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ANGOLA E BRASIL – PARCERIA DURADOURA Ano 02 - Edição 12 - 2014

Brasil Angola Bmagazine Brasil - R$ 6,90 Demais Países -USD 5,00

INVESTIMENTOS: CHEGOU A HORA DA ÁFRICA

As Sete Maravilhas Naturais de Angola Serão Conhecidas em Abril

Brasil Angola Magazine I Ano 03 l Edição Nº 12 2014

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Brasil Angola Magazine I Ano 03 l Edição Nº 12 2014


EDITORIAL

É com prazer que levamos a você, caro leitor, mais uma edição da revista Brasil Angola magazine, e com muito alegria também que informamos que esta é a última edição com este nome, pois a partir de nossa próxima edição, em junho de 2014, estaremos com muitas mudanças começando pelo novo nome “ BRAZIL AFRICA BUSINESS”. Esta mudança se deve as solicitações que recebemos de várias empresas que desejam expor seus produtos e serviços não só para Angola, mas também para todos os 54 países do Continente Africano, assim como os países africanos que desejam apresentar para o Brasil e o que cada um deles necessitam e o que tem a oferecer par o Brasil. Outra grande mudança é que, a partir da próxima edição as matérias serão apresentadas em português e inglês, atendendo assim mais uma exigências de nossos leitores e anunciantes, e por ultimo a nossa nova logo marca (estampa no final da página). Para esta edição estamos com matérias sobre de todo Continente Africano como um artigo do CEO da Norvatis , “ Dr.Joseph Jimenez”, falando sobre a necessidade de ter uma África mais Rica e Saudável, pois os grandes negócios futuros estarão em África. Não podemos esquecer de citar o grande número de Representantes africanos durante a realização da 15ª Edição da EXPODIRETO/COTRIJAL, que se realizou em março na cidade de Não -Me- Toques, no estado do Rio Grande do Sul, este grande número de Diplomatas do Continente Africano demonstra bem o interesse do continente em nossa agricultura e tecnologia agroindustrial. Como sempre, esta edição , também esta recheado de informações que levarão seu pensamento para o mercado Africano. Uma ótima leitura e até a próxima

EXPEDIENTE

ANO 03 I NÚMERO 12 JAN/MAR 2014 www.brasilangolamagazine.com.br www.brazilafricabusiness.com.br DIRETOR EXECUTIVO: Neemias Oliveira - neemias@brazilafricabusiness.com.br CONSELHO EDITORIAL: Neemias Oliveira, Glécio Ortega, Ubirajara Honório redacao@brazilafricabusiness.com.br

FOTOGRAFIA - Acervo revista Brasil Angola Magazine, Neemias Oliveira, Claudio Lira DIREÇÃO DE ARTE E MULTIMÍDIA: Denilson Alves COLABORADORES: Abel Domingos, Evaldo Silva Júnior, Régis Mendes Rui Mucaje, Nara Pires, REVISÃO: Edna Pires PUBLICIDADE: Glécio Orterga - ortega@brazilafricabusiness.com.br PERIODICIDADE: Trimestral TIRAGEM: 10.000 exemplares BRAZIL Angola Magazine, não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos assinados. Não é permitida a reprodução total ou parcial, sem prévia autorização. BRASIL ANGOLA MAGAZINE UMA PUBLICAÇÃO DA OP Propaganda & Marketing Ltda. www.oppropaganda.com.br Rua Professor Thiré, 194 - São Paulo/SP Tel. (55 11) 4116-1964 / (55 11) 98868-2356 PARCEIRO INSTITUCIONAL:

O Editor

Brasil Angola Magazine I Ano 03 l Edição Nº 12 2014

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SUMARIO Opinião Por uma África mais Rica e Mais Saudável Página 05 Acontece

Angola e Brasil : Parceria Duradoura Página 06 Angola Representada na 15ª Expo Direto/Cotrijal Página 08

Presidete José Eduardo dos Santos preocupado com a situação na R D do Congo página 18 Secrtário Geral do MPLA destaca benefícios da páz em Angola página - 18

Sete maravilhas Naturais de Angola Serão conhecidas em Abril página 20

A Expansão pela África página 09

Capa Sete Razões Porque chegou a vez da Àfeica página 10

Economia Os melhores destinos para investimento página 12

Saúde Ministério da Saúde propoe Política Nacional de Recursos Humanos página 26

O Mapa do Bilhão página 13 Angola quer acordo industrial como Brasil página 14 África Oriental A Caminho da Unificação Monetária Página - 16 Costa do Marfim em Busca de Parcerias Página -16 Política Ministro Joaquim Barbosa é recebido pelo presidente Angolano, José Eduardo dos Santos página - 18 4

Desporto Luanda Receberá edição 2014 dos Jogos da CPLP página 24

Feira da Saúde no Kilamba atende mais de 1.500 pacientes página 27 Consumo A ascensão do Consumidor Africano página 28

Artigo Angola: Os brasileiros descobrem um país promissor página 30

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OPINIÃO

Por uma África mais rica e mais saudável

Por Joseph Jimenez Os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) têm sido, desde há muito, o foco dos investidores nos mercados emergentes. Mas as grandes oportunidades de negócio do futuro estão em África, a segunda região com o crescimento mais rápido do mundo. Em cerca de um terço dos 55 países do continente, o crescimento anual do PIB está acima de 6%, e a África Subsaariana cresceu a um ritmo de 5,1% em 2013. Os investidores estrangeiros relatam que a rentabilidade do investimento em África é maior do que em qualquer outra região emergente. Em 2040, a população ativa, em África, atingirá um total de cerca de 1.100 milhões de pessoas, proporcionando às empresas uma força de trabalho maior do que a da China ou Índia. Além disso, a expansão econômica em África não está a ocorrer apenas nos centros urbanos, mas também nas pequenas cidades e aldeias. No entanto, África também enfrenta grandes desafios. Um dos mais preocupantes prende-se com os cuidados de saúde inadequados. A população é assolada por doenças evitáveis ??e tratáveis. A esperança média de vida é 14 anos inferior à média global. Quase um em cada 20 adultos entre os 15 e os 49 anos na África Subsaariana vive com HIV - cerca de seis vezes a média global. A cada minuto, uma criança africana morre de malária. O rápido crescimento econômico de África e a urbanização também estão a criar novos desafios sanitários. Prevê-se que as doenças não transmissíveis se convertam na principal causa de morte em 2030. O número de casos de diabetes, por exemplo, deverá quase duplicar nas próximas duas décadas. Se não for tratado, o duplo fardo das doenças transmissíveis e não transmissíveis poderá comprometer o potencial econômico de África. Para responder a este desafio, há que prestar atenção a três áreas críticas dos cuidados de saúde: tecnologia, infraestruturas e educação. África tem testemunhado alguns saltos tecnológicos notáveis. Há uma década, a infraestrutura de telecomunicações era praticamente inexistente. Hoje, uma em cada seis pessoas possui um telemóvel, cujos benefícios vão muito além de uma comunicação mais fácil. África foi pioneira na utilização de serviços bancários móveis, com marcas locais, como o M-Pesa e corporações globais, como o Citi, a demonstrar como as novas tecnologias podem oferecer serviços financeiros vitais para a população sem acesso a bancos. O dinheiro móvel e carteiras digitais acessíveis ??por telemóvel eliminam a necessidade de dinheiro físico em áreas rurais, onde os serviços financeiros são limitados e onde o transporte de grandes quantidades de dinheiro é arriscado. A Novartis juntou-se a esta revolução das comunicações móveis e está a trabalhar com cinco governos africanos e parceiros do sector privado para melhorar a distribuição de medicamentos e monitorizar o fornecimento de medicamentos para a malária em áreas rurais, através de mensagens de texto e mapeamento eletrônico. Anteriormente, os pacientes faziam longas viagens até aos postos de saúde e descobriam que os medicamentos que precisavam já estavam esgotados. Agora, o projeto “SMS for life” ajuda a redistribuir rapidamente os medicamentos vitais para onde são mais necessários. Um segundo aspecto crucial para a melhoria da saúde em África é a infraestrutura. Boas linhas ferroviárias, estradas e portos permitem que os produtos e serviços sejam amplamente distribuídos a um custo menor e beneficiam as economias de escala. Este é um componente essencial do desenvolvimento econômico de qualquer país. E em nenhum outro sector os benefícios são mais evidentes do que na prestação de cuidados de saúde Felizmente, já há várias empresas a responder ao desafio. A Coca-Cola, por exemplo, está a contribuir com a sua experiência

