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NeoMondo

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um olhar consciente

Ano 3 - Nº 33 - Abril 2010 - Distribuição Gratuita

AMAZONAS

Capital do Planeta

08

Eduardo Braga

Al Gore

James Cameron

Guerreiro à frente da batalha

A Amazônia é um tesouro

Falo com o coração...

18

26


Reports in english

Seções Perfil 08 Eduardo Braga Guerreiro à frente da batalha

Especial Fórum Internacional 18 Mundo, capital Manaus Fórum internacional reúne gente comprometida com a sustentabilidade

12 The Amazon Charter 14 Profile: Eduardo Braga Internacional Forum Special 22 World Capital Manaus International Forum Brings Together People Committed to Sustainability

Especial Fórum Internacional 26 James Cameron Não sou ambientalista ou empresário; falo com o coração...

31 Walmart Resultado prático logo no primeiro dia

38 Povos da floresta Fator de preservação

46 Artigo Natascha Trennepohl Amazônia Sustentável

50 Senador Mercadante Sem retroceder nas questões ambientais

32 James Cameron I’m Not a Businessman and Environmentalist, I Speak from the Heart ...

52 Thomas Lovejoy Esforço global para restaurar ecossistemas

37 Walmart A Practical Result on the First Day

54 Cousteau Programa educativo a alunos da Amazônia

56 NEO MONDO Referência em Comunicação Socioambiental

60 Clique NEO MONDO Confira quem esteve no evento

educação 62 Fundação Bunge Meta qualificada de todos

68 Artigo Terence Trennepohl A reserva legal e o desenvolvimento sustentável

Renovações no Transporte 72 Nova Marginal Mais faixas, menos estresse

Renovações no Transporte 75 Kasinski Transporte Ecológico

78 Metrô Da cor do Brasil

80

Iveco É caminhão e é VERDE

meio ambiente 84 Aquífero Guarani Ambiente subterrâneo Ciência & Tecnologia 90 Bactérias Pequenas notáveis

História & Arte

42 People of the Forest Factor in Preservation 48 Article - Natascha Trennepohl A Sustainable Amazon 51 Senator Mercadante No Backing Down on Environmental Issues 53 Thomas Lovejoy A Global Effort to Restore Ecosystems 55 Cousteau Educational Program for Students in the Amazon

82 Mapinguary X King Kong Queda-de-braço

58 NEO MONDO Reference in Socio-environmental Communications

89 Artigo Dilma de Melo Silva Ventos modernizantes

Education 65 Bunge Foundation A Qualified Goal for All

Cotidiano 94 NEO MONDO Informa Notícias imperdíveis

68 Article Terence Trennepohl The Legal Reserve and Sustainable Development

Expediente Diretor Responsável: Oscar Lopes Luiz Diretor de Redação: Gabriel Arcanjo Nogueira (MTB 16.586) Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Marcio Thamos, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Rafael Pimentel Lopes, Denise de La Corte Bacci, Dilma de Melo Silva, Natascha Trennepohl, Natan Rodrigues Ferreira de Melo e Silva, Rosane Magaly Martins e Vinicius Zambrana Redação: Gabriel Arcanjo Nogueira (MTB 16.586), Rosane Araujo (MTB 38.300) e Antônio Marmo Estagiária: Heloisa Moraes Revisão: Instituto Neo Mondo Diretora de Arte: Renata Ariane Rosa Projeto Gráfico: Instituto Neo Mondo Tradução: Efex Idiomas - Tel.: 55 11 8346-9437 4

Neo Mondo - Abril 2010

Publicação Diretor de Relações Internacionais: Vinicius Zambrana Diretor Jurídico: Dr.Erick Rodrigues Ferreira de Melo e Silva Correspondência: Instituto Neo Mondo Rua Primo Bruno Pezzolo, 86 - Casa 1 Vila Floresta - Santo André – SP Cep: 09050-120 Para falar com a Neo Mondo: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tel. (11) 4994-1690 Presidente do Instituto Neo Mondo: oscar@neomondo.org.br

A Revista Neo Mondo é uma publicação do Instituto Neo Mondo, CNPJ 08.806.545/000100, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça – processo MJ nº 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 70 mil exemplares com distribuição nacional gratuita e assinaturas. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização.


Editorial

P

rezado leitor, é com orgulho que apresentamos a primeira edição de Neo Mondo bilíngue (português/inglês). A partir deste mês a revista torna-se internacional, ou seja, estamos mandando exemplares para as universidades de Harvard (Boston/EUA) e Humboldt (Berlim/Alemanha). A Universidade Humboldt foi fundada em 1810 e teve como alunos o físico Albert Einstein, os fundadores da teoria marxista Karl Marx e Friedrich Engels, entre outros, além de ter abrigado 29 ganhadores do Prêmio Nobel. A Universidade Harvard é uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo e eleita a melhor universidade do mundo pelo Institute of Higher Education Shanghai Jiao Tong University. Nesta edição trazemos o que de mais importante aconteceu no Fórum Internacional de Sustentabilidade, realizado em Manaus nos dias 26 e 27 de março. Se a capital do Amazonas durante dois dias tornou-se a capital do planeta, Neo Mondo é o seu porta-voz. Para nós, ter participado de um evento dessa dimensão foi edificante. Parabenizamos os seus idealizadores, na pessoa de João Doria Jr., presidente do grupo LIDE, e do anfitrião Eduardo Braga, governador do estado. Este é o personagem do PERFIL desta edição pelo seu reconhecido trabalho de preservação da floresta. Em sete anos de governo, Braga criou e desenvolveu programas, como o Zona Franca Verde e Bolsa Floresta, que permitiram manter a floresta em pé sem abrir mão de ganhos sociais para a população. A grande estrela do Fórum foi o cineasta James Cameron, aplaudido de pé por empresários e demais participantes do evento.

Outra personalidade que marcou presença foi o ex-vice-presidente dos EUA e prêmio Nobel da Paz em 2007 Al Gore, que reconhece a importância do Brasil no mundo e a necessidade de um envolvimento global na preservação da floresta. O mundo acadêmico-científico participou com representantes do gabarito de Thomas Lovejoy, JeanMichel Cousteau e Mark London. Além disso, trazemos um caderno especial sobre “Renovações no Transporte Nacional “, onde mostraremos os benefícios de grandes obras, como a nova marginal Tietê, a linha amarela do Metrô, enfim, as soluções encontradas para driblar o caos no trânsito na cidade de São Paulo. Seguindo na mesma linha, damos destaque para as empresas Kasinski e Iveco, que trazem renovações tecnológicas em energia limpa. Confira também as pesquisas e descobertas sobre bactérias e micro-organismos que limpam água e solo contaminados. Outra matéria importante é o ambiente subterrâneo na região de Araraquara, a Embraer e o Aquífero Guarani. Visando à implantação da unidade montadora de aviões em Gavião Peixoto, que fica sobre o Aquífero, mesmo feito no início da década, o trabalho permanece inédito, pois era destinado para consumo interno da empresa e para atender exigências de órgãos fiscalizadores. Interessa-nos detalhar os mecanismos de proteção feitos dentro dos padrões técnicos de uma empresa tecnológica. Esta é uma pequena parte do que você vai encontrar em nossas páginas. Parafraseando o filme Avatar :

I SEE YOU! (EU VEJO VOCÊ). Tenha uma ótima leitura!

Oscar Lopes Luiz Presidente do Instituto Neo Mondo oscar@neomondo.org.br

Instituto

Neo Mondo Um olhar consciente

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A destruição da Floresta Amazônica é problema meu A Carta do Amazonas é uma afirmação de princípios dos cidadãos brasileiros e da comunidade internacional. Reafirmamos os princípios da Carta da Terra: respeitar e cuidar da diversidade de vida, garantir a integridade ecológica do Planeta, promover a justiça social e econômica, fortalecer a democracia e cultura da não-violência. O Meio Ambiente tem sido nossa bandeira desde a primeira edição por um simples motivo: é uma questão de sobrevivência e a Floresta é um problema nosso!

Uma homenagem do Instituto Neomondo aos povos da Floresta


Carta do

mazonas

Hoje comp reendemo s que a inte nossa sobr gridade do evivência. s ecossistem as é funda mental pa O direito ra a a um meio ambiente básicos sob sadio e co r e o qual n nser vado ossa socied deve ser u gerações n a de se amp m dos prin ão deve se a r cípios a . O r subtraído bem-estar naturais d p o d r as futuras meio do u o planeta. so insusten tável dos r ecursos A conser va ção das fl­o r e st as tropicais essencial p , em espec ara o bem ial da Flor e st a r da socieda que fornec esta Amaz de global, em, como ônica, é tanto pelo a regulaçã seu valor c s o se d r e v iç c ic o s los climáti ultural. A ambientais cos e hidro brigam m recurso ge ilhares de lógicos, qu nético não e anto pelo spécies que pode ser e têm direit sgotado pa o à v id a e cujo r a Hoje, a Flo a obtenção resta Ama de lucros e zô n fêmeros. ica está sob lucro imed ameaça de iato, sem p a ti v id re a o d cu es pação com predatória ser insusten o impacto s que visam tável e into que causam o le rá v el , e mulheres e nos comp . Declaram conscientes, os tal situa rometemos, ção a defender como cidad a integrida ãos, líderes de dos ecoss , homens Reconhece mos que a istemas am azônicos. Floresta A têm o mesm m a z ô n ic a o direito d é lar para e buscar a milhões de assim com felicidade, pessoas qu o outros p a e p r o o v sp os de qualq eridade e esquecer d uer região o bem-est isso enqua a d r o planeta. , nto buscam e a preser Não podem os mecanis vação de su o s m n o o s s p ara garan as espécie e ser viços tir a sua c s. Se a Flo ambientais onser vação r e st a A mazônica p ara todo o contribuir p r o p v la ê n produtos eta, é deve para a sua r da socied integridad ade mund e. ial Vemos no desenvolvim ento suste econômica ntável, em , social e c suas quatr u lt ural, o cam o dimensõ prosperar inho que n es ambien na busca d ossa socied tal, a fe li c idade, da a e pelo plan d e d e v erá trilhar paz e do r eta. para espeito pe lo homem , pela ­flore sta

Manaus, 2 7 de Març o de 2010 – Amazon as,

Brasil.


Perfil

Na frente de “Será que teremos de clonar Eduardo?”. A pergunta do cineasta James Cameron, feita em Manaus no dia 27 de março, sugere que o então governador do Amazonas, Carlos Eduardo de Souza Braga, é um dos guerreiros à frente da batalha pela sustentabilidade. Não haveria Perfil mais adequado a esta edição de NEO MONDO Gabriel Arcanjo Nogueira

A

nfitrião do Fórum Internacional de Sustentabilidade, criador da Fundação Amazônia Sustentável e dos programas Zona Franca Verde, Bolsa Floresta; autor da primeira Lei de Mudanças Climáticas, no País; responsável por praticamente conter o desmatamento no estado do Amazonas, Eduardo Braga, que também é coordenador nacional do PMDB Sócio Ambiental,  fala a nossos leitores sobre estas e outras iniciativas socioambientais. Nascido paraense, em Belém, casado e pai de 3 filhas, é empresário e formado em Engenharia Elétrica  pela Universidade Federal do Amazonas. Começou cedo na política, eleito vereador de Manaus, aos 21 anos. E não parou de

evoluir na carreira, eleito com expressiva votação para deputado estadual em 1986. Na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa, destacou-se pela combatividade e atuação marcantes. Já em 1990 foi o deputado federal mais votado do PMDB. Do Legislativo ao Executivo, foi viceprefeito de Manaus em 1992 e assumiu a Prefeitura Municipal em março de 1994. Administração marcada por um trabalho inovador, com obras nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e habitação, que transformou de vez a capital amazonense. O suficiente para deixar a Prefeitura, em 1996, com 98% de aprovação da população, índice recorde na história da cidade e do País.

Deu-se um tempo na administração pública, para dedicar-se à de suas empresas, e com a mesma disposição, no retorno à vida pública, em  2002 foi eleito com maioria absoluta no primeiro turno das eleições para o Governo do Estado do Amazonas. Com  programas considerados revolucionários para a população do Amazonas,  por levar desenvolvimento ao interior do estado, ou responsável pela maior transformação urbanística da capital nos últimos 50 anos, Braga foi reeleito  em 2006, já no primeiro turno. Deixou o governo do Amazonas, para concorrer a senador pelo Estado. Vale a pena conferir a íntegra da entrevista.

NEO MONDO: Manaus, de modo especial nos dois dias do Fórum, tornou-se, a nosso ver, a capital do mundo. Qual contribuição do seu governo para que se chegasse a essa relevância? Eduardo Braga: Ao longo dos sete anos de meu primeiro e segundo mandatos, trabalhei, com uma equipe muito competente, a questão do desenvolvimento sustentável. O entendimento de que é necessário preservar a floresta e promover o crescimento do Amazonas, assim como valorizar as pessoas que habitam a floresta, vem desde o tempo em que eu estava fora do governo, na oposição. Então, no

momento de elaborar um projeto de governo, criamos o programa Zona Franca Verde, que tem como filosofia, entre outros pontos, que a “floresta vale mais em pé do que derrubada”; as populações locais são as verdadeiras guardiãs da floresta. A pobreza e a ineficiência na educação são os principais vetores de desmatamento. Desta forma, acho que uma política de governo bem elaborada fez com que o mundo passasse a perceber a importância do Amazonas.   NEO MONDO: Na qualidade de anfitrião do Fórum, qual o papel que o

senhor desempenhou para viabilizar o evento? Em outras palavras, a ideia do evento surgiu do governo do Amazonas, dos organizadores ou já nasceu como parceria? Eduardo Braga: Recebemos do João Doria uma proposta para sediar o Fórum. Foi uma iniciativa totalmente do Doria, que entendeu que o Amazonas seria o lugar ideal para sediar um evento que discutiria a sustentabilidade. NEO MONDO: O programa Zona Franca Verde pode-se dizer que é o carro-chefe de sua gestão?

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Batalha Chico Batata/Agecom

Braga: “de 2003 para 2009, o PIB per capita no Amazonas passou de R$ 8,1 mil para R$ 14,6 mil, enquanto o índice de desmatamento no estado caiu 73,9%” 

Eduardo Braga: O Amazonas possui programas de grande importância, relevantes para o estado. Temos o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), que mudou a cidade de Manaus; temos a construção da ponte sobre o rio Negro, que vai interligar a região metropolitana da cidade; temos o projeto Jovem Cidadão, que oferece oportunidades de crescimento e aprendizagem para a juventude; e temos o Zona Franca Verde, que é um sucesso e uma mostra de que é possível melhorar a renda da população e continuar preservando a floresta.

De 2003 para 2009, o PIB per capita no Amazonas passou de R$ 8,1 mil para R$ 14,6 mil, enquanto o índice de desmatamento no estado caiu 73,9%.  NEO MONDO: Que outros programas - a exemplo da Lei de Mudanças Climáticas e de Conservação Ambiental, do Bolsa Floresta - o senhor destaca como relevantes. Há algum específico para transportes, tema de caderno especial nesta edição? Eduardo Braga: A Lei de Mudanças Climáticas e o Bolsa Floresta são programas importantes. A lei é a primeira do Brasil a tratar da questão do

clima; o Bolsa Floresta marca o início de um novo tempo e de uma nova relação entre homem e natureza e representa um dos esforços desenvolvidos pelo estado para combater as mudanças climáticas. O benefício possui as seguintes modalidades: Bolsa Floresta no valor de R$ 50 pagos por mês, preferencialmente à mulher que represente a família, e o Bolsa Floresta Associação, valor pago uma vez por ano à associação de moradores da RDS, correspondente a 10% do valor anual recebido por todas as famílias das unidades de conservação.

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Perfil

A floresta vale mais em pé do que derrubada; é possível melhorar a renda da população e continuar preservando a floresta

No que diz respeito ao transporte, temos o projeto do Monotrilho para Manaus, que visa melhorar o transporte público e resolver um problema crônico existente na cidade. Este é um dos projetos de Manaus como uma das subsedes da Copa 2014. NEO MONDO: Quais resultados o senhor destaca como mais significativos em termos socioeconômicos e ambientais para a região? Eduardo Braga: Melhoramos bastante os índices do Amazonas. E todos representam o resultado de um trabalho feito com seriedade e dedicação. Acho que tudo o que foi possível foi feito, mas tenho consciência de que ainda há muito a fazer, e por isso o trabalho deve seguir adiante.    NEO MONDO: Que resultados o senhor considera mais expressivos deste Fórum (foi firmado algum documento oficial?), seja em termos

de expectativas de curto, médio e longo prazos, seja de compromissos já firmados, como o feito com o Walmart?

Eduardo Braga: Mostrar ao mundo a importância do Amazonas, da floresta que temos aqui e fazer com que todos a queiram preservada é uma vitória importantíssima. Ter o Al Gore aqui, o James Cameron, empresários e personalidades é importantíssimo. Quanto mais pessoas souberem do que o Amazonas abriga e o quanto isso é importante para o mundo, melhor. O Fórum serviu para ampliarmos a discussão. E esta é uma vitória.

Amazonas – 2003 a 2009 * * * * * * * * *

*

1,5 milhão de km2 redução em mais de 73% do desmatamento aumento do PIB estadual de R$ 25 bilhões para R$ 49,5 bilhões + 160% no total de unidades de conservação existentes mais de 6 mil famílias atendidas no Bolsa Floreta (mais de 28 mil pessoas em 14 unidades de conservação) mais de 6,9 mil títulos de terras entregues 6,7 mil famílias retiradas de moradias em áreas de risco redução da mortalidade infantil (de 21,54 % para cada mil nascidos vivos, em 2003, para 15,82% em 2009) melhoras no nível de ensino (de 72,5% aprovados, em 2005, para 76,5% em 2007; de 16.247 matriculados na zona rural da capital e interior, em 2003, para 38 mil em 2010) salto de R$ 56 milhões para R$ 296 milhões nos investimentos em ciência e tecnologia

Fonte: Governo do Estado


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Ano 3 - Nº 34 - Maio 2010 - Distribuição Gratuita

Especial

BIOMAS BRASILEIROS

NEO MONDO traz, em maio, um roteiro dos Biomas Brasileiros, que facilita o leitor a compreender melhor todo o potencial de cada um deles quanto a diversidade ambiental, econômica, turística e, mesmo, gastronômica. Começamos pela Mata Atlântica, tão ameaçada e tão rica de esperanças, no mês em que se celebra o seu dia, em 27 de maio; adentramos a Floresta Amazônica, com seus mistérios e possibilidades socioeconômicas; percorremos ainda a Caatinga e o Cerrado; cavalgamos pelo Pampa e navegamos pelo Pantanal; e chegamos à Zona Costeira. Uma viagem imperdível, da qual sua empresa ou negócio não pode deixar de fazer parte.

RESERVA DE ESPAÇO - ATÉ 10/05

ENTREGA DE MATERIAL - ATÉ 13/05


The Destruction of the

Amazon Rainforest is my problem

The Charter of the Amazon is an affirmation of the principles by Brazilian citizens and the international community. We reaffirm the Principles of the Earth Charter: to respect and care for the diversity of life, to guarantee the ecological integrity of the Planet, to promote social and economic justice, to strengthen democracy and the culture of non violence.

The environment has been our flag since the first edition for a simple reason: it’s a matter of survival and the forest is our problem!

A tribute from the NEOMONDO Institute to the nations of the Rainforest


Charter of the Today, we understan

mazon

d that the integrity o f ecosystem The right s is key to to a health our sur viv y e nvironmen principles al. t must be upon whic p r e se h r o v u e r d society sho as one of th generation uld be base s should n e basic d. The welf ot be jeopa planet’s na a r r d e iz o e f d future through th tural resou e unsustain rces. able use of the The conser vation of tr o p ic al forests, essential to and especia the welfar lly of the A e o f our global that these mazon Ra society, du forests pro inforest, is e to the en vide, such hydrologic v ironmenta as the con al cycles, a l ser vices trol of the s well as fo ear th’s clim thousands r their cult a te of species a nd ural value. that have These fore not be exh the right to st s austed in a r e home to li fe and wh the name ose genetic of epheme r e sources ca ral profits Today, the n . Amazon R a in fo rest is und at immedia er threat te profit, w from pred ithout con such appro atory activ si d ering the im ach to be ities aimed pacts they unsustaina as citizens, c b a le u se a n . d W unaccepta e declare leaders, co ble, and w nscious me Amazonia e commit n and wom n ecosyste ourselves, en, to defe ms. nd the inte g r it y of the We acknow ledge that th e Amazon have the sa Rainforest me right to is home to p ursue happ to people millions of iness, prosp in any oth people wh e r e it r o y r e a g n io d n on Ear th mechanism w e lf a r e, similarly . We can n s to ensure o t the forest’s forget this If the Ama conser vati as we seek zon Rainfo o n a n r d e st p reser vation provides e entire plan nvironmen of its spec et it is the tal produc ies. duty of th ts and ser e global so v ic e s c iety to con to the Through th tribute to e four dim its integrit ensions of economic, y. sustainable social and developme cultural – n t under take e n w vironmenta e see the p in the pur ath that o l, suit of hap ur society the planet. piness, pea should ce and resp ect of man , the forest and

Manaus, M arch 27th 2010 – S tate of Am azonas,

Brazil.


Profile

At the

Battle

The question “Will we have to clone Eduardo?” posed by film director James Cameron in Manaus on March 27th suggests that Carlos Eduardo de Souza Braga, former Governor of the State of ‘Amazonas’, is one of the warriors at the front of the battle for sustainability. There could not be a more appropriate profile for this issue of NEO MONDO. Gabriel Arcanjo Nogueira

H

ost of the International Sustainability Forum, creator of the Sustainable Amazon Foundation and the Green Free Trade and Forest Fund programs, author of the first Climatic Change Legal Act in Brazil, responsible for virtually containing the deforestation in the state of ‘Amazonas’, Eduardo Braga, who is also national coordinator of Social and Environmental issues of the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB), tells our readers about these and other Social and Environment initiatives. Carlos Eduardo de Souza Braga, born in Belém (lit. “Bethlehem”, Brazil), is married and has three daughters; he is a businessman and holds a degree in Electrical Engineering from the Federal University of the State of ‘Amazonas’.

His political career started early when, at the age of twenty-one, he was elected as a Councilor of the city of Manaus. His career has continued to develop and he was elected State Councilor with a considerable number of votes in 1986. He was highlighted for his outstanding performances and toughness at the City hall and the Legislative Council. In 1990 he became Federal Council Member for PMDB with the highest number of votes. He moved from the Legislative to the Executive, as vice-mayor of Manaus, in 1992 and he took over City hall in March of 1994. His administration is marked by innovation, with works in the infrastructure, such as health, education, and housing, so much so that they transformed the capital of the State of ‘Amazonas’ for good. This was enough to leave the City

hall, in 1996, with the approval of 98% of the population, recorded in the history of the city and of the Country. He left public life for a while to dedicate time to his companies, but he later returned just as popular and in 2002 he was elected to the Government of the State of ‘Amazonas’ with an absolute majority in the first round of the elections. With programs considered revolutionary for the population of the Amazon, for developing the countryside and fostering the largest town planning transformation of the capital in the last 50 years, Carlos Eduardo de Souza Braga was re-elected in 2006, in the first round of elections. He since left the Government of ‘Amazonas’, to compete as a State Senator. It is worthwhile checking the complete interview.

NEO MONDO: During the two days of the Forum it became apparent to us that Manaus was the capital of the world. What was your Government’s contribution in reaching that achievement? Eduardo Braga: During the seven years of my first and second terms of office, I worked on the subject of sustainable development with a very competent team. It is understood that it is necessary to preserve the forest and promote the growth of the Amazon, whilst valuing the people inhabiting the forest. This understanding comes

from the time when I was out of government and in the opposition. So, whilst drawing up a government project, we created the Green Free Trade Program, which has a philosophy, among other things, that “the rainforest is worth more standing than felled”. The local people are the true guardians of the forest. Poverty and lack of education are the main causes of deforestation. I therefore, think that a well thought-out government policy has made the world came to realize the importance of the Amazon.

NEO MONDO: As the host of the forum, what role did you play in creating the event? In other words, did the idea of the event come from the Government of ‘Amazonas’, the organizers or conceived as a partnership? Eduardo Braga: We received a proposal from Mr. João Doria to host the forum. It was entirely his initiative; he believed that the Amazon would be an ideal place to host an event to discuss sustainability.

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NEO MONDO: Can it be said that the Green Free Trade Program is the flagship of your administration?


front Chico Batata/Agecom

Braga: “from 2003 to 2009, the GDP per capita in the State of ‘Amazonas’ increased from R$ 8.1thousand to R$ 14.6 thousand, while the rate of deforestation fell in the State by 73.9%”

Eduardo Braga: The Amazon has programs of great importance relevant to the State. We have the Social and Environmental Program of Igarapés of Manaus (Prosamim), which has changed the city of Manaus; we have to construct a bridge on the ‘Negro’ River, which will connect to the metropolitan area of the city; we have the Young Citizen project, which offers the youth opportunities for growth and learning; and we have the Green Free Trade Program, which is a success and shows that it is possible to improve the income of the population and continue preserving the forest.

From 2003 to 2009, the GDP per capita in the State of ‘Amazonas’ increased from R$ 8.1thousand to R$ 14.6 thousand, while the rate of deforestation fell in by 73.9%” NEO MONDO: What other programs – e.g.: the Climatic Change and Environmental Conservation Legal Acts, and the Forest Fund – do you highlight as relevant. Is there anything specific for transportation, the special theme of this magazine issue? Eduardo Braga: The Climate Change Act and the Forest Fund are important programs. The law is the first

in Brazil to address the subject of the climate change; the Forest Fund marks the beginning of a new era and a new relationship between man and nature. It represents the efforts of the State to fight climate change. The benefit operates twofold: There is a payment of R$50 from the Forest Fund paid per month, preferably to a female representing the family, and There is the Forest Fund Association, paying an annual amount to the RDS neighborhood association, corresponding to 10% of the annual amount received by all families in the preservation units.

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Profile

The forest is worth more standing than felled; it is possible to improve the income of the population whilst continuing to preserve the forest

Regarding transportation we have the Manaus Monorail project, which aims to improve public transport and solve a chronic problem in the city. This is one of the projects for Manaus, as one of the sub-hosts of the FIFA World Cup of 2014. NEO MONDO: What results stand out to you as the most significant social economic and environmental indicators for the region? Eduardo Braga: We have improved the indices of the Amazon. And they all represent the result of work done seriously and with dedication. I think everything possible has been done so far, but I am also aware that there is still a lot to do in the future and the work must continue. NEO MONDO: What results of this forum do you consider most significant (were any official documents signed?), whether in terms of short,

medium and long-term expectations or commitments agreed on, such as the one made with Walmart?

Eduardo Braga: To show to the world the importance of the Amazon, the forest that we have here and to make everyone want to preserve it is important; to have Al Gore here, James Cameron, businesspeople, and personalities is also important. The more people know what the Amazonas shelters and how this is important for the world, the better. The Forum served to broaden the discussion. And this is a victory.

Amazonas – 2003 to 2009 * 1.5 million km2. * A reduction of more than 73% of deforestation. * An increase of GDP in the State of ‘Amazonas’ from R$25 billion to R$49.5 billion. * An increase of 160% of the total number of existing units of conservation. * More than 6 thousand families have been assisted by the Forest Fund (In 14 units of conservation more than 28 thousand people have been assisted). * More than 6.9 thousand title deeds for land have been given. *

6.7 thousand families have been relocated from areas of risk.

* Reduction of infant mortality (from 21.54% per thousand born alive, in 2003, to 15.82% in 2009). * Improvements in education (from 72.5% qualified, in 2005, to 76.5% in 2007; from 16,247 people enrolled from the rural area of the capital and countryside, in 2003, to 38 thousand in 2010). * Jump of R$ 56 million to R$ 296 million invested in science and technology. Source: State Government.


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Apoio

Neo Mondo - Setembro 2008

A


Especial - Fórum Internacional

Frederico Uehara

Mundo, capital MA

Fórum Internacional da Seminars e do LIDE reúne gente comprometida com a sustentabilidade Gabriel Arcanjo Nogueira *

D

urante dois dias, em especial, Manaus (Amazonas) foi Manaus (Brasil) e, mesmo, Manaus (Mundo). Tal o alcance do Fórum Internacional de Sustentabilidade, que a capital amazonense sediou entre 26 e 27 de março no Hotel Tropical, com encerramento em grande estilo no Teatro Amazonas, considerado obra de arte do século XIX. Estrelas de toda grandeza nos cenários político, científico e cultural do Brasil e do

exterior falaram no evento, com a participação de 560 empresários. O Fórum, da Seminars e do LIDE, foi viabilizado por empresas que, no País, estão à frente de setores que levam a sério a sustentabilidade (ver quadro “Talento reconhecido e mentes inovadoras). NEO MONDO foi o único veículo da mídia especializada convidado para o evento. Numa espécie de ação entre amigos do planeta, uma das ideias que ganha for-

ça crescente e pode chegar à consistência desejada é a de se criar e viabilizar fundos que financiem projetos de preservação de florestas. Do Fórum saíram também propostas e até acordos, voltados a promover ações efetivas em educação, desenvolvimento de projetos e venda de produtos. João Doria Jr., presidente do LIDE, lembra que as empresas que compõem o grupo representam 46% do Produto Inter-

* Com informações de CDN Comunicação Corporativa, Anna Gabriela Araujo, Agência Brasil de Notícias e jornais A Crítica, de Manaus, e Meio&Mensagem.

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Neo Mondo - Abril 2010


NAUS “

Evento contribui para tornar o Brasil economicamente competitivo e socialmente justo e solidário

Al Gore reconhece liderança brasileira e defende fundo mundial

no Bruto (PIB) brasileiro. O que, somado às “presenças de Al Gore, James Cameron, Thomas Lovejoy, do governador Eduardo Braga e dos mais importantes empresários do Brasil, na área de sustentabilidade, evidencia a importância deste evento”. Todo o potencial econômico da Amazônia esteve na mesa de discussões do Fórum, envolvendo uma seleta plateia, atenta às diversas possibilidades que a região oferece em biodiversidade, recursos hídricos, produtos da floresta, créditos de carbono, entre outras. A visão do LIDE, explica João Doria, é “contribuir para tornar o Brasil um país economicamente competitivo e uma nação socialmente justa e solidária”. O que, por si, já é garantia do sucesso dessa iniciativa.

Muito além da madeira O ex-vice-presidente dos Estados Unidos foi incisivo: “A Amazônia é um tesouro imenso que pertence ao Brasil, guardado e protegido. O valor dos recursos genéticos e da biodiversidade contida na floresta é ímpar, e só agora está sendo reconhecido

pelas companhias de biotecnologia, pelos cientistas e por indústrias de toda a natureza”, afirmou, para ressaltar:   “Vender uma floresta pelo valor da madeira é como vender um computador pelo preço do silício. O valor real da Amazônia está em toda a informação que ela contém. A cura de diversas doenças está na floresta”. O líder americano destacou que a questão da Amazônia e das mudanças climáticas envolve necessariamente uma “civilização global com propósito único”, ou seja, uma agenda comum sem que haja separação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Al Gore elogiou os trabalhos de preservação feitos em parceria com as comunidades locais. “O Brasil descobriu uma fórmula bem-sucedida que deve servir de exemplo nos debates sobre como combinar desenvolvimento com sustentabilidade.”  Mesmo assim, para Al Gore a resposta mais completa para deter o aquecimento global está na assinatura do Acordo de Copenhague, quando diversos países devem comprometer-se a reduzir a emissão de gases tóxicos na atmosfera. Frederico Uehara

Plateia, sintonizada com palestrantes e debatedores: sustentabilidade levada a sério

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e prêmio Nobel da Paz em 2007, Al Gore, em sua apresentação, reconheceu no Brasil a liderança nas questões relacionadas à sustentabilidade em todo o mundo, ao dizer:  “Estive em Copenhague em dezembro e fiquei impressionado com a liderança do Brasil. O País tem uma voz de grande poder, não apenas pela Amazônia, mas porque ofereceu liderança em tantas outras questões relacionadas à sustentabilidade”. Era uma referência à participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Conferência do Clima (COP 15), quando o  Brasil apresentou suas metas de redução da emissão de gases do efeito estufa. Autor de Uma Verdade Inconveniente, best-seller que virou filme (ganhador do Oscar) com o mesmo nome, Al Gore é uma das principais lideranças mundiais no que se refere a mudanças climáticas. Ao desenvolver o tema  “A importância da Amazônia no contexto das alterações climáticas globais”, o nobel da Paz lembrou que os resultados da COP 15 ficaram aquém do esperado. Um acordo mundial sobre a redução da emissão de gases de efeito estufa ficou para um próximo encontro de líderes, que deverá ser realizado este ano no México. Para Al Gore, a criação de um fundo mundial que financie projetos de preservação em países que têm florestas sob custódia é  ponto central da questão. “Não há mais controvérsias sobre este assunto, trata-se de um ponto-chave para tentar minimizar os impactos das alterações climáticas”, afirmou.

