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Agradecimentos 7 Apresentação 9 Prefácio 11 1 Chamado, aventura e pé-na-estrada 13 2 Espectadores sim, mas não somente isso! 19 3 O impacto da beleza 23 4 A alma do negócio 31 5 Alguns “Davis” que encontrei no caminho 37 6 Sacrifício aceitável nos custa 41 7 O Livro poderá ser tirado de nós 45 8 Para a direção que você apontar nós iremos! 49 9 Quando a nossa oração se seca... 53 10 Incontida alegria 57 11 Com quem o Pai quer trabalhar 63 12 A nossa missão 71 13 “Sede certinhos porque eu sou chato”? 77 14 Discípulos todo o tempo 83 15 Idolatria versus missão 87 16 Como anunciar a verdade sem poder falar abertamente sobre ela? 91 17 Um Ano Novo diferente do nosso 97 Escuta Missionária (China 2016) 101 CONECTAR 104


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artas do Campo é um presente especial de Lian Godoi para a igreja, especialmente para os jovens e todos os que querem servir ao Senhor com fidelidade, no campo missionário distante ou aqui dentro do nosso bairro. Começando com a sua própria chamada, Lian nos desafia com experiências pessoais, textos bíblicos, missões na história, citações de outros e, no final de cada capítulo, com umas perguntas para reflexão. A leitura é dinâmica, interessante e envolvente, com cenários curtos e contundentes que abrem umas janelas para a vida de Lian e a de alguns outros na China. Destas cartas podemos tirar muitas lições profundas sobre missiologia, vida e trabalho do missionário. Chamam-nos a sermos fiéis ao Senhor, sejam quais forem os perigos, dificuldades ou barreiras. Cada capítulo inclui uma história que representa desafios e vitórias de Deus na China. Essas cenas oferecem lições preciosas, não apenas para o missionário, mas para todos os cristãos de verdade. Quais devem ser nossas atitudes diante de perdas, diante de oportunidades de testemunho, diante de complicações da vida? Lian trata muitos tipos de situação com aplicações bíblicas e práticas.


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Em especial, quem tem chamada para missões ou é membro de uma igreja missionária, pode aprender estratégias de identificação, contextualização, evangelismo e plantio de igrejas. As pessoas do mundo precisam conhecer o amor de Deus no Evangelho, conhecer a Bíblia e viver para a glória de Deus, de modo que nós precisamos alcançá-las com sabedoria, amor, compaixão e compromisso. Um exemplo disso é o capítulo 5, onde temos a descrição de um trabalhador local que alcançava pessoas carregando sacos de arroz e plantando batatas, junto com elas, vivendo como o povo local. Ele dizia aos seus discípulos: “Precisamos ser como o rio, sempre prontos a nos adaptar aos diferentes solos para testemunharmos com relevância o amor do Pai” (p. 39). Uma carta impressionante é a que constitui o capítulo 6, com a descrição do envio de missionários lisu – um povo pobre, perseguido, que aprendera a importância de missões com quem os alcançou há 100 anos: James Fraser. Enviam 40 missionários no cenário descrito na carta. Estes missionários lisu vão atravessar montanhas, rios, sentir frio, ficar sem muita comida e ficar longe das suas famílias, por amor ao Senhor e obediência à Grande Comissão. Graças a Deus pelo seu exemplo! Nos outros capítulos, há estatísticas sobre a China, exemplos de entrega de Bíblias e de liderança na formação de uma nova agência missionária, além de outras vitórias marcantes. Também há descrições de dificuldades porque algumas igrejas enviadoras não entendem a tarefa missionária nem dão o devido suporte. Recomendo a leitura deste livro e faço uso dele em sala de aula, na Escola Bíblica Dominical, nas pregações, nos cultos domésticos e na vida pessoal de oração na presença de Deus. Obrigada, Lian, por ter-nos dado um instrumento muito útil de desafio e crescimento! Barbara H. Burns

Missionária no Brasil desde 1969, Barbara tem trabalhado quase todo esse tempo no ensino de missões. É autora do livro Contextualização Missionária, uma de suas principais disciplinas acadêmicas. Possui Doutorado em Missiologia pelo Trinity Evangelical Divinity School, em Chicago, Illinois (EUA).


