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NeoMondo

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um olhar consciente

Ano 3 - Nº 24 - Julho 2009 - Distribuição Gratuita

a salvação das empresas 10

Unicef

Bola pra Frente

Green Building

O direito de aprender

Tecnologia Socioeducacional

Preservação Ambiental

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Neo Mondo - Maio 2008


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Dê alimentos orgânicos para seus filhos. Seus netos agradecem.

Para manter o corpo em equilíbrio e a saúde em dia é fundamental uma alimentação saudável. Por isso, você precisa conhecer melhor os alimentos orgânicos. São frutas, hortaliças, grãos, laticínios e carnes produzidos com respeito ao meio ambiente e sem utilizar substâncias que possam colocar em risco a saúde dos produtores e consumidores. O resultado são produtos de melhor qualidade, mais nutritivos, que certamente trarão mais saúde para a sua família e para todo o planeta. 4 Neo Mondo - Maio 2008


Neo Mondo - Maio 2008

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Seções Perfil 10 Especialidade: Ajudar o país a vencer barreiras Unicef propõe tratar diferentemente os diferentes para alcançar a educação qualificada

13 Artigo: Violência contra nosso futuro Idosos são vítimas de negligência e maus tratos Educação

17 Artigo: Os combustíveis e a emissão de poluentes atmosféricos Revolução Industrial, século xviii, grande marco histórico da atividade poluidora do homem meio Ambiente 24 Cinza que te quero Verde Brasil é o quinto noranking de países emconstruções sustentáveis

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22 Artigo - 2009 Ano Internacional da Astronomia A mais bela e filosófica das ciências 27 Artigo: A importância das Geociências para a sociedade moderna Muitas das preocupações ambientais que assolam a sociedade atual, apresentam uma natureza geocientífica

Toque de Primeira Bola pra Frente cria e repassa tecnologia socioeducacional

especial

28 Artigo: A empresa ‘Sustentável’ e o Mercado Global A empresa sustentável e o mercado global especial Bradesco Capitalização mantém o “Pé Quente” Vincular produtos com ações socioambientais promove ganhos à sociedade 36 Artigo: Responsabilidade Ambiental: uma questão de sustentabilidade do negócio Comprometimento das empresas tem que ir além do preço e da qualidade de seus produtos

Educação 14 Ecologia ensinada com talento Dr. Plástico acredita no potencial da arte para transformar as pessoas

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38 Eletrobrás busca ampliação sustentável da geração de energia Estatal realiza estudos ambientais para implantação de novas hidrelétricas e da eletronuclear Angra3

Bunge redireciona projetos visando sustentabilidade Atuação da Fundação Bunge, responsável pelas ações sociais corporativas da empresa, terá a sustentabilidade como foco 42 Artigo: Modelos de produção x Recursos naturais O impacto desse modelo em nossas vidas

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Rede Energia investe no esporte e ganha prêmio Social Projeto Novos Talentos, da Fundação Aquarela, criada e mantida pela gigante do setor elétrico, foi contemplado com o Top Social 2009 48 Práticas inovadoras de gestão Empresa brasileira do setor de bebidas ganha o mundo com lançamento de campanha ambiental

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biomas -Caatinga 51 As diversas faces do semi-árido nordestino Conheça as características da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro

Expediente

Publicação

Correspondência: Instituto Neo Mondo Rua Primo Bruno Pezzolo, 86 - Casa 1 Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Takashi Yamauchi, Vila Floresta - Santo André – SP Marcio Thamos, Terence Trennepohl, João Carlos Cep: 09050-120 Mucciacito, Luciana Stocco de Mergulhão, Daniela Duarte, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Para falar com a Neo Mondo: Natascha Trennepohl e Rosane Magaly Martins assinatura@neomondo.org.br Redação:Gabriel Arcanjo Nogueira (MTB 16.586) redacao@neomondo.org.br e Rosane Araújo (MTB 38.300) trabalheconosco@neomondo.org.br Estagiário: Caio César de Miranda Martins

A Revista Neo Mondo é uma publicação do Instituto Neo Mondo, CNPJ 08.806.545/0001-00, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça – processo MJ nº 08071.018087/2007-24.

Diretor Responsável: Oscar Lopes Luiz

Revisão: Instituto Neo Mondo Diretora de Arte: Renata Ariane Rosa Projeto Gráfico: Instituto Neo Mondo Diretor Jurídico: Dr.Erick Rodrigues Ferreira de Melo e Silva 6

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Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tel. (11) 4994-1690 Presidente do Instituto Neo Mondo: oscar@neomondo.org.br

Tiragem mensal de 30 mil exemplares com distribuição nacional gratuita e assinaturas. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização.


Com a mesma velocidade que a Eletrobrás cresce, cresce também a sua preocupação com o meio ambiente. É por isso que as ações e projetos implantados por nós são sempre desenvolvidos de forma a causar o menor impacto ambiental. É o caso dos novos projetos de usinas hidrelétricas na Amazônia, que estarão entre as maiores geradoras de energia do mundo, causando a menor interferência possível na natureza. Porque esta é a única que não precisa notar a nossa força.

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Editorial

Sustentabilidade,

ferramenta estratégica de

gestão empresarial

C

om a utilização do mecanismo do terceiro setor, as empresas podem implementar programas e projetos, bem como beneficiar o trabalhador e a comunidade. Um trabalho ativo no terceiro setor permite condições especiais sobre aspectos tributários, auxiliando na redução de custos operacionais e dando acesso a recursos extras. As diversas possibilidades de utilização do terceiro setor na gestão empresarial são pouco conhecidas. Prova disso é que, do montante disponibilizado pelo governo, através da renúncia fiscal, menos de 0,5% é utilizado. Portanto, num futuro não muito distante, será impossível uma empresa de sucesso não ter práticas de responsabilidade socioambiental. Um bom exemplo foram os computadores. No início, algumas empresas tinham tais tecnologias, enquanto outras a achavam desnecessária. Hoje, é impossível uma empresa sobreviver sem informatizar seus processos. A internet seguiu a mesma linha. Algumas empresas fizeram questão de tê-la, logo quando surgiu. Outras, por sua vez, acharam supérfluo. Hoje, a internet é um dos principais canais de comunicação de qualquer organização. A sustentabilidade com certeza será o maior diferencial para todas as empresas sobreviverem no mercado. Com o processo de industrialização galopante do nosso planeta, a percepção humana sobre a preservação dos recursos

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naturais vem crescendo, como mostram pesquisas recentes. As empresas, por sua vez, mostramse cada vez mais preocupadas em cuidar de suas fontes de recurso. Isso porque ter hoje no mercado um produto sustentável é sinônimo de preocupação e respeito com o planeta, dando mais credibilidade e valorização às companhias. Pensando em tal fato, a Revista Neo Mondo foi atrás de quem tenta fazer do planeta um lugar melhor. Em entrevista exclusiva, a Coordenadora do Programa de Educação do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva, mostra o Relatório 2009 “Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender”. Com um conjunto inédito de dados, análises e relatos de experiência, o relatório descreve a situação do direito à educação no país. “Batemos uma bola” com o Instituto Bola pra Frente, que tem como idealizadores do projeto os ex-jogadores Bebeto e Jorginho. Mostraremos que o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial de países que investem em construções verdes (Green Buildings). Aprenda como o “Dr. Plástico” leva os alunos a terem um olhar artístico sobre o debate do desenvolvimento de uma sociedade sustentável, através da música e do teatro. Essa é apenas uma parte do que você vai encontrar nesta edição. Boa leitura!

Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br

Instituto

Neo Mondo Um olhar consciente


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Perfil

Especialidade: ajudar o país Unicef propõe tratar diferentemente os diferentes para alcançar a educação qualificada Gabriel Arcanjo Nogueira

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Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), criado em 1946 e presente no Brasil desde 1950, prima por suas ações voltadas à educação. E não só; a instituição atua de acordo com 5 princípios básicos. Logo após divulgar, em junho, o relatório Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender: Potencializar Avanços e Reduzir Desigualdades, a coordenadora do Programa de Educação do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva, conversou com a NEO MONDO sobre o que a instituição considera uma análise sobre o direito de aprender no Brasil, realizada a partir das estatísticas mais recentes relacionadas ao tema. Salete lembra que este é apenas um dos direitos de crianças e adolescentes. Tudo muito bem arquitetado, como convém a uma profissional da Arquitetura, que se especializou em Políticas Públicas e foi secretária da Educação em Salvador (BA). 10

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Neo Mondo: Pode-se dizer que educação é a prioridade número 1 do Unicef? E como vocês entendem o que é educar? Salete: Nossas prioridades são cinco porque temos a responsabilidade de zelar pelos direitos das crianças e adolescentes, que são indivisíveis, para se chegar à desejada qualidade de vida. Não se pode cuidar apenas da educação, por exemplo, ou só da saúde, e deixar de lado a proteção que eles merecem. Nossa atuação leva em conta cinco verbos: Sobreviver e se desenvolver; Aprender; Crescer sem violência; Proteger-se do HIV-Aids; e Ser prioridade nas políticas públicas. Voltamos um olhar todo especial sobre a situação da criança e do adolescente, de modo a garantir-lhes a igualdade de tratamento em todos os aspectos. Educar, para nós, é garantir a todos e a cada um deles o direito de aprender, que é o tema de nosso Relatório deste ano. É

a primeira vez que fazemos um trabalho desse fôlego específico sobre o tema. E contamos com uma equipe valorosa que dá assim a sua contribuição para ajudar a entender a educação no País.  Neo Mondo: Como reconhece o relatório O Direito de Aprender, recentemente divulgado por vocês, há avanços setoriais nos últimos 15 anos no País. Quais são os itens que faltam para melhorar nosso quadro educacional? Salete: É preciso deixar claro alguns aspectos, para nós fundamentais, para se melhorar a educação brasileira. No que diz respeito ao acesso às escolas, temos uma boa caminhada ainda pela frente, sobretudo de adolescentes no no Ensino Médio, o que implica em empenhar-se num esforço conjunto para buscar um a um os que estão fora de um estabelecimento de ensino.


a vencer barreiras Outro aspecto é o da permanência na escola. Aí os índices de evasão são preocupantes, e de novo ainda mais entre os adolescentes. Garantir a permanência deles em salas de aula é um dos nossos maiores desafios. Na aprendizagem, estamos diante de um aspecto em que o País melhorou bem, conforme o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostra nos mapas que compõem a parte final do nosso Relatório. Mas temos de manter e consolidar esse avanço.      Neo Mondo: Para o Unicef, qual o principal problema - ou o mais agudo - e respectiva solução da educação brasileira?  Salete: O desafio dos desafios, para nós é vencer as desigualdades para garantir o direito de aprender de todas as nossas crianças e adolescentes. Não dá para aceitar que estes, em grande número, ainda estejam no Ensino Fundamental quando já deveriam estar no Ensino Médio. Há enormes distorções entre as zonas urbana e rural do Brasil, que se agravam ainda mais quando vemos que raça e etnia pesam nesse descompasso. Negros e indígenas estão entre os que têm menor acesso e possibilidades de concluir os estudos. Para se ter uma idéia, dos 680 mil sem escola, no País, 450 mil são negros. Não se pode esquecer ainda dos que apresentam algum tipo de deficiência e que, por isso, não encontram locais adequados às suas necessidades específicas. As soluções precisam vir de iniciativas e esforços conjuntos. Não temos a receita pronta, mas buscamos mobilizar as pessoas, onde quer que estejam, para que a educação seja cada vez mais, com mais intensidade, a pauta prioritária

Divulgação

Salete coordena uma equipe valorosa em uma instituição sempre aberta a novas parcerias pelos direitos da criança e do adolescente

de empresas, de institutos criados pela iniciativa privada e de instituições públicas. Percebemos um aumento desse nível de preocupação quando se fala em investimentos sociais (e quase 80% deles vão para projetos educacionais). Mas, de novo e sempre, temos de avançar: defendemos que 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País sejam aplicados em educação; hoje a parcela gira em torno de 5%.    Neo Mondo: A evasão escolar ainda atrapalha muito o desempenho de nossas crianças e adolescentes ou há outros empecilhos para que tenhamos um ensino de qualidade? Salete: Evasão escolar, no nosso entender, é mais efeito do que causa da baixa

qualidade de ensino no Brasil. Ela se dá, por exemplo, pela ida precoce de nossa gente ao mercado de trabalho, pela ausência ou carência de políticas públicas que segurem essas pessoas em instituições de ensino. Sem deixar de mencionar deficiências alarmantes, como as 5 mil escolas sem energia, as centenas sem água no Semi-árido brasileiro. Por aí se vê a urgência de fazer tudo ao mesmo tempo e articulado quando o assunto é educação de qualidade. Neo Mondo: Como estamos de parcerias público-privadas na área e o que o Unicef sugere para aprimorá-las? Salete: Há casos de parcerias interessantes, que chamam atenção por estarem Neo Mondo - Julho 2009

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Perfil

Estatísticas mostram que existem avanços, mas persistem desigualdades gritantes

ao alcance de todos - basta querer. Por exemplo, uma padaria que interage com a escola, ao permitir que alunos visitem o estabelecimento, num aprendizado prático, e ao mesmo tempo colabora no aprimoramento da merenda escolar; uma outra escola leva seus alunos a frequentar uma quadra poliesportiva de uma instituição próxima ao estabelecimento. Tudo isso é muito rico. Para nós, o mais importante é que se ouçam as escolas antes de tomar qualquer iniciativa. Há exemplos de maior alcance social, como o programa Amigo da Escola, do qual participamos com grandes organizações. Mas, fundamental em tudo isso, é alinhar os investimentos de modo a não deixar que se faça tão-somente marketing com esse tipo de ações. O importante é não perder jamais o foco, que é a melhora da qualidade na educação.  Neo Mondo: O que é possível fazer para tratar diferentemente os diferentes, respeitando as peculiaridades de cada grupo? Salete: Para nós, a primeira coisa a ser feita é conhecer e reconhecer as diferenças, sem trabalhar com a média, como é costume. Para saber, de fato, como está a real situação educacional do País, tem de ir até os vários grupos, já citados, e foi o que fizemos com o Relatório. A partir daí é que surgirão políticas públicas corretas - disso não temos dúvidas.   Neo Mondo: Podemos considerar o Unicef como especialista em vencer barreiras, notadamente em educação? Salete: Vencer, nem tanto. Nosso papel é o de apresentar informações e analisá-las com foco nos direitos da criança e do adolescente. Parcerias para isso, nós temos, e o Relatório é um dos frutos delas. Estamos sempre abertos a quem mais quiser se juntar a nós. A palavra-chave é mobilizar a sociedade para ajudar o País a vencer barreiras. É como se descreve a situação popularmente: tudo pra ontem. 12

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Em outras palavras: acelerar o passo, sim, mas com qualidade. Neo Mondo: Que balanço o Unicef faz de suas ações educacionais no País e no exterior? Salete: A palavra de ordem é: garantir os direitos da criança, onde eles sejam uma realidade ou não. Há países da África em que o Unicef constroi escolas, edita livros. Não importa a ação, a iniciativa por si só; o que faz a diferença é manter diálogo permanente com os gestores educacionais.  E fazer ver a eles que precisamos ouvir as crianças e os adolescentes. O Brasil é referência em legislação, a exemplo do Estatuto da Criança e do Adolescente. Tudo ali é muito claro; o que falta é ser aplicado. Temos de ser um pouco como o escoteiro, que deve estar sempre alerta.  

Neo Mondo: Existe um intercâmbio de experiências entre o que vocês realizam aqui e o que realizam em outros países, sendo esses semelhantes ou mais avançados que nós? Salete: Vivemos uma trajetória de avanços, mas com momentos delicados. Há desigualdades gritantes e isso preocupa. Questões como raça e renda não podem ser ignoradas. Não dá para empurrar esse tipo de sujeira para debaixo do tapete em nome das médias que costumam ser usadas de parâmetro para saber se a situação vai bem ou não. Medir os índices pela média é enganoso. O Unicef no Brasil é de uma região que abarca América Latina e Caribe - mais um motivo para tudo ser pensado e feito com muita cooperação e muito tato ao cuidar das carências dessa gente. Somos zelosos em formação e planejamento.