Al Gore: “A Amazônia é um tesouro imenso que pertence ao Brasil com biodiversidade ímpar”

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Especial - Fórum Internacional Amazônia

Exemplo das águas Al Gore usou a imagem do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, para ajudar a entender o que é possível ser feito pelo conjunto das nações para combater o aquecimento global. “Negro e Solimões caminham lado a lado, com as diferenças deles, por 10 quilômetros, mas depois as águas se misturam, e juntos eles correm para o mar”, disse, para receitar: “As nações, com  suas histórias e tradições diferentes, precisam agora colocar isso de lado, se unir e construir uma civilização global”.     O ilustre palestrante reconhece: “O Brasil está agindo. Empresas de todo o mundo estão se adiantando ao tema. Mas ainda assim está longe de ser o suficiente. A cada 24 horas ainda estamos colocando 90 milhões de toneladas de gases tóxicos na atmosfera, responsáveis pelo aquecimento global. Desse total, 30 milhões de toneladas vão para os oceanos, que por causa disso estão se tornando mais ácidos. Essa descarga tóxica já está interrompendo o processo das criaturas marítimas de retirar o carbonato de cálcio da água e para fazer conchas”, explicou.

Desafio gigantesco A situação chegou a um ponto que Al Gore considera comprometedora, como nunca, para a atual geração. No entender do conferencista, o julgamento das gerações futuras é certo. “Vão perguntar: ´o que vocês estavam fazendo? Por que não fizeram nada com todos os avisos que foram dados?´.” Para o  ex-vice-presidente dos Estados Unidos, trata-se do maior desafio já colocado para os seres humanos.    Para quem já teve  o status de segunda pessoa mais poderosa do mundo, fica fácil e digno de credibilidade discorrer quando questionado sobre a resistência dos Estados Unidos em assinar o acordo. Al Gore disse acreditar que isso aconteça ainda este ano. A proposta já foi aprovada no Congresso dos Estados Unidos, afirmou, mas a grande dificuldade está na aprovação pelo Senado. “Há organizações muito grandes que lutam contra isso e elas têm sido muito poderosas até agora”, explicou o líder, citando também os efeitos da crise financeira mundial.

Conhecimentos compartilhados No caso da Amazônia, Al Gore defendeu parcerias que tragam maior benefício para o povo que vive na região. “Não acredito que haja mais o temor de que o interesse mundial na Amazônia seja uma ameaça de invasão ou de posse. É claro que temos que respeitar a história de insultos, abusos e temores herdada do passado. Mas hoje a preservação requer debates e conhecimentos compartilhados. É preciso um acordo global não só para preservar a Amazônia, mas as outras florestas do planeta.” Para que as empresas consigam de fato entrar no processo de produção com menos impacto ambiental, Al Gore destacou que é preciso deixar de lado os pensamentos de curto prazo, que exigem resultados imediatos. “A forma como projetamos um investimento tem que mudar. É preciso formular políticas para o longo prazo e considerar em todas as decisões a questão da emissão de gás carbônico e outros poluentes na atmosfera. Não é possível mais decidir sem considerar isso”, avaliou o líder.

Talento reconhecido e mentes inovadoras A Seminars é uma empresa resultante da associação do Grupo Doria Associados, comandado por João Doria Jr., e a Maior Entretenimento, presidida por Sergio Waib, que faz parte do Grupo ABC. Tem como objetivo desenvolver o mercado de palestras, seminários e workshops nas áreas de negócios, política, economia e tecnologia. A Seminars organiza eventos – proprietários ou sob demanda – sempre com personalidades relevantes, nacionais e internacionais, que sejam autoridades em suas áreas de atuação. O primeiro realizado pela Seminars, em novembro de 2009, contou com o ex-secretáriogeral da ONU e prêmio Nobel da Paz, Kofi Annan. Grandes cabeças, com talento reconhecido e mentes inovadoras, são os principais indutores dos debates. Essa é a importância dos eventos que a Seminars começa a desenvolver. Fonte: CDN Comunicação Corporativa 20

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Elias Kitosato

Al Gore e João Doria: o alto nível do Fórum estava apenas no começo, logo no primeiro dia do evento

As palestras reúnem pessoas que disseminam conhecimento, fortalecem o pensamento e alimentam a troca de experiências vencedoras. As soluções estimuladas pelos debates da Semi-

nars estarão sempre alinhadas com os mais elevados princípios éticos de governança corporativa e pautadas por políticas de sustentabilidade e responsabilidade social.


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Neo Mondo - Setembro 2008

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Internacional Forum Special

Frederico Uehara

World, capital MA

Forum International Seminars and LIDE brings together people committed to sustainability Gabriel Arcanjo Nogueira *

F

or two days in particular, Manaus (Amazonia) was Manaus (Brazil) and even Manaus (World). Such was the reach of the International Forum for Sustainability that, the capital of Amazonia hosted between 26th and March 27 at the Hotel Tropical, closing in great style at the Amazonas Theatre, is considered a work of art from the nineteenth century. Stars of all greatness contributed to the scenario, political, scientific and cul-

tural development from Brazil and abroad, spoke at the event, attended by some 560 businessmen. The Forum, the Seminars and LIDE, was made possible by companies in the country, which are ahead of the sectors that are serious about sustainability (see table “recognized talent and innovative minds). MONDO NEO a guest at the event was the only vehicle for the media.  In a kind action of friends of the planet, one of the ideas gaining momentum, grow-

ing and can reach the desired consistency is to create and enable funds to finance projects for the preservation of forests. The Forum also came up with proposals and agreements aimed at promoting effective action in education, project development and product sales.  João Doria Jr., chairman of the LIDE, reminded that companies that make up the group represent 46% of Gross Domestic Product (GDP). His added to the “pres-

* With information from CDN Corporate Communications, Anna Gabriela Araújo, Brazil News Agency and newspapers ‘A Crítica, de Manaus’, and ‘Meio & Mensagem’

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NAUS “

The event contributes to make Brazil an economically competitive and socially just and compassionate

Al Gore recognizes Brazilian Leadership and maintains global fund.

ence of Al Gore, James Cameron, Thomas Lovejoy, the Governor Eduardo Braga and the most important businessmen of Brazil, in the area of sustainability, highlighted the importance of this event.” All the economic potential of the Amazon was on the table for discussions at the forum, involving a select audience, given the various possibilities offered by the region in biodiversity, water resources, forest products and carbon credits, among others.  The vision of the LIDE, John Doria explains, is “to contribute to make Brazil a country economically competitive and socially just and compassionate nation.” That in itself has already guaranteed the success of this initiative.

Beyond the wood The former vice president of the United States was blunt: “The Amazon is an immense treasure that belongs to Brazil, guarded and protected. The value of genetic resources and biodiversity contained in the forests is unique and is only now being recognized by biotechnology com-

panies, scientists and industries of all kinds, “he said, to emphasize:” Selling a forest by the value of wood is like selling a computer for the price of silicon. The real value of the Amazon is all the information it contains. The cure of several diseases is in the forest. “  The U.S. leader stressed that the question of the Amazon and climate change necessarily involves a “global civilization with one purpose,” i.e., a common agenda with no separation between developed and developing countries. Al Gore praised the preservation work done in partnership with local communities. “Brazil has found a successful formula that should serve as an example in discussions about how to combine development with sustainability.”  Still, for Al Gore a more complete answer to stop global warming is the signing in Copenhagen, where several countries should commit themselves to reducing the emission of toxic gases into the atmosphere. Frederico Uehara

Audience attuned with lecturers and debaters: sustainability taken seriously

The former vice president of the United States and winner of the Nobel Peace Prize in 2007, Al Gore, in his presentation, acknowledged Brazil’s leadership on issues relating to sustainability in the world, saying: “I was in Copenhagen in December and was impressed with the leadership of Brazil. The country has a voice of great power, not only by the Amazon, but because it provides leadership in so many other issues related to sustainability. “It was a reference to the participation of President Luiz Inácio Lula da Silva at the Climate Conference (COP 15), when Brazil introduced its goals of reducing the emission of greenhouse gases.  Author of An Inconvenient Truth a best-seller that became a movie with the same name, Al Gore is a major world leader when it comes to climate change. In developing the theme “The importance of the Amazon in the context of global climate change,” the Nobel Peace noted that the outcome of COP 15 was below expectations. A global agreement on reducing emissions of greenhouse gases was for an upcoming meeting of leaders, to be held later this year in Mexico.  For Al Gore, the establishment of a global fund to finance conservation projects in countries that have forests in safekeeping is a critical issue. “There is more controversy on this subject, it is a key point to try to minimize the impacts of climate change,” he said. 

Al Gore: “The Amazon is an immense treasure that belongs to Brazil with unique biodiversity”

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Internacional Forum Special Especial - Amazônia

Example of the waters Al Gore used the image of the meeting of the rivers Negro and Solimões, to help understand what can be done by all the nations to fight global warming. “Negro and Solimões flow side by side with their differences, for 10 kilometers, but then the water mixes, and together they flow into the sea,” he said, to prescribe: “The nations, with their histories and different traditions, now need to put them aside, come together and build a global civilization.”  The distinguished speaker admits: “Brazil is taking action. Companies around the world are advancing the subject.  But still it is far from enough. Every twentyfour hours we are still putting ninety million tons of toxic gases into the atmosphere that is responsible for global warming. Of this total, 30 million tons go into the oceans, which because of this are becoming more acidic. This toxic discharge is now disturbing the process of sea creatures to remove calcium carbonate and water to make shells, “he explained. 

Gigantic Challenge The situation has reached a point that Al Gore believes committal as ever, for the current generation. According to the speaker, the prosecution’s right of future generations. “They ask, ‘What were you doing? Why do nothing with all the warnings that were given’.” For the former vice president of the United States, it is the greatest challenge ever put to humans.  For those who have already had the status of second most powerful person in the world, it’s easy and worthy of credibility talk when asked about the strength of the United States to sign the agreement. Al Gore said he believed that would happen this year. The proposal was approved in the U.S. Congress, he said, but the great difficulty lies in the adoption by the Senate. “There are very big organizations that fight against it, they have been very powerful so far,” said the leader, also citing the effects of global financial crisis. 

Shared knowledge In the case of the Amazon, Al Gore championed partnerships that bring greater benefit to the people who live in the region. “I do not think there are more fears that the global interest in Amazonia is a threat of invasion or possession. Of course we have to respect the history of insults, abuses and fears from the past.  But today the preservation requires discussion and shared knowledge. We need a global agreement not only to preserve the Amazon, but the other world’s forests. “  For companies to succeed in actually entering the production process with less environmental impact, Al Gore said that we must put aside thoughts of short-term periods demanding immediate results.”The way we design an investment has to change. We need to formulate policies for the long term and consider all of the decisions on the issue of carbon emissions and other pollutants in the atmosphere. It is not possible to decide without further consideration of that” said the leader. 

Renowned talents and innovative minds  Seminars is a company involving Doria Associates Group, led by John Doria Jr., and Major Entertainment, headed by Sergio Waib, part of the ABC Group.  It aims to develop the market for lectures, seminars and workshops in business, politics, economics and technology. The Seminars organized events - owners or demand - always with relevant personalities, national and international, who are authorities in their fields. The first event conducted by Seminars in November 2009, included the former UN Secretary General and Nobel Peace Prize winner, Kofi Annan.  Great heads, with recognized talent and innovative minds, are the main inductors of the debates. That is the importance of events developed by Seminars.  Source: Corporate Communications CDN 

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Elias Kitosato

Al Gore and João Doria: The forefront of the Forum at the beginning of the first day of the event

The talks bring together people who disseminate knowledge, strengthen the mind and nurture the exchange of the experience of winning. Solutions stimulated by

discussions of Seminars will always be aligned with the highest ethical principles of corporate control and guided by policies of sustainability and social responsibility.


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Especial - Fórum Internacional

Seriam nossos índios O cineasta James Cameron consagrou-se como a principal estrela do evento, ao ser aplaudido de pé por empresários - a quem convocou para que se inspirem em novos modelos de negócios -, ambientalistas, autoridades e outros participantes. Com um discurso contundente em relação à destruição dos recursos naturais do planeta, Cameron criticou a geração de energia a partir de combustíveis fósseis, previu grandes tragédias e falou várias vezes sobre a situação dos povos indígenas do Brasil Gabriel Arcanjo Nogueira

A

o falar no segundo dia do Fórum, o diretor de Avatar e Titanic (duas das maiores bilheterias da história do cinema, com 14 Oscar conquistados) e de O Exterminador do Futuro, entre outros sucessos, chegou a afirmar que o governo brasileiro deveria reconsiderar a decisão de construir a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que vai afetar as populações ribeirinhas por causa da mudança de curso do rio Xingu. O cineasta, cerca de 15 dias depois do Fórum, mostrou que não é bom só de palavras. Em nova viagem ao Brasil, para lançamento mundial do DVD de Avatar, em São Paulo , deslocouse com a atriz Sigourney Weaver no dia 12 26

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de abril a Brasília, onde participou de manifestação contra a construção da hidrelétrica. Mais uma vez estava à vontade junto a índios e ambientalistas. “Os na´vis”, esclareceu, “foram criados para expressar a nobreza e beleza daqueles que são naturais e fiéis a sua cultura, aí incluídos alguns povos da Amazônia. Acreditam que estão conectados a todos os seres viventes - árvores são seus irmãos, e energia vital é somente emprestada, e um dia deve ser devolvida à terra.” O discurso do cineasta leva em conta as pesquisas que realizou, em que tudo parecia bastante com o que ecologistas acreditam. “Tudo está conectado, ligado

- algo aqui terá consequência ali; há relação sempre entre uma coisa e outra”, prosseguiu. Daí que seu filme é mais pessoal porque “me preocupei com ambiente desde que era pequeno”. Ele revelou que gostava de dinossauros quando era criança e que queria viver na floresta como outras pessoas haviam feito 10 mil anos antes. Cameron disse que muitas pessoas em todo o mundo ainda estão em processo de negar o óbvio (o perigo dos desequilíbrios ecológicos), e que Avatar foi produzido para gerar um efeito emocional que mexa com quem  ainda se recusa a aceitar a ameaça ambiental que paira sobre o planeta.


Elias Kitosato

os na´vis de Avatar ?

Num de seus encontros com indígenas, Cameron aplaudiu, com João Doria e o governador Braga, a performance do pajé

A má notícia, para o palestrante, é que estamos ante um dos maiores desafios que a humanidade já enfrentou, ao passar vários limites do suportável ao mesmo tempo: aquecimento do clima, devastação das florestas, destruição dos oceanos. “Não vou fingir que sou ambientalista ou empresário; sou cineasta, faço filmes. O que posso fazer é falar com o coração. Não temos muito tempo (cinco anos, talvez 10 anos) para começar a reverter todo esse processo. Aqueles que negam a crise do clima vão falar e falar, e cientistas vão soar o alarme; enquanto isso vamos nos aproximar dessa catástrofe inédita para a humanidade”, alertou.

O sucesso global de Avatar, na opinião de seu criador, é uma prova de que o mundo está pronto para realizar todas as mudanças necessárias para deter as alterações climáticas e outros problemas ambientais que poderão acarretar grandes tragédias. Cenário de fome e miséria Cameron comparou a situação da humanidade a uma cultura de bactérias que se desenvolve em determinado ambiente criado em laboratório. As bactérias se reproduzem e consomem os recursos de seu ambiente. “Afinal, elas são programadas para isso”, explicou. Em um determinado momento, quando se esgotam os recursos, as mesmas

bactérias começam a morrer de fome até desaparecer. “Talvez a raça humana não desapareça, pois somos mais inteligentes que as bactérias. Mas quando ultrapassarmos o limite do planeta, nossos netos e bisnetos sofrerão com a fome e a miséria.” Num cenário assim, o cineasta destacou que o planeta não aguentará por muito mais tempo a forma como o homem avança de maneira destruidora sobre os recursos naturais. Segundo ele, a tragédia do Haiti será pouco diante do que pode acontecer com a humanidade, caso as mudanças climáticas não sejam detidas nos próximos anos. “Se houver um aumento de 2 graus na temperatura do planeta, conforme o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) apontou para este século, pelo menos 42 espécies de plantas da floresta amazônica irão desaparecer. Além disso, os rios irão subir por causa do degelo, e as comunidades ribeirinhas estarão condenadas.” Sem distinção de classes O diretor usou uma cena de Titanic para explicar a urgência nas ações para salvar o meio ambiente. “Desde o momento em que o iceberg é avistado, em que eles tocam a sineta três vezes, até o momento do impacto, foram 90 segundos. Será que não estamos vivendo simbolicamente este momento dos 90 segundos? Vale lembrar que, quando o Titanic afundou, tivemos vítimas da primeira e da quarta classe. No caso do planeta, as tragédias também afetarão todos da mesma maneira.” Para Cameron, o Brasil tem de ser remunerado por manter a floresta amazônica intacta. “O Brasil não tem que pagar sozinho se os outros países estão poluindo e se beneficiando da floresta daqui”, afirmou. Perguntado se o povo norte-americano havia entendido a mensagem de Avatar – uma vez que os Estados Unidos não assinaram o protocolo de Kyoto e relutam em participar de um acordo global de redução de emissão de gases do efeito estufa -, Cameron respondeu que há muitas pessoas que ainda questionam os alertas dados pelos cientistas sobre as consequências das mudanças climáticas. Mas o fato de haver muito debate sobre o assunto já seria um bom sinal. Neo Mondo - Abril 2010

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Especial - Fórum Internacional ta. Os sistemas não se transformam, são os indivíduos que transformam os sistemas, em pequenas ou largas escalas”, enfatizou.    Guerreiros do planeta Do alerta Cameron passou ao apelo, para que cada um dos presentes ao Fórum comece a agir. “Avatar tinha defensores, heróis que lideraram a batalha. Agora,  heróis devem vir do meio de vocês - empresários, governos,  homens e mulheres corajosos para romper com o passado e reinventar o futuro”, disse. Para o palestrante, “o governador Braga tem sido guerreiro pelo planeta, ao conseguir manter floresta 98% preservada, em seu  trabalho para manter comunidades nativas e encontrar um equilíbrio entre essas e a realidade econômica”. Na visão do cineasta, o problema que temos de enfrentar vem da “convergência de três coisas: mudança climática, final iminente de energia barata e exaustão de recursos naturais, como água e solo. impulsionada pelo paradigma global de que crescimento econômico e corrida para explorar recursos é ordem da sociedade e é regida pela população. Não podemos resolver esse problema sem resolver anteriores, e somente mudança de consciência vai nos permitir mudar a forma de pensar”, recomendou. Cameron acredita “ser importante fazer tratado de preservação da terra, mas também das culturas indígenas, do contrário não haverá futuro sustentável para nossos filhos, em todos os níveis”. E pediu que, como indivíduos, “podemos fazer uma diferença imensa. Esta é a mensagem que devo dizer

como cineasta: indivíduo tem poder imenso”, reiterou. E permitiu-se dar como exemplo o seu estilo de vida, que inclui sistema de painéis fotovoltaicos em sua casa. “Em nossa fazenda temos energia eólica e vamos poder vender energia de volta à grade. Temos carro híbrido, fazemos horta orgânica, produzimos iogurte e não usamos garrafas pet. Reciclamos tudo religiosamente”, enumerou. O cineasta acredita que esse pacote básico de ações tem de fazer parte do diaa-dia das pessoas,  para que se possa viver num mundo totalmente diferente do que temos hoje, e  pediu que as empresas façam o mesmo em seus locais de trabalho.  Purpurina consumista Voltando ao filme que é seu mais recente sucesso, o palestrante afirmou: “Fiz Avatar porque acredito que a civilização está no caminho errado. Temos de nos reconectar com a natureza, uns com os outros e com valores antigos e reais. Precisamos passar por grande mudança de consciência sobre o que é riqueza. Esta não se resume a casa grande, carro do ano e toda purpurina da sociedade de consumo”.  Para ele, a beleza será tanto melhor quanto mais o mundo for saudável. “Atitudes simples, como  andar na praia ao por-do-sol, ver golfinhos, nos remeteria a conhecimento antigo que estamos esquecendo e que se limita a poucos. Ações assim não danificam o mundo natural e preservam nossas crianças, que do contrário serão as primeiras vitimas. Nossa verdadeira riqueza é a jóia azul, que é o planeta Terra. Estamos nisso juntos.”, discorreu. Divulgação

Novo jeito de fazer negócios Se é condescendente com a população dos Estados Unidos, Cameron não poupa, porém, os seus governantes, sobretudo o antecessor de Barack Obama. “Há uma diferença fundamental entre as administrações Obama e George W. Bush. Bush desperdiçou anos críticos para a defesa do ambiente. Na verdade, foi pior que isso. Dados de relatórios oficiais sobre questões climáticas foram manipulados. Pessoalmente, acho que foi a administração mais irresponsável dos EUA. O presidente Obama fez algumas promessas acerca do tema quando estava em campanha - penso que ele precisa concentrar-se mais (nas questões climáticas). Não podemos deixar de lado questões fundamentais para todos os que vivem neste planeta. Tradicionalmente, ao longo dos anos, os EUA têm sido um líder econômico e filosófico, o que não aconteceu em momento algum da administração Bush, e ainda não aconteceu o bastante no governo Obama”, afirmou. Para  os empresários, Cameron propõe um novo jeito de fazer negócios. Para ele, “em uma visão de longo prazo, o que é melhor para o planeta é o melhor para os mercados e para a economia. Isso não pode ser avaliado com base em resultados trimestrais. Será necessário pensar diferente, e isso provavelmente será o maior desafio em toda essa questão. Precisamos inspirar-nos em modelos de negócios que funcionem e mudar a forma como criamos e agregamos valor no mundo. Precisamos mudar o jeito com que fazemos negócios, e isso vai requerer a vontade coletiva de líderes empresariais em todo o plane-

Neytiri acompanha Jake num longo aprendizado até fazer dele um na’vi, em sintonia com todos os seres vivos da natureza e da aldeia

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Neo Mondo - Abril 2010


Em sua condição de artista, Cameron tem a consciência de gritar a mensagem que o mundo precisa ouvir, com base no sucesso da obra cinematográfica que criou: “Pessoas começam a despertar para o problema. E, se  nossos ancestrais não podem ser culpados pelo que aconteceu, agora conhecemos a verdade e  sabemos que, se não agirmos, seremos punidos. Gerações futuras poderão nos detestar dependendo das atitudes que tomarmos agora”.  Certeza que o fez citar de novo a importância dos esforços que se fazem no Amazonas: “Somos os responsáveis pelo futuro e precisamos de guerreiros como Eduardo Braga por todo o mundo. Será que teremos de clonar Eduardo?”. Metáfora multiplicadora O alcance da metáfora de Avatar faz o filme alcançar efeito multiplicador pelo seu potencial de fazer o bem, na visão do diretor. Como exemplo, Cameron citou a criação, por Rith Green, de programa educacional para levar crianças a encampar a ideia de tomar conta do planeta. “Como sociedade, precisamos encontrar maneiras divertidas de passar para as crianças essa mensagem, que elas  devem abraçá-la desde o  início. Cuidar do planeta é  não precisar de mais coisas, de uma casa enorme, por exemplo. O aspecto material do sucesso não é mais importante que a percepção de valores espirituais da riqueza que importa. Crianças se sentem atraídas pelo mundo animal, daí se vê que não é preciso muito de nossa parte para que elas sigam nessa direção. Importante é educá-las com valores corretos, junto ao currículo escolar. Dou o melhor de mim para aproveitar esse momento porque ele não vai durar”, argumentou. Nascido no Canadá, Cameron mora  há 38 anos nos Estados Unidos, país que ele considera complexo e grande. “Não podemos generalizar o que acontece lá. Há pessoas que negam qualquer validade do que se diz  sobre mudança climática, outras compreendem os perigos e tentam fazer algo a respeito. Vivo em Los Angeles, onde há gente um pouco mais esclarecida. Minha tentativa de chegar às pessoas com Avatar não é para ensinar o padre a rezar a missa. O filme sofreu muitas criticas de pessoas que acharam a mensagem anticorporativa, esquerdista... Não é o que sinto. Criar o planeta saudável para que nossos filhos sobrevivam não é questão de esquerda ou de direita; é para todos nós que respiramos e temos necessidade de beber água”, disse ao responder a uma pergunta

Não sou ambientalista ou empresário; falo com o coração... Pessoas têm de rever conceitos, como o de riqueza... Precisamos mudar a forma como criamos e agregamos valor no mundo

sobre se nos EUA as pessoas iam ao cinema e simplesmente voltavam pra casa, sem maior envolvimento com o filme. Lobbistas, crianças, Oscar Ao se referir, em seguida, ao grupo de lobbistas que trabalham ativamente e tentam atacar cientistas e invalidar seus relatórios científicos, Cameron afirmou como se estivesse se dirigindo a eles: “Meus filhos devem viver no mundo que vocês estão criando. É preciso muito debate e discussão porque não podemos simplesmente apagar os Estados Unidos, mas temos de melhorá-lo. Temos de nos reprogramar para o futuro, para que seja sustentável. Infelizmente, não é o que predomina nas discussões nesse momento”.  Para o cineasta, há outro grande desafio pela frente: “Que crianças deixaremos para o planeta, e não que planeta deixaremos para as crianças. Minha mulher é educadora e começou uma escola baseada nas ideias de educar crianças para ser cidadãos responsáveis do século XXI. Seus alunos são altamente curiosos e  adoram vir à escola, em que parte  do que aprendem é responsabilidade pessoal. Lá tem horta orgânica, elas aprendem de onde vem a comida, o que é saudável, como se devolvem coisas à natureza... Sabem também como comer e ser saudáveis porque temos uma nação de pessoas não saudáveis. São pequenas mudanças de valores que farão o mundo melhorar”, assegura, para comparar: “Elas começam com uma lousa em branco, mas com o tempo moldam novo estilo de vida”. Cameron acredita ser difícil projetar todo o alcance de Avatar quando se trata de alcançar a sustentabilidade porque “não sabemos quanto de bom pode-se fazer com tão pouco”, mas lança o desafio: “Quanto nós, que somos os guardiões do Avatar, podemos fazer com o que está aí; quanto podemos interagir com grupos que possam atuar em educação, ações legais, contra empresas que agem de forma irresponsável”. De sua parte, garante: “Quero proceder de forma cautelosa, não fui ativista, não sou especialista, como Bonno (do U2), que sabe muito em várias áreas. Como artista, me cabe

expressar ideias e sentimentos. Tenho uma companhia de documentários e, num período de 8 anos entre Titanic e Avatar fizemos trabalhos a respeito do oceano; organização dos recifes de coral. Fazíamos o que podíamos para impedir pescaria com redes grandes e químicas. Num determinado momento pensei: ‘para que tudo isso’? Se não resolvermos o problema climático, todos os recifes vão morrer; 2 ou 3 graus são suficientes para matar as algas. Se nós não fizermos algo global, como sociedade globalizada, vamos destruir ambiente altamente diverso: a floresta tropical submarina; pequenos animais que vivem nos recifes de corais... há  cores, texturas e padrões  transpostos para criaturas maiores; flores de cor  laranja; é como  se houvesse bichinhos de árvore de natal que vivem na água. A celebração do mundo submarino tanto quanto da floresta tropical ficará definitivamente comprometida – tudo será destruído antes de fazermos as coisas certas”.   Sobre o fato de Avatar ter sido preterido na premiação maior do Oscar, Cameron mostrou-se sereno. Mas alfinetou, quando perguntado se o seu filme teria perdido para Guerra ao terror, porque critica o lado conquistador e devastador dos Estados Unidos, enquanto a outra produção mostra heróis americanos: “Gostaria de esperar que a academia tivesse pensado nisso, mas acho que nem pensaram que se tratava de grupo de comunistas da esquerda; não sentiram revolta que muitos sentiram. É a política de Hollywood – gostam de celebrar o filme, como na história de David e Golias. Avatar pisou no calo de muita gente nos EUA, a ponto de americanos se autocriticarem e às vezes se sentirem atacados. Mas é algo que provém de dentro da América – eles são autocríticos, refletem muito no seu próprio discurso. Não foi fator para o Oscar. Acredito que mais importante é celebrar o filme. Eles  viram Avatar como filme que já tinha ganhado muito dinheiro e não precisava de Oscar ... não teria mudado minha vida ganhar o Oscar”. No final de sua apresentação, Cameron foi cumprimentado por Jecinaldo Saterê, índio saterê mawe, que é secretário de Estado do Amazonas para Assuntos Indígenas. Neo Mondo - Abril 2010

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Especial - Fórum Internacional Conectar-se é preciso estão pensando, mas se pode tentar ver o que querem, e nossa resolução de conflito será muito mais acertada. Precisamos de entendimento, entendermo-nos uns aos outros”. No filme Avatar, fica claro que no planeta Pandora - cobiçado por ‘”alienígenas terrestres” por possuir unobitanium, minério de valor incalculável para as pretensões humanas os na´vis formam uma tribo em harmonia com a natureza e muito bem resolvida entre si e com outras aldeias dos Omaticayas. Jake Sully, ex-fuzileiro, é escolhido para substituir o irmão Tommy, falecido, no programa Avatar, cuja pesquisadora-chefe á a dra. Augustine (interpretada por Sigourney Weaver, identificada com causas ambientais desde Na montanha dos gorilas, de 1988, em que também faz uma pesquisadora). O oposto da cientista é o coronel, comandante das forças que garantirão a conquista do território na´vi, não importa quantos nativos sejam abatidos e quantas árvores tenham de ser postas abaixo, a começar pela que lhes serve de morada. Jake é clonado num avatar (humanoide criado em laboratório a partir de na´vis capturados) e parte para sua missão intrigante. Atua como uma espécie de agente duplo, ao passar informações de interesse ora do coronel ora da doutora. Forte, sem medo, mas estúpido Cameron acentua no filme o aprendizado pelo qual Jake tem de passar, até assumir o lado da pesquisadora-chefe, a ponto de conseguir levá-la à aldeia dos na´vis, com a

permissão de Mo´at (mulher dragão, líder espiritual da tribo). Jake, orientado por Neytiri - que o acolhe por ele “ter um coração forte, sem medo, mas estúpido” -, aprende que em Pandora há muito mais que o precioso minério. O planeta é dotado de uma energia que flui em todos os seres vivos, é emprestada aos nativos e deve ser devolvida no momento certo. O aprendizado de Jake começa por saber rastrear e vai até perceber o fluxo, a energia do espírito dos animais. Mesmo os mais assustadores, como os alados ikrans. Terá de conectar-se a um deles, bem como a um dos cavalos, para ter mais mobilidade na vivência com todos os seres vivos da natureza e a população da aldeia. Numa das lições - ao ser salvo por Neytiri de um ataque na floresta, depois de ela ter matado o animal agressor -, Jake agradece. Mas recebe em troca: “Isso é triste, é momento de tristeza. Não agradeça por isso”. Até o dia em que se torna ele próprio um membro da tribo, passando de avatar a na´vi. Depois de ter caçado sua presa, diz: “Eu te vejo, irmão, e te agradeço. Tua alma volta a Eywa, e o teu corpo permanece aqui com o povo”. Eywa é a deusa dos Na´vis, que espalha pela floresta as sementes da árvore sagrada. Estas são “espíritos muito puros” que acompanham os nativos por toda parte. Se a missão de Jake em Pandora é intrigante, muito mais o filme de Cameron. Vale a pena ver, rever Avatar, até mesmo como uma tomada de consciência pela sustentabilidade. (ARCANJO)      

Divulgação

Em vários momentos de sua fala, James Cameron reiterou conceitos fundamentais de Avatar. Um deles, a necessidade de as pessoas conectarem-se entre si e com a natureza. A expressão “I see you” serve a esse propósito porque vai além da simples tradução literal “Eu vejo você”. Significa, no filme, olhar o outro na sua integridade. Se os olhos são a janela da alma, temos de ver as pessoas e a natureza na essência de cada uma delas, de suas manifestações. Tem a ver, por exemplo, com o conhecimento dos diversos aspectos dos seres, o respeito à diversidade, estar  em comunhão com eles. Nas palavras do cineasta: “Tive a ideia da expressão ‘ I see you’ para criar toda uma cultura para esse povo. Aprendemos de antropólogos que gestos tidos como naturais talvez sejam diferentes em cada cultura. I see you é ver por meio do cérebro. Na cultura na´vi, se saúdam assim, e quando a filha diz ao pai: ‘eu respeito você, eu vejo você’ significa algo diferente do que quando diz: ‘ave mitológica’. I see you é vejo você como sempre foi - saudação que se interpreta dependendo do contexto social.  “Vejo dentro de você, vejo seu espírito e alma é o que falta em nossa sociedade. Partidos políticos não entendem como outros são por dentro. Se brigam contra nós em debate, de repente é algum medo de que vão perder algo. Se não se pode entender  uma posição, nunca se vai entender o que aconteceu no debate. “Não estou dizendo que sou  guru, que posso olhar nos olhos de todos e dizer o que

Criador(e) e criatura(d): Cameron fez Avatar para mexer com quem ainda se recusa a aceitar a ameaça ambiental que paira sobre...

