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Ano 8 - N0 63 - Julho/Agosto 2014

SUANDO FRIO

Exemplar de ASSINANTE Venda Proibida

R$ 16,00

PรG. 10

Almirante Ibsen Exemplo de conservacionista

Desespero no gelo Aquecimento global

Meio Ambiente Sumiรงo das abelhas


CONFERÊNCIA

360

UMA CONFERÊNCIA COMO VOCÊ NUNCA VIU” Simultaneidade e interação com formatos originais e temas de alto impacto. Acesso a novos mercados, tendências da inovação, futuro da liderança e do consumo, estratégia e modelagem de novos negócios, entre muitos outros, tratados por grandes nomes nacionais e internacionais.

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Proteção e respeito a todos os animais 6

Neo Mondo - Julho 2008

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50 ANOS

A ÁRVORE LEVOU 50 ANOS PARA CRESCER. O HOMEM SÓ PRECISA DE 10 SEGUNDOS PARA DERRUBAR.

A NATUREZA JÁ COMEÇOU EM DESVANTAGEM. PRESERVE E AJUDE A EQUILIBRAR ESSE CENÁRIO. 5 DE JUNHO. DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE.

Imagem cedida pelo Grupo Keystone.

10 SEGUNDOS


Seções

EDITORIAL

ÍNDICE

PÁG. 10

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Perfil Ibsen de Gusmão Câmara Uma vida dedicada à natureza,

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Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br

Aquecimento global Desespero no gelo Onda de calor? Culpa do aquecimento global.

Meio ambiente Cadê as abelhas? No mundo inteiro há casos de desaparecimento das abelhas.

NEO MONDO, tudo por uma vida melhor!

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Água Brasil cuida da sua maior riqueza subterrânea Aqüífero Guarani exige cuidados ambientais e legislação própria para a preservação e bom uso de sua área.

Perdas inestimáveis marcaram os últimos meses: o ator Robin Williams, o empresário Antônio Ermínio de Morais, os escritores Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro, o humorista Fausto Fanti, o candidato Eduardo Campos. E também um dos brasileiros que mais lutou pela defesa do patrimônio natural do Brasil, o Almirante Ibsen. Nesta edição, por meio de um artigo de autoria da diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Malu Nunes, prestamos uma homenagem especial ao “exemplo perfeito de conservacionista, conselheiro e ser humano”. O aquecimento global é o tema especial desta edição. Segundo dados do Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Dezessete anos depois do Protocolo de Kyoto, os 162 países signatários pouco avançaram na questão climática. Nossa matéria especial traz um panorama do tema e continua inovando ao aliar sustentabilidade e tecnologia, por meio de mais um aplicativo de Realidade Aumentada, que oferece mais informações sobre a questão de forma surpreendente e inovadora.

EXPEDIENTE

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Publisher: Oscar Lopes Luiz

Diretora de Relações Internacionais: Marina Stocco

Diretora de Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794)

Diretora de Educação - Luciana Mergulhão (mestre em educação)

Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Eleni Lopes, Marcio Thamos, Dr. Marcos Lúcio Barreto, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Rafael Pimentel Lopes, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Natascha Trennepohl, Rosane Magaly Martins, Pedro Henrique Passos

Diretor de Tecnologia - Roberto Areias de Carvalho Correspondência: Instituto NEO MONDO Rua Ministro Américo Marco Antônio n0 204, Sumarezinho - São Paulo - SP - CEP 05442-040

Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794), Andreza Taglietti (MTB 29.146), Lilian Mallagoli Revisão: Instituto NEO MONDO

Para falar com a NEO MONDO: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br

Direção de Arte: LabCom Comunicação Total Projeto Gráfico: LabCom Comunicação Total

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Diretora Jurídica - Enely Verônica Martins (OAB 151.575)

Presidente do Instituto NEO MONDO: oscar@neomondo.org.br

PUBLICAÇÃO A Revista NEO MONDO é uma publicação do Instituto NEO MONDO, CNPJ 08.806.545/0001-00, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça - processo MJ n0 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 70.000 exemplares distribuídos por mailing VIP e assinaturas em todo o território nacional. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização. 10

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Perfil

UMA VIDA DEDICADA À NATUREZA Ibsen de Gusmão Câmara faleceu em 31 de julho, com 90 anos. Vale a pena relembrar a sua história de vida, que é uma surpreendente combinação de militar, cientista e conservacionista Por Malu Nunes

Ibsen de Gusmão Câmara, um dos brasileiros que mais lutou pela defesa do patrimônio natural do Brasil, faleceu na madrugada de 31 de julho de 2014, em um hospital da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Tinha 90 anos e era carinhosamente conhecido como Almirante Ibsen. Ele foi um exemplo perfeito de conservacionista, conselheiro e ser humano, algo próximo e, ao mesmo tempo, inatingível para os reles mortais. Como membro do Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza desde 1990, sempre foi o pilar direcionador e inspirador de todos nós, assim como nos demais conselhos onde eu tive a honra de ser sua colega. Nos 24 anos que convivi com o Almirante Ibsen, estivesse onde estivesse, era impressionante o respeito que todos – inclusive aqueles que não concordavam com suas ideias e defesas – tinham por sua trajetória, conhecimento e consistência de posicionamentos. Não tenho palavras suficientes para lamentar a ausência do querido Almirante Ibsen. Por outro lado, tenho

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na ponta da língua o discurso para enaltecer as suas conquistas. Vale a pena relembrar a sua história de vida, que é uma surpreendente combinação de militar, cientista e conservacionista. Nascido na capital fluminense, em 19 de dezembro de 1923, aos 17 anos ingressou na Marinha de Guerra e nela permaneceu por 40 anos, atingindo o posto de vice-almirante e se tornando doutor em Ciências Navais. Como militar da Marinha, o Almirante Ibsen comandou, de 1967 a 1969, uma flotilha de navios no rio Amazonas e realizou patrulhas ao longo de todo o rio e pelos seus afluentes. Na Amazônia, o então jovem oficial se deparou com um avançado nível de desmatamento nas áreas por onde navegou. Desde então, passou a manter contato com organizações conservacionistas.

Proteção da biodiversidade terrestre e marinha

Ao longo da década de 1970, a partir de cargos importantes que ocupou em Brasília (DF), começou a trabalhar de dentro do governo militar a favor do meio ambiente, cumprindo papel indispensável como articulador político. Por exemplo, integrou o Conselho Consultivo de Meio Ambiente, do Ministério do Interior, desde sua criação em 1973 até sua desativação anos depois. Também participou do Conselho de Valorização de Parques, órgão do antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), e depois do Conselho Nacional de Unidades de Conservação, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos

Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Esses conselhos assessoravam a execução da política de criação, valorização e utilização das unidades de conservação no Brasil. Como resultado de sua atuação política, foi o elemento-chave para propor, desenhar e obter a decisão política do estabelecimento de áreas protegidas marinhas brasileiras, como os parques nacionais marinhos de Abrolhos e Fernando de Noronha e a Reserva Biológica do Atol das Rocas. Criada em 1979, Atol das Rocas foi a primeira área protegida marinha do Brasil e foi por ele delimitada. Ele também contribuiu no estabelecimento de áreas protegidas terrestres, como a Reserva Biológica do Rio Trombetas, essencial para a conservação das tartarugas de rio, e de outras áreas protegidas na Amazônia e muitas estaduais, como foi o caso do Parque Estadual de Carlos Botelho, em São Paulo, por ele proposto. O papel de articulador do Almirante Ibsen foi fundamental ainda para a criação, em 1974, da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, uma das primeiras tentativas de aproximação entre diferentes áreas do governo e não governamentais para uma ação integrada de proteção aos ambientes marinhos. Ele dirigiu os estudos para a criação da Comissão e foi o seu primeiro secretário. Outro marco na trajetória de Almirante Ibsen é o fato de ele ter sido um dos pioneiros no combate à caça de baleias no País. Nessa campanha, chegou a deixar

de lado a cautela que sua posição na Marinha exigia e fez grandes esforços de articulação para conseguir a proibição da caça, o que aconteceu em 1987. Graças a sua atuação, hoje as águas costeiras nacional são consideradas santuário internacional para várias espécies de baleias.

Dedicação integral às ciências naturais

Ao encerrar a carreira militar, o Almirante Ibsen passou a dedicar-se à conservação da natureza em tempo integral. Em 1981, dois meses depois de se aposentar, assumiu a presidência da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN) que, à época, liderava o conservacionismo brasileiro. Representando essa instituição, foi membro por cerca de dez anos do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) – órgão consultivo e deliberativo do governo federal que estabelece resoluções e normas de funcionamento de toda a área ambiental. Já na FBCN, seu interesse por mamíferos marinhos levou-o a coordenar uma expedição que, em 1982, identificou a presença da espécie baleia-franca (Eubalaena australis) em Santa Catarina – até aquele momento a espécie era considerada extinta em águas brasileiras. Para estar à frente da expedição, o Almirante convocou o ousado jovem José Truda Palazzo Júnior: anos antes, em 1979, quando tinha apenas 16 anos, Truda havia procurado por Ibsen na Marinha para conversar sobre a preocupante situação das baleias no Brasil e, ao contrário do que muitos poderiam acreditar na época, o estudante foi muito bem recebido pelo oficial. Os dois se

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Perfil

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tornaram grandes parceiros na luta pela conservação das baleias e fundaram em conjunto o Projeto Baleia Franca. A população desse mamífero marinho é monitorada desde então pelo projeto e hoje ocorre em toda a costa sul do País. Em 1991, o Almirante Ibsen desenvolveu o Plano de Ação para a Mata Atlântica, uma das mais importantes compilações sobre esse que é o bioma mais ameaçado do Brasil. Esse plano serviu como um dos importantes pilares que sustentou a declaração pela Unesco da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Sua definição de Mata Atlântica serviu também como base conceitual ao decreto federal n°. 750 do ano de 1993 de proteção desse ecossistema. Outro legado do Almirante Ibsen foi o de direcionar e inspirar toda uma geração de profissionais atuantes na conservação da natureza. Ele contribuiu para a criação de uma dezena de organizações não governamentais conservacionistas e foi conselheiro de muitas outras, como: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Fundação Biodiversitas, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Sul-Mineiro de Estudo e Proteção à Natureza, WWF-Brasil, Fundação Flora de Apoio à Botânica, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save), Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação (Rede Pró-UC) e Sociedade Brasileira de Proteção Ambiental (Sobrapa). Além de tudo isso, ao longo de sua jornada, o Almirante Ibsen não se satisfez com a atuação política e ambiental: enveredou-se pela ciência e estudou Paleontologia por conta própria. Apesar de autodidata, recebeu reconhecimento internacional. Tanto que foi convidado a integrar cinco sociedades científicas, incluindo a Sociedade de Paleontologia de Vertebrados dos Estados Unidos e a prestigiada Associação Americana para o Avanço da Ciência. Ele foi um dos mais respeitados cientistas brasileiros na sua área de pesquisa e igual-

mente muito conhecido no exterior. Entre as muitas honrarias que o conservacionista recebeu, está a comenda da Ordem da Arca Dourada, concedida em 1990 pelo príncipe Bernard, dos Países Baixos, em reconhecimento a seus trabalhos em prol da natureza brasileira. Em 1992, recebeu o Fred Packard Award da Comissão Mundial de Áreas Protegidas (WCPA) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), pelos seus esforços na criação de unidades de conservação marinhas e na Amazônia. Também foi reconhecido pela Academia Brasileira de Ciências por sua contribuição individual. Em 2002, recebeu o Prêmio Super Ecologia, na categoria Especial, da Revista Superinteressante. A última homenagem foi concedida a ele em 2013 pelo Ministério do Meio Ambiente do Governo Federal do Brasil, em reconhecimento a suas mais de quatro décadas de contribuição à conservação da natureza.

