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Ano 9 - No 71 - novembro/dezembro 2015

Exemplar de ASSINANTE Venda Proibida

R$ 16,00

MISTÉRIOS DO PAMPA

100 ANOS DE AUGUSTO RUSCHI

O cientista dos beija-flores

MISTÉRIOS DO PAMPA Uma viagem pelos biomas brasileiros

NEO MONDO LANÇA NÚCLEO DE EDUCAÇÃO Ampliam atuação em educação e tecnologia


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Seções

ÍNDICE 12

Perfil O cientista dos beija-flores Augusto Ruschi foi cientista, agrônomo, advogado, naturalista e ecologista

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Educação

Conheça os mistérios do Pampa

Sempre inovando para disseminar o conceito de sustentabilidade

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Uma viagem pelos Biomas Brasileiros

Instituto Neo Mondo amplia atuação em educação e tecnologia

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Meio ambiente

Clima Na expectativa da maior conferência global sobre o clima A Cop 21 acontece no final de novembro, mas proposta do governo brasileiro já recebe críticas

Evento Intercâmbio de ideias e projetos com foco em sustentabilidade Nos dias 22 e 23 de setembro, São Paulo sediou mais uma edição da Conferência Ethos


EDITORIAL Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br

Desde sua fundação, a revista NEO MONDO sempre buscou a vanguarda da comunicação para disseminar a sustentabilidade. Em consonância com essa visão, é com enorme satisfação que anuncio a criação de três novos núcleos de atuação: Branded Content, Educação e Tecnologia. Por meio deles, pretendemos continuar contribuindo para transformar o presente e garantir o futuro de um planeta sustentável. Conheça mais sobre estas novidades em nossas páginas centrais. Nesta edição, finalizamos nossa viagem aos biomas brasileiros com uma matéria especial sobre o Pampa, cuja beleza já foi retratada em filmes e minisséries nacionais. E, num bimestre de muitas novidades, trazemos a nossos leitores os destaques da Conferência Ethos 360º e do VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC). Prestamos ainda nossa homenagem ao cientista Augusto Ruschi, conhecido como “cientista dos beija-flores”, e cuja vida foi dedicada às descobertas, defesa e estudo das espécies brasileiras. Por fim, propomos a reflexão a respeito da Economia Circular, que visa priorizar oportunidades com base no Pensamento do Ciclo de Vida de produtos e tecnologias. Como veem, uma edição recheada de novidades. Tenham uma ótima leitura! NEO MONDO, tudo por uma vida melhor!

EXPEDIENTE Publisher: Oscar Lopes Luiz Diretora de Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794) Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Eleni Lopes, Marcio Thamos, Dr. Marcos Lúcio Barreto, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Rafael Pimentel Lopes, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Natascha Trennepohl, Rosane Magaly Martins, Pedro Henrique Passos Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794), Andreza Taglietti (MTB 29.146), Lilian Mallagoli Revisão: Instituto NEO MONDO Direção de Arte: LabCom Comunicação Total Projeto Gráfico: LabCom Comunicação Total

Diretora Jurídica - Enely Verônica Martins (OAB 151.575) Diretora de Relações Internacionais: Marina Stocco Diretora de Educação - Luciana Mergulhão (mestre em educação) Correspondência: Instituto NEO MONDO Rua Ministro Américo Marco Antônio n0 204, Sumarezinho São Paulo - SP - CEP 05442-040 Para falar com a NEO MONDO: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tel. (11) 2619-3054 98234-4344 / 97987-1331 Presidente do Instituto NEO MONDO: oscar@neomondo.org.br

PUBLICAÇÃO A Revista NEO MONDO é uma publicação do Instituto NEO MONDO, CNPJ 08.806.545/0001-00, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça - processo MJ n0 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 70.000 exemplares distribuídos por mailing VIP e assinaturas em todo o território nacional. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização. NEO MONDO - novembro/dezembro 2015

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Perfil

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O CIENTISTA DOS BEIJA-FLORES Augusto Ruschi foi cientista, agrônomo, advogado, naturalista e ecologista de renome internacional. Sua vida foi dedicada às descobertas, defesa e estudo das espécies brasileiras. Descreveu cinco espécies e onze subespécies de beija-flores. Sua segunda paixão foram as orquídeas, das quais ele identificou 45 novas espécies. Por Eleni Lopes

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paixão pela natureza já corria no sangue de Augusto Ruschi muito antes de ele nascer. Sua família tem mais de 2 mil anos de tradição no trabalho com ciência e plantas, cultivando-as e estudando-as, sendo inclusive o nome da família originário da espécie Ruscus aculeatus, ou azevinho do campo. Augusto Ruschi nasceu em 13 de dezembro de 1915, em Santa Teresa, uma pequena cidade de colonização italiana nas montanhas do Espírito Santo. Foi o oitavo entre os doze filhos do casal de imigrantes Giuseppe Ruschi e Maria Roatti. Sua vida foi dedicada às descobertas, defesa e estudo das espécies brasileiras. Foi o pioneiro do manejo sustentável das florestas tropicais, da agroecologia, do controle biológico de doenças tropicais e zoonoses e das denúncias sobre o uso irresponsável dos agrotóxicos. Deixou uma vasta obra escrita, com 450 trabalhos, 22 livros e 2 instituições científicas - Museu de Biologia Professor Mello Leitão e Estação Biologia Marinha Ruschi - e a Fundação Brasileira de Conservação da Natureza, várias reservas, entre as quais o Parque Nacional do Caparaó e um dos maiores acervos de informações existentes sobre a floresta Atlântica. NEO MONDO - novembro/dezembro 2015

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Perfil Foi o maior especialista mundial sobre beija-flores, deixando a maior obra escrita no mundo sobre o assunto. Descreveu cinco espécies e onze subespécies deste pássaro. Sua segunda paixão foram as orquídeas, das quais ele também foi capaz de identificar 45 novas espécies. Também foi a principal autoridade mundial sobre ecologia da floresta Atlântica, sendo o único cientista no mundo a viver 50 anos no interior da floresta. Também deixou significativas contribuições em estudos de morcegos, macacos, bromélias e impacto ambiental.

em que se aprofundava no assunto. Enfrentava autoridades, empresas e até a própria justiça para defender as matas virgens e as reservas ecológicas. Ganhou notoriedade ao enfrentar, em 1977, o governador do Estado do Espírito Santo, que baixara um decreto determinando que na Reserva de Santa Lúcia fosse implantada uma fábrica de palmitos enlatados, que seriam extraídos da própria reserva. Logo em Santa Lúcia, uma Estação Biológica do Museu Nacional, com milhares de orquídeas catalogadas e

Polêmica com o governador Augusto Ruschi começou a lecionar na Universidade Federal do Brasil (atual UFRJ), em 1937, com apenas 22 anos. Neste período, Augusto Ruschi esteve sob orientação direta do professor José Cândido Mello Leitão, um grande cientista brasileiro, principal especialista em aracnídeos no mundo. Com sede de conhecimento, Ruschi não demorou muito em esgotar a sua permanência no Rio de Janeiro. Dizia que o trabalho de campo que realizava antes, nas matas virgens do Espírito Santo, seu Estado natal, era muito mais relevante para a ciência do que o trabalho nos laboratórios.

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Ruschi recebeu os fiscais do governo que vieram fazer a topografia da reserva com uma espingarda na mão. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, contou detalhes do episódio: "Aquele safado quis destruir a estação biológica de Santa Lúcia para favorecer amigos

Não é maravilhoso existir um "mundo tão vasto que jamais consigamos desvendar todos os seus mistérios? E, além disso, não parece apaixonante viver não só para admirar os seus prodígios, como também, sobretudo, para tentar descobrir os enigmas de que o homem está ainda rodeado?

Foto: www.rotascapixabas.com

Para suas pesquisas, realizou 259 excursões científicas por todos os lugares do mundo, da Patagônia ao Alasca, sempre registrando em publicações repletas de fotografias e slides, além de todas as suas observações sobre a natureza, os animais e as plantas. Em suas andanças pelas florestas, Ruschi testemunhava as agressões que estas sofriam. “Cortam as matas ignorando tudo o que está dentro. Ninguém quer saber que lá têm milhares de animais, centenas de milhares de espécies de insetos, de plantas, que fazem o seu equilíbrio. E o equilíbrio natural é complexo, onde, às vezes, a ausência de um elemento pode causar uma falha muito grande. O homem é que perturba e desequilibra”, dizia. A indignação dele aumentava à medida

20 mil árvores numeradas com plaquetas de identificação, reconhecida como uma das regiões mais ricas do mundo em flora epífita, trabalhada por Ruschi durante mais de 40 anos.


seus, industriais. Queriam plantar palmito lá. Chegou a tentar me tirar da direção da reserva para facilitar sua intenção. Falei que mataria este homem se fizesse este crime e acho que mataria mesmo. Lembro que, na época, o jornal Movimento foi o primeiro a ficar do meu lado. Os jornais do Espírito Santo, comprometidos com o bandido, se omitiram". O governador avisou a Polícia Federal e, Ruschi, as imprensas nacional e internacional. A pequena cidade de Santa Teresa foi invadida por jornalistas, que divulgaram para todo o país um dramático e realista apelo de Ruschi pela preservação da Reserva. O governador, diante de tamanha repercussão, recuou.

O número de “ homens na terra não será determinado pelas leis do homem, mas sim pelas leis da natureza.

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Ruschi foi também um defensor da cultura e dos direitos das minorias indígenas, que ele conheceu bem de perto

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Perfil

Estou muito " decepcionado com as coisas do futuro. Num país em que até os letrados ignoram a importância do meio ambiente é difícil ficar otimista, ter esperança. Mas continuo brigando.

nas suas andanças pelas florestas, pelo afluentes do Amazonas, pelos Andes e pelos vales do Peru e da Colômbia. Durante a ditadura militar, foi uma das poucas vozes que se ergueram no período do Governo Militar para denunciar a derrubada de áreas na Amazônia. Foi abraçando a cultura indígena que Ruschi sensibilizou novamente o país, no ano de 1986. Gravemente enfermo devido a sequelas deixadas por doenças como esquistossomose e malária, que contraiu durante suas pesquisas pelas florestas, e abatido pelo veneno de sapos dendrobatas que tinha sido absorvido pelo seu organismo durante uma coleta de material no Amapá, Ruschi resolveu submeter-se a um ritual indígena na esperança de que esta medicina, baseada em ervas e raízes, o ajudasse a enfrentar a doença. Já havia se submetido a todos os tratamentos médicos convencionais. Ruschi morreu pouco depois, de cirrose hepática. Atendendo a um desejo seu, foi enterrado nas matas da Reserva Biólogica de Santa Lúcia. Coincidentemente, no dia 05 de junho de 1986, Dia Mundial do Meio Ambiente.

