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Ano 9 - No 69 - julho/agosto 2015

Exemplar de ASSINANTE Venda Proibida

R$ 16,00

AMAZÔNIA ÍCONE MUNDIAL DA BIODIVERSIDADE MÉDICOS SEM FRONTEIRAS Ajuda médico-humanitária para quem precisa

WWF

A hora e a vez dos oceanos

FRUTO AMAZÔNICO

Ajuda no combate ao câncer


Um aliado ideal para trabalhar nas escolas Os brinquedos propostos no livro são confeccionados com diversos materiais reaproveitáveis, aquelas coisas que se transformariam em lixo e poluentes do meio ambiente. Se você não sabe como fazer bolinhas de papel, tem dúvidas nas medições, cortes, colagem, pintura… ou nunca fez papietagem, é só ler com atenção as informações detalhadas de cada página e resolver as questões. Este livro mostra como transformar coisas que normalmente iriam para o lixo em brinquedos supercriativos relacionados a datas comemorativas – um para cada mês do ano.

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Neo Mondo Um olhar consciente

R i c a r d o Gir ott o

Autor: Ricardo Girotto Ilustrador: Ricardo Girotto 48 pรกginas 23 x 30 cm ISBN: 978-85-66251-06-7 reciclandoebrincando

fabrinquedos

www.editoracaramujo.com.br


Seções

ÍNDICE 12

Perfil Médicos sem Fronteiras Cuidados de saúde essenciais onde eles são mais necessários

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WWF-Brasil lança programa marinho

Ongs se unem para fortalecer UCs Encontro realizado na Reserva Natural Salto Morato

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NEO OM MONDO MO MON ON NDO - julho/agosto 2015

A hora e a vez dos oceanos

Meio ambiente

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Meio ambiente

Saúde Fruto Amazônico no combate ao câncer Pesquisa da USP estuda propriedades anti-inflamatórias

Meio ambiente Raias gigantes são encontradas no Parcel Dom Pedro Formação rochosa submersa localiza-se entre a costa de Mongaguá


EDITORIAL Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br

Esta edição de NEO MONDO dá continuidade à nossa viagem pelos biomas brasileiros e presta uma homenagem à maior bacia hidrográfica e à maior floresta tropical do mundo. Além da riqueza natural, a Amazônia contém uma fantástica diversidade cultural. Nela, vivem cerca de 170 povos indígenas, com uma população aproximada de 180 mil indivíduos, 357 comunidades remanescentes de antigos quilombos e centenas de comunidades localizadas, como as de seringueiros, castanheiros, ribeirinhos e babaçueiros. E, no clima de proteção das florestas e de suas populações, destacamos a realização do 1o Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), no mês de outubro, em Palmas (TO). Com o mote “Em 2015, somos todos indígenas”, o evento deve reunir dois mil atletas de 30 países. Além dos indígenas das Américas, também estarão presentes os povos da Austrália, Nova Zelândia, Congo, Etiópia, Mongólia, Japão, Noruega, Rússia, China e Filipinas. Do Brasil, cerca de 24 etnias devem participar da competição. Outro destaque desta edição é o emocionante trabalho da ONG Médicos Sem Fronteiras, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e que leva ajuda médico-humanitária em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais, desnutrição e exclusão do acesso a cuidados de saúde. Tenham uma ótima leitura! NEO MONDO, tudo por uma vida melhor!

EXPEDIENTE Publisher: Oscar Lopes Luiz Diretora de Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794) Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Eleni Lopes, Marcio Thamos, Dr. Marcos Lúcio Barreto, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Rafael Pimentel Lopes, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Natascha Trennepohl, Rosane Magaly Martins, Pedro Henrique Passos Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794), Andreza Taglietti (MTB 29.146), Lilian Mallagoli Revisão: Instituto NEO MONDO Direção de Arte: LabCom Comunicação Total Projeto Gráfico: LabCom Comunicação Total

Diretora Jurídica - Enely Verônica Martins (OAB 151.575) Diretora de Relações Internacionais: Marina Stocco Diretora de Educação - Luciana Mergulhão (mestre em educação) Correspondência: Instituto NEO MONDO Rua Ministro Américo Marco Antônio n0 204, Sumarezinho São Paulo - SP - CEP 05442-040 Para falar com a NEO MONDO: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tels. (11) 2619-3054 / 98234-4344 / 97987-1331 Presidente do Instituto NEO MONDO: oscar@neomondo.org.br

PUBLICAÇÃO A Revista NEO MONDO é uma publicação do Instituto NEO MONDO, CNPJ 08.806.545/0001-00, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça - processo MJ n0 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 70.000 exemplares distribuídos por mailing VIP e assinaturas em todo o território nacional. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização. 11


Foto: site msf.org.br

Perfil

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS: CUIDADOS DE SAÚDE ESSENCIAIS ONDE ELES SÃO MAIS NECESSÁRIOS Vencedora do Prêmio Nobel da Paz, ONG leva ajuda médico-humanitária em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais, desnutrição e exclusão do acesso a cuidados de saúde. Da Redação

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uem nunca se emociou ao ver a imagem dos profissionais do Médicos Sem Fronteiras (MSF) cuidando de pacientes em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais? As imagens são sempre fortes, mas a dedicação dos profissionais e voluntários é a marca registrada desta ONG, símbolo de seriedade e imparcialidade política na vasta e complicada seara de ajuda humanitária internacional. 12

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Situações de emergência pedem resposta rápida, com atendimento médico especializado e apoio logístico, mas, falhas crônicas no sistema de saúde local, como a escassez de instalações de saúde, de profissionais qualificados e a inexistência da oferta de serviços gratuitos para populações sem recursos financeiros, também podem motivar a atuação do Médicos Sem Fronteiras. A organização foi criada em 1971, na França, por jovens


Foto: site msf.org.br

importando as circunstâncias, nem quem são os beneficiários.

Não temos região prioritária porque isso significaria, de alguma forma, priorizar o sofrimento das pessoas.

médicos e jornalistas que atuaram como voluntários no fim dos anos 60, em Biafra, na Nigéria. Enquanto socorriam vítimas em meio a uma guerra civil brutal, os profissionais perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos, que faziam com que muitos se calassem, ainda que diante de situações gritantes.

encontram. A ONG existe para levar cuidados de saúde essenciais onde seus serviços são mais necessários – em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais e exclusão do acesso a serviços de saúde. A entidade também administra projetos de longo prazo, combatendo crises e prestando suporte às pessoas onde há enormes necessidades e falta assistência adequada. Atualmente, atua em cerca de 70 países.

O MSF surgiu, então, como uma organização humanitária que associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes, dando visibilidade a realidades que não podem permanecer negligenciadas. Em 1999, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Em situações em que a atuação médica não é suficiente para garantir a sobrevivência de determinada população – como ocorre em casos de extrema urgência –, a organização pode fornecer água, alimentos, saneamento e abrigos.

