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EMIGRAÇÃO

Suplemento Alcains Emigração - N.º 2 Produção: Alma Azul Coordenação: Nelson Mingacho Este suplemento faz parte integrante do Jornal Reconquista n.º 3291 de 9 de Abril de 2009 e não pode ser vendido separadamente.

Segunda geração

Uma relação de amor com Portugal Quando chegam as férias de Verão a família Sousa-Soret não perde a oportunidade de viajar até Portugal. Os pais de Ana Sousa emigraram para França em finais dos anos 60. Apesar de ter nascido em solo francês, é portuguesa que se sente. Página 7

Hermano Sanches Ruivo é o primeiro Conselheiro de origem portuguesa

Um beirão na Câmara de Paris

Austrália

Emigrar para mais longe é impossível! Página 8

É o primeiro a chegar onde nenhum outro português tinha chegado. Hermano Sanches Ruivo foi eleito Conselheiro de Paris nas últimas autárquicas francesas. Entrou na política activa a convite de Bertrand Delanoë. Crítico em relação à política portuguesa para as comunidades diz que é fácil ser cada vez mais francês e menos português. De Paris vê Portugal como um país com dificuldade em mudar. Páginas 6,7 e 8

Ramalho Eanes comenta a diáspora portuguesa Foto 2008Homem Cardoso

Emigração de hoje faz lembrar Década de 60

Construção civil

Página 3

Empresário de sucesso em França Página 6


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II

Emigrar ““a salto” lt ” para França

40 horas a pé pelos Pirinéus A

inda a Europa não passava de uma simples miragem para muitos jovens do seu tempo, quando José da Silva Barata decidiu que estava na altura de arriscar. Insatisfeito com as condições de vida que o país lhe proporcionava, foi um dos primeiros a emigrar para França. Depois dele, milhares seguiram o mesmo destino. O tempo passa depressa e José da Silva, então com com 28 anos de idade, resolveu que não ia esperar mais. Era principalmente nos meios rurais onde a pobreza e a miséria se faziam sentir de forma acentuada. Uma herança à qual as novas gerações tinham dificuldade em escapar. Entre permanecer em Alcains ou partir forçadamente para a guerra imposta pelo poder político no Ultramar - quando o direito à autodeterminação das ex-colónias era reconhecido quase unanimemente pela comunidade internacional - decidiu emigrar para França. Mas a ditadura salazarista impunha uma vigilância

apertada ao longo da linha de fronteira, por onde era difícil passar, ainda para mais sem qualquer documento. José da Silva Barata, decide então passar a fronteira “a salto”, à semelhança do que muitos fizeram no seu tempo. “Foi uma viagem um bocado dura”, recorda, hoje, aos 71 anos de idade. Depois de ter

José da Silva redorda os momentos difíceis da viagem além fronteiras

Lar Major Rato 150 anos a cuidar dos nossos idosos! Rua Major Rato nº 35, 6005-076 Alcains Telefone: 272 906 235 Fax: 272 906 136 secretaria@lar-major-rato.com

dormido numa casa já perto do território espanhol, alcançou o outro lado da fronteira com a ajuda de passadores, que conheciam a zona como ninguém. “Ainda tivemos a polícia à nossa perna na fronteira portuguesa, que conseguiu apanhar três ou quatro”. E que acabariam por ficar na prisão em Portugal.

Quis ser preso pela polícia Já em Espanha “apanhámos uma camião até à fronteira francesa”. Passar os Pirenéus foi a parte mais difícil da viagem, conta José da Silva Barata. Com os companheiros de grupo caminhou mais de 40 horas. “Abri um pé e quase já não podia andar. Foi um sacrifício bastante grande. Ao ponto de desejar ser preso pela polícia e poder vir embora para Portugal”, confessa. Em França, aguardava pela sua chegada o familiar de um dos elementos do grupo. Canteiro de profissão, José da Silva Barata não teve qualquer

dificuldade em conseguir trabalho, apesar das dificuldades da língua francesa. Começou numa situação ilegal, mas poucos meses depois tinha nas mãos um contracto de trabalho. Fixou-se na região de Chambery. Um ano depois a esposa e a filha acabariam por se juntar a ele. Durante quase 40 anos ajudou a construir casas de habitação, pontes e estradas naquela região montanhosa de França, onde ainda hoje existe uma numerosa comunidade de portugueses. A segunda filha do casal já nasceu em França. Hoje tem quatro netos e todos residem lá. “Fui dos primeiros de Alcains a ir para França, sem carta de chamada, pois não tinha lá ninguém”, salienta. “Decidi emigrar para governar a minha vida. Não estou arrependido”, adianta o idoso que hoje passa os seus dias no lar de terceira idade Major Rato. De França guarda na memória boas recordações: “é um país mais avançado que o nosso. Gostei de lá estar.”


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III

Ramalho E Eanes responde a três questões sobre a emigração portuguesa

A

os emigrantes Portugal deve o rio de remessas de divísas que ajudou a desenvolver o país, sublinha Ramalho Eanes, em entrevista por email. O facto de haver cada vez mais portugueses qualificados a sair para o estrangeiro não passa despercebido ao antigo Presidente da República. A emigração é indissociável da História de Portugal. Dos Descobrimentos até hoje, os portugueses continuam a emigrar. Significa que o espírito aventureiro é forte ou que o País continua sem capacidade de gerar oportunidades para todos os cidadãos? A emigração constitui traço distintivo permanente da história do Homem, com múltipla e interactuante causalidade. Nela peso dominante tem – terá tido sempre, em minha opinião – a essência distintiva do ser humano, que o terá levado a procurar meios, com empenhada inteligência e determinante vontade, para ser mais livre e mais feliz. Razão genética determinante, que muitas outras razões desperta, como a procura da liberdade (religiosa, nomeadamente); as guerras e as situações de perturbação, insegurança, perseguição e miséria que sempre determinam; o crescimento demográfico incompatível com os recursos disponíveis; e o espírito de insatisfação e aventura (estudos, recentes nomeadamente, mostram que as migrações se concentram no extremo jovem do «ciclo vital»). Peso especial e acrescido se deve reconhecer e atribuir à causalidade económica. Quase sempre o emigrante procura conseguir, em novas paragens, aquilo que o seu país lhe não concedeu ou não conseguiu proporcionar-lhe. Também em Portugal, país imperial multissecular, muitas e muito intrincadas foram as razões que estimularam a emigração. Entre elas, relevo me parecem merecer: a emigração institucionalmente fomentada (na verdade, muitas centenas de milhares foram os cidadãos que a prestação de serviço militar obrigou a emigrar, que conduziu a fixarem-se no ultramar, que despertou o

desejo e estimulou a ousadia da emigração na Europa e Américas); a emigração fomentada pelo Estado, quer através de políticas de colonização, quer de «propaganda» sobre o «Eldorado» ultramarino, quer, ainda, pela «fixação» de reclusos no ultramar; a emigração fomentada pela recusa em aceitar a fatalidade da pobreza do País; e o sonho e a ambição, alimentados pela informação e por exemplos de sucesso e de melhores condições de emprego e remuneração no estrangeiro. E hoje? Hoje – e é António Barreto, com a sua reconhecida competência e rigor quem no-lo diz – “a emigração portuguesa retomou e faz agora lembrar alguns anos da década de sessenta. Nessa altura, a emigração era muita, mas o crescimento económico também. Hoje, a emigração é grande, mas o crescimento económico estagna.” Cada vez mais são os portugueses qualificados que, no estrangeiro desenvolvido, procuram condições de trabalho e realização que o País se mostra incapaz de lhes proporcionar. Na maior parte dos casos, o País despendeu meios – reconhecidamente escassos – para lhes dar formação científico-académica, investimentos que, depois, virtuosamente não soube aproveitar. Ao falar de emigração, muitas vezes nos esquecemos que aos emigrantes se deve o rio de remessas de divisas que ajudou o País a manter a sua solvência financeira, e que os saberes, a experiência, os trabalhos dos retornados a Portugal – e não só os do ultramar português – se constituíram iniludível fonte e motor de desenvolvimento do País. Justo é não esquecer os estrangeirados, que ao País aportaram o reconhecimento internacional conquistado e os saberes adquiridos (entre nós, os beirões, esquecer não devemos o Amato Lusitano). Devido é, pois, sublinhar que muitos são os que, no estrangeiro, adquiriram especiais saberes que hoje, denodadamente, beneficiam Portugal e os Portugueses. Podemos dizer que o Senhor General é um tipo de «emigrante» dentro do próprio país, uma vez que

Foto 2008Homem Cardoso

Emigração de hoje faz lembrar Década de 60

Para o general Ramalho Eanes, a desertificação do Interior não é uma fatalidade partiu de Alcains ainda jovem para seguir o seu percurso e não voltou... Que sentimentos guarda dessa experiência? Com larga impropriedade se poderá concordar consigo, quando diz que fui um certo “tipo de emigrante”. Os meus pais, tal como a maioria dos pais, pretendiam o melhor para os filhos e cedo se mudaram de Alcains – a minha terra natal – e se domiciliaram em Castelo Branco, cidade que, já na altura, dispunha de um liceu oficial (Liceu D. Nuno Álvares Pereira) e de um liceu particular (o Instituto de S. António). Sabia bem que, concluído o liceu, oficial, em Castelo Branco, teria de trocar a terra que habitava por uma das cidades universitárias, na altura apenas três: Porto, Coimbra e Lisboa. Tendo, então, optado pela Escola do Exército, oportunidade privilegiada tive de contacto com um universo discente e docente ricos, por motivo de muita e diversa composição, origem, experiência e saberes. Na verdade, alunos e professores havia provenientes de todo o País e, mesmo, do ultramar. Tempo depois de terminado o curso, mobilizado fui para servir no, então chamado, Estado Português

da Índia, onde permaneci durante 29 meses. Pouco tempo depois voltaria ao Oriente, a Macau, de onde parti, mais tarde, com a unidade militar que comandava, para o norte de Moçambique. A África – à Guiné – regressaria mais tarde para participar no trabalho, militar, socioeconómico e político, de excepcional mérito e visão, desenvolvido pelo governador e comandantechefe, o General Spínola. Depois de nova e curta estadia em Portugal, coubeme servir no norte de Angola, onde o 25 de Abril me encontrou. Mandado regressar a Portugal poucos dias depois do 25 de Abril, isento ficaria de participar no calvário descolonizante de Angola. Não creio que contabilidade valha fazer dos custos sofridos e benefícios auferidos neste longo périplo e demorada estadia pelo Império Português do Oriente e África. Se tal balanço fizesse, creio que justo seria concluir que o «haver» superaria de longe o «dever». Na verdade, oportunidade tive de aprender e «reviver» a nossa história – oriental e africana –, de aprender sobre a nossa tão distinta colonização; oportunidade tive, também, de ver quanto aprendi, quanto aprenderam os homens que comandei, sobre a vida,

sobre a solidariedade que lhe confere sentido valor. Oportunidade tive, ainda, de aprender, sobretudo nos momentos infaustos em que a morte nos levava camaradas, como tudo na vida é marcado pela transitoriedade, a finitude, como são vazias de sentido as ambições vãs e as vãs cobiças de muito ter, e como é necessário, a todo o momento, estarmos preparados para cumprir a nossa finitude humana e partir. Será que o interior do país está condenado ao fenómeno da desertificação humana, com fuga de pessoas para as grandes cidades e o estrangeiro, e o litoral ao excesso de população, com todas as consequências negativas que daí advêm para todos? Não creio que o interior do País esteja condenado à desertificação. Esta não é,

felizmente, uma «fatalidade», mas tão-só uma perversa situação, quase endémica, é certo. Muito foi o tempo, e muitas foram as oportunidades, que já perdemos para bem reverter a situação e marcarmos encontro certo com o futuro que queremos e não ficarmos à mercê do futuro, que acontece por ausência empenhada da nossa vontade, da nossa inteligência, do nosso labor. Responsável primeiro por esta situação é o Estado, mas responsável é, também, a Sociedade Civil. Faltounos, a todos – Estado e Sociedade Civil –, capacidade, vontade e labor para bem e oportunamente desenharmos e aplicarmos, ao interior do País, uma estratégia de ordenamento do território, de modernização económica, de desenvolvimento social do interior, o que, a ter-se verificado, teria despertado e estimulado o empreendedorismo local, teria contribuído para fixar os jovens (os quadros, mesmo), para revitalizar oportunamente o mundo agropecuário, as indústrias extractiva e transformadora, o turismo e os serviços. Verdade é, também, que após o 25 de Abril muito mudou na situação do interior, embora tal tenha acontecido sem planeamento estratégico integrado, capaz de bem aproveitar as ajudas da União Europeia, as potencialidades naturais e as capacidades dos actores humanos. Com a institucionalização do poder autárquico, largo foi o benefício colhido pelo interior, como beneficiosas foram, para ele, o estabelecimento de instituições de ensino superior, o alargamento e modernização da rede hospitalar, e a melhoria das acessibilidades, rodoviárias sobretudo.

vos o n

Os queijos q de Alcains Estrada Nacional 18 Alcains Jorge A. Soares Silva - Telem. 91 936 10 72


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IV

Hermano S Sanches h R Ruivo i é um peão avançado da comunidade portuguesa em França

O primeiro Conselheiro de Paris de origem portuguesa Recordações da adolescência

As férias começavam ali!

