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Ano 9 - No 68 - maio/junho 2015

Exemplar de ASSINANTE Venda Proibida

R$ 16,00

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE ZONA COSTEIRA

Bioma abriga 70% da população nacional

CAATINGA

Bioma exclusivamente brasileiro

AQUÍFERO GUARANI

Pérola valiosa


Há mais de 50 anos, a Eletrobras é a força que transforma um país inteiro. Década de 60 A Eletrobras nasce e, nos primeiros cinco anos, consegue aumentar a geração de energia em 3 mil MW. Década de 70 Início da construção de Tucuruí, usina que viabilizou o sistema interligado de transmissão de energia. Década de 80 e 90 Inauguração das usinas Angra I, Xingó, Serra da Mesa, Itaipu e Tucuruí. Integração Norte-Sul: mais de 1.300km de novas linhas de transmissão. 2000 até hoje Aumento de quase 700% na capacidade de geração em toda a sua história. Investimento em novas fontes de energia: eólica, biomassa e solar. 2030 Objetivo de estar entre as três maiores empresas globais de energia limpa.

Somos a Eletrobras. Somos a energia do Brasil.

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Tudo começou em 62. E a Eletrobras já nasceu impulsionando o país. Nas décadas seguintes, a gente continuou buscando chegar mais longe, construindo novas linhas de transmissão, novas usinas, investindo em tecnologia, investindo no futuro. Há mais de 50 anos, a história vem mostrando que superação é a marca da Eletrobras. Por isso, temos certeza: em 2030, vamos estar entre as três maiores empresas globais de energia limpa e entre as dez maiores em energia elétrica do mundo.


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EDITORIAL

Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br

O despertar da consciência holística tornou-se uma necessidade absoluta e inadiável em nossas relações com o meio ambiente. Desenvolver uma visão de mundo que, mais do que antropológica , seja ampla e profundamente ecológica, arraigar essa visão nas novas gerações a fim de que as consequências ativas de nosso ser e estar no mundo possam integrar-se num todo harmônico, encontrar o equilíbrio sustentável que garanta desenvolvimento saudável às populações, tudo isso são urgências e preocupações relativamente novas que exigem reflexão e engajamento por parte de todos. A questão ambiental traz em si a virtude da comunhão espontânea entre os povos. Ela nos convida a um entrelaçamento universal de mãos e nos sugere uma dança telúrica, em que os gestos de cada um sejam a um tempo causa e consequência do júbilo de se sentir de fato integrado a esse todo maior ao qual denominamos humanidade. É com esse espírito de seriedade e pioneirismo que a equipe de NEO MONDO elaborou esta edição especial alusiva ao "DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE”. As matérias a seguir sintetizam mais de NOVE ANOS de trabalho do INSTITUTO NEO MONDO. Nestas páginas, sem dúvida, será possível notar que “um olhar consciente” é, por definição, um olhar sensível e compromissado com a transformação socioambiental. Márcio Thamos é conselheiro e articulista da revista NEO MONDO Tenham uma ótima leitura! NEO MONDO, tudo por uma vida melhor!

Publisher: Oscar Lopes Luiz Diretora de Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794) Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Eleni Lopes, Marcio Thamos, Dr. Marcos Lúcio Barreto, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Rafael Pimentel Lopes, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Natascha Trennepohl, Rosane Magaly Martins, Pedro Henrique Passos Redação: Eleni Lopes (MTB 27.794), Andreza Taglietti (MTB 29.146), Lilian Mallagoli Revisão: Instituto NEO MONDO Direção de Arte: LabCom Comunicação Total Projeto Gráfico: LabCom Comunicação Total Gerente de Mídias Sociais: Pablo Suarez

Diretora Jurídica - Enely Verônica Martins (OAB 151.575) Diretora de Relações Internacionais: Marina Stocco Diretora de Educação - Luciana Mergulhão (mestre em educação) Correspondência: Instituto NEO MONDO Rua Ministro Américo Marco Antônio n0 204, Sumarezinho São Paulo - SP - CEP 05442-040 Para falar com a NEO MONDO: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tel. (11) 2619-3054 98234-4344 / 97987-1331 Presidente do Instituto NEO MONDO: oscar@neomondo.org.br

PUBLICAÇÃO

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EXPEDIENTE

A Revista NEO MONDO é uma publicação do Instituto NEO MONDO, CNPJ 08.806.545/0001-00, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça - processo MJ n0 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 70.000 exemplares distribuídos por mailing VIP e assinaturas em todo o território nacional. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização.

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Neo Mondo - Setembro 2008

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Seções

ÍNDICE 14

Especial Dia Mundial do Meio Ambiente Uma viagem pelos Biomas Brasileiros A superpopulada Zona Costeira

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente Uma viagem pelos Biomas Brasileiros As diversas faces do semiárido nordestino

Especial Dia Mundial do Meio Ambiente Desencontro das águas: dilema da transposição do Rio São Francisco

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente Desespero no gelo

Especial Dia Mundial do Meio Ambiente Aquífero Guarani Brasil cuida da sua maior riqueza subterrânea

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente

UMA VIAGEM PELOS BIOMAS BRASILEIROS A SUPERPOPULADA ZONA COSTEIRA Abrangendo diferentes ecossistemas, o bioma abriga 70% da população nacional Da redação

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Zona Costeira, bioma que possui 41% da área emersa do Brasil, é a região que ocupa cerca de 3,5 milhões de quilômetros quadrados do país. Estendendo-se por mais de 8.500 quilômetros de litoral, o bioma abriga 70% da população brasileira. Por ter em seu território um grande conjunto de ecossistemas, é uma das áreas de maior diversidade nacional.

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Praia de Copacabana, Rio de Janeiro

Divisão da Zona Costeira A Zona Costeira brasileira possui uma grande variedade de ecossistemas, todos de grande relevância ambiental. Estão presentes dunas, manguezais, costões rochosos, recifes de corais, entre outros. Por serem diferentes, todos os ambientes abrigam espécies únicas de animais e plantas, devido às diferenças climáticas e ao relevo. É na zona litorânea que está localizado o que restou da Mata Atlântica, uma das maiores biodiversidades do planeta. Além disso, existem os manguezais - áreas de grande importância para a reprodução biótica marinha. Cada um desses ecossistemas é importante à sua maneira e têm significantes reservas de recursos naturais. No entanto, a ocupação desordenada, que será explicada mais para frente, está colocando em risco a biodiversidade litorânea. Conheça melhor as divisões da costa brasileira: 1. Litoral Amazônico: começa na foz do rio Oiapoque e vai até o delta do rio Parnaíba. Os manguezais são predominantes na região, assim como as matas de várzeas de maré, praias e campos de dunas. Por conta desses ecossistemas, o litoral amazônico apresenta uma grande diversidade de crustáceos, peixes e aves. 2. Litoral Nordestino: começa na foz do Parnaíba e continua até o Recôncavo Baiano. Suas maiores características são as dunas que se movimentam com o vento e os recifes calcíferos e areníticos. É nesta área do Nordeste que se encontram o peixe-boi e as tartarugas marinhas, ambos ameaçados de extinção. 3. Litoral Sudeste: vai do Recôncavo Baiano até São Paulo e é a área com a maior densidade demográfica do país. Com a costa muito recortada, é tomada pela Serra do Mar. Entre as características mais marcantes do litoral sudeste estão as praias de areias monazíticas (mineral marrom escuro), os recifes e as falésias. As espécies que habitam essa parte do litoral são a preguiça-de-coleira e o mico-leãodourado, animais em extinção. NEO MONDO - maio/junho 2015