Foto: BCI


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Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta. Tereza de Ávila

or cima das montanhas tibetanas, o Sol encerrava o dia espalhando seus raios com toda a liberdade, penetrando todos os lugares, fossem eles dos nômades ou das cidades. Lembrei-me que somos a luz do mundo e que temos liberdade para brilhar onde quisermos. Basta termos coragem e sabedoria para saber como. O que não se diz pode ser mais importante do que aquilo que se diz

Estávamos há alguns dias viajando pelas montanhas da região tibetana dentro das províncias de Sichuan e Yunnan (China). Já nos havíamos encontrado com alguns irmãos e irmãs que têm corajosamente trabalhado numa das áreas mais hostis ao Evangelho neste país. Naquele dia estávamos dedicando tempo a um casal de missionários muito querido,


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Graça e Oliveira.1 Eles estão na região há anos realizando projetos de desenvolvimento comunitário, como, por exemplo, cuidado com leprosos, centro de reabilitação e casa de passagem para pessoas em tratamento. Estávamos naquele momento, na cozinha da casa deles, que era o primeiro ambiente ao entrarmos na casa. Era uma cozinha grande e claramente preparada para receber mais de uma dezena de pessoas por vez. Desde o começo da conversa, percebemos que eles estavam tensos e com muita coisa engasgada, prontos para desabafar. Na conversa fomos percebendo que a situação não era causada tanto pelas dificuldades ou pela dureza do trabalho e, sim, muito mais pelas expectativas e cobranças lançadas por outros que queriam que eles fizessem o trabalho deste ou daquele jeito. Mas uma coisa era certa: naquele momento, a presença do Pai era bastante perceptível ali. Passar pelo vale nervoso das dificuldades dos outros com a certeza da presença do Pai renova em nós a esperança de cura e restauração que está sempre à nossa disposição. “Onde estão os líderes treinados e mentoreados por vocês?” “Cadê a igreja plantada?” “Como vocês têm liderado os locais?” Perguntas desse tipo eram feitas constantemente por pessoas que passavam por ali ou que, à distância, faziam contato. Isso produzia neles um peso desnecessário ante a necessidade de, vez após vez, explicar novamente o contexto de falta de liberdade em que viviam. Nestes contextos o que não se diz é sempre mais importante do que aquilo que se diz, especialmente quando estamos referindo-nos à construção de relacionamentos. O tempo é sempre longo; portanto, a paciência não é somente uma virtude, mas uma necessidade essencial. 1  Nomes fictícios.


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A paciência necessária O casal contou-me que, quando se mudaram para aquele lugar, a Graça começou a dar aulas de inglês na escola local e, durante oito anos, fez isso sem nunca falar uma palavra acerca do Evangelho no ambiente escolar, exceto nas semanas de Natal, quando a escola pedia que ela explicasse esta tradição ocidental. Anos depois se fechou a oportunidade para estrangeiros trabalharem como professores, mas algo importantíssimo resultou desse tempo. Vários de seus ex-alunos agora assumiam posições estratégicas no governo da cidade e da região e sabiam que ela, embora fosse cristã e testemunhasse disso claramente, não usava a profissão como desculpa para ganhar outros para sua “religião”, mas realizava, com muita seriedade e profissionalismo, tudo o que estava em suas mãos. Por essa razão, eles deram ao casal todas as autorizações tão difíceis de conseguir para o início dos trabalhos comunitários na região e o visto para ficar no lugar por um longo tempo. A pressa os teria feito fracassar e ser expulsos, mas a paciência os fez conquistar a simpatia de todos, e alguns tantos vieram para o Mestre. A cozinha se transformou em templo Depois de quase duas horas contando-nos as bonitezas que o Pai tem feito no meio deles, ela olhou para trás e esticou a mão para pegar uma foto do casal junto com um grupo de nacionais. A foto era muito reveladora. Todos estavam rindo e abraçados como uma grande família. Então ela me sugeriu que olhasse atrás da foto. Havia nela uma dedicatória bem comprida escrita pelos moradores locais, a qual eu memorizei em parte: “Quando eu