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ue memórias e recordações guarda da Beira Baixa? A par de visitar outras regiões, repartia o tempo entre Alcains e Carregais, a aldeia da minha mãe no concelho de Proença-a-Nova. Uma das melhores recordações, era quando entrava na loja da minha avó, depois de chegarmos de autocarro a Alcains e de ir a pé até ao Largo do Colmeal. Vendiase de tudo: legumes, frutos, farinha, chocolates, lã. O calor intenso, o piso do chão da loja em pedra. Era a entrada num outro mundo... As férias começavam ali! Ia-mos para as tapadas, os amigos da rua só os víamos de vez em quando. Logo depois seguíamos para os Carregais, que era e ainda é um paraíso. A serra, uma ribeira lindíssima, com pedras de cinco metros de altura de onde saltávamos para a água. Muita malta da nossa idade... Tínhamos uma grande liberdade. Por outro lado, as nossas famílias entendiam-se. Foi outra sorte que nós tivemos! Foram anos felizes, apesar de todas as dificuldades. Os filhos de emigrantes têm uma marca. todos eles. Mais ainda aqueles que tentaram fugir à imagem de filho de emigrante. Felizmente não entrei nessa área de complexos. Mas a imagem que os portugueses têm dos emigrantes não é boa. É como se tivesse havido um divórcio entre pessoas da mesma família. No mercado de Castelo Branco vi algo que nunca imaginei ver: uma comerciante que praticava um preço para os que viviam lá e outro diferente para os emigrantes. Como foram os primeiros anos em França?

O meu pai chegou a França em 1970, sozinho. Nós viemos em 1971 – a minha mãe, o meu irmão e eu com quatro anos – de comboio, com uma autorização de turismo. Fomos viver para Saint-Germanen-Laye, nos subúrbios de Paris. Lembro-me de alguns momentos difíceis, como mudar de casa três vezes. Até ficarmos numa pequena casa dentro de uma grande propriedade, onde os meus pais tratavam dos jardins e trabalhavam fora. Não fomos para um bairro de lata, nem prédios sem condições. Tivemos sorte! O que mais me marcou foi a entrada na escola primária. Aos poucos fui descobrindo que tinha uma outra nacionalidade. Os meus pais faziam questão de falar connosco em português. Nos primeiros anos não voltámos a Portugal. A integração na sociedade francesa foi fácil? Ela não foi fácil. Foi facilitada. O meu pai compreendeu logo que a escola tinha um papel importante. As condições que nos proporcionaram foram boas. Mas não foi fácil! Recordo-me de episódios de racismo. Despertei para a nacionalidade portuguesa através das idas à Missa e quando aos 10 anos me chamaram: “sale portugais” (português sujo). Ao voltar a casa perguntei aos meus pais o que significava ser português. Acho que não sou um rapaz sujo, vocês estão sempre a lavarme, disse-lhes na altura! (risos) Para os meus pais não havia outro objectivo senão termos uma boa formação e educação.

H

ermano Sanches Ruivo, há 38 anos em França, foi eleito Conselheiro de Paris nas últimas eleições para a Mairie de Paris, na lista do socialista Bertrand Delanoë. É independente e vem do movimento associativo francoportuguês. Muito crítico em relação à política portuguesa para com as comunidades residentes no estrangeiro, considera que a solução de Portugal não pode passar pelo individualismo. Passa pela aceitação de uma casa única, que não está apenas em território português e que tem milhares de pequenas salas dispersas pelo mundo. Para o Conselheiro, os ventos que sopram não são favoráveis a Portugal, pelo que, é fácil ser cada vez mais francês e menos português. Em entrevista lamenta: a imagem que os portugueses têm dos emigrantes não é boa. Diz que é como se tivesse havido um divórcio entre pessoas da mesma família. O que faz um conselheiro na Câmara de Paris? Não trabalho só para os portugueses de Paris. Dinamizei uma campanha para incentivar os europeus que vivem em Paris a votarem nas legislativas. Quero que, antes de 2014, o número de inscritos para votar atinja os 70%. Actualmente são 10%. A geminação com Lisboa e Berlim faz parte dos objectivos. Enquanto conselheiro participo na resolução dos problemas de Paris. Quero fazer com que esta cidade seja mais europeia. Um dos projectos em que estou envolvido é a criação da futura Casa dos Europeus. Mas o meu interesse está fundamentalmente na capacidade de Paris ser ainda mais internacional e europeia. É esse o meu objectivo. O que o levou a entrar na política activa? Eu não pedi para ser político. Respondi a um convite do presidente da Câmara de

Portugal tem dificuldade em mudar, de fazer reformas face à evolução, para fazer o país andar mais rapidamente. Muitas vezes temos o sentimento de não ser completamente portugueses. É fácil ser cada vez mais francês e menos português. As divergências entre cidades do Interior impedem-nas de ir mais longe. O distrito tem uma série de potencialidades. Paris, Bertrand Delanoë, que quis integrar na lista representantes da sociedade civil. Trata-se de uma equipa com margem de manobra para pessoas que não são militantes. Enquanto Conselheiro de Paris, sou um peão avançado da comunidade portuguesa. E vou trabalhar para que haja outros. Quero participar na nomeação do primeiro deputado de origem portuguesa. Os luso-descendentes são chamados a ter uma participação diferente na sociedade francesa da que tiveram os seus pais? Muitos têm como principal objectivo o sucesso profissional. Vingar numa empresa. Hoje estamos muito mais presentes nas artes, no jornalismo, etc. Onde estamos menos é no campo político. E isso é um erro! Politicamente ainda não

participamos suficientemente. Sou o primeiro Conselheiro de Paris de origem portuguesa. Há mais de 150 mil franceses de origem portuguesa a viver na cidade. Em França há uma descentralização concreta de poderes. As câmaras têm competências até no ensino da língua portuguesa. Só 151 cidades é que estão geminadas entre Portugal e França. É o mesmo número que entre França e Irlanda. Porquê? Não há um milhão e 500 mil irlandeses em França. Como se sente actualmente a comunidade portuguesa em França? Está mais participativa e visível. Mas está muito aquém do que poderia estar. Por falta de organização da própria comunidade. E porque esta ainda não compreendeu bem que tem inte-

resse em ser mais visível. A ideia do low-profile já está ultrapassada, mas muitos dos nossos ainda não compreenderam isso... O ensino da língua portuguesa em França é acessível a todos? Não... não! O ensino da língua está nos espaços onde o Governo português conseguiu negociar para haver ensino e onde o movimento associativa preencheu os buracos. Nós estamos na quarta divisão do ensino das línguas europeias em França. Há um milhão de pessoas a aprender espanhol, 250 mil italiano e 30 mil o português. O número deveria ser três vezes superior. Não se pode acusar os lusodescendentes de não saberem falar a Língua Portuguesa e mudar todos os


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V

“Portugal não tem ligação às comunidades”

A

política seguida pelo Governo português em relação às comunidades portuguesas no estrangeiro não é eficaz, segundo o Conselheiro de Paris. Porque, na sua opinião, “tem uma visão a muito, muito, curto prazo. Isto para não dizer que não tem visão!” O próprio Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) traduz, segundo Hermano Sanches Ruivo, uma visão a curto prazo. “Ninguém lhe deposita confiança. Nem os embaixadores e cônsules”, garante. E é peremptório em afirmar que “não há futuro para o CCP,” até porque o organismo “não tem meios para trabalhar”. O Conselheiro acredita que se houvesse uma visão correcta, também existiriam os meios. A política de Portugal vai no sentido de “continuar a manter uma ligação mais ou menos afectiva às comunidades”. Mas, na base de um fundamento errado, garante o responsável político. Que é: “até que as comunidades queiram estar ligadas a Portugal elas próprias desenvolvem essa ligação. Quando já não quiserem, paciência...” O que se traduz numa relação passiva. O futuro de Portugal pode melhorar com uma ligação pro-activa às comunidades, considera. Mesmo que isso implique uma adaptação das comunidades à política portuguesa. “Eu aceito que Portugal tenha uma relação comigo (embora não seja aquela que eu queria), mas na qual estou consciente de estar a participar num objectivo comum, em que posso até aceitar mudar. Nós não somos embaixadores de nada. Isso é treta! Nós queremos ser parceiros, sentarmos à volta da mesa e ver o que podemos fazer por Portugal e o que país pode fazer por nós.”

Desafio lançado de Paris “As comunidades não participam em nada. Nós não estamos no Conselho Económico e Social Português ou representados no ICEP, não participamos em reuniões de empreendedorismo. Portugal não tem ligação com as comunidades portuguesas.” Durante a entrevista em Paris, Hermano Sanches Ruivo lançou um apelo a Portugal, no sentido da criação de uma Associação Portuguesa de Beirões em França. Na qual as autarquias desempenhariam um papel de relevo, enquanto parceiros, no quadro de um objectivo comum: o desenvolvimento regional. Uma cidade do Interior como Castelo Branco, poderia ser pioneira ao criar um fórum de reflexão, com ligações ao exterior, mas incluindo também o Governo, defende o Conselheiro. Tudo com o objectivo de fomentar uma dinâmica a bem do futuro da região. Além de espaço de reflexão e debate de ideias a favor do desenvolvimento da região, a Associação de Beirões poderia ainda fomentar intercâmbios na área da juventude, do teatro e da música.

anos a política de ensino no exterior. Nos últimos cinco anos a responsabilidade ao nível do ensino mudou três vezes de entidade. Conhece bem o movimento associativo lusofrancês. Está a mudar ou mantém-se igual? Está a mudar. Hoje há menos associações. São perto de 900 em todo o território. O núcleo das que considero como as mais importantes tem cada vez mais variedade de actividades (já não é só folclore e bola). E está mais participativo junto da sociedade francesa. É uma boa notícia! As associações fazem parte do futuro da presença portuguesa em França. Claramente! É precisa apostar nas associações. Mas é preciso ter uma visão profissional para elas.

Acompanha a situação política e social em Portugal? Sim. Penso que esbanjámos uma série de capacidades e financiamento. As reformas que estão a ser feitas já deviam ter sido há alguns anos. Sócrates não está a inventar nada. Estranho é a dificuldade na forma como estão a ser comunicadas ao país. As pessoas estão a engolir uma série de reformas que podiam ser mais bem explicadas. As que estão a ser feitas são indispensáveis. Para Portugal a margem de manobra é cada vez mais reduzida nesta aldeia mundial. Melhorar a situação em Portugal passa também por um maior apoio do exterior. À excepção da União Europeia, a política está totalmente errada. A ligação às comunidades portuguesas no estrangeiro é

uma parte da solução. O encerramento de consolados em França afectou muitos portugueses? Sim afectou. A questão é como poderia ter afectado menos portugueses. O problema não está em fechar consolados. A administração portuguesa é complicada. As pessoas esperam dos consolados resolver uma série de assuntos, que até podem ser tratados de outra forma. Como podemos simplificar a administração e fazer chegar um serviço a uma grande parte dos utentes, evitando a sua deslocação ao consolado? Através da Internet ou das câmaras. Há uma experiência piloto actualmente em França, onde o consolado português presta serviços regularmente na câmara. É este o futuro.


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VI

“Regionalização faz falta a Portugal”

No sector da construção civil

Um empresário de sucesso em França U

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omo sabe, Portugal tem duas faces: o Litoral rico e com uma população mais jovem e o Interior pobre e envelhecido. Acha que é possível corrigir este desequilíbrio? Claramente! Para Lisboa o resto do país é paisagem. Mas os beirões com responsabilidade também não se conseguem entender. As divergências entre cidades do Interior impedem-nas de ir mais longe. O distrito tem uma série de potencialidades. É muito mais agradável viver naquelas regiões, lindíssimas e com imenso espaço. Porque é que a informática, a multimédia, a investigação na área do ambiente e as novas tecnologias não se instalam lá? Como aconteceu em Silicon Valey, nos Estados Unidos. Em França as pessoas fogem das cidades para o Interior. A regionalização é algo que falta a Portugal. Tem de haver outros níveis de decisão entre Lisboa e as câmaras.