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A saudade do querido Ibsen de Gusmão Câmara já é grande. Ele foi a primeira pessoa que eu senti de verdade que não podia morrer. Afinal, para mim, não existiu ninguém neste mundo que esteja à altura dele, em relação ao conhecimento, postura e inteligência; e tudo isso com grande humildade. O nosso querido Almirante deveria ser eterno. Foi uma grande perda. Agora, a quem vou direcionar minhas perguntas e preocupações com o futuro da biodiversidade e do País? *Malu Nunes é engenheira florestal, mestre em Conservação e diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. * Imagens meramente ilustrativas

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Aquecimento global

DESESPERO NO GELO De acordo com o Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século XX foi o mais quente dos últimos cinco anos, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Por Eleni Lopes

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Onda de calor? Culpa do aquecimento global. Esfriou demais? Debita na conta do efeito estufa. Tsunamis? Furacões? Seca? El Niño? Aumento do nível dos mares? O responsável é sempre o mesmo. Para melhor entender este cenário, imagine a Terra como um carro estacionado sob o Sol. Os raios solares entram pelas janelas do carro; uma parte de seu calor é absorvida pelos assentos, painel, carpete e tapetes. Quando esses objetos liberam o calor, ele não sai pelas janelas por completo. Uma parte é refletida de volta para o interior do carro. O calor irradiado pelos assentos é de um comprimento de onda diferente da luz do Sol que entrou pelas janelas. Então, uma certa quantidade de energia entra, e menos quantidade de energia sai. O resultado é um aumento gradual na temperatura interna do carro. No nosso paralelo com a Terra, quando os raios

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Aquecimento global de Sol chegam à atmosfera e à superfície do planeta, aproximadamente 70% da energia fica no planeta, absorvida pelo solo, pelos oceanos, pelas plantas e outros. Os 30% restantes são refletidos no espaço pelas nuvens e outras superfícies refletivas. Mas mesmo os 70% que passam, não ficam na Terra para sempre (se isso acontecesse ela se tornaria uma bola de fogo). Parte vai para o espaço e o resto é refletido em gases ao redor da atmosfera, tais como dióxido de carbono, gás metano e vapor de água (conheça mais no box). O calor que não sai pela atmosfera terrestre mantém o planeta mais quente do que o espaço sideral, porque mais energia está entrando pela atmosfera do que saindo. Isso tudo faz parte do chamado efeito estufa. Desta forma, o aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas no planeta. De acordo com o Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século XX foi o mais quente dos últimos cinco anos, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Esse aumento pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar profundamente a biodiversidade, desencadeando vários desastres ambientais.

Cenário alarmista?

Em busca de alternativas para minimizar o aquecimento global, 162 países assinaram, em 1997, o Protocolo de Kyoto. Nele, as nações desenvolvidas comprometiam-se a reduzir sua emissão de gases que provocam o efeito de estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta teria que ser cumprida entre 2008 e 2012. Dezessete anos depois da assinatura, uma certeza: muito pouco foi feito. Qual o impacto de promessas não cumpridas, iniciativas que não saíram do papel? Alguns exemplos: - O derretimento das calotas polares é um fenômeno verificado nas últimas décadas e está relacionado diretamente com o aquecimento global. Estudo recente divulgado pela

de Pesquisas Espaciais), o principal e mais alarmante efeito possível do aquecimento global no Brasil é a redução da Floresta Amazônica, que poderá perder entre 30% e 50% de seu território durante o século XXI. Um estudo do Banco Mundial, intitulado “Impactos da Mudança Climática na Gestão de Recursos Hídricos: Desafios e Oportunidades no Nordeste do Brasil”, aponta ainda que a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas no Nordeste continuarão aumentando até 2050, com graves efeitos para a população, caso os governos locais não invistam em infraestrutura e gestão hídrica.

Gases tóxicos Conheça um pouco mais dos gases que contribuem para o aumento do efeito estufa:

revista Science mostra que o derretimento anual de 4.260 bilhões de toneladas de gelo na Antártida e na Groenlândia, em um período de quase 20 anos, aumentou em 11 milímetros o nível do mar — o equivalente a um quinto do aumento observado no período. - Os efeitos mais devastadores - e também os mais difíceis de ser previstos - são aqueles na biodiversidade. Muitos ecossistemas são delicados, e a mais sutil mudança pode matar várias espécies. E mais: a maioria dos ecossistemas são interconectados, então a reação em cadeia dos efeitos é hoje imensurável. - Outras consequências do aquecimento global são a desertificação, alteração do regime das chuvas, intensificação das secas em determinados locais, escassez de água, abundância de chuvas em algumas localidades, tempestades, furacões, inundações, alterações de ecossistemas, redução da biodiversidade, perda de áreas férteis para a agricultura, além da disseminação de doenças como a malária, esquistossomose e febre amarela. - O IPCC estima que o nível do mar tenha subido 17 centímetros durante o século 20. Projeções feitas por cientistas mostram que até 2100 o nível do mar vai subir mais 18 a 55 cm.

Impacto no Brasil

O Brasil, por ser um país com dimensões consideradas continentais, acaba, inevitavelmente, ficando mais exposto aos riscos provocados pelo aquecimento global. Além disso, uma considerável parte de seu território encontra-se próxima à Linha do Equador, zona da Terra que recebe os raios solares de forma mais intensa. Além disso, o fato de o território brasileiro apresentar uma extensa faixa litorânea também merece atenção. No Nordeste do Brasil, o aumento das temperaturas poderá oscilar, nas próximas décadas, entre 2º e 4ºC. De acordo com o INPE (Instituto Nacional

- dióxido de carbono (CO2): gás incolor, subproduto da combustão de matéria orgânica. A atividade humana bombeia enormes quantidades de CO2 na atmosfera. O aumento de sua concentração é considerado o fator primário no aquecimento global, porque o CO2 absorve radiação infravermelha.

- óxido Nitroso (N2O): embora as quantidades liberadas pela atividade humana não sejam tão grandes quanto as de CO2, o óxido nitroso absorve muito mais energia do que CO2 (cerca de duzentas e setenta vezes mais). Por esse motivo, os esforços para que sejam reduzidas as emissões de gás estufa têm sido direcionados para o NO2 também.

- metano: principal componente do gás natura, ocorre naturalmente, oriundo da decomposição de material orgânico. Atividades desenvolvidas pelo homem produzem o metano de várias formas, como, por exemplo: • extração do carvão; • a partir de grandes rebanhos de gado (por exemplo, gases digestivos); • decomposição do lixo em aterros.

Urso polar: vítima inocente Habitantes das terras geladas do Ártico, o urso polar sobrevive a uma temperatura que varia de -37°C a -45°C, graças a duas camadas de pele e uma cama de gordura de 11,5 cm de espessura que fazem o isolamento térmico de seu corpo. O animal é encontrado apenas em cinco países: Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Groenlândia. Carismáticos, são considerados os símbolos do aquecimento global. A espécie está classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), com oito das dezenove subpopulações em declínio. O principal perigo causado pela mudança climática é a desnutrição e inanição devido à perda do habitat. Os ursos-polares caçam focas nas plataformas de gelo, e a elevação das temperaturas podem fazer com que o gelo do mar derreta mais cedo a cada ano, levando os ursos para a costa antes de terem constituido reservas de gordura suficientes para sobreviver ao período de carência alimentar no final do verão e início do outono. A redução da cobertura de gelo também força os ursos a nadarem longas distâncias, o que esgota ainda mais seus estoques de energia e,

ocasionalmente, leva ao afogamento. Além de criar estresse nutricional, o aquecimento climático afeta vários outros aspectos da vida do urso-polar, como a capacidade das fêmeas grávidas em construir tocas de maternidade adequadas devido às mudanças nas plataformas de gelo. Doenças causadas por bactérias e parasitas também podem se estabelecer mais rapidamente num clima mais quente, afetando a espécie.

China, Estados Unidos, Rússia, Índia, Brasil, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Coreia do Sul são os principais emissores dos gases do efeito de estufa. 18 18

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Economia & Negócios

PRESERVAÇÃO LEGAL Criação de ICMS Ecológico impulsiona o desenvolvimento de unidade de conversação do meio ambiente

Foi possível transformá-lo (ICMS Ecológico) em um instrumento de incentivo e contribuição complementar à conservação ambiental

Da redação

Buscar novos meios para garantir a restauração e a continuidade de áreas com biodiversidade - responsável pelo equilíbrio natural e pela qualidade da vida humana - deixou de ser foco somente de entidades não-governamentais, formadas por estudiosos das áreas de biologia e geologia, e passou a ser tema central de reuniões de cúpulas governamentais e empresariais. O assunto que uniu os três setores da sociedade – público, privado e civil – proporcionou alterações na legislação para subsidiar programas de preservação do meio ambiente. É o caso da lei que instituiu o ICMS Ecológico, que destina uma parte do ICMS (a porcentagem varia conforme o Estado) para ações de preservação ambiental. A medida foi implantada inicialmente, em 1991, no Estado do Paraná, ganhando proporção maior ao ser adotada também por mais sete estados brasileiros: São Paulo (1993), Minas Gerais (1995), Rondônia (1996), Rio Grande do Sul (1998), Mato Grosso do Sul (2001), Mato Grosso (2001) e Pernambuco (2001), tendo também legislação já aprovada no Amapá e em fase de discussão, em mais oito estados: Goiás, Espírito Santo, Paraíba, Ceará, Bahia, Santa Catarina, Tocantins e Pará. O ICMS Ecológico, implantado pelo Instituto Ambiental do Paraná, refere-se a critérios ambientais para o repasse de 5% dos recursos financeiros arrecadados

de impostos federais e estaduais, garantidos pelo artigo 158, da Constituição Federal. Sua inserção no Estado se deu a partir da necessidade de suprir a demanda das Unidades de Conservação que se concentram na região - em função da degradação evolutiva das áreas nativas do Estado, para incentivar novos programas de preservação e de modernizar a ação pública na região. Segundo o engenheiro agrônomo do Instituto Ambiental do Paraná, coordenador dos Programas: ICMS Ecológico por Biodiversidade e Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Estadual do IAP, Wilson Loureiro, esta medida contribuiu para a conservação da biodiversidade no Paraná e para a melhoria na qualidade dos parques e reservas. “O início de sua atuação tinha tudo para se transformar numa ferramenta estéril, mas, felizmente foi possível transformá-lo em um instrumento de incentivo e contribuição complementar à conservação ambiental” – disse o engenheiro. Para ele, o ICMS Ecológico é um instrumento meio, não fim, sendo necessária uma estrutura de boa qualidade, inclusive para captar adequadamente sua contribuição, bem como a de outros instrumentos - ações de educação, recreação e pesquisa - que devem ser disponibilizados simultaneamente.