Desta forma, a atuação de Médicos Sem Fronteiras é, acima de tudo, médica. A organização leva assistência e cuidados preventivos a quem necessita, independentemente do país onde se

A atuação de MSF respeita as regras da ética médica baseada no direito de que ninguém pode ser punido por exercer uma atividade médica de acordo com o código de ética profissional, não

Apesar de imparcial, quando diante de determinadas situações, o MSF pode criticar abertamente ou denunciar a ruptura de convenções internacionais e violação de direitos, como o deslocamento forçado de populações, o retorno obrigado de refugiados, atos de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Em entrevista recente ao jornal Estado de Minas, Susana de Deus, diretora-geral da organização no Brasil explica: "antes de enviarmos uma equipe para qualquer país, fazemos um diagnóstico no qual é analisada a capacidade do Estado de intervir naquela situação e identificados quais os outros atores que lá atuam, bem como as reais necessidades da população. O primeiro passo é enviar uma equipe pequena, em geral de duas ou três pessoas, para fazer um levantamento das condições de saúde da população em questão e da ajuda oferecida por outras instituições, organizações ou governos. Com base nesses dados, avaliamos se o nosso trabalho é realmente necessário. Em caso positivo, as informações coletadas são utilizadas para traçar um plano de atuação, que inclui as atividades que serão realizadas, a equipe, os suprimentos médicos necessários etc. NEO MONDO - julho/agosto 2015

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Foto: site msf.org.br por Matthias Steinbach

Perfil

Só depois disso é que tomamos uma decisão quanto a intervir ou não na região. Um detalhe importante: a decisão sobre os locais onde teremos projetos é sempre baseada nas necessidades de saúde da população; não em opiniões políticas,

ideológicas ou religiosas quaisquer”. Susana esclarece ainda: “não temos região prioritária porque isso significaria, de alguma forma, priorizar o sofrimento das pessoas. O que acontece é que os

contextos humanitários têm picos difíceis de serem controlados. Este ano, por exemplo, poderia destacar os conflitos na República Centro-Africana, as várias crises no Sudão do Sul e o surto de ebola na Guiné, em Serra Leoa e Libéria”.

CARTA DE PRINCÍPIOS DO MÉDICOS SEM FRONTEIRAS “A organização Médicos Sem Fronteiras leva ajuda médico-humanitária às populações em perigo e às vítimas de catástrofes de origem natural ou humana e de situações de conflito, sem qualquer discriminação racial, religiosa, filosófica ou política.

Os membros da organização se empenham em respeitar os princípios deontológicos de sua profissão e em manter total independência em relação a todo poder, bem como a toda e qualquer força política, econômica ou religiosa.

Trabalhando com neutralidade e imparcialidade, Médicos Sem Fronteiras reivindica, em nome da ética médica universal e do direito à assistência humanitária, a liberdade total e completa do exercício de suas atividades.

Voluntários, eles compreendem os riscos e os perigos dos trabalhos que realizam e não reclamam para si qualquer compensação que não seja aquela oferecida pela organização.”

CRIADA EM 1971, PRESENTE EM MAIS DE 70 PAÍSES Mais de 34 mil profissionais de diferentes áreas e nacionalidades.

doenças negligenciadas como a doença de Chagas, a doença do sono e a malária.

Mais de 80% de seu financiamento é proveniente de doações individuais ou da iniciativa privada. Hoje, aproximadamente 5 milhões de pessoas contribuem com a entidade no mundo; cerca de 86 mil destes doadores estão no Brasil.

O MSF chegou ao Brasil em 1991, para combater uma epidemia de cólera na Amazônia. Após o controle do surto, a organização permaneceu na região até 2002, promovendo um trabalho de medicina preventiva com tribos indígenas.

Recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1999 e o valor recebido com o prêmio foi utilizado na estruturação do Fundo para Doenças Negligenciadas, para prestar suporte a projetos-piloto voltados para o desenvolvimento clínico, produção, aquisição e distribuição de tratamentos para

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A primeira intervenção urbana de MSF no Brasil aconteceu em 1993, no Rio de Janeiro, com um projeto de assistência a crianças em situação de rua. Até hoje, foram desenvolvidos 15 projetos no Brasil. Atualmente, cerca de 100 brasileiros trabalham na ONG.


Foto: site msf.o sf.org.b .org. r por Martina tina na Baci Baccigalu galupo

“A decisão sobre os locais onde teremos projetos é sempre baseada nas necessidades de saúde da população; não em opiniões políticas, ideológicas ou religiosas quaisquer.”

MSF NO BRASIL Entre 1991 e 2009, o Médicos Sem Fronteiras desenvolveu projetos que envolveram o combate a uma epidemia de cólera na Amazônia, a oferta de cuidados a pessoas sem acesso a serviços de saúde na Favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro (RJ), e a vítimas da violência no Complexo do Alemão, também no Rio. Em 2006, o Médicos Sem Fronteiras estabeleceu um escritório da organização no Brasil; em 2007, foi estruturada a Bramu - Unidade Médica Brasileira. Os profissionais da Bramu são especializados em doenças tropicais negligenciadas, como dengue e Chagas, em outras doenças infecciosas e em antropologia. Eles prestam suporte técnico a diversos projetos de MSF, contribuindo com estudos científicos, pesquisas, identificação de possíveis melhorias nos protocolos de diagnóstico e tratamento de doenças e realizando

treinamentos tanto para profissionais internacionais de MSF quanto para profissionais contratados localmente ou a serviço dos Ministérios da Saúde dos países onde atua. Parcerias estabelecidas localmente também permitem a troca de informações visando o enriquecimento das práticas relacionadas com doenças tropicais. No Brasil, MSF trabalha, muitas vezes, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com o início do surto de Ebola em março de 2014 na África Ocidental, MSF-Brasil passou a enviar profissionais brasileiros aos projetos em campo e é papel da Bramu assessorá-los. Antes de partir, eles recebem informações sobre a doença e, na medida em que retornam, foram acompanhados pelo período de 21 dias. A Bramu é referência no escritório de Brasil também para assuntos relacionados a esta doença.

SEJA UM DOADOR

Foto: site msf.org.br

Foto: site msf.org.br por Karel Prinsloo

Doadores Sem Fronteiras são pessoas que fazem doações mensais e recorrentes para MSF. É graças a essas contribuições constantes que a entidade pode se planejar, agindo rapidamente em situações de emergência, como no terremoto do Nepal ou no conflito da Síria, tratando pacientes com doenças que exigem cuidados de longo prazo. Para doar, acesse o site do Médicos Sem Fronteiras: https://www.msf.org.br/doador-sem-fronteiras

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Meio Ambiente

A HORA E A VEZ DOS OCEANOS WWF-Brasil lança Programa Marinho com o objetivo de desenvolver ações em temas como sobrepesca, turismo e poluição. Da Redação, com comunicação da WWF-Brasil

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om 10,8 mil km de extensão, a costa brasileira percorre 395 cidades, em 17 Estados. Uma imensidão azul que abriga ¼ da população brasileira em um ecossistema único, com 3 mil km de recifes de corais e 12% dos manguezais do mundo. É também um habitat com alta relevância econômica

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para o Brasil, tendo no turismo, na pesca e na exploração mineral seus principais alicerces, mas também com grande potencial biotecnológico e energético. Apesar dos recentes avanços de sua conservação no País, apenas 2% de toda essa biodiversidade está protegida. Preocupado com a situação e motivado pela necessidade de mudança, o WWFBrasil lançou, em 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos, o Programa Marinho. “Vivemos um momento crítico na conservação dos recursos marinhos do Brasil, que sofrem com a pesca excessiva, fraca fiscalização, poluição, exploração mineral, necessidade de políticas públicas adequadas para o bioma; a forte especulação imobiliária e consequente ocupação desordenada das cidades costeiras. Nossa atuação nos mares brasileiros visa chamar a atenção da sociedade para essa triste realidade, a importância da saúde dos oceanos para nossas vidas e como podemos nos mobilizar para protegêlos”, explica a coordenadora do Programa Marinho e Mata Atlântica, Anna Carolina Lobo.

Segundo ela, a baixa conservação do mar e da costa brasileira se agrava com a falta de conhecimento sobre o universo marinho. “A população e o governo de uma forma geral consideram que preservar os oceanos é menos urgente do que as florestas. O desconhecimento sobre o que existe debaixo da água leva a uma não priorização dos mares. Mas isso é um engano. Para se ter ideia, 54,7% de todo o oxigênio da Terra é produzido nos oceanos por algas marinhas”, justifica.

no Rio de Janeiro (RJ), local que sediará algumas provas esportivas nas Olimpíadas ano que vem.

