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NeoMondo

www.neomondo.org.br

um olhar consciente

Ano 4 - Nº 41 - Abril 2011 - Distribuição Gratuita

AMAZONAS

Capital do Planeta

II

Humberto Mesquita

08

Marcos Hummel

Fórum Mundial

Humberto Mesquita

“Revolução Educacional”

Um tríduo pela Sustentabilidade

Querem nos tirar a Amazônia

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58


Central de Atendimento BB 4004 0001 ou 0800 729 0001 • SAC 0800 729 0722 • Ouvidoria BB 0800 729 5678 Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088 ou acesse bb.com.br


todos os animais Os animais são diretamente afetados pelo comportamento humano. Podemos ser cruéis e negligentes, mas também podemos manifestar bondade e compaixão — valores que exemplificam o melhor do espírito humano. Acesse hsi.org/compaixao e veja como você pode ajudar.

Proteção e respeito a todos os animais 4

Neo Mondo - Maio 2008


Neo Mondo - Maio 2008

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Seções Perfil 08 Marcos Hummel “Revolução Educacional”

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meio ambiente

12 Artigo – Siegfried Jorge Wehr A loucura como oportunidade

E o boi aliou-se à motoserra Brasil é o maior exportador de carnes do mundo.

economia 18 Tudo verde Rede Made in Forest completa um ano como as “listas amarelas” da economia sustentável 20 Artigo – Denise de La Corte Bacci A compreensão do meio físico na gestão da informação

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comportamento Beber cair e levantar álcool é a droga mais consumida entre os adolescentes da rede privada de ensino de São Paulo

25 Artigo – Márcio Thamos Mitologia ClássicaAs Quatro Idades 28 Artigo – Rosane Magaly Martins Conjugar o verbo envelhecer na primeira pessoa do singular

26 Artigo – Dr. Marcos Lúcio Barreto Bons exemplos cultura 30 Delícia de livro Inezita Barroso

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Especial fórum mundial

Especial fórum mundial 32 Um tríduo pela sustentabilidade Manaus foi, de novo, a capital do Planeta, como definiu NEO MONDO em 2010

40 Schwarzenegger Cooperação e continuidade

46 Empresas compromissadas Na teoria e na prática

49 Richard Branson Guerra ao carbono

51 Bill Clinton Quer o Brasil na liderança global em meio ambiente

52 Fabio Feldmann País na contramão com o pré-sal

Especial fórum mundial 44 Dan Epstein A lição que vem do esporte Especial fórum mundial 50 Paul Hawken e Adam Werbach Idealizadores de sustentabilidade internacional 54 Camila Turriane Bertoldo Fórum Mundial ainda não empolga mídia europeia

56 Artigo – Dilma de Melo Silva Amazônia, hoje coisas que eu vi 58 Humberto Mesquita Cuidado:Querem nos tirar a Amazônia

Reports in english

Special World Forum 36 Sustainability Triduum Manaus was, once again, the capital of the Planet 42 Schwarzenegger Cooperation and continuity

Expediente Diretor Responsável: Oscar Lopes Luiz Diretor de Redação: Gabriel Arcanjo Nogueira (MTB 16.586) Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Marcio Thamos, Dr. Marcos Lúcio Barreto, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Rafael Pimentel Lopes, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Natascha Trennepohl, Rosane Magaly Martins e Vinicius Zambrana Redação: Gabriel Arcanjo Nogueira (MTB 16.586), Rosane Araujo (MTB 38.300) e Antônio Marmo (MTB 10.585) Estagiário: Bruno Molinero Revisão: Instituto Neo Mondo Diretora de Arte: Renata Ariane Rosa Projeto Gráfico: Instituto Neo Mondo 6

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Publicação Tradução: Efex Idiomas - Tel.: 55 11 8346-9437 Diretor de Relações Internacionais: Vinicius Zambrana Diretor Jurídico: Dr.Erick Rodrigues Ferreira de Melo e Silva Correspondência: Instituto Neo Mondo Rua Primo Bruno Pezzolo, 86 - Casa 1 Vila Floresta - Santo André – SP Cep: 09050-120 Para falar com a Neo Mondo: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tel. (11) 4994-1690 Presidente do Instituto Neo Mondo: oscar@neomondo.org.br

A Revista Neo Mondo é uma publicação do Instituto Neo Mondo, CNPJ 08.806.545/000100, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça – processo MJ nº 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 70 mil exemplares com distribuição nacional gratuita e assinaturas. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização.


Editorial

M

ais uma vez o Amazonas foi capital do planeta, e NEO MONDO esteve presente para trazer para você, prezado leitor, tudo o que aconteceu no Fórum Mundial de Sustentabilidade. Pela grandiosidade e importância deste evento, trazemos um caderno especial com uma síntese do que foi este Fórum e sua contribuição para o Brasil e para o Planeta. Acesse nosso portal e confira a edição do ano passado (abril/2010): ela está na íntegra, é só fazer o download botão lado direito (PDF). Neste evento tivemos como palestrantes: ARNOLD SCHWARZENEGGER (ex-governador da Califórnia, EUA) E JAMES CAMERON (cineasta e defensor de soluções sustentáveis), BILL CLINTON (ex-presidente dos EUA), SIR RICHARD BRANSON (fundador e presidente do grupo VIRGIN), PAUL HAWKEN (ambientalista, empresário e autor), FÁBIO FELDMANN (consultor e exsecretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo), entre outros.

Ministério da saúde, por meio da Coordenadoria de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, confirma que 75% dos brasileiros já consumiram álcool pelo menos uma vez na vida. Isso poderia parecer irrelevante, se não estivéssemos falando de uma droga, mesmo que lícita. Os demais tipos de drogas ilícitas, ou não, nem chegam perto dessa estatística. Ocorre que o problema aumenta anualmente, com o consumo cada vez mais precoce. Um estudo realizado em 2005, em escolas, apontou que 54,3% dos adolescentes de 12 a 17 anos já haviam experimentado bebida alcoólica e que 2% a consumiam diariamente. A lição do Realengo Estávamos com esta edição praticamente fechada, quando se abateu sobre o País a tragédia de uma escola pública no Realengo, no Rio de Janeiro. Procuramos quem pudesse escrever algo para clarear ideias e, quem sabe, apontar caminhos. NEO MONDO traz, numa das páginas, um

apelo institucional, que nos parece adequado para o momento. E, em duas outras, a opinião do conceituado psicoterapeuta: “... é necessário sermos fortes o suficiente para suportarmos perdas, fortes o suficiente para sustentar a vida na educação de nossos filhos e de nossos alunos, fortes o suficiente para agir diante de situações doentias como o bullying, fortes para incluir quem está excluído... para oferecer e estabelecer vínculos sadios, que fortaleçam a vida, a construção, os talentos, as capacidades, a funcionalidade e possibilidades dentro de nossa sociedade”. O episódio do Realengo, “com todas as dores e sofrimentos, pode ser um momento de retomada de nossa própria grandeza em todas as instâncias sociais e individuais”. Boa leitura! Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br Arquivo Pessoal

E por falar em James Cameron, olha ele aí (foto) conferindo a edição especial que fizemos sobre sua participação no Fórum do ano passado. A educação é considerada um dos pilares do desenvolvimento de um país. Quando falamos em educação não podemos nos restringir somente à questão acadêmica, pois o termo educação é mais amplo e tem ligação direta com os valores humanos, com postura ética, com as atitudes respeitosas. Seguindo a temática da educação, vale a pena conferir a abalizada opinião do professor-doutor Siegfried Jorge Wehr, que em seu artigo de estreia na revista se refere ao bullying, que trata do comportamento agressivo e repetitivo dos adolescentes. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas gera um dos mais graves problemas de saúde pública mundial: o alcoolismo. O Brasil não fica atrás nessa triste constatação. O

James “Kapremp-Ti” Cameron aprecia a edição especial de NEO MONDO sobre o Fórum de 2010, recebida de nosso publisher, Oscar: papel da Imprensa reconhecido

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Perfil

“Precisamos de uma

REVOLUÇÃO

Neto de um avô que ele considera pioneiro ecológico, fazendeiro que não desmatava, Marcos Hummel, apresentador do Neo MondoTV, diz que “se nós quisermos melhorar o Mundo, do ponto de vista da sutentabilidade, temos que melhorar as pessoas, educá-las, pois sem educação não haverá preservação. Mesmo porque salvar o Planeta significa salvar-nos”.

Divulgação

Antônio Marmo

Apresentador de mais de uma dezena de programas nas principais redes de TV, editor e redator, Hummel incomoda a concorrência no Câmera Record

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Q

uem consulta a Wikipédia em busca de informações sobre Catalão de Goiás vai encontrar lá, na lista dos naturais ilustres, logo depois do nome do cantor Amado Batista, o do jornalista Marcos Hummel. Dono de sólida ficha profissional e de voz inconfundível, ancorando desde 2008 o Câmera Record , líder de audiência entre o jornalismo temático, Marcos Hummel, o nome do Perfil desta edição, é também um dos colaboradores e apresentadores do nosso Neo Mondo TV. Este goiano já sem sotaque iniciouse tardiamente na carreira jornalística, aos 28 anos, começando pela TV Globo Brasília. Foi apresentador global por 21 anos, nos telejornais Hoje , Jornal Nacional , Jornal da Globo , Fantástico , Globo Esporte . Foi um dos primeiros narradores do Vídeo Show , depois Bom Dia Rio e Bom Dia São Paulo , atuando, também, como editor e redator. Mas mesmo começando tardiamente, Hummel tem a quem puxar entre seus conterrâneos. A enciclopédia virtual lembra que Catalão é, ainda, terra natal de várias outras personalidades culturais. Nas Artes Plásticas destaca-se Goiandira de Couto, filha de poeta e reconhecida internacionalmente por sua técnica única de pinturas com areia.


EDUCACIONAL” Ali nasceram também um dos maiores latinólogos do Brasil, o diplomata erudito, William Agel de Mello, autor de 11 dicionários português-linguas neolatinas como o catalão e o galego, além de cineastas e dramaturgos de menor expressão, mas que justificam o cognome de “A Atenas de Goiás”, por sua produção cultural. Da Globo Hummel passou pela Rede Manchete, onde apresentou, entre outros, o excelente Na rota do crime, na década de 90, precursor da cobertura policial nervosa, em que os repórteres embarcavam nas viaturas da Rota e da Força Tática acompanhando as ocorrências até seu desfecho. O programa valorizava o policial, dizem os que se lembram dele. Pulou da Manchete para a Bandeirantes, ficando aí até março de 2004, ano em que assinou com a Record, onde está

até hoje. Em seu currículo destacam-se ainda o Domingo Espetacular, Fala Brasil, Jornal da Record, Repórter Record (do qual foi o mais recente apresentador) e o Mundo Meio-Dia (na Record News). O primeiro programa do Câmera Record trouxe um documentário sobre os “Mercadões no Mundo”. As equipes do Jornalismo Record visitaram 16 mercadões - de frutas, legumes e outras coisas mais - nos quatro cantos do Planeta. Hoje o jornalístico temático da Record tem incomodado a concorrência, mesmo indo ao ar num horário incômodo, entre meianoite e uma e meia, chegando próximo aos 20 pontos de pico.

Neo Mondo: O que levou você a estar no projeto da Neo Mondo TV: desafio, promessa, amor à causa? Hummel: Não posso me classificar como um ecologista. Meu avô, falecido há mais de 50 anos, era um ecologista no tempo que o termo talvez nem existisse. Fazendeiro, não permitia desmatar nem queimar a terra. Apenas quero fazer a minha parte. E a Neo Mondo TV é um bom caminho.

Neo Mondo: A ecologia, há cerca de uma década, virou tema de programas específicos, começando pelo Globo Ecologia. Jornalões tradicionais, como o Estadão, abrem seções específicas sobre o Ambiente. Quais suas expectativas com um tema assim em TV na Internet? Hummel: A grande mídia tem a maior responsabilidade em todos os sentidos. Se ela entrar para valer, pode mudar os hábitos errados que estão maltratando o Planeta. Quero acreditar que haja boa intenção.

Neo Mondo: Com qual tese você e o projeto se identificam: que mundo deixaremos para nossas crianças ou que crianças deixaremos para o Planeta? Hummel: A segunda tese é a que melhor define a minha intenção. Ainda não tenho netos, mas espero que quando os tiver, que sejam bons para o Brasil e para o Planeta.

Educar para a sustentabilidade Talvez seja por isso que este catalano já sem sotaque se defina como uma pessoa que veio a este mundo “para aprender, mas que a televisão o decepciona

Neo Mondo: E suas expectativas com a Internet em si? Numa entrevista na Neo Mondo TV vc diz que ela chegou gritando: “acabou o reinado” da mídia tradicional. É isso?

neste ponto. Ela não veio para formar e transmitir informação, mas para ser uma máquina de vender coisas”, diz ele, ainda que não dependa das pesquisas para medir sucesso: “A televisão faz dinheiro, independentemente do Ibope. Tem programa aí que faz a alegria dos donos com meio traço de audiência”, sentencia. “Se nós quisermos melhorar o Mundo, do ponto de vista da sutentabilidade, temos que melhorar as pessoas, educá-las, pois sem educação não haverá preservação”, receita. Vez em quando Hummel coloca algumas frases no Twitter. Por exemplo: “Estou planejando meu passado porque o futuro o governo já decidiu. E você?”, perguntando-se: “Que Brasil você quer para seus filhos?”, enquanto define o Brasil como “um País de oportunidades e oportunistas”. Isso ele escreve ouvindo a 7ª Sinfonia de Beethoven.

Hummel: Posso ter exagerado um pouco. As mídias são complementares, cada uma ocupa seu espaço. E a costura final pode ser muito boa. Neo Mondo: E vc foi parar no mundo da televisão depois de começar, aos 11 anos, como office-boy de cartório, caixa de banco, criação de gado em fazenda, empregado em fábricas. Mas vc é crítico em relação à TV, concluindo que ela é “apenas uma máquina de vender coisas”. A Internet não acaba sendo só isso também? O que vc queria que TV e Internet fossem? Hummel: Podemos dizer que a Internet é um veículo muito novo, que está tentando achar seu caminho. As novas gerações saberão usá-la e dela extrair informação e aprendiza-

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Perfil

do. A TV, com sua imensa penetração, está procurando se reorientar. Há muitas cabeças novas que poderão fazer essa reorientação. É necessário que o País, por inteiro, entre num projeto de salvação. Precisamos de uma revolução educacional. Temos que sepultar ideias e interesses antigos. Salvar o Planeta significa salvar-nos. Neo Mondo: Você não teve experiências de jornal impresso, mas a fogueirinha das vaidades queima mais forte na TV que nas redações da mídia impressa? Por que será? Hummel: Não posso criticar aqueles que valorizam mais as suas imagens. Só posso dizer que eu quero que o meu trabalho apareça mais que eu próprio.

Neo Mondo: No Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus (que é assunto do Caderno Especial nesta edição), um dos palestrantes alertou que a empresa que não priorizar hoje a sustentabilidade corre riscos econômicos e de imagem. Mas Fábio Feldmann lembrou que ele conseguiu retirar via Conselho Nacional de Regulação Publicitária peças que vendiam a Petrobrás como ambientalmente responsável quando ela vende um diesel só encontrado nos piores países da África. Você conhece ações concretas de empresas que não sejam maquiadas como puro marketing social, visando só à imagem? Ações exemplares com resultados que atestem mudança de mentalidade do século 20 para o século 21? Hummel: Conheci pessoalmente uma empresa que tinha um compromisso muito forte. Uma empresa do Paraná, genuinamente nacional, de fabricação de pneus, com vários projetos paralelos de conservação. Hoje é visível a

imagem das empresas colada ao tema. Espero que seja para valer. Por menor que seja a verdade disto, algo de bom pode restar no final. Neo Mondo: Quem é o Marcos Hummel visto pelo Marcos Hummel? E como sua filha Luiza o vê? Você ainda tuíta? Hummel: Eu vim para aprender. Eu vim para melhorar-me. Acho que minha filha demonstra acreditar em mim pelo carinho com que me trata. Raramente tuíto. De vez em quando dá vontade de deixar lá uns pensamentos. Neo Mondo: Finalizando: pra ter o sucesso que vc alcançou, ancorando hoje um programa líder de audiência, bastam a estampa e o vozeirão inconfundível? Lembra alguma curiosidade de bastidor? Pra você o que é uma boa produção? Hummel: O sucesso do programa é o resultado de um trabalho árduo de uma equipe fantástica. Tento fazer o melhor para corresponder ao esforço e dedicação de cada um de meus colegas. Sou grato a Deus pelas ferramentas que Ele me concedeu e às oportunidades que me apareceram. Uma boa produção é o resultado da intenção de formar e informar. É respeitar o cliente ou o telespectador, no nosso caso, respeitar o seu desejo de se informar e se divertir.  

Neo Mondo TV

Neo Mondo: Minha experiência na TV me deixava frustrado diante do “efêmero” da transmissão televisiva. Um artigo impresso vc lê, relê, guarda se for bom. Um repórter em TV sua um dia inteiro produzindo uma reportagem, uma correria pra editar e, quando muito boa, a matéria dura no máximo um, dois minutos no ar (não falamos de programas temáticos como o Câmera Record, mas do jornalismo, do dia-a-dia). É essa sua impressão?

Hummel: Costumo dizer que o conteúdo de TV é de digestão muito rápida. Mas a mensagem principal sempre fica gravada. As grandes corporações têm suas necessidades, são pautadas pelo lucro, mas devem equilibrar isto com o dever de fornecer um bom produto.

Humberto Mesquita e Marcos Hummel, na “nossa” telinha: “Não sou ecologista. Apenas quero fazer a minha parte. E a Neo Mondo TV é um bom caminho” 10

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desArME-se

NEO MONDO não pretende explicar a violência urbana. Apenas faz um apelo às pessoas para que não se isolem à frente de um computador; saiam de si mesmas e convivam mais; eduquem-se para o Bem; cerquem-se de pessoas sempre melhores do que elas próprias; busquem o conhecimento na pesquisa, no estudo, na troca de ideias e de experiências positivas seja no campo pessoal seja no coletivo; cuidem-se e cuidem dos mais fracos, dos mais carentes, das crianças e adolescentes, dos idosos, das plantas, dos animais. Somente pessoas de mentes e corpos sadios saberão salvar o Planeta do fim dos tempos. O gênero humano e a Terra agradecem!


