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VERSテグ ATUALIZADA

JANEIRO/2013


Edição Centro Estratégico em Recursos Naturais e Energia – CERNE Diretor Geral: Jean-Paul Prates Secretário Geral: Diogo Pignataro de Oliveira Idealização e Autoria: Jean-Paul Prates Pesquisa de Dados: Heytor Vitor Souza Bezerra de Azevêdo Revisão Técnica: Milton Pinto Colaboração Técnica: Bioconsultants Editoração e Arte-Final: Eco Propaganda e Marketing

Rua Raimundo Chaves, 2182 • L5 • Natal, RN • Brasil • CEP 59064-390 • Tel +55 (84) 2010-0340 Av. Erasmo Braga, 227 • Grupo 1111 • Centro • Rio de Janeiro, RJ - Brasil CEP 20020-902 • Tel +55 (21) 2533.5703 www.cerne.org.br


Nosso Pré-Sal dos Ventos O mercado de energia eólica já apresenta fatores claros de consolidação irreversível no Brasil. comparáveis aos das fontes hídrica e biomassa já indica um caminho sem volta. A energia

A eólica traz essa possibilidade com a vantagem de incrementar a participação das fontes renováveis num país que, orgulhosamente, já apresenta uma posição invejável quanto ao uso de energia limpa. Graças ao seu inédito sistema de leilões reversos (onde o menor preço ganha), o Brasil agora é onde se pratica o preço de energia eólica mais competitivo do mundo. Ao longo dos últimos seis anos, o Rio Grande do Norte ganhou destaque nacional e internacional ao conquistar o primeiro lugar nacional em novos projetos eólicos licitados na série de leilões federais anuais envolvendo esta fonte renovável de energia, iniciada em 2009. Guardadas as devidas proporções, a indústria dos ventos representa, para o Rio Grande do Norte, um passaporte para o futuro tão relevante quanto o petróleo do pré-sal para o Brasil. Entre 2009 e 2014, aportarão no RN mais de 10 bilhões de reais em investimento direto, equipamentos, serviços e obras. Por isso, é dever de todos nós, cidadãos norte-rio-grandenses, tratar bem desta indústria e

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) é o primeiro think tank do Nordeste e sua atuação está voltada para a integração dos setores relacionados com a exploração sustentável de recursos naturais e energéticos. Um dos principais objetivos estatutários do CERNE é o de propiciar integração, acompanhamento e apoio para otimizar os investimentos nos parques eólicos norte-rio-grandenses em benefício da economia e da sociedade local. O objetivo desta cartilha é apresentar o Rio Grande do Norte como um dos melhores ambientes de investimento para os geradores de energia eólica, tendo em vista não apenas a sua privilegiada localização - que lhe proporciona um ótimo regime de ventos - mas também os esforços conjuntos dos investidores e empreendedores, dos governos estadual e federal, das prefeituras e das entidades nacionais, como a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), e regionais, como o CERNE, que são fundamentais para consolidar o Estado como um provedor energético regional.

Jean-Paul Prates

Diretor-Geral - CERNE Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia Agosto/2012


A Energia Eólica no Mundo Nunca houve vida fácil para o desenvolvimento tecnológico e comercial das fontes de energia limpas e renováveis. A humanidade se acostumou com a conveniência das fontes fósseis, abundantemente intensas e concentradas. As fontes renováveis são, por sua natureza rebelde, difíceis de capturar e, mais ainda, de armazenar ou transportar. Mesmo assim, o vento, como o sol, começam a crescer em importância na matriz energética mundial como resultado de muito esforço e persistência de uma comunidade cada vez mais numerosa de cientistas, executivos, investidores e também consumidores que acreditam ser possível conciliar desenvolvimento sustentável com conforto energético e benefícios sócio-ambientais. A geração de energia elétrica a partir do vento é um processo inteiramente limpo, isento de contaminações e não emite gases poluentes causadores do chamado efeito estufa, apontado como o grande responsável pelo aquecimento global.