Na sua opinião, quais as razões que explicam a enorme disparidade entre o desenvolvimento económico e social de Portugal e França? Hoje o país já está mais perto da realidade francesa em vários domínios. Mas Portugal tem dificuldade em mudar, de fazer reformas face à evolução, para fazer o país andar mais rapidamente. Essa é a dificuldade que vejo. Por outro lado, existe muito corporativismo em Portugal. Em França também há. Mas as oportunidades que surgem aos países são melhor aproveitadas quando a capacidade

de adaptação à mudança é maior. O que se ensina actualmente em Portugal corresponde às necessidades do próprio país? Continuam-se a ensinar uma série de coisas a milhares de pessoas sem haver uma saída profissional. É interessante ver como foi aproveitado o dinheiro enviado pela Europa, pela emigração e das receitas do turismo. Comparado com países como a Irlanda, será que retirámos o mesmo proveito? Não. Apesar de simpáticos e honestos, somos demasiado pacatos, conformistas e individualistas. Somos capazes de ter ideias brilhantes mas o problema é que aceitamos nivelar por baixo. A Ditadura é claramente um dos culpados... Mas já lá vão 30 anos. A solução de Portugal não pode passar pelo individualismo. Passa pela aceitação de uma casa única, que não está apenas em território português e que tem milhares de pequenas salas dispersas pelo mundo. A ligação a esta casa é a meu ver fundamental e onde podemos também fazer alguma diferença. Pondera algum dia voltar ao seu país de origem? Eu estou sempre a voltar a Portugal. Passo lá uma parte do ano. Será que vou terminar os meus dias em Portugal e o mais velho possível? Porque não...? Depois os meus filhos têm de me ir visitar. A nossa ligação ao país é concreta. É pena não ser mais forte. Muitas vezes temos o sentimento de não ser completamente portugueses. É fácil ser cada vez mais francês e menos português.

ajbatista.alcains@gmail.com

m dia, José Mendes Sousa, tomou a mesma decisão que muitos outros da sua geração tomaram. Fazer malas e partir com destino a França, onde tudo seria mais fácil. Para ele e para a família. E assim foi. Deixou Portugal em Fevereiro de 1973. Fixou residência em Chambery, na área dos Alpes franceses, onde passou a trabalhar na construção civil. Anos depois, de empregado por conta de outrem tornou-se empresário do sector. Agora que já está próximo da aposentação, faz planos para regressar à terra natal. Tinha apenas 25 anos quando decidiu aventurar-se além-fronteiras. A precisar de mão-de-obra para alimentar um crescimento económico acelerado, a França tornase no destino de eleição da emigração portuguesa. José Sousa saiu de Alcains já com o contracto de trabalho na mão e viagem de comboio paga pelo novo empregador. Tudo graças a um amigo já estabelecido em França, natural da Póvoa do Rio de Moinhos, que serviu de intermediário. “Na altura foi um bocado difícil aprender a língua”, recorda, hoje aos 60 anos de idade. “Mas quem sabe trabalhar cá também trabalha lá...”, acrescenta. “Nós os portugueses éramos bem recebidos em França”. José Sousa reconhece inúmeras qualidades no povo francês: “são pessoas muito honestas e amigas”. Os dois filhos nasceram

José Sousa fixou residência em Chambery. Mais tarde, começou por conta própria já em França. Apesar de tudo estar a correr bem, em meados da década de 80 decidiu regressar a Portugal juntamente com a família. Mas foi por pouco tempo. “Verifiquei que as condições cá eram as mesmas. Não se conseguia colocar dinheiro de parte, apesar de trabalhar como sub-empreiteiro. Então decidi que mais valia trabalhar em França. Foi uma decisão rápida, que não foi difícil de tomar”, recorda.

O regresso a França Seis meses depois voltam para Chambery, onde man-

teve o apartamento alugado, à cautela. “Convenci-me que estaria lá até à idade da reforma e comprei um apartamento”. Desta vez, optaria por trabalhar por conta própria e criou uma empresa. Seis anos depois decidiu formar uma nova sociedade, a MCS Srl, para construção de habitação e recuperação de imóveis antigos. “Já fiz muitas casas para portugueses, espanhóis e franceses” Incluindo duas vivendas para conterrâneos seus. Em França, uma moradia com 100 metros quadrados, custa pelo menos 300 mil euros. Actualmente, o sector abrandou e há já muito desemprego. Apesar

de tudo, “o negócio tem corrido muito bem”, afirma. A empresa conta com cinco empregados. Em terras gaulesas, José Sousa sente-se bem na pele de emigrante. “Há pessoas que dizem que somos estrangeiros cá e lá. Eu sintome igual, como se estivesse no meu país”. No entanto, “quando chego a Vilar Formoso até respiro um novo ar. Fui sempre um doido por Portugal”, confessa. Hoje faz plano para voltar a Portugal e desfrutar da reforma. Com os filhos já estabelecidos em França, pondera vender a empresa e dedicar-se a agricultura em terras de Portugal.

Na Suíça sem esquecer Portugal

“Sim, um dia volto!” A curiosidade, a oportunidade de conhecer outras pessoas, novas mentalidades e línguas diferentes foram motivos mais que suficientes para Gisela Lopes Baltazar partir com destino à Suíça, em 1987. Instalou-se na cidade de Locarno, um cantão italiano da Confederação Helvética, A Suíça é actualmente o países que acolhe uma das comunidades portuguesas mais numerosas residentes no estrangeiro.

“Gostar da vida de emigrante não é fácil. Mas hoje até posso dizer que gosto”, refere esta emigrante de 48 anos, que trabalha como ajudante de enfermaria numa casa de idosos, em Minusio, a cerca de cinco quilómetros de Locarno. “Os anos passam e a gente habitua-se a outros costumes”, acrescenta. A experiência de multiculturalismo que o país proporciona a quem lá vive é um dos aspectos que mais lhe agrada. “Mas o mais

importante na vida de um emigrante é integrar-se bem no país de acolhimento e viver bem o dia-a-dia.” Quanto a um eventual regresso a Portugal, Gisela Baltazar confessa tratar-se de algo que está sempre no

Adaptar-se é o maior desafio para quem emigra, diz Gisela Baltazar

pensamento de cada emigrante. “Mais tarde ou mais cedo, as raízes da nossa terra chamam por nós! Voltar é como viver um bocadinho do passado que se deixou há tantos anos para trás. Sim, um dia volto!”


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VII

Família luso-francesa f gosta de passar férias na Beira

Uma relação de amor com Portugal Q

uando chega o Verão é altura da família Sousa-Soret fazer malas e viajar até Portugal. Para trás fica a escola primária onde Ana Sousa é directora e ensina crianças durante o ano lectivo. Os pais emigraram para França em finais dos anos 60 e apesar de ter nascido em solo francês, é portuguesa que se sente. Ana Sousa é daquelas lusodescendentes que não perde uma oportunidade de regressar ao país de origem. O pai, António Geada Sousa, emigrou para França em 1969 e fixou-se em Marselha. Escapar à Guerra do Ultramar foi um dos motivos que o levou a sair do país. Só regressou depois do regime político mudar, já em 1976. Trabalhador da construção civil foi em França que conheceu Maria Fernanda da Silva, natural do concelho de de Ponte da Barca, com quem casou e teve dois filhos. Ana Sousa nasceu em 1971. Enquanto frequentou a escola pública francesa estudou também Língua Portuguesa. “Os meus pais queriam que eu descobrisse o português”, recorda. Mais tarde, ingressou no ensino superior para se tornar professora primária. E decidiu fazer uma especialização em Língua Portuguesa. Hoje

Ana Sousa dirige uma escola em França. Casou com um cidadão francês e é mãe de dois filhos é professora e directora da École La Reinette, que fica em Fontenay-le-Fleury, na zona de Marselha. “A vida de emigrante é difícil. É como se estivesse sempre em terra estrangeira.

Aqui és francês, lá és português! Nunca está no teu país...”, salienta. E depois existe sempre a saudade em relação aos que ficam. “Tive uma crise de identidade na adolescência. Houve um

tempo em que queria viver em Portugal, mas já passou”. Foi também na adolescência que decidiu aprender a falar português: “para chegar a Portugal e poder falar com toda a gente”.

Mas a integração em França não foi fácil, conta a lusodescendente, que não esquece alguns episódios menos agradáveis, como no dia em que recebeu o prémio de aluna de excelência no ensino

preparatório. O que não terá agradado a todos os encarregados de educação presentes. “Os meus pais faziam tudo para que trabalhássemos bem na escola, nos integrássemos e respeitássemos o país de acolhimento”. Mais tarde, em 1996, conheceu Thomas Soret. “Casei com um homem francês, que gosta muito de Portugal”. Também ele não perde uma oportunidade de visitar o país. “Conheço pessoas muito simpáticas em Portugal. O clima é excelente. É o país do coração da minha esposa e também o meu”, salienta Thomas Soret . Também gosta de trocar algumas palavras em português e aprecia a gastronomia lusa. Vêm todos os anos pelo Verão e aproveitam para visitar outras paragens. Encontramos o país “um bocadinho mais desenvolvido, mas continua a ter uma parte que não muda”. Não está nos plano regressar a Portugal, mas querem continuar a vir de férias. Em França, os filhos Hugo e Joshua Soret frequentam as aulas de Língua Portuguesa e vão à Catequese. “A comunidade portuguesa é muito bem aceite e respeitada. Em França veêm-nos como pessoas trabalhadoras, que sabem receber e têm uma comida muito boa!”

Jovem emigrante quer desenvolver projecto agrícola

Depois de Inglaterra... o regresso às origens! D

ez anos depois de ter partido para Inglaterra, Paulo Freire está a preparar o regresso a Portugal, onde espera desenvolver um projecto agrícola na região da Cova da Beira. A tranquilidade da vida no campo, longe da azáfama das cidades inglesas, é motivo mais que suficiente para a família ter optado por viver em Portugal. Depois de cumprir seis meses ao serviço do Exército Português, com apenas 24 anos de idade, Paulo Freire decidiu arriscar. Primeiro colocou a hipótese de África, pensou ainda na Holanda, mas acabou por se decidir em

ir para Inglaterra, mais precisamente para Londres, onde já trabalhava um amigo, que o ajudaria a integrar-se. “Não estava contente com o que tinha aqui. Procurava algo que preenchesse mais a minha vida”, recorda Paulo Freire, quase dez anos depois de partir. Começou por trabalhar no ramo da hotelaria, uma vez que em Portugal havia frequentado um curso de formação naquele ramo. “Ao princípio é difícil. É uma experiência extremamente intensa, sobretudo nos primeiros seis meses”. Mas para compensar as dificuldades próprias da

Paulo Freire espera regressar a Portugal emigração, o nível de oportunidades de experiência e formação profissional é “extremamente alto”. Um

cenário muito diferente daquele que se lhe colocava em Portugal. “Em Inglaterra, se trabalhar muito e me esfor-

çar, é fácil subir na vida e ter sucesso”, sublinha o jovem emigrante, que entretanto casou com uma inglesa, com quem tem dois filhos. “É um país com uma burocracia baixa e onde existe bom senso”, acrescenta. Na sua opinião, Inglaterra “é um país 50 anos mais avançado que Portugal, pelo menos ao nível de mentalidades”. Actualmente, trabalha para o Departamento de Segurança da JP Morgan, numa cidade localizada ao sul de Inglaterra, na área de New Forest, longe do ritmo intenso da capital londrina. Um meio que faz lembrar a tranquilidade da região

portuguesa de onde um dia partiu. Regressar às origens é aliás o principal objectivo neste momento. A companheira e os filhos já estão a residir em Alcains, há mais de seis meses, de modo a adaptarem-se à realidade portuguesa. “Quero voltar porque é sempre o nosso país e penso que já aprendi muito”. Como nasceu e cresceu no meio rural, Paulo Freire quer regressar às raízes para desenvolver um projecto próprio no ramo agrícola. “Tenho o bichinho do campo”, admite este português, que se prepara para viver uma nova aventura.


EMIGRAÇÃO

VIII

Viver e trabalhar no o outro lado do mundo

Mais longe é impossível! A

Austrália é decididamente um daqueles países que não fica já aqui ao lado. Mesmo quando a distância é percorrida à velocidade de um avião. Fica longe! Muito longe mesmo... É o outro lado do mundo. Um país continente por onde pulam cangurus e habitam outras espécies ainda mais exóticas. Pois foi para lá que emigraram, duas famílias de Alcains, em 1984. Em Portugal, as décadas de 70 e 80 ficaram marcadas por um enorme fluxo de emigração com destino aos países mais ricos da Europa, sobretudo francófonos. Foi também para lá que seguiram Mário Jacinto, natural do Salgueiro do Campo e casado com Helena dos Santos, natural de Alcains. Chegaram à Suíça em 1984, onde acabariam por permanecer pouco tempo. O país helvético abriu-lhes as portas à emigração, mas para um destino bem mais longínquo do que possam ter imaginado à partida. No mesmo ano, a Embaixada da Austrália procura captar

Helena dos Santos, o marido e as filhas vivem em Adelaide, uma cidade a sul do país continente trabalhadores na Europa para suprimir necessidades de mão-de-obra num país em forte desenvolvimento. “Foi uma decisão muito difícil”, recorda hoje aos 51 anos Helena dos Santos. “Há 24 anos atrás mal ouvia falar da Austrália”. O marido,

estufador de automóveis de profissão, decidiu abandonar Portugal quando começou a ter problemas de salários em atraso. Mas a política de imigração restritiva adoptada pela Suíça impedia-o de levar a família para junto de si. Assim, decidiram dar o salto

para o outro lado do mundo e aceitar o desfio lançado pela embaixada australiana. Partiu juntamente com a esposa e duas filhas, no mesmo ano em que emigrou para a Suíça. “A adaptação foi um bocado difícil. Não sabíamos

falar inglês. Mas com o tempo lá nos adaptamos sempre com muita saudade de voltar a Portugal”. Nesta jornada até à Austrália embarcou também uma das duas irmãs de Helena dos Santos e o cunhado. O que tornou tudo mais fácil num país onde há

muito poucos emigrantes portugueses. As duas famílias alcainenses residem actualmente em Adelaide, uma das principais cidades do sul da Austrália. “Gosto de cá estar. A vida não é tão complicada. É tudo mais fácil de resolver”, salienta Helena dos Santos ao telefone. E confessa mesmo que actualmente não trocaria a Austrália por Portugal. Mas não esquece o país onde nasceu e do qual sente saudades. Os milhares de quilómetros que a separam da Europa e do resto da família são superados cada três anos, numa viagem que se prolonga por 24 horas. Mas é o telefone que ajuda a matar saudades e todas as semanas conversa durante largos minutos com a irmã, fazendo uso do baixo tarifário, difícil de imaginar para um país como Portugal. Hoje já sente a Austrália como uma parte de si e sente-se feliz com a decisão tomada. “Procurámos o melhor para as nossas filhas. Dei-lhes um futuro melhor e estou feliz por isso!”