A loucura como oportunidade: aprendizado com o episódio na escola do Realengo

C

hega a ser desagradável ter que olhar para as nossas doenças sociais, mas somente desta maneira seremos capazes de crescer e caminharmos para uma sociedade mais responsável e sadia. Certa vez ouvi um ditado curioso: “As bruxas só são bruxas porque não foram convidadas para a festa”. Na época fiquei pensando bastante sobre as diferentes formas de discriminação. O processo educativo é longo e árduo, quem tem filhos sabe disso, e hoje com a internet o acesso quase irrestrito a informações exige dos pais e professores astúcia maior e grande dose de sabedoria para educar com equanimidade. A doença da violência é social, geral, pois está em cada um de nós e se manifesta de maneiras diferentes. Condensadamente, exercemos violência todas as vezes em que impomos ao outro nosso modo de ser como absoluto e não como um dos mo-

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dos possíveis. Na escola do Realengo foi por meio de um doente mental em surto. Por quê? Não sabemos ao certo. Pelo que parece, a explicação, e não a justificativa, poderia ser o bullying sofrido por este rapaz que, por sua vez, quis resolver suas diferenças com a morte de outras crianças, dando vazão ao mesmo processo mórbido que sofrera. Constatamos a repetição do problema de maneira intensificada. A etiologia da esquizofrenia e outras doenças mentais tem muitos componentes, é plurifatorial, multifacetado e nem por isso obscuro. Podemos elencar alguns destes fatores de forma pedagógica: a) a constituição individual da pessoa; b) experiências que moldaram seu modo de perceber os outros e a si mesmo; c) construção de certo tipo de vínculo afetivo seletivo (com os pais, família, amigos, escola, professores, relações sexoafetivas, ambiente de trabalho etc.). De qualquer forma o que se repete é a dificuldade de

se chegar a um amor verdadeiro inclusivo. Sei que falar de amor numa situação destas é complicado, pois muitos amores escondem, no interior dos vínculos, algo de patológico difícil de ser percebido. Todos somos vítimas Esse menino precisava sim ter sido amado de forma diferente, precisava sim tomar o seu remédio, ter alguém que o acompanhasse até a maturidade. Em algum lugar ele aprendeu que era diferente, que tinha dificuldade de manter relacionamentos de reciprocidade, limitado em dar conta das demandas externas seja em casa, na escola ou mesmo no trabalho. De alguma forma também aprendeu que o mundo deveria se adaptar a ele. Assim como sofreu a violência de uma hiperadaptação a um certo ambiente afetivo no grupo primário, exige para si que os outros venham até ele para compreendêlo. Estou descrevendo, não julgando! Ele foi


Siegfried Jorge Wehr

vítima, todos somos vítimas e protagonistas perpetuadores de nossas doenças. Crianças que nascem sem serem desejadas e amadas perpetuarão no seu íntimo uma vivência de que estão sobrando e apresentam uma insegurança notável, parece que não têm chão para fazer frente a qualquer desafio ou ameaça do ambiente. É uma insegurança bem no meio da personalidade, ou, se quiser, na base da personalidade se instala um vazio, um nada. Têm dificuldade de empreender qualquer projeto que requeira um mínimo de amor próprio. Parece que não têm chão para pisar, lugar para descansar a alma! Quem deveria acolhê-lo como alegria e graça o “acolheu” como problema. Outro ditado popular que gosto muito é: “A fruta nunca cai longe da árvore”. Toda pessoa doente é também um emergente do contexto em que vive. Ele corporificou a patologia de uma mãe, de um grupo familiar, de uma escola, de uma sociedade. Ele é fruto da minha, da nossa sociedade. São exemplos de concretizações esquizofrênicas tanto deste rapaz quanto de outros personagens do faz-de-conta, da mentira, da enganação, do egoísmo medíocre do “só para mim”, que no seu bojo trazem e distribuem a morte de diferentes maneiras. O desprezo, o forte envolvimento emocional conta uma metáfora de dois lados, dois extremos de uma linha de conexão. Quem despreza, discrimina, está tão preso ao desprezado que não consegue se despojar desta relação. Precisa recorrentemente reafirmar o lado de cá, desqualificando o lado de lá. Não importa o papel que adotemos, nesse caso, o fato é o tipo de relação estabelecida. Muitas relações assimétricas têm sua simetria na complementariedade emocional, sua reciprocidade cristalizada em patologia, num jeito de se relacionar destrutivo que se instala e se respira em todos os relacionamentos. Muitas vezes, no início do relacionamento parece ser muito bom para depois desen-

cadear a fase de destrutividade. Neste sentido, nós, tantas vezes, confirmamos nas nossas relações as nossas próprias convicções e crenças. Olhar de cidadão No fim, todos os atores sociais do caso têm sua parcela de responsabilidade. Os pais por educarem de modo frágil uma vida que, sabemos, iria encontrar suas dificuldades em superar bem cada etapa do seu desenvolvimento. Por legarem, não sei como, uma desconfiança, uma certa certeza de não valer o bastante para a vida. A escola por ter negligenciado o cuidado e recomendações que se faziam necessárias (sem culpar ninguém). Nunca sabemos ao certo quão profundas são as águas... A pessoa que trabalhou e nada notou de importante nesse rapaz, a tal ponto de vender uma arma a ele. Isso é próprio do mercado, não olhar com o olho de cidadão, de gente, de pessoa e saber dizer não quando necessário. Nós, adultos, somos os maiores responsáveis. Se no meio deste caminho alguém tivesse atentado para esse rapaz, se aproximado e exercido uma influência melhor, o massacre teria sido evitado? Nada garante essa especulação. Pode ser que algo poderia ter acontecido diferente, mas jamais saberemos. Portanto, não se trata de distribuir culpas, mas examinar a situação de forma mais minuciosa para se adotar posturas e atitudes mais responsáveis quando encontrarmos outros Wellingtons pelo caminho. No fundo é necessário sermos fortes o suficiente para suportarmos perdas, fortes o suficiente para sustentar a vida na educação de nossos filhos e de nossos alunos, fortes o suficiente para agir diante de situações doentias como o bullying, fortes para incluir quem está excluído... para oferecer e estabelecer vínculos sadios, que fortaleçam a vida, a construção, os talentos, as capacidades, a funcionalidade e possibilidades dentro de nossa sociedade.

E, finalmente, temos que contar com as comunidades virtuais que em si são algo muito positivo. A internet é um meio formidável de comunicação para todos nós, uma ferramenta fantástica. As comunidades possibilitam a interação de muitas pessoas e a visibilidade destas. Precisamos atentar para os outros Wellingtons que estão apoiando o feito deste rapaz. É uma manifestação, é um pedido de ajuda? É preciso verificar. Não podemos esquecer o óbvio, que quase sempre esquecemos, de lutar pela vida, pelo que agrega mais vida. Até mesmo quem se declara a favor da morbidez está querendo encontrar um jeito de ser notado e amado de verdade, porque é isto que o íntimo de todos nós anseia, busca, necessita! Cada um de nós tem em si algo que reclama, que luta, que aspira em ser útil, bom e, de certa forma, um herói que batalha pela humanidade. Quando não alcançamos isto nos frustramos, e algo dentro de nós chora e algumas vezes sangra. Os nossos problemas são modos e oportunidades de nos reconduzir ao caminho da realização integrada. Este episódio, com todas as dores e sofrimentos, pode ser um momento de retomada de nossa própria grandeza em todas as instâncias sociais e individuais. Cada um pode e deve se dar conta desta urgência que reclama pela realização e felicidade, mas esta está sempre ligada à nossa humanidade mais profunda, está ligada à Vida, nunca à morte! Sejamos humildes e sábios!

Siegfried Jorge Wehr Professor-doutor, com vivência internacional em diversas culturas, em especial a europeia; Mestre e Doutor em Psicologia Social e do Trabalho pela USP, trabalha com Projeto de Vida, Controle de Stress e Psicoterapia

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Meio Ambiente

E o boi

aliou-se à motosserra

Dados da FAO, órgão das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentos, de maio de 2010, apontam o Brasil como o maior exportador de carnes do mundo. O rebanho bovino nacional já é maior que nossa população humana, passando dos 200 milhões de cabeças. O problema é que essa expansão se dá à custa das florestas tropicais e com efeitos danosos sobre a atmosfera. Antônio Marmo

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os longínquos anos 70 do século passado explodiam os primeiros conflitos pela disputa de grandes nacos de floresta no faroeste brasileiro, deixando cheiro de pólvora no ar de seringais acreanos e rondonienses. Esta fase inicial culminou com o tiro de tocaia que tirou a vida do líder seringueiro Chico Mendes às vésperas do Natal de 88 após levar, antes dele, outros resistentes pioneiros, como o sindicalista Wilson Pinheiro, mentor de Chico. No rastro dos tiroteios e fumaça das queimadas vinham os primeiros bois

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nelores, tangidos por generosas ofertas de incentivos fiscais patrocinados pelos militares por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Um pequeno fazendeiro no Sul poderia dobrar sua propriedade migrando para o Norte em 1970. Em meados dos anos 80, ele poderia quase multiplicar sua terra por 15. Sob as patas dos bois iam ficando pra trás as colocações ou moradias dos donos primitivos daquelas paragens, seringueiros e índios, a inchar as periferias de Rio Branco, a capital do Acre.

Mas desde o início desta trágica empreitada, já surgiam estudos sérios a mostrar a atividade pecuária como predatória e causa principal da intensificação de processos de desertificação. Ela só se tornava lucrativa, eventualmente, por causa do baixo preço na compra da terra, sob os subsídios da Sudam ou pela venda da madeira que já custeava a compra, o desmatamento e a plantação da braquiária para pastagem. Até meados da década de 80 e início dos anos 90, a pecuária não tinha desempenho financeiro satisfatório com o uso de


ABr

tecnologias caseiras, tradicionais. Ela só seria positiva se continuasse dependendo dos incentivos fiscais, dos ganhos especulativos com a terra. Capital líquido Mas, então, o que justificaria a continuidade de investimentos nesta atividade nas décadas posteriores? – começaram a se perguntar os estudiosos da questão. Foi ao que se propôs o trabalho comandado pelo economista sênior do Banco Mundial, Sérgio Margulis, prefaciado pela antropóloga e nossa amiga Mary Alegretti, então secretária de Coordenação da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente. Alegretti foi uma das responsáveis por colocar Chico Mendes no circuito internacional. O trabalho de Margulis, iniciado no ano 2000, se chama Quem são os agentes do desmatamento na Amazônia e porque desmatam. O Banco Mundial discutiu com a Secretaria de Coordenação da Amazônia a possibilidade de um trabalho conjunto, dada a confluência de interesses. Ao interesse do Banco Mundial e do Ministério juntou-se o do PPG-7 com o Projeto AMA (Apoio ao Monitoramento e Análise do Programa). Mas o Banco Mundial deixava claro que as conclusões representavam ideias dos autores e não da instituição. Fronteira especulativa A interpretação inicial, entre os anos 80 e 90, era de que “os grandes fazendeiros buscavam não incentivo para o gado, ou seja, o boi era desculpa para outros objetivos: a pecuária era praticamente isenta de imposto de renda e o gado virava uma garantia de posse da terra, o que era prioridade absoluta na fronteira especulativa”, como relata Margulis “depois de mil ideias trocadas com Bob Schneider”, exsector leader ambiental do Banco Mundial no Brasil. Em relação à agricultura, principalmente quanto às culturas temporárias, diziam os analistas, o risco da atividade pecuária é baixíssimo, em termos de mercado, comercialização, condições climáticas ou pragas, demanda menores investimentos iniciais, dá retorno em tempo menor. E o gado é capital líquido, ou seja, vende fácil, pede pouca mão de obra e, por fim, a pecuária é ótima para tapear todo tipo de fiscalização (ao contrário da terra plantada). Margulis diz que “ficou claro durante a pesquisa de campo na fronteira especu-

A criação de gado para abate no País, segundo a FAO, é um dos maiores responsáveis pela degradação do solo, perda da biodiversidade e poluição da água

lativa que a criação de gado é vista pela totalidade dos atores locais como um investimento seguro, rentável e que demanda pouco trabalho” e, ademais, para eles trata-se de uma “vocação da região”. Conclusões inesperadas No entanto, o paper assinado por Margulis em 2001, “de caráter mais provocativo que conclusivo”, acabou por surpreender a todos por conclusões inesperadas em relação às primeiras constatações (que a pecuária era inviável e só lucrativa em função do baixo preço da terra). Invertia-se esta constatação para afirmar taxativamente que “o fator chave para explicar o grosso dos desmatamentos na Amazônia é simples e evidente: a lucratividade da pecuária”. Ao contrário do usualmente aceito, prosseguia o estudo, a história dos desmatamentos na Amazônia é do tipo ganha-perde, e não do tipo perde-perde. Ou seja, os desmatamentos proporcionam ganhos econômicos claros, às vezes substantivos, que do ponto de vista privado fazem todo sentido mesmo gerando perdas ambientais. E estes ganhos decorrem fundamentalmente de atividades produtivas, e não especulativas. As suas implicações imediatas são: • pelo menos os desmatamentos não geram apenas pura destruição ambiental, mas • as políticas de controle se tornam mais difíceis, as perdas do controle serão maiores. • Os agentes que se apropriam destes ganhos são os madeireiros e os pequenos

• • • •

agentes intermediários que transformam a floresta nativa em pastagens. Pecuaristas e fazendeiros “vêm depois”. Concluiu, ainda, que “também ao contrário do usualmente aceito: os madeireiros não são os principais vilões do processo; a especulação fundiária não é um fator de importância primordial; a soja e outros grãos estão longe e não ameaçam: a agricultura pode vir atrás da pecuária, mas por enquanto só é significativa no Mato Grosso. De concreto e consolidado, pouco existe nos demais estados; os incentivos e créditos subsidiados do governo só puderam explicar uma parcela muito pequena dos desmatamentos no passado: hoje em dia, praticamente não têm relevância; por terem históricos de ocupação, origem de colonização, e tipos empresariais distintos, as políticas de controle têm que incorporar estas condições específicas locais.

Assim, o autor não tem dúvida de que “a economia de todo o processo passa necessariamente pela economia da pecuária: sua viabilidade é que em última medida justifica a escala dos desmatamentos na região”. “Não fosse ela, não haveria tantos agentes intermediários, pois seus lucros também cessariam, uma vez que não teriam a quem vender as terras convertidas. Os desmatamentos causados pelos agentes que apenas buscam a subsistência seriam ínfimos em relação aos hoje observados.”

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Meio Ambiente

UM REBANHO INQUIETANTE Segundo a Humane Society International (HSI), 80% de todo o crescimento do rebanho bovino brasileiro se concentrou na Amazônia, passando de 18% para 31% no curto período entre 1990 e 2002. Em 2004 as empresas de pecuária ocupavam quase 75% das áreas desmatadas ali. Logo, não é surpresa que esta atividade seja a principal responsável pelo desmatamento naquela região, conclui a organização. A Humane Society International (HSI) e suas parceiras formam, juntas, uma das maiores organizações de proteção animal do mundo – apoiada por 11 milhões de pessoas, pregando basicamente mudanças de hábitos alimentares que levem à diminuição do consumo de produtos de origem animal, principalmente quando criados em sistemas desumanos. Isso inclui orientação de políticas, educação e programas de assistência. Diante de um desmatamento de quase 17 milhões de hectares da Amazônia brasileira entre 2000 e 2008, a HSI chama atenção para a conexão entre agricultura animal, desmatamento e mudanças climáticas. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o setor de criação de animais para consumo é “de longe, o maior utilizador de terras dentre as atividades humanas”. No Brasil, o setor é um dos maiores responsáveis pelo desmatamento, causando perda de biodiversidade, degradação do solo e poluição da água. A instituição divulgou no início de abril um extenso relatório calcado em dados internacionais vinculando a atividade agropecuária, principalmente em sua modalidade de granjas industriais de criação intensiva, ao aumento do efeito estufa. As granjas-fábrica

Dados indigestos A digestão animal que inclui a fermentação entérica e o manejo de dejetos, segundo a HSI, são as principais causas da emissão de metano pelo setor de produção animal. A fermentação entérica, ou a fermentação microbiana que acontece nos sistemas digestivos de ruminantes como boi, carneiro e búfalo, foi responsável por 63,2% de todas as emissões de metano do Brasil em 2005. Mundialmente, este processo é responsável por 25% das emissões de GEE do setor de produção animal. Os dejetos são responsáveis pelo restante das emissões de metano oriundas dos animais de produção e representam aproximadamente 5% das emissões de GEE do setor. A FAO estimou em 2006 que a criação de animais para consumo emite aproximadamente 18% de todos os gases de efeito

ABr

Guilherme Carvalho, gerente de Campanhas da HSI no Brasil, revolta-se ao apresentar dados mostrando que “nas últimas décadas temos visto uma transição de granjas familiares para granjas industriais de produção intensiva, que frequentemente concentram dezenas de milhares de animais em galpões que se assemelham a verdadeiras fábricas”.

“A intensificação da produção nas chamadas granjas-fábrica não apenas polui a água e o ar, mas também causa um sofrimento imenso aos animais.” No Brasil, mais de 90% dos ovos são produzidos por galinhas que passam quase toda a vida confinadas em pequenas “gaiolas em bateria”, espaços tão pequenos que as aves não conseguem expressar grande parte de seus comportamentos naturais, como esticar as asas, nidificar ou mesmo caminhar. Mais de 70 milhões de galinhas vivem nestas condições no Brasil. Os porcos também são vítimas dos sistemas industriais de confinamento intensivo. Existem hoje no Brasil cerca de 1,5 milhão de porcas reprodutoras sendo alojadas em “celas de gestação”, baias individuais de metal tão pequenas que as porcas não conseguem sequer se virar dentro delas.

Estudos mostram a atividade pecuária como predatória e causa principal da intensificação de processos de desertificação 16

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estufa (GEEs) gerados por atividades humanas. O setor de agricultura animal é um dos mais importantes para políticas que visem à redução imediata e rápida dos impactos climáticos dos humanos. Cadeia poluente Praticamente todas as etapas da cadeia produtiva de carnes, leite e ovos poluem o ar ou contribuem para as mudanças climáticas. O setor emite quantidades significativas de três dos GEEs mais importantes: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). Mais especificamente, o setor de animais de produção é mundialmente responsável por: • 9% das emissões de CO2 geradas por atividades humanas; • 35% a 40% das emissões de CH4 geradas por atividades humanas (o CH4 tem 25 vezes o potencial de aquecimento global do CO2 num período de 100 anos); • 65% das emissões de N2O geradas por atividades humanas (o N2O tem aproximadamente 300 vezes o potencial de aquecimento global do CO2). As emissões de dióxido de carbono deste setor são geradas pela fabricação de fertilizantes de nitrogênio para produção de ração, pelo uso de combustíveis fósseis dentro das propriedades, pelo desmatamento feito para abrir espaço para pastagem e para produção de ração e pela desertificação do pasto, que pode resultar da sobrepastagem por animais de produção. Estima-se que sejam emitidos 41 milhões de toneladas de CO2 a cada ano na fabricação de fertilizantes usados na produção de ração. Só no Brasil, são emitidos anualmente 1,69 milhão de toneladas de CO2 na utilização de combustíveis fósseis para produção de fertilizantes nitrogenados usados nos cultivos para ração. O rebanho mundial de bovinos é hoje estimado em mais de 1 bilhão de cabeças. Estima-se que as emissões globais de metano geradas a partir dos processos entéricos de ruminantes de criação fiquem em 80 milhões de toneladas por ano, correspondendo a cerca de 22% das emissões totais de metano geradas por atividades humanas.


O recorte reproduzido nesta página é um pedaço da edição número 3 da publicação alternativa Varadouro, saudosa e histórica aventura editorial dos longínquos anos 70 que se assumia como “o jornal das selvas”. Imprensa alternativa, como O Pasquim, Movimento, Opinião era moda nos chamados “anos de chumbo” e naqueles conturbados anos 70 lá estava eu, em Rio Branco, Acre, reportando para Varadouro. A manchete de capa tratou do tema que virou marca registrada do jornal: a briga pela terra, como relembra o editor, Elson Martins. A matéria “Terra, a briga pra ser dono” ocupou quatro páginas centrais, e a edição de 5 mil exemplares esgotou logo. Este número do jornal Varadouro é um documento histórico completo que dá a dimensão dos conflitos, omissões e irresponsabilidade do Acre nos anos 70/80. Suas 24 edições estão disponíveis no site www. bibliotecadafloresta.ac.gov.br.

O seringal tinha sido retalhado e vendido a um grupo de médios empresários do Sul, entre os quais figurava seu patrão Arquimedes Barbieri, um industrial do ramo de tintas em São Paulo. E a função do “capataz ou procurador” era expulsar as famílias que teimavam em permanecer nas terras. Ele chefiava um bando para metralhar criações, queimar barracos e entupir varadouros, as estreitas trilhas rasgadas dentro da mata virgem. As-

sim se abria caminho para os bois que começavam a chegar carregados por farta distribuição de incentivos fiscais via Sudam. Dez dias depois da entrevista, Carlos Sérgio se viu cercado por um grupo de cinco seringueiros armados. O líder do grupo, Antônio Caetano de Souza, baixinho, troncudo, pai de 18 filhos, foi claro: “Eu atirei seguro pra não escapar. Se não ele me matava. Eles queriam tirar a gente da terra, queriam que a gente saísse. Fui ameaçado várias vezes, pedi proteção às autoridades. Nada...”. Depois, o tempo já tórrido da Amazônia esquentou ainda mais entre um entrevero e outro, ao mesmo tempo em que ampliou-se a organização de resistência à invasão. Nas assembleias dos seringueiros organizados em sindicatos a partir de 1975, era comum ouvirse que eles não queriam trocar sua colocação de seringa dentro da mata, com 300 ou 500 hectares de floresta, por um lote do Incra de menos de 100 hectares, voltado para a produção agrícola, tangidos pelos bois.

A visão dos especialistas e formadores de opinião internacionais a respeito das mudanças que o agronegócio brasileiro de aves e suínos vem sofrendo, nos últimos tempos, será mostrada no X Seminário Internacional de Aves e Suínos (Ave-Sui 2011) entre os dias 17 e 19 de maio, em Florianópolis (SC).

O jornalista Larry Rohter, expert do setor e já conhecido dos brasileiros como correspondente do New York Times por ter protagonizado um episódio de quase expulsão por ataques ao presidente Lula, será um dos palestrantes no painel Conjuntura de Mercados. Durante sua apresentação o especialista discutirá a mudança de imagem do Brasil frente

aos mercados dos países ricos, com destaque para a posição conquistada nos últimos tempos. “O Brasil já não é apenas um país sul-americano. Ele tem interesses econômicos e diplomáticos muito mais amplos, considerado já como potência emergente, um gigante industrial e uma superpotência agrícola, transformando-se na sétima economia mundial.”

O recorte cita uma entrevista que fiz com Carlos Sérgio Zaparolli, um rapazote de 20 e poucos anos, só com o 4º ano primário mas muito bem articulado, fala fluente. Capataz – ou “jagunço” como queiram – de uma das fazendas em tentativa de implantação no então seringal Nova Empresa, numa área de 10 mil hectares, Carlos Sérgio vivia a infernizar a vida das famílias do seringal Nova Empresa nas proximidades de Rio Branco. Caminho para os bois

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Economia

Tudo

Rede Made in Forest completa um ano como as “listas amarelas” da economia sustentável Rosane Araujo

P

ara exercer a consciência ambiental, não basta ter boa vontade, é preciso também ter acesso à informação. Quem já não se deparou com uma situação na qual não sabia onde descartar um produto ou onde encontrar um serviço com filosofia sustentável? Mesmo nas grandes cidades, onde a economia verde, em geral, é mais consolidada, nem sempre é fácil localizar este tipo de informação. Na verdade, não era. Desde fevereiro de 2010, os ecocidadãos podem contar com a ajuda da rede Made in Forest, que reúne na internet um enorme banco de dados sobre produtos e serviços sustentáveis.