em cadeias de distribuição para mapear as unidades de saúde e implementar software de gestão de estoques para a distribuição de mosquiteiros, anticoncepcionais, medicamentos para a SIDA e vacinas para aldeias remotas. Ao mesmo tempo, a Novartis está a levar a cabo um projeto-piloto baseado na ideia de “empreendimento social” para que os habitantes desfavorecidos de aldeias remotas possam aceder a medicamentos essenciais fracionados em doses pequenas e econômicas. Por último, a educação é uma das ferramentas mais poderosas para reduzir a pobreza e gerar um crescimento econômico sustentável e inclusivo. Mas a falta de recursos e professores faz com que muitas crianças estejam a ser excluídas do sistema educativo. Contudo, as parcerias público-privadas estão a ajudar a alterar essa realidade. Por exemplo, a empresa Cisco colabora com diversas ONG (Organização Não Governamental) para conectar comunidades e ajudar os alunos a desenvolver conhecimentos em tecnologia da informação e comunicações. Uma educação deficiente também afeta a saúde. Embora África represente um sétimo da população mundial, concentra um quarto da carga global de doenças e conta com apenas 2% dos médicos de todo o mundo. Sem surpresa, muitos dos problemas de saúde resultam da ignorância sobre doenças e medidas de higiene básicas. Nesse sentido, a Novartis formou uma parceria com o Instituto Terra, as Nações Unidas e grupos do sector privado para treinar e colocar no terreno um milhão de profissionais de saúde na África Subsaariana, até 2015, para prestar tratamentos básicos e cuidados preventivos, e para rastrear surtos de doenças. A ideia é que a população local aprenda a ajudar as suas comunidades, em vez de depender de ajuda externa, e assim livrarem-se da pobreza de forma permanente. África está a mostrar cada vez mais sinais promissores, mas as soluções inovadoras para melhorar a saúde do seu povo são essenciais para que o continente se aproxime do seu potencial. Isso vai exigir mais do que filantropia: exige novos modelos comerciais que resolvam problemas de saúde, ajudem a economia a crescer e beneficiem aqueles que investem no futuro de África. n

Joseph Jimenez é CEO da Novartis -www.project-syndicate.org

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ACONTECE

ANGOLA E BRASIL – PARCERIA DURADOURA Por Rui Mucaje

CONSULADO DE ANGOLA EM SÃO PAULO E AFROCHAMBER “FORTALECENDO AS RELAÇÕES BILATERAIS”

“A Diplomacia de Angola está cada vez mais focada em fortalecer as Relações Comerciais com o Brasil”. Dr. Belo Mangueira – Cônsul de Angola em São Paulo - Brasil No passado dia 02 de Outubro de 2013, o Diplomata Joaquim Augusto Belo Barroso Mangueira – Cônsul-Geral da República de Angola em São Paulo, recebeu membros da Diretoria da AFROCHAMBER, ocasião em que foram abordados assuntos relevantes voltados para o incremento das relações do Brasil com Angola. Foi enaltecida na ocasião, todo o apoio que a Embaixada de Angola no Brasil através do Exmo. Sr. Embaixador Dr. Nelson Cosme, a Representação Comercial de Angola, dirigida pelo Dr. Mateus Barros e o Consulado de Angola em São Paulo têm prestado aos Associados e Parceiros Institucionais que possuem projetos conjuntos de fomento empresarial em Angola. Com um quadro de Profissionais das Áreas de Consultoria em Negócios, Logística e Direito Internacional, a AFROCHAMBER, apresenta-se pronta para atender os desafios que se têm apresentado na evolução de negócios com o Mercado Angolano. Apresentamos à seguir algumas iniciativas da AFROCHAMBER, junto ao Mercado Angolano: 2010 – Missão Empresarial SINDIMEC – Sindicato Patronal da

Dr. Abel Domingos - Pres. Afrochamber, Dr. Belo Mangueira, Cônsul Geral de Angola em S. Paulo e Rui Mucaje diretor da Afrochamber em visita ao Consulado

Rui Mucaje, Nara Pires, Helder Flores - AFROCHAMBER, Diplomata Dijalma Mariano- SECOM Luanda, Helder Flores, Alexandre Trabbold – APEX Luanda, Fernando FernandesSECOM Luanda

Intercâmbio Comercial Brasil - Angola Em milhões e Dólares Fonte - MDIC - Ministério da Industria e Comércio Exterior - Brasil 2013

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Indústria Mecânica de Joinville e Região às Cidades de Luanda, Malanje e Huambo e encontros com a CCIA – Câmara de Comércio e Indústria de Angola. Encontro com Ministério da Indústria, Geologia e Minas de Angola. 2011 – Participação na FILDA- Feira Internacional de Luanda 2013 – Junho - Missão Empresarial África Austral com representação de empresas dos setores de Material Escolar, Agricultura, Cosméticos, Tecnologia da Informação, Saúde e Alimentação.

