebam você e os seus, carinhosos abraços deste amigo de sempre, Manoel Martho.” Pareceres sobre Marcondes: “Nuvens se agitam, formando pequenas massas acinzentadas no céu, filtrando os raios solares. A Serra da Mantiqueira exibe uma rica paleta tonal de verde, ritmada conforme a saturação do amarelo e do azul. O cenário muda em questão de segundos e pode prender nossa atenção por horas, como se estivéssemos assistindo a um espetáculo da natureza. Captar essa variação nas quatro estações do ano é uma tarefa apaixonante, um projeto prestes a ser executado pelo artista plástico José Marcondes. Ele já pintou trechos desta serra várias vezes e alguns destes quadros foram expostos e premiados em importantes salões de arte. Desta forma, com talento e notável domínio técnico, Marcondes continua divulgando a paisagem sanjoanense em outros pontos do Brasil, tornando-se um verdadeiro embaixador, munido de pincéis e tintas. Antônio Carlos Rodrigues Lorette” 

“As obras de Marcondes demonstram bom gosto, sensibilidade e mensagem. Suas cores bem colocadas demonstram a sua firmeza. Cabe ao artista a responsabilidade como historiador e Marcondes o faz bem. O público tem a surpresa direta de ver a arte autêntica. A arte de Marcondes. Pedro Sella Jr.”   Jornal “O Município” - Caderno Vi...Vendo 29/11/1997 - p.1  Pedro Sella Jr., Artista Plástico de Ribeirão Preto

214


Luta Ingl贸ria - Homenagem aos Her贸is Resistentes de Canudos. Obra de Jos茅 Marcondes

215


Sua Santidade, O Pão - Obra de José Marcondes - Acervo Família Esteves Silva

Flores - Obra de José Marcondes - Acervo Família Resende

216


ALGUMAS NO EXTERIOR

José Marcondes participou de algumas exposições no exterior:

EM PARIS - FRANÇA “Semana de Arte Brasileira em Paris - Coletiva de 90 Artistas Brasileiros” Galeria “Atitude”, Village Suisse, 4 Av. Paul Deroulede, 75 015, Paris 1 a 7 de novembro de 2005 Obra: “Paisagem de São João da Boa Vista” - ost 30X40 Premiação: Menção Honrosa Curadoria: Jean Pierre Lorriaux

Paisagem de São João da Boa Vista - Obra de José Marcondes - Família Salomão

MARCONDES, FRANCE

ARTISTES DE

Certificat “Nous faisons savoir par la present que Monsieur José Marcondes est membre de l’Ássociation des Artistes de France, pour année 2000 Fait à St. Etienne, lês 10 de mars de 2000 Le président M. Schopping.” Siège association: 57 rue Charles de Gaulle-42 000 Saint Etienne Secretariat: 40, rue Bergson - 42 000 Saint Etienne Association Loi 1901, enregistrée sous nº 311-81 – modification de texte 1988, sous le nº 01090- JO nº 45

NA BÉLGICA “Exposição “Mouvement sans Terre”. Local: Galerie Heritagé,en Quai des Ardennes, 197. Chenee, Liège, Belgique. 12 de junho a 02 de setembro de 1999 Curadora: Micheline Cahay. Coletiva com as brasileiras Cecília Mazon e Lúcia Hinz. 217


O Certificado traz os dizeres: HERITAGE Chènèe, le 03 de septembre 1999 CERTIFICAT “La Galerie d’art du magasin Heritage attest par la present que Monsieur José Marcondes a effectué au sein de notre établissement l’ exposicion: “Mouvement sans terre”, du 12 de juin de 1999 au 02 september de 1999 Cans notre galerie situe au Quai dês Ardennes, 197 4032 Chênée Liège Micheline Cahay - Curateur” L’ Exposition “Mouvemennt Sans Terre” La Galerie D’Art Le Bergerue, en Bergerue, 13- Liège Belgique 28 de maio a 10 de junho de 1999 Curador: Chez Silvano Tosin Coletiva com as brasileiras Cecília Mazon e Lúcia Hinz Certificado: Le Bergerue Chez Silvano En Bergerue 13 4.000-Liège- Belgique - Tel. 04/223.40.60 - T.V.A. 859 324 207 - R.c.Lg: 258 102

CERTIFICAT

“La Galerie D’Art Le Bergerue, atteste par la présent que Monsieur JOSÉ MARCONDES a effectué au sein de notre établissement l’exposition: “MOUVEMENT SANS TERRE” Du 28 Mai 1999 au 10 Juin de 1999 Qui a eu lieu à la Galerie de L’Establissement Lê Bergerue – Chez Silvano Em Bergerue, 13 4000 – Liège Fait à Liège, lê 18 juin 1999 - Silvano Tosin - Curateur”

Mirante - Vale da Esperança. Obra de José Marcondes

218


Desiludidos - “Sem Terra” chegam a Brasília - Obra de José Marcondes

219


LEILÕES DE ARTE

As participações de José Marcondes em leilões de arte foram poucas. Mesmo assim, muitas de suas obras pertencentes a terceiros foram leiloadas em Campos do Jordão, São Paulo, Guarujá e em Poços de Caldas. Alguns leilões a que ele enviou obras, foram: - Leilão de Arte - Casa dos Leilões Marinha - ost 20X30 - nº 391 Leiloarte Antiguidades Ltda. Rua Cônego Eugênio Leite, 437- São Paulo, Capital Data: 27 de janeiro de 1986 Leiloeiro: Paulo Afonso

Marinha - Obra de José Marcondes

- Artes & Quadros Galeria - Leilão Inaugural Artes & Quadros Galeria Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1869 - São Paulo, Capital abril de 1988 Leiloeiro: Waldir de Souza - I Leilão de Arte Centro Recreativo Sanjoanense São João da Boa Vista/SP 25 e 26 de agosto de 1989 220


Apoio Cultural: AMARTE Leiloeiro : João Micelli Filho Parte da renda foi revertida em prol das obras de restauração da Igreja Catedral de São João da Boa Vista/SP Ofício: “São João da Boa Vista, 04 de setembro de 1989  Prezado artista - José Marcondes, A AMARTE, na pessoa da abaixo-assinada presidente, tem a subida honra em comparecer perante V.Sª., com o fito de, veementemente, agradecer a magnanimidade bem como a benemerência com que distinguiu o Leilão de Artes em prol da restauração da Igreja Catedral de nossa cidade. Certeza que a obra doada promoveu sucesso de evento e tal fato permanecerá indelevelmente registrado em nossas mentes assim como em nossos corações para todo o sempre. Consignado o indeclinável prazer do contato nesta oportunidade mantido, reiteramos protestos de elevada estima e distinta consideração, firmando-nos com saudações amartistas Maria Célia de Campos Marcondes” - presidente - II Leilão de Artes Centro Recreativo Sanjoanense 23, 24 e 25 de novembro de 1989 Apoio Cultural: AMARTE Leiloeiro: Celso Lagos Parte da renda foi revertida em prol das obras de restauração da Igreja Catedral

Banana e Limão Doce - Obra de José Marcondes

 Ofício de agradecimento da AMARTE enviado a todos os artistas que doaram obras.

221


EM ACERVOS... Nestes quase cinquenta anos de atividades artísticas, Marcondes produziu perto de três mil obras que se encontram em acervos particulares ou não, localizadas em nossa cidade, na região, no país e algumas até no exterior. A grande maioria dessa produção foi numerada e catalogada por sua esposa. Aqui, no entanto, serão nomeadas apenas algumas poucas obras cujos destinos poderão ser: associações, entidades, acervo particular, doações filantrópicas ou não. A primeira tela que doou, quando tinha apenas 19 anos, em 1956, foi para o Rio Branco Futebol Clube, 1 da cidade de Andradas, sua terra natal. Seu tio paterno, Zuta Marcondes, era um dos diretores daquela associação e, através dele, veio o pedido para fazer o retrato do Barão do Rio Branco, patrono do clube. Baseando-se numa fotografia retirada de um velho livro, Marcondes fez a encomenda, que durante décadas figurou no hall de entrada de sua sede social. O ofício abaixo endereçado ao jovem artista, datado de 25 de setembro de 1956, dá-nos detalhes: “Prezado Senhor, A Diretoria do Rio Branco Futebol Clube vem agradecer-lhe a oferta feita a nossa agremiação (...) de um quadro a óleo feito por V. Exa. de nosso patrono Barão de Rio Branco, em tamanho natural, grande obra artística, que tem sido muito admirada por todos de nossa cidade. (...) Colocamo-nos à sua disposição. Cordialmente, pelo Rio Branco Futebol Clube, José Nelson Almeida – presidente e Orlando R. Morgani - secretário” Em 1978, executou o esboço “Alegoria a Fernando Furlanetto”2 , para servir de cartaz ao “II Salão de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”, onde o escultor foi homenageado. Terminada a Mostra, a diretora do “Museu Pedagógico Armando de Salles Oliveira” guardou-o, com a devida autorização, no acervo da instituição, onde se encontra, até hoje. Em 3 de dezembro de 1983, o Instituto de Educação Cel. Christiano Osório de Oliveira recebeu, em doação, entregue pelo próprio Marcondes à então diretora Profª Isa Cassiolato, a tela “Filosofando”3 , retratando o antigo mestre Araújo Lima, fumando seu cachimbo. A obra “Quarto de Vovó” 4 , desde 1981, pertence ao Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva – MAP, em São José do Rio Preto/SP.

Construção - Obra de José Marcondes

222


Velha Casa da Ponte - Casa de Cora Coralina em Goiás Velho/GO - Obra de José Marcondes

Em 1984, chegou até Cora Coralina, pelas mãos de sua neta Maria Luiza Cartaxo, a obra “Velha Casa da Ponte”,5 que passou a fazer parte do acervo particular da poetisa e, após sua morte, do “Museu Cora Coralina”, localizado em sua antiga residência, na cidade de Goiás Velho/GO. A amiga e poetisa Vera Faria, de nossa cidade, fez um poema baseado nesta obra e dedicou ao Marcondes 5 Deixar, não deixaria; a valiosa tela dizer com o perfil da poesia e o sorriso do amanhecer

“Artista dos Pincéis”:

Pitoresca, vistosa ficou; portas e janelas, quantas vezes, quanto tempo levou; quem sabe, muitos meses.

Veio distante a bagagem dos becos de Goiás; a bonita paisagem, do pintor, não fica atrás.

Esverdeadas, limosas as pedras do paredão; na pintura famosa, o antigo casarão

Dono de seu ideal e talento como fonte entre os quadros sem rival a Velha Casa da Ponte.

Onde tem ponte há rio corre, canta junto dela; aprazível ar sombrio que a torna mais bela

Nome popular, nasceu com ela talvez, erguida nesse lugar a batizou quem a fez.

No olhar d’uma menina, brilha a luz da esperança; do acervo da grande Cora Coralina que deixou, ao pintor, essa lembrança.

Ainda na década de 1980, ao Centro Recreativo Sanjoanense passou a pertencer a tela, “Marinha”. Já na capital paulista, Marcondes tem, desde 1984, a obra “Itaberaí” 7 na Pinacoteca do Club Athlético Paulistano e “Sombra e Luz” 8, no Sesi/Ciesp/Fiesp, da Av. Paulista, em São Paulo. Recebeu vários prêmios aquisitivos em Salões dos quais participou. Desta maneira, possui obras em coleções públicas e particulares de Campinas, Amparo, Rio Claro, Limeira, além dos acervos da Câmara e Prefeitura Municipal de Piracicaba, 9 com as obras “Coisas de Piracicaba”, “Velha Adega” e loja “Porta Larga”. 223


Em 1989, foi doada ao Rotary a obra “Paisagem em Lilás”, por ocasião do cinquentenário desta entidade em São João da Boa Vista. No acervo do Tribunal Regional do Trabalho, 15ª Região, Campinas/SP, desde 20 de julho de 2000, figura sua obra “Clarão” 10. Foi doada pelo artista, para “Santa Casa Saúde”, a 10 de junho de 2002, a tela “Amarelo” 11 que foi afixada na sede da instituição. A obra foi recebida pelo provedor, na época, Luis Silvestre Sibin, Desde 2003, tem seu quadro “Sem-Terra”, 12 na sala de audiências do Fórum da Justiça Federal desta cidade. Obra entregue ao então Juiz Dr. Paulo Ricardo Arena Filho. No fórum da Justiça do Trabalho de São João da Boa Vista há o quadro “Releitura da Obra de Portinari” 13, executado para participar da exposição “Relendo Portinari” acontecida em 2003, na cidade de Mogi Mirim, nas comemorações do centenário do grande artista brasileiro. Em 2004, fez para a Capela Santa Filomena, no Sítio Rio Verde, município de Caldas/MG, a tela “Santa Filomena”, além dos quatorze “Passos da Via Sacra”. Encomenda feita por seus proprietários e amigos Sandra Regina Junqueira Franco e Mário Teixeira Franco. Executou, em 2007, por solicitação do Padre Claudemir Canela “Padre Mil”, uma tela de grande proporção, que foi colocada na Catedral de São João Batista. A obra intitula-se “Mirante” e mede 7 metros por 1,40 m na parte mais larga e 0,70 m nas laterais. A obra “O Mundo era Azul”, 14 desde janeiro de 2008, pertence à Câmara Municipal de São João da Boa Vista, cuja presidente, na época, era a vereadora Terezinha de Jesus Pedrosa.

ACERVOS PARTICULARES Certa ocasião, em meados dos anos 80, o casal de amigos Maurício José de Azevedo Oliveira e sua esposa Maria Aparecida Pimentel Mangeon Oliveira, durante o programa televisivo do cantor Agnaldo Rayol, quando houve participação de sanjonenses, entregou-lhe a obra “Córrego São João” 15. A obra “Paisagem Sanjoanense” passou a pertencer ao acervo particular da Drª Bárbara Joshie, ex adida cultural da Embaixada da Alemanha no Brasil, membro do Departamento Cultural do Senado Alemão, doada por João Batista Merlin, em 1984. Sr. Karl Rothe, da Suíça, possui o quadro “Chão Vermelho” 16, presente do casal Odete Mancini e Mauro Garcia. O quadro “Dorso” 17 está em Niigata / Japão pertencente ao empresário Ikau Makamure. Em 16 de maio de 1991, foi doada a obra “Nascente” ao Sr. Cavaco Silva, então Primeiro Ministro de Portugal, através do Projeto Andorinhas, que tem como coordenador Orlando Jorge Reis da Silva. O Prefeito Municipal de São João da Boa Vista enviou ofício 0347/91, ao Sr. Francisco Falcão Machado, Cônsul Geral de Portugal no Brasil, com os dizeres: “Prezado Senhor, Pelo presente levamos (...) a V. Exa. os nossos agradecimentos pessoais e da população do Município de São João da Boa Vista, extensivamente as suas auxiliares (...) pela atenção dispensada e prestada por ocasião da entrega do quadro “Nascente” ost 50x40, do consagrado pintor sanjoanense José Marcondes, ao Exmo. Sr. Dr. Aníbal Antonio Cavaco Silva, Primeiro Ministro de Portugal, feita pelo português radicado em nossa cidade, Sr. Orlando Jorge Reis da Silva. Atenciosamente, Gastão Cardoso Michellazzo - Prefeito Municipal” Baseado numa foto, em 1998, Marcondes retratou o intelectual Antônio Cândido de Mello e Souza e o presenteou, pessoalmente, por ocasião de sua vinda a São João da Boa Vista. Várias vezes, advogados de nossa cidade presentearam, com quadros da lavra do artista, personalidades ilustres ligadas ao mundo jurídico, que visitavam a cidade. Possui, Marcondes, ainda, inúmeros quadros em acervos particulares de ministros do Supremo Tribunal Federal do Trabalho e de deputados federais, além de servidores destas duas casas, adquiridos por ocasião de suas exposições, acontecidas na capital federal. Em 2000, o jornalista Luis Nassif foi presenteado com a obra “Mirante” 18. Em novembro de 2000, o Sr. Sebastião Curimbaba, da empresa Elfusa 19, localizada em São João da Boa Vista, doou a obra: “Solitário” 20 ao governador da Pensilvânia, USA, Tom Ridge, que, na ocasião, visitava a indústria. Essa empresa, em outra ocasião, patrocinou-lhe um catálogo onde deixou escrito: “José Marcondes, artista plástico de São João da Boa Vista/SP, é autodidata, pesquisando nos melhores museus do Brasil e em alguns da Europa. A preocupação constante com a qualidade de suas obras tem-lhe garantido não só evoluir no campo das artes, 224


mas também o reconhecimento e elogios de muitos críticos. Recebeu dezenas de prêmios honoríficos e aquisitivos nas melhores exposições oficiais do país. Neste ‘folder’ vemos um exemplo do cenário paisagístico que ele domina de maneira inconfundível e com muito lirismo. São obras que retratam as coisas simples e longínquas desse mundo urbano tão conturbado. Contudo, sua necessidade em criar o tem levado para outras paragens, excursionando, com muito sucesso, na arte contemporânea, onde formas esféricas, concêntricas e arquétipos unem-se em traços concebidos com audácia e maestria. Dentre as metas e preocupações da ELFUSA, certamente a cultura é uma delas.” Marcondes presenteou, em dezembro de 2003, com o quadro “Mata” o jornalista Washington Novaes 21. Recebeu os agradecimentos através de carta, datada de janeiro de 2004. “Prezados Maria Célia e José Marcondes, Muito obrigado pelas fotos, mais uma gentileza entre tantas que recebi de vocês e de todos em São João da Boa Vista. O quadro do Marcondes já está na parede, ao lado de outros com paisagens do Cerrado e do Pantanal. Gratíssimo. Virgínia também pede para agradecer, pelas gentilezas e pelas fotos”. A obra: “Arredores de São João” 22 foi doada em 20 de agosto de 2003, pelo Diretor Titular Regional do Ciesp Sr. Wagner José Beraldo, ao Sr. Horácio Laffer Piva, Presidente do Sistema FIESP/CIESP, quando este aqui esteve e foi solenemente homenageado no auditório “João Batista Merlin”, na sede local do CIESP.

COLABORANDO... Dezenas de quadros foram doadas para campanhas e associações filantrópicas da cidade e da região, que depois de leiloados ou vendidos tiveram a renda revertida para suas obras. O artista, sempre que solicitado, nunca se negou a fazer esta gentileza. CITAÇÕES Marcondes, como artista plástico é citado nos livros: MARKOVITCH, Marco. Anuário de Artes MARCO Markovitch, Paletas 2000-Portal do Terceiro Milênio. São Paulo: Editora Marco Markovitch, p. 42 - 1999. CRUZ Fº, Romualdo das História das Artes Plásticas em Piracicaba. Piracicaba/SP: Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, 2007, p. 131. Anuário Latinoamericano de Las Artes Plásticas. Buenos Aires, Argentina: Correo Editorial, 1987. p. 177 - foto da obra “Resistência” - ost 90X100; p. 258 - breve currículo. LOUZADA, Júlio. Artes Plásticas, Seu Mercado – Seus Leilões. São Paulo: Edição do Autor, 1984. pp. 580/581. ______________Artes Plásticas- Brasil 87, Seu Mercado – Seus Leilões. São Paulo: Inter-Arte-Brasil, 1986. pp. 632/633. ______________Artes Plásticas- Brasil 89, Seu Mercado – Seus Leilões. São Paulo: Inter-Arte-Brasil, 1988. pp. 676/677. LOUZADA, Júlio e Maria Alice. Artes Plásticas- Brasil 98, Seu Mercado, Seus Leilões. São Paulo, Paulus Gráfica, 1998. pp. 547/548. ______________Artes Plásticas- Brasil 98, Seu Mercado – Seus Leilões. Índice Consolidado. São Paulo, Paulus Gráfica, 1998. pp. 136/137. LOUZADA, Júlio e Maria Alice. Artes Plásticas Brasil - Vol 12. São Paulo: Editora do Brasil, 2000. pp. 252/253. “90 Anos do Theatro Municipal de São João da Boa Vista” - novembro de 2004, pp. 26 e 31 - Catálogo. Acervo da Câmara de Vereadores de Piracicaba:- “Duas Décadas de apoio à Cultura”, 2004, p. 20 – Obra “Coisas de Piracicaba” - ost 50X60. Obra que recebeu o “Prêmio Aquisição” no 45º Salão de Belas Artes de Piracicaba - 1997. Catálogo. 49º Salão Paulista de Belas Artes – 1987, nas pp. 22, 28, 43 e 94. Catálogo. Há, ainda, nos jornais da cidade, inúmeras entrevistas, reportagens e citações sobre Marcondes, suas obras e eventos. APENAS UMA CARTINHA...