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente 4. Litoral Sul: começa no Paraná e termina no Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Por possuir áreas predominantemente de mangues, é mais comum a aparição de aves. Outras espécies frequentes são as lontras, capivaras e ratões-do-banhado. Ilhas: Divisão Especial Assim como a Zona Costeira é dividida em diversos ecossistemas, há também uma divisão de ilhas. Ao todo, são três tipos, sendo que a maioria delas nasceu a partir da imersão de partes de terra da costa brasileira. Por tal motivo, são consideradas prolongamentos do litoral do país. São elas: 1. Serra do Mar: conjunto de ilhas que aparecem como pedaços emersos de porções que ficam abaixo das águas da Serra do Mar. São centenas delas, que são encontradas ao longo do litoral. 2. Litoral Paulista: são porções de ilhas que se encontram no litoral de São Paulo. São considerados pedaços de terras sedimentares de baixa altitude, denominadas como prolongamento do Estado. Exemplo: Ilha Comprida, que é um longo segmento de território isolado pelo mar. 3. Ilhas oceânicas: São ilhas resultantes de fenômenos naturais, como o vulcanismo submerso no fundo atlântico. Nesse caso, são consideradas totalmente desvinculadas do relevo continental brasileiro. Exemplos: Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Fauna Marinha O bioma abriga também uma enorme variedade de animais marinhos, divididos em zonas. Em especial, detalharemos três delas: 1. Zona médiolitoral: é a zona com maior consistência marítima, sendo, portanto, possuidora da maior variedade de espécimes aquáticas. Entre os animais característicos estão a

craca (Chtamalus stellatus), um tipo de crustáceo, a lapa (Patella piperata), um tipo de molusco, diversas algas cianófitas, diferentes espécies de pequenos poliquetas, crustáceos e outros gastrópodes, além de peixes, como o caboz (Coryphoblennius galerita). 2. Zona infralitoral: também é muito variada. No entanto, diferencia-se da zona médiolitoral por estar permanentemente debaixo da água. É a área normalmente explorada pelos mergulhadores. Por estar em locais profundos, recebe pouca luz, observando-se, então, a presença de algas fotófilas, enguias-de-jardim (Heteroconger longissimus), raias (Raja clavata), além de invertebrados, como poliquetas, crustáceos decápodes e moluscos. 3. Zona circlitoral: área marinha coberta por diversos tipos de algas, possuindo, assim, um substrato rico em nutrientes, que facilita o desenvolvimento de pequenos invertebrados. Exemplos de animais são o pargo (Pagrus pagrus), peixe com dorso prateado, e o encharéu (Pseudocaranx dentex), outro tipo de peixe, caracterizado pelas barbatanas amareladas. Superpopulação destrutiva A Zona Costeira possui uma das maiores densidades demográficas do Brasil. Em média, vivem 87 habitantes por quilômetro quadrado, ou seja, cinco vezes mais que a média nacional (17 hab./Km²). Como hoje metade da população brasileira vive em regiões que ficam distantes em uma faixa de até 200 quilômetros do mar, ou seja, quase 100 milhões de pessoas, a área acaba sofrendo com a destruição causada pela superpopulação.

"...a urbanização em torno dessas regiões cresce desordenadamente, com carência em serviços básicos. Tal fato acarreta contaminação das águas e, consequentemente, degradação do meio marinho."

Isso impacta diretamente nos ecossistemas litorâneos, principalmente porque a urbanização em torno dessas regiões cresce desordenadamente, com carência em serviços básicos. Tal fato acarreta contaminação das águas e, consequentemente, degradação do meio marinho. Além disso, a superpopulação trouxe para a Zona Costeira brasileira atividades agrícolas e industriais. Com ela, a poluição, a especulação imobiliária sem planejamento e ainda o grande fluxo de turistas que, cada vez mais, ameaça a integridade ecológica da costa nacional pressionada pelo crescimento dos grandes centros urbanos. A ”invasão” da área litorânea também causa problemas. A devastação das vegetações nativas pelos ocupantes leva a movimentação das dunas e até a desabamentos de morros, deformando a paisagem local. Os animais, os vegetais e até mesmo o “filtro” natural, que limpa as impurezas lançadas nas águas, são postos em perigo devido ao aterro dos manguezais. Alguns mangues estão estrategicamente situados entre a terra e o mar a fim de formar um estuário para a reprodução de peixes, mas as submersões parciais das raízes das árvores do mangue espalham-se sob a água e impedem que os sedimentos escoem para o mar. Outros problemas enfrentados pelos moradores da região são o lançamento de esgoto no mar sem nenhum tipo de tratamento e o vazamento de petróleo por parte das transferências de cargas e outras operações feitas pelos terminais marítimos. Além de toda a degradação natural da parte física da faixa litorânea, a cultura dos povos que habitam a área está perto da extinção devido à expulsão das populações caiçaras de seus locais de origem. Tentando contornar esses problemas, o Ministério do Meio Ambiente, em cooperação com o Conselho Interministerial do Mar, os governos estaduais e outras instituições, está tentando ordenar e proteger os ecossistemas com a implementação do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC). Por sua vez, o Ibama fica encarregado de desenvolver projetos e ações contínuos de gerenciamento dos ecossistemas costeiros.

Porto de Galinhas, Recife 16

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente

CURIOSIDADES

• O Brasil possui 7.367 Km de linha costeira. No entanto, se levados em conta os recortes litorâneos, como baías, reentrâncias e golfões, a área aumenta para mais de 8,5 mil Km.

• Quase toda Zona Costeira brasileira está virada para o Atlântico Sul. No entanto, há uma pequena porção que divide águas com o Mar do Caribe.

• O Amapá é o Estado que possui a maior área costeira do Brasil (cerca de 12,3% do total). Por outro lado, a área do Piauí não passa de 0,2% do total.

• A Zona Costeira tem densidade demográfica média cinco vezes maior que a média nacional (87 hab/km² contra 17 hab./Km²).

Receita Típica da Zona Costeira: Mariscos Gratinados Ingredientes: • 1 e ½ Kg de mariscos; • 2 colheres (sopa) rasas de manteiga ou margarina; • 50 gramas de farinha de rosca; • Pimenta-do-reino em pó; • 1 maço de salsa picado; • Óleo ou azeite; • Sal. Preparo: 1. Raspe as conchas dos mariscos com o auxílio de uma faca; 2. Lave-as muito bem e despeje-as numa frigideira grande, sem adicionar água; 3. Leve ao fogo alto e, à medida que as conchas forem se abrindo, retire-as da frigideira; 4. Separe as conchas, jogando uma das partes fora, deixando apenas a metade em que o molusco estiver preso;

5. Coloque as partes com o molusco em uma forma refratária, uma ao lado da outra, formando uma só camada; 6. Em outra panela, coloque a manteiga ou margarina, deixando-a no fogo até que derreta; 7. Acrescente então a farinha de rosca e mexa bem com uma colher de pau; 8. Deixe cozinhando no fogo alto durante alguns minutos; 9. Quando estiver com uma boa consistência, adicione a salsa picada; 10. Polvilhe com sal e pimenta-do-reino; 11. Despeje a mistura nos mariscos; 12. Regue com bastante óleo ou azeite e leve ao forno quente, deixando a forma durante 5 minutos, para gratinar; 13. Retire do forno e sirva imediatamente.

• O arquipélago de Fernando de Noronha, uma das mais belas regiões da Zona Costeira, fica a 345 km do nordeste brasileiro e é constituído por uma ilha principal e 19 ilhotas, possuindo um dos maiores índices de biodiversidade marinha do Brasil.

• Somente na costa do Rio Grande do Sul, foi registrada a presença de, aproximadamente, 570 espécies de aves diferentes.

• Como a Zona Costeira recebe a maior parte das águas dos principais rios do País, o bioma é um dos mais vulneráveis às consequências ambientais negativas (resíduos de agrotóxicos, adubos e efluentes das indústrias).

Fontes: • Almanaque Brasil Socioambiental ISA 2008 • www.ambientebrasil.com.br • www.animalshow.hpg.ig.com.br • www.mundodesabores.com.br • www.wwf.org.br Arquipélago de Fernando de Noronha

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente

UMA VIAGEM PELOS BIOMAS BRASILEIROS AS DIVERSAS FACES DO SEMIÁRIDO NORDESTINO Conheça as características da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro Da redação

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Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, é a região do Brasil que ocupa 9,92% do território nacional. Seu nome, de origem tupi-guarani, significa floresta branca, referência ao retrato de sua vegetação que perde as folhas durante a seca para reduzir a perda de água, adquirindo um tom branco-acinzentado em seu tronco. Distribuída em 844 mil Km², ou seja, 60% do Nordeste brasileiro, engloba os Estados do Ceará (100%), Rio Grande do Norte (95%), Paraíba (92%), Pernambuco (83%), Piauí (63%), Bahia (54%), Alagoas (48%), Sergipe (49%), Minas Gerais (2%) e Maranhão (1%), segundo o Mapa de Biomas do Brasil, lançado em 2004, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Sua paisagem reflete seu clima quente, com temperaturas elevadas durante a maior parte do ano, chuvas escassas e irregulares, longos períodos de secas, precipitação anual média variando entre 400 e 650 mm e solos rasos e pedregosos. Seus rios são, na maioria, sazonais. As únicas exceções são os rios Parnaíba e São Francisco. Caatinga Florestal Segundo o livro “Ecologia e Conservação da Caatinga”, existem 12 tipos diferentes de “caatingas”, que variam desde florestas altas e secas, com árvores de até 20 metros de altura, até afloramentos rochosos com arbustos baixos e esparsos, e com cactos e bromélias saindo das fendas do solo. Há ainda o “mediterrâneo” sertanejo, que abriga brejos florestais, várzeas e serras, sendo essa uma área mais úmida e de clima mais ameno. Ao todo, são 932 espécies de plantas na região, sendo 318 exclusivas da área. Por causa do clima semiárido, elas precisaram se adaptar para sobreviver, resultando em plantas tortuosas, de folhas pequenas e finas ou até reduzidas a espinhos, com cascas grossas e sistema de raízes e órgãos específicos para o armazenamento de água. 20