Pontos positivos do Relatório • 97,6% das crianças e adolescentes (27 milhões de estudantes) entre 7 e 14 anos estão matriculados em escolas; • 82,1% dos adolescentes entre 15 e 17 anos frequentam escolas; • tem aumentado o atendimento a crianças de até 3 anos: em 1995, eram 7,6 %; em 2001, 10,6%; e em 2007, 17,1%; no mesmo período, foi ampliado o atendimento às de 4 a 6 anos, respectivamente em 53,5%; 65,6%; e 77,6%. Fonte: Unicef com dados do Pnad 2007

Sinal de alerta ao País • 680 mil crianças entre 7 e 14 anos ainda estão fora da escola (mais que a população do Suriname); • em sua maioria, são negras, indígenas, quilombolas, pobres, sob risco de violência ou exploração e as com deficiência; • desse contingente, 450 mil são negras e pardas; • 44% dos adolescentes entre 15 e 17 anos ainda não concluíram o Ensino Fundamental e apenas 48% cursam o Ensino Médio; • no Nordeste, apenas 34% deles frequentam o Ensino Médio; no Norte, são 36%; • a média nacional, para o Ensino Médio, é de 48%; • na Região Sudeste, o índice é de 58,8% e, no Sul, 55%. Fonte: Unicef com dados do Pnad 2007


Rosane Magaly Martins

Violência

contra nosso futuro

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ia 15 de junho é marcado como Dia Mundial de Conscientização Contra Maus-Tratos a Idosos e tivemos pequenos atos isolados que marcaram o tema. Óbvio que as vítimas desta covarde forma de violência não puderam estar nas ruas protestando nem erguendo suas bandeiras. São pessoas na sua maioria frágeis, muitas delas doentes e acamadas que vem sendo vítima de toda a forma de negligência, abandono, violência física e psicológica por parte de sua própria família. Um levantamento recente dessa realidade, divulgado em 2007, pela Universidade Católica de Brasília (UCB), mostra que 12% dos quase 18 milhões de idosos do país já sofreram maus-tratos. A violência psicológica é o tipo mais comum e engloba humilhação, discriminação e ameaças. Mas as ocorrências contra os maiores de 60 anos também incluem agressões físicas, uso indevido do dinheiro do idoso, negligência, abandono e até mesmo a violência sexual. O Instituto Ame Suas Rugas recebe notícias diárias de denuncias que comprovam o quão desprezíveis podemos ser. São atos vergonhosos de nossos pais contra nossos avós e que, em breve, serão de nossos filhos contra nossa própria integridade e vida. Não pense que isso não acontecerá com você. A terceirização do carinho e do amor, com a contratação de cuidadores despreparados

ou a internação das pessoas idosas em instituições de longa permanência sem a devida fiscalização, será nosso futuro. Outra possibilidade será a de estarmos instalados numa edícula, aos fundos da casa de nossos filhos, onde receberemos poucos cuidados e higiene, alimentação inadequada, vítimas de agressão verbal/psicológica e, ainda, sermos roubados mensalmente em nossos parcos recursos. E pior, podendo chegar aos casos extremos de violência física e até de homicídios. As denuncias crescem sem que os infratores sejam exemplarmente punidos. É preciso que não só o legislador, como toda a sociedade, efetive medidas que garantam ao idoso de terceira e quarta idade o direito a esta fase da vida com dignidade, mas, fundamentalmente, que sua autonomia e independência sejam respeitadas. Temos que estar atentos e exigir a criação de mecanismos eficazes e punição exemplar àqueles que promovem maus tratos, abuso, violência psicológica, abandono e negligência aos idosos. Por isto, pedimos a todos os segmentos sociais, classistas, religiosos e entidades governamentais no sentido de que façamos introduzir políticas públicas que garantam melhores condições de vida aos idosos, e assegurem também a estas pessoas acesso e atendimento eficaz por parte do poder público, quando da ocorrência de casos de vio-

lência, principalmente no que diz respeito ao acolhimento da vítima, e a posterior identificação e punição do infrator ou infratores. Se não for por altruísmo, faça por egoísmo para que não seja você a próxima vítima. Caso não façamos nossa parte hoje, poderemos estar carimbando o passaporte sombrio de nosso futuro. Lembro de um poema de Maiakovski que fala da omissão social e encerra dizendo: “Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, roubanos a lua, e, conhecendo nosso medo, arrancanos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada”. Rosane Magaly Martins, escritora, advogada pós-graduada em Direito Civil, com especialização em Mediação de Conflitos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Pós-graduada em Gerontologia (FURB/2005) e Gerencia em Saúde para Adultos Maiores (OPS/ México) com formação docente em Gerontologia (Comlat/Colômbia). Fundadora e presidente da ONG Instituto AME SUAS RUGAS, participando desde 2007 na Europa e na América Latina de congressos, cursos e especialização que envolve o tema. Organiza a publicação da coleção de livros “Ame suas rugas” lançados no Brasil e em Portugal. E-mail: advogada@rosanemartins.com Neo Mondo - Julho 2009

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Educação

ensinada com talento


Dr. Plástico acredita no potencial da arte para transformar as pessoas Gabriel Arcanjo Nogueira

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nir uma proposta musical e uma proposta de educação ambiental está na origem do personagem Dr. Plástico e do projeto que leva este nome. Ambos, criação do percussionista, compositor e pedagogo João Carlos Dalgalarrondo, de nome artístico João Dalga. É como ele se define: “Em primeiro lugar sou um artista (percussionista e compositor) e, como tal, me envolvo nos assuntos que dizem respeito a minha constante atualização. Na pele do Dr. Plástico, sou também um pedagogo, um ecologista, um construtor de instrumentos, alguém que acredita na arte objetiva, isto é, a arte direta e atuante na transformação do ser humano.” Caracterizado de palhaço, Dalga bem que pode transformar-se num super-herói ecológico, tal o alcance do projeto, realizado pela Direção Cultura, de Campinas (SP), e patrocinado pela Alstom, referência em 70 países por suas ações socioambientais. Dalga explica: “O Dr. Plástico nasceu da idéia de, através da arte, eu poder passar uma mensagem ecológica, principalmente para crianças. Estou envolvido com idéias artístico-ambientais desde

2003. Desde então crio músicas que utilizam instrumentos feitos a partir de objetos descartados.” O presidente da Alstom Brasil, Philippe Delleur, esclarece: “Escolhemos esse projeto pela sua essência em atuar com diversas frentes sociais e também por ir ao encontro dos valores da Alstom. Para envolver todos os públicos nesse processo de aprendizado, faremos também algumas apresentações para os funcionários de nossas unidades.” Espetáculos e oficinas Neste início do projeto, que vai até outubro, serão visitadas 12 escolas na capital paulista e em Taubaté, no Vale do Paraíba. Alunos e professores aprenderão, de forma lúdica e prazerosa, sobre a longa vida dos polímeros (mais conhecidos como plásticos) e sobre as possibilidades musicais dos descartáveis de plástico.

Dalga considera que a receptividade, tanto de alunos como de professores, é ótima. Além dos eventos, protagonizados pelo Dr. Plástico, todos participarão de oficinas em que aprenderão a criar instrumentos de plástico. Uma cartilha especialmente preparada ajudará os participantes na correta assimilação dos conceitos e práticas sugeridos. Ele lembra que alunos de escolas públicas, sabidamente, enfrentam dificuldades para entrar em contato com a arte e suas manifestações. O projeto da Direção Cultura quer, por meio da apresentação do espetáculo e das oficinas, provocar o interesse deles em relação à música. Tudo muito prazeroso no processo do conhecimento, tornando a aprendizagem mais dinâmica. Em síntese, nesse projeto artístico-musical, arte e meio ambiente caminham juntos,

Projeto educacional utiliza músicas com instrumentos feitos de material reciclado

Fotos: Alice Dalgalarrondo

Dalga, na pele do Dr. Plástico: através da arte, crianças assimilam mensagem ecológica em músicas com instrumentos feitos de objetos descartados

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Educação

Foto: Geraldo Lima

Philippe Delleur, da Alstom: escolha do projeto leva em conta seu conteúdo social e valores da empresa

para na reta final chegar a iniciativas conservacionistas criativas. Está mais que na hora de todos terem a consciência de que acúmulo de lixo nos grandes centros representa grave problema social e ambiental. Dr. Plástico faz a música tornar-se ferramenta para incentivar a prática da reciclagem. O que se pretende é que os próprios professores sejam multiplicadores do projeto mediante o devido acompanhamento dos grupos formados nas escolas. O objetivo maior é fazer com que as boas práticas de coleta seletiva, reciclagem e conservação ambiental cheguem a amigos e familiares dos alunos. Importância das parcerias Dalga ressalta que o ideal é que o projeto possa ser estendido a outras cidades. “Sempre estamos a procura de parceiros para viabilizar nossas idéias”, diz, ao destacar a importância de parcerias para ampliar o alcance da sua iniciativa. Embasameno não lhe falta. Percussionista de formação e nome internacionais, Dalga é incansável na diversidade de sua atuação, que passa por orquestras, festivais e grupos musicais no País e no exterior, até chegar ao Dr. Plástico. A Alstom lembra que as Secretarias da Educação do Estado e do Município de São Paulo apoiam o projeto. Entre outros motivos, porque, segundo dados da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, estima-se que são consumidos 500 bilhões de sacos 16

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plásticos por ano ou 1,5 bilhão por dia. O plástico que fica nos aterros sanitários contribui para aumentar o volume do lixo e, por sua impermeabilidade (durabilidade de mais de três séculos), impedem a decomposição de materiais biodegradáveis. Ao dar destino mais nobre a tanto material, que de outra forma viraria lixo, o Projeto Dr. Plástico merece mais atenção de mais governos, sociedade e empresas. Interessados em viabilizá-lo em outras cidades podem contatar a Direção Cultura pelo e-mail antoine@ direcaocultura.com.br ou pelo telefone (019) 3202-5402.

Quadro 1 – Pontos-chave do projeto • Dr. Plástico visita as escolas • Depois de uma semana, são realizadas as oficinas • O problema do lixo é enfocado em um espetáculo artístico-musical Fonte: Direção Cultura

Quadro 2- Conteúdo do projeto • Explanação sobre a história dos diversos polímeros • Ensino de como construir vários tipos de chocalhos, baquetas e teclados • Iniciação de leitura e escrita musical • Exercícios de corpo e voz Fonte: Direção Cultura

Vamos Reutilizar! Chocalhos

Tambores

Reco-recos Ilustração: Paula Dalgalarrondo

Página da Cartilha que ajuda a entender que é possível dar destino mais nobre a material reciclável


Daniela Durante

de poluentes atmosféricos

O

s impactos ambientais deflagrados por meio da emissão de poluentes atmosféricos têm seus registros arqueológicos a partir da descoberta do fogo pelo homem da era paleolítica. Desde então, o controle dos recursos naturais para atender as demandas necessárias à sobrevivência humana tem sido inevitável. O grande marco histórico da atividade poluidora foi a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, na Inglaterra, onde a utilização de máquinas a vapor para a produção de bens manufaturados ocorria de maneira desmedida, trazendo consequências devastadoras para a qualidade da saúde pública e do meio ambiente. Por consequência, o uso dos combustíveis fósseis ganhou força com a produção do primeiro veículo motorizado a gasolina, que data de 1885, na Alemanha. A partir dessa conquista tecnológica, o panorama da emissão de poluentes atmosféricos modificou-se para uma realidade ambientalmente catastrófica. Na atualidade, os combustíveis mais utilizados para o funcionamento de motores industriais ou de veículos automotores são: o óleo diesel, a gasolina e o álcool, dentre os quais os dois primeiros representam 70% da energia gerada no mundo, enquanto que o álcool combustível (etanol) obtido a partir da cana de açúcar e de outros vegetais, como beterraba, mandioca e milho, ainda não tem a preferência entre os grandes países industrializados, exceto o Brasil que detém mais de 36% da produção mundial desse combustível. Outros produtores, tais como Tailândia, Índia, Espanha e EUA,

estão ampliando a produção de etanol para uso interno, porém ainda são tecnologicamente deficientes para isso. Os impactos da queima desses combustíveis acarretam em danos irreparáveis à integridade da camada de ozônio; causam a produção de chuva ácida por meio da emissão de óxido nítrico e dióxido de enxofre; o superaquecimento global e suas consequências ecológicas negativas, e não menos importante, os danos à saúde humana que incluem doenças alérgicas do trato respiratório provocadas pela inalação de material particulado em suspensão, como fuligem, chumbo (incluído a fim de aumentar a octanagem), formaldeído (o conhecido formol para conservação de cadáveres) e ozônio. É relevante ressaltar ainda que a inalação de hidrocarbonetos provenientes da combustão de gasolina e diesel foi comprovada por ter um importante papel na geração de cânceres do sangue, tais como linfomas e leucemias. A frota de veículos é um importante parâmetro para a avaliação dos níveis de consumo de combustíveis e sua respectiva emissão de poluentes atmosféricos. No Brasil, segundo o último senso da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os números ultrapassam 26 milhões de veículos, sendo que dentre os mesmos aproximadamente 30% são movidos a gasolina, 50% a álcool ou flex e os outros 20% compreendem os veículos movidos a diesel, tais como caminhões, os de transporte público e os de cargas. Embora pareçam razoáveis essas proporções, devemos considerar que a gasolina e o óleo diesel emitem cerca de 50

vezes mais material particulado na atmosfera se comparados ao álcool. Portanto, baseados nesses números, podemos concluir que a frota brasileira movida a combustíveis fósseis ainda é bastante exagerada. Porém, se considerarmos como parâmetro comparativo a emissão de monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2), estudos recentes comprovaram que os veículos de passeio movidos a álcool e gasolina representam os grandes vilões que prejudicam a qualidade do ar nas grandes metrópoles. A despeito desse fato, quando nos comparamos aos países desenvolvidos da Europa, da Ásia e América do Norte, o Brasil assume uma grande vantagem por possuir carros cuja emissão de poluentes é uma das menores do mundo. Esse fato se deve à produção de veículos contendo catalisadores que evitam a emissão de gases extremamente tóxicos pelos escapamentos, transformando tais poluentes em produtos menos ofensivos à atmosfera. Embora esforços sejam constantemente realizados para a minimização e controle da poluição atmosférica, não podemos deixar de considerar que para uma sociedade em pleno desenvolvimento é impossível que empresas deixem de funcionar e automóveis deixem de ser produzidos, pois não se trata somente de uma questão puramente ambiental, mas sim de fatores de ordem político-econômicos dos quais estamos intrinsecamente dependentes. Para mitigar os impactos causados pelos inevitáveis males do crescimento industrial, é necessário criar estratégias para o desenvolvimento de energias alternativas e renováveis a fim de proporcionar indicadores ambientais positivos. Além do mais, o maior desafio para o século XXI é a conscientização ambiental dos povos e nações, pois a reflexão acerca de práticas sustentáveis em detrimento de um contexto marcado pela degradação ambiental tornase uma poderosa ferramenta estabelecedora do mais profundo significado de cidadania. Daniela Durante Bióloga, Mestre e Doutoranda pela Universidade de São Paulo, perita e auditora ambiental. E-mail: dr.lucia@uol.com.br Neo Mondo - Julho 2009

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Educação

Toq

Bola pra Frente cria e repassa tecnologia socioeducacional Gabriel Arcanjo Nogueira

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vasão escolar de 0,5% e frequência às aulas de 93,5% são números de forte impacto social, ainda mais se levarmos em conta que se trata de jovens entre 15 e 24 anos. E não é na Noruega, embora uma empresa norueguesa, a Kongsberg, seja uma das realizadoras do Censo Muquiço 2008. Estes são apenas alguns dos resultados alcançados pelo Instituto Bola pra Frente, criado por José Roberto Gama de Oliveira, o Bebeto, e Jorge de Amorim Campos, o Jorginho. Muquiço é uma das comunidades atendidas pelo Instituto; as outras são Conjunto Presidente Vargas, Triângulo, Coreia, Ferroviária e Vila Eugênia, todas na zona norte carioca. Os outros parceiros responsáveis pelo censo são o SESCRio e o Instituto Muda Mundo. Bebeto e Jorginho são bons de bola desde antes dos tempos em que iam a campo, de mãos dadas, para conquistar o tetracampeonato no Mundial de Futebol, nos Estados Unidos. O gesto - símbolo de união, solidariedade, comprometimento -, no caso dos dois atletas, foi muito além dos gramados futebolísticos e hoje está presente em seis categorias de projetos idealizados e concretizados pelo Instituto Bola pra Frente. Fundada em 29 de junho de 2000, a ONG surgiu na esteira de uma tomada de consciência que parece ter influenciado craques de modalidades esportivas diferentes, na sua condição de cidadãos. Exemplos são Ayrton Senna e Raí. Curiosamente, este encerrou sua carreira nos gramados no mesmo ano em que Bebeto e Jorginho deram o pontapé inicial ao Bola pra Frente. O piloto, que virou herói nacional, inspirou a família a criar em 1994 – o ano do Tetra – o instituto que leva o seu nome. Ao completar 9 anos de existência, o Instituto fala com propriedade das possibilidades, das necessidades e do potencial do

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País, a partir da junção de dois slogans: o do Bola pra Frente, “por um placar social justo”; o da Neo Mondo, “um olhar consciente”. Com tais ingredientes, Susana Moreira, sua diretora-executiva, nos dá a receita: “Falta diálogo sobre solidariedade, cooperação, construção da paz, respeito às diferenças, valor da vida, cidadania... Acreditamos que, se for assim, a todo o momento, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, eu, você, nós estaremos construindo um país melhor, um mundo melhor. Além disso, falta pensar nas próximas gerações, mudar posturas, ter novas atitudes, pensar e fazer mais pela educação e pelo outro. Não só discutir o olhar consciente e, sim, praticá-lo.” Em sua trajetória, a ONG, surgida no Rio de Janeiro, “criou e consolidou uma metodologia própria, que foi sistematizada e tornouse uma tecnologia social. Esta metodologia amplia o conceito de ‘craque’ para habilidades reconhecidas não apenas no esporte, mas, principalmente, em outros núcleos em que a criança e o adolescente estão inseridos: a família, a escola e a comunidade”. Ao dar a explicação, Susana, que é jornalista e mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais, diz que a tecnologia própria do Instituto é reaplicada em outros Estados brasileiros. Fascínio do futebol Bebeto e Jorginho são pessoas com muitos pontos em comum, entre os quais o nascimento de ambos, em 1964; a passagem por grandes clubes do Rio de Janeiro e da Europa; o desempenho técnico e atlético; as conquistas e o reconhecimento de fanáticas torcidas. Os dois, até hoje, têm suas pessoas e imagem ligadas ao futebol, que lhes dá visibilidade: um em peças publicitárias; outro na Comissão Técnica da Seleção Brasileira. Jorginho é presidente e Bebeto, vice-presidente da ONG.