está instalado o empreendimento, mantendo todas as atividades produtivas do entorno. Ao contrário de outras fontes, a energia eólica consome um recurso natural renovável, pois o vento é uma fonte inesgotável da natureza. Por estas razões, a energia eólica é normalmente vista de forma positiva pela sociedade. Bafejado pela alta sustentada dos preços do petróleo (oscilando regularmente a novos patamares em torno de 80 dólares por barril, contra os usuais 30 dólares das décadas de 80 e 90), o aprimoramento tecnológico dos aerogeradores e equipamentos associados aos parques eólicos teve 12 anos ininterruptos de tranquilidade para consolidar a conversão do vento em eletricidade como atividade rentável e com amplo potencial de crescimento. A capacidade de energia eólica instalada no mundo cresceu 21% em 2011, passando de 197.000 para 238.000 MW (equivalente a 17 vezes a potência instalada de Itaipu, igual a 14.000 MW). Somente na América Latina, o crescimento em 2011 foi de 60%. Atualmente, cerca de 86 países possuem usinas eólicas comerciais, sendo que 22 deles são capazes de gerar pelo menos 1 GW. Até 2005, a Alemanha liderava o ranking dos países em produção de energia através de fonte eólica. Em 2008 foi ultrapassada pelos EUA, mas desde 2010 a China já é o maior produtor de energia eólica do planeta. Mais de 40% do aumento total ocorreu na China, cuja capacidade instalada saltou para 62.700 MW.

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Farr, Escócia, UK


A novidade recente é que o crescimento antes puxado pela Europa e pelos EUA, agora vem sendo conduzido pelos mercados emergentes da Ásia e America Latina. A Índia atingiu 16.000 MW. O Brasil apresentou maior taxa de crescimento (63%), saindo de 927 MW para 1.509 MW entre 2010 e 2011, o que representa praticamente metade da energia eólica na América Latina. O país conta com uma carteira de novos projetos já contratados de mais de 7.000 MW para serem entregues até 2016. Essa cifra já coloca o Brasil entre os 10 maiores mercados para tecnologia de energia eólica do mundo. No mercado de fabricação de turbinas eólicas, as marcas chinesas têm crescido em volume e vem galgando posições no ranking mundial. Além disso, antes mais restritas ao mercado interno e regional, agora passam a disputar de igual para igual com as marcas mais consolidadas. Em 2011, a liderança mundial permaneceu com a dinamarquesa Vestas, embora sua fatia tenha decaído de 14,8% para 12,7%. A gigante chinesa Sinovel também perdeu mercado: de 11,1% em 2010 para 9% em 2011. Cresceram Goldwind (China), Gamesa (Espanha) e Enercon (Alemanha), esta última através da sua subsidiária brasileira Wobben Windpower. A GE (EUA), que já foi a vice-líder mundial em 2008 e 2009, caiu para o 6º lugar em 2011, principalmente em função da retração do mercado norte-americano. Suzlon (Índia), Guodian (China), Siemens (Alemanha) e MingYang (China) completam os Top10, todas tendo apresentado crescimento entre 2010 e 2011.

A energia eólica será capaz de

CAPACIDADE DE GERAÇÃO EÓLICA INSTALADA MUNDO (GW)

garantir 10% das necessidades mundiais de eletricidade até 2020, criar 1,7 milhões de novos empregos e reduzir a emissão global de dióxido de carbono na atmosfera em mais de 10 milhões de toneladas. Fonte: WWEA, 2012

Ventos no mar aerogeradores acima de 5 MW de potência, mas as questões regulatórias e logísticas envolvem aspectos bem o Mar do Norte (Grã Bretanha, Noruega, Dinamarca), além dos litorais da Bélgica, França, Suécia e Alemanha. O “offshore” já tem mais de 5 GW instalados no mundo. A Siemens (Alemanha) e a Vestas (Dinamarca) são os fabricantes mais destacados nesta especialidade. A maioria dos aerogeradores já em operação encontram-se em profundidades entre 10 e 30 metros, e situados a menos de 40 km da costa. Além da Europa, China e Estados Unidos também têm investido em aerogeradores instalados no mar, golfos ou grandes lagos.