Inicialmente, o Programa Marinho contribuirá para a compreensão e o atendimento dos impactos de três áreas: sobrepesca, turismo e poluição. O trabalho será desenvolvido a partir de quatro estratégias: gestão da qualidade de destinos costeiros; engajamento da sociedade; valorização da pesca sustentável; e o fomento a políticas públicas. “Pretendemos trabalhar por meio de parcerias para alcançarmos nossas metas de conservação. No caso do turismo, por exemplo, faremos cooperações com o setor turístico para trabalharmos a qualidade dos destinos costeiros e para engajamento da sociedade no tema”, avalia Lobo.

Inicialmente, as atividades do Programa serão desenvolvidas nas seguintes regiões: Parque Nacional (Parna) Marinho e Área de Proteção Ambiental (APA) Fernando de Noronha; Costas Centro e Sul do Rio de Janeiro, com destaque para o Monumento Natural das Ilhas Cagarras; Reserva da Juatinga e APA Cairuçu.

Para o tema da poluição, assunto tem preocupado o governo e o Comitê Olímpico, será desenvolvido um projeto-piloto de coleta de plásticos flutuantes na Baía da Guabanara,

Segundo Marco Lambertini, diretorgeral do WWF-Internacional, os oceanos se equivalem em riqueza aos países mais ricos do mundo, mas têm alcançado as profundezas de uma economia fracassada. "Como acionistas responsáveis, não podemos manter de forma imprudente a extração de valiosos ativos do oceano sem investir em seu futuro”, afirma.

Para a pesca, as ações terão enfoque na implementação de boas práticas e valorização da pesca sustentável desenvolvida por comunidades tradicionais. Nesse sentido, o Programa já iniciou uma parceria com chefs e restaurantes, por meio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrael).

No Estado de São Paulo, os trabalhos serão desenvolvidos em unidades de conservação do litoral Norte, incluindo: a APA Marinha Litoral Norte e os Parques Estaduais Ilhabela, Ilha Anchieta e Serra do Mar; além da Estação Ecológica (Esec) Tupinambás, onde está localizada a ilha de Alcatrazes.

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Meio Ambiente

SITUAÇÃO DOS OCEANOS NO BRASIL Um relatório divulgado pela OHI-Brasil (Ocean Healthy Index) apresentou o Índice de Saúde do Oceano no Brasil. Dez critérios foram utilizados para avaliar os mares brasileiros. O País recebeu nota baixa em três deles: produtos naturais (não utilização de seus recursos de maneira apropriada); turismo e recreação (falta de infraestrutura) e provisão de alimentos (desenvolvimento da pesca artesanal e aquicultura).

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NOVO ACORDO CLIMÁTICO A PASSOS LENTOS A reunião de Bonn, em que líderes de 190 países discutiram, no início de junho, os textos para o novo acordo climático global, terminou com uma contraposição entre a vontade explicitada por representantes do mundo todo de um planeta mais sustentável e o que realmente entrou no documento que deve ser assinado em Paris.

Representante do WWF-Brasil em Bonn, o especialista em negociações de clima Mark Lutes destaca que a “reunião construiu confiança e abriu caminho para um texto claro de negociação, esclarecendo as principais controvérsias e permitindo negociações reais para começar o acordo de Paris”. Segundo ele, as ações pré2020 receberam atenção considerável, mas a questão crucial de como os países desenvolvidos vão intensificar o seu apoio financeiro não foi abordada.

Foto: Rich Carey / Shutterstock.com

Se, por um lado, Bonn trouxe grandes avanços, como a promessa do G7 de reduzir 40% a 70% das emissões até 2050 e um tão sonhado consenso para o texto sobre as emissões por desmatamento e degradação ambiental, por outro, faltou o compromisso do grupo de países mais importantes do mundo de diminuírem suas emissões até 2020.

O coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, ressalta a necessidade de uma maior rapidez nas decisões e prazos mais curtos para que a mudança para uma economia livre de carbono seja possível. “As decisões de Bonn são importantes e mostram uma boa vontade política dos representantes, porém planos para 2050, como anunciou o G7, podem estar longe demais”.

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Meio Ambiente

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AMAZÔNIA ÍCONE MUNDIAL DA BIODIVERSIDADE Em 5 de setembro comemora-se o Dia da Amazônia. Em homenagem à maior bacia hidrográfica e à maior floresta tropical do mundo, a revista NEO MONDO preparou esta matéria especial. Por Eleni Lopes

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Meio Ambiente

O

bioma Amazônia possui quase 8 milhões de km², distribuídos em 8 países da América do Sul: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Se formasse um país, a Amazônia latino-americana teria tamanho equivalente aos Estados Unidos e toda Europa Ocidental. No Brasil, estende-se por 4,1 milhões de km². Mas a Amazônia legal, conceito criado na década de 1950, é ainda maior,

abrangendo 5,5 milhões de km², ou dois terços do País, com mais de 18 milhões de habitantes. Ela se espalha por 9 Estados: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.

reproduzem mais de um terço das espécies existentes no planeta. A floresta abriga 2.500 espécies de árvores (um terço da madeira tropical da Terra) e 30 mil das 100 mil espécies de plantas que existem em toda América Latina.

Atualmente, 32,9% do bioma Amazônia, no Brasil, conta com proteção especial (descontadas as sobreposições), sendo 20,84% terras indígenas e 12,09% unidades de conservação federal e estadual.

Além da riqueza natural, a Amazônia contém uma fantástica diversidade cultural. Nela, vivem cerca de 170 povos indígenas, com uma população aproximada de 180 mil indivíduos, 357 comunidades remanescentes de antigos quilombos e centenas de comunidades localizadas, como as de seringueiros, castanheiros, ribeirinhos e babaçueiros.

Na Amazônia, vivem e se

A Amazônia possui, ainda, grande importância para a estabilidade do planeta. Estimativas conservadoras indicam

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que a floresta amazônica é responsável pela absorção de pelo menos 10% dos cerca de 3 bilhões de toneladas de carbono retirados da atmosfera pelos ecossistemas terrestres. Sua massa vegetal, composta por árvores de até 50 metros de altura, com copas frondozas, libera cerca de 7 trilhões de toneladas de água, anualmente, para a atmosfera, através da evaporação e transpiração das plantas. Já seus rios despejam cerca de 12% de toda a água superficial doce que chega aos oceanos, através de toda rede hidrográfica existente no globo terrestre. O Grande Rio O Rio Amazonas nasce na Cordilheira dos Andes, no Peru, e desagua no Oceano Atlântico, junto à Ilha de Marajó, no Brasil. Ao longo de seu percurso, ele recebe os

nomes Tunguragua, Apurímac, Marañón, Ucayali, Amazonas (a partir da junção do rios Marañon e Ucayali, no Peru), Solimões e novamente Amazonas (a partir da junção dos rios Solimões e Negro, no Brasil). Por muito tempo, acreditou-se que o Rio Amazonas fosse o mais caudaloso do mundo e o segundo em comprimento, porém pesquisas recentes o apontam também como o rio mais longo e com a maior bacia hidrográfica do mundo, ultrapassando os 7 milhões de quilômetros quadrados; grande parte deles de selva tropical. A área coberta por água do Rio Amazonas e seus afluentes mais do que triplica durante certas estações do ano. Em média, na estação seca, 110 000 km² estão submersas, enquanto que, na estação das chuvas, essa área chega a ser de 350 000 km². No seu ponto mais largo, atinge, na época seca, 11 km de largura, que se transformam em 45 km na estação das chuvas. O Amazonas é o mais extenso e caudaloso de todos os rios, chegando a descarregar no oceano Atlântico 230 milhões de litros de água por segundo.