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Neo Mondo - Abril 2010

... o planeta: “precisamos passar por grande mudança; nos reconectar com a natureza, uns com os outros e com valores reais”


Especial - Fórum Internacional

Resultado prático logo no primeiro dia Walmart soma mais uma ação a suas boas práticas, ao se comprometer a vender peixes da Amazônia Gabriel Arcanjo Nogueira

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ta do Fórum para quem está lá na floresta”, disse o governador. Ambos participaram de debate com outros 16 empresários sobre “A Responsabilidade de Empresas em uma Economia Sustentável”. No encontro, Nuñez garantiu também que vai estudar a possibilidade de comprar R$ 20 milhões em cotas da Fundação Amazônia Sustentável, que representa 2 mil Bolsas-Família que atendem à população da região. Um dos pontos mais debatidos entre os empresários foi a importância da participação do capital privado na construção

Frederico Uehara

presidente do Walmart Brasil, Héctor Nuñez, comprometeu-se, logo no primeiro dia de debates em Manaus, a vender peixes da Amazônia em suas lojas em todo o país. Nuñez atendeu a uma sugestão do governador do Amazonas, Eduardo Braga, anfitrião do Fórum Internacional de Sustentabilidade. Atitude coerente no evento que discutiu ações de preservação da floresta amazônica e ações de sustentabilidade. Segundo Braga, o peixe é o produto que mais gera empregos para a população que vive na região. “Esta é a maior respos-

Nuñez, do Walmart: peixe amazônico em suas unidades e luzes apagadas pelo planeta

de uma economia sustentável. “Boas práticas sustentáveis serão imprescindíveis não só para o negócio, mas para a nossa sobrevivência”, afirmou Braga. “Hora do Planeta” O Walmart foi um dos grupos que aderiu à “Hora do Planeta”, que neste ano coincidiu com o segundo dia do Fórum, das 20h30 às 21h30. Todas as lojas do grupo no país tiveram parte de sua área de vendas apagada em adesão ao ato simbólico, promovido no mundo todo pelo WWF. Governos, empresas e a população são convidados nessa iniciativa a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas repetindo esse gesto. O presidente do Walmart Brasil explicou: “Nossas lojas são um excelente canal para fazer com que a mensagem chegue à população. São mais de 2 milhões de pessoas passando pelas unidades todos os dias, sem contar fornecedores e funcionários, que, no nosso caso, são mais de 80 mil”. É o segundo ano consecutivo em que o Walmart  reduziu em 30% a iluminação das lojas nos salões de vendas, além de apagar letreiros de fachadas e internos e os eletrônicos de mostruário. A área administrativa das unidades, centros de distribuição e escritórios ficaram 100% apagadas durante aquela hora. Além de fazer a sua parte,  a empresa utilizou os sistemas de rádio e TV dos hipermercados e os tabloides, entre outros canais de comunicação, visando atingir pelo menos 4 milhões de pessoas com sua mensagem pela saúde do planeta.  Neo Mondo - Abril 2010

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Internacional Forum Special

Are our Indians the Na’vis Moviemaker James Cameron established himself as the main star of the event, as he received a standing ovation by industrialists, environmentalists, authorities and other participants, whom he invited to be inspired in new business models. With an overwhelming speech on the destruction of the planet’s natural resources, Cameron criticized the generation of electricity from fossil fuels, predicted great tragedies and spoke several times about the problematic situation of Brazil’s indigenous peoples. Gabriel Arcanjo Nogueira

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peaking, on the second day of the Forum, moviemaker James Cameron who directed Avatar and Titanic (two of the biggest box office hits in film history that won fourteen Oscar’s) and The Terminator, among other successes, even claimed that the Brazilian government should reconsider the decision to build the hydroelectric plant of Belo Monte, in Para, which will affect coastal communities because of the changing course of the Xingu River. About fifteen days after the Forum, the moviemaker showed not only good words.  Whilst on another trip to Brazil during the worldwide launch of the DVD Avatar in Sao Paulo, on 12th April he

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went to see the actress Sigo urney Weaver in Brasilia, and he participated in a demonstration against the construction of the dam. Again he was at ease with the Indians and environmentalists. “The Na’vis” he explained, “were created to express the nobility and beauty of those that are natural and true to their culture, he included some people of the Amazon. They believe they are connected to all living beings - trees are his brothers,  and vital energy is only borrowed, and one day must be returned to earth. “  The speech by the moviemaker took into account the research he had done; he expressed a lot that environmentalists be-

lieve. “Everything is connected, turned on - there’s is something that will result whenever there is a relationship between one thing and another,” he continued. That is why the film is more personal because “I have worried about the environment since I was small.” He revealed that as a child he liked dinosaurs and wanted to live in the forest as people had done 10 thousand years ago. Cameron said many people around the world are still in the process of denying the obvious (the danger of ecological imbalances), and that Avatar was created to generate an emotional effect that moves those who still refuse to accept the environmental threat that hangs over the planet.


Elias Kitosato

from the film Avatar?

Cameron applauded, along with João Doria and Governor Braga, the performance of the shaman, in one of his encounters with native Brazilians

The bad news from the speaker was that we are facing the most major challenge that humanity has ever faced, passing several of the limits bearable at the same time: global warming, destruction of forests, destruction of the oceans. “I will not pretend that I’m a businessman and environmentalist, I am a moviemaker, and I make films. What I can do is speak from the heart. We do not have much time (five years, maybe 10 years) to begin to reverse this process. Those who deny the climate crisis will talk and talk, and scientists will sound the alarm whilst we approach this unprecedented disaster of humanity, “he warned. 

The overall success of Avatar, in the opinion of its creator, is a proof that the world is ready to make any changes necessary to halt climate change and other environmental problems that could lead to great tragedies. A scenario of hunger and misery. Cameron compared the situation of humanity to a culture of bacteria that grows in a particular environment created in the laboratory. The bacteria multiplies and consumes the resources of its environment. “After all, they are programmed for this,” he explained. In a certain moment, when the resources are ex-

hausted, the same bacteria begins to die of hunger and disappears. “Perhaps the human race will not disappear because we are smarter than bacteria.  But when we exceed the limits of the planet, our grandchildren and great grandchildren will suffer from hunger and misery. “  In such a scenario, the moviemaker said that the planet would not last much longer because of the way man destroys the natural resources. He said the tragedy of Haiti is small compared to what could happen to humanity if the climate changes are not restrained in the coming years.  “If there is an increase of 2 degrees of warming as the IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) pointed to this century, at least fortytwo plant species from the Amazon forest will disappear. Furthermore, the rivers will rise because of melting ice, and coastal communities will be doomed. “  Without distinction of class The director used a scene from Titanic to explain the urgency in the actions required to save the environment. “From the moment the iceberg was sighted, and the alarm bell was sounded three times, the moment of impact was 90 seconds.  Are we not living this time of 90 seconds symbolically?  Remember that, when the Titanic sank, the victims were from the first to fourth class. In the case of the planet, the tragedies will affect everyone equally. “  For Cameron, Brazil has to be paid to keep the Amazon rain forest intact. “Brazil does not have to pay itself if other countries are polluting and benefiting from the forest here,” he said.  Asked if the American people had understood the message of Avatar - since the U.S. has not signed the Kyoto Protocol and are reluctant to join a global agreement to reduce emission of greenhouse gases - Cameron replied that there are many  people who still question the warnings given by scientists on the consequences of climate change. But the fact that there is much debate on the subject, suggests it could be a good sign. A new way of doing business  Neo Mondo - Abril 2010

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Internacional Forum Special systems do not change, it is the individuals that transform the systems on small or large scales, “he emphasized. Warriors of the planet  Cameron’s warning came with a call to each person present at the Forum to start acting. “Avatar has defenders, heroes who lead the battle. Now the heroes must come from amongst you - businesses, governments, courageous men and women to break with the past and reinvent the future,” he said. For the speaker, “the Governor Braga has been a warrior for the planet, able to maintain 98% of the forest and preserve the work to maintain native communities and find a balance between these and economic reality.” In the view of the moviemaker, the problem we face comes from the convergence of three things: climate change, imminent end of cheap energy and the depletion of natural resources like water and soil. Driven paradigm that global economic growth and the race to explore  resources is the order of society is governed by the population. We cannot solve this problem without solving earlier issues, and only a change of conscious will allow us to change the way we think” he advised.  Cameron believes “it is important to agree land preservation, but also the indigenous cultures; otherwise there will be no sustainable future for our children at any level.” He asked that as individuals, “We could make a huge difference. This is the message that I must give as a

moviemaker: a person who has immense power,” he reiterated. Being able to share an example of his lifestyle that also includes a system of photovoltaic panels at his home. “On our farm we have wind and we will be able to sell energy back to the grid. We have hybrid car, we do organic gardening, produce yogurt and do not use plastic bottles. We religiously recycle everything,” he detailed.  The moviemaker believes that the basic package of actions must be part of day-to-day life of people so that they can live in a world totally different from what we have today, and urged companies to do the same in their workplaces.  Nouveau riche glitter Returning to the film that is his most recent success, the speaker said: “I made Avatar because I believe that civilization is on the wrong path. We must reconnect with nature, with each other and with old and real values. We must go through a great  change of conscious about what is wealth. This is not just the big house, car of the year and all the glitter of consumer society.”  For him, beauty is so much better the healthier the world is. “Attitudes as simple as walking on the beach at sunset to watch dolphins would refer to ancient knowledge that we are forgetting and that is limited to a few. Such actions do not damage the natural world and they preserve our children, who otherwise will be the  first victims. Our true wealth is Divulgação

If it is condescending to the people of the United States, Cameron does not spare its rulers, especially the predecessor of Barack Obama. “There is a fundamental difference between the administrations Obama and George W. Bush. Bush wasted years that were critical to protecting the environment. It was actually worse than that as data from official reports on climate issues were handled poorly. Personally, I think it has made the administration more irresponsible. President Obama made some promises about the issue when he was campaigning - I think he needs to concentrate more (on climate issues). We cannot leave out any key issues for all who live on this planet. Traditionally, over the years, the U.S. has been the leader economically and philosophically, but this did not happen at any time under the Bush administration, and has not happened enough in the Obama administration, “he said.  For the businessmen Cameron proposes a new way to do business.  For him,” in a long-term vision, what is better for the planet is the best for the markets and the economy. This cannot be evaluated based on quarterly results. You will need to think differently and this is probably the biggest challenge of the whole issue. We need to be inspired with business models that work and change the way we create and add value in the world. We must change the way we do business, and that requires the collective will of business leaders throughout  the planet. The

Neytiri follows Jake throughout a long learning process until making him a na’vi, attuned with all living creatures of nature and of the village

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the blue jewel, which is the planet Earth. We’re in this together.” he said. As an artist, Cameron is aware of shouting the message that the world needs to hear based on the success of the film work that he created “People are beginning to awaken to the problem. And if our ancestors cannot be blamed for what happened, now we know the truth and know that unless we act, we will be punished. Future generations will hate us depending on the attitudes we take now. “Certainly that does mention again the importance of efforts that are made in the Amazon: “We are responsible for the future and we need warriors like Eduardo Braga around the world. Will we have to clone Eduardo?” Multiplying metaphor  The scope of the metaphor Avatar allows the film to achieve a multiplier effect with the potential to do well in the director’s vision. As an example, Cameron cited the creation by Rith Green, an educational program for children to abandon the idea of taking care of the planet.  “As a society we need to find fun ways to pass this message to children that they should embrace it from the beginning. Caring for the planet is not the requirement for more things in an enormous house, for instance. The material aspects of success are not more important than the perception of spiritual values of the wealth which matters. Our part is to ensure that they follow that direction. It is important to educate them with correct values close to the school curriculum. I would give my best to enjoy that moment because it will not last, “he said. Born in Canada, Cameron has lived for 38 years in the United States, a country he considers complex and large.  “We cannot generalize on what happens there. There are people who deny any validity to what is said about climate change, others understand the dangers and try to do something about it. I live in Los Angeles, where there are people a little more enlightened. My attempt to to reach people with Avatar is not to teach like the priest saying mass. The film has received many reviews from people who found the anti-corporate message, leftist ... Not what I feel. Creating a healthy planet for our children to survive is not a question of  left or right, it is for all of us, we need to breathe and drink water, “he said while answering a question about whether the U.S. people went to the movies and simply went home without further connection with the film.

I am an not environmentalist or a businessman; speak from the heart ... people need to review concepts such as wealth ... we need to change the way we create and add value to the world

Lobbyists, children, Oscar Referring then to the group of lobbyists who work actively and try to attack scientists and invalidate their scientific reports, Cameron said as if addressing them: “My children must live in the world you are creating. It takes a lot of debate  and discussion because we cannot just turn off the United States, but we have to improve it. We have to reprogram for the future, to be sustainable. Unfortunately, what predominates our discussions right now?”  For the moviemaker, there is another major challenge: “What the children leave for the planet, not what the planet leaves for the children. My wife is a teacher and started a school based on the ideas of educating children to be responsible citizens of the twenty-first century. Her students are extremely curious and love to come to a school, where part of the learning is personal responsibility. It has an organic garden, they learn where food comes from, what is healthy, as things return to nature ... They also learn  how to eat and be healthy because we are a nation of unhealthy people. They are some small changes in values that will make the world better, “assures to compare:” They start with a clean slate, but with the time mould a new lifestyle”. Cameron believes that it is difficult to design the full scope of Avatar when it comes to achieving sustainability because “we do not know how much good can be done with so little”, but launches a challenge: “As we are the guardians of the Avatar, we can do with what’s there; we can interact with groups who work with education and take legal action against companies that act irresponsibly.”  For his part, he promises, “I want to proceed cautiously, I was not an activist, I am no expert, like Bono (U2), who knows a lot in various areas. As an artist, for me to express ideas and feelings I have a company of documentaries  and over a period of eight years

between Titanic and Avatar did work about the ocean; organization of coral reefs. We did what we could to stop fishing with large nets and chemicals. At one point I thought, ‘is that all?’ and, if we do not solve the climate problem, all the reefs will die, 2 or 3 degrees is enough to kill the algae. If we don’t do something global, as global society, we will destroy the environment highly diverse: the rain forest underwater, small creatures that live in  coral reefs ... there are colours, textures and patterns transposed for larger creatures, orange flowers, it’s as if Christmas tree worms that live in water. The festival of the underwater world and much of the tropical forest will be permanently compromised -  everything will be destroyed before we do the right things. “Regarding the fact that Avatar has been ignored in the major awards of the Oscars, Cameron proved to be unruffled. But snapped when asked if his movie could have lost out to the war on terror, because it criticizes the conquering and devastating side of the United States, while other productions depict American heroes: “I would expect that the academy had thought about it, but not thorough it was a group from the communist left and they did not feel the anger that many felt. It is the politics of Hollywood – like to celebrate the movie, as in the story of David and Goliath. To adapt step into the callus of many people in the U.S., to the point Americans self-criticize and sometimes feel attacked. But it’s something that comes from within America - they are self-critical, reflect much in their own speech. An Oscar is not a factor. I think most important is to celebrate the movie. They saw Avatar as a movie that already had gained a lot of money and did not need an Oscar ... it would not have changed my life to win an Oscar. “ At the end of his presentation, Cameron was greeted by Jecinaldo Sateré, a Mawe native, who is Secretary of the State of Amazon for Indian Affairs. Neo Mondo - Abril 2010

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Internacional Forum Special It is necessary to connect thinking, but one can try to see what they want, and our resolution of conflict will be much more accurate. We need understanding, each of us to understand each other.” In Avatar the movie, it is clear that the planet Pandora - coveted by an “earthling aliens” for possessing unobitanium, ore of incalculable value for the human pretensions - the Na’vis form a tribe in harmony with nature very well resolved amongst them and with other villages of  Omaticayas. Jake Sully, a former rifleman, is chosen to replace his brother Tommy, who died at the Avatar program, whose chief researcher Dr. Will.  Augustine (played by Sigourney Weaver, identified with environmental causes since being in Mountain Gorillas, (in which she is also a researcher).  The scientist’s opposite is the colonel, commander of the forces that ensure the conquest of the territory Na’vi, no matter how many natives are killed and how many trees have to be cut down, beginning with the dwellings belonging to them.  Jake is cloned in an avatar (a humanoid created in the captured laboratory of the Na’vis) and the intriguing part of his mission. He acts as a kind of double agent, passing information of interest between both the Colonel and the Doctor.  Strong, fearless, but stupid  Cameron accentuates in the film what Jake has to learn, before taking the side of the chief researcher, to the point of being

able to take her to the village of Na’vis, with the permission of Mo’at (a female dragon, the spiritual leader of tribe).  Jake, guided by Neytiri - who accepts him as he “has a strong heart, without fear, but stupid” – learns in Pandora that there is much more than the precious ore.  The planet is endowed with an energy that flows through all living beings, and is loaned to the natives but must be returned at the right time.  The education of Jake begins by having to track and understand the flow of energy and spirit of the animals. More frightening even; like the winged Ikrans. You must connect to one of them, as well as one of the horses, to have more mobility in existing with all living creatures of nature and the population of the village.  In one of the lessons – Jake thanks Neytiri after being saved from an attack in the woods, after she had killed the animal abuser -. But in response he hears: “That’s sad, it’s time of sadness. Do not thank me for that.” Until the day he becomes a member of the tribe, of the Na’vi avatar. After having hunted his prey, he says: “I see you, brother, and I thank you. Your soul returns to Eywa and your body stays here with the people.” Eywa is the goddess of Na’vis, which spreads the seeds in the forest of the sacred tree. These are “very pure spirits” that accompany the natives everywhere. If the mission of Jake in Pandora is intriguing, much more of the film from Cameron is worth seeing, to review Avatar, even as awareness for sustainability. (ARCANJO) 

Divulgação

At various times in his speech, James Cameron reiterated the fundamental concepts of Avatar. One of them is the need for people to connect with each other and to nature. The phrase “I see you” serves this purpose because it goes beyond the literal translation “I see you.” In the movie it means, look at each other with integrity.  If the eyes are the window to the soul, we see people and nature in the essence of each one of its manifestations.  It has to do, for example, with the knowledge of various aspects of human beings, respect for diversity, being in communion with them. In the words of the moviemaker: “I had the idea of the expression ‘I see you’ to create a whole culture for these people. Anthropologists learn that natural gestures that are perhaps different in each culture. I see you is to see through the brain. Na’vi in culture, so greet, and when a daughter tells her father: ‘I respect you, I see you’ means something different than when he says: ‘mythical bird’. I see you see you is as it always was -greeting that is interpreted depending on the social context.  “I see inside you, I see your spirit and soul is what is lacking in our society. Political parties do not understand how others are inside. If we are hostile in the debate, suddenly it’s some fear they will lose something. If no can understand a position, you will never understand what happened in the debate.  “I’m not saying I’m a guru, who can look in everyone’s eyes and say what they are

Creator and creature: Cameron made Avatar to touch the hearts of those who still refuse to accept the environmental menace that hovers over...

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... the planet: “we must go through a great change; we must reconnect with nature, with each other, and with true values”


Special Issue on the International Forum

Practical results right on the first day

Walmart aggregates another good deed to its practices by committing to selling fish from the Amazon Gabriel Arcanjo Nogueira

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who live in the forest,” said the Governor. Both had participated in a discussion with sixteen other businessmen on “The Responsibility of Business in a Sustainable Economy.”  At the meeting, Nunez also guaranteed that he will study the possibility of buying $ 20 million worth of shares of the Sustainable Amazon Foundation, which represents and benefits the two thousand families of the “Bolsa” (Government Grant) Program that make up the region’s population.  One of the most widely discussed topics amongst the businessmen was the importance of private capital in building a sustainable economy. “Good sustainable Frederico Uehara

n the first day of discussions in Manaus, in response to a suggestion from the Governor of Amazon, Eduardo Braga, host of the International Forum on Sustainability, the Chairman of Walmart Brazil, Hector Nunez, undertook, to sell Amazonian fish in their stores across the country. This attitude is consistent with the actions they discussed to preserve the rainforest and sustainability initiative. According to Braga, the fish is the product that generates most of the employment for the population of the region. “This is a major response from the Forum for people

Nuñez of Walmart: Amazonian fish in their units and lights off for the concern of the planet

practices will be essential not only for business but for our survival,” said Braga. “Earth Hour”  The Walmart was one of the groups that joined the “Earth Hour”, which this year coincided with the second day of the Forum, from eight thirty to nine thirty pm.  All shops, part of the Walmart group in the country switched off the lights in their sales area in support of the symbolic act that was promoted worldwide by the WWF.  This initiative invites Governments, businesses and people to demonstrate their concern about global warming and climate change by repeating the gesture. The President of Walmart, Brazil said: “Our stores are an excellent means to get the message to reach the population. “There are more than two million people passing through each unit every day, not counting the employees and suppliers, which in our case is eighty thousand.” It is the second consecutive year that Walmart has reduced the lighting in their stores sales areas by 30% and extinguished all internal and external signs, displays and electronic showcases. 100% of all administrative units, distribution centers and offices also extinguished their lights during that hour.  Besides doing its part, the company also made use of radio and TV in the hypermarkets and the distribution of leaflets besides other communication channels in order to reach out to at least four million people with its message concerning the health of the planet.  Neo Mondo - Abril 2010

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Especial - Fórum Internacional

Povos da floresta, Frederico Uehara

fator de preservação

Braga, 30 anos de vida pública e a lição preservacionista: moradores como parceiros e programas sustentáveis

Amazonas reduz desmatamento, duplica o seu PIB e amplia as áreas de unidades de conservação Gabriel Arcanjo Nogueira

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nfitrião do Fórum Internacional de Sustentabilidade com o seu vice, Omar Aziz, o  governador Eduardo Braga deixou claro aos participantes que no Amazonas já se pratica a preservação a ponto de ser este o estado mais preservado do mundo. Ao falar 38

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no segundo dia do evento, ele garantiu que sem a adesão das populações tradicionais que habitam a floresta  é impossível pensar em um projeto de preservação. “Ao longo de 30 anos de vida pública, aprendi que se quisermos proteger o meio ambiente temos que ter os moradores  da floresta

como parceiros, agindo em suas áreas de habitação. O Amazonas tem mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados e é impossível fiscalizar toda esta área sem a participação de quem está lá dentro”, disse. Braga desenvolveu o tema  “Conservação e sustentabilidade na prática: a experiência do Amazonas”, em que fez um raio-x do estado, apresentando o programa Zona Franca Verde, que  promove o desenvolvimento sustentável a partir de sistemas de produção florestal, pesqueira e agropecuária ecologicamente sau-


dáveis, socialmente justos e economicamente viáveis. “Este programa vem de antes do início do governo, por entendermos ser necessário criar mecanismos de desenvolvimento aliando preservação e desenvolvimento. Sem isso, a floresta seria destruída para a sobrevivência da população”, argumentou. Ao detalhar o programa, que trabalha incentivos fiscais, microcrédito aos produtores, assistência técnica, logística, preço mínimo, garantia de compras e acesso aos mercados de consumo, o governador apontou:  “Os resultados da combinação de redução do desmatamento foram tão positivos para o Amazonas, que conseguimos, em  7 anos, reduzir o desmatamento em mais de 73% e aumentar o PIB de R$ 25 bilhões para R$ 49, 5 bilhões”. Braga falou, ainda, sobre a ampliação de 160% no total de unidades de conservação existentes  no estado: “Passamos de pouco mais de 7 milhões de quilômetros para 19 milhões de quilômetros de áreas de unidades de conservação no Amazonas. E criamos um marco regulatório, iniciativa voluntária do estado para contribuir com a estabilização da emissão dos gases de efeito estufa”. Ganhos sociais Entre outros exemplos da atuação oficial, o palestrante citou também a primeira Lei de Mudanças Climáticas do Brasil, criada pelo Amazonas, e do programa Bolsa Floresta, que compensa financeiramente famílias que habitam áreas de preservação ambiental. “Hoje atendemos mais de 6 mil famílias, o que dá mais de 28 mil pessoas em 14 unidades de conservação”, contabilizou.  Com o programa Zona Franca Verde, Braga destacou que a renda per capita no Amazonas passou de  R$ 8,1 mil para R$ 14, 6 mil em  7 anos. No interior do estado, o aumento foi de R$ 2,9 mil para R$ 5,7 mil; enquanto na capital a renda per capita passou de R$ 13, 2 mil para R$ 23,3 mil . “Os números revelam que estamos no caminho certo, que o Amazonas é um estado que está prosperando e nós estamos valorizando e usando ativamente o que temos de melhor, que é nossa floresta”, afirmou. Além das questões econômicas, o governador observou que o Zona Franca Verde melhorou os índices sociais

do estado: “Nestes 7 anos foram mais de 6, 9 mil títulos de terras entregues; também fortalecemos a cadeia produtiva, regionalizamos a merenda escolar e passamos a comprar carteiras escolares feitas com madeira certificada e produzidas por comunidades do interior. Com isso, geramos renda e melhoramos a vida no interior”. Braga mencionou, em sua fala, o Prosamim, o maior programa habitacional que Manaus já teve, retirando cerca de 6, 7 mil famílias de moradias de áreas de risco e recuperando urbanisticamente a área do centro de Manaus. E não deixou  de lembrar os  índices de saúde, em que houve a redução  da mortalidade infantil de 21, 54 % para cada mil nascidos vivos, em 2003, para 15, 82% em 2009, bem como as quedas nos casos de malária e dengue no estado. Projeto para o Brasil Há números significativos, segundo o  governador, também em  educação, com destaque  para  os índices de aprovação, que passaram de 72,5% em 2005 para 76,5% em 2007, além do  aumento no número de matriculados na zona rural da capital e interior: de 16. 247, em 2003, para 38 mil em 2010. “Estamos, ainda neste ano, iniciando o projeto de Escolas de Tempo Integral por acreditarmos que este é o futuro da educação, e o Brasil vai aderir a este programa que mantém os alunos na escola o dia inteiro, oferecendo aprendizado em áreas variadas, além da educação formal”. Finalizando a apresentação, Braga falou sobre os investimentos em ciência e tecnologia, que passaram de R$ 56 milhões para R$ 296 milhões no período de 2003 a 2009. “O caminho da preservação passa pela pesquisa, passa pela descoberta científica e pela educação que faz com que conheçamos nossa floresta e a queiramos de pé”, argumentou.  Às vésperas do Fórum Internacional de Sustentabilidade, a expectativa do governo do Amazonas, ao reunir empresários, cientistas, ambientalistas, artistas e

políticos em Manaus, era a de buscar um acordo que viabilize ações que permitam a preservação e o desenvolvimento econômico da região amazônica. Responsável pelos debates, de acordo com a Agência Brasil de Notícias,  o governador Eduardo Braga  via no Fórum  o local adequado para que todos apresentem seus pontos de vista e sugestões. Segundo ele, as divergências entre  ambientalistas e financistas  não ofuscariam as discussões. “Todos têm consciência de que só há um meio para a sustentabilidade da Amazônia: os recursos privados. Não tem outro. O apoio das instituições públicas é grande, mas insuficiente, então temos de encontrar uma forma de viabilizar este processo”, disse. Determinado a buscar alternativas para a sustentabilidade na Amazônia, Braga descartou de antemão o risco de decepção, como o resultante da COP 15, porque  o momento econômico e político atual é outro. “No ano passado, os países mais ricos viviam ainda a aura da crise financeira internacional. Agora, o momento é de recuperação econômica. Os Estados Unidos reagem à crise e animam os outros países”, afirmou Braga. “Na prática, o entusiasmo reduz quando há uma crise econômica; foi o que houve em Copenhague.” Vencendo a ressaca O superintendente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgílio Viana, no segundo dia de debates no Fórum, fez coro ao governador do Estado, ao se dirigir aos empresários. Para Virgílio, o clima de desânimo por causa das expectativas frustradas depois da Conferência do Clima em Copenhague não se justifica. “Houve uma percepção exagerada de fracasso. Houve avanços importantes. O fato de o Redd - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação ter entrado no texto final foi importantíssimo”, avalia, ao se referir ao acordo tirado em dezembro de 2009 na capital dinamarquesa.

Entre os ganhos sociais, 6,9 mil títulos de terras entregues, merenda regionalizada e carteira escolar de madeira certificada Neo Mondo - Abril 2010

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Especial - Fórum Internacional

Justamente por causa do Redd, Virgílio defendeu a aprovação de marcos regulatórios ambientais. O superintendente   da FAS sugere que, no Brasil, o ideal seria que a aprovação ocorresse até o meio do ano, “para superar a ressaca de Copenhague”. O governador referiu-se ainda à participação de Al Gore no Fórum, que considera fundamental,  por ser o ex-vicepresidente dos Estados Unidos e prêmio

Nobel da Paz um interlocutor de peso em favor da Amazônia. “O ex-vice-presidente é respeitado internamente e externamente no cenário político. Ele sabe e conhece a importância dos temas ambientais. Estou confiante de que vamos poder contar com o apoio do Al Gore.” Braga aproveitou a presença de tantas lideranças no Fórum para convidar os empresários a conhecer o projeto Museu

da Amazônia. A ideia, adiantou, é ter um museu vivo, com cenários para um roteiro de ecoturismo, com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas para a Amazônia (Inpa). Projeto que prevê a construção do maior aquário do mundo, graças ao potencial dos rios que serpenteiam a floresta amazônica com suas 3 mil espécies de peixes.   

