Page 1

-1-


-2-


-3-


-4-


-5-


-6-


“Dum Spiro, Spero”

Pretendendo, compartilharmos, também, no grande regozijo geral dos munícipes, pelo monumental cyclo de existência transposto pela nossa cara terra, a sacrosanta pátria em miniatura, resolvemos editar este número especial, formato de revista, para o público amigos e leitores em especial. Temíamos muito o mallogro de nossa idéia ante a barreira a transpor e da forte corrente incompatível de nossas ínfimas forças financiaes, mas o poeta suavisanos com o seu preceito philosophico: “De trabalho e de esforço se carece, bem raramente o capital fallece”. Conseguimos o ideal num grande esforço e o producto próprio do nosso pecúlio, mesmo que não contenha a preciosidade a belleza replandecente e agradável, merecerá ao menos a benção sacrosanta da “Alma Parens” e da graça de Deus, pois veio do trabalho honrado. Sim era o objectivo fazer uma obra de acentillação, substanciosa, um relicário repleto de magníficas quão foram jóias, como que transformada em sonho oriental, quando não se pode, o prudente é contentar-se com o remediável, e não fazer pavonadas estúpidas e ridículas, tão próprio desta época de modernismo, aos olhos do próximo. Nesta simples columnas, limitaremos somente a fazer a modesta apresentação do “O São João” o “mignons”; ora em formato de revista, em outra parte será delineado o pequeno histórico de nosso município; com íamos dizendo “O São João” não mais ou menos que um anno o meio de vida prospera e esperançoso, muito embora de feitio pequeno, vem se impondo no conceito publico. Nessa curta existência, já tem transposto caminhos cheios do cardos e escolhos com toda a galhardia de um infante enthusiasta: ora as voltas com adversidade, ora em lutas em prol da ordem, da justiça e da verdade. Anima-nos fazel-o, em breve tempo, um periódico de melhor forma e feição, a par de tantos outros collegas, distinguindo-o melhor perante o publico ledor. Hoje, o “O São João” com um facto singular, alegre e saltitante ombrenha por todos os

recantos da cidade e de outras bellas e distantes, proclamando a autonomia, os cem annos venturosos, da terra que lhe empresta o primeiro nome, o nome que tanto preza e ama. É destituído de todo e qualquer preconceito – doutrina rotineira – adaptarmos o methodo do que é o racional. A imprensa moderna tem sido o vehiculo do sicarismo jornalístico: `O insulto supremo é o do amor ao dinheiro: furto, roubo, venda da consciência. Sob a tenda do trabalho, no circulo da vida, é o operário honrado que labuta todos os dias de sol a sol e não algum Barba-roxa resuscitado. Aqui permanereceremos inconcusso, si não nos faltar o apoio publico. Todo esse esforço e trabalho é prazer para nós, queremos render a nossa pollida homenagem, o preito de gratidão, que o dever de cidadão, impõe a todas as personagens illustres de nossa terra, que material e intellectualmente trabalharam e trabalharam pelo seu progresso e engrandecimento. Aos collegas locaes “Cidade de São João” e “O Município”, e a todos quanto nos auxiliaram na confecção do presente trabalho os nossos nimios agradecimentos, pelas maneiras solicitas com que nos dispensaram. Cremos ter realizado o ideal tão desejado, resta-nos pedir, pelas falhas e senões que houver, ao tribunal da opinião publica a mais significativa attenuante no julgamento, pelo que hypothecamos aos nossos sentimentos de immorredoira gratidão. A DIREÇÃO

-7-

O QUE NÃO É BEM SABIDO - O theatro de opera, de Paris, custou quarenta milhões de francos (8.000,00 contos aproximadamente). - Há alguns insettos que passam vários annos em estado de larvas e de chrysalidas e quando chegam a insettos perfeitos so vivem algumas horas. - Na ilha de Ceylão os elephantes desempenham um papel importante nas solennidades religiosas, especialmente nas procissões. Cada templo tem, por isso, alguns deles no seu serviço, dos quaes se trata com singular esmero. Todos os dias os elephantes dos pagodes mais afamados, são levados ao banho que se ....... com vigilancia dum dos sacerdotes. - Java é a região do mundo onde há mais tormentas. Em cada ......... ............. ................. medio, noventa e sete dias tormentosos. - A força de um homem normal equivale a décima parte da força de dois cavallos. - Os templos do Thibet, ou Jong, como lhes chamam nesse paiz, são edifficios muito curiosos que tem mais de fortaleza que de recantos sagrados. (**)_


-8-


-9-


- 10 -


- 11 -


- 12 -


- 13 -


- 14 -


- 15 -


- 16 -


- 17 -


- 18 -


- 19 -


CENTENÁRIO de 1824 ** 1924 – SÃO JOÃO DA BOA VISTA A FELICIDADE DE SER FEIO (Para os feios, como esperança...)