MESMO COM MAIOR FISCALIZAÇÃO, DESMATAMENTO AVANÇA

Estudo recente conduzido pela instituto de pesquisa Imazon revela que, entre agosto de 2012 e julho de 2014, foram desmatados 1,5 milhões de hectares em toda a Amazônia. Cerca de 10% desse total ocorreu dentro de 160 Unidades de Conservação (UC). As 50 UCs críticas respondem por 96% do desmatamento ocorrido dentro de UCs nesse período. Em geral, as UCs críticas amazônicas estão na área de influência de grandes obras de infraestrutura, como hidrelétricas e rodovias, que acabam facilitando o acesso, a apropriação indevida das terras e a exploração ilegal de recursos naturais. Paulo Barreto, coautor do estudo, avalia :

“em geral, as Unidades de Conservação são eficazes contra o desmatamento e podem ajudar no desenvolvimento local por meio do turismo e do uso sustentável da floresta. Entretanto, os governos não têm investido suficientemente nos planos para que a população local se beneficie destas áreas.” O Imazon faz três recomendações para assegurar a integridade das áreas críticas: punir todos os crimes associados ao desmatamento ilegal, incluindo a lavagem de dinheiro e formação de quadrilha para negociar terras públicas e comercializar madeira; retirar ocupantes não tradicionais das UCs em que sua permanência não é permitida; e retomar terras públicas ocupadas ilegalmente, fora das UCs, para os reassentamentos necessários.

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Meio Ambiente

CURIOSIDADES

O maior peixe do mundo, o pirarucu, é encontrado no Amazonas e atinge até 2,5 metros de comprimento e 250 quilos. Maior flor do mundo, a vitória-régia também é da Amazônia e chega a medir 2 metros de diâmetro. As florestas inundadas ocupam cerca de 8% do bioma amazônico, tendo como principal característica a flutuação cíclica dos rios, que podem atingir até 14 metros, entre as estações seca e enchente, resultando em inundações periódicas de grandes áreas ao longo de suas margens.

5 DE SETEMBRO: DIA DA AMAZÔNIA Em 5 de setembro de 1850, D. Pedro I criou a província do Amazonas. Por isso, foi instituída esta data para a conscientização da população sobre a importância da floresta amazônica para o meio ambiente.

RAIO-X O bioma Amazônia possui quase 8 milhões de km², distribuídos em 8 países da América do Sul: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Se formasse um país, a Amazônia latino-americana teria tamanho equivalente aos Estados Unidos e toda Europa Ocidental. Principais rios: Amazonas, Negro, Solimões, Japurá, Purus, Juruá, Madeira, Tapajós e Branco. O rio Amazonas forma a maior bacia hidrográfica do mundo, ultrapassando 7 milhões de quilômetros quadrados, grande parte deles de selva tropical. Clima: Equatorial quente e úmido.

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Foto: site portalaz.com.br

CHICO MENDES, O GRANDE LÍDER DOS SERINGUEIROS C h i c o n u m a

Chico Mendes nasceu em 1944, filho de uma família nordestina que migrou para trabalhar nos seringais do Acre. Aos nove anos, aprendeu com o pai o ofício de cortar seringa. Foi a partir de 1965 que se engajou na luta pela autonomia e alfabetização dos seringueiros, que eram obrigados a vender aos patrões e a comprar sua subsistência deles, tornando-os eternamente endividados e reféns de seus empregadores. A luta pela conservação da Amazônia foi a consequência natural do seu engajamento social e político. Tornou-se então líder ambientalista de renome internacional.

Durante sua vida, testemunhou a morte de diversos de seus companheiros. E, neste ciclo vicioso, foi assassinado em 18 de dezembro de 1988. A comoção gerada pela sua morte levou à criação da Reserva Extrativista Chico Mendes e a Reserva Extrativista do Alto do Juruá, ambas no Acre, com 1.500 e 500 hectares de externsão, respectivamente.

A LENDA DO AÇAÍ O açaí é uma planta típica das florestas de várzea do Baixo Amazonas. Uma lenda local conta que, antes de existir a cidade de Belém, vivia na região uma tribo que sofria com a falta de alimentos. Por isso, o cacique mandava sacrificar todos os recém-nascidos. Sua filha Iaçá também engravidou e teve o filho morto. Durante dias, Iaçá rogou a Tupã o fim dos sacrifícios. Um dia, ouviu o choro de um bebê, do lado de fora da sua tenda. Era sua filha sorridente ao pé de uma palmeira. Correu para abraçá-la, mas deu de cara com a árvore. Iaçá ali ficou, chorando até morrer. No dia seguinte, o cacique encontrou a filha morta, agarrada à palmeira, olhando fixamente para as frutinhas pretas. Ele as apanhou, amassou e fez delas um vinho vermelho. Para os índios, aquilo eram as lágrimas de sangue de Iaçá. Por isso, açaí, em tupi, quer dizer “fruto que chora”.

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Meio Ambiente

REGISTRAR PARA PRESERVAR Alguns animais que compõem a riquíssima fauna Amazônica. Da Redação

MACACO-DE-CHEIRO

ARARA

BICHO-PREGUIÇA

MACACO-ARANHA


GAVIÃO REAL

O

TARTARUGA

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Meio Ambiente

ONGS BRASILEIRAS SE UNEM PARA FORTALECER UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRIVADAS Encontro realizado na Reserva Natural Salto Morato (PR) teve por objetivo discutir ações conjuntas que otimizem recursos e esforços para que as RPPNs ganhem relevância no cenário atual. Da Redação, com NQM Comunicação

A

Foto site: conexaosul2010.wordpress.com

s três principais ONGs brasileiras que destinam recursos para criação, conservação e manutenção de unidades de conservação (UCs) privadas - Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza,

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SOS Mata Atlântica e WWF - reuniram-se com a Confederação Nacional de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) para definirem novas formas de fortalecer essas áreas protegidas. Segundo as representantes das instituições, é preciso ampliar o trabalho de articulação da Confederação Nacional. O encontro foi realizado na Reserva Natural Salto Morato. RPPN é uma das doze categorias de UCs previstas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e tem como principal função mobilizar o cidadão a conservar parte da biodiversidade existente em sua propriedade particular. Atualmente, o Brasil possui mais de 1.200 RPPNs que, juntas, protegem quase 700 mil hectares de áreas naturais.

Foto site: vidaacademica.facel.com.br

Para Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, o objetivo de trabalhar em conjunto é ampliar a visibilidade das RPPNs no cenário nacional. “Estamos aliando esforços para que as RPPNs brasileiras tenham mais apoio e representatividade – principalmente na

melhoria das politicas públicas – e para que estejam cada vez mais inseridas na sociedade, contribuindo para a geração de renda e de conhecimento”, explica. Segundo Márcia Hirota, diretora executiva da SOS Mata Atlântica, as reservas particulares possuem grande importância no fornecimento dos serviços ambientais, como produção de água, proteção da biodiversidade e dos solos, além da manutenção de um microclima favorável. “Nas RPPNs, todos esses benefícios são mantidos devido aos esforços dos proprietários privados, sem que nenhum ônus da conservação recaia sobre o poder público”, afirma. Para Márcia, as reservas privadas representam um esforço complementar às iniciativas

Mobilizar o cidadão a conservar parte da biodiversidade existente em sua propriedade particular.