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Criada pelos empresários Fábio Biolcati e Martin Mauro, ambos com MBA em administração estratégica e saúde e sólida experiência executiva, a rede conta atualmente com mais de 25 mil cadastrados, entre empresas e consumidores. Seus visitantes estão localizados em mais de 70 países, já que pode ser traduzida para mais de 50 idiomas. “A rede ambiental teve muito bom desempenho, dentro do nosso planejamento para o primeiro ano. Contamos com o maior banco de dados de pontos de coletas de resíduos sólidos, ONGs ambientais e empresas de ecoprodutos, serviços e ecoturismo do país”, garantiu Biolcati.

Segundo ele, cada empresa cadastrada é responsável por alimentar a sua própria página com conteúdo pertinente ao seu negócio. “Por meio do intenso relacionamento gerado entre os membros da rede, o conhecimento e a informação tornam-se acessíveis e úteis para toda a comunidade do globo”. Além de colocar as organizações em contato entre si e com o seu público, a rede possibilita a transferência de conhecimento para quem o acessa, pois seu conteúdo é composto por informações, notícias e contatos de diversos países, além de projetos e modelos de proteção ambiental, banco de imagens e vídeos.


Rede ambiental reúne o maior banco de dados sobre economia verde no país

A área destinada à reciclagem é a que abriga o maior número de organizações. Lá é possível encontrar informações sobre pontos de coleta em todo o Brasil, abrangendo cerca de 40 tipos de materiais recicláveis. E é muito fácil utilizá-la. Na área “central da reciclagem”, basta escrever o endereço para receber a localização exata do ponto de reciclagem mais próximo, incluindo vários tipos de materiais, como baterias, eletrônicos, embalagens, óleo de cozinha, lâmpadas, pneus, entre outros. O mais novo serviço oferecido pela rede, porém, foi lançado em janeiro. O espaço Economia Verde pretende utilizar as Secretarias de Meio Ambiente de cada município brasileiro como fonte para identificar, organizar e divulgar para a população um banco de dados ainda mais completo. “Estamos com um número surpreendente de municípios em fase de aprovação do contrato de serviço e a ideia é colocar luz sobre esta economia que gerará empregos, renda e divisas para o município”, garantiu o fundador da MinF. Ainda por meio do novo serviço oferecido, as secretarias do meio ambiente têm acesso a uma sala de reunião virtual, possibilitando reuniões, treinamentos e educação ambiental à distância. “Existe ainda uma falta de hábito por parte da população em acompanhar reuniões neste modelo de sala, mas este conceito já é largamente utilizado na Europa e EUA e sua utilização aqui no Brasil é questão de tempo”, opinou. Segundo ele, a estruturação do sistema visa também colaborar com os 21 programas ambientais estratégicos do Gover-

no de São Paulo como o “Município Verde e Azul”, que avalia os aspectos ambientais de cada cidade, atribuindo notas e premiando as melhores colocadas. Tanta contribuição para o fortalecimento da economia verde, tem colocado a MinF como um dos principais interlocutores deste tema que será o foco da Conferência Rio+20, marcada para junho do próximo ano. O evento pretende reunir autoridades do mundo inteiro para discutir sobre economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza e sobre o papel das instituições na promoção deste desenvolvimento. “Acreditamos que a Conferência Rio+20 trará mais visibilidade para a Economia Verde, o que é fundamental para

que toda a sociedade saia do longo discurso de sustentabilidade e entre enfim na prática, divulgando e beneficiando empresas de todos os portes que estão trilhando o caminho de re-utilização de recursos naturais”, revelou Biolcati. Se existe otimismo em relação à conferência, não poderia ser diferente quando o assunto são as expectativas de crescimento da rede ambiental. Sua receita advém da comercialização de publicidade e desde janeiro, existe uma área especificamente designada para tratar o assunto. “As expectativas são de grande crescimento a partir do momento que as empresas cadastradas desejarem dar uma melhor visibilidade aos seus produtos e serviços. A publicidade realizada através de banners na rede é totalmente acessível a estas empresas, variando em valores mensais de 80 a 500 reais mensais, dependendo da localização do anúncio”, contou. A força das redes sociais é uma das apostas do sócio fundador. Desde seu lançamento, a MinF vem sendo divulgada em comunidades verdes das redes sociais como facebook, orkut e twitter e em emails direcionados para estas comunidades ligadas ao meio ambiente. “Acredito que, realmente, a publicidade nas redes é a mais acessível e também a que têm melhor custoXbeneficio, pois é realizada diretamente para o consumidor interessado naquele produto ou serviço. E como também acreditamos que as redes sociais ou, neste caso ambiental, são irreversíveis, acredito que a tendência é aumentar cada mais a percepção de valor agregado e eficiência dessa mídia”, finalizou.

Na Central da Reciclagem é possível localizar o ponto de coleta mais próximo de produtos variados como baterias de veículos, eletrônicos, isopor, lâmpadas, entre muitos outros Neo Mondo - Abril 2011

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A compreensão do meio físico na gestão da informação

A

s Ciências da Terra oferecem os fundamentos básicos para a compreensão do mundo físico em que vivemos. Temporalidade, abrangência, ciclicidade e duração dos processos terrestres são caracterísitcas do raciocínio 20

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goeológico que oferecem contribuições ao debate ambiental. O levantamento das características do meio físico serve para a compreensão do ambiente em que vivemos e para estabelecer inter-relações com contextos

socioculturais, como exemplo, a relação da qualidade da água com o tipo de solo e vegetação presentes e os usos do solo e a forma de ocupação do espaço. O conhecimento do meio físico, apesar de sua importância, não está posto nos


Denise de La Corte Bacci

ambientes formais de ensino, resultando numa formação do cidadão incompleta, carente de um raciocínio interdisciplinar necessário para a compreensão global do funcionamento do Planeta e da interdependência da natureza com o meio social. Essa incompletude na formação dos cidadãos leva a uma visão imediatista e utilitária da natureza. Para que se alcancem o almejado desenvolvimento sustentável e a preparação para o exercício da cidadania, é importante ter conhecimento sobre o ambiente em que se vive para interpretar, julgar e atuar na sociedade de forma responsável. Sem os conhecimentos sobre o funcionamento e organização, gênese e evolução do planeta, tais como a noção de um ciclo global da natureza, da cadeia de causas e consequências na sucessão de eventos naturais, sobre as interações físicas, químicas e bioquímicas nos ambientes, será difícil formar cidadãos participativos e conscientes de suas ações. O monitoramento das águas, entendido sob a perpectiva do ciclo hidrológico, é um exemplo de como, a partir da compreensão do mundo físico, é possível estabelecer relações de interdependência entre as ações humanas e os ciclos naturais. A água passa por todas as esferas terrestres. O movimento cíclico da água - dos oceanos e plantas para a atmosfera por evaporação e evapotranspiração, de volta para a superfície por meio da precipitação e, então, para os rios e aquíferos pelo escoamento superficial e in-

filtração, retornando aos oceanos. Esse caminho da água forma o ciclo hidrológico, fundamental para o abastecimento dos reservatórios naturais, tanto em termos de transferência da água entre eles e transformação entre os estados sólido, líquido e gasoso. A disponibilidade hídrica de determinada região está relacionada com as condições climáticas e com o armazenamento da água nos reservatórios superficiais (rios) e subterrâneos (aquíferos). O tipo de substrato, a instalação da drenagem no relevo, a geometria do canal fluvial e seus parâmetros naturais (velocidade de escoamento, vazão, profundidade) são alguns dos condicionantes geológicos que caracterizam esse ambiente. A biodiversidade está, portanto, condicionada pela geodiversidade. Quando realizamos o monitoramento da qualidade da água em ambiente urbano, estamos relacionando todos esses parâmetros com fatores socias de uso e ocupação do solo e os usos múltiplos da água. É importante que as informações coletadas sejam divulgadas numa visão de sistemas integrados. É impossível solucionar problemas apenas com base na informação objetiva, sem que sejam dessa forma interpretadas e compreendidas. Compreender os ciclos naturais faz-se importante para que entendamos como a ação do homem pode modificar ou intensificar os processos naturais e quais ações e cuidados devemos tomar para

que nossas ações não sejam mais fortes e desequilibrem os ciclos e as paisagens naturais. À medida que entendemos esse ciclo e os processos nele envolvidos, somos capazes de compreender que interferências naturais ou induzidas podem causar desequilíbrios e gerar impactos negativos ao ambiente. A gestão da informação é crucial para conseguir resultados dos processos substancialmente válidos na Aprendizagem Social. Uma vez construído pelos diversos atores sociais, o padrão do mundo físico leva à compreensão do ambiente local e de suas relações com o contexto sociocultural, estendendo-a para contextos cada vez mais amplos, até chegar à concepção da Terra como um sistema evolutivo complexo, que favoreceu o surgimento e evolução dos organismos, bem como da humanidade, os quais, por sua vez, modificam a superfície terrestre.

Denise de La Corte Bacci Graduada em Geologia pela UNESP, Campus de Rio Claro, mestrado em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP e doutorado em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP. Estágios na Università di Milano e University of Missouri_Rolla. Pós-doutorado em Engenharia Mineral pela POLI-USP. Atualmente é docente do Instituto de Geociências da USP. E-mail: bacci@igc.usp.br Neo Mondo - Abril 2011

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Comportamento

Beber,

cair e levantar

Álcool é a droga mais consumida entre adolescentes da rede privada de ensino de São Paulo – 33% relataram beber em excesso no mês anterior Rosane Araujo

A

s férias terminaram e, após o carnaval, o ano letivo começou para valer em todo o Brasil. Hora de focar nos estudos, sim, mas sem deixar de curtir uma festinha de vez em quando. Se você for um adolescente da rede de ensino privada paulistana, a probabilidade de se embriagar em uma dessas festas é grande. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), investigaram os hábitos de 5.226 alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio, em 37 escolas. O levantamento inédito sobre o consumo de drogas entre estudantes de escolas privadas paulistanas foi concluído em junho e indicou que, de todas as drogas, o álcool é, de longe, a mais usada: 40% dos estudantes haviam bebido no mês anterior à pesquisa. O tabaco apareceu em segundo lugar com 10%.


Divulgação

O álcool e a saúde Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o abuso do álcool resulta em 2,5 milhões de mortes por ano no mundo. Cerca de 320.000 jovens entre 15 e 29 anos morrem de causas relacionadas ao álcool, o que representa 9% das mortes nesta faixa etária. Ana Regina: “não incentivo nem desestimulo... devemos proteger os adolescentes dos riscos”

Em relação ao consumo de álcool, um dos dados que mais chamaram a atenção no levantamento é que, no ensino médio, 33% dos alunos consumiram no padrão conhecido como binge drinking – ou “beber pesado episódico” – no mês anterior à pesquisa. O comportamento binge se caracteriza pelo consumo, na mesma ocasião, de cinco ou mais doses de 14 gramas de etanol – valor correspondente a cinco latas de cerveja (ou copos de vinho ou doses de bebida destilada). “É um índice preocupante porque este nível de consumo resulta em embriaguez”, comentou a coordenadora do estudo, Ana Regina Noto, pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp. Para ela, em episódios de embriaguez, os adolescentes expõem-se não só ao risco de um coma alcoólico, mas, com ainda mais frequência, a outros riscos como sexo sem proteção, envolvimento em brigas, dirigir embriagado ou pegar carona com pessoas neste estado. “Tudo isso é muito comum porque a pessoa perde a noção devido ao consumo exagerado de bebida”, disse. A pesquisa mostrou também que existem vários fatores associados à prática de binge drinking. Entre alunos do ensino médio, por exemplo, morar com alguém que se embriaga aumentou duas vezes a chance de ocorrência desse comportamento. Sair à noite uma vez por semana aumentou as chances em 9,5 vezes. Sair à noite todos os dias aumentou as chances de comportamento binge em 20 vezes. A condição socioeconômica também influencia: o risco é duas vezes maior entre os alunos das escolas com mensalidade acima de R$ 1,2 mil.

Fonte: World Health Organization - www.who.int

Segundo o estudo, o comportamento binge drinking estava mais presente entre os meninos (26,8%), mas também foi elevado entre as meninas (21,7%). Cerca de 7,3% dos meninos e 5,4% das meninas relataram ter bebido no padrão de três a cinco vezes no último mês. “Não existe grande diferença entre os gêneros, é uma prática comum entre adolescentes em geral”, comentou Ana Regina. Apesar de o estudo ter sido realizado somente com alunos da rede privada, quando comparados a outros trabalhos já realizados na rede pública, é possível encontrar pequenas diferenças nos comportamentos dos alunos, segundo a pesquisadora. Nas escolas particulares o binge drinking é mais comum. “O aluno não bebe todos os dias, mas quando bebe, exagera.” Riscos diferentes Já nas escolas públicas, o consumo é mais frequente, porém, em menor quantidade. “Cada grupo se expõe a riscos diferentes.” Na rede privada, porém, mesmo entre os adolescentes que utilizaram outras drogas, nada se aproximou do padrão de consumo caracterizado pelo comportamento binge relacionado ao álcool. “Seria óbvio imaginar que as drogas lícitas são mais consumidas, mas o óbvio às vezes não é tão óbvio assim. As políticas voltadas para as drogas legais estão aquém do necessário. Quando se pensa em prevenção, geralmente se pensa no crack e em outras drogas pesadas”, afirmou. Para a pesquisadora, em termos de saúde pública, o crack perde para o álcool. “Quantos usuários de crack você conhece? E quantas pessoas que consumiram álcool e acabaram se envolvendo em acidentes?”, questionou.

Em sua opinião, o crack merece atenção, mas as drogas legais não estão sendo combatidas da maneira que deveriam. “É desproporcional. Existe um exagero em relação às drogas ilícitas e uma negligência com as lícitas”. Para embasar sua crítica, Ana Regina cita dados sobre a dependência de álcool. No Brasil, cerca de 12% da população adulta é dependente, e entre homens o índice chega a 20%. “Isso sem falar nos casos sub-relatados, já que muitas pessoas convivem com a dependência.” E qual a relação do uso na adolescência e a dependência na fase adulta? “Existe uma série de estudos que indicam que quanto mais cedo o beber constante começa, maior é a probabilidade de dependência no futuro”, explicou. Este é mais um ponto de alerta, já que a pesquisa da Unifesp apontou o álcool como a droga que começa a ser consumida mais cedo, com média de idade de 12,5 anos. E para a maior parte dos entrevistados, o primeiro consumo ocorreu em casa: 46% deles começaram assim. “É um dado esperado porque a bebida alcoólica está dentro da casa das pessoas, é estimulada pela televisão etc. Mas o fato de usar dentro de casa não tem, necessariamente, relação com o desenvolvimento da dependência. Pode ser que os que consomem com os pais estejam mais protegidos. O fato é que a lei proíbe o consumo de álcool antes dos 18 anos, mas muitas famílias liberam. Os pais parecem não perceber os riscos, sem falar no fato de que é proibido”, ponderou. Ao contrário do que pode parecer, porém, a pesquisadora não se declara nem contrária e nem favorável ao consumo de álcool na adolescência.


Comportamento “Eu não incentivo nem desestimulo, só acho que, se for para liberar, devemos pensar em como proteger os adolescentes dos riscos. O que não dá é para continuar fingindo que o consumo não existe e deixar os adolescentes expostos. Parece uma sociedade meio esquizofrênica”, comentou. Graduada em Psicologia e FarmáciaBioquímica, com Mestrado e Doutorado, Ana Regina atua como pesquisadora do Cebrid desde 1993.

O órgão tem parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) no fornecimento de dados que auxiliam na definição das políticas antidrogas. “Há muitos anos, estamos batendo na tecla de que é preciso intensificar as políticas de combate ao uso das drogas lícitas, mas este é um quadro que não será revertido da noite para o dia”, admitiu.

A pesquisadora, porém, já consegue identificar avanços importantes. “O tabaco, por exemplo, vem perdendo espaço nos últimos anos, as pessoas estão procurando ajuda, e o mesmo começa a acontecer em relação ao álcool. O conceito de ‘se beber, não dirija’ está sendo intensificado e estamos questionando também a propaganda. As expectativas para o futuro são muito promissoras”, finalizou.

Consumo de drogas por adolescentes das escolas particulares Confira os dados da pesquisa para cada droga

Álcool

Inalantes

• 40% dos entrevistados relataram consumo no mês anterior, o maior entre todas as drogas citadas • 33% tiveram pelo menos um binge drinking ou “beber pesado episódico” • 12,5 anos foi a média de idade do primeiro consumo • 46% ingeriram pela primeira vez em casa • Os meninos deram preferência à cerveja e as meninas às bebidas tipo “ice”, batidas, caipirinha e vinho. • 80% relataram consumo “pelo menos uma vez na vida”

• 16,2% dos meninos e 11% das meninas experimentaram inalantes alguma vez na vida. O padrão de consumo mais comum foi de um a cinco dias por mês. • No ensino fundamental, os tipos de inalantes preferidos foram o esmalte e acetona (41,7%) e gasolina (38,4%). Já entre os estudantes do ensino médio, os mais comuns foram os inalantes ilegais: “lança” e “loló” (71,9%). • 14 anos foi a idade média do primeiro consumo • Entre meninos e meninas, 13,6% consumiram pelo menos uma vez na vida

Tabaco

Maconha

• 10% dos alunos consumiram no mês anterior à pesquisa, sendo a segunda droga mais consumida • 13,5 anos foi a média de idade do primeiro consumo • 33% dos alunos do ensino médio experimentaram alguma vez na vida, contra 14,8% do ensino fundamental • Os fumantes regulares (que consomem tabaco mais de 19 dias no mês) correspondem a cerca de 4% dos estudantes do ensino médio e menos de 1% do ensino fundamental • 24,6% consumiram pelo menos uma vez na vida

• Cerca de 5% dos meninos fumaram a droga no mês anterior à pesquisa, contra 2,5% das meninas • 16% dos alunos do ensino médio já utilizaram alguma vez na vida, contra 3,8% do ensino fundamental • 14,5 anos foi a média de idade do primeiro consumo • 10,7% consumiram pelo menos uma vez na vida

Fonte: Agência Fapesp 24

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Cocaína, calmantes e anfetaminas • Cerca de 3,2% dos meninos experimentaram cocaína pelo menos uma vez na vida. Segundo o estudo, a droga parece

ser mais comum entre os meninos, mas o número de observações é baixo demais para garantir a validade dos dados. O índice geral de consumo “pelo menos uma vez na vida” foi de 2,2% para cocaína. O uso de calmantes e anfetaminas foi mais comum entre as meninas: 7,5% utilizaram calmantes alguma vez na vida, contra 3,2% dos meninos. O uso de calmantes esteve associado à família. Na primeira ocasião de consumo, a droga foi geralmente oferecida por algum familiar (50%). “Peguei em casa” foi a resposta de outros 38%. O consumo “pelo menos uma vez na vida” foi de 5,3% para calmantes, 3,6% para ETA. Os adolescentes também consumiram, pelo menos uma vez na vida, drogas como o ecstasy (4,3% dos meninos e 1,7% das meninas), benflogin (2%), anabolizantes (2,5% entre os meninos e 0,2% entre as meninas) e LSD ou chá de cogumelo (2% dos meninos e 1% das meninas). 14,5 anos foi a média de idade do primeiro consumo para cocaína e estimulantes tipo anfetamina (ETA).


Marcio Thamos

Mitologia clássica:

As Quatro Idades

N

o início dos tempos, uma eterna primavera embalava o mundo todo e garantia o perfeito equilíbrio entre o frio e o calor. Pelos campos, espalhava-se o perfume delicado de flores purpurinas, e ao longe o canto alegre dos pássaros fazia as ramagens ressoar com harmonia. Livres e satisfeitos, procriavam os animais. Um vento leve e macio soprava a brisa suave e boa que brandamente animava os brotos nascentes; e os frutos, sem medo de tempestades ou de geadas, ganhavam força na chuva benfazeja com que o céu amorosamente fecundava a terra. Era, então, a Idade de Ouro, quando a vida se dava aos homens sem lhes cobrar preocupações, quando o sorriso e o afeto, a verdade e a justiça, a fartura e o bem-estar imperavam como regra natural e absoluta. A própria terra, por toda a parte, oferecia tudo de bom grado, sem precisar sofrer a ação de arados ou de foices. Forravam-se de trigo as campinas, enlourecendo-se as planícies até onde a vista pudesse alcançar; pelos vales abertos na paisagem, corriam, largos e abundantes, rios de vinho e rios de leite; e dos carvalhos duros, escorria o denso mel. As mãos humanas desconheciam qualquer necessidade de trabalho. Nem mesmo a delicada lã exigia maior cuidado, pois já nos prados os carneiros tingiam-se de vermelho e de dourado, exibindo o encanto festivo das cores em toda a sua naturalidade. Ignorando leis ou castigos, juízes ou justiceiros, cultivava-se espontaneamente a

boa-fé, a piedade e a retidão. Não se cortava o pinheiro na floresta para em seguida bater as trilhas moventes do mar. De além de suas praias ninguém tinha notícia. Muralhas em torno das cidades não se viam nem eram requeridas: seguros estavam todos onde estivessem, quer fosse noite ou fosse dia. Soldados e armas, exércitos e guerras nem como simples palavras existiam. A amizade era o sumo bem que a todos deleitava; e de algum mal, por mínimo que fosse, ninguém sabia. Havia só o ócio puro e doce, que não suscitava esforços nem conflitos. E os homens, numa vida feita apenas de beleza e de paz, desfrutavam do convívio ameno das próprias divindades. Foi de Prata a Idade seguinte, inferior à de Ouro, no entanto, mais valiosa que a de Bronze. Por essa época, os homens começaram a tornar-se arrogantes e com frequência desdenhavam dos deuses, acreditandose donos do próprio destino. Júpiter, então, limitou a infindável primavera a um curto espaço de tempo, criando as outras estações que se fizeram suceder: verão, outono e inverno. A humanidade precisou adaptarse aos excessos do ar quente e aos rigores do vento gélido e teve que suportar a carência de alimentos, pois a terra, embora ainda generosa, já não produzia o ano todo. Foi preciso abrigar-se em cavernas e aprender a cultivar as sementes que no solo se escondiam. Pela primeira vez nos campos os bois gemeram puxando o peso do arado. Veio depois a Idade de Bronze, quando

surge no mundo uma geração guerreira, já afeita às armas, que se compraz no fragor das batalhas, mas não de todo vil e impiedosa como a seguinte. Na Idade de Ferro, já não resta nenhum nobre sentimento no coração dos homens. Tudo é maldade e mentira. Virtude e respeito, honra e lealdade não têm qualquer valor. O crime e a perfídia tornam-se comuns; por toda a parte a violência e a cobiça reinam sem limites. Afrontam-se os mares, atrás de riquezas estrangeiras. Guerras sangrentas explodem, e já não há lugar para a Justiça, que enfim foge assustada e ofendida para junto das demais divindades celestes, que há muito haviam abandonado a terra. A humanidade ainda sonha com o retorno da Idade de Ouro, que deverá suceder finalmente à de Ferro. E o nascimento de cada criança no mundo mantém viva e renovada essa antiga esperança na memória dos povos.

