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NEOMONDO

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UM OLHAR CONSCIENTE

Ano 6 - No 51 - Novembro/Dezembro 2012

Alguns animais que compõem a riquíssima fauna Amazônica Da Redação

R$8,00

Exemplar de ASSINANTE Venda Proibida

Fotografia: PaulaLyn Carvalho

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or maiores que sejam as informações recebidas sobre as riquezas da região Amazônica é no flagrante das lentes fotográficas e cinematográficas que a exuberância dessa grande fatia do Brasil chega às demais regiões e ao mundo. O papel desses profissionais em captar a beleza e muitas vezes, também o pedido silencioso de socorro dessas espécies, é imprescindível para conscientizar sobre a importância de ser manter a floresta em pé. A fotógrafa PaulaLyn é uma dessas profissionais que emprestam a sensibilidade e técnica, a serviço da defesa do meio ambiente. Com um trabalho voltado

Mata Atlântica Joias raras

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Arara

à essa causa, vem realizando ensaios e exposições sobre o tema. São dela as fotos da fauna amazônica, expostas a seguir. Agumas dessas imagens fizeram parte da exposição “Sentir Brasil”, que aconteceu em junho na Câmara Municipal de São Paulo. A maioria das imagens foi captada no Parque Ecológico de Januari, em Manaus, no Amazonas e no Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA), em janeiro de 2008. Paula é motivada pela sua paixão pela natureza. “Olho a lua, o sol, o mar, as árvores, os rios, os animais, como se os estivesse vendo pela primeira vez. São, para

mim, respostas a todas as minhas perguntas.” – disse. A fotógrafa acredita que cada um pode contribuir com ações que estão ao seu alcance. “A minha contribuição é através das imagens. Quero poder tocar o coração de cada um através do meu olhar, usar um sentido humano tão valorizado na contemporaneidade para despertar os outros sentidos e a consciência. Registrar para preservar” – concluiu. Se o mundo precisa da Amazônia para minimizar os efeitos ambientais do aquecimento global. Para esses animais, que somam milhares de espécies, a Floresta é sinônimo de vida.

Zona Costeria

Amazônia

Superpopulação

Registrar para preservar

As araras estão entre os pássaros mais belos da fauna brasileira. São aves grandes e possuem e um bico curvo resistente usado para quebrar frutos e sementes. As araras vivem em casais nas copas das árvores mais frondosas e fazem seus ninhos em ocos de árvores.

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34 Bicho-Preguiça

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O Bicho-Preguiça é considerado um animal muito sossegado. Dorme o dia todo nas árvores, pendurado num galho de costas para o chão e com a cabeça pendida sobre o peito. É um mamífero de hábitos noturnos. Orienta-se pelo olfato, pois tem uma visão muito fraca. Alimenta-se apenas das folhas, frutos e brotos de algumas árvores. É um animal inofensivo.

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32 páginas | 20,5 x 27,5 cm

Crianças criam! | ISBN: 9788566251005

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Em um mundo marcado por brinquedos eletrônicos que funcionam a partir do botão power, que tal dar à criança o poder para construir seus próprios brinquedos? Imaginação acionada, materiais fáceis e disponíveis, fotos grandes mostrando o passo a passo e lá vem um divertido índio cara de pet, um charmoso robô que movimenta a boca, um teatro e suas marionetes e...diversão garantida! Do mesmo autor do consagrado livro FÁBRICA DE BRINQUEDOS, essa obra, além da proposta lúdica e divertida de criar brinquedos a partir de embalagens, tampinhas e outros materiais descartados no dia a dia, é uma excelente oportunidade para a criança experimentar a autonomia e o prazer de imaginar, criar, construir e brincar.

Os mais recentes lançamentos da Editora Caramujo já estão fazendo sucesso nas escolas. E vem muito mais por aí! 2

Neo Mondo - Julho 2008

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Crianças brincam! 32 páginas | 20,5 x 27 ,5 cm | ISBN:

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9788566251012

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As crianças vão se encantar com essa história bem-humorada sobre um reino distante onde há um castelo, um rei e um espelho. Mas diferentemente das outras histórias, esse espelho não é mágico - ele mostra apenas a realidade. E a realidade é que, um dia, o rei desse reino distante olhou-se no espelho e viu que seu belo umbigo havia desaparecido de sua barriga. Quem teria roubado o umbigo? Um grande mistério a ser descoberto pelos leitores. As alegres e coloridas ilustrações de Ricardo Girotto dão o toque mágico a essa história escrita por Márcio Thamos em que umbigos escondidos sob grandes barrigas e umbigos à mostra em barrigas que roncam de fome apresentam uma trama delicada sobre compreensão, respeito e solidariedade.

Informações: 11

2669-0945 | 98234-4344 97987-1335

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Seções

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ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS Mata Atlântica Joias raras

ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS Mata Atlântica Ameaças ao Patrimônio Nacional

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ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS

Pampa Cenário e ecossistemas pouco explorados

18 Alguns Da Redação

ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS Cerrado animais que compõem a riquíssima Maiores biodiversidades brasileiras

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Fotografia: PaulaLyn Carvalho

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ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS

fauna Amazônica Caatinga

Único bioma exclusivamente brasileiro

or maiores que sejam as informações à essa causa, vem realizando ensaios e exrecebidas sobre as riquezas da região posições sobre o tema. São dela as fotos da Amazônica é no flagrante das lentes fauna amazônica, expostas a seguir. Agumas fotográficas e cinematográficas que a exubedessas imagens fizeram parte da exposição rância dessa grande fatia do Brasil chega às “Sentir Brasil”, que aconteceu em junho na demais regiões e ao mundo. O papel desses Câmara Municipal de São Paulo. profissionais em captar a beleza e muitas veA maioria das imagens foi captada no zes, também o pedido silencioso de socorro Parque Ecológico de Januari, em Manaus, dessas espécies, é imprescindível para consno Amazonas e no Instituto de Pesquisa cientizar sobre a importância de ser manter da Amazônia (INPA), em janeiro de 2008. ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS a floresta em pé. A fotógrafa PaulaLyn é uma Paula é motivada pela sua paixão pela dessas profissionais que emprestam a sennatureza. “Olho a lua, o sol, o mar, as árPantanal sibilidade e técnica, a serviço da defesa do vores, os rios, os animais, como se os esmeio ambiente. Com um trabalho voltadoalagável tivessedo vendo pela primeira vez. São, para Maior planície mundo

mim, respostas a todas as minhas perguntas.” – disse. A fotógrafa acredita que cada um pode contribuir com ações que estão ao seu alcance. “A minha contribuição é através das imagens. Quero poder tocar o coração de cada um através do meu olhar, usar um sentido humano tão valorizado na contemporaneidade para despertar os outros sentidos e a consciência. Registrar para preservar” – concluiu. ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS Se o mundo precisa da Amazônia para minimizar os efeitos ambientais do aquecimento Zona Costeira global. Para esses animais, que somam milhares de espécies, a Floresta é sinônimo de vida. A superpopulada Zona Costeira

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ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS Arara 38 Amazônia RXpássaros da Amazônia As araras estão entre os mais belos da fauna brasileira. São aves grandes e possuem e um bico curvo resistente usado para quebrar frutos e sementes. As araras vivem em casais nas copas das ESPECIAL-BIOMAS BRASILEIROS árvores mais frondosas e fazem seus ninhos em ocos de árvores.

Amazônia Registrar para preservar

Expediente

40 Bicho-Preguiça

Special Brazilian Biomes 14 Atlantic Forest What’s left of paradise

Publicação

O Bicho-Preguiça é considerado um animal muito sossegado. Dorme o dia todo nas árvores, pendurado num galho de costas para o chão e com a Tradução: Efex Idiomas – Tel.: 55 11 8346-9437 Diretor Responsável: Oscar Lopes Luiz A Revista Neo Mondo é uma publicação do cabeça pendida sobre o peito. É um mamífero de hábitos noturnos. OrienDiretor de Relações Internacionais: Vinicius Zambrana Instituto Neo Mondo, CNPJ 08.806.545/0001Diretor de Redação: Gabriel Arcanjo Nogueira ta-se pelo olfato, pois tem uma visão muito fraca. Alimenta-se apenas das Jurídico: Dr.Erick Rodrigues de Melo e Silva 00, reconhecido como Organização da (MTB 16.586) folhas, frutosDiretor e brotos de algumas árvores. É um Ferreira animal inofensivo.

Gavião-real

Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Marcio Thamos, Dr. Marcos Lúcio Barreto, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Rafael Pimentel Lopes, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Natascha Trennepohl, Rosane Magaly Martins, Pedro Henrique Passos e Vinicius Zambrana

O gavião-real, também conhecido harpia ( Harpia(MTB harpyja), é Redação: Gabrielcomo Arcanjo Nogueira 16.586), a maior ave de rapina do Brasil e do(MTB mundo, podendo atingir 2,5 m de Rosane Araujo 38.300) e Antônio 10.585)de moluscos, crusenvergadura. Seus hábitos são Marmo diurnos.(MTB Alimenta-se táceos e peixes até serpentes, lagartos, pássaros e alguns mamíEstagiário: Bruno alguns Molinero feros, como a preguiça (seu alimento favorito) que captura no solo.

Revisão: Instituto Neo Mondo

Diretora de Arte: Renata Ariane Rosa

Correspondência: Instituto Neo Mondo Rua Antônio Cardoso Franco nº 250, Casa Branca – Santo André – SP Cep: 09015-530 Para falar com a Neo Mondo: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tel. (11) 2669-0945 / 8234-4344 / 7987-1331 Presidente do Instituto Neo Mondo: oscar@neomondo.org.br

Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça – processo MJ nº 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 70 mil exemplares com distribuição nacional gratuita e assinaturas. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização.

Projeto Gráfico: Instituto Neo Mondo 4

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Editorial

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rezado leitor, este mês NEO MONDO traz um especial sobre os Biomas Brasileiros. O Brasil é um país de dimensões continentais e possui uma das biodiversidades mais ricas do Planeta. Dia 27 de maio comemora-se o Dia Nacional da Mata Atlântica, segundo bioma mais ameaçado do Planeta; só as florestas de Madagascar estão mais ameaçadas. A Mata Atlântica é considerada Patrimônio Nacional pela Constituição Federal e abrange total ou parcialmente 17 estados brasileiros e mais de 3 mil municípios. Ao entrar no Pampa, cavalgaremos por um imenso mar verde que tem suas beiradas no Rio da Prata e seu fim na Patagônia. A paisagem bucólica do Pampa está no imaginário popular, sendo cenário das minisséries O Tempo e o vento e A casa das Sete Mulheres, ambas da Rede Globo. Desbravando o Cerrado, caracterizado por sua preciosa biodiversidade e pela diversidade social, vemos que ainda é visto como mera fronteira para expansão do agronegócio brasileiro. É no Cerrado que está a alma da música caipira do Brasil, o instrumento que melhor simboliza as tradições musicais dessa região é a viola caipira. Já a Caatinga é conhecida como a região do país onde o acesso à água é escasso e a paisagem é pobre;

apesar de ser o único bioma exclusivamente brasileiro, é vítima de um processo de ocupação que explorou a natureza de forma predatória, concentrando terra e poder. O Pantanal, por sua vez, maior planície alagável do mundo, é o elo de ligação entre as duas maiores bacias da América do Sul: a do Prata e a Amazônica, o que lhe confere a função de corredor biogeográfico, ou seja, permite a dispersão e troca de espécies de fauna e flora entre essas bacias.

Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br

Navegamos pela Zona costeira e detectamos que a principal ameaça a esse bioma são a especulação imobiliária, sobrepesca (industrial e artesanal), poluição das praias e o turismo desordenado. Finalmente chegamos à Amazônia, ícone mundial da biodiversidade, onde estão a maior bacia hidrográfica e a maior floresta tropical do mundo; a região possui ainda uma fantástica diversidade cultural. É a região brasileira relativamente mais preservada de todas. Por isso, constitui a última fronteira do avanço desenvolvimentista brasileiro. Bom, deu pra sentir um pouquinho da riqueza que você vai encontrar em nossas páginas. Essa é uma pequena parte dela.

Tenha uma ótima leitura e viaje pelos Biomas Brasileiros com NEO MONDO!

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Neo Mondo Um olhar consciente

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Especial - Biomas Brasileiros

Joias

RARAS Brasil precisa reconhecer, proteger e saber usar seus biomas para merecer o respeito internacional Da Redação

“A

mata atlântica continua tendo um papel fundamental para garantir a proteção de nossa rica biodiversidade, não está perdida e é possível recuperá-la, sim. Há muitas áreas livres que podem ser restauradas, e é o que temos feito em nossos programas Florestas do Futuro e Clickarvore, com milhões de árvores já plantadas.” Quem garante é Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, geógrafo e ambientalista, há 35 anos, dos mais respeitados no Brasil e no exterior.

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Em conversa com NEO MONDO, entre um compromisso e outro de sua agenda verde, ambientalista desde criancinha (aos 10 anos de idade, Mantovani acreditava que seu futuro seria ser um ativista socioambiental), ele não tem dúvida: “Participei do surgimento da consciência ecológica no Brasil”. Consciência que o faz considerar que “todas as lutas (preservacionistas) têm espaço e precisam ser divulgadas” porque, para ele, “mata atlântica, Amazônia... são todas joias que o Brasil precisa reconhecer, proteger e utilizar para se posicionar internacionalmente como um país repleto de diferenciais naturais”.

Atenção é para todos Mantovani acredita que, no processo de recuperação dos biomas nacionais, governos, empresas, ONGs, escolas, sindicatos, enfim, cada cidadão deve ser o participante por excelência. E de novo ressalta a questão fundamental do ser consciente: “Cada um precisa ter consciência do seu papel, que implica separar e reciclar seu lixo; gastar menos água e realizar o consumo consciente. O primeiro passo é entender o bioma em que você está inserido e procurar conhecer remanescentes que estejam perto da sua casa. A mata atlântica, por exemplo, está nas prin-

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cipais cidades brasileiras, e muitos de seus moradores não sabem disso”. Além disso, para o diretor de Políticas Públicas da Fundação, mais do que nunca é preciso também “fazer valer a importante legislação ambiental que o Brasil possui e que precisa ser aplicada”. A SOS Mata Atlântica desenvolve campanha das mais cruciais em sua trajetória de lutas porque vê riscos de que se mude o arcabouço jurídico brasileiro para pior (ler, na sequência, “Legislação ambiental ameaçada”). Entre suas atividades, a Fundação desenvolve estudos sobre os biomas brasileiros, como parte da sua política de parcerias. Estas são decididas com muito critério no momento da escolha, esclarece Mantovani. O diretor da ONG cita, como exemplo, o Atlas da Mata Atlântica, feito com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e disponibiliza relatório com dados que ajudam a entender como foi possível chegar a inúmeras parcerias que resultam em projetos relevantes. A mata atlântica - para NEO MONDO, “tão ameaçada e tão rica de esperanças” - é um dos sete biomas brasileiros. Nenhum deles foge à mais recente preocupação do diretor de Políticas Públicas da

ONG, desde 1991, para que “mais de 400 leis ambientais sejam aprovadas”. Ele também atua na Frente Parlamentar Ambientalista desde que foi criada, em 2007. Com muita experiência e dedicação à causa, Mantovani participou de projetos como a elaboração da Lei da Mata Atlântica, 2006; Lei das Águas, 1997, que criou o Sistema Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente e Gerenciamento de Recursos Hídricos; e participa também do projeto Rebob, que prevê consórcios de bacias hidrográficas. Incansável, resume: “Embora a mata atlântica tenha sido 93% devastada, fornece água limpa, ar puro, controle do clima e qualidade de vida para 112 milhões de pessoas habitantes de algumas das maiores cidades brasileiras”. Imagina quando atingir alcance maior em nosso ecossistema.  O que é possível se mais gente engrossar as fileiras de ativistas, a exemplo do realista Mantovani: “Nos últimos anos o ritmo de desmatamento tem diminuído na mata atlântica, o que é bastante positivo, mas também é quase natural num bioma que já foi 93% devastado. Não há muito mais o que destruir, por isso precisamos ficar todos atentos para que a fiscalização aconteça e também a restauração”.