Seis projetos ajudam a cuidar das novas gerações com mudança de atitudes Neo Mondo - Julho 2009


ue de


Educação

por meio de uma visão psicopedagógica que estimula o desafio e a participação no processo de apropriação do conhecimento. O projeto inclui atividades, como aulas expositivas (de português, matemática, inglês, orientação para o trabalho, qualidade em atendimento, legislação trabalhista, gestão organizacional, informática, ética e cidadania, saúde e sexualidade, dentre outras), bem como dinâmicas de grupo, vídeos, jogos empresariais, palestras, visitas a empresas, elaboração do currículo e encaminhamento a empresas conveniadas”.

Divulgação

Turma do Craque de Bola de Escola é incentivada a dar continuidade aos estudos

Não é sem motivo que o Bola Pra Frente utiliza o fascínio do futebol e a imagem de atletas consagrados para atrair seu público beneficiário e transformar vidas. Para o Instituto, o futebol é mais do que um esporte: é uma linguagem lúdica universal, que traduz as contradições humanas, possibilitando a construção de valores em uma perspectiva de promoção social. Levando a educação para o campo e o esporte para a sala de aula, o Instituto implementou o programa Esporte em Ação Social, que possui um conjunto de projetos que perseguem o mesmo objetivo: promover, por meio do esporte educacional, atividades socioeducativas que permitam o Divulgação

Susana Moreira acredita que temos de pensar nas próximas gerações, mudar posturas, ter novas atitudes, pensar e fazer mais pela educação e pelo outro

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Neo Mondo - Julho 2009

desenvolvimento pleno e harmonioso das crianças e adolescentes atendidos, tornando-os agentes transformadores da sociedade”. Feita a apresentação, a diretora-executiva explica cada um dos seis projetos (ver Quadro 2): “Partindo do princípio de que o processo de aprendizagem se dá com base em dados significativos, o Craque de Bola e de Escola trabalha com o futebol, utilizando esta temática de forma lúdica e despertando o desejo de aprender. Com isso, cada criança é impulsionada a se tornar um craque também na escola e dar continuidade aos estudos. Nossos craques têm educação física, português, matemática, história, geografia, educação artística, ambiental e nutricional, aulas de filosofia e apoio psicopedagógico no Espaço do Craque, consultório especializado no atendimento a crianças com mais dificuldades no processo de aprendizagem”. “O Artilheiro utiliza o teatro, dança, música, vídeo e artesanato para ampliar a visão de mundo, contribuindo para a construção da identidade e do pensamento crítico e valorizando o autoconhecimento das crianças e adolescentes. O que é feito mediante à criação artística, à autonomia e à autoestima, na medida que as crianças e adolescentes são estimulados a produzir e expor seus trabalhos. O ganho maior está no desempenho escolar e nas aptidões que serão importantes no futuro, quando ingressarem no mundo do trabalho”. “O Campeão de Cidadania promove a aproximação entre a teoria e a prática

Amparo legal Susana acrescenta que o Instituto, como agente de integração empresa-escola, foi habilitado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente a atuar no encaminhamento dos adolescentes do Campeão de Cidadania para estágios em empresas conveniadas, conforme a Lei 6.494/77. Além disso, em atendimento à Lei do Aprendiz (10.097/00), que prevê que pelo menos 5% do quadro de funcionários da empresa devem ser de aprendizes, está apto a desenvolver e encaminhar adolescentes aos programas de aprendizagem no curso de auxiliar administrativo. Ela prossegue no detalhamento dos projetos: “A partir do modelo de atenção biopsicossocial em saúde, que proporciona uma visão integral do ser e compreende as dimensões física, psicológica e social, o Saúde em Campo prioriza a prevenção em lugar do tratamento. Damos especial Divulgação

Jorginho e Bebeto: união, solidariedade e comprometimento que dão resultados


atenção no combate ao sedentarismo e à obesidade, melhoria psicomotora, educação nutricional, descoberta dos valores do esporte e do civismo, bem-estar na convivência familiar e social”. “Queremos, com o Craque dos Craques, ampliar o papel dos familiares dos educandos do Bola Pra Frente, mediante atividades desenvolvidas a partir do trabalho de uma equipe interdisciplinar (profissionais de serviço social, pedagogia e psicologia), que utiliza princípios éticos, de cidadania e de relacionamento interpessoal. Entre outras atividades, temos oficinas de artesanato, palestras com temas variados, eventos de confraternização e reuniões periódicas para avaliação de resultados”. “Por fim, no Toque de Mestre, com o intuito de reafirmar o espírito de equipe, o público beneficiário (professores da rede pública de ensino que trabalhem no Complexo do Muquiço) participam de atividades, como visitas periódicas às escolas em que estão matriculados nossos educandos para avaliação da situação escolar – notas, evolução, comportamento; palestras e vivências para os professores dessas escolas, além de promover uma troca de experiências e premiação de iniciativas bem-sucedidas em sala de aula”. Não é só de projetos que vive o Bola pra Frente. O Instituto promove eventos em parceria com outras organizações para contribuir com a ampliação do alcance do Terceiro Setor. Exemplo é o Pré-Meeting de Responsabilidade Social, no começo de julho, em preparação ao 8º Meeting, que acontece em setembro. Nesses encontros, são apresentadas e discutidas propostas e troca de experiências para o desenvolvimento setorial. Para Susana, “transformar a realidade é mais fácil do que se imagina. Basta um olhar diferente para mudar o futuro”. A impressão que fica é que esses craques estão sempre pensando na próxima jogada, pra frente, em busca do placar social justo. Com a diferença a favor de que, nesse jogo, a torcida também entra em campo. SERVIÇO Para contatar o Instituto Bola pra Frente, utilize o site www.bolaprafrente.org.br, o e-mail contato@bolaprafrente.org.br ou os telefones (021) 3018-5858 e 2458-011.

Divulgação

Projeto Artilheiro forma a identidade de cada pessoa, com autonomia e autoestima

Quadro 1 – Perfil da ONG • Área de 11.570m2 • Atendimento a crianças e adolescentes de 6 a 17 anos • Promoção social por meio do esporte, educação, arte, cultura e qualificação profissional • Missão: Educar crianças, adolescentes, jovens e suas famílias para o protagonismo social, utilizando o esporte como principal ferramenta impulsionadora da construção de valores em prol da promoção social Fonte: Instituto Bola pra Frente Quadro 2 – O que é cada projeto 1. Esporte + Educação = Craque de Bola e de Escola Para crianças de 6 a 9 anos: desperta o interesse em aprender; apóia a alfabetização; combate a evasão escolar; escolas são os principais parceiros; acompanhamento sistemático do desempenho escolar 2. Esporte + Arte + Cultura = Artilheiro Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos: estímulo à criatividade e liberdade de expressão; incentivo a manifestações artísticas; acesso a bens culturais; valorização da própria cultura 3. Esporte + Qualificação Profissional = Campeão de Cidadania Para adolescentes de 15 a 17 anos: identificação e investimento em competências; qualificação profissional; incentivo ao empreendedorismo; inserção no mundo do trabalho 4. Esporte + Qualidade de Vida = Saúde em Campo Para educandos e familiares: cultivo de comportamentos e hábitos saudáveis; noções básicas de saúde e higiene; prevenção ao uso de drogas, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce 5. Bola pra Frente + Família = Craque dos Craques Para pais e responsáveis dos educandos: inclusão no processo socioeducacional; geração de renda; conscientização sobre alcoolismo, desemprego, consumo de drogas, violência doméstica 6. Bola pra Frente + Escola = Toque de Mestre Para professores e diretores de escolas públicas: interação Instituto-escolas; aprimoramento intelectual de professores Fonte: Instituto Bola pra Frente Neo Mondo - Julho 2009

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2009 Ano Internacional da

Astronomia A

astronomia é, com toda certeza, a mais poética e a mais filosófica das ciências. Induz naturalmente a imaginar e a pensar. Haverá alguém que, ao menos quando criança, não se encantou, não ficou maravilhado, não sonhou com o próprio infinito, contemplando a lua e as estrelas no silêncio azul-profundo do céu? Desde a mais remota Antiguidade, os astros incitavam a imaginação das pessoas. Observando a alternância do dia e da noite, o nascer e o pôr-do-sol, as fases da lua, o aparecimento das estrelas, e a sucessão das estações, o homem inventou a noção de tempo. Caçadores, agricultores e navegadores aprenderam a interpretar a revolução dos corpos siderais como importante referência para o andamento de suas atividades. O conhecimento sobre os astros desenvolveu-se de forma admirável, na Antiguidade mesopotâmica, desde o IV milênio a. C., entre caldeus, assírios e babilônios. Surge primeiro como possibilidade de perscrutar o futuro – a astrologia, cujos presságios se apuravam, de início, a partir da observação de fenômenos atmosféricos e meteorológicos simples, envolvendo principalmente corpos siderais proeminentes como o sol e a lua. Evolui, a seguir, para prognósticos mais complicados, que recorriam ao movimento dos

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planetas através das constelações do zodíaco, levando em conta o signo que presidia ao nascimento do consulente. Sua popularidade durante o período clássico em Roma é atestada pelo mais famoso poema de Horácio (65-8 a. C.), comumente conhecido pela expressão “carpe diem” que aparece no verso final, a título de conselho urgente, pregando sabedoria e moderação diante das vicissitudes da vida, conforme traduzo:

Não queiras tu, Leucônoe, descobrir que fim a ti e a mim darão os deuses(nem é bom que se saibam essas coisas), esquece a astrologia babilônia: melhor deixar que seja lá o que for. Quer Júpiter te dê muitos invernos, quer seja o derradeiro este que agorafatiga o mar Tirreno contra as fragas, tem prudência: dilui o vinho e ajusta a esperança – que é longa – ao breve instante. Foge o tempo invejoso enquanto falo: — Colhe o dia e não contes que haja outro.

O grande empenho matemático exigido pela astrologia na observação dos astros e suas relações interativas no céu levou aquelas civilizações desenvolvidas entre o Tigre e o Eufrates a consolidar pouco a pouco a astronomia, que se destacava da

arte divinatória para adquirir autonomia em si mesma com o caráter de ciência. Na mitologia clássica, os deuses primordiais foram imaginados com base nos elementos cósmicos. Hesíodo, poeta grego que floresceu provavelmente no VIII século a. C., narra em sua Teogonia a formação do mundo a partir do Caos, o infinito abismo em que tudo desaparece. Mas ao Caos sucede Gaia, a Mãe-Terra, e, logo, dela surge Urano, o Céu estrelado, para cobri-la inteiramente. Juntos, o Céu e a Terra tiveram muitos filhos e povoaram o mundo de entes fabulosos. Da geração dos Titãs, gigantes que ousaram contestar o poder dos deuses do Olimpo, nasceram o Sol, a Lua e a Aurora. A deusa da manhã, unida a Astreu, também ele filho de um Titã, deu à luz os Ventos cardeais Zéfiro, Bóreas e Noto, além dos Astros que cintilam no céu. Várias lendas greco-romanas contam como surgiram as constelações. Órion, por exemplo, era um belo gigante que costumava caminhar entre as ondas do mar. Distinguia-se por suas habilidades na caça e pelo interesse que dedicava à astronomia. Diana, de um modo ou de outro, tirou-lhe a vida. Em uma versão do mito, desafiada por Apolo a provar sua destreza no arco, mirando um ponto distante no horizonte das águas, a deusa, sem saber que se tratava de Órion, o acertou com


Márcio Thamos

uma flecha fatal. Em outra variante, para se vingar do caçador formidável, que lhe teria atentado contra o pudor, Diana fez surgir da terra um escorpião que aplicou uma picada fulminante no calcanhar do atrevido. Em todo caso, a deusa apiedouse do gigante, por quem talvez estivesse mesmo apaixonada, e, aflita por tê-lo matado, conseguiu o assentimento de Júpiter, o senhor dos deuses, para colocá-lo entre os astros, formando assim a mais brilhante das constelações (as populares Três Marias compõem no céu o cintilante cinturão de Órion). Nossa própria galáxia tem sua fábula mítica. Conta-se que, quando bebê, ao mamar no seio da rainha do Olimpo, Hércules sugou com tanta força que Juno o repeliu. O leite que então escorreu, deixando uma larga faixa luminosa no espaço, originou a Via-Láctea, caminho que leva ao palácio de Júpiter. Não obstante o mito, o filósofo grego Demócrito, nascido pela metade do século V a. C., já pensava na Via-Láctea como uma multidão de longínquas estrelas (o que, muito mais tarde, Galileu poderia constatar através de suas lentes). Várias teorias e intuições de antigos sábios que se indagavam a respeito dos astros forneceram dados e ideias sugestivas para todo o desenvolvimento posterior da astronomia. E não há conhecimento que se possa aprofundar sem esse

elo contínuo do saber que é transmitido de uma geração à outra através da história. O último grande astrônomo da Antiguidade, Cláudio Ptolomeu, foi um egípcio que viveu em Alexandria e escreveu em grego, já no II século d. C., à época dos imperadores romanos Adriano e Antonino Pio. Sua obra Sintaxe matemática (ou Grande composição), em treze volumes, sintetizava todo o saber astronômico de seu tempo, anunciava novas descobertas e aperfeiçoava teorias anteriores. Traduzida para o árabe, ficou conhecida em todo o mundo pelo nome de Almagesto, “a grande obra”, e tornou-se referência fundamental por mais de mil anos. Ptolomeu manteve o tradicional modelo que via a Terra fixa no espaço, com a lua, o sol e os planetas girando em torno dela. Mas a hipótese do sistema heliocêntrico já havia sido formulada, no século III a. C., por Aristarco de Samos, e muito antes ainda, no início do século VI, o matemático e astrônomo indiano Aryabhata I já se opunha à opinião de que a Terra fosse o centro do universo (quando o próprio Einstein dizia que a imaginação é mais importante do que o conhecimento, devia pensar em exemplos como esse). Ao se perguntar sobre a natureza e a origem do universo, a astronomia atualiza continuamente questões primordiais

que em todos os tempos inquietaram a mente e o coração dos mais variados tipos de pensadores e artistas: quem somos, de onde viemos, por que estamos aqui, para onde vamos? As respostas, sempre insuficientes, nos impondo a dúvida mítica e constante, são o estímulo para novas e mais aprofundadas reflexões a respeito de nossa própria existência. Desse modo, apesar do extraordinário avanço científico que conquistou através dos séculos, a astronomia consegue manter seu interesse poético e filosófico. Preservado naturalmente do mero utilitarismo tecnológico, o fazer do astrônomo se caracteriza bem por aquela mesma opinião do Pequeno Príncipe sobre o incessante trabalho do acendedor de lampiões que mantinha um minúsculo planeta piscando no espaço: “É verdadeiramente útil porque é bonito”.