Reservas Particulares As Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), ou seja, áreas particulares protegidas por iniciativa dos proprietários, também podem receber o incentivo do ICMS Ecológico, por serem consideradas Unida-

Estado Decreto Estadual Mato Grosso do Sul Decreto n.º 7.251, de 16 de julho de 1993 Pernambuco Decreto n.º 19.815, de 02 de junho de 1997 Minas Gerais Decreto n.º 39.401, de 21 de janeiro de 1998 Paraíba Decreto n.º 5.436, 12 de novembro de 2002 Paraná Decreto n.º 4.890, de 31 de maio de 2005 (*) Espírito Santo Decreto n.º 1.633, de 10 de fevereiro de 2006 Alagoas Decreto n.º 3.050, de 09 de fevereiro de 2006 São Paulo Decreto n.º 51.150, de 3 de outubro de 2006 Mato Grosso Decreto n.º 7.279, de 22 de março de 2006 (*) Bahia Decreto n.º 10.410, de 25 de julho de 2007

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Ano 1993 1997 1998 2002 2005 2006 2006 2006 2006 2007

Fonte: Legislações Estaduais. Notas: (*) Os Estados do Paraná e Mato Grosso já tiveram Decretos anteriores sobre Programas Estaduais de RPPN, que foram revogados para dar lugar a normas mais modernas. No Paraná, foi revogado o Decreto nº 4.262, de 21 e novembro de 1994 e, no Mato Grosso, o Decreto nº 5.436, de 12 de novembro e 2002.

responsáveis o processo se alonga” – diz a proprietária. Para agilizá-lo foi organizada a Associação Patrimônio Natural (APN) para inserir a RPPN Municipal, que em 2002 procurou as secretarias do Meio Ambiente do Rio de Janeiro para expor a importância da conservação, da proteção aos recursos hídricos e a possibilidade do município e dos proprietários receberem ganhos reais com a criação de RPPN. “O empenho da APN está sendo muito grande. Começamos a criar parcerias com outras entidades e fazer a divulgação deste instrumento de conservação. Não é fácil! Mas vencemos a primeira fase: acreditar no instrumento a nível municipal” – declara Deise. Hoje, o Estado carioca já conta com o RPPN nos municípios de Miguel Pereira, Paulo de Frontim, Vassouras, Mendes, Quissamã e Paracambí. O Paraná também saiu à frente com o Programa Estadual de RPPN, reivindicando agilidade procedimental na criação de suas Reservas e apoio junto aos poderes públicos, municipal e estadual. O Estado possui 187 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), distribuídas em 82 municípios, somando um total de 37.149,77 hectares de área conservada sob responsabilidade dos proprietários privados.

des de Conservação. Categoria prevista pela Lei 9.985/2000 do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), que pode ser instituída no todo ou em parte de imóveis de domínio privado, no qual a iniciativa em preservar parte do proprietário. No Brasil, cerca de 730 RPPNs protegem uma área de aproximadamente 580 mil hectares, porém este número poderia ser maior se houvesse mobilização dos Estados para garantir mais benefícios. “Os incentivos por parte do governo ainda são pequenos e foram poucos os Estados que adotaram o ICMS Ecológico” – declara a coordenadora da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, Erika Guimarães. Outro agravante em que essas reservas particulares esbarram é a burocracia. A proprietária da RPPN Santa Fé, no Rio de Janeiro, Deise Moreira, conta que para conseguir o registro de Reserva Particular em suas terras, foi preciso esperar por mais de dois anos a aprovação de cada uma. “O processo é muito lento, o pedido de criação, no Rio de Janeiro, é Federal, então até ser analisado por todos os órgãos

ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços O ICMS é o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação de competência dos Estados e do Distrito Federal.

De onde vem e para onde vai o ICMS? Artigo 158 da Constituição Federal - Pertencem aos municípios (entre outros): IV – Vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre as operações relativas à circulação de mercadoria e sobre as prestações de serviços de transpor-

te interestadual e intermunicipal e de comunicação. Parágrafo único – As parcelas de receita pertencentes aos municípios, mencionados no inciso IV, serão creditadas conforme os seguintes critérios: I – três quartos, no mínimo, na

proporção do valor adicional nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios; II – até um quarto, de acordo com o que dispuser a lei estadual ou, no caso dos territórios, lei federal.

Distribuição do ICMS no Paraná

Critérios

Critérios

Valor adicionado Produção agropecuária Habitantes na zona rural Nº de propriedades rurais Superfície municipal Fixo ou igualitário

Valor adicionado Produção agropecuária Habitantes na zona rural Nº de propriedades rurais Superfície municipal Fixo ou igualitário

Ambiental (ICMS Ecológico)

Mananciais de abastecimento

Total

Até 1991 (%)

Áreas Protegidas

A partir de 1992 (%)

80 8 6 2 2 2 -

75 8 6 2 2 2

5,0

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Meio ambiente

CROCHÊ: AO INVÉS DE LINHA, SACOLAS PLÁSTICAS!

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Um dos temas atuais ambientais, as sacolas plásticas viram peças de crochê nas mãos de artesãos. Da Redação No centro de uma polêmica ambiental, com direito a tramitações governamentais no mundo inteiro impedindo sua distribuição gratuita em supermercados ou sua fabricação com plásticos oxibiodegradáveis - como o Projeto de Lei 534/2007, vetado no Estado de São Paulo, as sacolas plásticas continuam resistentes e permanecem nas mãos de grande parte dos consumidores. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, das 12 mil toneladas de lixo que são geradas na capital, diariamente, mil são de plásticos. Essa quantidade crescente de resíduos faz com que haja a necessidade permanente de ampliar aterros sanitários. As sacolinhas por serem impermeáveis e flexíveis contribuem com a poluição da cidade, uma vez que, dada a sua leveza, é facilmente levada pelo vento chegando a entupir redes de drenagem pluvial. Mas, o maior inconveniente encontrado é o tempo que estas simples ‘sacolinhas’ levam para se decompor na natureza, aproximadamente 300 anos e ainda emitindo gases durante esse período. Por isso, não são

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poucas as iniciativas que apóiam a volta da sacola permanente, como aquelas que as avós levavam à feira. Conscientizar a população à volta dessa prática para reduzir o número de sacos plásticos, é o objetivo da campanha pela preservação do meio ambiente promovida pela SINDIPAN - Sindicato da Panificação de Joinville – SC, que incentiva uso de similares permanentes, confeccionadas em tecido, vime, palha ou outros materiais biodegradáveis, informando a comunidade, escolas, padarias e todo o varejo sobre essa importante e pequena atitude, que resultou na diminuição de 20% dos custos de embalagens nas padarias engajadas no projeto. Porém, artesãos habilidosos encontraram uma saída criativa para o reuso desse material, que está sendo aproveitado como matéria-prima para a fabricação de produtos de crochê. Assim, além de sua reutilização como sacos de lixo, as frágeis ‘sacolinhas’ podem virar uma bela bolsa ecológica de crochê, ou um lindo tapete de banheiro, ou chapéu de praia ou o que a imaginação permitir.

Recorte o fundo e as alças da sacola;

Estique-a e marque a medida de três dedos em uma das laterais com dobra;

Dobre a sacola até o meio; deixando a marcação ‘dos três dedos’; Dobre novamente esta mesma parte já dobrada, deixando ainda a sobra dos ‘três dedos’;

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Recorte as tiras com cerca de 3 cm de largura, mas não corte até o fim. deixe aquele pedaço sem dobra; Agora sim mexa no pedaço ‘dos três dedos’: insira o dedo na parte fechada da primeira tira (superior) e corte em diagonal só um lado da sacola. faça o mesmo com todas as tiras;

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Abra-a. Verá que o que restou foi um pedaço no centro sem corte; Como se estivesse ligando pontos, comece a cortar de um ponto ao outro, mas comece da lateral esquerda da sacola ao primeiro corte superior. o objetivo é fazer um fio de toda a sacola;

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Torça o fio e enrole-o formando um novelo; Passe creme hidratante na mão oposta à da agulha e antes de puxar o fio passe a ponta da agulha no creme para impedir que o plástico agarre; Teça em ponto tricô ou ponto baixo. Adaptação da técnica de Marisa Miani.

Faça você mesmo!

Materiais: • Sacolas plásticas • Agulha de crochê 3,5 • Tesoura • Creme hidratante • Criatividade 23


Meio ambiente

DESERTO BRASILEIRO Reavivamento de Gilbués

A desertificação já alcança a marca 18,7 mil km² em território nacional Da redação Percorrendo a BR 230, passando pelo Ceará e Piauí, é possível ver um espetáculo da natureza. Os pastos, os gados, a paisagem tão sofrida da seca que dão nova forma a terra, algo tão bonito, mas de beleza somente vista pelos olhos daqueles que não conhecem a realidade da região. Quem vive lá, e convive com os problemas da terra, sabe que aquelas deformações, muito além de manifestações do meio ambiente, são a marca da presença do homem. Áreas que sofreram com o uso inadequado do solo e da água nas atividades agropecuárias ou com a irrigação mal planejada, a mineração e o desmatamento indiscriminado, causando ou acelerando – em função das variações climáticas - a desertificação do solo. Processo que reduz ou elimina a camada superficial, e mais fértil, do solo, dificultando a penetração das raízes, aumentando as perdas de nutrientes das plantas, provocando a salinização e a solidificação do solo, reduzindo as atividades biológicas e transformando uma região fértil em deserto. Segundo dados da Worldwatch Institute, organização norte-americana que acompanha o estado atual dos recursos naturais do planeta, 15% da superfície terrestre correm o risco de desertificação em algum grau. Mas, somente no Brasil é possível verificar este fenômeno em uma área total de 18,7 mil km2, que já avança para 1,3 milhões - 15,7% do território nacional. Regiões de clima árido, semi-árido e sub-úmido seco são os mais vulneráveis, e no caso brasileiro, onde se concentram cerca de 30 milhões de pessoas que, em sua maioria, dependem da terra para a sobrevivência. Os maiores índices de desertificação podem ser vistos em: Gilbués - no Piauí, Seridó - no Rio Grande do Norte, Irauçuba - no Ceará e Cabrobó - em Pernambuco. Segundo o IBGE, o Estado mais atingido é o Piauí, com sete municípios, sendo que em três deles atinge uma área de 769.400 hectares. De acordo com o professor de Ciência do Solo da Universidade Federal do Piauí, Adeodato Ari Cavalcante Salviano, a degradação ambiental em Gilbués impressiona não apenas pela sua extensão, mas principalmente pela rapidez do processo, trazendo consigo sérios efeitos negativos tanto na zona urbana, como na zona rural. “Quem passa pela região de Gilbués tem o desprazer de encontrar enormes crateras ao longo das estradas; extensas áreas com pouca ou nenhuma cobertura vegetal e com grandes sulcos de erosão ou mesmo voçorocas (erosão subterrânea), culminando com o assoreamento de baixões (geralmente de terras mais férteis), de grotas, riachos, rios, açudes, barragens e lagoas” – destaca o professor.