Suplemento Este te suplemento faz parte integrante do Jornal Reconquista n.º 33299 299 dee 4 de Junho de 2009 e não pode ser vendido separadamente.

Lar Major Rato

Produção e coordenação: Nelson Mingacho

150 anos

Emissões filatélicas dos CTT assinalam fundação do Lar Major Rato

Selo postal e carimbo celebram 150 anos de história

Actividade física

Ginástica com entusiasmo Pág. 7

Casal no lar

Viver a terceira idade Pág. 11

Folclore

Rancho é cartão de visita Pág. 7

Centros de convívio

Conviver também é saudável

Pág. 6

Lançamento

Livro conta história da instituição Pág. 4

Direcção quer avançar com unidade para acamados e cuidados continuados

“Somos abordados por familiares desesperados”

Pág. 3


Lar Major Rato 150 anos

Utentes sopram velas

Cantar os parabéns no final do mês

U

m bolo de aniversário, velas para soprar e muitas palmas. É assim, ao final de cada mês, numa das salas de estar do Lar Major Rato, quando é altura e cantar os parabéns pelo aniversário. Já é tradição na instituição oferecer

um bolo aos utentes que cumprem mais um aniversário. A festa é nos últimos dias do mês e nela participam os aniversariantes que fizeram anos esse mês, colaboradores e utentes. O bolo é de fabrico próprio, confeccionado na cozinha do lar.

É tradição oferecer um bolo de aniversário

II Instituição tem plano de formação para dois anos

Formação qualifica recursos humanos Q

ualificar os recursos humanos de modo a prestar serviços de excelência aos utentes é uma preocupação constante na gestão da instituição, que tem implementado um plano de formação profissional até 2010. A formação é assegurada por uma empresa especializada e o financiamento pelo Programa Operacional do Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS). “Saúde Mental na Terceira Idade” foi o último curso de formação promovido em parceria com a Competir, com uma carga horária de 25 horas. Até ao final do ano estão previstas mais quatro acções de formação, todas na área da geriatria e cuidados a ter na terceira idade. Segundo a directora técnica do lar, Marta Tonel,

150 horas de formação estão previstas para o ano de 2009 a formação “é bastante importante”, até porque muitas das colaboradoras entraram para o lar sem qualquer tipo de formação

na área da Terceira Idade. O primeiro curso realizouse há sete anos e desde então não têm parado, proporcionando aos cola-

boradores a aquisição de novos conhecimentos. Só para 2009 estão previstas 150 horas de formação para os 63 funcionários do lar.


Lar Major Rato 150 anos

III

Direcção quer avançar com unidade para acamados e cuidados continuados

“Somos abordados por familiares desesperados” I

mplementar no terreno uma visão estratégica de médio e longo prazo para ganhar os desafios do futuro é o objectivo da actual Direcção do Lar Major Rato, liderada por Mário Minhós. Com o passar dos anos a instituição cresceu e modernizou-se, mas debate-se actualmente com falta de capacidade de resposta para as famílias que todos os dias batem à porta. Há mais de 350 potenciais utentes inscritos, numa lista que não pára de crescer. Para dotar a instituição de maior capacidade de intervenção, a Direcção tem em mãos um projecto para a criação de um complexo social integrado. O objectivo é construir uma unidade para acamados e cuidados continuados – a funcionar em articulação com as valências e serviços do lar já existentes – e reforçar o apoio domiciliário, melhorando assim a gestão dos recursos disponíveis. O terreno para implementar o projecto já foi adquirido. Falta agora reunir os apoios financeiros necessários, públicos e privados. 150 anos após a fundação, que desafios se colocam actualmente à instituição? O nosso objectivo é implementar uma visão estratégica de médio e longo prazo, que incorpore um conjunto de projectos interdependentes e complementares, que no seu conjunto permitam à instituição atingir os objectivos e metas a que se propôs, de forma a servir os interesses de Alcains e populações vizinhas. Não é nossa intenção desenvolver e apresentar projectos para o imediato, sem fundamentação, nem ter como intuito único ver obra realizada a curto prazo, o que poderá ter consequências negativas no futuro. A que projecto se refere? Ao projecto do futuro complexo social integrado. Trata-se de criar um modelo habitacional para acamados e apoio a cuidados continuados,

o mérito dessas pessoas ou entidades ainda este ano. Está a ser elaborado o regulamento que define os princípios para a atribuição da categoria de sócio-honorário, e irá a Assembleia Geral para ratificação. Durante as comemorações dos 150 anos é nossa intenção entregar diplomas de sócio-honorário a essas entidades e individualidades.

Adquirir novas valências, através do novo complexo social, é o objectivo da Direcção, explica Mário Minhós com uma unidade polivalente de apoio médico. O projecto prevê ainda a construção de unidades habitacionais autónomas e um serviço de apoio ao domicílio integrado. Não se trata pois de replicar um novo lar, igual ao que já existe. Em termos operacionais, o novo complexo social visa reforçar a articulação entre os diferentes serviços, promovendo desta forma uma maior e melhor gestão dos recursos disponíveis, entre o lar actual e o futuro complexo. As actuais valências e serviços de apoio do lar serão mantidos e reforçados, o apoio domiciliário será reforçado de modo a possibilitar aos utentes ficarem em suas casas, permitindo o seu enraizamento, ao mesmo tempo que se mantém a habitabilidade urbana da zona antiga da vila. Os utentes acamados serão transferidos para a nova unidade a criar. Como é que a Direcção lida com uma lista de espera com mais de 300 pessoas inscritas? É público que o actual lar é ocupado essencialmente por utentes acamados. Não é fácil para a Direcção admitir utentes autónomos quando, no dia-a-dia, somos aborda-

dos por familiares desesperados por não terem condições em casa para cuidar dos seus idosos acamados. Perante este dilema, acabamos por dar prioridade a estes apelos em detrimento de idosos autónomos, mas também necessitados dos serviços da instituição. Como dar resposta a este problema social? Com a construção do modelo habitacional para acamados e apoio a cuidados continuados, temos o problema resolvido. Os idosos nesta situação serão transferidos para a nova unidade, dando lugar a outros com autonomia. Quero frisar que as actuais instalações do Lar Major Rato são para manter. É nossa intenção melhoralas, de forma a que cada vez mais haja condições para atingir o grau de excelência nas actividades de apoio social que prestamos aos utentes. A implementação deste projecto será feita de forma faseada, enquadrada na dinâmica que será lançada, tendo em conta a realidade social e a sua envolvente, bem como o modelo de financiamento a ser implementado. A instituição dispõe de recursos financeiros

para avançar com o projecto? Será definido um modelo de negócios que privilegie o financiamento dos investimentos com base na actividade da própria instituição. O objectivo é garantir que o complexo apresente sustentabilidade económica e financeira. A garantia, à priori, de potenciais utentes, bem como a implementação de um modelo de gestão assente na correlação entre os investimentos e fluxos de tesouraria de exploração, garante a efectivação de um modelo privado de outro financiamento centrado na sua actividade. Os apoios, tanto públicos como privados, serão considerados. Temos consciência que a autarquia e o Estado têm recursos financeiros limitados e que o projecto não pode ser protelado continuamente à espera do “guardachuva” das entidades oficiais. Temos a convicção, melhor dizendo, a certeza que as entidades públicas irão olhar para esta iniciativa com um carinho e atenção muito especiais por se tratar de um projecto estruturante a nível local e distrital. Também eles estão preocupados com o bem-estar das suas populações e em resolver os seus problemas. No

momento oportuno será lançada uma campanha de angariação de fundos junto dos amigos da instituição. A instituição tem implementado actividades de animação, no sentido de melhorar a qualidade de vida dos utentes... Foram criadas diversas actividades de animação e de bem-estar: Educação Física, Fisioterapia, Escola de Música, Rancho Folclórico, etc. Isto para os utentes usufruírem de uma melhor qualidade de vida. Procuramos dar a entender aos idosos que a entrada no lar não significa o fim da vida, mas sim a entrada noutra fase da sua vida. Esta transição por vezes é traumática. Mas o Gabinete Técnico e funcionários do lar com o seu humanismo, a sua competência e profissionalismo têm sabido envolver os utentes nesta nova realidade. A imagem pública do lar é muito positiva, o que é motivo de orgulho de todos nós. Tratando-se de uma instituição de solidariedade social não é difícil reunir apoios...? Particulares e empresas têm contribuído ao longo dos anos com donativos. É nossa intenção reconhecer publicamente

O lar exige-lhe muito tempo? Os elementos que compõem a Direcção exercem funções de forma graciosa. Temos a nossa vida familiar e profissional e entendemos que a melhor forma de gerir os destinos da instituição é partilhar responsabilidades. Dentro desta filosofia temos criado comissões para tratar de assuntos de interesse para a vida do Lar Major Rato, como para a construção do novo complexo social integrado, para a escolha da bandeira do lar e para as comemorações dos 150 anos. Todas estas comissões têm trabalhado em parceria com a Direcção. Só assim é possível porque o Lar é de todos. As responsabilidades têm que ser partilhadas e principalmente porque gostamos de servir a causa pública. A Direcção quer criar a figura do Provedor do Utente. Qual é o objectivo? Vai ser proposto na próxima Assembleia Geral a aprovação da figura do Provedor do Utente do Lar. A promoção e o incremento da qualidade têm sido um dos eixos estratégicos do projecto e da vida desta instituição. A criação desta figura insere-se nesse caminho da procura da qualidade, pretendendo-se, por esse meio, contribuir para o reforço das garantias dos direitos e dos interesses dos utentes, através de uma instância com garantida independência das funções de direcção e gestão, e à qual podem ser atribuídas funções de provedoria e de intermediação, entre os utentes e as suas famílias e a instituição.


Lar Major Rato 150 anos

IV

Emissões filatélicas dos CTT assinalam fundação do Lar Major Rato

Selo postal e carimbo celebram 150 anos de história P

ara que a fundação do Lar Major Rato permaneça bem viva na memória colectiva, os CTT vão emitir uma selo personalizado e carimbo comemorativo dos 150 anos da instituição. O busto do Major Rato, o benemérito que em 1859 doou os seus bens para a criação de uma instituição a favor dos mais desfavorecidos é a imagem que serve de ilustração para o selo postal e respectivo carimbo. O selo com uma franquia 0,32 euros, emitido ao abrigo da Portara 1335/2007 de 10 de Outubro, poderá ser usado em toda a correspondência. Segundo esta portaria, todos os interessados podem criar e pedir, exclusivamente através da Internet, um selo de correio ilustrado com o motivo que pretenderem, explica José Geada, o alcainense que lançou o desafio aos CTT.

O selo e carimbo do major podem ser obtidos a 17 de Julho, apenas nos CTT de Alcains

Os selos criados ao abrigo desta portaria são geridos unicamente pela entidade que os pediu, neste caso o Lar Major Rato, pelo que, embora possam ser usados em todo o tipo de correspondência (normal, registada ou para o estrangeiro) não estarão à venda nas estações de Correio. Além do selo personalizado, os serviços de Filatelia dos CTT criaram um carimbo especial que comemorara os 150 anos da fundação da instituição. Este carimbo, que nos meios filatélicos é conhecido por “carimbo comemorativo”, tem a data do dia 17 de Julho e será usado unicamente neste dia, na estação de Correios de Alcains. Os interessados em obtê-lo têm que se deslocar esse dia aos CTT de Alcains, levar consigo um envelope, comprar um selo e pedir ao funcionário para

colocar o carimbo sobre o selo. A alternativa para quem não pode deslocarse ao local é fazer o pedido pelo correio. Na semana seguinte, o carimbo será devolvido aos Serviços de Filatelia dos Correios e nunca mais voltará a ser usado, refere José Geada. Quanto aos selos, segundo a portaria que os criou, eles só podem ser usados na correspondência até ao último dia do ano seguinte a terem sido emitidos, neste caso até dia 31 de Dezembro de 2010. E para completar o leque de emissões filatélicas, será ainda produzido um postal ilustrado, não pelos CTT mas por um particular. O postal é ilustrado pelo selo com o busto do Major Rato e respectivo carimbo. Uma boa peça fi latélica a não perder será pois o postal, com o selo colado na frente e o carimbo do major.