governamentais de conservação “e devem ser valorizadas e reconhecidas”, conclui. Com tantos benefícios, a coordenadora do programa Mata Atlântica da WWF-Brasil, Anna Carolina Lobo, destaca que o governo precisa encorajar a criação e gestão correta de RPPNs. “É preciso que todas as reservas particulares tenham plano de manejo e que eles sejam colocados em prática, por exemplo. Esse é um instrumento simples e estratégico que oferece o direcionamento necessário para que a UC cumpra o seu papel de proteção da biodiversidade”, ressalta. De acordo com Laércio de Sousa, presidente da Confederação Nacional, as agendas das ONGs ambientalistas participantes da reunião estão alinhadas com os objetivos da instituição. “Todos se mostraram interessados em atuar juntos”, afirma. Ele conta que após esse evento, serão delimitados os focos de atuação para que haja mais apoio para as RPPNs e que sejam ouvidas as reivindicações de seus proprietários. Um documento compilando essas ações está sendo preparado, com previsão de divulgação durante a oitava edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, um dos maiores eventos da América Latina sobre o tema e que acontece de 21 a 25 de setembro, em Curitiba (PR). NEO MONDO - julho/agosto 2015

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Foto: Divulgação

Meio Ambiente

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PELA PRIMEIRA VEZ, RAIAS GIGANTES SÃO ENCONTRADAS NO PARCEL DOM PEDRO Formação rochosa submersa localiza-se entre a costa de Mongaguá e Itanhaém e é conhecida por pescadores e praticantes de caça submarina. Da Redação

Tratam-se dos primeiros registros históricos da espécie (Manta birostris) naquela área. Os animais já foram

catalogados no Banco Brasileiro de Mantas (BBM). A mais recente avistagem ocorreu no início de junho. Trata-se de um macho de quase 5 metros de envergadura (tamanho de uma 'asa' a outra) . Além do registro fotográfico, os pesquisadores realizaram a coleta do muco que fica envolto ao animal. A substância contém material genético (DNA) e serve para que os cientistas façam uma análise biológica do indivíduo. A equipe composta por mergulhadores, biólogos e oceanógrafos já havia conseguido encontrar uma raia manta fêmea no mesmo lugar, localizada

Foto: Leo Francini - Mantas do Brasil

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esquisadores localizaram quatro raias mantas gigantes em uma região conhecida como Parcel Dom Pedro II, na costa do litoral Sul de São Paulo. Localizado entre a costa de Mongaguá e Itanhaém, a formação rochosa submersa, que oferece risco à navegação, reúne diversidade de vida marinha. No entanto, não é uma área preservada e está sujeita à pesca e à caça submarina.

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Meio Ambiente a quase 25 quilômetros da costa. Com comportamento dócil, ela permaneceu próxima da superfície: em alguns momentos foi possível observar as pontas das nadadeiras para fora da água. "A imagem em que verificamos as nadadeiras da manta acima da linha d'água é inédita em nosso litoral", afirma o biólogo do Projeto Mantas do Brasil, Eric Comin. Respectivamente, as mantas foram batizadas como “Oceanográfo”, em homenagem ao dia do profissional, e “Magini”. Dois primeiros registros Os pesquisadores encontraram as duas primeiras raias mantas da história no Parcel Dom Pedro II no início de junho. Ambos animais são fêmeas e possuem envergadura superior a 5 metros de comprimento. A primeira foi batizada como “Juju” e, a outra, como “Maroca”. Os animais estavam

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aparentemente saudáveis, mas apresentavam diversos ferimentos devido ao enrosco em linhas e redes de pesca. Eles ainda não tinham sido catalogados. Caso o aparecimento dessas raias se mostre típico, os estudos do Projeto poderão comprovar um novo ponto de agregação da espécie na costa brasileira. Primeira da temporada Com os quatro registros do Parcel Dom Pedro, chegam a cinco o número de raias gigantes avistadas nesta temporada na costa brasileira. A primeira delas ocorreu no final de março na Ilha da Queimada Grande, em Itanhaém. Batizada de “Help”, trata-se de um macho de aproximadamente quatro metros. Ele tinha cicatrizes ocasionadas por linhas de pesca.

Todas as raias foram identificadas e registradas pelas manchas que possuem no ventre (barriga) - elas funcionam como as digitais humanas. A fotoidentificação permite, por exemplo, delimitar rotas migratórias da espécie na costa brasileira, a partir de um eventual novo registro. Todos estão concentrados na plataforma do BBM, que é de acesso universal. Risco de extinção Completam-se em 2015 dois anos da proibição da pesca predatória de raia manta no Brasil. Foram os integrantes do Instituto Laje Viva, realizador do Projeto Mantas do Brasil, que auxiliaram na intermediação de conversas com o governo federal, fornecendo informações técnicas que demonstram que a espécie gigante está em risco de extinção.


raias mantas da história no Parcel Dom Pedro II

Há 5 anos, o Projeto Mantas do Brasil auxilia na preservação das raias mantas. Entre outras ações realizadas pelos pesquisadores, biólogos e voluntários, está a de educação ambiental, que alcança estudantes de toda a Baixada Santista, bem como

a formação gratuita de mergulhadores, profissionais ou amadores, para a fotoidentificação (a partir de uma foto do ventre) durante eventual encontro subaquático com um animal da espécie por toda a costa brasileira. Os trabalhos de pesquisa e reconhecimento têm o patrocínio oficial da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental desde 2009 e, mais recentemente, com o patrocínio da Companhia Docas de Santos (Codesp), empresa administradora do Porto de Santos, o maior e mais importante complexo portuário da América Latina.

Foto: Leo Francini - Mantas do Brasil

As duas primeiras

"A lei prevê sanções aos pescadores que trouxerem a bordo de suas embarcações o animal morto, ainda que por acidente”, ressalta a coordenadora geral do Projeto, Ana Paula Balboni Coelho.

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Saúde

FRUTO AMAZÔNICO NO COMBATE AO CÂNCER Pesquisa da USP estuda propriedades anti-inflamatórias do guajiru contra a doença. Da Redação, com Agência USP de Notícias

O guajiru, fruto da Amazônia que hoje é pouco aproveitado, pode fornecer substâncias que combatem processos inflamatórios associados ao câncer. Testes realizados em animais e em células humanas demonstraram que as antocianinas, compostos químicos extraídos do fruto, apresentam ação anti-inflamatória e antimutagênica. O fruto influencia ainda na redução das concentrações de radicais-livres, evitando a destruição de células saudáveis.

antocianinas, compostos químicos de interesse na prevenção de doenças, mas não há informações sobre outros compostos e seus efeitos biológicos”, conta Venâncio. “Desse modo, a pesquisa se concentra nos mecanismos dos compostos do fruto e das antocianinas nos processos de instabilidade genética e inflamação, descritos como precursores da carcinogênese (câncer) e da fisiopatologia de doenças crônicas”.

A pesquisa foi realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP e na Texas A&M University, nos Estados Unidos, por Vinícius Venâncio.

Por se tratar de um fruto subutilizado, não há muitos relatos sobre a disponibilidade do guajiru na Amazônia. Ele é comum em regiões costeiras, portanto há relatos da presença do guajiru nos Estados de Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e Pará.

As folhas do guajiruzeiro são utilizadas na medicina popular por auxiliar na diminuição dos níveis de glicose sanguíneos, efeito este já descrito na literatura científica. “Quanto ao fruto, sabe-se apenas que ele possui

O fruto é comestível e utilizado in natura ou na preparação de bebidas. Além disso, também é aproveitado no preparo de doces, como compotas e geleias. Nos ensaios com animais, foi utilizado o fruto inteiro, composto por polpa e casca. Os

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efeitos foram avaliados nas células do sangue e medula óssea. “Os resultados indicam efeitos antimutagênico, anti-inflamatório e de redução das concentrações de radicais livres. Esta foi a primeira vez que os efeitos dos frutos do guajiruzeiro foram avaliados e a primeira vez que as antocianinas isoladas do guajiru apresentaram efeito anti-inflamatório em células de câncer humano”, explica Venâncio. Os ensaios realizados até agora tiveram o objetivo de conhecer o fruto do guajiru, sua composição fitoquímica e de minerais e seus efeitos sobre a estrutura do DNA, a geração e neutralização de radicais livres e seus efeitos anti-inflamatórios. “Ainda há um longo processo até que o fruto ou as antocianinas tornem-se de fato fármacos”, observa o pesquisador. “Ensaios préclínicos e clínicos, assim como ensaios mecanísticos serão necessários para a alegação funcional deste produto natural, bem como sua utilização na terapêutica”.