“Santo Antonio do Jardim, 27 de dezembro de 1998 Prezado José Marcondes, Recebi o quadro e lhe agradeço, cordialmente, pela sua atenção. Meu esposo ficou feliz quando o viu colocado 225


na parede. O Rio Jaguari, ali pintado, lhe traz lembranças alegres de sua infância. Confesso que fiquei constrangida por você não ter cobrado o seu talento. Muito obrigada, mais uma vez. Aproveito para lhe desejar e aos seus, um Ano Novo pleno de Bênçãos e graças de Deus com muito amor, paz e grandes realizações. Que a Estrela de Belém que conduziu os Magos até Jesus o inspire também e que continue a alegrar o coração e a alma daqueles que amam o Belo, com a beleza e a delicadeza de suas telas. Obrigada pelo catálogo. Tenho certeza de que ficarei feliz no dia em que puder admirar uma de suas exposições. Saudações e agradecimentos de meu esposo. Saudações à sua esposa e demais familiares. Despede-se, Maria Aparecida Perez Rizzo”

Notas Referenciais EM ACERVOS... 1- Localizado na Praça Presidente Vargas, 136 – Andradas/MG. 2- Óleo sobre placa 70x60. 3- Ost 50x40. 4- Ost 50X40- Registro sob nº 293, do livro nº 01, p. 21. 5- Ost 50x60. 6- Jornal “A Cidade de São João”, 13/03/1987. 7- Ost 40x50. Igreja Nossa Senhora da Abadia, localizada em Itaberaí, cidade histórica do interior de Goiás. 8- Ost 23x31. A tela reproduz uma casa antiga existente, na década de 1980, perto da Escola Francisco Dias Paschoal. 9- Ost 50x60. Prêmio Aquisitivo Câmara Municipal, no 45º Salão de Artes de Piracicaba, em 1997. 10-Ost 40X50. Obra recebida pelo Exmo. Sr. Juiz Presidente, Dr. Eurico Cruz Neto. 11-Ost 50x40. O escritório da instituição localiza-se na Rua Conselheiro Antonio Prado, 301, São João da Boa Vista. 12-Ost 80x60. 13-Exposição coordenada pela artista Márcia Gebara. 14-Ost 80x120. 15-Ost 46x39. 16-Ost 40x50. 17-Ost 40x30. 18-Ost 40x60. 19-“Gazeta de São João”, 29 de novembro de 2000, p.1. 20-Ost 40X50. Retrata a região de Serrania/MG. 21-Obra doada por ocasião de sua vinda a São João da Boa Vista, na Papyrus Livraria, para o lançamento de seu livro “A Década do Impasse”, em 23 de dezembro de 2002. 22-Ost 40x50. 226


Via Sacra - Obra de José Marcondes - Acervo Família Teixeira Franco

227


Promovendo Talentos Sabendo que a arte não pode ser solitária, mas sim solidária, e tem, para sua própria sobrevivência, de ultrapassar o espaço onde é produzida, teve Marcondes, como princípio de vida, o incentivo e a promoção não só da arte e da cultura. Mas também de seus produtores: os artistas. Tentou sempre transformar em ação esses objetivos. Dessa maneira, entre suas diversas atividades, estão dezenas de curadorias, quer em mostras coletivas, quer em individuais de artistas vários. Somente na Papyrus Livraria foi curador, com certeza, na maioria das exposições ali acontecidas, além de ter sido também nos “Salões Novos Valores” e no “Grandes Valores Sanjoanenses”, sendo estes dois, eventos com a chancela da AMARTE. Não se pode esquecer da “Literarte”; de “João Visita Paulo nos seus 450 anos”; do “Cinquentenário da 1ª Exposição Coletiva em São João da Boa Vista”; como ainda da maioria dos vinte “Salões de Arte de São João da Boa Vista” e de duas “Bienais” de nossa cidade 1. Somente na Papyrus Livraria foi curador, entre outras: - Em 1999, da exposição “Artistas de um Pueblo Blanco Andaluz em São João da Boa Vista.” 2 Bernardo Caro, artista plástico, um dos participantes dessa exposição, vice-cônsul da Espanha no interior do Estado de São Paulo e participante de Bienal de São Paulo, deixou um parecer sobre Marcondes: “É com muito orgulho e satisfação que escrevo sobre o amigo e artista José Marcondes, cuja trajetória artística podemos verificar em seu enorme currículo. Sua vida foi sempre dedicada à produção de obras impressionistas e agora com tendência para o abstrato. Ficar diante das telas de Marcondes é um prêmio para nós observadores, um momento maravilhoso de arte”. - Foi, ainda, curador da Mostra “Um mestre entre nós”, do grande e consagrado artista campineiro, Thomaz Perina, falecido em janeiro de 2010. O evento, com 14 obras, aconteceu em novembro de 1999. - “Exposição de Vera Ferro”, artista radicada em Campinas, em agosto de 1998. - De 18 de outubro a 10 de novembro de 2002, aconteceu: “Tributo a João Clério de Oliveira - um fotógrafo sanjoanense”, uma exposição, “in memoriam”, com 60 fotos do artista. No catálogo/convite havia a mensagem de José Marcondes, ao amigo: “João Clério de Oliveira, além de um excelente profissional na área da fotografia, era, acima de tudo, um grande artista com sensibilidade invejável, que, com sua câmara fotográfica, registrava cenas inusitadas. Nas décadas de 1950 e 1960, registrou São João da Boa Vista e região, além de outros logradouros pitorescos do Brasil, por onde andou. Ele amava São João da Boa Vista com suas belas paisagens, casarões e figuras exóticas que constituíam seus temas preferidos. Homenageá-lo, reverenciar sua memória é um retorno a São João de 40 anos atrás. É preservar, também, a memória da cidade.” - De 16 de abril a 30 de maio de 2003 aconteceu a individual de fotografias “Mazzarini registra nossos crepúsculos”. Para esta exposição, José Marcondes deixou registrado no catálogo: “Milton Mazzarini é Agente Fiscal de Rendas, Professor de Matemática e Informática, Diretor Proprietário do Colégio Seletivo e cursa o 2º ano da Faculdade de Direito. Tem como hobby, desde a adolescência, a fotografia, sempre usando sua sensibilidade e visão para um perfeito enquadramento do objeto. Nesta sua primeira Mostra, usa como tema os ‘Crepúsculos Maravilhosos’ de nossa terra, considerados um dos mais belos do mundo. Estas fotos constituem sua homenagem a São João da Boa Vista, cidade que ama e admira e que o acolhe com muito carinho”. 228

- Em novembro de 2004, junto com Cecília Mazon, foi curador da exposição “Individual de Milena Sicker”. - Tem ainda sua curadoria a “Mostra das Obras de Cecília Mazon”, em março de 1999. “Contemporânea em várias manifestações e batalhadora incansável, assim é Cecília Mazon, artista plástica que


vem, cada vez mais, se consagrando, neste final de século, haja vista seu prêmio conquistado em Paris no Espace EiffelBranly, em 1997, por ocasião de ‘La Fin du Siècle’. É essa uma oportunidade para os sanjoanenses apreciarem algumas de suas obras.” Foi esta a mensagem de Marcondes, no catálogo da exposição. - Organizou também “Individual da Cecília Mazon”, em novembro de 2003. Cecília Mazon 3, apresenta-se como artista: “Meu conceito de composição artística começou no campo do desenho e da pintura em função das leis determinadas, resultando daí a unidade orgânica entre o campo e as formas que o continham. Partindo dos princípios compositivos pude encontrar na forma a unidade, variedade, equilíbrio e ritmo.” - Em 2009, organizou as exposições de Márcia Gebara, em setembro e de Ronaldo Bonner, em novembro. - Desde 2007, é responsável pelas exposições temporárias, que acontecem no Fórum de São João da Boa Vista.

Notas Referenciais

PROMOVENDO TALENTOS 1- Todos estes eventos têm capítulos especiais, dedicados a eles. 2- Detalhes desta exposição está em “Coletivas” – item dedicado à Papyrus. 3- Auto apresentação da artista no catálogo “Descentralização da Cultura” Sesi São Paulo, 1985.

Lançamento do livro “A Década do Impasse” de Washington Novaes. Ao seu lado Virgínia Novaes e Francisco Bezerra - Papyrus Livraria - Dezembro de 2002

229


OUTRO LADO DO ARTISTA... A PESSOA Viver a arte!... Vivê-la tão intensamente, que passa a fazer parte da rotina dos dias... Com certeza, Marcondes conseguiu realizar esse sonho, se não plenamente, pelo menos, de uma maneira satisfatória. Lógico, momentos existiram em que a arte só pôde passar de raspão, pois, outras dimensões da vida existem, mesmo para um artista! José Marcondes nasceu na zona rural de Andradas, em 17 de novembro de 1937, porém a data oficial de seu nascimento é 23 de dezembro. Filho de Ida Dominichelli Marcondes e Benedicto “Zizico” Marcondes, irmão de Maria de Lourdes Marcondes e Maria Aparecida Marcondes Noronha, casada com Dino Noronha. Seus estudos foram realizados aqui em São João da Boa Vista, primeiramente no Grupo Escolar Joaquim José. Já o curso de Admissão ao Ginásio foi feito com o Profº Augusto Bittencourt, depois continuou seus estudos no antigo Ginásio do Estado e, em final dos anos cinquenta, formou-se Técnico em Contabilidade pelo Colégio Comercial Profº Hugo Sarmento. Somente dez anos depois teve oportunidade de continuar seus estudos, assim, em 1970, terminou o curso de Educação Física na PUCCampinas. Enquanto estudante, aqui na cidade, foi aprendiz de marcenaria nas oficinas de José do Rosário e Leônidas Borges, e foi ali que passou muitas das horas de sua de infância. Este aprendizado foi-lhe muito bom, pois vai transformar-se em prazeroso hobby. Mais tarde, em 1956, com a inauguração da piscina na Sociedade Esportiva Sanjoanense, tornou-se um dos nadadores pioneiros, participando de importantes campeonatos e foi na natação que se profissionalizou. Tornou-se técnico no Tênis Clube Vargengrandense, na vizinha cidade de Vargem Grande do Sul/SP, nos anos de 1959 a 1963, onde fez sólidas e queridas amizades, que se conservam até hoje, apesar de já se terem passados cinquenta anos. Dessa cidade, transferiu-se para a capital paulista, onde, por pouco mais de um ano, em 1964/65, foi técnico de natação no Club Atlhético Paulistano. Ali teve a oportunidade de trabalhar com M. Igai, conceituado técnico de origem japonesa. Em 1966, voltou a São João da Boa Vista como técnico de natação da Sociedade Esportiva Sanjoanense, a convite do então presidente Benedicto M. Peres. Ocupou este cargo até 1974, dando continuidade à trajetória de glórias da rubro-negra, em natação. Iniciou sua carreira como professor em Educação Física no ensino público estadual, em 1970, no Instituto de Educação Cel. Christiano de Oliveira, aposentando-se em 1994. Lecionou também por catorze anos na Faculdade de Educação Física de Santos, da Universidade Santa Cecília e na Faculdade de Educação Física do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino - UniFAE. Casou-se em 1971 com Maria Célia de Campos Marcondes, com quem teve duas queridas filhas: Thais de Campos Marcondes casada com Marcos Vinício de Abreu Resende e Amarílis de Campos Marcondes, casada com Eduardo Carvalho Freitas. Possui dois netos, alegrias de sua vida: Bruno e Yasmin Marcondes e Resende.

OUTROS MOMENTOS... Marcondes irrequieto, sempre em atividade, realizando, agindo, fazendo projetos, vivendo intensamente e que só se acalma quando em frente a uma tela, pincéis e tintas... Talvez, graças a estas características, sua participação dentro da sociedade, em movimentos artísticos e culturais, sempre foi muito grande. Foi ele chamado para fazer parte de várias atividades, eventos e nunca se omitiu.Dessa maneira foi convidado para participar como jurado da “I Exposição de Artesanato”, de São João da Boa Vista, em janeiro de 1978. Nos anos de 1978 e 1979, fez parte da Comissão Organizadora do Carnaval de Rua de São João da Boa Vista e elaborou o projeto que foi aprovado para a decoração da cidade nos festejos do Rei Momo. Ainda em 1978, foi o responsável pelo projeto e elaboração da decoração das ruas nas festividades natalinas daquele ano. Nesse mesmo ano, fez parte da Comissão Julgadora do famoso Concurso de Fantasias promovido pelo Centro 230


Recreativo Sanjoanense. Estava, nessa atividade, ao lado de Maísa Barcellos do Amaral, Odila Godoy, João Batista Scannapieco, Isa Michelazzo, Neide Penha Michelazzo. Em 1979, foi convidado para ingressar na “Academia Paulista de Belas Artes”, tornando-se membro efetivo sob o número 138. Em 17 de agosto de 1981, proferiu palestra “Minha experiência como artista”, no Rotary Club de São João da Boa Vista, a convite do presidente Miguel Jorge Anfe, sendo secretário Hélio D´Ornellas Borges. Foi convidado oficialmente, em 23 de março de 1984, para fazer parte da equipe de restauração 1 do Theatro Municipal, função que ocupou com grande prazer e responsabilidade até a finalização da atividade, juntamente com o coordenador da equipe Joaquim Augusto de Azevedo Costa e Mello, João Batista Merlin, Ana Laura Barcellos do Amaral e Nilson Zenum. Trouxe de Campinas, em 1985, para a Semana Guiomar Novaes, o maestro Julio Massaini, Renê Marcos Pozzi pianista, além da cantora lírica Judith, os quais se apresentaram na Igreja Nossa Senhora Aparecida. Foi ele nomeado 2 em 1983, juntamente com outros, membro da Comissão encarregada da Seleção e Premiação das obras de Arte da “VII Exposição de Artes da Semana Guiomar Novaes”. Participou da equipe oficial que elaborou a “Política Cultural do Município de São João da Boa Vista” em 1984. Foi, ainda, membro da comissão organizadora da “I Semana do Artista Sanjoanense” 3. Nomeado 4, em 1985, junto com outros, membro suplente da Comissão Municipal de Biblioteca. Nomeado 5, junto com outros, membro da comissão organizadora da “X Salão de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”. É membro da Diretoria do Arquivo Municipal Público e Histórico “Matildes Rezende Lopes Salomão” de São João da Boa Vista -gestões 2004/2008 e 2009/2012. Foi membro do “Conselho Consultivo do Museu de Arte Sacra” de São João da Boa Vista. Participou da comissão julgadora da escolha do “Brasão d’Armas” da Fundação de Ensino Octávio Bastos, em 4 de novembro de 1998. Foi membro do “Conselho Consultivo da Fundação Oliveira Neto”, nomeado pelos prefeitos Laert Lima Teixeira e Nelson Mancini Nicolau. Participou, em 2009, da Comissão Julgadora, no quesito desenho, do Concurso Redação na Escola – tema Gente, promovido pela Associação Comercial e Empresarial -ACE e Academia de Letras de São João da Boa Vista - ALSJBV. É Diretor de Cultura da Sociedade Esportiva Sanjoanense, desde 2007, e desde 1958, faz parte do “Conselho Deliberativo” “Sorveteiro” - Rua Oscar Janson com Floriano Peixoto - ao fundo Igreja de São Lázaro - Obra desse clube. de José Marcondes - Década de 1970 - Acervo da Família Miranda De 2 a 6 de agosto de 2006, na Sociedade Esportiva Sanjoanense, em seu salão de bailes, como Diretor de Cultura, realizou uma exposição de fotos “ESPORTIVA 90 ANOS”, que se constituiu numa prévia para o lançamento de seu livro, “50 Anos de Natação” que aconteceu em outubro nas comemorações dos cinquenta anos da inauguração da piscina deste clube. O acadêmico Lauro Augusto Bitencourt Borges, da Academia de Letras de São João da Boa Vista teceu comentários: 6 “Por intermédio de minha mãe, tomei contato com um monumento à história desta província crepuscular. Trata-se do livro ‘Natação 50 Anos”, um antológico ‘baú de reminiscências’ organizado por José Marcondes. O livraço, permeado por belas fotos e textos idem, conta a gloriosa história das cinco décadas da natação da Sociedade Esportiva Sanjoanense. Craque nos desportos e virtuoso nas Artes Plásticas, Marcondes, com a obra, se revela também um exímio memorialista. Obra para deleite, para folhear num lento prazer. Obra de inestimável valor para as futuras gerações. A Sanja de antanho tem, no livro, um de seus melhores retratos.” 231


HOMENAGENS Sem dúvida, um dos momentos mais importantes de sua vida foi quando a Câmara Municipal de São João da Boa Vista, em 03 de julho de 1982, outorgou-lhe o título de “Cidadão Sanjoanense”, 7 honraria que lhe causou grande orgulho e imensa alegria. A indicação foi do vereador Maurício José de Azevedo Oliveira, tendo por justificativa: “elevar o nome da cidade através da arte e do esporte”. Era prefeito o Sr. João Tarifa Lorenccini. O artista e amigo piracicabano, Alberto Thomazi, ao elaborar um parecer artístico sobre José Marcondes, com muita perspicácia e delicadeza justificou esta outorga: “Não foi por acaso que o artista José Marcondes, mineiro de nascimento, tornou-se oficialmente um cidadão sanjoanense. Pintando e divulgando a natureza privilegiada da cidade que o acolheu como filho, identificou-se de tal modo com esse tradicional centro de cultura interiorana, que seu nome constantemente desponta à frente dos movimentos culturais e esportivos e principalmente artísticos de São João da Boa Vista. A partir de um desenho preciso e concebido com largueza, uma arguta sensibilidade norteia o pintor na diferenciação sutil das comparações cromáticas, base de equilíbrio dos valores e dos planos, o que lhe permite registrar com vigor o lirismo que vê e sente.” Recebeu, ainda, várias homenagens, além de muitas Monções de Aplausos, da Câmara Municipal de São João da Boa Vista, pelos serviços prestados à cultura e arte, em nossa cidade. Em 29 de março de 1975, a Prefeitura Municipal de Águas da Prata, sendo prefeito o sr. Welson Gonçalves Barbosa, conferiu-lhe o “Título de Amigo de Águas da Prata”. O Rotary Club São João da Boa Vista - Sul entregou-lhe, por relevantes serviços prestados à comunidade sanjoanense, em sessão solene, a 21 de agosto de 2001, o “Certificado de Excelência”, assinado por Ladislau Asturiano Filho e Elpídio de Oliveira Quintaneiro. Já em 1998, foi homenageado pela diretoria do Instituto de Educação Cel. Christiano Osório de Oliveira, em um painel com nome e fotos de professores relevantes daquela instituição, no desfile de aniversário da cidade. Foi ainda indicado, em 2006, por esse estabelecimento, para o Concurso “Troféu Lição de Casa Extra”.

ILUSTRAÇÕES... Teve a honra de ser o autor da capa do livro “Só Sonhos” de Christino Cardoso de Pádua, cujo lançamento deuse em 10 de outubro de 1986, quando o poeta fez-lhe a dedicatória “Ao Marcondes, mestre do pincel, poeta da pintura, incentivador da arte, singela lembrança de seu amigo Christino”. Em 1988, novamente foi convidado pelo amigo para, agora, não apenas fazer a capa de seu novo livro de poesias, “Sorriso Fixo”, mas também ilustrá-lo. “O Tempo, esse Peregrino”, livro de contos e crônicas, de autoria do acadêmico Antônio “Nino” Barbin tem a capa realizada por Marcondes, em 1998. Em 2000, criou a capa para o livro “Trabalho e Desemprego” 8, publicação dos resultados obtidos através de trabalho acadêmico, com pesquisa de campo sobre as mudanças no “Mundo do Trabalho”, realizado pelos alunos do Curso de Pedagogia da Unifeob, coordenados pela professora de Sociologia Maria Célia de Campos Marcondes. “Ensaio Historiográfico Theatro Municipal e Trajetória das Artes em São João da Boa Vista” 9 de Jonathas Mattos Júnior, também tem capa de sua autoria, feito em 2000. 10

ALGUNS CURSOS

53ª SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – Salvador/BA, em julho de 2001. Curso: “Barroco: apropriação de um patrimônio”. 54ª SBPC Goiânia/GO, em julho de 2002. “Arte Fúnebre”. II Curso de Capacitação de Professores- FAE Faculdade Associadas de Ensino São João da Boa Vista, em fevereiro de 2001, ministrado pelo profº Newton César Balzan. Especializações em Natação, Atletismo, Ginástica e Basquete, na Faculdade de Educação Física de Santos/SP.

RESTAURAÇÕES Em 1980, restaurou graciosamente, a pedido de Mercedes Beozzo Furlanetto, com o intuito de conservar e salvaguardar dezenas de modelos, em gesso, do escultor sanjoanense Fernando Furlaneto que foram doados a instituições 232


públicas de São João da Boa Vista. A saber: Fórum de Justiça Estadual, Associações dos Pais e Amigos do Excepcionais - APAE, Seminário Sagrado Coração de Maria, Asilo São Vicente de Paula, Casa das Crianças, Velório da Santa Casa, além das escolas: Teófilo de Andrade, Padre Josué, Joaquim José, Francisco Paschoal e Instituto de Educação Cel. Christiano Osório de Oliveira. Restaurou também alguns querubins, bustos, todos modelos em gesso. Restaurou as obras de arte, pinturas em tela, localizadas em um dos altares laterais da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 11 Constituem-se de um tríptico, sobre madeira. Restaurou dezenas e dezenas de quadros pertencentes a coleções particulares. Por indicação do amigo João Batista Merlin, restaurou, no Rio de Janeiro, importantes obras de arte e objetos de valor histórico, pertencentes a particulares. Em momento de completo desvario chegou a pensar em um bairro, na cidade, que, assim como as ruas, tivessem nomes ligados à arte e a cultura de nossa cidade. Destarte, saiu para a ação, conversou com pessoas ligadas à área, ou seja, com os responsáveis pelos novos loteamentos na cidade e fez, em 8 de agosto de 2001, um ofício à Câmara dos Vereadores, fazendo-lhes a sugestão: “Senhores Vereadores, Valemo-nos deste para solicitar a essa digna Casa, que sejam dadas às ruas de um dos novos bairros de nossa cidade, nomes de personagens ligados ao mundo cultural e artístico, que aqui viveram em décadas passadas e tanto elevaram São João da Boa Vista, no campo das artes. Ressaltamos o da internacional pianista Guiomar Novaes, para ser o nome do bairro ou da avenida principal, não esquecendo Patrícia Redher Galvão-Pagu, intelectual internacionalmente conhecida e Orides Fontela um dos grandes destaques da poesia brasileira. Acreditamos com isso que se fará justa homenagem às personalidades queridas e importantes de nossa terra. Outros nomes que sugerimos, para o nome das ruas, e que correm o risco de serem esquecidos são: Seguiu-se, então, uma lista com os nomes e pequena biografia, de cada um, para Tio Dito Faria -Benedito E. Faria justificar o pedido. Assim foram nomeados: “Luiz Gualberto, Attílio Baldochi, Araújo Lima, Incentivador de José Marcondes Renê Marcos Posi, Alfredo Volpi, Laércio de Azevedo, Ettore Federighi, Eliseu Ferreira, Maísa Barcellos, Fernando Furlanetto, Jácomo Furlanetto, Nascipe Murr, Emílio Casline, Edivina Noronha.”