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Xique-Xique, Pilosocereus gounellei, espécie nativa da Caatinga Nordestina. NEO NE N EO E O MONDO MO M O ON ND N NDO DO D O - maio/junho mai m ma aio/j oo//j /ju unh un nho 2015 nh 2015 00115 15

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente • Galo-da-campina (Paroaria dominicana): é considerado um dos mais bonitos pássaros brasileiros. Alimenta-se, principalmente, de sementes. Por possuir um belíssimo canto, é muito perseguido pelos comerciantes de animais da região. Caatinga Social A Caatinga abriga as maiores desigualdades sociais do Brasil. Sua população de cerca de 28 milhões de pessoas figura entre as mais pobres do Nordeste, recebendo, em média, menos de um salário mínimo por mês. Além disso, a região possui os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), os mais elevados percentuais de população empobrecida, as maiores taxas de mortalidade, cerca de 100 mil por mil habitantes, e elevadas taxas de analfabetismo para maiores de 15 anos (entre 40% e 60%). Esses dados refletem o processo de ocupação da Caatinga, que concentrou terra e poder no domínio de poucos.

Galo-da-campina, Paroaria dominicana

Exemplos de vegetação típica da Caatinga são os cactos, como o mandacaru (Cereus jamacaru) e o xique-xique (Pilosocereus gounellei), as barrigudas (Cavanillesia arbórea), o pau-mocó (Luetzelburgia auriculata) e o umbuzeiro (Spondias tuberosa), famoso por possuir múltiplos usos: das folhas, saem saladas; do fruto, polpa para sucos, licor e doces; e da raiz, farinha comestível, ou vermífugo. Caatinga Animal A Caatinga possui uma grande diversidade animal em seu bioma. Existem 510 espécies de aves, 240 de peixes (136 endêmicas), 154 de répteis e anfíbios (57 endêmicas), e 144 de mamíferos (10 endêmicas). Destaque para os peixes que, mesmo com o predomínio de rios temporários e da contaminação dos cursos de água, ainda conseguem sobreviver nesse ambiente. Para isso, vivem em rios sazonais como estratégia de reprodução: depositam os ovos residentes que só eclodem em épocas de chuva. Entre os mamíferos nativos da região, há o predomínio das espécies de morcegos e roedores: 64 e 34, respectivamente. Já entre répteis e anfíbios, os destaques ficam para as serpentes, lagartos e anfisbenídeos, conhecidos como cobras-cegas. Esses são considerados animais característicos do semiárido da Caatinga, sendo, a maioria, endêmica do Médio do Rio São Francisco. Isso porque, após a alteração de seu curso, devido às mudanças climáticas no fim do Período Pleistoceno (entre 1,8 milhão e 11 mil anos atrás), esses animais ficaram separados em grupos nas margens do rio, estimulando a formação de novas espécies e, consequentemente, de espécimes exclusivos. 22

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Existem 510 espécies de aves, 240 de peixes (136 endêmicas), 154 de répteis e anfíbios (57 endêmicas), e 144 de mamíferos (10 endêmicas). Por outro lado, de acordo com a lista nacional das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, publicada em maio de 2003, pelo Ibama, vivem no bioma 28 espécies ameaçadas de extinção. Conheça alguns dos animais ameaçados: • Tatu-bola (Tolypeutes trinctus): considerado o menor tatu brasileiro, medindo de 22 a 27 centímetros, esse animal enrola seu corpo e fica parecido com uma bola quando se sente ameaçado. • Mocó (Kerodon rupestris): rato que chega a medir 40 centímetros. Está ameaçado de extinção pelo fato de figurar entre as espécies da caça de subsistência praticada pelo sertanejo para acabar com a fome. • Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii): a pequena ave está praticamente extinta na natureza, vítima do tráfico de animais silvestres. É uma das muitas espécies que, durante a seca, se refugiavam em brejos de altitude, beira de rios, entre outros locais mais úmidos. • Arribaçã (Zenaida auriculata noronha): é uma espécie de pomba que migra de acordo com a frutificação da flora no sertão nordestino. Está ameaçada de extinção por ser presa fácil para os caçadores, já que faz ninhos no chão.

Degradação da Caatinga A Caatinga, como todos os biomas brasileiros, também está sofrendo um processo de degradação acelerado. Uma das principais causas é o desmatamento, feito em especial para a produção de lenha, utilizada como fonte de energia em residências, olarias e siderúrgicas. Outros dois fatores de degradação são a pecuária extensiva, com o consumo e destruição da vegetação pelos animais, e a agricultura de irrigação, que avança ao longo do Rio São Francisco em municípios como Juazeiro e Petrolina. Tal modelo de cultivo compromete os lençóis freáticos, salinizando e contaminando o solo com agrotóxicos. A desertificação, processo de degradação ambiental que ocorre nas regiões com clima seco, também é responsável pela destruição do bioma. Esta atinge 181 mil Km² do semiárido brasileiro, sendo que 15 mil Km² já estão em situação de extrema gravidade. Mudanças Climáticas na Região As mudanças climáticas vêm afetando todo o mundo. Com o aumento da temperatura, que nos próximos anos pode subir até 3°C, a Caatinga poderá dar lugar a uma vegetação típica dos desertos, com predominância de cactáceas. Isso porque o bioma possui um alto potencial para a evaporação e, combinado com o aumento da temperatura, causaria diminuição da água de lagos, açudes e reservatórios. Ambientalmente, o Nordeste ficaria a mercê de chuvas torrenciais, que resultariam em enchentes e, consequentemente, em grandes impactos ambientais. Além disso, a frequência de dias secos consecutivos e de ondas de calor aumentaria. Socialmente, as mudanças climáticas também trariam problemas. A falta de água e as altas temperaturas tornariam a produção agrícola de subsistência inviável. Com isso, populações inteiras começariam a migrar para as grandes cidades da região ou para outras regiões, o que geraria um caos nas metrópoles, que não teriam condições de abrigar tantas pessoas, agravando ainda mais os problemas sociais e urbanos.

Medicina da Caatinga A medicina na Caatinga é baseada no uso de plantas. A utilização de folhas, raízes e cascas, entre as quais as da catingueira (antidiarreica), do jerico (diurético) e do angico (adstringente), é muito difundida entre a população que habita a região, sendo estes itens obrigatórios das tradicionais feiras e mercados locais. Com base nas plantas medicinais, o projeto “Farmácias Vivas” foi criado pela Universidade Federal do Ceará, em 1985. Ele visa transferir para pequenas comunidades governamentais o conhecimento científico sobre plantas medicinais da região e seu uso medicamentoso correto. Dessa maneira, a parte menos abastada da população nordestina poderia empregar tais ervas no tratamento de doenças. O projeto já selecionou e comprovou cientificamente a eficácia de mais de 60 espécies de plantas medicinais do Nordeste.

A Caatinga, como todos os biomas brasileiros, também está sofrendo um processo de degradação acelerado. Uma das principais causas é o desmatamento.

Umbu, fruto do Umbuzeiro, Spondias Tuberosa NEO MONDO - maio/junho 2015

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente Parque Nacional Serra da Capivara O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no Sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. Cobrindo uma área de 130 mil hectares e tendo um perímetro de 214 Km, ele é o único Parque Nacional situado no domínio da Caatinga. Criado por diversos motivos, que variam desde a preservação de seu meio ambiente específico até fatores culturais e turísticos, o parque tornou-se Patrimônio Natural da Humanidade em 2002, 11 anos após o pedido da UNESCO para tal feito. Possuidora de um grande patrimônio cultural, a unidade de preservação tem uma das mais largas quantidades de sítios arqueológicos do mundo. Atualmente, cerca de 912 sítios estão cadastrados pela FUMDHAM (Fundação do Homem Americano), sendo que 657 apresentam pinturas e gravuras rupestres. Isso indica que o homem já habitava aquela região há 100 mil anos. Além da parte cultural, o Parque Nacional Serra da Capivara possui uma riqueza vegetal exclusiva de tal área, resultante de duas grandes formações geológicas: a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco. A região é uma das últimas do semiárido possuidora de importantes diversidades biológicas, com paisagens que variam entre serras, vales e planícies. Todas as belezas dessa unidade de conservação dão ao parque uma importante função no turismo, sendo esta uma alternativa de desenvolvimento para a área. Porém, o parque já sofreu com a degradação. Depois de criado, ficou abandonado durante dez anos por falta de recursos federais. Durante esse período, a Unidade de Conservação foi considerada “terra de ninguém”. Por tal fato, ela sofreu com a depredação e destruição da flora, principalmente através de caminhões vindos do Sul do país que desmatavam e levavam, de maneira descontrolada, as espécies nobres, próprias da Caatinga. Também, a caça comercial se transformou numa prática popular com consequências horríveis para as populações animais. As espécies começaram a diminuir em uma velocidade impressionante e, algumas delas, como os veados, emas e tamanduás, praticamente desapareceram.