Povos indígenas e autoridades se manifestam Amazonas e prefeito de Barreirinha, Mecias Pereira Batista; a gerente de Atenção às Mulheres Indígenas, Maria Miquelina; o representante da Crianças Indígenas, Tchiwá Sateré; e o líder espiritual (pajé) Raimundo Veloso Vaz. Os líderes pedem que o meio ambiente seja respeitado, assim como os saberes dos povos indígenas, e se revelam preocupados com o que lhes está reservado para o futuro, assim como estará a humanidade. Eles se dizem preocupados com os impactos causados ao meio ambiente, em particular as mudanças climáticas, “que trarão consequências à vida dos seres que vivem em nosso Planeta ”, daí que requerem aos países desenvolvidos e  à Organização das Nações Unidas “que priorizem, urgentemente, ações que visem a mitigação e adaptação às Frederico Uehara

Paralelamente ao Fórum, informa a Assessoria de Comunicação do governo do Amazonas, representantes dos povos indígenas entregaram ao ex-vicepresidente dos Estados Unidos e prêmio Nobel da Paz, Al Gore, uma carta em que exigem que sejam adotadas políticas governamentais e não governamentais, que lhes garanta melhoria na qualidade de vida. “Queremos que seja incorporada a cosmovisão local, levando as necessidades específicas e diferenciadas em atendimento às áreas da saúde, educação, meio ambiente e bem-estar social”, é o que diz um dos trechos do documento. A carta foi assinada pelo secretário estadual para os Povos Indígenas, Jecinaldo Sateré-Mawé; o titular da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcos Apurinã; o líder indígena do Baixo

Braga reconhece em Al Gore um interlocutor de peso e confia no apoio do líder mundial

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mudanças ambientais, considerando o saber empírico desses povos, por meio do reconhecimento e da valorização dos sistemas socioculturais. Como estratégia de mitigação existente na Amazônia, os indígenas acreditam que demarcações de suas terras são exemplos comprovados da diminuição do desmatamento e armazenamento de carbono florestal. Assim, os líderes solicitam o reconhecimento e a aplicação dos seus direitos territoriais e que estes sejam vistos como uma importante estratégia no enfretamento às mudanças climáticas. Ano da biodiversidade Já no encerramento do Fórum,  o governador do Amazonas, Eduardo Braga, a secretária  de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Nádia Ferreira, e o presidente da Conservação Internacional Brasil, Roberto Cavalcanti, assinaram uma cartacompromisso do Amazonas para o ano da biodiversidade, 2010. No documento, eles se comprometem a garantir a consolidação do programa Zona Franca Verde como modelo de desenvolvimento sustentável para o estado do Amazonas a longo prazo; buscar a redução contínua de impactos negativos sobre a biodiversidade de empreendimentos públicos por meio de adequação de processos de produção, e no âmbito da iniciativa privada realizar o inventário de emissões de gases de efeito estufa e de resíduos do Parque Industrial do Estado do Amazonas que possam subsidiar ações voltadas para o estabelecimento de uma economia mais limpa.


Além disso, finalizar a implementação de 12% do território do estado protegido por unidades de conservação estaduais, bem como coordenar ações para buscar apoio do governo federal e do setor privado para a consolidação de ações que garantam a gestão efetiva de 52% do território do estado em Áreas Protegidas; atualizar o mapa de áreas prioritárias para conservação no estado do Amazonas, para identificação de metas atingidas e lacunas existentes de ecossistemas ainda não representados no Sistema Estadual de Unidades de

Conservação e de relevante interesse; elaborar e divulgar a lista de espécies ameaçadas de extinção do estado do Amazonas para subsidiar a formulação de políticas e programas de conservação de espécies ameaçadas de extinção. Eles assumem, ainda, o compromisso de manter os investimentos de 1% ao ano da Receita Líquida do Estado em pesquisa científica e ações de monitoramento e conservação de biodiversidade no estado do Amazonas, conforme art. 217, parágrafo 2º, § 3º da Constituição do Estado do Amazonas, e fazer gestão junto aos

demais estados amazônicos para que lancem metas de conservação da biodiversidade, visando posicionamento na COP 10, a 10ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade, em Nagoya, Japão. No documento, Braga, Nádia e Cavalcanti afirmam estar certos de que os governos estaduais brasileiros, em particular os amazônicos, podem dar uma contribuição decisiva para que o país lidere este esforço global, aproveite novas oportunidades de negócios e aumente sua competitividade.

Fundo da Amazônia negocia com 12 países

Lance inicial O Fundo da Amazônia contava, naquela data, apenas com a Noruega como doador. O país prometeu destinar a este fundo U$ 1 bilhão até 2015 - dos quais cerca de U$ 400 milhões já foram doados. Os cinco projetos já aprovados estão orçados em aproximadamente R$ 75 milhões. Minc informou que se reuniu no dia 25 de março com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para buscar formas de acelerar o nível de execução dos projetos do

fundo. “Tomamos uma série de medidas. O BNDES vai reforçar a atuação na região, colocar mais gente na equipe. Mas manteremos o rigor e a qualidade, pois não podemos afrouxar, porque senão pode entrar ecopicaretagem no meio e ninguém mais vai querer investir no fundo”. O Fundo da Amazônia  foi criado para promover projetos de prevenção e combate ao desmatamento e para a conservação e o uso sustentável das florestas no bioma amazônico. Segundo o ministro, o Brasil trabalha para que o fundo deixe de ser necessário num futuro próximo, quando a Amazônia parar de ser desmatada, “e tiver sido criada uma cultura de preservação na região”.

Mais 2 no forno Minc lembrou que outros dois fundos devem ser lançados em breve: o Fundo Cerrado e o Fundo Clima. Este último foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2009 e está em fase de regulamentação, com recursos anuais estimados em cerca de R$ 1 bilhão, originados de 10% do lucro do petróleo. “O Nordeste vai ser o maior beneficiado desse fundo, já que será a região mais afetada pelas mudanças climáticas. Temos que nos antecipar antes que metade da população tenha que sair de lá”. O Fundo Cerrado deve sair em junho próximo, segundo o ministro. Agência Brasil

No mesmo dia em que começava em Manaus o Fórum, no Rio de Janeiro o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) havia iniciado conversas com 12 países para futuras doações ao Fundo da Amazônia, criado em agosto de 2008. O BNDES é gestor do fundo, que conta atualmente com uma carteira de cerca de 50 projetos, dos quais cinco já foram aprovados e oito estão em fase de análise final, segundo a ABr. Integrantes da equipe da área de meio ambiente do BNDES acompanharam o ministro, durante o lançamento do livro Amazônia em Debate: Oportunidades, Desafios e Soluções. Os nomes dos países não foram divulgados na ocasião. “A ideia é não constrangê-los. Os países é que deverão anunciar a doação”, disse Minc, ao adiantar que uma das negociações já está bem avançada.

Minc: medidas com o BNDES para evitar ecopicaretagem e viabilizar recursos

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Internacional Forum Special

Frederico Uehara

The People of the Forest, A factor of preservation

Braga, 30 years of public life and a lesson in preservation: the people as partners and sustainable programs

The State of Amazonas reduces deforestation, doubles its GDP and increases the total area of conservation units Gabriel Arcanjo Nogueira

S

tate Governor Eduardo Braga, host of the International Forum on Sustainability, with his Deputy Governor, Omar Aziz, made it clear to participants that preservation practices in place in the State of Amazonas have turned the State in one of the most protected regions

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in the world. During his speech on the second day of the event, he assured the participants that without the participation of the people who inhabit the forest it would be impossible to think of a preservation project. “During my 30 years of public life, I learned that if we are to pro-

tect the environment we need to have the forest dwellers as partners, when acting in their habitat areas. The Amazon has more than 1.5 million square kilometres and it’s just impossible to supervise a territory of this size without the participation of the people that live there”, he said. Braga developed the theme “Conservation and Sustainability in Practice: the experience of the State of Amazonas” by carrying out an “X-ray” of the State, and by introducing the Free Green Zone Program, which promotes sustainable development


in forestry, fishing and farming production systems that are ecologically sound, socially just and economically viable. “This program goes beyond our government because we feel that it is necessary to establish development mechanisms by combining preservation and development. Without this integration, the forest would be destroyed by the populations that survive from it”, he argued. While describing the program, which incorporates tax incentives, micro-credit to farmers, technical assistance, logistics, minimum price, guaranteed purchases and access to consumer markets, the Governor noted: “The results from the combination of reducing deforestation were so positive for the State of Amazonas that we were able, within 7 years, to reduce deforestation by over 73% and increase GDP from R$ 25 billion to R$ 49.5 billion”. Braga also spoke about a 160% increase in the total of environmentally protected areas in the State: “We went from just over 7 million squared kilometres to 19 million squared kilometres of protected areas in the State of Amazonas. And we created a regulatory framework - a voluntary initiative of the State - to contribute to stabilizing the emission of greenhouse gases”. Social Gains. Among other examples of governmental action, the speaker also cited Brazil’s first Climate Change Law, created by the State of Amazonas, and the “Bolsa Floresta” (Forest Subsidy Program), which financially compensates families living in environmentally preserved areas. “Today we assist more than 6 thousand families, totalling more than 28 thousand people in 14 conservation area units”, he counted. With the Free Green Zone Program, Braga noted that the per capita income in the State of Amazonas rose from R$ 8.1 thousand to R$ 14.6 thousand in the last 7 years. In the State’s hinterlands, the increase went from R$ 2.9 thousand to R$ 5.7 thousand, while in the State’s Capital the income per capita increased from R$ 13.2 thousand to R$ 23.3 thousand. “The numbers show that we are on track, and that the State of Amazonas is a State that is prospering and we are actively using and appreciating what we cherish most, which is our forest,” he said. Besides the economic concerns, the Governor noted that the Free Green Zone im-

proved social status indices: “In these last 7 years we handed out more than 6.9 thousand land titles, strengthened the supply chain, regionalized the school food supply program and we started to buy school desks made of certified wood from producers located in communities in the State’s hinterlands. “By doing so, we generated income and improved the lives of people living in the hinterlands”. Braga mentioned in his speech, PROSAMIM, the largest housing program delivered in Manaus, which removed about 6.7 thousand families that were living in high-risk areas and revitalized the Manaus downtown area. He also outlined the performance of the health indices which demonstrate a reduction in infant mortality from 21.54% per thousand live births in 2003 to 15.82% in 2009. Finally there was an overall decrease in malaria and dengue cases in the State. A Project for Brazil According to the Governor, education indices are also noteworthy, especially with regard to the approval ratings, which increased from 72.5% in 2005 to 76.5% in 2007, and total registered school enrolment in the rural regions adjacent to the Capital City and in the hinterlands: 16,247 in 2003 to 38 thousand in 2010. “This year, we started the full-time school project because we believe that this is the future of education. We believe that Brazil will follow us in our footsteps and will adhere to this program that keeps students in school all day, offering various learning experiences as well as formal education”. In his concluding remarks, Braga talked about investments in science and technology, which skyrocketed from R$ 56 million to R$ 296 million during the 2003 to 2009 period. “The road to preservation is paved by research, scientific discovery and education, so that we may understand better our forests and thus, keep them intact”, he argued. On the eve of the International Forum for Sustainability, the expectation of the government of Amazonas state, by bring-

ing together businessmen, scientists, environmentalists, artists and politicians in Manaus, was to seek an agreement to make possible actions that will allow the preservation and economic development of the Amazon region. Responsible for the debates, according to Brazil News Agency, Governor Eduardo Braga Forum sees the perfect place for everyone to present their views and suggestions. He said the differences between environmentalists and financiers do not overshadow the talks. “Everyone is aware that there is only one means for sustainability of the Amazon: private resources. There is no other. The support of public institutions is great, but insufficient, therefore, we must find a way to facilitate the process, “he said. Determined to find alternatives for sustainability in the Amazon, Braga dismissed in advance the risk of disappointment, as the result of COP 15, because of other current political and economic issues. “Last year the richest countries are still living the aura of the international financial crisis. Now is the time of economic recovery. The United States reacted to the crisis and enticed other countries, “said Braga. In practice, enthusiasm decreases when there is an economic crisis, this is what happened in Copenhagen.” Beating the hangover General Superintendent of the Amazon Sustainable Foundation (SDF), Virgílio Viana, echoed on the second day of discussions at the forum, the governor of the State addressed the businessmen. For Virgil, the mood of despondency because of unmet expectations after the Climate Conference in Copenhagen is not justified. “There was an exaggerated perception of failure. There were important advances. The fact that the REDD - Reducing Emissions from Deforestation and Degradation has entered the final text was important,” he says, referring to the agreement reached in December 2009 in the Danish capital.

Among the social gains, 6.9 thousand land titles were handed out, school food supply was regionalized and school desks were bought from certified wood products Neo Mondo - Abril 2010

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Internacional Forum Special

Precisely because of REDD, Virgil advocated the adoption of environmental regulatory frameworks. The General Superintendent of FAS suggests that in Brazil, the ideal would be that the adoption occurred in the middle of the year “to overcome the hangover from Copenhagen.” The governor also mentioned the participation of Al Gore at the Forum, which he considers essential, because he is the

former vice president of the United States and Nobel Peace Prize winner an interlocutor with weight in favor of the Amazon. “The former vice president is respected internally and externally on the political scene. He knows the importance of environmental issues. I am confident that we can count on the support of Al Gore.” Braga took the presence of so many leaders in the Forum to invite businessmen

to visit the museum project in the Amazon. The idea, he said, is to have a living museum, with screenplay scenarios for ecotourism, with the support of the National Institute for Amazon Research (INPA). A project that envisages the construction of the largest aquarium in the world, thanks to the potential of the rivers that meander the Amazon rainforest with its three thousand different species of fish.

Indigenous Nations and Authorities Manifest Amazon Region (Coiab); Mecias Batista Pereira, indigenous leader of the Lower Amazon Region and Mayor of Barreirinha; Maria Miquelina, manager of the Attention to Indigenous Women Office; Tchiwá Sateré, the representative of Indigenous Children, and; Raimundo Veloso Vaz, spiritual leader (shaman). The leaders demand that the environment and the knowledge of indigenous peoples be respected. They are worried about what the future holds for their nations and for humanity as a whole. They say they are concerned about the impacts to the environment, particularly climate change, “which will bring consequences to the lives of people living on our planet”, hence requiring developed countries and the United Nations “to urgently prioriFrederico Uehara

The Communications Department of the State of Amazonas informed that parallel to the Forum, indigenous peoples’ representatives gave the former vice president of the United States and Nobel Peace Prize winner, Al Gore, a letter demanding that government and non-government policies be adopted guaranteeing them a better quality of life. “We want to incorporate the local worldview, taking into consideration the specific needs and differentiated treatment for health, education, environment and social welfare services”, quotes one of the document’s paragraphs. The letter was signed by Jecinaldo Sateré-Mawé, State Secretary for Indigenous Peoples; Mark Apurinã, key representative of the Coordination of Indigenous Organizations of the Brazilian

Braga acknowledges Al Gore as a key spokesperson and trusts that the world leader will give his support

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tize actions aimed at mitigating and adapting to environmental changes, considering the empirical knowledge of these people, through the recognition and appreciation of their sociocultural systems. The indigenous people believe that demarcation of their lands are a proven example of an existing mitigation strategy in the Amazon Region that is able to reduce deforestation and increase forest carbon storage. The leaders sought recognition and enforcement of their territorial rights as an important strategy in coping with climate change. Year of Biodiversity. At the end of the Forum, Eduardo Braga, Governor of the State of Amazonas, Nadia Foster, State Secretary for the Environment and Sustainable Development, and Roberto Cavalcanti, the president of Conservation International Brazil, signed a letter of commitment of the State of Amazonas to the year of biodiversity in 2010. In the document, they commit themselves to ensure the consolidation of the Free Green Zone Program as a model for long term sustainable development in the State of Amazonas, to seek continuous reduction of negative impacts on the biodiversity of public enterprises through appropriate production processes, and within the private sector, to carry out an assessment of greenhouse gases emissions and waste within the Industrial Park in the State of Amazonas, to support future actions for the establishment of a cleaner economy.


In addition, the letter also states other goals such as: 1) the conversion of 12% of the State’s territory into protected conservation units and, through a coordination action, seeking support from the federal government and the private sector to ensure the effective management of 52% of the State’s territory into Protected Areas; 2) update the map of priority conservation areas in the State of Amazonas; 3) to identify the achieved goals and gaps of ecosystems that are not yet represented in the State System

of Conservation Units and of relevant interest; 4) prepare and publish a list of endangered species in the State of Amazonas to support the formulation of policies and programs for the conservation of endangered species. Furthermore, they pledge to maintain a yearly investment of 1% of the State’s Net Revenue to scientific research, monitoring activities and biodiversity conservation in the State of Amazonas, as stated in Art. 217, paragraph 2, § 3 of the Constitution of the State of Amazonas. In addition they

are committed to share management with other Amazonian states to launch the targets of biodiversity conservation, set by COP 10, the 10th Conference of the Parties to the UN Convention on Biodiversity in Nagoya, Japan. In the document, Braga, Cavalcanti and Nadia assure their belief that Brazilian State Governments, particularly from the Amazon Region, can give a decisive contribution to the country’s leadership in this global effort, to seize new business opportunities and to increase their competitiveness.

The Amazon Fund is negotiating with 12 countries

Starting BID The Amazon Fund had, at that time, only Norway as a donor. The country has pledged to earmark $ 1 billion for the fund by 2015 - of which about $ 400 million has already been donated. The five projects already approved are budgeted at approximately $ 75 million. Minc said he met on 25th March with the president of BNDES, Luciano Coutinho, to seek ways to accelerate the rate of implementation of the fund to the projects. “We made a se-

ries of measures. BNDES will enhance performance in the region, putting more people on the team. But we will maintain the accuracy and quality, we cannot lose resolve, because otherwise you can get eco-corrupt in the middle and nobody will want to invest in the fund.” The Amazon Fund was created to promote projects prevention and combating deforestation and the conservation and sustainable use of forests in the Amazon biome. According to the minister, Brazil work for the Fund is no longer needed in the near future, when the clearing of the Amazon is stopped, “and there is a culture of conservation created in the region.”

Two more on the boil. Minc recalled that two other funds should be released soon: the second largest biome Fund and the Climate Fund. The latter was sanctioned by President Luiz Inácio Lula da Silva in December 2009 and is being regulated, with annual resources estimated to be about $1 billion, generated from 10% of profit from oil. “The Northeast will be the biggest beneficiary of this fund, since it will be the region most affected by climate change. We need to anticipate before half the population have to get out of there. “The Climate Fund must be available next June, according to the minister. Agência Brasil

On the same day that the Forum began in Manaus, in Rio de Janeiro, the environment minister, Carlos Minc, announced that the ‘Banco Nacional de Desenvolvimento’ Economico e Social (BNDES) had begun talks with 12 countries for future donations to the Amazon Fund established in August 2008. BNDES is the fund manager, which currently has a portfolio of 50 projects, of which five have already been approved and eight are undergoing final analysis, according to ‘ABr’. Team members representing BNDES accompanied the Minister during the launch of the book on Amazon Debate: Opportunities, Challenges and Solutions. Names of the countries were not disclosed at the time. “The idea is not to embarrass them. The countries are expected to announce the donation, “said Minc, moving forward the negotiations are already well advanced.

Minc: initiatives with BNDES to avoid eco-falsification and to make the resources accessible

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Amazônia Sustentável:

O compromisso de manter a

“C

onhecer é fundamental para preservar.” Essa idéia foi muito bem destacada no Fórum Internacional de Sustentabilidade que aconteceu na cidade de Manaus no final de março de 2010. É a partir da compreensão da importância da floresta amazônica para o equilíbrio dos ecossistemas e do reconhecimento do grande valor que existe na conservação da floresta em pé que se pode engajar a sociedade na luta contra o desmatamento que acontece na região norte do Brasil. O Fórum de Manaus reuniu líderes empresariais, políticos e ambientais em torno de um tema extremamente importante: a sustentabilidade econômica, ambiental e social da Amazônia. Como foi ressaltado diversas vezes durante o Fórum, o Estado do Amazonas é um modelo em preservação florestal, possuindo mais de 90% da 46

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sua cobertura original de floresta, uma realidade que é bem diferente do que acontece nos demais estados da região. Pode-se ter certeza que a existência do polo industrial do Estado do Amazonas tem contribuído e tem sido um dos responsáveis pela manutenção dessa impressionante cobertura florestal, pois viabiliza outras formas de desenvolvimento econômico para a população. Já existe o programa Zona Franca Verde, o qual visa promover o desenvolvimento sustentável do Estado do Amazonas a partir da filosofia que a floresta vale mais em pé do que derrubada. A produção florestal, pesqueira, agropecuária e a atividade turística baseiam-se na tríade da sustentabilidade: uma relação harmoniosa entre o meio ambiente, a exploração econômica e o bem-estar social. Durante o Fórum, foi apresentada a proposta de criação do “Selo Amazônia

Sustentável” para diferenciar, no mercado nacional e internacional, os produtos feitos na Zona Franca de Manaus e, assim, incentivar o crescimento do polo industrial, gerando mais empregos e alternativas de renda para a população da região. Somando-se os incentivos fiscais e a prioridade governamental em fomentar a produção industrial na Zona Franca de Manaus com a falta de estradas para o escoamento de produtos florestais e a política de agregar valor aos produtos naturais que compõem a principal riqueza do Estado do Amazonas, existe uma clara consciência, conforme destacado pelo governador Eduardo Braga, de que as 66 etnias de povos indígenas e as populações locais são os verdadeiros “guardiões da floresta”. Com esta política, o amazonense é incentivado a buscar outras fontes de renda em vez de explorar de forma indiscrimi-


Natascha Trennepohl

Correspondente especial de Berlim – Alemanha

floresta em pé nada os recursos naturais, prática que deixa um rastro de miséria ambiental e social após sua passagem. É fácil perceber que o caminho mais eficaz para manter a floresta em pé é não sobrecarregar a exploração da madeira nem tratá-la como única fonte de renda. Dentre as lideranças nacionais e internacionais que estiveram no Fórum em Manaus, o prêmio Nobel da Paz, Al Gore, também ressaltou a importância da preservação da Amazônia e a necessidade de se proteger a rica biodiversidade que existe na floresta. O ex-vice-presidente norte-americano afirmou enfaticamente que: “vender uma floresta pelo valor da madeira é o mesmo que vender um computador pelo preço do silício. O valor real da Amazônia está em toda a informação que ela contém. A cura de diversas doenças está na floresta”.

Também foi muito enfatizada a responsabilidade das presentes gerações em relação às gerações futuras. Este compromisso, aliás, é um princípio basilar do Direito Ambiental e está presente no próprio artigo 225 da Constituição Federal de 1988. A nossa Constituição é categórica ao afirmar que o Poder Público e a coletividade têm o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e as futuras gerações. Foi essa linha de pensamento que levou o cineasta James Cameron, também presente no evento, a indagar da platéia: “que tipo de ancestrais nós queremos ser?”. Sem sombra de dúvidas, a organização de um Fórum para reunir lideranças empresariais para discutir a sustentabilidade da região amazônica foi muito pertinente e oportuna. Diversas perguntas que surgiram durante o Fórum diziam

respeito às medidas e incentivos que precisam ser adotados para direcionar o mundo para uma economia de baixo carbono ou, ainda, como as empresas podem participar do mercado de carbono e, até mesmo, qual a responsabilidade das empresas na criação de uma economia sustentável na Amazônia. Fica claro que o primeiro passo é deixar de lado as soluções imediatistas. Um excelente exemplo de que é preciso investir em soluções de longo termo, e não apenas momentâneas, são as questões que envolvem os problemas causados pelas mudanças climáticas. Se estamos realmente preocupados com a qualidade de vida das futuras gerações, precisamos fazer grandes investimentos agora. É verdade que muitas empresas ainda não incluíram o tópico mudanças climáticas em seus programas de sustentabilidade. Muitos empresários não sabem como lidar com os riscos e até mesmo com as oportunidades relacionadas com esse tema tão complexo. Na verdade, o mais grave é que muitas empresas ainda não possuem programas e estratégias voltadas para a promoção da sustentabilidade. Esta realidade nos leva de volta à frase inicial: é necessário conhecer para preservar. É a partir do conhecimento dos riscos e das oportunidades que as empresas vão investir e participar com liderança na busca pela sustentabilidade, não apenas no Estado do Amazonas, mas em todo o País. Natascha Trennepohl Advogada e consultora ambiental Mestre em Direito Ambiental (UFSC) Doutoranda na Humboldt Universität (HU) em Berlim. E-mail: natdt@hotmail.com Neo Mondo - Abril 2010

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A Sustainable Amazon:

The commitment to maintain

“K

nowing is vital to preserving.” This idea was very prominent in the International Forum for Sustainability that took place in the city of Manaus in late March of 2010. It is by understanding the importance of the Amazon’s role in balancing the ecosystems and by recognizing the great value that exists in forest conservation that we can engage society in the fight against deforestation that is currently ongoing in the northern region of Brazil. The Manaus Forum brought together business, political and environmental leaders to discuss an extremely important subject: economic sustainability and environmental and social development in the Amazon Region. As was pointed out several times during the Forum, the State of Amazonas is a model in forest preservation, with over 90% of

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Neo Mondo - Abril 2010

its territory covered by original rainforest - a reality that is quite different from that which is faced by other States of the region. Certainly, the existence of the Industrial Cluster in the State of Amazonas has contributed and has been one of the key factors in maintaining this impressive forest coverage, as it provides alternative forms of economic development for the population. The Free Green Zone Program, which aims to promote sustainable development in the State of Amazonas is already in place. The Program’s philosophy is based on the premise that the forest is worth more standing than cut. Timber production, fisheries, agriculture and tourism are based on the sustainability triad: a harmonious relationship between environment, economic exploration and social welfare.

During the Forum, the “Sustainable Amazon Seal” was presented as a proposal to differentiate in the domestic and international markets, products made in the Manaus Free Trade Zone, and by doing so, stimulate industrial growth, creating more jobs and alternative income for the population of the region. This incentive, together with other tax subsidies and an overall government priority to foment industrial production in the Manaus Free Trade Zone, as well as the reduction of roads provisions to transport the wood from the forests and a clear policy on value-added natural goods outline the overall strategy to wealth generation in the State of Amazonas. As outlined by Eduardo Braga, the State Governor, there is a clear conscience that the 66 ethnic groups of indigenous nations and local communities are the true “stewards of the forest”.


Natascha Trennepohl

Special correspondent from Berlin, Germany

the forest standing With this policy, the Amazon population is encouraged to seek other sources of income rather than to exploit indiscriminately the existing natural resources - a practice that leaves behind a trail of misery and social and environment degradation. It is evident that the most effective way to keep the forest protected is not to overload timber exploitation, nor treat it as the only source of income. Among the national and international leaders who attended the Forum in Manaus, the Nobel Peace Prize, Al Gore, also highlighted the importance of preserving the Amazon and the need to protect the rich biodiversity that exists in the forest. The former U.S. Vice President stated emphatically that “selling a forest for timber value is the same as selling a computer for the price of silicon. The real value of the Amazon is all the information it contains. The cure for

several diseases lies in the forest. “ The responsibility of present generations over future generations was also strongly emphasized. In fact, this commitment is a fundamental principle of environmental law and is present in Article 225 of the Constitution of 1988. Our Constitution is categorical in stating that the Government and the community have a duty to defend and preserve the environment for present and future generations. It was this line of thought that prompted the filmmaker James Cameron, also present at the event, to ask the audience: “What kind of ancestors we want to be?”. Without a doubt, the organization of a Forum to bring together business leaders to discuss the sustainability of the Amazon region was very relevant and timely decision. Several questions that arose during the Forum concerned the

measures and incentives that need to be adopted to guide the world towards a low carbon economy, or even how companies can participate in the carbon market and, even more so, to question corporate responsibility in creating a sustainable economy in the Amazon. Clearly the first step is to set aside the immediate solutions. An excellent example of the necessity to invest in long-term solutions, not just immediate ones, are issues involving the problems caused by climate change. If we are really concerned with the quality of life of future generations, we must make major investments now. It is true that many companies have not included climate change into their sustainability programs. Many entrepreneurs do not know how to deal with risks and even with the opportunities related to this highly complex issue. In fact, the most serious issue is that many companies do not have programs and strategies aimed at promoting sustainability. This reality brings us back to the original phrase: you need to know to preserve. It is by knowing the risks and opportunities that companies will invest and participate with leadership in the quest for sustainability, and not only in the State of Amazonas but throughout the country as well.

Natascha Trennepohl Lawyer and Environmental Consultant Master in Environmental Law (UFSC) PhD student at Humboldt Universität (HU) in Berlin. E-mail: natdt@hotmail.com Neo Mondo - Abril 2010

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Especial - Fórum Internacional

Sem retroceder nas Senador defende combinar uma agricultura moderna com medidas que fortaleçam a sustentabilidade, para evitar tiro no pé Gabriel Arcanjo Nogueira

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Neo Mondo - Abril 2010

ta é essencialmente econômica. Temos muitas fragilidades. A floresta tem um valor estratégico, um custo de oportunidade imediato e não compete com a soja ou pecuária. Se não resolvermos esta equação, não adianta punir e fiscalizar. A história tem mostrado que não vamos manter a floresta”. Reforma verde Mercadante aproveitou para defender uma “reforma tributária verde”, com a desoneração de produtos ambientalmente saudáveis e a punição dos que tiverem maior impacto ambiental. “Também temos que oferecer mais crédito para quem investe em projetos sustentáveis, com taxas diferenciadas”, acrescentou. Além disso, o parlamentar petista defendeu a criação de um organismo internacional que trate do enfrentamento do aquecimento global. “Se criamos o Fundo Monetário Internacional após a Segunda Guerra Mundial, por que não uma agência global para o meio ambiente?”, questionou. No entanto, Mercadante se disse cético com relação ao financiamento de outros países. “Com os déficits acumulados pós-crise e o esforço fiscal que eles estão fazendo, não creio que estaria na pauta o financiamento de novas ideias. Mas a

criação de um fundo internacional, que reunisse 1% do valor das importações, poderia nos gerar algo em torno de US$ 100 bilhões por ano, com impacto zero no comércio internacional.” Frederico Uehara

P

resença constante nos debates dos dois dias do Fórum, o senador Aloizio Mercadante  afirmou que parte das lideranças ruralistas no Congresso acha que as barreiras ambientalistas querem inibir competitividade da agropecuária brasileira. “Talvez eles tenham razão. Mas a resposta não é retroceder nas questões ambientais, mas combinar uma agricultura moderna com medidas que fortaleçam a sustentabilidade. O retrocesso ambiental pode ser um tiro no pé”, disse. O senador paulista já havia destacado, no primeiro dia dos debates, a vitória da aprovação da Lei dos Resíduos Sólidos, na semana anterior à realização do evento em Manaus. Esta era uma reivindicação dos empresários ligados ao LIDE. Mas não deixou de falar sobre a polêmica envolvendo o desmatamento das florestas brasileiras a partir da expansão das áreas para plantio e pecuária. Segundo Mercadante, o Brasil é o segundo maior produtor e exportador mundial de alimentos. Todavia, deixou o seu alerta: “Ninguém tem o direito de colocar a referência da agricultura na frente da questão ambiental. Podemos pagar um preço histórico por isso”.  Numa de suas intervenções, já no segundo dia de debates, voltou ao assunto ao discorrer: “A disputa da flores-

Mercadante: “Ninguém tem o direito de colocar a referência da agricultura na frente da questão ambiental”


Internacional Forum Special

No retreat on Senator defends the combination of a modern agriculture with measures that strengthen sustainability, to avoid equivocations Gabriel Arcanjo Nogueira

the subject: “The dispute of the forest is essentially economic. We have many weaknesses. The forest has a strategic value, an immediate opportunity cost and it does not compete with soybeans or livestock. If we do not solve this equation, it is pointless to punish and supervise. History will show we did not maintain the forest.”  Green reform Mercadante took the advantage to defend a “green tax reform,” with exemptions for environmentally safe products and punishment of those that have greater impact on the environment. “We also have to offer more credit to those who invest in sustainable projects, with different rates,” he added.  Furthermore, the parliamentarian a member of the PT party advocated the creation of an international body that deals with tackling global warming. “If we created the International Monetary Fund after the Second World War, why not a global agency for the environment?” He asked.  However, Mercadante said he was sceptical about the financing by other countries.  “With the deficits accumulated after the crisis and the impact they are making, I do not think the countries would be able to fund new ideas. But cre-

ating an international fund that would include 1% of the value of imports, we could generate somewhere in the region of $ 100 billion per year with zero impact on international trade.” Frederico Uehara

S

enator Aloizio Mercadante who was constantly present during the two days of the debates at the forum said some of the leaders in Congress are ruralists and think that the environmentalists want barriers to hinder the competitiveness of Brazilian agriculture. “Maybe they are right.  But the answer is not to retreat on environmental issues, but to combine modern agriculture using measures that strengthen sustainability. He went on to say “to retreat from environmental issues could be a shot in the foot “. The Senator from São Paulo had already highlighted, during the first day of the debates, the victory of the approval of the Solid Waste Act in the week prior to the event in Manaus. This was claimed by the businessmen linked to the Group of Businessmen Leaders (LIDE). But he didn’t stop talking about the controversy involving the deforestation of the Brazilian forests starting with the expansion of the areas for farming and livestock. According to Mercadante, Brazil is the world’s second largest producer and exporter of food. However, he gave this warning: “Nobody is entitled to position agriculture ahead of the environment. We could pay a historical price for that.” In one of his speeches during the second day of discussions, he talked on

Mercadante: Nobody is entitled to position agriculture ahead of the environment

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Especial - Fórum Internacional

Lovejoy propõe esforço global para restaurar ecossistemas Perder a floresta tropical seria uma catástrofe para o mundo todo; não há como aceitar nem mesmo o desmatamento parcial

O

Elias Kitosato

cientista Thomas Lovejoy, um dos mais respeitados es pecialistas em biodiversidade e presidente do Centro Heinz de Ciências, Economia e Meio Ambiente, defendeu, na palestra de abertura do Fórum, um “esforço planetário” para restaurar os ecossistemas do mundo, em particular os da floresta amazônica. Ao discorrer sobre o tema “A importância da Amazônia no contexto das mudanças climáticas globais”, Lovejoy, que já foi vice-presidente do WWF nos Estados Unidos, alertou para a possibilidade de algumas regiões da floresta amazônica, dentro e fora do Brasil, desaparecerem em alguns anos por causa das intervenções humanas. Em  especial as do leste e sul da floresta, que atualmente são as mais afetadas, segundo o especialista. Neste aspecto, o cientista criticou projetos de desenvolvimento que acabam interferindo no equilíbrio do ecossistema, como a construção de rodovias e de hidrelétricas.