Doutor em Estudos Literários. Professor de Língua e Literatura Latinas junto ao Departamento de Linguística da UNESP-FCL/CAr, credenciado no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da mesma instituição. Coordenador do Grupo de Pesquisa LINCEU – Visões da Antiguidade Clássica. E-mail: marciothamos@uol.com.br Neo Mondo - Abril 2011

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BONS EXEMPLOS O

meio empresarial, dado o seu despertar para a importância da questão ecológica, vem se empenhando, ainda que não nos patamares desejados, em apresentar soluções e alternativas para a proteção do nosso meio ambiente. Importante colaboração vem sendo prestada em iniciativas que merecem ser divulgadas como forma de incentivo a novas práticas do gênero, além do próprio reconhecimento que se deve render. Deixando de lado as práticas mais comuns e elementares, mas, à evidência, não menos importantes, como reciclagem do lixo, captação de energia solar e reúso da água, elencaremos alguns exemplos de iniciativas inovadoras, a serem seguidas e homenageadas: Começaremos citando a Coelce, distribuidora de energia da região Nordeste, que desenvolveu um programa voltado

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à baixa renda (Ecoelce), incentivando a troca de lixo reciclável por descontos na conta de luz; o material levado pelos clientes até os locais credenciados é pesado e transformado em bônus na conta de energia elétrica. Em 2008, o projeto foi destacado pela ONU como uma das 10 iniciativas no mundo que estão ajudando a atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Walmart, por sua vez, desenvolveu um sabão em barra (TopMax), produzido com óleo de cozinha separado pelos clientes, parceiros e funcionários. Também conseguiu fazer com que os seus fornecedores reduzissem suas embalagens, economizando recursos naturais. Convenceu, ainda, fabricantes de produtos de limpeza a diminuírem em 70% o fosfato nas fórmulas de seus produtos (banida em vários países, a substância é responsável por provocar nos

rios a chamada eutrofização – proliferação exagerada de algas, que consomem o oxigênio e provocam a morte de peixes). Já a subsidiária brasileira da Bunge Alimentos criou uma ferramenta que bloqueia automaticamente qualquer contrato de fazendas que estejam em situação irregular no Ibama. Além disso, todos os contratos de aquisição de produtos agrícolas têm cláusulas de rompimento unilateral no caso de descumprimento da legislação ambiental. Também o Grupo Pão de Açúcar implantou o Programa Caixa Verde, que possibilita o descarte imediato das embalagens, pós venda ao consumidor, estimulando a reciclagem. Desde 2007, foram arrecadadas mais de 1 milhão de embalagens, sendo mais de 600 mil em 2010 e hoje o programa se encontra implantado em 132 lojas.


Dr. Dr. Marcos Marcos Lúcio Lúcio Barreto

Temos, ainda, a subsidiária brasileira da portuguesa EDO, holding de empresas de geração, distribuição e comercialização de energia elétrica, que promoveu uma seleção interna de 50 “embaixadores de sustentabilidade”, os profissionais gências, sob penadentre de benefícios fiscais de todas ase áreas e níveis hierárquicos, suspensos multas altíssimas, que poque responsáveis ações demserão chegar a quase R$por 50liderar milhões, fide ecoeficiência. Para os executivos da alta xadas pela lei estadual nº 13.577/2009. direção, esforços vão além; são avaEsse os recente diploma legal,eles a propósito, liados com base em indicadores sociais e após iniciativa da CETESB, tornou obrigaambientais, alémem decartório, financeiros – e suas tório o registro na matrícula remunerações variáveis estão atreladas a do imóvel, da existência de contaminação, essa avaliação. mesmo na hipótese de recuperação, que O Itaú Unibanco, igualmente, criou, há também pode ser registrada, servindo como cerca de dois anos, um canal batizado de um alerta ao futuro comprador. AcrescentaBanco de Ideias Sustentáveis, que incentimos, inclusive, que, ainda que o titular da va a dar da sugestões de noáreaossefuncionários omita no registro contaminação, vas estratégias ecoeficientes possam a CETESB se encarrega de fazerque a respectiva ser adotadas.aoAcartório. iniciativa já resultou em comunicação maisVale de 2.000 propostas. lembrar, também, por oportuno,

A marca de artigos esportivos Puma, da mesma maneira, passou a dobrar mais uma vez as peças de roupa que chegam ao mercado, reduzindo, assim, o tamanho das embalagens. Ao mesmo tempo,solidário, muitas empresas, galmente responsável civil e adcomo a BM&Fpela Bovespa, preocupadas com ministrativo, descontaminação. a sustentabilidade, Por outro lado, estão o que preferindo se verifica trabaé que, bikeboys , substituindo os servilhar com cada vez mais, antigas áreas industriais estão . ços prestados pelos motoboys sendo reaproveitadas para uso residencial. Finalmente, unidade gaúcha, na inciRegiões quea registram passado dade de Montenegro, da subsidiária bradustrial na cidade de São Paulo, como a sileira chilena Masisa, Mooca,da Barra Funda e Vila produtora Leopoldina,dee painéis de madeira, foi inaugurada em 23 que agora despertam grande interesse do de maio de 2009 com 11% de todo o mercado imobiliário, por possuíreminvesestatimento à sustentabilidade. A ções de direcionado metrô e imensos terrenos livres matriz energética da fábrica é 99% renováao longo da orla ferroviária, estão sendo vel, proveniente do reaproveitamento de especialmente monitoradas pela CETESB, resíduos como pó e as cascas madeira, que cobra da oPrefeitura e dasdeempresas que até então um se transformavam em passiresponsáveis plano de despoluição. vo ambiental. Outra iniciativa de destaque O custo do trabalho de descontami-

que o adquirente do imóvel passa a ser le-

nação do solo varia de R$ 300 a mais de

éR$o 5desenvolvimento mil por toneladadedeemulsão resíduo,parafínidepenca (insumo utilizado para aumentar a re-e dendo do tipo de material contaminante sistência dos apainéis de madeira à água) da tecnologia ser empregada. da reciclagem de embalagens vida. A técnica mais utilizada é alonga dessorção Estima-se que 15 milhões exemplatérmica, que implica na desses incineração do res de ir para o lixo todos osquananos solodeixarão contaminado, principalmente (cada de emulsão produzida desdo se tonelada trata de material de elevada toxidasa forma aproveita 10.000 embalagens). de, sendo que os equipamentos utilizados Porque o espaço devem ser restrito homologados peladisponível, CETESB. essa apresentação é apenas uma pequeEmpresas de grande porte normalmente na parcelarecursos das diversas iniciativas as possuem suficientes paraque arcar empresas, cientes agora da relevância das com os custos da recuperação de uma área práticas sustentáveis e das suas contaminada. O problema surgeresponsaquando bilidades sociais, passaram a adotar. empresas de pequeno e médio porte não Observamos que aquilo queà possuem esses satisfeitos recursos, transferindo era marginal passou a ser conectado à essociedade um perigoso passivo ambiental. tratégia, transformando a sustentabilidaAtento a essa questão, a lei estadual de em oportunidade negócios.passou a 13.577/2009, aqui jádereferida, É também uma indicação do que muiprever que os novos empreendimentos to ainda pode se fazer; os exemplos citacom potencial de gerar contaminação, dos revelam que espaço e capacidade para como contrapartida, devem reservar uma tanto faltam. parte não do investimento para o Fundo EsSaindo vertente empresarial apretadual paradaPrevenção e Remediação de sentada e, sabedores de que o reconheÁreas Contaminadas, cuja destinação cimento é desencadeador de renovadas é a recuperação de espaços poluídos. doses de estímulo, a impulsionar novas Outra preocupação que existe é a captação descobertas e iniciativas, finalizaremos de águas subterrâneas contaminadas pelos rendendo nossas homenagens a dois jonovos empreendimentos imobiliários. vens alunos da Etec Getúlio Vargas em O uso contínuo de água com organoSão Paulo, que produziram tinta, através clorados para banho, por exemplo, pode do reaproveitamento de óleo de cozinha, causar câncer e doenças neurológicas. e que foram, por isso, premiados na Feira A descontaminação do lençol freático Brasileira de Ciências e Engenharia, além também é possível, apesar de se tratar de dos acadêmicos da FEI, Renato Figueiredo, um processo longo. Lucas R. Lamas e Tatiana da Silva, premiaDiante do quadro apresentado, entendos no concurso EDP University Challendemos que houve um significativo avanço ge ao criarem um projeto que aproveita dos mecanismos de controle da questão a circulação das pessoas que passam nas aqui tratada, que, no entanto, em função catracas do metrô e dos trens para transda sua relevância, exigirá sempre renovaformar esse movimento em eletricidade. das e lapidares providências, além de um A todos assim empenhados, nossos acompanhamento particularmente atento. agradecimentos... Esse, seguramente, é um assunto do qual não podemos nos descuidar... Dr. Marcos Lúcio Barreto Promotor deBarreto Justiça Dr. Marcos Lúcio do Meio Ambiente de São Paulo Promotor de Justiça E-mail: marcoslb@mp.sp.gov.br do Meio Ambiente de São Paulo

E-mail: marcoslb@mp.sp.gov.br Neo Mondo - Abril 2011 Neo Mondo - Março 2011

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Conjugar o verbo envelhecer na primeira pessoa do singular

M

velhecimento humano para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, seja na área legal, urbana, social, psicológica, física, entre outras. O evento de abertura homenageou médicos vinculados a Sociedade Argentina de Gerontologia e Geriatria (SAGG), que completou 60 anos de fundação neste ano. Hugo Alberto Schifis, presidente da Sociedade, num misto de quebra de protocolo com informalidade, abriu os microfones para as autoridades presentes na solenidade do dia 6 de abril, no auditório do Panamericano Buenos Aires Hotel e Resort. O presidente mundial da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria (IAGG), Bruno Vellas, da França, em um esforçado espanhol, prestou contas das atividades que vêm sendo desenvolvidas pela instituição em todos os continentes, especialmente na qualificação profissional dos geriatras. O presidente eleito da Coreia,

Divulgação

ais de 1.700 pessoas estiveram reunidas por uma semana em Buenos Aires (Argentina) motivadas para a discussão do envelhecimento e saúde das pessoas idosas da América Latina, no 6º Congresso LatinoAmericano e do Caribe de Gerontologia e Geriatria, que aconteceu de 6 a 9 de abril. A mensagem que unificou todas as linhas e línguas de pesquisa foi da necessidade de as pessoas conjugarem o verbo envelhecer na primeira pessoa do singular, pois somente assim entenderemos o processo individual e deixaremos de temer ou repudiar esta fase daqueles que conseguem alcançar a longevidade. Os temas foram divididos em duas grandes áreas: a geriatria, ou seja, aqueles que envolvem a medicina, na prevenção e tratamento das doenças que podem acontecer ao longo da vida e se agravar no envelhecimento; e o da gerontologia, a área multidisciplinar que estuda o en-

O argentino José Jauregui (presidente eleito do COMLAT), Rosane Martins e o colombiano Fernando Gómez (ex-presidente do COMLAT)

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Heung Bom Cha, convidou todos para estarem reunidos no 20º Congresso Mundial da IAGG que ocorrerá de 23 a 27 de junho de 2013 em Seul. Todos os congressistas receberam um delicado marcador de página com o símbolo do I-Ching banhado em ouro, mostrando que a Coreia investe na qualidade do próximo encontro mundial. COMLAT ESPECIALIZA E UNIFICA VOZES LATINAS Durante três anos como presidente do COMLAT/IAGG – Comitê LatinoAmericano e do Caribe da Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia, o colombiano Fernando Gómez concentrou seus esforços em realizar uma série de atividades que permitiram disseminar e compartilhar conhecimentos e experiências de toda a região, estimulando a investigação gerontológica, e interatuar com outros associados internacionais e intergovernamentais, para o desenvolvimento de diversas ações. Além de realizar o V Congresso Latino-Americano e do Caribe em Gerontologia e Geriatria em Cartagena das índias, em abril de 2008, organizaram e participaram do congresso mundial em Paris, no ano de 2009, com a presença de 2.500 pesquisadores, cujo destaque foi para a participação do Brasil, com maior número de delegados e expositores com comunicação oral e pôsteres. Fernando Gómez destacou ainda a realização de cinco fóruns de envelhecimento ativo realizados no Uruguai, Argentina, Colômbia e Chile e um livro que está sendo finalizado com as conferências e resumos apresentados. Outro importante avanço são as participações na Rede Global de Investigação em Saúde e Envelhecimento IAGG-OMS, cujo objetivo é selecionar centros de investigação em todo o mundo, para formar uma grande rede e ampliar os 29 centros atuais em 500.


DOCENTES LATINO-AMERICANOS DE GERONTOLOGIA A diretoria do COMLAT também inovou ao implementar importante projeto de capacitação, que se propôs a formar professores de gerontologia para a América Latina, em parceria com a Associação Colombiana de Gerontologia e Associação Pan-Americana de Saúde, que aconteceu em Manizales, em maio de 2009. O curso teve a participação de 70 delegados de 14 países, dos quais do Brasil somente Tulia Garcia (Fortaleza-CE) e Rosane Martins (Florianópolis-SC) foram as selecionadas. O tema central da primeira capacitação foram as teorias sociais e psicológicas do envelhecimento. O segundo curso de capacitação acontecerá agora em setembro, em Paipa, Colômbia, com o aprofundamento da discussão em educação multidisciplinar, transdisciplinar e multidisciplinar na Gerontologia. Haverá participação latina ainda no curso de envelhecimento que acontecerá em Barcelona (Espanha) de 21 de junho a 1º de julho e no 4º Congresso Pan-Americano de Gerontologia e Geriatria que ocorre de 21 a 23 de outubro, em Ottawa (Canadá). A partir de agora a responsabilidade do cargo é do argentino José Ricardo Jauregui. DESAFIOS PARA UM ENVELHECIMENTO BEM-SUCEDIDO Várias mesas discutiram os desafios a serem enfrentados para que a América Latina e seus 22 países possam ter um envelhecimento bem-sucedido. O envelhecimento se apresenta mais rápido na América Latina que nos países desenvolvidos, o que deixa mais evidente a desigualdade social entre os adultos que envelhecem, a baixa cobertura de seguridade social e baixa qualidade dos sistemas de proteção social implementados. Os expositores destacaram que em 2025 seremos 57 milhões de pessoas com idade acima dos 60 anos, que somados aos 41 milhões de pessoas idosas de 2000 apresentam números dramáticos a serem administrados

por governos e instituições. A proporção de pessoas com mais de 60 anos triplicará do ano 2000 para 2050, onde teremos um para quatro pessoas nesta faixa etária. Haverá mais pessoas acima dos 75 anos em 2050, cerca de 9% das pessoas idosas. Constata-se que o envelhecimento aumenta a demanda por serviços de assistência e que as mulheres não querem mais continuar a assumir as funções de cuidado com as pessoas idosas e que as demandas para formação de serviços de apoio não encontram respaldo popular. É necessário ainda, em muitos países, a promulgação de leis que protejam exclusivamente as pessoas idosas, melhorar os recursos de infraestrutura institucional disponível, medir a eficácia de leis, políticas e programas voltados ao idoso, quando implementados, e tornar mais efetiva a intervenção e participação da pessoa idosa nos processos normativos. As ONGs e associações civis foram consideradas instituições fundamentais e estratégicas e que devem atuar em união com universidades e institutos de saúde, com o intuito de somar esforços e evitar duplicação de recursos e ações. Há arranjos significativos já implementados na América Latina, mas ainda há muito o que caminhar para proporcionar a todas as pessoas idosas educação para a saúde e autocuidado de toda a população. Outros grandes desafios apresentados aos congressistas foram: • discutir a forma de financiamento de aposentadorias e pensões e melhorar as coberturas; • melhorar a atenção à saúde a ser prestada por profissionais especializados; • programar as adaptações em infraestrutura necessárias às pessoas idosas; • criar mecanismos de apoio familiar e comunitário para os serviços necessários ao amparo das pessoas idosas; • ampliar a proteção social às pessoas idosas em toda a América Latina.

Divulgação

Rosane Magaly Martins

Número de pessoas com mais de 60 anos triplicará até 2050: desafio para governos e instituições

RESUMO • • • • • • • •

1.700 participantes 22 países 19 cursos 7 simpósios 8 mesas redondas 100 posteres Fórum de Gerontoneuropsiquiatria 7ª Edição do Fórum Latino-Americano de Envelhecimento Ativo

Rosane Magaly Martins, escritora, advogada pós-graduada em Direito Civil, com especialização em Mediação de Conflitos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Pós-graduada em Gerontologia (FURB/2005) e Gerencia em Saúde para Adultos Maiores (OPS/ México) com formação docente em Gerontologia (Comlat/Colômbia). Fundadora e presidente da ONG Instituto AME SUAS RUGAS, participando desde 2007 na Europa e na América Latina de congressos, cursos e especialização que envolve o tema. Organiza a publicação da coleção de livros “Ame suas rugas” lançados no Brasil e em Portugal. E-mail: advogada@rosanemartins.com Site: www.rosanemartins.com Neo Mondo - Abril 2011

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Cultura

Delícia de livro

Ciro Fernandes

com gosto de quero mais

Incansável, aos 86 anos, Inezita é lição de vida; Editora Cortez mostra a origem da artista Gabriel Arcanjo Nogueira

E

m 10 de fevereiro de 2011, Inezita Barroso escreveu, de próprio punho, que pobres são as crianças que “não viveram na época em que São Paulo era a cidade mais linda e mais querida do mundo, com seus brinquedos de roda, cantados e representados, com seus lampiões de gás e suas pizzas vendidas em latões redondos, com seus circos e tantas maravilhas mais”.

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Saudosismo barato? Se fosse saudosismo, seria dos mais ricos pela visão da metrópole que se firmava e afirmava. Muito do que ela própria disse está no livro A menina Inezita Barroso. A meu ver - e ler -, obrigatório para quem se interessar por cultura, história, música, folclore. Em poucas palavras, uma lição de vida.

Disposição para bagunçar Em 4 de março de 1925, ela – com o tempo reconhecida como uma das mais completas intérpretes da música popular brasileira – nasceu na Barra Funda, bairro paulistano, assim como o Brás. Na época, “o Brás ficava distante do Centro, o Centro ficava distante da Barra Funda e a Barra Funda ficava distante de tudo”.


Carina Gonçalves

Corinthiana, amante de animais e do folclore, Inezita aprendeu cedo a lição de Lobato: “a arte tem de ser simples e de estar perto do povo”

Batizada Ignez Magdalena Aranha de Lima, a menina chegou para quebrar o silêncio da casa e virar orgulho dos pais, Inez e seu Olintho. Se precisou da ajuda da parteira Miquelina para vir ao mundo, a “alegria estampada no rostinho corado e sadio e a salutar disposição para bagunçar” a fizeram ganhar o mundo: da cultura, da música, do folclore. Incansável, aos 86 anos, não é para menos. Desde sempre, a vida de Inezita fervilhava, marcada com tantos nomes expressivos da vida intelectual e artística da cidade – Mário de Andrade e Geraldo Filme, entre eles. A menina Ignez virou Zitinha, que “cada vez mais ganhava fama no campo das peraltices... tinha uma saúde de ferro e era muito inquieta”. Também pudera! Nasceu em dia de carnaval (em que os abastados desfilavam em corsos, e os pobres pulavam em grupos nos “cordões”), sob o impacto dos modernistas de 1922, mas embalada pelas diabruras do palhaço Piolin e inspirada por Monteiro Lobato, para quem “a arte tem de ser simples e de estar perto do povo”. Canções, bichos e histórias E as canções? Ah, sim, as canções: Lampião de gás é dessa época; Êh São Paulo

e São Paulo da garoa, também. “Havia cavalos e carros de boi a granel; carroças e charretes às pencas”... Desde os 4 anos, Zitinha “parecia querer saber de tudo. E perguntava, perguntava, e perguntava... não dava sossego a ninguém”. Adorava piqueniques, para levar os bichinhos de pelúcia, enturmar-se com passarinhos, galos, galinhas, patos, araras. Também gostava de brincar com cachorros vira-latas, gatos, formigas, tartarugas e... centopeias. “Onde houvesse bichinhos, Zitinha lá estava correndo à toa atrás de todos eles”... passarinhos também: “saía correndo atrás deles rindo e gargalhando toda feliz. Difícil era não se contagiar com as gargalhadas dela”. Que o diga o professor Mainard! Que lhe contava histórias – aí Zitinha ficava em silêncio – e ensinava antigas cantigas de roda que os pais adoravam vê-la cantar. Aos 7 - “vaidosa e se exibindo cada dia mais ao espelho” -, alfabetizada, tomou gosto pela leitura: gibis, livros de Monteiro Lobato, entre outros. Nas férias, lugar para ir não faltava. “Podia passar dias nas fazendas da família”. Era quando se entretinha ao “ouvir os peões cantarem um monte de modas ao som de violas”.