Marcelo Trad

Mantovani: mata atlântica, Amazônia (e demais biomas) são parte da mesma luta

Legislação ambiental ameaçada A Fundação SOS Mata Atlântica decidiu ampliar a campanha Exterminadores do Futuro, que lançou em março, por entender que é preciso alcançar apoio mais abrangente da população brasileira. Para o presidente da ONG, Roberto Klabin, a Fundação não se contenta com a polêmica e reação causadas por essa iniciativa na sociedade e no Congresso Nacional. “A campanha foi lançada para valorizar o patrimônio natural brasileiro e mostrar as ameaças ao Código Florestal e a toda a legislação ambiental brasileira com as propostas de alteração que tramitam no Congresso, que não estão sendo discutidas com toda a sociedade de maneira uniforme”, diz. Preocupada em garantir a transparência do processo que desencadeou, bem como o direito de defesa aos parlamentares envolvidos, a SOS Mata Atlântica resolveu também reformular o cronograma de divulgação da lista de exterminadores. O diretor de Políticas Públicas da ONG, Mario Mantovani, explica que o Viva a Mata, nesse

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sentido, representou “um momento crucial para envolver as pessoas e explicar melhor nossos objetivos. Queremos que o público possa opinar e colaborar nesse período do Dia Nacional da Mata Atlântica”. O que a instituição propõe é a retomada do diálogo com seriedade e, principalmente, num foro isento, em que representantes da sociedade possam discutir as alterações propostas. “Somos contra a forma como essas alterações estão sendo encaminhadas, pois aparentemente a sociedade está participando das discussões, mas, de fato, não está, e este é um ano político complicado, em que há a campanha presidencial, por isso não é o momento de se definir um assunto tão importante e delicado para o futuro do Brasil”, acrescenta Klabin. Para Mantovani, “há problemas nas convocações das audiências e na composição da Comissão Especial para Discussão do Código Florestal. Isso porque pequenos agricultores, que já têm tratamento diferenciado dado pela Lei da Agricultura Familiar, são induzidos e lotam auditórios país afo-

ra nas audiências públicas”. É quando, no entendimento da Fundação, o Código Ambiental é apresentado como solução para as questões ambientais; dados distorcidos – que incluem na conta de restauração as propriedades com menos de 150 hectares, que têm tratamento diferenciado – são apresentados, e a discussão não acontece com todos os representantes da sociedade. Flexibilidade sem dogmatismos “O meio ambiente não é um entrave ao desenvolvimento econômico; ao contrário, a conservação dos ecossistemas, dos recursos naturais e dos serviços por eles prestados como polinização, combate à erosão do solo, garantia de água para a irrigação, entre outros, é totalmente necessária para a agricultura”, ressalta Klabin. Por isso, a Fundação SOS Mata Atlântica quer dar continuidade ao diálogo sobre o Código Florestal. “Pedimos mais flexibilidade e menos dogmatismo, e a construção de uma solução negociada entre as partes que esteja amparada em argumentos técnicos e científicos”, afirma o presidente.

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Especial - Biomas Brasileiros

Água limpa, ar puro, controle do clima e qualidade de vida para 112 milhões de pessoas, apesar de 93% devastada

Ele acrescenta que a SOS Mata Atlântica pede ainda que a legislação seja mantida tal como vigente até que se estabeleça um calendário de negociação e termos de referência sobre os temas em discussão, como reserva legal, áreas de proteção permanente, procedimentos de regularização de imóveis, instrumentos econômicos para a implementação da legislação florestal e ambiental, entre outros. “Também queremos a definição de um facilitador de comum acordo, com legitimidade e credibilidade para a condução dos processos”, complementa Klabin. Estas são as bases da proposta que ele próprio levou à audiência pública da Comissão Especial, realizada em 13 de abril, na Câmara dos Deputados. Miriam Prochnow, representante da Rede de ONGs da Mata Atlântica e coordenadora de Políticas Públicas da Apremavi, entende que o Código Florestal é também questão de segurança nacional. “A ocorrência, cada vez mais frequente, de tragédias como deslizamentos e enchentes chama a atenção. O Código não foi feito só para proteger animais e plantas mas, principalmente, a população. As áreas de preservação permanente, principalmente as localizadas em encostas e margens de rios, têm essa função específica. É temerário querer alterar o Código Florestal para alterar estas áreas”, explica.

Papel dos eleitores Daí a importância de qualquer pessoa, de acordo com a Fundação, poder informar e cobrar de seus candidatos compromissos com a defesa da legislação ambiental e com a proteção do patrimônio natural do país, utilizando os documentos disponíveis no hotsite da campanha, como cartazes e adesivos. O site www.sosma.org.br/exterminadores traz mais informações sobre a campanha e o trabalho que é desenvolvido, com notícias sobre as votações e audiências, as leis que estão em jogo e, no futuro, os critérios para formatação da lista. A SOS Mata Atlântica ressalta que a campanha não pretende denegrir a imagem ou difamar qualquer cidadão, mas sim alertar a população sobre a falta de diálogo quando o tema é o meio ambiente na formulação de leis. “Uma pessoa pode ter uma excelente atuação em outras áreas, mas se causa danos ao meio ambiente e a sociedade assim o reconhece, então esta pessoa pode se tornar um Exterminador do Futuro”, explica Mantovani. “Quem vai dizer isso são os eleitores. A lista depende da sociedade e só será divulgada após uma checagem com critérios que estamos formulando.” Zerolux/SOSMA

“Viva a Mata” 2009: pessoas aprendem, de maneira lúdica, o quanto e como é importante preservar o meio ambiente

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Manobra ruralista Por ser uma das maiores ONGs ambientais do Brasil, a SOS Mata Atlântica lembra que sempre participou das discussões sobre políticas públicas, como na Assembléia Constituinte, ajudando a garantir o direito ao meio ambiente no artigo 225 da Constituição, ou das discussões sobre as alterações no Código Florestal (Lei 4.771, de 1965). Setores mais avançados do agronegócio, ambientalistas e empresas, entre outros, vinham discutindo democraticamente no Congresso Nacional o projeto de Lei 6.424, de 2005, de relatoria do deputado Marcos Montes (DEM-MG), com os apensos PL 6.840/2006 e PL 1.207/2007. “Este PL traz um novo texto ao Código Florestal e havia consenso da sociedade quanto à sua redação, que inclusive incorpora artigos previstos na Lei da Mata Atlântica, trazendo modernidade ao Código Florestal hoje vigente”, esclarece Mantovani. No entanto, acrescenta o diretor de Politicas Públicas da ONG, enquanto parte do movimento ambientalista, do governo e da sociedade estava com suas atenções voltadas para a CO P15, no final de 2009, o projeto foi modificado e reencaminhado pelos deputados da bancada ruralista. O então relator, deputado Jorge Khoury (DEM-BA), foi destituído, e um novo projeto surgiu. A Fundação SOS Mata Atlântica e outras ONGs ambientalistas (entre elas, Greenpeace, Instituto Socioambiental, Rede de ONGs da Mata Atlântica e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) conseguiram impedir a votação do projeto de lei na ocasião, mas uma semana depois a sessão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável colocou o novo texto como ponto único da pauta. Novamente, com a pressão da sociedade, a votação foi cancelada. Essa manobra de alguns deputados para votar as alterações no Código Florestal às pressas deu fim ao diálogo, ocasionando a saída das discussões de algumas ONGs que não concordavam mais com o texto que passou a ser proposto. A Fundação acrescenta que foi, então, constituída uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados com o objetivo exclusivo de discutir alterações no Código Florestal: reserva legal (RL) com plantações homogêneas passíveis de exploração, margens de proteção de rios mais estreitas, plantio em inclinações maiores, e outras. O problema é que, junto ao Código Florestal, passou a ser apresentada uma nova

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proposta para o Código Ambiental Brasileiro, que simplesmente desmantela todo o sistema nacional de meio ambiente e delega aos estados a função de legislar sobre o assunto. No entender da ONG, são alterações que atentam contra a Política Nacional do Meio Ambiente e contra as conquistas ambientais da sociedade, além de ser nocivas ao meio ambiente, já que desguarnecem sua proteção e levam ao comprometimento de relevantes paisagens e da garantia de vida. Também afrontam claramente a Constituição Federal em seu artigo 225. “As leis ambientais precisam ser aprimoradas para fortalecer a governança e o papel do Estado, fundamentais para que as leis sejam aplicadas na prática e tragam benefícios para todos”, aconselha Sérgio Guimarães, presidente do Instituto Centro de Vida (ICV). “Viva a Mata” 2012

• Mostra de iniciativas e projetos pela Mata Atlântica

• Momento de mobilização importante para esclarecimento de dúvidas e recebimento de sugestões

• Manifestação “O futuro é nosso e o voto também”, a cargo de dezenas de ONGs parceiras da SOS Mata Atlântica e representantes de várias regiões Fonte: SOS Mata Atlântica

Saiba mais da Mata Atlântica * Dia Nacional: 27 de Maio

* Cobertura original: 1.300.000 km2, ou seja, 15% do território brasileiro

* Cobertura atual: 7% da área original, 93% do que havia já foi devastado, ou seja, 1% do território brasileiro.

Considerada Hotspot: uma das cinco áreas mais biodiversas e ameaçadas do planeta Espécies de animais ameaçadas de extinção: 383 (de um total de 633 no Brasil)

* Estados em que existe: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

* Flora: 20 mil espécies vegetais (8 mil endêmicas) Fauna: 1020 espécies de aves (188 endêmicas) 350 espécies de peixes (133 endêmicas) 340 espécies de anfíbios (90 endêmicas) 261 espécies de mamíferos (55 endêmicas) 197 espécies de répteis (60 endêmicas)

* Biodiversidade: Bioma com a maior diversidade de espécies de árvores do mundo: mais de 450 espécies de árvores por hectare no sul da Bahia

* Populações tradicionais: Cerca de 70 povos indígenas em inúmeras aldeias Mais de 370 comunidades quilombolas

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* Unidades de Conservação Cerca de 1.400 Federal e Estaduais (Parques, Reservas, Estação Ecológica, Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN) Bacias hidrográficas: Abriga 7 das 9 grandes bacias hidrográficas do Brasil Rios São Francisco, Paraíba do Sul, Doce, Tietê, Ribeira de Iguape e Paraná Abastecem mais de 110 milhões de brasileiros em cerca de 3,4 mil municípios * Reserva da Biosfera da Mata Atlântica: Maior reserva da biosfera em área de floresta do mundo: 35 milhões de hectares

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Especial - Biomas Brasileiros

Uma viagem pelos

Biomas Brasileiros Ameaças ao Patrimônio Nacional

Segundo bioma mais ameaçado de extinção do planeta, a Mata Atlântica abriga uma das maiores biodiversidades do mundo

Foto: Luizdemog

Da Redação

Rio da Mata Atlântica na Serra do Mar

A

Mata Atlântica, segundo bioma mais ameaçado de extinção do planeta (ficando atrás apenas das florestas de Madagascar), é a região do Brasil que se estende por 17 estados e mais de 3 mil municípios. Considerada Patrimônio Nacional pela Constituição Federal, ocupa cerca de 102 mil km² do território nacional. Isso representa apenas 8% do total de mata que existia na chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500 (a área de florestas ocupava 15% do território brasileiro, ou seja, 1.306.421 km²). 10

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A pesar de tais dados, levantamentos recentes divulgados pelo Governo Federal apontam um crescimento de 12% na área florestal do bioma. Isso porque a Mata Atlântica possui uma alta propriedade de regeneração. Outros dados, divulgados pela fundação SOS Mata Atlântica, mostram uma queda no desmatamento da floresta em oito estados brasileiros. No entanto, alguns estados, como Santa Catarina e Paraná, continuam com altos níveis de destruição.

Esse desmatamento e degradação mostram-se como grandes problemas, principalmente porque as 120 milhões de pessoas que vivem na região do bioma dependem da manutenção e dos serviços ambientais prestados por ele, sendo na proteção de nascentes e fontes que abastecem as cidades e comunidades do interior, na regulação do clima, da temperatura, da umidade e das chuvas, na fertilidade do solo ou na proteção das escarpas e encostas de morros de eventuais processos erosivos.

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Árvore de Jaboticaba (Myrciaria trunciflora)

Outros fatores são as queimadas dos terrenos para a criação de gado, o desmatamento e o comércio ilegal. Este último é um dos principais causadores da destruição da vegetação, mesmo com leis que proíbem o plano de manejo. Espécies, como o palmito-juçara, as orquídeas e as bromélias, quase entraram em extinção por causa da exploração intensiva. Plantas medicinais também sofrem muito com o comércio ilegal, sendo retiradas sem quaisquer critérios e planos de reposição. Mata Atlântica Animal A Mata Atlântica possui uma grande diversidade de animais. Vivem no bioma aproximadamente 1,6 milhão de espécies de animais, incluindo os invertebrados. Grande parte dessas espécies é endêmica, ou seja, não podem ser encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Ao todo, estão cata-

logadas 270 espécies de mamíferos (73 endêmicas), 849 espécies de aves, 370 espécies de anfíbios, 200 de répteis e cerca de 350 espécies de peixes. O destaque entre os animais fica para o Mico-leão-dourado. Confira um pouco sobre esse animal no quadro. Extinção Animal Os anos passam e as espécies ameaçadas de extinção aumentam. Em 1989, a lista publicada pelo Ibama já trazia dados impressionantes, mostrando que 202 espécies de animais eram consideradas oficialmente ameaçadas no Brasil, sendo que 171 viviam nas florestas atlânticas. Em 2003, dados ainda piores foram liberados pelo Ministério do Meio Ambiente. O total de espécies ameaçadas no país subiu para 633, sendo que a maioria reside na região da Mata Atlântica.

Bicho Destaque: Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) Foto AMDL

Foto: Luizdemog

Mata Atlântica Florestal Independente da área reduzida, a Mata Atlântica continua na lista dos biomas mais ricos do mundo em diversidade de plantas e animais. Entre os vegetais, levando em consideração apenas o grupo das angiospermas, plantas que possuem sementes protegidas dentro dos frutos, acredita-se que a Mata Atlântica possua cerca de 20.000 espécies, ou seja, aproximadamente 35% das existentes em todo o Brasil. Desse total, cerca de 8 mil são endêmicas (exclusivas do bioma). Esses dados fazem com que a floresta seja a mais rica do mundo em árvores. Um exemplo da tamanha diversidade está no sul da Bahia. Em apenas um hectare de terra, foram encontradas 454 espécies distintas de árvores (Veja o quadro comemorativo ao Dia da Árvore). Entre as espécies de frutas exclusivas da Mata Atlântica, destaca-se a jabuticaba (Myrciaria trunciflora). Seu nome vem da palavra tupi iapoti-kaba, que significa “frutas em botão”. Outras frutas típicas do bioma são a goiaba, o araçá, a pitanga e o caju. Já entre as árvores, o destaque fica para a erva-mate. A partir de suas folhas é produzido o chimarrão, popular bebida da Região Sul do país. No entanto, da mesma maneira que há o lado positivo de se haver tantas plantas endêmicas no bioma, há também o lado negativo: grande parte das espécies está ameaçada de extinção. Entre os fatores que contribuem para o desaparecimento das plantas está o consumo exaustivo, como é o caso do pau-brasil, espécie que deu origem ao nome do nosso país.

Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)

O mico-leão-dourado, endêmico da Mata Atlântica de Baixada Costeira do estado do Rio de Janeiro, é uma espécie de macaco que mede cerca de 60 cm, pesando entre 550 a 600 gramas. Encontrado sempre em grupos de 5 ou 6 indivíduos, o primata se alimenta de frutos silvestres, insetos, pequenos vertebrados e, eventualmente, de goma de algumas árvores. Com expectativa de vida média de oito anos, reproduzem-se de uma a duas vezes por ano, produzindo, normalmente, dois filhotes gêmeos. Assim como a maioria dos animais do bioma, o mico também está ameaçado de extinção. Este só não entrou para a história por causa de um programa instalado no Rio de Janeiro na tentativa da recuperação da população desses animais. Para se ter uma idéia, nos anos 70 existiam apenas 200 micos-leões-dourados na natureza. Hoje, o número de micos chega a mil.

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Especial - Biomas Brasileiros

Ribeirinhos sofrem com a falta de água na maior área contínua de Mata Atlântica do país, o Vale do Rio Ribeira de Iguape

Das 265 espécies de vertebrados ameaçados, 185 ocorrem nesse bioma (100 endêmicas). Das 160 aves da lista, 118 vivem na região atlântica (49 endêmicas). Das 69 espécies de mamíferos, 38 residem no bioma (25 endêmicas). Dos anfíbios da lista, todas as 16 espécies ameaçadas são exclusivas da Mata Atlântica. Exemplos de animais ameaçados são o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o muriqui, também conhecido como mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides). Os motivos para essa ameaça variam muito. Um dos principais é o tráfico de animais. O comercio ilegal no Brasil movimenta cerca de 10 bilhões de dólares por ano. A cada 10 animais traficados, apenas um resiste às pressões da captura e cativeiro. Outro problema é a perda do habitat para outras espécies. Estes “estrangeiros” invadem regiões de onde não são nativos por terem perdido seu próprio 12

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Mesmo possuidora de tal patrimônio cultural, a Mata Atlântica também é muito excludente. Muitas vezes as comunidades ficam marginalizadas da sociedade. Isso ocorre por causa do processo de desenvolvimento desenfreado das redes urbanas, que acabam por deixar de lado essas populações e até, muitas vezes, acabam expulsando os moradores de seus territórios originais. Desmatamento e Degradação Muitos são os fatores que implicam na destruição da Mata Atlântica. Um deles é o avanço das cidades espontâneas, ou seja, aquelas que não são planejadas e acabam por crescer “desgovernadamente”. Esse tipo de crescimento não leva em conta os remanescentes florestais, o que faz com que o bioma seja destruído. Além disso, sem um prévio estudo da melhor maneira de expandirem-se, muitos desastres acabam por ocorrer, como deslizamentos e enchentes. Outro fator é o da construção de hidrelétricas, em especial em duas regiões: na da Bacia do Rio Uruguai, que fica na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, e na da Bacia do Rio Ribeira de Iguape, divisa de São Paulo com Paraná. Quando construídas, as hidrelétricas alagaram grande parte das áreas ao redor, acabando com a biodiversidade daqueles pontos. Um terceiro fator é a atividade mineradora. As regiões do sul de Santa Catarina e as áreas de Minas Gerais e Espírito Santo têm essa atividade ocupando um alto nú-

Mata Atlântica Social A Mata Atlântica abriga quase 65% de toda a população do Brasil, ou seja, cerca de 120 milhões de pessoas. Isso porque foi na área original do bioma que os primeiros aglomerados urbanos, pólos industriais e principais metrópoles foram formados. Além da população urbana, nela vivem diferentes tribos e culturas tradicionais, o que faz com que a área tenha uma das maiores diversidades culturais brasileiras. Entre os indígenas, destacam-se os Guarani. Já entre as culturas tradicionais não-indígenas, o destaque fica com os caiçaras, os quilombolas, os roceiros e os caboclos ribeirinhos.

21 de Setembro: Dia da Árvore No dia 21 de Setembro, comemoramos o Dia da Árvore. Formalizado há 30 anos no Brasil, esta data relembra os laços do nosso povo com a cultura indígena. Um desses laços é o amor e respeito pelas árvores. Dia 21 marca também a chegada da primavera no hemisfério sul. Uma das mais belas estações, a primavera data um novo ciclo para o meio ambiente, na qual recupera-se a vida na natureza, após os meses de silêncio do inverno.

Foto: Mauroguanandi

Foto:Wilson Dias/ABr

lar. Em outra situação, o próprio homem solta espécies não-nativas em locais inapropriados, prejudicando o desenvolvimento das espécies locais. Isso porque os animais de outras regiões multiplicam-se de maneira muito mais acelerada, já que não tem predadores e têm comida abundante. Um exemplo da soltura indevida aconteceu no Parque Estadual da Ilha Anchieta, em São Paulo. Foram soltas pelo governo, em 1983, 8 cutias e 5 mico-estrelas. Essas espécies multiplicaram-se muito rápido, chegando a ter populações de 1.160 e 654 indivíduos, respectivamente. Como consequência, cerca de 100 espécies de aves, cujos ninhos são predados por esses animais, foram extintas na ilha.

Pau-brasil: espécie ameaçada de extinção

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Fontes: Foto: Luizdemog

mero de hectares da floresta, o que significa que os montantes de impactos ambientais negativos também são grandes. Outra questão importante é o avanço das monoculturas de árvores exóticas e da própria agricultura feita sem planejamento, ordenamento ou controle dos governos estaduais. O desmatamento feito para o plantio de exóticas e de grãos é responsável pela maior parte da atividade destruidora dessas áreas.

- Almanaque Brasil Socioambiental - ISA 2008 - Mundo de Sabores - www.mundodesabores.com.br - WWF Brasil – www.wwf.org.br - Instituto Ambiental Nova Era www.diadaarvore.org.br

Curiosidades • A cobertura florestal da Mata Atlântica já ocupou quase 15% do território nacional. Hoje, apenas 8% da cobertura original está intacta. • Segundo as metas da Conservação da Biodiversidade, precisamos ter 10% de cada bioma preservado em unidades de conservação para que este não entre em extinção em poucos anos. No entanto, o índice da Mata Atlântica mal chega a 3%. • A Reserva Biológica de Uma, na região sul da Bahia, possui a maior diversidade de árvores do mundo: cerca de 450 espécies diferentes em apenas um hectare de mata. (Dados obtidos através de um estudo realizado por técnicos do Jardim Botânico de Nova Iorque, em 1993) • A Mata Atlântica abriga o primeiro parque nacional brasileiro: o Parque Nacional de Itatiaia. Criado em 14 de junho de 1937, entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, ele abriga 360 espécies de aves e 67 espécies de mamíferos. • A UNESCO reconheceu, no começo da década de 90, parte da Mata Atlântica como Reserva da Biosfera. Com uma área total de 290 mil km², a Reserva estende-se por cerca de 5 mil quilômetros ao longo da costa brasileira. • Ao todo, existem quatro espécies de micos-leões, todas exclusivas do Brasil: o mico-leão-dourado, residente da Mata Atlântica de Baixada Costeira do estado do Rio de Janeiro; o mico-leão-da-cara-dourada, que mora na região cacaueira do sul da Bahia; o mico-leão-preto, residente do Morro do Diabo, Pontal do Paranapanema (SP); e o mico-leão-da-cara-preta, encontrado na região do Lagamar (Paraná e São Paulo). Destaque para o último, que foi descoberto apenas em 1990.

Cachoeira da Mata Atlantica na Serra do Mar

Receita Típica da Mata Atlântica: Bolo de Pinhão Ingredientes: Massa • 1 xícara de chá de manteiga • 1 lata de leite condensado • 4 gemas • 1 pitada de sal • 1 xícara de chá de pinhão cozido, descascado e moído • 1 xícara de chá de farinha de trigo • 1 colher de sopa de fermento em pó • 4 claras em neve

3. Por último, misture delicadamente as claras em neve; 4. Coloque a massa em uma assadeira untada e leve ao forno; 5. Após 30 minutos, retire a assadeira do forno e deixe-a esfriar. Glacê 1. Em uma panela, coloque o açúcar, o suco de limão e 2 colheres (sopa) de água quente. 2. Leve ao fogo e mexa até obter uma mistura homogênea. 3. Por fim, desenforme o bolo e cubra com o glacê.

Glacê • 1 e 1/2 xícara de chá de açúcar de confeiteiro • 1 colher de sopa de suco de limão Preparo: Massa 1. Bata a manteiga e, aos poucos, coloque o leite condensado até obter um creme; 2. Sem parar de bater, junte as gemas, o sal, o pinhão, a farinha e o fermento;

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Special - Brazilan Biomes

A journey through the

Brazilian Biomes Threats to National Heritage

The Second most endangered biome on the planet; the Atlantic Forest has one of the richest biodiversities in the world

Foto: Luizdemog

Caio Martins

Atlantic Forest River in ‘Serra do Mar’

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he Atlantic Forest biome, the second most endangered in the world (only behind the forests of Madagascar), is a region of Brazil that spans 17 states and more than 3,000 municipalities. Considered a National Heritage by the Federal Constitution, it occupies approximately 102,000 km² of land. That represents only 8% of the forest that existed when the Portuguese first arrived in Brazil in the year1500 (the area of forests then occupied was 15% of Brazilian land, or 1,306,421 km²).  14

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Despite such data, recent surveys released by the Federal Government show a 12% growth in the forest area of the biome. That’s because the Atlantic has a high capacity of regeneration. Other information released by the foundation, the ‘SOS Mata Atlantica’, shows a drop in the forest clearing in eight Brazilian states. However, some states such as Santa Catarina and Paraná still present high levels of deforestation. 

This deforestation and environmental degradation are publicized as major problems, largely because the 120 million people living in the area of the biome depend on the maintenance of their environmental services, on protecting the fountainheads and springs that supply the cities and inland communities, on the regulation of the climate, temperature, humidity, rainfall, on soil fertility, or on protecting the steep hillsides from potential erosive processes.

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Foto: Luizdemog

Atlantic Forest - Flora Regardless of its reduced area, the Atlantic Forest remains on the list of biome as one of the world’s richest diversity of plants and animals. Among the plants, taking into account only the group of angiosperms – plants that have seeds protected within the fruit – it is believed that the Atlantic forest has approximately 20,000 species – i.e.: nearly 35%, of the angiosperms that exist in Brazil. Of this total, about 8,000 are endemic (unique to the biome). These facts clarify that the forest is the world’s richest in trees. An example of such diversity is in southern Bahia. In just one hectare of land we found 454 different species of trees (See text box commemorating the Day of the Tree).  Among the species of fruit trees unique to the Atlantic Forest are the ‘jaboticaba’ (Myrciaria trunciflora). Its name comes from the Tupi word iapoti-kaba, meaning “fruit buds.” Other fruit typical of the biome are guava, strawberry guava (Psidium Cattleyanum), mulberry and cashews. Among the trees is the prominent ‘erva-mate’ (Ilex paraguariensis). The “chimarrão” tea (Cimarrón) is made of ‘erva-mate’ leaves and it is a popular beverage in southern Brazil. However, just as there is a positive side to having so many endemic plants in the biome, there is also a negative side. Most species are threatened with extinction.  Among the factors contributing to the disappearance of plants is the entire utilization, as is the case of the ‘‘Brazil-wood’’ (Caesalpinia echinata; Pau-Brasil), the tree that gave rise to the name of our country.  Other fac-

‘Jaboticaba’ Tree (Myrciaria trunciflora)

tors include the burning to provide grazing land for livestock, the deforestation, and illegal trade. The latter is a major cause flora destruction, even with laws that prohibit plant commercialization. Species such as the ‘juçara’ palm tree (Euterpe Edulis), orchids and bromeliads, almost became extinct because of intensive exploitation. Medicinal plants also suffer greatly from the illegal trade, and are removed without any criteria and replenishment plans.  Atlantic Forest - Fauna  The Atlantic Forest has a great diversity of animals. Approximately 1.6 million species of animals, including invertebrates, live in the biome. Most of these species are endemic, i.e.: they cannot be found anywhere else on the planet. Overall 270 species of mammals (73 endemic), 849 spe-

cies of birds, 370 species of amphibians, 200 reptiles, and 350 species of fish are catalogued. The highlight among the animals is the Golden Lion Tamarin (Leontopithecus Rosalia). Check out a little more about this animal in the text box below.  Animal Extinction  As the years pass, the threat of extinction to some species increases. In 1989, impressive data published by the Brazilian Institute of Environment and Renewable Natural Resources (IBAMA),  highlighted that 202 animal species were officially considered endangered in Brazil, with 171 living in the Atlantic Forest. In 2003, even worse data was released by the Ministry of the Environment. The total number of threatened species has increased to 633; most of these are in the Atlantic Forest region.  

Feature Animal: Golden Lion Tamarin (Leontopithecus Rosalia)

Golden Lion Tamarin (Leontopithecus Rosalia)

The Golden Lion Tamarin, endemic to the Atlantic Forest on the Coast of Rio de Janeiro, is a species of monkey that measures about 60 cm, weighing between 550-600 grams. It is always found in groups of five or six individuals. The primate feeds on berries, insects, small vertebrates and possibly some gum trees. With average life expectancy of eight years, it breeds one to two times a year, producing usually two young twins.  Like most animals of the biome, the monkey is also threatened with extinction, which did not occur thanks to a preservation program implemented in Rio de Janeiro in an attempt to recover the population of these animals. To give an idea of the gravity of the situation, in the 70’s there were only 200 Golden Lion Tamarins in the wild. Today, the number has grown to a thousand monkeys. 

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Special - Brazilan Biomes

People living alongside the ‘Ribeira do Iguape’ River suffering from water shortage in the longest continuous area of Atlantic Forest in the country

Of the 265 threatened vertebrate species, 185 live in this biome (100 endemic). On the list of 160 birds, 118 live in the Atlantic region (49 endemic). Of the 69 species of mammals, 38 live in the biome (25 endemic). Of the list of amphibians, all 16 threatened species are unique to the Atlantic Forest. Examples of animals that are the most endangered are the giant anteater (Myrmecophaga Tridactyla) and the muriqui, also known as wooly spider monkey (Brachyteles Arachnoides).  The reasons for the threat vary widely. One of them is the increase of animal trafficking. This emerging illegal trade in Brazil brings in about 10 billion dollars a year.  Of every 10 trafficked animals, only one survives the pressures of capture and captivity.  Another problem is loss of habitat to other species. These “foreigners” invade regions where they are not native because 16

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Atlantic Forest – Social The Atlantic Forest is home to almost 65% of the entire population of Brazil, or about 120 million people. This is because in the original area of the biome the first urban settlements, industrial areas, and major cities were formed.  Besides the urban population, it has tribes with different cultures and traditions; this means that the area has one of the largest Brazilian cultural diversities.  Among the indigenous tribes the Guarani stand out. Among the non-indigenous traditional cultures, emphasis lies on the coastal dwellers, the runaway slave descendants, the planters and riverside settlers. 

Despite having such cultural heritage, the Atlantic Forest is still taken for granted. Communities are often marginalized in society. This happens because of the process of unrestrained development of urban networks, which ultimately sets aside these populations, end up forcing them to leave their original territories.  Deforestation and Degradation  There are many factors that cause the destruction of the Atlantic Forest. One is the spontaneous growth of cities; i.e.: those that are unplanned and ultimately grow “ungoverned”. This kind of growth does not take into account the amount of remaining forest that makes up the biome and is destroyed. Moreover, without a prior study about the best way to expand, eventually too many disasters occur, such as landslides and floods.  Another factor is the construction of hydroelectric power stations, especially in two regions: the Uruguay River Basin, which is on the border of Santa Catarina and Rio Grande do Sul, and the Ribeira River basin of Iguape, on the border of São Paulo and Paraná. When built, the hydroelectric power stations flooded a great part of the surrounding areas, putting an end to the biodiversity of these places. A third factor is the mining activity. Mining in the areas of the south of Santa Catarina, Minas Gerais, and Espírito Santo encompasses a high number of hectares of forest, which means that the negative environmental impact is vast.