Para London, a solução tem de vir do Brasil, e os demais países devem apoiar

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Neo Mondo - Abril 2010

“Rodovias causam um impacto pesadíssimo e muito sério. Estradas induzem ao desmatamento. Elas precisam ser substituídas por trilhos ou por hidrovias. Isso porque a floresta é responsável pelo equilíbrio do clima”, explicou. O cientista citou como exemplo ações de desmatamento ocorridas em Rondônia, com a utilização de fogo, responsáveis por um longo período de seca na região. 1 km2 = 50% a menos de aves O palestrante não aceita sequer o chamado desmatamento parcial, ou seja, derrubada de fragmentos relativamente isolados da floresta. Segundo Lovejoy, mesmo assim, há impacto na biodiversidade. “Uma área de um quilômetro quadrado perde metade das espécies de pássaros, em 15 anos”, o que não aconteceria se estivessem ao abrigo da floresta. O escritor e consultor Mark London, ao participar dos debates, apoiou a ideia de ter a floresta amazônica como uma “reserva mundial”. “Trata-se de uma oportunidade para o mundo participar desse processo. Se perdermos a floresta tropical, isso será uma catástrofe para o mundo todo. Logo, por que não conseguiríamos apoio mundial para preservá-la?”, questionou. London elogiou, porém, ao discutir estratégias de conservação na Amazônia,  as iniciativas de preservação da floresta realizadas hoje, em conjunto com as comunidades locais, reconhecendo-as como  “puramente brasileiras”. “A solução tem que vir do Brasil. E a obrigação dos demais países é dar apoio como cidadãos do mundo”, acrescentou. Autor do livro A Última Floresta - A Amazônia na Era da Globalização, London  destacou, em sua exposição, que os projetos de preservação da Amazônia devem necessariamente incluir o povo que vive por lá. “Esta é a casa deles”, disse, arrancando aplausos do

Frederico Uehara

Gabriel Arcanjo Nogueira

Lovejoy: crença no setor privado como disseminador da sustentabilidade

público. Ele também reconheceu a dificuldade de se encontrar uma solução equilibrada para a questão da cultura de soja e da criação de gado e a preservação da floresta. Entre os projetos que consideram dignos de nota, os dois citaram Juma, Mamirauá e Redd - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. Na avaliação de Lovejoy, projetos como estes, com participações de grandes empresas realmente empenhadas com questões ligadas à sustentabilidade – e não apenas com a venda de créditos de carbono –, irão atrair outras. “A importância da sustentabilidade vai aumentar exponencialmente ano após ano. É inevitável. Isso vai aumentar o interesse das empresas”, afirmou o cientista. Para ele, a criatividade dessas empresas seria a saída para diminuir a necessidade de projetos desenvolvimentistas que prejudiquem o meio ambiente: “Empresas bem-sucedidas vão enxergar e buscar as oportunidades. Tenho a confiança de que o setor privado vai envolver-se mais intensamente”.


Internacional Forum Special

Lovejoy proposes global effort to recover ecosystems

Losing the tropical forest would be catastrophic for the whole world; even the partial deforestation can’t be accepted Gabriel Arcanjo Nogueira

Elias Kitosato

For London: the solution must come from within Brazil, and other countries need to provide the support

pact. Highways foster devastation. They need to be substituted by rails or hydrotransport because the forest is responsible for climate balance”, he explained. The scientist referred to the case of the deforestation which took place in the State of Rondônia, through the use of fire, leading to a long period of drought in the area. 1 km2 = 50% fewer birds The speaker does not accept the concept of the so-called partial deforestation, or logging of relatively isolated forest fragments. According to Lovejoy, this concept implies an impact on biodiversity. “An area of 1 km2 looses half of its bird species in 15 years”. This would not happen if the forest would provide for their habitat. During the discussions, writer and consultant Mark London supported the idea of having the Amazon Rainforest as a “world reserve.” “This is an opportunity for the world to participate in this process. If we lose the rainforest, this will be a catastrophe for the world. Why wouldn’t we be able to get international support to preserve it? “He asked. However, during the discussions of conservation strategies for the Amazon Rainforest, London did praise the initiatives that are currently being carried out, together with local communities, recognizing them as something “purely Brazilian.” “The solution has to come from Brazil. And the obligation of other countries as world citizens is to support such initiatives” he added. Author of “The Last Rainforest - The Amazon in the Age of Globalization”, London emphasized during his presentation that projects intended to preserve the Amazon must necessarily include the people who live there. “This is their home,” he

Frederico Uehara

S

cientist Thomas Lovejoy, one of the most respected specialists in biodiversity and president of the Heinz Center of Sciences, Economy, and Environment, defended, in the opening Forum lecture, a “global effort” to recuperate the ecosystems of the world, in particular the one in the Amazon forest. As the theme “The importance of the Amazon in global weather changes” unfolded, Lovejoy, who was once vice-president of WWF in the United States, warned the audience about the possibility of forest areas in the Amazon, both inside and outside Brazil, disappearing in some years because of human intervention – especially those areas in the eastern and southern ends of the forest, which are currently the most affected regions, according to the specialist. Regarding this issue, the scientist criticized development projects that end up interfering in the balance of the ecosystem, such as the construction of highways and hydroelectric power plants. “Highways cause a heavy and very serious im-

Lovejoy: belief in the private sector as a disseminator of sustainability

said, while receiving audience’s applause. He also acknowledged the difficulty of finding a balanced solution to the issue of the soybean crop, livestock production and forest preservation. Among the projects that they consider worthy of note, the two that were cited include Juma, Mamirauá and Redd - Reducing Emissions from Deforestation and Degradation. In Lovejoy’s evaluation projects like these, with the participation of large companies which are truly engaged with issues of sustainability – and not with just the sale of carbon credits - will attract others. “The importance of sustainability will grow exponentially year after year. It’s inevitable. This will increase the interest of companies, “Hansen said. For him, the creativity of these companies could be a way out to reduce the need for development projects that harm the environment: “Successful companies will perceive and capture the opportunities. I trust that the private sector will engage more intensely”. Neo Mondo - Abril 2010

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Especial - Fórum Internacional

Questão ambiental vista como negócio, não apenas para salvar árvores, mas preservar a humanidade Gabriel Arcanjo Nogueira

Litoral a perigo Incansável em seu interesse por assuntos socioambientais, Jean-Michel foi um dos debatedores durante a apresentação do cineasta James Cameron, ao observar que 20% dos recifes de coral já foram perdidos, o que acarreta em perda 54

Neo Mondo - Abril 2010

da barreira natural que protegeria o litoral de muitos países do mundo. “A intensidade do clima que se observa pelo aumento da temperatura na água é de tal ordem que um furacão força 3 torna-se força 4 e, se a barreira de coral  se extinguir, centenas de milhares de pessoas irão morrer.” Entender, para preservar A família Cousteau, que se notabilizou pelas pesquisas desenvolvidas nos oceanos ao redor do mundo, durante décadas, aportou seu Calypso no mar de águas doces lá pelos anos 1980. Parte das pesquisas realizadas no rio Amazonas - desde a nascente, no alto da Cordilheira dos Andes, no Peru, à foz no Atlântico, na costa bra-

sileira - resultou no livro A expedição de Jacques Cousteau na Amazônia, publicado no Brasil pela Editora Record. Jean-Michel foi um dos integrantes da equipe de pesquisadores e, no livro, teve participação destacada com comentários e autoria de fotos. Ele esteve à frente do grupo  terrestre, formado por 8 homens, que percorreu o Amazonas correnteza abaixo. O objetivo, já naquela época, era entender, para preservar, “a grande reserva terrestre de uma vida tão selvagem quanto era na origem”.  Para a equipe, a palavra Amazonas “desperta possibilidades maravilhosas e incertezas profundas”. Passadas quase 3 décadas da publicação do livro, temos de valorizar as primeiras e resolver as segundas.  Frederico Uehara

O

ambientalista francês Jean-Michel Cousteau anunciou, durante os debates no segundo dia do Fórum, que planeja implantar um programa educacional para alunos da Amazônia que os ensine a preservar os ecossistemas da floresta.  Com ele fez coro Anthony Anderson, especialista do Programa de Conservação da organização não-governamental WWF Brasil, ao propor aos empresários que invistam em bolsas de estudos que promovam pesquisa e desenvolvimento de serviços ambientais na Amazônia. Filho do consagrado oceanógrafo Jacques Cousteau, Jean-Michel acredita que o caminho seria a capacitação de professores. “Os americanos gostam de dizer ao resto do mundo o que eles devem fazer. Eu prefiro o diálogo e a busca de soluções conjuntas”, afirmou. Para ele, a questão ambiental deve ser tratada como um negócio. “Tudo se resume em entender melhor como trabalha a natureza. É importante ver como hoje muitos dos tomadores de decisão em todo o mundo discutem os impactos ambientais de seus projetos. Não é apenas questão de salvar árvores, mas de preservar a humanidade”, argumentou.

Cameron ouve Jean-Michel: 20% dos recifes de coral estão perdidos, e furacões ganham força


Internacional Forum Special

Environmental issue regarded as business, not only to save trees, but to preserve humanity Gabriel Arcanjo Nogueira

Danger to the Coastline Tireless in his interest in social and environmental subjects, Jean-Michel was one of the speakers during the presentation by the filmmaker James Cameron, noting that 20% of the coral reefs have been lost, thus resulting

in the loss of the natural barrier that would protect the coastlines of many countries. “The intensity of the climate observed by the increase of the temperature of the water is that of a force 3 hurricane becoming a force 4, and if the coral reefs die out, hundreds and thousands of people will die.”  Understand preservation The Cousteau family that has distinguished itself carrying out research of the oceans around the world for decades, back in the 1980’s docked the research vessel Calypso in the fresh water of the Amazon River. Part of the research of the Amazon River that flows from its source high in the Andes Mountains in Peru to its mouth in

the Atlantic off the cost of Brazil resulted in the book Jacques Cousteau’s Expedition in the Amazon, edited and published in Brazil by Record. Jean-Michel was one of the team of researchers and participated greatly in the book with written comments and photos. He headed the terrestrial group, consisting of eight men who travelled the Amazon downstream. The goal, even then, was understood to preserve, “the great reservoir of terrestrial life that was as wild as at the source.”  For the team, the word Amazon “awakens wonderful possibilities and profound uncertainty.” After nearly three decades since the book was published we appreciate the first and solve the latter. Frederico Uehara

T

he French environmentalist JeanMichel Cousteau announced during the debates on the second day of the Forum, his plans to implement an educational program for students in the Amazon that educates them to conserve the ecosystems of the forest. This echoed the program of Anthony Anderson, a specialist for the conservation of the nongovernmental organization WWF Brazil, by proposing to businessmen to invest in scholarships to promote research and development of environmental services in the Amazon. Son of renowned oceanographer Jacques Cousteau, Jean-Michel believes that the way would be to train teachers. “Americans like to tell the world what they should do. I prefer dialogue and search for joint solutions, “he said.  For him, the environmental issue should be treated as a business.  “It all boils down to a better understanding how nature works. It is important to see how many of today’s decision makers around the world discuss the environmental impacts of their projects. It is not only a matter of saving trees, but preservation of humanity, “he said. 

Cameron listens to Jean-Michel: 20% of coral reefs are lost, and hurricanes gain strength

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Especial - Fórum Internacional

Neomondo

Mídia questionada: notícia ou bandeira?

Cameron, no centro dos debates: especialistas do país e do exterior têm a visão de mundo que nossa revista procura disseminar

Há quem diga que a imprensa faz pouco; não é o caso de NEO MONDO, há 3 anos em circulação Gabriel Arcanjo Nogueira

O

diretor-geral do jornal O Estado de S. Paulo, Rubens Prata, um dos debatedores, chegou a criticar as empresas de comunicação do País, ao afirmar que a imprensa ainda olha a sustentabilidade como notícia, e não como bandeira a ser levantada. Para ele, “a mídia está fazendo pouco”. O que não é o caso de NEO MONDO. Único veículo da mídia especializada convidado pelos organizadores do Fórum, a revista circula há 3 anos e está na sua 33a. edição, totalmente voltada a temas socioambientais, no que isso implica estar atenta a aspectos educacionais, de pesquisa, inovações acadêmico-científicas e práticas empresariais, entre outros. Quem observa é Oscar Lopes Luiz, presidente do Instituto Neo Mondo, que edita a revista com todos os cuidados ecológicos 56

Neo Mondo - Abril 2010

que uma publicação impressa requer, além de manter o conteúdo de cada edição no portal neomondo.org.br. Este, ressalta o presidente do Instituto,  registra mais de 400 mil acessos. “Sem falar da qualificação de nossos colaboradores, tanto jornalistas quanto articulistas”, lembra. “A idoneidade com que fazemos a revista nos credencia no contexto nacional e agora reforçamos nossa presença no exterior, onde já contamos com correspondentes. A edição deste caderno especial, bilíngue, inaugura nova fase da revista, que vai também para a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e para a Humboldt Universität, em Berlim”, afirma o presidente. Para Oscar, participar do Fórum foi uma experiência rica e fascinante porque trata-se de uma oportunidade imperdível de estar junto a lideranças empresariais, especialistas

do país e do exterior que têm a visão de mundo que nossa revista procura disseminar. Natascha Trennepohl foi outra representante de NEO MONDO no Fórum. Para ela, a importância do evento se dá pelo próprio fato de ser uma reunião de diferentes setores da sociedade em torno da discussão de um interesse comum: a busca pela sustentabilidade econômica, ambiental e social da Amazônia. Práticas sustentáveis Especialista em meio ambiente - assunto em que é consultora e doutoranda em Berlim, Alemanha - e articulista desta revista, Natascha avalia: “A importância do Fórum está justamente em unir empresários, lideranças políticas e ambientais para discutir práticas de desenvolvimento sustentável na Amazônia, abordando não


• Resultados A articulista de NEO MONDO reitera o objetivo do Fórum - de reunir representantes do setor empresarial brasileiro, lideranças políticas e ambientais da região para apresentar práticas bemsucedidas de desenvolvimento sustentável na Amazônia e ainda firmar um compromisso político e empresarial com o fomento ao desenvolvimento social, ambiental e econômico na re-

Natascha e Oscar, de NEO MONDO: experiência rica e fascinante compartilhada com a estrela maior do Fórum

gião -, para elencar o que considera seus resultados palpáveis: “Ao final, foi assinada a Carta do Amazonas (ver páginas 6 e 7), documento que ressalta a importância da conservação das florestas tropicais para o bem-estar da população não apenas brasileira, mas mundial. A floresta desempenha importante papel na regulação do ciclo climático do planeta, bem como na manutenção da diversidade biológica e cultural do nosso país.  “Além da assinatura da Carta do Amazonas,  um resultado muito promissor do Fórum foi a parceria firmada entre uma grande rede varejista no Brasil e o governo do Amazonas, durante a série de apresentações e perguntas sobre ‘A responsabilidade das empresas na criação de uma economia sustentável na Amazônia’ (ver matéria na página 31).  “Outro ponto que pode ser lembrado foi a menção feita ao pouco destaque que as questões de sustentabilidade recebem na mídia nacional. O presidente da Rede Record, Alexandre Raposo, ressaltou ser muito importante a ampliação do espaço na mídia para discutir temas como sustentabilidade, mostrando-se disposto a aumentar esse espaço no seu veículo de comunicação”.

Bandeira ambiental, abraçada por NEO MONDO em suas 33 edições, começa a se estender a outras mídias

Oscar, do Instituto Neo Mondo, vê com satisfação que “a bandeira ambiental, que o trabalho midiático de NEO MONDO desenvolve, ao entrar no seu 4º. ano de circulação, começa a ser abraçada por outros meios de comunicação”.   A  presidente do jornal A Crítica, de Manaus, Cristina Calderaro, por sua vez, ressaltou no Fórum a importância dessa mídia como ferramenta de divulgação do tema. “Pautamos o mundo inteiro”, disse.  Neomondo

• Lições O pioneirismo do Fórum,  ao reunir lideranças empresariais, políticas e sociais de todo o Brasil para discutir práticas sustentáveis na Amazônia, por si já é uma lição, acredita Natascha. E aponta outras:  “É certo que uma das grandes justificativas para a extensa cobertura florestal ainda presente no Amazonas, diferentemente dos estados vizinhos, é a existência de um polo industrial que viabiliza outras formas de desenvolvimento econômico para a população. “Por isso, pôde-se perceber durante o Fórum que os grandes desafios para a conservação da floresta contam com a participação de diferentes atores sociais e precisam ser superados em conjunto, tendo-se em mente a importância da floresta no contexto mundial e o valor de mantê-la em pé, oferecendose outras opções de desenvolvimento para a população da região que não signifiquem destruir um dos nossos maiores patrimônios naturais”. 

Neomondo

apenas o papel da sociedade civil e das comunidades tradicionais, mas também o papel desempenhado pelo empresariado brasileiro no fomento a práticas sustentáveis e de conservação da floresta, enfatizando-se o valor da floresta em pé e o seu lugar no contexto mundial”. Para ela, é valioso o destaque que o evento alcançou na mídia, bem como o alto nível de palestrantes e debatedores. Soma de fatores que permite tirar algumas lições e apontar resultados relevantes ou promissores:

Oscar, com a apresentadora do evento: trabalho midiático de NEO MONDO reconhecido

Neo Mondo - Abril 2010

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Internacional Forum Special

Neomondo

Media is questioned: News or Flag?

Cameron in the middle of the debates: national and international experts have the vision of the world that our magazine is committed to disseminate

Some may say that the media does very little; that’s not NEO MUNDO case, which has been circulating for the past 3 years Gabriel Arcanjo Nogueira

T

he Executive Director of the newspaper “Estado de São Paulo” Rubens Plate, and one of the key speakers, criticized national media companies by asserting that in general, the media still sees sustainability as news, and not as a flag to be raised. For him, “the media is not doing enough”. This is not the case for NEO MONDO, which was the only specialized media venue that was invited by the organizers of the Forum. The magazine circulates for 3 years and is in its 33rd issue, totally focused on social and environmental issues, and attentive to related topics such as education, research, academic and scientific innovations and business practices, among others. Oscar Luiz Lopes, President and Editor of NEO MONDO observes that a lot of attention is given to ecological printing required 58

Neo Mondo - Abril 2010

of such publication, besides uploading the contents of each issue to the neomondo. org.br portal. The president states that the Institute’s portal registers more than 400 thousand hits. “Not to mention the qualifications of our employees, both journalists and columnists,” he recalls. “The seriousness of our magazine gives us credit and entitles us in the national context. Recently we began to strengthen our presence abroad, where we already have correspondents. This special issue is bilingual, and as such, inaugurates a new phase of the magazine, which is sent to Harvard University (USA), and Humboldt Universität in Berlin”, reaffirms the president. To Oscar, the participation in the Forum was a rich and fascinating experience because it represented a unique opportunity to be together with business leaders,

national and international experts that share the magazine’s view of the world and its intent to disseminate it. Natascha Trennepohl was another representative of NEO MONDO at the Forum. For her, the event’s importance lies in the ability to meet with different sectors of society that come together to discuss an issue of common interest: the quest for sustainable economic, environmental and social development in the Amazon region. Sustainable Practices Natascha, an environmentalist expert, consultant and a doctoral student in Berlin, Germany, and this magazine’s columnist, states that: “The importance of the Forum is precisely in the ability to unite entrepreneurs, political and environmental leaders


• Results NEO MONDO’s columnist reiterates the objective of the Forum - to bring together representatives of the Brazilian business sector, political and environmental leaders in the region to present successful practices of sustainable development in the Amazon and to sign a political commitment to fostering entrepreneurial, social, environ-

Neomondo

Natascha and Oscar from NEO MONDO: a rich and fascinating experience shared with the event’s biggest star

mental and economic development in the region - to list what he considers its tangible results: “At the end of the event, the key representatives signed the Charter of the Amazon (see pages 12 and 13) – a document which highlights the importance of tropical rainforest conservation for the welfare of the population both nationally and globally speaking. The forest plays an important role in regulating the climate cycle of the planet, as well as the maintenance of biological and cultural diversity of our country. “In addition to the signing of the Charter of the Amazon, a very promising outcome of the Forum was the creation of a partnership between a major retailer in Brazil and the State Government of Amazonas, which occurred during a series of presentations and questions on “Corporate responsibility in creating a sustainable economy in the Amazon region” (see story on page 37). “Another memorable moment was the mention of the little attention given by the media to sustainability issues. The president of Rede Record, Alexandre Raposo, stated how important it is to expand media space to discuss issues such as sustainability, and he reiterated his willing to increase the space in his vehicle of communication. “

The environmental flag embraced by NEO MONDO in its 33 issues, is beginning to extend to other media

Oscar, from the NEO MONDO Institute sees with satisfaction that “the environmental flag, that is so central to the NEO MONDO media strategy, which is entering its 4th year of circulation, is beginning to be embraced by other media”. Cristina Calderaro, the president of Manaus’ newspaper “A Crítica”, in turn, stressed during the Forum the importance of this media as an awareness-building tool on the subject. “We can access the entire world,” she said. Neomondo

to discuss sustainable development practices in the Amazon, covering not only the role of civil society and traditional communities, but also the role played by the Brazilian business community in promoting sustainable and forest conservation practices, emphasizing the value of a standing forest and its place in the global context. “ For her, it is worthwhile highlighting that the event reached the mainstream media, as well as high level speakers and panellists. From this sum of factors one can draw lessons and point out relevant and/or promising results: • Lessons Natascha believes that the pioneering spirit of the Forum, which brought together business, political and social leaders from across Brazil to discuss sustainable practices in the Amazon, is in itself, a lesson learned. She also points out another finding “which was the implementation of an industrial cluster as a key strategy in preserving the forest coverage in the State of Amazonas (unlike the situation in neighbouring states), thus giving alternative economic development opportunities to the population. “Therefore, the Forum demonstrated that major challenges in forest conservation can be overcome with the participation of different social actors, keeping in mind the importance of forests in the global context and the intrinsic value of keeping them alive, by offering other development options for the region’s population, and thus avoiding the destruction of one of our greatest natural assets”.

Oscar with the event presenter: NEO MONDO’s media work acknowledged.

Neo Mondo - Abril 2010

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Especial - Fórum Internacional

Clique NEO Elias Kitosato

João Doria Jr., Jean-Michel Cousteau e Bia Doria

Elias Kitosato

Eduardo Braga e Victor Fasano

Frederico Uehara

Marco Aurélio Garib, Daniel Feder, Lírio Parisotto e Nizan Guanaes

Sandra Braga, Al Gore e Eduardo Braga 60

Neo Mondo - Abril 2010

Felipe Andreoli, do CQC, entrevista Nizan Guanaes


MONDO Frederico Uehara

James Cameron, representantes indígenas e Susy Amis, esposa do cineasta

Elias Kitosato

Encerramento, em grande estilo, no Teatro Amazonas (obra de arte do século XIX), teve ópera a céu aberto, que é a apresentação inspirada em lendas indígenas

Frederico Uehara

Eduardo Braga e João Dória Jr.

James Cameron na coreografia do Garantido

Susy Amis no ritmo de Parintins Neo Mondo - Abril 2010

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Educação

Meta qualificada de todos Fundação Bunge prioriza a educação, de fato, com foco na rede pública de ensino e ações sustentáveis Gabriel Arcanjo Nogueira a escolas públicas do ensino fundamental e que conta com o apoio do trabalho voluntário de funcionários das empresas do grupo; e o ReciCriar - a pedagogia do possível. Este, um programa para formar educadores da rede pública de ensino. NEO MONDO conversou com a gerente de Responsabilidade Social da instituição, Cláudia Calais, para saber mais das ideias e iniciativas que mostram ser possível avançar

Desenvolvida em escolas públicas do ensino fundamental, em 9 estados, a capacitação pedagógica é parte da conquista da comunidade escolar

e, mesmo, inovar no setor que é o calcanharde-aquiles de muita administração pública. Jornalista graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pós-graduada em Comunicação Empresarial pela Fundação Cásper Líbero, em São Paulo, Cláudia deu toda ênfase na área social em sua profissão, dedicando-se ao jornalismo comunitário. Na Fundação Bunge foi, primeiro, coordenadora de Comunicação.

Vespasiano Neves

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Fundação Bunge, entidade social das empresas Bunge no Brasil, busca traduzir na prática o que muitas vezes é lembrado em discursos oficiais ou não - e nem sempre é visto no Brasil: a educação como meta prioritária, que diz respeito a todos. Em sua linha de ação, a Fundação acrescenta o ingrediente qualificada, para desenvolver programas, como o Comunidade Educativa, voltado


Cláudia: valorização do conhecimento e compromisso com novo ciclo de desenvolvimento

Livro e documentário A Fundação Bunge, com iniciativas do alcance das citadas, é referência, a ponto de ser convidada a participar do 5o. Fórum Urbano Mundial. A jornalista comunitária lembra que o projeto Conhecer para Sustentar: Vale do Itajaí é dividido em duas etapas: a primeira, a de disseminação do conhecimento; e a segunda, a da reconstrução. Na primeira etapa, reuniu-se um grupo de estudiosos, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas do conhecimento para, primeiro, entender o que ocorreu na região. “O resultado deste estudo virou um livro e um documentário. Porém, mais do que um relato sobre a tragédia, esse livro e esse documentário apontam para Divulgação

Exemplo catarinense De abrangência nacional, a Fundação Bunge está com o programa Comunidade Educativa em 9 estados (ver quadro). Cláudia ressalta, no entanto, que ações e parcerias da entidade vão além, no que classifica como “ação concreta e aprendizagem”. A gerente de Responsabilidade Social detalha: “Um exemplo é a que estamos desenvolvendo com a Prefeitura Municipal de Gaspar (SC) na construção de um bairro que segue princípios sustentáveis para abrigar parte das famílias desalojadas ou que ainda vivem em situação de risco na região do Vale do Itajaí. A Fundação Bunge entra como fomentadora do processo, articuladora de parcerias e propositora de novas ideias, porém nunca assumindo o papel da municipalidade. “Cada um deve atuar dentro da sua esfera de competência. Neste caso, apresentamos a ideia inovadora do bairro sustentável e financiamos o projeto e a construção da escola (com bases ecoeficientes), e a Prefei-

tura será a responsável pela implementação do projeto do bairro. Todo esse trabalho está sendo acompanhado pela comunidade, instituições e profissionais que julgamos importantes no processo”. De parcerias a resultados o caminho é certo. Cláudia aponta o projeto Conhecer para Sustentar como “melhor indicador de êxito e qualidade”. E o faz em tom coloquial, não sem antes lembrar que o Vale do Itajaí com a construção de um bairro para população de baixa renda, seguindo princípios sustentáveis, é uma vitória para a Fundação: “Imagina você, em um período de caos, convencer a municipalidade que o melhor seria investir em um projeto sustentável para abrigar essas famílias. O cálculo inicial da Prefeitura, e com razão, é custo/benefício: ‘preciso abrigar o maior número de pessoas, no curto prazo possível e com o menor custo’. E aí chega uma Fundação e propõe: vamos abrigar estas famílias de maneira decente, em um bairro previamente planejado para que, no futuro, elas não venham a ter os mesmos problemas que estão enfrentando atualmente. E que para buscar soluções para este bairro reúne e ouve especialistas de diferentes áreas e estados. Não é algo simples. Mas o envolvimento da Prefeitura neste processo foi fundamental para o êxito das ações. Hoje, o projeto não é da Fundação; é do município”. Há resultados significativos também no Comunidade Educativa, segundo Cláudia. “Atuamos em escolas públicas do ensino fundamental na formação de educadores e em ações de leitura e escrita junto aos alunos. Fechamos 2009 com um aumento de 12% no desempenho de leitura e escrita dos alunos das 56 escolas onde estamos em 18 cidades de 9 estados brasileiros”, diz, para completar: “Número estimulante, principalmente porque não foi uma conquista nossa, mas sim da comunidade escolar”.

Luiz Alonso

Investimento social A filosofia e a prática de trabalho na entidade são explicadas pela sua gerente de Responsabilidade Social como algo alicerçado em algumas premissas básicas que direcionam o investimento social da Fundação (ver quadro). Cláudia argumenta: “Trabalhamos com seres humanos e, independentemente de classe social ou nível cultural, seres humanos precisam ser bem tratados”. A partir desse princípio, explica: “Toda ação proposta pela Fundação Bunge tem que estar pautada na valorização do conhecimento e no compromisso com o que chamamos de novo ciclo de desenvolvimento. Ou seja, o crescimento econômico alinhado com o compromisso ambiental e responsabilidade social. Com isso queremos que as ações de sustentabilidade migrem do discurso para a prática”. Esclarecidas as duas primeiras premissas básicas, Cláudia se atém à terceira delas, que implica falar de aspecto primordial quando se trata de ações sociais: as parcerias. “Quando buscamos o envolvimento e o desenvolvimento local, estamos, em outras palavras, afirmando que a parceria é fundamental. Não por questões econômicas, mas sim pedagógicas, pois as ações que desenvolvemos não são para a Fundação. São sempre para alguém, alguma região, alguma instituição, e nada mais justo e formador que este beneficiário seja parceiro das ações, pois em uma ação social o processo é extremamente educativo”, afirma.