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Uma frase de Augusto Ruschi resume sua preocupação com as ameaças à natureza: “A capacidade de destruir do homem partiu do arco e flecha, chegou à bomba atômica e irá muito além dela. Mas a Natureza lhe cobrará tributos cada vez maiores, e se desejarmos continuar como elementos integrantes dessa mesma Natureza, a quem devemos uma grande parcela de nossa existência, façamos-lhe justiça, conservando-a”.

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MEIO AMBIENTE

UMA VIAGEM PELOS BIOMAS BRASILEIROS Apesar de possuir uma paisagem marcante, o O Pampa esconde diversos cenários e ecossistemas pouco explorados.

Foto: Isaias Mattos

Da Redação

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Foto: Divulgação

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Pampa, conhecido também como Campos do Sul ou Campos Sulinos, estende-se por grandes áreas de três países da América do Sul (Argentina, Uruguai e Brasil), ocupando quase 700 mil km² dos territórios dessas regiões. No Brasil, o bioma ocupa quase 180 mil km² de área, estando presente, em sua maior parte, nas regiões sul e sudeste do Rio Grande do Sul (dois terços do Estado).

já foi identificada a presença de mais de 3000 espécies de plantas, sendo que a p ro x i m a d a m e n t e 400 delas são gramíneas. Apesar de possuir uma paisagem marcante (planícies cobertas de gramíneas, plantas rasteiras e algumas árvores e arbustos encontrados próximos a cursos d’água), a grande variedade vegetal torna seu cenário bastante diversificado.

Conheça três dessas paisagens: 1. Parque do Espinilho: Localizado exclusivamente no sudeste do Rio Grande do Sul, é marcado por uma vegetação espinhosa e seca (daí o nome). Os últimos remanescentes significativos desse tipo de formação estão no

Apesar de possuir uma paisagem marcante, com predomínio de gramíneas, o bioma esconde inúmeros outros cenários e ecossistemas, modificados, em sua maioria, por causa do vento, fator vital na configuração da paisagem e que dá um caráter único à região.

Foto: Francisco Renato Galvani

Mesmo com tais paisagens exclusivas, as áreas naturais protegidas no país são as menores de todos os biomas. Ele possui a menor representatividade no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), com apenas 0,36% de seu território transformados em áreas de conservação. Grande problema! Isso porque o Pampa tem duas das mais importantes funções na preservação da biodiversidade mundial: atenuar o efeito estufa e ajudar no controle da erosão. Pampa Florestal No bioma, que antes de ser estudado a fundo chegou a ser classificado como um “vazio ecológico”, NEO MONDO - novembro/dezembro 2015

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MEIO AMBIENTE município de Barra do Quarai, numa área de cerca de 1.618 hectares, dentro do Parque Estadual do Espinilho (Decreto nº 41.440, de 28 de fevereiro de 2002). Duas espécies bem características e que determinam o aspecto curioso deste parque são o algarrobo (Prosopis algarobilla) e o nhanduvaí (Acácia farnesiana). 2. Banhados: Diferente das peculiaridades do Parque do Espinilho, os banhados possuem as características marcantes do Pampa, com predomínio de gramíneas. Em sua grande maioria, as regiões com essa cobertura vegetal foram drenadas para uso agrícola, através do Programa Pró-Várzea, do governo federal, na década de 1970. Dentre as áreas de destaque, a mais conhecida está localizada no sul do Estado, chamada de Banhado do Taim (protegida por um

parque de mesmo nome). Outra área relevante é a dos municípios de Itaqui e Maçambará, na fronteira com a Argentina. Lá ocorre o banhado de São Donato, reconhecido como reserva ecológica na década de 1970, mas que até hoje ainda não foi efetivado. Atualmente, possui uma extensão de 4.392 hectares, que está praticamente cercada pela agricultura, principalmente a de arroz. 3. Cerros e serras: Localizados predominantemente no sudoeste do RS, os cerros e serras são um mistério para os estudiosos, já que surgem, aparentemente, do nada (pequenos e baixos morros aparecem em uma área totalmente plana, sem pedras evidentes, sem florestas, sem cavidades). Sua característica principal é uma aparência de arenito conglutinado. Pampa Animal Apesar de não ter tido sua fauna muito estudada, os Campos Sulinos abrigam, pelo menos, 102 espécies de mamíferos (cinco delas

endêmicas), 476 espécies de aves (duas endêmicas) e 50 espécies de peixes (12 endêmicas). Dentre elas, 24 espécies de aves e as cinco espécies exclusivas de mamíferos estão ameaçadas de extinção. Uma das principais causas do declínio no número de espécies da região é a expansão da monocultura de árvores exóticas. Ela foi responsável pela destruição de pelo menos 26 espécies da fauna dos Campos do Sul, além de ser o agente de cerca de 10% das ameaças de extinção. Mesmo com números preocupantes, o Brasil é o único país, dentre os que compõem o bioma, que a existência dessas espécies ainda não está totalmente comprometida. Conheça alguns dos animais que fazem parte da fauna do Pampa: 1. Gato montês (Felis silvestris): é um tipo de felino que habita preferencialmente bosques fechados. É um animal noturno, que durante o dia refugia-se em buracos de árvores, fendas nas rochas ou tocas abandonadas de outros animais.

Foto: Divulgação

2. Gato-do-mato (Leopardus tigrinus): é um felino originário da América do Sul e da América Central. Embora semelhante a uma jaguatirica, este gato distingue-se pelo pequeno tamanho (mede cerca de 50 centímetros, sendo considerado o menor dos felinos silvestres no Brasil) e pelas manchas em sua pelagem. Alimenta-se de ratos, pássaros e insetos. 3. Puma (Felis concolor): é o segundo mais pesado felino da América, ficando atrás apenas da onça-pintada. Pode chegar a medir até 2,40 metros de comprimento e alcançar 100 quilos. Vive solitário e 20

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Foto: Ronai Rocha

costuma caçar no final do dia. Tem expectativa de vida de, em média, 15 anos.

Foto: Eduardo Amorim

4. Caminheiro-grande (Anthus nattereri): é uma das aves do Pampa mais ameaçadas de extinção. Pode chegar a medir 15 cm de comprimento. Alimenta-se, basicamente, de insetos. Entre suas peculiaridades está seu canto complexo durante voos altos, em que a pequena espécie sobe quase 25 metros verticalmente, deixando-se cair, depois, rapidamente.

5. Caboclinho-de-barriga-preta (Sporophila melanogaster): é um pássaro que pode NEO MONDO - novembro/dezembro 2015

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Foto: Divulgação

Foto: Miriam Zomer

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chegar a medir 10 cm de comprimento. Tem um canto suave e agradável, com diversas notas. Alimenta-se de gramíneas e sementes. Pampa Social: Problema e Solução Os Campos do Sul estão localizados na metade mais pobre do Rio Grande do Sul. Apesar dos grandes latifúndios, a região não conseguiu desenvolver-se economicamente. Visando minimizar os problemas socioeconômicos, os governantes vêm, há vários anos, criando programas que buscam levar o “progresso” para a região. No entanto, alguns programas acabam por degradar o bioma. Um dos exemplos é o projeto do governo de implantação de monoculturas de árvores para a região. Como a metade sul do Estado é uma grande planície, o plantio extensivo de árvores altera o regime de ventos e de evaporação da região, causando impactos significativos no clima, nos recursos hídricos e na cultura. Por outro lado, o programa de desenvolvimento das fazendas de criação de gado é uma das alternativas para a manutenção do Pampa. Como a região é constituída basicamente de grandes fazendas de criação, a implementação de técnicas mais avançadas de manejo acabam por ajudar na proteção das terras. Aliados à grande produtividade, à manutenção da biodiversidade do campo nativo e aos ganhos financeiros significativos para o produtor rural, esse programa é um dos mais eficazes aplicados até hoje no Rio Grande do Sul.

Degradação do Pampa Alguns são os fatores que contribuem para a degradação desse bioma. Um deles é a expansão descontrolada do plantio de monoculturas, como arroz, milho, trigo e soja. Devido à riqueza do solo, algumas áreas cultivadas do Sul cresceram rapidamente sem um sistema adequado de preparo, resultando em erosão e, até, na desertificação de algumas partes da região. Outro fator, considerado um dos mais ameaçadores à sobrevivência dos Campos Sulinos, é a exploração indiscriminada de madeira. Algumas árvores de grande porte foram derrubadas e queimadas para dar lugar ao cultivo de milho, trigo e videira, principalmente. Um dos exemplos dessa exploração descontrolada fica por conta da mata das araucárias ou pinheiros-do-paraná. Antes, essas árvores estendiam-se por cerca de 100 mil km² de matas de pinhais. No entanto, por mais de 100 anos, os pinheiros alimentaram a indústria madeireira do Sul, fazendo com que hoje restem apenas 2% da cobertura original da mata das araucárias. Os pequenos vestígios da formação original dessa vegetação que restam estão confinados em áreas de conservação do Estado. Um terceiro problema é a ampliação da área de plantio de soja e a cultura da mamona para elaboração de biocombustível. Estas duas práticas são consideradas as mais recentes ameaças à região e vem rapidamente destruindo os solos do bioma. Constante e antiga ameaça dos Campos do Sul é a mineração e a queima de carvão mineral. Os impactos locais, regionais e globais são muitos, variando entre a acidificação da água, a alteração da paisagem, o deslocamento de populações assentadas, o aumento de incidência e frequência de doenças pulmonares, as chuvas ácidas e emissão de gases de efeito estufa. Fontes: ✓ Almanaque Brasil Socioambiental - ISA 2008 ✓ Defesa da Vida Gaúcha - www.defesabiogaucha.org ✓ Mundo de Sabores - www.mundodesabores.com.br ✓ WWF Brasil – www.wwf.org.br

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CURIOSIDADES Filmes e minisséries já foram gravados nas regiões do Pampa. Entre os filmes, o destaque fica para “Intrusa”, de Carlos Hugo Christensen, ganhador de quatro Kikitos, no 8º festival de Cinema de Gramado. O longa mostra como vivia o gaúcho no século XVIII. Já entre as minisséries, os destaques ficam para “O Tempo e o Vento” e “A Casa das Sete Mulheres”, da Rede Globo, que também mostram um pouco da história do Pampa e muito de sua paisagem.