Middelgrunden, Dinamarca

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Energia Eólica no Brasil Nos últimos 10 anos, o Brasil expandiu sua capacidade instalada em 65 vezes. Segundo dados da Abeeólica, hoje o País gera 1.471 MW, possui usinas em construção com capacidade de 1.200 MW e tem outros 6.000 MW já contratados (junho de 2012). Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) informam que em agosto de 2012 havia 79 parques eólicos em operação no país, o que equivale a 1,73 GW de capacidade e ainda 1,47 GW de parques em construção, além de 6,2 GW já contratados. A indústria eólica já emprega mais de 12 mil trabalhadores e vai criar mais 20.000 vagas até 2016. Estes números não param de crescer, e fazem milhões de pessoas. O vento brasileiro é forte e com bom índice de regularidade, características que situam o País como um dos mais favoráveis a investimento em eólicas no geração. Graças a estas condições naturais e ao sistema de leilões em que prevalecem os projetos com tarifa mais competitiva, o Brasil é capaz de oferecer o País contará com uma potência eólica instalada de 7,4 GW, o que permitiria atender à demanda residencial de Natal e Fortaleza juntas.

a 10 Usinas Hidrelétricas de Itaipu), de acordo com medições já bastante defasadas. O avanço tecnológico dos últimos anos, com captação de vento a mais de 100 metros de altura, permite estimar que esse potencial pode superar os 300 GW.

de energias limpas em 2011*. A principal responsável foi a energia eólica, cujo preço alcançou patamares mais baixos que o do gás natural** em leilões de energia.

O complexo eólico Alto Sertão I (BA) consta hoje como o maior do gênero na América Latina, com capacidade instalada de 294 MW, operado pela Renova Energia. Também merecem destaque o complexo eólico de Osório (RS), com 150 MW de capacidade e, no Rio Grande do Norte, os complexos eólicos Alegria, Santa Clara-Eurus, Renascença e União dos Ventos, todos com capacidade agregada acima de 150 MW, também.

A energia eólica é a fonte de geração de energia elétrica que mais cresce no Brasil. Os cerca de 7 GW de potência nova já contratada a ser instalada garantem negócios da ordem de US$ 18 bilhões até 2016. * (segundo o relatório Índice de Atratividade das Energias Renováveis por País, da Ernst & Young Terco). ** (R$ 99,56/MWh x R$ 103/MWh).

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OFERTA INTERNA DE ELETRICIDADE NO BRASIL - 2013

Hidro: 65,20% Nuclear: 1,55%

Eólico: 1,46%

Petróleo: 5,69%

Importação: 6,31%

Carvão Mineral: 1,78%

Biomassa: 7,82% Gás: 10,18%

TOTAL: 129,44 GW Fonte: BIG (Banco de Informação da Geração - ANEEL) de 28/01/2013.

O Brasil apresenta uma matriz de geração elétrica de origem predominantemente renovável, sendo que a geração interna hidráulica responde por aproximadamente 65% da oferta. Somando as importações, que mais de 80% da eletricidade no Brasil é originada de fontes renováveis. Entre os países da América do Sul, o Brasil emergiu como o mercado mais promissor para o desenvolvimento da energia eólica. Adicionalmente às usuais impulsionou o PROINFA (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica) foi a crise energética enfrentada pelo Brasil após um período de chuvas escassas e consequentemente um mau desempenho das grandes usinas hidrelétricas do País, resultando em racionamento de energia entre 2001 e 2002. Em uma segunda etapa do programa PROINFA, o governo brasileiro estabeleceu a meta de que 10% da eletricidade do País serão provenientes de fontes renováveis (eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas) até 2020. O mercado para a energia eólica precisava ser fomentado. E foi: inicialmente fonte nos leilões federais de compra de energia (a partir de 2009). No processo de desenvolvimento do setor inclui-se também o capítulo das linhas de transmissão, que são as vias de escoamento da energia até o consumidor. Regiões antes eminentemente importadoras de energia, como o Rio Grande do Norte, o Ceará, o Rio Grande do Sul passaram a ser potenciais provedores regionais, exportando megawatts para seus vizinhos, além de ganhar segurança em seus mercados locais. Em 2011, de acordo com o BEN 2012 (Balanço Energético Nacional 2012) organizado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a energia eólica obteve um relevante destaque de expansão na matriz energética brasileira, alcançando mais de 24,3% de crescimento em relação a 2010, prenunciando o que deve ocorrer de forma ainda mais expressiva nos próximos anos.