September 21st – The Day of the Tree (Dia da Árvore) On September 21st the Day of the Tree is celebrated. It was formalized thirty years ago in Brazil; this day reminds people of our ties with the indigenous culture. One of these bonds is the love and respect for trees.  The 21st day also marks the arrival of spring in the southern hemisphere that is one of the most beautiful seasons. Spring time is beginning of a new cycle for the environment, which restores the life back into nature, after months of the still of winter. 

Foto: Mauroguanandi

Foto:Wilson Dias/ABr

they have lost their own homes.  Another situation is man himself letting loose non-native species in inappropriate areas, damaging the development of the local species. This is because animals from other regions are proliferating much more rapidly, since they have no natural predators and there is an abundance of food. An example of the improper release took place at the Anchieta Island State Park, São Paulo. Eight agoutis and five star monkeys were released by the government in May 1983.These species multiplied very fast and the populations increased to 1,160 and 654 individuals respectively. As a result, about 100 species of birds, whose nests are predated by these animals, became extinct on the island.

Brazil-wood: species threatened with extinction

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Fontes: - Social and Environmental Almanac Brazil - ISA 2008 - “Mundo dos Sabores (World of Flavors) - www.mundode-sabores. com.br  - WWF Brazil - www.wwf.org.br  - New Age Environmental Institute www.diadaarvore.org.br 

Foto: Luizdemog

Another important issue is the advance of monocultures of exotic trees and agriculture itself carried out without planning or control of state governments. Deforestation made for the planting of exotic plants and grains is responsible for most of the destructive activity of these areas.

Interesting Facts • The Atlantic forest covered nearly 15% of the country. Today, only 8% of the original forest is still intact.  • According to the goals of Biodiversity Preservation, we must preserve 10% of each biome in order to prevent them from becoming endangered in a few years. However, only 3% of the Atlantic forest remains intact.   • A Biological Reserve in southern Bahia has the greatest diversity of trees in the world. There are approximately 450 different species in one hectare of forest. (This data was obtained from a study conducted by technicians from the New York Botanical Garden in 1993) • The Atlantic Forest is home to the first Brazilian national park. The Itatiaia National Park was created on June 14th 1937, between the states of Rio de Janeiro and Minas Gerais. It is home to 360 species of birds and 67 species of mammals.  • In the early 90’s, UNESCO declared part of the Atlantic Forest a global Biosphere Reserve with a total area of 290,000 km². The Reserve extends for about 5000 km along the Brazilian coast.  • There is a total of four species of Lion Tamarins that are unique to Brazil: The Golden Lion Tamarin lives in the Atlantic Coastal in the state of Rio de Janeiro. The Golden-faced Lion Tamarin lives in the cocoa region of southern Bahia, the Black Lion Tamarin is a resident of ‘Morro do Diabo’, Pontal (SP), and the Black-face Lion Tamarin can be found in the region of Lagamar (Paraná and São Paulo ). Interestingly the latter was only discovered in 1990. 

‘Serra do Mar’ Atlantic Forest waterfall

A typical recipe from the Atlantic Forest: Pine Nut Cake Ingredients:  Cake Mixture: • 1 cup butter • 1 can sweetened condensed milk  • 4 egg yolks  • 1 pinch salt  • 1 cup of pine nuts cooked, peeled and crushed  • 1 cup flour  • 1 tablespoon baking powder  • 4 egg whites  Icing:  • 1 and 1/2 cup of powdered sugar  • 1 tablespoon lemon juice 

3. Finally, gently mix in the egg whites. 4. Place the mixture in a greased baking tin and bake. 5. After 30 minutes, remove the tin from the oven and allow to cool. Icing 1. In a saucepan, place sugar, lemon juice and 2 soup spoons of hot water. 2. Gently heat and stir until smooth. 3. Finally, remove the cake from the tin and cover with icing. 

Preparation: Cake Mixture  1. Beat the butter and gradually add the condensed milk until creamy.  2. Continue beating and add the egg yolks, salt, pine nuts, flour and baking powder.

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Especial - Biomas Brasileiros

Uma viagem pelos

Biomas Brasileiros Os mistérios do Pampa

Apesar de possuir uma paisagem marcante, o bioma esconde diversos cenários e ecossistemas pouco explorados Da Redação Foto: Isaias Mattos

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Pampa, conhecido também como Campos do Sul ou Campos Sulinos, estende-se por grandes áreas de três países da América do Sul (Argentina, Uruguai e Brasil), ocupando quase 700 mil km² dos territórios dessas regiões. No Brasil, o bioma ocupa quase 180 mil km² de área, estando presente, em sua maior parte, nas regiões sul e sudeste do Rio Grande do Sul (dois terços do estado).

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Apesar de possuir uma paisagem marcante, com predomínio de gramíneas, o bioma esconde inúmeros outros cenários e ecossistemas, modificados, em sua maioria, por causa do vento, fator vital na configuração da paisagem e que dá um caráter único à região. Mesmo com tais paisagens exclusivas, as áreas naturais protegidas no país são as menores de todos os biomas. Ele

possui a menor representatividade no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), com apenas 0,36% de seu território transformados em áreas de conservação. Grande problema! Isso porque o Pampa tem duas das mais importantes funções na preservação da biodiversidade mundial: atenuar os efeito estufa e ajudar no controle da erosão.

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Pampa Florestal No bioma, que antes de ser estudado a fundo chegou a ser classificado como um “vazio ecológico”, já foi identificada a presença de mais de 3000 espécies de plantas, sendo que aproximadamente 400 delas são gramíneas. A pesar de possuir uma paisagem marcante (planícies cobertas de gramíneas, plantas rasteiras e algumas árvores e arbustos encontrados próximos a cursos d’água), a grande variedade vegetal torna seu cenário bastante diversificado. Conheça três dessas paisagens:

Foto: Francisco Renato Galvani

1. Parque do Espinilho: Localizado exclusivamente no sudeste do Rio Grande do Sul, é marcado por uma vegetação espinhosa e seca (daí o nome). Os últimos remanescente significativos desse tipo de formação estão no Município de Barra do Quarai, numa área de cerca de 1.618 hectares, dentro do Parque Estadual do Espinilho (Decreto nº 41.440, de 28 de fevereiro de 2002). Duas espécies bem características e que determinam o aspecto curioso desde parque são o algarrobo (Prosopis algarobilla) e o nhanduvaí (Acácia farnesiana). 2. Banhados: Diferente das peculiaridades do Parque do Espinilho, os banhados possuem as características marcantes do Pampa, com predomínio de gramíneas. Em sua grande maioria, as regiões com essa cobertura vegetal foram drenadas para uso agrícola, através do Programa Pró-Várzea, do Governo Federal, na década de 1970. Dentre as áreas de destaque, a mais

Vista aérea do Parque Estadual do Espinilho - Barra de Quaraí - RS

conhecida está localizada no sul do estado, chamado de Banhado do Taim (protegida por um parque de mesmo nome). Outra área relevante é a dos municípios de Itaqui e Maçambará, na fronteira com a Argentina. Lá ocorre o banhado de São Donato, reconhecido como reserva ecológica na década de 1970, mas que até hoje ainda não foi efetivado. Atualmente, possui uma extensão de 4.392 hectares, que está praticamente cercada pela agricultura, principalmente a de arroz. 3. Cerros e serras: Localizado, predominantemente, no sudoeste do RS, os cerros e serras são um mistério para os estudiosos, já que surgem, aparentemente, do nada (pequenos e baixos morros aparecem em uma área totalmente plana, sem pedras evidentes,

Divulgação

sem florestas, sem cavidades). Sua característica principal é uma aparência de arenito conglutinado. Pampa Animal Apesar de não ter tido sua fauna muito estudada, os Campos Sulinos abrigam pelo menos 102 espécies de mamíferos (cinco delas endêmicas), 476 espécies de aves (duas endêmicas) e 50 espécies de peixes (12 endêmicas). Dentre elas, 24 espécies de aves e as cinco espécies exclusivas de mamíferos estão ameaçadas de extinção. Uma das principais causas do declínio no número de espécies da região é a expansão da monocultura de árvores exóticas. Ela foi responsável pela destruição de pelo menos 26 espécies da fauna dos Campos do Sul, além de ser o agente de cerca de 10% das ameaças de extinção.

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Gato montês (Felis silvestris)

Puma (Felis concolor)

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Foto:Wilson

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Foto: Ronai Rocha

chegar a medir até 2,40 metros de comprimento e alcançar 100 quilos. Vive solitário e costuma caçar no final do dia. Tem expectativa de vida média de 15 anos. 4. Caminheiro-grande (Anthus nattereri): é uma das aves dos Pampas mais ameaçadas de extinção. Pode chegar a medir 15 cm de comprimento. Alimenta-se, basicamente, de insetos. Entre suas peculiaridades está seu canto complexo durante vôos altos, em que a pequena espécie sobe quase 25 metros verticalmente, deixando-se cair, depois, rapidamente. 5. Caboclinho-de-barriga-preta (Sporophila melanogaster): é um pássaro que pode chegar a medir até 10 cm de comprimento. Tem um canto suave e agradável, com diversas notas. Alimenta-se de gramíneas e sementes.

Nos limites entre Rosário do Sul, Alegrete e Santana do Livramento há uma região de cerros, chamada Serra do Caverá, onde, entre outras maravilhas geológicas e históricas, encontram-se pequenos cerros como esse

Mesmo com números preocupantes, o Brasil é o único país, dentre os que compõem o bioma, que a existência desses animais ainda não está totalmente comprometida. Conheça alguns dos animais que fazem parte da fauna do Pampa: 1. Gato montês (Felis silvestris): é um tipo de felino carnívoro, que habita preferencialmente bosques fechados. É um animal noturno, que durante o dia refugia-se em buracos de árvores, fendas nas rochas ou tocas abandonadas de outros animais. 2. Gato do mato (Leopardus tigrinus): é um felino originário da América do Sul e da América Central. Embora semelhante a uma jaguatirica, este gato distingue-se pelo pequeno tamanho (medem cerca de 50 centímetros, sendo considerado o menor dos felinos silvestres brasileiros) e pelas manchas em sua pelagem. Alimenta-se de ratos, pássaros e insetos. 3. Puma (Felis concolor): é o segundo mais pesado felino carnívoro da América, ficando atrás apenas da onça-pintada. Pode 20

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Pampa Social: Problema e Solução Os Campos do Sul estão localizados na metade mais podre do Rio Grande do Sul. Apesar dos grandes latifúndios, a região não conseguiu desenvolver-se economicamente. Visando minimizar os problemas socioeconômicos, os governantes vêm, há vários anos, criando programas que buscam levar o “progresso” para a região. No entanto, alguns programas acabam por degradar o bioma. Um dos exemplos é o projeto do governo de implantação de monoculturas de árvores para a região. Como a metade sul do estado é uma grande planície, o plantio extensivo de árvores altera o regime de ventos e de evaporação da região, causando impactos significativos no clima, nos recursos hídricos e na cultura. Por outro lado, o programa de desenvolvimento das fazendas de criação de gado é uma

das alternativas para a manutenção do Pampa. Como a região é constituída basicamente de grandes fazendas de criação, a implementação de técnicas mais avançadas de manejo acabam por ajudar na proteção das terras. Aliados à grande produtividade, à manutenção da biodiversidade do campo nativo e aos ganhos financeiros significativos para o produtor rural, esse programa é um dos mais eficazes aplicados até hoje no Rio Grande do Sul. Degradação do Pampa Alguns são os fatores que contribuem para a degradação desse bioma. Um deles é a expansão descontrolada do plantio de monoculturas, como arroz, milho, trigo e soja. Devido à riqueza do solo, algumas áreas cultivadas do Sul cresceram rapidamente sem um sistema adequado de preparo, resultando em erosão e, até, na desertificação de algumas partes da região. Outro fator, considerado um dos mais ameaçadores à sobrevivência dos Campos Sulinos, é a exploração indiscriminada de madeira. Algumas árvores de grande porte foram derrubadas e queimadas para dar lugar ao cultivo de milho, trigo e videira, principalmente. Um dos exemplos dessa exploração descontrolada fica por conta da mata das araucárias ou pinheiros-do-paraná. Antes, essas árvores estendiam-se por cerca de 100 mil km² de matas de pinhais. No entanto, por mais de 100 anos, os pinheiros alimentaram a indústria madeireira do sul, fazendo com que hoje restem apenas 2% da cobertura original da mata das araucárias. Os pequenos vestígios da formação original dessa vegetação que restam estão confinados em áreas de conservação do estado. Um terceiro problema é a ampliação da área de plantio de soja e a cultura da ma-

Foto: Eduardo Amorim

São Francisco de Paula (RS) - Imagem típica do Pampa : relevo baixo e seco

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mona para elaboração de biocombustível. Estas duas práticas são consideradas as mais recentes ameaças à região e vem rapidamente destruindo os solos do bioma. Constante e antiga ameaça dos Campos do Sul é a mineração e a queima de carvão mineral. Os impactos locais, regionais e globais são muitos, variando entre a acidificação da água, a alteração da paisagem, o deslocamento de populações assentadas, o aumento de incidência e frequência de doenças pulmonares, as chuvas ácidas e emissão de gases de efeito estufa.

Fontes:

Divulgação

- Almanaque Brasil Socioambiental ISA 2008 - Defesa da Vida Gaúcha www.defesabiogaucha.org - Mundo de Sabores www.mundodesabores.com.br - Pampas Online www.pampasonline.com.br - WWF Brasil – www.wwf.org.br

Curiosidades • Filmes e mini-séries já foram gravados nas regiões dos Pampas. Entre os filmes, o destaque fica para “Intrusa”, de Carlos Hugo Christensen, ganhador de quatro Kikitos no 8º festival de Cinema de Gramado. O longa mostra como vivia o gaúcho no século XVIII. Já entre as mini-séries, os destaques ficam para “O Tempo e o Vento” e “A Casa das Sete Mulheres”, da Rede Globo, que também mostram um pouco da história do Pampa e muito de sua paisagem. • Os campos sulinos foram palco da Guerra do Paraguai, entre os anos de 1864 e 1870. Desta guerra participaram Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. • A região coberta pelos campos sulinos apresenta clima subtropical, com temperaturas amenas e chuvas regulares, sem grande alteração durante o ano. • A vegetação herbácea dos pampas varia entre 10 e 50 cm de altura. • No Pampa vive o Gato dos Pampas (Felis Colocolo). Este curioso felino pode medir até 85 cm, sendo que 25 cm são só de calda.

Imagem de satélite da Lagoa dos Patos. localizada no município de São Lourenço do Sul. Ele é a maior laguna do Brasil e a segunda maior da América Latina.

Receita Típica do Pampa: Arroz Carreteiro Ingredientes: Massa • 200g de Charque* • 4 colheres (sopa) de óleo • 5 dentes de alho picados • 1 cebola grande picada • 4 tomates picados • 3 pimentões picados • 1 colher de sopa de cheio verde • 350g de arroz • Sal a gosto

6. Em seguida, junte o arroz, um pouco de água fervente e deixe cozinhar por 15 a 20 minutos; 7. Adicione sal, se necessário; 8. Por fim, salpique o cheiro-verde para dar gosto * O charque é uma carne salgada que se tornou o principal produto da economia do Rio Grande do Sul no século XIX. Difere-se carne-de-sol e da carne-seca no modo de preparo (não fica exposta ao sol) e na quantidade de sal que utiliza na produção (usa-se muito mais sal para produzir o charque, por causa da umidade da região).