ANEXOS

I- Dados sobre um altar lateral da Igreja N. S. do Perpétuo Socorro, restaurado por Angelin Massoni e José Marcondes “Este altar veio da Alemanha, trazido pelos padres Redentoristas em 1905. Inicialmente pertenceu à Igreja da Penha em São Paulo e era o altar do Santíssimo. Em 1936, foi levado para a Catedral do Seminário Redentorista, na cidade de Tietê/SP, onde permaneceu por alguns anos. Nessa época o Altar sofreu o ataque de cupins e da umidade o que o danificou de maneira significativa. Sua estrutura construída em cedro e pinho de riga, e as obras de arte aplicadas na lateral do altar e na sua frente, logo abaixo da mesa, ficaram seriamente comprometidas. As obras de arte, em tela, constituem-se de um tríptico sobre madeira cuja parte central representa a Natividade com as figuras do Menino Jesus, José e Maria; de duas telas laterais mostrando dois anjos contemplando a natividade e, acima da mesa, do lado direito e do lado esquerdo, as figuras dos doutores da Igreja: Santo Inácio de Loyola e São Thomás de Aquino. Em 1986, o Padre Elias redentorista vindo para a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São João da Boa Vista/SP, trouxe esse altar, uma vez que o mesmo, em Tietê, estava renegado a segundo plano, devido seu estado precário, todo carunchoso. Em 1994, Padre Elias pediu ao artista plástico José Marcondes, que recuperasse as pinturas do altar e que Angelin Massoni, marceneiro, recuperasse a parte de madeira. Tudo isso foi feito graciosamente. O altar recuperado ganhou nova vida, até que em 2007, Marcondes percebeu que estava, outra vez, carcomido pelo caruncho, necessitando, pois, de novo restauro, tanto em sua parte de madeira, como também as telas artísticas. Novamente José Marcondes e Angelin Massoni fazem novo restauro, tentando, com isso, salvaguardar essa preciosidade artístico-religiosa. Maria Célia de Campos Marcondes”. Dados fornecidos pelo Pe. Elias - uma cópia deste texto foi colada atrás do altar. 233


Notas Referenciais

O OUTRO LADO DO ARTISTA... 1- Cópia dos documentos de participação de JMarcondes e detalhes sobre o trabalho encontram-se no item Teatro. 2- Portaria nº 172, de 8 de agosto de 1983, assinado pelo prefeito Sidney Estanislau Beraldo. 3- Portaria nº 421/84. Idem assinatura. 4- Portaria nº 641, de 15 de janeiro de 1985. Assinado por Gastão Cardoso Michelazzo - Vice-Prefeito; Prefeito em exercício. 5- Portaria nº 1.124, de 30 de junho de 1986. Assinado por Sidney Estanislau Beraldo, Prefeito Municipal. 6- Borges, Lauro. “Baú de Glórias”. Jornal “O Município”, 25 de outubro de 2006, p. 2. 7- Nessa solenidade, o professor João Baptista Scannapieco, também recebeu o título de “Cidadão Sanjoanense”. 8- Além da capa, há mais três obras suas, referentes ao tema. pp. 9, 43, 85. 9- É citado pp. 93 a 96. 10- Os quatro autores, Christino, Barbin, Maria Célia e Jonathas, coincidentemente, pertencem à Academia de Letras de São João da Boa Vista. 11- Detalhes, em Anexo.

Nu - Obra de José Marcondes - Década de 80

Arrebentação - Obra de José Marcondes - Década de 2000

234


SÃO JOÃO DA BOA VISTA E OS ARTISTAS PLÁSTICOS “A vida só pode ser entendida olhando–se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente”

Kierkegaard Este capítulo é dedicado aos Artistas Plásticos de nossa terra, que, em ordem alfabética, terão a biografia e currículo artístico apresentados. À grande maioria, foi pedido que os enviasse. Dessa maneira, o que aqui existe, praticamente é resultado do que foi oferecido, acrescentado, algumas vezes, de dados constantes em antigos catálogos e jornais. No final do capítulo, serão lembrados também três artistas que, apesar de não serem sanjoanenses, tiveram vínculos com as artes plásticas de nossa cidade.

O INÍCIO E, neste narrar sobre as Artes Plásticas em nossa cidade, não se pode deixar de citar Antônio “Tuniquinho” Marcondes e Octávio Gião, que nas décadas de 1940/50 decoravam, com motivos florais, frutas e com paisagens, as paredes de salas de jantar e varandas de várias residências em São João. Já Leopoldo de Abreu Júnior (1912/1973) além de, também, decorador, pintou várias telas, cópias de artistas famosos e algumas paisagens tiradas do original. Por aqui passaram, morando por alguns anos, nesta mesma época, os artistas Miranda, caricaturista e desenhista; Lucien, pintor e professor de pintura, além de De Carli.

IMPORTANTES VALORES

AGNALDO MANÓCCHIO - São João da Boa Vista, 25 de setembro de 1958 Autodidata, iniciou-se nas artes muito cedo, produzindo suas primeiras telas aos 11 anos de idade. Com o tempo, apaixonou-se pela leveza dos traços do desenho, dedicando-se ao bico-de-pena. A partir de 1986, também como autodidata, iniciou, efetivamente, seus trabalhos nesta técnica. Jovem e talentoso desenhista foi uma das descobertas da AMARTE, quando, em 1986, apresentou seus trabalhos no “1º Salão de Artes Novos Valores”. Voltou em 1987, no “II Salão Novos Valores” e, neste mesmo ano, foi Medalha de Ouro no “IV Salão de Artes Plásticas de Mococa”. Em 1988, recebeu Medalha de Bronze no “VII Salão de Artes de Amparo”; participou ainda do “VI Salão de Artes Plásticas de Rio Claro” e do “50º Salão Paulista de Belas Artes”, na cidade de São Paulo. Foi Menção Honrosa no “XV Salão Limeirense de Arte Contemporânea” e Pequena Medalha de Ouro na “XII Exposição de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”, em 1988 em São João da Boa Vista. Recebeu prêmio Aquisição no Salão de Rio Claro em 1989. Fez a capa do livro “Estórias do Cotidiano”, de Fábio Noronha. Possui obras em acervos particulares e firmou-se como desenhista. ÂNGELA Regina BONFANTE Cabrelon 1 - São João da Boa Vista, 25 de setembro de 1955 Ainda criança, contemplava, com admiração, as linhas da Serra da Mantiqueira e as nuances das cores da terra dos “Crepúsculos Maravilhosos”. Tocada pela composição da bela natureza dos arredores da cidade e incentivada pela maestria dos professores de colégio, inicia suas primeiras criações, encantando o pequeno público familiar. Esteve sempre imersa nas rodas de discussões culturais existentes em São João, cidade efervescente e fértil no campo das artes, participando de diretórios acadêmicos, grupos musicais, festivais, cinema, salões de arte, entre outras atividades. Já adulta, funcionária do Banco do Brasil, esposa e mãe, continuou suas pesquisas nos finais de semana, produzindo pinturas e submetendo-as à crítica dos amigos artistas mais experientes. Em 1994, conquistou seu primeiro prêmio no “XVIII Salão de Artes Plásticas de São João da Boa Vista”, utilizando a temática social. No desenvolvimento de sua técnica e poética, a artista contou com orientações significativas, como de Alice Brill 235


e Luiz Armando Bagolin. Este último liderou o “Grupo Poéticas Visuais”, de 1994 a 1998, no Instituto Moreira Salles, em Poços de Caldas, que abrigava artistas da região. Neste grupo, Ângela, ativa integrante, teve a oportunidade de ampliar sua visão para trilhar o misterioso, lúdico e mágico caminho liberalizante, que a arte propicia. Nessa época, participa do “Mapa Cultural Paulista”, com uma série de treze paisagens da cidade de São João, assim como da “Mostra Poéticas Visuais”, no Centro de Convivência Cultural de Campinas, com a série “Reflexões Paradoxais”. Acompanhando a família, transferida pelo Brasil, em virtude do trabalho do esposo, envolvia-se e destacava-se em cada cidade que permanecia. Em São José do Rio Preto, fez sua primeira exposição individual, mostra em que apontava importantes espaços arquitetônicos em degradação. Lá executou projetos de arte-terapia, que lhe oportunizaram investigar o potencial criativo e poético dos pacientes do Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes. Ao se mudar para a Paraíba, em 2003, encanta-se com o buliçoso modo de vida e com os processos de criação do povo nordestino. Buscou registrar em desenhos as linhas das paisagens pelas quais viajou - sertão e praia -, construindo um verdadeiro diário para pesquisas. Em João Pessoa, participou do “Salão de Artes da Paraíba” - SAMAP, integrou-se ao “Grupo Grilo” e expôs seus trabalhos em espaços consagrados, como o “Núcleo de Arte Contemporânea” - NAC, “Casarão 34” e “Capitania das Artes”, em Natal. No Nordeste, teve oportunidade de participar dos “workshops” de gravura, com Carlos Reis, e de xilogravura, com Maria Bonomi. Mudando-se para Salvador, em 2006, conquistou o primeiro prêmio da “VIII Bienal do Recôncavo”, classificada como um dos mais importantes eventos de artes do país, o que lhe rendeu um aperfeiçoamento em escultura e gravura em metal, na Suíça, com os mestres Pedro Pedrazini e Franco Lafranca. Ainda em Salvador, foi convidada a expor no importante “Museu de Arte da Bahia”, ao lado de obras de Carybé, Mário Cravo Neto e Marcelo Grasmman. Como engajamento social, fez do voluntariado um dos seus motes de vida, deixando instituído na Bahia um grupo que assiste crianças de creches comunitárias e dá suporte profissional aos seus dirigentes. Em Brasília, participou da mostra “Artistas Brasileiros”, no Salão Nobre do Senado Federal da República, a convite dos senadores da Bahia. Com olhar atento, visita os principais museus da Europa e das Américas, mergulhando nos processos de criação dos grandes artistas de todos os tempos. Em seu trabalho imprime paixão e vitalidade. Seu olhar busca e encontra inspiração para sua poética no intenso vínculo com o lugar onde está e na sua interação com o cotidiano, repercutindo, nesses últimos anos, a intenção de praticar as idéias do artista alemão Joseph Beuys, que prega o conceito de que todas as pessoas são artistas por natureza e, que modelam, com seus fazeres essencialmente livres e democráticos, uma escultura social. Ao longo da vida, acumulou atividades que, se à primeira vista pareceram desassociadas, compõem um todo que revela seu caráter, seu protagonismo e sua maneira de ser. Atualmente, vive entre as cidades de São João e São Paulo e congrega suas duas paixões, arte e voluntariado no projeto “Cuidadores Nômades”, no qual, junto com os amigos do ofício, compartilha os conceitos e práticas de arte e cidadania. O seu ateliê em São João da Boa Vista pela beleza e comunicabilidade, enquanto proposta e atuação, é um espaço onde a arte encontra lugar.

ÂNGELO MOLINA Moscoli - São Paulo, 14 de fevereiro de 1936 Vindo de São Paulo, escolheu São João da Boa Vista para morar. Autodidata, tem como “hobby” a construção de réplicas de carros, troles, diligências, bondes, calhambeques e principalmente caravelas portuguesas que “chamam atenção onde quer que naveguem” 2. Pode ser considerado o mestre das miniaturas, persegue detalhes para que tudo saia o mais perfeito possível. Já realizou várias exposições. Dono de um desenho preciso, entre uma e outra obra de grande beleza e valor, sempre surge uma verdadeira escultura. BENEDITO BERNARDES SOARES - Andradas, 30 de março de 1942 Benedito Bernardes Soares veio, ainda criança, residir em São João da Boa Vista. É uma pessoa que necessita de “cuidados especiais”, pois possui idade mental infantil e ninguém consegue explicar sua capacidade artística. Ito Amorin foi, talvez, quem o “descobriu”, através de seus desenhos a lápis de cor, em cartolina, na década de 1970, onde quase sempre retratava, fielmente, vários locais da cidade de São João da Boa Vista, alguns de Andradas, além de poucas paisagens. É ele um artista autodidata e “primitivista”; seus trabalhos possuem boa perspectiva, sombra e luz bem coloca236


das, além de muitos detalhes. Diversas obras suas são representadas numa projeção panorâmica, como se vistas do alto. Marcondes, assim que conheceu seu trabalho, percebeu a qualidade do mesmo e fez com que participasse de inúmeros salões e exposições na cidade e fora dela. Em 1979, junto com Dr. Carlos Alberto Florence, da Delegacia Regional da Cultura da Grande São Paulo, organizou na Galeria Cândido Portinari, na capital paulista, Praça Presidente Roosevelt, a “Exposição Individual de Benedito Soares”, estando ele e sua mãe presentes no vernissage. A Mostra foi um sucesso tanto de público como de vendas. “Benedito B. Soares, primitivista inocente, desenho limpo e colorido transparente, capaz, apesar de sua limitação, de realizar trabalhos inacreditáveis. É difícil explicar Benedito, mas é fácil e gratificante ver a poesia pura em suas obras”. 3 Sua produção começou a diminuir a partir da década de 1990, estando hoje praticamente zerada.

CARLOS ALBERTO ARAÚJO O arquiteto de formação, aqui residiu nos anos sessenta e setenta, e fez incursões pelas Artes Plásticas, na técnica aquarela, participou de salões em São Paulo e Campinas. É o autor da bandeira de nossa cidade. CELINA PELLA 4 – São João da Boa Vista, 14 de julho de 1951 Pensando na preservação do meio ambiente faz da reciclagem sua arte. Possui grande afinidade com o vidro e trabalha também com resíduos de mármore e granito para montagem de obras em “mosaico”, técnica adquirida em Ravena, Itália, especializando-se na Unicamp. Sua primeira exposição foi em 2006, na Papyrus Livraria. É dona do espaço “Ateliê Virando Luxo”. Foi premiada pelo “Programa de Desenvolvimento Local para a América Latina e Caribe”. EDITH Lara ALÉM - São João del Rei/MG, 02 de junho de 1929 Radicou-se em São João da Boa Vista, há trinta anos. É casada com o acadêmico e escritor Nege Além. Participou de várias exposições em Taubaté/SP; Alfenas/MG; Guaxupé/MG. Expôs no Museu Histórico de Porto Ferreira/SP, na Academia Interamericana Hércules Florence e na Caixa Econômica Federal, ambas na cidade de São Paulo. Em nossa cidade, realizou Mostras no Banco do Brasil; no foyer do Theatro Municipal; na Papelaria GV; na Casa das Tintas e na Papyrus Livraria, onde em 1998/99 ministrou “Oficina de Pintura”. Participou dos XVIII, XIX, XX Salões de Artes Plásticas de São João da Boa Vista, antiga Semana Guiomar Novaes.

EDSON ELÍDIO – São Paulo, 1971 Professor de Educação Artística com vinte anos de docência, é pesquisador não só do ensino da arte em educação formal e não formal, como também em arte contemporânea, ações e intervenções públicas, moda, comportamento, linguagens convergentes e híbridas. Em suas obras trabalha com instalações e as interfaces poéticas, literárias, sonoras, visuais, cênicas e sensoriais, criando uma esfera cronológica atemporal, que possibilita conexões com educação, arte e história da cultura, incentivando o expectador a ser co-autor do fazer artístico. Realizou várias individuais, participou de diversas coletivas no Brasil e exterior, fez coordenação educativa na Semana Fernando Furlanetto e Bienais de nossa cidade. É mestrando em Educação, Arte e História da Cultura. ERASMO PETRAGALLI – (Pedragallo) Nascido e falecido em São João da Boa Vista Alfaiate por profissão, residente na Rua Adhemar de Barros, nas décadas de 1950/60, produziu diversas obras. Era dono de uma pintura simples e inocente, porém tinha boa noção de perspectiva, bom desenho e cor. Seu tema preferido eram os casarios, principalmente trechos das ruas de São João da Boa Vista e de Ouro Preto/MG. FAFÁ NORONHA - Flávia de Almeida Noronha Carioca - São João da Boa Vista, 24 de dezembro de 1961 Como filha e discípula do artista plástico Ronaldo Noronha, desde cedo manteve um forte contato com as Artes Plásticas. Profissionalmente, em 1987, iniciou sua carreira artística marcada como retratista, trabalhando sob encomendas, passando em seguida por várias técnicas, gêneros e temas. Atualmente, trabalha com aquarela, na busca de uma nova concepção do fazer artístico, sendo a fruição entre a água e as transparências no papel, as suas mais recentes ferramentas de expressão. No “Catálogo Grandes Valores” 5, Cláudio Moraes Sanches, assim se refere a ela: “Artista de marcante sensibilidade e entusiasmo, de natureza inquisitiva, possui traço forte e decidido, dotando seus retratos de extraordinário conteúdo emocional”. Currículo: 237


- Bacharel em Comunicação Social – Produção e Direção de Rádio e TV, pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP/SP -1984. - Pós-Graduação no Instituto de Artes e no Departamento de Multimeios, da Universidade Católica de Campinas – UNICAMP - 1998. Atividades profissionais: - Artista Plástica, participando de exposições individuais e coletivas, em São João da Boa Vista e região, com premiações e menções, desde 1987. Colaboradora com artigos sobre “Arte e Comportamento” nos jornais locais, nos anos 1992/94/97/98/99. - Professora de Artes do Colégio Experimental Integrado, desde 1994; no ateliê Rô Gonçalves, de 1994 a 1997; da Pré Escola Acalanto, 1997 a 99; do Colégio COC, em 1998, todos em São João da Boa Vista. Docente da Oficina de Pintura a óleo e desenho, da Oficina Cultural Regional Guiomar Novaes, da Secretaria de Estado da Cultura, em 2005/06/07/09. - Curadora da Exposição “Eu Amo São João”, realizada no Theatro Municipal, em junho de 1997, com o apoio do Departamento de Cultura de São João Boa Vista. - Curadora do evento “Ser Criança é 10, Ajudar é 1000”, que consistiu em exposição de Artes Visuais no foyer do Theatro Municipal, com seminários temáticos e leilão de obras de arte; a verba arrecadada foi para as crianças carentes, em outubro 1997. - Curadora da “III Semana Fernando Furlaneto”, em 2000. - Coordenadora de Artes Plásticas do Centro Livre de Arte e Cultura – CLAC. - Coordenadora da oficina “As Fachadas de Volpi” para alunos do Instituto de Educação da UNICAMP, em 1999.

GERALDO ESTEVAM Rodrigues – *São João da Boa Vista, 12 de outubro de 1917; +São João da Boa Vista, 26 de outubro de 2000 Pessoa muito conhecida no comércio local como dono da “Papelândia”, foi outro sanjoanense que se dedicou às Belas Artes. Era autodidata, participou de várias exposições e tem muitas obras em acervos particulares e no Museu Histórico de nossa cidade. Possuía bom desenho e colorido claro. Foi homenageado pela AMARTE em 29 de novembro de 1992, junto com o poeta Rivadávia “Nenê” Marcondes. JOÃO BATISTA Orlando FRACARI - São João da Boa Vista, 23 de janeiro de 1978 Este jovem artista plástico começou a demonstrar seu talento artístico aos nove anos de idade e, a partir de então, não parou de estudar e dedicar-se, com esmero, às artes plásticas. Realizou algumas exposições individuais e participou de inúmeras coletivas, inclusive dos Salões de Piracicaba, onde no ‘55º’ recebeu o “Prêmio Aquisitivo Jornal de Piracicaba”, em 2007, com a obra “Arredores de São João da Boa Vista”. Recebeu, ao longo desses anos, vários prêmios: Medalhas de Ouro, Menções Honrosas e Aquisições. Muitas de suas obras foram adquiridas por colecionadores. No ano de 2007, fez doação da obra “O Batismo de Cristo” para a Igreja Catedral de São João da Boa Vista. “Jovem e talentoso sanjoanense participou, em 1998, com apenas 20 anos, do XLVI Salão de Belas Artes de Piracicaba, ganhando Menção Honrosa, constituindo para São João um motivo de orgulho.” 6 JOÃO Clímaco CABRAL – *São Sebastião da Bela Vista/MG, 22 de março de 1930; +Aparecida/SP, 21 de outubro de 2009 Padre Cabral 7, redentorista, esteve por muitos anos, nas décadas de 1970/80, como missionário em São João da Boa Vista, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Aqui fez obras que o fizeram querido e sempre lembrado: trabalhou com grupo denominado “Comunidade Juventude Unida”, com intensa participação dos jovens. Criou, também, com eles, um coral que cantava nas missas. Trabalhou, ainda, com presos da cadeia de São João, levando além da música, a palavra de Deus e o conforto. Incentivou também os grupos “Alcoólicos Anônimos” – AA e os “Neuróticos Anônimos” – NA e fundou o grupo “Neuroteen” para os jovens. Seus inúmeros dons fizeram com que também trabalhasse com parapsicologia. No entanto, é como artista plástico que ele consta neste trabalho. Tinha vasta produção artística participando de inúmeras coletivas em São Paulo e outras cidades do interior paulista. Foram muitas as exposições individuais que realizou com sucesso, em nossa cidade, deixando aqui sua marca, também através de suas obras artísticas. Pe. Cabral e Marcondes possuíam, no mundo das artes, bom relacionamento, inclusive participaram juntos de algumas coletivas em São Paulo. 238


