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Número 1 Março 2011 Edição: Grafismo - Marcos Grazina; Texto - Carlotta Gradissimo, João Nicolau;

E-mail: nesist@gmail.com ; Site: www.nesist.pt.to

24 de Março - Dia do ESTUDANTE Antes de mais, porquê o dia 24 de Março para comemorar o dia do estudante? Tal facto deve-se a um periodo conturbado do mundo académico que remonta à década de 60, altura em que Portugal era governado com mão de ferro pelo regime de Salazar. Por ocasião da comemoração da “Tomada da Bastilha” no ano de 1961 (festejo a nível nacional mas com maior expressão na cidade de Coimbra) as palavras de ordem surgiram contra a Guerra Colonial e um animado cortejo saiu pelas ruas de Coimbra. Infelizmente tais protestos foram brutalmente interrompidos pela polícia que prendeu vários estudantes universitários. Como seria de esperar, tal atitude por parte das autoridades indignou toda a comunidade estudantil, instalando-se um clima de tensão inclusivamente na comunidade estudantil do Porto e de Lisboa. Foi assim, neste clima de tensão, que mesmo proibido pelo governo se realizou em Coimbra o primeiro Encontro Nacional de Estudantes, resultando na instauração de processos disciplinares e a correspondente suspensão dos membros da direcção da Associação Académica de Coimbra. Também em Lisboa os estudantes universitários se mostravam indignados com a falta de democracia e liberdade de expressão e como tal foi marcado para o dia

24 de Março de 1962 a comemoração do Dia do Estudante, a qual resultou na invasão da Cidade Universitária por parte da polícia de choque (desrespeitando a autonomia da universidade) e centenas de alunos foram espancados e presos, aumentando a revolta dos alunos que de imediato decretaram o luto académico e a greve às aulas. Os confrontos quer verbais, quer fisicos com a polícia continuaram durante vários meses e cada vez mais intensos e« com maiores represálias, tal luta tornava-se assim insustentável para os alunos pelo que no dia 14 de Junho alunos de todo o país reúniram-se no Instituto Superior Técnico onde foi aprovado o enquadramento na luta pela autonomia universitária e também pela autonomia das associações de estudantes (até então estava prevista a participação de um “delegado permanente do director da escola” em todas actividades das associações de estudantes!). Só muitos anos depois, em 1987, a Assembleia da Republica fixa o dia 24 de Março como Dia do Estudante. Analisando a geração dos dias de hoje, no qual os autores e os leitores deste jornal se inserem, podemos verificar que o coeficiente de correlação em relação à situação geração de 60 aproxima-se drasticamente de zero. Devemos portanto agradecer às gerações

passadas, em especial às gerações de jovens que durante o Estado Novo lutaram pela liberdade e pela democracia e que arriscaram e sofreram na pele a tortura, o desterro, a inserção de forma compulsiva nas fileiras do exército e todas outras brutalidades que conhecemos e que desta forma alteraram o curso da história de Portugal, dando-nos, a nós jovens e estudantes de hoje, a oportunidade de vivermos num país onde há liberdade de expressão, onde há uma democracia consolidada onde há efectivamente qualidade de vida. Em 1962 lutavase não só pela liberdade de expressão como também pela autonomia quer das instituições de ensino superior público quer das respectivas associações de estudantes, podendose agradecer também a essa geração tal facto. Feito o reconhecimento ao esforço das gerações passadas, e garantidos os direitos fundamentais que

vieram com a democracia, não se pode deixar de referir que existem hoje em dia problemas muito graves na sociedade e em particular no ensino superior, por exemplo a acção social, a precariedade laboral dos recém licenciados e a empregabilidade. O neoliberalismo e o capitalismo selvagem que a sociedade globalizada nos impõe, devefazer-nos valorizar cada vez mais os valores da República e dar especial atenção à IGUALDADE, igualdade em tudo aqui-

lo que fazemos e em tudo aquilo que o estado possa intervir. É dessa forma que nós enquanto jovens herdeiros da geração de 60 temos a responsabilidade de lutar para que efectivamente os valores da República estejam presentes no nosso dia-a-dia e na gestão d’A Coisa Pública. E portanto aqui fica o apelo. Jovem, colega, estudante, cumpre a responsabilidade que herdaste e participa activamente na sociedade, sê um Cidadão Activo!