A caça comercial se transformou numa prática popular com consequências horríveis para as populações animais.

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Museu do semiárido Criado em 15 de maio de 2007, o Museu Interativo do Semiárido (MISA) nasceu a partir de uma iniciativa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) de fomentar a importância da região Semiárida para o país. Através da Exposição “Viver e Compreender”, o museu é elemento primordial para a transmissão dos traços fundamentais do semiárido, exibindo as principais nuances e faces que compõem esse importante ponto estratégico do Brasil. Na exposição, localizada em um salão de mais de 200m², no Campus Campina Grande da UFCG, belos painéis explicativos, peças em barro, madeira, roupas de couro, cancioneiro popular, utensílios domésticos e de trabalho do homem do campo remetem os visitantes aos ambientes nativos da Caatinga.

CURIOSIDADES • A Caatinga abriga a ave com maior risco de extinção no Brasil, a ararinhaazul (Cyanopsitta spixii). Apenas um único macho dessa espécie foi encontrado na natureza. Também nesse bioma vive a segunda ave mais ameaçada do país, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), que habita os arredores de Canudos (BA).

• Existem cerca de 327 espécies de animais endêmicas, ou seja, exclusivas na Caatinga.

• Na vegetação, os números são parecidos: cerca de 323 espécies de plantas são endêmicas.

• Na estação seca das regiões da Caatinga, a temperatura do solo pode chegar a 60ºC.

• Uma área bem conservada de Caatinga pode abrigar cerca de 200 espécies de formigas, enquanto uma mais degradada não suporta mais do que 40.

• As vegetações do bioma se adaptaram ao ambiente que vivem de forma estratégica: a perda das folhas das plantas reduz a superfície de evaporação quando falta água.

• As ações do homem na Caatinga já destruíram metade da paisagem da região, sendo que quase 20% do bioma já está com alto grau de degradação, ou seja, com risco de desertificação.

Fontes: • Almanaque Brasil Socioambiental 2008 – ISA (Instituto Socioambiental) • www.wwf.org.br

Receita Típica da Caatinga: Baião de Dois Ingredientes: • 1/2Kg de feijão verde, ou feijão de corda (feijão verde já seco); • 200g de toucinho defumado; • 1 paio (cortado em rodelas); • 2 tabletes de caldo de bacon; • 1 cebola grande picada ou ralada; • 1 dente de alho amassado; • 1 pimenta de cheiro amarela; • 4 colheres (sopa) de óleo; • Salsinha ou coentro picado, de 1 colher (sopa) a 1 xícara; • 2 e 1/2 xícaras (chá) de arroz; • 150g de queijo de coalho (cortado em fatias finas). Preparo: 1. Lave o feijão e deixe-o de molho na véspera do preparo; 2. No dia seguinte, cozinhe-o juntamente com o paio e o caldo de bacon, dissolvido em dois litros e meio de água fria;

3. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por cerca de 1 hora; 4. Em outra panela, coloque o óleo e deixe a cebola e o alho dourando; 5. Junte o coentro e o arroz na panela e refogue bem; 6. Acrescente o feijão e o paio já cozidos, juntamente com o caldo e misture bem os ingredientes; 7. Tampe a panela e deixe cozinhar até que o arroz fique cozido, úmido e com consistência cremosa; 8. Durante o cozimento do arroz, se necessário, adicione água, tomando o cuidado para não deixar a mistura ficar seca; 9. Junte a salsinha e mexa com cuidado; 10. Cubra o arroz com as fatias de queijo, tampe a panela novamente e deixe que o vapor derreta o queijo. 11. Quando o queijo estiver derretido, sirva o prato com carne-de-sol frita. NEO MONDO - maio/junho 2015

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente

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CAATINGA: UM DOS BIOMAS MAIS FRAGILIZADOS DO PAÍS

RPPN Chanceler Edson Queiroz

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Tatu-bola Tolypeutes tricinctus

Mandacaru, Cereus jamacaru

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RPPN Serra das Almas

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente

CAATINGA E A CRISE HÍDRICA: O BIOMA QUE ALIMENTA A ÁGUA DO ESTADO Visto como um tipo de vegetação pobre e como uma fronteira, o bioma abriga uma das maiores biodiversidades brasileiras Por Associação Caatinga

E

m tempos de crises em vários setores nacionais, o Brasil precisa também lidar com a escassez de chuvas em vários Estados. Até mesmo em regiões onde não havia registros recorrentes de secas, é possível presenciar a preocupação dos governantes com os níveis dos reservatórios. No Nordeste, onde predomina o bioma Caatinga que, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, já teve 45% de sua mata original dizimada, infelizmente, a realidade não é diferente. O Ceará, por exemplo, passa pelo quarto ano de seca, resultado não apenas das características típicas do semiárido, mas também em consequência das intervenções humanas. O gerenciamento hídrico do estado deve ser reavaliado, pois a água consumida em sua capital, Fortaleza, e também na região metropolitana, é advinda do sertão, onde muitas localidades encontram-se sem água. Para quebrar o ciclo e resolver o problema hídrico, é preciso lembrar que sem água não existe vida e que a conservação e preservação do bioma influenciam diretamente no nível saudável dos reservatórios e, por consequência, na economia do Estado.

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O bioma Caatinga que, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, já teve 45% de sua mata original dizimada.

Você sabia? A água que abastece Fortaleza e região metropolitana vem do Castanhão, com barragem em Jaguaribara e do Canal do Trabalhador, que capta água do Rio Jaguaribe e a distribui para outros municípios através de adutoras. Estima-se que 13 metros cúbicos de água são consumidos por segundo em Fortaleza e região metropolitana, utilizados no consumo humano e industrial. Desses 13, oito são provenientes do Castanhão que, atualmente, conta com menos de 25% da capacidade; 3,6 m³ vem do Canal do Trabalhador e 0,4% da água que utilizamos vem da bacia hidrográfica da região metropolitana. Ao todo, mais de 60% da água que abastece Fortaleza e região metropolitana vem do interior. Segundo os dados mais recentes da pesquisa “Diagnósticos dos Serviços de Água e Esgotos”, de 2013, o cearense consome aproximadamente 128,4 litros de água por dia. Diante de tantos dados e números que apresentam um cenário pessimista, é importante lembrar que a seca já atinge 96% do Estado, de acordo com dados de 2013. Como garantir o abastecimento na capital e no interior? O desmatamento da Caatinga e o baixo índice de áreas protegidas contribuem para o desgaste do reabastecimento dos reservatórios, que já possuem pouca água. Atualmente, 113 açudes têm volume inferior a 30% do total de suas capacidades no Ceará. A situação é preocupante, pois se não cuidarmos das regiões do entorno desses açudes, o risco desse recurso se esgotar aumentará. Preservar as margens dos açudes, rios, riachos e nascentes garante a preservação da água, a capacidade de armazenamento dos reservatórios e a recarga hídrica dos mesmos. Ações da Associação Caatinga e a segurança hídrica Em 2013, a Associação Caatinga elaborou, com o apoio de especialistas, um plano institucional de gestão hídrica. O objetivo dessa medida é reduzir o consumo de água dentro da instituição através de pequenos ajustes como a instalação de temporizadores nos chuveiros, redução no consumo de água das descargas e banheiros ecológicos.