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Em uma tentativa de reduzir esses efeitos em Gilbués, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – Semar criou o Núcleo de Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas em Gilbués – Nuperade, cuja proposta é desenvolver pesquisas de controle de erosão e recuperação dessas áreas. Para tanto, a proposta do núcleo é estabelecer compromissos entre as autoridades municipais, proprietários de terras e comunidades impactadas, para que sejam adotadas tecnologias apropriadas para barrar a expansão do problema. Segundo o coordenador do Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca na América do Sul, Gertjan Beekman, este trabalho tem um importante papel na economia do Piauí, devido a fertilidade do solo. “São cerca de oito mil quilômetros de terra fértil inutilizada por causa do passado de mineração e agropecuária inapropriada, mas naquela terra tudo o que se planta, nasce” – diz o coordenador. As experiências avançam com o cultivo de leguminosas de rápido crescimento, capazes de formar uma eficiente cobertura vegetal, que incrementa carbono e nutrientes ao solo e no controle da erosão, por processo mecânico, para recomposição topográfica, preparo do solo e plantio. Embora as experiências estejam sendo positivas é necessária à intervenção contínua de toda a sociedade. “A principal ação para a melhoria do processo de gestão dos recursos naturais se relaciona à valorização e ao desenvolvimento do fator humano, através da conscientização, participação, comprometimento e educação” – alerta Salviano.

Processo para a recuperação do solo • Educar e disseminar entre a população local técnicas de convivência com o semi-árido, como armazenar e guardar água para consumo humano e produção (barragens sucessivas, subterrâneas e cisternas); • Avançar nos estudos de recuperação do solo; • Plantar culturas que tenham o poder de recuperar o solo, como é o caso do feijão guandu, com adubação orgânica; • Fazer uso adequado de tratores para a preparação do solo; • Combater a pobreza; • Acabar com o desmatamento da caatinga e o uso irregular do solo para agricultura.

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Neo Mondo - Junho 2008

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Meio ambiente

CADÊ AS ABELHAS ? No mundo inteiro há casos de desaparecimento das abelhas e pra cada um, uma nova explicação. Da redação

Contudo, conforme afirma o especialista, pesquisas mostraram que nos EUA o provável causador do pavoroso fenômeno era um vírus, identificado pela primeira fez em Israel. Já na Espanha, os estudos atribuíram o episódio a um protozoário originário do Sudeste da Ásia. “Portanto, embora os efeitos sejam parecidos, cada caso é um caso” – destaca.

Sumiço no Brasil Ligadas a uma imagem tão meiga por proliferar flores e frutos, as abelhas estão sendo alvos da mídia do mundo inteiro que faz a seguinte pergunta: Aonde elas foram parar? França, Inglaterra, EUA, Canadá, Espanha, Suíça e até o Brasil estão sofrendo com o desaparecimento súbito e sem rastro das abelhas. Há notícias de que apicultores chegaram a perder cerca de 90% de toda a criação. E o espanto não é à toa! Albert Einstein, há mais de 60 anos, alertou: “Olhem as abelhas, se elas sumirem, a humanidade tem no máximo quatro anos de sobrevida, pois não haverá plantas e nem animais, a polinização é a grande responsável pela produção de alimentos”. Afinal o trabalho delas é, além de produzir mel, levar o pólen das anteras de uma flor, onde são produzidos os pólens, para o estigma de uma outra, ou da mesma flor, gerando novos frutos. No caso do Brasil, o fenômeno pode abalar até o desenvolvimento do biocombustível, uma vez que uma

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das matérias-primas utilizadas é o girassol, que precisa de um grande potencial de abelhas para polinizar toda a área de plantação. Embora os dados sejam assustadores, para o pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Aroni Sattler, não há motivo para desespero. Segundo ele, já faz tempo que casos de desaparecimentos ocorrem, na Espanha o primeiro surto aconteceu em 2000. Assim como na França, Inglaterra, e outros, mas os episódios tiveram pouca repercussão. Somente em 2006, quando o mesmo aconteceu nos EUA, deu-se maior divulgação. “O trabalho das abelhas é prestar serviço à polinização e se não há abelhas, há comprometimento na economia. Nos EUA, o valor de 60 dólares pelo aluguel de colméias para a polinização de pomares saltou para 150 dólares, após a crise” – relata Sattler.

Mesmo ocasionado por causas diferentes, quando a divulgação sobre o desaparecimento chegou ao Brasil logo relacionaram com o que estava acontecendo no resto no mundo, causando confusão para os apicultores que não sabiam que medidas deveriam tomar. “Especificamente no Sul, esse sumiço começou em 2000. E, diferente do que ocorria em outros países, não foi preciso alarme para descobrir os porquês. Identificamos que aqui o fenômeno era causado pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, má conservação e manutenção das colméias e a utilização de dessecantes com formicidas nas plantações próximas às colméias” – explica o pesquisador.

Este produto, dessecante, é usado para limpar lavouras, como as de soja, para controlar a lagarta e o percevejo, porém é muito tóxico para as abelhas, que por sua vez são extremamente sensíveis a produtos químicos. Outro fator atribuído ao desaparecimento é a mudança meteorológica. De acordo com Sattler, ano passado o inverno começou mais cedo eliminando as flores mais rapidamente, sem pólen as abelhas ficaram desnutridas e morreram. “Por isso é importante que o apicultor deixe uma boa reserva de mel para elas se alimentarem” - alerta. Em outro período, o calor foi excedente, fazendo com que elas abandonassem as colméias e longe das rainhas, elas não têm muito tempo de vida.

Solução Muitas são as especulações, mas a dica do pesquisador para solucionar este problema é estar atento aos cuidados com o apiário. “Deixar uma reserva boa de mel durante o inverno e lembrar que, em determinadas épocas do ano, é normal este desaparecimento. Em 2006, aqui no Sul perdemos cerca de 40% das colméias, mas hoje já estão totalmente recuperadas. E isto foi um processo natural” – comenta Sattler.

Não é a primeira vez que isso ocorre Ao longo dos últimos vinte anos, em diversos países, pragas atacaram com freqüência provocando o desaparecimento das abelhas em todo o mundo. Por volta dos anos 50, a apicultura viveu um período de grande baixa, 80% das colméias foram

dizimadas e a produção apícola caiu drasticamente, por causa de doenças e pragas advindas da falta de cuidado com o saneamento das colméias. Em 1987, outro pico que atingiu o Brasil, Europa e EUA, dessa vez, o causador foi o ácaro Varoa. Neo Mondo - Julho/Agosto 2014

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Saúde

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas gera um dos mais graves problemas de saúde pública mundial: o alcoolismo. O Brasil não fica atrás nessa triste constatação. O Ministério da Saúde, através da Coordenadoria de Saúde Mental, Álcool e outras drogas, confirma que 75% dos brasileiros já consumiram álcool pelo menos uma vez na vida. Isso poderia parecer irrelevante, se não estivéssemos falando de uma droga, mesmo que lícita. Os demais tipos de drogas ilícitas ou não, nem chegam perto dessa estatística.

BEBIDA É UMA DROGA Bem aceito culturalmente, a bebida alcoólica causa dependência em 10% da população brasileira. Da redação

D e acordo com o assistente técnico, Francisco Cordeiro, do Ministério da Saúde, são dependentes do álcool cerca de 10% da população brasileira. “Não é um problema de fácil solução” – constatou ele. O consumo de álcool é considerado o responsável por diversas formas de doenças e acidentes com vítimas. Para se ter uma idéia da dimensão do problema, Cordeiro afirma que metade dos acidentes de trânsito no Brasil têm alguma relação com o álcool. A bebida também é cúmplice de casos de violência doméstica, sexual e interpessoal, podendo atingir de forma devastadora, direta ou indiretamente, a sociedade. A explicação está no poder da substância em alterar padrões de comportamento, que afetam o relacionamento familiar, social e profissional. Apesar das conseqüências dramáticas do seu uso, o álcool está em evidência nas propagandas televisivas, em outdoor, e em toda a gama de veículos de comunicação. É aceita culturalmente e sem dúvida, aproveita-se de um falso status de não-droga. Ocorre que o problema vem aumentando anualmente, com o consumo cada vez mais precoce. Um estudo realizado, em 2005, em escolas, apontou que 54,3% dos adolescente de 12 a 17 anos já haviam experimentado bebida alcoólica e que 2% a consumiam diariamente. O governo, segundo Cordeiro, atua em duas frentes: o tratamento, através de uma rede de unidades de atendimento denominadas CAPS AD, que oferecem atendimento com profissionais multidisciplinares, dentre os quais médicos, assistentes sociais e oficineiros. Nesses núcleos, acontece também o trabalho para a assistência à família, que recebe orientações sobre como lidar com essa situação. A outra ação é voltada à informação e conscientização, por meio de campanhas publicitárias que pretendem mostrar o outro lado do consumo, exatamente aquele que as propagandas de bebidas não mostram e que podem destruir a vida de seus usuários.