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Foto Fot oto: Divulg ot Divu v ação ção

Empresas

INSTITUTO ALCOA: 25 ANOS E MAIS DE R$ 105 MILHÕES EM INVESTIMENTOS Empresa é integrante do Índice Dow Jones de Sustentabilidade há doze anos e eleita por cinco vezes consecutivas como uma das empresas mais sustentáveis do mundo, no Fórum Econômico Mundial de Davos. Por Eleni Lopes

Líder mundial em tecnologia, engenharia e produção de metais leves, a Alcoa opera no Brasil desde 1965, atuando em toda a cadeia de produção do alumínio, da mineração de bauxita até produtos transformados e de alto valor agregado. Emprega cerca de 4,2 mil pessoas no país e possui seis unidades produtivas, centro de distribuição e escritórios no Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal. A companhia também é acionista da Mineração Rio do Norte (MRN) e de quatro usinas hidrelétricas: Machadinho, Barra Grande, Serra do Facão e Estreito. 38

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Modelo no quesito sustentabilidade, a empresa é integrante do Índice Dow Jones de Sustentabilidade há doze anos e eleita por cinco vezes consecutivas como uma das empresas mais sustentáveis do mundo, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Em 2014, foi escolhida pela 8a vez como uma das empresasmodelo pelo Guia Exame de Sustentabilidade. Foi, ainda, reconhecida pela 13a vez como uma das Melhores Empresas para Trabalhar, de acordo com o Great Place to Work Institute; e das Melhores Empresas Para Começar a Carreira, segundo o Guia Você S/A. Em 2010, inovou ao criar uma Equipe Global de Sustentabilidade em nível executivo, com o objetivo de integrar a sustentabilidade nas estratégias de negócios.

O histórico traz números relevantes e altamente positivos da atuação do Instituto Alcoa e Alcoa Foundation. Foram mais de 2.100 projetos atendidos e R$ 105 milhões em investimentos, beneficiando 39 cidades brasileiras. Os funcionários da companhia dedicaram mais de 1,4 milhão de horas de trabalho voluntário. O Instituto Alcoa atua em quatro áreas prioritárias: Programa de Apoio a Projetos Locais, Voluntariado, Programa ECOA - Educação Comunitária Ambiental e Iniciativas Globais que, juntas e articuladas, contribuem para a promoção do desenvolvimento sustentável local. “Temos grandes motivos para celebrar, juntamente com nossos funcionários, clientes e com as organizações parceiras, as diversas iniciativas realizadas ao longo desses 25 anos, demonstrando nosso compromisso com as comunidades onde a Alcoa está presente”, ressalta José Aurélio Drummond, presidente da Alcoa América Latina, do Instituto Alcoa e do Conselho do Instituto Alcoa.

Foto Fo o : Divulg Divulg vulgação ação aaç çção

Foto: Divulgação

Incentivo ao voluntariado Fundado em 1990, no Brasil, o Instituto Alcoa está presente em todas as localidades em que a empresa atua. Em 2014, a organização fechou seu balanço com 46 projetos apoiados, 135 mil pessoas beneficiadas, 22 mil horas de trabalho voluntário e mais de dois mil alcoanos como voluntários, resultado de um investimento de mais de R$ 6 milhões aplicados pelo próprio

Instituto e pela Alcoa Foundation.

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Empresas

PROJETO CAMBARÁ

O Instituto Alcoa promoveu, no final de junho, em Tubarão (SC), mais uma etapa da 2ª edição do Projeto Cambará. Iniciado em 2014, o Cambará tem como objetivo fortalecer organizações da sociedade civil, de modo a contribuir para o aprimoramento de gestão, em especial o desenvolvimento de projetos. Cambará, planta que dá nome ao projeto, é um arbusto nativo, aromático, medicinal, que dá flores coloridas o ano inteiro e atrai borboletas. Por isso, na metodologia do projeto, os participantes percorrem por ciclos, que se assemelham a um processo de cultivo – no qual é preciso adubar, semear, plantar, cuidar, para que os frutos possam ser colhidos e as sementes novamente plantadas. Após todo o processo de “cultivo”, cada organização apresenta o projeto para uma banca examinadora em cada localidade. Os avaliadores contribuem com sugestões para aprimoramento do projeto. No primeiro módulo do Projeto Cambará 2015, também em Tubarão, mais de 20 instituições estiveram presentes. Os assuntos a serem abordados ao longo do projeto serão: mobilização social, mobilização de recursos, comunicação e atuação articulada. O FICAS, organização não governamental,

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conduz o processo junto ao Instituto Alcoa, contribuindo para o aprimoramento da gestão de organizações para fortalecer o papel estratégico que esses atores têm nas comunidades em que atuam. Para Monica Espadaro, Gerente de Projetos do Instituto Alcoa, o Cambará contribui para o fortalecimento da sociedade civil organizada. “Projetos como este têm um poder imenso de transformação. Quando apoiamos a formação das organizações, temos a certeza de que elas sairão preparadas para aprimorar sua gestão e o desenvolvimento de projetos, além de promover a articulação e integração de diferentes atores da comunidade. Nosso maior objetivo é contribuir para que nossos parceiros se tornem os protagonistas de suas histórias.”


JURUTI: DA POLÊMICA INICIAL À MINERAÇÃO SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA

Deu-se início então um projeto controverso de extração e beneficiamento de bauxita no coração da Amazônia, que levou a Alcoa a enfrentar resistência de diversos setores da sociedade, mas que acabou se firmando como modelo de empreendimento com incentivo ao desenvolvimento local.

Ciente dos percalços e dos obstáculos que enfrentaria, a Alcoa buscou, desde a concepção de Juruti, um diálogo franco com a comunidade envolvida para que os impactos negativos trazidos pelo empreendimento fossem minimizados e os positivos, potencializados. Criou um fórum de desenvolvimento local, indicadores locais de sustentabilidade e, ainda, um fundo de desenvolvimento sustentável para viabilizar os projetos idealizados em conjunto com a comunidade. A unidade da Alcoa em Juruti opera desde setembro de 2009 sob uma reserva de cerca de 700 milhões de toneladas métricas de minério, um dos maiores depósitos de bauxita do mundo.

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Após alguns anos de prospecção mineral por toda a região de Juruti, no Oeste do Pará, realizada pela empresa Reynolds Metals, a Alcoa decidiu adquirir dessa empresa, em 2000, os direitos de pesquisa na região e iniciar estudos aprofundados nos platôs Capiranga, Guaraná e Mauari, localizados nos limites municipais de Juruti.

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NEO MONDO INFORMA

Foto siite: ite: socia socialbet lbeta.com m

Por Eleni Lopes

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as 11 campanhas mais premiadas no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, encerrado em 27 de junho, cinco foram criadas para organizações não governamentais. Para o iraniano Amir Kassaei, CCO da DDB Worldwide, 90% dos trabalhos feitos para ONGs e inscritos em Cannes não têm o objetivo de ajudar as causas, mas sim o de convencer os jurados na guerra por Leões.

Foto site: economia.estadao.com.br

Engajamento ou oportunismo?