Guamaré, RN

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Eólica nos leilões federais

Em 2010, foram contratados 2.047,8 MW através do 3º leilão de reserva e do 2º leilão de fontes alternativas,, onde o valor médio caiu para R$ 130,86 MW. A partir deste momento, a energia eólica que as termelétricas e até mesmo pequenas hidrelétricas. Em 2011, nos leilões A-3 e de reserva, o preço médio negociado para o MW eólico chegou a surpreendentes R$ 99,56 MWh, abaixo do valor contratado para as hidrelétricas, num total de 1.929 MW comprados. No leilão A-5 do mesmo ano, voltado para as hidrelé-tricas, os parques eólicos enfrenta-e ram pouca concorrência conseguiram mais de 976,5 MW em contratos, alcançando 2.905,5 MW contratados no ano.

negociados no ACR (Ambiente de Contratação Regulada), que adicionados aos 1,42 GW do PROINFA ultrapassam os 8 GW de potência contratada até 2016. 08

A “sazonalidade inversa” da eólica representa um aumento virtual da capacidade de armazenamento das hidrelétricas.

Nota: Eólica PROINFA e armazenamento no NE - Bacia do Rio São Francisco

Fonte: EPE/Abeeólica

Participação da energia eólica nos leilões federais ( 2009 a 2012)

2009 LER Inscritos

2010 LFA e LER

2011 A-3 e LER

2011 A-5

2012 A-5

Inscritos

Inscritos

Inscritos

Inscritos

10 GW

16,5 GW

10,9 GW

7,5 GW

12,5 GW

Parques contratados 71

Parques contratados 70

Parques contratados 78

Parques contratados 39

Parques contratados 10

Potência instalada 1.806 MW

Potência instalada 2.048 MW

Potência instalada 1.929 MW

Potência instalada 976,5 MW

Potência instalada 281,9 MW

A-3

Preço inicial: R$ 112/MWh Preço final: R$ 105,12/MWh

Preço inicial: R$ 112/MWh Preço final: R$ 87,94/MWh

Preço inicial: R$ 189/MWh Preço final: R$ 148,39/MWh

LFA

P. Inicial: R$ 167/MWh P. Final: R$ 134,46/MWh

LER

P. Inicial: R$ 167/MWh P. Final: R$ 122,69/MWh

P. Inicial: R$ 139/MWh P. Final: R$ 99,58/MWh

LER

P. Inicial: R$ 146/MWh P. Final: R$ 99,54/MWh

Fonte: EPE/CERNE

Preços Médios da Fonte Eólica no Brasil 270,32

Preço da energia (R$/MWh)

O primeiro leilão federal para compra de energia envolvendo fonte eólica foi exclusivo, e aconteceu em 2009. Foram contratados 1.805,7 MW. O preço médio foi de R$ 148,39 MWh, um valor 21,5% abaixo do teto inicial estabelecido no edital (R$ 189 MWh) e correspondente a metade do valor médio registrado no PROINFA. A partir do sucesso deste leilão, o Governo Federal decidiu colocar as eólicas em competição direta com as demais fontes de energia nos anos seguintes.

148,39 134,46

122,69 99,54

99,58

105,12 87,94

Proinfa

LER 2009

LFA 2010

LER 2010

LER 2011

A-3 2011

A-5 2011

A-5 2012

Fonte: EPE/CERNE


Eólicas em números Ranking dos empreendedores por MW instalado

Evolução da capacidade eólica instalada no Brasil

(Participação nas usinas em operação - Junho 2012)

Empresa

Capacidade (MW)

Participação (%)

CPFL Renováveis

375,50

23,34

Energimp-Impsa

242,80

15,09

190,50

11,84

Multiner

90,84

5,65

EDP Renováveis

83,80

5,21

Eletrobras Eletrosul

81,00

5,04

Enerbrasil-Iberdrola

79,30

4,93

Wobben

66,42

4,13

58,20

3,62

Petrobras

53,28

3,31

Gestamp

51,98

3,23

Cemig

48,80

3,03

Tractebel Energia

43,60

2,71

Eólica Adm. e Par.