MAÉRCIO A. Leoncini MAZZI - São João da Boa Vista, 28 de setembro de 1960 Começou seus estudos de pintura aos 9 anos de idade com o artista sanjoanense Geraldo Estevam. Teve, ainda, no decorrer dos anos, outros mestres como: Maísa Barcelos e Aldo Stoppa, este um pintor poçoscaldense. Participou de mais de cem exposições, entre individuais e coletivas, sendo que em nossa cidade fez parte de várias edições do Salão de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes, além de outras, em diversas cidades, como: São Paulo, Campinas, Espírito Santo do Pinhal, Ilha Bela, Águas da Prata, Aguaí, Brodowiski, Arceburgo, Poços de Caldas. Nelas recebeu premiações, entre Medalhas de Prata, de Bronze e Menções Honrosas. Em 1985, graduou-se em engenharia civil. Em 1986, fez uma viagem cultural para a Europa, conhecendo seis países: Portugal, França, Suíça, Grécia, Israel, Itália. Em 1996, voltou, a estudo, ao velho continente, mais especificamente para a Itália e conseguiu uma bolsa do governo italiano para cursar artes, graduando-se Mestre; aprendeu afresco com Giorgio Santoni e aperfeiçoou-se em pintura a óleo e aquarela com mestre Miguel Lomborni. Entre 1999/2000, fez a decoração do interior da Capela Nossa Senhora Aparecida em São João da Boa Vista e, trabalhando livremente sem interferência de ninguém, pôde realizar 17 afrescos cravejados com pedras semi-preciosas, folhar a ouro o teto, paredes, capitéis etc. No piso fez uma réplica do mosaico da Capela Imperial de Roma e as paredes inspiradas em Versalhes. Enfim, sua obra máxima! Em 2002, trabalhou como assistente na restauração das pinturas do Theatro Municipal de nossa cidade e na decoração do foyer. Restaurou ainda quadros e pinturas em paredes do Palacete da Rosinha e do Bilu de Oliveira, em nossa cidade. Incansável pesquisador, dedica-se ao estudo da história da arte e das obras dos grandes mestres, fazendo releituras de suas obras consagradas. Atualmente, trabalha com engenharia e artes plásticas realizando projetos, restaurações e decoração de interiores. Foi eleito, para o biênio 1994/1995, presidente da AMARTE – Associação dos Amigos da Arte de São João da Boa Vista. Consta do 13º volume do livro de Júlio Louzada. MAÍSA BARCELLOS - Maria Luiza Barcelos do Amaral – *Barretos/SP, 4 de setembro de 1933; +Valinhos/SP, 13 de junho de 1993 Veio em 1957 para nossa cidade como professora da disciplina desenho, do Ginásio Estadual e Escola Normal de São João da Boa Vista; mulher dinâmica, simpática, culta, possuía dotes artísticos. Formou-se professora primária pelo Instituto de Educação Caetano de Campos na capital paulista em 1948, sendo paraninfo da turma o professor e artista plástico Francisco Cimino. Em 1953, diplomou-se pela Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo; em 1954, formou-se no Curso Superior de Desenho do Colégio Santa Marcelina, em São Paulo e, em 1980, concluiu o Curso de Pedagogia pela Fundação de Ensino Octávio Bastos, em São João da Boa Vista. Em 1954, realizou seus primeiros desenhos em propaganda na Norton Publicidades, e neste mesmo ano venceu o concurso que escolheu o brasão do município de Barretos, sua cidade natal. Ingressou, por concurso público, para a cadeira de Desenho, no Magistério Estadual, na cidade de Votuporanga/ SP, em 1955 e, nesse mesmo ano, já mostrando seu dinamismo, promoveu, entre os alunos, uma Exposição Comemorativa à “Semana da Asa”. Em 1957 transferiu-se para São João da Boa Vista sendo que, em maio, o jornal “O Município” publicou, de sua autoria, um desenho ilustrativo sobre o Dia das Mães. Nesse mesmo ano, realizou uma exposição de Desenho Natural, Decorativo e de Imaginação com seus alunos do Colégio Estadual de São João, futuro Instituto de Educação. O evento aconteceu no Salão da Sociedade da Cultura Artística. Em 1958, realizou, ainda com seus alunos, duas exposições, uma de “Desenho” e a “1ª Exposição Ruralista” – gravuras, em linóleo. Em 1969, montou a “Exposição-Feira Municipal de Folclore São João da Boa Vista”, com trabalhos artesanais de origem folclórica dos alunos do Instituto de Educação. Em setembro de 1966, realizou, no Centro Recreativo Sanjoanense, uma exposição individual onde apresentou 25 retratos, do natural, em pintura a pastel. Em 1969, foi a coordenadora do “Primeiro Salão de Arte Sanjoanense” – I SA-SAN. Já o “II SA-SAN”, ainda sob sua liderança, aconteceu em 1971.8 Participou do “XXXI Salão Paulista de Belas Artes”, em 1966. Em 1970, a convite do sanjoanense, e então Secretário de Estado de Economia e Planejamento, Dr. Eurico Andrade Azevedo, retratou, em crayon, seis antigos Secretários de Planejamento do Governo do Estado de São Paulo. Logo após, em 1972, recebeu a encomenda para realizar os retratos dos ex-Prefeitos Municipais de São João da Boa Vista. Fez ainda os retratos dos ex-Presidentes do Sindicato Rural de nossa cidade e dos ex-Presidentes do Conselho Regional de Odontologia. Retratou também os governadores Roberto de Abreu Sodré e Laudo Natel, além do bispo Diocesano Dom Tomás Vaquero e Dr. Eurico Andrade Azevedo. 239


Maria Luiza Barcellos do Amaral, em 1977, foi eleita para a Academia de Letras de São João da Boa Vista, ocupando a cadeira nº 43, tendo como patrono Cândido Portinari. Em 1991, quando já não mais residia em nossa cidade, fez uma exposição individual no Espaço Cultural Fernando Arrigucci, na Rua Getúlio Vargas. Dos escritores da Academia de Letras de São João da Boa Vista ilustrou as capas dos livros: “Mãe Solteira” romance, de Maria Leonor Alvarez Silva; “Velhas Páginas” – ensaios, de Octávio Pereira Leite; “Eu Não Quero Morrer” – poesias, de Munir Moukarzel; “Lampejos D’Alma” – poesias, de Jordano Paulo da Silveira, além dos livros “Folhas de Outono” de Maria Conceição Salles de Almeida e “O Melhor é Não Matar os Sonhos” de Ataíde José. Colaborou, graciosamente, na seção de palavras cruzadas e de ilustrações, para os jornais “Diário de São Paulo”, “Diário de Notícias”, “O São Paulo”, revista “Manchete”, todos da capital paulista, além do jornal “O Município” e revista “Crepúsculos Maravilhosos” de São João da Boa Vista. Além de muito ativa nas lides das artes plásticas, ainda proferiu palestras na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Fundação de Ensino Octávio Bastos e no Rotary Club Centro, Sul e Leste. Ficou comissionada, a partir de 1982, em São Paulo, prestando serviço na TV Cultura, para o programa “Qual é o Grilo?”. Em 18 de setembro de 1993, numa homenagem póstuma, foi realizada, no foyer do Theatro Municipal de São João da Boa Vista, uma exposição retrospectiva de suas obras. José Marcondes promoveu também em março de 2001 na Papyrus Livraria, dentro do Projeto “Santo de Casa também faz Milagre” uma retrospectiva da querida artista. Marin 9 declarou:“Tenho uma imagem muito clara da professora Maísa, na 6ª série, mostrando uma produção da “Mulher no Espelho”, de Pablo Picasso, que me impressionou de forma espetacular. Naquele momento eu desejei entender todo esse mundo espetacular, (...) todo esse mundo de cores e formas, para sempre”. Já Carvalho 10 afirmou: “Seus trabalhos são de toque alto e sua obra não traz fantasias. O pincel, o lápis e o fulgurante olhar dessa jovem e bela dama se transformam numa máquina de fotografar as pessoas”.

MARIA ZENAIDE MAZUTTI - Limeira/SP, 24 de maio de 1949 Ingressou no mundo das artes pictóricas na década de 1990, quando recebeu as primeiras orientações com Lecy Bonfin; posteriormente aperfeiçoou-se com os artistas e pintores impressionistas Nadir Moro e Rubens Zacarias -“Rubenza”. Em 2005, realizou, junto com seus alunos, a exposição coletiva “Serra da Paulista”11. Em 2004, fez a individual “Mais que Fácil - Lazer e Cultura”, em Santa Cruz das Palmeiras/SP e em 2003 na Papyrus Livraria, local. Em 2001, organizou e participou do “I Festival de Artes” do Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, em Limeira/SP. Dando continuidade em suas atividades, em 2000 também participou e organizou a Exposição “Brasil-500 anos” no Limeira Shopping. Participou, em 1999, da Exposição “Semana da Mulher” no Shopping de Rio Claro/SP e fez, por dois anos consecutivos, a ilustração de cartão de natal da Associação Limeirense de Combate ao Câncer - ALICC, além de ilustrar, em 1998, a capa da lista telefônica de Limeira – Listel, com a obra “O Cortador de Cana”. Nesse mesmo ano, fez-se presente na “V Semana de 22”, em Piracicaba/SP; na II Mostra de Artes Limeirense; no XVI Salão de Artes Plásticas de Rio Claro/ SP e no Encontro das Artes em Limeira/SP. Entre 1991 e 1996, participou das Coletivas: “III Mostra de Pintura O Mundo Cítrico”, em Limeira/SP, 1997; XIX Salão de Artes Plásticas de São João da Boa Vista e na Feira Cultural de Campinas/SP, 1995; “Feira Cultura Paulista São Paulo” e “I SEBRE da Artes”, 1994; III Leilão de Artes do Palace Hotel de Poços de Caldas/MG, 1993; IX Salão Benedito Calixto, em Itanhaém/SP, 1992; I Salão de Belas Artes de Limeira/SP, 1991. Nessa década fez as Individuais: “Café Cidade” em Campinas/SP; no Limeira Shopping; no Banco do Brasil de Campinas/SP; na Secretaria de Cultura de Leme/SP; na Galeria de Artes Coronel Olavo de Vassimon Gronau no Círculo Militar de São Paulo/SP. Recebeu Menção Honrosa em 1995 no Espaço de Arte Charme, e Prêmio Aquisição em 1997 na Exposição “O Mundo Cítrico”, em Limeira/SP. Tem a obra “Paiol” no acervo da Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista e “Pescador” na Secretaria de Cultura de Leme/SP. Foi jurada no I e no II “Salão de Artes da Associação Limeirense de Educação” - ALIE, em 1999 e 2000; além da I Mostra Regional de Artes nas Faculdades Integradas Anhanguera - FIAN - Pirassununga/SP. Reside há anos em São João da Boa Vista e é professora de pintura. Está catalogada no livro de Júlio Louzada, nas edições de 1994 a 2000. 240


MARLEI Nogueira MOURÃO 12 - *Poços de Caldas, 28 de fevereiro de 1946; +São João da Boa Vista - fevereiro de 2004 Pôde se dedicar à pintura apenas depois de os filhos criados. Antes, seu contato com as tintas era apenas em panos de prato, roupinhas, fronhas que fazia despretensiosamente, por isso, começou a pintar telas somente em 1992. Em suas obras havia, em cores vivas, beduínos em seus camelos, bucólicas paisagens com casebres, espelhos d’águas, flores, animais, naturezas mortas. Experimentou ainda técnicas de vanguarda em quadros muito modernos, mas sua verdadeira paixão eram os rostos com diferentes expressões. Com total apoio do marido Roberto Hélio Mourão criou um espaço cultural em sua própria casa, onde os professores vinham ministrar suas aulas. Este fato consistia em seu maior orgulho, pois dizia “que nem precisava sair para aprender”. Teve como mestres Valdir Félix Sabino, Nadir Aparecido Moro, Aldo Stoppa e Maria Zenaide Mazutti. Sua primeira exposição individual “Versátil” aconteceu em 1993 no Foyer do Theatro Municipal. Em 1996, realizou, juntamente com as alunas e com a professora Maria Zenaide, a “Primeira Mostra de Pintura do Atelier Marlei N. Mourão”. Em 1997, junto com Maria Gil Ferraz dos Santos realizou uma “Exposição de Óleo sobre Tela”, no Foyer Theatro Municipal. Recebeu Menção Honrosa com a tela “Riqueza Brasileira”, na “I Mostra Regional de Arte “Brasil 500 anos”, na cidade de Pirassununga/SP. Em 2000 realizou uma exposição individual no Espaço Cultural da Gevê Papelaria. Em dezembro de 2003 foi sua última exposição na “III Mostra Coletiva de Artes” no Espaço Fernando Arrigucci em São João da Boa Vista. “Deixou inúmeros trabalhos que nos inspiram, mas com sua ausência nossa vida ficou menos colorida”, diz sua filha Andréia. MARCELO PERES- Diadema/SP, 1973 Artista autodidata, com grande produção, realizou individuais e participou de várias coletivas. Recebeu a pequena medalha de ouro no XIX Salão de Artes de São João da Boa Vista, em 1995, com a obra “Azul”, na Sessão pintura contemporânea. Participou da III Semana Fernando Furlanetto, em 2000, com a obra “Abstração” e do “Mapa Cultural Paulista”, em 1999. Realizou diversas individuais, inclusive em nossa cidade. MARTA Oliveira VALIM - São João da Boa Vista, 1956 Artista Plástica, graduou-se, em 1979, pela Faculdade de “Artes Santa Marcelina” em São Paulo. Participou de cursos de Pintura no “Museu de Arte Moderna - MAM”; no “Instituto Tomie Othake”, além de vários cursos, concursos e exposição pela “Galeria Mali Villas-Bôas”, onde faz parte do acervo. Expôs no “Espaço Noho Gallery”, em Nova York. Participou da Coletiva na Assembléia Legislativa de São Paulo, como também do “Concurso Nacional de Artes Plásticas e Design Brasil 500 anos”. Expôs ainda na “Fundação Mokiti Okada”, na “Coletiva no Complexo Júlio Prestes” e no “Salão Nacional de Arte Contemporânea”, entre outras. Foi classificada para a fase final do “Mapa Cultural Paulista”. MIGUEL SGUASSÁBIA Ferreira – São João da Boa Vista Na década de oitenta, realizou em nossa terra, algumas exposições individuais, e participou da “Exposição da Semana Guiomar Novaes”. 13 “Suas atividades artísticas têm início em São Paulo-1985, mesclando as Belas Artes e o Desenho Publicitário. (...) Desenvolveu num ‘crescendo’ de atividades criativas, com participações em Salões Oficiais, Coletivas, Mostras Individuais por todo o país, com destaque também em Cuzcu/Peru, Paris, Gênova e Roma (...). Coordenou o Projeto Mecenas, projeto de lei de incentivo à Cultura, para o município sanjoanense. 14 NÁDIA FRIGO Januário - São José do Rio Pardo/SP, 30 de abril de 1956 Filha do também artista plástico Arsênio Frigo, cujo nome foi dado ao Museu de São José do Rio Pardo/SP, começou a pintar ainda criança incentivada pelo pai. Iniciou-se profissionalmente nas artes a partir de 1993, com o falecimento do genitor, cumprindo as encomendas que ele havia assumido. Graduou-se em Educação Artística pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo. Realizou dezessete individuais e participou de diversas coletivas, tanto em São João da Boa Vista nas “Exposição de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes” e “Bienal”, como em Piracicaba, Campinas, São Paulo, Mococa, Santos, São José do Rio Pardo, entre outras. Foi a única classificada na região de Campinas para a exposição “Brasil, 500 anos” promovida pelo Clube Ibéria de São Paulo. Possui duas obras na Catedral São João Batista; uma no Asilo São Vicente de Paulo, ambos em nossa cidade, 241


como também no altar-mor da Igreja Matriz de São José do Rio Pardo medindo doze metros de largura e oito de altura. Entre suas realizações no mundo pictórico consta o fato de lecionar a disciplina “Artes”, no SESI de nossa cidade. Afirma possuir 480 alunos em salas de aula da quinta a oitava série e conseguir despertar-lhes a sensibilidade artística e o amor pelas artes.

NAOTO SAKATA - *Japão, 29 de janeiro 1906; +São João da Boa Vista, 14 de fevereiro de 1990 Lorette, 15 em um importante artigo sobre este artista, declarou que: “Como muitos que passaram e fixaram olhos especiais sobre São João, Naoto Sakata é mais um artista esquecido na galeria sanjoanense das artes plásticas. Suas aquarelas encantaram nossa terra como faísca, na década de 70, sem tempo para analisá-las junto com o artista que as produziu. A sensibilidade ‘Zen de Naoto’, mesclada à habilidade que tinha na difícil arte da aquarela, produziu um conjunto colorido de imagens, com cheiro e sabor das quitandas. As forças da vida estão presentes em todos os elementos da natureza, dos objetos domésticos, das atividades da vida diária. Tocar esta matéria é tocar o sagrado”. Seu pai era chefe político do local onde residiam no Japão, além de agricultor, proprietário. Teve 13 filhos, sendo Naoto o caçula. Estudou, quando jovem, em Tóquio, onde frequentou a Academia de Artes. Como profissão dedicou-se primeiramente à docência em escola primária pública; no entanto, nas horas vagas, nunca deixou de dedicar-se à pintura, tanto em aquarelas, como em óleo sobre tela; chegou até a participar de exposições coletivas no Japão. Naoto casou-se com Hideko, tiveram 9 filhos e dedicou-se à agricultura; porém, com o término da II Guerra Mundial, em 1945, a situação ficou difícil para a família, que acabou recorrendo ao Programa de Imigração. Venderam uma pequena propriedade agrícola e embarcaram para uma vida nova no Brasil. O desembarque foi no porto de Santos, no dia 21 de outubro de 1956. A família pegou o trem e depois de várias baldeações chegaram a Mococa, onde se estabeleceram como empregados. Poucos anos mais tarde, comprou, nessa cidade, com economia que trouxe do Japão, um pequeno pedaço de terra, onde cultivou legumes, tomate, melancia, café e arroz. Em 1973, mudou-se definitivamente para São João da Boa Vista e com os filhos abriu uma quitanda. Mesmo estando há décadas vivendo no Brasil, Naoto Sakata não se expressava na língua portuguesa. Chegara com 50 anos de idade e já era tarde demais para se adaptar a uma cultura completamente diferente da sua. Quando tinha que fazer compras, ou apontava com o dedo ou pedia lápis e papel para desenhar o produto desejado. Naoto também era um homem de poucas palavras, um “filósofo”, como diziam seus filhos; ele não gostava da ânsia por dinheiro por considerar que isso causava malefícios à personalidade das pessoas. “Sua arte em aquarela vem desde os tempos em que morava no Japão. Retratava sua esposa e filhos com extrema habilidade. Chegando ao Brasil, sua produção diminuiu. Quando os filhos foram tocando os negócios, plantando, vendendo nas feiras, Naoto retornou à sua paixão, não comercialmente, mas para dialogar com o lápis e o pincel a sua visão dos objetos e pessoas que gravitavam no seu cotidiano. Traços rápidos, prontos para a aguada colorida, precisa e sem correções”. Pintou várias vistas de São João da Boa Vista, com tomadas rápidas, sem esquecer no entanto, de detalhes muitas vezes banais. Frequentemente via-se Naoto na calçada da Rua Ernesto de Oliveira, fazendo suas aquarelas, com o papel fixo à prancha de madeira, num cavalete leve. Logo foi descoberto pelos artistas da cidade, chegando a ganhar um retrato seu, em carvão, da pintora Maísa Barcellos do Amaral. Naoto participou de algumas exposições coletivas em São João promovidas por Maísa e José Marcondes, e foi convidado, por três anos consecutivos, para expor na “Galeria Bunka Kyokai”, no Bairro da Liberdade, em São Paulo. Os anos 70 foram os de sua maior produção; já nos anos 80, sua produção começa a diminuir. Poucas aquarelas assinadas por Naoto foram vendidas. A família doou uma delas, retratando Hideko, para fazer parte do acervo do “Museu Histórico Pedagógico Dr. Armando de Salles Oliveira”. NEYDE ARRIGUCCI - São João da Boa Vista, 20 de janeiro de 1931 Filha de Anna Ida Piagentini Arrigucci e do artista Fernando Arrigucci, fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar Joaquim José e cursou o ginasial e o normal no Colégio Estadual de São João da Boa Vista. Neyde dedicou sua vida ao magistério e às artes plásticas. Do magistério aposentou-se na Escola Antônio dos Santos Cabral. Também lecionou desenho na Escola de Comércio Prof. Hugo Sarmento e Educação Artística na Escola Pe. Josué Silveira de Mattos. Ainda em 1940, sentiu verdadeira inspiração para desenhos, herança de família, e iniciou-se nesse mundo mágico. Seus primeiros trabalhos foram realizados com lápis preto nº 1; depois desenhou muitos rostos com crayon e só mais tarde passou a usar Souce, que é um pó preto. Com orientação paterna, aprendeu a técnica “pastel”, continuando a dedicar-se à realização de retratos. 242


Em 1983, produziu, para a Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, os retratos dos benfeitores daquela instituição sanjoanense. A partir de 1985, retratou, a pastel e às vezes a óleo, os patronos de várias escolas e postos de saúde de São João da Boa Vista, além executar retratos para particulares. Em 1987, em pastel, retratou alguns padres, que pertenceram à Catedral; estas obras passaram a fazer parte do Museu de Arte Sacra de nossa cidade. Fez a óleo uma obra retratando a antiga Santa Casa de nossa cidade e outra do Grupo Escolar Cel. Joaquim José. Em 1988, pintou a pastel, para Igreja do Carmelo, um quadro retratando Santa Terezinha, padroeira das carmelitas. É uma artista autodidata, possui obras em Lucca, na Itália, no “Museu Histórico e Pedagógico Dr. Armando de Salles Oliveira”, além de, em várias escolas da cidade e região e acervos particulares. Participou de quase todas as “Exposições de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”, depois denominadas Salão de Artes Plásticas de São João da Boa Vista. Participou também em coletiva, na cidade de Casa Branca/SP, quando recebeu, por unanimidade, a Grande Medalha de Ouro, com o quadro “Zé das Moças e a Garrafa”. Com o irmão Tabajara, expôs várias vezes no Centro Recreativo Sanjoanense, e, em uma delas, acontecida em 1982, prestaram homenagem aos 50 anos da primeira exposição realizada pelo pai Fernando. Expuseram ainda em Espírito Santo do Pinhal, Campinas, Santo André, Rio de Janeiro, Vitória e várias vezes em São Paulo, no Banespa. Em 1987, participou de uma exposição em Amsterdã/Holanda. Expondo, recebeu várias medalhas: tanto de ouro - grande e pequena, como de Prata - grande e pequena, além de bronze, medalha especial, menções honrosas e placa comemorativa. Fez parte da diretoria do Museu de Arte Sacra de São João da Boa Vista e, em 1988, foi presidente do Júri da “XII Exposição de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”. “Proveniente de uma família de artistas deve seu estilo muito mais à intuição do que à teoria. Sua grande habilidade faz com que seja detentora de vastíssima produção, tendo participado de exposições no Brasil e no exterior, com premiações e inúmeras medalhas. Artista sensível, de profunda formação cristã, diz que: ‘a Pintura é toda bendita, ela é pura sublimação, sonhamos alto, arrancamos tudo de nossa alma infinita, tiramos do íntimo toda nossa emoção’ ” 16. Em 1990, um fato marcante aconteceu-lhe: a Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista, através do Sr. Prefeito, Dr. Gastão Cardoso Michellazzo, homenageou seu pai, Fernando Arrigucci, dando seu nome ao espaço cultural, de nossa cidade, justamente em 30 de março, dia em que se completavam 20 anos de seu falecimento. Nessa ocasião, Neyde presenteou o Espaço Cultural com o quadro retratando o homenageado, Fernando Arrigucci. Em 2010, expôs no Fórum de São João da Boa Vista.