QUEM SOMOS

AFROCHAMBER – Câmara de Comércio Afro-Brasileira.Entidade fundada em 1972 na Cidade de São Paulo – Brasil tem como objetivo a Promoção do Intercâmbio Bilateral das empresas Brasileiras e Africanas nas trocas Comerciais, culturais e educacionais e no acesso aos mercados por eles representados por meio da realização de Missões Comerciais para Países do Continente Africano, bem como recepção de Autoridades e Delegações Africanas em visita ao Brasil. Coopera junto aos entes Governamentais do Brasil na elaboração de políticas de abertura de novos mercados e estímulo às exportações. Emite e analisa documentos e procedimentos relativos aos processos de Importação ou Exportação de produtos e serviços nas trocas comerciais. n

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ACONTECE

ANGOLA REPRESENTADA NA 15ª EXPODIRECTO / COTRIJAL - FEIRA INTERNACIONAL DO AGRONEGÓCIO

A RepresentaçãoComercial deAngola, representando a Embaixada da República deAngola no Brasil, esteve presente na 15ª Edição da Expodirecto Cotrijal – International Fair – Feira Internacional do Agronegócio, entre os dias 08 á 12 de Março de 2014

Rui Mucaje, Dr. Mateus Barros e Dr. Abel Domingos A Feira Internacional Expodireto Cotrijal, sobre o lema: Inovação, Tecnologia e Oportunidades de Negócios, para além dos expositores brasileiros, atraiu mais de 77 países, entre os quais 25 Embaixadas Africanas acreditadas no Brasil, representadas ao nível de Embaixadores, Ministros Conselheiros e Conselheiros do Corpo Diplomático Africano sediado em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. A abertura oficial do evento, ocorreu no dia 10 de Março de 2014, com presença do Vice-Presidente da República Senhor Michel Temer, em representação da Presidente da República Federativa do Brasil Dilma Rousseff, que estava ausente do país, para participar da tomada de posse da Senhora Michelle Bachelet ao cargo de Presidente da República do Chile. Prestigiaram igualmente o evento, autoridades governamental do Governo Federal, Estaduais e representantes das entidades do Agronegócio do Brasil. Michel Temer, Vice-Presidente do Brasil na ocasião da inauguração da Expodirecto Cotrijal, do Rio Grande do Sul, disse: A Expodirecto é um palco de grandes discussões do desenvolvimento do Agronegócio, com a transformação de uma feira inicialmente de carácter regional, mais adiante do Mercosul e agora atinge a dimensão internacional com a presença de 77 países e 25 Embaixadas. O Governo brasileiro tem feito o possível para prestigiar o sector do Agronegócio e faz um casamento entre a produção nacional e o município anfitrião há 15 anos. O Município de Não-Me-Toque- nome da localidade do evento, o Rio Grande do Sul e o Brasil colaboram para os negócios internacionais entre a economia do Brasil e de outros países e esta conjugação de esforços é que tem trazido benefícios para o

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país. Na qualidade de Presidente em exercício do Brasil Michel Temer, concluiu: A Expodirecto é um evento extraordinário, e o Governo Federal do Brasil, não tem medido esforços para assegurar a manutenção de recursos financeiros para investimento do sector da agricultura. Ab initio, o Governador do Estado do Rio Grande do Sul na qualidade de autoridade anfitriã, no discurso que proferiu de boas vindas aos participantes da Expodirecto, aproveitou a ocasião para tecer duras criticas aos países ocidentais e esclareceu que existe uma conspiração de entidades financeiras na Europa, nomeadamente de uma maioria de instituições privadas sediada na Inglaterra que visa essencialmente atacar a economia do Brasil e enfraquecer a moeda nacional brasileira o Real. O Governador comentou que os jornais europeus festejam que a economia espanhola cresceu 0,1% sem ter alterado a situação do desemprego da comunidade activa dos trabalhadores no Reino de Espanha e a carência social reivindicada pelos jovens espanhóis diante a crise europeia. A contrario sensu, disse o Governador, o Brasil cresceu 2,3% do Produto Interno Bruto no ano de 2013, e a Região gaúcha do Rio Grande do Sul, projecta divulgar até ao fim de março, um crescimento do PIB do Rio Grande do Sul do primeiro trimestre de 2014 entre os 6,6% e 6,8%. Constatamos durante a nossa participação na Expodirecto Cotrijal, que a Região gaúcha do Rio Grande do Sul, tem um potencial agrícola e do agronegócio bastante forte e bem organizado em cooperativas de agricultores e no ano de 2013 a Feira da Cotrijal arrecadou cerca de 2,5 bilhões de Reais em negócios directo realizado entre expositores e compradores, e a expectativa dos organizadores para a edição de 2014 visa o aumento cada vez maior das receitas financeira em relação ao ano anterior. A Região produz essencialmente para o consumo no mercado nacional brasileiro e para exportação no mercado internacional os seguintes produtos do sector agrícola: Soja, Arroz, Milho, Mandioca, Trigo, Uva, Maça, Batata, Laranja, Cana-de-Açucar, Cebola, Feijão, Melancia, Batata-Doce, Pêssego,e Alho; Sector Agropecuário: Pecuária de Corte, Pecuária de Leite, Suinocultura, Avicultura e Ovinocultura, e desenvolvem outras actividades

Cerimonia de Abertura do Evento

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ACONTECE também importante para região tais como: Florestamento, Horticultura, Agricultura Orgânica e o Biodiesel. Finalmente na qualidade de Representante Comercial de Angola integrante da Delegação do Corpo Diplomático Africano acreditado no Brasil, aproveitamos também para participar de rodadas de negócios bilateral com produtores e exportadores de Arroz, Soja, Frangos, Ovos, Carne Gado, Vinho, Agroindústria familiar e indústria de máquinas e implementos agrícolas para o agronegócio. A maioria dos produtores e exportadores dos sectores ora referenciados, manifestaram o desejo em identificar parceiros empresariais angolanos para exercerem numa primeira fase a representação dos seus produtos em Angola, e posteriormente estudariam a possibilidade de realizar investimentos directo para constituição de unidades de produção no mercado angolano, tão logo a demanda local o justificar. Transmitimos aos empresários e produtores do agronegócio da região gaúcha, as potencialidades do nosso mercado quer no âmbito interno, e regional no que se refere a Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral ( SADC) e Comu-

nidade Econômica dos Países da África Central ( CEAC) zonas de influência estratégica de curto, médio e longo prazo da diplomacia política e econômica do governo angolano e representa mais 400 milhões de consumidores nos dois blocos econômicos regionais , inter alia, também passamos informação sobre o ambiente de negócio e situação macroeconômica da República de Angola, designadamente o crescimento do PIB, estabilidade da moeda nacional o Kwanza, diversificação econômica, do Programa de Aquisição de Produtos Agro-Pecuários (PAPAGRO), Programa de Relançamento da Indústria transformadora e por último sobre a consolidação da paz e das instituições democráticas no nosso país. Igualmente comprometemo-nos em trabalhar com as autoridades angolanas do sector público e privado, nomeadamente a Câmara do Comércio e Indústria de Angola e Associação Industrial de Angola - AIA, com vista identificar empresas angolanas que possam eventualmente interessar-se em estabelecer parcerias comerciais (joint-ventures) com empresas brasileiras da região do Rio Grande do Sul. n