30,36

1,89

FFonte: Fon te: e: ANEEL/CCEE ANEEL/ NEEL/C NEEL/C CC CEE C EE

Ranking dos estados brasileiros por capacidade eólica contratada

Bioenergy

28,80

1,79

EEcopart Investimentos

28,05

1,74

Alubar

13,26

0,82

Eletrobras

12,74

0,79

Eólica Tecnologia

12,38

0,77

Cedin

6,30

0,39

Guarany-Queiroz Galvão

4,50

0,28

Martifer

3,07

0,19

Copel

2,50

0,16

Celesc

0,60

0,04

CTGAS-ER

0,01

0,00

Electra Power

0,00

0,00

TOTAL

1.608,58

Fonte: EPE/CERNE

Fonte: ANEEL

Capacidade eólica por região

Os 10 m maiores mercados eólicos do mundo Capacidade

Ranking R

Mercado Eólico

de 2011 (MW)

% Crescimento em capacidade durante 2011

de 2011 (MW)

1

China

1.997

3.203

60,4

1.206

2

Índia

Ásia

61.106

82.398

34,8

21.292

3

Estados Unidos

América do norte

44.306

52.184

17,8

7.878

4

Reino Unido

5

Canadá

2.516

2.858

13,6

342

6

Suécia

Europa

86.647

96.616

11,5

9.969

7

Itália

África e Oriente Médio

1.065

1.093

2,6

31

8

Alemanha

Mundo

197.637

238.351

20,6

40.714

9

França

10

Brasil

Capacidade

Capacidade

de 2010 (MW)

América Latina

Região

Fonte: GWEC

Fonte: GWEC

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Indústria eólica nacional A participação nacional e local na fabricação e desenvolvimento tecnológico dos aerogeradores e demais equipamentos (conversores, analisadores, torres e transformadores, entre outros) necessários à geração de com racionalidade. Como no setor de petróleo e outros, o chamado “conteúdo local” é o que de fato implica na geração de emprego e renda para o País, em adição à geração de energia. A partir da iniciativa pioneira da Wobben/Enercon – inicialmente no Ceará, e depois também em São Paulo e Rio Grande do Norte - e da IMPSA (Pernambuco), outros fabricantes de aerogeradores vieram se instalar no país ao longo dos últimos anos: GE – São Paulo e Bahia; Fürhlander – Ceará; Suzlon – Ceará; Alstom – Bahia; Vestas – Ceará; Gamesa – Bahia; Weg – Santa Catarina. Juntas, estas nove empresas terão capacidade para produzir equipamentos capazes de gerar 4,4 GW quando atingirem a sua plena capacidade, em 2013. Ainda há outras empresas de fabricantes interessados no País, tais como Siemens, Guodian, Sinovel, Gold Wind e Acciona. Medidas de estímulo ao conteúdo nacional têm começado a surgir, a partir da existência de uma massa crítica de encomendas potenciais gerada pela série de leilões federais envolvendo eólicas, desde 2009. Por exemplo, atraentes, os empreendedores do setor eólico precisam assegurar a aquisição de no mínimo 60% em equipamentos, peças e acessórios fabricados no Brasil. Somente esta medida espera estimular a geração de até 12 mil empregos diretos. Também vem sendo detectada pelo setor a necessidade de capacitação de recursos humanos, de infraestrutura laboratorial, bem como de alavancar a pesquisa na cadeia de energia eólica em todas as suas dimensões e tecnologias. Já existe um esforço de pesquisa, desenvolvimento e inovação em universidades e centros de pesquisa, com foco em peças e componentes para grandes aerogeradores, em aerogeradores de pequeno e médio porte, em eventos extremos (no sul do país), em previsão de ventos, entre outras áreas. Uma das principais iniciativas neste sentido é o Centro de Tecnologias em Gás Natural e Energias Renováveis (CTGAS-ER), principal centro de excelência nacional dedicado às energias renováveis, sediado em Natal-RN.

Fórum Nacional Eólico | Carta dos Ventos O Fórum Nacional Eólico é uma iniciativa do CERNE que se propõe a discutir seu desenvolvimento do ponto de vista eminentemente político e regulatório. O foco é a discussão de política setorial por excelência. Na sua edição inaugural, o Fórum propôs a elaboração e assinatura de um documento que serviu de referência para as várias instâncias políticas do País, quanto ao setor eólico: a Carta dos Ventos, assinada em 2009. O FNE conta anualmente com a participação do Governo Federal, através dos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (signatários da Carta dos Ventos), e também do Fórum Nacional de Secretários de Energia (que representa, setorialmente, o âmbito dos governos estaduais). Além disso, conta com o apoio da Abeeólica e de mais 8 entidades associativas do setor energético nacional. A importância do FNE se entender pela classe política nas suas instâncias federal, estaduais e municipais. O Fórum Nacional Eólico é realizado anualmente em parceria com a VIEX Américas e apoio da Abeeólica.