NORBERTO Chavari VILELA - São João da Boa Vista, 27 de fevereiro de 1952 O sanjoanense Norberto Chavari Vilela, formado em Ciências Econômicas pela FAE de nossa cidade, tem a marcenaria como profissão. Suas maiores paixões, desde muito cedo, além da pintura, são a música clássica, a mecânica de automóveis e veículos antigos. Começou a pintar quando aluno no Instituto de Educação Cel. Christiano Osório de Oliveira, tendo como professora Maísa Barcellos do Amaral, que lhe deu a oportunidade de passar um dia pintando com Attílio Baldocchi, junto com mais 10 alunos, na Fazenda Santa Rita do Quartel. Ainda como estudante, participou, em 1969, da I SA-SAN Salão de Arte Sanjoanense, com uma tela a guache. Nesta exposição, sente grande vontade de pintar com tinta a óleo, ao ver, pela primeira vez, uma obra de José Marcondes. Participou também da II SA-SAN, em 1971. Em 2006, realizou sua primeira individual na Papyrus Livraria, de nossa cidade e no Clube da Velha Guarda, em Águas da Prata. Expôs, em 2007, no Fórum de São João da Boa Vista. Participou da coletiva “I Mostra Coletiva de Artes Plásticas Fórum de São João da Boa Vista”, em 2008. Possui dois quadros no Museu Histórico Armando de Salles Oliveira de São João da Boa Vista, cujo tema é a antiga Praça da Matriz; obras em óleo sobre tela em branco e preto. José Marcondes escreveu-lhe um parecer, na sua primeira individual: “Norberto Chavari Vilela é formado em Ciências Contábeis pela UNIFAE, mas sua vocação é voltada para a engenharia mecânica e marcenaria artesanal. Nos últimos anos tem-se dedicado à pintura paisagística. Como autodidata Norberto tem como grande tema os arredores de São João da Boa Vista e sempre acompanhou os movimentos artísticos da cidade para aprimorar sua pintura. Esta é sua primeira ‘Individual’, outras sem dúvida virão no futuro. Sua arte promete. Parabéns!” 243


PAULO Renan MAMEDE – Aguaí, 09 de março de 1934 É aquarelista e desenhista, possui os cursos de Desenho e Pintura realizados na Associação Paulista de Belas Artes. Já o curso de escultura realizou na Álvares Penteado e a graduação em arquitetura, na Faculdade de Arquitetura Mackenzie. Foi professor de “plástica” na Faculdade de Arquitetura Braz Cubas, em Mogi das Cruzes -1970/76. É professor de desenho no “Centro Livre de Arte e Cultura”- CLAC - em São João da Boa Vista. Participou da Exposição “I Mostra Talentos de Arte Sanjoanense”. Uma de suas obras é “Auto-Retrato”, em aquarela. PRISCILLA SANTOS – São Paulo, 31 de julho de 1955 Em São Paulo, por dez anos, foi professora de pintura; reside em São João da Boa Vista desde 2001. Cursou, na capital paulista, a “Escola Protec” de desenho artístico; a “Academia de Artes Plásticas Pedro Alzaga”, onde desenvolveu as técnicas de pintura a “pastel” e a óleo, e a “Associação Paulista de Belas Artes”, onde aprimorou as técnicas de pintura a óleo e aquarela, com Nelson de Moura e Maurício Takigutti. Expôs na “Imprensa Oficial do Estado de São Paulo” - IMESP, em 1993; no “XI Salão de Artes Plásticas de Rio Claro”, em 1993; no “IV Salão Oswaldo Teixeira –Salão de Figuras”, organizado pela Sociedade Brasileira de Belas Artes - SBBA, do Rio de Janeiro/RJ, em 1993; no “III Salão de Artes Plásticas de Santo Amaro”, Biblioteca Presidente Kennedy, em 1994; no “Salão de Arte do Ateliê Roseli Ferreira”, em 1994, quando recebeu a Menção Honrosa; no “Salão Nacional de Artes Plásticas da União Nacional dos Artistas Plásticos”, em 1995, quando logrou a Medalha de Ouro e ainda no “I Concurso e Exposição de Artes do Clube Atlético Indiano”- CAI, em 1996, quando recebeu Menção Honrosa e Prêmio Aquisitivo desse clube. RÔ GONÇALVES - Rosângela Fontella Gonçalves - São João da Boa Vista Cursou, na década de 1960, “Ilustração e Publicidade”, na Escola Pan Americana de Arte; formou-se em “Artes Plásticas” pela Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, São Paulo, 1974. Especializou-se em desenho e pintura na “Écolé Nationale Superieure dês Beaux-Arts” em Paris, 1975/76; cursou “História da Arte” no Museu do Louvre Paris, 1976. Na década de 1980, fez especialização em técnicas especiais, pintura a óleo, pela “Academie dês Arts de Leuven”/ Bélgica. No “Workshop Art Students League of New York”, aprendeu técnicas experimentais -acrílico sobre tela, 1996. Fez pós-graduação em “História da Arte” na USP, São Paulo, em 2008 e em 2009 “Estética e História da Arte” com Drª Elza Aszemberg. Cursou ainda “História da Arte Antiga” com Cyro Del Nero e Drª Carmen Aranha. Durante dez anos, 1988/98 manteve seu ateliê de pintura em São João da Boa Vista. Hoje reside em São Paulo, onde, por muitos anos, mantém o “Ateliê de Pintura e História da Arte Rô Gonçalves”. Entre 2005/10 foi orientadora de “Pintura e História da Arte”, “História da Arte Universal e História da Arte Pré-Colombiana” e “História da Arte Brasileira” no MuBe/SP, além de ter sido, ali, curadora, em parceria, da exposição “Manifestações, uma Década de Arte”. Em 2008, foi orientadora de “História da Arte” na Ycon – Cursos de Formação Continuada/SP. Suas principais exposições fora do Brasil foram: “Arc de La Defense” e “Metiers D’Art” em Paris, onde ganhou prêmio de criatividade em 1977. Ainda em Paris participou da “Jeune Art” da École Nationale Superieure dês Beaux-Arts – ENSBA. Na Bélgica expôs na “Katholieke Universiteit Leuven”, onde também logrou o prêmio criatividade. Já nos Estados Unidos participou, em 1996, do “Brazilian Fine Arts”; em 1977, do “West Broadway”, ambos em New York. Expôs em Washington no “Prince George’s Country” e no Chile na “Galeria Caracoles”. Na cidade de São Paulo, expôs na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1977; no “Museu da Imagem e do Som”; no Museu de Arte Contemporânea, em 1974; individual na Galeria Gerot; 17 Casa Eucatex; Open Hall; Hotel Internacional; Exposição para a ONG “Ser Solidário” São Paulo; Galeria Tão Seguida; Fundação Mokiti Okada; Espaço Lógico; Ecento Debret de Arte-Secretaria de Turismo de São Paulo; V Salão de Arte Jovem Paço das Artes; I Individual Galeria Lançarte; I Salão do Movimento Paulista de Artes Plásticas, no MIS; Secretaria de Cultura e Tecnologia de São Paulo; Museu de Arte Contemporânea - MAC, São Paulo; “Exposição Anual MuBe – professores e alunos”; “MuBe, Manifestações de uma década de Arte”; “Olhar Feminino, 450 anos de São Paulo”, em Jô Slaviero e Guedes Galeria de Artes/ SP. Além de Ribeirão Preto, teve suas obras expostas em Campinas, no Centro de Convivência. Já em São João da Boa Vista participou de vários “Salões de Arte da Semana Guiomar Novaes”, inclusive em 2009 e nas Bienais de nossa cidade, sendo que foi a curadora, em 2002, de nossa III Bienal de Artes Visuais. Aparecidinha M. Oliveira 18 assim se manifestou sobre Rô Gonçalves: “De formação clássica (École Nationale Su244


périeure dês Beaux-Arts-Paris-France e Academie dês Beaux-Arts-Louven-Belgica) Rô Gonçalves criou sua própria revolução de arte e é dona de uma obra singular. Suas fases, principalmente as das ‘Deusas’ e a dos ‘Querubins’, buscam movimento como um todo, mantendo dentro dele a sua autonomia. Os rostos, Rô não os celebra em seu estado natural, mas como um traço de exceção, que logo as flores, as nuances irão cobrir. Os Ateliês que mantém em São João, Mococa, São Paulo permitem-lhe despontar na vanguarda artística, descobrindo o inédito, encontrando uma verdade enfeitiçada por sua magia.” ROBERTO ROSSI PERES - São João da Boa Vista, 28 de novembro de 1946 Graduado em Arquitetura, pela Universidade de Brasília/DF - UnB - 1973; em Desenho e Artes Plásticas -1977, e em Ciências Contábeis e Administrativa, em São João da Boa Vista -1981. Durante sua estada em Brasília, participou de vários cursos de pintura em disciplinas ligadas às Artes Plásticas, com professores, que hoje são expoentes na arquitetura e pintura contemporâneas. Em São João foi aluno de Aldo Stoppa. Participou, aqui, na cidade, de algumas exposições de Artes e tem quadros em acervos de colecionadores de São Paulo e Santos. Suas obras são inspiradas na natureza e partindo do estilo acadêmico, desenvolveu, com presteza, o estilo impressionista. Possui conhecimento profundo da mistura e composição de cores. Foi presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de nossa cidade e da Associação Comercial e Empresarial, além de vereador por dois mandatos, tendo sido atuante, principalmente nas leis urbanísticas e no Plano Diretor. ROMILDO PAIVA - São João da Boa Vista, 2 de fevereiro de 1938 “Romildo Paiva, 19 autodidata, nasceu em São João da Boa Vista, gravador por índole, estro e profissão, tem desenvolvido um trabalho profícuo e determinante no contexto das artes gráficas brasileiras. Detentor de vários prêmios nacionais e internacionais, haja vista o Prêmio Itamaraty na XIII Bienal de São Paulo. Romildo Paiva utiliza-se de todos os ‘media’ da gravura: xilo, lito e metal, com pertinência e criatividade. Na trajetória estética das suas gravuras, o que se observa é a perfeição técnica, a elaboração aprimorada de todos os recortes por que passa a ‘imagem’ gráfica: luz, linhas, cores, formas, codificadas pelas água-forte, água-tinta, ponta-seca, aliadas à acuidade da impressão gráfica. Diacronicamente, Romildo Paiva evolui do complexo homens-engrenagem, figurativo cibernético às estruturas orgânicas vegetais, busca metafísica na forma ideal – as líricas folhas da sua segunda fase. A pesquisa constante e a procura de uma nova organização gráfica instigaram-no às paisagens abstratas das maneiras negras da terceira fase e, num salto prospectivo, a retomada da figuração, as pontas secas expressionistas da fase atual. Instaura-se, portanto, nesse momento dialético: homem urbano solitário e o solidário homem das figuras-chagas do beligerante derrama universal.” Romildo Paiva, único sanjoanense a participar da Bienal de São Paulo, expôs em São João da Boa Vista, no Centro Recreativo Sanjoanense, de 24 de junho a 02 de julho de 1982, numa mostra itinerante com promoção do Centro Cultural Francisco Matarazzo Sobrinho e da Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista, por meio do Departamento de Educação e Cultura. O apoio Romildo Paiva - gravura em metal - 70x50 foi da Secretaria de Estado da Cultura. O diretor do Departamento de Educação e Cultura de São João, Prof. Eugênio Ciacco Netto, deixou sua mensagem no catálogo: “Uma das mais significativas promoções no campo das artes reside na preocupação do Centro Cultural “Ciccillo Matarzazzo”, ao apresentar uma proposta inédita: a do retorno do artista à sua cidade natal, procurando mostrar a sua criatividade e o seu poder de comunicação como artista. Romildo Paiva retorna a São João da Boa Vista com sua obra para receber a consagração e o tributo de reconhecimento pela magnífica contribuição realizada no setor da gravura. Nome que dispensa comentários, é a legenda que marca a gravura com um alto sentido de trabalho e pesquisa. Aqui estamos para aplauso ao passado e ao presente, a 245


‘Ciccillo’ e a Romildo Paiva pela sua arte que tanto encanta.” Romildo Paiva, em 1998, participou, a convite de José Marcondes, da “I Bienal de Artes Visuais São João da Boa Vista”, onde foi homenageado. RONALDO MARIN 20 - São João da Boa Vista - 21 de novembro de 1960 Estudou no Grupo Escolar Joaquim José e no Instituto de Educação. Fez colegial profissionalizante em Química Industrial, graduando-se em Física pela Unicamp e, nessa instituição, transitava com facilidade entre os departamentos de Física e de Artes, onde acabou desenvolvendo suas teses de mestrado e doutorado. Diz que nunca soube separar a arte da ciência, sempre foi fascinado pelas duas. Teve seu interesse despertado para as artes por volta dos dez anos, como estudante do Instituto de Educação Cel. Christiano Osório de Oliveira. O encontro com as professoras Glorinha Aguiar e Maysa Barcellos do Amaral foi fundamental: “até hoje tenho vívida a forte impressão que me causou uma gravura que a Profa. Maysa nos mostrou durante uma aula: era a “Mulher no Espelho” de Pablo Picasso. Meu Deus, que era aquilo? Que coisa fantástica! Aquela professora maravilhosa descrevendo apaixonadamente cada detalhe da obra que a princípio parecia estranha, mas que aos poucos ia se revelando para nós. Ver aquele quadro, foi como descobrir um novo mundo, senti que pintar poderia ser uma aventura”. Esteve na Europa por três anos -1978/81 e na Galeria de Arte de Glasgow, teve seu primeiro encontro “ao vivo” com a Arte Moderna. Seu interesse por Arte Moderna e Contemporânea o levou a pintar e participar de pequenas exposições junto a grupos de estudantes de arte por vários países por onde teve oportunidade de passar. De volta a São João, participou das Exposições de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes e incentivou a abertura desse tradicional Salão às obras de estilo moderno e contemporâneo. Seu trabalho em Artes Plásticas é voltado para a busca de uma linguagem pessoal, baseada nos princípios do movimento concretista e em conceitos científicos motivados pela sua formação científica como professor de Física. Seu trabalho apresenta vasta referência ao verbo e à poesia concreta, sendo que palavras escritas aparecem invariavelmente pela superfície dos seus quadros “ressignificando” as formas e as cores. Considera a arte uma forma de expressão e aprendeu usá-la para dizer o que sente e pensa. Isso pode ser através da pintura, do teatro, de uma câmara ou um texto que contenha algo de que goste. Nessas ocasiões tem dificuldade em distinguir entre trabalho e lazer. Afirma ainda que “a tela em branco é um nada que angustia. Ver um mundo brotar desse nada é uma experiência divina”. Nas palavras da crítica de arte alemã Christiane Shmidt: “o trabalho do artista Ronaldo Marin, situa-se entre os polos: arte e ciência, expressão intuitiva e pesquisa racional, ideia e objeto real, (...) No contexto da história da arte a obra de Marin testemunha por excelência a dinamização progressiva da visão do mundo, a partir do início do século XX.” 21 RONALDO NORONHA - São João da Boa Vista - 8 de maio de 1933 “Sua filha 22 assim o descreve: desde cedo manifestou forte inclinação para o desenho, lançando-se furiosamente ao que sempre desejou fazer: pintar. Tem procurado, em sua trajetória infinita, o apuro técnico, o despojamento de intelectualismos, o resumo e a simplicidade das formas, o diálogo entre o tema e a cor, enfim, um processo particular de conseguir-se um projeto, ainda que pelo simples prazer de pintar. A natureza morta, a figura humana, o casario, o abstrato, as paisagens são os assuntos preferidos de Ronaldo Noronha. Todavia, essa preferência não é obrigatoriamente uma imposição. Tampouco se importa de variá-los. O que lhe interessa é perseguir o objeto, o valor da figura, transformá-los a partir do registro de sua imagem lógica. Autodidata, nunca frequentou cursos de arte. Sua escola foi o convívio com aqueles que admirava, Artistas: Ronaldo Noronha, Roberto Peres e José Marcondes - CLAC estudos, livros, a pesquisa e descoberta de novos materiais, tudo - 2011 em busca de algo que o satisfizesse. É um pintor de atelier voltado para os interiores. Seu grande mestre e ídolo foi Bonadei, com quem se identifica e em quem sempre procura resoluções para as dificuldades que se lhe apresentavam. Hoje, desvinculado, mas ainda seu grande admirador, se comove com a nostalgia envolvente de um tempo que 246


passou, mas que ainda vive, modernamente, em suas telas e sua emoção artística”. Realizou exposições individuais, entre elas: “Galeria IV Centenário”; “Chapel Art-Show” e “Galeria Prima”, em São Paulo; “Galeria Triângulo” e “Petite Galeria”, ambas em Santos/SP. Em São João da Boa Vista, suas individuais foram no Centro Recreativo Sanjoanense e no CLAC. Coletivas: “Chapel Art Show”, São Paulo, por nove anos; Balneário Tancredo Neves, na “Semana Odontológica”, em Águas da Prata; “Semana Euclides da Cunha”, em São José do Rio Pardo, por cinco anos; “Semana de Arte”, em Mogi Guaçu; nas “Câmaras Municipais” de São João da Boa Vista, Espírito Santo do Pinhal, Indaiatuba, Conchal, Mogi Mirim e Mogi Guaçu; “Galeria Vera Ferro”, em Campinas; “Fórum Vargem Grande do Sul”; “Salão Internacional do Cavalo Árabe”, por três anos; “Sociedade Hípica”, de São Paulo; “Sociedade Hípica”, de Campinas; “Galeria SESI”, em São Paulo; “Secretaria da Agricultura”, em São Paulo e “Galeria Borghese”, no Rio de Janeiro/RJ. Suas coletivas em nossa cidade foram: “Semana da Arte São João da Boa Vista”; na galeria da “Papyrus Livraria”, na “Semana Guiomar Novaes” durante cinco anos e no “Rotary Club”. Prêmios: - Medalha de Ouro – Semana Guiomar Novaes São João da Boa Vista/SP; Medalha de Ouro - Semana Euclidiana; Medalha de Prata, São Paulo/SP; Troféus e Menções Honrosas em várias coletivas. Souza, 23 assim se manifestou sobre sua Arte: “A produção artística de Ronaldo Noronha abrange retratos, cenas, objetos e, principalmente, composição e formas dos mesmos, situados numa atmosfera luminosa de espaços criados com sensibilidade, em excelentes fenômenos visuais.” Já Vieira, 24 afirmou: (...) “Grande retratista, é o responsável por retratos em óleo sobre tela dos presidentes da Câmara Municipal de Indaiatuba, alguns prefeitos de São João da Boa Vista, presidentes e diretores do Palmeiras F.C., juízes de direito de Vargem Grande do Sul, Conchal, Espírito Santo do Pinhal, Mogi Mirim e professores e reitores da PUC. (...) A transição do figurativo para o abstrato em sua carreira aconteceu naturalmente, pois considera essa passagem ‘natural’ na dinâmica artística. Aponta que a Arte está tomando outro conceito, citando como exemplos as instalações e as performances comuns em bienais. Considera ainda que a pintura, hoje, está acabando! E acusa a informática de ter culpa nesse processo, dizendo que o artista precisa fazer o que o computador não pode. Ele tem visto produções revolucionárias, que saem das impressoras e ‘plotters’ e chega à conclusão de que o artista não pode competir com aquilo.” RÚBIA Cristine RIBEIRO – Campinas, 03 de agosto de 1967 Reside em São João da Boa Vista há mais de trinta anos e já se considera cidadã sanjoanense, devido ao seu amor à cidade. Dedica-se à pintura óleo sobre tela desde 1982, quando iniciou o curso de pintura na Sociedade Esportiva Sanjoanense -SES - com a professora Lela. Desde então, vem aperfeiçoando sua técnica a cada dia, através de cursos e capacitações. Licenciada em “Educação Artística e Desenho Geométrico” pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo/SP, é, ainda pós graduada em “Educação Especial” pela Unifeob, São João da Boa Vista. Realizou curso de “Educação Inclusiva” na Universidade Bezerra de Menezes –Unibem, em Curitiba PR. Possui ampla experiência profissional, atuando na área artística como professora do ensino infantil, fundamental, médio e superior em diferentes instituições de ensino. Realizou oficina de pintura na Papyrus Livraria, em 1998, 1999, dentro do “Projeto Santo de Casa também Faz Milagre”. Lecionou Educação Artística nas seguintes escolas: Antônio dos Santos Cabral, no projeto “Escola da Família”; Domingos Teodoro de Oliveira Azevedo – coordenadora; José Procópio do Amaral; Externato Santo Agostinho; Colégio Santo Expedito, todas em nossa cidade e Padre Geraldo e Colégio Deltha, em Aguaí/SP. Como voluntária, leciona ainda pintura no “Projeto Laura”, da Unifeob que trabalha com pessoas com necessidades especiais; “Vida Ativa” da Sociedade Esportiva Sanjoanense, que trabalha com a Terceira Idade e na Consultoria Pedagógica Especializada, Ltda. – CONPES, em Cursos para pessoas com deficiência mental com educação inclusiva. Também ministra aulas de pintura, desenho, escultura e arte com papéis – “origami”, “kirigami” e “scrapbook” em seu ateliê, localizado nesta cidade. Durante todos estes anos realizou e participou de várias exposições em São João e região: - II e IV Noite Artístico Cultural da Sociedade Esportiva Sanjoanense, 1993/1995. - VII Exposição Anual do Ateliê Rô Gonçalves, 1995. - I Mostra Regional de Arte “Brasil 500 Anos”, em Pirassununga/SP. - I Mostra de Artes Plásticas no Espaço Cultural Banespa, 2000 e “V Mostra de Artes Plásticas”, 2002, ambas em de Águas da Prata/SP. 247


- III Mostra Coletiva de Artes no Espaço Cultural Fernando Arrigucci, 2003. Desde 1997, com sucesso realiza, anualmente, com seus alunos, a “Mostra de Artes do Ateliê Rubia Ribeiro”. Estas mostras já foram feitas no foyer do Theatro Municipal, na Papelaria Gevê, no Espaço Cultural Fernando Arrigucci e a 10ª edição, em 2007, foi na Papyrus Livraria. Participou ainda, em 2007, da “I Feira do Livro” da Unifeob, São João da Boa Vista.