Preparo: Massa 1. Coloque água em uma panela e leve ao fogo até que ela ferva; 2. Adicione o charque e deixe por meia hora; 3. Retire do fogo, escorra a água e corte a carne em pedaços pequenos; 4. Em outra panela, aqueça o óleo, junte o alho, a cebola, o tomate e o pimentão; 5. Deixe cozinhar por cerca de 8 minutos, mexendo de vez em quando;

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Especial - Biomas Brasileiros

Uma viagem pelos

Biomas Brasileiros

As verdades por trás do Cerrado Visto como um tipo de vegetação pobre e como uma fronteira, o bioma abriga uma das maiores biodiversidades brasileiras Da Redação

Edison Luís Zanatto

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cerrado, segunda maior formação vegetal brasileira, estende-se por uma área de aproximadamente 2 milhões de km², abrangendo 12 estados brasileiros: Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Pará e Rondônia, além do Distrito Federal e de aparecer em manchas em Roraima e no Amapá. O bioma detém um terço da biodiversidade brasileira, 5% da fauna e flora mundiais (es22

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tima-se que 10 mil espécies de vegetais, 837 de aves e 161 de mamíferos vivam na região) e é o nascedouro das águas que formam as bacias hidrográficas Amazônica, do Rio São Francisco e do Paraná/Paraguai. Além disso, sob o solo de vários estados do Cerrado, está o Aquífero Guarani, maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. Seu clima é típico das regiões tropicais, com duas estações climáticas bem definidas: uma seca, entre abril e setembro,

e outra chuvosa, entre outubro e março. O solo, característico de savanas tropicais, é deficiente em nutrientes e rico em ferro e alumínio, fazendo assim com que sua paisagem abrigue plantas com aparência seca, pequenas arvores de troncos retorcidos e curvados, além de folhas grossas e esparsas em meio a uma vegetação rala e rasteira, misturando-se, às vezes, com campos limpos ou matas de árvores de porte médio, chamadas de Cerradões.

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Cerrado Florestal Apesar de ainda pouco conhecida, a flora do cerrado é uma das mais ricas do mundo. Estima-se que existam 10 mil espécies de plantas, sendo 3.000 delas do estrato arbóreo-arbustivo e 7.000 do herbáceo-subarbustivo. Em termos de riqueza de espécies, este bioma é superado apenas pelas floras da floresta Amazônica e da Mata Atlântica. Entre as plantas, destacam-se as famílias das Leguminosas (Mimosaceae, Fabaceae e Caesalpiniaceae), das Gramíneas (Poaceae) e das Compostas (Asteraceae). Uma das características do bioma é a heterogeneidade de sua distribuição, havendo espécies endêmicas em cada região do Cerrado. Cerrado Animal Seguindo a linha de sua vegetação, a fauna do bioma é pouco conhecida. Mesmo assim, ela apresenta números impressionantes. Existem cerca de, no mínimo, 161 espécies de mamíferos, 837 espécies de aves (4º lugar em diversidade no mundo), 150 espécies de anfíbios (8º lugar em diversidade no mundo), 120 espécies de répteis, além de uma grande concentração de invertebrados, na qual predomina o grupo dos Insetos. Entre os vertebrados, o destaque fica para os animais de maior porte, como a jibóia, a cascavel, várias espécies de jararaca, o lagarto teiú, a ema, a seriema, o urubu-comum, o urubu-caçador, o urubu-rei, as araras, os tucanos, os papagaios, os gaviões, o tatu-peba, o tatu-galinha, o tatu-canastra, o tatu-de-rabo-mole, o tamanduá-bandeira, o tamanduá-mirim, o veado campeiro, o cateto, a anta, o cachorro-do-mato, o cachorro-vinagre, o lobo-guará, a jaritataca, o gato mourisco, a onça-parda e a onça-pintada. Conheça as características de alguns deles:

João Antonio de Lima Esteves

O ipê-amarelo, árvore típicas do cerrado brasileiro

1. Sucuri verde (Eunectes murinus): chamada também de Anaconda, vive em áreas alagadas do Cerrado. É a maior e mais conhecida sucuri brasileira, tendo a fama de ser uma cobra enorme e perigosa. 2. Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla): é um animal que não tem dentes e que, portanto, utiliza sua língua longa e pegajosa para facilitar a captura de alimentos. Tem em seu cardápio formigas, cupins e larvas de besouros, chegando a comer cerca de 30.000 insetos por dia. É um animal solitário, que se aproxima de outros da mesma espécie somente na hora do acasalamento e da amamentação. 3. Veado Campeiro (Ozotoceros bezoarticus): é um veado campestre que mede cerca de 1 metro de comprimento. Tem a pelagem dorsal marrom, com barriga, contorno da boca e círcu-

Malene Thyssen

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)

lo ao redor dos olhos brancos. Possui uma galhada com três pontas e cerca de 30 cm de altura. 4. Urubu-rei (Sarcoramphus papa): é uma ave de rapina da família Cathartidae, que tem sua caça proibida no Brasil, pois é considerada uma ave importante na limpeza do meio ambiente. 5. Lobo-guará: (Chrysocyon brachyurus): é o maior mamífero canídeo nativo da América do Sul. A sua distribuição geográfica estende-se pelo sul do Brasil, Paraguai, Peru e Bolívia, estando extinto no Uruguai e na Argentina. É considerado espécie ameaçada de extinção no Brasil. Cerrado Social O aparecimento de pessoas na região data de pelo menos 12 mil anos. Grupos de caçadores e coletores de frutos e outros alimentos naturais começaram a povoação no bioma. No entanto, o aumento no nú-

Divulgação

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

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Especial - Biomas Brasileiros

João Antonio de Lima Esteves

Formações de arenito do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães vistas do mirante da “Cidade de Pedra”

mero de habitantes foi lento. Há cerca de 40 anos é que esse panorama mudou. Um grande número de pessoas começou a migrar para a região por causa das novas políticas econômicas instaladas nas décadas de 60 e 70. Atualmente, vivem no bioma cerca de 20 milhões de pessoas. Essa população é majoritariamente urbana e enfrenta problemas como desemprego, falta de habitação e poluição, entre outros, principalmente por causa do desenvolvimento desigual dentro do bioma, segundo Análises realizadas pelo Laboratório de Processamento de Imagens da Universidade Federal de Goiás. Apesar dos dados negativos em relação ao desemprego, à falta de habitação e à poluição, algumas das áreas onde a agricultura comercial conseguiu se desenvolver mais intensamente apresentaram avanços significativos em termos de desenvolvimento humano, com diminuição dos índices de pobreza e aumentos impor-

tantes do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Por outro lado, algumas áreas de ocupação mais recente mostram uma tendência ao acentuamento na concentração de renda na mão de poucos. Cerrado Econômico Na economia, o destaque fica para a agricultura mecanizada de soja, milho e algodão, que começa a se expandir, principalmente, a partir de 1960. Naquela época, o Cerrado sofreu uma forte expansão da fronteira agropecuária, estimuladas por políticas de crédito nacionais e internacionais voltadas para exploração de grãos e de carnes. Em 1970, novas políticas de desenvolvimento, o surgimento de novas tecnologias e investimentos em infra-estrutura ajudaram na geração de uma nova dinâmica econômica, que resultou na abertura e ocupação de grandes áreas

de Cerrado através da expansão da agricultura comercial. Ainda por causa das novas tecnologias, as produções de grãos começaram a aumentar. Um exemplo é a soja. A região Centro-Oeste aumentou em quase 900% sua produção, chegando, hoje, a produzir 50% da soja do todo e Brasil e 13% da soja de todo o planeta. Outros exemplos de produção do Cerrado são: o milho (20% da produção nacional), o arroz (15% da produção nacional) e o feijão (11% da produção nacional). Na pecuária, o Centro-Oeste detém mais de um terço de todo rebanho bovino nacional e cerca de 20% dos suínos. Por outro lado, a expansão da fronteira agropecuária e a evolução tecnológica de agricultura no Cerrado fizeram com que a absorção de mão-de-obra ficasse cada vez menor. Em 1985, por exemplo, as áreas mais evoluídas tecnologicamente da agricultura geravam praticamente quatro vezes menos emprego que as áreas ainda não incorporadas à economia de mercado. Sem atividades no campo, a população começou a migrar para as cidades, que também não conseguiram receber e empregar todo o contingente de migrantes. Hoje, as áreas de agricultura comercial consolidada no Cerrado ainda são aquelas onde há menor disponibilidade de empregos por área utilizada. Problemas biológicos A vasta riqueza biológica que o Cerrado possui acaba trazendo problemas para seu ecossistema. Inclusive, ele é o sistema ambiental brasileiro que mais sofreu alteração com a ocupação humana. A caça e o comércio ilegal de animais é um deles, o que acaba fazendo com que grande parte dos animais entre em extinção.

João Antonio de Lima Esteves

Imagens: NASA.

Estrada no Cerrado

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Mapa da ecoregião do Cerrado Os limites da ecorregião mostrados em amarelo

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Outro problema é a atividade garimpeira na região. Ela acaba contaminando os rios com mercúrio e contribui para seu assoreamento, além de favorecer o desgaste dos solos. Solo que também sofre com outro problema: a erosão. O manejo pouco cuidadoso do mesmo tem ocasionado perdas expressivas desse precioso recurso natural. Segundo estimativas do WWF, para cada quilo de grãos produzido no Cerrado, perdem-se de 6 a 10 quilos de solo por erosão. O meio aquático também é afetado pela agricultura. Há um grande consumo de água para irrigação, o que, na maioria das vezes, acaba gerando um desperdício excessivo desse bem. O resultado disso é o número crescente de conflitos pela água entre agricultores, e entre uso agrícola e uso urbano da água em muitos estados. Desmatamento e Degradação O Cerrado, assim como todos os biomas brasileiros, sofre com a destruição de sua paisagem. Avaliações recentes apontaram uma perda entre 38,8% (segundo dados da Embrapa Cerrado) e 57% (segundo dados Conservação Nacional) na cobertura vegetal nativa da região. A diferença nos dados apresentados está diretamente ligada a grande dificuldade de se mapear os diferentes ecossistemas do bioma, principalmente na diferenciação de pastagens naturais e pastagens plantadas. Outro dado, também da Conservação Internacional, apontou que a taxa de desmatamento no bioma, até o ano de 2004, era de 2,6 hectares por minuto, ou seja, 111 mil hectares por mês. Parte

da culpa dessa destruição está ligada ao efeito do desenvolvimento das agriculturas em larga escala. A abertura de estradas durante o mesmo desenvolvimento também resultou no desmatamento de boa parte do bioma. Uma contradição disso tudo é que, mesmo com esses números alarmantes, o Cerrado é um dos biomas mais desamparados e esquecidos em termos de proteções legais. Até 2003, menos de 2% de sua área encontrava-se protegida em unidades de conservação de uso sustentável. Além dis-

so, o Cerrado não é considerado Patrimônio Nacional na Constituição Federal, diferentemente da Amazônia, da Mata Atlântica, da Zona Costeira e do Pantanal. Fontes: - Almanaque Brasil Socioambiental ISA 2008 - Mundo de Sabores: www.mundodesabores.com.br - Portal Brasil: www.portalbrasil.net - WWF Brasil – www.wwf.org.br

Curiosidades • A ocupação do Cerrado iniciou-se no século XVIII com a mineração, que se desenvolveu num rápido ciclo de exploração intensiva. • O Cerrado é uma região com algumas peculiaridades: conta apenas com duas estações climáticas bem marcadas (seca e chuvosa) e tem uma rica biodiversidade associada a uma aparência árida, decorrente dos solos pobres e ácidos. • Somando-se as áreas da Espanha, França, Alemanha, Itália e Inglaterra, chegamos ao espaço ocupado pelo Cerrado. • Por não ser considerado “Patrimônio Nacional” pela Constituição Federal, diferentemente da Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal e Zona Costeira, a tarefa de conservar o Cerrado é ainda mais difícil e debilitada. • As árvores do Cerrado são responsáveis por cerca de 80% do carvão vegetal consumido no Brasil. • O Cerrado possui um grau de endemismo (exclusividade) altíssimo e é uma das regiões de maior diversidade do planeta, mesmo sendo um bioma pouco conhecido e estudado. • Das 837 espécies de aves registradas no Cerrado, 759 se reproduzem na região e o restante são aves migratórias. • O Cerrado é uma das regiões do Brasil com o maior número de insetos. Apenas na área do Distrito Federal, há 90 espécies de cupins, 1000 espécies de borboletas e 500 tipos diferentes de abelhas e vespas. • O Cerrado abriga as nascentes de importantes bacias hidrográficas da América do Sul: Platina, Amazônica e São Francisco, sendo assim considerado o “berço das águas”,

Receita Típica do Cerrado: Frango com Pequi* Ingredientes: • 1 frango caipira picado e sem pele • 12 caroços de Pequi • 1 cebola média picada • 4 dentes de alho amassados com sal • 1 colher de sopa de óleo • 1 litro de água • Salsa, cebolinha e pimenta-de-cheiro

Observação: Só se come a camada amarela e macia que envolve o caroço do pequi. A parte interna da fruta é cheia de espinhos e, se morder com força, pode acabar machucando a boca. *O pequi (Caryocar brasiliense) é uma árvore nativa do cerrado brasileiro, cujo fruto é muito utilizado na cozinha do nordeste, do centro-oeste e do norte de Minas Gerais.

Preparo: 1. Ponha óleo na panela; 2. Assim que o óleo esquentar, coloque a cebola para dourar; 3. Depois disso, acrescente o alho com o sal e o frango; 4. Deixe refogar bem e acrescente o Pequi; 5. Adicione a água aos poucos; 6. Quando a água estiver toda na panela, acrescente a pimenta e o cheiro verde, e deixe cozinhar por mais ou menos 30 minutos; 7. Se necessário, adicione mais água; 8. Quando o frango estiver bem cozido, está pronto para servir.

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Especial - Biomas Brasileiros

Uma viagem pelos

Biomas Brasileiros As diversas faces do semi-árido nordestino Conheça as características da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro Da Redação

Foto: Valdir Picheli

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Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, é a região do Brasil que ocupa 9,92% do território nacional. Seu nome, de origem tupi-guarani, significa floresta branca, referência ao retrato de sua vegetação que perde as folhas durante a seca para reduzir a perda de água, adquirindo um tom branco-acinzentado em seu tronco. Distribuída em 844 mil km², ou seja, 60% do nordeste brasileiro, engloba os estados do Ceará (100%), Rio Grande do Norte (95%), Paraíba (92%), Pernambuco (83%), Piauí (63%), Bahia (54%), Alagoas (48%), Sergipe (49%), Minas Gerais (2%) e Maranhão (1%), segundo o Mapa de Biomas do Brasil, lançado em 2004, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. 26

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Sua paisagem reflete seu clima quente, com temperaturas elevadas durante a maior parte do ano, chuvas escassas e irregulares, longos períodos de secas, precipitação anual média variando entre 400 e 650 mm e solos rasos e pedregosos. Seus rios são, na maioria, sazonais. As únicas exceções são os rios Parnaíba e São Francisco.

Caatinga Florestal Segundo o livro “Ecologia e Conservação da Caatinga”, existem 12 tipos diferentes de “caatingas”, que variam desde florestas altas e secas, com árvores de até 20 metros de altura, até afloramentos rochosos com arbustos baixos e esparsos, e com cactos e bromélias saindo das fendas do solo. Há ainda o “mediterrâneo” sertanejo, que abriga brejos florestais, várzeas e serras, sendo essa uma área mais úmida e de clima mais ameno.