Obra é apresentada durante a sessão comemorativa

Livro conta história da instituição “História do Lar Major Rato – 150 Anos a Fazer o Bem” é o título do livro da autoria de Florentino Beirão que será lançado no dia 27 de Junho (sábado), pelas 17H00, no Centro Cultural de Alcains, por ocasião do aniversário da instituição de solidariedade social. A obra editada pela RVJ Editores é apresentada por João Oliveira Lopes.

A história do lar, desde a sua fundação até aos dias de hoje, é o tema principal desta obra que aborda os diferentes períodos políticos e económicos que a instituição atravessou. Esta obra é baseada num levantamento da documentação existente, em jornais, arquivos históricos da região e também em testemunhos pessoais.

Florentino Beirão

Desde os primeiros passos para criar uma albergaria, aos momentos mais difíceis no financiamento do projecto, o livro explica como a instituição conseguiu evoluir e manter-se até aos dias de hoje. “Foi uma casa que sempre procurou dar resposta aos problemas mais difíceis da população carenciada de Alcains”, sublinha o autor do livro.

Através desta narrativa é também possível perceber os diferentes contextos de época e a forma como a política e organização social regional e nacional influenciaram o quotidiano da instituição. E a ligação afectiva entre a instituição e a população de Alcains. “O albergue foi considerado uma casa quase de marginais, um preconceito que

levou tempo a desaparecer, fruto dos bons serviços prestados. Hoje é uma casa que oferece serviços de qualidade”, destaca o autor. Florentino Beirão é também autor de outras obras sobre a história local, como “História de Alcains”, em três volumes, e “Laços entre Vivos e Mortos : As Benditas Almas na Religiosidade Popular”.

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Lar Major Rato 150 anos

V

João Duarte Rato doou os seus bens para uma causa social

O amigo dos pobres O testamento é bem explícito quando afirma que “é minha vontade que, na povoação de Alcains, se estabeleça e se erija uma Albergaria ou Asilo aonde sejam recolhidas as pessoas pobres da mesma povoação

J

oão Duarte Rato nasceu em Tinalhas em 1775, e viria a casar em Alcains, onde ficou a residir na casa onde hoje se encontra instalado o Lar do seu nome, por ele fundado como uma Albergaria ou Asilo. O seu avô, Manuel Duarte Rato, capitão do Exército, era de Cafede bem como o seu pai, João Duarte Rato, os quais terão influenciado a carreira militar do Major Rato. Assim, logo que atingiu a idade de prestar o serviço militar, ingressou nas milícias de Idanha a Nova onde atingiu as patentes de capitão e, mais tarde, de Major do Exército. Depois de reformado em 1835, ainda foi presidente da Junta de Freguesia de Alcains e desempenhou cargos administrativos em Castelo Branco. Quando enviuvou, ficou a viver com uma nora a quem deixou o usufruto dos seus vastos bens até esta morrer. Aos 82 anos de idade, sentindo que já se encontrava no fim da sua vida, chamou um advogado e fez o seu testamento escrito um ano antes da sua morte, ocorrida em 17 de Julho de 1859. Em 3 de Agosto do mesmo ano, este testamento foi oficialmente aberto e, através dele, se ficou a saber quais eram as últimas vontades do benemérito. A vontade de fundar uma Albergaria para os pobres de Alcains, a quem deixava todos os seus haveres, era bem clara. Major Duarte Rato, homem de grande fortuna para a época, morrendo viúvo, com os seus dez filhos todos falecidos, sem descendentes directos, deixava assim a sua casa

Cópia do testamento original deixado pelo fundador (à esq.). Pormenor da fachada do edifício onde hoje se encontra instalado o lar e todas as suas propriedades para que os pobres de Alcains pudessem ser amparados e ter o seu sustento condigno. O testamento é bem explícito quando afirma que “é minha vontade que, na povoação de Alcains, se estabeleça e se erija uma Albergaria ou Asilo aonde sejam recolhidas as pessoas pobres da mesma povoação que, por sua idade e achaques e outras circunstâncias, para que na mesma Albergaria ou Asilo serem sustentados e tratados, como se costuma em estabelecimento de igual natureza”. Assim acabaria por acontecer após a morte de sua nora e sobrinha, Maria José de Magalhães em 1875, 16 anos após a morte de Major Rato. Libertado agora o usufruto dos bens deixados, era altura de se concretizar a vontade do benemérito.

A abertura do Albergue Iniciou-se então a preparação do espaço onde seriam recolhidos e assistidos os primeiros 14 pobres escolhidos pelos testamenteiros em 1877, no edifício actual, casa residencial de Major Rato, adaptada para tal fim. Para providenciar às despesas inerentes ao seu funcionamento, a “Corporação Administrativa”, constituída pelos “Principais” de Alcains, com a Junta de Paróquia à sua frente, optou por colocar à venda, em hasta pública, todas as propriedades do seu fundador. As verbas auferidas deste processo foram então colocadas

em fundos públicos de crédito e em empréstimos a particulares. Para dar conteúdo jurídico a esta instituição de beneficência, houve a necessidade de se elaborarem os seus primeiros Estatutos, aprovados oficialmente, em 07.10.1876. Estes seria actualizados em 1905, com algumas substanciais alterações, sobretudo a nível do ingresso dos albergados e do estatuto dos associados. Nesta altura, como já se notava alguma dificuldade financeira no Albergue, houve a necessidade de se tomarem algumas medidas para se evitar o colapso financeiro da instituição.

De Albergue a Lar Seria esta peça jurídica que serviria de base ao funcionamento dos órgãos sociais do Albergue até 1984, altura em que houve necessidade de uma maior modernização dos respectivos estatutos, incluindose a mudança de Albergue para Lar Major Rato. Deste modo, esta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) tornava-se juridicamente uma Associação de pleno direito dentro de um ordenamento jurídico característico de todas as associações assistenciais do mesmo género. Mais tarde, em 2001, houve uma nova actualização dos Estatutos, esclarecendo apenas alguns pontos e adaptando-se a novas realidades e valência, agora assumidas pelo Lar, nomeadamente, a criação de um Centro Dia

e, mais tarde, mais dois Centros de Convívio, um para homens e outro para senhoras. Hoje alguns utentes dispõem de um espaço para praticar fisioterapia e outros fazem parte do Rancho Folclórico, fundado em 11.11.1996. São também várias dezenas de utentes que hoje

são assistidos em seus domicílios pelo Lar, com higiene adequada e alimentação diária. Neste momento, a direcção encontra-se empenhada em construir de raiz mais um novo Complexo Social tendo, para o efeito, adquirido um espaço amplo adequado a esta iniciativa.

Com 120 utentes e cerca de sete dezenas de colaboradores, o Lar decidiu expandir-se face à procura, cada vez maior, de novos utentes, a solicitarem a sua admissão nesta casa de elevada qualidade assistencial, hoje já a celebrar os seus 150 anos, “A Fazer o Bem”. Florentino Beirão

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Lar Major Rato 150 anos

VI

Matines de animação musical no salão polivalente

Canções que a memória não esquece J

á diz o ditado na sua sabedoria popular que quem canta seu mal espanta! É isso que um grupo de idosos faz nas tardes de quarta e sexta-feira. Ao som de instrumentos musicais como adufes, reco-recos, ferrinhos e outros, cantam músicas que a memória não esquece, como a “Senhora do Almortão”. Ali não há lugar para a tristeza. As aulas de música são uma actividade ainda recente na história da instituição, mas o sucesso está já garantido. Cerca de 20 utentes do lar seguem as instruções do professor de música Gil Duarte, ao acordeão, e tocam instrumentos que soam pelos quatro cantos da casa. A alegria toma conta da sala polivalente. “São músicas do tempo deles e que conhecem”, refere o orientador do grupo. “A receptividade foi muito boa”. O importante é contribuir para que ocupem as horas de foram diferente, adianta Gil Duarte. “Isto veio trazer-lhes mais alegria. No final de cada sessão, que dura aproximadamente uma hora, “saem daqui mais felizes”.

As aulas de música têm feito enorme sucesso junto dos utentes

Centros de convívio de S, José e Nossa Senhora da Conceição

Conviver também é saudável

Uma partida de cartas no Centro de Convívio S. José (à esq.). As senhoras também reivindicaram à abertura de um espaço para si

J

ogar uma partida de cartas, tomar um lanche ou simplesmente conviver é o que os dois centros de convívio do Lar Major Rato proporcionam à população mais idosa de Alcains. Primeiro abriu o Centro de Convívio S. José, em 1990, frequentado exclusivamente por

homens. As senhoras não quiseram ficar para trás e lançaram o desafio à instituição no sentido de lhes proporcionar um espaço. O Centro de Convívio de Nossa Senhora da Conceição entrou em funcionamento em 2002. O local não podia ser mais central. Na rua com

o mesmo nome do benemérito, integrados nas instalações do lar, ficam os dois centros de convívio. Ambos são muito procurados por quem procura passar o tempo em boa companhia. “Gosto de jogar às cartas e de estar aqui”, refere José Grilo, com 80 anos

Há serviço de bar, jogos de damas e dominó e sempre um amigo pronto para disputar mais uma partida. O espaço está aberto aos fins-de-semana e feriados e clientes é algo que não falta. A poucos metros dali, fica o centro de convívio das senhoras. “Gosto mui-

to de vir cá e do ambiente”, salienta Maria do Carmo Ramalho, com 87 anos. A idosa explica que fez parte do grupo de senhoras que propôs a criação do espaço. O movimento de pessoas é menor, mas actividades também não faltam, incluindo os ensaios do Rancho Folclórico

do Lar Major Rato. Os dois centros estão abertos não apenas aos utentes do lar como a toda a população da vila. E para que não faltem argumentos para uma visita aos centros de convívio, todos os dias a instituição oferece um lanche gratuito a quem por lá passa.


Lar Major Rato 150 anos

VII

Utentes participam em sessões de actividade física

Ginástica com entusiasmo

Lar tem serviço de cabeleireiro e esteticista

Idosos também se preocupam com beleza

Fregueses não faltam nas salas de atendimento

D

Ginástica orientada por um professor para ajudar a manter a força e o equilíbrio

Q

uando chega a hora já se sente no ar o entusiasmo de participar em mais uma sessão de ginástica. Três vezes por semana, alguns dos utentes reúnem-se em grupo na sala polivalente da instituição para, ao som da música,

seguirem as instruções do professor e manter a boa forma física, ou simplesmente distrair. O ambiente é de convívio durante o treino de actividade física especialmente preparado para responder às suas necessidades. Através de

exercícios lúdicos e jogos procura-se trabalhar aspectos como a força, o equilíbrio e a flexibilidade, explica Ricardo Martins, o orientador do grupo. Tudo isto com benefícios para o sistema cardio-vascular e respiratório. A componente lúdica

e social é igualmente importante. “É uma hora em que estão todos juntos e em convívio. Ficam muito entusiasmados”. As sessões ajudam também ao bem-estar psicológico, o que contribui para a melhoria da qualidade de vida dos utentes.

esenganem-se os que pensam que cuidar da beleza é apenas uma preocupação dos mais novos. No Lar Major Rato existem duas salas com serviço de cabeleireiro, esteticista, manicura e barbearia. E clientes é o que não faltam todos os dias à procura de saírem dali rejuvenescidos com, aparentemente, menos alguns anos de idade. As mãos de Carminda André não param face às solicitações. É a cabeleireira de serviço tanto na sala de atendimento para homens como das senhoras. A manhã começa com depilação de senhoras e arranjo de cabelos. À tarde é altura de cortar o cabelo

Grupo é formado por utentes e colaboradores

Racho é cartão de visita É

já um dos cartões de visita da instituição. O Rancho Folclórico do Lar Major Rato foi criado há três anos e é formado por utentes internos, por pessoas que frequentam os centros de convívio e colaboradores. Convites para actuar em palco fora da instituição é o que não tem faltado. O rancho folclórico faz parte do leque diversificado de actividades que os utentes do lar podem frequentar, e conta também com a colaboração dos funcionários. É um bom exemplo de como um projecto lúdico pode contribuir para envelhecer de forma activa e saudável, salienta a directora técnica da instituição, Marta Tonel. O rancho é dirigido por uma voluntária, Alice Chaves, e há ensaios todas as semanas. Este embaixador da música tradicional da Beira Baixa, e também de outras zonas do país, tem cativado a participação dos utentes e integra actualmente 16 elementos, sempre prontos para mais um pezinho de dança.