“ Não é um problema de fácil solução

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Saúde

O que caracteriza a dependência • Desenvolvimento de tolerância (sendo necessário aumentar as doses ou quantidade da substância, • Sinais e sintomas de abstinência (*); • Desejo incontrolável em obter a substância;

Caminho do ácool

Conhecendo o problema A médica psiquiatra Cintia de Azevedo Marques Périco, professora de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do ABC e responsável pela Clínica Psiquiátrica do Hospital Estadual Mário Covas, explicou que o dependente de álcool é considerado um portador de transtorno mental e que deve ser conscientizado das possibilidades de tratamento. Segundo ela, diversos fatores levam ao alcoolismo, sejam eles influenciados por questões genéticas, ambientais, sociais ou biológicas. “É importante ressaltar que uma grande porcentagem dos pacientes dependentes de álcool possui depressão e/ou ansiedade comórbidas” – disse ela. A médica relatou que o álcool é um depressor do sistema nervoso central, por isso inicialmente provoca uma certa euforia, felicidade, expansão, passando rapidamente para uma fase de labilidade emocional, com choro fácil, irritabilidade, fala pastosa, sonolência, andar cambaleante. O consumo de bebida alcoólica pode levar desde uma intoxicação leve até uma grave, com redução do nível de consciência e coma, por bloqueio central. “O uso continuado do álcool leva a um importante prejuízo cognitivo, com déficits de memória progressivos, podendo desenvolver demência alcoólica” – ressaltou.

O uso contínuo desta substância pode provocar a cirrose, um “endurecimento” do fígado. Conseqüentemente, o sangue passa a ter dificuldade em atravessá-lo, refluindo pelas veias e desencadeando varizes no esôfago, que não têm cura e que sangram com facilidade, podendo levar à morte por hemorragia.

• Mudança de comportamentos com a finalidade de fazer uso do produto; • Persistência no consumo, mesmo quando os prejuízos físicos, sociais e profissionais já se tornaram evidentes.

* Síndrome da abstinência Essa síndrome se dá com uma série de sintomas que se instalam ao interromper o consumo da droga. Dentre os principais sintomas, encontram-se a agitação, ansiedade, tremores nas extremidades, alteração do sono, do humor, do apetite, sudorese em surtos, aumento da freqüência cardíaca, do pulso e da temperatura.

Tratamento O tratamento começa pelo desejo do paciente em interromper o consumo. Motivá-lo com um trabalho de conscientização dos prejuízos pelo uso da substância, é sempre importante. Atualmente, há uma ampla opção de medicamentos que facilitam o

tratamento. Faz-se uso de medicamentos com ação cerebral semelhante ao álcool, que são introduzidos e retirados gradativamente, para tratar a abstinência, bem como antidepressivos e outras, que atuam causando efeitos indesejáveis, caso haja ingestão de álcool.

Alcóolicos Anônimos - AA Já bastante difundido mundialmente, a irmandade Alcoólicos Anônimos auxilia na recuperação do alcoolismo. A base desse trabalho está em compartilhar experiências, que visa oferecer força e esperança na solução do problema. O anonimato é fator preponderante nessa terapia em grupo. “Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e aju-

dar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade”. Os membros dividem suas experiências com qualquer um que procure ajuda com problemas de alcoolismo; eles dão depoimento cara a cara em reuniões ou apadrinhando o alcoólico recém-chegado. O programa é proposto em “Doze Passos”, que propõem uma maneira de desenvolver satisfatorriamente a vida sem o álcool. Fonte: http://www.alcoolicosanonimos.org.br/

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desArME-se

NEO MONDO não pretende explicar a violência urbana. Apenas faz um apelo às pessoas para que não se isolem à frente de um computador; saiam de si mesmas e convivam mais; eduquem-se para o Bem; cerquem-se de pessoas sempre melhores do que elas próprias; busquem o conhecimento na pesquisa, no estudo, na troca de ideias e de experiências positivas seja no campo pessoal seja no coletivo; cuidem-se e cuidem dos mais fracos, dos mais carentes, das crianças e adolescentes, dos idosos, das plantas, dos animais. Somente pessoas de mentes e corpos sadios saberão salvar o Planeta do fim dos tempos. O gênero humano e a Terra agradecem! 33


Saúde

FITOTERAPIA MEDICINA SUSTENTÁVEL

vegetais, processado tecnologicamente, com benefícios comprovados nas finalidades curativas, profiláticas ou diagnóstica.

Fonte de Riqueza

Da redação

Ginseng, carqueja, guaraná, confrei, ginko biloba, espinheira santa, sene, guaco, boldo....difícil encontrar quem nunca utilizou ou pelo menos ouviu falar dessas plantas medicinais, tão eficazes e em muitos casos, acessíveis. Elas integram um rol de plantas cujas substâncias podem ser utilizadas com finalidade terapêutica. Muitas delas são, inclusive, matérias-primas para o preparo de medicamentos sintéticos. O uso de plantas medicinais remonta a própria história da humanidade, permanecendo até os dias atuais como a base da terapêutica moderna, porém, no Brasil ainda há pouca aplicabilidade se comparado a outros países, como a Alemanha, onde 75% da população já utiliza fitoterápicos. Por aqui, sobretudo nos grandes centros, os médicos e muitas vezes, os próprios pacientes, resistem ao uso desses medicamentos, que possuem eficácia comprovada

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e agregam inúmeros valores sociais, econômicos e ambientais, que os levam a serem considerados pelos seus defensores como os biocombustíveis da saúde, pois poderiam representar fonte de riquezas e divisas incalculáveis para o país. De todo modo, ainda ouviremos falar muito sobre Fitoterapia. Ela foi recomendada pela Organização Mundial de Saúde como medida estratégica para universalizar os direitos à utilização de medicamentos e tem recebido amplo apoio do Ministério da Saúde brasileiro. O médico Luiz Sérgio Passos Alves (*), especialista em Plantas Medicinais e responsável pelo módulo de medicina na pós de

fito da Universidade Federal de Lavras, explicou que a política nacional, que define as regras e os recursos destinados à Fitobrasil, é ainda muito recente, mas que a quantidade de pós-graduações e cursos universitários já quadruplicou, trazendo no seu rastro trabalhos científicos de boa qualidade. Apesar desse movimento favorável, ele diz que a fitoterapia ainda não conta com a adesão do Conselho Regional de Medicina. “O médico, ainda conhece pouco sobre esta opção terapêutica. Mas estamos melhorando” – esclareceu ele. Alves explicou que o medicamento fitoterápico é aquele obtido exclusivamente de matérias-primas

Além do aspecto que envolve a saúde, estamos falando de um mercado que movimenta US$ 22 bilhões/ ano, sendo US$ 8,5 bilhões, na Europa e US$ 6,3 bilhões nos Estados Unidos. O Brasil tem a parcela de apenas US$ 400 milhões. A Alemanha detém 39% do mercado europeu, apesar de possuir apenas 20 plantas endêmicas (próprias da região), contra 25.000 espécies brasileiras. Porém, os alemães formaram o maior centro de pesquisa mundial em fito (Comissão E). O tema é matéria curricular obrigatória nas faculdades de medicina, sendo prescrita por 70% dos médicos, contra 3% no Brasil. “Possuímos a maior grife ecológica do Planeta. Um hectare da Floresta Amazônica tem mais espécies de plantas do que todo o Continente Europeu (200 a 300)” – confirmou o especialista. No entanto, como 65% das Indústrias Farmacêuticas instaladas no Brasil são multinacionais, 80% dos Fitoterápicos produzidos aqui são feitos com plantas exóticas (não-nativas do Brasil). Nos raros casos onde o produto brasileiro é valorizado, como o açaí e a castanha-do-pará, torna-se possível oferecer emprego para mais de

30.000 pessoas. Para Alves, “a fitoterapia é a grande chance do Brasil embarcar definitivamente na milionária rota tecnológica da indústria farmacêutica”. Isso sem contar a questão da sustentabilidade e qualidade que poderia reverter um triste panorama brasileiro: a saúde pública.

Biodiversidade e Biopirataria A união da grande biodiversidade com a falta de um controle efetivo de nossos recursos naturais, faz do Brasil a maior vítima mundial da Biopirataria. A CPI da Biopirataria acusa diversos países por patentes indevidas de nossas plantas nativas: cupuaçú, biribiri, mandioca selvagem, açaí.... Calcula-se que o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira tenha um valor de US$ 2 trilhões (quatro vezes o PIB nacional). “Um exemplo disso é que entre os anos de 1983 e 1994, 60% dos antineoplásicos descobertos vinham diretamente das plantas. A folha da graviola que nasce e cresce em abundância no Brasil (subespontânea) demonstrou ser eficaz no tratamento do adenocarcinoma de cólon” – disse o médico. O mundo científico vasculha o Brasil em busca de plantas para tratamento do câncer, AIDS, hepatite B, herpes e gripe.

“ A fitoterapia é a grande chance do Brasil embarcar definitivamente na milionária rota tecnológica da indústria farmacêutica

O Brasil ainda não despertou para a riqueza incalculável de suas espécies terapêuticas.

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Saúde

INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA Estudos apontam que o uso de plantas como medicamento faz parte d o extinto de sobrevivência animal. Dentre os inúmeros exemplos está o chimpanzé, que consome 16 tipos de ervas, que não possuem nem sabor agradável nem valor nutricional, apenas terapêutico. Também o gavião, que quando picado por cobra, ingere folhas de

FARMÁCIAS VIVAS Os fitoterápicos produzidos com tinturas e extratos vegetais custam de duas a quinze vezes menos que os remédios industrializados. Muitos estados brasileiros (Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, etc) possuem Farmácias Vivas, onde se planta, manipula e dispensa gra-

guaco, cujas propriedades antiofídicas foram recentemente comprovadas pela ciência. Já o homem que, desde a antigüidade, utilizava plantas com fins terapêuticos, traçou rumos diferentes. Com a evolução da química e a possibilidade da síntese de medicamentos a nível industrial, a fitoterapia caiu no descrédito total, até que nos anos 60, com o advento da Talidomida1, se percebeu uma nova doença desastrosa: o efeito colateral e os riscos oferecidos pelo uso indiscriminado de medicamentos sintéticos. O mundo então voltou seu olhar, novamente, para as alternativas naturais.

tuitamente fitos, prescritos pelos médicos locais. Este já pode ser considerado um reflexo positivo da implantação da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que tem o objetivo de garantir o acesso seguro e o uso racional, visando a sustentabilidade desses recursos naturais.

PLANTAS MEDICINAIS 1) Guaraná, simboliza os olhos de um pequeno índio prodígio da tribo Mauê, que foi morto perversamente pelo Deus do mau. Seus olhos foram arrancados e plantados por ordem do Deus Tupã, onde nasceu o primeiro pé de guaraná, que significa força e vigor. Veja que a semente do guaraná parece com olhos mesmo;

Em 2004, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma resolução (RE 89) que facilitava o registro de 34 fitoterápicos, com a intenção de incentivar a produção e baratear o custo ao usuário. “Infelizmente esta lista só continha três plantas nativas do Brasil (guaco, espinheira-santa e guaraná)” diz Alves.