SADI DE SOUZA BARROS - Porto Alegre/RS, 05 de março de 1933 Sadi veio de São Paulo para Águas da Prata em 1985. Tornou-se pratense de coração e por outorga, pois em 1992, recebeu o título de “Cidadão Pratense” pelo decreto nº 25/08/1992. Foi sempre muito participativo da vida artística e cultural de Águas da Prata e São João da Boa Vista. É autodidata “em minhas obras gosto de viajar com a mente nas festas do Brasil, criar paisagens que não existem. São nestes momentos é que saio de mim.” 25 Aparecidinha, 26 assim escreveu: “Sadi é pintor Naif, de maneira extremamente conscienciosa e inteligente, consegue produzir uma arte precisa, minuciosa e penetrante, feita por quem conhece o tema e, há mais de dez anos, se consagra a novas pesquisas. Não se limitou ele a exposições no Brasil, é detentor de inúmeros prêmios (...) obtidos nas principais capitais da Europa e da América Latina. O que mais nos encanta, entretanto, é vê-lo acompanhar a própria evolução de sua pintura, que capta num halo, todo seu, o significado das coisas mais simples”. Restaurou imagens da Catedral de São João da Boa Vista, das igrejas de Águas da Prata e algumas do Museu de Arte Sacra de nossa cidade. Vendeu dezessete mil cartões de Natal feitos pela FEAC - Campinas/SP. Coletivas e Individuais: - 7º Salão da Associação Paulista de Belas Artes, 1985. - Salão da Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, 1986. - Círculo Militar de São Paulo - Salão de Artes “Santos Dumont”, em São Paulo. Menção Honrosa, 1986. - 3º Encontro de Artes de Osasco/SP. Troféu Revelação e Medalha de Ouro, 1986. - Mostra de Artes no Salão Almeida Júnior, em São Paulo. - Semana da Cultura Armênia, no Centro Armênio, em São Paulo, 1986. - Exposição da Galeria Reflexo no Macksoud Plaza Hotel, São Paulo. - Exposição na Galeria de Arte Brasileira, São Paulo. - 5º Salão de Belas Artes de Poços de Caldas/MG. Obra no acervo da Prefeitura Municipal, dessa cidade, 1988. - Individual no Balneário Teotônio Vilela em Águas da Prata/SP. - Individual no “Salão Bruno Filisberti” - Poços de Caldas/MG, 1990. - 6º Salão do Artista Sanjoanense, 1989. - 2º Festival de Arte Naif, Centro de Convivência Cultural, Campinas/SP. - 6º Salão Poçoscaldense de Belas Artes – Bruno Filisberti, Poços de Caldas/MG - Prêmio Aquisitivo Richs Jeans, 1989. - Individual no Centro Recreativo Sanjoanense, numa promoção da AMARTE, 1990. - Grande Salão Inter Arte Paulista e Pernambucana, no Museu do Estado de Pernambuco, 1991. - Mostra Nacional de Arte Ingênua e Primitiva, numa promoção do SESC – Piracicaba/SP, 1991. - Exposição dos Grandes Valores Sanjoanenses realização da AMARTE, 1992. - Exposição de Arte Naif Brasil, na Escola Suíço-Brasileira de São Paulo, 1995. - Bienal Brasileira de Arte Naif Sesc de Piracicaba/SP, 1994. - “São João Vive! Viva São João!” No SESC - Pompéia, São Paulo/SP, em 1994. - Exposição na “Imprensa Oficial do Estado” - 1993. - Individualno Café Literário Galeria de Arte Permanente, Papyrus Livraria São João da Boa Vista,1997. - Em São João da Boa Vista, participou de várias edições da “Exposição de Artes da Semana Guiomar Novaes”, a saber: 12º; 13º; 14º; 17º e 19º; além da I e da II Bienais de Artes Visuais. - Participou, expondo seus quadros, no evento “Noites Natalinas”, acontecido no CRS, numa promoção da Academia de Letras de São João da Boa Vista, em 1995. - Exposição Coletiva no SESI de Ribeirão Preto/SP, 2009. - Individual no Fórum de São João da Boa Vista/SP, 2010. Fora do Brasil: - Exposição no Museu Nacional de Etnografia e Folclore, de La Paz/Bolívia, em 1989, obra em seu acervo. - Exposição no Museu Nacional de Arqueologia, em La Paz/Bolívia, no Salão Tiwanacu, 1989, obra em seu acervo. - Participação do Salão de Arte Inca, no Hotel Del Inca pelo Instituto Nacional de Cultura, de Cuzco/Peru. Obra no acervo 248


e Menção Honrosa, 1989. - Gran Salón Inca, Instituto Nacional de Cultura Departamental Cuzco/Peru, 1994. - Salão Livre Artes Brasileñas Hotel Odins, em Viña Del Mar/Chile, Menção Honrosa. - Salão de Arte Brasil, em Lisboa/Portugal, 1991. - Coletiva de Brasileiros na Universidad de Sevilla/Espanha - Facultad de Bellas Artes, 1991. Pequena Medalha de Prata. - Muestra Del Arte Del Brasil – Centro Cultural José Marti/cidade do México/México, 1992. Medalha de Ouro. - Exposição “Unione” Galeria Livorno, Sardenha/Itália, 1992. “Menzione Di Onore”. - Artistes Brésiliens na Galeria Costes – França, 1993. Grande Medalha de Prata. -Exposição Normandy Room, Ramada Resort – Miami/USA. Medalha de Bronze, 1996. - Sheradon River House Hotel – Miami/USA. Medalha de Ouro. Outros: - Foi presidente da AMARTE no biênio 1993/94 e recebeu dessa Associação o diploma de “Honra ao Mérito”. Tem obras em vários Museus, além de acervos públicos e particulares. Foi membro fundador do “Centro de Arte Primitivista” em Brasília/DF. Catalogado no “Artes Plásticas do Brasil” de Júlio Louzada. Consta nos livros “Pintura Naif” de José Nazareno Mimessi da cidade de Assis/SP, e no “Baú de Couro” de Ademaro Prézia. A Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo outorgou-lhe o título de “Parceiro da Cultura”, em 1998, “pela atuação eficiente e participação ativa no desenvolvimento de ações culturais essenciais ao Estado de São Paulo. Marcos Mendonça - Secretário de Estado da Cultura”.

SHAMANTA MOREIRA – Campinas, 11 de março de 1972 Bacharel em Artes Plásticas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas -1993, especializou-se no Instituto Lorenzo D’ Médici, em Firenze/Itália, em 1995, onde cursou Gravura em metal, Escultura, Afresco e História da Arte Contemporânea. Entre outras atuações, é, desde 1998, sócia coordenadora do “Ateliê Aberto Produções Contemporâneas”, organismo de produção e investigação de cultura contemporânea em Campinas e, desde 2005, “Gerente de Desenvolvimento e Educação” na Empresa de Desenvolvimento de Campinas, responsável pela gestão de projetos voltados à Mobilidade Urbana, a partir de conceitos de arte e cultura. Tem como principais exposições individuais: “Volume I”, realizada no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, em 2004; “Temporada de Projetos”, no Paço das Artes da Universidade de São Paulo – USP, em 2000; “Janelas para os Jardins”, no Centro de Convivência Cultural de Campinas, em 1996; “Tempopermetendo”, em Padova/Itália, em 1995; “Outonus”, no Foyer Theatro Municipal de São João da Boa Vista/SP, em 1994. Participou de inúmeras coletivas, entre elas “Fluxus –Arte, Saúde e Informação – Intervenções e Ações”, em 2008, realizada no Mercado Municipal de Campinas e Praça Bento Quirino, com curadoria de Jeff Kesse. Em 2007, “Por um Fio” no Paço das Artes em São Paulo e no Espaço Cultural CPFL, em Campinas, com curadoria de Daniela Bousso. Em 2006, “Título de Pintura - Rumos Visuais”, no Itaú Cultural de São Paulo, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro e Museu de Arte Contemporânea de Goiânia/GO. Em 2004, participou da coletiva no Lord Palace Hotel em São Paulo, com curadoria de Cauê Alves, Juliana Monachesi e Paula Alzugaray e “Discordâncias” na Galeria Vírgílio, São Paulo com curadoria de Jurandy Valença. “Edital 2003” no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, quando recebeu o Prêmio José Pancetti –1º Lugar. Logrou ainda o “6º Prêmio Revelação de Artes Plásticas de Americana” em coletiva realizada pelo Museu de Arte Contemporânea daquela cidade. Já em 2002, participou da exposição “den[troFO]RA” no Espaço Cultural João Calvino da Universidade Mackenzie/SP. Em São João da Boa Vista, participou da I Semana Fernando Furlanetto, acontecida no Theatro Municipal, em 1998; no XVIII Salão de Arte Contemporânea, em 1994; na I e II Bienais, sendo que foi co-curadora da terceira. Foi uma das participantes da mostra “São João Vive, Viva São João” acontecida em 1994, no SESC Pompéia, São Paulo. Sua mãe, Maria José Gargantini Moreira, assim poetizou, para esta obra, o currículo da filha: O ano, 1972, a cidade, Campinas. O mês, março, mais precisamente, 11. Dia claro e clima ameno Preparado para receber Minha princesinha! Nome escolhido pelo pai: Samantha Rosto de boneca Nariz perfeito - felizmente não puxou à mãe. Nasceu pequenina, mas já se supunha grande mulher. 249


Desde tenra idade Mostrou tendência por tudo que nos alimenta a alma Os sons, as cores, os traços... Já dela diziam: vai ser artista! E não é que acertaram? E nós, pais, Sempre com aquela preocupação De pessoa vivida Pensávamos: do quê Que esta menina vai viver? Cresceu feliz Entre as montanhas acolhedoras De nosso São João. Voltou à cidade mãe Para efetivar seu sonho De ser artista plástica Isto em 1993. Firenzi em 1995 Por um ano em terras distantes Em busca de novas ideias. Concretização de seus sonhos: 1998 Ao abrir o espaço dedicado Ao que mais ama fazer Trabalhar com arte E assim, de trabalho a trabalho De curso em curso, De exposições a exposições De curadorias e curadorias Tem hoje o reconhecimento De todo seu esforço. Em favor da arte Arte maior ainda De saber viver!

SIMPHOROSO ALONSO 27- São João da Boa Vista, 30 de maio de 1923 Desde muito pequeno, gostava de desenhar e fazer bichinhos de barro e madeira. Devido às suas habilidades, quando tinha mais ou menos onze anos, seu tio apresentou-o ao grande pintor Araújo Lima, que o convidou para freqüentar seu ateliê, localizado na Rua Visconde do Rio Branco. A partir de então, todos os dias, após a escola, ia vê-lo pintar e lá, conheceu um garoto, de uns catorze anos de idade, aluno do pintor, que morava com ele e chamava-se Eliseu Ferreira. Dessa época da infância, vem-lhe, também, a admiração pelas obras de Fernando Furlanetto, as quais lhe despertou a vontade de modelar e esculpir algumas esculturas. Em início da década de 1940, mudou-se para São Paulo, quando conheceu pessoalmente Belmonte, famoso no mundo inteiro por suas caricaturas criticando os ditadores do “Eixo” na Segunda Guerra Mundial. Dessa aproximação com Belmonte surgiu sua paixão pelo desenho a bico-de-pena. Em meados da década de 1950, foi aprovado para trabalhar na “Editora La Selva”, para criar e publicar histórias em quadrinhos com temas, personagens, desenhos e desenhistas brasileiros. A primeira revista, com seus desenhos, saiu em agosto de 1950. Convidado, nessa época, para trabalhar com Maurício de Souza só não foi por incompatibilidade de horário. Ao aposentar-se, voltou a São João da Boa Vista e desde então vem produzindo e participando de exposições. Pintor, desenhista e escultor autodidata, possui uma produção grande, de qualidade e praticamente ininterrupta. Vieira, assim se expressou: 28 “Ele tem nome poético, maneiras gentis e a humildade à flor da pele. É um artista completo, pois trabalha com a tinta – tão maleável e a madeira às vezes tão dura, com a mesma sensibilidade (...).” “Tudo que existe de belo nas artes de madeira e na pintura “Bico de Pena” aparece nas obras de Shimphoroso Alonso. Imagens inéditas, capitéis, esculturas de temas brasileiros, nascem das mãos desse artista. Seu grande objetivo 250


é mostrar o vigor da arte que tem raízes na nossa cultura, contribuindo para o enriquecimento de nosso quadro artístico.”29 Participou das seguintes exposições: São João da Boa Vista: - I e II Salão de Artes Sanjoanense - SA–SAN, 1969/1971. - “Exposição de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”, nos anos de: 1979, 1980, 1981, 1984, 1985, 1986, 1988. - “Grande Medalha de Prata”- desenho bico de pena, XII Exposição de Artes Plásticas Semana Guiomar Novaes, 1988. - “Medalha de Bronze” - escultura, em 1989, no XIII Salão da Semana Guiomar Novaes, 1989. - Grande Medalha de Ouro - desenho bico de pena no XIV Exposição de Artes Plásticas Semana Guiomar Novaes 1990. - Exposição do Cinquentenário da “1ª Exposição Coletiva de Artes Plásticas de São João da Boa Vista”, 1982. - “Arte e Cultura Sanjoanense em São Paulo” – SESI, 1987. - Exposição “13 artistas – 13 obras” Jubileu de Ouro do Rotary Clube de São João da Boa Vista, 1988. - Exposição Coletiva Inaugural do “Espaço Cultural Fernando Arrigucci” - São João da Boa Vista, 1989. - 1ª Bienal de São João da Boa Vista, 1998. – Exposição da “XXXII Semana Guiomar Novaes”, 2009. Fora de São João da Boa Vista: – “II Salão de Artes Plásticas de São José do Rio Pardo/SP – Semana Euclidiana”, 1972. - VI Salão Poçocaldense de Belas Artes - Medalha de Bronze, 1989. – Exposição “Talentos da Maturidade” – Banco Real São Paulo, 2002. – Mostra de Arte “MuBe” São Paulo, 2007. Participou ainda: - Membro da Comissão de Seleção e Premiação da “X Exposição de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”, em São João da Boa Vista, 1986. - Membro da Diretoria da AMARTE no biênio 1991/1992. - Cartão de Prata “Quatro Escultores em uma Exposição”, no Museu de Arte Sacra de São João da Boa Vista, 1989. TABAJARA ARRIGUCCI - São João da Boa Vista, 14 de julho de 1934 Filho de Fernando Arrigucci 30 e Anna Ida Piagentini Arrigucci, fez seus estudos em nossa cidade e em Campinas/ SP. É funcionário aposentado do Banco do Estado de São Paulo - Banespa. Desde criança, mostrou aptidão por desenho e pintura; autodidata, encontrou nos livros os mestres que lhe abriram os caminhos para expor suas idéias. Começou pintando na técnica impressionista, mas com o tempo passou para abstracionismo, sendo esta a pintura que mais lhe satisfaz, além do desenho em “Bico de Pena”. Realizou, desde 1982, exposições individuais e coletivas em sua terra natal, outros estados e exterior, recebendo várias premiações medalhas de bronze, prata e ouro - pequenas e grandes. Participou também da exposição “The First Art Exposition Brazil-Holland at the World Trade”, no Amsterdam and Cultural Center José Mart, em Amsterdã/Holanda. Em São João da Boa Vista, participou da “Exposição Grandes Valores”, em 1992, organizada pela AMARTE; participou ainda, como expositor e jurado, da “Exposição de Artes da Semana Guiomar Novaes”, de 1983 até 1986, além da I, II e III Bienal, de nossa cidade. Fez a obra “Iconografia Pretérita de São João”, em bico de pena. Tabajara Arrigucci participou, em 1985, com o quadro “Cena Rural” da exposição “Descentralização da Cultura” - Arte do Interior de São Paulo, na Galeria de Artes do SESI, em São Paulo. O texto, de sua autoria, que acompanha seu quadro, diz: “Desde criança sempre tive certa vocação para o desenho e a pintura. Meu pai me incentivava e, embora fosse pintor e nossa casa vivesse rodeada de amigos pintores, como Araújo Lima e Attílio Baldocchi, entre outros, nunca se propôs a me ensinar ou eu não me interessei o bastante. Depois, a vida me levou aos estudos, trabalho, até que me acidentei e fiquei impossibilitado de trabalhar. Nessa época, já com 45 anos de idade, foi que me dediquei, plenamente, à pintura, estudando sozinho, constantemente e, interessando-me demais pelo “Impressionismo”, não fugindo à leitura dos grandes da Renascença, os pós-impressionistas, chegando mesmo aos contemporâneos.” Já no catálogo da exposição “Grandes Valores” há estes dizeres sobre o artista: 31 “A técnica empregada por Tabajara Arrigucci é tinta acrílica, ou óleo, ou ainda mista, sobre tela ou suporte de eucatex. Participou de várias coletivas em nossa cidade, São Paulo, Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES, Campinas/SP, Rio Claro/SP, Limeira/SP, Poços de Caldas/MG. Grande afluência às suas Mostras na Portal Galeria de Artes –São Paulo, na Galeria Duomo e Ligne Rose – Cam251


pinas, Tabajara tem sido membro do corpo de jurados de seleção e premiação de várias exposições da Semana Guiomar Novaes”. Tabajara é autor das capas dos seis livretos com os resultados dos Concursos Nacionais de Trovas de nossa cidade - 1991 a 1996.

MAIS VALORES São João, rico em Artes Plásticas, constitui-se em espaço privilegiado por possuir, também, entre seus artistas: Ana Carolina dos Reis, que se inicia nesta arte; Anor Falda, além de ator teatral, produz obras de tendência moderna; Carmem Magalhães, com grande produção artística; Cristiane Ferrari Bogon; Denise Isabel Miraca Sibin, com formação universitária nesta área; Eduardo S. P. Menezes, artista digital, participou da elaboração da Praça da Língua, no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo; Gilberto Amorin; Gislaine Fonseca; Gabriela Oliveira; Lucas Zofanetti Lima, que produziu várias obras para a Igreja de Aguaí; Jaime Cunha Sobrinho; José Bovo, retratista, já expôs no Fórum de São João; José Roberto Orlando; José Teobaldo, desenhista; Lila Fontella Gonçalves, primitivista; Lucinda de Almeida Noronha; Márcio Rover Lopes Nogueira, que participou de várias edições da Exposição de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes, sendo, inclusive, premiado; Marco Antônio Fernandes Fialho “Marquinho”, que desde 2007, vem refazendo, com esmero, as pinturas das paredes internas de nossa Catedral; Madalena Barbin; Marcos Silva; Maria Cristina Backstron; Maria Gil Ferraz dos Santos, grande batalhadora dentro desta arte; Maricy Tischer Vallin, com grande produção artística e premiação; Marly Gomes Michelazzo; Maurício Matiello, com grande produção; Neusa Mathias Pimenta; Renata Maniassi; Roberto Assalin, que teve produção nas décadas de 1980/90; Romeu Paulucci Buzon; Silvia Bastos Junqueira; Sônia Rodrigues Abdal, herdeira da arte de seu pai Geraldo Estevam; Soraya Corrêa de Mello; Thales Milani Gáspari, que participou da “VIII Exposição Novos Valores” da Amarte; Tereza de Fátima Ferreira Ceripieri, que faz sucesso em São Paulo; Valéria Gonçalves Lara de Andrade; Yeda Maria de Almeida Barros; Wagner Landiva Souza; Wilson Peixoto Matielo “Prego”, retratista, autodidata e pesquisador.

ESCULTORES Paschoal, 32 já nas primeiras décadas do século XX, nos fala de José Janone, santeiro que tinha seu ateliê no Largo da Matriz e produzia lindas imagens, sendo que Martins 33 cita-o como escultor. Há, no Museu de Arte Sacra de São João da Boa Vista, uma imagem de roca, cuja autoria é atribuída a ele. Na cidade nasceram e viveram os irmãos escultores Giácomo e Fernando, 34 filhos do também escultor Antônio Furlanetto. A família, principalmente Fernando, legou à cidade obras de real beleza, tanto em mármore de Carrara, como em bronze. Hoje, temos em São João da Boa Vista alguns artistas que se dedicam a esta arte.

JOAQUIM Augusto de Azevedo Costa MELLO – São João da Boa Vista, 1947 Formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - USP, 1972. Criou logotipos, não só para os governos municipais de Sidney E. Beraldo e Gastão Cardoso Michelazzo, mas também para várias empresas comerciais e industriais, além de eventos municipais, como, por exemplo, vários cartazes para a Semana Guiomar Novaes. Em 1984, foi nomeado coordenador da equipe de estudos e restauro do Theatro Municipal de nossa cidade, pelo então Prefeito Municipal, Sidney Beraldo. Participa ativamente, como escultor, do circuito das artes em âmbito regional; participou das duas primeiras Bienais de Artes Visuais de São João da Boa Vista e as de Vargem Grande do Sul, realizadas pela Fundação Jack Ronc; participou ainda com a obra “Guardião da Torre”, escultura em argila, da exposição “João Visita Paulo, nos seus 450 Anos”, em 2004. VÂNIA Lúcia da Costa PALOMO - São João da Boa Vista, 27 de outubro de 1966 É escultora e formada em Letras pela Fundação de Ensino Octávio Bastos – UniFEOB. Entre os anos de 1996/99, frequentou o Curso de Arte Contemporânea, no “Ateliê de Arte Vera Ferro”, em Campinas. De 1998/2003, foi aluna do curso de escultura na “Galeria de Arte Cristina Roese”, nessa mesma cidade, sendo que em 1999 foi convidada a participar do grupo de escultores desse mesmo ateliê. De 1995 a 1997, ministrou aulas de Artes Plásticas na “Pré Escola Acalanto”. Durante dez anos, 1995 a 2005, foi professora de Artes Plásticas no “Centro Educacional São João Batista” e, até 2001, no “Centro Educacional Integrado”. 252


Atualmente é professora de Artes Plásticas no “Externato Santo Agostinho” e na “Associação de Educação do Homem de Amanhã” - AEHA. Em sua vida artística, como escultora, participou de várias exposições coletivas, logrando vários prêmios e realizou várias individuais. No exterior participou: Na Inglaterra, do Salão de Artes intitulada “England Best Art Show”, participou através do Grupo Lemos Artes e New Circle Internacional Art, com a obra “Papa João Paulo II”, recebeu o prêmio máximo, a Palma de Ouro, “The Best of the Show”, melhor obra da Mostra. Em Madri, Espanha participou do “Gran Salón International – Magnitude de las Colores” e recebeu Menção Honrosa pela obra “Dançarina Espanhola”. Ainda na Espanha, com a obra “O Abraço”, recebeu Menção Honrosa, na “Fantastique Exposition de L’Art Exuberance de la Beauté”. Em Paris, França, participou do “Grande Salão Mundial de Arte – Fascinação”, onde a obra “O Abraço”, recebeu novamente a Menção Honrosa. Todas estas exposições foram realizadas em hotéis, porém em Paris, expõe ainda na “Galerie Thuillier”, ao lado do Museu de Picasso, La Maison du Brésil Couleurs. Já em Portugal, participou de uma coletiva com o “Grupo Individualidade” e ainda nesse país expôs no “Salão Internacional de Arte” junto com o “Grupo Lemos Artes e New Circle International Art”. Finalmente expôs em “Las Vegas Artexpo”, no Hotel Mandalay Bay Resort. No Brasil, teve suas obras expostas, entre outros lugares, no Rio de Janeiro/RJ, na Galeria de Arte da Escola de Magistratura; em Peruíbe/SP, no II Salão de Artes Plásticas. Na cidade de São Paulo, participou das exposições: “João Visita Paulo nos seus 450 Anos”, acontecida na Assembleia Legislativa do Estado e do “Concurso Brasil 500 anos”. Foi ainda, convidada pela Academia Latino Americana de Arte para participar da “Exposição Coletiva de Arte”, no Memorial da América Latina e no Clube Paineiras do Morumbi, ocasião em que foi homenageado o artista uruguaio Carlos Paez Vilaró. Nessa mesma cidade, participou da Mostra “O Céu do Artista”, em homenagem a Santos Dumont, nos 100 anos do primeiro vôo. Entre seiscentos projetos selecionados na Escola Cidadã, ganhou o “VI Prêmio Arte”. Já em Campinas, mostrou sua arte em “Cores da Terra”, no Hotel The Royal Palm Plaza, na coletiva do lançamento do Catálogo 2004 do Museu de Arte Moderna – MAM e na Exposição de inauguração do Centro de Investigação Pediátrica da Unicamp. Em Curitiba, expôs na “Galeria Solar do Rosário”; em Piracicaba, na “I Bienal de Artes Visuais da Virada Cultural Paulista”; em Araraquara, na “Casa da Cultura”; em Limeira, no “Teatro Vitória”; em Pirassununga, no “Museu Fernando Costa”; em Casa Branca, no “Museu da Cultura”; em Mogi Guaçu, na “Biblioteca João XXIII”. Em nossa cidade, participou do “XX Salão de Artes Plásticas”; da “II Semana Fernando Furlanetto”; da “1ª Semana Pagu de Literatura e Arte”, na Fundação de Ensino Octávio Bastos – Feob; da “I Mostra de Literatura e Artes Plásticas da Justiça Federal –Literarte”; expôs no Fórum local; foi curadora da “IV Semana Fernando Furlanetto”; fez parte da criação do projeto e lançamento da 1ª revista de História em Quadrinhos do Setor de Hemodiálise da Santa Casa de Misericórdia Carolina Malheiros. Foi a curadora da “I e II São João Décor” ocorridas em 2010/2011. Possui a obra “Família” - escultura em bronze, no acervo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e a obra “Abraço” no Instituto Boldrini, em Campinas. Está catalogada no sistema Júlio Louzada - Artes Plásticas Brasil e no “Anuário Brasileiro de Artes Plásticas”, volumes I, II e III. Temos ainda na arte escultural Auribel Ayres de Souza, com belo trabalho executado em madeira de demolição; Pedro Henrique Rossi Beraldo, especializado em obras de grande volume, em sucata de ferro e Simphoroso Alonso, que, em massa e madeira, produz obras clássicas e modernas. Estes são os artistas que fazem ou fizeram parte deste rico universo pictórico de nossa terra, porém, com certeza, outros existiram ou existem, mas, infelizmente, não se conseguiu chegar até seus nomes e currículos. A eles, nossas escusas!