ONU prevê que mundo terá 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2017

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té 90% do lixo eletrônico do mundo, com valor estimado em US$ 19 bilhões, é comercializado ilegalmente ou jogado no lixo a cada ano, de acordo com um relatório divulgado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA). A indústria eletrônica, uma das maiores e que mais cresce no mundo gera, a cada ano, até 41 milhões de toneladas de lixo eletrônico de bens como computadores e celulares smartphones. Segundo previsões, esse número pode chegar a 50 milhões de toneladas já em 2017. Entre 60 e 90% destes resíduos são comercializados

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ilegalmente ou jogados no lixo, de acordo com o PNUMA. A Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL) estima que o preço de uma tonelada de lixo eletrônico gira em torno de US$ 500. Seguindo esse cálculo, estima-se que o valor do lixo eletrônico não registrado e informalmente manuseado, incluindo os que são comercializados ilegalmente e despejados, encontra-se entre US$ 12,5 a 18,8 bilhões por ano. O mercado global de resíduos, desde a coleta até a reciclagem, é estimado em US$ 410 bilhões por ano, gerando emprego e renda.


Instituto Ayrton Senna lança eduLab21

ciências e o mundo da educação, o edulab21, laboratório irá produzir e mapear conhecimentos sobre quais são, como se desenvolvem e como se avaliam as competências importantes para se viver no século 21; sistematizar esses conhecimentos em uma base de referência útil e acessível a gestores, professores e demais atores comprometidos com a melhoria da educação; e disseminar esses conhecimentos via iniciativas de difusão e de cooperação técnica para desenho de políticas públicas. O laboratório contará com dois polos de trabalho para produção e disponibilização de conhecimento científico para a formulação de políticas públicas baseadas em evidência. A função de produção de novos conhecimentos será conduzida por uma cátedra na Universidade de Ghent, na Bélgica, coordenada pelo psicólogo Filip de Fruyt. A função de “tradução” e “customização” desses conhecimentos para apoiar o desenho de políticas públicas será conduzida pela Cátedra Instituto Ayrton Senna e pelo Núcleo de Pesquisas Ciências para Educação no Insper, ambos coordenados pelo economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros.

Foto: Bruno Polengo / educacao.pe.gov.br

O Instituto Ayrton Senna acaba de lançar o eduLab21, um laboratório de inovação dedicado à produção e disseminação de conhecimento científico para a melhoria da educação pública no Brasil. Constituído por uma rede multidisciplinar de parceiros ao redor do mundo, o eduLab21 terá como missão contribuir para que todas as crianças e jovens tenham acesso a uma educação que prepare para a vida no século 21. “O desafio é trazer a escola do século 19 para o século 21 ou, dito de outra forma, levar o século 21 para dentro da escola”, explicou Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna. Para Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e um dos líderes do eduLab21, esse descompasso entre o que o mundo exige e o que a escola oferece é uma das principais causas da falta de engajamento dos jovens com a educação. “Quase um milhão de jovens abandonam a escola durante o ano letivo, no Brasil. A gente acha que isso tem muito a ver com uma escola do século 19 sendo apresentada para alguém do século 21”, afirma. Para fazer a ponte entre o conhecimento das

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Abrasel e WWF firmam parceria para incentivar consumo consciente do pescado

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nchoíta, Calamar, Carapeba, Majuba, Olhete e Savelha. Os nomes podem não soar familiares, mas estes são pescados (peixes, crustáceos e moluscos) comuns na costa brasileira e cujo consumo consciente passa a ser incentivado por meio da campanha “Do Mar à Mesa”. A ação, fruto de parceria entre o WWF-Brasil e a Abrasel, será direcionada aos pescadores, ao mercado e aos consumidores finais para que entendam a importância de escolher, de maneira responsável, o que entra no cardápio. Hoje, dezenas de espécies de pescados são capturadas diariamente no Brasil, muitas de maneira inadequada, tendo como consequência a sobrepesca e o risco de extinção. Por isso, foi elaborado um plano abrangente que visa estimular e encaminhar soluções para o consumo consciente. Segundo o diretor-executivo da Abrasel, Gustavo Timo, hoje, 26% das espécies comerciais de peixes estão em situação de sobrepesca no país. “Isso significa que são pescadas num volume maior que os bancos pesqueiros conseguem regenerar. Um bom exemplo é a sardinha verdadeira, principal espécie de pescado produzido por aqui: em 1973, ela tinha o volume de 228 mil toneladas e, em 2011, atingiu 75 toneladas. Ou

seja, uma perda de dois terços do volume de pesca dessa espécie, em pouco menos de 40 anos”, afirma. Além dos problemas com o processo de pesca, outro importante alerta está ligado ao aumento exponencial do consumo de pescado. Em 1960, a média mundial do consumo por pessoa era de 9,9 kg por ano; já em 2012 passou a ser de 19,2 kg/ano. No Brasil, grande parte dos peixes, crustáceos e moluscos fornecidos para o mercado são provenientes da pesca artesanal. As comunidades pesqueiras são alvo do programa “Do Mar à Mesa”, que pretende capacitar e empoderar estes pescadores por meio de cartilhas e de oficinas ministradas por chefs como Eudes Assis e pelo WWF-Brasil. Além disso, haverá uma oficina voltada para os restaurantes, que estimulará o uso de espécies adequadas de pescado na criação dos pratos. Neste primeiro momento, o projeto-piloto será desenvolvido no litoral Norte de São Paulo. A campanha “Do Mar à Mesa” se baseia no Guia de Consumo Responsável do Pescado, que divide as espécies encontradas na costa brasileira em três categorias: “Bom apetite” (liberadas para o consumo), “coma com moderação” e “evite”.

Foto: Patricia Hofmeester / shutterstock.com

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Nova espécie de lagarto é descoberta e já está ameaçada de extinção

uma população da espécie já conhecida e que havia sido introduzida a partir do Porto de Imbituba, que fica adjacente à área. Por isso, iniciei as análises um pouco relutante, mas conforme pude comparar essa população com outros lagartos percebi que se tratava realmente de uma espécie distinta”, destaca. “Por conta de seu grande endemismo e das ameaças que sofre, o novo lagarto já está correndo risco de extinção”, alerta Márcio Martins. As principais pressões antrópicas na região são a alteração do ambiente natural por conta de atividades portuárias e a visitação turística intensa. “O turismo pode ser grande aliado da conservação, quando é realizado levando em conta os fatores que garantem a manutenção do equilíbrio da biodiversidade”, conclui o pesquisador. O réptil já consta na lista de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. O tamanho do corpo do Tropidurus imbituba varia entre 9 e 12 centímetros quando adulto. Com a cauda, a espécie chega aos 20 centímetros. A coloração é cinza e marrom com manchas salpicadas. Uma das diferenças para as outras espécies de lagartos é uma mancha de tom alaranjado na altura do ventre, além de uma faixa preta no pescoço, lembrando um pequeno colar.