Evolução Terapêutica nos Últimos 4000 Anos:

COMPLEXIDADE

• 1900 dC: poção é veneno de bruxa, engula esta pílula;

Mas não tem sido tão simples assim. As plantas possuem seu próprio laboratório de síntese. Tão perfeito e complexo que o homem jamais conseguiu imitar. Talvez esteja aí o grande desafio desse resgate ao natural, que precisa estar adaptado às necessidades do mercado: padronização, uniformidade, produtividade contínua, quantidade, qualidade, tamanho, aspecto, homogenidade, freqüência, etc. “Não é tarefa fácil. Por isto, a Fitoterapia é uma ciência eminentemente interdisciplinar. Não adianta o médico prescrever sem a mobilização de biólogos, taxonomistas, agrônomos, químicos, farmacêuticos e, principalmente, a agregação do conhecimento popular” – considerou o especialista.

RISCOS 2) Cordia verbenacea, o 1º fito Brasil, antiinflamatório para entorses;

3) Maytenus (espinheira santa) para gastrites;

4) Catharanthus roseus. Dela se extrai a vincristina e a vimblastina, quimioterápico para o tratamento de linfomas e leucemias;

5) Mikania glomerata, (guaco) bronco dilatador e expectorante;

6) Passiflora Edulis, potente ansiolítico;

7) A flor do nosso Pequi usado para curar gripes e resfriados;

8) Bixa orelana, semente do urucu (coloral), usado nas dermatoses;

9) ritual do Santo D’aime, com a erva que altera o nível de consciência e é a grande novidade da ciência para o tratamento do Mal de Parkinson.

(*) contato com o médico Luiz Sérgio Passos Alves : fitomania@globo.com (1) A talidomida (C13H10N2O4) é uma substância usualmente utilizada como medicamento sedativo, anti-inflamatório e hipnótico. Se usada durante a gravidez, pode causar má-formação ou ausência de membros no feto.

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Nas últimas décadas, a fitoterapia ganhou notoriedade mundial por ser considerada segura, eficaz e com baixa incidência de efeitos colaterais. Contudo, é preciso desmistificar o dito popular: “É natural, não faz mal”. Alves cita o exemplo do confrei, que foi utilizado indiscriminadamente para prevenção e tratamento de leucemias, mas acabou provocando inúmeros tumores hepáticos malignos. Outros agravantes são: a incidência de contaminação (bactérias, mofo, coliformes fecais, insetos e metais pesados), a adulteração intencional e a identificação errônea das ervas, assim como a manipulação e preparo de forma inadequada, que podem levar a resultados desastrosos e perigosos. A associação entre fitos e sintéticos também pode oferecer riscos ao paciente. Por isso mesmo, a prescrição médica é indispensável.

Queixa: dor de ouvido; Tratamento proposto: • 2000 aC: coma esta raiz; • 1000 dC: raiz é pagã, reze esta oração; • 1800 dC: oração é crendice, tome esta poção; • 1950 dC: pílula é paliativa, use este antibiótico; • 2000 dC; antibiótico é prejudicial à saúde, coma esta raiz. Plantas Terapêuticas As 34 ervas com registro facilitado no MS/ANVISA são: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

castanha-da-india: fragilidade capilar, varizes; alho: hipertensão arterial leve, dislipidemia e prevenção da aterosclerose; babosa: queimadura térmica grau 1 e 2 e de radiação; uva-ursi: infecção do trato urinário; calêndula: cicatrizante e antiinflamatório dermatológico; centela asiática: insuficiência venosa dos membros inferiores; cimicifuga racemosa: sintomas do climatério; alcachofra: estimulante da função hepática; echinácea: preventivo e coadjuvante na terapia de resfriado e infecção do trato urinário; ginkgo biloba: vertigens e zumbidos, insuficiência vascular cerebral; hypericum: estados depressivos leves e moderados; camomila: anti-espasmódico, antiinflamatório tópico, distúrbios digestivos, insônia leve; espinheira santa: dispepsia e coadjuvante no tratamento de úlcera gástrica; melissa: anti-espasmódico, carminativo, distúrbios do sono; hortelã: cólicas intestinais, carminativo, expectorante; ginseng: fadiga física e mental, adaptógeno; passiflora: sedativo; guaraná: astenia, estimulante do SNC; boldo-do-chile: estimulante hepático, distúrbios gastrintestinais espásticos; anis: antiespasmódico, carminativo, expectorante; kava-kava: ansiedade, insônia, tensão nervosa, agitação; cáscara-sagrada: constipação intestinal; salgueiro: antitérmico, antiinflamatório, analgésico; sene: laxativo; saw palmeto: hipertrofia benigna de próstata; confrei: cicatrizante tópico; tanaceto: profilaxia da enxaqueca; gengibre: profilaxia dos vômitos causados por movimentos e pós-cirúrgicos; valeriana: insônia leve, sedativo, ansiolítico; guaco: expectorante, broncodilatador; hamamelis: hemorróidas e equimoses; poligala: bronquito, faringite; eucalipto: antitussígeno e antibacteriano das vias aéreas superiores, expectorante .

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Água

BRASIL CUIDA DA SUA MAIOR RIQUEZA SUBTERRÂNEA Aqüífero Guarani exige cuidados ambientais e legislação própriapara a preservação e bom uso de sua área, que tem influência na economia dos quatro países do Mercosul. Da redação

Acumuladas no subsolo da terra, entre os grãos de areia de grandes rochas arenosas e porosas que absorvem e armazenam a umidade do solo, encontram-se as águas subterrâneas de um dos maiores reservatórios transfronteiriços do planeta, o Aqüífero Guarani. Tal como uma pérola valiosa oculta pela cobertura da concha, este valioso aqüífero (rocha que suga a água) tem extensão de aproximadamente 1,2 milhões de km2 e volume aproximado de 46 mil km2, esta gigante esponja está espalhada entre: Argentina, que obtém 225.500 mil km2, Paraguai, com 71.700 mil km2, Uruguai, que

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tem a menor porção, 58.500 km2 e Brasil, com cerca de 70% de sua totalidade. São 840 mil km2, divididos em oito estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Intitulado Guarani em homenagem aos povos indígenas que ocupavam a área do aqüífero, ele se sobressai em meio a uma discussão mundial sobre uma possível escassez deste recurso vital nas próximas décadas. Afinal, embora a Terra seja chamada “Planeta Água” somente cerca de 0,3% está disponível para as necessi-

dades do consumo humano. Privilegiadas, a maioria das regiões por onde o Guarani passa é abastecida por sua abundância de águas já filtradas em função da percolação (filtragem natural feita pelas areias). Segundo Nadia Boscardin, uma das autoras do livro “Aqüífero Guarani: a verdadeira integração dos países do Mercosul”, a utilização desse recurso subterrâneo tem se transformado em uma alternativa viável, principalmente onde as águas da superfície tornam-se cada vez mais poluídas. Sendo assim, o Aqüífero Guarani, representa uma importante reserva hídrica para

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Água

o abastecimento público nas regiões onde suas águas são potáveis. Também rico em sais minerais, o perímetro de terras na superfície do aqüífero é caracterizado como o mais fértil do país, usado para cultivo de culturas de cevada, milho, soja e sucroalcooleiro (que produz álcool e açúcar). Outra alternativa de emprego deste lençol freático, tem sido a redução de energia em atividades dos setores industriais e agropecuários que requerem temperaturas mais elevadas da água - uma vez que podem variar entre 30 e 68ºC ao longo do percurso. A alta temperatura também tem gerado lucros para o turismo destas localidades. Estações e estâncias tér-

micas, como Termas de Jurema, Mabu Thermas & Resorts e o Complexo Hidrotermal de Piratuba, têm atraído turistas para as regiões onde o índice térmico é maior. O turismo hidrotermal é basicamente o uso que o Uruguai e Argentina dedicam ao aqüífero, comprovando o potencial desta pérola aqüífera no desenvolvimento socioeconômico nas regiões onde está localizado.

Autores propõem melhorias ao projeto Para os autores do livro “Aqüífero Guarani: a verdadeira integração dos países do Mercosul” (Nadia Boscardin, José Roberto Borghetti e Ermani Francisco da Rosa Filho), além do Comitê Executivo, deveria ser criado um Comitê Gestor responsável pela fiscalização e orientação às empresas e governos na implantação das ações voltadas à utilização racional dos recursos hídricos e do Aqüífero. Este gestor, formado por representantes da sociedade civil dos quatro países, teria o apoio dos governos locais, como membros consultivos e orientariam: A elaboração de um “Plano de Utilização Racional dos Recursos Hídricos do Aqüífero Guarani” e a orientação aos usuários na implantação de obras sociais e ambientais na região onde se localiza o seu empreendimento e na recuperação ambiental (no caso de haver poluentes e degradação); O desenvolvimento e a implementação de medidas de motivação dos principais usuários dos recursos hídricos em relação às vantagens da administração com consciência ambiental;

Mercosul em defesa do Guarani Para defender sua riqueza da ação descontrolada do homem, os Governos dos países do Mercosul se uniram no desenvolvimento do Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani, com recursos do Banco Mundial (BIRD) e da Organização dos Estados Americanos, cujo objetivo é apoiar a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai na elaboração e implementação de um marco comum institucional, legal e técnico para administrar e preservar o Guarani. De acordo com o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra, a meta do projeto é trabalhar em conjunto para evitar a depredação e mau uso dos recursos do aqüífero. “Estamos fazendo um diagnóstico, por meio de estudos, mapas e cadastrando poços para apontar medidas de preser-

vação antecipada, junto com universidades das regiões do aqüífero”, explica Senra. Dentre as ações do projeto estão: a instalação de rádios para a divulgação das ações realizadas, campanhas de educação ambiental nas escolas e nas comunidades para educar a população quanto ao uso sustentável da água, principalmente, para aqueles que trabalham com a agropecuária para evitar possíveis contaminações na área do aqüífero. Além de orientar a população, o programa de proteção visa efetuar pesquisas para o tratamento (dessalinização) do Guarani. Mesmo com a fiscalização dos órgãos estaduais competentes - já que as águas subterrâneas são de domínio dos Estados - Nadia Boscardin, espera que, com a finalização do projeto, sejam criadas leis que promovam uma fiscalização mais efetiva na utilização do aqüífero.

A determinação de estratégias, prioridades e ações da política ambiental relativa ao Aqüífero Guarani; com a criação e patrocínio do lançamento de prêmios para a gestão ambiental; A condução de pesquisa sistemática para identificar as áreas críticas ambientais onde é mais necessário agir com urgência. Temas também defendidos pelas bases principais do trabalho do Sistema Aqüífero Guarani: reconhecimento do Guarani como portador de recursos valiosos transfronteiriços e criação de um modelo para a gestão coordenada do Sistema Aqüífero Guarani, que inclua arranjos jurídicos e institucionais conjuntos, além do intercâmbio de dados.