As solicitações ao Rancho Folclórico para actuar no exterior são muitas

aos homens. “Cada dia da semana tenho uma tarefa diferente, tudo relacionado com pelos e cabelos”, comenta a cabeleireira, enquanto faz a depilação a Maria do Carmo Sanches, a avó do primeiro conselheiro de origem portuguesa eleito para a Câmara de Paris, Hermano Sanches Ruivo. “É um dia em que estão todos muito contentes”, refere Carminda André. Os cuidados estéticos ajudam-nos a “elevar a sua auto-estima”, admite a cabeleireira. “É um trabalho que faço com muita satisfação”. Os fregueses que o digam, que segunda a sexta-feira, saem dali mais bonitos.


Lar Major Rato 150 anos Serviço individualizado e em grupo

Fisioterapia melhora bem-estar dos utentes

VIII Equipas ocupam mais de metade das colaboradoras

Cuidar da higiene e limpeza diárias O

Os exercícios são adequados às necessidades do utente

P

ara enfrentar as dificuldades de movimento e coordenação motora causadas pela idade, os utentes do Lar Major Rato contam com o serviço de fisioterapia individualizada e em grupo. As sessões orientadas por um técnico especializado proporcionam momentos de relaxamento aos utentes, mas também de boa disposição. Durante a semana o jovem fisioterapeuta João Alberto desloca-se à instituição para prestar acompanhamento a utentes com capacidade física limitada. O objectivo do programa “Viver Saudável” é contribuir para melhorar a

qualidade de vida geral dos que mais necessitam deste serviço. Cerca de 15 utentes beneficiam de apoio individualizado e mais de 30 participam em exercícios físicos de grupo na sala de ginástica do lar. Os exercícios servem para “melhorar a coordenação de movimentos, aumentar a força e estimular a respiração”, explica João Alberto. “São adequados ao estado físico de cada um”. Ali a boa disposição não falta, apesar das contrariedades da idade, e todos seguem atentamente as instruções do fisioterapeuta, ao som da música que ajuda a marcar ritmo.

s cuidados de higiene pessoal diários prestados aos utentes e o serviço de limpeza de quartos e espaços de utilização comum do edifício ocupam mais de metade dos 65 funcionários da instituição de acolhimento de idosos. Todos os serviços são indispensáveis para o bom funcionamento da casa, mas este exige esforço e cuidados redobrados. Ermelinda Marques e Leonor Duarte são duas funcionárias que todos os dias têm a seu cargo a tarefa de cuidar da higiene pessoal dos idosos. “É preciso ter força de vontade e gostar do trabalho”, refere Leonor Duarte. “Há dias em que lhes damos forças, outros que são eles que nos dão a nós”, acrescenta. Além dos cuidados de higiene, as equipas habitualmente formadas por dois elementos

Ermelinda Marques e Leonor Duarte formam uma equipa são também responsáveis pela limpeza e arrumação de quartos e dos espaços de utilização comum. As duas funcionárias

sublinham a importância das acções de formação profissional que têm frequentado, para o bom desempenho das suas fun-

ções. E no dia-a-dia a lidar de perto com os idosos, “há também o sorriso deles que dá força à gente”, salienta Ermelinda Marques.

150 anos a cuidar dos nossos idosos! Rua Major Rato nº 35, 6005-076 Alcains Telefone: 272 906 235 Fax: 272 906 136 secretaria@lar-major-rato.com

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Lar Major Rato 150 anos

IX

Cozinheiras e ajudantes asseguram aos utentes

Alimentação e higiene

Braço amigo chega ao domicílio

Um sabor de cozinha!

A comida é entregue em casa dentro de uma cesta

O

A equipa responsável pela cozinha do lar tem de zelar pela dieta dos idosos

C

ozinhar pode ser considerada uma tarefa fácil. Mas cozinhar diariamente para mais de 150 pessoas, pode assustar até cozinheiros mais experientes. Todos os dias, uma equipa de três cozinheiras e quatro ajudantes dão vida à cozinha do Lar Major Rato, instalada nos rés-dochão do edifício principal. Aqui, não há tempo para descanso! A azáfama começa logo pela manhã, às 08H00, com a preparação do pequeno almoço. Só em pão, entram todos os dias 16 pães grandes e 180 paposecos para alimentar utentes internos e do apoio domiciliário. E porque se

tratam de idosos, há dietas a respeitar. “A alimentação é muito à base de cozidos e grelhados”, sublinha uma das cozinheiras, Maria do Céu Sousa, que trabalha na instituição há 10 anos. Para trabalhar aqui, “é preciso gostar-se”, acrescenta. Logo depois do pequeno almoço, é tempo de preparar o almoço. Não há minuto a perder, uma vez que “a certas horas tudo tem de estar pronto” para servir à mesa. O dia só termina às 20H00, com três horas de intervalo pelo meio. “Na cozinha não há tempo para descansar. Mas leva-se bem”, refere a outra cozinheira, Leonor

Lucas. Todos as sextasfeiras a cozinha recebe carne fresca, para depois confeccionar com outros alimentos num dos três fogões industriais. A sopa ocupa lugar de destaque na ementa, duas vezes ao dia. A panela de pressão com capacidade para 150 litros não tem descanso e todos recebe alimentos. Por semana, a cozinha do lar consome 600 quilos de batata e 12 quilos de hortaliça. “Todos os dias é aqui um grande movimento”. A carrinha de apoio ao domicílio sai às 11H30 para a rua, com as cestas já carregadas de alimentos. A outra parte da comida sobe por elevador, direc-

tamente da cozinha para a sala de jantar no primeiro piso. O almoço é servido aos idoso em dois serviços. E para adoçar a boca, todos os dias é feita uma sobremesa para o almoço, e fruta ao jantar. E porque numa cozinha todo o cuidado é pouco, todos os alimentos frescos são consumidos no prazo de 48 horas, de acordo com as normas da Autoridade e Segurança Alimentar Económica (ASAE). Periodicamente, equipamentos e instalações são também sujeitas a acções de controle e fiscalização da segurança alimentar, efectuadas por empresas externas.

s serviços do lar estendem-se muito para lá das portas da instituição. Cerca de 40 pessoas beneficiam de cuidados a nível de alimentação e higiene, através do apoio domiciliário. Luísa Maria Jesus e Amélia Lopes são as duas funcionárias que garantem este serviço aos idosos, sem o qual muitos não poderiam passar. Todos os dias à mesma hora, a bagageira da carrinha Peogeot é preenchida com cestas cheias de alimentos. Sopa, segundo prato, fruta ou sobremesa acabados de confeccionar na cozinha do lar “voam” para a mesa dos utentes, que perto do meiodia já esperam pelo toque da campainha. “As pessoas ficam contentes ao verem-nos à porta, uma vez que não podem cá vir buscar a co-

mida. É um trabalho que dá gosto fazer”, salienta Maria Jesus, funcionária há 10 anos no lar. “O tempo é muito pouco. Andamos sempre a correr”. Pelo caminho, prestam ainda cuidados de higiene pessoal a doentes acamados em suas casas. E também de limpeza, incluindo roupas que encaminham para a lavandaria. “Esta é a nossa joaninha, quando vamos atrasadas até voa”, diz Amélia Lopes, enquanto aponta para a carrinha comercial. “Por vezes, somos a única companhia que os idosos têm durante o dia”, salienta. O que permite acompanhar a situação em que os idosos se encontram, em articulação com a direcção técnica. Há também utentes do apoio domiciliário que vão buscar a cesta com alimentos à instituição.

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Lar Major Rato 150 anos

X

Equipa médica e de enfermagem com disponibilidade permanente

“Instituição é modelo em termos de cuidados de saúde” O

acesso a cuidados médicos e de saúde é uma prioridade entre os vários serviços que o Lar Major Rato presta. Diariamente, das 09H00 às 19H00, uma equipa médica e de enfermagem está disponível para apoiar os utentes no gabinete situado no primeiro piso do edifício. Abílio Marques e Manuel Ávila são os dois médicos que prestam serviço na instituição, de forma alternada. Para os apoiar, existe ainda uma equipa constituída por seis enfermeiros. “Devido à evolução da própria instituição o serviço tem vindo a melhorar em termos de

O médico Abílio Marques e a enfermeira SaraRoque

qualidade”, sublinha o médico Abílio Marques, que está no lar há 20 anos. Para o clínico, o Lar Major Rato “é uma instituição modelo em termos de cuidados de saúde”. A equipa médica e de enfermagem é fixa, o serviço é permanente e funciona em articulação com as assistentes sociais da Direcção Técnica da instituição. “A equipa tem de ser multidisciplinar”. E no caso de existir necessidade, “vimos cá sempre, pois estamos em disponibilidade permanente”. O médico destaca ainda “a boa parceria” que existe com o Hospital Amato Lusitano em Castelo Branco.

Equipa coordena serviços e colaboradores

Pulsar do lar passa pelo Gabinete Técnico D

ar resposta às solicitações dos utentes, das famílias e dos funcionários do lar é uma das principais tarefas do Gabinete Técnico, que tem ainda a seu cargo a gestão do dia-a-dia da instituição. A equipa é constituída por duas técnicas de serviço social, Júlia Ribeiro e Claúdia Canatário, e pela directora técnica, Marta Tonel. Tudo o que acontece no Lar Major Rato passa por este gabinete, responsável pela gestão e prestação de serviços aos utentes e

Cláudia Canatário, Marta Tonel e Júlia Ribeiro

familiares. “Procuramos estar sempre a par de tudo o que se passa com eles, e dentro da própria instituição”, salienta a directora. Facilitar a integração de novos utentes, coordenar o trabalho dos colaboradores e acompanhar todos os serviços prestados, incluindo os de saúde, são as principais tarefas. O gabinete é ainda responsável por elaborar e executar o Plano de Actividades, e o planear iniciativas no exterior, como organizar passeios a locais de interesse para os idosos.


Lar Major Rato 150 anos

XI

Casal de idosos troca casa pelo lar

Terceira idade saudável e sem preocupações P

roporcionar a todos os utentes uma terceira idade saudável e livre de preocupações com as tarefas do dia-a-dia faz é o que o Lar Major Rato procura assegurar. E era também o que Luís Afonso Simão e Maria José Pereira procuravam e encontraram ao ingressar na instituição de acolhimento, ela como utente interna e ele através do Centro de Dia. Depois de uma vida de trabalho, encontrar paz e sossego é o que todos os idosos querem da vida. Maria José Pereira, com 82 anos, já não conseguia dar conta das exigências da casa onde vivia com o marido. “Já não podia fazer nada em casa. Falha-me a memória”, salienta a idosa que encontrou no lar a solução para o problema. O primeiro contacto com o lar foi através do serviço de apoio domiciliário. Meses

Luís Afonso Simão e Maria José Pereira encontraram no lar a resposta que precisavam

depois de passar a utente interno, Maria José hoje não tem dúvidas: “estou cá bem, melhor do que na minha casa”. Nada lhe falta, nem mesmo a companhia do marido que passou a ser utente do Centro de Dia do lar. Luís Afonso Simão não precisa de se preocupar com as refeições, apesar da esposa não estar em casa. Almoça, janta e toma o lanche todos os dias no lar, na companhia um do outro. “Aqui ela descansa mais”, sublinha o idoso. Quanto às outras tarefas da casa, o idoso conta com o apoio de uma filha. Frequentar as aulas de ginástica é a actividade favorita de Maria José. Já Luís Simão prefere passar o tempo no centro de convívio, onde há sempre um parceiro para jogar cartas. E pelo meio ainda consegue algum tempo para fazer um passeio até à horta.


Lar Major Rato 150 anos

VIII

Uma equipa profissional formada por 63 colaboradores é responsável por assegurar o bem-estar diário dos perto de 150 utentes do Lar Major Rato, 40 dos quais beneficiam de apoio domiciliário. Este elevado número de postos de trabalho faz da instituição de apoio à terceira idade um dos principais empregadores da localidade.

Programa assinala aniversário

Comemorações são no Centro Cultural de Alcains

P

ara comemorar o aniversário dos 150 anos da fundação do Lar Major Rato foi elaborado um programa de actividades que inclui um concerto, o lançamento de um livro e uma palestra. As actividades têm lugar no Centro Cultural de Alcains, de modo a envolver a participação da comunidade. A publicação deste suplemento no semanário Reconquista marca o início das actividades comemorativas. No dia 27 de Junho (sábado), pelas 17H00, é

lançado o livro “História do Lar Major Rato – 150 Anos a Fazer o Bem”, da autoria de Florentino Beirão. Após um concerto, o livro será apresentado por João Oliveira Lopes. As comemorações continuam no dia 18 de Julho (sábado), às 17H00, com a sessão solene comemorativa dos 150 anos. Esta inclui o descerrar de uma placa comemorativa da efeméride nas instalações do lar e o hastear da bandeira da instituição. Depois disso, terá lugar a palestra “O

papel da sociedade civil e a solidariedade social em tempos de crise”, no Centro Cultural de Alcains. As comemorações terminam durante a tarde com a atribuição de diplomas de sócios-honorários a pessoas que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento da instituição. A comissão responsável pela elaboração e execução do programa é formada por Florentino Beirão, Otília Barata, Luís Amaro Lopes, Alírio Serrasqueiro e Ramiro Rafael.