Foto oto o: site site new ewsllocker.co ocke cke kerr.c r.. om/pt m/pt-br

Uma nova espécie de lagarto foi descoberta no litoral catarinense, nas praias de Imbituba, a 90 km de Florianópolis. O Tropidurus imbituba, que foi descrito na revista científica Zootaxa, era confundido com outro lagarto, o Tropidurus torquatus, espécie que tem ampla área de ocorrência no Brasil, do sul da Bahia até o Rio Grande do Sul. De acordo com o orientador da pesquisa de mestrado responsável pela descoberta e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcio Borges-Martins, a espécie de lagarto já conhecida está presente, com maior frequência no interior. Por isso, ao verificarem a possível presença dela no litoral, ficaram desconfiados de que poderia se tratar de uma nova espécie. “Vimos os lagartos na Praia de Imbituba [o nome do novo lagarto homenageia o município) e achamos que o ambiente não era condizente para espécie, então começamos a estudá-la e verificamos que se tratava de um animal ainda não descrito”, explica Martins. Tobias Kunz, pesquisador orientando que trabalhou em conjunto com Martins, conta que, por ele conhecer muito bem o litoral catarinense, a descoberta dessa população em uma área tão restrita foi uma grande surpresa. “Inicialmente, acreditei que pudesse ser

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Demência vascular é mais comum que Alzheimer em idosos

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esquisas realizadas em cérebros armazenados no Banco de Encéfalos da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) revelam maior prevalência de demência vascular e doença de pequenos vasos entre idosos, em comparação com a da doença de Alzheimer. Os estudos realizados no Banco, organizado pelo Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral, encontraram alterações decorrentes de lesões cerebrais causadas por problemas da circulação sanguínea, compatíveis com o quadro de demência vascular. A descoberta pode auxiliar na prevenção da doença, associada a fatores de risco cardiovascular, como hipertensão e diabetes. Anteriormente, acreditava-se que a principal causa de demência entre idosos brasileiros era a doença de Alzheimer, a exemplo do que era verificado em estudos realizados no exterior. “A pesquisa avaliou 1.291 casos, sendo que 113 atenderam aos critérios para o grupo ‘demência’, e entre os restantes, foram sorteados 100 para o grupo ‘controle’”, diz a professora Lea Grinberg, da FMUSP, que coordenou a pesquisa. “Os critérios de inclusão no grupo ‘demência’ foram ter mais de 50 anos, apresentar demência moderada ou grave e ter doado o cérebro para o Banco de Encéfalos”. Os pesquisadores realizaram análises neuropatológicas, que verificaram a existência de lesões vasculares, tipo infarto ou arteriosclerose, ou depósitos de proteínas características de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. “Para isso, usamos técnicas de imuno-histoquímica”, aponta Lea. “Em todos os casos, os dados clínicos foram obtidos com os familiares e um grupo de especialistas analisou os dados para chegar a um diagnóstico clínico”. Os resultados da pesquisa comprovaram a

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hipótese de que, na população de São Paulo, grande parte dos casos de demências poderiam ter sido prevenidos se os fatores de risco cardiovasculares, como pressão arterial, colesterol e obesidade, tivessem sido tratados adequadamente. “Não existe tratamento para a demência, mas é possível evitar ou retardar seu aparecimento quando a causa é um problema da circulação sanguínea”, ressalta a professora. “Há consciência de que o controle de fatores de risco vasculares têm impacto positivo na saúde do coração. A pesquisa mostra que esse efeito pode se estender ao cérebro”.


Brasil terá R$2,3 milhões de investimento em conservação da natureza

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Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza divulgou a lista das novas iniciativas de conservação da natureza que serão apoiadas a partir do segundo semestre deste ano. No total, serão investidos cerca de R$ 2,3 milhões em 17 novas iniciativas que acontecerão na Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e ecossistema marinho. Entre os escolhidos, destaca-se a iniciativa que pretende criar a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Ararinha-azul, em Curaçá (BA). O objetivo é oferecer um habitat conservado para reintroduzir a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) na Caatinga, ambiente natural que é exclusivamente brasileiro. A espécie é considerada extinta na natureza, restando apenas poucos exemplares em cativeiro. Esse projeto será realizado pelo Movimento Água Para Todos e Todos Pela Água (Mapta).

Outro importante projeto acontece na Amazônia e vai estudar a relação da onça-pintada (Panthera onca) com a várzea, ambiente de planície que alaga em épocas de cheias. Dessa forma, objetiva-se complementar um trabalho que vem sendo realizado pelo Instituto Piagaçu para conservar essa espécie que está amplamente ameaçada e que possui grande importância no equilíbrio da biodiversidade, por ser um animal de topo de cadeia. Em 25 anos de atuação, a instituição já se consolidou como uma das maiores apoiadoras de projetos de conservação da natureza no Brasil. Ao todo, 1439 iniciativas de conservação da biodiversidade brasileira já foram apoiadas. Cerca de 500 unidades de conservação já foram beneficiadas por essas iniciativas, bem como 240 espécies ameaçadas de extinção.

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Brasil sedia I Jogos Mundiais Indígenas

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e 23 de outubro a 10 de novembro, acontece em Palmas (TO), I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), com o mote “Em 2015, somos todos indígenas”, e a presença de mais de dois mil atletas de 30 países. Ao todo serão 13 dias de programação, sendo que nos primeiros três dias de evento, todas as etnias brasileiras e estrangeiras participarão de uma excursão pelos pontos turísticos de Palmas, como forma de ambientação, socialização e integração dos participantes do evento com a comunidade da cidade. Para o evento, foi criada a Secretaria Extraordinária dos Jogos Indígenas, responsável por toda a organização. Além dos indígenas das Américas, também estarão presentes os povos da Austrália, Nova Zelândia, Congo, Etiópia, Mongólia, Japão, Noruega, Rússia, China e Filipinas. Do Brasil, cerca de 24 etnias devem participar da competição.

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Dentre as modalidades tradicionais escolhidas para a competição, estão arco e flecha, corrida de tora, arremesso de lança, cabo de força, canoagem, corrida de velocidade e natação em águas abertas. O futebol também entrou na lista, mas como modalidade ‘ocidental’. “Dentre as modalidades tradicionais indígenas, o destaque é para o arco e flecha, que é considerado nobre, pois faz parte do contexto de sobrevivência destes povos. Mas o Mundial também terá espaço para modalidades que não terão disputa, chamadas de culturais, específicas de cada povo”, explica o presidente da Fundação Municipal de Esportes e Lazer (Fundesportes), Cleyton Alen. Paralelamente às atividades esportivas, ocorrerá um número imenso de atividades culturais, lideradas pelos povos indígenas do mundo, que celebrarão a diversidade, a cultura nativa e as tradições.


Conferência Ethos 360°: Peter Lacy e Michael Green estão entre os palestrantes confirmados

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eter Lacy, diretor global para Serviços de Sustentabilidade da Accenture Strategy, e Michael Green, diretor-executivo do Social Progress Imperative, confirmaram sua participação na edição 2015 da Conferência Ethos 360°, um dos maiores eventos sobre negócios sustentáveis do mundo, que ocorrerá nos dias 22 e 23 de setembro, no Golden Hall do WTC, em São Paulo (SP). Além de diretor da Accenture, Lacy é pesquisador sênior em negócios na Universidade de Oxford e especialista em sustentabilidade, com foco em economia circular, gerenciamento de stakeholders e estratégia, sobretudo em temas relacionados a meio ambiente, sociedade, governança e ética. Em sua palestra, ele abordará esses aspectos e também falará sobre como as empresas têm agregado valor, engajando suas cadeias de fornecedores e clientes e melhorando sua rentabilidade, tanto em economias

C O N F E R Ê N C I A

E T H O S

desenvolvidas quanto nas emergentes. O economista Michael Green, por sua vez, abordará o progresso social e o bem-estar humano. Por meio das publicações Philanthrocapitalism e How Giving Can Save the World and the Road from Ruin: a New Capitalism for a Big Society, que escreveu em parceria com Matthew Bishop, articulista da revista The Economist, Green desenvolveu uma maneira nova de ver o mundo: o Índice de Progresso Social. Ao contrário do Produto Interno Bruto (PIB), ao qual se contrapõe, esse novo índice define o que significa ser uma boa sociedade. Green mostra como essa ferramenta mede as sociedades através das três dimensões que realmente importam: as necessidades humanas; os fundamentos do bem-estar; e as oportunidades para todos. Para saber mais sobre a edição deste ano da Conferência Ethos 360° e inscrever-se, acesse o site http://www.ce2015.org

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UNIDADE ACLIMAÇÃO

PROJETO TATUAPÉ

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Revista Neo Mondo Ed. 69  

Julho/Agosto Amazônia - Ícone mundial da biodiversidade

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