Formação As regiões onde hoje está o aqüífero, no período pré-histórico, ainda com pouca vida animal e vegetal era um deserto. Com o passar do tempo, os ventos formaram um extenso campo de dunas sobre o continente,

que foi recoberto por lavas vulcânicas. Estas lavas, quando se solidificaram, cobriram a areia de alta porosidade, permitindo o acúmulo de água na região. Isto faz com que as águas das chuvas tenham a facilidade de escorrerem até o local subterrâneo onde ficam armazenadas.

A utilização do recurso subterrâneo tem se transformado em uma “alternativa viável, principalmente onde as águas da superfície tornam-se

cada vez mais poluídas

Crédito: KITLL Soeren Tage (2000) 40

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NEO MUNDO INFORMA Telescópios investigam relação entre ciclo do Sol e clima

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Conferência Ethos 360º Edição 2014 traz conceito inovador

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Conferência Ethos 360º vai se realizar, em 24 e 25 de setembro, no Golden Hall do WTC, em São Paulo (SP), um espaço amplo sob uma abóboda na qual as atividades ocorrerão em total integração e conectividade. Assim, os participantes que estiveram em uma atividade poderão acompanhar as demais sem sair do lugar, enviando perguntas, fazendo comentários e muito mais. O conceito 360º permite esta experiência de viver intensamente e ampliar suas experiências dentro da Conferência, num jogo de simultaneidade de ritmo efervescente e feérico. Duas grandes personalidades internacionais já confirmaram presença: os economistas Pavan Sukhdev e Cameron Hepburn. Pavan Sukhdev ficou conhecido em todo o mundo depois de aceitar o desafio de calcular o valor da biodiversidade global. Os resultados foram divulgados no estudo A Economia de Ecossistemas e da Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês), liderado por ele e organizado no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Publicado em 2010, o Teeb mostrou que a destruição anual de florestas gera perdas de quase US$ 3 trilhões em serviços prestados à sociedade e aos negócios. Graças a esse estudo, Sukhdev passou a ser chamado de pai da economia verde.

Conferência Ethos 360º 24 e 24 de setembro de 2014

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Cameron Hepburn, por sua vez, é diretor do Programa de Economia para a Sustentabilidade do Institute for New Economic Thinking, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Formado em direito e engenharia, com doutorado em economia, é especialista em economia ambiental, energética e de recursos naturais e lançou mais de 30 publicações em campos variados como economia, políticas públicas, direito, engenharia, filosofia e biologia. É também membro do Grupo Consultivo em Economia da Secretaria de Estado para Energia e Mudança Climática do Reino Unido e foi consultor sobre política ambiental, de recursos naturais e de energia para entidades internacionais, como a OCDE e órgãos das Nações Unidas, e para países como Austrália, China, Índia e Reino Unido. Paralelamente, Hepburn vem desenvolvendo uma vitoriosa carreira como empreendedor, tendo investido em diversas start-ups e sendo cofundador de duas empresas de sucesso: a Climate Bridge, uma desenvolvedora de projetos para energia limpa na China e em outros países, que criou com Alex Wyatt; e a Vivid Economics, a consultoria que mantém em sociedade com Robin Smale para atender governos e o setor privado em questões relacionadas a economia de mercado, estratégia comercial, meio ambiente, recursos naturais e energia.

Golden Hall do WTC São Paulo Avenida das Nações Unidas, 12.559 – SP

esquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) construíram dois telescópios que vão funcionar de forma sincronizada na detecção contínua de partículas derivadas da radiação do Sol para investigar possíveis relações entre os ciclos solares e as variações climáticas da Terra. O trabalho é resultado da pesquisa “Detecção e estudo de eventos solares transientes e variação climática”, realizada no âmbito de um acordo de cooperação entre a FAPESP e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). De acordo com o coordenador da pesquisa na Unicamp, Anderson Campos Fauth, professor associado do Instituto de Física Gleb Wataghin, já se sabe que os ciclos solares e suas flutuações apresentam alguma relação com a intensidade com que os raios cósmicos atingem a Terra, apesar de não serem considerados uma das principais causas das mudanças climáticas globais. “Não existe um consenso sobre o mecanismo que relaciona a atividade solar e as mudanças climáticas. Há uma hipótese de que o aumento do fluxo de raios cósmicos pode estar associado ao surgimento de nuvens baixas, que globalmente exercem um efeito de resfriamento e, nas regiões polares, onde a incidência da radiação solar é baixa, têm impacto contrário, provocando aquecimento”, disse. Fauth explica que cientistas têm observado que certos fenômenos climáticos – oceanos mais quentes, maior quantidade de chuvas tropicais, menos nuvens

subtropicais, circulação mais intensa de ventos – parecem estar em parte associados ao ciclo de atividade solar, que dura, em média, 11 anos. Diante disso, o trabalho da Unicamp e da UFF com os telescópios foca em um dos sinais do ciclo solar: a presença e o comportamento das partículas múons na atmosfera terrestre. O múon é a mais abundante partícula com carga elétrica presente na superfície da Terra, representando cerca de 80% dos raios cósmicos com carga elétrica em altitudes próximas ao nível do mar. A cada segundo surgem, aproximadamente, 140 múons por metro quadrado. O fato de a partícula quase sempre possuir trajetória retilínea facilita sua detecção com um arranjo de poucos detectores. O ano de 2014 é propício à detecção de múons pelos telescópios da Unicamp e da UFF. Ao longo deste período, o ciclo atual do Sol atinge sua máxima atividade: o número de manchas solares observadas aumenta consideravelmente e os flares – explosões que ocorrem na superfície do Sol – irrompem com grande intensidade, libertando milhões de toneladas de gás magnetizado. Além disso, Campinas (SP) e Niterói (RJ), onde os telescópios estão instalados, têm localização privilegiada para a detecção de partículas derivadas da radiação solar, pois estão próximas à região central da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (SAA, da sigla em inglês), onde a resistência magnética para entrada de partículas carregadas vindas do espaço é muito baixa.

Inscrições abertas no site: www3.ethos.org.br/ce2014

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NEO MUNDO INFORMA Qualidade do ar com 48 horas de antecedência

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Projeto da USP tenta reproduzir garoupa-verdadeira em cativeiro

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uem ouvir de pescadores tradicionais do litoral norte de São Paulo sobre a pesca da garoupa, provavelmente saberá sobre a abundância destes peixes e a constância com que eram fisgados num passado nem tão remoto. Sua carne saborosa, vendida em pratos por vezes requintados nos restaurantes da região, foi determinante para o aumento excessivo do número de exemplares capturados ao longo dos anos, mais do que as populações puderam repor. Como resultado, atualmente as populações naturais de Epinephelus marginatus, a garoupa-verdadeira, são sensivelmente pequenas, assim como o tamanho — garoupas desta espécie podem chegar a 60 kg, mas vêm sendo pescadas com até 20 kg apenas —, o que levou a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) a considerá-la como em perigo de extinção. Por este motivo, o Laboratório de Metabolismo e Reprodução de Organismos Aquáticos, do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), vem conduzindo, desde 2010, em parceria com o Centro de Biologia Marinhada USP, e com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento

Científico e Tecnológico (CNPq), um projeto que visa a conservação de Epinephelus marginatus a partir da aquicultura. Conduzido pela professora Renata Guimarães Moreira, o projeto está atualmente estruturado na viabilização da criação de garoupas em cativeiro, mais especificamente em tanques com água do mar corrente. O objetivo central é possibilitar a reprodução e o desenvolvimento das fases iniciais destes peixes num ambiente confinado de piscicultura, fornecendo, assim, uma alternativa que poderia aliviar a pressão pesqueira sobre as populações naturais e ainda permitir um possível repovoamento destes estoques. Além das vantagens ambientais, a substituição da pesca da garoupa-verdadeira por sua criação em cativeiro pode ainda gerar benefícios dos pontos de vista da segurança do trabalho, considerando que boa parte das garoupas é atualmente capturada em mergulho livre, uma atividade que envolve muitos riscos, às vezes fatais. Além deste benefício, a qualidade da carne produzida num sistema controlado, seja do ponto de vista nutricional ou sanitário, tende a ser melhor quando comparada aos peixes pescados no ambiente natural, uma vez que estes são mais susceptíveis a parasitas e substâncias poluidoras das águas.

ma ferramenta computacional desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) permite prever com pelo menos 48 horas de antecedência como será a qualidade do ar nas diferentes partes da região metropolitana de São Paulo, considerando as condições meteorológicas e os níveis de emissão e dispersão de poluentes. Os resultados das simulações de qualidade do ar estão disponíveis para consulta gratuita na página http://www.lapat.iag.usp.br/. “Um dos principais objetivos da plataforma é combinar a estimativa de concentração de poluentes com a previsão de possíveis impactos na saúde pública e o impacto de uso dos diferentes combustíveis para a qualidade do ar. A ideia é antecipar eventos de maior poluição que possam causar aumento na admissão em hospitais decorrente, por exemplo, de doenças respiratórias. Isso ajudaria no planejamento dos serviços de saúde”, explica a professora do Instituto de Astronomia,

Comprar produtos sazonais pode render economia de até 30%

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onsultar a tabela sazonal de produtos hortifrutis é uma excelente forma de substituir os alimentos que estão mais caros no mercado e economizar. Além disso, os produtos de época oferecem uma qualidade maior ao produto, uma vez que seu processo de maturação é natural, e não envolve em sua maioria processos artificiais como superexposição à luz ou a produtos químicos. Segundo o economista da CEAGESP, Flávio Godas, a economia para quem compra os alimentos sazonais pode ser de, no mínimo, 30%, dependendo da safra,

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Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), Maria de Fátima Andrade. Outra vantagem da ferramenta é permitir estimar a qualidade do ar em áreas da Região Metropolitana de São Paulo que não contam com estações de monitoramento da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Uma terceira utilidade, de acordo com os pesquisadores, é a possibilidade de desenhar cenários futuros de concentração de poluentes, considerando fatores como mudanças climáticas, estimativas de desenvolvimento urbano e alteração no perfil e no tamanho da frota veicular. Isso poderia, por exemplo, ajudar a avaliar benefícios de políticas públicas que visam a estimular o uso de etanol, biodiesel e outros combustíveis considerados menos prejudiciais ao ambiente.

do produto e, principalmente, do clima. A tabela de produtos sazonais também é uma boa opção para que as pessoas possam substituir alimentos que estão fora de época. Por exemplo, para quem gosta de batata, por que não substituí-la pela mandioca? Para quem é fã de verduras, o agrião é uma boa opção, assim como o brócolis e o espinafre. O gráfico completo de sazonalidade pode ser encontrada no portal da CEAGESP, na seção de produtos: http://www.ceagesp.gov.br/produtos/ epoca/produtos_epoca.pdf