A partir da Associação, essas medidas se estenderam às comunidades que vivem no entorno da Reserva Natural Serra das Almas, em Crateús. As cisternas de placa e o diagnóstico das microbacias próximas à Reserva são atitudes que contribuem para a melhoria da qualidade da água da região. Com os resultados do diagnóstico, a Associação trabalha para reflorestar áreas desmatadas, cercá-las e sensibilizar a população para a preservação das nascentes e das florestas. Além disso, o plantio de mudas nativas da Caatinga, a recuperação e preservação de nascentes são essenciais não só para garantir que a água não falte, mas que ela tenha qualidade. Em 2015, já estamos trabalhando na recuperação de uma área de 22 hectares em Crateús, através do Projeto No Clima da Caatinga, patrocinado pela Petrobras, esforço que abrange a recuperação de nascentes, plantio de mudas e proteção de áreas de reserva legal. A Associação Caatinga também investe na criação de Reservas Particulares de Patrimônio Natural, as RPPNs, áreas particulares de conservação ambiental que recebem cuidados com a fauna e flora e apoia a elaboração de planos de manejo, para que as reservas sejam geridas de maneira sustentável. O Ceará já conta com 32 RPPNs, das quais mais de 20 receberam apoio da Associação Caatinga para o seu estabelecimento. Ao todo, já são mais de 12 mil hectares de Caatinga preservada e recursos hídricos protegidos em mais de 30 RPPNs no Ceará. PEC Caatinga e Cerrado No âmbito nacional, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 504/10 pretende reconhecer a Caatinga e o Cerrado como patrimônios nacionais. A proposta já foi votada no Senado e entrou, por pelo menos três vezes, na chamada “ordem do dia” da Câmara, mas não foi votada por ainda não ser percebida como pauta prioritária pelos líderes. Se aprovada, a PEC irá garantir o reconhecimento dos dois biomas e, através disso, poderá atrair mais ações de preservação ambiental e investimentos para a região e também poderá contribuir para a proteção dos recursos hídricos e segurança hídrica no Nordeste.

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As obras de transposição deverão trazer profundas mudanças por onde passar.

DESENCONTRO DAS ÁGUAS:

DILEMA DA TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO por Andreza Taglietti

A

transposição da água do São Francisco é o tipo de investimento que economistas há muito tempo argumentam serem necessários para modernizar o Brasil. O país continua prejudicado por gargalos que impedem o fluxo eficiente de mercadorias e serviços, sem falar nas necessidades básicas para o desenvolvimento de algumas de suas regiões mais pobres. Afetados pela burocracia, disputas políticas, corrupção e outros obstáculos, os projetos de infraestrutura no país, em sua maioria, nunca chegam a ser realizados ou levam 32

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muito mais tempo do que o planejado e este é o caso do Projeto de Integração do São Francisco, iniciado em 2007. O ritmo das obras diminuiu. Previsto para 2012, o empreendimento, que vai levar água para 12 milhões, deve ser concluído apenas em dezembro de 2015. O Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional é um empreendimento do Governo Federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional. Tem o objetivo

de assegurar oferta de água para 12 milhões de habitantes de 390 municípios do Agreste e do Sertão de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Engenheiros e especialistas internacionais em recursos hídricos dizem que o empreendimento é bem planejado e urgentemente necessário para o crescimento de uma região que está, finalmente, emergindo de uma longa história de estagnação econômica. O fluxo das águas Equivalente à distância entre Brasília

e Salvador, os 2.830 quilômetros de extensão do Rio São Francisco são hoje responsáveis pelo abastecimento de cinco usinas hidroelétricas e pelo sustento de milhões de ribeirinhos do Vale do São Francisco, que passa por Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Se o atual cronograma de obras vingar, até dezembro de 2015, sete anos depois do início dos trabalhos, a água estará fluindo em, pelo menos, algumas partes dos quatro estados que devem ser beneficiados: Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. As obras do Projeto de Integração do São Francisco estão em andamento e apontam 54,7% de avanço. Estão em construção túneis, canais, aquedutos e barragens na maior obra de infraestrutura hídrica do país. O empreendimento contempla ainda 38 ações socioambientais, como o resgate de bens arqueológicos e o monitoramento da fauna e flora. O investimento nessas atividades é de quase R$ 1 bilhão. Em Cabrobó, cidade pernambucana às margens do São Francisco, o local da primeira estação de bombeamento está lotado de novos trabalhadores. Foram 600 novas contratações em janeiro para todo o projeto, o que expandiu a força total de trabalho para 8.700 pessoas. Com a conclusão da transposição e com

o objetivo de irrigar 50 mil hectares com agricultura de ponta, poderão ser gerados 150 mil empregos diretos. Dos 16 lotes de obras, que compõem as Metas, dois já estão concluídos: o Canal de Aproximação dos Eixo Norte e Leste. Quatro trechos do Eixo Norte funcionam 24 horas por dia: em Salgueiro (PE), em Cabrobó (PE), em Jati (CE), e em São José de Piranhas (PB). Mais de 2,7 mil máquinas estão em operação. A integração do Rio São Francisco com bacias dos rios temporários do semiárido será possível com a retirada contínua de 26,4 m³/s de água, o equivalente a apenas 1,42% da vazão garantida pela barragem de Sobradinho (1.850 m³/s), sendo que 16,4 m³/s (0,88%) seguirão para o Eixo Norte e 10 m³/s (0,54%) para o Eixo Leste. Nos anos em que o reservatório de Sobradinho estiver com excesso de água, o volume captado poderá ser ampliado para até 127 m³/s, aumentando a oferta de água para múltiplos usos. As curvas do rio Estudiosos e especialistas de vários setores apontaram, entre os principais equívocos do empreendimento, o alto custo (8,2 bilhões) e a baixa abrangência territorial e populacional: apenas 5% do território e 0,3% da população

do semiárido brasileiro. Estragos ao ecossistema regional já se fizeram sentir, entre eles, perda de biodiversidade, assoreamento, salinização. Atrasado pela burocracia e problemas contratuais, o custo do único grande empreendimento de infraestrutura do governo quase dobrou. Apenas em licitações, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou sobrepreço de R$ 876 milhões, além de R$ 248 milhões em aditivos acima do limite estipulado por lei. As obras de transposição deverão trazer profundas mudanças na paisagem. O projeto da transposição corta inúmeras aldeias indígenas e quilombolas, destruindo a vida dessas comunidades. As multinacionais já compraram as melhores terras nas imediações da passagem das águas. Vacas mortas são uma visão comum nestes dias às margens das estradas da região, agora no terceiro ano consecutivo de seca. Centenas de milhares de cabeças de gado morreram de fome ou sede por falta de água e forragem. As plantas crescem através de fissuras nas placas de concreto de canais assentados cinco anos atrás. Partes da construção inicial estão em estado tão precário que na época em que a água começar a jorrar terão de ser reconstruídos. Para os moradores, a água pode não chegar a tempo. Meteorologistas dizem que a seca na região provavelmente vai se intensificar com as mudanças climáticas, o que tornará a água ainda mais escassa. NEO MONDO - maio/junho 2015

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E depois? Alguns obstáculos terão de ser superados para o aproveitamento da água. Na opinião de especialistas, três pontos essenciais devem ser resolvidos pelos Estados receptores para o aproveitamento adequado das águas do São Francisco pela população: o esgotamento sanitário nas cidades ao longo dos leitos dos rios e reservatórios; a educação ambiental da população que mora nas áreas rurais; e - no caso do rio Paraíba - o controle na extração mecanizada de areia no leito do rio para uso na construção civil, que traz grandes problemas ambientais. Outro desafio dos Estados que receberão as águas é o abastecimento da Paraíba pelas águas da transposição do Rio São Francisco, que está condicionado à conclusão dos sistemas de esgotamento sanitário dos municípios relacionados à obra. Não adianta trazer água de tão longe para ser contaminada por esgotos na Paraíba, onde os esgotos não têm tratamento adequado. O rio Paraíba nasce e deságua em solo paraibano e é um dos principais mananciais hídricos do Estado. Contudo, todos os municípios próximos a ele lançam esgotos sem tratamento diretamente no leito. Ou seja: as águas do São Francisco, misturadas às do rio Paraíba, estariam contaminadas ao chegar à população paraibana. Estima-se a diminuição da pressão populacional dos centros urbanos. Pelo fato de regiões próximas aos canais de água passarem a ser abastecidas, é possível que pessoas que haviam se mudado em busca de melhores condições sejam atraídas para retornar às suas terras natais, onde, inclusive, ainda estão suas famílias. Haverá, também, uma mudança nas práticas da agricultura. O sertanejo que só plantou milho, feijão e mandioca a vida toda, precisará de orientação. Ele não vai virar, de uma hora para outra, um agricultor. Ele não sabe irrigar. Por isso, é 34

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necessário criar condições para que haja investimento e que ele seja treinado, para também ensinar a técnica a seus filhos e oferecer melhores perspectivas para o futuro. A água não é o único problema, mas a educação e a comercialização também. Hoje, a cada seca, o sertanejo perde a plantação. E, quando tem produção, é mais para subsistência, pois não há mercado por ali, e ele não tem recursos para vender em localidades

mais distantes. De acordo com técnicos, para cada hectare irrigado são necessárias de duas a três pessoas. Isso sem contar a demanda de mão de obra para embalagem, transporte e venda dos produtos. Não basta colocar a água para o consumo doméstico. Ao usá-la também para a agricultura são gerados emprego, renda e impostos.