Bairro sustentável, no Vale do Itajaí: ideia inovadora com acompanhamento da comunidade

Neo Mondo - Abril 2010

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Educação

Crescimento econômico, compromisso ambiental e responsabilidade social, para que ações de sustentabilidade migrem do discurso para a prática

o futuro. Eles apresentam propostas para a ocupação responsável do solo por meio da agricultura e também para o desenvolvimento urbano do Vale do Itajaí. A segunda etapa diz respeito ao projeto do bairro sustentável e a construção da escola seguindo princípios de ecoeficiência”, esclarece. Como parte da programação do 5º Fórum Urbano Mundial, a Fundação Bunge apresentou o documentário, produzido em parceria com o Canal Futura sobre o Vale do Itajaí. Parceria acadêmico-científica Desde 1995, o prêmio Professores do Brasil, que a Fundação Bunge criou há 56 anos, tinha entre seus parceiros o Ministério da Educação (MEC) “Em 2010 não daremos continuidade a essa parceria. Fomos os primeiros parceiros do MEC nesta iniciativa, desde 1995. Neste período vários outros parceiros foram colaborando com o projeto. Isso nos levou a algumas reflexões internas e, como esta ação já conta com bastante apoio, deci-

Comunidade Educativa presente Candeias (BA) Cubatão (SP) Gaspar (SC) Guará (SP) Ipojuca (PE) Luís Eduardo Magalhães (BA) Paranaguá (PR) Ponta Grossa (PR) Rio Grande (RS) Rondonópolis (MT) Santa Juliana (MG) Santos (SP) São Paulo (SP) - Bairro Vila das Belezas São Paulo (SP) - Bairro Jaguaré Uberaba (MG) Uruçuí (PI) Fonte: Fundação Bunge

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Neo Mondo - Abril 2010

dimos direcionar nosso investimento para áreas ainda por serem desbravadas, como é a questão da sustentabilidade”, diz Cláudia. Feito o esclarecimento, a gerente acentua: “Há 56 anos a Fundação Bunge mantém o Prêmio Fundação Bunge. Trata-se de uma parceria com as principais universidades e institutos de pesquisa do país em prol do reconhecimento de profissionais que dedicaram vida e obra a causa científica. Este prêmio também estimula jovens talentos. Pesquisadores de até 35 anos de idade que estão enveredando pelo campo das ciências. Este ano, por exemplo, premiaremos pesquisadores das áreas de Saúde Pública/Medicina Preventiva e Ciências Florestais. Esse prêmio, para nós é importante, pois ele está diretamente ligado a inovação. E sustentabilidade passa por inovação. Ele é um estímulo a novas ideias”. Cláudia ressalta aspecto importante do prêmio, que é o acompanhamento feito pela Fundação Bunge dos projetos ou trabalhos premiados. “O projeto nunca se esgotou na premiação. Na verdade ele começava com a premiação, pois os professores contemplados depois eram convidados a viajar conosco pelo país apresentando seus trabalhos a outros educadores. Essa troca é fantástica, pois era o educador falando para o outro educador dos desafios e vitórias que ele obtinha em sala de aula. Não era o especialista falando para a comunidade escolar. Era alguém que tinha a vivência de sala de aula. Apesar de não realizarmos mais o Prêmio a partir deste ano, continuaremos a investir nesta troca entre educadores”, diz.

O esmero na logística do Prêmio Fundação Bunge é detalhe digno de nota: a solenidade de premiação é precedida por um seminário internacional, em que os premiados brasileiros têm a oportunidade de apresentar os seus trabalhos com pesquisadores de outros países. Mesmo com tanta iniciativa promissora, permanecem desafios. O maior deles, quando se fala em educação, na visão de Cláudia, “é entender que ela é processo e que não é responsabilidade de poucos, mas sim de todos. O problema é que esse entendimento ainda é discurso e não prática. Também precisamos estar atentos à qualidade. Metas são fundamentais em qualquer processo e na educação eu diria que são vitais. Avançamos muito, mas ainda temos muito a construir. Todo país que hoje apontamos como referência em desenvolvimento, em algum momento da sua história, priorizou a educação. Esse momento também precisa fazer parte da nossa linha do tempo. “Em relação a sustentabilidade, o grande desafio é entender o que vem a ser desenvolvimento econômico com responsabilidades social e ambiental. Isso tudo ainda é muito novo pra todo mundo. A cada minuto surgem soluções sustentáveis para os negócios e o planeta que no momento seguinte são revistas. Tudo é muito novo. Mas eu acho que esse é o caminho. O importante é migrarmos do discurso para a prática. Ações responsáveis pautadas no que estamos chamando de novo ciclo de desenvolvimento têm que permear a nossa prática nos negócios, na relação com a natureza e na condução das causas sociais. E não podemos esquecer que todas essas ações são pensadas e implementadas por nós, seres humanos, apresentados como os mais evoluídos do planeta. Neste contexto, a nossa atuação como cidadãos é fundamental. A empresa não existe sem pessoas, o meio ambiente é habitado também por nós e as ações sociais, nem se fala. Então está em nossas mãos o processo de mudança”.

Premissas básicas de ação • Sensibilidade e compreensão • Responsabilidade nas ações desenvolvidas • Compromisso com o desenvolvimento e o envolvimento local Fonte: Fundação Bunge


Education

Everybody’s qualified goal Bunge Foundation prioritizes education, focusing on the state school network and sustainable activities Gabriel Arcanjo Nogueira

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heBunge Foundation, a social entity of the Bunge corporations in Brazil, seeks to put into practice what is often remembered in speeches, officially or not - and is not always seen in Brazil: education as a priority goal, which concerns everyone. In this line of action, the Foundation adds the qualified ingredients to develop programs such as Community Education, focused on state public

schools of fundamental level teaching that count on the support of volunteer work of employees of the group; and ReciCriar the pedagogy of the possible. This is a program to train teachers of state schools. NEO MONDO spoke with the manager of Social Responsibility of the institution, Claudia Calais, to learn of ideas and initiatives that show progress and even innovation in the sector is possible. This is the

Achilles heel of most state administration. Claudia is a Journalist graduated from the Federal University of Espírito Santo (Ufes); post-graduate course in Business Communication at Foundation Casper Líbero in Sao Paulo, Claudia has focused entirely on social areas in her profession, devoting herself to community journalism. At Bunge Foundation she initially started as Communication Coordinator. Vespasiano Neves

Developed in government primary schools in 9 States, pedagogical training is part of the achievement of the school community

Neo Mondo - Setembro 2008

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Example from Santa Catarina With nationwide coverage, the Bunge Foundation has the Educational Community program working in 9 states (see table). Claudia points out, however, that activities and partnerships of the entity go beyond, in what it classifies as “concrete action and learning.” The Social Responsibility manager gives us details: “One example is that which we are developing with the Municipality of Gaspar (SC) to build a neighborhood that will follow sustainable principles for housing for some homeless families or those who still live at risk in the region of Vale do Itajaí. Bunge Foundation acts as the driving force of the process, articulating partnerships and proposer of new ideas, but never taking over the role of the municipal government.

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“Everyone must act within their sphere of competence. In this case, we present the novel idea of the neighborhood and fund sustainable design and construction of school (with eco-efficient bases), and the Municipal Government will be responsible for project implementation in the neighborhood. All this work is being monitored by the community, institutions and professionals who we judge to be important in the process. “ From partnerships to results is the right path. Claudia shows the project Knowledge to Sustain project as “the best indicator of success and quality.” And she does in colloquial tone, but not without remembering that the Itajaí Valley by building a neighborhood for low income population, following sustainable principles, is a victory for the Foundation: “Just imagine, in a period of chaos, convincing the Municipal Government that it would be best to invest in a sustainable project to house these families. The initial calculation of the Municipal Government, and rightly so, is cost benefit.” We must have the highest number of people in the short term and the lowest possible cost. ‘And then along comes a foundation and proposes: let’s decently house these families in previously planned neighborhood, so that in the future they will not have the same problems they are facing today. And to seek solutions for this neighborhood bring together and listen to experts from different areas and states. It’s not something simple. But the Municipal Government involvement in this case was fundamental to the success of the actions. Today, the project is the Foundation’s, it belongs to the municipality.”

Claudia: valorization of knowledge and compromise with new development cicle

Book and documentary There are also significant results in the Educational Community, according to Claudia. “We act in the state schools of basic education, in teacher training, reading and writing activities together with the students. We ended 2009 with a 12% increase in performance of reading and writing from students from 56 schools, in 18 cities in 9 Brazilian states.” she adds:” It’s a stimulating number, mainly because it was not our achievement, but the school’s community.” The Bunge Foundation, with the reach of the mentioned initiatives, is a reference, to the point of being invited to participate in the 5th World Urban Forum. The community journalist remembers that the project Divulgação

Social Investment The work philosophy and practice in the entity are explained by the Manager of Social Responsibility as something rooted in some basic assumptions that guide the Foundation’s social investment (see table). Claudia argues: “We work with human beings, regardless of social class or cultural level; humans need to be treated well.” From this principle, she explains: “Every activity proposed by Bunge Foundation has to be based on the enhancement of knowledge and commitment to what we call the new development cycle. In other words, economic growth in line with environmental commitment and social responsibility. With this we want sustainability activities to evolve from discourses and to be practiced.” With the first two basic premises clarified, Claudia clings to the third, which involves talking of a key aspect when it comes to social activities: partnerships. “When we seek the involvement and local development, we are, in other words, asserting that the partnership is essential. Not because of economic issues, but educational issues, as the activities we develop are not developed for the Foundation. It’s always for someone else, a region, an institution, and nothing is more just and instructive that the beneficiary should be a partner in the activities, because in a social activity, the process is extremely educational.

Luiz Alonso

Education

Sustainable neighborhood in ‘Vale do Itajaí’: innovating idea with community follow up


Economic growth, environmental commitment and social responsibility, sustainability actions to change the discourse to practice

Knowledge to Sustain: Itajaí Valley is divided into two stages: first, the dissemination of knowledge, and second, the reconstruction. In the first stage, a group of scholars, researchers and professionals from different fields of knowledge met to first understand what occurred in the region. “The result of this study became a book and documentary. But more than a story of tragedy, this book and this documentary point towards the future. They present proposals for responsible land occupation by means of agriculture and also for urban development of the Vale of Itajaí. The second step concerns the sustainable neighborhood design and construction of the school following the principles of eco-efficiency.” As part of the program of the 5th World Urban Forum, the Bunge Foundation presented the documentary that we produced in partnership with Canal Futura on the Vale do Itajaí. Academic and Scientific Partnership Since 1995, the Award for Brazilian Teachers which the Bunge Foundation created 56 years ago has had among its partners the Ministry of Education (MEC) “In

Present Educational Community Candeias (BA) Cubatão (SP) Gaspar (SC) Guará (SP) Ipojuca (PE) Luís Eduardo Magalhães (BA) Paranaguá (PR) Ponta Grossa (PR) Rio Grande (RS) Rondonópolis (MT) Santa Juliana (MG) Santos (SP) São Paulo (SP) - Bairro Vila das Belezas São Paulo (SP) - Bairro Jaguaré Uberaba (MG) Uruçuí (PI) Source: Bunge Foundation

2010 we will not continue this partnership. We were the first partners in this initiative of the MEC, since 1995. In this period several other partners have been collaborating with the project. This led us to some internal reflection and how this action already has enough support, we decided the issue of sustainability “says Claudia. With the clarification made, the manager emphasizes: “For 56 years the Foundation has continued with the Bunge Foundation Award. It is a partnership with leading universities and research institutes in the country for the recognition of professionals who dedicate their life and work to scientific questions. This award also encourages young talent - Researchers of up to 35 years of age who are moving through the field of science. This year, for example, we awarded researchers in the areas of Public Health / Preventive Medicine and Forestry Sciences. This award, is important for us, since it is directly linked to innovation, sustainability continues through innovation, it is a stimulus to new ideas.” Claudia highlights an important aspect of the prize, which is the monitoring made by the Bunge Foundation projects or works awarded. “Projects never ceased due to the award. In fact they began with the award, because teachers were chosen and then invited by us to travel the country presenting their work to other teachers. This exchange is fantastic; because a teacher was talking to another teacher about the challenges and triumphs they obtained in the classroom. It was the expert talking to the school community; it was someone who had experience of the classroom. Al-

though we will not give the prize this year, we will continue to invest in this exchange among educators, “he says. The care of the logistics of Bunge Foundation Award is a detail worthy of note: the award ceremony is preceded by an international seminar, where the Brazilian winners have the opportunity to present their work with researchers from other countries. Even with such a promising initiative, challenges remain. The greatest, when it comes to education, the vision of Claudia, “is to understand that it is a procedure and that it is not the responsibility of a few, but of all. The problem is that this understanding only spoken and not put into practice. We also need be attentive to quality. Goals are central to any process and I would say that education is vital. We have made a lot of progress, but we still have much to build. Every country that today we mentioned as a development reference point at some time in their history, prioritized education. This moment must also be part of our timeline”. “In regard to sustainability, the challenge is to understand what economic development with social and environmental responsibility is. This is all still very new to everyone. Every minute sustainable solutions arise for business and the planet and soon after are revised. Everything is very new. But I think this is the way. The important thing is changing from discourse to practice. Responsible actions shared in what we are calling the calling the new development cycle, must permeate our practices in business, relationships with nature and conduct of social causes. And we cannot forget that all these actions are designed and implemented by us, human beings, presented as the most advanced in the world. In this context, our role as citizens is crucial. The company does not exist without people, the environment is also inhabited by us and the social actions, and we don’t need to say. So the process of change is in our hands”.

Basic Premises of Activities • Sensibility and comprehension • Responsibility in the activities developed • Commitment to local development and evolution Source: Bunge Foundation

Neo Neo Mondo Mondo - Setembro - Abril 2010 2008

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A reserva legal e o

desenvolvimento sustentável

E

m 10 de dezembro de 2009 foi assinado o Decreto n. 7.029, que instituiu o Programa Federal de Apoio à Regularização Ambiental de Imóveis Rurais, denominado ‘Programa Mais Ambiente’. Esse Decreto faculta aos proprietários e possuidores rurais aderirem a esse Programa, o que poderá ocorrer até 11 de dezembro de 2011, acarretando a suspensão da cobrança das multas aplicadas em decorrência do cometimento de infrações ambientais relacionadas a danos causados em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Áreas de Reserva Legal (RL), exceto naqueles casos de processos cujo julgamento já ocorreu definitivamente no âmbito administrativo. 68

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Isso porque o Decreto n. 7.029/2009 altera o disposto no Decreto n. 6.514/2008 (que regulamenta a Lei dos Crimes Ambientais) e confere um prazo de 120 dias para que o possuidor ou proprietário averbe a localização, compensação ou desoneração da sua área de reserva legal, depois que o orgão ambiental, in casu, o Ibama, emita os documentos pertinentes para tanto. Como essa disposição da averbação somente entrará em vigor no final de 2011, o mesmo Decreto dispõe que as sanções pela inobservância desse registro ficam suspensas, não podendo ser aplicadas. A despeito do que bradam as bem intencionadas vozes em prol de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, há de se refletir mais amplamente sobre os impactos

dessa imediata averbação de reserva legal nos percentuais então vigentes, sob pena de macular importantes aspectos econômicos e sociais do país, principalmente neste momento de moderado crescimento. Vejamos bem. A reserva legal é uma área localizada no interior de uma propriedade rural, excetuada a de preservação permanente, necessária para o uso sustentável dos recursos naturais, a conservação e reabilitação dos processos ecológicos, a conservação da biodiversidade, bem como a proteção de fauna e flora nativas. Atualmente deve ser respeitado, a título de reserva legal, o mínimo de: a) 80% na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal (leiam-se os


Terence Trennepohl

Correspondente especial de Boston – Estados Unidos

estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e algumas regiões de Tocantins, Goiás e Maranhão); b) 35% na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo 20% na propriedade e 15% na forma de compensação em outra área localizada na mesma microbacia; c) 20% na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do país; d) 20% na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do país. Ora, a despeito de todas essas limitações, o Brasil desponta hoje como o 2o país com maior cobertura de floresta nativa no mundo, com 477 milhões/ha, atrás apenas da Rússia, com 800 milhões/ha,

maior parte inaproveitável, em razão do gelo, e à frente do Canadá, com 280 milhões/ha, e que padece do mesmo problema. Somos, a um só tempo, maior produtor e exportador mundial de açúcar, café e suco de laranja, com fatias de 62%, 28% e 68%, respectivamente, do comércio global dessas commodities; somos ainda o maior exportador de etanol, carne e frango do planeta; e o 2o exportador de soja, o 3o de milho e o 4o de porco. Não surpreende que todas essas atividades, eminentemente agrícolas, dependam quase que exclusivamente do uso da terra. Ressaltese que quase toda essa produção ocorre fora das áreas protegidas, como o Bioma Amazônia e Pantanal. Demais disso, 14,7% do território nacional pertencem a reservas indígenas e outros 13,7% pertencem a áreas ambientalmente protegidas. Isso tudo coloca o Brasil entre os países com maior potencial e, sobretudo, aproveitamento agrícola dentre aqueles considerados modernos, industrializados. Dados recentes da Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO) apontam um assombroso potencial de expansão territorial do agrobusiness no Brasil, perto dos 320 milhões/ha, enquanto os Estados Unidos e a Rússia apresentam pouco mais de 150 milhões/ha de área cada e Índia e China 0% de área a ser explorada! Pois bem. O Decreto n. 7.029/2009 mantém acesa uma polêmica, no tocante à obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal conforme previsão do Código Florestal. O art. 16, caput, da Lei n. 4.771/65, previa a averbação da área de reserva legal, nos percentuais acima mencionados, naquelas regiões definidas. Porém, em passagem alguma do Código Florestal se impunha sanção pelo descumprimento da averbação. No entanto,

com o Decreto anterior, de n. 6.514/2008, deixar de averbar a reserva legal, passou a constituir infração administrativa, punível com multa que poderia variar de R$ 50,00 (cinquenta reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais), conforme redação dada pelo Decreto n. 6.686/2008. O Programa Federal de Apoio à Regularização Ambiental de Imóveis Rurais, inaugurado com essa novel legislação de fins de dezembro, prorroga as penalidades imputadas àqueles que supostamente atentam contra o meio ambiente, mesmo que responsáveis pelo papel do Brasil no agronegócio no cenário internacional. Causa estranheza somente ouvir falar em ‘moratória’ aos infratores, quando, em verdade, o Decreto também crie subprogramas destinados à educação ambiental, à assistência técnica rural, à produção e distribuição de mudas e sementes e à capacitação dos seus beneficiários. De posse dos dados apresentados e, principalmente, diante da distância das áreas ambientalmente protegidas de onde toda essa produção advém, parece um pouco exagerado somente se falar em infrações administrativas, e moratória às respectivas sanções, quando em verdade estamos diante da oportunidade de fazer do agronegócio brasileiro uma vitrine de sustentabilidade para o mundo.. Artigo originalmente publicado no jornal VALOR ECONÔMICO em 18/02/2010

Terence Trennepohl Sócio de Martorelli e Gouveia Advogados Senior Fellow na Universidade de Harvard Doutor e Mestre em Direito (UFPE) Bolsista da CAPES E-mail: tdt@martorelli.com.br Neo Mondo - Abril 2010

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Legal reserves

and sustainable development

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n December 10th 2009 Act #7029 was signed, establishing the Federal Environmental Rural Property Regularization Support Program, named ‘Programa Mais Ambiente’. This Act empowers rural property users and owners to join this Program until December 11th 2011, thereby suspending the payment of fines issued on account of environmental liabilities related to damages caused to Permanent Preservation Areas (APPs) and Legal Reserves (RL), except for those cases whose trial has already taken place in the Administrative Realm. This is made feasible because Act #7029/2009 changes the terms and conditions set forth in Act #6514/2008 (which 70

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regulates Environmental Crimes) and grants a period of 120 days for rural property users and owners to register the location, compensation, or release of their legal reserves after an environmental organ, in casu, IBAMA, issues the required documents. Since this legalization regulation will only be effective at the end of 2011, the same Act establishes that the sanctions related to the inobservance of this regulation are suspended and cannot be applied. Despite the loudness of the wellintentioned voices that support an environmentally balanced eco-system, we must think more deeply about the impacts of this immediate legal reserve registration at the current applicable

rates, at the risk of maculating important social and financial aspects of the country, especially at this moment of moderate economic growth. Please carefully consider the following: A legal reserve is an area located within a rural property whose permanent preservation is necessary for the sustainable use of its natural resources, the preservation and rehabilitation of environmental processes, the preservation of bio-diversity, as well as for the protection of native fauna and flora. Currently it is legally mandatory to preserve at least a) 80% of any rural property located within the Legal Amazon region (encompassing the States of Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia,


Terence Trennepohl

Special correspondent from Boston, USA

Amapá, and Mato Grosso, besides some regions of Tocantinms, Goiás, and Maranhão); b) 35% of any rural property located in the Legal Amazonian ‘cerrado’(Brazilian savanna), being at least 20% within the property and 15% as compensation in another location within the same micro-basin; c) 20% of any rural property located in a forest area or any other form of vegetation in any other region within the country; d) 20% of any rural property in open fields in any region of the country. Well, regardless of all these limitations, Brazil is the country that currently ranks second in terms of native forests in the world with 477 million ha, only behind Russia, with 800 million ha – most of which are unusable because of the ice

and extremely low temperatures. Brazil is also ahead of Canada, with its 280 ha, presenting the same problems as Russia. We are the biggest producers and exporters of sugar, coffee, and orange juice, with respectively 62%, 28%, and 68% of the global share of these commodities. We are the greatest exporters of ethanol and chicken on the planet. Besides that we are also the second biggest soybean exporter, the third biggest corn exporter and the fourth biggest pork exporter. No wonder these eminently agricultural activities depend almost exclusively on the use of our land. It is important to highlight that most of this production takes place outside protected areas, such as the Amazon and the ‘Pantanal’ biomes. Additionally, 14.7% of the national territory belongs to indigenous reserves and another 13.7% belongs to environmentally protected areas. All of this places Brazil among the countries with greatest potential and, above all, agricultural performance, even when compared with modern, industrial countries. Recent data from FAO, the United Nations Food and Agriculture Organization, indicates an astonishing agribusiness territorial expansion potential for Brazil of nearly 320 million ha, while the USA and Russia have an area of a little more than 150 million ha each and India and China have 0% of native area to be explored! Very well: Act #7029/2009 reignites the controversy of the compulsoriness of registering legal reserve areas, as set forth in our Forest Preservation Code. The first Chapter of Article 16, Act #4771/65, covered the registration of legal areas at the above-mentioned rates for the above-stated regions. However, nowhere in the Code was there any punishment for the inobservance of the registration procedures. With the previous Act #6514/2008 such

inobservance became an administrative liability, punishable by fines varying between R$50.00 (fifty reais) and R$500.00 (five hundred reais), as complemented by Act #6686/2008. The Federal Environmental Rural Property Regularization Support Program, enacted along with the new legislation of late December, puts off the punishment of those who supposedly attempt to harm the environment, even if the parties involved are responsible for the role of Brazil within the international agribusiness scenario. It is odd to merely hear about a ‘moratorium’ for the lawbreakers when, in fact, the Act also creates subprograms aiming at fostering environmental education, rural technical support, the production and distribution of seedlings and seeds and training for the beneficiaries. In light of the above-listed facts and, mainly, on account of the distance between environmentally protected areas and the regions where all this production effectively originates from, it seems somewhat over-the-top to merely talk about administrative liabilities and ‘moratoria’ for the applicable penalties when, in fact, we are facing an opportunity to turn the Brazilian agribusiness into a sustainability benchmark for the world. Article originally published on Valor Econômico newspaper in 02/18/2010

Terence Trennepohl Post-Doctorate – University of Harvard Doctor and LL.M (UFPE) Partner – “Martorelli & Gouveia” Attorneys at Law Member of the Brazilian Delegation - COP 15 Scholar - CAPES E-mail: tdt@martorelli.com.br Neo Mondo - Abril 2010

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Especial Renovações no Transporte Nacional

mais faixas, menos estresse Novas faixas centrais da Marginal Tietê foram inauguradas em março. Conclusão da obra está prevista ainda para este ano


Governo do estado investe R$ 1,3 bilhão para conter a gigante dos congestionamentos Rosane Araujo

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or enquanto foram inauguradas apenas três novas faixas, de 23 km cada, mas as obras da Marginal Tietê, uma das principais vias de acesso à capital paulista, já deram o que falar. Polêmica, a obra recebe críticas e elogios de especialistas. Inauguradas no sábado, 27 de março, logo nos primeiros dias, as novas faixas contribuíram para desafogar o tráfego. Já na segunda-feira seguinte, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou queda média de 47% no trânsito entre 7h e 10h, horário considerado de pico. Às 10h, a redução chegou a 67%. Foi também em seus primeiros dias de funcionamento, que a obra recebeu duras críticas, principalmente em relação à sinalização e iluminação falhas. Com o trabalho ainda em andamento, alguns trechos permanecem interditados, e a falta de sinalização e a baixa iluminação dificultam a orientação dos motoristas. Segundo informações da assessoria da Dersa, empresa controlada pelo governo estadual que desenvolveu a obra, a sinalização horizontal, feita na própria pista será concluída até o final de maio. Já a vertical só estará completa em agosto. “Inaugurar obra semiacabada é um aspecto negativo para qualquer administração. A via com problemas de sinalização é perigosa, pois acaba gerando movimentos bruscos dos motoristas, que podem acabar em acidentes”, avalia o arquiteto, urbanista e ex-técnico da CET, Flamínio Fichmann. Ao contrário do que parece, ele não faz parte do grupo de críticos da obra, identificados pelo então governador de São Paulo, José Serra, como “espíritos de porco”. Em sua fala no evento de abertura da Nova Marginal, Serra afirmou que somente pessoas desse tipo “poderiam criticar esta inauguração”. Fichmann pensa de forma semelhante. “A falha na sinalização é importante, mas passageira. O que importa mesmo é a obra em si”, opinou. No que se refere ao projeto, sua opinião é positiva. “É um investimento elevado, mas que se justifica”, analisou. O custo total será de R$ 1,3 bilhão, dos quais cerca de R$ 200 milhões serão investidos pelos consórcios que administram as rodovias Anhanguera e Bandeirantes e Ayrton Senna e Carvalho Pinto.

“Os investimentos são sempre parciais, não só no trânsito, mas também no transporte coletivo. Nunca uma ampliação de metrô vai resolver o problema da cidade. Uma política adequada é a da continuidade”, afirmou Fichmann. No caso do governo de São Paulo, antes de pensar na próxima empreitada, ainda há muito que fazer para conclusão da Nova Marginal. A segunda etapa está prevista para ser concluída até o final deste ano e consiste na construção de três pontes: Complexo Tamanduateí/Av. do Estado, Cruzeiro do Sul e Tatuapé. Haverá ainda a criação de três viadutos. Com a ampliação, espera-se uma redução no tempo das viagens pela via expressa em 33%. Medidas simples Para Fichmann, medidas simples, somadas à inclusão das novas faixas, ajudariam ainda mais na organização e fluidez do tráfego. Uma delas seria a criação de uma faixa exclusiva para ônibus, não na via local, mas sim na intermediária. Isso porque, na local, os ônibus acabam tendo que dividir espaço com um grande fluxo de automóveis que fazem a conversão à direita. “Seria muito simples implantar e poderia promover benefícios”, afirmou. Quanto a uma possível restrição de horários para circulação de caminhões pela via, medida que chegou a ser estudada pela secretaria municipal de transportes, Fichmann é totalmente contrário. “As marginais são compatíveis com este tipo de veículo. Elas fazem a transição entre o tráfego rodoviário e o urbano”, defendeu. Para ele, uma boa opção para diminuir os problemas causados pelos caminhões seria a adoção de uma política de transporte de carga que privilegiasse veículos pequenos, criando locais fora dos grandes centros onde houvesse possibilidade de distribuição prévia da carga. Na sua opinião, para impactar de forma positiva e intensa no trânsito de maneira geral, as medidas, cedo ou tarde, terão que ser mais rigorosas. Ele sugere duas: criação de corredores de ônibus, com melhoria dos que já existem, e implantação do pedágio urbano nas vias de congestionamento. “Não são soluções simples, mas, para os problemas de São Paulo, as medidas tendem a ser mais sofisticadas e restritivas. Afinal, não existe espaço para circular tantos carros”, finalizou. Neo Mondo - Abril 2010

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Especial Renovações no Transporte Nacional

Vista de parte da obra em julho de 2009

Economia de combustível e compensação ambiental Projeto da Nova Marginal busca benefícios também ao meio ambiente Além da diminuição dos congestionamentos, a expectativa da Dersa com a Nova Marginal é gerar economia estimada em 1,5 milhão de litros de combustível por ano, com a consequente redução da emissão de poluentes. Como resultado, haveria melhora da qualidade do ar da cidade e redução da incidência de doenças respiratórias e outros problemas relacionados. Tudo isso potencializado por meio do plantio de 150 mil novas árvores distribuídas pela própria marginal, bairros vizinhos e Parque da Várzea do Tietê. Segundo a assessoria da Dersa, a compensação ambiental da Marginal corresponde a 14% do valor da obra, o que a coloca entre as maiores do mundo. O projeto inclui plantios compensatórios pela supressão de cerca de 900 árvores, a maior parte de plantas mortas ou condenadas devido à ação de pragas. Antes da readequação viária, a Marginal contava com 4.589 árvores em toda sua extensão. Hoje já são 19.925 árvores,

mais do triplo do que possuía quando começaram as obras. Destas, 3.159 foram preservadas na própria via e incluem as do tipo exótico, como tipuana, fícus, grevilha, falsa-seringueira, alfeneiro, casuarina, chorão, patade-vaca e eucalipto. Outras 1.024 foram transplantadas da frente de obras para o local mais próximo possível de sua origem, método intitulado “transplante de árvores”. Nele, cada árvore é mudada sem perder suas folhas ou ter seu caule e galhos danificados. O processo dura algumas horas para cada uma e implica em alterações no fluxo de trânsito da via, já que alguns exemplares chegam a pesar 25 toneladas, o que exigiu a utilização de guindastes, grandes caminhões, retroescavadeiras e diversos profissionais envolvidos. Só a seleção das árvores demorou três meses. Já as 13.446 mudas plantadas são de espécies nativas, como paineiras, jequitibás-rosa, ipês-brancos e roxos,

jatobás, paus-brasil, paus-ferro, sibipirunas, entre outras. Foram plantadas outras 15.000 do total previsto de 83.000 mudas em áreas indicadas pelas oito subprefeituras vizinhas: Casa Verde, Freguesia do Ó, Lapa, Mooca, Pirituba, Santana, Sé e vila Maria. Calçadas verdes Nestas áreas também está prevista implantação de calçadas verdes, tornando permeáveis até 25 hectares de passeios públicos. O cuidado é que 20% das espécies sirvam de alimento para a avifauna da área, mapeada antes do início das obras. Até o momento foram transplantadas no Parque Ecológico do Tietê 26.732 mudas. Plantadas em áreas inseridas no Parque Ecológico do Tietê – PET são 10.370 de um total de 63.000. O total superará as mais de 176.000 árvores previstas na compensação ambiental, correspondendo a quase 200 novas árvores para cada uma suprimida.

Números da Gigante • 1,2 milhão de viagens são realizadas diariamente na Marginal Tietê; • 6% de toda a carga do país passa pela via; • Se confirmadas as estimativas de redução de congestionamentos com a reforma, os motoristas ficarão 1,7 milhão de horas a menos na via por ano; • Ao todo serão suprimidas 559 árvores e plantadas cerca de 150 mil novas árvores, com um custo estimado de R$ 48 milhões.

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Especial Renovações no Transporte Nacional

Para plugar e andar Empresas anunciam novas alternativas para o transporte ecológico Heloisa Moraes

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ustentabilidade, praticidade e um modo alternativo de encarar trajetos pela cidade. Estas são as máximas que parecem definir a primeira scooter brasileira movida a energia elétrica. Fabricada pela Kasinski, a motoneta Prima Electra abrirá ainda neste semestre a nova linha de modelos elétricos que serão lançados até o final deste ano. A novidade, anunciada pelo presidente Claudio Rosa Junior durante o Fórum Internacional de Sustentabilidade, em 26 e 27 de março, pega carona no aquecimento do setor de motocicletas no país e na onda de produtos que não prejudicam o meio am-

biente. “Temos confiança de que esse mercado verde tem muito a crescer no Brasil”, afirmou ao jornal A Crítica, de Manaus. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), as vendas de motocicletas no país cresceram 35,3% em março em comparação com o mês anterior. Com o término da isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), as motos de até 150 cilindradas, as mais vendidas do mercado, retornaram à alíquota de 3%. Severamente atingido pela crise econômica no ano passado, o setor duas rodas registrou a comercialização de

410.095 motocicletas apenas no primeiro trimestre de 2010 - 21,15% maior do que no mesmo período de 2009. “Os dados são melhores do que os registrados nos últimos 18 meses e apontam para uma recuperação do setor (...). Porém, agora, com o término da isenção da Cofins, não sabemos como será a reação do público e os reflexos nas vendas”, afirma Paulo Shuiti Takeuchi, presidente da Abraciclo. Diferente, mas eficiente O segmento de veículos elétricos apresenta algumas peculiaridades, como a medida da potência – este modelo em questão tem 2000 W.