A expansão pela África

Foi com a disposição de construir parcerias, trabalhar para levantar barreiras comerciais, intensificar negócios e embarcar inovações para o continente africano que representantes de 54 países estiveram na 15ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque/RS, que se encerrou dia 14 de março. A feira consolidou seu papel de exportadora de tecnologia em larga escala. Segundo o diretor da Câmara de Comércio Afro-Brasileira (Afro- federal, por meio do MDA, já está em tratativas com Botswana e chamber), Rui Mucaje, a ideia nesta fase inicial é estabelecer prevê ainda remessas de equipamentos a países como Quênia relações que permitam levar tecnologias aos pequenos e mé- e Moçambique. dios agricultores, agregando valor a sua produção. Para isso, Além da modernização do campo, os africanos também querem o dirigente defende que o acesso a linhas de financiamento in- ter acesso a técnicas de cultivo como o plantio direto de arroz, ternacionais também atinjam aqueles pequenos países africa- para que as lavouras atinjam maior produtividade. Em troca, os nos, como Zimbábwe e Botswana. Por meio do programa Mais produtores teriam áreas cedidas pelo governo em regime de Alimentos, o país já exporta maquinário e implementos a nações comodato para serem exploradas. “Não queremos comprar o como Angola, Quênia resto do ciclo da e Moçambique, que produção local”, vem desenvolvendo afirma Mucaje. sua agricultura nos “O caminho naúltimos anos. Agora, tural é esse, o para Mucaje, é preda transferência ciso dar um passo de tecnologia”, além e olhar para oudiz. Além distros países que ainda so, os africanos têm uma agricultura também querem rudimentar. “É preaprender mais ciso colocar ovinhos sobre o cultivo em muitas cestinhas”, de soja e milho, afirma. além da produDe acordo com o ção de etanol. coordenador do Programa Mais AlimenCom solo e clitos no Ministério do ma bastante faDesenvolvimento voráveis para a Agrário (MDA), Marco cultura do algoAntônio Viana Leite, o dão, produtores Representantes dos países do Continente Africano foco da versão intergaúchos que se nacional do programa instalaram no Sué o aporte de tecnologias em nações do continente africano. Se- dão já obtêm altos índices de produção. De acordo com dados gundo ele, no final de fevereiro, o Comitê de Financiamento e da câmara, o país ainda dispõe de 60% das terras para serem Garantia das Exportações (Cofig) aprovou a liberação de 33 mi- exploradas com agricultura. Além disso, há mão de obra dispolhões de dólares para a exportação de máquinas agrícolas para nível no campo, atualmente um dos grandes entraves para o o Zimbábwe. A expectativa é que os equipamentos cheguem ao agronegócio brasileiro, o que pode despertar o interesse dos país africano ainda no primeiro semestre deste ano. O governo produtores.

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CAPA

Sete razões por que chegou a hora da África

Por - Jonathan Berman*

A economia da África está crescendo mais depressa do que as economias de todos os outros continentes. Cerca de um terço dos 54 países da África está tendo um crescimento anual do PIB de 6%. Mas isso não é apenas por conta de diamantes e de petróleo: apenas 24% do crescimento de 2000 a 2008 pode ser atribuído aos recursos naturais. O que está fazendo com que esse continente diverso e complexo cresça? Eis alguns fatos surpreendentes sobre a economia africana de US$2 trilhões:

01 - Uma Grande Oportunidade de Mercado

03 - Terá, em breve, o maior índice de força de trabalho do mundo

O mapa de escala acima mostra como a África é enorme, Ela tem 52 cidades cuja a população é de um milhão de habitantes ou mais - número idêntico ao da Europa Ocidental. A porcentagem de pessoas vivendo nas cidades é maior do que na Índia e alcançará 50% em 2030. A classe média da África também é maior do que a da Índia, e por volta de 2020, a metade das famílias africanas terão poder discricionário de gastos - A África precisa de tudo - Infraestrutura, educação, cuidados coma saúde, bens de consumo e produtos de varejo - e pode pagar por isso.

A força de trabalho na África irá se expandir para 163 milhões nesta década, por volta de 2035, será maior que o da China. Por volta de 2050 os africanos serão 25% da força de trabalho no mundo. E mais: Estes trabalhadores estarão sustentando menos dependentes do que seus pares em todo o mundo. Entretanto, profundos investimentos em desenvolvimento e produtividade serão necessários para assegurar o crescimento de uma base mais ampla na região.

02 - Esta se tornando cada vez mais estável

A dívida e a inflação diminuíram significativamente durante a última década, porque os governos em toda África estão agora amplamente alinhados com a economia de mercado. O número de golpes políticos diminuíram vertiginosamente deste 1990. Embora movendo-se em ritmos diferentes em todo continente, as reformas políticas estão caminhando, como demonstra o índice Polity IV (classificação da democracia é de 21 pontos onde monarquias hereditárias marcam “-10” e democracias consolidadas marcam “+10”).

04 - Celulares aos Milhões

A penetração dos celulares que era de 2% em 2000, atualmente é de 78% e vai atingir 84% em 2015, segundo a GSMA. As operadoras reduziram em 18%, em média, os preços em todo continente. A rede móvel de internet na África subsaariana vai crescer 25 vezes nos próximos quatro anos. As empresas terão que atender ao consumidor africano sem smartphones. Os smartphones são apenas 3% do mercado hoje e serão apenas 15% em 2015.

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CAPA

05 - O comércio Interno da África esta engatinhando

Apenas 11% do comércio da África acontece dentro de suas próprias fronteiras a mais baixa de todas as regiões.As restrições políticas e de recursos na África mantiveram o continente “fraturado”. Contudo, uma nova safra de dirigentes e de empresas competitivas Pan-africanas estão mudando esta equação. Os ministros de Comércio, cada vez mais qualificados, e os executivos de empresas estão promovendo o livre comércio entre e dentro dos cinco grandes blocos comerciais da África.

07 - Contém a maior parte de terras aráveis não cultivadas do mundo Os recursos naturais não resolvem tudo, mas são um catalisador. com 60% de área potencialmente agrícola do mundo, a África poderia se tornar uma potência agrícola. Ela é uma potencia agrícola e também rica em petróleo e gás. Apenas as descobertas em Moçambique, Tanzânia e Uganda deverão atrair mais de 40 bilhões de Dólares em investimento estrangeiro mas as empresas que buscam meramente a extração não encontrarão apoio sustentável na África. Aqueles que constroem cadeias de suprimentos locais, contratam pessoas locais e produzem para o mercado local, estão mais propensos a ganhar a corrida.

06 - Vinte por cento das despesas governamentais vão para educação Isso representa quase duas vezes o que o governos da OCDE gastam (11%)em média. A matrícula na escola primária atingiu 76% em 2008, subindo 14 pontos percentuais em uma década. Na escola secundária, as matrículas ainda são baixas, 35%, mais ainda assim cresceu dez pontos percentuais. Os níveis de desempenho ainda não foram calculado em ternos de gastos, embora existam alguns casos de sucesso - estudantes de matemática e ciências na Tunísia e em Gana estiveram entre os que mais progrediram na mundo na década de 2000. A educação é o fator fundamental que determinará se a força de trabalho em rápida expansão é uma benção ou uma maldição.