Foto: http://photojournal.jpl.nasa.gov/catalog/PIA03444

Os Campos Sulinos foram palco da Guerra do Paraguai, entre os anos de 1864 e 1870. Desta guerra participaram Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. A região coberta pelos Campos Sulinos apresenta clima subtropical, com temperaturas amenas e chuvas regulares, sem grande alteração durante o ano. A vegetação herbácea do Pampa varia entre 10 e 50 cm de altura. No Pampa vive o Gato do Pampa (Felis Colocolo). Este curioso felino pode medir até 85 cm, sendo que 25 cm são só de calda.

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Receita Típica do Pampa: Arroz Carreteiro Ingredientes: Massa ✓ 200g de charque* ✓ 4 colheres (sopa) de óleo ✓ 5 dentes de alho picados ✓ 1 cebola grande picada ✓ 4 tomates picados ✓ 3 pimentões picados ✓ 1 colher de sopa de cheio-verde ✓ 350g de arroz ✓ Sal a gosto

2. Adicione o charque e deixe por meia hora; 3. Retire do fogo, escorra a água e corte a carne em pedaços pequenos; 4. Em outra panela, aqueça o óleo, junte o alho, a cebola, o tomate e o pimentão;

Massa 1. Coloque água em uma panela e leve ao fogo até que ela ferva;

6. Em seguida, junte o arroz, um pouco de água fervente e deixe cozinhar por 15 a 20 minutos;

8. Por fim, salpique o cheiro-verde para dar gosto. * O charque é uma carne salgada que se tornou o principal produto da economia do Rio Grande do Sul no século XIX. Difere-se da carne-de-sol e da carne-seca no modo de preparo (não fica exposta ao sol) e na quantidade de sal que utiliza na produção (usa-se muito mais sal para produzir o charque, por causa da umidade da região).

Foto: Divulgação

Preparo:

5. Deixe cozinhar por cerca de 8 minutos, mexendo de vez em quando;

7. Adicione sal, se necessário;

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Núcleo de Educação

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O Núcleo de Educação NEO MONDO Ê OLGHUDGRSRUSURȴVVLRQDLVFDSDFLWDGRVH HQWXVLDVPDGRVFRPDFRQVWUXŠ¼RGHXP mundo melhor. Oscar Lopes Luiz – Publicitårio, pós-graduado em Marketing. É presidente do Instituto NEO MONDO Eleni Lopes – Diretora de Redação da revista NEO MONDO. Ricardo Ditchun – Sociólogo especializado em comunicação corporativa, jornalista e editor. ValÊria Cabrera – Jornalista e relaçþes públicas. Ricardo Girotto – Publicitårio e ilustrador de livros infantis. Alda de Miranda – Publicitåria e autora de livros infantis.

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EDUCAÇÃO

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Foto: Divulgação

esde sua fundação, o Instituto NEO MONDO acredita que somente pessoas conscientes podem transformar o presente para garantir o futuro de um planeta sustentável. Para isso, é necessário unir esforços individuais e agir coletivamente. Em consonância com sua missão, NEO MONDO comemora seus novos núcleos de atuação: Branded Content, Educação e Tecnologia. De acordo com Oscar Lopes Luiz, presidente do Instituto NEO MONDO e publisher da revista, “sempre buscamos a vanguarda da comunicação para disseminar a sustentabilidade. Fomos a primeira revista do Brasil a usar a realidade aumentada e, hoje, continuamos investindo em ferramentas inovadoras para nos consolidarmos como agentes transformadores da socidade, por meio da edução, tecnologia e conteúdos diferenciados”. 28

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Conheça mais sobre estas novidades a seguir: Núcleo de edução O poder da edução na transformação da sociedade é inquestionável. Por isso, o Instituto NEO MONDO reforçou sua atuação em educação por meio de uma parceria com a autora Alda de Miranda e o ilustrador Ricardo Girotto para a promoção de livros e projetos infanto-juvenis. Alda é autora consagrada e, em 2014, foi homenageada pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo com o Colar do Centenário, por sua contribuição à literatura infantil. E Girotto também é profissional reconhecido, tendo ganho o prêmio HQMix de ilustração infantil, pelos livros da coleção “Castelo Rá-Tim-Bum”. O primeiro fruto desta parceria é a obra Um reino sem dengue, voltado para crianças de 07 a 11 anos. O livro surpreende por sua abordagem totalmente inovadora sobre como educar as crianças a respeito da importância do combate à dengue. Numa história que trabalha o imaginário infantil, os autores


transportam a garotada para um reino que, para surpresa geral, é invadido pelo mosquito Aedes aegypti. O Rei fica misteriosamente doente e é preciso descobrir o que está acontecendo. A partir daí, numa aventura desafiadora, as personagens envolvem-se no aprendizado sobre a dengue e decidem combater o invasor inimigo. Com lindas imagens coloridas, o livro mergulha no universo infantil para conseguir transmitir o aprendizado de forma criativa e envolver as crianças na prevenção da dengue, usando, para isso, as ferramentas da leitura e da imaginação. Núcleo de Tecnologia A tecnologia também pode ter um papel transformador na sociedade, basta ver as mudanças trazidas pela disseminação das redes sociais. Pensando nisso, o Instituto NEO MONDO firmou uma parceria com a Eyemotion, hoje, a maior empresa de tecnologia para eventos do Brasil.

Aumentada, Realidade Virtual, Holografia e Projetos Especiais. Cada uma destas unidades possui uma equipe de desenvolvimento qualificada especificamente para a tecnologia produzida. Todos os produtos são patenteados em território nacional para garantir a exclusividade dos projetos desenvolvidos para nossos clientes. Brandend Content Antenado com as mais recentes tendências em comunicação, o Instituto NEO MONDO passa a contar também com o núcleo de Branded Content, ou conteúdo de marca. Isto é, são formas diversas de entrar em contato com o público-alvo de uma empresa,

oferecendo conteúdo relevante, diretamente relacionado ao universo macro daquela marca. No caso de NEO MONDO, o foco é a sustentabilidade e o que as empresas estão fazendo para disseminar este conceito dentro de suas práticas e vivência corporativa, por meio de textos, infográficos, vídeos, fotos, ações de guerrilha, cartilhas, aplicativos, blogs, sites etc.

Foto: Divulgação

A empresa possui 4 unidades produtivas internas: Realidade

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EVENTO

INTERCÂMBIO DE IDEIAS E PROJETOS COM FOCO EM SUSTENTABILIDADE Nos dias 22 e 23 de setembro, São Paulo sediou mais uma edição da Conferência Ethos. Anualmente, o evento tem o desafio de reunir executivos de empresas, empreendedores e especialistas de diversos setores para intercâmbio e reflexão de ideias e projetos com foco em sustentabilidade. Este ano, mais de 1200 pessoas participaram das discussões. Da Redação, com Instituto Ethos

A

revista NEO MONDO, apoiadora de mídia do evento há mais de cinco anos, preparou um resumo especial dos principais temas discutidos nos painéis desta edição 2015 da Conferência Ethos. Importância do equilíbrio financeiro “Foram alguns anos de desequilíbrio econômico no país, e agora é hora de fazermos um sacrifício para pagar os exageros do passado. O deficit público brasileiro foi crescendo ao longo do tempo, em uma tendência nada sustentável”, contextualizou Caio Megale, economista do Banco Itaú, na abertura do painel “Nossas escolhas, nosso dinheiro e a prosperidade socioeconômica do país”. Com Jurandir Macedo Sell Jr., fundador do Instituto de Educação Financeira, apresentaram uma breve análise do cenário socioeconômico do país e do seu reflexo nas famílias brasileiras. Para sustentar o consumo, houve uma deterioração significativa nas contas públicas. O mercado de trabalho seguia aquecido e, agora, se inicia uma fase de crescimento da taxa de desemprego. 30

A inflação disparou pela liberação dos congelamentos. “Tudo isto traz um grande desconforto”, comentou Megale. “No entanto, o Brasil continua sendo um país cheio de oportunidades, com 200 milhões de consumidores, com a agricultura mais forte do mundo e, ainda, com necessidades fortíssimas de infraestrutura para gerar riqueza. O desafio é pular esse obstáculo de curto prazo”, complementou. Obviamente os desafios macroeconômicos refletem nas finanças individuais. Vivemos um momento em que é essencial analisar a situação financeira e dialogar para fazer escolhas conscientes na redução de gastos ou na aplicação em investimentos. “Precisamos derrubar o tabu que é falar sobre dinheiro”, destacou Jurandir Sell. “Normalmente os brasileiros não conversam sobre suas contas pessoais, seja por uma situação muito próspera ou muito negativa, e isto faz com que a população permaneça distante do uso consciente do dinheiro e da possibilidade de fazer escolhas mais sustentáveis”, justificou.

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Existe uma tendência do PIB cair no

curto prazo, período que o crédito fica mais conservador. “A taxa de inadimplência tende a crescer nesse período. Porém, à medida que a economia se reequilibra, o crédito volta a crescer, de forma mais sustentável”, comentou Megale. Por último, Sell trouxe a ideia da moeda universal: “Muito mais importante do que qualquer moeda é uma hora de vida. Tudo o que consumo é pago com vida. Há que se ter muita atenção para o risco de desviar o consumo para consumismo. O consumo é quando gasto essa hora de vida e o resultado é positivo. No consumismo a gente come, come, e a fome nunca some”, citando Ercy Soar, no livro “Os outros que somos”. “É momento de orçamento equilibrado e muita calma”, destacou. Trabalho escravo ou só trabalho ruim? Mais de 120 anos após a promulgação da Lei Áurea (1888), diversos problemas relacionados à exploração ilegal da força de trabalho ainda persistem. O diálogo contou com a participação do procuradorgeral do Trabalho, Luís Camargo de Melo, da auditora fiscal do Ministério do


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Foto: Clovis Fabiano

Foto: Clovis Fabiano


EVENTO Trabalho e Emprego, Marinalva Dantas, e do jornalista e blogueiro Leonardo Sakamoto.

O trabalhador deve ser indenizado por sua exploração, assim como a comunidade na qual ele está inserido”, ressaltou.

Apesar de ser o último país independente das Américas a abolir a escravidão, o Brasil foi um dos pioneiros na criação de equipes estatais para o combate ao trabalho escravo – os primeiros grupos datam de 1891. No entanto, a disposição para barrar definitivamente esse processo de degradação humana esbarra em deficit estruturais e legislativos, identificados pelos especialistas no debate.

Outra questão relevante suscitada pelo procurador-geral foi a edição de emenda constitucional que instituiu o artigo 243 da Constituição. “A possibilidade de expropriação de propriedades que se utilizam de trabalho escravo significou um grande avanço”, destacou o representante do poder judiciário.