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Fábrica de Torres FABRICANTES

CAPACIDADE ANUAL (UNIDADES)

STATUS

LOCALIZAÇÃO

MATERIAL

WOBBEN

500

Em operação

SÃO GONÇALO - SÃO GONÇALO COMPLEXODO DO PECÉM PECÉM (CE), COMPLEXO (CE), PARAZINHO (RN) PARAZINHO (RN)E E GRAVATAÍ GRAVATAÍ (RS) (RS)

Concreto

RM ENERGIA (Gonvarri)

400

Em operação

IPOJUCA (PE) PORTO DE SUAPE

Aço

SAWE/ENGEBASA-IVAPE

250

Em operação

CUBATÃO (SP)

Aço

TECNOMAQ

240

Em operação

AQUIRAZ (CE)

Aço

BRASILSAT

80

Em operação

CURITIBA (PR)

Metal

MÁQUINAS PIRATININGA

150

Em operação

RECIFE (PE)

Aço

ICEC

100

Em operação

MIRASSOL (SP)

Aço

INTECNIAL

100

Em operação

ERECHIM (RS)

Aço

WIN&P

300

Em operação em 2011

IPOJUCA (PE) PORTO DE SUAPE

Aço

TOTAL

2.120

Fonte: Anuário Energia Eólica 2012 - Brasil Energia

Fábrica de Naceles e Turbinas FABRICANTES

CAPACIDADE ANUAL (UNIDADES)

ALSTOM

STATUS

LOCALIZAÇÃO

400

Em operação

CAMAÇARI (BA)

WOBBEN/ENERCON

500

Em operação

SOROCABA (SP)

IMPSA

1.000

Em operação

SUAPE (PE)

WEG/MTOI

100

Em operação

JARAGUÁ DO SUL (SC)

GAMESA

400

Em operação

CAMAÇARI (BA)

GE

500 200

Em operação 2013

CAMPINAS (SP) e SALVADOR (BA)

VESTAS

400

2012

MARACANAÚ (CE)

FUHRLÄNDER

600

2013

SÃO GONÇALO COMPLEXO DO PECÉM (CE)

TOTAL

4.100

Fonte: Anuário Energia Eólica 2012 - Brasil Energia

Fábricas de Pás FABRICANTES

CAPACIDADE ANUAL (UNIDADES)

STATUS

LOCALIZAÇÃO

TECSIS

8.300

Em operação

Sorocaba (SP)

AERIS/SUZLON

1.500

2012

SÃO GONÇALO COMPLEXO DO PECÉM (CE)

WOBBEN/ENERCON

1.500

Em operação

SOROCABA (SP) e SÃO GONÇALO - COMPLEXO DO PECÉM (CE)

EÓLICE/LM WINDPOWER

Em estudo

Em estudo

Suape (PE)

TOTAL

11.300

Fonte: Anuário Energia Eólica 2012 - Brasil Energia

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Eólicas no RN desenvolveu ações concretas, empreendidas nos últimos 6 anos, envolvendo a racionalização dos procedimentos de interação com o setor; a organização da informação setorial; as conquistas regulatórias; a mobilização de agentes econômicos, e a integração dos órgãos governamentais envolvidos com tais empreendimentos. O RN ganhou destaque nacional e internacional ao conquistar o primeiro lugar nacional em novos projetos eólicos licitados em três dos cinco leilões federais envolvendo esta fonte renovável de energia, ocorridos entre 2009 e 2011. Considerando um balanço geral dos leilões e contratos livres envolvendo projetos no RN, chegamos a mais de 3.300 MW a ser instalados até 2016. No que diz respeito aos investimentos e seus efeitos na economia do Estado, é lícito estimar que, apenas em eólicas novas, o Estado deverá receber investimentos da ordem de R$ 11,2 bilhões para a instalação de mais de 90 parques eólicos, sendo que um terço disso resultará em compras diretas no Estado. No quesito geração de emprego, as obras de construção que se desenvolverão no Estado poderão vir a gerar até 30.000 empregos diretos e indiretos a depender de sabermos recrutar, capacitar e empregar o máximo de potiguares e utilizar o máximo de fornecedores locais possível. Igualmente, no estágio de consolidação desta indústria, a partir da entrada em operação dos parques, deveremos ter canais de aproveitamento e