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NEO MUNDO INFORMA Suco de uva ajuda a perder barriga

Embrapa disponibiliza atlas digital com cenários climáticos futuros para o Brasil

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibilizou um atlas digital dos cenários climáticos projetados para o Brasil no quarto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), preparado em 2007. Os mapas climáticos apresentados no atlas trazem temperatura média do ar (mínimas, médias e máximas), precipitação pluvial, umidade relativa do ar e duração do período de molhamento foliar para o país. São 504 mapas mensais, abrangendo o clima de 1961 a 1990 (período de referência) e simulações para os períodos de 2011 a 2040, 2041 a 2070 e 2071 a 2100, contemplando dois cenários de emissão de gases de efeito estufa calculados pelo IPCC, um otimista (chamado B1) e um pessimista (A2). O documento é resultado principalmente de dois projetos da Embrapa: “Impactos das mudanças

climáticas globais sobre problemas fitossanitários” e “Impacto das mudanças climáticas sobre doenças e pragas em cultivos de importância para a agroindústria da Argentina e do Brasil”, realizados em cooperação com o Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (Inta), da Argentina. Os autores do Atlas são Emília Hamada e Raquel Ghini, pesquisadoras da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna); José Antonio Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e Bruno Silva Oliveira e Sulimar Munira Caparoci Nogueira, doutorandos do Inpe em São José dos Campos. O atlas digital pode ser acessado em http://www. cnpma.embrapa.br/climapest/atlasdigital4r/ ou pela página http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/ bitstream/doc/979893/1/AtlasDigital4R.zip

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suco de uva como aliado para perder barriga é a boa nova anunciada recentemente. Depois de comprovar os benefícios da bebida para o coração, redução de colesterol, prevenção do câncer e melhora da memória, uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário Metodista (IPA), de Porto Alegre (RS), indica que o consumo regular do suco elaborado com 100% fruta, sem adição de água ou açúcar, contribui para a redução da sempre indesejada gordura abdominal. Coordenado pela biomédica Caroline Dani e pela bioquímica Cláudia Funchal, o estudo iniciado em 2009 já foi publicado em revistas científicas e quebra paradigmas ao comprovar que uma bebida doce e saborosa pode ser aliada para dietas em seres humanos. Caroline, que estuda os benefícios do suco desde 2004, explica que os ratos submetidos à dieta hiperlipídica (rica em gordura) com suco de

ONU premia melhores práticas de gestão hídrica e sensibilização sobre água

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omo parte da comemoração do final da década “Água, fonte de vida” (2005-2015), as Nações Unidas lançaram a quinta edição do prêmio organizado por sua agência ONU-Água, para promover melhores práticas na gestão desse recurso natural e no âmbito da participação, comunicação, sensibilização e educação. O prêmio foi concebido para reconhecer projetos, iniciativas e programas e não o trabalho individual. Aqueles que queiram concorrer sozinhos devem encontrar o aval e apresentar-se com o apoio de uma organização. O prazo de inscrição termina no dia 15 de setembro de 2014. Com o tema “Água e Desenvolvimento Sustentável, esta quinta edição do prêmio oferece ainda uma oportunidade para refletir sobre os compromissos internacionais nesse campo e sobre os esforços

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uva tiveram redução de peso e de gordura na região abdominal. Já os animais com a mesma alimentação e que ingeriram água tiveram ganho de massa e de gordura. “Esse benefício pode ser estendido aos seres humanos e otimizar ainda mais os resultados com uma alimentação equilibrada”, sugere. A biomédica lembra que estudos anteriores já comprovaram a ação dos componentes da uva e, por consequência, do suco 100% natural para a proteção do fígado, coração, redução da pressão arterial, melhora na capacidade cognitiva, sistema nervoso central e contra os radicais livres, prevenindo de doenças degenerativas, como o Alzheimer e o câncer. A pesquisadora recomenda que a bebida seja incluída diariamente na alimentação. Adultos podem ingerir até dois copos (cerca de ½ litro), enquanto para as crianças um copo garante todos os benefícios à saúde.

realizados para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável e ao saneamento para 2015, bem como deter a exploração insustentável dos recursos hídricos. O prêmio será entregue no dia 22 de março de 2015, durante uma cerimônia em Nova York por ocasião do Dia Mundial da Água. Essa é uma iniciativa organizada e coordenada pelo Escritório das Nações Unidas de Apoio à Década Internacional para a Ação “Água, Fonte de Vida” 2005-2015, que implementa o Programa ONU-Água para a Promoção e Comunicação e o Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP). Para mais informações, acesse http://www.un.org/ waterforlifedecade/waterforlifeaward.shtml

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NEO MUNDO INFORMA Pressão para ampliar a participação social na elaboração do Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas

Iniciativas para preparar a Baía de Guanabara para os Jogos Olímpicos

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assada a Copa do Mundo, as atenções se voltam agora para outro grande evento esportivo, as Olímpiadas 2016, no Rio de Janeiro (RJ). E a poluição na Baía de Guanabara ganha o centro dos debates. “Sem dúvida nenhuma, a realização dos Jogos tem sido um fator de potencialização de investimentos e de melhorias na qualidade da água da Baía. Passamos de 10 a 15% de esgoto tratado para 50%, ou seja, três vezes mais”, afirma o chefe da Casa Civil do governo do Rio de Janeiro, Leonardo Espíndola. A meta para 2016 é tratar cerca de 80% de todo o esgoto dos rios que desaguam na baía. “Nossa meta é 80% do esgoto que migraria tratado, vamos chegar bem próximos dessa meta ou chegaremos nela. A Baía está longe da perfeição. Não está tão ruim como muitos alardeiam, mas não está tão boa quanto ela merece. Cavalos marinhos

apareceram lá e é um bom sinal, mostra que estamos no caminho certo”, completa. “As condições oceanográficas da Baía de Guanabara não são homogêneas em todo o seu espelho d’agua, então se a gente quiser encontrar água suja, vai encontrar. Mas também, por incrível que pareça, existem muitos pontos onde a capacidade de recuperação da baía é enorme”, explica o oceanógrafoDavid Zee. Para tratar o lixo flutuante, o governo aposta na instalação das ecobarreiras, que impedem que os resíduos sólidos cheguem até a baía. Hoje, 12 ecobarreiras já estão em funcionamento e outras sete entram em operação em 2015. Já na região da Marina da Glória, local de competição dos Jogos Rio 2016, será instalado um “cinturão” para reter os resíduos no local.

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elaboração do Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas (PNA) deve ficar pronta no ano que vem, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). Porém, a sociedade civil já está se mobilizando para que ele esteja adequado às necessidades do Brasil. O Observatório do Clima (OC) – rede de ONGs e movimentos sociais brasileiros que atuam na agenda de mudanças climáticas – definiu em reunião estratégica que irá cobrar do governo uma posição mais arrojada no PNA, indispensável para proteger a biodiversidade, saúde da população e economia do país. O objetivo é que ele seja produzido de modo diferente de como foi feita a elaboração dos Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, que começaram em 2011 e ainda não estão totalmente concluídos.

observatoriodoclima.eco.br/), no setor de ‘mudanças do uso da terra’, onde estão incluídas as emissões provenientes de desmatamento (responsável por 32,1% das emissões do país), entre 2000 e 2005 foram emitidas entre 1,5 e 2 bilhões de toneladas de CO2 por ano. Já em 2009, esse número tinha caído para cerca de 647 mil toneladas. “Em 2009 os índices de desmatamento já eram muito menores que no período de 2000 a 2005. Não fazia sentido usar esses dados desatualizados para projetar as emissões estimadas para 2020. Quando se usa um indicador com números inflados como esse, a proposta de redução se torna falsa. Isso porque o país estava oferecendo um esforço futuro que já tinha atingido nos anos anteriores, de 2006 a 2009!”, ressalta Ferretti.

Os Planos Setoriais apresentam indicadores e metas de redução de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEEs) para os diversos setores da economia, como Energia, Agricultura e Indústria. O objetivo desses planos é garantir o cumprimento das metas de redução de GEEs indicadas na Política Nacional sobre Mudança do Clima, de 2009. Porém, apesar de ser um ganho, essa Política, bem como os planos setoriais que dela se originaram, apresentavam previsões infladas de emissão de GEEs, o que gerou metas praticamente já cumpridas quando divulgadas, como explica o coordenador do OC, André Ferretti. “Em 2009, quando a Política foi lançada, o perfil das emissões brasileiras já havia mudado significativamente, já sendo muito menor do que nos cinco ou 10 anos anteriores. Assim, a projeção de emissões para 2020 ficou inflada e, consequentemente, as metas de redução na verdade já estavam praticamente atingidas ao serem anunciadas pelo Presidente Lula na Dinamarca em Dezembro de 2009”, ressalta.

Durante muito tempo as discussões globais sobre mudanças do clima eram focadas em mitigação. Hoje, com os efeitos dessas alterações sendo sentidas em diversas partes do globo, é preciso discutir e buscar ações de adaptação urgentes, e o PNA é será o primeiro grande marco dessa realidade no Brasil. “Como as alterações do clima já estão em curso, além de pensar em como abrandá-las, é preciso criar alternativas para adaptar-se a elas, agindo de maneira estratégica a fim de reduzir seu impacto para a biodiversidade, a saúde da população e para a economia do país”, ressalta Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

Segundo o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG), lançado em 2013 pelo Observatório do Clima (http://seeg.

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Segundo o Observatório do Clima, é preciso diversificar a matriz energética para reduzir a dependência do País das grandes hidrelétricas e da produção de petróleo, rumo a uma economia de baixo carbono. Também é necessário agir na área da infraestrutura, adaptandose às novas necessidades que as mudanças climáticas têm gerado. Um exemplo é a adaptação de portos e estradas em virtude de alagamentos que podem se tornar mais frequentes e interromper o trânsito de pessoas e mercadorias.

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O mundo está mudando. E você? Instituto NEO MONDO Soluções para o terceiro setor. Núcleos REVISTA NEO MONDO MARKETING CORPORATIVO Posicionamento da marca no mercado com Responsabilidade Socioambiental EDUCAÇÃO Elaboração de cartilhas, livros e projetos educativos socioambientais e corporativos

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ASSESSORIA DE IMPRENSA Jornalismo especializado nas áreas: Sustentabilidade e Corporativo WEB Criação de animações gráficas para composição de livros, desenvolvimento de versões digitais de publicações impressas e de projetos especiais para eventos e feiras, utilizando realidade aumentada (RA), além de aplicativos de uso geral para celulares e tablets.

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Revista Neo Mundo Edição 63 Julho/Agosto 2014  
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