* Jonathan Berman é o autor de Success in Africa: CEO Insights from a Continent on the Rise e conselheiro sênior na empresa de estratégia Dalberg. Twitter: @jonathan_bermanNamustias aut quisti ipsa cum in cusdandam in nosto quid es et etum eum n Fonte - Havard Business Review - Brasil

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ECONOMIA

Os melhores destinos para investimentos

Quatro nações africanas estão entre os cinquenta locais mais recomendados para lucrar com mineração Botsuana, Namíbia, Gana e Burkina Faso são os melhores países da África para investimentos em mineração. É o que aponta a pesquisa anual sobre o setor “Survey of Mining Companies“, realizada pelo Fraser Institute do Canadá em várias regiões do mundo e divulgada neste mês. O levantamento consultou aproximadamente 4,1 mil companhias de exploração de mineração em 112 países e regiões entre setembro e dezembro de 2013. As empresas participantes do estudo possuíam um orçamento somado de US$ 3,4 bilhões em 2013. No Índice de Percepção Política (PPI, em inglês), a Suécia ocu- ploração de minerais botsuanês. “O país tem uma política exempa o primeiro lugar no ranking mundial, seguida da Finlândia, plar. O governo de Botsuana fornece informações em tempo real província de Alberta no Canadá, Irlanda, Wyoming, um estado para assegurar que todos os envolvidos deem seus feedbacks e dos Estados Unidos, e o estado australiano Austrália Ocidental. dicas que possam ser utilizadas em uma possível mudança de Botsuana ocupa o 25° lugar, à frente da Namíbia (34º), Gana legislação”, aponta um executivo de empresa que possui uma (43º) e Burkina Faso (46°). receita de mais de US$ 50 milhões. O PPI avalia de modo geral as políticas que atraem investimen- A Namíbia é referência mundial na produção de gemas brutas tos e reúne os 15 fatores políticos que afetam a decisão de in- de qualidade como diamante, urânio, óxido, zinco, chumbo, sal vestidores. Entre eles, as incertezas quanto à administração das e ouro. O setor mineiro contribuiu em 11,5% do PIB de 2012, seatuais regulamentações; leis ambientais; duplicação de regras; gundo informações da Agência de Estatística namibiana. “Há um o sistema legal e regime de tributação; condições socioeconô- encorajamento geral para a exploração mineira e políticas de nemicas e desenvolvimento da comunidade; estabilidade política e gócios amigáveis para atrair investimentos em mineração”, cita barreiras no comércio. uma empresa na Namíbia com receita superior a US$ 50 milhões. Novas localidades foram incluídas na última avaliação, o que Gana possui reservas de bauxita, magnésio, diamante e ouro, pode ter influenciado o deslocamento da posição dos quatro pa- além das não exploradas de minério de ferro, calcário, Argila íses. Em 2011 e 2012, e areia de sílica. Botsuana situava-se no Esses minerais re17° lugar, enquanto a presentaram 8,8% Namíbia pulou da podo PIB do país em sição 45 em 2011 para 2012, de acordo com a posição 30 em 2012. dados do serviço Gana saiu da posição de estatísticas ga43 para o 54° lugar no nense. “O ambiente mesmo período, enpara investimentos quanto Burkina Faso em Gana é bom, leis saltou de 55º para 46º. adequadas estão Botsuana registrou uma em vigor e as coligeira queda na pontumunidades não são ação, saindo de 78,1 hostis desde que as pontos em 2012 para empresas respeitem 74,2 em 2013, enquana cultura e tradições to a Namíbia aumentou dos povos”, afirma sua pontuação de 63,7 o gerente de uma pontos para 68,3, Gana companhia produtosaltou de 48,2 pontos ra com uma receita Vista aérea da mina de diamantes Jwaneng, Botsuana Foto: De Beers para 60,6 e Burkina de menos de US$ 50 Faso saiu de 46 para milhões. 58,9. Em termos de comparação, o Brasil ficou na posição 65 do Já Burkina Faso conta com o ouro, manganês, fosfato, calcário, ranking, marcando 39,1 pontos. mármore e sal entre os principais produtos explorados pela indústria mineradora do país. Só o ouro bruto foi responsável por 66,4% do total de exportações em 2012, segundo informações Produção Os quatro países africanos possuem significativas reservas de da Divisão de Inteligência Comercial do Brasil. minerais, incluindo os preciosos e outros bastante utilizados O relatório aponta ainda que o Zimbábue, Costa do Marfim e como matéria-prima para a fabricação de produtos manufatura- Angola são os que possuem o ambiente menos favorável para dos. Botsuana é o maior exportador e produtor de diamantes investimentos no setor mineiro. Desses, os dois últimos foram brutos do mundo, além de exportar outros minerais como o co- incluídos apenas na pesquisa de 2013. No mundo os piores pabre, sal, potássio, carvão, prata e minério de ferro. Em 2012, o íses foram o Quirquistão (112), Venezuela (111) e as Filipinas diamante botsuanês foi responsável por aproximadamente 20% (110). n do total no PIB do país. Fonte - Redação do brazilafrica Empresários ouvidos pela pesquisa elogiaram o código de ex-

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ECONOMIA

O mapa do Bilhão

A África subsaariana reúne 20 países avaliados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como ricos em recursos minerais, principalmente minério de ferro, ouro e bauxita, além do petróleo e gás natural. Entretanto, nem todos conseguem tirar proveito de sua produção devido à falta de estrutura para realizar estudos geológicos. dos por evoluções sociais de mesmo porte. O crescimento da renda per capita contrasta com a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Investimentos Sociais