A ideia foi de quem, mesmo? A ideia da transposição da água do rio surgiu como proposta pela primeira vez em 1847 e, desde então, vem sendo discutida. Governos nos anos 1990 decidiram levar adiante a transferência, mas não puderam conquistar o apoio político necessário, especialmente das elites de áreas mais ao sul, que teriam de ceder água. O projeto teve início no Governo Lula, em 2007. por José Claudio Pimentel

Investimento O Projeto São Francisco é hoje a maior obra de infraestrutura hídrica para usos múltiplos sendo executada diretamente pelo governo federal. O investimento de R$ 8,2 bilhões resulta do acréscimo de novas condicionantes ambientais exigidas pelo IBAMA - serão mais de R$ 900 milhões de recursos para esta área, da revisão de obras civis em decorrência dos projetos executivos, dos gastos com eletromecânica e da supervisão e gerenciamento da obra em função do prolongamento do prazo.

RAIAS MANTAS INDONÉSIA CRIA MAIOR ZONA DE PROTEÇÃO DO MUNDO E BRASIL COMEMORA UM ANO DE PROIBIÇÃO DA PESCA Justamente no mês em que a Indonésia, o maior país do sudeste asiático, estabeleceu proteção irrestrita às raias mantas na costa do país, o Brasil celebra o primeiro ano da proibição total da pesca desses animais na costa brasileira. A “raia gigante”, como é conhecida popularmente por atingir mais de sete metros de envergadura e pesar até duas toneladas, é considerada vulnerável à extinção e está na lista vermelha da União Internacional pela Conservação da Natureza (mais conhecida por sua sigla em língua inglesa, IUCN). Uma vez que o território da Indonésia abrange mais de 17 mil ilhas no Oceano Índico, o país assume a liderança - em área de cobertura - do seleto grupo de nações que estabeleceu a proteção do animal, nos últimos 10 anos, como o Equador, na América Latina, as Filipinas, na Ásia, a Nova Zelândia, na Oceania, e o México, na América do Norte. O Brasil também está entre eles e comemora, neste primeiro semestre de 2014, a concretização das leis que proíbem a pesca das raias mantas e das móbulas.

“Não fazia sentido o Brasil, com a sua influência, levar uma proposta dessa magnitude, de restrição ao comércio por outros países do globo, e não ter sua própria lei de proteção a esses animais tão fantásticos”, lembra a coordenadora geral do Projeto Mantas do Brasil, Ana Paula Balboni Coelho, que também é a diretora presidente do Instituto Laje Viva, que visa a preservação do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PMLS) - o principal ponto de observação da espécie na costa brasileira.

Intervenção Foi durante a participação do Instituto Laje Viva - como lembra o coordenador de Educação Ambiental do Projeto Mantas do Brasil, Guilherme Kodja - numa reunião do Plano de Ação Nacional (PAN) de Conservação dos Elasmobrânquios Marinhos, ocorrida em Itajaí (SC), em setembro de 2012, que ocorreu a discussão da importância dessa proibição.

No Brasil a pesca das mantas e móbulas é proibida desde abril de 2013.

Foto: Maurício Andrade

Em alguns Estados a água já é racionada para uso agrícola. Se ainda estiver seco no ano que vem, o Ceará poderá precisar interromper a irrigação para economizar água para Fortaleza, cidade de 3 milhões de habitantes.

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Assim, em abril de 2013 - concomitantemente a uma ação conjunta entre o Brasil e o Equador durante uma conferência internacional realizada na Tailândia - foi proibida a pesca dos mobulídeos no litoral brasileiro. Juntos, os países vizinhos da América Latina levaram à votação e à aprovação, pela Convenção Sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas de Extinção (mais conhecida por sua sigla em língua inglesa, CITES) realizada em Bangcoc, em março de 2013, a proposta de inclusão das espécies de mobulídeos (mantas e móbulas) no

Os pesquisadores acreditam que o benefício será perceptível a longo prazo, pois a proibição da pesca, mesmo que acidental, deve evitar as mortes de muitos desses animais. “Como a lei prevê sanções inclusive para os pescadores (sujeitos a penalidades) que trouxerem a bordo de suas embarcações o animal morto ainda que por acidente, isso importará em um incentivo à sua soltura, ainda vivas”, lembra a coordenadora do Projeto Mantas do Brasil, que tem patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Enquanto no Brasil a captura desses gigantes marinhos ainda ocorre acidentalmente, em outros países acontece cada vez em mais larga escala: a pesca predatória, que visa atender ao mercado asiático, em especial àquele da chamada medicina tradicional chinesa, em que é amplamente empregado um número de substâncias de origem animal sem qualquer comprovação científica de benefícios à saúde humana ou, mesmo, diante da prova de sua ineficácia. Por essas razões, o papel da educação ambiental é avaliado pelos pesquisadores como meio fundamental para a preservação das raias gigantes.

Na Indonésia incidem duas espécies de raias mantas, tanto a gigante como a recifal (foto acima) protegidas nas 17 mil Ilhas que compõ , ambas agora e o arquipélago.

O Projeto Mantas do Brasil tem a missão de auxiliar na preservação das espécies de raias mantas, especialmente voltado

Foto: Noeli Ribeiro

Anexo II do tratado, impondo restrições claras ao comércio de partes e derivados das mantas, a não ser após estudos que demonstrem a sustentabilidade da pesca desses animais.

No Equador a pesca desses gigantes é proibid população de raias está sendo morta no a, mas a mesma Peru, por falta de legislação de proteção. Animais não conhec em fronteiras.

Foto: Maurício Andrade

Foto: Noeli Ribeiro

A partir dali, um documento foi chancelado por especialistas na área onde plantaram, junto aos representantes do governo federal, a semente que garantiria a proteção desses animais.

Foto: Noeli Ribeiro

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A espécie incide nte no litoral bra sileiro a maior espécie é a Manta birostris, de raia do mund o.

para a espécie Manta birostris, ocorrente no Brasil, a maior de todas. Entre outras ações realizadas pelos pesquisadores, está a de fotoidentificação, que serve para criar um “RG” de cada animal, a partir da foto do ventre, que possui manchas singulares. Todo o material captado por mergulhadores profissionais ou amadores é armazenado em um banco de dados local, que é interligado ao banco de dados mundial da espécie. Valores O fator que levou a Indonésia a aprovar a legislação de proibição de pesca, mais do que o interesse meramente preservacionista, é de cunho econômico. Calcula-se, segundo agências internacionais de notícias, que o turismo movimente mais de U$ 15 milhões por ano com as despesas de pesquisadores,

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cientistas e até mesmo dos mergulhadores – profissionais e amadores – que admiram a espécie. Comparativamente, um animal morto acaba gerando apenas 500 dólares ao vendedor, e em uma única vez. Relações financeiras semelhantes ocorrem com todos os gigantes marinhos, que compõem a chamada “megafauna carismática”. A maioria dos países que possuem esses verdadeiros tesouros em suas águas territoriais estão começando a descobrir agora o valor de sua exploração como recurso de turismo. Mesmo longe de ser uma atividade econômica livre de impactos ambientais, a riqueza do turismo é considerada, no mundo inteiro, a verdadeira tábua de salvação dos gigantes marinhos. Vale lembrar: Extinção é para sempre! NEO MONDO - maio/junho 2015

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DESESPERO NO GELO De acordo com o Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C Por Eleni Lopes

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Onda de calor? Culpa do aquecimento global. Esfriou demais? Debita na conta do efeito estufa. Tsunamis? Furacões? Seca? El Niño? Aumento do nível dos mares? O responsável é sempre o mesmo.

P

ara melhor entender este cenário, imagine a Terra como um carro estacionado sob o Sol. Os raios solares entram pelas janelas do carro; uma parte do calor é absorvida pelos assentos, painel, carpete e tapetes. Quando esses objetos liberam o calor, este não sai pelas janelas por completo. Uma parte é refletida de volta para o interior do carro. O calor irradiado pelos assentos é de um comprimento de onda diferente do da luz do Sol que entrou pelas janelas. Então, uma certa quantidade de energia entra e menos quantidade de energia sai. O resultado é um aumento gradual na temperatura interna do carro. No nosso paralelo com a Terra, quando os raios solares chegam à atmosfera

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Especial Dia Mundial do Meio Ambiente e à superfície do planeta, aproximadamente 70% da energia fica no planeta, absorvida pelo solo, pelos oceanos, pelas plantas e outros. Os 30% restantes são refletidos no espaço pelas nuvens e outras superfícies refletivas. Mas, mesmo os 70% que passam, não ficam na Terra para sempre (se isso acontecesse ela se tornaria uma bola de fogo). Parte vai para o espaço e o resto é refletido em gases ao redor da atmosfera, tais como dióxido de carbono, gás metano e vapor de água (conheça mais no box). O calor que não sai pela atmosfera terrestre mantém o planeta mais quente do que o espaço sideral, porque mais energia está entrando pela atmosfera do que saindo. Isso tudo faz parte do chamado efeito estufa. Dessa forma, o aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas no planeta. De acordo com o Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Esse aumento pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar profundamente a biodiversidade, desencadeando vários desastres ambientais.