Suplemento Alcains Desporto - N.º 1 Produção: Alma Azul Coordenação: Nelson Mingacho

Este suplemento faz parte integrante do Jornal Reconquista n.º 3255 de 31 de Julho de 2008 e não pode ser vendido separadamente.

Caminhadas

Não há léguas que resistam!

Futebol é a modalidade mais praticada

CDA dá força ao desporto há 31 anos

Página 7

Página 4 e 5

Judoca nos Jogos Olímpicos de 2008

Ana Hormigo à conquista de Pequim Depois de vencer a medalha de bronze no Europeu de Lisboa carimbou o passaporte para Pequim. Está entre as onze melhores do mundo. Antes de partir a Alma Azul e Reconquista organizaram um jantar de boa sorte. Página 2 e 3

Associativismo

História do desporto em Alcains Página 6


II

Atleta olímpica Ana Hormigo em entrevista

Judoca parte de Alcains à conquista de Pequim É atleta de alta competição, sócia e monitora de judo no Clube Desportivo de Alcains (CDA). A judoca Ana Hormigo e o treinador Abel Louro mudaram-se há dois anos de Castelo Branco para Alcains à procura de mais qualidade de vida. Daí à criação da Secção de Judo do CDA foi um passo. A modalidade já movimenta 20 judocas, a partir dos oito anos de idade. Em Agosto representa Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim, de onde espera trazer uma medalha. Ana Hormigo, aos 27 anos de idade, está entre as quatro melhores da Europa (na categoria de 48 quilos) e no grupo das onze melhores do mundo. Como começou a paixão pelo judo? Sempre gostei de artes marciais e desportos de combate. Experimentei começar pelo karaté, mas não gostei muito. Depois foi o judo, aos oito ou nove anos. E gostei! Até hoje... Os Jogos Olímpicos de Pequim sempre fizeram parte dos planos? Os jogos olímpicos fizeram sempre parte dos planos. Tentei Atenas mas não consegui! Os próximos teriam mesmo de ser o grande objectivo. Havia um longo caminho a percorrer. São quatro anos de qualificação em que temos de estar sempre ao melhor nível, porque só há cinco vagas ao nível da Europa. Sabia que ia ser muito difícil... Penso que para qualquer atleta amador o grande sonho é ir aos jogos olímpicos! Espera trazer uma medalha? Espero. A classificação não é como no atletismo ou na natação, onde sabem que é difícil chegar a uma final. No judo isto não acontece. Nós competimos por tempos. Combatemos contra os adversários que podem até ser mais fortes, mas naquela dia conseguimos surpreender. Podemos estar bem fisicamente, mas por vezes um pequeno deslize leva-nos a perder. São os atletas de topo que lá estão. Eu também sou uma delas. Portanto, lá, naquele dia, quem estiver melhor pode chegar à frente. Por isso ganhar uma medalha não é totalmente impossível. Certamente haverá momentos da sua carreira desportiva que não esquece? Quais são? Pela positiva, o Europeu de 2008 em Lisboa, onde consegui o apuramento para os jogos olímpicos e finalmente a medalha de bronze, que já perseguia há muito

tempo. Era o oitavo campeonato da Europa em que participava. Fiquei feliz a dobrar: o apuramento e logo a seguir a medalha. Fiquei deveras muito contente (risos)... Pela negativa, a primeira vez que fui a uma final num torneio internacional. Faltava apenas um minuto, estava a ganhar o combate e devido a um movimento que fiz fiquei com um osso de fora do dedo do pé. Então tive de desistir. Eu não queria mas as regras são muito explícitas... A alta competição é um espaço reservado a muito poucos. Como conseguiu chegar lá? Com muito sacrifício e trabalho. É o que tento transmitir como professora de judo aos meus atletas. Já faço judo há quase 20 anos. Os resultados não são logo ao início. É preciso muito trabalho, muita dedicação e nunca perder a esperança, porque quem trabalha sempre alcança. Para chegar a atleta de alta competição são precisos muitos sacrifícios, abdicar de muitas coisas, como saídas à noite, o que é complicado quando se está na juventude. Também aplicarmo-nos ao máximo nos treinos. É isso que nos leva a uma construção para a alta competição. Acho que é muito difícil em qualquer desporto, não apenas no judo. O treino físico é importante, mas sem preparação psicológica não se alcançam bons resultados... É assim? Sim. Temos de estar preparados. Física e psicologicamente. O treino físico é diário: correr, nadar, etc. Há atletas muito fortes fisicamente mas que na altura de combater vão-se abaixo em termos psicológicos. Por isso é preciso encontrar estratégias para conseguir ven-

vos o n

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“É preciso muito trabalho, muita dedicação e nunca perder a esperança, porque quem trabalha sempre alcança.” “Os jogos olímpicos fizeram sempre parte dos planos. Tentei Atenas mas não consegui! Os próximos teriam mesmo de ser o grande objectivo.”


III cer, até mesmo o medo da competição. A dedicação no treino e o tentar superar os nossos medos é um trabalho muito importante. Há quem trabalhe em grupo a parte psicológica. Mas penso que é fundamental actuarmos sozinhos. Cada um tem as suas estratégias. Quando somos mais novos encaminham-nos logo para uma psicóloga para encontrarmos essas estratégias. A minha passa por encarar a competição como um treino. No judo não ganhamos só nós. Temos sempre o treinador ao nosso lado para dar orientações.

Alma Azul e Reconquista organizaram jantar

Boa Sorte antes da viagem à China

Porque motivo escolheu Alcains para residir? Eu e o meu namorado, que é também o meu treinador, procurámos uma casa em várias localidades, incluindo Castelo Branco. Os preços são mais atractivos fora da cidade. Não queríamos um andar fechado num prédio. Preferíamos uma casa modesta e calma. Aqui em Alcains encontrámos isso. Estamos muito satisfeitos com a escolha. Além de desportista é também empresária. Como tem corrido a experiência... Bem. Nestes tempos mais difíceis nenhum negócio está cheio de vida. Quando eu e o Abel terminámos os cursos na Escola Superior de Educação de Castelo Branco quisemos virar-nos logo para a área da educação. Abrimos um centro de estudos e explicações em Castelo Branco, que tem também um gabinete de tradução. Criá-mos a empresa em 2004, antes dos Olímpicos de Atenas. É complicado para um atleta de alta competição arranjar emprego. Temos direito a horários mais flexíveis, mas na prática isso pode não funcionar. Qual é a empresa que vai querer empregar-me quando depois vou ter de faltar meio ano para treinar e ir às competições? Por isso, criar o meu próprio emprego seria uma vantagem.

Atletas, familiares e amigos participaram no Jantar de Boa Sorte à judoca Ana Hormigo antes da sua partida para a China. O evento organizado pela Alma Azul e o Reconquista decorreu no Restaurante Piscina em Alcains no sábado, dia 12 de Julho, e reuniu à mesa perto de 50 admiradores da atleta olímpica. Surpresas não faltaram durante a noite em que a atleta se despediu dos seus admiradores. Flores, poemas, livros e até um cartaz assinado por todos os que participaram na iniciativa foram oferecidos à atleta, para lhe dar força e desejar boa sorte na sua jornada até Pequim. A comitiva olímpica que representa Portugal nas Olimpíadas de 2008 partiu para a China no dia 25 de Julho.

“São os atletas de topo que lá estão. Eu também sou uma delas. Portanto, lá, naquele dia, quem estiver melhor pode chegar à frente.”

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IV

A mais recente aquisição

Leonor Monteiro Gama 1 ano Chama-se Leonor e apesar da tenra idade já pode exibir o cartão de sócia do Clube Desportivo de Alcains (CDA). O apreço do pai pela importância do movimento associativo e a persistência do presidente da direcção do clube fizeram dela a sócia mais recente do CDA. Às 16H50 do dia 23 de Maio de 2007 abriu os olhos para o mundo na sala de partos do Hospital Amato Lusitano em Castelo Branco. Mais tarde, durante a Feira do Queijo de Alcains, o pai de Leonor sofreu um pressing por parte da direcção do CDA para tornar a filha sócia. “As associações são fundamentais para o desenvolvimento social da freguesias”, considera o pai que não hesitou em aceitar o desafio.

O sócio número um

Victor Lopes Serrasqueiro 80 anos O primeiro a ver o seu nome inscrito na lista de sócios do Clube Desportivo de Alcains (CDA) foi Victor Lopes Serrasqueiro. Natural da localidade, nasceu a 6 de Dezembro de 1927. Para o próprio não deixou de ser uma surpresa o facto de lhe ser atribuído o cartão de sócio número um. “Quando me deram o número eu não estava presente na reunião”, recorda, hoje aos 80 anos de idade. Victor Serrasqueiro foi também um dos fundadores do CDA. O antigo jogador do Grupo Desportivo de Alcains viria a integrar os corpos directivos da recém-criada colectividade desportiva. A par do desporto, também o interesse pela música e o teatro o mantiveram ligados ao movimento associativo alcainense. Tudo, como faz questão de sublinhar, “sempre por amor à camisola”.

CDA: Clube Desporti Despor Futebol, judo e ténis de mesa são as modalidades praticadas no Clube Desportivo de Alcains. É a maior colectividade local que mobiliza dezenas de jovens atletas e mais de um milhar de sócios, prontos a vestir a camisola.

A equipa da época 1999-2000, um ano antes da subida à 2.ª Divisão Nacional

O

sentimento de pertença a uma comunidade e o emblema do Clube Desportivo de Alcains (CDA) confundem-se no coração de muitos alcainenses, que olham para a colectividade desportiva como um embaixador que têm levado bem longe o nome da terra onde nasceram. Tem sido assim, desde a sua fundação, sobretudo quando a equipa de futebol sénior põe o pé dentro de campo, para disputar o campeonato distrital ou nacional. O ritmo do CDA gira à volta do futebol, mas é também mais do que isso. O ténis de mesa, o judo, em tempos o ciclismo e o voleibol, ajudam a fortalecer os laços à comunidade. Aos domingos, quinzenalmente, o Campo de Jogos Trigueiros de Aragão torna-se como que local de romaria para centenas ou milhares de pessoas que dão força à equipa da casa. Muitos golos, vitórias e derrotas povoam a memória dos adeptos alcaineses. Desde a fundação do CDA, o futebol é a modalidade

que mais atletas e sócios mobiliza dentro do clube. As escolas de formação orientadas para as camadas jovens envolvem actualmente 40 jovens atletas, dos oito aos 11 anos de idade, num número que já foi bastante superior.

O regresso do judo e ténis de mesa A equipa sénior disputa actualmente o campeonato distrital organizado pela Associação de Futebol de Castelo Branco. Uma realidade recente, fruto de sucessivas crises directivas. Mas os alcainenses não abandonam o seu clube e muito menos esquecem as conquistas obtidas na III Divisão Nacional e duas subidas à II Divisão NaRua Bartolomeu Sousa Mexias, Lote 7 - Nº 9 6005-100 Alcains

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Infantis em França, 1996 cional, onde a agremiação se manteve vários anos (ver peça ao lado). O CDA, fundado a 27 de Julho de 1977, é de longe a colectividade local com maior número de sócios e simpatizantes, tem mais de 1500 inscritos. Muitos são emigrantes, que apesar da distância cultivam uma fervorosa ligação ao emblema canarinho. A comunidade emigrante ajudou aliás a organizar inúmeras deslocações de atletas das camadas juvenis ao estrangeiros, nomeadamente à zona de Paris, para participar em torneios

internacionais. O ténis de mesa é a seguir ao futebol a modalidade que mais troféus deu ao CDA. A secção movimenta actualmente 15 atletas, mas o número já foi bastante superior. Depois de um período de interregno, a secção foi reactivada no ano passado pela actual direcção. Em Dezembro de 2007 o CDA organizou o 1º Torneio Aberto Manuel Soares, em homenagem póstuma àquele que foi um dos principais dinamizadores da modalidade. 2007 é o também o ano do regresso ao activo da Secção de Judo. A judoca Ana Hormigo, que venceu a medalha de bronze no último campeonato da Europa, e o treinador Abel Louro tornam-se sócios do CDA e transmitem todo o seu conhecimento e experiência a uma classe formada por duas dezenas de jovens praticantes. Os treinos semanais têm lugar na sede da colectividade. Voltar à III Divisão do Campeonato Nacional de Futebol é o objectivo que prevalece nas hostes do clube. “É o escalão adequado para o dinamis-


V

ortivo rtivo é o emblema de Alcains Cronologia

Momentos que ficaram na história! 1977-78 Campeão distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco (sénior e júnior) 1978-79 Subida à 3ª Divisão do Campeonato Nacional de Futebol 1980-81 Campeão distrital (sénior) e conquista da Taça de Honra da Associação de Futebol de Castelo Branco 1981-82 Regresso à 3ª Divisão Nacional 1983-84 Classificação em quinto lugar na Série D da 3ª Divisão 1984-85 Equipa de iniciados é campeão distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco 1986-87 Vencedor a Taça de Honra da Associação de Futebol de Castelo Branco. No mesmo ano a equipa de juvenis é campeã distrital 1988-89 Campeão distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco (sénior) 1989 Inauguração do edifício sede do CDA 1991-92 CDA regressa à 3ª Divisão e posiciona-se em quarto lugar da Série D 1993-94 Campeão da Série C da 3ª Divisão e subida à 2ª Divisão, onde permanece até à época de 1997-98 2000-01 Nova subida à 2ª Divisão Nacional

Nos anos 70 o futebol federado transita do Clube Recreativo Alcainense para a esfera do CDA mo do clube”, considera o actual responsável directivo, Bruno Pereira. Proporcionar formação ao nível do futebol ao maior número possível de crianças e captar novos atletas para as secções de judo e ténis de mesa, de modo a participar em competições federadas, complemen-

tam as ambições para os próximos tempos. Que incluem reactivar a secção de voleibol. Mas para que elas se concretizem é indispensável tal como sempre foi o apoio dos alcainenses. Sem dispor de património e outros recursos – apenas duas carrinhas de nove

lugares – ontem como hoje o futuro da colectividade depende da solidariedade dos sócios, das empresas e instituições públicas (Junta de Freguesia de Alcains e Câmara de Castelo Branco) que têm contribuído para manter o emblema de pé. Tal como o responsável da direcção

O CDA em números 90 mil euros de orçamento na época 2007-08 1500 sócios inscritos na colectividade 8750 é a lotação do campo Trigueiros de Aragão

Vencedores do 1.º Torneio Aberto Manuel Soares

diz, as pessoas que dão o seu trabalho e o seu tempo, são “o único património do clube”.