O relatório defende de que esta é a hora para que os governos africanos optem por investir as receitas geradas pela extração de minerais no bem-estar das pessoas, com a finalidade de gerar empregos e oportunidades para milhões. “O ponto inicial para todas as nações é desenvolver planos estratégicos nacionais que abordem como os recursos naturais serão desenvolvidos, para que possam substituir cálculos de curto prazo para um pensamento de longo prazo. Esses Vista parcial do Diamante Cullinan Mine, Joanesburgo - Foto: AFP/Stephane De SAKUTIN) planos precisam identificar ainda quais projetos extrativistas podem A fragilidade dos acordos de exploração mineral e as concesgerar mais empregos ao relacioná-los de forma efetiva com a sões de exploração cedidas pelo governo por valores abaixo do economia local”, aponta o ex-secretário da ONU e presidente do mercado – em geral por falta de conhecimento – também são Africa Progress Panel, Kofi Annan. obstáculos para que os recursos gerem prosperidade e desen_ volvimento às nações africanas. O relatório indica que com Uma iniciativa do Banco Mundial pretende mudar essa realidao apoio da comunidade de. O “Mapa do bilhão de dólar” (Billion Dollar Map”) é um projeto internacional e de grupos que se estenderá por toda a África com o objetivo de padronizar como o G8 e G20, os godados sobre a cobertura mineral e torná-los acessíveis, igualanvernos africanos podem do o nível de conhecimento entre governos e empresas. solucionar os desafios da É comum em alguns países africanos que companhias mineragestão dos recursos nadoras cheguem à mesa de negociação com mais informações turais. “A governança no do que a administração pública. Os governantes acabam aceiâmbito econômico contitando as propostas por acreditar que o valor é justo. Na Renua a melhorar e fornece pública Democrática do Congo, uma avaliação independente proteção contra o ciclo de apontou que a diferença entre o valor da venda dos ativos de expansão e recessão, aligarimpos em relação ao valor real ultrapassa US$ 1 bilhão, em mentado principalmente favor dos empresários. pela valorização de preços O projeto também incentivará investimentos regionais para a das commodities. Tudo criação de postos de trabalho. Ainda em fase de arrecadação isso em uma década de de fundos, a iniciativa já recebe respostas positivas de governos, forte crescimento econôcompanhias e especialistas. Em um recente evento sobre minemico na África. É por isso ração, o especialista em economia africana Paul Collier afirmou que estamos otimistas em relação ao continente”, afirma Annan. que o Mapa do bilhão de dólar tem “grande capacidade para VAlgumas iniciativas podem auxiliar os gestores públicos a procatalisar investimentos para a região”. mover mudanças que permitam inclusive atrair a confiança dos Crescimento per capita e capital humano Dos 20 países citados pelo FMI, Guiné Equatorial, Angola, Serra investidores estrangeiros e locais. Entre eles, uma sociedade Leoa, Chade, Gana, Tanzânia, Nigéria, Zâmbia, Botsuana, Na- civil forte e analítica; maior transparência e responsabilidade gomíbia, Mali, África do Sul, República Democrática do Congo e vernamental como peças importantes no manejo das receitas Congo apresentaram bons índices de crescimento da renda per da exploração mineral, assegurando que sejam distribuídas de forma a beneficiar o cidadão por meio de ações públicas execucapita e do PIB. Entre 2000 e 2011, a Guiné Equatorial cresceu em média 16,9% tadas com equidade; e melhores práticas de transparência nas ao ano. No mesmo período, a renda per capita da nação aumen- transações comerciais internacionais. n tou 272%. Angola registrou crescimento médio anual de 10% e Fonte aumentou em 111% a renda per capita. Redação brazilafrica com informações do Banco Mundial Os avanços econômicos dessas nações não foram acompanha-

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ECONOMIA

Angola quer acordo industrial com o Brasil

O governo angolano reafirma o interesse em estabelecer um acordo de cooperação na área da indústria com o Brasil, a fim de cobrir a ausência de um instrumento de regulamentação às iniciativas conjuntas no domínio da produção.

O governo angolano reafirmou o interesse em estabelecer um acordo de cooperação na área da indústria com o Brasil, a fim de cobrir a ausência de um instrumento de regulamentação às iniciativas conjuntas no domínio da produção. Responsáveis dos dois países reconheceram segunda-feira (10), em Luanda, a importância de um instrumento que regule a parceria entre Angola e o Brasil no domínio da indústria. Durante uma reunião de trabalho, entre a ministra da Indústria, Bernarda Gonçalves Martins, e uma comitiva composta por responsáveis do Governo brasileiro e empresários, os responsáveis foram unânimes quanto à necessidade de existência de um protocolo neste domínio.

Durante uma curta intervenção, Bernarda Gonçalves Martins considerou “oportuno e urgente” a criação de um protocolo de entendimento no domínio da indústria, pois, acrescentou a responsável, “o instrumento vai facilitar as intenções de investimentos, tanto de angolanos no Brasil, quanto o de brasileiros em Angola”. “No capítulo da Indústria, existe um protocolo entre o Instituto Angolano de Normalização e Qualidade e a congénere brasileira, mas que também não tem tido grandes desenvolvimentos. Chegou a altura de desenvolvermos algum trabalho”, sublinhou a responsável. A ideia foi enfatizada pelo director do Departamento de Promoção Comercial e Investimento do Brasil, Henrique Azevedo de Ávila, que, no momento, falou das “boa relação comercial”, bem como da cooperação técnica entre os dois países, mas considerou importante abrir uma nova página na cooperação bilateral. “A relação comercial entre Angola e o Brasil é excelente, assim como é também a cooperação técnica, com a presença de técnicos brasileiros neste país. Porém, é pertinente abrir-se uma nova página na relação entre os dois estados”, reforçou. O responsável brasileiro falou do interesse de investidores brasileiros pelo mercado angolano e da importância da cooperação entre empresários dos dois países no processo de diversificação da economia nacional, liderado pelo Executivo. O encontro entre a responsável angolana e os brasileiros decorreu no quadro da visita de trabalho que a comitiva está a efectuar em Angola. A cooperação técnica entre Angola e o Brasil começou a desenhar-se em 1980 com a assinatura do Acordo de Cooperação Económica, Científica e Técnica, no dia 11 de Junho daquele ano. No âmbito desse acordo, os dois cooperamo nas áreas de saúde, cultura, administração pública, formação profissional, educação, meio ambiente, desportos, estatística e agricultura. Fonte - Portugal digital