Cenário alarmista? Em 1997, em busca de alternativas para minimizar o aquecimento global, 162 países assinaram o Protocolo de Kyoto. Nele, as nações desenvolvidas se comprometiam a reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta teria que ser cumprida entre 2008 e 2012. Dezessete anos depois da assinatura, uma certeza: muito pouco foi feito. Qual o impacto de promessas não cumpridas, iniciativas que não saíram do papel? Alguns exemplos: - O derretimento das calotas polares é um fenômeno verificado nas últimas décadas e está diretamente relacionado ao aquecimento global. Estudo recente divulgado pela

também merece atenção. No Nordeste, o aumento das temperaturas poderá oscilar, nas próximas décadas, entre 2ºC e 4ºC. De acordo com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o principal e mais alarmante efeito possível do aquecimento global no Brasil é a redução da Floresta Amazônica, que poderá perder entre 30% e 50% de seu território durante o século XXI. Um estudo do Banco Mundial, intitulado “Impactos da Mudança Climática na Gestão de Recursos Hídricos: Desafios e Oportunidades no Nordeste do Brasil”, aponta ainda que a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas no Nordeste continuarão aumentando até 2050, com graves efeitos para a população, caso os governos locais não invistam em infraestrutura e gestão hídrica.

Gases tóxicos Conheça um pouco mais dos gases que contribuem para o aumento do efeito estufa:

revista Science mostra que o derretimento anual de 4.260 bilhões de toneladas de gelo na Antártida e na Groenlândia, em um período de quase 20 anos, aumentou em 11 milímetros o nível do mar — o equivalente a um quinto do aumento observado no período. - Os efeitos mais devastadores e também os mais difíceis de ser previstos são aqueles na biodiversidade. Muitos ecossistemas são delicados e a mais sutil mudança pode matar várias espécies. E mais: a maioria dos ecossistemas são interconectados então a reação em cadeia dos efeitos é hoje imensurável. - Outras consequências do aquecimento global são a desertificação, alteração do regime das chuvas, intensificação das secas em determinados locais, escassez de água, abundância de chuvas em algumas localidades, tempestades, furacões, inundações, alterações de ecossistemas, redução da biodiversidade, perda de áreas férteis para a agricultura, além da disseminação de doenças como a malária, esquistossomose e febre amarela. - O IPCC estima que o nível do mar tenha subido 17 centímetros durante o século 20. Projeções feitas por cientistas mostram que até 2100 o nível do mar vai subir de 18 a 55 cm.

Impacto no Brasil O Brasil, por ser um país com dimensões consideradas continentais, acaba, inevitavelmente, ficando mais exposto aos riscos provocados pelo aquecimento global. Além disso, uma considerável parte de seu território encontra-se próxima à Linha do Equador, zona da Terra que recebe os raios solares de forma mais intensa. Além disso, o fato de o território brasileiro apresentar uma extensa faixa litorânea

- Dióxido de carbono (CO2): gás incolor, subproduto da combustão de matéria orgânica. A atividade humana bombeia enormes quantidades de CO2 na atmosfera. O aumento de sua concentração é considerado o fator primário no aquecimento global, porque o CO2 absorve radiação infravermelha.

- Óxido Nitroso (N2O): embora as quantidades liberadas pela atividade humana não sejam tão grandes quanto as de CO2, o óxido nitroso absorve muito mais energia do que CO2 (cerca de duzentas e setenta vezes mais). Por esse motivo, os esforços para que sejam reduzidas as emissões de gás estufa têm sido direcionados para o N2O também.

- Metano: principal componente do gás natural, ocorre naturalmente, oriundo da decomposição de material orgânico. Atividades desenvolvidas pelo homem produzem o metano de várias formas, como, por exemplo: • extração do carvão; • a partir de grandes rebanhos de gado (por exemplo, gases digestivos); • decomposição do lixo em aterros.

Urso polar: vítima inocente Habitante das terras geladas do Ártico, o urso polar sobrevive a uma temperatura que varia de -37°C a -45°C, graças a duas camadas de pele e uma camada de gordura de 11,5 cm de espessura que fazem o isolamento térmico de seu corpo. O animal é encontrado apenas em cinco países: Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Groenlândia. Carismáticos, são considerados os símbolos do aquecimento global. A espécie está classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), com oito das dezenove subpopulações em declínio. O principal perigo causado pela mudança climática é a desnutrição e inanição devido à perda do habitat. Os ursos-polares caçam focas nas plataformas de gelo, e a elevação da temperatura pode fazer com que o gelo do mar derreta mais cedo a cada ano, levando os ursos para a costa antes de terem constituido reservas de gordura suficientes para sobreviver ao período de carência alimentar no final do verão e início do outono. A redução da cobertura de gelo também força os ursos a nadarem

longas distâncias, o que esgota ainda mais seus estoques de energia e, ocasionalmente, leva ao afogamento. Além de criar estresse nutricional, o aquecimento climático afeta vários outros aspectos da vida do urso-polar, como a capacidade das fêmeas grávidas em construir tocas de maternidade adequadas devido às mudanças nas plataformas de gelo. Doenças causadas por bactérias e parasitas também podem se estabelecer mais rapidamente num clima mais quente, afetando a espécie.

China, Estados Unidos, Rússia, Índia, Brasil, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Coreia do Sul são os principais emissores dos gases do efeito estufa. 40

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BRASIL CUIDA DA SUA MAIOR RIQUEZA SUBTERRÂNEA Aquífero Guarani exige cuidados ambientais e legislação própria para a preservação e bom uso de sua área, pois tem influência na economia dos quatro países do Mercosul. Da Redação

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cumuladas no subsolo da terra, entre os grãos de areia de grandes rochas arenosas e porosas que absorvem e armazenam a umidade do solo, encontram-se as águas subterrâneas de um dos maiores reservatórios transfronteiriços do planeta, o Aquífero Guarani. Tal como uma pérola valiosa oculta pela cobertura da concha, este valioso aquífero (rocha que suga a água) tem extensão de aproximadamente 1,2 milhões de Km 2 e volume aproximado de 46 mil Km 2. Esta esponja gigante está espalhada entre: Argentina, que obtém 225.500 Km2, Paraguai, com 71.700 Km2,

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Uruguai, que tem a menor porção, 58.500 Km2 e Brasil, com cerca de 70% de sua totalidade. São 840 mil Km2, divididos em oito Estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Intitulado Guarani em homenagem aos povos indígenas que ocupavam a área do aquífero, sobressai em meio a uma discussão mundial sobre uma possível escassez deste recurso vital nas próximas décadas. Afinal, embora a Terra seja chamada “Planeta Água” somente cerca de 0,3% está disponível para as necessidades do consumo humano.

Privilegiadas, a maioria onde a das rregiões egiões por ond n e o Guarani passa é abastecida a por sua abundância de águas já filtradas em função o da percolação (filtragem natural feita pelas areias). Segundo Nadia Boscardin, uma das autoras do livro vro “Aquífero Guarani: a verdadeira integração dos países do Mercosul”, a utilização desse recurso subterrâneo tem se transformado em uma alternativa viável, principalmente onde as águas da superfície tornam-se cada vez mais poluídas. Sendo assim, o Aquífero Guarani, representa uma importante reserva hídrica para

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o abastecimento público nas regiões onde suas águas são potáveis. Também rico em sais minerais, o perímetro de terras na superfície do aquífero é caracterizado como o mais fértil do país, usado para cultivo de cevada, milho, soja e sucroalcooleiro (álcool e açúcar). Outra alternativa de emprego desse lençol freático tem sido a redução de energia em atividades dos setores industriais e agropecuários que requerem temperaturas mais elevadas da água - uma vez que podem variar entre 30 e 68°C ao longo do percurso. A alta temperatura também tem gerado lucros para o turismo destas localidades. Estações e estâncias térmicas,

como Termas de Jurema, Mabu Thermas & Resorts e o Complexo Hidrotermal de Piratuba têm atraído turistas para as regiões onde o índice térmico é maior. O turismo hidrotermal é basicamente o uso que o Uruguai e Argentina dedicam ao aquífero, comprovando o potencial desta pérola aquífera no desenvolvimento socioeconômico nas regiões onde está localizado.