Notícia Conselho de Ministros aprovou Decreto-Lei que proíbe estágios não remunerados No dia 3 de Março de 2011 o Conselho de Ministro aprovou o Decreto-Lei que define os termos e condições da realização de estágos profissionais, eliminando os estágios profissionais não remunerados. Medida que faz parte integrante do programa

do Governo e que é vital para o combate à precariedade laboral entre os jovens, correspondendo a uma aspiração de longa data da JS.

ESTADO DA COMIDA podre

Passos Coelho: PEC IV é um “típico pedido de ajuda externa”

corriqueiro

Finanças terão de pagar mais de oito milhões pela criação do concelho da Trofa

impecável Impecável

Défice do Estado Diminui 841M€, em termos homólogos


Cantina do SocialIST

Número 1

Março de 2011

Orçamento Participativo 2011 Tu estudas em Lisboa, Tu tens uma palavra a dizer! Desde 1 de Março até o dia 30 de Abril realiza-se por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, a 3ª edição do Orçamento Participativo 2011, que desta forma, conta este ano com um prazo mais alargado de submissão. Apresentada pela vereadora responsável pela Modernização Administrativa Graça Fonseca, esta iniciativa pretende constituir um exercício de cidadania e activismo por parte dos cidadãos que assim possuem a oportunidade de

Núcleo de Estudantes Socialistas Instituto Superior Técnico

propor e escolher directamente cada cidadão pode apresentar quais as acções e projectos que uma proposta, cujo orçamento pretendem ver concretizados. não deve exceder 1 milhão de Desta forma, é possível a obten- euros de orçamento. Na fase ção e implementação de inicia- seguinte em Setembro, após tivas que correspondam às reais análise à legitimidade e viaexpectativas e necessidades dos bilidade, as várias propostas são habitantes. Os traços inova- adaptadas e votadas online. As dores deste projecto permitiram propostas que reunirem mais a obtenção do reconhecimento votos serão aprovadas e insedo mesmo como “1000 participantes no 1º ano, uma boa prática de governação cerca de 11500 no ano de 2010” urbana pela UNHabitat. Mais especificamente ridas na proposta no Plano de

Palavras Cruzadas

actividades Municipal e anunciadas em Outubro. O valor total atingível é de 5 milhões de euros, ou seja 5% do orçamento para investimento previsto. Tendo arrancado em 2008, esta iniciativa tem ganho cada vez mais adeptos passando de cerca de 1000 participantes activos nesse primeiro ano, para cerca de 11500 no ano de 2010. Para te informares mais sobre este assunto e eventualmente participares, acede ao portal http:// www.cm-lisboa.pt/op/

Personalidade do mês Aminetu Haidar

1 – Homem da Luta 2- mamífero paquiderme que voa 3- comboio de alta velocidade segundo Manuela Ferreira Leite 4- limite (1+1/n)^n) 5- banco mais seguro de Portugal 6- felídeo mal-cheiroso 7- meio de transporte favorito de Paulo Portas 8- antónimo de primitiva 9- Shopping preferido do primo do Kung-fu 10- próximo clube lisboeta a vencer o campeonato de fútebol 11- bolo preferido do Presidente da República 12- Plano de Estabilidade e Crescimento 13- Alcochete... 14- fruto silvestre para ires ao facebook 15- queijo com mais poder no parlamento português 16- “Pior do que está não fica” 17- Filósofo grego interveniente nos diálogos de Platão 18- Geração… 19- entidade atormentada pelas Torres do IST

Aminetu Haidar nasceu a 24 de Julho de 1966. Activista no âmbito dos direitos humanos e pela independência da República Árabe Saaráui Democrática, governada por Marrocos. Por esta posição foi por diversas ocasiões perseguida e apreendida pelas autoridades marroquinas, sendo sujeita a pesadas represálias. Por pressão internacional foi libertada em 2006 mas sujeita a expatriação do Saara devido à sua influência, actuando como embaixadora do seu Estado no estrangeiro. Na luta pelos seus direitos submeteu-se a greve de fome para apelar à intervenção. Entre outros destaca-se o prémio “Robert F. Kennedy para os Direitos Humanos” pela coragem a defender os mesmos e o referendo para o seu povo.

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