Até que um dia convenceu um deles a deixar que pegasse numa delas. “Cantou direitinho a moda Boi Amarelinho, um clássico”. Bicicleta, bola e violão Passou pela fase dos patins, da bicicleta com desenvoltura; pela do futebol com bola de couro, que ela mesma comprou. “E não tinha quem a segurasse no campo ou fora de campo.” Ouvia no gramofone do pai Noel Rosa, Chico Alves, Vicente Celestino e também Torres & Florêncio, Zico Dias & Sorocabinha. Decidiu que iria ser artista. Aprendeu a tocar violão, às escondidas. Os pais viram que o futuro da filha estava na música. “Surgiu uma das maiores estrelas da música popular brasileira” - aos 15 anos. Quem conta, em inspirada parceria, no livro A menina Inezita Barroso, são o jornalista Assis Ângelo e o xilogravador Ciro Fernandes. Texto e ilustração caminham juntos, harmoniosos, leves, convidativos à degustação de uma garfada só. Livro da Editora Cortez, classificado como infanto-juvenil, faz bem a pessoas de todas as idades. Duvido quem discorde! Inezita - numa das páginas - fala dela mesma: corinthiana, amante de animais e do folclore; ambientada no meio artístico - foi regida por Villa-Lobos! Quer saber quando e onde? Só lendo o livro. 

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Especial - Fórum Mundial

Um tríduo pela SUSTENTABILIDADE

Hotel Tropical, em Manaus, 24 de março: o 2º Fórum de Sustentabilidade estava apenas no seu primeiro dia

Manaus foi, de novo, a capital do Planeta, como definiu NEO MONDO em 2010 Gabriel Arcanjo Nogueira *

L

ideranças empresariais, políticas, intelectuais, culturais e acadêmicocientíficas participaram com sã consciência ambiental do 2º Fórum Mundial de Sustentabilidade (FMS), entre 24 e 26 de março, no Hotel Tropical, em Manaus (AM). Estrelas de várias grandezas, cada uma delas em sua especialidade, disse-

ram a que vieram diante de um público ávido por conhecimento socioambiental e jornalistas em busca de informação qualificada. Arnold Schwarzenegger, por exemplo, mostrou que quando se trata de sustentabilidade tamanho é, sim, documento. Quem já viveu nas telas “o exterminador

do futuro” e governou o Estado da Califórnia (EUA), agora se sai bem à frente da causa ambiental. Não apenas na teoria, mas na prática: breve, os californianos se orgulharão de ter sem seu território a maior estação solar do mundo. Estávamos apenas nos trabalhos iniciais do Fórum.

Com informações da CDN Comunicação Corporativa e jornal A Crítica, de Manaus; fotos Uehara Fotografia - Divulgação Fórum de Sustentabilidade / Image.net

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João Doria Jr. e Bill Clinton: liderança brasileira e força empresarial do primeiro reconhecidas pelo segundo: “o mundo precisa de vocês”

Se um astro de Hollywood foi a atração no primeiro dia do evento, coube a um ex-ocupante da Casa Branca, na condição de estrela política mais aguardada em Manaus, dar o tom no dia de encerra-

mento. Bill Clinton não economizou palavras para conclamar o Brasil a assumir o papel de liderança em temas ambientais – não sem reconhecer a importância da forte presença de empresários no Fórum.

Não é sem motivo que à frente do estratégico encontro internacional estão a Seminars e o Grupo de Líderes Empresariais (Lide). A Seminars organiza eventos sempre com personalidades relevantes, nacionais e internacionais, que sejam autoridades em suas áreas de atuação. O Lide, em 7 anos de vida, se afigura “criança prodígio” porque cresceu 700%. Hoje são 750 empresas associadas (com os braços regionais), que representam 46% do PIB privado nacional. Para João Doria Jr., presidente do Lide, a segunda edição do Fórum consagra o acerto da iniciativa e coloca de vez o Brasil no cenário socioambiental com reais chances de ser ouvido e seguido pelas nações que, de fato, tenham compromisso com a sustentabilidade. “Vamos criar um compromisso político e empresarial com o desenvolvimento sustentável do planeta”, disse, às vésperas do evento.

Richard Branson (c) trouxe à mesa de debates a sua guerra contra o carbono e o alerta: quem descartar sustentabilidade corre riscos

Seleção de notáveis garante o sucesso Desafios relacionados à sustentabilidade econômica, social e ambiental compõem a agenda de debates O tema principal do Fórum: Sustentabilidade Econômica, Ambiental e Social da Amazônia e do Planeta foi desenvolvido a caráter pela seleção de notáveis, em palestras e debates concorridos. O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, fechou com chave de ouro, no sábado (26), a sequência de exposições, aberta na quinta-feira (24) pelo ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, passando, na sexta (25) pelo fundador e presidente do Grupo Virgin, Richard Branson. Três dos mais representativos especialistas em suas áreas de atuação.

Em meio a tanta estrela internacional, brilhou a do brasileiro Fabio Feldmann, aplaudido de pé pelo público que lotou o auditório do Hotel Tropical na jornada de encerramento dos trabalhos. Sua palestra foi uma das que despertou maior interesse, ao defender a necessidade de uma política de sustentabilidade para o País, alicerçada na vasta experiência acumulada em décadas de estudos, pesquisas, debates e iniciativas nos campos político-administrativo e do Terceiro Setor.

‘Povo sabe preservar’ Não faltou representatividade ao meio político regional, a exemplo do governador do Amazonas, Omar Aziz; do senador Eduardo Braga; e do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes. Na abertura do evento, o governador ressaltou: “O povo amazonense sabe como preservar, está consciente de que é importante manter a floresta em pé”. E sobre o papel do Estado esclareceu: “Nós só queremos ajudar para fazer chegar as soluções. É um apelo políti-

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Especial Mundial Especial --Fórum Amazônia

Governador Omar e primeira-dama, com Bill Clinton: anfitriões formaram no time de parcerias que viabilizaram o evento de repercussão mundial

co, uma convocação, para que possamos ajudar este povo ordeiro, compreensivo, cumpridor da lei”. Omar lamentou que a economia baseada em transações de crédito de carbono tenha avançado pouco, dando a entender que a paciência do povo tem um limite: “A nossa paciência tem sido testada por muitos anos”. Mas não só de lamúrias foi o discurso do governador, ao citar o que chamou de “exemplo que estamos abertos para receber ajuda”. O grupo Pão de Açúcar fechou parceria com o estado para viabilizar uma indústria de pescado em Manacapuru, a 80 quilômetros de Manaus. Sintonia empresarial Do lado empresarial a representatividade não foi menor, tendo à frente dos trabalhos João Doria Jr, presidente do Lide. “Vamos criar um compromisso político e empresarial com o desenvolvimento sustentável do planeta”, disse.

Marcelo Politi ressalta a importância de discutir a proteção ambiental e seus valores sustentáveis

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Marcelo Politi, diretor-geral da Seminars, afirmou: “É de extrema importância a discussão sobre a proteção ambiental e seus valores sustentáveis”. E o presidente da Maior Entretenimento, Sergio Waib, complementou: “O objetivo é demonstrar o valor econômico e ambiental da floresta e suas implicações para a região e o mundo”. Gestão socioambiental A Seminars preparou um plano de gestão socioambiental para o evento, que incluiu priorizar o consumo de produtos e alimentos da região, a redução do consumo de materiais, a utilização de itens de baixo impacto e com procedência comprovada, bem como a gestão de resíduos sólidos com incentivo a cooperativas locais. Além disso, firmou-se compromisso com a quantificação e compensação do impacto ambiental (gases de efeito estufa) de todas as atividades antes, durante e depois do evento, por meio da aquisição de créditos de carbono provenientes de projetos ambientais brasileiros certificados, obedecendo-se os critérios definidos no Programa Evento Neutro (www.eventoneutro.com.br). O projeto escolhido pela Seminars para compensar este impacto ambiental foi o Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Juma, da Fundação Amazonas Sustentável. No encerramento do 2º Fórum, a iluminação interna do Teatro Amazonas foi desligada, durante uma hora, em adesão à Hora do Planeta: ação mundial da WWF, organização não-governamental voltada para a conservação da natureza, com o intuito de chamar a atenção para o aquecimento global.

Parcerias Empresas dos mais diversos setores marcaram presença também na viabilização do evento, que teve a Nestlé como a patrocinadora máster. Também atenderam a esse chamado ambiental: Bradesco, Coca-Cola, Sabesp, Semp Toshiba e HRT. Itautec, Honda, Natura, Procter & Gamble e Videolar foram as apoiadoras do projeto, enquanto Basf, Carrier, E.M.S., Grupo Pão de Açúcar, Faber Castell, KPMG, LG, Mapfre Seguros, Nokia, Nossa Caixa Desenvolvimento, Oi e Yamaha entraram com cotas de participação; Dafra, Harley Davidson, Whrilpool, Kasinski, Kawasaki e Albert Einstein atuaram na colaboração. Avis, Burti, CDN, Central de Eventos, Chris Ayrosa Projetos Cenográficos, Décor Books, Dedic GPTI, Eccaplan, ENC Interativa, Faber Castell, Getty Images, Lua Nova, Mapfre Seguros, Oi, PR Newswire, Prosegur, TAM, Tropical Manaus e Wizard foram fornecedores oficiais da iniciativa. A Crítica, Band News, Rádio Bandeirantes AM, Brasil Econômico, O Estado de S.Paulo, PropMark, IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, Época, Época Negócios, Terra, Rede Record e Elemídia foram os midia partners. The Economist, a principal publicação sobre economia do mundo, e a CNN foram os Global Midia Partners. O Fórum contou com o apoio institucional do governo do Amazonas e da Organização das Nações Unidas (por meio do Instituto Humanitare e do projeto Internacional Year of Forests 2011). GBC Brasil, Fundação Amazonas Sustentável, Instituto Terra de Preservação Ambiental (IPTA), SOS Mata Atlântica e Panetearth foram os parceiros estratégicos.

Sergio Waib e Schwarzenegger, em sintonia: valor da floresta e suas implicações para a região amazônica e para o mundo


Neo Mondo - Setembro 2008

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Special - International Forum

SUSTAINABILITY Triduum

Manaus, once again, was the capital of the world: first day of the 2nd Sustainability Forum

Manaus was, once again, the capital of the Planet, as defined by NEO MONDO in 2010 Gabriel Arcanjo Nogueira *

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usiness, political, intellectual, cultural, and academic-scientific leaders participated, with sound environmental awareness, in the 2nd Global Sustainability Forum (FMS), from the 24th to teh 26th of March at the ‘Hotel Tropical’ in Manaus (AM). Stars of different magnitudes, each in

their field of specialty, said they came over to speak to an audience eager for and socialenvironmental knowledge, as well as journalists in search of qualified information. Arnold Schwarzenegger, for example, showed that when it comes to sustainability size does matter. For someone who has already played the role of “Termina-

tor” on screen and governed the State of California (USA), he is now doing very well supporting the environmental cause. Not only in theory, but also in practice: soon Californians will be proud to have the largest solar energy plant in the world. We were only witnessing in the starting agenda of the Forum.

Information from CDN Corporate Communications and ‘A Crítica´ newspaper, from Manaus; photos by ‘Uehara Photo´ - Sustainability Forum Pubicity / Image.net

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João Doria Jr. and Bill Clinton: Brazilian leadership and entrepreneurial strength of the former acknowledged by the latter: “The world needs you”

If a Hollywood star was the main attraction of the first day of the event, it was time for a former occupant of the White House to shine during the closing ceremony as the most anticipated political star in Manaus.

Bill Clinton did not skimp on words to call on Brazil to take on a leadership role on environmental issues - not without acknowledging the importance of the strong presence of the managers in the board.

It is no coincidence that ‘Seminars´ and Business Leadership Group ‘Lide´ headed this strategic international gathering. ‘Seminars´ has always organized events with relevant national and international personalities who are recognized experts in their fields of actuation. ‘Lide’, in its 7 years of existence, is considered a “prodigy” in light of its 700% growth. Today there are 750 member companies (with regional subsidiaries), representing 46% of the private national GDP. For João Doria Jr., Chairman of ‘Lide’, the second edition of the Forum confirms the correctness of the initiative and further places Brazil in the socio-environmental scenario with real chances of being heard and followed by nations that are truly committed to sustainability. “We will create a political and corporate commitment to sustainably develop the planet”, he said on the eve of the event.

Richard Branson (c) brought a warning to the table of discussions about the war against carbon: those who neglect sustainability are at risk

Stars and prominent entrepreneurs ensured event’s success Challenges related to economic, social, and environmental sustainability made up the agenda of the debates The main theme of the Forum: ‘Economic, Environmental, and Social Sustainability, the Amazon and the Earth’ was developed by a team of remarkable figures during well-attended lectures and debates. Former U.S. president Bill Clinton’s performance during the closing ceremony on Saturday (26) was outstanding, as was the opening event headed by former Governor of California, Arnold Schwarzenegger, on Thursday (24), and the remarkable presence of founder and chairman of ‘Virgin’, Richard Branson, on Friday (25)

– three of the most representative experts in their fields of actuation. Amid such international stars, shone Brazilian Fabio Feldmann, receiving a standing ovation from the audience that packed the auditorium of ‘Hotel Tropical’ on the closing day of the works. His lecture aroused significant interest in defending the need for a sustainability policy for the country, based on the vast experience accumulated in decades of studies, surveys, debates, and initiatives in the political-administrative and Third Sector areas.

‘People know how to preserve’ There was no shortage of regional political-environment representativeness, such as the governor of Amazonas, Omar Aziz, Senator Eduardo Braga and the mayor of Manaus, Amazonino Mendes. At the opening of the event the governor said: “People know how to preserve and are aware the importance of keeping the forest alive”. As for the role of the State, he explained: “We just want to help people find solutions. It is a political appeal, a call to help this orderly, compassionate, and law-abiding people”.

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Special Especial- International - Amazônia Forum

Governor Aziz and First Lady with Bill Clinton: hosts put together the team of partners that made the globally highlighted event possible

Omar regrets that the economy based on carbon credit transactions has made little progress, implying that people’s patience has a limit. “Our patience has been tested for many years”. But the governor’s speech wasn’t only mournful; he said “we’re setting an example by being open to receiving help”. The `Pão de Açucar´ Group signed a partnership deal with the State to foster the implementation of a fishing industry in Manacapuru, 80 kilometers from Manaus. Business attunement On the business side, representativeness was not smaller, headed by the works of João Doria Jr., president of ‘Lide’. “We’ll create a political and corporate commitment to the sustainable development of the planet”, he said. Marcelo Politi, General Manager of ‘Seminars’, said: “It is extremely important to discuss environmental protection and sustainable values”.

Marcelo Politi highlights the importance of addressing environmental protection and sustainable values

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And President of ‘Maior Entretenimento’, Sergio Waib, added: “The aim is to demonstrate the economic and environmental value of forests and its implications for the region and the world”. Social-environmental management ‘Seminars’ prepared a social management plan for the event, which included prioritizing the consumption of regional products and foods, the reduction of material consumption, the use of low-impact items of proven, legal origin, as well as solid waste management to encourage local recycling cooperative organizations. Furthermore, a commitment to the quantification and compensation of environmental impact (greenhouse gases) was formalized, encompassing all the abovementioned activities, during and after the event, by means of purchasing carbon credits from environmentally certified Brazilian projects, in compliance with the criteria defined in ‘Program Evento Neutro’ (www.eventoneutro.com.br). The project chosen by ‘Seminars’ to make up for environmental impacts was the ‘Juma’ Sustainable Development Project, from the ‘Amazonas Sustentável’ Foundation. At the end of the 2nd Forum, the internal lighting of the ‘Amazonas’ Opera House was shut down for an hour, in support of Earth Hour: a global initiative fostered by WWF – a nongovernmental organization dedicated to the preservation of nature –, in order to draw attention to global warming. Partnerships Companies from various sectors also made the event feasible, having as main sponsor ‘Nestlé’. ‘Bradesco’, Coca-

Cola, ‘Sabesp’, Semp Toshiba, and ‘HRT’ also financially supported the environmental gathering. ‘Itautec’, Honda, ‘Natura’, Procter & Gamble, and ‘Videolar’ supported the project, while BASF, Carrier, EMS, the ‘Pão de Açúcar’ Group, Faber Castell, KPMG, LG, ‘Mapfre Seguros’, Nokia, ‘Nossa Caixa’ Development, ‘Oi’, and Yamaha became member companies; ‘Dafra’, Harley Davidson, Whrilpool, Kasinski, Kawasaki and Albert Einstein also contributed to the event. Avis, ‘Burti’, CDN, ‘Central de Eventos’, ‘Chris Ayrosa’ Scenographic Projects, ‘Décor Books’, ‘Dedic’ GPTI, ‘Eccaplan’, ‘ENC Interactive’, Faber Castell, ‘Getty’ Images, New Moon, ‘Mapfre Seguros’, ‘Oi’, PR Newswire, ‘Prosegur’, TAM, ‘Tropical Manaus’, and ‘Wizard’ Languages were the official suppliers of the initiative. ‘A Crítica’, ‘Band’ News, ‘Bandeirantes’ AM Radio, ‘Brasil Econômico’, ‘O Estado de S. Paulo’, ‘PropMark’, ‘IstoÉ’ and ‘IstoÉ Dinheiro’, Time, Time Business, ‘Rede Terra’, ‘Rede Record’ and ‘Elemídia’ were the media partners. The Economist, the leading publication on the world economy, and CNN, were the Global Media Partners. The Forum counted on institutional support from the government of Amazonas and the United Nations (through the ‘Humanitare’ Institute ​​and the International Forests Project of 2011). ‘GBC Brasil’, the ‘Amazonas Sustentável’ Foundation, the ‘Terra’ Institute of Environmental Preservation (IPTA), ‘SOS Mata Atlântica’ and ‘Panetearth’ were strategic partners.

Sergio Waib and Schwarzenegger on the same wavelength: the value of forests and their impact on the Amazon region and the world


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Especial - Fórum Mundial

Schwarzenegger defende

cooperação e continuidade

Schwarzenegger: “democratas e republicanos” não se entendem, mas Califórnia antecipa meta e constrói estação solar recorde

Ex-governador da Califórnia reconhece liderança brasileira em questões ambientais Gabriel Arcanjo Nogueira

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ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, na abertura dos trabalhos em Manaus, defendeu a necessidade de haver maior entendimento político, para que a continuidade de ações se efetive. Em entrevista coletiva para 170 jornalistas, ao lado do cineasta James Cameron, ao falar sobre o mau uso dos combustíveis fósseis no passado, Schwarzenegger ressaltou a importância da utilização de fontes alternativas de energia. “Nós temos chance de utilizar energias alternativas, como a eólica, a solar, o etanol e a biomassa. A questão é como fazer isso cuidando também dos animais e pessoas envolvidas”, afirmou. Ele defendeu a cooperação entre os países na busca de formas sustentáveis de energia. “Quando o assunto é meio ambiente, precisamos ser bastante inclusivos”, disse. 40

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Parceiros no cinema - Terminator, em 1984; Terminator 2, em 1991 – passados 20 anos, ambos destacaram o papel de liderança do Brasil no debate internacional sobre o desenvolvimento de energias alternativas. Para o cineasta, o Brasil tem-se colocado de forma única no cenário mundial como o grande líder para encontrar soluções de sustentabilidade. “Tudo o que o Brasil fizer na área ambiental será a linha-mestra para outros países”, afirmou. Grande estrela da edição inaugural do Fórum, em 2010, Cameron acredita que crescimento econômico e desenvolvimento de novas energias renováveis são temas intimamente ligados. Ao admitir que os Estados Unidos não conseguem desenvolver uma política de energias sustentáveis porque “democratas e republicanos” estão sempre brigando, o ex-governador não se restringiu ao aspecto crítico e salientou o que de fato interessa.