Observando a evolução dos Estados brasileiros nos leilões de energia eólica organizados pelo Governo Federal entre 2009 e 2011, percebe-se a posição de destaque do Estado do Rio Grande do Norte como o maior produtor de energia eólica em relação a potência instalada até 2016. Em 4 anos, o Rio Grande do Norte terá energia eólica equivalente a Países como Portugal ou Dinamarca e o número de aerogeradores aumentará de 300 para mais 3 mil. O Rio Grande do Norte é um dos cinco estados brasileiros com maior potencial de geração de energia elétrica utilizando a força dos ventos, e deverá até 2016 gerar 7 GW de energia eólica, o equivalente a 50% do que produz atualmente a maior hidrelétrica brasileira, a usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). Para o RN, a geração eólica representa virar o jogo energético: nos últimos 4 anos, o Estado passou da gerado no Estado e conforto energético para atrair outros setores para o RN e para dar qualidade de vida aos nossos cidadãos. Além do RN, os estados que apresentam maiores potencialidades de energia eólica são o Ceará, a Bahia, o Rio Grande do Sul, o Maranhão, o Piauí e Santa Catarina.

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CONTRATAÇÃO DE ENERGIA EÓLICA NOS LEILÕES FEDERAIS, POR ESTADO (2009-2012)

Potência Instalada (MW)

1.200 1.000

RN

2.501,60

35,53%

BA

1.593,60 1.300,00

22,63% 18,46%

1.203,80 259,2 78 75,6 30

17,09% 3,68% 1,11% 1,07% 0,43%

7.041,80

100%

CE

800

RS MA

600

PE

400

PI

200

SE

0 2009

2010

2011

2012

TOTAL

Fonte: EPE/CERNE 2013

O papel do CERNE O CERNE - Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia - é um think tank voltado para a concepção, discussão e implementação de estratégias públicas e privadas relativas ao aproveitamento sustentável dos recursos naturais e energéticos do Nordeste Setentrional do Brasil. Sua missão é promover a articulação com as diversas instâncias conservação, planejamento e desenvolvimento dos recursos naturais e fontes energéticas através da otimização, presente, em benefício das gerações futuras. A atuação do CERNE se dá pelo acompanhamento (informação) e apoio (inteligência) às atividades relativas à cadeia produtiva e comercial de recursos naturais (águas, minérios, solos e clima) e fontes energéticas (tanto convencionais quanto renováveis) e a projetos estruturais multisetoriais (infra-estrutura, logística, capacitação etc.) para a consolidação sustentável destas atividades de forma a gerar e compartilhar resultados por meio de projetos sociais e ações politica e ambientalmente sustentáveis. O CERNE é sustentado por grupos empresariais nacionais e internacionais (diretamente ou por meio de suas subsidiárias regionais) tais como: CPFL Renováveis, Petrobras, Wobben Enercon, Alubar, Eletrobras, Serveng, Bioenergy, Martifer/Santander MS Renováveis, Eletricidade de Portugal (EdP), Cortez Engenharia, Bioconsultants, entre outros. O CERNE também tem como entidades associadas a Abeeólica, o IBP, a Redepetro, entre outras.

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Orientações básicas para negócios no setor eólico Avaliação de potencial eólico Antes de entrar em contratos de uso de terras, se comprometendo com os proprietários com obrigações e responsabilidades, os desenvolvedores precisam saber se o terreno é apropriado para um projeto de energia eólica sob alguns aspectos. A força do vento varia fortemente de um local para o outro e somente os dados colhidos numa localização usam mapas de medição do vento, conhecimento de uma área e dados que eles obtêm de equipamento de monitoramento para tais dados são levantados por empresas locais que cobram valores proporcionais à potência nominal do parque eólico a ser construído, sendo comumente necessário 2 ou 3 anos avaliando o regime de vento para ver o quanto e como as empresas irão investir em energia eólica em determinada área. Outros aspecCadastro de Áreas tos que merecem a devida atenção correspondem O CAP (Cadastro de Áreas com Potencial), acessível pela às características ambientais da área em questão, da Internet, no endereço regularidade fundiária do imóvel, da infraestrutura www.cadastresuaterra.com.br, existente de acesso viário e elétrico, em um maior realiza o cadastramento de áreas para avaliação preliminar grau de importância. Nem sempre áreas com um de potencial eólico ou solar. bom ou excelente potencial eólico conseguirá viabilizar um bom ou excelente projeto eólico.