As imprecisões relacionadas ao conceito de trabalho escravo contemporâneo, que figuravam como empecilhos à aplicação de sanções e à elaboração de políticas públicas somente foram sanadas em 2004, com o surgimento do artigo 146 do Código Penal. A norma traz características da condição análoga à escrava, como o trabalho forçado, a condição degradante, a servidão por dívida e ainda a jornada exaustiva tida como aquela que extrapola de forma contínua os parâmetros legais.

Outro ponto importante, disse Marinalva Dantas, é que as condições degradantes de trabalho não fazem parte apenas da realidade dos locais mais distantes do território nacional, está presente também nos grandes centros. Ela destacou a importância do engajamento das empresas. “Flagramos diversos casos de obras destinadas às Olímpiadas que

Foto: Fernando Manuel

O procurador-geral destacou a importância de ações repressivas além da esfera penal. “A responsabilização civil não pode ficar de lado, pois, em muitos casos, é a medida mais eficaz.

Para Sakamoto, a escravidão vai muito além da questão moral. “Não se trata de mera maldade do empregador, mas o trabalho escravo é um problema de ordem econômica. Muitas empresas tendem a reduzir ou suprimir direitos trabalhistas básicos para alcançar competitividade no concorrido mercado global”.

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estavam utilizando trabalho análogo ao escravo. E não há empresa sustentável sem trabalho decente, nem trabalho decente sem empresa sustentável”, disse. Diversificação da matriz energética Protagonistas da geração de energia no Brasil, as usinas hidrelétricas são responsáveis por cerca de 70% da matriz nacional atualmente, tendo evoluído de mais de 13 mil megawatts (MW) de potência instalada na década de 1970 para cerca de 70 mil MW no início deste século. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que estão operando atualmente 1.122 empreendimentos de fonte hidráulica, além de 209 já outorgados e outros 34 em construção. No entanto, a inauguração de novas grandes usinas está com os dias contados: 15 anos, no máximo. Estima-se que, após esse período, o potencial de construir novas unidades terá se esgotado, não havendo mais usinas de grande porte para ser implantadas. O Plano Decenal de Expansão de 2022, do Ministério de Minas e Energia (MME), prevê queda na participação das hidrelétricas de 65% já no início da próxima década. Em contrapartida, a carga de energia crescerá 4,2% ao ano, passando dos atuais 63 mil MW médios para mais de 91 mil MW em 2022. Recentemente, o período de estiagem e escassez


Foto: Clovis Fabiano

de água, com o esvaziamento das represas, ameaças ao abastecimento, racionamento de energia em alguns Estados e temor de futuros apagões, lançou luz sobre o assunto e revelou uma conta difícil de fechar: o crescente aumento da demanda por energia elétrica e a capacidade de oferta menor que o consumo. Entre as fontes alternativas, destacase a energia solar, ou fotovoltaica, cujo potencial, apesar de muito grande, ainda se encontra nos seus estágios iniciais de desenvolvimento. “Estamos engatinhando. Para que a autossuficiência aconteça em larga escala, é necessário que a regulação tarifária evolua, visando uma equação eficiente e estimulando a economia, tanto para o consumidor quanto para as concessionárias, sem implicar os prejuízos decorrentes de manutenção”, afirmou Márcio Severi, diretor de Relações Institucionais da CPFL Energias Renováveis. De fato, o Brasil tem sido bem sucedido em iniciativas para a viabilização de geração de energia a partir de fontes renováveis. O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa) é um exemplo recente que atesta a capacidade tecnológica e organizacional do país para estimular tais fontes e a diversificação da

matriz energética nacional. E, embora não tenhamos uma cadeia produtiva de sistemas fotovoltaicos consolidada, contamos com uma das maiores reservas mundiais de silício, insumo extremamente caro, utilizado na fabricação dos painéis fotovoltaicos. Isso sem falar na abundância da matéria-prima principal: a luz solar – em média, 280 dias por ano. A região menos ensolarada do Brasil apresenta índices solares em torno de 1.642 kilowatts por hora por metro quadrado (kWh/m2), acima dos valores apresentados na área de maior incidência solar da Alemanha, que recebe cerca de 1.300 kWh/m2. Em setembro de 2014, mais da metade da demanda de eletricidade alemã (50,6%) foi suprida por painéis fotovoltaicos, no pico da produção.

haver articulação entre todos os setores”, afirmou ela. Desde 2013, a Santander Financiamento, empresa do Grupo Santander, por meio do CDC Eficiência Energética de Equipamento, incentiva a instalação de sistemas fotovoltaicos. O financiamento é destinado à aquisição de equipamentos e serviços que utilizam energias alternativas obtidas de fontes naturais, além do uso eficiente de energia vinda de meios convencionais – equipamentos de geração de energia a partir de fontes renováveis, como, por exemplo, a solar e a eólica – sistemas termicamente eficientes (calor e frio) e substituição de lâmpadas e de equipamentos por outros mais eficientes no consumo de energia elétrica.

Além das metas nacionais, outras formas de alavancagem, apresentadas por Linda Murasawa, superintendente executiva de sustentabilidade do Banco Santander, são as tarifas premium e as linhas de financiamento. “É necessário

Para fazer o contraponto construtivo, com mediação de Roberto Kishinami, diretor da NRG e especialista no setor energético, o biólogo André Nahur, coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, apresentou um

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Foto: Fernando Manuel

EVENTO

estudo divulgado pela organização, em junho de 2015, que aponta a necessidade do Brasil de mais planejamento e regularidade nas contratações de energia eólica e solar, além de leilões anuais específicos.

atualmente, requer novas práticas de gestão. Isso nos leva a experimentar o advento da empresa globalmente integrada (GIE, do inglês globally integrated enterprise), num ritmo aceleradíssimo”.

Segundo a pesquisa, o Brasil tem oscilado entre períodos de pouca e muita contratação de projetos eólicos, o que causa impacto negativo em toda a cadeia produtiva do setor. “As mudanças e a descontinuidade de políticas e medidas de incentivo, acabam por afastar investidores. É necessária uma consolidação da política de desoneração tributária em toda a cadeia produtiva, bem como uma garantia a estabilidade regulatória”, recomenda o estudo.

Caine fundamentou essa mudança com dados de um estudo da Fortune Global 500 e do próprio CGE, o qual mostra que o número de empresas globais que operam na Ásia entre 20072013 cresceu 63%. Em comparação, no mesmo período, Europa e América do Norte registraram reduções de 42% e 29%, respectivamente. “As operações migraram, de modo geral, para as economias emergentes”.

O mundo já mudou O presidente do Center for Global Enterprise (CGE), Chris Caine, disse que o mundo já mudou e que hoje o grande questionamento no cenário dos negócios é sobre quem vai ficar para trás ou ser extinto. E destacou duas coisas que não podem ser esquecidas: “Novos modelos de negócios alternativos e ferramentas estão remodelando a corporação e redefinindo a empresa global. Administrar uma empresa,

A ascensão da GIE tem a ver com a transformação da indústria a partir da agregação das “camadas digitais”, o que gerou, por conta da conectividade global e dos API (interface de softwares), novas formas de criação de valor, captura de mercados e concorrência em segmentos que, até então, eram meramente físicos, como agricultura, energia, saúde, finanças, hotelaria e muitos outros. “O mundo digital também revolucionou a

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maneira como as empresas fazem negócios”, exemplificou Caine. “Se compararmos, por exemplo, o website Airbnb, fundado em 2008 e que hoje apresenta 640 mil locais de hospedagem e mais de 1 milhão de cadastrados em 180 países e 34 mil cidades, com as grandes redes de hotéis multinacionais, como a Hilton e a Marriott, concluímos que o Airbnb tem uma enorme estrutura sem construir um único edifício!” Caine mostrou também que as plataformas de investimentos estão chegando a locais até então problemáticos, por causa da logística. “A plataforma digital está revolucionando a maneira de fazer negócios na África, por exemplo.” Por tudo isso (e muito mais), Chris Caine conclui que o mundo mudou e que há uma compensação entre os cenários. “As economias emergentes registraram, nos últimos anos, uma participação majoritária no PIB mundial aliada à crescente participação no Fortune 500 e à explosão da classe média. Em contrapartida, nas economias desenvolvidas foi registrada queda da participação no PIB mundial, perda de terreno no Fortune 500 e a estagnação do crescimento da classe média”. O sua

presidente do CGE encerrou apresentação com conclusões


inquietantes: as empresas multinacionais estão lutando para encontrar uma forma de integrar-se globalmente, enquanto as empresas privadas e públicas – e até mesmo os governos – ainda não compreendem plenamente as consequências da gestão global. Para complicar, há uma concentração excessiva de escolas de negócios nos países desenvolvidos, que não estão preparadas para esse novo cenário global de criação de valor, captura de mercados e concorrência e não há o necessário foco do ensino superior sobre os impactos da globalização aplicada. “As escolas estudam o que foi importante, o que deu resultado, mas ainda são incapazes de pensar o futuro”, lamentou. Economia de baixo carbono Até o ano de 2030, cerca de US$ 90 trilhões serão investidos nas cidades ao redor do mundo em transporte, infraestrutura e toda sorte de necessidades urbanas. Tamanho fluxo de investimentos se configura como oportunidade para a tomada de decisões direcionadas a uma economia de baixo carbono. Nos últimos anos, o Reino Unido tem assumido posturas audaciosas nessa direção, tornando-se referência em produtividade e em investimento em infraestrutura e inovação, o que vem repercutindo na geração de novas cadeias de empregos, na melhoria da qualidade de vida, na redução da pobreza e em maior segurança energética.

a transição para a economia de baixo carbono é uma realidade iminente. Enxergando as oportunidades que essa transição pode representar em termos de fluxo de capitais e qualidade de vida, o Reino Unido vem promovendo transformações significativas nos investimentos públicos e privados. “O país foi o primeiro a aprovar lei de mudanças climáticas, já em 2008. Governo e empresas assumiram o compromisso de reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050 e de destinar 7% do produto interno bruto para resolver questões ambientais e climáticas”, ressalta. Para a especialista, não basta boa vontade para atingir metas. Woolf destacou uma série de ações a serem adotadas na direção de uma economia de baixo carbono. A executiva defende a integração dos riscos climáticos às decisões estratégicas do país, cortando subsídios para as práticas e atividades não sustentáveis. “Devemos dar escala às inovações e promover o acesso a crédito e a incentivos fiscais. E não podemos deixar de lado a regeneração de áreas degradadas e o combate ao desmatamento”, explica. Além das transformações no fluxo de investimentos e nas políticas públicas, Woolf ressaltou as mudanças significativas que vêm ocorrendo na mentalidade das lideranças de mercado do país. “Fizemos um

levantamento e constatamos que 92% dos CEOs e diretores de empresas enxergam essa transição para uma economia de baixo carbono como oportunidade de negócios. Eles estão, também, mais atentos às demandas dos consumidores nesse sentido.” A interação entre as esferas pública e privada no Reino Unido tem figurado como força motriz para os investimentos em inovação. Em 2012, foi criado o Green Investment Bank, o primeiro do gênero no mundo, com capital inicial de 3,8 bilhões de libras, investido pelo governo britânico para o fomento de projetos sustentáveis. O sucesso da empreitada despertou o interesse do setor privado, que hoje é responsável por 75% do capital investido no banco. Woolf ainda ressaltou algumas das dificuldades que os países emergentes poderão encontrar na transição para a economia de baixo carbono. “Em muitos casos será necessário o auxílio de instituições financeiras internacionais e de investidores externos. Mas antes é fundamental o compromisso coletivo na direção de uma economia verde, integrando investimentos públicos e privados. Para dar segurança jurídica às mudanças, deve ser elaborado um arcabouço legal e regulatório, de modo que as políticas públicas não mudem com a alternância de governos”, finaliza.