Doutor em Estudos Literários. Professor de Língua e Literatura Latinas junto ao Departamento de Linguística da UNESP-FCL/CAr, credenciado no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da mesma instituição. Coordenador do Grupo de Pesquisa LINCEU – Visões da Antiguidade Clássica. E-mail: marciothamos@uol.com.br

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Divulgação

Meio Ambiente

Brasil é o quinto no ranking de países em construções sustentáveis Gabriel Arcanjo Nogueira

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O Ventura Corporate Towers, no Rio de Janeiro, é referência entre as mais de 1,3 mil obras da Advento no País e no exterior, dotadas de tecnologia e recursos avançados em construções sustentáveis

cinza dos concretos que sustentam edifícios no País e no exterior esconde uma tendência que precisa consolidar-se: a dos green buildings - com todas as vantagens que uma construção sustentável representa. Que o diga a qualidade de vida que desfrutam os ocupantes de um edifício verde, resultante do ar que circula no ambiente, da luminosidade e da temperatura. Juan Quirós, dono da Advento (holding de quatro empresas de construção e engenharia de infraestrutura), é entusiasta dessa prática. “O cenário da construção sustentável no Brasil é extremamente positivo e promissor. O País ocupa a quinta posição no ranking mundial de países que investem em construções verdes, atrás dos Estados Unidos, que está na liderança, França, Alemanha e Reino Unido. Hoje, no Brasil, cerca de 100 empreendimentos possuem certificado do LEED - Leadership in Energy and Environmental Design, sendo que 83% destes estão concentrados no estado de São Paulo. A expectativa é de que, até o final deste ano, 200 empreendimentos estejam certificados em todo o País”, afirma. O empresário, que integra o Conselho da Agenda Global para o Futuro da Construção Sustentável, no World Economic Forum, enumera os cinco pilares que caracterizam o edifício verde: “O primeiro é a eficiência na prevenção e redução da degradação ambiental na atividade construtiva, com foco no controle da erosão e sedimentação do solo; o segundo é o uso de tecnologias para o controle do desperdício de água potável, de forma que também estejam voltadas para a preservação dos lençóis freáticos que passam pela localidade do terreno; terceiro, a utilização de sistemas elétricos capazes de reduzir o consumo de energia do empreendimento; quarto, o desenvolvimento de atividades


para armazenagem e coleta de resíduos recicláveis; e quinto, a utilização de sistemas de climatização que estejam voltados ao controle ambiental do ar no interior do edifício”. O grupo Advento se destaca entre os que fazem o mercado brasileiro ser um dos que dispõe de tecnologias e recursos, no entender de Quirós, “extremamente avançados que atendem a requisitos seguindo os padrões americano e europeu de construções sustentáveis”. Ganhos e economias Realista, Quirós lembra que o tripé da sustentabilidade de uma construção – ser ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável – é seguido à risca, ao menos pelos empreendimentos detentores da certificação LEED. Falta, porém, ao segmento da construção no Brasil caminhar em busca da saudável unanimidade. Nessa caminhada, empresários e investidores precisam entender que “o retorno financeiro de um projeto Green Building se dá em médio prazo e não em curto prazo. É importante que o mercado esteja convencido quanto aos ganhos e economias proporcionados pelo green building. Contudo, é importante registrar que o mercado brasileiro de construção civil acompanha a tendência na implementação de práticas de controle e preservação ambiental”, avalia. Construções industriais e comerciais estão mais avançadas em relação às residenciais no País em projetos de sustentabilidade. O que faz o empresário apontar outra necessidade: “A ideia é que esses empreendimentos possam maximizar no curto prazo os ganhos com a preservação do meio ambiente, mediante a redução de 33 a 39% da emissão de CO2, 14% do consumo

de água potável, 24 a 50% do consumo de energia elétrica e, por fim, 70% dos resíduos sólidos gerados pela sua operação”. Inversão cultural e CEF Quirós ressalva que essa realidade não significa que construções residenciais abdiquem das práticas de preservação ambiental. E defende a urgência de “uma inversão cultural que envolva sociedade, governo e iniciativa privada em torno de uma política de sustentabilidade para o setor residencial”. Para quem já foi homem de governo (ele deu a sua contribuição à administração Lula, de 2003 a meados de 2008, quando esteve na presidência da Apex Brasil – Agência de Promoção de Exportação e Investimentos), o empresário se sente à vontade para sugerir: “Acredito que a Caixa Econômica Federal (CEF) tem todo o potencial para se tornar um agente viabilizador de projetos sustentáveis com linhas de financiamento direcionadas à construção de residências sustentáveis”. Diversidade e expectativas Com mais de 1.300 obras realizadas no Brasil e no exterior – entre elas, a maior unidade da Sadia, em Lucas do Rio Verde (MT), o Ventura Corporate Towers, no Rio de Janeiro, e os hospitais Amil e Samaritano, na capital paulista -, a Advento é o único grupo de construção e engenharia turn key da América Latina. Quirós é acionista majoritário nesse modelo de negócio (que tem entre seus acionistas o banco Credit Suisse), e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), desde 2007. Autoridade não lhe falta para falar das expectativas setoriais e do País como um todo.

Quadro 1- Benefícios abrangentes O edifício verde proporciona: • preservação do meio ambiente • ganhos econômicos e institucionais ao investidor • redução de 8 a 9% dos custos operacionais • valorização de 7,5 a 10% do valor de mercado • 3% de valorização no preço de aluguel Fonte: Grupo Advento

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Meio Ambiente

Mercado brasileiro acompanha tendência de práticas de controle e preservação ambiental

“Se a comunidade empresarial mostra-se na vanguarda com relação à viabilização de projetos sustentáveis”, todavia “para que haja uma ampliação do mercado de green building no Brasil é necessária a articulação de uma política envolvendo governo, empresas e sociedade, na qual o governo entraria com o financiamento e apoio, as empresas com a execução e a sociedade com a conscientização sobre a importância quanto aos ganhos obtidos com a preservação do meio ambiente”.

Divulgação

Copa do Mundo, divisor Quirós está convicto de que empresários e investidores acompanham a mudança cultural do mercado em torno das construções sustentáveis. E considera a Copa de 2014, no Brasil, como um divisor de águas. Para o dono da Advento, “existe uma grande expectativa de que não só os novos estádios, mas também as obras de infraestrutura que serão exe-

cutadas no País sigam as práticas de preservação do meio ambiente, reforçando a imagem do Brasil como um país preocupado com a sustentabilidade”. Na visão do empresário, o evento esportivo de maior projeção mundial só trará avanços significativos se cada um fizer a sua parte, como explica: “O governo terá um papel preponderante na fase de viabilidade dessas obras, pois boa parte delas será financiada com recursos públicos. Diria que esta é uma excelente oportunidade para a criação de um esforço conjunto entre governo e iniciativa com foco na maximização do potencial do mercado de construções sustentáveis no Brasil”. Convergência de interesses O empresário chama atenção, ainda, para a necessidade da convergência de interesses que deve ser a base de um empreendimento sustentável. E fala de cátedra: “O cliente deve estar convencido quanto aos benefícios de uma construção planejada sob aspectos que envolvam responsabilidade ambiental; em contrapartida, nosso Grupo deve estar devidamente qualificado para a

execução dessas práticas, pois, paralelo ao compromisso que assumimos com o cliente, temos também a responsabilidade pelo bem-estar de todos aqueles que estarão envolvidos no projeto, incluindo seus futuros ocupantes” O pioneirismo do grupo Advento é facilmente percebido em sua trajetória, desde a origem em 1994, em Campinas (SP), até chegar ao porte da organização nos dias de hoje. Para Quirós, questão de honra é a qualificação de seus profissionais – de engenheiros a funcionários do canteiro de obras, passando pelos técnicos – que resulta na obtenção de números promissores para a empresa e garantia de tranquilidade social. “Hoje, entre 5 e 10% dos projetos executados por nós obedecem às práticas do LEED, e seus respectivos proprietários consideraram a expertise do Grupo no momento da negociação”, conclui.

Quadro 2 – Composição da holding Principais características do grupo Advento: • sede em São Paulo e obras no Brasil e no exterior; • 2 mil funcionários; • 4 empresas especializadas em engenharia de infraestrutura: Serpal Construtora, Vecotec Sistemas de Climatização, Vox Engenharia Elétrica, Hidráulica e Mecânica, e Temar – Manutenção Integrada; • uma de suas realizações, o Ventura Corporate Towers é o principal empreendimento comercial de alto padrão green building do Rio de Janeiro; • R$ 580 milhões em negócios durante 2008. Juan Quirós: cenário é positivo e promissor; Brasil pode fechar 2009 com 200 empreendimentos certificados

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Neo Mondo - Julho 2009

Fonte: Grupo Advento


Denise de La Corte Bacci

A importância das Geociências

para a sociedade moderna

O

ano de 2008 foi proclamado pela União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) e pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional do Planeta Terra (AIPT). Durante o triênio 2007-2009, estamos comemorando e divulgando para a sociedade as Ciências da Terra ou as Geociências. O termo Geociências engloba os estudos e interelações das quatro esferas terrestres (hidrosfera = água, litosfera = rocha, atmosfera = ar e biosfera = vida). Mais recentemente, uma quinta esfera vem sendo estudada, a antroposfera ou esfera humana. O homem vem sendo denominado como o mais novo agente geológico, uma vez que é capaz de transformar a superfície do planeta com uma velocidade muito maior do que alguns processos naturais. O termo Geociências vem sendo mais utilizado associado à Geologia, ciência que estuda a origem e formação do planeta Terra, os processos naturais de formação das rochas, minerais e minérios, as transformações das paisagens, os fósseis e a evolução da vida ao longo do tempo geológico. A Terra é um planeta dinâmico, em constante transformação, onde as mudanças globais ocorrem constantemente, em diversas escalas temporais. O conhecimento geológico sempre foi utilizado pela sociedade desde o surgimento da humanidade, de maneira a prover as necessidades básicas em termos de recursos minerais (pesquisa e prospecção mineral), exploração de materiais energéticos (combustíveis fósseis), na construção de obras civis (habitação, barragens, rodovias, túneis) e na descoberta de novos bens minerais. Mais recentemente, o papel das Geociências visa atender as demandas por soluções aos problemas ambientais, aplicado em áreas de risco, no planejamento urbano, no uso e ocupação do meio físico, nas avaliações de impacto ambiental e recuperação de áreas degradadas, na desertificação e nas mudanças globais. O conhecimento do meio físico e dos processos naturais que ocorrem em nosso planeta, ou seja, a compreensão geológica da natureza, ainda pouco divulgada e mantida no espaço dos especialistas, vem ganhando espaços de discussão cada vez maiores, uma vez que é fundamental para o desenvolvimento humano e sua sustentabilidade.

Muitas das preocupações ambientais que assolam a sociedade atual apresentam uma natureza geocientífica e podem, no futuro, colocar em risco as condições terrestres de sustentação da vida, atingindo também a espécie humana. É preciso conhecer uma história que começou a aproximadamente 4,5 bilhões de anos, com a formação do nosso planeta, para entender que a espécie humana é mais uma entre tantas outras que surgiram, mas que outras espécies se extinguiram naturalmente, por mudanças das condições naturais do planeta, seja da atmosfera, do clima, das paisagens, da vegetação, dos continentes. A história do nosso planeta nos conta que tivemos eras em que praticamente toda sua superfície estava coberta por gelo, em que o nível do mar estava dezenas de metros acima do atual, que a atmosfera continha muito mais CO2 do que agora, que os animais que aqui viviam atingiram muitas toneladas, que a evolução das espécies esteve ligada fortemente à diversidade dos ambientes geológicos. A história da Terra está escrita nos registros fossilíferos, nas rochas, nas montanhas, nos oceanos e é lida e divulgada pelo geocientista, que investiga, interpreta, mede, calcula, faz hipóteses e desenvolve teorias para recompor o passado e prever o futuro do planeta. Vivemos numa camada de cerca de 100 km denominada crosta, a qual é uma fonte de conhecimento histórico sobre a natureza onde os processos inorgânicos e a vida se desenvolvem rapidamente, sendo suporte da biosfera e da antroposfera. Esse conhecimento é fundamental para entendermos as relações existentes entre as esferas terrestres. É na crosta, ou pelo menos em uma parte dela, que vivemos e que a vida se desenvolveu no planeta. Compreender onde pisamos e as relações desse substrato com o nosso cotidiano em sua mais ampla perspectiva é compreender como os processos geológicos ocorreram, é entender como o planeta em que vivemos se formou, e essa visão implica em conscientização sobre nosso papel como mais uma espécie que habita a Terra, a única com capacidade de refletir sobre sua própria atuação e modificar sua postura. As Geociências contribuem para essa visão integrada do ambiente, enxerga os processos em sua totalidade, nas mais diferentes esferas

e escalas ao longo do tempo. Esta visão do conjunto de conhecimentos e idéias é essencial para promover uma nova relação do ser humano com a Natureza, mostrando a importância para o cotidiano dos cidadãos, pois abre possibilidades da sociedade tomar decisões e compreender as aplicações dos conhecimentos sobre a dinâmica natural na melhoria da qualidade de vida. A formação de cidadãos críticos e responsáveis com relação à ocupação do planeta e utilização de seus diversos recursos, cria meios para diminuir o impacto ambiental das atividades econômicas, e também busca soluções para os problemas já existentes de degradação do meio ambiente. O reconhecimento das Ciências da Terra como base para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável é um grande passo e uma grande responsabilidade para os profissionais da área. Para o geólogo, é o momento de investir na divulgação da Geologia e avançar na compreensão de que seu papel é fundamental para o desenvolvimento da sociedade que exige uma visão integrada para a solução dos problemas ambientais prementes. Para o educador em Geociências e Educação Ambiental, faz-se necessário aprimorar as estratégias e metodologias de ensino no ambiente formal e não-formal de maneira que os conhecimentos em Geociências associados aos preceitos e fundamentos da Educação Ambiental sejam expandidos e apreendidos pela sociedade em geral. Para mais informação consulte: TEIXEIRA, W. FAIRCHILD, T. R., TOLEDO, M.C.M, TAIOLI, F. Decifrando a Terra. 2ª. Edição. Companhia Editora Nacional. São Paulo. 2009. Denise de La Corte Bacci Graduada em Geologia pela UNESP, Campus de Rio Claro, mestrado em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP e doutorado em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP. Estágios na Università di Milano e University of Missouri_Rolla. Pós-doutorado em Engenharia Mineral pela POLI-USP. Atualmente é docente do Instituto de Geociências da USP. E-mail: bacci@igc.usp.br Neo Mondo - Julho 2009

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A Empresa O

mercado global já não comporta com facilidade as políticas de exploração das grandes empresas quando não estão em sintonia com as aspirações ambientais desse início de século, ou seja, com a responsabilidade social empresarial dentre seus objetivos de integração. A crise ecológica é uma crise institucional da sociedade industrial e não um simples problema ambiental. Os riscos gerados por essa nova fase industrial somente dizem o que não deve ser feito, mas não apontam o que se deve fazer. O que está em jogo na sociedade industrial não é somente uma redefinição das áreas de responsabilidade governamental, como em tempos mais distantes, mas sim a questão relativa às tarefas primárias do Estado, de primeira necessidade. Assim, a política reflexiva não significa apenas a invenção; significa o desaparecimento do político. O globalismo ambiental refere-se a um “direito de ambiente mundial” , uma responsabilidade global (tanto

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dos Estados, quanto das ONG’s e da sociedade civil) e não deve ser tratada de forma isolada. Para a construção do Estado Constitucional Ecológico, faz-se imprescindível uma Concepção Integrada/Integrativa do meio ambiente, onde há a necessidade de uma proteção global e sistemática que não se reduz à defesa isolada dos componentes ambientais naturais e humanos. Requer, ainda, uma compreensão multitemática dos direitos e interesses envolvidos (ambientais x urbanísticos). Isso acarreta em uma necessidade de compatibilização dos instrumentos cooperativos (jurídicos). Ultrapassadas as discussões da individualidade de um direito fundamental ao ambiente, fala-se em um comutarismo ambiental ou comunidade com responsabilidade ambiental, baseada na participação ativa do cidadão na defesa do ambiente. O dever fundamental ecológico (proteção ao ambiente) radicará na idéia de responsabilidade/conduta que pressupõe um

imperativo categórico ambiental, ou seja, agir de forma a que os resultados dessa ação não sejam destruidores de bens naturais por parte de outras pessoas dessa ou das gerações futuras. O cenário global exige, pois, uma política global, não somente estatal, pressupondo cooperação entre Estados, empresas e cidadãos, numa democracia ambiental não discriminatória, com atuações preventivas dos riscos ambientais. Para a construção de um Estado Constitucional Ecológico deve-se levar em consideração as características de cada região, como seu desenvolvimento econômico e social, pois neutralizar as estruturas jurídicas já existentes, através de planos ambientalmente dirigidos, pode acarretar sérios problemas na relação cidadão-Administração. A participação dos global players, ou seja, aquelas empresas (ou profissionais) que sabem atuar em todos os mercados, em toda parte, com extrema facilidade, sem sequer sair do lugar, é de extrema importância no rumo da globalização.


Terence Trennepohl

‘sustentável’ e o Mercado Global

Não cabe aqui indagar se a responsabilidade social da empresa é um meio de atingir objetivos comerciais, mas sim se ela efetivamente traz resultados para a coletividade. Seja com qual objetivo for, o importante é que os resultados obtidos sejam atingidos em prol de mercado ou em razão da vocação excepcional para colaborar com o Estado. Portanto, as empresas têm, cada vez com mais vigor, que adotar conceitos de sustentabilidade empresarial, no intento de atender às expectativas dos consumidores e de parte da população que não tem no Estado a prestação de seus serviços ambientalmente dirigidos. A empresa sustentável do início desse século é aquela que tem atuação pró-ativa e atende não só aos requisitos estatais de funcionamento, mas vai além, se sobrepondo às exigências convencionais e inovando, participando do processo de sustentabilidade dos recursos naturais.