253


VALORES LIGADOS À NOSSA CIDADE ALDO STOPPA - Aguai/SP, 07 de fevereiro de 1929 Dentista, residente em Poços de Caldas/MG, teve sua vida artística ligada também a São João da Boa Vista, pois aqui morou na juventude, sendo aluno de Attílio Baldocchi. Já na sua fase madura, foi, durante muitos anos, professor de artes em nossa cidade e participou de várias edições da “Exposição de Artes Plásticas da Semana Guiomar Novaes”, sendo que, em 1986, na décima exposição, recebeu, com a obra “Camarões”, a Grande Medalha de Ouro. Nome respeitado no mundo das Artes Plásticas, tem um rico currículo com grande quantidade de prêmios recebidos em vários Salões do estado de São Paulo e Minas Gerais, como por exemplo, a Menção Honrosa no Salão Paulista de Belas Artes, em 1963. Foi, muitas vezes, convidado para membro de júri desses mesmos salões. BRUNO FILIZBERTI - *Mococa/SP, 11 de junho de 1912, +Poços de Caldas/MG, 02 de julho de 1979 Bruno tinha uma irmã que morava em São João da Boa Vista e mantinha Auto Retrato - Aldo Stoppa laços de amizade com vários artistas sanjoanenses. Esteve, em 1971, em nossa cidade, por indicação de Marcondes, para julgar os trabalhos expostos no II Salão Sanjoanense -SA-SAN, organizado pela professora Maísa Barcellos. Foi homenageado na “IV Exposição de Arte e Artesanato da Semana Guiomar Novaes”, acontecida em 1980, juntamente com Ettore Frederighi. Edmundo Cardillo 35 nos dá um belo esboço de quem foi Bruno Filizberti. Inicia afirmando que “Tudo que se fizer para homenageá-lo sabe-se que será pouco, pois trata-se da maior expressão artística que se doou a Poços de Caldas.” Diz-nos, ainda, que era “filho de emigrantes italianos e aos 11 anos, mudou-se com a família para Poços de Caldas. Sua mãe faleceu muito cedo e o pai distribuiu os numerosos filhos entre as famílias amigas. Bruno coube à família Satti que acabou de criá-lo. Teve infância muito pobre e cedo começou a trabalhar para sobreviver. Foi aprendiz de sapateiro, carpinteiro, e lavador de pratos. Foi operário de construção nas Thermas Antônio Carlos. Já nas cidades de Olímpia e São Paulo, trabalhou em marmoraria. Voltando para Poços de Caldas, trabalhou em hotel, em troca de comida. Ainda pequeno, já demonstrava sua tendência para a arte, pois com carvão fazia desenhos nas calçadas, chamando a atenção dos que passassem. (...) Foi notando esses desenhos que Elvino Pocai, proprietário de uma gráfica, presenteia o talentoso garoto com folhas de papel e aquarela. Algum tempo depois, recebe lições de desenho do carpinteiro Vicente Nasi e, nos dois anos seguintes, aprimora seus estudos com Ângelo Guazzelli, o pioneiro em lhe ensinar o uso e mistura de tintas. Mudando-se para São Paulo, procurou meios financeiros para cursar uma escola e, embora sacrificado pela rudeza do trabalho que exercia como auxiliar de marmorista e pelo horário rígido obrigado a cumprir, obteve meios para cursar a Escola de Belas Artes de São Paulo. Na escola foi, principalmente, orientado pelo professor Paulo Vergueiro Lopes de Leão. Depois, de 1938 a 1948, passou a estudar com Amadeu Scavone, que lhe dissera: – ‘Bruno, siamo intensi...tuo lavoro commina per se...’ De volta a Poços de Caldas, dedica-se profissionalmente à sua arte, auxiliado por amigos que se propuseram a comprar todo o seu trabalho para que, assim, ele pudesse montar o seu ateliê. Cartinha de Amor - Obra de Bruno Filizberti 254


A natureza era o seu tema favorito. Tinha preferência por fundos de quintal, portões, casebres e paisagens (...), gostava de pintar também as figuras humanas, dando, assim, segundo os críticos, mais vida e expressão em sua obra. Seu trabalho, de expressividade ímpar, exterioriza sua interioridade melancólica, solitária, pura que chega à transparência na demonstração de sensibilidade, quase ingênua, de um universo amplo para se alcançar, numa busca intensa de identificar o homem com a natureza e com o mundo social que o cerca, cujo desencontro só paira no infinito de sua própria criação. Trabalhou muito, uma vida toda, deixando uma obra valiosa e grande, principalmente, nas mãos dos amigos, que tanto prezou. Era muito sistemático, introvertido e difícil de fazer amizades, mas depois que as fazia, tornava-se um grande amigo, em quem confiava cegamente. Quando recebeu o prêmio da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em 1960, ele vestiu terno pela primeira e última vez, e para receber o prêmio, das mãos da mulher do governador, ele teve que tomar calmante.(...) Era de espírito bastante independente, espontâneo, simples e sincero. (...). Falava pouco, mas dizia muito –sua linguagem tinha seu significado através de sua arte. (...) Gostava de teatro e cinema. (...). Lia muito sobre arte e conhecia a vida de quase todos os pintores. Gostava ainda de música e, nas horas de descanso, o violão era o seu companheiro. (...) Não se casou e não se tem notícias de que tenha tido um grande amor Luz na Parede – Obra de Bruno Filizberti - 1972 em sua vida. Achava que um artista nunca deveria se casar, devia dedicar-se somente à arte, nada mais.” O final de sua vida foi com sua irmã Gilda, que lhe cuidou com carinho até seu falecimento, depois de longa enfermidade. “Sou, dizia Bruno Filizberti, muito afeiçoado ao estilo impressionista. Acho que a beleza é essencialmente orgânica, dispensando adornos arbitrários e adventícios. A arte procura e encontra o belo em tudo (...). Os quadros devem ser julgados em virtude de seus valores extrínsecos a qualquer representação. (...) Compreendo um Almeida Júnior, no seu passado glorioso, e sigo Arlindo Castellani de Carli, na sua marcha da atualidade, porque ambos são eternos, sem contraposição aos outros que são passageiros.” Jurandir Ferreira, 36 membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista, nos dá, também, alguns detalhes já conhecidos de sua personalidade, quando diz: “os seus amigos – e bem poucos são estes - acham que ele se esconde como um bicho e se esforçam inutilmente para torná-lo mais sociável. Filizberti silencia e trabalha, isolado em sua toca, inteiramente mudo e alheio ao que quer que não seja o seu próprio esforço criador ou a linguagem das formas e das cores, (...) quando, então ele conversa com os deuses. (...)”. Diz-nos ainda, poeticamente que, “longe do ateliê este relâmpago de gênio bruxuleia como uma luz de lamparina, encolhido na sua concha de sonhos, esse crustáceo montanhês assimila a vida que o rodeia e o devolve depois numa profusão de belezas.” Em certo momento, Jurandir Ferreira faz uma contrição e afirma: “mas porque ele se faz um arredio e um escondido, não é justo que dobremos o silêncio de sua modéstia com o silêncio do nosso descaso. O dele se justifica porque é uma condição essencial à sua obra criadora, mas o nosso apenas se desculparia como o silêncio irresponsável da sociedade asselvajada. Não temos o direito de proceder como bichos de couro grosso em relação a este bicho prodigioso que é talvez um dos grandes pintores nacionais.” A certa altura de sua crônica, analisa a pintura de Filizberti e escreve que ela é “uma pintura vigorosa, profunda, intensamente luminosa, entretanto, é uma pintura sem alegria. O seu próprio sol, o copioso sol de suas paisagens, é um sol de angústia, um sol dolorido e febrento, já a terra é uma terra viva e verdadeira, mas crua, prostrada, súplice. É uma pintura que não ri, parece toda embebida de uma irrecorrível e inesgotável amargura.” E continua analisando, agora, os temas: (...) “Os seus motivos são sempre os mesmos, sempre escolhidos no que o mundo tem de mais pobre. Filizberti é o pintor das coisas e das figuras humildes, que só se engrandecem quando ele as transferem para suas obras de arte. Os mocambos, telheiros, ranchos e tijupás, os fundos de quintal e fundos de mercado, os velhos pobres e os meninos desamparados e doentes. Por isso mesmo, ele é de uma transbordante poesia e de uma comovente simpatia humana.” Recebeu Filizberti, ainda em vida, homenagem do Lions Clube Centro de Poços de Caldas/MG, em 1976, pelos relevantes serviços prestados à comunidade, e, por ocasião de seu falecimento, a Prefeitura Municipal e a Câmara Muni255


cipal de Poços de Caldas instituem três dias de luto oficial. Em homenagem póstuma, foi realizada de 11 de setembro a 9 de outubro de 1982 uma exposição denominada BRUNO FILIZBERTI, na Praça Getúlio Vargas, 14, Poços de Caldas/MG. 37 No Catálogo havia esta mensagem: “Hoje é a comunidade de Poços de Caldas que lhe faz reverência. A homenagem não veio tardia - para um imortal não existe o tempo - está sempre na hora.” 38 Em 6 de setembro de 1984, a Prefeitura Municipal de Poços de Caldas criou o “Salão Permanente de Artes Bruno Filizberti”, que funcionou com exposições ininterruptas, no antigo Cassino da Urca, até 1989, quando foi desativado. Foi reaberto, novamente, em junho de 2000.

PRINCIPAIS PRÊMIOS Salão Paulista de Belas Artes: 1942-Medalha de Bronze e Aquisição; 1952- Medalha de Prata; 1960-Prêmio Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo; 1963- Grande Medalha de Prata; 1966- Prêmio Viagem ao País; 1973- Pequena Medalha de Ouro; Salão Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro/RJ: Negra - Obra de Bruno Filizberti 1953- Medalha de Bronze. Salão de Belas Artes de Piracicaba/SP: 1958 - Segundo Prêmio Cidade de Piracicaba; 1959 - Prêmio Luiz Gualberto; 1965 - Medalha de Bronze; 1966 - Terceiro Prêmio Cidade de Piracicaba; 1968 - Prêmio Pinacoteca; 1971 - Medalha de Prata; 1972 - Medalha de Ouro. ETTORE FEDERIGHI 39- *Muzambinho/MG, 24 de agosto de 1909. +São Paulo/SP, 03 de dezembro de 1978 Iniciou-se em pintura aos 16 anos de idade. Inteiramente autodidata, começou sua carreira pintando alpendres e painéis em residências, costume usual na época. Seu pai, Menotti Federighi, foi o grande incentivador de sua arte, pois muito se orgulhava do nome Federighi, que, na Europa, era, tradicionalmente, conhecido como pertencente à família de artistas. Sua primeira exposição foi em 1947, na Biblioteca Municipal de Marília/SP e, a partir de 1949, começou a concorrer, sempre com muito sucesso, nos salões da Associação Paulista de Belas Artes - APBA; Salão Paulista de Belas Artes; Salão Nacional do Rio de Janeiro/RJ, além de outros no interior de São Paulo e capital federal. Mais tarde, passou a ser convidado para ser membro de júri dessas importantes Mostras, como também de outras, tanto na capital como no interior paulista. Já teve suas obras expostas em Nápoles e Roma. Seus quadros fazem parte de diversos museus, tanto no Brasil como no exterior e eles são muito procurados por colecionadores. Era um exímio pintor de naturezas mortas, transpondo, com grande facilidade e seriedade, a vibração da vida e a força da natureza à tela. Seu estilo era impressionista e foi apontado pelos críticos como sucessor de Pedro Alexandrino. Em 1974, à procura de melhor clima para sua saúde fragilizada e já sendo um artista plástico de renome nacional, Ettore Federighi residiu, juntamente com a esposa, dona Joana, em São João da Boa Vista. Alugou uma casa na Rua Floriano Peixoto, nº 563, bem na Praça da Igreja de São Lázaro e ali morou por cerca de um ano. Marcondes, que já o conhecia dos Salões Paulistas de Belas Artes, ao ficar sabendo que aqui residia, procurou-o e, mais tarde, juntamente com Maria Luisa “Maísa” Barcelos do Amaral, promoveram-lhe uma exposição, que aconteceu de 24 a 30 de junho de 1974, como parte das comemorações do aniversário da cidade, no Centro Recreativo Sanjoanense na Rua Teófilo de Andrade, 373. O convite apresentava: “1ª Exposição de ETTORE FEDERIGHI em São João da Boa Vista Promoção da Prefeitura Municipal Em comemoração ao SESQUICENTENÁRIO DA CIDADE Junho de 1824 – 1974 Centro Recreativo Sanjoanense.”

256

A Mostra foi um sucesso de público, porém, lamentavelmente, não vendeu um único quadro. A Srª Lúcia Lambert de Andrade adquiriu, posteriormente, uma obra do artista, “Natureza Morta com Tacho de


Cobre e Uvas”, quando ele ainda residia em São João. Federighi presentou com a obra “Margaridas” sua vizinha Rita de Cássia Liparini, no dia em que a jovem completou 15 anos. Logo após, foi expor no saguão de entrada do Hotel Nacional de Brasília, cujo sucesso foi absoluto, vendendo todas as obras. Sua última individual foi na Galeria Portal, em São Paulo, em agosto de 1978. Veio a falecer meses depois. O Museu de Artes Assis Chateaubriand, de São Paulo - MASP, em 1983, rendeu-lhe, de 22 de setembro a 02 de outubro, uma homenagem póstuma, numa “Retrospectiva” de suas obras. Em 1980, na IV Exposição de Arte e Artesanato da Semana Guiomar Novaes, foi-lhe prestada uma homenagem, assim como a Bruno Filizberti. Era detentor de vários prêmios, dos quais podemos destacar: 1951 – Menção Honrosa, Associação Paulista de Belas Artes - APBA; 1952 – Menção Honrosa, XVII Salão Paulista de Belas Artes; 1953 – Menção Honrosa, Salão de Belas Artes de Santo André/SP; 1953 – Grande Medalha de Prata, Galeria de Arte IV Centenário; 1957 – Grande Medalha de Prata, Salão Paulista de Belas Artes; 1958 – Prêmio Aquisição, Salão Paulista de Belas Artes; 1959 – Prêmio Aquisição, Salão Paulista de Belas Artes; 1960 - Prêmio Aquisição, Salão Paulista de Belas Artes; 1960 – Prêmio Aquisição, Salão de Piracicaba; 1960 – Prêmio Aquisição, Salão de Belas Artes de Santos; 1960 – Grande Medalha de Bronze, Associação Paulista de Belas Artes - APBA; 1960 – Grande Medalha de Bronze, Salão Nacional de Belas Artes; 1961 – Pequena Medalha de Prata, Associação Paulista de Belas Artes - APBA; 1961 – Grande Medalha de Prata, Salão Paulista de Belas Artes; 1962 – Pequena Medalha de Prata, Salão de Belas Artes de Catanduva/SP; 1963 – Grande Medalha de Prata, Associação Paulista de Belas Artes - APBA; 1963 – 2º Prêmio, Salão de Belas Artes de Piracicaba; 1964 – Prêmio Aquisição, Salão Paulista de Belas Artes; 1965 – Prêmio Michelangelo, Salão Paulista de Belas Artes; 1965 – Prêmio Aquisição, Salão Municipal de Belas Artes de Jaboticabal/SP; 1967 – Pequena Medalha de Ouro, Salão Paulista de Belas Artes; 1969 – 2º Prêmio Conselho Estadual de Cultura, Salão Paulista de Belas Artes; 1970 – 2º Prêmio Conselho Estadual de Cultura, Salão Paulista de Belas Artes; 1970 – Grande Medalha de Prata, Salão de Belas Artes de Jaboticabal/SP; 1971 – 2º Prêmio, Salão de Belas Artes de Piracicaba/SP; 1971 – Medalha de Bronze, Salão de Belas Artes de Itapetininga/SP; 1972 – 37º Salão Paulista de Belas Artes – Grande Medalha de Ouro; 1974 – Prêmio Prefeitura de São Paulo no Salão Paulista de Belas Artes; 1976 – Prêmio Banco Boa Vista S/A, no Salão Paulista de Belas Artes; 1977 – Medalha de Honra no Salão Paulista de Belas Artes e 1978 – Prêmio Governador do Estado, no Salão Paulista de Belas Artes.

Tacho de Cobre e Uvas - Obra de Ettore Federighi - 1974 - Acervo da Família Andrade

257


CONSIDERAÇÕES A SEREM FEITAS A finalidade desses dois capítulos foi dar destaque ao rico universo da pintura em nossa cidade, onde, nas décadas percorridas, sempre houve artistas: uns despontando, outros em plena atividade, outros que partiram, mas deixaram o seu legado. Dos inúmeros citados, muitos foram luzes que brilharam, mas, infelizmente, não deram sequência ao desenvolvimento de sua arte; outros, apesar da chama acesa, não a tiveram na intensidade de sua potência, de seu dom; alguns, no entanto, lutaram para continuar, apesar dos percalços, com a mesma intensidade, vida afora. Não importa qual seja o caminho percorrido, quais sejam as motivações e determinismos que levaram a este ou aquele trilhar. Mas todos, momentos houve, em que se dedicaram às “Belas Artes”, seja por um período mais curto ou mais longo, seja nesta ou naquela técnica, não importando o tema, nem a “escola”, nem o gênero. O importante, como diz a música, é que “emoções eu vivi” dando, assim, vida à sua Arte e a São João da Boa Vista! Motivos, pois, de orgulho! UM DETALHE QUE FARIA A DIFERENÇA Depois do levantamento histórico das Artes Plásticas em São João da Boa Vista, num recorte de mais de setenta anos de realizações, fica a pergunta: - Por que as políticas públicas não privilegiam e fomentam a continuidade desse movimento artístico e cultural numa cidade de grandes talentos e com vontade de realizar? A questão torna-se mais crucial diante do fato de que, através de iniciativas individuais são praticamente inviáveis realizações do porte dos Salões e das Bienais, tornando, pois, a estrutura pública imprescindível, assim como em muitas outras manifestações da arte e da cultura. É bom salientar também que, em todos esses eventos, tanto Salões, como Bienais, houve patrocinadores, que, com suas contribuições, ajudaram a minimizar os gastos públicos. A história de São João nas Artes Plásticas, não deve terminar...