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Segundo Fiona Woolf, sócia e advogada do CSM Cameron McKenna e ex-prefeita do distrito financeiro de Londres,

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EVENTO

EVENTO COM PRESENÇA DA ONU RESSALTA IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS PROTEGIDAS NO BRASIL VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação promoveu a integração da área ambiental com economia, cinema, tecnologia e comunicação. Da Redação, com NQM Comunicação

É

possível sensibilizar as pessoas a agir para que o Brasil alcance as mudanças necessárias para a proteção da biodiversidade nacional. Essa é a análise da presidente do VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), Malu Nunes, ao encerrar o maior evento da América Latina sobre conservação da natureza, em setembro, em Curitiba (PR). “Nossa expectativa é que todos que participaram dos debates e apresentações sejam, 36

agora, agentes de transformação e levem para seus ambientes de trabalho todo o conhecimento compartilhado durante esses cinco dias”, explica Malu. Realizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o VIII CBUC contou com a participação de mais de 1.200 congressistas de vários Estados brasileiros e do Distrito Federal. Foram mais de 50 conferências, simpósios e palestras, sete lançamentos de livros,

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17 reuniões técnicas e 27 moções aprovadas. Moção é uma proposta, discutida em assembleia, sobre o estudo de um caso ou situação específica e que, após votação, é encaminhada para um órgão ou grupo responsável pelo tema que aborda. Dentre as moções aprovadas está a que pede a criação do Parque Nacional do Albardão, em Santa Vitória do Palmar (RS), unidade de conservação de extrema


Para Malu, o evento conseguiu agregar a experiência de grandes nomes da conservação com a inovação de palestrantes novos. “Jovens inspiradores como Ryan Hreljac e Tomás Nora somaram-se a ícones da conservação como Maria Tereza Jorge Pádua e George Schaller. E na programação, temas até então pouco discutidos por conservacionistas, como o cinema, novas tecnologias e comunicação, instigaram os congressistas a repensar suas estratégias de atuação”, afirmou Malu. Outra novidade do encontro foi a participação, pela primeira vez, da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da ONU. A instituição organizou um simpósio que discutiu negócios e biodiversidade. Presidido pelo secretário executivo da CDB, Bráulio Dias, o fórum afirmou que é necessário que o setor privado desenvolva iniciativas e soluções sustentáveis para adequar a sua produção aos serviços fornecidos pela natureza.

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Com o objetivo de aproximar o tema da

conservação da natureza da vida das pessoas, o CBUC apresentou a V Mostra de Conservação da Natureza, uma seleção de iniciativas em conservação desenvolvidas em instituições e por pesquisadores. A mostra contou com a Conexão Estação Natureza, exposição interativa que permite um passeio pela biodiversidade brasileira por meio de games e outras atrações, como um cinema sensorial 4D com imagens que podem ser contemplada em 360 graus. Algumas das principais ONGs ambientalistas brasileiras também estavam presentes com estandes na mostra, como o WWF- Brasil e a Conservação Internacional do Brasil.

Confira alguns destaques das palestras do VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação: Experiência norte-americana indica como comunidade pode se aproximar de parques nacionais no Brasil A diretora do Programa de Gestão de Parques Golden Gate (EUA), Sue Gardner, apresentou o trabalho de

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relevância para a preservação de pelo menos seis espécies como a toninha e o sapo-boi. Outra que merece destaque é a que pede a criação da Estação Ecológica Sylvio Sampaio Moreira, em São Paulo (SP), para a preservação do jequitibá-rosa. No evento também foram apresentados 167 trabalhos técnicos que abordaram diversos assuntos relacionados às áreas protegidas e à conservação da natureza.

mais de 20 anos que desenvolve envolvendo a comunidade nas ações da unidade de conservação. Apenas em 2014, 26.500 voluntários e estagiários trabalharam 450 mil horas no Parque Golden Gate, o equivalente a 240 funcionários em período integral. Esses mesmos voluntários no mesmo período plantaram mais de 33 mil plantas nativas e coletaram mais de 29 mil guimbas de cigarro em toda a costa do parque. O Golden Gate, localizado em São Francisco, na Califórnia (EUA), é o maior parque urbano no mundo, com mais de quatro quilômetros quadrados, recebendo mais de 13 milhões de visitantes anualmente. Sue Gardner ressalta também que é preciso modificar o paradigma reativo que muitos gestores de parques nacionais apresentam. “Ao invés de esperar as pessoas irem aos parques, nós agora estamos indo até as comunidades e os convidando a participar mais efetivamente. Nós nos perguntamos como podemos ser mais bem utilizados pela comunidade ao nosso redor”, explica. Ela exemplificou que os parques podem ser aliados dos professores de diversas disciplinas, como ciências e ajudá-los a enriquecer as aulas. Além disso, a diretora comenta que é necessário pensar em questionamentos, como de que forma

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EVENTO

pode-se u s a r oportunidades no parque para oferecer emprego aos jovens da região, especialmente àqueles que mais precisam. “Ao invés de nos voltarmos para dentro, nós estamos sendo proativos na criação de pontes até as comunidades ao nosso redor e essa experiência pode ser replicada em qualquer área protegida no mundo”, destaca. Outro destaque da palestra de Sue Gardner foi a abordagem de que o movimento ambiental tende a falar para as pessoas que já são convertidas, isto é, buscam o apoio daqueles que já são conectados de alguma forma e entendem as necessidades e os desafios. “Mudança mais significativa virá quando modificarmos nosso foco, educarmos melhor e engajarmos aqueles que estão desconectados com a causa, especialmente os que estão em áreas urbanas e têm o poder de votar pelas mudanças e, ao fazer isso, direcionem mais apoio e recursos para nossas áreas protegidas”. Caminho para o engajamento Durante sua palestra no VIII CBUC, Sue Gardner apresentou seis elementos que ela acredita serem fundamentais para o desenvolvimento de um programa de sucesso no engajamento de jovens de uma comunidade – foco de seu trabalho nos parques Golden Gate. São eles: oferecer um senso de propósito; trabalhar em equipe; oferecer incentivo econômico (mesmo que pequeno); incluir um componente de aprendizado; integrar trabalho e diversão; e oferecer desafios 38

físicos e mentais. Segundo ela, oferecer um senso de propósito é importante porque ele permite que os jovens vejam a importância do seu trabalho e como eles podem fazer a diferença. Todos têm um papel a desempenhar A diretora do programa de gestão de parques ressaltou a importância do papel que cabe a cada setor da sociedade. “No caso do governo, minha sugestão é desenvolver mais programas de educação ambiental nos sistemas escolares, começando com crianças bem novas e deixar que elas tenham essas experiências por si mesmas”. Sue destaca que as ONGs e instituições de diversos setores podem desempenhar importante função como parceiros, oferecendo financiamento de programas, orientação e oportunidades de emprego para jovens. Estratégia internacional reduz gastos públicos em até 90% Musonda Mumba, referência em implantação de iniciativas de adaptação às mudanças climáticas com base em ecossistemas (AbE), falou sobre a importância da utilização dessa estratégia, principalmente em comunidades sensíveis – como as

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ribeirinhas e as indígenas. A zambiana tem PhD em conservação de áreas alagadas e hidrologia e atua no Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP, na sigla em inglês). Os efeitos das mudanças climáticas causam prejuízos econômicos, privados e públicos, significativos no Brasil. Um exemplo é do Estado de Santa Catarina que, em 2004, foi atingido pelo furacão Catarina, deixando nove mortos e perdas da ordem de US$ 1 milhão, segundo relatório da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). A estratégia apresentada durante o evento garante economias de até 90% nos investimentos necessários em ações de adaptação às mudanças climáticas em todo o país. Exemplo internacional Segundo Musonda, dados do relatório The Economics of Ecosystem and Biodiversity (TEEB) da UNEP apontam que no Vietnã, por exemplo, a proteção de doze mil hectares de manguezais custou aproximadamente US$ 1 milhão, porém economizou mais de US$ 7 milhões de custos anuais com manutenção de


Um exemplo é o caso da região do Vale Hidden (EUA), que deveria receber investimentos na ordem de US$ 20 milhões para retirar nitrogênio do esgoto por meio de tratamento convencional. Ao usar uma opção de infraestrutura verde foram utilizadas plantas que têm a capacidade de filtrar resíduos e matéria orgânica, deixando a água limpa para retornar aos rios – o projeto custou apenas 10% do valor (US$ 2 milhões). Estratégia ainda dá primeiros passos no Brasil A estratégia de AbE, apesar de relativamente recente, já tem começado a ganhar notoriedade internacional em virtude dos bons resultados de diversos países. No Brasil, o estudo ‘Adaptação Baseada em Ecossistemas: oportunidades para políticas públicas em mudanças climáticas’, divulgado em janeiro deste ano pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza foi apresentado ao Ministério do Meio Ambiente, que irá incluir a adaptação com base em ecossistemas no Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, a ser lançado para consulta pública em breve. O estudo contabilizou experiências de AbE em todo o mundo e foram identificados cerca de cem estudos de caso. Desses, 25% ocorrem no continente africano e 19% ocorrem na Europa desde 2009, sendo que o Brasil possui apenas 10 casos identificados. Desse modo, o potencial de economia que o país pode vir a ter com essa estratégia é muito alto. Foto: Divulgação

D e acordo com Musonda, os benefícios

econômicos são grandes, mas não são o único foco da adaptação com base em ecossistemas. “Ao usar estratégias de AbE, olha-se para o problema de forma holística, levando em consideração fatores que normalmente não seriam considerados em uma abordagem tradicional. Além disso, a abordagem de AbE oferece mais força e resiliência às comunidades para que não sofram tanto com os reflexos das alterações do clima”, explica. Os impactos dessas mudanças vão de perdas na produção agropecuária até mesmo de vidas humanas, por conta de eventos climáticos extremos, como enchentes, até desequilíbrios que podem implicar na redução da disponibilidade de algum bem natural que seja base de uma determinada economia local – como peixe para os ribeirinhos, por exemplo.