Essa atitude de envidar esforços em políticas de responsabilidade social agrega valor à marca, à empresa e faz com que sua aceitação social seja mais ampla, seguindo a orientação do mercado global. A pressão crescente que as empresas estão sofrendo em relação às questões ambientais é fruto do consumo e do mercado. Tanto os acionistas quanto o público em geral estão exigindo cada vez mais a adoção de práticas ambientais mais responsáveis, bem como a tendência dos órgãos de regulação apontam na direção de uma maior rigidez nas regras jurídicas. De fato, já não é mais fora de propósito desconsiderar a responsabilidade social corporativa como nova maneira de geração de rendas, seja criando novos produtos ambientalmente corretos, ou adaptando os já existentes às técnicas menos poluentes. E essa empresa parece ser a que melhor atende aos interesses ambientais e sociais do século que se inicia e da onda

de desenvolvimento que se avizinha, cada vez com mais velocidade. Vários indicadores mostram o quão sustentável uma empresa pode ser, mas adotouse a opção de analisar dois deles, o Índice BOVESPA e o DOW JONES de sustentabilidade, pois retratam companhias que têm alto grau de comprometimento com sustentabilidade e responsabilidade social. Com essa avaliação dos papéis negociáveis em Bolsa de Valores, as empresas precisam mostrar que não somente são viáveis economicamente, mas também precisam de uma licença da sociedade para operar com responsabilidade sócio-ambiental. Ser sustentável passou a ser um requisito para as empresas nesse novo século XXI. Terence Trennepohl Sócio de Martorelli e Gouveia Advogados Senior Fellow na Universidade de Harvard Doutor e Mestre em Direito (UFPE) E-mail: tdt@martorelli.com.br

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Especial

Bunge redireciona

visando

Luiz Alonso – Bunge


projetos

sustentabilidade Atuação da Fundação Bunge, responsável pelas ações sociais corporativas da empresa, terá a sustentabilidade como foco Rosane Araújo

I

Projeto Comunidade Educativa desde 2002 investe na formação de educadores, que agora funcionarão também como agentes de promoção do desenvolvimento sustentável de suas regiões. Mais de 2 mil professores já passaram pelo projeto

nvestir no desenvolvimento de projetos nas áreas de responsabilidade socioambiental e sustentabilidade é a postura que a sociedade espera das grandes corporações do mundo atual. Em 1955, porém, poucas empresas tinham tal preocupação. Mas foi há exatamente 54 anos que a Bunge Alimentos, então conhecida como Moinho Santista Indústrias Gerais, instituiu a Fundação Moinho Santista, atual Fundação Bunge, com o objetivo de incentivar as Ciências, Letras e Artes. No decorrer destes anos, os projetos da Fundação tiveram como foco a educação, mas, no último ano, a entidade decidiu revêlos, o que resultou na mudança do foco. “Fizemos uma discussão interna na qual definimos que a educação passa a ser usada como ferramenta e o foco passa a ser os projetos e as ações de sustentabilidade”, explica a gerente da Fundação Bunge, Cláudia Calais. Segundo ela, a mudança nos objetivos foi tema de reuniões durante três meses, das quais participaram o presidente mundial da corporação, Alberto Weisser, e os presidentes brasileiros Sérgio Waldrich (Bunge Alimentos) e Mário Barbosa (Bunge Fertilizantes). “A pauta social está ligada ao raciocínio da empresa. Se não fosse importante, os presidentes não participariam das reuniões. Isso acontece porque eles conseguem perceber o valor do processo. Mas isso não é uma coisa que começou a ser feita ontem”, opinou Cláudia.

E não foi mesmo. Fundada em 1818, em Amsterdã, na Holanda, pelo negociante de origem alemã Johannpeter G. Bunge, a Bunge & Co visava à comercialização de produtos importados das colônias holandesas e grãos. Atualmente, o grupo tem unidades industriais, silos e armazéns nas Américas do Norte e do Sul, Europa, Ásia, Austrália e Índia, além de escritórios da BGA (Bunge Global Agribusiness) atuando em vários países europeus, americanos, asiáticos e do Oriente Médio. No Brasil, a corporação completou 104 anos e abrange os segmentos de fertilizantes e alimentos, sendo, que neste último, é detentora de marcas conhecidas, como Soya, Cyclus, Delícia, Primor e Bunge Pró. Possui cerca de 8.500 funcionários, mais de 300 instalações entre fábricas, portos, centros de distribuição e silos, e está presente em 16 estados brasileiros. Seu faturamento em 2008 foi de R$ 31,7 bilhões. Mudança na prática: projetos continuam, com outra finalidade Para alcançar o novo foco estabelecido, que é a promoção da sustentabilidade,os projetos já existentes da Fundação tiveram que ser readequados. As linhas de atuação foram redefinidas de forma a abranger três áreas: Socioambiental, Incentivo à Excelência e ao Conhecimento Sustentável e Preservação da Memória. Na área socioambiental, o programa Comunidade Educativa, criado em 2002,

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Especial

Luiz Alonso – Bunge

O Centro de Memória da Fundação Bunge, além do amplo acervo, oferece palestras e oficinas sobre preservação de memória

permanece ativo, mas com foco na escola sustentável. Assim, o trabalho de formação de educadores que já era realizado, agora procura transformá-los em agentes que possam contribuir para formação de cidadãos com pensamento sustentável e também transformar a própria realidade das escolas da rede pública. O programa reúne 729 professores, 14 mil alunos e cerca de 820 voluntários que dedicam até duas horas de trabalho semanal desenvolvendo atividades multidisciplinares e lúdicas com alunos dos Divulgação

A gerente da Fundação Bunge Cláudia Calais: “Qualquer empresa dentro do cenário atual busca novos paradigmas. E quando se fala em sustentabilidade, a palavra inovação aparece em negrito”

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primeiros anos do Ensino Fundamental de escolas da rede pública. Ainda na área socioambiental, a Fundação criou um novo projeto dentro da proposta de sustentabilidade. Enquanto o Comunidade Educativa trabalha a questão nas escolas, o Comunidade Criativa vai fazer o mesmo no âmbito do mercado de trabalho. Ele consiste em ações de formação profissional de jovens, com foco em empregos que contribuam com o desenvolvimento sustentável das comunidades onde a Bunge atua. “Neste ponto, é importante focarmos o projeto nas potencialidades da região, de forma que promovam uma empregabilidade consistente aos jovens. Não adianta terem um certificado embaixo do braço, mas não encontrarem mercado para exercer”, raciocina Cláudia Calais. Todo o primeiro semestre deste ano foi dedicado ao levantamento de dados para identificação das potencialidades das regiões pilotos. A implantação de fato do programa está prevista para o começo do ano que vem. Incentivo à produção de conhecimento Para atender a área de incentivo à excelência e ao conhecimento sustentável, a instituição dá novo enfoque para uma das suas primeiras realizações: o Prêmio Fundação Bunge. Visto como um importante estímulo à produção intelectual por reconhecer o trabalho de

personalidades do Brasil, o prêmio agora passa a considerar o conceito de sustentabilidade como um dos critérios de avaliação. Os profissionais contemplados com o prêmio são indicados por instituições acadêmicas, entidades de pesquisa e organizações culturais. E para atuar de forma ainda mais efetiva na geração de conhecimento em prol de políticas de sustentabilidade, a partir deste ano, a Fundação Bunge passa a apoiar estudos e pesquisas que contribuam para a formação de um repertório sobre o desenvolvimento sustentável no mundo. A ideia é que, a cada ano, um novo tema seja abordado. Para estrear, foi lançado, em maio deste ano, o projeto Conhecer para Sustentar: Vale do Itajaí, ambientado na cidade de Gaspar, em Santa Catarina. Lá funciona uma das empresas Bunge, que, assim como toda a cidade e boa parte do estado, foi fortemente afetada pelas intensas chuvas do último verão. O objetivo do projeto é disseminar conhecimento e aprendizado resultantes das inundações. “Pensamos que, ao invés de ajudarmos esporadicamente, poderíamos montar um projeto social”, conta Cláudia. O projeto está dividido em três fases: a primeira abrange a criação do plano de recuperação e desenvolvimento urbano


do bairro Sertão Verde, cuja apresentação está prevista para agosto deste ano; a segunda, prevista para iniciar em outubro, é a de disseminação de conhecimento, que se dará por meio de um livro-reportagem, um vídeo-documentário e um ciclo de seminários; a terceira, prevista para fevereiro de 2010, consiste na entrega de uma nova escola à comunidade Sertão Verde, que seguirá um projeto arquitetônico de bases ecoeficientes e sustentáveis. Conhecer para Sustentar: Vale do Itajaí tem investimento de cerca de R$ 1,2 milhão ao longo de um ano e está sendo realizado em parceria com a prefeitura de Gaspar. O projeto, porém, não é restrito a esta região e poderá ser replicado em outras localidades. “Promoverá um aprendizado do que aconteceu, permitindo entender do ponto de vista científico, de forma a evitar que tragédias semelhantes aconteçam ou que as sociedades estejam melhor preparadas se isso vier a acontecer”, defende a gerente da fundação. Preservar a memória para aprender com o passado “Construir o novo em cima do conhecimento do passado”. É assim que Cláudia descreve os objetivos do Centro de Memória Bunge, que completa 15 anos de existência oferecendo um dos mais ricos acer-

vos de memória empresarial do país. Entre textos, imagens, depoimentos e peças museológicas, são mais de 700 mil documentos e quase 100 horas de declarações de colaboradores das empresas Bunge. Além do material de acervo, o Centro organiza atividades que o aproximam da sociedade, como exposições temáticas abertas ao

público em geral, jornadas culturais e visitas técnicas de empresas interessadas em organizar os seus próprios centros de memória. “Temos que aprender com o passado, trabalhar com o presente e caminhar para o futuro. Uma empresa como a Bunge só consegue ter 104 anos porque vai se aperfeiçoando”, finaliza.

Projetos da Fundação Bunge em números: Investimento anual (global): R$ 6 milhões Comunidade Educativa (até 2008): • Professores que passaram por formação: 2.414 • Alunos envolvidos: 12.300 • Escolas envolvidas: 67 • Regiões atendidas: 18 • Voluntários da Bunge envolvidos diretamente nos projetos: 810 • Horas dos voluntários dedicadas ao trabalho nas escolas: até duas horas semanais – 11.531 horas • Horas de treinamento aos voluntários (anual): 731 horas • Consultores pedagógicos contratados: 15 Prêmio Fundação Bunge (até 2008): • Quantos premiados no total: 155 • Quantos homenageados na categoria “Vida e Obra”: 102 • Quantos premiados na categoria “Juventude”: 53 Centro de Memória Bunge (até 2008): • Documentos do acervo: 700 mil • Pessoas que participaram das Jornadas Culturais: 425 • Atendimento a pesquisas: 339

Divulgação

Dentre as novidades dos projetos da empresa está o Conhecer para Sustentar: Vale do Itajaí, lançado em maio. Por meio dele, a Fundação investirá em estudos na área de sustentabilidade ambientados em uma região de Santa Catarina devastada pelas chuvas

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Especial

BRADESCO

CAPITALIZAÇÃO Mantém o “ PÉ QUENTE”

Vincular produtos com ações socioambientais promove ganhos à sociedade Da Redação

A

s previsões pessimistas que rondam o mercado financeiro passam longe de quem é “pé quente”, e, por isso mesmo, a Bradesco Capitalização acredita em bons resultados e planeja suas ações socioambientais com o mesmo entusiasmo

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com que foram iniciadas em 2008. O diretor geral da Bradesco Capitalização, Norton Glabes Labes, disse que o grande destaque no ano passado foi o lançamento do “Pé Quente Bradesco Amazonas Sustentável”, título de capitalização criado em parceria com a Fun-

dação Amazonas Sustentável e que reverte parte do valor arrecadado para programas e projetos de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável da Fundação. Até dezembro do ano passado, foram comercializados mais de 330 mil títulos.


VIA DE DUAS MÃOS A aceitação desse tipo de produto, que é vinculado à ações socioambientais, demonstra os benefícios de uma nova postura empresarial, que passa a caminhar por uma via de duas mãos: ao investir parte de seus resultados na preservação do meio ambiente, na promoção do acesso à educação ou na difusão de conhecimento para prevenção de doenças e, dessa forma contribuir efetivamente para a qualidade de vida do brasileiro, o Bradesco abriu portas para novos negócios e ampliou sua linha de produtos, que por sua vez, geraram novas ações sociais e ambientais. Desta forma está instaurado um ciclo no qual toda a sociedade ganha, como preconiza os conceitos de sustentabilidade. Labes explica que há uma ampla gama de produtos nessa linha, como o “Pé Quente Bradesco SOS Mata Atlântica”, fruto de parceria com a Funda-

Foto: Carlos Reichert

ção SOS Mata Atlântica; o “Pé Quente Bradesco Instituto Ayrton Senna”, em parceria com o Instituto Ayrton Senna; e o “Pé Quente Bradesco O Câncer de Mama no Alvo da Moda”, lançado juntamente com o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) e que destina recursos para o desenvolvimento de projetos de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer. Todos eles já estão no mercado há alguns anos e com excelente aceitação. O Bradesco conseguiu dessa forma, com criatividade, vincular estreitamente ao seu negócio - produtos financeiros -, práticas de responsabilidade social. “Além disso, continuaremos a nossa tarefa de difundir no mercado os benefícios de se comprar um título de capitalização como forma de economizar dinheiro com direito a prêmios regulares” – disse Labes.

CONTINUIDADE Para o ano de 2009, a Bradesco Capitalização dará seqüência aos programas já conduzidos nos últimos anos até porque têm tido boa aprovação pelo consumidor brasileiro e ainda atendem aos princípios do Bradesco de desenvolver produtos que contribuam para a sustentabilidade . “O sucesso da li-

nha Pé Quente demonstra que a empresa está no caminho certo. E, além disso, revelam o interesse e a disposição do brasileiro em contribuir para projetos sérios de caráter ambiental e social, fortemente comprometidos com o desenvolvimento do país” – afirmou o diretor.

Norton Glabes Labes, Diretor geral da Bradesco Capitalização

RESULTADOS EXPRESSIVOS Em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica foi inaugurada, em 12 de fevereiro do ano passado, na cidade de Piracicaba (SP), um viveiro comunitário com capacidade de produção de 250 mil mudas de árvores nativas de mais de 80 espécies diferentes. Elas estão sendo plantadas em propriedades da região com foco em áreas prioritárias para a restauração da Mata Atlântica. As árvores que serão

plantadas no local vão permitir a neutralização completa da emissão de CO² (gás carbônico), resultante do trabalho realizado pelos mais de 82 mil colaboradores da Organização Bradesco. O ano passado foi um ano especial para a Bradesco Capitalização. Até dezembro, o “Pé Quente Bradesco SOS Mata Atlântica” comercializou mais de 2,6 milhões de títulos, viabilizando recursos para o plantio

de 20 milhões de árvores nativas na Mata Atlântica. Já o “Pé Quente Bradesco Instituto Ayrton Senna” comercializou mais de 1,5 milhão de títulos de capitalização, destinando parte desses recursos para a criação de oportunidades a crianças e jovens dentro e fora da escola. “Esses números nos deixam otimistas de que 2009 será um ano de grandes realizações para a Bradesco Capitalização” – concluiu Labes.

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Responsabilidade

uma questão de s

A

preocupação ambiental foi agregada ao conceito de responsabilidade social das empresas modernas. Hoje elas se deparam com uma nova realidade e não podem estar focadas apenas no preço e na qualidade dos seus produtos, mas devem ir além e ter um comportamento ético e transparente em relação ao meio ambiente. Esta atitude vai repercutir na imagem da companhia e, consequentemente, no crescimento das vendas. A responsabilidade ambiental das empresas tem como fundamento o crescimento sustentável que respeita o meio ambiente. O comprometimento com a questão ambiental pode ser demonstrado de várias formas, seja através do financiamento de projetos de pesquisa, da inclusão de práticas sustentáveis no processo produtivo ou do incentivo a outros projetos ligados ao meio ambiente. No entanto, alcançar a sustentabilidade do negócio não acontece como um passe de mágica. Pelo contrário, é 36

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um processo gradual de mudança que vai influenciar a exploração dos recursos naturais, a escolha dos investimentos, a adoção de novas tecnologias e o próprio posicionamento das empresas perante a sociedade. É um processo lento e complexo, no qual muitos interesses estão presentes e podem entrar em conflito com a preservação do meio ambiente. Apesar disso, um número cada vez maior de práticas empresariais prioriza a compatibilização entre o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente. A própria Constituição colocou a defesa do meio ambiente como princípio da ordem econômica, destacando a importância de um desenvolvimento econômico sustentável. A princípio pode parecer que o conceito de sustentabilidade é uma utopia e que não é possível alcançá-lo. Você pode até mesmo estar se perguntando como fazer para passar do plano teórico para o prático. A resposta está na aplicação de algumas práticas que podem fazer a diferença em alguns setores.