“Nós fomos muito bem-sucedidos com os renováveis, muito tempo atrás, durante o governo de Jimmy Carter. Nos anos 80, o governo federal não deu continuidade a projetos importantes, mas a Califórnia seguiu em frente”, disse. “Quando assumi o governo (do estado), em 2003, estabelecemos a meta de 20% de energia renovável até 2017; conseguimos atingir essa marca em 2010.” Bem-vinda ironia! Quem já encarnou “o exterminador do futuro”, por duas vezes, agora anuncia que a Califórnia constrói a maior estação de energia solar do mundo. “Sem medo” Em sua palestra de cerca de uma hora, Schwarzenegger criticou ambientalistas que “causam medo” ao referir-se aos riscos das mudanças climáticas e apontou mudanças nos discursos para convencer as pessoas a se preocupar mais com o aquecimento global.


Parceiros na ficção e na vida: “crescimento econômico e desenvolvimento de energias renováveis são temas ligados”

“É necessário pensar diferente sobre sustentabilidade. Somos todos ambientalistas, temos paixão sobre o assunto. Mas medo e culpa não são sustentáveis. Precisamos de uma abordagem mais dinâmica. As pessoas precisam acreditar (nas ameaças climáticas) e ver que a esperança ainda vive. As pessoas precisam de uma nova versão”, disse. Sobre as leis ambientais e os empreendimentos de energia sustentável aplicados

na Califórnia, na época em que foi governador, foi muito claro: “A razão por que vencemos não é porque falamos sobre mudanças climáticas globais. Tínhamos argumentos. As pessoas entenderam que as nossas leis de meio ambiente são boas para emprego e para saúde dos cidadãos. E provamos que republicanos e democratas podem trabalhar juntos”, disse o ex-governador. Ele destacou a necessidade de mudar a ordem mundial de energia e a necessida-

de de se criar “empregos para melhorar o meio ambiente”. “O meu ponto não é debater a ciência, mas tomar atitude agora. Quando falamos sobre agir é porque estamos no momento de superação. Todos discutem se devemos fechar as fábricas de energia. Devemos utilizar, mas não construir outra”, afirmou. E foi direto ao ponto: já que os Estados Unidos não possuem um projeto de “energia verdadeira”, o que têm de fazer “é simples: seguir o exemplo da Califórnia”. Na quarta-feira (23), Schwarzenegger e James Cameron sobrevoaram o Rio Xingu e conversaram com índios em Altamira, no Pará. Eles também se encontraram com o cacique Raoni, líder dos Kayapós. Mas o ator foi econômico com os jornalistas: “Foi uma visita muito interessante, descendo e subindo o rio, na qual pudemos contar com a ajuda de especialistas brasileiros que explicaram todas as questões relacionadas à floresta”. A abertura oficial do Fórum teve as presenças do governador do Amazonas, Omar Aziz; do senador Eduardo Braga; do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes; e de líderes empresariais.

Nome indígena e humildade James Cameron, desde este Fórum, passa a se chamar também Kapremp-Ti, nome que lhe foi dado pelo cacique Kayapó, Raoni Txucarramãe. Algo como grande dono dos animais da mata, conforme apurou NEO MONDO. Na coletiva à imprensa, Cameron falou de seus projetos ambientais e mostrou preocupação com o que acontece na construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA). “Eu tenho três projetos: fazer dois novos filmes da série Avatar, nos próximos cinco anos; fazer documentários sobre sustentabilidade e energia e me dedicar mais aos assuntos de meio ambiente e indígenas no Brasil”, disse. Para o cineasta, existe uma crise humanitária que se observa na usina de Belo Monte, no rio Xingu, onde indígenas e ribeirinhos são expulsos de suas terras. Para ele, trata-se de uma das mais graves crises da Amazônia, que pretende abordar em seus documentários e filmes. Especialmente em Avatar, no que se refere à luta dos povos da floresta pela sustentabilidade. “Devemos pensar em projetos de energia com mais sustentabilidade e diversidade de tecnologias. Tem que ser algo para um milênio, não para 20, 30 ou 50 anos de desenvol-

vimento sustentável”. O cineasta defendeu que se aproveite melhor a energia solar no Brasil, bem como as derivadas de biocombustíveis, biomassas e eólica. Não tem como a fama subir à cabeça de Cameron, mas sobram-lhe carisma e humildade, como quando se postou ao fundo do lotado auditório do Hotel Tropical numa das

palestras, e sua presença era reclamada lá na frente, entre os notáveis. Assim que foi localizado e convidado para se deslocar até o devido lugar, foi aplaudido de pé pelo seu despojamento. O mesmo que o fez receber e folhear, para quem quisesse ver, o exemplar de NEO MONDO, especial sobre a primeira edição do Fórum.

Kapremp-Ti (grande dono dos animais da mata), nome recebido do cacique Kayapó, Raoni Txucarramãe: “dedicação a assuntos de meio ambiente e indígenas no Brasil”

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Special - World Forum

Schwarzenegger defends

cooperation and continuity

Schwarzenegger: “Democrats and Republicans” don’t see eye to eye, but California is pushing ahead its goal and building an unprecedented solar energy plant

Former Governor of California recognizes Brazilian leadership in environmental issues Gabriel Arcanjo Nogueira

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ormer California Governor Arnold Schwarzenegger, at the opening of the works in Manaus, ratified the need for greater political understanding for the continuity of actions to be effective. At a press conference for 170 journalists – along with filmmaker James Cameron –; when talking about the bad use of fossil fuels in the past, Schwarzenegger stressed the importance of using alternative energy sources. “We have a chance to use alternative energies such as wind, solar energy, ethanol and biomass. The question is how to do that while also taking care of the animals and the people involved”, he said. He advocated cooperation among countries in the pursuit of sustainable forms of energy. “When it comes to the environment, we need to be very inclusive”, he stated. Having worked together in the movies ‘Terminator’, in 1984, and ‘Terminator 2’, in 42

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1991, after 20 years both stressed the leadership role of Brazil in the international debate on alternative energy development. For the filmmaker, Brazil has gained a unique role on the global stage as a leader in finding sustainability solutions. “Everything Brazil does in terms of environmental preservation will be a benchmark for other countries”, he said. As the Greatest Star of first Forum in 2010, Cameron believes that the issues of economic growth and development of new renewable energy sources are closely related. While admitting that the U.S. cannot develop a sustainable energy policy because “Democrats and Republicans” are forever arguing with each other, the former governor did not limit his speech to criticism and highlighted what really matters; “We were very successful with renewable energy researches long ago, during the

presidency of Jimmy Carter. In the 80’s, the federal government didn’t give continuity to vital projects, but California did”, he said. “When I took over the (State) government in 2003 we set a goal of 20% renewable energy by 2017; we reached target in 2010”. Welcome to sheer irony! The very same person who played the role of “Terminator” twice now announces that California is building the largest solar power plant in the world. “Fearless” In his speech of approximately one hour, Schwarzenegger criticized environmentalists that “foster panic” when mentioning the risks of climate change and pinpointed changes to traditional speeches to more effectively convince people be more concerned about global warming.


Partners in life and in fiction: “economic growth and the development of renewable energies are closely related issues” “We must think differently about sustainability. We are all environmentalists; we are passionate about the subject. But fear and guilt are not sustainable. We need a more dynamic approach. People need to believe (in climate threats) and see that hope is still alive. People need a new version”, he said. He was very clear about the environmental laws and sustainable energy projects implemented in California while he

was governor: “The reason we won wasn’t that we spoke about global climate change. We had arguments. People understand that our environmental laws are good for job generation and for the health of our citizens. And we have proved that Republicans and Democrats can work together”, stated the former governor. He stressed the need to change the global energy prioritization scheme and the need to create “jobs to improve the

environment”. “My point is not to debate science, but to take action now. When we talk about acting it is because we’re experiencing a moment of overcoming our difficulties. Everyone is debating whether to close down our energy plants. We must use them, but not to build more of them”, he said. He went straight to the point: “since the U.S. does not have a “real energy project”, what must be done is simple; just follow the example set by California”. On Wednesday (23rd), James Cameron and Schwarzenegger flew over the Xingu River and talked to the native Indians in the town of Altamira, Pará. They also met with the chief ‘Raoni’, leader of the ‘Kayapos’. But the actor did not say much to the journalists: “It was a very interesting visit, up and down the river, on which we relied on the help of Brazilian experts who explained all the issues related to the forest”. The official opening of the Forum was attended by the Governor of Amazonas, Omar Aziz, Senator Eduardo Braga, the mayor of Manaus, Amazonino Mendes, and business leaders.

Indigenous name and modesty James Cameron, ever since this forum, is also called ‘Kapremp-Ti’, the name given to him by ‘Kayapo’ chief, ‘Raoni Txucarramãe’. It translates into something like ‘great master of the forest animals’, as investigated by NEO MONDO. At a press conference, Cameron spoke of his environmental projects and expressed concern about the facts revolving around the construction of Belo Monte (PA). “I have three projects: two new movies for the Avatar series in the next five years, making documentaries about sustainability and energy to devote myself further to environmental issues, and the indigenous people in Brazil”, he said. For the filmmaker, there is a humanitarian crisis that can be observed in Belo Monte, on the Xingu River, where both natives and dwellers are being evicted from their land. For him, this is one of the most serious crises in the Amazon, which he aims to address in his documentaries and films – especially in Avatar – with regard to the struggle of the people of the forest for sustainability. “We must think of energy projects with more sustainability and technology diversity. They must be something to last a millennium, not 20,

30, or 50 years of sustainable development”. The filmmaker defends a more effective exploitation of solar energy in Brazil, as well as of energy sources derived from biofuels, wind and biomass. Fame has not affected Cameron; he has charisma and modesty to spare, as demonstrated when he sat at the back of the auditorium of the ‘Hotel Tropical’ during the

lectures, while his presence was demanded in the front row, along with the other celebrities. When he was spotted and invited to move to the front row, he received a standing ovation for his unpretentiousness. And with the same attitude he received and perused, for all to see, an issue of NEO MONDO; the Special Issue on the Anniversary of the First Forum.

‘Kapremp-Ti’ (great master of the forest animals), name received from ‘Kayapo’ chief, ‘Raoni Txucarramãe’: “dedication to environmental issues and the indigenous people in Brazil”

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Especial - Fórum Mundial

A lição que vem do

esporte

Jogos Olímpicos de Londres foram encarados como chance de melhorar a relação homem-meio ambiente Gabriel Arcanjo Nogueira

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uito aplaudido pelos empresários e demais participantes neste Fórum, o diretor de Sustentabilidade e Regeneração Urbana dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Dan Epstein, defendeu a ideia de que “a eficiência energética não custa mais”, se planejada em todas as etapas – desde a escolha dos materiais ao uso de tecnologias sustentáveis. Em sua palestra “Grandes Eventos e Cidades Sustentáveis”, ele foi enfático: “O importante é que estamos construindo para daqui a 100 anos. A sustentabilidade custa só um pouco mais e esse pouquinho a mais será uma economia, pois, no futuro, permitirá menos gasto com energia e pessoas mais felizes e saudáveis. No futuro, os benefícios serão enormes”. “Nós não queremos deixar um legado de infraestrutura que depois ninguém vai mais usar. Precisamos pensar em maneiras inteligentes de utilizar tudo isso depois”, disse. “Os Jogos são uma boa oportunidade para criarmos uma nova perspectiva sobre como o homem deve se relacionar com o meio ambiente”, acrescentou. Epstein lembrou que, para os Jogos Olímpicos de Londres, depois de muito planejamento, foram definidos os objetivos prioritários para as ações relacionadas a este projeto: emissão zero de carbono; produção zero de lixo; transporte sustentável; água limpa; biodiversidade;

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Epstein: “menos gasto com energia e pessoas mais felizes e saudáveis”

baixo impacto ambiental; apoio às comunidades locais; acesso; emprego e negócios; saúde e bem-estar; e inclusão social. Todas essas metas, segundo ele, estão inseridas no conceito de “sustentabilidade”. De olho no Rio e no Brasil Sobre alternativas para o transporte nos Jogos, o diretor de Sustentabilidade e Regeneração Urbana afirmou que este item é sempre o principal problema durante o evento. Ele defendeu a adoção de uma política de transporte público, que, além de beneficiar um número maior de pessoas, poderá representar um “legado”

para as cidades. Epstein informou ainda que Londres já despendeu 1 milhão de libras (1 trilhão de reais), até agora, somente no projeto de transporte público para os Jogos Olímpicos de 2012. Em sua palestra, avaliou que o mundo está de olho no Rio e no governo brasileiro. “Coloquem de lado os problemas e a maneira tradicional de trabalhar. Reúnam todos, coloquem o ego de lado e trabalhem juntos. O prêmio é enorme: 4 bilhões de pessoas estarão olhando para isso”, destacou. “Digam aos políticos que eles passarão a ser amados depois disso”, concluiu Epstein.


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Especial - Fórum Mundial

Empresas compromissadas na teoria e na prática

Elas têm no Fórum excelente oportunidade de mostrar o quanto evoluem socioambientalmente com suas plataformas de responsabilidade social ou de sustentabilidade Gabriel Arcanjo Nogueira

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atrocinadora master do evento em Manaus, a Nestlé Brasil mostra com essa iniciativa estar alinhada ao conceito de Criação de Valor Compartilhado: a plataforma mundial de responsabilidade social da Nestlé. O que a empresa – líder mundial de nutrição, saúde e bem-estar – pretende é aliar o desenvolvimento sustentável do negócio à geração de valor para as comunidades em que marca presença. No Brasil, desde 1921 (um dos 83 países em que desenvolve suas operações industriais com marcas consagradas), tudo começou na primeira fábrica de Araras (SP),

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para a produção do leite condensado Milkmaid, que mais tarde seria conhecido como Leite Moça por milhões de consumidores. A Nestlé Brasil e suas empresas coligadas estão presentes em 98% dos lares brasileiros, segundo pesquisa realizada pela Kantar Worldpanel. Hoje com 31 unidades industriais em 8 estados brasileiros, a empresa abrange segmentos de mercado diversificados, entre eles, achocolatados, biscoitos, cafés, cereais, cereais matinais, águas, chocolates, culinários, lácteos, refrigerados, sorvetes, nutrição infantil, nutrição clínica e de performance, produtos à base de soja,

alimentos para animais de estimação e serviços para empresas e profissionais da área de alimentação fora do lar. A rede de distribuição dos seus produtos cobre mais de 1.600 municípios no país, onde emprega cerca de 19 mil colaboradores diretos e gera outros 220 mil empregos indiretos, que colaboram na fabricação, comercialização e distribuição de mais de 1 mil itens. Plataforma de sustentabilidade Uma das patrocinadoras do Fórum, a Semp Toshiba criou a sua plataforma de sustentabilidade com base em seis programas corporativos. Cada um deles traz junto


ao nome da empresa o respectivo conceito-chave: • Atitude • Mobiliza  • Sustentável • Parcerias • Nossa Gente • Cidadania O primeiro deles, lançado antes do evento em Manaus, está focado na adesão a compromissos voluntários públicos que estimulem melhores práticas na cadeia produtiva, principalmente nas áreas de logística e compras. Os compromissos ratificados em 2011, segundo a empresa, são: Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção (Empresa Limpa); Programa Na Mão Certa, contra a exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras; Programa Nacional contra o Trabalho Escravo e o Pacto Global, iniciativa da ONU que mobiliza o setor empresarial para práticas que contemplem os princípios de Direitos Humanos, Relações de Trabalho, Meio Ambiente e Combate à Corrupção. Afonso Hennel, presidente da Semp Toshiba, evidenciou que a empresa “está instalada na Zona Franca de Manaus desde os anos 70, e reconhecemos a importância da região para o crescimento integrado do Brasil. Acreditamos que é essencial que a Amazônia como um todo continue se desenvolvendo e que suas riquezas naturais sejam usadas como parte desse processo e sempre de maneira sustentável. Decidimos lançar nossa plataforma de sustentabilidade durante este 2º Fórum como um desdobramento natural da nossa participação na primeira edição”. Os outros cinco programas trazem compromissos com a sustentabilidade para os próximos anos, com o objetivo de compartilhar os valores que norteiam a sua atuação e inspirar seus colaboradores e parceiros a adotarem uma rotina de vida e de trabalho mais sustentável. De acordo com a empresa, são compromissos ambientais, sociais e econômicos, relacionados à própria atividade da empresa, que também contemplam a sua  participação ativa na erradicação do trabalho escravo e no fim da exploração sexual de crianças e adolescentes. Os pilares que integram essa visão empresarial

A mesa de debates foi representativa desde a abertura do evento, ao discutir a importância da Amazônia para o crescimento integrado do Brasil sem danos ao meio ambiente

são: ética corporativa, desempenho responsável, transparência, conservação do planeta, incentivo às pessoas e mobilização de parceiros. A cada um deles correspondem programas específicos, visando ao aprimoramento permanente das suas práticas de gestão. O Programa Semp Toshiba Mobiliza pretende incentivar e estimular as pessoas por meio de campanhas de conscientização, treinamentos e educação para sustentabilidade, além de incentivo a ações de Voluntariado. O Semp Toshiba Sustentável foi pensado para promover melhores práticas voltadas à sustentabilidade, como a ecoeficiência, o ecodesign, a gestão integrada de meio ambiente, as responsabilidades pós-consumo e os programas de reciclagem. Também envolve, por meio do Comitê Executivo de Responsabilidade Corporativa, o desenvolvimento de iniciativas nos diversos departamentos da empresa. O Parcerias está voltado ao desenvolvimento conjunto de projetos de sustentabilidade junto aos fornecedores, clientes e prestadores de serviço. Já o Nossa Gente contempla as comunidades em que a empresa atua por meio do desenvolvimento de projetos sociais, educacionais, culturais e ambientais que tenham como objetivo o crescimento do indivíduo, o desenvolvimento local e a preservação do meio ambiente. E o Cidadania está baseado na transparência no relacionamento com seus stakeholders, por meio da divulgação de suas práticas socioambientais e compartilhamento de iniciativas em prol da sustentabilidade.

Negócio da China A Kasinski, por sua vez, ao inovar no segmento de motocicletas, é pioneira no Brasil ao produzir dois modelos elétricos na sua unidade de Manaus: o Kasinski Prima 500 (mini scooter) e o Kasinski Prima Electra 2000 (scooter). Além destes dois, a Kasinski desenvolve outros cinco modelos que irão compor a linha de produtos movidos a energia alternativa da empresa. Um dos maiores fabricantes mundiais de motocicletas e motores, o Grupo Zongshen investe mundialmente em parcerias para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Uma das parcerias de maior destaque é com a italiana Piaggio, com a qual tem uma fábrica de motos PZ (Piaggio-Zongshen). Outra área de grandes investimentos do Grupo é a de qualidade.

João Doria Jr, com convidados muito especiais, consegue aglutinar empresas mulissetoriais com ações focadas na sustentabilidade

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Especial - Fórum Mundial

A diversidade de especialistas nas discussões de temas socioambientais relevantes é marca registrada do Fórum, que atesta o acerto da iniciativa

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cação de produtos movidos a energia alternativa. Esta empresa também é responsável pelo desenvolvimento e teste de novas tecnologias ligadas a energia renovável. Soluções responsáveis Também a Oi fez do evento em Manaus o local certo para fortalecer seu compromisso com as melhores práticas socioambientais. Mesmo porque é a primeira a oferecer banda larga por fibra ótica na capital amazonense, além de ser a operadora que respondeu pelas telecomunicações do estratégico encontro. Parceria que, na visão da empresa, reforça a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ser a parceira e fornecedora oficial de telecomunicações da segunda edição deste Fórum confirma a Oi como a maior empresa brasileira de telecomunicações e faz parte do seu programa de investimentos para a melhoria da atual rede de comunicação e ampliação da cobertura de transmissão de dados e acesso à internet na Amazônia Legal. Durante o Fórum, a empresa disponibilizou toda a rede de acesso à internet, além de linhas móveis e internet 3G para a organização do evento.

Divulgação

O Brasil não fica atrás, porém. A fabricante sino-brasileira CR Zongshen do Brasil, dona da marca Kasinski, já ocupa a 4ª posição no ranking nacional dos fabricantes de motocicletas. Os dados divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Bicicletas e Similares (Abraciclo), referentes a fevereiro, mostram a Kasinski com crescimento acumulado de 526,7%. Este resultado refere-se ao período de fevereiro de 2010 a fevereiro de 2011, período em que a empresa saltou de 0,5% para 2,1% de market share. Com ações ousadas, forte investimento fabril e publicitário, bem como melhorias em toda a linha de produtos e serviços, a Kasinski multiplicou sua participação no mercado nacional e segue firme na sua meta de conquistar cerca de 5% do mercado nacional em três anos. A Zongshen já investiu mais de US$ 50 milhões na construção de três centros e mais de 30 laboratórios focados em controle de qualidade. O Grupo opera dentro dos mais rigorosos padrões técnicos mundiais, o que garante 100% de inspeção nas peças vitais antes da montagem, com a mais alta exigência de desempenho. Graças à implantação de novos processos e convênios com as principais universidades de pesquisa da China, a Zongshen obteve redução de mais de 50% do tempo de desenvolvimento de novos produtos, permitindo agilidade e eficiência no atendimento às demandas de mercado. No campo das novas tecnologias o Grupo Zongshen desenvolve aplicações para a célula de combustível de hidrogênio, um novo tipo de energia ecologicamente correta – já em fase de testes - para automóveis, motocicletas, entre outros. Multinacional, o Grupo Zongshen mantém desde 2004 uma empresa de capital aberto no Canadá, a Zongshen PEM Power System Inc., voltada exclusivamente à fabri-

Iniciativa que se soma a tantas outras da Oi em busca do diálogo sobre sustentabilidade. Apenas no último ano, a empresa apoiou também o primeiro TED realizado na Amazônia, o TEDx, evento que reúne pensadores de diversas áreas para compartilhar experiências e ideias transformadoras e sustentáveis; o movimento SWU – Starts With You, um grande festival e fórum de debates voltados para sustentabilidade; e o Grupo Cultural AfroReggae, que mantém núcleos em cinco comunidades cariocas, 14 grupos artísticos e projetos especiais em todo o país e no exterior. O desenvolvimento sustentável é uma das orientações da estratégia de negócios da companhia que, desde 2009, tem suas diretrizes definidas pela Política de Sustentabilidade. Signatária do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), a Oi tem fortalecido, continuamente, seu compromisso com a construção de um mundo mais viável para todos. Desde 2005, com o Oi Futuro, a companhia já investiu R$ 350 milhões em projetos voltados para o desenvolvimento social, beneficiando milhões de pessoas em todo o país. Em 2010, o Oi Futuro lançou o “Programa Oi de Projetos para o Meio Ambiente”, seu primeiro edital voltado para o financiamento de projetos ambientais no Brasil inteiro. A OI realiza ainda inventário de emissão de gases do efeito estufa, adota iniciativas para a redução do consumo de água e energia elétrica e mantém programa de coleta e reciclagem de aparelhos, baterias e acessórios de celular. Por essas e outras ações, a Oi tem integrado os principais índices brasileiros que reconhecem as boas práticas de mercado: pelo terceiro ano consecutivo, participa do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e, desde 2010, da primeira carteira do Índice Carbono Eficiente (ICO2), ambos da BM&F Bovespa.