“É preciso achar nova forma de comunicar temas ambientais” Poucos nomes brasileiros têm a força e credibilidade que Fernando Meirelles possui no cenário do cinema internacional. Consagrado por filmes como Cidade de Deus, Ensaios sobre a Cegueira e O Jardineiro Fiel, o diretor, produtor e escritor paulista vem encarando novo desafio: comunicar a temática ambiental (uma de suas paixões) de forma envolvente e criativa. “A comunicação, não apenas do cinema, q u a n d o

se fala de meio ambiente tem sido muito biodesagradável e eco chata. É preciso mostrar para as pessoas a importância da conservação da natureza sem focar apenas no catastrófico”, afirma. O cineasta afirma ainda que essa comunicação precisa sensibilizar o público mostrando que esse tema é urgente, porém é preciso fazer isso de forma que as pessoas “embarquem na narrativa, que elas queiram fazer parte desse universo porque é bacana e não porque é politicamente correto”, explica. Meirelles produziu em 2014 o documentário ‘Lei da Água (Novo Código Florestal)’, que mostra as consequências da mudança na legislação, a qual diminui as áreas de florestas no Brasil. “Ainda trabalhamos de certa forma mostrando um cenário pessimista, mas acredito que estamos caminhando e aprendendo como comunicar melhor a questão ambiental”, afirma. Em 2015 o filme chega à telona de forma diferente do convencional: via crowdfunding, iniciativa na qual as pessoas pagam sua entrada antes para garantir público. Dessa forma, o documentário pode chegar a várias cidades e o público se engaja desde antes de assistir ao filme.

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diques – que fazem parte da chamada infraestrutura cinza. A adaptação com base em ecossistemas propõe a utilização da chamada ‘infraestrutura verde’ na adaptação às mudanças climáticas: no caso do exemplo vietnamita, a proteção natural dos manguezais.

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ARTIGO

Bruno Pereira

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SUSTENTABILIDADE E ECONOMIA CIRCULAR NO UNIVERSO DAS EMBALAGENS

É

com frequência que escuto comentários do tipo “tenho uma solução sustentável, mas o consumidor não está disposto a pagar”. Fica a impressão de que sustentabilidade e competitividade são conceitos paradoxais. Um produto sustentável só pode ser mais caro. Um produto barato não pode ser sustentável. E por aí vai.

sustentabilidade, aquele que posicionava embalagem como um impacto ambiental grande, desnecessário e que precisava ser urgentemente reduzido ou eliminado. Isso sem falar de mudanças fundamentadas apenas em “mitos” que traçavam uma linha sólida, emocional e até hoje muitas vezes inquestionável entre o desejável e o inaceitável.

Tal percepção foi construída, em parte, por inúmeros projetos e iniciativas “sustentáveis” que fracassaram por serem economicamente inviáveis. Ou por produtos e embalagens “verdes” que chegaram ao ponto de venda só para descobrir que apenas um pequeno nicho estaria disposto a pagar mais por um futuro melhor.

Hoje sabemos que não é bem assim. O “novo” entendimento esclarece que a embalagem é uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável. Sim, a produção e o descarte das embalagens trazem impactos para o meio ambiente. Mas a novidade é que a embalagem “mais sustentável” deve evitar outros impactos mais relevantes que o dela própria. Impactos esses distribuídos (e escondidos) ao longo da cadeia de valor.

Pois bem, chegou a hora de desafiar esse conceito. Muitos dos fracassos fundamentavam-se no “antigo” entendimento de embalagem & 40

Utilizar a embalagem como ferramenta para o desenvolvimento sustentável

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significa explorar seu potencial de mitigar processos e impactos, como por exemplo, a eliminação da cadeia de frio ou a redução do desperdício de alimentos. E a boa notícia é que ao eliminar processos ou reduzir desperdícios terminamos por economizar dinheiro. Manter a cadeia de frio custa dinheiro. Jogar alimento no lixo custa dinheiro. A proposta é justamente viabilizar produtos mais econômicos com base no “valor sustentável” entregue pela embalagem. Para iniciar essa jornada é preciso entender claramente como estão distribuídos os impactos ao longo da cadeia produtiva e de consumo, uma missão normalmente confiada a um método chamado Análise do Ciclo de Vida. Uma vez identificados os vilões – cientificamente conhecidos como hotspots – deve-se perguntar “como é que a embalagem pode ajudar?”.


Muitas vezes a resposta será simples, como por exemplo adequar o tamanho da porção ou recomendar o modo de preparo mais adequado. Em outros casos pode ser necessário mudar toda uma cadeia. Seja qual for a situação, é muito provável que novas e melhores embalagens possam prestar um serviço relevante para o desenvolvimento sustentável. A utilização da sustentabilidade como inspiração para a competitividade nos leva a um conceito bastante discutido atualmente: a Economia Circular. Desde 1987 entende-se por Desenvolvimento Sustentável, "aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades". Podemos "usar" o Planeta, mas sem estragar. Proponentes da Economia Circular, tais como a proeminente Fundação Ellen MacArthur, fazem uma releitura dessa definição sob a ótica da Oferta & Procura: preconizam que a insistência no Modelo Linear (extração-produção-consumo-descarte) leva à escassez de recursos naturais com resultante elevação no custo real de sua obtenção, podendo chegar a níveis que afetam a ordem socioeconômica. Sugere-se como solução substituir gradativamente os Sistemas Lineares por Circulares. A extração de recursos naturais daria lugar a ciclos de intensa reutilização, recondicionamento e reciclagem dos Nutrientes Técnicos - termo utilizado para definir os materiais produzidos pelo homem, de difícil reabsorção pela natureza - bem como ao manejo dos Nutrientes Biológicos em harmonia com a biosfera. Ainda que incipiente, já existem trabalhos para o estabelecimento de métricas que indicam, por exemplo, que a economia do Reino Unido teria 19% de circularidade.

uma definição precisa, mas já temos elementos suficientes para apontar algumas possibilidades. Para começar, podemos utilizar a embalagem para minimizar os desperdícios da cadeia na qual ela participa, aliviando o ciclo dos Nutrientes Biológicos bem como reduzindo consumo de energia ao longo do processo. Essa linha de ação é particularmente relevante para bens de consumo não duráveis e pode ser exemplificada na redução do desperdício de alimentos, atualmente estimada em 1/3 do total que se produz no país, na eliminação da necessidade de refrigeração e na redução do consumo de água em atividades de preparo e limpeza. Nessa busca por menos desperdício vale lembrar a importância de priorizar oportunidades com base no Pensamento do Ciclo de Vida bem como trazer soluções que ofereçam melhor relação custobenefício, afinal de contas, a Economia Circular deve resultar em soluções mais competitivas a longo prazo. Considerando a circularidade da embalagem em si, parece haver um enorme espaço para novas tecnologias e modelos de negócio que aumentem a atratividade econômica dos processos de reutilização e reciclagem. Novas tecnologias têm o potencial de garantir segurança para aumentar o grau de reincorporação de embalagens nas cadeias das quais se originam, tais como alimentícia, médica e de cuidados pessoais, reduzir os custos de reciclagem com maior eficiência e robustez operativa bem como viabilizar a produção de produtos de maior qualidade e valor agregado a partir de matérias-prima recicladas, criando condições para que mais materiais compitam técnica e economicamente com seus contratipos virgem.

necessidade, podemos imaginar que as próximas gerações vivenciarão uma acelerada transição para a Economia Circular. E apesar de mudanças sempre serem acompanhadas por incertezas e preocupações, é confortante saber que a força impulsora é a boa e velha dinâmica econômica competitiva na qual fomos criados. Aproveitemos esse momento de discussão para, juntos com a sociedade, articularmos a definição de Embalagem Circular. 1. World Commission on Environment and Development (1987). Our Common Future. Oxford: Oxford University Press. ISBN 019282080X. 2. Green Alliance Blog. http://greenallianceblog.org. uk/2012/05/24/making-the-circulareconomy-a-reality/. Acessado em 13 de abril de 2015 * Bruno Pereira é coordenador do Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Embalagens (ABRE) e professor de Embalagem e Sustentabilidade do Núcleo de Estudos da Embalagem da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). É também gerente de marketing para Novos Negócios e Sustentabilidade da área de Embalagens e Plásticos de Especialidade da Dow para a América Latina.

Seja por opção ou

Foto: Divulgação

Embalagens - indispensáveis como são em nossa sociedade - podem contribuir enormemente para que possa ser atingida a Economia Circular. É certo que ainda faltam referências para NEO MONDO - novembro/dezembro 2015

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Foto do site: culturagreen.com/

CLIMA

NA EXPECTATIVA DA MAIOR CONFERÊNCIA GLOBAL SOBRE O CLIMA A Cop 21 acontece no final de novembro, mas proposta do governo brasileiro já recebe críticas após seu anúncio. Da Redação

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e 30 de novembro a 11 de dezembro, acontece em Paris, na França, a 21ª Conferência Climática, conhecida como COP 21. Espera-se que esta conferência seja a maior conferência climática já realizada no mundo. A COP 21 tem como principal objetivo costurar um novo acordo entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, diminuindo o aquecimento global e, em consequência, limitar o aumento da temperatura global 42

em 2ºC até 2100. Espera-se que 40 mil pessoas entre governantes, cientistas, sociedade civil e diplomatas estejam presentes. Segundo a ONU, os compromissos nacionais de redução de gases do efeito estufa anunciados até agora - por quase 60 países responsáveis por aproximadamente 70% das emissões - não permitirão cumprir com o objetivo de limitar a mudança climática a uma alta de 2°C.

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Na conferência, os países devem apresentar Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas (INDC na sigla em inglês), documento que contém o que cada nação pretende fazer para reduzir e remover as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE). O Brasil representa mais de 50% da redução global de emissões de carbono entre 2001 e 2015, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para


a Alimentação e a Agricultura (FAO). O INDC brasileiro foi anunciado pela presidente Dilma Rousseff, na ONU, em Nova Iorque (EUA), durante a Climate Week, que reuniu lideranças políticas, empresariais e civis do mundo todo. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, um movimento que reúne integrantes do setor privado, organizações ambientalistas, organizações da sociedade civil, empresas, centros de pesquisa e entidades setoriais, entende que o Brasil pode estabelecer uma INDC mais ousada, com metas palpáveis e mobilizadoras para a COP-21. De acordo com a secretária executiva do Diálogo Florestal, Miriam Prochnow, a Coalizão entende que as metas anunciadas trazem algum avanço, mas faz ressalvas: "o plano foi anunciado sem ter havido uma consulta ampla à sociedade e isso é uma preocupação, pois ninguém vai conseguir cumprir as metas sem o envolvimento amplo de toda a comunidade participando".