A construção civil pode ser usada como exemplo. Sustentabilidade tem sido a palavra de ordem nesse setor nos últimos anos. A preocupação com os resíduos, as emissões de CO2 e a economia de água e energia ganhou relevância nos projetos residenciais e comerciais. Nesse contexto, soluções sustentáveis, como a economia de energia, o uso racional da água ou a utilização das águas pluviais para a irrigação do paisagismo e o abastecimento das bacias sanitárias, são muito bem vindas. Essas soluções não só beneficiam a sociedade e o meio ambiente, como também a imagem e o bolso da empresa. Já que as questões econômicas são o grande elemento norteador da atividade empresarial, é essencial que se estabeleça a seguinte premissa: desconsiderar o meio ambiente é economicamente e socialmente mais desvantajoso do que prevenir danos ambientais e realizar comportamentos de gestão. Assim, a empresa sustentável no século XXI não só atende às exigências legais de proteção ambiental, mas vai


Natascha Trennepohl

Correspondente especial de Berlim – Alemanha

ambiental:

uste ntabilidade do negócio além e participa ativamente do desenvolvimento de projetos sustentáveis, como algumas companhias de cosméticos no Brasil que já estão utilizando embalagens com refil e produtos certificados, agregando, com isso, valor às suas marcas. As certificações ambientais estão muito difundidas no mercado mundial e o respeito a padrões técnicos internacionalmente definidos vai ser um ponto chave da atuação empresarial nas próximas décadas. A opção por produtos certificados cresce cada vez mais e os selos ambientais se multiplicam. O selo florestal ( The FSC Label, Forest Stewardship Council ) foi desenvolvido com o objetivo de certificar a procedência ambientalmente correta de madeiras ou produtos derivados. O selo foi criado na década de noventa e visa coibir o desmatamento ilegal a partir da certificação das empresas que realizam o manejo florestal de acordo com as normas ambientais. Outro exemplo é a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmen-

tal Design) adotada na construção civil para classificar um empreendimento como “construção sustentável”. A instalação de vidros isotérmicos, o tratamento do ar exterior por filtragem e a descontaminação do solo são algumas medidas que ajudam a minimizar o impacto ambiental das construções e fazem a diferença na hora de economizar recursos como água e luz. Um dos mais conhecidos tipos de certificação ambiental no Brasil é o realizado pelas normas ISO 14000. Essas normas definem parâmetros a serem respeitados e trazem diretrizes para auditoria, rotulagem e avaliação do desempenho ambiental da empresa. A partir da avaliação, é possível planejar e tomar decisões levando em consideração as implicações para o meio ambiente. É claro que investir em tecnologias limpas ou implantar um sistema de gestão pode custar caro para a empresa. No entanto, destacar-se no mercado por suas práticas ambientais tem se mostrado um bom negócio, pelo menos é o que demonstram os índices de sustentabili-

dade empresarial internacional (Dow Jones Sustainability Indexes, Bolsa de Nova Iorque) e nacional (Índice Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo). Esses índices monitoram o desempenho financeiro de grandes empresas com o diferencial de possuírem práticas sustentáveis. As empresas que compõem essa “lista sustentável” podem desfrutar de uma valorização nas suas ações em razão da sua sintonia com a sustentabilidade exigida pela sociedade moderna. Não há dúvidas de que a implantação de uma postura de responsabilidade socioambiental pode ser dispendiosa, mas ela gera bons resultados para a empresa, seja através da valorização no mercado interno ou da aceitação no mercado externo.

Natascha Trennepohl Advogada e consultora ambiental Mestre em Direito Ambiental (UFSC) Doutoranda na Humboldt Universität (HU) em Berlim. E-mail: natdt@hotmail.com Neo Mondo - Julho 2009

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Especial

busca ampliação da geração

Estatal realiza estudos ambientais para implantação de novas hidrelétricas e da eletronuclear desenvolve programas de incentivo a energias alternativas e consumo consciente Rosane Araújo

O

Sistema Eletrobrás tem como missão “criar, ofertar e implementar soluções que atendam aos mercados nacional e internacional de energia elétrica”. Para cumprir seu objetivo, a empresa busca excelência empresarial, rentabilidade e responsabilidade social e ambiental. Presente em todo o país, o sistema tem capacidade instalada para produção de 39.402 MW, incluindo metade da potência da usina de Itaipu pertencente ao Brasil. Isso representa mais de 59 mil km de linhas de transmissão, 30 usinas hidrelétricas, 15 termelétricas e duas nucleares. Seu controle acionário está nas mãos do governo federal, que possui 54% de suas ações ordinárias e 5,7% das ações

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preferenciais, cuja maioria (84,3%) está em mãos privadas. Criada em 1962, atualmente a empresa trabalha na implantação de três complexos hidrelétricos em Belo Monte, Tapajós e Tucuruí, localizados no Pará, e na construção da Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. E para garantir que estes projetos estejam de acordo não só com as leis ambientais do país, mas também com as diretrizes de atuação e a política ambiental estabelecidas pelo próprio sistema, a empresa possui o Departamento de Meio Ambiente, que elabora, analisa e acompanha os projetos, além de conduzir as atividades colegiadas do Sistema, coordenando o Subcomitê de Meio Ambiente (SCMA). Composto por re-

presentantes das empresas do Sistema Eletrobrás, o SCMA procura organizar e operacionalizar as ações de caráter ambiental de interesse comum das empresas. Suas atividades são desenvolvidas basicamente através de Grupos de Trabalho e Comissões. “A implantação de empreendimentos de geração, de transmissão e de distribuição de energia elétrica apresenta grande complexidade de inter-relações socioeconômicas e de natureza físico-biótica. As empresas do Sistema Eletrobrás têm claro entendimento dessas inter-relações e, além do cumprimento da legislação ambiental e social do país, atuam continuadamente em busca do melhor desempenho socioambiental, desde o apoio ao desenvolvimento técnico-científico à ampliação de mecanismos de comunicação


Angra3 e também

e capacidade de negociação. A noção de desenvolvimento sustentável requer a associação do econômico, do social e do ambiental nas atividades empresariais”, informou a Divisão de Imprensa do sistema. E foi para dar sustentação a esta diretriz que o grupo técnico de meio ambiente da Eletrobrás deu toda a ênfase à efetiva incorporação do componente ambiental como variável de projeto e como subsídio às definições dos processos decisórios mais amplos. Dos trabalhos mais recentes, podem ser citados os estudos sobre mudanças climáticas, a viabilidade e gestão ambiental de grandes linhas de transmissão, a sistematização da legislação de meio ambiente específica para o setor elétrico e a organização da contribuição científica produzida para os assuntos de interesse.

de toneladas de CO2/ano ao incluir as fontes limpas na produção de energia elétrica. Em 2007, o programa recebeu o prêmio World Wind Energy Award, da World Wind Energy Association (WWEA), em Mar del Plata, Argentina. A premiação é oferecida anualmente a iniciativas que promovem o desenvolvimento da energia eólica. Procel trabalha consumo consciente Uma das iniciativas governamentais com melhores resultados na área de conscientização do consumo de energia também tem a Eletrobrás à frente. O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) foi criado em 1985 e desde então já acumulou uma economia total de 28,5 bilhões de kWh. “Essa energia acumulada corresponde ao consumo de aproximadamente 16 milhões de residências durante um ano”, afirmou por meio da Divisão de Imprensa da empresa, o engenheiro Emerson Salvador, da Divisão de Eficiência Energética. Para promover o uso racional de energia, assim como o combate ao seu desperdício, o Procel atua por meio de subprogramas, dentre eles o selo Procel de Economia de Energia concedido aos produtos de melhores níveis de eficiência energética. O Selo foi instituído por decreto presidencial em 1993 e, atualmente, 90% da economia de energia obtida pelo Procel advêm dele. “A importância do Selo se deve à orientação ao consumidor, que é feita de uma maneira bem simples, bem objetiva, sem muitos detalhes. O Selo Procel indica para

José Roberto de Almeida

sustentável de energia

Além de estudos para combater impactos, empresa estimula fontes alternativas e consumo racional Ficam a cargo da Eletrobrás alguns dos programas considerados estratégicos pelo governo federal, como o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) e o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Maior programa brasileiro de incentivo às fontes alternativas de energia elétrica, o Proinfa, instituído pela Lei 10.438, de abril de 2002, é gerenciado pela empresa e tem buscado soluções de cunho regional para o uso de fontes renováveis de energia. O programa estava previsto para terminar em dezembro de 2008, mas a etapa das usinas eólicas não foi concluída dentro do previsto, precisando ser estendida. Estava prevista a operação de 144 usinas, totalizando 3.299,40 MW de capacidade instalada, dos quais 1.191,24 MW provenientes de 63 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), 1.422,92 MW de 54 usinas eólicas, e 685,24 MW de 27 usinas a base de biomassa. Segundo informa a Divisão de Imprensa da Eletrobrás, as usinas do programa responderão pela geração de aproximadamente 12.000 GWh/ano - quantidade capaz de abastecer cerca de  6,9 milhões de residências e equivalente a 3,2% do consumo total anual do país. Os investimentos são da ordem de R$ 10,14 bilhões, com financiamentos de cerca de R$ 7 bilhões e receita anual em torno de R$ 2 bilhões. O Proinfa também proporciona a redução da emissão de gases de efeitos estufa da ordem de 2,8 milhões

Bem intencionado e um primeiro passo importante, só o Proinfa, porém, ainda não foi suficiente para aproveitar o potencial eólico brasileiro. Atualmente, a energia eólica atende em torno de 1% do consumo do país, enquanto países europeus, como a Alemanha, produzem 17% de sua energia através desta tecnologia limpa

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Especial

Ivson Alves

Jorge Coelho

Carro-chefe do Programa Nacional de Conservação de Energia, além de estimular o consumo consciente, o Selo Procel incentiva fabricantes a desenvolverem produtos mais econômicos

o consumidor que aquele produto é um dos mais eficientes. Isso representa economia para o consumidor e, mais importante, economia para o país, que evita novos investimentos na geração de energia”, explicou o engenheiro Hamilton Pollis, chefe da Divisão de Planejamento da Diretoria de Tecnologia, a responsável pelo Procel. Para receber o Selo, os produtos devem estar dentro dos padrões estabelecidos por uma comissão técnica coordenada pelo Procel e formada pelo Inmetro, por laboratórios, consumidores e fabricantes, entre outros. “Nós procuramos fazer algo bastante objetivo. Apesar disso, dada a responsabilidade que isso envolve, há requisitos com os quais somos bastante exigentes. Trabalhamos, então, em parceria com o Inmetro, em seu Programa Brasileiro de Etiquetagem. São elaborados regulamentos e especificações técnicas”, disse Pollis. Após os testes, os equipamentos recebem classificação de “A” (mais econômica) a “E”. Na lista dos que levam essa chancela estão refrigeradores, freezers, aparelhos de ar-condicionado, máquinas de lavar roupas, motores trifásicos (presentes em elevadores, por exemplo), coletores solares, reatores eletromagnéticos para lâmpadas, lâmpadas fluorescentes, televisores e ventiladores de teto. Para mostrar a abrangência do Selo, Pollis cita como caso emblemático o das lavadoras de roupa, que são avaliadas pelo Inmetro de forma completa. “Elas são classificadas, em primeiro lugar, por seu consumo de energia elétrica, mas também têm medidos o gasto de água e a eficiência de lavagem e secagem. A partir disso, estabelecemos critérios segundo os quais uma lavadora chega a ser ‘A’: ela deve atender a parâmetros mínimos de eficiência de lavagem, de consumo e extração de água. Isso é uma diferenciação”, explicou. 40

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O Reluz (Programa Nacional de Iluminação Pública) é outro subprograma do Procel. Ele visa melhorar a eficiência energética da iluminação pública

Entre os próximos planos do Procel para o Selo estão a continuidade do processo de conscientização e as melhorias no âmbito tecnológico. Um dos setores que está na mira do programa é o de iluminação. “Um dos nossos grandes trabalhos está voltado para as luminárias, principalmente as empregadas na

iluminação pública. Capacitamos o laboratório do Cepel com um equipamento sofisticadíssimo, o goniofotômetro. Esse laboratório de iluminação consumiu cerca de US$1,5 milhão. Temos, ainda, a intenção de trabalhar com LEDs (Diodo Emissor de Luz). Acho que a iluminação do futuro vai ser feita com LEDs”, disse o engenheiro da Eletrobrás.

Outras iniciativas da Eletrobrás na área socioambiental • Centro Comunitários de Produção - ação complementar ao programa Luz para Todos, surgiu da constatação de que as populações que recebiam energia elétrica em áreas rurais não se beneficiavam dela para obter mais renda e uma vida melhor. Os CCPs são unidades constituídas por um conjunto de máquinas e equipamentos para produção, processamento, conservação e/ou armazenagem de produtos agropecuários, empregando tecnologias apropriadas e utilizando energia elétrica com eficiência. As instalações físicas podem ser simples abrigos, galpões ou edificações que atendem aos requisitos técnicos e exigências legais, sanitárias e ambientais. Já existem Centros Comunitários de Produção em São Fidélis e Santa Maria Madalena (RJ), Pintadas (BA), Ribeira (SP), Nova Ubiratã (MT) e dois estão em fase de aprovação: um no município de Santo Antônio de Leverger (MT) e outro em Lagoa Seca, na Paraíba.

• Basquete do Futuro - Implantado em 2005 com o apoio da Eletrobrás, é um projeto coordenado pela Confederação Brasileira de Basketball (CBB) que, em parceria com as suas federações filiadas, espera ainda em 2009 inaugurar 26 núcleos espalhados pelo país com aulas gratuitas de basquete e atender 3.120 crianças e jovens de comunidades carentes. Seu principal objetivo: ensinar, pela prática do esporte, a lidar com as dificuldades de viver em áreas marcadas pela violência e pela desigualdade. Jorge Coelho

Integrantes do Projeto Basquete do Futuro, implantado no Sport Club Mackenzie, na cidade do Rio de Janeiro


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Escassez de água – Poço coletivo de abastecimento de água na Índia Fonte: www.fotosearch.com.br

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ivemos em uma sociedade que produz bens de consumo e serviços dentro de uma economia de mercado regida por um sistema capitalista, cujas origens remontam à Idade Média. Esse sistema desenvolveu-se no renascimento, expandiu-se com a Revolução Industrial e tornou-se um sistema econômico mundial. Atualmente, com advento da globalização e com a criação da rede mundial de comunicação – a world wide web -, as estruturas de produção e consumo passam por mudanças importantes, colocando-nos em um ambiente que se altera rapidamente, nas dimensões social, econômica e ambiental, exigindo novas formas de perceber, equacionar e resolver problemas. O modelo de produção utilizado no século XX baseou-se em algumas premissas e percepções; uma das mais importantes residia na crença que o planeta Terra teria capacidade ili-

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mitada. Partiu-se do pressuposto que o planeta seria fonte inesgotável de matérias-primas e que poderia receber e assimilar resíduos indefinidamente. Também se considerou que a geração de poluentes seria inevitável, não sendo possível produzir bens e serviços sem o lançamento de resíduos, efluentes e emissões atmosféricas. Além disso, imaginou-se que a tecnologia poderia resolver todos os problemas que eventualmente surgissem com a aplicação desse modelo. Anteriormente aos anos 70 não havia qualquer tipo de controle ambiental, e os poluentes gerados pelas empresas eram descartados no ambiente sem maiores preocupações. Os primeiros órgãos de controle da poluição foram estruturados no início dessa década, as legislações ambientais foram organizadas, e foram iniciadas as atividades de monitoramento da qualidade ambiental, o licenciamento e a fiscalização das indústrias.

A preocupação com a preservação do meio ambiente levou ao desenvolvimento e à implantação de unidades de tratamento de poluentes – emissões atmosféricas, efluentes líquidos e resíduos sólidos – com o objetivo de reduzi-los ao final do processo industrial e antes de seu descarte no ambiente. Tais unidades são hoje conhecidas como sistemas de fim-de-tubo (end of pipe), pois tratam os poluentes que saem pelas tubulações de esgotos e chaminés. Pode-se dizer que fazem parte do paradigma tradicional de controle da poluição, que busca proteger o meio ambiente pela redução do aporte de dejetos obtida nesses sistemas. Esse modelo de desenvolvimento foi concebido como um sistema aberto que em uma extremidade – input – entram insumos, como matérias primas, água e energia, e da outra extremidade – output – saem produtos, bens, serviços e rejeitos. Os produtos são levados ao mercado consumidor e os rejeitos são tratados em sistema fimde-tubo e, em seguida, dispostos no meio ambiente. Um sistema aberto como esse só pode funcionar indefinidamente se não houver limitações nas entradas e saídas e/ ou se a produção for estacionária. O impacto desse modelo na natureza tem sido extraordinário. Sabemos que, atualmente, cerca de metade dos rios do mundo estão seriamente degradados ou contaminados. Em meados da década de 90, oitenta países, correspondendo a cerca de 40% da população mundial, já sofriam graves restrições no abastecimento de água. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água potável segura e 2,4 bilhões não tem saneamento básico adequado. Estima-se cerca de 4 bilhões de casos de diarréia ao ano decorrente de doenças transmitidas por água contaminada, que ocasionam 2,2 milhões de mortes ao ano, principalmente de crianças desnutridas; esse número de óbitos corresponde ao de um acidente por dia de 20 aviões Jumbo.