Setor duas rodas evoluiu bem nos últimos 18 meses com isenções fiscais


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Qualidade, durabilidade e facilidade de assistência técnica foram alguns dos fatores particulares do mercado brasileiro que procuraram ser atendidos pelo desenho e desempenho da motoneta. O modelo virá nas cores prata e vermelha e custará cerca de R$ 5.290,00 – um preço competitivo para o setor de motos de 150cc. Com motorização e design europeus, a scooter é automática e oferece três opções de pilotagem: econômica (velocidade reduzida para mais tempo de autonomia), conforto (velocidade moderada para trechos de média inclinação) e esportiva (máxima potência para ultrapassagens ou necessidade de maior arrancada). A maior diferença fica por conta do abastecimento: a bateria de chumbo com autonomia de 50 km precisa carregar durante aproximadamente seis horas – e isso custa, segundo a empresa, menos de R$ 2,00 – e alcança 60km/h no máximo. Segundo informações da assessoria de imprensa, a motoneta circulará em um primeiro momento somente no Brasil, mas irá manter a possibilidade de ser exportada para a América Latina. A segunda fábrica da empresa, localizada no Polo Industrial de Manaus, está em fase final de construção e será responsável pela produção de 110 mil unidades/ano por turno. Mais 11 fabricantes de motocicletas estão instalados no Polo, uma estratégia que permite a geração de empregos regionais e diminui a exploração da floresta amazônica. Negócio da China Além de crescimento no setor, o lançamento também representa um viés recente da economia chinesa: o interesse em firmar parcerias “verdes”. Isso mostra que o governo quer deixar a posição incômoda de maior emissor de gases estufa do mundo. “Representamos a (...) China moderna, que investe em tecnologias e processos sustentáveis e que se preocupa com o futuro do planeta”, disse Rosa ao jornal A Crítica. Em julho de 2009, a Kasinski teve 100% do seu capital adquirido pela CR Zongshen do Brasil, representação nacional da Zongshen Industrial Group, que está entre as oito maiores fabricantes de motos da China. 76

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A lei dos elétricos O crescimento contínuo da procura por veículos elétricos no Brasil trouxe a necessidade de uma lei específica para este setor. Por isso, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) criou em maio de 2009 a Resolução nº 315, que equipara veículos cicloelétricos aos ciclomotores e lista os equipamentos obrigatórios para condução nas vias públicas. Na categoria “cicloelétrico” estão todos os veículos de duas ou três rodas providos de motor de propulsão elétrica com potência máxima de 4 kW, dotados ou não de pedais acionados pelo condutor, cujo peso máximo, incluindo o condutor, passageiro e carga, não exceda 140 kg e cuja velocidade máxima declarada pelo fabricante não ultrapasse os 50 km/h. Como nas motocicletas a combustão, os cicloelétricos devem ter espelhos retrovisores de ambos os lados, farol dianteiro (branco ou amarelo), lanterna vermelha na parte traseira, velocímetro, buzina e pneus que ofereçam condições mínimas de segurança. Os condutores precisam ter a Autorização para Conduzir Ciclomotores - ACC e só poderão circular utilizando capacete de segurança com viseira ou óculos protetores, segurando o guidom com as duas mãos e usando vestuário de proteção. O Para o analista industrial Dave Hurst, a Ásia e em particular a China dominarão o mercado global de veículos elétricos de duas rodas. Isso irá representar, durante os próximos seis anos, mais de 95% das vendas. Mercado mundial 80 milhões de unidades por ano: esse é o mercado global aproximado de motocicletas. Segundo a Pike Research, empresa especializada em analisar mercados globais de tecnologia limpa, esse número deve dobrar em cinco anos e tende a crescer cerca de 9% ao ano até 2016. Desse total, estima-se que 56% serão apenas de bicicletas elétricas, enquanto 43% ficarão por conta das motos e 1% com scooters.

processo de habilitação e as normas de aprendizagem estão descritos nas Resoluções nº 168 - 169 - 193 - Consolidadas do Contran. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) obriga o registro e licenciamento, que deve seguir a regulamentação estabelecida nos municípios. Para a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), entretanto, a legislação não considera a diferença das bicicletas elétricas, que são apenas assistidas pelo motor elétrico e ainda contam com a força muscular. Por conta disso, uma carta enviada ao Contran em janeiro deste ano solicita a emissão de nova resolução que reflita tais características e que ainda preservem as medidas de segurança. Segundo informe do Jornal do Brasil divulgado no fim de 2009, a cobrança do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para veículos ciclomotores, inicialmente de 35%, está suspensa. A iniciativa partiu do Ministério do Meio Ambiente, que estima que o número de veículos inicialmente vendidos não deverá ser tão expressivo a ponto de afetar tais receitas fiscais e que o preço baixo será essencial para divulgar a tecnologia e as vantagens de poluir menos, causar menos impacto ambiental e reduzir o consumo de combustíveis fósseis. A utilização de cicloelétricos possui um enorme potencial de crescimento especialmente em países emergentes devido ao perfil socioeconômico da população, ao tráfego intenso nas grandes metrópoles e às restrições em relação à emissão de poluentes. Segundo reportagem publicada na revista Scientific American, uma moto emite até 20 vezes mais poluentes por quilômetro que um carro novo, por não possuir injeção eletrônica ou catalisador. Em São Paulo as motos circulam em média 180 km por dia, o que pode equivaler a 120 automóveis, que rodam cerca de 30 km por dia. Entretanto, fatores problemáticos também existem. A falta de estabilidade do canal de distribuição para esses veículos já acontece na América do Norte e


na Europa, por exemplo. A combinação de distribuidores independentes, revendedores e canais on-line para entrega e pós-venda são os serviços mais procurados pelos fabricantes atualmente. A inserção correta desse tipo de transporte é tão importante que, se não for devidamente planejado, pode resultar em problemas. Segundo artigo de profissionais do Departamento de Eletrônica

e Microeletrônica da DEMIC/FEEC/UNICAMP, a criação de um controle sobre o número de licenciamentos e a promoção de um investimento massivo na rede de distribuição de energia elétrica são possíveis medidas para evitar descrédito popular e sobrecargas na rede. A primeira ação seria importante por conta do que foi verificado no mercado chinês em relação ao excesso

de cicloelétricos e à segurança no trânsito. O desenvolvimento de pontos de fornecimento de energia que operem com cartões pré-pagos (como os cartões telefônicos), disponibilizando a quantidade de energia que o usuário deseja comprar, é outra alternativa proposta por um projeto submetido à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2007.

Alternativas elétricas A busca por alternativas de transporte de baixo custo, tanto para o bolso quanto para o meio ambiente, acontece no mundo todo. Segundo reportagem do Valor Econômico, as primeiras bicicletas elétricas surgiram na Europa há dez anos, mas só começaram a ser importadas há dois. Confira abaixo alguns cicloelétricos já existentes no mercado brasileiro. Biobike Proveniente do Rio de Janeiro, a bateria da bicicleta recarrega em 8h e se garante por 40 km – a empresa compara esse consumo a uma lâmpada de 15W. Tem velocidade máxima de 25 km/h e está disponível em três modelos diferentes. Mais informações: www.biobike.com.br

Electrobike Além de bicicletas elétricas, a empresa também é especializada na importação e exportação de patinetes, lambretas, motos e carrinhos de golf da chinesa Maja Internacional. O modelo Bike City atinge 50 km/h na velocidade máxima e conta com uma bateria que dura 50 Km. Mais informações: www.electrobike.com.br

Ecobike Originária do Rio Grande do Sul, a bicicleta faz até 40 km por carga de bateria, que recarrega no máximo em 8h e alcança 25 km/h. Vem com amortecedor do banco e na suspensão dianteira e tem cinco cores para opção.

YikeBike Esta é a primeira bicicleta elétrica do mundo que se pode dobrar em 15 segundos e levar a tiracolo. Possui uma bateria de fosfato de lítio com autonomia de 10 km, velocidade máxima de 20km/h e pode ser recarregada em 30 minutos.

Mais informações: www.ecobike.com.br

Mais informações: www.yikebike.com (em inglês)

Os carros também têm vez A tecnologia no setor de transporte limpo já chegou também nos carros, que estão saindo do tradicional modelagem grande e ganhando o conceito de pequeno e híbrido – com a vantagem adicional de ser mais barato e emitir menos gases causadores do efeito estufa. Essa foi a tendência observada no Salão do Automóvel de Detroit (EUA), que aconteceu em janeiro deste ano e expôs mais de 20 veículos conceituais (em fase de experimentação) de sete marcas em uma seção especial. A maioria dos modelos é híbrido, que é a combinação de motor elétrico e gasolina no mesmo carro. A fabricação de modelos 100% elétricos ainda enfrenta dificuldades devido a custos da tecnologia, tamanho e autonomia das baterias e infraestrutura necessária para recarga.

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Da cor do Brasil Inauguração das linhas verde e amarela do metrô de São Paulo é motivo de alarde e expectativa Heloisa Moraes

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esmoronamentos, prazos prorrogados e muita expectativa acompanharam as obras do metrô de São Paulo até a prometida inauguração das linhas previstas para este semestre. O que não aconteceu e, segundo depoimento do governador Alberto Goldman (PSDB) à Folha de S. Paulo, “termina quando acabar”. A entrega das estações Paulista e Faria Lima, que compreendem o 1º trecho da Linha 4-Amarela do metrô, anunciadas para o fim de março, não aconteceu. “A entrega das duas primeiras estações depende da conclusão bem-sucedida de uma série de complexos e exaustivos protocolos de teste”, informa nota enviada pelo Metrô ao Estado de S. Paulo. Segundo nota divulgada no site ExpansãoSP, os testes têm várias etapas. Adiamentos nas entregas de novas estações do metrô paulistano são uma constante desde 2008

Primeiro analisam-se trens (chamados tecnicamente de material rodante) e sistemas (sinalização, bloqueios eletrônicos, entre outros) separadamente, para depois testálos de forma integrada. De acordo com a ViaQuattro, concessionária responsável pela operação e manutenção da Linha 4-Amarela, cinco dos 14 trens que irão compor o trajeto estão passando por testes, que irão garantir os padrões de segurança e eficiência exigidos pela metrô. Além, é claro, de resultar em mais atrasos. Cronograma furado Estima-se que as estações Paulista e Faria Lima levem cerca de nove meses para ser inauguradas. Com este novo cronograma, a conclusão da primeira fase da obra – que

terá as estações Faria Lima, Paulista, Butantã, Pinheiros, Luz e República – aproximase do início de 2011. Esse “reagendamento” entra para a lista de uma série de sucessivos adiamentos desde 2008 – quatro anos depois do início das obras, que aconteceram durante a gestão do então governador Geraldo Alckmin (PSDB). Os atrasos começaram com o desabamento da futura estação Pinheiros em janeiro de 2007, que deixou sete mortos e prejudicou o andamento das obras. Depois disso, foi anunciado que o primeiro trecho da linha seria inaugurado entre novembro de 2009 e janeiro de 2010, quando os primeiros testes na linha se iniciariam com a possibilidade de liberação das catracas, o que não ocorreu. Peter Louiz


Linha 2 Verde

Segundo nota divulgada no site ExpansãoSP, o desenvolvimento de transporte sobre trilhos foi priorizado na distribuição da verba por ser mais eficiente, ter mais capacidade e poluir menos.

Linha 4 Amarela

A segunda fase da linha contempla as estações Fradique Coutinho, Oscar Freire, Higienópolis-Mackenzie, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, na zona sul da capital, e deve ser entregue entre o fim de 2012 e início de 2013. É possível acompanhar o andamento da L4 no site do consórcio Via Amarela, responsável pelas obras do metrô: http://www.viamarela.com.br/ Sem data de estréia Apesar das estimativas, o ex-governador José Serra (PDSB) afirmou, durante inspeção na L4 no fim de março, que os prazos são sujeitos à margem de erros e que o trecho entre a Vila Sônia e a Luz estará completo até o fim de 2010. No início de abril foi a vez de o atual governador Alberto Goldman visitar as estações Tamanduateí, Vila Prudente e Pátio Tamanduateí da Linha 2-Verde. A primeira estação está prevista para ser entregue ainda neste semestre - o que facilitará o deslocamento de usuários da região do ABC, que poderão fazer a conexão a partir da Estação Tamanduateí da CPTM, na Linha 10-Turquesa. A estação Vila Prudente, por sua vez, será inaugurada com preparos para futuras conexões com o monotrilho (extensão da Linha 2-Verde até Cidade Tiradentes) e com a Linha 15Branca (Vila Prudente e Tiquatira). Com a conclusão das obras de expansão da Linha 2-Verde, calcula-se que o número de usuários transportados diariamente salte dos atuais 420 mil para 835 mil. Interesses econômicos Tais evoluções do transporte metropolitano de São Paulo são consequência do plano de expansão iniciado em 2007 durante a gestão de José Serra. O plano

termina no final desse ano e contará até lá com o investimento de R$ 21 bilhões, o maior investimento no setor já realizado no Brasil. Além de determinar a construção e o aprimoramento de trens da CPTM, metrô e ônibus da EMTU, o plano também prevê a adoção do VLT (veículo leve sobre trilho) na Baixada Santista e do monotrilho (vagão que se transporta sobre apenas um trilho geralmente em elevados) nas futuras Linha 17-Ouro, Linha 16-Prata e prolongamento da Linha 2-Verde de Vila Prudente até Cidade Tiradentes.

A promessa do VLT Embora pouco conhecido no Brasil, o VLT (em outros países, chamado de light rail) é basicamente um trem menor e mais leve movido a eletricidade. O tamanho reduzido permite mais flexibilidade em curvas, o que facilita na adaptação do veículo a espaços urbanos, e tem custo mais baixo do que os trens tradicionais. A prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, entregou no início de março à Secretaria dos Transportes Metropolitanos o projeto funcional do Metrô Leve, que pretende ligar a região à capital paulista. O trajeto terá 23 quilômetros entre o bairro Alvarenga, em São Bernardo do Campo, e a Estação Tamanduateí da CPTM, na Vila Prudente, e será percorrido em cerca de 30 minutos. O novo sistema de transporte de superfície calcula a condução de 300 mil pessoas por dia, e embora ainda não haja definição de prazos, custo ou estrutura, a expectativa é que a obra seja iniciada em um ano e meio. Com informações do Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e R7

O VLT promete ser alternativa, mas ainda compete com o trânsito Alexandre Giesbrecht

O plano de expansão, de 2007 a 2010, prevê investimentos de R$ 21 bilhões

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É caminhão e Divulgação

é verde

Caminhões Iveco na última Fenatran: Daily elétrico (ao centro) aguarda últimos testes para começar a ser vendido

Daily elétrico, produzido pela Iveco, é o primeiro caminhão do Brasil movido a energia 100% limpa e renovável Rosane Araujo

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squeça aquela fumaça preta e o barulho infernal dos modelos tradicionais. Este caminhão é silencioso e não emite CO2, já que funciona à base de baterias. Apresentado ao mercado durante a última Fenatran – Feira Internacional de Transporte, realizada no ano passado, o Daily elétrico é o resultado de uma parceria entre a Iveco, empresa do grupo Fiat e uma das maiores produtoras de caminhões do mundo, e a Itaipu Binacional, a maior hidrelétrica do planeta. A parceria entre as gigantes surgiu em 2007, quando a usina convidou a montadora a participar da segunda fase do “Projeto do Veículo Elétrico”, um trabalho conjunto realizado com a Fiat Automóveis, iniciado em 2006.

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O resultado do “Projeto” foi a criação do primeiro veículo elétrico de passageiros, uma versão verde da linha Palio, da qual a hidrelétrica utiliza 15 unidades. O sucesso da primeira parceria levou ao desenvolvimento da segunda, mas, agora, o desafio foi implantar a propulsão a energia elétrica no modelo de caminhão a diesel Iveco Daily 55c. Para isso foram instaladas três baterias Zebra Z5 (Zeolite Bettery Research Africa Project) acopladas a um motor elétrico fabricado pela empresa suíça Mesdea. As baterias têm vida útil para cerca de 1.000 ciclos (cargas), não precisam ser retiradas para ser carregadas e o processo é feito por meio de três tomadas de 220/16A.

O Daily elétrico tem capacidade de carga útil de até 2,5 toneladas, autonomia de 100 quilômetros com carga completa e atinge a velocidade máxima de 70km/h. Vazio, a velocidade chega a 85km/h. O modelo ainda utiliza tecnologia KERS, que recupera a energia gerada na desaceleração, ou seja, na ação dos freios, transformando-a em carga elétrica direcionada para as baterias. A tecnologia fez do Daily um veículo ideal para o trânsito urbano, no qual o “para e anda” é frequente. Tantas peculiaridades levaram o modelo a receber o título de “Destaque Tecnológico do Congresso SAE Brasil 2009”, oferecido no encerramento da Mostra de Engenharia que fez parte do 18° Congres-


Daily Elétrico Modelo: 55c/E Cabine Dupla Propulsão: motor elétrico MES-DEA de corrente alternada

Iveco no Brasil • Atua desde 1997 e é dedicada à produção e comercialização de caminhões e ônibus; • Vendeu, em 2008, 12.000 unidades, seu melhor ano de vendas; • Sua fábrica está localizada em Sete Lagoas (MG), onde são produzidas todas as linhas de produtos. A fábrica possui uma “ilha ecológica” onde todos os resíduos industriais e a água utilizada no processo produtivo são tratados antes de ser corretamente destinados a reciclagem, reutilização ou disposição final. Fonte: www.iveco.com

capaz de reduzir em até 62% as emissões de CO2, quando comparado a um motor a diesel normal. Na Espanha, o representante da linha “ecoinovadora”, que une tecnologia com ecologia, é o Stralis, o primeiro caminhão do mundo movido a GNC (Gás Natural Comprimido). Ele possui 26 toneladas de capacidade, opera com motor Cursor 8 de 270cv e realiza a distribuição de produtos refrigerados de maneira politicamente correta, já que emite níveis de óxidos de nitrogênio inferiores aos da futura norma Euro VI, prevista para entrar em vigor nos próximos anos. Sustentabilidade vem de dentro Se boa parte da linha de caminhões produzidos pela Iveco segue a lógica da sustentabilidade, o conceito não poderia ficar de fora do funcionamento diário da empresa. “Temos não só a filosofia, mas a prática de começar este processo internamente. Todo o nosso plano de sustentabilidade começa com os funcionários, para então partir para os fornecedores e clientes”, revelou a coordenadora Junea.

As diretrizes voltadas para esta área estão reunidas no Programa Próximo Passo, que tem como objetivo promover ações em benefício da comunidade, clientes, funcionários e fornecedores, visando ganhos ambientais, sociais e econômicos. Do ponto de vista ambiental, a empresa procura adequar seu processo produtivo a práticas sustentáveis, além de desenvolver novas tecnologias. Na área social, o projeto procura promover cultura e esporte apoiando ONGs e outras iniciativas, com foco principal na comunidade Cidade de Deus, próxima à fábrica em Sete Lagoas, em Minas Gerais. Já na parte financeira, a sustentabilidade é colocada no centro da governança corporativa. A prova de que o tema é estratégico na empresa é que, a cada dois meses, acontecem reuniões do Comitê de qualidade e sustentabilidade, formado pela diretoria, funcionários do alto escalão e com participação ativa, inclusive, da presidência. Entre uma reunião e outra, um comitê de coordenação estratégica atua para que as resoluções do comitê de sustentabilidade sejam de fato efetivadas.

Divulgação

so SAE BRASIL, realizado em outubro, no Expo Center Norte, na capital paulista. O modelo da Iveco foi escolhido por um comitê de 12 engenheiros membros da SAE. Logo após sua divulgação, diversas empresas demonstraram interesse em adquiri-lo, entre elas Coca-Cola e Rapidão Cometa. “Os testes foram concluídos em agosto, mas não ao ponto de iniciar a comercialização. Estão terminando os testes funcionais para adaptação ao terreno e às condições de temperatura do Brasil”, explicou a coordenadora do programa de sustentabilidade da Iveco, Junea Sá Fortes. Segundo ela, como é um produto desenvolvido em conjunto, o primeiro lote está previsto para os parceiros, mas haverá outras unidades para o mercado, provavelmente a partir do segundo semestre deste ano Enquanto isso, está sendo desenvolvido um outro protótipo, com uma configuração diferente da linha Daily. “Sem querer passar por cima dos concorrentes, temos liderança no desenvolvimento de alternativas de transporte sustentável. A empresa investe recursos financeiros e humanos para realizar ações menos impactantes ao meio ambiente”, garantiu Junea. A preocupação faz da Iveco uma das líderes mundiais neste campo, produzindo não só protótipos de modelos elétricos, mas também caminhões híbridos dieselelétrico e movidos a gás natural GNV. Nas linhas internacionais, um dos destaques é a versão furgão da linha Daily, que foi eleita a “Van Verde 2009”, pela revista inglesa Fleet Van. Equipado com motor Iveco FPT F1C, movido a gás natural veicular (GNV), de 3.0 litros e 136cv, o furgão conquistou o título após provar ser

Velocidade máxima: 70km/h (carregado) 85km/h (sem carga) Comprimento: 6,9 metros Peso bruto total: 5,5 toneladas Carga útil: 2,5 toneladas Baterias: 3 do tipo Zebra Z5 Autonomia: 100km Recarga da bateria: 8h (a partir de bateria totalmente descarregada) Fonte: Revista Força Iveco

Boa parte da linha de caminhões produzidos pela Iveco segue a lógica da sustentabilidade

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História & Arte

O Mapinguary contra

King Kong Roteiro da Warner que mostra heróis da Amazônia como mexicanos vira briga judicial entre Acre e Hollywood Antônio Marmo

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ireto do histórico Estado do Acre, na deliciosa narrativa de um patrimônio local, o veterano escriba de batalhas amazônicas, Élson Martins, nos alcança cá no Sul Maravilha esta briga anticolonialista, na verdade uma peleja jurídica em que se colocam, de um lado, a mítica figura do Mapinguary e, do outro, o gorilão de Hollywood, o King Kong. Diz o Élson que “desde 2003, quando a briga começou, até agora, o Kong só tem levado vantagem. Na verdade, o macacão ignorou solenemente e até humilhou nosso “mapinguary”, o que fez aumentar a indignação local”. Entretanto, o cartunista Braga, profundo conhecedor das artimanhas acreanas, advertiu em charge: “Quem conhece ‘Mapinguary’, não se assombra com King Kong”. Vamos ver como o Élson conta a história. Essa história começa há 30 anos, lá pelos idos de 1980 quando os seringueiros acreanos, seguindo seu grande líder Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia (na fronteira com a Bolívia), deram o primeiro grito de guerra contra o desmatamento da floresta.

“Bang! Bang! Bang!” Mas a resposta dos fazendeiros foi fulminante: no dia 21 de julho daquele ano, dois pistoleiros, de tocaia, mataram Wilsão dentro da sede do sindicato, com três tiros pelas costas que lhe atingiram os rins. Foi aí que o comando da luta dos seringueiros passou das mãos do líder assassinado para as de seu companheiro Chico Mendes, ex-secretário do sindicato, que montou sua base na vizinha cidade de Xapuri. Vieram novas ameaças, novos empates contra as derrubadas, e “bang! bang! bang” – mataram também Chico Mendes em condições semelhantes, no dia 22 de dezembro de 1988. 82

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O mundo ouviu... Aí, o mundo inteiro ouviu os estampidos, continua o narrador. Chico Mendes foi comparado a mártires internacionais da dimensão de Mahatma Ghandi e Luther King. A tragédia, claro, interessou aos estúdios cinematográficos do país e dos Estados Unidos, que disputaram o direito de transformá-la em filme. A poderosa empresa norte-americana Warner Brothers levou a melhor e entregou um discutível roteiro ao prestigiado diretor John Frankenheimer que, em 1994, rodou o filme com o nome de Amazônia em Chamas. Originalmente, The Burning Season (título em inglês) foi produzido para televisão pela rede HBO e pouco teve a ver com a luta dos seringueiros acreanos. Rodado no México com atores espanhóis, colocou Wilson Pinheiro de cabelos longos e seus companheiros com chapelão mexicano. Ainda assim, há 20 anos fatura horrores. Contra a Warner Aqui começa a peleja, pois a Warner procurou a família de Chico Mendes para discutir direitos autorais e investiu boa soma de dólares nisso. Mas não deu a menor importância à família de Wilson Pinheiro, ou seja, a viúva Maria Therezinha Pinheiro e seus oito filhos, dos quais sete são mulheres. Menos conhecidos da mídia que a família de Chico Mendes, os Pinheiro não sabiam nem a quem recorrer. Até que o advogado amazonense Paulo Dinelli, alheio às intrigas acreanas, entrou na história. Foi o único que aceitou a causa, em parte porque a família não tem dinheiro nem prestígio. Ele disse que, um dia, Hiamar (filha de Wilson que, foi vereadora pelo PT e agora está no PC do B sem mandato) en-

trou no seu escritório com uma fita VHS do filme Amazônia em Chamas. Daí a história foi rolando. Processo - Dinelli entrou com um processo contra a Warner Brothers em 2003 pedindo indenização de R$ 4 milhões. Em 2005, a juíza Olivia Ribeiro, do Acre, condenou a empresa norte-americana a pagar, mas desapontou ao reduzir o valor cobrado pelo advogado para irrisórios R$ 160 mil. Mesmo assim, a poderosa Warner contestou a ação por meio de seu escritório em São Paulo, voltando tudo à estaca zero. Quando viu a sentença, Hiamar subiu nos tamancos e decidiu entrar com nova ação para corrigir a quantia. A nova ação não fala mais em direitos autorais, mas em “danos morais”. E aí a argumentação é contra falsidade do roteiro filmado por John Frankenheymer Pra valer - Desde 2009, Hiamar vem empenhando-se em somar forças contra a Warner Bros. Seu mais forte aliado, hoje, é o militante político histórico, Abrahim Farhat Neto, o Lhé, que anda fuçando coisas até na ONU para fazer com que a Warner Bros se enxergue como vilã. Neste começo de 2010, Lhé enviou emails para instituições nacionais e internacionais condenando a atitude da indústria cinematográfica norte-americana. E descobriu que no dia 25 de março o ex-presidente dos EUA e prêmio Nobel, Al Gore, vinha a Manaus, devendo cercá-lo para obter seu apoio. A Confraria da Revolução Acreana, entidade que lhé ajudou a criar em Rio Branco, tem promovido reuniões semanais para discutir o assunto e está mobilizando-se para uma reunião em Brasília, nos próximos dias, com a bancada dos deputados acreanos na Câmara Federal. Élson conclui: a Warner Bros que se cuide!


Kong, o macacão de Hollywood, desde 2003 leva vantagem sobre a figura mitológica do Mapinguary na briga pela história de Chico Mendes

Professor de Chico Mendes Abaixo, uma nota da Confraria dirigida pelo Lhé condenando a posição da empresa de Hollywood pela descaracterização da imagem do herói-seringueiro tido como “professor de Chico Mendes”. “Vimos, por esta nota, repudiar a ação da empresa cinematográfica norte-americana Warner Brothers de não pagar indenização à família do sindicalista Wilson Pinheiro, do Acre, pelo uso da imagem de sua história, sem autorização, no filme Amazônia em chamas, produzido em 1994. “Ao contrário do que fez com a família de Chico Mendes, que foi consultada sobre o uso da imagem de sua história, também veiculada no filme, a Warner Bros recorreu da sentença dada em 2007 pela juíza Olívia Ribeiro, de Rio Branco (AC), mandando a empresa pagar indenização de R$ 200 mil à família de Wilson Pinheiro. “A empresa cinematográfica recorreu da sentença e a ação não prosseguiu em grau de recurso, o que levou a família do sindicalista a decidir por uma nova ação judicial sobre o assunto. “O sindicalista Wilson Pinheiro militou no Acre nas décadas de 1960 e 1970 contra a ação de fazendeiros e latifundiários, que tentaram expulsar seringueiros,

índios e outros povos da Floresta Amazônica, para colocar em seu lugar a produção de bois. “Considerado professor de Chico Mendes no sindicalismo em favor dos seringueiros acreanos, Wilson Pinheiro foi assassinado a tiros em Brasiléia, em dezembro de 1980, causando um grande clamor no meio rural do Acre, levando, inclusive, ao seu enterro, o então sindicalista e hoje Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “Lula falou na ocasião para milhares de trabalhadores rurais da região, o que lhe rendeu um processo com base na Lei de Segurança Nacional por ter dito a frase ‘chegou a hora da onça beber água’”. Abrahim Farhat - Confraria da Revolução Acreana - Rio Branco 19 de fevereiro de 2010 A bancada acreana na Câmara dos Deputados em Brasília poderá apoiar a família do líder sindicalista Wilson Pinheiro, morto em 21 de julho de 1980, em Brasiléia (AC), contra a empresa cinematográfica norte-americana Warner Bros, que não pagou direitos autorais para usar a imagem do sindicalista no filme Amazônia em Chamas, rodado no México em 1994.

O assunto entrou na pauta da reunião da bancada. No início de março, a assessoria do deputado federal Fernando Melo (PT-AC), coordenador da bancada em Brasília, participou no Ministério Público Estadual, em Rio Branco, de reunião da Confraria da Revolução Acreana com a família Pinheiro,na qual foi exposta a situação. (pela transcrição, Antônio Marmo) Nota: lembra-se que a frase de Lula foi interpretada pelos agentes de segurança da ditadura como um chamado à revanche. Dois ou três dias depois do enterro de Wilson Pinheiro um grupo de seringueiros cercou Nilo Sérgio, um capataz de fazenda que eles consideravam autor dos disparos contra Pinheiro e o mataram. Já o Mapinguary é um ser mitológico das selvas amazônicas, que se assemelha a um grande macaco peludo com a boca no estômago e fedorento, que pode ser comparado ao Pé Grande canadense, ao Abominável Homem das Neves tibetano etc Pesquisadores antropólogos acreditam que a lenda do Mapinguary é baseada no contato que ancestrais amazônicas tiveram com os últimos representantes de preguiças-gigantes que habitavam as florestas, talvez ainda presentes na Amazônia. Houve até expedições para procurar o bicho. Neo Mondo - Abril 2010

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Meio Ambiente

Ambiente Subterrâneo Media Manager/Embraer

Vista aérea da Embraer em Gavião Peixoto: 17 milhões de m2 e pista de 5 km para testar aviões de guerra e modelos executivos

Ao implantar unidade em área do Aquifero Guarani, a fábrica de aviões Embraer armou-se, à época, de um escudo científico para evitar impactos no local. Mas, 10 anos depois, dados são um mistério: não se conhecem as novas medições para comparar. Antônio Marmo

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implantação de unidades fabris na área do Aquífero Guarani sempre gerou polêmicas quentes, tanto que a Embraer - Empresa Brasileira de Aeronáutica, uma das mais emblemáticas no cenário da indústria nacional, armouse de precauções quando decidiu-se pela pequena Gavião Peixoto, na região de Araraquara, para instalar ali uma unidade para aviões especiais. A preocupação com o aquífero começou já nos primeiros levantamentos topográficos, nos projetos de terraplanagem, 84

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drenagem e implantação dos arruamentos. A empresa apressou-se em contratar consultoria especializada para um estudo de impacto ambiental, mas nunca divulgou as conclusões alegando que o relatório é de “interesse exclusivamente interno”. Nas margens do aquífero, erosões expõem pedaços do arenito. A água do manancial está situada a uma profundidade que oscila de 50 metros a 800 metros. Só 10% da área total está rente à superfície. São os chamados afloramentos. É por ali que a chuva entra e também por onde

a contaminação pode acontecer. Em 2002, alguns poços foram fechados na cidade uruguaia de Riviera, na fronteira com Santana do Livramento, por causa da contaminação por nitrato. Neo mondo conseguiu pinçar itens a mostrar que a companhia chegou a “relevantes suportes científicos para resguardar a empresa quanto à ocorrência de eventuais impactos ambientais futuros” (em relação aos parâmetros inventariados). Houve o acompanhamento de geólogos que aplicaram técnicas da geoestatística para a


Análises químicas Já nos primeiros meses da obra, a empresa assinou parceria com o Instituto de Química de Araraquara, vinculado à Unesp, que disponibilizou equipe de 10 técnicos para monitorar os parâmetros indicadores da qualidade das águas dos córregos Mulada, Muladinha e Maringá, localizados no polo aeroespacial, todos nas bordas do aquífero. Claro que nas primeiras amostragens ainda não havia atividades no local em análise. O estudo era justamente para servir de referência em medições futuras. As amostragens foram feitas em período de muita chuva. O teor de alumínio, diz relatório da época, manteve-se um pouco acima do limite estabelecido pela Resolução Conama 20, indicando que o metal devia ser originário do solo da bacia de drenagem e era carregado para os mananciais inventariados via lixiviação. Considerando que durante esse período a empresa não teve atividades industriais na área, os valores podiam vir de decomposição vegetal e/ou lixiviação de óleo mineral aplicado com herbicidas / pesticidas em lavouras da região.