Bessermann Vianna, a economia mundial deverá definir, de forma urgente, uma estratégia para proteger os ambientes naturais de forma a garantir a sobrevivência da população e da biodiversidade do Planeta. “A natureza não se recompõe na mesma velocidade da utilização dos recursos naturais necessários para viabilizar o aumento da produção de alimentos e de bens de consumo que a demanda exige. O meio ambiente está no limite para a entrega de serviços que garantem o bem-estar e a sobrevivência da humanidade”, afirmou o economista. Segundo ele, o planeta já ultrapassou três dos nove limites apresentados no estudo ‘Um espaço operacional seguro para a humanidade’, coordenado pelo pesquisador Johan Rockstrom, da Universidade de Estocolmo.

indispensável para garantir a sobrevivência e a qualidade de vida das populações. O estudo mapeou nove elementos que são fundamentais para a sustentabilidade da Terra: controle das mudanças climáticas; (alteração na) acidificação dos oceanos; interferência nos ciclos globais de nitrogênio e de fósforo; uso de água potável; alterações no uso do solo; carga de aerossóis atmosféricos (partículas sólidas ou líquidas que ficam suspensas no ar como poeira, fuligem e fumaça); poluição química; e a taxa de perda da biodiversidade, tanto terrestre como marinha. Dos nove, as atividades humanas já ultrapassaram os limites adequados para três: mudanças climáticas, biodiversidade e concentração de nitrogênio na atmosfera.

De acordo com o estudo, ‘limites planetários’ são processos que influenciam a habilidade do planeta de manter seus ecossistemas e processos naturais em equilíbrio, o que é

Foto: divulgação

Outro ponto importante citado por Miriam Prochnow é o desmatamento. Ela ressalta que esse é o ponto que o Brasil mais contribui na emissão de CO2, na conta global: “no documento do governo, está colocado a intenção de conter o desmatamento ilegal apenas em 2030 ". Para o economista e ecólogo, Sérgio

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ABAP premia cases de sustentabilidade na publicidade

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m 24 de novembro, a Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) anunciará os ganhadores do 7º Prêmio Nacional Abap de Sustentabilidade. Os candidatos inscritos concorrerão nas categorias Educação, Mobilização Social, Institucional, além de Melhor Anunciante. “O caminho da sustentabilidade para as empresas é inexorável. É importante incentivar e reconhecer as iniciativas dos principais atores e articuladores que estão em busca de

uma agenda positiva da Sustentabilidade no Brasil - líderes, consultorias, agências, empresas, setores de vanguarda, terceiro setor, imprensa e outros”, diz Orlando Marques, presidente da Abap Nacional. Criado em 2009, o prêmio se destaca por reconhecer empresas e agências que melhor comunicam práticas sustentáveis, unindo integração, conectividade e também concisão no tocante à comunicação da sustentabilidade.

Oito empresas brasileiras integram Índice Dow Jones de Sustentabilidade

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ito empresas brasileiras integram a nova composição do Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI). O grupo do Brasil é formado pelo Bradesco, Cemig, Embraer, Itaú Unibanco, Itaúsa, Petrobras, Banco do Brasil e a Fibria. Nesta edição, o índice tem 333 empresas de 59 setores da indústria de 25 países. Para serem incluídas, elas passam por rigoroso processo seletivo, que analisa dados econômicos, desempenho ambiental e social, governança corporativa, gestão de risco, mitigação da mudança climática e práticas trabalhistas. A seleção é conduzida pela RobecoSAM AG, empresa especializada em gestão de ativos e na oferta de produtos e serviços no campo de investimentos sustentáveis, e todo o processo conta com auditoria da Deloitte. Lançado em 1999

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como primeiro índice global de ações, composto por companhias consideradas social e ambientalmente responsáveis, o DJSI tem o objetivo de orientar a alocação de recursos pelos gestores globais, estimulando a responsabilidade ética corporativa e o desenvolvimento sustentável.


Foto: divulgação

Projeto da USP transforma lixo em energia

O Projeto Civap, realizado em parceria com a empresa Carbogas, prevê o recebimento do lixo recolhido pela prefeitura dessas cidades para uma planta de gaseificação que a empresa está construindo na região. Esse lixo será processado e transformado em CDR – combustível derivado de resíduo e, posteriormente, gaseificado. O gás produzido servirá como combustível para geração de energia, a ser comercializada e inserida no sistema interligado de energia elétrica brasileiro. “O diferencial da tecnologia do Projeto Civap é seu tamanho. É uma planta de pequeno porte que pode ser utilizada para gaseificar o lixo produzido nas pequenas cidades, atendendo a Política Nacional de Resíduos Sólidos e gerando energia”, destaca a professora Suani Teixeira Coelho, orientadora do trabalho. De acordo com os dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e

Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil possui 1.569 lixões, 1.775 aterros controlados (adaptados) e 2.226 aterros sanitários. Atualmente, a solução tecnológica empregada para resolver a destinação final do lixo urbano nos países desenvolvidos é gerar energia por meio do processo de incineração. Contudo, esta é uma tecnologia cara; e também necessita de uma quantidade muito grande de lixo, na faixa de 1 mil a 1,2 mil toneladas por dia, para ser incinerado e produzir energia em um volume mínimo que compense seus custos. O grande desafio atendido pelo gaseificador desenvolvido no âmbito do Civap está relacionado ao modelo de negócios elaborado para a tecnologia. “No Brasil, temos uma política que obriga as cidades a encontrarem uma solução que não seja o aterro e a eliminarem os lixões”, explica Suani. “Ao mesmo tempo, 73% dos nossos municípios têm até 20 mil habitantes e não geram lixo em quantidade suficiente para ser usado em incineração para gerar energia”. Pela parceria, os 22 municípios vão vender o lixo, que antes depositariam em valas que já estão com capacidade esgotada, para a Carbogas, resolvendo assim o problema da destinação dos resíduos e não tendo de enfrentar custos elevados com a alternativa da incineração.

Foto: divulgação

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a Escola Politécnica (Poli) da USP, trabalho do pesquisador Luciano Infiesta analisou e desenvolveu um modelo de negócios para um projeto de gaseificação que utiliza resíduos sólidos urbanos. O gás produzido será usado em caldeiras para geração de vapor, o qual irá movimentar turbinas ligadas a geradores de energia elétrica. A iniciativa será realizada por um consórcio de 22 municípios do Vale do Paranapanema, no interior de São Paulo.

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Por Eleni Lopes

As cinco cidades com melhor transporte público do mundo

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Inhabitat, blog ligado ao Boston Architectural College, fez uma lista com as cinco cidades que mais se destacam quando o assunto é transporte coletivo de qualidade. O ranking utilizou como critérios o conforto, conveniência, eficiência, limpeza, rapidez e facilidade de utilização dos serviços. Confira a lista, reproduzida pelo site The City Fix Brasil.

2º lugar: Nova York Na maior cidade dos EUA, as possibilidades de locomoção são muitas: ônibus, trem, metrô, bicicletas, balsas e até faixas exclusivas para pedestres fazem da cidade um dos melhores lugares do mundo para se deslocar utilizando o transporte público. Todos os sistemas funcionam 24 horas por dia, de forma a atender toda a demanda da cidade. 3º lugar: Londres A cidade do Big Ben tem o maior e mais antigo metrô do mundo. O Metropolitano de Londres, ou London Underground, que começou a operar 1863, ainda hoje é um dos mais eficientes, com 268 estações e cerca de 400 km de extensão. Além disso, a capital inglesa conta com uma vasta rede

de ônibus, trens na superfície e bondes suburbanos que garantem a mobilidade diária da população londrina. 4º lugar: Paris Independentemente de qual lugar de Paris você esteja, é possível encontrar uma estação de metrô a cada 500 metros: são pelo menos 300 espalhadas pela cidade, interligando todas as áreas. E, para que as pessoas possam completar seus trajetos da melhor forma possível, a capital francesa ainda tem um sistema de aluguel de bicicletas com 1.400 estações. 5º lugar: Moscou Apesar de inaugurado há quase oitenta anos, em 1935, o sistema da capital russa é um dos mais pontuais do mundo. Mais de 8 milhões de passageiros utilizam diariamente o sistema ferroviário de Moscou, que tem 305 km de extensão.

Foto: shutterstock.com/gallery-321952p1.

1º lugar: Tóquio A Capital japonesa é uma das maiores cidades do mundo e tem o sistema de transporte mais complexo – e completo – do mundo: metrô, VLT (bondes), trens urbanos, ônibus e balsas que fazem cerca de 30 milhões de viagens diárias. O transporte público é a espinha dorsal da cidade e a primeira opção da população para se deslocar. As oito estações mais movimentadas

do metrô de Tóquio (dados de 2007) somavam 14,4 milhões de passageiros.

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crise econômica pela qual o Brasil passa atualmente apresenta oportunidades para o desenvolvimento de produtos e áreas nas quais o país apresenta vantagens competitivas. E isso pode favorecer os investimentos internos em ciência e tecnologia. A avaliação foi feita por José Goldemberg, presidente da FAPESP, durante o seminário “Saídas para a crise”, realizado em setembro, na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo (SP). Goldemberg avaliou que a cotação do dólar, em torno de R$ 2 no Brasil, nos últimos anos desencorajou a produção local e levou a indústria nacional, que representava 18% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro há dez anos, diminuir sua participação para 9% atualmente porque até então era mais barato comprar produtos da China do que fabricá-los internamente. O fato de a cotação da moeda norte-americana no

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Crise apresenta oportunidades para pesquisa e desenvolvimento no Brasil

Brasil ter subido nos últimos meses pode dar um novo impulso para o desenvolvimento de produtos e da ciência e tecnologia no país, estimou. “A ciência e tecnologia não dependem apenas de boas ideias, mas também da situação econômica do país. A subida do dólar, agora, é favorável para o desenvolvimento da ciência e tecnologia localmente”, disse Goldemberg. Na avaliação do dirigente da FAPESP, uma das áreas em que o Brasil apresenta vantagens competitivas em relação a outros países é a de automóveis elétricos. Isso porque o país tem grande disponibilidade de energia proveniente de hidrelétricas, ao contrário de outras nações onde a energia elétrica é produzida a partir de combustíveis fósseis. “Acho que a grande tarefa que temos agora é a de identificar essas áreas em que nós possamos, efetivamente, fazer a diferença, por nossas características próprias e locais”, disse Goldemberg.