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ECONOMIA

Fuga de recursos em África

O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, e o ex-presidente Para Eduardo dos Santos, “são feitas persistentemente campada África do Sul, Thabo Mbeki, destacaram recentemente a ne- nhas intimidatórias contra os africanos, porque não querem ter cessidade de esforços globais para lidar com o problema dos concorrentes locais e querem levar cada vez mais riqueza para fluxos financeiros ilícitos originários de África, que vêm prejudi- os seus países”. cando o desenvolvimento do continente nas últimas décadas. O economista Celso Borja sublinha que esse tipo de cenário Segundo estimativas das Nações Unidas divulgadas pelo se- acontece mais nos países com baixo ou médio grau de desengundo Presidente sul-africano após o apartheid, África perde 50 volvimento, como é o caso da maioria dos países do continente bilhões de dólares por ano em fluxos ilícitos, o que ultrapassa os africano: “É preferível adotar-se taxas efetivas de impostos mais investimentos recebidos pelo continente. baixos, quando comparadas com os países mais desenvolvidos, De acordo com aqueles responsáveis, cerca de dois terços des- que têm base alargada de contribuintes”. ses fluxos de saída têm origem em atividades de multinacionais, Por outro lado, o entrevistado defende a necessidade dos Banenquanto 30% vêm de atividades criminais, incluindo tráfico hu- cos Centrais dos países africanos reabilitarem as suas estrumano e narcotráfico, bem como outras práticas de corrupção. turas funcionais do ponto de vista de recursos humanos, bem Pela colocação feita pelo ex-presidente da África do Sul, am- como materiais, sobretudo em sistemas informáticos, no sentido parado em dados da ONU, cerca de 70% dos fluxos de capitais de monitorar com mais eficiência as operações cambiais entre ilícitos em África advêm de empresas internacionais formalmen- as empresas e os operadores do mercado de divisas. te constituídas. Ou seja, presume-se que os fundos financeiros Oposição diz que são os africanos que levam para fora destas empresas são majoritariamente originários da explora- Sobre as declarações de Thabo Mbeki, o deputado da CASAção de atividades legais da economia formal. -CE, Lindo Bernardo Tito, comentou: “Não podemos dizer que os Truques com faturamento são meios para desviar dinheiro ocidentais estão a levar o nosso dinheiro. Estão a pagar imposO economista Celso Borja considera que a remessa para o ex- tos - e esses impostos ninguém sabe onde vão parar”. terior destes recursos dos países africanos, já sob a condição Para este deputado da oposição, são os africanos que retiram de ilícitos, pode se dar pela prática da ocultação de faturamen- dinheiro de forma ilícita e levam para fora do continente: “Estou to, superfaturamento de custos, nomeadamente quando há pro- a ver Thabo Mbeki a dizer que a corrupção em África está a dutos importados, meios infralegais de remessas de capitais a facilitar as grandes potências estrangeiras e que é um cancro, e título de pagamento de obrigações com o exterior, ou ainda por precisa de ser erradicado”. meio de empréstimos bancários de “gaveta” - sendo que em am- Por seu tur- no, o deputado do MPLA João Pinto alertou para bos os casos os juros e encargos são artificialmente elevados. o cuidado a ter com discursos sobre o branqueaIsso acontece, segundo o economista, porque “os Estados afrie fuga de capitais. Segundo o deputado 50 s mento e canos têm muitos problemas, as economias continentais do majoritário, “quando há muitos recursos, d e er ólar p não são endógenas. Grande parte dos recursos às vezes também há muitas falhas. Por isso a d c minerais em África está na zona austral, os é que, em Angola, se aprovou recentemente Áfrõi es dneo ems” “ o h países desta região não têm economias douma sobre os crimes subjacentes ao brana t l i i b por s ilíc queamento deleicapitais”. mésticas fortes, dependem das importações, o assim como dependem do know-how da tecnoflux João Pinto observou que algumas discussões sobre a fuga de logia do estrangeiro. Estes fatores influenciam o capitais estão associadas aos acontecimentos de 11 de Setembranqueamento de capitais no continente”. bro nos EUA. “No nosso caso, com a aprovação da lei sobre Borja é da opinião que em todo continente “essas condutas po- o branqueamento de capitais, vamos procurar combater estes dem ser combatidas através da regulação da legislação tributá- atos”,prometeu o político. ria e também de repatriamento de capitais para o exterior”. Já o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, considerou serem verJá o especialista em relações internacionais Mário Pinto de An- dade as declarações do antigo Chefe do Estado da África do drade defende que os países africanos devem procurar contro- Sul, Thabo Mbeki, quando afirmou que África perde 50 mil milar todo o fluxo financeiro que circula e sai do continente, e con- lhões de dólares anuais. denar aqueles que insistentemente fazem sair dinheiro de forma Segundo o responsável do maior partido da oposição, Angola é ilícita. “Há muito branqueamento de capitais no continente, os um exemplo disso, sendo por isso urgente que se faça, ao nível investidores estrangeiros são, majoritariamente, os protagonis- da Assembleia Nacional, um debate à volta da gestão da Sonantas destas ações”. gol, a maior empresa do país. Celso Borja defende que é altura dos Governos africanos se im- No caso da África do Sul, por exemplo, afirmou o responsável da porem, criando leis protecionistas que possam controlar melhor UNITA, há instituições mais sólidas e mais mecanismos para “traa massa monetária do país, porque os investidores “dominam as var esta fuga de capitais. É mais difícil a fuga de capitais, porque leis dos países africanos e criam mecanismos para contrapô-las”. tem mais transparência e uma democracia mais sólida”, exemplifica Alcides Sakala. Questionado sobre as soluções para esta fuga de capitais de África, Sakala apontou a democratização dos Angola perde dezenas de milhões por ano O próprio Presidente angolano, José Eduardo dos Santos - países, onde os sistemas judiciais sejam mais independentes. quando do discurso preferido na Assembleia Nacional sobre o A Comissão Econômica das Nações Unidas para África consideEstado da Nação, em Outubro de 2013 -, disse que um sim- ra, por sua vez, que o dinheiro perdido é suficiente para ressusples levantamento dos resultados das empresas americanas e citar o continente africano. Esta mesma comissão iniciou uma francesas no sector dos petróleos ou das empresas e bancos luta “sem paralelo” com vista a travar a circulação e exportação comerciais com interesses portugueses em Angola mostra que de capitais ilícitos do continente africano. n todos os anos são levados de Angola dezenas de milhões de dólares. “Porque é que eles podem ter empresas privadas dessa dimensão e os angolanos não?”, questionou.

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Fonte -Bloomberg

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ECONOMIA

África Oriental a caminho da unificação monetária

Moeda de um país da EAC será aceita nas demais nações do bloco. Comunidade da África Oriental (EAC) e o Banco Africano de Desenvolvimento lançaram na segunda-feira (10) o Projeto para Integração dos Sistemas de Pagamento e Liquidação entre os países-membros da EAC. Trata-se de mais um passo para a adoção de uma moeda única para a região, prevista para entrar em vigor em 10 anos.

O projeto vai permitir que cidadãos do Quênia, Ruanda, Uganda, Burundi e Tanzânia utilizem suas moedas nacionais em outros países EAC e realizem transações financeiras em tempo real. Para isso, um sistema conectará os Bancos Centrais dos cinco países através de redes tecnológicas. O custo de US$ 23 milhões será financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento. De acordo com nota divulgada pela EAC, o investimento vai reforçar a convergência e a integração

regional, fortalecer os setores legislativo e de regulamentação financeira. Durante a cerimônia de lançamento, o secretário-geral adjunto da EAC, Enos Bukuku, declarou que a integração financeira é a âncora que vai tornar a região um destino mais viável para o investimento estrangeiro, reforçando a liquidez dos mercados de capitais do leste africano e criando meios de financiamento para investidores e emissores. O secretário-geral adjunto apelou para uma cooperação mais forte entre os Estados parceiros e chamou a atenção para a necessidade de estabelecer um quadro legal e regulamentar sólido, com adesão aos princípios internacionais e adoção de medidas para o desenvolvimento de infraestrutura dos mercados financeiros. Para o diretor do Banco Central do Quênia, Njuguna Ndung’u, o lançamento do Projeto para Integração dos Sistemas de Pagamento e Liquidação é essencial para a consolidação da união monetária do leste africano. Em dezembro do ano passado, os presidentes dos cinco países que compõem o bloco assinaram o protocolo de Kampala, que estabelece, entre outros aspectos, a conversão progressiva das moedas nacionais. n

Costa do Marfim em busca de parcerias Comitiva do país africano esteve em Ribeirão Preto para conseguir investimentos em áreas estratégicas Uma comitiva da Costa do Marfim esteve em Ribeirão Preto em busca de parcerias para as áreas de saúde, construção civil, educação e agricultura, com o objetivo de transformar o país em emergente até 2020. O encontro aconteceu na semana passada, no palácio de Rio Branco, sede da prefeitura de Ribeirão Preto. O embaixador da Costa do Marfim no Brasil, Sylvestre Aka Amon Kassi, destacou as demandas e projetos já em desenvolvimento no país para representantes de entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) e Câmara de Comércio Brasil África. “Estou honrado com este fórum que visa à promoção da região e aqui buscamos a abertura de novas parcerias. A Costa do Marfim é uma grande exportadora do setor agrícola, como o caju, algodão, óleo e madeira. Buscamos ampliar a nossa produção, assim como desenvolver nossa malha viária e infraestrutura como um todo, além de investimentos na educação e saúde”, explicou o embaixador. O país, que hoje é a primeira economia da União Monetária da África do Oeste, recupera-se de conflitos étnicos e religiosos, que abalaram seu desenvolvimento até 2011. Para melhorar a economia, a Costa do Marfim investe em obras de infraestrutura, construção de escolas, casas populares, hospitais, entre outros equipamentos públicos. Saiba mais em “A revolução na economia da Costa do Marfim“. Para a prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (PSD), a parceria garante o crescimento das empresas locais e geração de em-