Ao todo, são 932 espécies de plantas na região, sendo 318 exclusivas da área. Por causa do clima semi-árido, elas precisaram se adaptar para sobreviver, resultando em plantas tortuosas, de folhas pequenas e finas ou até reduzidas a espinhos, com cascas grossas e sistema de raízes e órgãos específicos para o armazenamento de água. Exemplos de vegetação típica da Caatinga são os cactos, como o mandacaru ( Cereus jamacaru ) e o xique-xique ( Pilosocereus gounellei), as barrigudas (Cavanillesia arbórea), o pau-mocó ( Luetzelburgia auriculata) e o umbuzeiro (Spondias tuberosa), famoso por possuir múltiplos usos: das folhas, saem saladas; do fruto, polpa para sucos, licor e doces; e da raiz, farinha comestível, ou vermífugo.

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Caatinga Animal A Caatinga possui uma grande diversidade animal em seu bioma. Existem 510 espécies de aves, 240 de peixes (136 endêmicas), 154 de répteis e anfíbios (57 endêmicas), e 144 de mamíferos (10 endêmicas). Destaque para os peixes que, mesmo com o predomínio de rios temporários e da contaminação dos cursos de água, ainda conseguem sobreviver nesse ambiente. Para isso, vivem em rios sazonais como estratégia de reprodução: depositam os ovos residentes que só eclodem em épocas de chuva. Entre os mamíferos nativos da região, há o predomínio das espécies de morcegos e roedores: 64 e 34, respectivamente. Já entre répteis e anfíbios, os destaques ficam para as serpentes, lagartos e anfisbenídeos, conhecidos como cobra-cegas. Estes são considerados animais característicos do semi-árido da Caatinga, sendo, a maioria, endêmica do Médio do Rio São Francisco. Isso porque, após a alteração de seu curso, devido às mudanças climáticas no fim do Período Pleistoceno (entre 1,8 milhão e 11 mil anos atrás), esses animais ficaram separados em grupos nas margens do rio, estimulando a formação de novas espécies e, consequentemente, de espécimes exclusivos. Por outro lado, de acordo com a lista nacional das espécies de fauna brasileira ameaçada de extinção, publicada em maio de 2003, pelo Ibama, vivem no bioma 28 espécies ameaçadas de extinção. Conheça alguns dos animais ameaçados: • Tatu-bola (Tolypeutes trinctus): considerado o menor tatu brasileiro, medindo de 22 a 27 centímetros, esse animal enrola seu corpo e fica parecido com uma bola quando se sente ameaçado.

Foto: Valdir Picheli

Mandacaru e Rio São Francisco ao pôr do sol

• Mocó (Kerodon rupestris): rato que chega a medir 40 centímetros. Está ameaçado de extinção pelo fato de figurar entre as espécies da caça de subsistência praticada pelo sertanejo para acabar com a fome. • Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii): a pequena ave está praticamente extinta na natureza, vítima do tráfico de animais silvestres. É uma das muitas espécies que durante a seca se refugiavam em brejos de altitude, beira de rios, entre outros locais mais úmidos. • Arribaçã (Zenaida auriculata noronha): é uma espécie de pomba que migra de acordo com a frutificação da flora no sertão nordestino. Está ameaçada de extinção por ser presa fácil para os caçadores, já que faz ninhos no chão. • Galo-da-campina (Paroaria dominicana): é considerado um dos mais bo-

nitos pássaros brasileiros. Alimenta-se, principalmente, de sementes. Por possuir um belíssimo canto, é muito perseguido pelos comerciantes de animais da região.

Caatinga Social A Caatinga abriga as maiores desigualdades sociais do Brasil. Sua população de cerca de 28 milhões de pessoas figura entre as mais pobres do Nordeste, recebendo, em média, menos de um salário mínimo por mês. Além disso, a região possui os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), os mais elevados percentuais de população empobrecida, as maiores taxas de mortalidade, cerca de 100 mil por mil, e elevadas taxas de analfabetismo para maiores de 15 anos (entre 40% e 60%). Esses dados refletem o processo de ocupação da Caatinga, que concentrou terra e poder no domínio de poucos.

Foto: Luis Neto

Tatu-bola (Tolypeutes trinctus)

Galo-da-campina (Paroaria dominicana)

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Especial - Biomas Brasileiros

grar para as grandes cidades da região ou para outras regiões, o que geraria um caos nas metrópoles, que não teriam condições de abrigar tantas pessoas, agravando ainda mais os problemas sociais e urbanos.

Medicina da Caatinga

Barragem em plena caatinga do nordeste brasileiro. Observa-se o contraste da coloração da vegetação, seco ao fundo e verde próximo a barragem

Degradação da Caatinga A Caatinga, como todos os biomas brasileiros, também está sofrendo um processo de degradação acelerado. Uma das principais causas é o desmatamento, feito em especial para a produção de lenha, utilizada como fonte de energia em residências, olarias e siderúrgicas. Outros dois fatores de degradação são a pecuária extensiva, com o consumo e destruição da vegetação pelos animais, e a agricultura de irrigação, que avança ao longo do Rio São Francisco em municípios como Juazeiro e Petrolina. Tal modelo de cultivo compromete os lençóis freáticos, salinizando e contaminando o solo com agrotóxicos. A desertificação, processo de degradação ambiental que ocorre nas regiões com clima seco, também é responsável pela destruição do bioma. Esta atinge 181 mil km² do semi-árido brasileiro, sendo que 15 mil km² já estão em situação de extrema gravidade.

Mudanças Climáticas na Região As mudanças climáticas vêm afetando todo o mundo. Com o aumento da temperatura, que nos próximos anos pode subir até 3°C, a Caatinga poderá dar lugar a uma vegetação típica dos desertos, com predominância de cactáceas. Isso porque o bioma possui um alto potencial para a evaporação e, combinado com o aumento da temperatura, causaria diminuição da água de lagos, açudes e reservatórios. Ambientalmente, o Nordeste ficaria a mercê de chuvas torrenciais, que resultariam em enchentes e, consequentemente, em grandes impactos ambientais. Além disso, a frequência de dias secos consecutivos e de ondas de calor aumentaria. Socialmente, as mudanças climáticas também trariam problemas. A falta de água e as altas temperaturas tornariam a produção agrícola de subsistência inviável. Com isso, populações inteiras começariam a miFoto: Valdir Picheli

Angico, usado na medicina como adstringente

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A medicina na Caatinga é baseada no uso de plantas. O utilização de folhas, raízes e cascas, entre as quais as da catingueira (antidiarréica), do jerico (diurético) e do angico (adstringente), é muito difundida entre a população que habita a região, sendo estes itens obrigatórios das tradicionais feiras e mercados locais. Com base nas plantas medicinais, o projeto “Farmácias Vivas” foi criado pela Universidade Federal do Ceará em 1985. Ele visa transferir para pequenas comunidades governamentais o conhecimento científico sobre plantas medicinais da região e seu uso medicamentoso correto. Dessa maneira, a parte menos abastada da população nordestina poderia empregar tais ervas no tratamento de doenças. O projeto já selecionou e comprovou cientificamente a eficácia de mais de 60 espécies de plantas medicinais do Nordeste.

Parque Nacional Serra da Capivara O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. Cobrindo uma área de 130 mil hectares e tendo um perímetro de 214 km, ele é o único Parque Nacional situado no domínio da Caatinga. Criado por diversos motivos, que variam desde a preservação de seu meio ambiente específico até fatores culturais e turísticos, o parque tornou-se Patrimônio Natural da Humanidade em 2002, 11 anos após o pedido da UNESCO para tal feito. Foto: Robsson Rodriguess

Parque Nacional Serra da Capivara

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Possuidora de um grande patrimônio cultural, a unidade de preservação tem uma das mais largas quantidades de sítios arqueológicos do mundo. Atualmente, cerca de 912 sítios estão cadastrados pela FUMDHAM (Fundação do Homem Americano), sendo que 657 apresentam pinturas e gravuras rupestres. Isto indica que o homem já habitava aquela região há 100 mil anos atrás. Além da parte cultural, o Parque Nacional Serra da Capivara possui uma riqueza vegetal exclusiva de tal área, resultante de duas grandes formações geológicas: a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco. A região é uma das últimas do semi-árido possuidora de importantes diversidades biológicas, com paisagens que variam entre serras, vales e planícies. Todas as belezas dessa unidade de conservação dão ao parque uma importante função no turismo, sendo esta uma alternativa de desenvolvimento para a área. Porém, o parque já sofreu com a degradação. Depois de criado, a região ficou abandonada durante dez anos por falta de recursos federais. Durante este período, a Unidade de Conservação foi considerada “terra de ninguém”. Por tal fato, ela sofreu com a depredação e destruição da flora, principalmente através de caminhões vindos do sul do país que desmatavam e levavam, de maneira descontrolada, as espécies nobres, próprias da Caatinga. Também, a caça comercial se transformou numa prática popular com consequências horríveis para as populações

animais. As espécies começaram a diminuir em uma velocidade impressionante e algumas delas, como os veados, emas e tamanduás, praticamente desapareceram.

Museu do semi-árido Criado em 15 de maio de 2007, o Museu Interativo do Semi-Árido (MISA) nasceu a partir de uma iniciativa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) de fomentar a importância da Região Semi-Árida para o país. Através da Exposição “Viver e Compreender”, o museu é elemento primordial para a transmissão dos traços fundamentais do semi-árido, exibindo as principais nuan-

ces e faces que compõem esse importante ponto estratégico do Brasil. Na exposição, localizada em um salão de mais de 200m² no Campus Campina Grande da UFCG, belos painéis explicativos, peças em barro, madeira, roupas de couro, cancioneiro popular, utensílios domésticos e de trabalho do homem do campo remetem os visitantes aos ambientes nativos da Caatinga. Fontes: - Almanaque Brasil Socioambiental 2008 – ISA (Instituto Socioambiental)- WWF - http://www.wwf.org.br

Curiosidades • Existem cerca de 327 espécies de animais endêmicas, ou seja, exclusivas na Caatinga. • Na vegetação, os números são parecidos: cerca de 323 espécies de plantas são endêmicas. • Uma área bem conservada de Caatinga pode abrigar cerca de 200 espécies de formigas, enquanto uma mais degradada não suporta mais do que 40. • As ações do homem na Caatinga já destruíram metade da paisagem da região, sendo que quase 20% do bioma já estão com alto grau de degradação, ou seja, com risco de desertificação. • A Caatinga abriga a ave com maior risco de extinção no Brasil, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Apenas um único macho dessa espécie foi encontrado na natureza. Também nesse bioma vive a segunda ave mais ameaçada do país, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), que habita os arredores de Canudos (BA). • Na estação seca das regiões da Caatinga, a temperatura do solo pode chegar a 60ºC. • As vegetações do bioma se adaptaram ao ambiente que vivem de forma estratégica: a perda das folhas das plantas reduz a superfície de evaporação quando falta água.

Receita Típica da Caatinga: Baião de Dois Ingredientes: • 1/2 kg de feijão verde, ou feijão de corda (feijão verde já seco)• 200 g de toucinho defumado • 1 paio (cortado em rodelas) • 2 tabletes de caldo de bacon • 1 cebola grande picada ou ralada • 1 dente de alho amassado • 1 pimenta de cheiro amarela • 4 colheres (sopa) de óleo • Salsinha ou coentro picado, de 1 colher (sopa) à 1 xícara• 2 e 1/2 xícaras (chá) de arroz • 150g de queijo de coalho (cortado em fatias finas)

Junte o coentro e o arroz na panela e refogue bem; Acrescente o feijão e o paio já cozidos, juntamente com o caldo e misture bem os ingredientes; Tampe a panela e deixe cozinhar até que o arroz fique cozido, úmido e com consistência cremosa; Durante o cozimento do arroz, se necessário, adicione água, tomando o cuidado para não deixar a mistura ficar seca; Junte a salsinha e mexa com cuidado; Cubra o arroz com as fatias de queijo, tampe a panela novamente e deixe que o vapor derreta o queijo. Quando o queijo estiver derretido, sirva o prato com carne-de-sol frita.

Preparo: Lave o feijão e deixe-o de molho na véspera do preparo; No dia seguinte, cozinhe-o juntamente com o paio e o caldo de bacon, dissolvido em dois litros e meio de água fria; Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por cerca de 1 hora; Em outra panela, coloque o óleo e deixe a cebola e o alho dourando;

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Especial - Biomas Brasileiros

Uma viagem pelos

Biomas Brasileiros Por baixo das cheias do Pantanal

Considerado como a maior planície alagável do mundo, o bioma tem a importante função de corredor biogeográfico entre as duas maiores bacias da América do Sul Da Redação

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Pantanal, maior planície alagável do mundo, se estende por diversos países da América Latina, entre eles Brasil, Bolívia e Paraguai, ocupando uma área total de 210 mil km². Com a maior parte no território nacional (cerca de 70%), o bioma está presente nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Considerado como um elo de ligação entre as duas maiores bacias da América do Sul (do Prata e da Amazônia), a região pantaneira tem a importante função de corredor biogeográfico, permitindo assim a dis30

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persão e a troca de espécies de fauna e flora entre os lugares. Por esse e por outros motivos, grande parte do Pantanal (e da Bacia Hidrográfica do Prata) é considerado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, além de estar presente na Constituição Brasileira como Patrimônio Nacional. Mesmo não possuindo um número muito grande de espécies endêmicas (exclusivas), o bioma tem qualidades de uma “ecorregião”, ou seja, possui características específicas por englobar diversos outros biomas, como o Cerrado (leste, norte e sul), o Chaco (sudoeste),

a Amazônia (norte), a Mata Atlântica (sul) e o Bosque Seco Chiquitano (nordeste). Essas peculiaridades, somadas ao regime de cheia e seca, faz com que o Pantanal possua uma variabilidade muito grande de espécies. Em relação ao clima, a região possui temperaturas quentes e úmidas no verão (média de 32 graus) e frias e secas no inverno (em torno de 21 graus). Já a umidade varia de acordo com os meses do ano, sendo, de junho a outubro, a época de secas e, de novembro a maio, a época das cheias. Desta forma, sua precipitação anual gira em torno de 1000 e 1400 milímetros.

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Foto: Francisco Renato Galvani

Pantanal Florestal O Pantanal possui uma vegetação muito rica, com cerca de 1650 espécies de árvores e arbustos. Por ter a mistura de vários biomas, sua paisagem varia de acordo com a estação e/ou local. Por exemplo, nos períodos de seca, os campos pantaneiros são, predominantemente, cobertos por gramíneas e vegetações típicas do cerrado. Já nos pontos mais altos, como picos de morros, há o predomínio da flora típica da caatinga, com barrigudas, gravatás e mandacarus, além da ocorrência da vitória-régia, planta típica da Amazônia. Nas partes alagadas, as vegetações flutuantes, como aguapé e a salvinia, são predominantes. Essas, quando carregadas pelos rios, formam ilhas verdes, chamadas de camalotes. Outra flora existente é a de mata densa e sombria, normalmente encontradas em volta das margens mais elevadas dos rios. Entre as plantas mais famosas do Pantanal está o Carandá (Copernicia australis), planta da família das arecáceas, de rápida germinação e abundante na forma silvestre, principalmente por ser muito resistente ao frio. Podendo chegar aos 20 metros de altura e 40 centímetros de diâmetro, seu tronco é muito utilizado na indústria madeireira para construção de postes para linhas telefônicas e elétricas. Pantanal Animal Assim como a flora, a diversidade da fauna pantaneira também é muito grande, sendo, inclusive, considerada umas das mais ricas do planeta. São cerca de 656 espécies de aves (no Brasil inteiro estão catalogadas cerca de 1800), 1.132 de borboletas, 122 de mamíferos, 263 espécies de peixes e 93 de répteis. Conheça alguns dos animais do bioma:

Felipe Trindade

Tuiuiú (Jabiru mycteria)

Jenny Mackness

Aguapés no Pantanal

1. Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus): é uma ave da família Psittacidae, que possui plumagem azul com um anel amarelo em torno dos olhos. Reproduz-se a partir dos 3 anos de idade, dando cria a dois filhotes por vez. Alimenta-se, basicamente, de sementes, frutas, insetos e pequenos vertebrados. 2. Tuiuiú (Jabiru mycteria): é uma ave pernalta da família Ciconiidae. Considerada a ave-símbolo do Pantanal, o tuiuiú tem pernas de coloração preta, com plumagem do corpo branca, pescoço nu e preto, e papo nu e vermelho. Chega a ter 1,4 metro de comprimento e mais de 1 metro de altura, além de pesar 8 quilos. Sua alimentação é basicamente composta por peixes, moluscos, répteis, insetos e pequenos mamíferos. Também se alimenta de pescado morto, ajudando a evitar a putrefação dos peixes que morrem por falta de oxigênio nas épocas de seca.