A coleta de material reciclável, a exemplo da que se faz no Starts With You (SWU), faz parte da estratégia de negócios das companhias


Especial - Fórum Mundial

Guerra ao

carbono

Empresas que descartarem a sustentabilidade correm riscos de imagem e econômicos Gabriel Arcanjo Nogueira

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segundo dia do Fórum foi marcado pelo debate sobre as alternativas para os principais problemas enfrentados pelo meio ambiente e terminou com um alerta: empresas que não levarem em conta a sustentabilidade correm riscos de imagem e econômicos. Destaque do evento, à tarde, foi a participação do presidente e fundador do Grupo Virgin, Richard Branson, autor da advertência acima. O empresário não deixou, porém, de anunciar o que pode ser uma boa notícia para o Brasil: tem planos de investir aqui nos próximos anos; espera apenas a entrega de um Boeing 787 para começar as operações em território brasileiro. Idealizador do Carbon War Room, Branson declarou verdadeira guerra ao carbono por meio deste grupo de empresários que debatem soluções para eliminar o componente das indústrias de setores como Tecnologia de Informação, Aérea e Marítima. “No caso do aquecimento global, nosso inimigo é o carbono”, afirmou. Branson, que já recebeu diversos prêmios por suas iniciativas para redução de carbono com o uso de novas tecnologias, é criador do Desafio da Terra, concurso que tem como objetivo encontrar uma tecnologia comercial para remover o dióxido de carbono da atmosfera.

Pesquisas adiantadas Ele falou ainda sobre o desafio de combater o aquecimento global trabalhando em uma área tão poluente como a aviação comercial. Em sua opinião, a solução é investir em pesquisas para combustíveis que poluam menos. “Todo o lucro dessas empresas eu invisto em soluções ‘verdes’. Nós não podemos esperar que os governos façam alguma coisa. As empresas e os governos deveriam trabalhar juntos, criar um incentivo. Pois daqui a pouco tempo, o petróleo do mundo vai acabar, e o preço irá disparar”, disse. Branson observou que, no Brasil, o biocombustível já é uma realidade, e a adoção do etanol dá ao País uma liderança no ce-

nário mundial. “Para outros países, o carro elétrico é uma boa alternativa; para o Brasil, que já tem 70% de sua frota movida a etanol, faz muito mais sentido ampliar esta participação para 100% da frota”, afirmou. O empresário aproveitou para criticar os entraves colocados pelo governo norteamericano para o etanol brasileiro, que a seu ver não fazem sentido. E ainda alertou para os perigos do crescimento da pecuária para dentro das florestas, ao defender a redução do consumo de carne. ’Sir’ à vontade Mesmo com dificuldade de se locomover, devido a pequeno acidente sofrido de manhã, Branson, que tem o título de Sir, esteve à vontade para responder a perguntas de jornalistas, empresários, estudantes e até mesmo celebridades. A visão positiva que o empresário tem do futuro mundial vale ainda mais para o seu conglomerado: a Virgin conta com mais de 300 negócios, entre os quais quatro companhias aéreas, algumas empresas de trem e uma companhia espacial. Quando perguntando se ele acredita que biocombustíveis vão ser realidade um dia, Branson alegou que essa opção já existe. “Aqui

mesmo no Brasil isso já é uma realidade. Antes de o País descobrir esse petróleo, 70% dos automóveis já utilizavam etanol como combustível. E isso está certo”, comentou. O empresário chegou a chamar os Estados Unidos de “bobo” por não importar o etanol brasileiro, pois seria uma parceria benéfica para ambas as nações. Branson declarou-se movido pela paixão. “Comecei trabalhando na indústria da música, que era algo que eu amava. E por um tempo isso era o suficiente. Mas um dia, pegando um voo doméstico, pensei: ‘eu consigo fazer isso melhor’, e foi assim que começou, até o dia que eu me dei conta de que queria ir para o espaço e, então, criei a Virgin Galactic”, contou, rindo. Nos planos atuais da Virgin, a prioridade é encontrar combustível ecologicamente correto para o setor da aviação. “Fazemos muitos investimentos nesta área, tanto que oferecemos, há três anos, um prêmio de U$ 25 milhões para quem conseguir uma solução. Até hoje ninguém ganhou”, revelou, convidando os brasileiros a fazer parte dessa empreitada. A Virgin também trabalha em energia solar que, segundo o empresário, não é tão eficiente quanto a eólica, ainda; provavelmente será, nos próximos anos, acredita.

Branson: “nosso inimigo é o carbono... e em cinco anos usaremos combustíveis limpos na aviação”

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Especial - Fórum Mundial

Idealizadores de “Tudo está conectado. Ninguém sabe fazer mais nada sozinho neste mundo” Gabriel Arcanjo Nogueira

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uas referências mundiais em sustentabilidade - o jornalista, empresário e autor Paul Hawken, ao lado do autor e diretor de Sustentabilidade da Saatchi & Saatchi, Adam Werbach - fizeram coro a Richard Branson, no segundo dia do Fórum, ao apresentar ideias pela sustentabilidade. Werbach falou sobre “Internalizando a sustentabilidade nas empresas”, com vários exemplos de inovações praticadas por algumas delas. Para o especialista, as empresas sustentáveis terão melhor desempenho no mundo nos próximos anos. “As leis são necessárias, com certeza, mas também os mercados determinam o que é importante: as empresas com mais sucesso serão as sustentáveis; as outras ficarão decadentes”, destacou. No entendimento de Hawken, o critério para definir as empresas bem-sucedidas deve vir de sua contribuição com o social. “Devemos investir nas empresas que ajudam as pessoas; se não ajudarem as pessoas, não devemos investir nessas companhias”, defendeu. Bastante aplaudido, reiterou o papel de liderança do Brasil. “Eu não vim aqui pelas belezas naturais, pela música, pela comida e pelas mulheres maravilhosas que aqui moram; eu vim

Hawken defende investimentos em empresas que ajudam as pessoas

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para passar uma mensagem: o Brasil está no momento de criar e ser um dos países mais importantes do mundo, e o mundo tem fome de liderança”, disse. Em sua opinião, sustentabilidade é uma forma coletiva de ver o mundo. “Precisamos entender que tudo está conectado. Ninguém sabe fazer mais nada sozinho neste mundo. Fazemos tudo de forma coletiva”, assegurou. Livros e iniciativas Werbach escreveu Estratégia para a Sustentabilidade, publicado pela Harvard Business Press. Como chefe de Sustentabilidade Officer da Saatchi & Saatchi, lidera iniciativas de sustentabilidade pelo mundo, em países como China, África do Sul e Brasil, assessorando empresas com faturamento anual de US$ 1 trilhão, incluindo Wal-Mart, Procter & Gamble, General Mills e AT&T. Entre seus trabalhos, está o desenvolvido com o grupo Wal-Mart para conseguir que seus mais de 2 milhões de funcionários participassem nos esforços de sustentabilidade da empresa, criando o Projeto Pessoal de Sustentabilidade (PSP). Em 1996, aos 23 anos, Werbach foi eleito o presidente mais jovem da história do Sierra Club, a maior e mais antiga organização ambiental dos Estados Unidos. Duas vezes eleito para o Conselho Internacional do Greenpeace, sua presença é constante, como comentarista de negócios sustentáveis, em redes nacionais e globais, entre elas, BBC, NPR e CNN, além de participar em programas como The O’Reilly Factor e Charlie Rose. Hawken, por sua vez, escreveu 7 livros, 4 deles best-sellers nacionais: The Next Economy (Ballantine, 1983), Growing a Business (Simon and Schuster, 1987), The Ecology of Commerce (HarperCollins, 1993) e Blessed Unrest (Viking, 2007). Seus livros foram publicados em mais de 50 países em 27 idiomas. Capitalismo Natural: Criando a Próxima Revolução Industrial (Little Brown, setembro de 1999), em co-autoria com

Werbach: “empresas com sucesso serão as sustentáveis; as outras ficarão decadentes”

Amory Lovins, foi lido e citado por vários chefes de Estado, entre eles o ex-presidente Bill Clinton, para quem a obra é um dos cinco livros mais importantes do mundo atual. O jornalista e empresário fundou várias empresas, como as primeiras companhias de alimentos naturais dos Estados Unidos, que se baseiam exclusivamente em métodos agrícolas sustentáveis. Em 1965, trabalhou como coordenador de imprensa na equipe de Martin Luther King Jr. em Selma, Alabama, antes da marcha histórica em Montgomery, no mesmo estado. Ele também é o fundador do Natural Capital Institute (www.naturalcapital.org), organização de pesquisa localizada em Sausalito, Califórnia. Deste Instituto resultou a Wiser Earth (www.WiserEarth.org), plataforma em rede aberta que liga ONGs, fundações, empresas, governos, empreendedores sociais, estudantes, organizadores, acadêmicos, ativistas, cientistas e cidadãos preocupados com o meio ambiente e a justiça social. Além disso, atuou no conselho de muitas organizações ambientais: Point Foundation (editor da Whole Earth catálogos), Centro de Conservação das Plantas, Conservation International, Trust for Public Land, Friends of theEarth e National Audubon Society.


Especial - Fórum Mundial

Clinton exalta presença empresarial Ex-presidente dos Estados Unidos quer Brasil na liderança global em meio ambiente Gabriel Arcanjo Nogueira

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strela política mais aguardada do Fórum, Bill Clinton não poderia ser mais claro ao atribuir ao Brasil um papel de liderança global nos temas relacionados ao meio ambiente. “The world needs you (o mundo precisa de vocês)”, declarou, para em seguida enfatizar: “Eu quero que vocês liderem o resto do mundo no século 21 na questão energética”. Em sua fala, o ex-presidente dos Estados Unidos elogiou o envolvimento do empresariado brasileiro e o interesse no debate das questões relativas à sustentabilidade. “Se vocês estivessem em um evento como este em qualquer outro país do mundo, não haveria tantos empresários e pessoas comprometidas quanto vocês têm aqui”, observou para uma plateia de aproximadamente 700 pessoas. Criador da William J. Clinton Foundadion, o ilustre palestrante entende que o Brasil conta com características positivas que justificam esta liderança, como ter em seu território a maior floresta tropical do mundo e produzir etanol, capazes de proporcionar ao País segurança e independência no cenário mundial. “Vocês produzem mais etanol do que qualquer lugar do mundo, exceto os Estados Unidos, mas o de vocês é mais eficiente”, disse, para defender a entrada do etanol brasileiro no mercado norte-americano. Segundo Clinton, o presidente Barack Obama deveria rever a política de subsídios ao etanol fabricado nos Estados Unidos, para permitir uma competitividade mais equilibrada com países produtores, entre eles Brasil e República Dominicana. Floresta “preservada” Além da eficiência proporcionada pelo etanol, o palestrante mencionou como ponto positivo para o Brasil o fato de o país ter conseguido reduzir em 75%

a destruição da floresta tropical. “Vocês merecem crédito por isso”, disse. “Cerca de 90% da eletricidade de vocês vem de fontes renováveis, e nenhum país do tamanho do Brasil chega perto disso.” Clinton afirmou ainda que acredita que a eficiência energética obtida pelo

Brasil pode ajudar o mundo a derrubar as barreiras que impediram a obtenção do acordo em Copenhague, referindo-se às metas de corte de emissões impostas pela Conferência do Clima, em 2009. E defendeu a necessidade de o País fechar parcerias com outras nações, como a China.

Clinton: “O mundo precisa de vocês... o etanol de vocês é mais eficiente”

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Especial - Fórum Mundial

Ativista há décadas e respeitado por especialistas que com ele estiveram à Mesa no terceiro dia de debates, o palestrante se posicionou contra equívocos em nome do meio ambiente

Feldmann vê País na contramão com o pré-sal “Sociedade precisa ser ouvida para saber se está disposta a correr riscos” Gabriel Arcanjo Nogueira

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a abertura do terceiro e último dia do Fórum, o fundador da SOS Mata Atlântica, ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo e ex-deputado federal, Fabio Feldmann, foi incisivo ao sugerir que “o Brasil precisa ter uma cabeça de século 21 e entender que o mundo está se transformando muito rapidamente”. Isto porque, afirmou: “Sustentabilidade é a preocupação com as gerações futuras”. Ele prega a necessidade de o Brasil estabelecer uma agenda para o século 21, com temas ambientais por meio de alianças políticas e lideranças fortes. 52

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O setor agropecuário brasileiro, assim como o de transportes de massa, mereceu preocupação especial do palestrante porque, no seu entender, deverá ser o mais afetado com o aquecimento global. E questionou a aposta do governo no pré-sal: “Tenho dúvidas de um país que acredita que o combustível fóssil é seu passaporte para o mundo, quando o mundo inteiro busca alternativas para o uso dos combustíveis fósseis”. Em sua palestra, defendeu a realização de um plebiscito nas áreas de risco afetadas pela exploração. “Precisamos perguntar à

sociedade se ela está disposta a correr riscos com acidentes na costa brasileira em que será explorado o pré-sal”, afirmou. Seguido atentamente em sua exposição pelos componentes da Mesa e aplaudido de pé pelo público que lotou o auditório do Hotel Tropical, não poupou críticas a equívocos que se cometem em nome do meio ambiente, mesmo contrariando expositores de dias anteriores. Em tom polêmico, Feldmann cravou que o futuro do Planeta depende da polarização entre as mentalidades do século 20 e do século 21.


“Há trinta anos a polarização era entre direita e esquerda, ONGs x empresários, masculino x feminino, agora isso está superado; o mundo mudou, vivemos tempos diferentes”, defendeu. Em sua fala desfilou números que mostram o Planeta à beira do abismo. “O IPCC deixou claro que o aquecimento global é real e quando falamos em reduzir as emissões a um nível que estabilize o clima do planeta em apenas mais dois graus Celsius, tem gente dizendo que é insuficiente”, disse. Em oposição ao discurso de Schwarzenegger - que no primeiro dia dos debates exorcizou os que pregam o medo em desserviço à causa ambiental e chegou a propor: “Temos que tornar a economia verde sexy” -, Feldmann pintou um futuro sinistro se não forem tomadas atitudes logo.   O ex-deputado também entrou em rota de colisão com o megaempresário Richard Branson, que um dia antes defendeu o uso de usinas nucleares para a geração de energia elétrica. “Os novos reatores são muito seguros e confiáveis”, garantiu o empresário britânico. “A melhor usina nuclear é aquela que não foi construída”, contradisse Feldmann, alertando que uma política nacional de energia que prevê a construção de 20 usinas nucleares no Brasil é um exemplo clássico da mentalidade do século 20. “O caso do Japão mostrou que precisamos de um pouco mais de democracia direta, e eu acho que a população de municípios como Angra dos Reis (RJ) deveria ser consultada sobre se eles querem conviver com os riscos de um acidente”, argumentou. ‘Comprar a causa’ Feldmann também exortou os empresários a pensar com a mentalidade do século 21 e passar a ter práticas realmente sustentáveis, pois já está provado que elemento importante na cadeia de qualquer negócio é saber pensar com a mentalidade nova. “O consumidor mudou: quando ele compra uma camisa do SOS Mata Atlântica, um móvel de madeira certificada, ele está comprando uma causa”, explicou. Nesse aspecto, o ex-deputado lembrou que a sociedade civil tem papel importante na transição da velha mentalidade para a mentalidade do século atual e citou como exemplo um caso relacionado à Petrobrás. “Ela vende um diesel que só é encontrado nos piores países da Áfri-

Feldmann sugere alianças políticas e lideranças fortes com envolvimento das empresas em questões ambientais

ca, muito poluente, aí vem dizer que é ambientalmente responsável! Não era. Fomos ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e conseguimos proibir que ela usasse este termo na publicidade institucional. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também conseguimos tirá-la de um fundo formado por empresas ligadas ao meio ambiente”, revelou. O ex-secretario do Meio Ambiente de São Paulo salientou ainda a importância do envolvimento das empresas nas questões ambientais. “O desafio é o de criarmos um bom repertório de escolhas políticas e de consumo de produtos para a sociedade”, disse. Ativista há décadas Consultor, administrador e advogado, Feldmann foi deputado federal e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Participou da elaboração da legislação ambiental brasileira, como o capítulo de meio ambiente da Constituição

Federal, da Política Nacional de Educação Ambiental, da Lei de Acesso Público aos Dados e Informações Ambientais e foi relator da Política Nacional de Recursos Hídricos, do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. Foi fundador e primeiro presidente da SOS Mata Atlântica; fundou a Oikos, Funatura e Biodiversitas. Além disso, já atuou como membro conselheiro da Conservation International (CI), Ecological Footprint, LEAD - Leadership for Environment and Development (programa de liderança patrocinado pela Fundação Rockefeller), Global Reporting Initiative (GRI) e Greenpeace Internacional, bem como foi membro do Grupo Especial para a Rio+10 da International Union for Conservation of Nature an Natural Resources (IUCN). Como reconhecimento ao seu comprometimento com a causa ambiental, recebeu em 1990 o Prêmio Global 500 das Nações Unidas. Neo Mondo - Abril 2011

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Internacional

Divulgação

Fórum Mundial ainda não empolga mídia europeia

James Cameron: lembrado mais como o diretor de Avatar do que como ativista; cineasta lamentou não ter conhecido os ‘caiapós’ antes de fazer o filme

Desinformação ou desinteresse? Sites dos principais jornais nem sequer trouxeram uma nota sobre o evento Camila Turriani Bertoldo De Viareggio (Itália), Especial para NEO MONDO

“F

órum Mundial de Sustentabilidade no Brasil? Não, não li ou ouvi nada sobre isso.” Natural, afinal quem é que publicou a notícia na Europa? Quase ninguém. El País, Il Corriere della Sera, Correio da Manhã, Le Monde, The Times, Bild, só para citar alguns, não trouxeram uma única frase. O Fórum foi citado, quase por acaso, em algumas notas na internet, quando o assunto principal era Avatar e seu criador James Cameron. “Os atores da sequência de Avatar serão

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imersos na Amazônia brasileira”, a nota distribuída pela Agência France Presse (AFP) foi divulgada com o mesmo título nos sites da revista francesa Le Point, do jornal Le Nouvel Observateur, do canal TV5 e em alguns sites da Bélgica, como o RTL. Já os sites do jornal 20 Minutes e da revista L’Express alteraram o título, mas a notícia era a mesma: James Cameron está pensando em levar seus atores à Amazônia para que aprendam sobre as condições de vida na selva e os costumes de seus habitantes.