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A Lei da Biodiversidade, sancionada em maio, prevê que comunidades tradicionais, povos indígenas e agricultores familiares possam negar o acesso de pesquisadores e representantes de indústrias ao conhecimento e a elementos da biodiversidade brasileira. De acordo com o gerente de projetos do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Henry Novion, o consentimento prévio informado será o instrumento usado para condicionar os acessos e, no documento, constarão todas as regras a serem seguidas pelos setores acadêmicos e produtivos. “A lei reconhece quem vai dizer como determinado conhecimento vai ser usado e não é o Governo, não é universidade, não é a empresa. A lei diz que quem vai dizer como, segundo usos, costumes e tradições, o conhecimento pode ou não ser usado é o povo que detém aquele conhecimento. É o povo que dá o consentimento”, explicou Novion. O gerente acrescentou que, na regulamentação da lei, estará previsto o responsável legal por dar esse consentimento, se será uma associação local, por exemplo, ou uma organização ou federação que represente as comunidades e povos. A regulamentação tem prazo de 180 dias para ficar pronta, a partir da sanção da lei. Manoel da Silva Cunha é extrativista na Reserva Extrativista do Médio Juruá e diretor do Conselho Nacional das Populações Extrativistas e, de acordo

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com ele, a comunidade já discute alguns conhecimentos que não tem interesse em compartilhar com a indústria e a academia. “Temos alguns tipos de uso de plantas, que têm rituais que o poder não é só nosso, foi o espírito que ensinou e não temos interesse de repassar. Mas têm muitos conhecimentos e muito patrimônio genético que estão aí para ter uma função social e ambiental e não estão tendo. A pesquisa e as empresas precisam chegar e a comunidade precisa abrir esse conhecimento. Eu não tenho dúvida de que a cura do câncer está aí, que a cura da aids está aí, só precisa pesquisar.” Para ele, entretanto, as comunidades tradicionais e povos indígenas precisam ter autonomia e soberania sobre esse conhecimento. “Se ela [a comunidade] não quer abrir, que não sofra nenhum tipo de represália ou pressão nenhuma, que sejamos soberanos nessa decisão. Que não seja o Governo que diga o que a gente abre ou não, que a lei não dê esse privilégio às empresas.”

Foto: divulgação

Povos tradicionais poderão negar acesso a plantas e animais

O procurador da República no Distrito Federal Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, representante do Ministério Público no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen), destaca que a regulamentação da lei deve garantir a paridade na composição do conselho, a conformação do comitê gestor do Fundo de Repartição de Benefícios. Entretanto, segundo ele, o conceito de consentimento prévio informado deve ser muito bem apropriado pelos povos e comunidades tradicionais. “Ele [o consentimento] é que condicionará o acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado, dando aval para pesquisa, desenvolvimento tecnológico e exploração comercial e industrial. Se as comunidades não souberem o que é o consentimento prévio informado, não saberão qual o seu principal direito, direito de ser consultado e poder de dizer sim ou não, de forma bem esclarecida e que seja o melhor para a comunidade”, disse Lopes.


Foto: divulgação

Artistas se engajam na campanha “A Natureza está Falando”

desafiador, diz: "Humanos, eu não devo nada a vocês. Eles me envenenam e esperam que eu os alimente. Eu já cobri este planeta inteiro uma vez. E eu posso cobri-lo novamente”.

Os filmes, que originalmente foram criados nos Estados Unidos, contaram no elenco com artistas como Harrison Ford, Julia Roberts, Penélope Cruz, Lupita Nyong'o, Edward Norton, Robert Redford, Ian Somerhalder e Kevin Spacey.

“A mensagem que a campanha quer passar é de que a natureza não precisa das pessoas, são as pessoas que precisam da natureza. Por mais duro que isso possa parecer, é, de fato, o que acontecerá. A natureza vai se recompor, vai evoluir de qualquer forma, basta saber se nós, humanos, estamos preparados para evoluir também, envolvendo todos ao nosso redor”, afirma Rodrigo Medeiros, vice-presidente da CI-Brasil.

No Brasil, no papel da 'Mãe Natureza', Maria Bethânia afirma: "Realmente não preciso das pessoas, mas as pessoas precisam de mim". Já Santoro, o "Oceano", em um tom

Pedro Bial, Gilberto Gil, Maitê Proença, Max Fercondini e Juliana Paes, respectivamente, deram voz à "Floresta", ao "Solo", à "Água", ao "Recife de Coral" e à "Flor”. Todos os artistas abriram mão do cachê em prol da natureza.

Livro retrata anos dourados da conservação no Brasil

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engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua integra um time de conservacionistas brasileiros que fez muito pela ampliação das áreas protegidas no Brasil, num período compreendido entre o final da década de 60 e início da década de 80. Como diretora de Parques Nacionais, Áreas Protegidas e Fauna Silvestre do extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Florestas (IBDF), ela implantou, ao lado de sua equipe, em menos de 20 anos, a primeira unidade de conservação marinha brasileira – a Reserva Biológica Atol das Rocas - 14 parques nacionais e as primeiras áreas protegidas da Amazônia. Essa trajetória profissional, somada a outras conquistas e curiosidades sobre a biodiversidade brasileira, estão no livro ‘Conservando a Natureza no Brasil’, que Maria Tereza lançou durante o VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC).

Editado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o livro narra os bastidores da criação e implantação de todas essas áreas protegidas e também como foi elaborado o primeiro Plano de Sistemas de Unidade de Conservação brasileiro, publicado em 1979. Traz ainda detalhes e relatos da criação dos Parques Nacionais Grande Sertão Veredas, na divisa de Minas Gerais com Bahia, e Pico da Neblina, na Amazônia, além de relatar o início do projeto Tamar.

Foto: shutterstock.com/gallery-917102p1.

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aria Bethânia, Gilberto Gil, Pedro Bial, Rodrigo Santoro, Maitê Proença, Juliana Paes e Max Fercondini emprestaram suas vozes aos filmes “A Natureza está Falando”, criado pela ONG Conservação Internacional globalmente. A campanha, inicialmente com sete filmes, dá voz a importantes elementos da natureza e convida a sociedade a refletir e se engajar no debate sobre os desafios que serão enfrentados para construção de um planeta mais saudável e sustentável.

“É uma obra que guarda um período da conservação brasileira, que pode ser chamado de anos dourados. Tinha uma equipe de primeira linha e recursos financeiros para expandir as áreas protegidas no país. Fiz parte de um momento histórico, de muita luta, em que nada me foi negado e tive o privilégio de poder fazer muita coisa com minha equipe pela preservação”, afirmou Maria Tereza.

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Mancha de poluição no Rio Tietê avança mais de 50% em um ano

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trecho considerado “morto” do Rio Tietê teve um aumento superior a 50% referente ao ano passado e chega a 154,7 quilômetros, de acordo com resultados do relatório “O Retrato da Qualidade da Água e a evolução parcial dos indicadores de impacto do Projeto Tietê“, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica no final de setembro. A mancha anaeróbica, na qual os índices ainda variam de ruim a péssimo, está localizada atualmente entre os municípios de Mogi das Cruzes e Cabreúva. O relatório é resultado do monitoramento de qualidade da água dos rios das bacias hidrográficas do Alto e Médio Tietê, analisados entre setembro de 2014 a agosto de 2015. No total, foram 109 pontos de coleta distribuídos em 26 municípios e em 78 corpos d’água. Importante destacar que o monitoramento é realizado por grupos de voluntários da SOS Mata Atlântica.

“Esses indicadores alertam para a urgente necessidade de uma ação integrada e firme do Estado, envolvendo Cetesb, Sabesp, DAEE, EMAE e demais secretarias, com os municípios para que tragédias anunciadas, como essa da abertura de barragens, deixem de matar o rio, remetendo a sua qualidade no interior ao que registrávamos nos anos 90”, afirma Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica. No início do projeto de despoluição do rio com maior extensão do Estado de São Paulo, em 1993, a mancha de poluição estava em 530 quilômetros, de Mogi das Cruzes até o reservatório de Barra Bonita. No fim de 2010, ao término da segunda etapa do Projeto Tietê, o trecho de rio morto compreendia uma extensão de 243 quilômetros, de Suzano até Porto Feliz. Já em 2014, a mancha de poluição ocupava somente 71 quilômetros entre os municípios de Guarulhos e Pirapora do Bom Jesus. Com a mancha atual, entre Mogi das Cruzes (60 km da nascente) até o município de Cabreúva (214,7 km da nascente), o aumento foi de 54% em relação ao estudo realizado em 2014.

Foto: shutterstock.com/gallery-917102p1.

A mancha negra que tingiu o rio a partir de Santana de Parnaíba, do Reservatório de Edgard de Souza, até o município de Botucatu, no Reservatório de Barra Bonita, derrubou os índices de qualidade da água de regular/aceitável para péssimo, em dois dias de análise nesse trecho do rio. Já o enorme excedente de esgoto sem tratamento dos municípios de Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e demais cidades do Alto e Médio Tietê resultaram em impactos diretos na qualidade da

água medida em 16 pontos de coleta no rio Tietê e em outros 53 pontos distribuídos nas bacias hidrográficas, que registraram médias de qualidade da água ruim e péssima.

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Foto: shutterstock.com/gallery-917102p1.

Por Eleni Lopes


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Fazer a energia e os avanços chegarem mais longe. A Eletrobras investe para R%UDVLOYHQFHUVHXVGHVDƎRV Investimento de cerca de R$ 50 bilhþes em geração e transmissão, atÊ 2019, como parte do Programa de Investimentos em Energia ElÊtrica. Os investimentos da Eletrobras em transmissão, na última dÊcada, ultrapassam os R$ 36 bilhþes. ,VVRDXPHQWRXDVROLGH]HDFRQƎDELOLGDGHGRVLV tema Interligado Nacional, com mais de 23 mil km em novas linhas de transmissão. São obras como os Linhþes Tucuruí/PA – Manaus/AM e Porto Velho/RO – Araraquara/SP. E tambÊm permitiu a chegada da energia aonde ela não chegava antes, melhorando a vida de mais de 15 milhþes de brasileiros com o Luz para Todos. E a Eletrobras não para: os novos investimentos vão deixar nosso sistema ainda mais robusto e FRQƎ YHOJHUDQGRPDLVHQHUJLDFRPPHQRUFXVWR de maneira limpa. Onde tem Eletrobras tem o Governo Federal trabalhando para o Brasil avançar.

eletrobras.com

Revista Neo Mondo Ed. 71  

Edição 71 - Mistérios do Pampa

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