3. Cervo do pantanal (Blastocerus dichotomus): é um mamífero ruminante da família dos cervídeos. Maior veado da América do Sul, o cervo-do-Pantanal tem uma galhada bifurcada, com cinco pontas em cada haste. Muito arisco durante o dia, ficando escondido na maior parte dele, sai à noite às clareiras em grupos de cinco ou mais para alimentar-se de capim, juncos e plantas aquáticas. Embora sua carne não sirva para comer, o cervo-do-Pantanal é caçado por causa do seu couro e galhada. 4. Colhereiro-comum (Platalea leucorodia): é uma ave pernalta da família Threskiornithidae. Seu nome deriva-se de sua habilidade de colher, através do seu bico, animais aquáticos para alimentação. Vive em pequenos bandos ou solitariamente e se alimenta de peixes, crustáceos, insetos e moluscos.

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Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus)

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Cervo do pantanal (Blastocerus dichotomus)

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Especial - Biomas Brasileiros

Jenny Mackness

Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare)

Pantanal Social e Econômico Com uma população aproximada de 1,1 milhão de pessoas, o Pantanal apresenta uma distribuição geográfica muito desigual, com cidades variando de 12 mil habitantes, como Porto Murtinho (MS), até 500 mil habitantes, como Cuiabá (MT). Entre as atividades econômicas desenvolvidas por essa população, destaca-se a pesca, que tem ligação direta com o turismo e com a sobrevivência da área. Esse tipo de estimulo econômico é o maior gerador de renda dos residentes da região, dividido em três categorias: pesca de subsistência, que é fonte de alimento das populações ribeirinhas; pesca profissional, que tem a função de gerar renda aos pescadores, principalmente, na venda de espécies nobres, como pintado, dourado e pacu; e pesca esportiva, maior atrativo turístico do Pantanal, o qual recebe, em média, 450 mil pescadores de fora por ano. Outra atividade é a pecuária, que expandiu-se no final do século XIX. Em sua maioria, é feita de maneira extensiva, ou seja, de maneira livre, sem cuidado de manejo. Estes animais (calcula-se que existam cerca de 3,2 milhões de cabeças na área 32

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pantaneira) dependem do período de cheia e seca para serem criados, já que, quando há o alagamento das partes baixas, os animais tem que ser levados aos locais mais altos para se alimentar e procriar. Uma terceira atividade econômica é a mineração e siderurgia. Expandidas, principalmente, na bacia do Alto Rio Paraguai, estas formas de arrecadação de verbas tem uma importante função no crescimento não só da economia regional, mas também do resto do Brasil. Entre os principais minérios retirados destacam-se o manganês, o ferro, o calcário, o ouro e o diamante, encontrados nos complexos minerais de Maciços do Urucum e de Cuiabá-Cáceres. Degradação do Pantanal Assim como todos os outros biomas já vistos, o Pantanal também sofre com problemas ambientais de degradação.

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5. Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare): é um réptil que mede entre dois a três metros de comprimento e seu padrão de coloração é bastante variado, sendo o dorso particularmente escuro, com faixas transversais amarelas, principalmente na região da cauda. Alimenta-se de peixes, moluscos e crustáceos. Suas fezes servem de alimento para muitos peixes. Uma característica interessante sobre este animal é sua temperatura corporal, que varia entre 25 a 30 graus.

Um dos processos mais acelerados de destruição está ligado a uma grande fonte de renda da região e do País como um todo: o gasoduto Brasil-Bolívia. A grande necessidade de carvão vegetal para abastecimento dos fornos desses gasodutos faz com que a taxa de desmatamento cresça de forma impressionante. As queimadas são outro problema da região pantaneira. Além de destruirem o solo, que perde todos os nutrientes, atingem a própria população, que fica contaminada pela fumaça, lotando os postos de saúde com problemas pulmonares, e também os pássaros, que acabam se afastando, também por causa da fumaça. Um terceiro problema é a exploração incessante de algumas espécies de animais e de plantas nativas do bioma, que causa a extinção das mesmas. Além disso, há o comercio ilegal de madeira, que destrói e acaba com as árvores do território. O quarto problema vem do mar. O tráfico, a caça e a venda de peixes, chamados de sobrepesca, acabam com esses animais, o que influencia diretamente na cadeia alimentar da região, já que muitos outros bichos, inclusive terrestres e voadores, se alimentam da fauna aquática. Outro problema é o assoreamento dos rios, decorrente da pecuária no planalto, que faz com que diversos sedimentos rolem terreno abaixo até chegaram aos leitos de água. O sexto problema está ligado às atividades mineradoras, que acabam contaminando os lençóis freáticos.

Fazenda típica do Pantanal no Mato Grosso do Sul

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Curiosidades • Considerada a maior cobra do Pantanal, a sucuri amarela mede até 4,5 metros e se alimenta de peixes, aves e pequenos mamíferos. • O Tuiuiú, ave-símbolo do Pantanal, tem mais de 2 metros de envergadura com as asas abertas. • Com 1,5 metro de comprimento e 120 quilos, o jaú (bagre gigante) é o maior peixe do pantanal. • As cheias anuais dos rios da região atingem cerca de 80% do Pantanal e transformam a região em um impressionante lençol d’água, afastando parte da população rural que migra temporariamente para as cidades ou vilas. • O Pantanal brasileiro possui 144.294 km² de planície alagável, 61,9% dos quais se encontram no Mato Grosso do Sul e 38,1% no Mato Grosso. • O Pantanal atrai cerca de 700 mil turistas por ano, 65% dos quais são pescadores. • Os 210 mil quilômetros quadrados do Pantanal equivalem à soma das áreas de quatro países europeus – Bélgica, Suíça, Portugal e Holanda. • A onça pintada do Pantanal chega a pesar 150 quilos, alimentando-se de, aproximadamente, 85 espécies de animais que vivem na região. • O bioma do Pantanal foi reconhecido em 2000 como Reserva da Biosfera. Essas reservas, declaradas pela Unesco, são instrumentos de gestão e manejo sustentável integrados que permanecem sob a jurisdição dos países nos quais estão localizadas. • O reduzido desnível da região produz a inundação periódica do Pantanal. Além disso, o relevo faz com que o Rio Paraguai ande bem devagar. Uma canoa à deriva no rio demoraria cerca de seis meses para atravessar o Pantanal. • A cada 24 horas, cerca de 178 bilhões de litros de água entram na planície pantaneira. • Existem mais espécies de aves no Pantanal (656 espécies) do que na América do Norte (cerca de 500) e mais espécies de peixes do que na Europa (263 no Pantanal contra aproximadamente 200 em rios europeus).

Bonito - Mato Grosso do Sul

Fontes: - Almanaque Brasil Socioambiental ISA 2008 - São Lucas do Pantanal www.saolucasdopantanal.com.br - Terra - http://360graus.terra.com.br - WWF Brasil – www.wwf.org.br

Receita Típica do Pantanal: Furrundum Ingredientes: • 2 cidras médias (cerca de 1 kg) • 1 rapadura com cerca de 400 gramas de raspadas ou 3 xícaras de açúcar mascavo • 1 colher (sopa) de gengibre fresco ralado • 1 coco grande ralado fino

6. Acrescente o coco ralado e continue cozinhando, mexendo sempre, por mais alguns minutos; 7. Tire do fogo e deixe esfriar; 8. Retire pequenas porções da massa e modele formando bolinhas; 9. Coloque em um prato de servir e leve à mesa.

Preparo: 1. Lave bem as cidras e rale a casca no ralador grosso sem atingir a polpa; 2. Deixe a casca ralada de molho em uma tigela com água fria, trocando a água várias vezes, por algumas horas ou até eliminar o sabor amargo; 3. Escorra e esprema bem; 4. Coloque a casca ralada em uma panela e junte a rapadura ou açúcar mascavo, misturando bem o conteúdo; Acrescente gengibre e leve ao fogo brando; 5. Deixe cozinhar, mexendo de vez em quando, até o fundo da panela começar a aparecer;

Rendimento: cerca de 30 doces.

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Especial - Biomas Brasileiros

Uma viagem pelos

Biomas Brasileiros A superpopulada Zona Costeira Abrangendo diferentes ecossistemas, o bioma abriga 70% da população nacional Da Redação

Praia de Copacabana, Rio de Janeiro

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Zona Costeira, bioma que possui 41% da área emersa do Brasil, é a região que ocupa cerca de 3,5 milhões de quilômetros quadrados do país. Estendendo-se por mais de 8.500 quilômetros do litoral, o bioma abriga 70% da população brasileira. Por ter em seu território um grande conjunto de ecossistemas, é uma das áreas de maior diversidade nacional.

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Divisão da Zona Costeira A Zona Costeira brasileira possui uma grande variedade de ecossistemas, todos de grande relevância ambiental. Estão presentes dunas, manguezais, costões rochosos, recifes de corais, entre outros. Por serem diferentes, todos os ambientes abrigam espécies únicas de animais e plantas, devido às diferenças climáticas e ao relevo. É na zona litorânea que está

localizado o que restou da Mata Atlântica, uma das maiores biodiversidades do planeta. Além disso, existem os manguezais, áreas de grande importância para a reprodução biótica marinha. Cada um desses ecossistemas é importante à sua maneira e tem significantes reservas de recursos naturais. No entanto, a ocupação desordenada, que será explicada mais para frente, está colocando em risco

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a biodiversidade litorânea. Conheça melhor as divisões da costa brasileira: 1. Litoral Amazônico: começa na foz do rio Oiapoque e vai até o delta do rio Parnaíba. Os manguezais são predominantes na região, assim como as matas de várzeas de maré, praias e campos de dunas. Por conta desses ecossistemas, o litoral amazônico apresenta uma grande diversidade de crustáceos, peixes e aves. 2. Litoral Nordestino: começa na foz do Parnaíba e continua até o Recôncavo Baiano. Suas maiores características são as dunas que se movimentam com o vento e os recifes calcíferos e areníticos. É nesta área do Nordeste que se encontram o peixe-boi e as tartarugas marinhas, ambos ameaçados de extinção. 3. Litoral Sudeste: vai do Recôncavo Baiano até São Paulo e é a área com a maior densidade demográfica do país. Com a costa muito recortada, é tomada pela Serra do Mar. Entre as características mais marcantes do litoral sudeste estão as praias de areias monazíticas (mineral marrom escuro), os recifes e as falésias. As espécies que habitam essa parte do litoral são a preguiça-de-coleira e o mico-leão-dourado, animais em extinção. 4. Litoral Sul: começa no Paraná e termina no Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Por possuir áreas predominantemente de mangues, é mais comum a aparição de aves. Outras espécies frequentes são as lontras, capivaras e ratões-do-banhado. Ilhas: Divisão Especial Assim como a Zona Costeira é dividida em diversos ecossistemas, há também uma divisão de ilhas. Ao todo, são

Wanderson Oliveira

Foto: Francisco Renato Galvani

Reserva Biológica Marinha do Atol das Rocas, que pertence ao estado do Rio Grande do Norte

três tipos, sendo que a maioria delas nasceu a partir da imersão de partes de terra da costa brasileira. Por tal motivo, são consideradas prolongamentos do litoral do país. São elas: 1. Serra do Mar: conjunto de ilhas que aparecem como pedaços emersos de porções que ficam abaixo das águas da Serra do Mar. São centenas delas, que são encontradas ao longo do litoral. 2. Litoral Paulista: são porções de ilhas que se encontram no litoral de São Paulo. São considerados pedaços de terras sedimentares de baixa altitude, denominadas como prolongamento do estado. Exemplo: Ilha Comprida, que é um longo segmento de território isolado pelo mar. 3. Ilhas oceânicas: São ilhas resultantes de fenômenos naturais, como o vulcanismo submerso no fundo atlântico. Neste caso, são conside-

radas totalmente desvinculadas do relevo continental brasileiro. Exemplos: Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Fauna Marinha O bioma abriga também uma enorme variedade de animais marinhos, divididos em zonas. Em especial, detalharemos três delas: 1. Zona médiolitoral: é a zona com maior consistência marítima, sendo, portanto, possuidora da maior variedade de espécimes aquáticas. Entre os animais característicos estão a craca (Chtamalus stellatus), um tipo de crustáceo, a lapa ( Patella piperata), um tipo de molusco, diversas algas cianófitas, diferentes espécies de pequenos poliquetas, crustáceos e outros gastrópodes, além de peixes, como o caboz ( Coryphoblennius galerita).

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Craca (Chtamalus stellatus)

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Caboz (Coryphoblennius galerita)

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Especial - Biomas Brasileiros

Raia (Raja clavata)

2. Zona infralitoral: também é muito variada. No entanto, diferencia-se da zona médiolitoral por estar permanentemente debaixo da água. É a área normalmente explorada pelos mergulhadores. Por estar em locais profundos, recebe pouca luz, observando-se, então, a presença de algas fotófilas, enguias-de-jardim (Heteroconger longissimus), raias (Raja clavata), além de invertebrados, como poliquetas, crustáceos decápodes e moluscos. 3. Zona circlitoral: área marinha coberta por diversos tipos de algas, possuindo, assim, um substrato rico em nutrientes, que facilita o desenvolvimento de pequenos invertebrados. Exemplos de animais são o pargo (Pagrus pagrus), peixe com dorso prateado, e o encharéu (Pseudocaranx dentex), outro tipo de peixe, caracterizado pelas barbatanas amareladas. Superpopulação destrutiva A Zona Costeira possui uma das maiores densidades demográficas do Brasil. Em média, vivem 87 habitantes por quilômetro quadrado, ou seja, cinco vezes mais que a média nacional (17 hab./km²). Como hoje metade da população brasileira vive em regiões que ficam distantes em uma faixa de até 200 quilômetros do mar, ou seja, quase 100 milhões de pessoas, a área acaba sofrendo com a destruição causada pela superpopulação. 36

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Isso impacta diretamente nos ecossistemas litorâneos, principalmente porque a urbanização em torno destas regiões cresce desordenadamente, com carência em serviços básicos. Tal fato acarreta contaminação das águas e, consequentemente, degradação do meio marinho. Além disso, a superpopulação trouxe para a Zona Costeira brasileira atividades agrícolas e industriais. Com ela, a poluição, a especulação imobiliária sem planejamento e ainda o grande fluxo de turistas que, cada vez mais, ameaça a integridade ecológica da costa nacional pressionada pelo crescimento dos grandes centros urbanos. A ”invasão” da área litorânea também causa problemas.

