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Denise de La Corte Bacci

Região de Cerrado no Centro-oeste do Brasil

De forma a ilustrar essas relações tomemos como exemplo o Cerrado, que se assenta sobre as superfícies de aplainamento e os chapadões do Brasil central e parte da depressão central. Nesse domínio destacam-se quatro padrões morfológicos principais: topos de chapadões sustentados por couraças ferruginosas, planaltos dissecados, depressões e a planície do Rio Araguaia (AB SABER, 1967, 1970). Esses ambientes estão submetidos a um regime climático quente e semi-úmido, com verões chuvosos e invernos secos. Essas características climáticas promovem um forte intemperismo químico das rochas com formação de solos, removendo minerais importantes e formando solos profundos e arenosos com baixa capacidade de reter nutrientes. Esse tipo de solo sustenta uma vegetação de savanas, campos serrados, onde predomina a vegetação herbácea até cerradões onde predomina vegetação arbustivo-arbórea. No caso do bioma da Serra do Mar, as escarpas montanhosas fortemente alinha-

das, apresentam desnivelamento muito elevado, às vezes superior a 2.000 metros. As feições íngremes são cobertas por camadas de solos jovens e espessos que dão suporte à floresta, original de terrenos acidentados. A forma do relevo faz com que a densidade de drenagem seja alta e com que ocorram períodos de fortes precipitações (2.000 a 2.500 mm/ano). Predominam as rochas graníticas e os quartzitos, que sustentam e fazem com que o relevo apresente grande beleza cênica variando de 800 a quase 3.000 metros de altitude e dá suporte à vegetação que variam de campos rupestres (serras do Cipó e Espinhaço em Minas Gerais) onde, os solos são rasos, à vegetação fechada da Mata Atlântica (serras do Mar e da Mantiqueira). Observamos, então, a relação direta e as interações dos processos naturais entre rocha, solo, clima e vegetação na formação dos diferentes biomas, indicando o dinamismo e a interdependência no Sistema Terra.

Para saber mais: Mantovani, W. (2003) A Degradação dos Biomas Brasileiros. In: Ribeiro, W.C. (Org.). Patrimônio Ambiental Brasileiro, p.367-439.w Silva, C.R. Ed. (2008) Geodiversidade d Brasil: conhecer o passado para entender o presente e prever o futuro. CPRM/SGB. Rio de Janeiro. 264 p.

Denise de La Corte Bacci Graduada em Geologia pela UNESP, Campus de Rio Claro, mestrado em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP e doutorado em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP. Estágios na Università di Milano e University of Missouri_Rolla. Pós-doutorado em Engenharia Mineral pela POLI-USP. Atualmente é docente do Instituto de Geociências da USP. E-mail: bacci@igc.usp.br

Neo Mondo - Novembro/Dezembro 2011

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Revista Neo Mondo - Edição 45  
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