João Carlos Mucciacito

As concentrações de CO2 na atmosfera são atualmente 30% mais elevadas que no século XVI. Outros gases, como metano e halocarbonos, que também causam o chamado efeito estufa, tiveram suas emissões significativamente aumentadas na década de 90. Em setembro de 2002, o “buraco” na camada de ozônio sobre a Antártida era superior a 287 bilhões de quilômetros quadrados. Estima-se que 2 bilhões de hectares de solo estão degradados devido à atividade humana – área maior que os Estados Unidos e o México juntos, e que muitas espécies estão ameaçadas de extinção devido à degradação de habitats e outras causas. Cerca de 150 mil quilômetros quadrados de corais estão com risco de degradação entre médio e alto, e esse problema pode ser agravado pela mudança do clima e pela elevação de temperatura dos mares. Sempre que afetamos significativamente o meio ambiente, influímos no local onde vivemos e no suprimento de nossas matérias-primas. Assim, a contaminação e a escassez da água afetam o abastecimento público e industrial e a irrigação, e prejudicam a saúde pública. A produção agrícola pode ser reduzida pela erosão do solo, por chuvas ácidas, alterações ecológicas nos ecossistemas terrestres e biodiversidade de insetos polinizadores. A indústria do turismo é afetada pela poluição das praias e pela perda da paisagem, entre outros exemplos. Limites do modelo Na verdade, o planeta é um sistema fechado, limitado e esgotável, que não pode sustentar indefinidamente o crescimento da sociedade humana consumindo bens e serviços produzidos em sistemas abertos. O ser humano já se apropria de quantidade significativa de água que circula no planeta

e a mudança do clima nada mais é que o desbalanceamento do ciclo biogeoquímico do carbono e a demonstração que a espécie humana pode interferir nos mecanismos de funcionamento da Terra. “A capacidade produtiva do planeta está em declínio”, alerta o relatório elaborado pela organização não governamental Instituto de Recursos Mundiais (World Resources Institute – WRI), pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA e pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (World Business Council for Sustainable Development – WBCSD). Considerando que a população mundial cresce e os padrões de consumo são alterados, é cada vez maior a necessidade de produção para atender as necessidades da humanidade. Isso significa extrair grandes quantidades de recursos naturais e despejar igualmente grandes volumes de dejetos. Dentro desse quadro, para que a qualidade do meio ambiente seja preservada, os padrões de emissão serão cada vez mais restritivos. Ou seja, para manter a qualidade ambiental, quando o volume de poluentes aumenta e a capacidade de assimilação diminui, é inevitável restringir os limites de emissão de poluentes das empresas. Caso a única estratégia de controle ambiental seja a adoção dos sistemas de fim-de-tubo, estes deverão ser cada vez mais eficientes. Uma vez que o custo de tais sistemas aumenta significativamente para eficiências de remoção acima de 90%, conclui-se que o custo de controle ambiental de fim-de-tubo, para garantir a qualidade e a diversidade dos nossos ecossistemas, se tornará proibitivo. Enquanto a produção do bem-estar da sociedade moderna tem imposto um elevado preço à natureza, a divisão dos bens e serviços tem sido desigual, com inaceitável concentração de renda e do

consumo, a existência de vastas populações de excluídos. Cerda de 1,3 bilhões de pessoas no mundo vive com menos de 1 dólar por dia; no Brasil, em 2001, estatística do IBGE mostrava que 1% da população mais rica concentrava quase o equivalente da renda acumulada pelos 50% mais pobres. A inovação tecnológica e a criação de novos objetos de consumo no século XX foram impressionantes: o avião (1903), o rádio (1906), a máquina de lavar (1906), a televisão (1926), os primeiros robôs (1928), o transistor (1947), o satélite artificial (1957), o raio laser (1960), o computador pessoal, o fax, o telefone celular, a internet (1993), as fibras óticas, o ultra-som, a tomografia computadorizada, entre outros. No entanto, o acesso à tecnologia é restrito, pois 1 bilhão de pessoas no mundo não tem acesso à moradia, 2 bilhões não dispõe de energia comercial e metade da população mundial jamais usou um telefone. Tecnologias simples, como lâmpadas elétricas, torneiras e privadas com descarga hidráulica, são artigos de luxo para grande parte da população mundial. Como produzir bens e serviços sem esgotar recursos naturais importantes e sem despejar poluentes em quantidades superiores à capacidade natural de reciclagem do planeta, ou seja, sem impor à natureza um preço exorbitante e insuportável?

João Carlos Mucciacito Químico da CETESB, Mestre em Tecnologia Ambiental pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo, professor no SENAC, no Centro Universitário Santo André - UNI-A e na FAENG Fundação Santo André E-mail: joaomucciacito@yahoo.com.br

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Crédito: Thiago Carahyba – Rede Atletismo

Especial

Na temporada 2009, a equipe Rede Atletismo já soma 147 primeiras colocações em competições, a quebra de um recorde, além da conquista de 22 índices. E prepara-se para uma das mais importantes competições do ano: o Campeonato Mundial de Atletismo, em Berlim”

Rede Energia investe no ESPORTE

e ganha prêmio Social Projeto Novos Talentos, da Fundação Aquarela, criada e mantida pela gigante do setor elétrico, foi contemplado com o Top Social 2009 Rosane Araújo

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m dos maiores grupos empresariais privados do setor energético brasileiro, a Rede Energia é responsável pelo abastecimento de cerca de 34% de todo o território nacional, o que representa aproximadamente 16 milhões de pessoas, em 578 municípios do país. Atuando na geração, distribuição e comercialização de energia, seu faturamento anual está na ordem de R$ 6,1 bilhões.

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Desde 2001, a empresa conta com importante braço na área de projetos sociais: a Fundação Aquarela, cuja missão é “a formação do cidadão brasileiro”, tendo a educação e o esporte como principais ferramentas. São três os grandes projetos da Fundação: a Escola Nuremberg Borja de Brito Filho, localizada em Belém, no Pará; o Cidadania no Campo e o Rede Atletismo, ambos em Bragança Paulista, interior de São Paulo.

O Prêmio Top Social 2009, oferecido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), contemplou um programa desenvolvido pelo Rede Atletismo: o Novos Talentos, cuja função é promover a descoberta de jovens talentos entre 14 e 17 anos para serem formados no CNEE (Centro Nacional de Excelência Esportiva), também desenvolvido pela Fundação.


Crédito: Thiago Carahyba – Rede Atletismo

“Na verdade, é nosso terceiro Top Social. O primeiro foi no âmbito estadual e o segundo no Nacional, com o projeto da Escola Nuremberg Borja de Brito Filho. Este ano, foi a primeira vez que inscrevemos o REDE Atletismo e já somos reconhecidos, o que nos dá uma alegria enorme pela grande credibilidade do prêmio. O REDE Atletismo Novos Talentos é muito ousado, amplo e complexo, e estas características devem ter influenciado nessa escolha”, analisou a vice-presidente da Fundação, Regina Rusca Queiroz de Moraes. Criado a menos de um ano (o piloto foi lançado em outubro de 2008), o Novos Talentos apresentou, em pouco tempo, números realmente dignos de premiação. A primeira etapa do projeto foi a instalação de 149 postos de cadastro em 144 municípios da área de concessão da Rede Energia para preenchimento da ficha de inscrição. Posteriormente, o candidato inscrito passava pela avaliação da ficha, medição de seu peso, altura e envergadura; e pelos testes físicos – salto horizontal parado e corrida de 20 metros. Dos 16.079 cadastros feitos, 4.866 deles foram considerados válidos e passaram pelo processo de homologação para a Seletiva I. No dia 5 de abril, em cinco estados brasileiros – São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Pará – 593 candidatos se reuniram para disputar a Seletiva II. Logo após a prova, o resultado foi exibido simultaneamente para todos os locais de testes em telões e foram conhecidos os 195 candidatos a serem homologados para a grande final. A terceira e última etapa, que definiu os 60 novos atletas integrantes da Rede Atletismo, aconteceu em 30 de junho, dessa vez apenas em São Paulo. Os testes realizados foram corrida de 75m, salto em distância, corrida de 1000m e lançamento de pelota. Os selecionados receberão bolsa de estudo, bolsa-auxílio, assistência médica e odontológica, moradia, transporte e alimentação. “Costumamos brincar que o Novos Talentos é projeto de governo. Infelizmente, ainda não contamos com qualquer apoio a ní­vel nacional, mesmo tendo apresentado o projeto e convidado autoridades das diversas entidades que

A medalhista olímpica Maurren Maggi é uma das integrantes da equipe da Rede Atletismo. Dentre outras metas, a equipe pretende ter 10 finalistas e conquistar pelo menos duas medalhas nas Olimpíadas de Londres, em 2012 nos poderiam ajudar. Quem respondeu com muita força, além de nossas expectativas, foram as escolas Estaduais, Universidades Federais, secretários de esporte e educação, especialmente da região central e norte. Muitos técnicos de atletismo acreditaram no projeto e apresentaram e apoiaram seu atletas, cuja maioria treina atualmente com pouquíssimas condições. E, acima de tudo, é impressionante a resposta dos colabo-

radores REDE Energia. Desde auxiliares administrativos até os Vice-presidentes das empresas, o projeto envolveu, emocionou e contou com a força desse time que é diretamente responsável por esse prêmio”, conta a vice-presidente Regina. Certamente, toda essa doação e empenho dos envolvidos servirá de estímulo para que estes talentos descobertos pelo Brasil afora venham a se tornar futuros campeões.

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Especial Números do Projeto Novos Talentos Área Geográfica (em Km2) Estados Total de Municípios Municípios com Postos Conveniados Vagas de Inscrição Quantidade de Postos Conveniados Cadastros Recebidos

2.787.057 7 578 144 6.000 149 16.079

Para entender • A Rede Energia atua na geração, distribuição e comer- cialização de energia em 34% do território brasileiro. Possui 13.200 colaboradores diretos e indiretos e está no setor elétrico há 106 anos; • Desde 2001, a empresa conta com a Fundação Aquarela, instituição desenvolvida e mantida pela Rede para o desenvolvimento de projetos sociais na área de educação e esportes;

Rede Atletismo Performance – propõe-se a desenvolver atletas de alto rendimento em várias modalidades do atletismo, oferecendo treinamento com profissionais de primeira linha, buscando sempre a excelência esportiva, títulos e medalhas no Troféu Brasil e nas principais provas internacionais. Atualmente, a equipe é composta por 82 atletas, dentre eles a medalhista olímpica Maurren Maggi.

• O Rede Atletismo, iniciado em 2007, é uma iniciativa de longo prazo que quer promover uma revolução no atletismo brasileiro, dando condições para que o jovem faça dele seu projeto de vida e se torne um campeão. Suas ações se dão por meio de três programas:

Rede Novos Talentos - Promover a descoberta de 60 novos talentos (jovens entre 14 e 17 anos), em cidades situadas nas áreas de concessão das empresas da Rede Energia, para treinar no Centro Nacional de Excelência Esportiva (CNEE), em Bragança Paulista. Este projeto foi o vencedor do prêmio Top Social 2009.

Fernando Nobre – Rede Atletismo

• A Fundação possui três projetos: a Escola Nuremberg Borja de Brito Filho, localizada em Belém, PA; o Cidadania no Campo e o Rede Atletismo, ambos em Bragança Paulista, SP;

Rede Atletismo Futuro - possui como objetivo disseminar e incentivar a iniciação de crianças e adolescentes no atletismo por meio de parcerias com administrações municipais, projetos sociais, escolas públicas e privadas, além de universidades.

Imagem da Seletiva realizada no Pará. Os meses de novembro e dezembro de 2008 foram dedicados à etapa de cadastro do Novos Talentos e para isso foram instalados 149 postos de cadastro em 144 municípios da área de concessão da Rede Energia

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NeoMondo

www.neomondo.org.br

um olhar consciente

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom-AB

Ano 3 - Nº 25 - Agosto 2009 - Distribuição Gratuita

Na edição de Agosto da Revista Neo Mondo, traremos como tema central a diversidade cultural, uma edição especial apresentando as diferenças culturais do Brasil, arte, folclore, sotaques, costumes e tradições. Pontos de divergência que se convertem em convergências e nos identificam como nação. Em cada canto do nosso país tem um povo tradicional e sua identidade, uma história, uma memória partilhada, enfim, você conhecerá um pouco dessas populações como: quilombolas, ribeirinhos, caiçaras, caboclos, etc. E a viagem pelos biomas brasileiros continua, destino... o Cerrado.

Não perca, participe!!! PARA MAIORES INFORMAÇÕES LIGUE (11) 4994-1690 Neo Mondo - Setembro 2008

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Especial

de

Práticas inovadoras

GESTÃO

Empresa brasileira do setor de bebidas ganha o mundo com lançamento de campanha ambiental Gabriel Arcanjo Nogueira

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ntre “A Boa” e “A Número 1”, fique com as duas e toda a família Ambev quando o assunto for consciência socioambiental. Exemplo são os resultados obtidos com a redução do consumo de água , que nos últimos seis anos apresenta evolução constante em todas as suas fábricas e chega a 23% no processo de fabricação de todos os seus produtos. O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) da companhia é o referencial que permite, ano a ano, reduzir o impacto de sua atuação no meio ambiente com o reaproveitamento de subprodutos e a diminuição do uso de recursos naturais. A Ambev revela que, em 2008, foram usados em média 4,11 litros de água (4,19 em 2007) para cada litro de bebida produzido. O que se torna mais expressivo em relação a 2002, quando eram necessários em média 5,36 litros de água. “A gestão de recursos hídricos é uma prioridade para nós. Os dados positivos são consequência de uma série de medidas em todas as nossas unidades, tanto no Brasil como o exterior”, afirma Beatriz Oliveira, gerente corporativa de Meio Ambiente da Ambev. “A companhia promove treinamentos para todos os funcionários, e as fábricas seguem os Mandamentos da Água, documento que estabelece os padrões, ações e critérios para a diminuição de consumo, eliminação de desperdício e

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aumento do reaproveitamento do recurso”, esclarece. Outro exemplo é como a empresa recsolveu comemorar neste ano o Dia Mundial do Meio Ambiente, ao lançar, em junho último, campanha inspirada no tema escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU): Unidos para Combater as Mudanças Climáticas. Em 2008, a companhia informa que aplicou R$ 206 milhões em ações socioambientais, mas não é de hoje que a Ambev desenvolve o que considera práticas inovadoras de gestão, como explica a gerente: “A preocupação com o meio ambiente é uma prioridade para a companhia desde o início de sua operação. A campanha é uma forma que encontramos para inspirar e aumentar o comprometimento dos nossos colaboradores com um mundo mais sustentável”. Ganhos para o planeta Beatriz acentua que a campanha atinge as 88 unidades do Brasil e da América Latina e tem como objetivo estimular os funcionários para que desenvolvam essas práticas. Além do envolvimento das fábricas, centros de distribuição e administrações da Ambev, pela primeira vez as unidades da Anheuser-Busch Inbev da Europa, Ásia e América do Norte também serão mobilizadas - numa saudável competição entre os melhores projetos de cada continente, em que quem mais tem a ganhar é o próprio planeta.

Outro aspecto promissor apontado pela executiva é que no desenvolvimento de projetos da empresa a presença cidadã é constante, em que os participantes contam com a comunidade local, ONGs, órgãos governamentais ou parceiros externos, como pontos de venda. “Nos últimos anos, temos visto ações que têm ajudado efetivamente o entorno de nossas unidades, seja com a recuperação de rios e mata nativa, seja com educação ambiental em escolas e incentivo à reciclagem”, diz. Ao lembrar que a unidade vencedora receberá uma quantia em dinheiro, para dar continuidade ao projeto, Beatriz esclarece: “A maioria das iniciativas, mesmo aquelas que não ganharem a premiação, tem tido continuidade depois da campanha. Algumas unidades acompanham o andamento das ações implementadas e dão suporte aos parceiros na venda de materiais recicláveis ou de subprodutos, entre outros”. Metas da campanha Os projetos das unidades deverão resultar em dados positivos de buscar a ecoeficiência mediante •

aumento do reaproveitamento de subprodutos;

redução no consumo de água, de energia e na emissão de CO2;

incentivo à biodiversidade.