Notas Referenciais OS ARTISTAS

1- Texto enviado pela artista. 2- Vieira, Clóvis, “O Município” 13/02/2010, p. 3. 3- Marcondes, Maria Célia de Campos. Catálogo “Grandes Valores” - AMARTE 29 de novembro de 1992. 4- Ferrante, Silvia. Jornal “Edição Extra” – Vida de Artista - 23 de janeiro de 2010 - p. 6A. 5- AMARTE - 29/11/1992. 6- José Marcondes. 7- Docema, Márcio Antônio. Padre João Clímaco Cabral. Gazeta de São João, 21/11/2009. p. 3. 8- Detalhes destes dois Salões encontram-se no capítulo “Coletivas em São João da Boa Vista”. 9- Marin, Ronaldo. Catálogo “Coletiva de Artistas Plásticos Sanjoanenses” -1991. 10- Carvalho, Narciso O. Jornal “O Município”, 8 de fevereiro de 1969. 11- Vide detalhes em “Exposições Coletivas em São João da Boa Vista”. 12- Texto de sua filha Andréia Mourão. 13- Catálogo “Artistas Plásticos Sanjoanenses – Uma Coletiva” 20 a 21 de junho de 1991. 14- Catálogo “Grandes Valores”, realização AMARTE -1992, não há o autor da frase. 15- Este texto é um resumo de Lorette, Antônio Carlos. Jornal “O Município”. Caderno “Vi...Vendo”, 25/01/1997, pp.1-5. As citações, entre aspas e em itálico, são cópias textuais do autor. 16- Catálogo “Grandes Valores” da AMARTE. 17- Catálogo “Coletiva de Artistas Sanjoanenses” -1991. 18- Aparecidinha -Maria Aparecida P. Mangeon Oliveira presidente AMARTE - Catálogo Grandes Valores – novembro de 1992. 19- Cury, José João. Catálogo: “Ciccillo – Romildo Paiva”. 1982. 20- Parte do texto enviado pelo artista, parte retirado de Ferrante, Silvia. Jornal “Edição Extra”, 29/08/2009. Talentos. p. 8. 21- Texto publicado na Revista da Pós Graduação do Instituto de Artes da Universidade de Campinas – Unicamp, in “Natureza Morta Com Espelhos”. Cadernos da Pós Graduação Ano 5, Volume 5. n. 2 – 2001, pp. 75-84. 22- Texto de sua filha Fafá Noronha. 23- Silvia Dau Pelloni de Souza marchand e crítica de arte. Catálogo “Grandes Valores” AMARTE, 1992. 24- Vieira, Clóvis. Jornal “O Município” 26 de agosto de 2009, p. 3. 258


25- Jornal “Edição Extra”, 27/02/2010, 2º Caderno. 26- Aparecidinha Mangeon Oliveira - presidente AMARTE - Catálogo “Grandes Valores”, 1992. 27- Texto enviado pelo artista Simphoroso Alonso. 28- Vieira, Clóvis. Suplemento do jornal “ A Gazeta de São João”. dezembro de 1992. 29- Catálogo “Grandes Valores” - AMARTE, 1992. 30- Vide biografia de Fernando Arrigucci, no capítulo: “Eram eles...” 31- Catálogo “Artistas Plásticos de São João da Boa Vista – Uma Coletiva” -20 a 31 de junho de 1991. 32- Paschoal, Antônio Dias. “São João da Minha Infância”, 2001. 33- Martins, Antônio Gomes. Almanaque 1901, p. 50. 34- Há um capítulo dedicado a Fernando Furlanetto. 35- Advogado de Poços de Caldas. “Um Flash de Bruno Filizberti” in “Poços de Caldas em Revista”, n. 15, ano 19, p.16, 1975. 36- Jurandir Ferreira foi membro efetivo da Academia de Letras de São João da Boa Vista. Dados extraídos de sua crônica “A pintura vigorosa e humana de Filizberti” publicada em 25/11/1959 no Jornal “Diário de São Paulo”. 37- Participaram dessa exposição: Aldo Stoppa, Antônio Carlos Viviane, Carmen Machado Lopes, Carlos Divino Teixeira, Dulce Helena Garcia, Edison Élio Barbosa, Edi Pereira Bonadero, Fernando José Davini, Eveline Silva Reis Pizzo, Geni Prado Brandão, João Batista Villa, João Batista Francisco, Ivan da Silva, José Marcondes, Lourdes Mourão, Mara Rubia Senna, Maria Antonieta Prézia, Marcos Antonio Mendonça, Marcos Elias Cantalício, Maria Aparecida Laier, Nacib Nacklé Cury, Orchidéa do Lago Pereira, Pedro dos Santos Silva, Roberto Ribeiro Aragon, Severo Augusto Luizi, Thaís Maria de Carvalho Bastos, Therezinha A. Peixoto Sikora, Valdir Felix Sabino, Vicpeller e Vilma de Conti Gilaverte. 38- Maria José de Souza - Tita, Comissão de Cultura do Chico Rei Clube. 39- Alguns dados foram extraídos do catálogo “43º Salão Paulista de Belas Artes”- novembro de 1979- Secretaria de Estado da Cultura.

Obra de Tabajara Arrigucci

Obra de João Fracari - Foto Fritz

259


O Pontilhão - Obra de Agnaldo Manocchio

“A Paixão é Humana” - Obra de Ãngela Bonfante Trabalho vencedor na VIII Bienal do Recôncavo - 2006 Prêmio “Viagem à Europa”

Natureza Morta - Fundo Amarelo - Obra de Ronaldo Noronha

260


Tronco - Obra de Norberto C. Vilella Vista da Serra da Paulista - Obra de Maria Zenaide Mazutti

Auto Retrato - Obra de Paulo Renan Mamede

Vitória Régia - Obra de Maércio Mazzi

261


Obra de Roberto Peres

Mรฃe Preta - Obra de Nรกdia Frigo

Festa no Beira-Rio/RS - Obra de Sadi Souza

262


Dona Helena Teixeira Amaral - Obra de Maria Luiza “Maisa” Barcellos do Amaral. 1966

Obra de Joaquim Mello

Labuta - Obra de Simphoroso Alonso - Escultura em massa sintética

263


UM POUCO DE HISTÓRIA A ARTE NO BRASIL - PRIMÓRDIOS A história da arte no Brasil está ligada à colonização portuguesa, responsável pelo surgimento de uma arte “culta”, branca, européia que segundo Gullar dificilmente brotaria da arte até então praticada pelos habitantes primitivos da terra, dando início assim, a uma outra cultura, a uma outra arte, que nada tem a ver com o universo cultural dos indígenas. No entanto, para os portugueses interessavam as conquistas econômicas e sua entrada na nova era de mercado; dessa maneira praticamente nenhuma atenção foi dada ao desenvolvimento artístico/cultural da nova terra. Assim, as primeiras construções, edificações significativas acontecem somente em meados do século XVI e as decorações dos interiores das igrejas só aparecem bem mais tarde. Seus autores são portugueses, que vão, aos poucos, transferindo conhecimentos para os filhos da terra, quase sempre mestiços, mas esse é um processo demorado e que só se definirá como fenômeno cultural mais amplo, no século XVIII, com a formação das ditas “escolas” baiana, fluminense e mineira de pintura. A arte desse período, de estilo barroco, é quase que exclusivamente religiosa e realizada sob encomenda, pelas diferentes ordens eclesiásticas. Como afirma Gullar: “o autor da encomenda não pedia uma Santa Ceia, uma Crucificação; na verdade indicava ao artista a gravura, que ele deveria copiar, ampliar e colorir”.

A ARTE NO SÉCULO XIX Essa realidade vai modificar-se no século XIX, com a chegada da corte portuguesa no Brasil, com a vinda da “Missão Artística Francesa” e a criação de uma “Academia de Belas Artes” que irão dar ao país o status, a condição de nova sede do reino, ou seja, tornar o país, também no campo das artes, mais civilizado, mais europeu. A “Missão Artística Francesa” tem uma importância muito grande na história da arte brasileira por se tratar de um grupo de artistas-professores, com títulos e renome conquistados em academias européias. No entanto, só em 1820 é criada a “Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura”, que começará a funcionar regularmente em 1828, com o nome de “Academia de Belas Artes”, introduzindo no Brasil a corrente neoclássica, que se manterá, como dogma até quase meados do século XX. Os princípios neoclássicos ganham expressão máxima na década de 1870 com Vitor Meirelles e Pedro Américo e essa visão é logo envolvida pelo “Romantismo”, que alimentado pelos temas do nacionalismo nativista, põe em voga os temas indígenas, ao lado de temas religiosos e históricos, esses estimulados pela onda de patriotismo causada pela Guerra do Paraguai. Segundo Gullar, ao “neoclassismo” e ao “romantismo” aliam-se as idéias decorrentes do realismo e das ciências positivas provocando como resultado um ecletismo, tanto no plano filosófico como estético, que a produção pictórica irá refletir muito bem. O grande representante dessa fase artística é Pedro Américo que com uma pintura essencialmente acadêmica absorve influências românticas e realistas, como se verifica em sua obra “Batalha do Avaí”. Nas últimas décadas do século XIX, o Impressionismo, em Paris, atinge a consagração, havendo um descompasso entre o que se produz no Brasil e as novas tendências européias. Enquanto Vítor Meirelles pinta a “Batalha de Guararapes”, em 1874, Cézanne pinta a “Casa dos Enforcados”. Esse descompasso, ainda segundo Gullar, não se deve ao desconhecimento do que acontecia na Europa, já que a maioria dos artistas completava seus estudos na França ou na Itália. Deve-se mais à formação que adquiriram na “Escola Imperial de Belas Artes”, do Rio de Janeiro, que os encaminhava para os meios artísticos acadêmicos e conservador europeu e, via de regra, passavam ao largo de todas as correntes renovadoras que lá ocorriam. Vai haver exceções, uma delas foi Cândido Portinari, que volta da Europa com uma linguagem pictórica moderna e se transformará num artista de grande expressão e atuação na pintura brasileira. Sua vasta produção o tornou tão conhecido a ponto de fazer dele o símbolo da Arte Moderna brasileira. Nas palavras de Mário de Andrade, Portinari é “o mais moderno dos antigos”.

QUEBRA DE PARADIGMA É bom ressaltar que, no início do século XX, grandes mudanças aconteciam na concepção artística européia. Os europeus não mais consideravam arte apenas o que a sua própria cultura estabelecia, haviam rompido os limites do que, até então, consideravam bom-gosto e harmonia em que a arte européia, desde o Renascimento, se mantinha.  Gullar, Ferreira e outros. 150 anos de pintura no Brasil -1820/1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. O texto serviu de base para a construção deste capítulo, além de Sampaio, Maria Lúcia P. História da Poesia Modernista no Brasil. São Paulo: João Scortecci, 1991.

264


Passa a haver uma valorização estética das máscaras, dos totens e esculturas dos povos da Oceania e da África. Essa nova tendência trazida para o Brasil será, para um segmento de artistas brasileiros, a descoberta de expressões não européias e se transformará em fonte da nova pintura brasileira, Deve-se ressaltar, ainda, que o centro da produção pictórica no Brasil eram, essencialmente, a Escola e o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e segundo Gullar: “ Eliseu Visconti apesar de pertencer a esta Escola foi quem mais aprofundou e fez a ponte entre a arte acadêmica, as inovações do final do século -Impressionismo, Simbolismo, Pontilhismo e Art Nouveau, e o modernismo brasileiro.”

MODERNISMO NO BRASIL Os estudiosos e críticos de arte tentam definir em que data, em que acontecimento, temos a presença efetiva do Modernismo no Brasil. Alguns consideram a exposição de Lasar Segall, em 1913, como ponto inicial, mas, para outros, é a mostra da paulista Anita Malfatti, em 1917, tanto pela sua repercussão, como pelo fato de ser uma artista nascida no Brasil. Foi ela a primeira artista brasileira a denunciar um atraso de quase meio século com relação às artes européia e norte-americana. Estudou na Alemanha e nos Estados Unidos, veio para cá impregnada de cor e luz e colocou em suas telas uma visão vibrante do mundo. Não se pode omitir, entretanto, que toda essa transformação, nas artes plásticas, não é isolada, pertence a um contexto histórico maior que vem desde o final do século XIX e irrompe na segunda década. Pode-se nomear a abolição da escravatura, a proclamação da república, as idéias positivistas, a emigração de colonos para a lavoura cafeeira, a política do café com leite, o coronelismo, a industrialização e urbanização incipientes, entre outros. Além disso, há um dado, que vai determinar a originalidade do modernismo brasileiro: foi ele a valorização do elemento nacional “não culto”, pois partindo da premissa, já citada acima, de que a própria Europa descobriu o valor artístico das expressões primitivas da Oceania e da África, os brasileiros fizeram o mesmo com suas “coisas”, já que eram possuidores de um farto material “nacional”. Passou-se, então, a ter como meta o retorno às raízes de nossa raça, tanto nos temas artísticos e culturais, como também de estudo acadêmico; isto através da valorização dos motivos indígenas, negros, folclóricos, caboclos, entre outros da terra. Não deixou de ser um grito de alerta contra a aculturação que, sistematicamente, vinha acontecendo desde o início de nossa história. É nesse burburinho de mudanças, de discussões, de surgimento de novas idéias, que também começaram a amadurecer, no Brasil, duas novas questões, que se tornarão cada vez mais candentes e objetivas. A primeira dizia respeito à construção de nossa identidade, pois o Brasil, até então, só sabia mirar-se no “espelho europeu” e tinha, assim, uma identidade negativa de si mesmo, ou seja, a identidade do “não-europeu”. A segunda questão foi a da modernização, pois ao se reconhecer um país atrasado, o Brasil se viu diante de um outro desafio, que, naquele momento, se confundia com a necessidade de se industrializar. Dessa maneira, perguntas importantes passaram a ser formuladas: Afinal de conta quem somos nós? Que povo constituímos? Que tipo de sociedade é a nossa? Qual é nosso destino? O Brasil poderá encontrar algum caminho próprio para o desenvolvimento? Tudo isso fez com que o Brasil assumisse, pela primeira vez, uma perspectiva histórica e adotasse uma nova agenda, tendo como grande objetivo a construção de sua identidade e de sua modernização. Se a efervescência artística, cultural, intelectual, acadêmica, nesse início de século XX, era muito grande, também a crítica negativa, dos segmentos conservadores, era enorme. No entanto, apesar dela, ou, talvez, até estimulada por ela, um grupo de artistas liderados por Mário e Oswald de Andrade começou a se unir e discutir o atraso do país em relação às artes. Desses encontros nasceu a “Proclamação Oficial” e, em fevereiro de 1922, tem-se, no Theatro Municipal de São Paulo a “Semana da Arte Moderna”, sem dúvida, a síntese, o símbolo dessa efervescência de idéias, dessa procura de identidade, de modernização, de completa rebeldia e ruptura com todos os padrões, até então vigentes. Vários segmentos da arte apresentaram-se na “Semana” e dentre os artistas plásticos tivemos: Anita Malfatti, Di Calvalcanti, Zina Aita, Vicente do Rego Monteiro, Yan de Almeida Prado, John Graz, Alberto Martins Ribeiro, Goeldi, Hildebrando Leão Veloso, entre outros. A artista plástica, que melhor representou e simbolizou esse período, para muitos estudiosos, foi Tarcila do Amaral. Já, Di Cavalcanti, para Gullar, foi o artista que lutou pelas raízes brasileiras, e, numa ótica, não realista, mas sensual, redescobriu o Brasil nos elementos mais típicos e populares da vida urbana: as mulatas, os negros, os sambistas e os pescadores.  O célebre Demoisellles d’ Avignon de Picasso, segundo Gullar, é uma mescla explosiva das banhistas de Cézanne.  Alguns dados, referentes ao Modernismo, foram retirados: Benjamin, César. Revista Caros Amigos, ano VI, nº 70, jan. 2003 e do Jornal “A Gazeta de São João” 22 de abril de 1994 “A aventura modernista”. Não consta autor.  Não se pode esquecer, que, na música apresentou-se na “Semana” a sanjoanense Guiomar Novaes e outra sanjoanense Patrícia Redher Galvão-Pagu, engajouse, também, ao Modernismo.

265


Como visto, os artistas dispunham no Brasil de farto material, de histórias, paisagens, lendas e delas se valerão os poetas, os músicos, os intelectuais e os pintores. Nos estudos acadêmicos teve-se, na Sociologia, Gilberto Freire com “Casa Grande e Senzala”, 1933; Caio Prado Júnior com “Evolução Política do Brasil”, 1933; na História, Sérgio Buarque de Holanda, com “Raízes do Brasil”, 1936. Estes três livros representam uma redescoberta do Brasil com premissas opostas dos pensadores da República Velha. Essa procura pelas “coisas” do Brasil chega até Antonio Cândido com “Parceiros do Rio Bonito”, a Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro, Milton Santos, Celso Furtado, entre outros. Na música teve-se Villa-Lobos com Trenzinho Caipira, Plantio de Caboclo, Festa no Sertão, Dança do Índio Branco, Impressões Seresteiras, Canto do Pajé; além de Hekel Tavares, Catulo da Paixão Cearense, entre outros. Na literatura Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Raul Bopp, Pagu, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Monteiro Lobato, e mais tarde, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e muitos outros. Neste movimento, com grande esforço, construiu-se, pela primeira vez, os elementos fundantes de uma identidade positiva, centrada essencialmente em nós mesmos, havendo, inclusive, um compromisso da arte com o social.

RUPTURAS No Rio de Janeiro, o Modernismo vai se consolidar a partir dos anos 30, quando Lúcio Costa foi nomeado diretor da “Escola Nacional de Belas Artes” e formou uma comissão, presidida por Manuel Bandeira, para organizar a “XXX Exposição de Belas Artes”, para a qual foram convidados, “hors-concours”, os mais conhecidos modernistas brasileiros. A reação não se fez esperar e os acadêmicos, na sua maioria professores da Escola Nacional de Belas Artes, se recusaram a participar do salão, que passará à história como o “Salão Revolucionário de 1931”. Essa iniciativa modernista, rechaçada, fez com que só em 1940, se criasse, no Salão Nacional, uma divisão moderna. No entanto, a conseqüência imediata do conflito entre conservadores e modernistas, após 1931, foi a formação, por esses, do “Núcleo Bernadelli”, de onde nomes importantes surgiram, como: Manuel Santiago, Ado Malagoli, José Pancetti entre outros. Ainda no Rio de Janeiro, na década de 1940, reuniram-se, num ambiente artístico modernista e muito concorrido, Arpad Szenes, Maria Helena Vieira da Silva, Scliar, Djanira, Dacosta e Maria Leontina. Já em São Paulo, na mesma época - décadas de 1930/40 -, os acadêmicos realizaram os Salões de Maio com traços de elitismo estético e social. Como uma reação a eles surge a “Família Artística Paulista” -1937 - preocupada, tal qual o Núcleo Bernadelli, do Rio de Janeiro, com a formação técnica de novos artistas. A “Família” incorpora, de certo modo, os pintores do Edifício Santa Helena, e expressa, até no plano social, uma identificação com a realidade urbana e suburbana de São Paulo. A “Família Artística Paulista”, ainda segundo Gullar, acaba do mesmo modo que o Núcleo Bernardelli, em 1940. É importante dizer que esses artistas da “Família” e “Grupo Santa Helena” conseguiram expressar, até no plano social, uma identificação com a realidade urbana e uma busca de substância própria para a linguagem atual da pintura. Esses propósitos encontram-se presentes nas obras de Alfredo Volpi, Rebolo Gonzáles, Aldo Bonadei e Mário Zanini, que abrem novos caminhos nas artes plásticas. Salienta-se, no entanto, que em 1943, no Rio de Janeiro, ocorreu um outro grande embate entre modernistas e acadêmicos, a partir da exposição, muito divulgada e aguardada de Lasar Segall no Museu Nacional de Belas Artes. Para a inauguração, vieram, de São Paulo, jornalistas, críticos e apreciadores de arte. Surgiu, no entanto, o boato de que a exposição seria depredada. Dessa maneira, um grupo de intelectuais organizou um comando para protegê-la; vários segmentos da sociedade se manifestaram, uns contra, outros a favor. A repercussão e as discussões sobre a Mostra duraram quase um ano, com a vitória da liberdade de pensamento. Somente em meados da década de 1940 que as conquistas fundamentais do modernismo realmente extrapolaram o eixo Rio-São Paulo. Isso aconteceu quando, em 1944, o jovem prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, patrocinou e realizou o projeto da “Pampulha” com arquitetura de Oscar Niemeyer, painéis de azulejo de Portinari, paisagismo de Burle Max e esculturas de Cheschiatti. A ruptura modernista, assim como a “busca” pelo nacional, continuou por algumas décadas e outros acontecimentos vão apressar o seu término. Podemos citar 1947, quando, já terminada a II Guerra Mundial, começou a reconstrução do convívio mundial e o movimento artístico renasceu e se expandiu nas mostras internacionais. O Brasil participou desse renascimento com a criação da “Bienal de São Paulo”, em 1951; com ela ganhou força a tendência de romper com a arte nascida com o Modernismo e que mantivera certos traços de caráter nacional. Os anos 50, entretanto, ainda assistirão ao surto das manifestações não figurativas e florescimento da arte abstrata. Os resquícios desses traços nacionalistas chegarão até meados da década de 1960, quando, praticamente, capitulou, pois a globalização e a influência cultural dos Estados Unidos ganharam enorme proeminência, principalmente a 266


partir do fim da Guerra Fria e da vitória do capitalismo, em nível mundial. Dessa maneira, os processos estruturantes de nossa cultura - industrialização, construção de identidade nacional, modernização - deram lugar a outros processos, claramente desestruturantes e, as últimas décadas do século XX, representaram uma ruptura com todas as ideias e processos expostos acima. A partir de então, no Brasil, como nos diz Gullar, no plano estético, a arte concreta, a neo-concreta e o informalismo vão colocar em discussão algumas questões fundamentais da arte contemporânea, com que até então, a arte brasileira não se confrontara. É dentro de um contexto maior que acontecem essas mudanças, que são o resultado, não só da hegemonia norte-americana e globalização, mas também do desenvolvimento de novos e revolucionários meios de transporte, de comunicação, e principalmente, da intensificação das novas tecnologias informacionais.

A ARTE NA ERA DIGITAL Hoje, na “Era Digital”  com a implantação do computador e da internet, que dão novos perfis às atuais sociedades, que oferecem pesquisas conjugadas nas áreas de Ciências e da Arte, que se realizam no espaço cibernético - ponto de encontro da imaginação com a realidade - oferecem possibilidades incalculáveis também à Arte. “Pinturas” são efetivadas através do computador e produzem imagens fascinantes, de formas irregulares, geradas a partir de um padrão infinito. A arte, dessa maneira, entra em novo, instigante, incalculável e imprevisível estágio. Como demonstrado neste pequeno histórico, têm-se, por um lado, a relatividade dos padrões ideológicos e estéticos e por outro, o condicionamento das artes em geral e das artes plásticas em particular, a fatores que extrapolam o meramente estético e mesmo local, situando-se no histórico, no econômico, no social, no político e até mesmo, no psicológico. É um emaranhado tão intrincado que, como diz Sangiorgi, o estudo do assunto conduz a uma investigação interdisciplinar.

 Sangiorgi, Osvaldo. Arte, Técnica e Ciência Criativa in Arte e Ciência - p. 81. Arte e Ciência.

267


Pão do Universo - Obra de José Marcondes

Centrífuga - Obra de José Marcondes

268

Arte e cultura parte 2  

Arte e Cultura em São João da Boa Vista. Livro da escritora Maria Célia de Campos Marcondes.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you