Autores propõem melhorias ao projeto Para os autores do livro “Aquífero Guarani: a verdadeira integração ni dos países do Mercosul”, Nadia Boscardin, José Roberto Borghetti e Ermani Francisco da Rosa Filho, além do Comitê Executivo, deveria ser criado um Comitê Gestor responsável pela fiscalização e orientação às empresas mpresas e governos na implantação das ações voltadas à utilização racional cional dos recursos hídricos e do Aquífero. Este gestor, formado por representantes presentantes da sociedade civil dos quatro países, teria o apoio dos governos locais, como membros consultivos e orientariam: A elaboração de um “Plano de Utilização Racional dos Recursos Hídricos do Aquífero Guarani” e a orientação aos usuários na implantação de obras sociais e ambientais na região onde se localiza o seu empreendimento e na recuperação ambiental (no caso de haver poluentes e degradação); O desenvolvimento e a implementação de medidas de motivação dos principais usuários dos recursos hídricos em relação às vantagens da administração com consciência ambiental; A determinação de estratégias, prioridades e ações da política ambiental relativa ao Aquífero Guarani; com a criação e patrocínio do lançamento de prêmios para a gestão ambiental;

Mercosul em defesa do Guarani Para defender sua riqueza da ação descontrolada do homem, os governos dos países do Mercosul se uniram no desenvolvimento do Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani, com recursos do Banco Mundial (BIRD) e da Organização dos Estados Americanos. O objetivo é apoiar a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai na elaboração e implementação de um marco comum institucional, legal e técnico para administrar e preservar o Guarani. De acordo com o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Ney Maranhão, a meta do projeto é trabalhar em conjunto para evitar a degradação e mau uso dos recursos do aquífero. “Estamos fazendo um diagnóstico, por meio de estudos, mapas e cadastrando poços para apontar

medidas de preservação antecipada, junto com universidades das regiões do aquífero”, explica Senra. Dentre as ações do projeto estão: a instalação de rádios para a divulgação das ações realizadas, campanhas de educação ambiental nas escolas e nas comunidades para educar a população quanto ao uso sustentável da água, principalmente, para aqueles que trabalham com a agropecuária para evitar possíveis contaminações na área do aquífero. Além de orientar a população, o programa de proteção visa efetuar pesquisas para o tratamento (dessalinização) do Guarani. Mesmo com a fiscalização dos órgãos estaduais competentes - já que as águas subterrâneas são de domínio dos Estados - Nadia Boscardin espera que, com a finalização do projeto, sejam criadas leis que promovam uma fiscalização mais efetiva na utilização do aquífero.

A condução de pesquisa sistemática para identificar as áreas críticas ambientais onde é mais necessário agir com urgência; Temas também defendidos pelas bases principais do trabalho do o Sistema Aquífero Guarani: reconhecimento do Guarani como portador de e recursos valiosos transfronteiriços e criação de um modelo para a gestão coordenada ordenada do Sistema Aquífero Guarani, que inclua arranjos jurídicos e institucionais itucionais conjuntos, além do intercâmbio de dados.

Formação As regiões onde hoje está o aquífero, no período pré-histórico, ainda com pouca vida animal e vegetal, era um deserto. Com o passar do tempo, os ventos formaram um extenso campo de dunas sobre o continente, que foi recoberto por lavas vulcânicas.

Essas lavas, quando se solidificaram, cobriram a areia de alta porosidade, permitindo o acúmulo de água na região. Isso faz com que as águas das chuvas tenham a facilidade de escorrer até o local subterrâneo onde ficam armazenadas.

A utilização do recurso subterrâneo tem se transformado em uma alternativa viável, principalmente onde as águas da superfície tornam-se cada vez mais poluídas.

Crédito: KITLL Soeren Tage (2000) 46

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CADÊ AS ABELHAS ? No mundo inteiro há casos de desaparecimento das abelhas e para cada um, uma nova explicação. Da Redação

Contudo, conforme afirma o especialista, pesquisas mostraram que nos EUA o provável causador do pavoroso fenômeno era um vírus, identificado pela primeira fez em Israel. Já na Espanha, os estudos atribuíram o episódio a um protozoário originário do Sudeste da Ásia. “Portanto, embora os efeitos sejam parecidos, cada caso é um caso” – destaca.

Sumiço no Brasil

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igadas a uma imagem tão meiga por proliferar flores e frutos, as abelhas estão sendo alvos da mídia do mundo inteiro que faz a seguinte pergunta: Aonde elas foram parar? França, Inglaterra, EUA, Canadá, Espanha, Suíça e até o Brasil estão sofrendo com o desaparecimento súbito e sem rastro das abelhas. Há notícias de que apicultores chegaram a perder cerca de 90% de toda a criação. E o espanto não é à toa! Albert Einstein, há mais de 60 anos, alertou: “Olhem as abelhas, se elas sumirem, a humanidade tem no máximo quatro anos de sobrevida, pois não haverá plantas e nem animais, a polinização é a grande responsável pela produção de alimentos”. Afinal, o trabalho delas é, além de produzir mel, levar o pólen das anteras de uma flor, onde são produzidos os pólens, para o estigma de uma outra, ou da mesma flor, gerando novos frutos. No caso do Brasil, o fenômeno pode abalar até

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o desenvolvimento do biocombustível, uma vez que uma das matérias-primas utilizadas é o girassol, que precisa de um grande potencial de abelhas para polinizar toda a área de plantação. Embora os dados sejam assustadores, para o pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Aroni Sattler, não há motivo para desespero. Segundo ele, já faz tempo que casos de desaparecimentos ocorrem. Na Espanha, o primeiro surto aconteceu em 2000. Assim como na França, Inglaterra e outros, mas os episódios tiveram pouca repercussão. Somente em 2006, quando o mesmo aconteceu nos EUA, deu-se maior divulgação. “O trabalho das abelhas é prestar serviço à polinização e se não há abelhas, há comprometimento na economia. Nos EUA, o valor de 60 dólares pelo aluguel de colmeias para a polinização de pomares saltou para 150 dólares, após a crise” – relata Sattler.

Mesmo ocasionado por causas diferentes, quando a divulgação sobre o desaparecimento chegou ao Brasil logo relacionaram com o que estava acontecendo no resto no mundo, causando confusão para os apicultores que não sabiam que medidas deveriam tomar. “Especificamente no Sul, esse sumiço começou em 2000. E, diferente do que ocorria em outros países, não foi preciso alarme para descobrir os porquês. Identificamos que aqui o fenômeno era causado pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, má conservação e manutenção das colmeias e a utilização de dessecantes com formicidas nas plantações próximas às colmeias” – explica o pesquisador.

Esse produto dessecante é usado para limpar lavouras, ar lav como as de soja e controlar a lagarta e o percevejo, porém é muito tóxico para as abelhas que, por sua vez são extremamente sensíveis a produtos químicos. Outro fator atribuído ao desaparecimento é a mudança meteorológica. De acordo com Sattler, ano passado o inverno começou mais cedo, eliminando as flores mais rapidamente. Sem pólen, as abelhas ficaram desnutridas e morreram. “Por isso é importante que o apicultor deixe uma boa reserva de mel para elas se alimentarem” - alerta. Em outro período, o calor foi excedente, fazendo com que elas abandonassem as colmeias e, longe das rainhas, não têm muito tempo de vida.

Solução Muitas são as especulações, mas a dica do pesquisador para solucionar este problema é estar atento aos cuidados com o apiário. “Deixar uma reserva boa de mel durante o inverno e lembrar que, em determinadas épocas do ano, é normal este desaparecimento. Em 2006, aqui no Sul perdemos cerca de 40% das colmeias, mas, hoje, já estão totalmente recuperadas. E isso foi um processo natural” – comenta Sattler.

Não é a primeira vez que isso ocorre Ao longo dos últimos vinte anos, em diversos países, pragas atacaram com frequência provocando o desaparecimento das abelhas em todo o mundo. Por volta dos anos 50, a apicultura viveu um período de grande baixa, 80% das colmeias foram

dizimadas e a produção apícola caiu drasticamente, por causa de doenças e pragas advindas da falta de cuidado com o saneamento das colmeias. Em 1987, outro pico que atingiu o Brasil, Europa e EUA, dessa vez, o causador foi o ácaro Varoa. NEO MONDO - maio/junho 2015

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Nosso país possui a maior diversidade biológica do planeta. Conhecer nossas espécies é fundamental para a conservação da biodiversidade e para promover o uso sustentável. O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira – SiBBr é uma plataforma on-line que integra dados sobre a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros de diversas fontes no País e no exterior. 52

Revista Neo Mondo Ed. 68 Maio/Junho 2015  

O despertar da consciência holística tornou-se uma necessidade absoluta e inadiável em nossas relações com o meio ambiente.

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