Fonte: Ambev


Fotos: Divulgação Ambev

Plantio de espécies nativas e educação ambiental estão entre as ações cidadãs da Ambev

Há mais de 15 anos Mas não é só de campanha que vive a Ambev no exercício de sua responsabilidade social. Cuidados com o meio ambiente integram a sua gestão. A empresa garante que em todas as suas unidades há práticas para reduzir os impactos da produção no meio ambiente. O que é feito em iniciativas sistematizadas e padronizadas desde a criação do SGA, há mais de 15 anos - tudo periodicamente atualizado para manter o compromisso da organização com a melhoria contínua de sua própria performance ambiental. Entre outras metas, procura-se diminuir a necessidade de captação de água, redução do consumo de energia, aumento do índice de reciclagem dos resíduos e menor emissão de poluentes. Da teoria à prática, a Ambev ressalta aspectos significativos, como o fato de a redução de consumo em 2008 significar um volume de água não captado de 815 milhões de litros,

suficiente para abastecer, por um mês, uma cidade com população de 150 mil habitantes. A Ambev lembra ainda que reaproveita toda a água proveniente da produção em atividades como lavagem de tanques, garrafas e limpeza em geral. E detalha: a água que enxágua as garrafas é aproveitada para lavar os engradados. Na pasteurização, a mesma água usada para elevar a temperatura da cerveja é destinada a resfriá-la. “Esse circuito fechado reduz a necessidade de captação”, sintetiza a gerente corporativa. A unidade da Ambev em Brasília (DF), informa a empresa, atingiu o surpreendente índice anual de 3,18 litros de água para cada litro de cerveja, seguida pela fábrica de Curitiba (PR), que alcançou a marca de 3,28 litros. Em suas instalações que produzem refrigerantes, a marca mostrada pela companhia é ainda mais expressiva: em média, uso de apenas 1,74 litro de água para cada litro da bebida. A fábrica de Jundiaí (SP), no mesmo pe-

ríodo, alcançou o melhor resultado, com 1,65 litro. Houve até mesmo um número ainda mais expressivo, mas relativo ao de um único mês: em março, em Contagem (MG), foi destinado apenas 1,54 litro de água no processo de produção de cada litro de refrigerante. Perfil da organização • Ambev é empresa de capital aberto, com sede em São Paulo (SP) • Opera em 14 países nas Américas • Na sua linha de cervejas, destacam-se Antarctica, Brahma, Bohemia, Skol, Original e Stella Artois • Entre os refrigerantes, Guaraná Antarctica, Soda, Pepsi e Sukita; e os inovadores H2OH! e Guarah! • Líder no ranking das cervejarias da América Latina • 35 mil funcionários, 23 mil dos quais no Brasil • Missão: ser a Melhor Empresa de Bebidas em um Mundo Melhor Fonte: Ambev

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Especial

Em sua gente a maior força Reconhecida como uma das melhores empresas para se trabalhar no País, segundo levantamento de publicações especializadas, a Ambev mostra ter em seus funcionários a sua maior força. Por isso, desenvolve o Programa Ambev de Consumo Responsável, desde 2002, com campanhas de conscientização sobre o uso indevido do álcool,  com base nas premissas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Paralelamente, a empresa não descuida de item fundamental para preservar a qualidade de vida. Desde 2003, esforça-se para ter cada vez mais fontes renováveis de energia em suas instalações. Em quatro anos, aumentou em 10 vezes a utilização de bio-

massa, que resultou em contar com matriz energética calorífica constituída por 29% de fontes renováveis. Entre outros benefícios, a medida diminui a emissão de gases causadores do efeito estufa. Nos últimos cinco anos, a empresa comemora o fato de reduzir o índice de emissão de CO2 em 35%, o que equivale a plantar 1,6 milhão de árvores. Outro motivo de orgulho para a Ambev é ser um dos 27 membros fundadores do Programa Brasileiro Greenhouse Gas Protocol (Protocolo de Gás Causador do Efeito Estufa). Uma iniciativa que, segundo a companhia, busca promover a mensuração e gestão voluntária das emissões de gases do efeito estufa. Na Ambev, é possível ter acesso a instrumentos e pa-

drões de qualidade internacional para contabilização e elaboração de relatórios. Se não bastasse, a empresa encara outro aspecto crucial da preservação ambiental, que é tratar os resíduos industriais sólidos. Em 2008, contabiliza o reaproveitamento de mais de 98% de subprodutos, como bagaço de malte, vidro, alumínio, fermento. Em 14 de suas fábricas, chegou-se a 99% de aproveitamento desses resíduos. O que, além do ganho em qualidade de vida, representou receita adicional de R$ 72,6 milhões, contribuindo para a receita líquida da companhia em 2008, que foi de R$ 19,6 bilhões com vendas de 142,9 milhões de hectolitros de bebidas. Motivos mais que suficientes para brindar: Saúde!

Fotos: Divulgação Ambev

Em suas unidades de produção a Ambev atinge índices expressivos de reaproveitamento de resíduos sólidos

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Uma viagem pelos

Biomas

Biomas Brasileiros As diversas faces do semi-árido nordestino Conheça as características da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro Caio Martins

Foto: Valdir Picheli

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Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, é a região do Brasil que ocupa 9,92% do território nacional. Seu nome, de origem tupi-guarani, significa floresta branca, referência ao retrato de sua vegetação que perde as folhas durante a seca para reduzir a perda de água, adquirindo um tom branco-acinzentado em seu tronco. Distribuída em 844 mil km², ou seja, 60% do nordeste brasileiro, engloba os estados do Ceará (100%), Rio Grande do Norte (95%), Paraíba (92%), Pernambuco (83%), Piauí (63%), Bahia (54%), Alagoas (48%), Sergipe (49%), Minas Gerais (2%) e Maranhão (1%), segundo o Mapa de Biomas do Brasil, lançado em 2004, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

Sua paisagem reflete seu clima quente, com temperaturas elevadas durante a maior parte do ano, chuvas escassas e irregulares, longos períodos de secas, precipitação anual média variando entre 400 e 650 mm e solos rasos e pedregosos. Seus rios são, na maioria, sazonais. As únicas exceções são os rios Parnaíba e São Francisco.

Caatinga Florestal Segundo o livro “Ecologia e Conservação da Caatinga”, existem 12 tipos diferentes de “caatingas”, que variam desde florestas altas e secas, com árvores de até 20 metros de altura, até afloramentos rochosos com arbustos baixos e esparsos, e com cactos e bromélias saindo das fendas do solo. Há ainda o “mediterrâneo” sertanejo, que abriga brejos florestais, várzeas e serras, sendo essa uma área mais úmida e de clima mais ameno.

Ao todo, são 932 espécies de plantas na região, sendo 318 exclusivas da área. Por causa do clima semi-árido, elas precisaram se adaptar para sobreviver, resultando em plantas tortuosas, de folhas pequenas e finas ou até reduzidas a espinhos, com cascas grossas e sistema de raízes e órgãos específicos para o armazenamento de água. Exemplos de vegetação típica da Caatinga são os cactos, como o mandacaru ( Cereus jamacaru ) e o xique-xique (Pilosocereus gounellei), as barrigudas ( Cavanillesia arbórea ), o pau-mocó ( Luetzelburgia auriculata ) e o umbuzeiro (Spondias tuberosa), famoso por possuir múltiplos usos: das folhas, saem saladas; do fruto, polpa para sucos, licor e doces; e da raiz, farinha comestível, ou vermífugo. Neo Neo Mondo Mondo - Setembro - Julho 2009 2008

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Biomas

Caatinga Animal A Caatinga possui uma grande diversidade animal em seu bioma. Existem 510 espécies de aves, 240 de peixes (136 endêmicas), 154 de répteis e anfíbios (57 endêmicas), e 144 de mamíferos (10 endêmicas). Destaque para os peixes que, mesmo com o predomínio de rios temporários e da contaminação dos cursos de água, ainda conseguem sobreviver nesse ambiente. Para isso, vivem em rios sazonais como estratégia de reprodução: depositam os ovos residentes que só eclodem em épocas de chuva. Entre os mamíferos nativos da região, há o predomínio das espécies de morcegos e roedores: 64 e 34, respectivamente. Já entre répteis e anfíbios, os destaques ficam para as serpentes, lagartos e anfisbenídeos, conhecidos como cobra-cegas. Estes são considerados animais característicos do semi-árido da Caatinga, sendo, a maioria, endêmica do Médio do Rio São Francisco. Isso porque, após a alteração de seu curso, devido às mudanças climáticas no fim do Período Pleistoceno (entre 1,8 milhão e 11 mil anos atrás), esses animais ficaram separados em grupos nas margens do rio, estimulando a formação de novas espécies e, consequentemente, de espécimes exclusivos. Por outro lado, de acordo com a lista nacional das espécies de fauna brasileira ameaçada de extinção, publicada em maio de 2003, pelo Ibama, vivem no bioma 28 espécies ameaçadas de extinção. Conheça alguns dos animais ameaçados: • Tatu-bola (Tolypeutes trinctus): considerado o menor tatu brasileiro, medindo de 22 a 27 centímetros, esse animal enrola seu corpo e fica parecido com uma bola quando se sente ameaçado.

Foto: Valdir Picheli

Mandacaru e Rio São Francisco ao pôr do sol

• Mocó (Kerodon rupestris): rato que chega a medir 40 centímetros. Está ameaçado de extinção pelo fato de figurar entre as espécies da caça de subsistência praticada pelo sertanejo para acabar com a fome. • Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii): a pequena ave está praticamente extinta na natureza, vítima do tráfico de animais silvestres. É uma das muitas espécies que durante a seca se refugiavam em brejos de altitude, beira de rios, entre outros locais mais úmidos. • Arribaçã (Zenaida auriculata noronha): é uma espécie de pomba que migra de acordo com a frutificação da flora no sertão nordestino. Está ameaçada de extinção por ser presa fácil para os caçadores, já que faz ninhos no chão. • Galo-da-campina (Paroaria dominicana): é considerado um dos mais bo-

Caatinga Social A Caatinga abriga as maiores desigualdades sociais do Brasil. Sua população de cerca de 28 milhões de pessoas figura entre as mais pobres do Nordeste, recebendo, em média, menos de um salário mínimo por mês. Além disso, a região possui os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), os mais elevados percentuais de população empobrecida, as maiores taxas de mortalidade, cerca de 100 mil por mil, e elevadas taxas de analfabetismo para maiores de 15 anos (entre 40% e 60%). Esses dados refletem o processo de ocupação da Caatinga, que concentrou terra e poder no domínio de poucos.

Foto: Luis Neto

Divulgação

Tatu-bola (Tolypeutes trinctus)

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nitos pássaros brasileiros. Alimentase, principalmente, de sementes. Por possuir um belíssimo canto, é muito perseguido pelos comerciantes de animais da região.

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Galo-da-campina (Paroaria dominicana)


Foto: Anderson Carvalho

grar para as grandes cidades da região ou para outras regiões, o que geraria um caos nas metrópoles, que não teriam condições de abrigar tantas pessoas, agravando ainda mais os problemas sociais e urbanos.

Medicina da Caatinga

Barragem em plena caatinga do nordeste brasileiro. Observa-se o contraste da coloração da vegetação, seco ao fundo e verde próximo a barragem

Degradação da Caatinga A Caatinga, como todos os biomas brasileiros, também está sofrendo um processo de degradação acelerado. Uma das principais causas é o desmatamento, feito em especial para a produção de lenha, utilizada como fonte de energia em residências, olarias e siderúrgicas. Outros dois fatores de degradação são a pecuária extensiva, com o consumo e destruição da vegetação pelos animais, e a agricultura de irrigação, que avança ao longo do Rio São Francisco em municípios como Juazeiro e Petrolina. Tal modelo de cultivo compromete os lençóis freáticos, salinizando e contaminando o solo com agrotóxicos. A desertificação, processo de degradação ambiental que ocorre nas regiões com clima seco, também é responsável pela destruição do bioma. Esta atinge 181 mil km² do semiárido brasileiro, sendo que 15 mil km² já estão em situação de extrema gravidade.

Mudanças Climáticas na Região As mudanças climáticas vêm afetando todo o mundo. Com o aumento da temperatura, que nos próximos anos pode subir até 3°C, a Caatinga poderá dar lugar a uma vegetação típica dos desertos, com predominância de cactáceas. Isso porque o bioma possui um alto potencial para a evaporação e, combinado com o aumento da temperatura, causaria diminuição da água de lagos, açudes e reservatórios. Ambientalmente, o Nordeste ficaria a mercê de chuvas torrenciais, que resultariam em enchentes e, consequentemente, em grandes impactos ambientais. Além disso, a frequência de dias secos consecutivos e de ondas de calor aumentaria. Socialmente, as mudanças climáticas também trariam problemas. A falta de água e as altas temperaturas tornariam a produção agrícola de subsistência inviável. Com isso, populações inteiras começariam a miFoto: Valdir Picheli

Angico, usado na medicina como adstringente

A medicina na Caatinga é baseada no uso de plantas. O utilização de folhas, raízes e cascas, entre as quais as da catingueira (antidiarréica), do jerico (diurético) e do angico (adstringente), é muito difundida entre a população que habita a região, sendo estes itens obrigatórios das tradicionais feiras e mercados locais. Com base nas plantas medicinais, o projeto “Farmácias Vivas” foi criado pela Universidade Federal do Ceará em 1985. Ele visa transferir para pequenas comunidades governamentais o conhecimento científico sobre plantas medicinais da região e seu uso medicamentoso correto. Dessa maneira, a parte menos abastada da população nordestina poderia empregar tais ervas no tratamento de doenças. O projeto já selecionou e comprovou cientificamente a eficácia de mais de 60 espécies de plantas medicinais do Nordeste.

Parque Nacional Serra da Capivara O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. Cobrindo uma área de 130 mil hectares e tendo um perímetro de 214 km, ele é o único Parque Nacional situado no domínio da Caatinga. Criado por diversos motivos, que variam desde a preservação de seu meio ambiente específico até fatores culturais e turísticos, o parque tornou-se Patrimônio Natural da Humanidade em 2002, 11 anos após o pedido da UNESCO para tal feito. Foto: Robsson Rodriguess

Parque Nacional Serra da Capivara

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Biomas

Possuidora de um grande patrimônio cultural, a unidade de preservação tem uma das mais largas quantidades de sítios arqueológicos do mundo. Atualmente, cerca de 912 sítios estão cadastrados pela FUMDHAM (Fundação do Homem Americano), sendo que 657 apresentam pinturas e gravuras rupestres. Isto indica que o homem já habitava aquela região há 100 mil anos atrás. Além da parte cultural, o Parque Nacional Serra da Capivara possui uma riqueza vegetal exclusiva de tal área, resultante de duas grandes formações geológicas: a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco. A região é uma das últimas do semi-árido possuidora de importantes diversidades biológicas, com paisagens que variam entre serras, vales e planícies. Todas as belezas dessa unidade de conservação dão ao parque uma importante função no turismo, sendo esta uma alternativa de desenvolvimento para a área. Porém, o parque já sofreu com a degradação. Depois de criado, a região ficou abandonada durante dez anos por falta de recursos federais. Durante este período, a Unidade de Conservação foi considerada “terra de ninguém”. Por tal fato, ela sofreu com a depredação e destruição da flora, principalmente através de caminhões vindos do sul do país que desmatavam e levavam, de maneira descontrolada, as espécies nobres, próprias da Caatinga. Também, a caça comercial se transformou numa prática popular com consequências horríveis para as populações

animais. As espécies começaram a diminuir em uma velocidade impressionante e algumas delas, como os veados, emas e tamanduás, praticamente desapareceram.

Museu do semi-árido Criado em 15 de maio de 2007, o Museu Interativo do Semi-Árido (MISA) nasceu a partir de uma iniciativa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) de fomentar a importância da Região Semi-Árida para o país. Através da Exposição “Viver e Compreender”, o museu é elemento primordial para a transmissão dos traços fundamentais do semi-árido, exibindo as principais nuan-

ces e faces que compõem esse importante ponto estratégico do Brasil. Na exposição, localizada em um salão de mais de 200m² no Campus Campina Grande da UFCG, belos painéis explicativos, peças em barro, madeira, roupas de couro, cancioneiro popular, utensílios domésticos e de trabalho do homem do campo remetem os visitantes aos ambientes nativos da Caatinga. Fontes: - Almanaque Brasil Socioambiental 2008 – ISA (Instituto Socioambiental) - WWF - http://www.wwf.org.br

Curiosidades • Existem cerca de 327 espécies de animais endêmicas, ou seja, exclusivas na Caatinga. • Na vegetação, os números são parecidos: cerca de 323 espécies de plantas são endêmicas. • Uma área bem conservada de Caatinga pode abrigar cerca de 200 espécies de formigas, enquanto uma mais degradada não suporta mais do que 40. • As ações do homem na Caatinga já destruíram metade da paisagem da região, sendo que quase 20% do bioma já estão com alto grau de degradação, ou seja, com risco de desertificação. • A Caatinga abriga a ave com maior risco de extinção no Brasil, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Apenas um único macho dessa espécie foi encontrado na natureza. Também nesse bioma vive a segunda ave mais ameaçada do país, a arara-azul-delear (Anodorhynchus leari), que habita os arredores de Canudos (BA). • Na estação seca das regiões da Caatinga, a temperatura do solo pode chegar a 60ºC. • As vegetações do bioma se adaptaram ao ambiente que vivem de forma estratégica: a perda das folhas das plantas reduz a superfície de evaporação quando falta água.

Receita Típica da Caatinga: Baião de Dois Ingredientes: • 1/2 kg de feijão verde, ou feijão de corda (feijão verde já seco) • 200 g de toucinho defumado • 1 paio (cortado em rodelas) • 2 tabletes de caldo de bacon • 1 cebola grande picada ou ralada • 1 dente de alho amassado • 1 pimenta de cheiro amarela • 4 colheres (sopa) de óleo • Salsinha ou coentro picado, de 1 colher (sopa) à 1 xícara • 2 e 1/2 xícaras (chá) de arroz • 150g de queijo de coalho (cortado em fatias finas) Preparo: Lave o feijão e deixe-o de molho na véspera do preparo; No dia seguinte, cozinhe-o juntamente com o paio e o caldo de bacon, dissolvido em dois litros e meio de água fria; Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por cerca de 1 hora; Em outra panela, coloque o óleo e deixe a cebola e o alho dourando;

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Junte o coentro e o arroz na panela e refogue bem; Acrescente o feijão e o paio já cozidos, juntamente com o caldo e misture bem os ingredientes; Tampe a panela e deixe cozinhar até que o arroz fique cozido, úmido e com consistência cremosa; Durante o cozimento do arroz, se necessário, adicione água, tomando o cuidado para não deixar a mistura ficar seca; Junte a salsinha e mexa com cuidado; Cubra o arroz com as fatias de queijo, tampe a panela novamente e deixe que o vapor derreta o queijo. Quando o queijo estiver derretido, sirva o prato com carne-de-sol frita.


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