AS ETAPAS E OS ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE UM EMPREENDIMENTO EÓLICO As fases de desenvolvimento do projeto eólico são: Conceito do Projeto Eólico

A) Concessão

FASE

1

B) Desenvolvimento

Brasil - Particularidades Objetivos de cada fase

Seleção do Local Licenças e Concessões

Informações Técnicas

Projetos Técnicos Básicos Obtenção do PPA Leilões / PROINFA

FASE FASE

Estudos de Viabilidade

14

2 3

C) Negociação

D) Implementação

Proj. Executivos/Fornecedores/Seguros/Garantias/Financiamento

Iniciar a construção Menores custos Menores riscos

Construção da Planta/Comissionamento

Iniciar a operação Atendendo aos prazos Mantendo os custos

Concepção e elaboração: Armando Abreu, PhD (Braselco) 2010


Arrendamento de áreas Várias questões precisam ser consideradas na aquisição de terras para um projeto eólico. Desenvolvedores de projetos eólicos geralmente podem obter contratos de arrendamento de terreno de longo prazo para uso de projeto. Frequentemente, isso é feito em duas fases: uma fase de opção e de análise da viabilidade sob os com a efetiva operação comercial do empreendimento. Por vezes é possível se pactuar pela existência de uma fase intermediária, de construção do parque eólico, posterior à obtenção de um êxito na contratação da venda da energia a ser gerada, mas anterior à sua entrada em operação comercial. Para determinar se uma porção de terra tem fortes recursos eólicos, o desenvolvedor deve ter acesso à terra para instalar equipamentos de medição eólica, momento em que também analisará a viabilidade da instalação de um parque eólico no local sob outros aspectos já nominados (características ambientais da área em questão, da regularidade fundiária do imóvel, da infraestrutura existente de acesso viário e elétrico, etc.). Esse acesso de curto prazo é normalmente conseguido através de um Contrato de Opção ou da estipulação de uma Fase a segunda hipótese). Se os testes revelarem bons recursos eólicos e outros fatores indicarem que o projeto é viável, o desenvolvedor normalmente executa a opção e o contrato de arrendamento de longo prazo é assinado, ou ainda, o torna apto a promover a contratação da venda de energia daquele parque em algum dos ambientes existentes, livre ou regulado. Existe um número de elementos a serem considerados ao preparar-se um contrato de arrendamento de terreno para um projeto eólico. Esses incluem estruturas de pagamento, preço, prazos e questões de uso de terras,

Cadastro de Projetos

O CPE (Cadastro de Projetos e Empreendimentos), acessível pela Internet, no endereço www.cadastrodeprojetos.com.br, realiza o cadastramento de projetos em desenvolvimento ou empreendimentos em oferta.

deste tipo de relação contratual. As perspectivas e interesses de proprietários e desenvolvedores, assim como as formas como normalmente as necessidades das particularidades, são satisfeitas pelos acordos.

No curso do desenvolvimento de um empreendimento eólico, os seguintes estudos técnicos mínimos são necessários: Projeto das fundações Projeto das vias de acesso Projeto das edif icações Projeto elétrico: rede interna

Informações técnicas Todas as informações técnicas coletadas.

Modelamentos dos recursos eólicos Cálculo dos recursos eólicos para área do projeto. Altura de referência: altura do cubo das turbinas eólicas.

Projeto elétrico: substação de saída Projeto elétrico: linha de transmissão

Maior geração de energia e menores perdas por esteira. Facilidade e menor custo para construção da infraestrutura.

Projeto rede lógica ou de informações

Cálculo das produções de energia

Projetos logísticos e de construção

Inclusão das perdas sistemáticas: físicas e contratuais. Resultados dos estudos de viabilidade técnica e econômica.

Projetos de engenharia. Concepção e elaboração: Armando Abreu, PhD (Braselco) 2010

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Cartilha "A Indústria dos Ventos" - CERNE 2013  

Documento atualizado que mostra a realidade da energia eólica no RN, na região nordeste e no Brasil como um todo. É o documento mais comple...