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Viveiro de mudas: 600 mil árvores plantadas sob supervisão da Esalq como compensação ambiental

Escudo científico Os resultados de coliformes totais e fecais mostravam-se abaixo daqueles estabelecidos pela citada Resolução. Quanto aos pesticidas / herbicidas, na primeira e segunda amostragem, alguns foram detectados. A nova unidade está encravada no coração da agricultura paulista, onde se cultivam laranja e cana-de-açúcar. Ela é circundada por área essencialmente agrícola, atividade que gera aporte de herbicidas mas, à época, ela desativou alguns hectares com plantação de laranja e cana, levando os técnicos a concluir que isso influiu na diminuição de registros de pesticidas nas águas do entorno da unidade. Os técnicos do Instituto de Química da Unesp concluíram que “o inventário científico sazonal sobre os mananciais e a não utilização de herbicidas / pesticidas pela Embraer em suas atividades eram“ um escudo científico em defesa da empresa quanto a ocorrências eventuais. O relatório chamava a atenção para o fato de que “ficava evidente a preocupação da empresa em conhecer o passivo ambiental adquirido e também se manter informada a respeito de parâmetros indicadores da qualidade da água dos mananciais durante suas atividades no Pólo Industrial”. Entretanto, dez anos após a implantação, a empresa não divulga detalhes do levantamento científico nem das comparações sazonais. O que há são declarações formais: “a Embraer mantém procedimentos documentados e programas para monitorar e medir periodicamente, as características principais das operações e atividades da empresa que possam ter impacto significativo sobre o ambiente”. 600 mil árvores Um dos resultados do estudo produzido para aferir o impacto ambiental no processo de construção da fábrica na região, foi o comprometimento da Embraer junto ao governo do estado de plantar cerca de 600 mil árvores no entorno da empresa, numa área de 350 hectares ou cerca de 424 campos de futebol. Mas este plantio não pode ser vinculado diretamente à defesa do aquífero. À época - quem lembra? - houve disputa entre plantadores de laranja no entorno do projeto e a empresa. O replantio teria entrado no acordo como compensações ambientais, ao lado das indenizações de praxe, mas sem referências ao aquífero.

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espacialização da vulnerabilidade do Guarani, bem como o acompanhamento de sondagens para medição de nível do lençol freático.

Funcionário rega muda em área de replantio: acordo com o Estado

O polo industrial ocupa uma área de 17 milhões de metros quadrados, sendo que 3 milhões de metros quadrados foram reflorestados com árvores nativas. Isso corresponde a 20 % do total da área. O reflorestamento começou com a implantação da fábrica, ainda em 2001. Cerca de 530 mil metros quadrados, área igual às instalações da empresa na unidade Faria Lima, em São José dos Campos, estão reservados para a instalação de parceiros da Embraer. Monitorar o lençol A Embraer comprometeu-se a recuperar a vegetação em Gavião Peixoto, bem como monitorar a qualidade dos lençóis freáticos e rios, além de implementar rígidos controles de descarte do lixo e poluição. O acompanhamento técnico do plantio ficou a cargo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba. A empresa plantou na área 135 espécies nativas de árvores em Gavião Peixoto. A escola segue a cartilha: tecnicamente, as primeiras a ser plantadas foram as chamadas árvores “pioneiras”, que crescem mais rápido e criam as condições certas para a próxima geração germinar e desenvolverse vigorosamente. As árvores pioneiras plantadas em Gavião Peixoto são a embaúba, aroeirapimenteira e angico. Exemplos de árvores

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Meio Ambiente Media Manager/Embraer

São 350 hectares ou 424 campos de futebol reflorestados com 135 espécies diferentes

da segunda geração seriam o pau-brasil, ipê, cedro, peroba etc. Em média, as árvores pioneiras precisam de cinco anos para atingir a idade adulta. O processo de plantio demorou ao todo oito anos. A localização e a topografia plana foram decisivas para que a Embraer se decidisse por Gavião Peixoto, com cerca de 5 mil habitantes, já que a fábrica tem uma pista de pouso e decolagem de 5 km de extensão por 95 metros de largura, e é dotada de características para apoio a atividades de ensaios de voo, o que a tornam única em todo o Hemisfério Sul. Para a nova unidade, a empresa transferiu de sua sede em São José dos Campos a montagem dos jatos executivos Legacy e dos aviões militares AMX e Super Tucano ALX, além da modernização dos caças F-5 da Aeronáutica. Também ficou para a nova unidade a montagem dos caças supersônicos Mirage 2.000.A empresa possui um acordo com as francesas Dassault, Snecma e Thales.

EVOLUÇÃO AMBIENTAL Com a implantação de uma diretoria ambiental a empresa hoje recicla 83,7% dos resíduos produzidos, incluindo o reúso de águas, gerando receita extra de R$ 17 milhões A política ambiental da Embraer evoluiu para a implantação mais recente de uma Diretoria de Estratégias e Tecnologias de Meio Ambiente. A nova estrutura está vinculada à Vice-Presidência Executiva de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento Tecnológico, comandada pelo engenheiro Satoshi Yokota, há 37 anos na empresa. Foi o engenheiro Yokota que nos informou sobre os estudos ambientais preliminares em Gavião Peixoto a bordo do avião que levou jornalistas para o lançamento da pedra fundamental da unidade ainda em 2001. Hoje o vice-presidente comenta que “buscou-se, com a nova diretoria,por meio da consolidação das iniciativas já existentes na área industrial, em conjunto com a procura de materiais e tecnologias alternativas, saídas para diminuir o impacto ambiental de nossas atividades e da operação de nossos aviões”. As informações seguintes vêm de releases da empresa. Nomeado para dirigir a nova estrutura, Graciliano Campos, dire-

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tor de Estratégias e Tecnologias de Meio Ambiente, tem a responsabilidade de desenvolver políticas específicas de meio ambiente, em consistência com as legislações e normas globais existentes. A área está trabalhando na contratação de uma consultoria para inventariar as suas unidades do Brasil com relação à emissão de dióxido de carbono (CO2) e busca a certificação ambiental para as unidades da Embraer em Portugal, na China, nos Estados Unidos e na França. A Embraer acompanha o desenvolvimento de novas regulamentações e apoia tecnicamente o governo brasileiro nas discussões dentro do Comitê de Proteção Ambiental (CAEP - Committee Aviation Environmental Protection) na Organização Internacional da Aviação Civil.

(CO2) e de óxidos de nitrogênio (NOx)”. Com melhorias contínuas implementadas nas aeronaves desde a entrada em serviço, a Embraer anunciou reduções de consumo de 2% para a Família ERJ 145 e de até 4% para os E-Jets. Procedimentos operacionais e de manutenção podem reduzir o consumo em até 12%. O Legacy 600 produz cerca de 25% a menos de emissões de CO2 do que a geração anterior de jatos do mesmo tamanho, além de preservar os níveis de ruído bem inferiores aos exigidos pela ICAO. Os novos Phenom 100 e Phenom 300 foram projetados empregando tecnologias utilizadas do desenvolvimento dos E-Jets, com ferramentas de projetos ambientais,sempre de acordo com informações formais da Assessoria.

Fumaça dos jatos Nas informações da assessoria de imprensa “a Embraer está atenta à recomendação mundial de que motores a jato reduzam o volume de dióxido de carbono

Economia de 17 milhões Quem responde pela área de meio ambiente industrial é Luiz Alberto Ladewig, gerente de Serviços de Suporte. Diz ele que “atualmente a empresa já


recicla 83,7% dos resíduos produzidos, como madeira, plástico, isopor, papel, papelão, óleo de cozinha e limalhas de metais em geral. Os 16,3% restantes representam materiais que, no momento, são considerados não-recicláveis. Com o programa de reciclagem, conseguimos gerar neste ano uma receita de R$ 17 milhões para a empresa”, diz ele. São números para ser aplaudidos, claro. O esforço da empresa, agora, “é difundir as iniciativas já existentes aqui em São José dos Campos para as outras unidades da Embraer –aí incluindo-se Gavião Peixoto”. Para isso ela elabora o Plano Diretor de Meio Ambiente, que tem por objetivo ampliar a abrangência dos projetos e levantar indicativos que possam medir a eficiência ambiental de cada uma das unidades do grupo”, nas informações de Ladewig.

Reúso da água É dele o mérito do processo que levou a Embraer, em 2002, a ser a primeira do setor aeronáutico mundial a obter a certificação internacional de gestão ambiental ISO 14001. No rol de programas da empresa, encontra-se a recuperação do cromo dos banhos de tratamento de superfície de peças metálicas. Depois de passar por várias etapas de transformação, o cromo resulta em óxidos metálicos usados em indústrias de componentes químicos, refratários e tintas. A água também é parte das preocupações da empresa. Seu reúso é feito de duas maneiras: a primeira vem da lavagem no processo de tratamento de superfície, que é armazenada e abastece os lavadores de gases e peças da usinagem química.

A segunda envolve a água proveniente de várias lavagens, que converge para um tanque na estação, passa por uma série de controles e é novamente utilizada nas torres de resfriamento do sistema de geração de energia e cabines de pinturas. Trocando tinta Visando reduzir a emissão de compostos orgânicos voláteis (solventes) para a atmosfera, a Embraer substituiu em 2006 as tintas convencionais (com alto teor de solvente) por tintas high solids (baixo teor de solvente) em todas as linhas de pintura das unidades de produção no Brasil. A empresa também não usa mais tintas à base de solvente na pintura interna das peças de materiais compostos dos aviões. Elas foram trocadas por tintas à base de água.

PRÊMIOS EM RECONHECIMENTO Por todos esses procedimentos, a Embraer recebeu diversos prêmios em reconhecimento ao seu desempenho em gestão ambiental. Confira: • Prêmio Fiesp de Conservação e Uso Racional de Energia, 2006

1º lugar: Projeto: Eficiencia do Sistema de Ar-Comprimido

3º Lugar - Modalidade Multiuso de Energéticos com o projeto: Sistema de Ar-Condicionado a Gás Natural com Aproveitamento Térmico

• Benchmarking Ambiental Brasileiro, 2006

Com o projeto: Revitalização das Nascentes do Rio Paraíba do Sul (pegou um 6 º lugar)

• Prêmio Fiesp Mérito Ambiental, 2003

Projeto: Eficiência do Sistema Anaeróbico do Sistema Aplicado à Estação de Tratamento de Efluentes Domésticos na Unidade de Gavião Peixoto

Em junho de 2005, na França, a revista Flight International concedeu à aeronave o Prêmio da Indústria Aeronáutica na categoria Aviação Geral, durante a abertura do Paris Air Show.

O avião verde recebeu também o Troféu Ouro na categoria “Novidade” do “Premio Gerdau de Melhores da Terra”. Em dezembro de 2005, o Ipanema é reconhecido como uma das 50 melhores invenções do ano e recebe prêmio da revista Scientific American.

Em 2002, a Unidade de São José dos Campos foi certificada no Sistema de Gestão Ambiental, atendendo à Norma ISO 14001 mantendo a certificação através da Auditoria de Manutenção realizada pela certificadora ABS – American Bureau of Shipping.

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• Ipanema a álcool

Batizado “avião verde”, o Ipanema a álcool recebeu prêmios no Brasil e no exterior

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Meio Ambiente

Desfazendo mitos O mega-reservatório hídrico subterrâneo da América do Sul não é o “mar de água doce” que se pensava existir. A conclusão vem desde 2006, quando a revista Scientific American, edição 47 de abril daquele ano, divulgou estudos conclusivos do geólogo José Luiz Flores Machado, cujo doutorado é justamente sobre geologia e estruturação do Sistema Aquífero Guarani.

Área de abrangência do Aquífero Guarani

Tais estudos sobre sua diversidade revelam que há grande descontinuidade na estruturação geológica. Em espaços de algumas centenas de quilômetros, sua potencialidade pode variar drasticamente. Enquanto algumas áreas são excelentes, em outras a água é inacessível, escassa ou não-potável, salobra. Diz o estudioso que “com essas informações se chega a um impasse, pois não estamos em presença de um único aquífero e sim de um “sistema aqüífero” Guarani. Suas camadas aqüíferas não são unicamente originadas de dunas de um antigo deserto, como os arenitos Botucatu, e sim de intercalações de camadas com diferentes origens e permeabilidades, portanto, com mais ou menos água. “Desse modo”, enfatiza, “quando falamos ou escrevemos “Aqüífero Guarani”, na realidade estamos simplificando um conceito de sistema aquífero, de camadas sedimentares de várias origens, depositadas em um intervalo de mais de 100 milhões de anos, com porosidades e permeabilidades muito variáveis, que vão influenciar em sua potencialidade aquífera, com poços secos em camadas quase impermeáveis, que isolam outras camadas aquíferas de boa permeabilidade e poços de ótima vazão”. O sistema aqüífero Guarani abrange cerca de 1,2 milhão de km2, espalhando-se pelo Paraguai, Uruguai, Argentina e oito estados brasileiros. Nem todas as regiões, porém, são beneficiadas pelas bordas de afloramento e seus arredores, como em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraguai ou Mato Grosso do Sul. Além do Guarani, sob a superfície de São Paulo, há outro reservatório, chamado Aquífero Bauru, que se formou mais tarde. Ele é muito menor, mas tem capacidade suficiente para suprir as necessidades de fazendas e pequenas cidades.

água puríssima para remédios A Secretaria Estadual da Saúde inaugurou em junho do ano passado, também dentro da região do aquífero, uma nova fábrica de medicamentos da Fundação para o Remédio Popular (Furp). Ela fica em Américo Brasiliense, também região de Araraquara. Esta é a primeira fábrica pública a produzir genéricos no Brasil. Projetada com tecnologia de ponta, a mesma utilizada nos melhores laboratórios do mundo, a fábrica terá capacidade para produzir 21,6 milhões de ampolas e 1,2 bilhão de comprimidos por ano, quando toda a linha de produção estiver em plena operação. A produção atual da Furp é de mais de 1,8 bilhão de fármacos/ano.

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A escolha da cidade de Américo Brasiliense também foi estratégica: a região conta com água em abundância e de excelente qualidade, proveniente justamente do Aquífero Guarani, requisito fundamental para a produção de medicamentos injetáveis. Nesses produtos é utilizado um tipo de água com teor puríssimo (WFI) e, na fabricação de comprimidos, o tipo PW (pure water ou água pura), que também é indicada para os processos de lavagem de equipamentos. A unidade de Américo Brasiliense é de última geração. Na construção foram empregados materiais modernos para revestimentos de pisos e paredes. Pesquisados fora do Brasil, esses mate-

riais são utilizados na área farmacêutica em função da facilidade de manutenções futuras. O sistema é composto de uma manta vinílica flexível, que impede trincas e rachaduras e, conseqüentemente, a entrada de bactérias. Dessa forma fica garantida a total assepsia do local. Entre outras medidas visando à sustentabilidade também foram plantadas aproximadamente 6 mil mudas de árvores em uma área reservada, um número infinitamente abaixo do exigido da Embraer. A fábrica conta com uma Estação de Tratamento de Efluentes própria e também reutiliza água em irrigação.


Dilma de Melo Silva

Ventos modernizantes:

custos sociais e ambientais irreparáveis

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esde a década de 60 os países denominados de periféricos são bombardeados pelos países centrais para que introduzam novas formas de produção que permitam o desenvolvimento, ou seja, crescimento econômico, progresso, estilo de vida dentro do modelo euro-americano. Para a efetivação desses propósitos, é estabelecida, em nível internacional, uma ajuda para permitir aos países em desenvolvimento que superem seus níveis de pobreza, de acordo com os parâmetros estatísticos elaborados nos EUA ou Europa. Desse modo, as ex-metrópoles, criadoras da pobreza nas ex-colônias (Ásia, América Latina, África...), se dispõem a colaborar para que essa situação de miserabilidade desapareça. São enviados equipamentos, transferência de knowhow, planos estratégicos, empréstimos, especialistas; são realizados colóquios, ciclos de estudo, debates, teses, centros de pesquisa recebem financiamento (Ford, Rockfeller, Fullbrigh, Gubenkian, dentre outras) convênios bilaterais são assinados. Assim, o desenvolvimento passa a ser aceito, de modo indiscutível como a nova religião dos tempos contemporâneos, que aliado ao mito do progresso se opõe á tradição.

Muitos autores renomados, como; Kamarck, apoiam-se, para elaboração de suas propostas, na visão do esquema dual de sociedade, vista como tendo dois eixos opostos complementares; o moderno e o tradicional. Aí teríamos dicotomias: campo/cidade, desenvolvido/subdesenvolvido, rural/urbano, atraso/progresso, tecnologias complexas/tecnologias simples, comunidades ágrafas/sociedades com escrita, economia com produção de excedente/ economia auto-suficiente. Enfim, a mística do desenvolvimento perpassa por todos os cantos do planeta, temos um globalização vinda de fora, burocratização das empresas e do aparelho do Estado, expansão do neo-liberalismo. No caso particular de nosso país,a partir das décadas de 70/80 vemos a penetração desse modelo, e da tese liberal de que a economia monetária é libertária, capaz de salvar a Humanidade das incertezas da dependência da natureza, mas o que assistimos é o êxodo rural, a intensificação da urbanização e formação de bolsões de miséria e de desigualdades. Mas, os custos sociais e ambientais irreparáveis,e, em nomes das gerações futuras devemos pensar em modelos econômicos alternativos em soluções auto sustentáveis que permitam um expandir

de nossas potencialidade e não apenas de transferências de um receituário exógeno. Muitos dos projetos provocam efeitos perversos principalmente junto às comunidades envolvidas que não participaram da tomada das decisões, por serem destinatárias passivas em todo o processo. As resoluções são posta em ação a partir do que os especialistas acreditam que sejam os problemas, numa técnica racionalidade externas ás populações envolvidas,que introduz necessidades novas, antes inexistentes. Assim todo o ecossistema é atingido bem como os valore sociais pois os envolvidos tem a sua frente o novo deus da modernidade que deve ser cultuado,e, os valores tradicionais rotulados de retrógrados e atrasados,devendo ser abandonados pois dificultam o progresso.

Professora doutora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, socióloga pela FFLCH\USP, mestre pela Universidade de Uppsala, Suécia, e Professora convidada para ministrar aulas sobre Cultura Brasileira na Universidade de Estudos Estrangeiros, no Japão, em Kyoto. E-mail: disil@usp.br

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Ciência & Tecnologia

Pequenas notáveis

Projetos atestam a capacidade de limpeza e despoluição com o uso de bactérias e compostos químicos Heloisa Moraes

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volvem na presença de oxigênio) presentes nas amostras de água contaminada da capital paulista. Como subproduto dessa degradação foi gerado clorofórmio, que apesar de tóxico é facilmente decomposto pelo meio ambiente. Os riscos biológicos são praticamente nulos, já que as bactérias utilizadas são provenientes do próprio ambiente contaminado. A técnica pode ser aplicada de duas maneiras: liberando a biomassa cultivada em Márcio Lambais

A

o contrário do ditado, nem todos que fazem a fama deitam na cama. A diferença é que nesse caso não é quem, mas o que. A biotecnologia está transformando o conceito de vilãs das bactérias, que são responsáveis por uma série de doenças, em verdadeiras salvadoras para uma série de problemas ligados à poluição e acúmulo de resíduos tóxicos. O projeto brasileiro mais recente nessa área corresponde a um projeto coordenado pelo professor Marcio Rodrigues Lambais, do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), que emprega consórcios bacterianos para a degradação de um produto altamente tóxico. O composto em questão, chamado tetracloroetileno (PCE), é usado em lavanderias (lavagem a seco) e indústrias metalúrgicas desde o início do século XX. A pesquisa “Desenvolvimento de uma técnica de bioestímulo para a remediação de solo e água subterrânea contaminada com tetracloroetileno”, iniciada em 2006, conseguiu degradar aproximadamente 98% do composto em apenas 12 horas utilizando bactérias aeróbias (que se desen-

laboratório em campo ou armazená-la em um reator no qual a água ou solo podem ser bombeados (ver foto). A equipe prefere utilizar o aparelho por conta do maior controle sobre as bactérias e da possibilidade de tornar o processo mais eficiente por meio de ajustes que propiciem condições mais favoráveis às colônias de bactérias. Segundo Lambais, a biorremediação (utilização de seres vivos ou componentes derivados na recuperação de áreas Biorremediação de solos contaminados alcança quase 100% de degradação do composto


Qual é o cardápio? O sequenciamento genético é a principal ferramenta para entender o funcionamento de bactérias que, se corretamente manipuladas, podem trazer muitos benefícios para a vida humana. Uma delas é a Deinococcus radiodurans, descoberta em 1956 durante a tentativa de esterilização de comida enlatada por raios gama. Quando exposta à radiação, a

Unidade piloto já fabrica 200 l de biossurfactante, mas ainda é pouco

bactéria consegue reparar a estrutura de seu DNA “quebrado”, o que não é possível em humanos – nem em nenhum outro ser vivo conhecido. Por conseguir suportar até 1,5 milhão de rads (sigla em inglês para ’dose absorvida de radiação’), quase 3 mil vezes mais do que o limite humano, a bactéria pode representar uma esperança contra o câncer. Se sobreviver à radiação já parece absurdo, imagine então alimentar-se dela. É o que acontece com alguns tipos de fungo que penetraram pelas brechas do reator 4 da usina de Chernobyl, na Ucrânia, e se alimentam de radioatividade. O lugar, que em 1986 foi palco do pior acidente nuclear da história, abriga mais de 35 espécies mutantes que conseguem transformar a radiação em energia. O processo é similar ao que acontece nas plantas, que usam a clorofila para absorver luz solar e transformar em alimento – só que utilizando melanina. Segundo pesquisadores dos EUA, não há perigo de que estes “seres atômicos” se espalhem, já que o alimento radioativo se encontra apenas naquele local e não haveria como sobreviver em outro.

(Com informações de Superinteressante e Ciência Hoje) Divulgação

Menu do dia: óleo No que diz respeito à remediação ambiental, o estímulo de bactérias locais não é a única alternativa conhecida. Uma parceria entre a Petrobras e o Instituto de Química da Universidade Federal do Rio da Janeiro (UFRJ) possibilitou há dez anos a descoberta de biossurfactantes, uma espécie de detergente capaz de limpar manchas de óleo. Desde então, o desenvolvimento do composto tem sido aprimorado nos laboratórios de química da Coppe/ UFRJ e conta com a coordenação do professor Cristiano Borges há cinco anos. “O biossurfactante nada mais é do que um composto surfactante biodegradável que solubiliza os compostos oleosos em água”, explica o engenheiro químico Frederico de Araujo Kronemberger, que trabalha na produção do composto. Isso quer dizer que o detergente, além de alterar as propriedades do óleo, ainda é totalmente degradado pela natureza. Produzido a partir da fermentação aeróbia das bactérias Pseudomonas sp em um substrato de glicerina, o biossurfactante cruza dois benefícios: bactérias originárias de poços de petróleo (que se alimentam apenas destas cadeias orgânicas) e a acessibilidade da glicerina – um subproduto do biodiesel que tem sobrado devido à quantidade de usinas produtoras, o que o torna cada vez mais barato. A maior vantagem é a capacidade de emulsionar qualquer composto orgânico, como a gasolina, e torná-lo dis-

ponível para a degradação pelos microorganismos presentes na água ou no solo. Depois do total consumo do material oleoso, o próprio composto é então degradado. “O processo é rápido e depende da quantidade de micro-organismos disponíveis no local, sem nenhum risco envolvido”. Até o momento foram realizados apenas testes de lavagem de solo em laboratório. O uso em larga escala do detergente para reduzir a contaminação de óleo no meio ambiente é promissor – embora ainda existam problemas para a produção. “Em julho de 2009 foi inaugurada uma unidade em escala piloto para a produção dos biossurfactantes com capacidade de 200 litros. Isso irá possibilitar os testes do produto em campo e viabilizar a aplicação, o que ainda deve acontecer neste ano.”

Divulgação

contaminadas) de qualquer tipo é muito pouco usada no Brasil e no mundo devido principalmente à falta de conhecimento técnico específico no setor. “Não existem processos específicos nessa área sendo utilizados no Brasil, a não ser a biorremediação de solos contaminados com gasolina - nesse caso as bactérias do próprio solo são estimuladas para aumentar a atividade de biodegradação natural.” Atualmente a técnica está sendo esmiuçada bioquimicamente para determinar cada subproduto resultante desse processo. “Se tudo sair conforme as nossas expectativas, em um ano no máximo teremos as bactérias identificadas e avaliadas quanto a sua eficiência em degradar o PCE”, afirma o professor. A rapidez e o alto grau de limpeza alcançados coloca a técnica como uma eficiente alternativa para processos de descontaminação de água subterrânea.

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Há 10 anos, centenas de pessoas dos mais diferentes perfis atuam como voluntários do programa sociocultural Doutores Cidadãos. Elas são treinadas para levar alegria e cidadania a hospitais e asilos, atuando também com pacientes normalmente pouco beneficiados pela arte-terapia: adultos, idosos e profissionais da saúde. Os milhões de sorrisos já conquistados comprovam que amor e alegria são remédios universais. Para manter e ampliar o trabalho, o grupo realiza atividades em ambiente corporativo, como apresentação de eventos, palestras, oficinas e outras.Saiba mais sobre os Doutores Cidadãos e os outros programas sociais do Canto Cidadão em www.cantocidadao.org.br. Doutores Cidadãos. Há dez anos fazendo graça de graça.

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Cotidiano

NEOMONDO INFORMA Acompanhe aqui, em cada edição, as novidades mais quentes sobre o que está acontecendo no mundo Da Redação

Sustentabilidade para a vida “Sustentabilidade: um novo contrato da sociedade com o planeta” é o tema da 12º Conferência Internacional Ethos, um dos maiores eventos sobre responsabilidade social empresarial em todo o mundo. O evento, que acontecerá de 11 a 14 de maio em São Paulo, irá reunir especialistas em sustentabilidade para compartilhar informações a respeito do tema. O VP da Johnson & Johnson Michael Maggio, o presidente da Walmart Brasil Héctor Nuñez e o economista

Pavan Suhkdev serão alguns dos palestrantes convidados. Os destaques desta edição são as palestras, debates e oficinas em formato mais inclusivo e a estrutura da programação norteada por princípios da Carta da Terra - uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Para mais informações, acesse: www.ethos.org.br/ci2010/

Curitiba: a cidade mais sustentável do mundo Curitiba recebeu, no início do mês, o prêmio Globe Award Sustainable City 2010 do Globe Forum, entidade sueca que pretende destacar cidades com excelência em desenvolvimento urbano sustentável e disseminar bons exemplos para outras cidades. A capital do Paraná venceu por unanimidade a disputa com Sidney (Austrália), Malmö (Suécia), Múrcia (Espanha), Songpa (Coreia do Sul) e Stargard Szczecinski (Polônia). Um dos programas apresentados por Curitiba foi o Biocidade, que une a preo-

cupação ambiental a todas as ações do município e que estimula, por exemplo, a reciclagem do lixo e a preservação de áreas verdes. Outra ação sustentável da cidade é o Linha Verde, um projeto urbanístico que interliga a cidade e a BR-116 e utiliza ônibus de biocombustível, além de contar com ciclovias e parques laterais. A entrega do prêmio foi em 29 de abril no Museu Nórdico de Estocolmo, com a presença do prefeito Luciano Ducci (PSB).

Com informações da revista Época

A capital paranaense venceu por unanimidade outras cinco concorrentes

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Solução para o lixo sim! De lixões e aterros sanitários diretamente para o tanque do seu carro. À primeira vista a ideia parece futurista e improvável, mas já existe tecnologia para isso inclusive no Brasil. Esse é o conceito da biorrefinaria, que transforma resíduos indesejáveis como dejetos de animais, pneus e até resquícios de esgoto em combustível, plástico, energia e várias matérias-primas de uso industrial. A transformação acontece na refinaria de biomassa ou biorrefinaria, onde os resíduos sólidos são inseridos em um reator onde acontece a quebra das moléculas da biomassa. No fim, o processo resulta em um tipo de gás que pode ser queimado em uma caldeira para gerar energia elétrica ou ser usado como matéria-prima para a transformação em produtos químicos, como amônia e ureia, por meio de uma tecnologia largamente empregada nas refinarias de petróleo. Uma alternativa para o petróleo e uma solução para o acúmulo de lixo são algumas das promessas da tecnologia em expansão no Brasil e no mundo.

Com informações do Estado de S. Paulo


NEO MONDO em Harvard e Humboldt

Harvard, em Boston, é uma das instituições de ensino superior mais prestigiadas do mundo Nesta edição, a revista NEO MONDO circulará nas Universidades de Harvard (Boston, EUA) e Humboldt (Berlim, Alemanha). Dois correspondentes da revista serão os responsáveis pela entrega do material – o Senior Fellow Terence Trennenpohl e a PHD Natasha Trennepohl,

respectivamente – nas instituições, que receberão a primeira edição com matérias bilíngues da história da revista. A Universidade Humboldt foi fundada em 1810 e teve como alunos o físico Albert Einstein, os fundadores da teoria marxista Karl Marx e Friedrich Engels,

entre outros, além de ter abrigado 29 ganhadores do Prêmio Nobel. A Universidade Harvard é uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo e eleita a melhor universidade do mundo pelo Institute of Higher Education Shanghai Jiao Tong University.

Lei Específica da Billings entra em ação A represa Billings, um dos maiores reservatórios de água da Região Metropolitana de São Paulo, completou 85 anos no final de março de maneira lamentável. Segundo dados da Sabesp, são cerca de 700 mil pessoas vivendo em 250 mil moradias que foram erguidas de maneira irregular na área do manancial. Desmatamento, impermeabilização do solo, aumento de esgoto não tratado lançado na

represa e lixões irregulares nas margens do reservatório são alguns dos resultados dessa ocupação. Isso, entretanto, está para mudar. A Lei Específica da Billings, regulamentada em janeiro pelo governador José Serra (PSDB), pretende regularizar pelo menos 100 mil dessas moradias – já que seria praticamente impossível remover todas as famílias do local.

A nova lei foi baseada na lei criada para a represa vizinha de Guarapiranga. De acordo com os novos critérios aprovados na legislação estadual, pelo menos metade dessa área permeável deverá conter vegetação nativa. O término do Plano de Desenvolvimento e Proteção Ambiental (PDPA) da Billings está previsto para maio deste ano.

(com informações do Rudge Ramos Online)

O primeiro Parque de Ondas do mundo, localizado em

Na área do mannacial, 700 mil pessoas vivem em 250 mil moradias erguidas de forma irregular Aguçadoura, no conselho da Póvoa de Varzim em Portugal

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