Belo Monte na berlinda Segundo os franceses, a revelação foi feita durante a participação do diretor no II Fórum de Sustentabilidade em Manaus, única referência sobre o evento em toda a nota. O artigo comenta também sobre a construção da terceira maior usina hidrelétrica do mundo, Belo Monte, no estado do Pará, apesar da oposição de grupos indígenas e de ecologistas: “(…) Segundo ativistas, o projeto é economicamente inviável e causará o desloca-


mento de 16 mil pessoas devido à inundação de uma área de 500 km2 sobre as margens do rio Xingu. O governo, entretanto, garante que as terras indígenas não são ameaçadas e que investiu milhões de dólares para reduzir o impacto social e ecológico da barragem”. O jornal inglês The Guardian contou praticamente a mesma história. “James Cameron planeja treinamento em floresta brasileira. Diretor canadense quer que os atores de Avatar 2 aprendam sobre os nativos e o modo de vida na selva” é o título da matéria. Os ingleses informaram que Cameron esteve em Manaus para participar do Fórum, que também contou com a presença de Arnold Schwarzenegger e Bill Clinton. Mais uma vez, apenas uma citação. O texto continua abordando os passeios organizados pelo diretor de Avatar, que levou o amigo Schwarzenegger para conhecer o rio Xingu e visitou membros da tribo Kayapó com um pequeno grupo de jornalistas. “Se eu tivesse encontrado os caiapós antes de fazer Avatar, eu certamente teria feito um filme melhor”, lê-se no artigo, segundo o qual Cameron planeja um documentário 3D sobre as difíceis condições dos povos da região e suas batalhas contra a hidrelétrica de Belo Monte. Ao abrigo do novo Acordo Ortográfico (como bem especificado), em Portugal predominou a nota divulgada pela agência Lusa nos sites de alguns dos principais jornais lusitanos: o Jornal de Noticias, o Diário de Notícias e o Expresso. Com o título “Fórum Sustentabilidade: James Cameron lembra a responsabilidade do Brasil como grande potência na defesa do ambiente”, os portugueses revelaram que - olha ele aqui de novo - segundo Cameron, o Brasil e o resto do mundo podem enfrentar “a maior crise humanitária da história” se não apostarem no desenvolvimento sustentável, com políticas que minimizem as consequências do aquecimento global. “O Brasil, como grande potência, precisa lutar para resolver os problemas ambientais que existem no país e na floresta, se quer continuar a desempenhar um papel importante no mundo”, afirmou o cineasta, de acordo com a agência portuguesa, numa conferência de imprensa em Manaus, durante o Segundo Fórum Global para a Sustentabilidade. E mais: “O premiado diretor de Avatar e Titanic, entre outros filmes, que abraçou a causa da defesa da Amazônia, disse que é necessário criar um ‘herói’ que sirva como uma refe-

Schwarzenegger e os óculos do CQC: “calor humano” como alternativa energética. O ator foi atração também fora do palco dos debates rência para que a sociedade reconheça que há uma ‘crise de sustentabilidade’ ”. Óculos e ‘apalpões’ Mas a toda regra tem uma exceção. Bem informado, o premiado site português i Online foi o único a enviar jornalista e a escrever realmente sobre o evento. Joana Viana começou de bom humor contando sobre energias renováveis que veem do calor humano e ressaltou a importância do Fórum: “… na abertura do II Fórum Mundial de Sustentabilidade, o ex-governador da Califórnia (e estrela de filmes de acção) foi confrontado por um jornalista (do programa de TV, CQC, de quem ganhou os óculos impagáveis – N.R.) quanto a uns vídeos da sua passagem pelo Carnaval do Rio de Janeiro, nos anos 80, com direito a apalpões a sambistas. O palco da provocação saudável foi Manaus, na Amazônia brasileira, onde decorre o encontro de especialistas mundiais no maior debate internacional sobre questões ambientais”. “Brincadeiras à parte”, o texto prossegue sobre o mau uso de combustíveis fósseis no último século, denunciado por Schwarzenegger. “(…) Brasileiros e californianos têm muito a aprender com a troca de informação, principalmente

quando a questão é o meio ambiente. (…) Não podemos falar de aquecimento global, porque as pessoas não se revêem nisso”, disse o ator-político. Como conta a jornalista, o segredo da proteção ambiental é tornar as coisas locais mais próximas das pessoas. Em sua matéria também não faltou a grande estrela dos noticiários, James Cameron, que sublinhou a importância do Brasil nas soluções ambientais. “O desenvolvimento econômico e a preservação estão intimamente ligados, já que uma coisa depende da outra. E devemos aproveitar o grande potencial que a energia solar na linha do equador oferece”, disse. Além disso, concluiu, “nenhum estúdio no mundo poderia dizer que uma mensagem ambiental faria três bilhões de dólares”. Também foram citados Bill Clinton e o presidente da Virgin, Richard Branson, empenhados sobre o tema da conscientização para a sustentabilidade no ensino e nas empresas. Alemanha, Espanha e Itália nada tiveram a declarar. Apenas uma nota na agência de notícias italiana Ansa sobre Cameron e seus atores na Amazônia. Nem no site do The Economist, uma das mídias patrocinadoras do evento, foi possível encontrar qualquer menção ao Fórum.

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Amazônia, hoje E

screvemos anteriormente, em artigo publicado em abril de 2010, sobre o mitos atuais referentes á Amazônia; a fonte foi Januário Amaral em seu livro Mata Virgem, terra prostituta (SP: Terceira Margem Editora,2004) Reiteramos as informações: • Mito da homogeneidade, que propaga a região como sendo um imenso e uniforme tapete verde, atravessado por longos e tortuosos rios. Nenhuma visão da Amazônia é mais distante da realidade. Ela abriga uma indescritível diversidade ecológica, refletida no clima, nas formações geológicas, nas altitudes, nas paisagens, nos solos, na formação vegetal e na biodiversidade. A heterogeneidade também ocorre do ponto de vista político, social e econômico. São oito países com diferentes estilos de governo e desgoverno, políticas e leis para a região, assim como ela é habitada por uma ampla varieda56

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de de grupos humanos, que vão desde indígenas, vivendo em total isolamento, até moradores de grandes cidades. • Mito do vazio demográfico, que produziu a crença na existência de uma região virgem, um imenso espaço vazio, ou a última fronteira da humanidade. Por este enfoque, a Amazônia seria uma terra sem habitantes para onde os homens sem terra deveriam migrar, aliviando os problemas da pressão populacional nas áreas periféricas, ao mesmo tempo ignorando os direitos milenares das populações que habitam a região. • Mito da imensa riqueza e extrema pobreza, tendo como referência a exuberância da vegetação tropical, estabeleceu a crença da fertilidade dos solos amazônicos. Somente depois de investidos e perdidos bilhões de dólares em projetos de assentamentos agrícolas é

que se pôde constatar que esta riqueza era apenas aparente, e que o tesouro da região está na biodiversidade do ecossistema, da flora, da fauna e do germoplasma nativo. A contrapartida desta percepção foi considerar os solos amazônicos tão pobres que tornaria impossível qualquer outra atividade que não a preservação incólume da floresta. Essa posição extremada tampouco se sustenta, dado que existem extensas faixas de solos aptos para a agricultura. • Mito do nativo como obstáculo ou como modelo para o desenvolvimento, que justificou, no primeiro caso, extermínio sistemático destas populações, a agressão territorial e cultural ou a sua conversão ao modelo civilizatório ocidental. No segundo caso – a louvação do modelo indígena – desconheceu-se que aquelas culturas são formas adaptativas próprias àquele ambiente e que sua adoção como


Dilma de Melo Silva

atividades agrícolas que paulatinamente geravam crescimento da população e da produção. Na Amazônia, a fronteira já nasceu heterogênea, constituída por frentes de várias atividades, com povoamento rural e produção agrícola relativamente modestos, e com intenso ritmo de urbanização, com o governo federal e as agências financiadoras internacionais assumindo o papel de planejador. • Mito de internacionalização da Amazônia, que surgiu como corolário dos outros mitos, da extensa agressão ambiental das últimas décadas e da inversão do conflito leste-oeste para norte-sul. A internacionalização é “confirmada” por uma lenda cibernético que divulga um mapa no qual constam livros escolares norte-americanos, com a Amazônia desenhada e identificada como área internacional.

modelo generalizado para o desenvolvimento da Amazônia é impraticável. • Mito de pulmão do mundo, que considerava a floresta amazônica responsável pela produção de 80% do oxigênio (O2) e fixador de dióxido de carbono (CO2) e que sua destruição privaria o planeta dos seus pulmões. O mito desconsiderava tanto a importância dos oceanos e das outras regiões tropicais nesta tarefa quanto o fato de a floresta amazônica ser uma floresta madura, mantendo um equilíbrio quase perfeito entre a produção de O2 e a fixação de CO2. Por outro lado, agora que as preocupações humanas deslocaram-se dos gases para a águas, a contribuição da Amazônia para o balanço hídrico do planeta tem sido enfatizada, dado que o rio desemboca no mar 176.000 m3 de água por segundo, representando aproximadamente 1/6 de toda a água doce levada para os oceanos.

• Mito de solução para os problemas da periferia, que submeteu a região a projetos de colonização governamentais visando à expansão da fronteira agrícola, não só no Brasil como na Colômbia, Peru, Equador e Bolívia, com o deslocamento de colonos atraídos por dois outros mitos: uma terra desabitada e com solos férteis. A colonização tem sido acompanhada de construção de estradas, de cidades e de hidrelétricas. O balanço geral dos últimos cinquenta anos de colonização é negativo: os problemas da periferia do Sul-Sudeste não foram resolvidos e criaram-se na Amazônia novas periferias com velhos problemas. • Mito da Amazônia como área rural, que considera a fronteira amazônica semelhante aos movimentos migratórios que se desenvolveram no Brasil na primeira metade do século XX, com pioneiros ocupando terras livres com

Todos esses mitos terão que passar por uma revisão sistemática, de estudos locais, para que haja uma efetiva desmitificação da região, e possamos redimensionar essa realidade. Nesse sentido, este número de Neo mondo colabora com o Caderno Especial sobre o Fórum Mundial de Sustentabilidade, trazendo informes atualizados sobre esse debate.

Referência: AMARAL, Januário. Mata Virgem, terra prostituta, SP:Terceira Margem Editora, 2004

Professora doutora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, socióloga pela FFLCH\USP, mestre pela Universidade de Uppsala, Suécia, e Professora convidada para ministrar aulas sobre Cultura Brasileira na Universidade de Estudos Estrangeiros, no Japão, em Kyoto. E-mail: disil@usp.br Neo Mondo - Abril 2011

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Coisas que eu vi

Cuidado: Querem nos tirar O

rio Amazonas despeja no Oceano Atlântico seis bilhões de litros de água doce por segundo, ou seja, o equivalente a um litro de água doce para cada habitante da terra. Esses dados por si sós mostram a importância dessa parte do Brasil, nesse momento em que nos encaminhamos para a escassez de água no planeta. A Amazônia é sem dúvida a região mais rica e mais cobiçada do mundo, porque acumula um quinto da água doce da terra e é também o maior banco genético e a maior floresta tropical do nosso planeta, sem contar que no seu subsolo estão fincadas riquezas incomensuráveis que despertam a cobiça dos países ricos. Exatamente aí é que reside o grande risco da invasão ambiciosa desses países: Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Itália e Japão que querem a todo custo internacionalizar os recursos naturais da Amazônia, como se eles fossem patrimônio da humanidade e não pertencessem aos nove países sul-americanos que abrigam a região e essa floresta. Essa atitude nociva precisa ser rechaçada e combatida com veemên-

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Neo Mondo - Abril 2011

cia pelo Brasil e por todos os países que se sentem ameaçados na sua soberania. Existe uma ofensiva muito forte pela internacionalização dessa última grande área florestal disponível no planeta, intervenção essa feita por países que não souberam preservar suas riquezas naturais e que agora se atiram com vigor ameaçando intervir até militarmente sob a alegação de que estão defendendo o meio ambiente. Um general norte-americano, Patrick Hugles, chegou a afirmar peremptoriamente: “se o Brasil quiser fazer uso da Amazônia para por em risco o meio ambiente dos Estados Unidos, precisamos interromper esse processo imediatamente”. Soma-se a isso a declaração de Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos: “ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós”; e Madeleine Albright: “quando o meio ambiente está em perigo, não existem fronteiras”. O mais incrível é que esses defensores do meio ambiente são os maiores poluidores do universo e fazem questão

de permanecer poluindo e não aceitam qualquer tipo de negociação que possa interferir no desenvolvimento venenoso operado por eles. Mas existem opiniões dissonantes entre os próprios norte-americanos, como Jeffrey Sachs, economista e professor da Universidade de Columbia que afirmou que “os paises desenvolvidos como Estados Unidos e China pregam a defesa do meio ambiente para os outros, mas eles próprios estão destruindo o mundo e são incapazes de frear os impactos das mudanças climáticas”. Para ele, o governo do seu país “investe em guerras como a do Afeganistão, enquanto o mundo convive com o veneno despejado no ar e que está destruindo a camada de ozônio”. O reflexo dessa política destruidora realizada pelos países ricos é a quantidade cada vez maior de fenômenos naturais avassaladores, como esse mais recente ocorrido no Japão, cujas consequências até hoje são notadas. Outros desastres ecológicos vão acontecer ainda enquanto que os Estados Unidos despejam verbas


Humberto Mesquita Mesquita Humberto

a Amazônia me perguntando ao telefone: - “Mas Humberto. É verdade que você fez um filme pornográfico na cidade dói Conde, aqui na Paraíba ? –“Não governador. Gravei cenas de uma praia de nudismo, sem qualquer preocupação com sensacionalismo. “Mas aqui na Paraíba, não tem praia de para açõesretrucou da violência armada. Quem nudismo, o Buriti. são eles, se imiscuírem “–Tempois, sim para governador. É a praiaem de assuntos ? Seus interesses Tambaba.da Se Amazônia o senhor quiser eu mostrarei as estão muito mais para voltados parater a certeza. ganânimagens gravadas o senhor cia econômica do que para apara proteção E o governador nos pediu que leambiental. Eles sabem que a Amazônia vasse o material no Palácio da Redenção. é uma muito rica, com 4 milhões Aoregião desligar o telefone procurei comude quilômetros com uma in-e nicar-me com oquadrados, prefeito Aluisio Regis vejável estrutura o metal expliquei tudo o geológica, que estavaonde acontecendo, pesado concentrou riqueza toda a se repercussão dosendo nossouma trabalho ea mineral sem paralelos no mundo. pressão que eles estavam exercendo para o Sul da Amazônia que vai do queTodo eu não pudesse mostrar aquelas cenas Acre até a Chapada Diamantina, o chamana televisão. do Escudo Brasileiro, é uma área “O comque for-é O prefeito me perguntou: mação geológica com mais de 3 bilhões que eu posso fazer”. Perguntei se elede tianos, e onde na se Câmara concentram enormes rinha maioria Municipal , e com quezas minerais. Há pordele ali, na a resposta afirmativa eu região sugeri dos que Cintas-Largas a maior mina de ediamantes ele convocasse os vereadores aprovasse do mundo que está por imediatamente um sendo decretoexplorada lei da criação uma empresa do grupo Hot Shield. Essa da praia de nudismo de Tambaba. E foi asempresa ONGsPela quevontade controlam atrasim que criou aconteceu. unânime vés domíniovereadores dos índios, exploração dosdo senhores de aConde surgiu do ninhao diamante. decreto leiEles 276sustentam que criavacom a primeira rias os de índios Cintas-Largas e mantêm o praia nudismo do Nordeste, que decontrole e a exploração dasregulamentação minas. pois passou por toda uma

transformando-a hoje numa das maiores atrações turísticas do Nordeste brasileiro e porque não dizer, do Brasil. E depois, quando levamos as cenas tomadas na praia de Tambaba para o governador Tarcisio Buriti, ele exclamou assustado e feliz: Agora sei que existe a praia porque rehistórias na recebiAsa noticia daque bocasão do contadas prefeito Aluisio gião nos levam à conclusão de que a cada Regis. dia aumentam o “Vocês interesse e a expansão E arrematou: jornalistas!!!”. Eo estrangeira na região amazônica. geneSBT deu o furo. M o nudismo da O Praia de ral-de-brigada Durval Antunes Nery nos Tambaba no programa Isto é Brasil. contou que um colega de farda general Claudimar, comandante da região em Boa Tambaba hoje Vista,Tambaba soube daé existência de uma uma praia bandeioficialmente de ra hasteadaenum denominado Raponaturismo quemlugar quiser fazer essa pratica sa-Serra do Sol.seu FoiCódigo lá e ordenou deve respeitar de Ética: que se retirasse dali a bandeira da Comunidade - Na faixa da praia destinada a pratica Econômica Europeia e ouviu do intrusode a do naturismo, só é permitida a entrada seguinte expressão:sendo ”aqui vedada é de quem paga”. grupos familiares, a entrada O general retirou a bandeira e fincou a de homens desacompanhados. brasileira. Quandoé deu as costas – O nudismo opcional. Não recolocaé obrigaram a bandeira estrangeira. Na Amazônia do a ficar nu, porque existe também a área existem reservas valiosíssimas de nióbio. dos “vestidos”. O Brasil detém 98% das reservas do mun– É proibido ter comportamento sexudo desseostensivo material ou que serveatos como liga almente praticar de caráresistente lâminas sendo aplicado na ter sexual em ou obscenos. fabricação instrumentos cirúrgicos, avi– Não éde permitido fotografar, filmar outros ões, turbinas dea aviões e peças que podem naturistas, sem permissão dos mesmos. ser submetidas a altas – As pessoas quetemperaturas. freqüentam esse A maior concentração desse espaço não devem se portar de material maneira está localizada na indígena Yanomani desrespeitosa ou área discriminatória perante

outros naturistas ou visitantes.É inaceitável provocar danos a Flora e a Fauna ou a imagem do Naturismo. – É proibido satisfazer necessidades fisiológicas em áreas impróprias. – É proibido exceder-se na ingestão de bebidas alcoólicas causando constrangimento a outros naturistas. e por ali são contrabandeadas quantidades Seguindo essas regras você pode utiliimensas pra abastecer todo o mundo, sem zar Tambaba, a primeira praia naturista do se apurar qualquer divisa para o Brasil. É Nordeste, esse paraíso natural cercado de uma empresa americana que opera sob a pedras formando conjunto complacência do um Brasil e dos harmônico brasileiros que encanta os olhos mais exigentes. mal intencionados. ElaAmazônia tem 600é metros A o celeirode do extensão mundo, noe falácias que alcançam até 20 de ar, na água e na terra. Dela sãometros extraídas altura. Sua configuração riquezas minerais, riquezasgeográfica florestais com para encostas de permi-a fabricação de grandes remédios barreiras e até mesmo te uma natural contra olhares sua águaproteção que um dia poderá ser deslocacuriosos, facilitando bem estarpara de da através de operaçõesotecnológicas abastecer nosso irmão do Norte, esse irquem a freqüenta. mãoNo mais rico, explora mundo eme auge doque verão entre onovembro seu proveito mas que jamais as março, a praia é invadida porrespeitou naturistas regras de convivência com os povos do do mundo inteiro. A regra principal de mundo. tudo!!!incorporar E o mundo que se TambabaAéeles a pessoa o espírito ajoelhe a seus pés. O Amazonas é nosso. do naturismo, ficar à vontade e não se preÉocupar nossocom dever buscar todas as formas a vida e o corpo dos outros.de defender essa soberania.

Jornalista,Escritor Escritor ee Editorialista. Editorialista. Jornalista, Apresentador de de TV e Rádio. Apresentador Neo Mondo - Dezembro 2010 Neo Mondo - Abril 2011

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MANIFESTO DO FÓRUM MUNDIAL DE SUSTENTABILIDADE

e já nças qu l a d u m materia es r o o s i s a e r m g os co pro as das s. Estam antásti a f temunh o s s e m t s e u s p e o om s de md que écadas f ade. Alé te bilhõe planeta os d e d o s i s d n s a o e a t m r i u m t o a úl ap a hu pass erviç Nestas istória d mundial ultra á mais nenhum temas, cujos s h a n m ão h ossis ocorrera co, a população ossos ec Terra. N N a . d i l m g e a ó o. r l e tecno al natu ela ação do hom beira do colaps t i p a c o p à do grandes o a n s ã d i t a r a s t , u e c s a , o a x s t p i e im íve men os ubstitu ha sido ua e ali são clar g a á d e i d v não ten de vida são ins e z des d casse oca te cente es rtunida tável. Nesta ép s o e p r o c de supor s a e r , elho sten ticas s climá sca de m social não é su elo bem comum r os a u ç b n a m e d ções erva ico e ços p As mu e popula econôm ção, pres de esfor d a o o l s z ã e i e i l õ d i n ç o v u a i da c sso m migr ca, a e que no ocial e econômi a sobrevivência d o. s o i c í ind seu mei tir l, s a n t m a r o n e c a i ltam g b am el para s que fa o homem v í A d . d a de crise s i n a i n c d o s usa impre a harm ra serem a seriedade e a lham a p torna-se as e assegurar s a t parti o pron tual, em s já estã acidade intelec os que hoje com ecossist a t i u m cap me ern rmos a e de gov es existe a j õ l i ç a v u g i l c n o e s e As te se iedad ar , da soc pidamen s a a r s e o plement eaçado. r ã p r m m i i v a m e e d s i s s a a paze ovas rem ade d das e ca recisamos de n z meno a e criativid n v i a m d r a e curto t eta c ndam. P vez do lucro a ortes, de a f s m e a um plan ç d n s ma as , em dera os proble e a longo prazo ora de li ossistem e c g e u a r q s e o t e e d m dad lor d . locida Precisa prosperi ibradas icos o va a l es na ve i õ m u ç ô m q e u n i e l o o g e c s e e stas elos privil essas nto, eus mod iedades mais ju des que s a d m i oe, porta l e s a t s m e c e r o r s o 1 men p r 1 r a o o, de 20 que inc consolid tabilida iedade – govern ão n e t prazo. E audáveis, para s u de S soc truç es undial ntos da s a cons e M a d m íntegros m n g e e u s r g ó a os os do F uas a resulte n es de tod em no topo de s anifesto s r o e M d d e í o l t t s e a e ção tar d ocar Que convoca para col usca do bem-es a – m l i u v i o c com ab ade no em que e socied , s l e a v s e á er huma r t s p n o e t a em s o u t i s respe laneta eza e no r de um p u t a n sil. ção da as, Bra n o z a preserva Am rço de Ma 6 2 , s Manau

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Neo Mondo - Maio 2008

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