O meu amigo Álvaro Cunha contou-me um episodio de sua vida. Eil-o, com suas próprias palavras: - Meu caro, eu sou um dos raros homens que não deploram a falta de belleza. Gosto de ser frio: não quero ser bello. Isto lhe parecerá um absurdo ou uma estupidez. Pois não o é: tenho motivos especiaes para alegrar-me da minha imperfeição, como você verá... Conheceu Lucia Prado? Foi uma das famosas bellezas da sua época. Linda, procurada, riquíssima, casou-se naturalmente com o rapaz mais perfeito que havia na cidade, o Paulo Lopes. Foram, ou pareciam ser felizes no primeiro anno de casamento: depois ficaram quase completamente separados. Todos na cidade sabiam que a culpa era della: o marido continuava adoral-a sempre, mas Lucia enjoara-se delle... Eu, naquella época como hoje, tinha a convicção absoluta da minha feiúra e não tentava siquer conquistar alguém. Era, para os que se divertiam um “Philosopho”. Philosopho o que! Como eu tinha inveja dos donruães! Porém tinha vergonha de mostrar-me no salão... Não sei como fui aparecer naquella reunião em que conheci Lucia. Em sua frente fiquei frioe abaixei a cabeça querendo esconder-me... Eu parecia mais feio que nunca perto della. Não há nada como o contraste, meu caro! Fugia della quando a via. Não que a amasse: mas não sei porque, não gostava que ella me visse. Pois um dia ella veio procurarme em minha casa. Como eu ficasse espantado, explicou-me: “quero saber porque foge de mim... que lhe fiz eu? Tenho culpa de...” E rompeu em soluços. Eu boquiaberto, disse-lhe que era sem maldade que a evitava... Timidez... Como é fácil a gente amar uma mulher bonita! Em pouco tempo meu coração transbordava de amor por Lucia. Não tinha coragem de declarar-me, apezar de lembrar-me continuamente

SÃO JOÃO DA BOA VISTA Não nasci nesta terra. No entretanto, Aqui tenho, plantado, o coração. Vejo em tudo um sorriso, tudo é encanto, É fulgor, é belleza, é perfeição. E sinto dentro em mim que este recanto É a fonte ideal de minha inspiração; Por elle, em pobres versos, choro e canto, Por elle... este belíssimo São João! -Solo bemdicto! Eu venho neste dia, coração enrolado na alegria, trazer-te o lado dos applausos meus. Festejas teu primeiro Centenário, Grandioso, altivo, rico, extraordinário, Subindo sempre pelas mãos de Deus.

Geraldo de Ramires São João, 24 – JUNHO - 1924

daquella phrase entrecortada pelos soluços... São tão incomprehensiveis, as senhoras mulheres! Quem sabe não seria uma “Blague” daquella deusa? Demais, eu não podia crer na felicidade de ser amado: o espelho tirava-me todas as probalidades... Ella porem advinhou o meu amor, apezar de eu encobril-o o mais possível. A mulher percebe sempre quando é amada. Note bem: sempre! Uma tarde em que eu forjava mil soffrimentos Moraes – em falta de soffrimentos physicos com que encher o tempo – ella apareceu em minha casa. Não me espantei. Tive como que um clarão nas trevas da minha deffesa. Ella entrou no meu escriptorio como si fosse minha intima, calmamente, quase ingenuamente. E ficamos amantes - e felicíssimos! E eu jamais lembrei-me que era feio, feissimo... A belleza de ser relativissima. Há cães que são lindos quando estão na minha... Um dia, entanto, minha felicidade foi quase destruída juntamente com minha vida. O Paulo Lopes soube, naturalmente por carta anonyma, que o amante da mulher morava na rua tal. Numero tal. Veio disposto a matal-o. Porem, ao ver-me, disse aliviado: Desculpe-me, mentiramme, minha mulher tem um gosto apurado. Nunca acreditarei que ella seja sua amante! E não acreditou mesmo. Até o anno passado continuei a ser amante de Lucia, com uma felicidade sempre: egual e perfeita... Ella morreu no anno passado... E o meu amigo Álvaro Cunha soltou, do seu charuto fino, uma tragada saudosa.

J. J. O. N São João, 1924

- 20 -


- 21 -


- 22 -


- 23 -


- 24 -


- 25 -


- 26 -


- 27 -


- 28 -


- 29 -


- 30 -


- 31 -


- 32 -


- 33 -


- 34 -


- 35 -


- 36 -


- 37 -


- 38 -


- 39 -


- 40 -


- 41 -


- 42 -


- 43 -


- 44 -


- 45 -


- 46 -


- 47 -


- 48 -


- 49 -


- 50 -


- 51 -


- 52 -


- 53 -

Almanaque 1924  

História do centenário de São João da Boa Vista - SP

Almanaque 1924  

História do centenário de São João da Boa Vista - SP

Advertisement