A devastação das vegetações nativas pelos ocupantes leva a movimentação das dunas e até a desabamentos de morros, deformando a paisagem local. Os animais, os vegetais e até mesmo o “filtro” natural, que limpa as impurezas lançadas nas águas, são postos em perigo devido ao aterro dos manguezais. Alguns mangues estão estrategicamente situados entre a terra e o mar para formar um estuário para a reprodução de peixes, mas as submersões parciais das raízes das árvores do mangue espalham-se sob a água e impedem que os sedimentos escoem para o mar. Outros problemas enfrentados pelos moradores da região são o lançamento de esgoto no mar sem nenhum tipo de tratamento e o vazamento de petróleo por parte das transferências de cargas e outras operações feitas pelos terminais marítimos. Além de toda a degradação natural da parte física da faixa litorânea, a cultura dos povos que habitam a área está perto da extinção devido à expulsão das populações caiçaras de seus locais de origem. Tentando contornar esses problemas, o Ministério do Meio Ambiente, em cooperação com o Conselho Interministerial do Mar, os governos estaduais e outras instituições, está tentando ordenar e proteger os ecossistemas com a implementação do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC). Por sua vez, o Ibama fica encarregado de desenvolver projetos e ações contínuos de gerenciamento dos ecossistemas costeiros. Anselmo Garrido

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Praia do Forte, Bahia

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Curiosidades Wanderson Oliveira

• O Brasil possui 7.367 km de linha costeira. No entanto, se levados em conta os recortes litorâneos, como baías, reentrâncias e golfões, a área aumenta para mais de 8,5 mil km. • Quase toda Zona Costeira brasileira está virada para o Atlântico Sul. No entanto, há uma pequena porção que divide águas com o Mar do Caribe. • O Amapá é o estado que possui a maior área costeira do Brasil (cerca de 12,3% do total). Por outro lado, a área do Piauí não passa de 0,2% do total.

Fernando de Noronha, Pernambuco

• A Zona Costeira tem densidade • Somente na costa do Rio Grande do Sul, foi registrada a predemográfica média cinco vezes sença de aproximadamente 570 maior que a média nacional (87 espécies de aves diferentes. hab/km² contra 17 hab/km²). • Como a Zona Costeira recebe • O arquipélago de Fernando de a maior parte das águas dos Noronha, uma das mais belas principais rios do País, o bioregiões da Zona Costeira, fica a ma é um dos mais vulneráveis 345 km do nordeste brasileiro e às consequências ambientais é constituído por uma ilha prinnegativas (resíduos de agrotócipal e 19 ilhotas, possuindo um xicos, adubos e efluentes das dos maiores índices de biodiverindústrias). sidade marinha do Brasil.

Fontes: - Almanaque Brasil Socioambiental ISA 2008 - Ambiente Brasil www.ambientebrasil.com.br - Animal Show www.animalshow.hpg.ig.com.br - Mundo de Sabores www.mundodesabores.com.br - WWF Brasil – www.wwf.org.br

Receita Típica da Zona Costeira: Mariscos Gratinados Ingredientes: • 1 e ½ quilos de mariscos • 2 colheres de sopa rasas de manteiga ou margarina • 50 gramas de farinha de rosca • Pimenta-do-reino em pó • 1 maço de salsa picado • Óleo ou azeite • Sal

8. Deixe cozinhando no fogo alto durante alguns minutos; 9. Quando estiver com uma boa consistência, adicione a salsa picada; 10. Polvilhe com sal e pimenta-do-reino; 11. Despeje a mistura nos mariscos; 12. Regue com bastante óleo ou azeite e leve ao forno quente, deixando a forma durante 5 minutos, para gratinar; 13. Retire do forno e sirva imediatamente.

Preparo: 1. Raspe as conchas dos mariscos com o auxilio de uma faca; 2. Lave-as muito bem e despeje-as numa frigideira grande, sem adicionar água; 3. Leve ao fogo forte e, à medida que as conchas forem se abrindo, retire-as da frigideira; 4. Separe as conchas, jogando uma das partes fora, deixando apenas a metade em que o molusco estiver preso; 5. Coloque as partes com o molusco em uma forma refratária, uma ao lado do outro, formando uma só camada; 6. Em outra panela, coloque a manteiga ou margarina, deixando-a no fogo até que derreta; 7. Acrescente então a farinha de rosca e mexa bem com uma colher de pau;

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Especial - Biomas Brasileiros

RX da Am a Estatísticas apontam disparidades entre riqueza de biodiversidade e indicadores sociais Da Redação

Abrangência: A Amazônia é a região definida pela bacia do rio Amazonas, que nasce na cordilheira dos Andes e estende-se por nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela e onde se localiza a maior cobertura vegetal de floresta tropical, a Floresta Amazônica. Bacia Hidrográfica: Tem muitos afluentes importantes tais como o rio Negro, Tapajós e Madeira, sendo que o rio principal é o Amazonas. Temperatura: A temperatura média anual é de 28ºC. Amazônia Brasileira: Sessenta por cento da Amazônia está em território brasileiro, em área chamada Amazônia Legal , constituída por 750 municípios distribuídos em nove Unidades Federativas: Amazonas (62), Amapá (16), Acre (22), Roraima (15), Rondônia (52), Pará

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(143), Tocantins (139), Maranhão (160) e Mato Grosso (141), perfazendo um total de 5.033.072 km 2, o que representa 61% do território brasileiro. População: 24,5 milhões de habitantes correspondendo a 12% do contingente populacional brasileiro. Em cada quilômetro quadrado da região tem-se, em média, 3,3 habitantes enquanto que no restante do país essa proporção é de 21,4 habitantes por km2. Diversidade social: A região é a segunda do país em registros de remanescentes de quilombos, bem como é onde se concentra a maior parte da população indígena, representando 49% do total. É também onde se encontra o maior percentual de projetos de assentamentos da reforma agrária e diversas comunidades locais, como: caiçaras, babaçueiros, jangadeiros, ribeirinhos/caboclo amazônico, ribeirinhos/caboclo não amazônico (varjei-

ro), sertanejos/vaqueiro, pescadores artesanais, extrativistas, seringueiros, camponeses. PIB: Em 2004, o PIB da região foi de R$ 137,9 bilhões (US$ 64,7 bilhões), o que representa 8% do PIB nacional. IDH: Em 2000, a região apresentava médio desenvolvimento humano, com um IDH igual a 0,705. Biodiversidade: • Reúne quase 12% de toda a vida natural do planeta; • Concentra 55 mil espécies de plantas superiores (22% de todas as que existem no mundo); • 524 espécies de mamíferos; • Mais de 3 mil espécies de peixes de água doce; • Entre 10 e 15 milhões de insetos (a grande maioria ainda por ser descrita); • Mais de 70 espécies de psitacídeos: araras, papagaios e periquitos;

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Grande variedade de ecossistemas, dentre os quais: matas de terra firme, florestas inundadas, várzeas, igapós, campos abertos e cerrados; Jazidas minerais de metais nobres dos mais variados tipos, acumulando recursos da ordem de US$ 1,6 trilhão.

Principais Ameaças à Floresta: Grilagem (posse ilegal de terras mediante documentos falsos), Desmatamentos, Queimadas, Atividades extrativistas predatórias (madeireiras, pesca, caça ilegais e biopirataria), Expansão da fronteira pecuária e agrícola (soja, principalmente, no Mato Grosso) e Fiscalização insuficiente. Indicadores Sociais: • Analfabetismo: Entre os maiores do Brasil, em 2005 chegava a 10,3% (maiores de 15 anos) e 13% (menores de 15 anos). • Insegurança Alimentar: 35% da população da Amazônia viviam, em

2005, em domicílios onde havia insegurança alimentar média ou grave Mortalidade infantil: 25,8 crianças na Região Norte morrem antes de completar o primeiro ano de vida em cada grupo de mil nascidas vivas, sendo que a média brasileira é de 24,9 e da Região Sul é de 16,7. Registro Civil (Certidão de nascimento): O estados amazônicos ainda concentram as piores taxas, chegando a superar 40% em algumas regiões. Saúde: A taxa da incidência de AIDS , em 2004, subiu dez vezes, chegando a 12,4 por 100 mil habitantes. A Amazônia responde pela quase totalidade dos casos registrados de malária no país. Entre 2002 e 2004, o número de casos aumentou 32% e a taxa de incidência subiu 19% na região. Saneamento Básico: A porcentagem da população que vive em domicílios com abastecimento adequado de

água aumentou de 48%, em 1990, para 68% em 2005, contra a média de 88% no resto do Brasil. A porcentagem da população que vive em domicílios com instalações adequadas de esgoto na Amazônia aumentou de 33%, em 1990, para 48%, enquanto a média brasileira é de 67%, em 2005. Somente na Amazônia, 11,7 milhões de pessoas vivem em residências sem coleta de esgoto. Assassinatos Rurais: A Amazônia lidera casos de assassinatos rurais (60%) dos 386 ocorrências (1997 a 2006). Trabalho Escravo: A região é campeã em trabalho escravo, com 66% dos casos. Só em 2006 foram libertadas 12 mil pessoas do regime escravo.

Fontes de Pesquisa: Conservation International, IBAMA, Silvan, Câmara dos Deputados, Unicef, Imazon e Datasus

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Especial - Biomas Brasileiros

Registrar para PRE Alguns animais que compõem a riquíssima fauna Amazônica Da Redação Fotografia: PaulaLyn Carvalho

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or maiores que sejam as informações recebidas sobre as riquezas da região Amazônica é no flagrante das lentes fotográficas e cinematográficas que a exuberância dessa grande fatia do Brasil chega às demais regiões e ao mundo. O papel desses profissionais em captar a beleza e muitas vezes, também o pedido silencioso de socorro dessas espécies, é imprescindível para conscientizar sobre a importância de ser manter a floresta em pé. A fotógrafa PaulaLyn é uma dessas profissionais que emprestam a sensibilidade e técnica, a serviço da defesa do meio ambiente. Com um trabalho voltado

à essa causa, vem realizando ensaios e exposições sobre o tema. São dela as fotos da fauna amazônica, expostas a seguir. Agumas dessas imagens fizeram parte da exposição “Sentir Brasil”, que aconteceu em junho na Câmara Municipal de São Paulo. A maioria das imagens foi captada no Parque Ecológico de Januari, em Manaus, no Amazonas e no Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA), em janeiro de 2008. Paula é motivada pela sua paixão pela natureza. “Olho a lua, o sol, o mar, as árvores, os rios, os animais, como se os estivesse vendo pela primeira vez. São, para

mim, respostas a todas as minhas perguntas.” – disse. A fotógrafa acredita que cada um pode contribuir com ações que estão ao seu alcance. “A minha contribuição é através das imagens. Quero poder tocar o coração de cada um através do meu olhar, usar um sentido humano tão valorizado na contemporaneidade para despertar os outros sentidos e a consciência. Registrar para preservar” – concluiu. Se o mundo precisa da Amazônia para minimizar os efeitos ambientais do aquecimento global. Para esses animais, que somam milhares de espécies, a Floresta é sinônimo de vida.

Arara As araras estão entre os pássaros mais belos da fauna brasileira. São aves grandes e possuem e um bico curvo resistente usado para quebrar frutos e sementes. As araras vivem em casais nas copas das árvores mais frondosas e fazem seus ninhos em ocos de árvores.

Bicho-Preguiça O Bicho-Preguiça é considerado um animal muito sossegado. Dorme o dia todo nas árvores, pendurado num galho de costas para o chão e com a cabeça pendida sobre o peito. É um mamífero de hábitos noturnos. Orienta-se pelo olfato, pois tem uma visão muito fraca. Alimenta-se apenas das folhas, frutos e brotos de algumas árvores. É um animal inofensivo.

Gavião-real O gavião-real, também conhecido como harpia ( Harpia harpyja), é a maior ave de rapina do Brasil e do mundo, podendo atingir 2,5 m de envergadura. Seus hábitos são diurnos. Alimenta-se de moluscos, crustáceos e peixes até serpentes, lagartos, alguns pássaros e alguns mamíferos, como a preguiça (seu alimento favorito) que captura no solo.

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E SERVAR Jacaré O jacaré é um dos maiores répteis brasileiros. O jacaré amazônico chega a alcançar até 5 metros, mas em geral não ultrapassa 2 metros. A temperatura do seu corpo varia de acordo com o meio em que ele está, por isso precisa ficar exposto ao sol a fim de captar calor.

Macaco-de-cheiro O Macaco-de-cheiro é um primata que gosta de viver no topo das árvores mais altas da floresta, geralmente a 30 ou 40 metros do chão. São animais de extrema agilidade. Sua comida preferida são insetos, mas alimenta-se também de frutos e da seiva das árvores. Na Amazônia, os ribeirinhos costumam domesticá-los. São peraltas e brincalhões.

Macaco-aranha O Macaco Aranha possui como habitat as florestas tropicais chuvosas e tem hábitos diurnos. Vive em bandos de até 30 indivíduos e pode chegar até 33 anos. Os animais atingem de 6 a 8 quilos. Alimentam-se de frutas, sementes, folhas, insetos e ovos.

Tartaruga A tartaruga da Amazônia passa os dias nos rios de águas calmas, nadando, alimentando-se e de vez em quando sai para respirar e tomar um pouquinho de sol a fim de manter a temperatura do corpo São ovíparas, colocando seus ovos nas praias, durante a noite, em buracos que escavam na areia. São animais de vida longa, podendo atingir centenas de anos.

“Um Olhar Consciente” em “Este Mundo é Meu” Em continuidade ao projeto “Um Olhar Consciente”, PaulaLyn participará com painéis fotográficos no evento “Este mundo é meu 2008: integração sócio-ambiental”, que irá ocorrer no Centro Cultural São Paulo, de 08 a 29 de outubro de 2.008. Com ênfase nas questões ambientais, nas ações da sociedade em defesa da cidade, de si própria e de tudo que gira em seu entorno. A programação permitirá reflexões por meio de palestras, com convidados de várias especialidades na área de meio ambiente, bem como, oficinas e instalações.

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Espaço Gourmet Villa Natural

Alexandra Midori Morita Zanoli

Torta de Banana Vegana

Modo de fazer: Misture o ingredientes da farofa (aveia em flocos, farinha integral, margarina e o açúcar mascavo) e reserve. Corte as bananas ao meio de comprido) e Farofa distribua no fundo de uma forma, cubra com 150g de Açúcar Mascavo e depois distribua a • 150 g de Aveia em Flocos • 100 g de Farinha de Trigo Integral farofa, pressione levemente para compactar a farofa sobre as bananas, leve para assar em • 30 g de Margarina forno pré-aquecido a 180°C por aproximadamente 20 minutos. • 150 g de Açúcar Mascavo Ingredientes • 10 Bananas médias • 150 g de Açúcar Mascavo

Sugestão de consumo: A banana pode ser substituída por maçã, abacaxi ou mamão.

AVEIA Aveia é um cereal que possui um alto valor de nutrição, é rica em fibras, vitaminas, ácidos graxos, minerais e proteínas. É considerada um alimento funcional que se consumida diariamente é capaz de prevenir e dependendo até tratar doenças como hipertensão, diabetes, câncer de intestino, colesterol ruim alto e obesidade. A aveia em flocos é rica em beta-glucanas que é um tipo de fibra solúvel, que retarda o esvaziamento gástrico e ainda promove uma saciedade maior, fornecendo assim um melhor funcionamento do intestino. Aveia em flocos controla a glicemia, melhora a circulação sanguínea, inibindo a absorção da gordura no sangue (colesterol ruim). É recomendável a ingestão de aveia todos os dias, pois diminui a formação de placas de gordura nas veias, que são responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Porém não adianta consumir aveia se a dieta não for equilibrada e saudável.

Villa Natural Restaurante Rua Cel. Ortiz, 726 - V. Assunção - Santo André

(11) 2896-0065 - www.villanatural.com.br

Formada em Educação Física Pós-graduada em Nutrição Desportiva Pós-graduada em Ginástica Postural Corretiva Professora de Yoga Chef do Villa Natural e Sócia do Villa Natural Neo Mondo - Setembro 2008

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Job: 1965951.indb -- Empresa: Ogilvy RJ -- Arquivo: 19659-ANR ANGLO-NEO MONDO MAGAZINE-205x275_pag001.pdf Neomondo 44

Registro: 101933 -- Data: 17:01:43 03/12/2012

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Revista Neo Mondo - Edição 51  
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