2004-05 Crise directiva leva à suspensão da participação no Campeonato Nacional de Futebol 2005-06 Participação no campeonato distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco (sénior)


VI

Em 1951 nasce o Grupo Desportivo Alcainense

Foto: História de Alcains II

Desporto impulsiona o movimento associativo

Em 1951 o GDA dá o pontapé de saída à modalidade do futebol

A

inda não havia em Alcains um local público para a prática desportiva, a não ser campos de futebol improvisados em tapadas agrícolas, quando em 1951 é criado o Grupo Desportivo Alcainense (GDA). Esta é a primeira associação formal criada por um grupo de alcainenses com o objectivo de desenvolver o desporto na localidade. O futebol assume desde o primeiro momento um lugar de destaque nesta colectividade, que não fica por aqui e promove também actividades ligadas ao teatro. Os sinais da vontade popular em criar uma as-

sociação desportiva já se faziam notar desde os anos 30, no seio do Clube Recreativo Alcainense. Mas só em 1951 se torna uma realidade, com a criação do GDA, impulsionado pelo padre António Ribeiro e um grupo de alcaineses. O pároco assume o cargo de presidente da direcção do GDA, acompanhado no mesmo órgão por Ramiro Rafael, Victor Serrasqueiro e João José Baptista. Ainda no mesmo ano é construído um campo de futebol – conhecido como Campo do Júlio – situado do outro lado da estrada onde está actualmente o Campo Trigueiros de Aragão. O primeiro jogo

opôs as equipas do GDA e dos Escalos de Cima, num resultado pouco animador para os da casa: 0-1. Mas o GDA havia de impor a sua supremacia técnica às equipas vizinhas, vencendo 21 dos 38 encontros que A equipa do Grupo Desportivo da Casa do Povo nos anos 60 se seguiram. GDA muda-se para a recém devido ao facto de os emiEm 1952 o GDA, com sede no Salão construída Casa do Povo de grantes não poderem ser Paroquial, já contava com Alcains, passando a cha- sócios efectivos, levam 114 sócios. Em 1955 orga- mar-se Grupo Desportivo ao aparecimento de outras niza um festival desporti- da Casa do Povo. A equipa equipas de futebol, fora da vo, que reúne no mesmo passa a integrar o campe- alçada da Casa do Povo: evento futebol, atletismo onato distrital de futebol, o Inter-Alcainense, Estue ciclismo. A equipa de organizado pela Federação dantes e Sanzala. Apesar futebol constitui então Nacional de Alegria no da agitação que se vive, a principal bandeira da Trabalho (FNAT). As casas Alcains recebe em 1969 associação, mas há tam- do povo constituem naque- a meta final de uma etapa bém o voleibol, o ténis la altura um instrumento da Volta a Portugal em de mesa e peças de teatro ao serviço da política do Bicicleta. Em 1974 o Clube Reapresentadas no palco do Estado Novo. creativo Alcainense decide A primeira vaga de salão paroquial ligado ao movimento da Juventude emigração para Fran- criar uma secção desporça e a Guerra Colonial tiva, dando início ao fuOperária Católica (JOC). marcam a década de 60, tebol federado. Três anos Impacto da guerra com impacto também no depois, a 27 de Julho, é movimento desportivo criado o Clube Desportivo e a emigração em Alcains, mobilizando de Alcains (CDA), no seio muitos jovens. Duas crises do qual se passa a concenEm 1962, em plena directivas e o descontenta- trar a vida desportiva da áurea do Estado Novo, o mento entre os associados, localidade.

Trigueiros de Aragão

Campo de jogos com nome de industrial

O Campo de Jogos António Trigueiros de Aragão foi inaugurado em 1963. Recebeu o nome do industrial alcainense, oriundo de uma família da aristocracia rural, que ofereceu o terreno para esse fim. Com o passar dos anos esta infraestrutura desportiva sofreu inúmeras melhorias, desde a construção de uma bancada coberta ao relvamento do campo de futebol. Trigueiros de Aragão nasceu a 1 de Fevereiro de 1894. Depois de concluir os estudos no Royal College of Science da Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha, criou em 1925 a Fábrica de S. Pedro, no sector da moagem de cereais. Mais tarde, em 1957, funda também em Alcains a Fábrica Lusitana, ligada à produção de farinhas alimentares. O campo de jogos está actualmente equipado com uma bancada com capacidade 1500 lugares sentados, perto de 30 camarotes e uma sala de imprensa. Para os jogadores e equipas técnicas de arbitragem dispõe de três balneários, uma sala médica e um tanque de massagens. O campo de jogos relvado é apoiado por um campo satélite com piso em terra e também por um ring de futsal. O recinto desportivo dispõe ainda do serviço de bar. A manutenção de todo o espaço está a cargo da Junta de Freguesia de Alcains.


VII

Passeios pedestres e BTT

Não há léguas que resistam! O convívio, o gosto sto pelo contacto com a natureza esporto são motivos de sobra para e a prática de desporto ma dezena de quilómetros. A orpercorrer a pé uma ganização é por conta da Papa Léguas.

Desde 2002 D

Caminhar de olhos postos no património

F

azer caminhadas adas está na moda. oda. Que o diga a Associação PapaapaLéguas de Alcains. Sempre mpre que organiza um passeio seio pedestre, lá aparecem m no local e à hora combinada nada dezenas e mesmo centenas enas de pessoas. Cada passeio seio pode reservar surpresas esas ou mesmo uma aventura. tura. Na sexta-feira, dia 11 1 de Julho, foi pela fresca e à luz da lua. Ao cair da tarde comemeçam a chegar gruposs de pessoas ao Largo de Santo anto António. Em vez de mais um serão em casa ou à mesa de uma explanada, ada, optam por calçar unss ténis e partir à aventura, a, de lanternas na mão. É mais i um passeio nocturno da Papa-Léguas. O percurso está estabelecido, com paragem prevista a meio para engolir uma garrafa de água. “Organizar estas caminhadas é muito bom para a vila e também para as pessoas que sempre fazem algum exercício”, salienta Nelson Baltazar, que até hoje não perdeu um passeio promovido pela associação.” Venho sempre, desde a primeira caminhada”. O relógio marca 21H30 e cerca de 70 pessoas partem em direcção ao Largo da Praça, para depois subirem as ruas estreitas e antigas do Outeiro. Há pessoas de todas as idades, dos seis até aos 70 anos. O que interessa mesmo é estar em forma e manter a boa disposição.

“Pessoas pensam mais na saúde” “Gosto de caminhar. Ajuda a aliviar o stress!”, confessa Susete Feliciano que veio juntamente com um grupo de amigas. “Estes passeios são agradáveis, tanto à noite

“Somos acima dde tudo um grupo de amigos que tem gosto pelo desporto e pelo convívio ao em comum o go ar livre”. É com estas palavras que a Associação Papa Légua de Alcains se dá a conhecer na Internet, no sítio com co o endereço www.papaleguasalcains.com. A colectividade foi criada em 2002 por um colectivid grupo O gosto pela actividade física, gruppo de amigos. am o apreço ap pre r ço ppela natureza e riqueza do património natural local estão na base da sua criação. Esta natu ural lo associação a sociaçã procura através das suas iniciatias vas proporcionar momentos de bem-estar e prop convívio. convívi A Papa Léguas promove habitualmente passeios passeio pedestres na área de Alcains ou de outras freguesias vizinhas do concelho de f Castelo B Branco. Os passeios realizam-se sobretudo na Primavera ou no Outono, as épocas do ano mais m propícias ao desporto e lazer na natureza. natureza as pensam mais na saúde, o que explica a enorme participação nos passeios”, explica o responsável da direcção da associação, Mário Chambino. Anualmente, os Papa-Léguas organizam inúmeros percomo durante a manhã.” Para além do actividade física que proporciona, a caminhada também ajuda ao convívio entre as pessoas, salienta, enquanto percorre a faixa reservada aos peões na variante de Alcains, depois de passar a Estação de Caminhos de Ferro. Para Nelson Baltazar, os passeios nocturnos são habitualmente os mais agradáveis. “Lembro-me que num deles até choveu, o que o tornou ainda mais divertido”. Por isso acha que deviam ser organizados ainda mais. Já a alguma distência de Alcains, o percurso continua em direcção ao campo. O grupo cruza a Nacional 18 e depois de uma incursão por caminhos de terras ladeados de sobreiros, junto ao Tanque das Freiras, regressa em direcção à vila. Algumas estrelas cadentes pintam um rasto colorido no céu. “Hoje em dia as pesso-

cursos a pé, alguns deles inspirados na património cultural, com é o caso da Rota das Leiteiras, entre Alcains e Castelo Branco. Em Abril, as atenções viram-se para os desportos radicais, com a organiza-

ção de uma maratona de BTT na Serra da Gardunha. E porque o convívio também é importante, no final de cada evento há sempre uma “petiscada” para recarregar as baterias com nova energia.

de F Junta regu de A esia lcain s

APOIA O DESPORTO NA VILA


VIII

Consulta de nutricionismo no Centro de Saúde de Alcains

Alimentação e desporto ajudam a manter corpo e mente sãs P

raticar desporto desporto, seja que modalidade for, ou ter uma actividade física regular, como andar a pé, é fundamental para o bem-estar físico e psicológico de qualquer um de nós. Tal como ter muita atenção com os alimentos que se ingerem. Desde o início do ano que existe uma consulta de nutricionismo no Centro de Saúde de Alcains. O objectivo é dar conselhos indispensáveis a uma boa alimentação e incentivar as pessoas a adoptarem estilos de vida saudáveis. Para a nutricionista Tânia Seiça, as autarquias e associações locais devem promover mais actividades que levem as pessoas a mexer-se. A obesidade e os maus hábitos alimentares são problemas crescentes na

Para uma vida saudável é preciso saber a quantidade e variedade de alimentos a ingerir

sociedade actual. Quantos não preferem um prato de confecção rápida em vez de uma boa sopa de legumes. Ou utilizar o carro para se deslocar até ao emprego em vez de uma caminhada a pé. O resultado é o aumento da obesidade e das doenças associadas ao excesso de consumo de açucares, gorduras e sal, como a diabetes ou a hipertensão. Evitar alimentos fritos, doces, refrigerantes e carnes é o conselho da médica nutricionista Tânia Seiça, que quase todas as semanas dá consultas no centro de saúde. “Devemos tomar sempre o pequeno almoço e não estar mais de três horas sem comer”. A especialista recomenda sopa de legumes ao almoço e ao jantar, bem como muitas saladas e frutas. “Os legu-

mes devem estar sempre a acompanhar no prato”. Já os enchidos e queijos devem ser consumidos “em pouca quantidade”. Manter uma actividade física regular é fundamental, em qualquer idade, considera a nutricionista. “Acho muito bem que as pessoas andem a pé. Caminhar tem um papel importante para normalizar situações de saúde e ajuda a diminuir os níveis de ansiedade. É prático, barato e eficaz”. E se não for andar a pé, pode até ser subir e descer escadas! O que interessa mesmo “é não ficar parado”. A médica considera mesmo que as autarquias e associações locais devem promover mais actividades de recreio e ocupação de tempos livres para a população.


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Autor: Nelson Mingacho

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