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estava com fome, vocês me deram de comer; quando estava com sede, vocês me deram de beber; quando eu estava sem roupa, vocês me deram roupas; quando eu estava doente, vocês me trataram e me curaram; quando eu estava perdido, vocês me mostraram o Caminho; quando eu estava sozinho e precisando de um amigo, vocês abriram a porta de sua cozinha e nunca mais a fecharam para nós, nossa família e nossos amigos”. A cozinha se transformou em templo onde a presença de Deus invadia os corações e mentes daquelas pessoas e os abraçava em suas necessidades. E certamente houve festa na cozinha e no Céu.

Você é somente uma gota neste lago cristalino do meu Reino Com um copo de café cheiroso em minhas mãos, perguntei como eles trabalharam todas aquelas expectativas vindas de fora e de dentro. Estava mais interessado em saber que expectativas eles alimentaram em seus corações e como lidaram com a demora em ver as coisas acontecer. Graça, então, nos contou que o Pai havia trabalhado essas expectativas e ansiedades antes de ela e o esposo chegarem à China. Eles, quando ainda estavam em seu país, foram visitar uma gruta muita bonita, onde havia um lindo lago iluminado em parte pela luz que vinha de fora e, ao mesmo tempo, cheio de sombras e cores que vinham de dentro da gruta. Graça parou diante desse pequeno lago e viu bem no meio dele uma gota que, vagarosamente, caía de uma daquelas pedras pontiagudas penduradas no teto, uma estalactite. Uma a uma as gotas iam provendo a água que embelezava o ambiente. Deus lhe disse: “Você é somente uma gota neste lago cristalino do meu Reino”. Ela concluiu: “Quando me sinto pequena, me lembro de que sou parte de uma bela obra de arte. Quando me sinto grande


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demais, me lembro de que sou somente uma pequena parte desta construção do Reino”. Como anunciar a verdade sem poder falar abertamente?

Somos a luz do mundo e temos liberdade para brilhar onde quisermos, mas nossa coragem precisa ser revestida de sabedoria. O que fazemos será visto por todos e explicará quem somos mesmo antes de abrirmos a boca. A paciência que constrói o que é duradouro não somente nos fará esperar os melhores resultados, mas conquistará muitos e, destes, alguns tantos virão para o Pai. Esses que hão de vir precisarão que nossa casa, nossa cozinha, nossa vida familiar se tornem o lugar onde Deus é mais presente e nos encontra em nossas necessidades. Em todo este processo, somos apenas uma pequena gota que faz parte de uma obra de arte do Pai. E, finalmente, o foco precisa estar sempre lá, onde existe a expectativa de festa, aqui e no Céu. ƒƒ Existe alguém que você evangeliza ou por quem ora há anos? Talvez haja uma família missionária que você apoia. O que a paciência lhe ensina sobre sua missão a essas pessoas? ƒƒ Você viveu ou trabalhou em um ambiente hostil ao Evangelho? Depois da leitura deste texto, o que acrescentou em sua percepção sobre o modo de partilhar a mensagem cristã em tais ambientes? ƒƒ Que lugar a construção de relacionamentos profundos tem ocupado em sua prática de testemunhar o Evangelho a outras pessoas? Que fazer para implementar em sua vida esse tipo de ação evangelística? Que tal convidar pessoas para virem à sua casa participar em uma refeição com você e sua família? Isto seria um bom começo. Lembre-se da cozinha que se tornou lugar de adoração!

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Cartas do campo: Conversas sobre a prática missionária  

Betel Brasileiro Pulicações Fomato: 14x21cm Páginas: 108 Autor: Lian Godoi www.betelpublicacoes.com.br

Cartas do campo: Conversas sobre a prática missionária  

Betel Brasileiro Pulicações Fomato: 14x21cm Páginas: 108 Autor: Lian Godoi www.betelpublicacoes.com.br

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