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Representantes da Costa do Marfim são recebidos pela Prefeita de Ribeirão Preto Foto: Prefeitura de Ribeirão Preto

prego no município. “Vemos esta iniciativa positivamente. Ribeirão Preto tem sido procurada por diversos países que buscam este intercâmbio. Isso mostra o potencial do município no cenário internacional”, destacou Dárcy, que colocou a Secretaria de Planejamento à disposição para a formação de uma comissão entre integrantes dos diversos setores. Os representantes das entidades participantes, assim como da Câmara Municipal se colocaram à disposição para contribuir na intermediação entre empresas e representantes do país africano. “Trabalharemos da melhor maneira possível para garantir bons resultados”, destacou Guilherme Feitosa, diretor regional da Fiesp. n

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agricultura

Produtores brasileiros para arroz nigeriano

Para transformar-se em exportador do grão, governo convida gaúchos ao cultivo em solo africano Os africanos estão interessados em melhorar suas técnicas de produção de arroz com a expertise brasileira. Enquanto nigerianos convidavam gaúchos – os maiores produtores do país – para cultivarem em solo africano sob condições atrativas, uma comitiva com representantes de 15 países do continente aprendia sobre os sistemas de produção brasileiros em Tocantins. A Nigéria quer abandonar o status de importadora de arroz para tornar-se exportadora. Para isso, precisa expandir o cultivo em termos quantitativos e qualitativos. Faltam tecnologia e conhecimento do setor.

A decisão integra o Plano de Ação para a Transformação da Agricultura, que pretende ampliar a produção para abastecimento interno para 20 milhões de toneladas e gerar 3,5 milhões de empregos. O ministro da pasta, Akinwumi Adesina, foi eleito a personalidade africana de 2013 pela Forbes. Saiba mais em “Africano do ano quer revolucionar a agricultura”. Em busca de parcerias na área de agricultura, o embaixador da Nigéria no Brasil, Adamu Emozozo, participou da Expodireto Cotrijal, uma feira internacional de exportações sediada em Não-Me-Toque, Rio Grande do Sul. Os nigerianos oferecem aos gaúchos o uso de terra por mais de 90 anos e benefícios fiscais, como cinco anos de isenção de impostos. Em troca, contam com o know-how brasileiro. Em entrevista ao jornal Zero Hora, o embaixador nigeriano destacou que a produção poderá ser vendida na zona de livre comércio, que engloba outros países africanos e que não haverá limitação de lucros. “Na Nigéria, os brasileiros estarão em casa. Oferecemos segurança comercial, prosperidade comercial e cooperação coletiva”, ressaltou ao jornal. Ainda de acordo com a publicação, um grupo de agricultores do litoral norte gauchou deve visitar a Nigéria este ano. O governo de Gana também esteve presente no evento, que este ano aconteceu entre 10 e 14 de março. “No ano passado tivemos uma missão na Expodireto Cotrijal. Foi uma primeira aproximação, de um grupo de pequenos fazendeiros que visitaram a feira. Este é o primeiro ano como participantes”, destacou Alicia Blasco, da embaixada de Gana no Brasil. A delegação, de 20 pessoas, montou um estande para atrair investimentos. Representantes de Burundi, Benim, República do Congo, Guiné, Guiné Equatorial, Maláui, Tanzânia e Zimbábue também participaram da feira. No mesmo período do mês, uma comitiva com especialistas de 15 países africanos – entre eles, de cinco países que estiveram no Rio Grande do Sul – visitaram a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para conhecer a cadeia produtiva

brasileira do arroz (foto abaixo). O encontro em Palmas, Tocantins, foi coordenado pela Africa Rice Center. “O Brasil tem uma grande produção do grão. A da África é muito pequena, agravada pelo problema da fome, que cresce com o aumento da população. Se a gente conseguir repetir pelo menos em parte o sucesso do Brasil na produção do arroz, já será um grande resultado”, declarou o consultor da Africa Rice em Benim, Jean Moreira. A falta de mecanização é outro empecilho para o avanço na produção. “Todo o processo é braçal e a produtividade é extremamente baixa, atingindo apenas uma tonelada por hectare”, lamentou o engenheiro agrônomo e pesquisador da Africa Rice na Tanzânia, Senthilkumar Kalimuthu. O Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro de arroz, atinge sete toneladas por hectare. O Tocantins consegue produzir cinco toneladas na mesma área plantada. Os africanos acompanharam toda a linha de produção de arroz e ficaram interessados em duas empresas que comercializam casca de arroz compactada e vendida a granjas para compor camas de grango ou ser queimada em caldeiras de cerâmica. A comitiva foi composta por emissários de Burundi, Benim, Burkina Faso, Camarões, Costa do Marfim, Etiópia, Gana, Mali, Mauritânia, Nigéria, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia e Uganda.

A produção brasileira

Os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina respondem por mais de 70% da produção brasileira do grão, vendido a preços bastante competitivos no mercado internacional. “Nosso custo por hectare é R$1.692, enquanto que nos Estados Unidos é R$2.153, e como lá eles usam muitos híbridos, a qualidade do nosso arroz é superior”, afirmou o analista da Embrapa Arroz e Feijão, Carlos Magri. Tocantins responde por 3,7% da produção brasileira, mas sua produção é muito importante para o abastecimento do próprio estado e dos vizinhos. “O arroz tem a peculiaridade de ser consumido localmente, por isso tem um papel central na segurança alimentar,” explicou o especialista. n

Africanos buscam na Embrapa conhecimentos sobre cadeia de produção brasileira (Foto: Jefferson Christofoletti / Embrapa )

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POLÍTICA

Ministro Joaquim Barbosa é recebido pelo Presidente Angolano

presidente, José Eduardo dos Santos, de Angola, recebeu, em Luanda, no Palácio Presidencial, uma mensagem da Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, cujo conteúdo versa sobre as relações diplomáticas entre os dois países.

Presidente José Eduardo Dos Santos recebe em Audiência Presidente do STF do Brasil, Joaquim Barbosa.

Foi portador da mensagem o Presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Joaquim Barbosa, que, no final da audiência, disse à imprensa que na missiva a estadista brasileira reafirma os laços de irmandade e de cooperação com Angola. No encontro com José Eduardo dos Santos, o Presidente do

Supremo Tribunal Federal do Brasil disse ter reafirmado a disposição do poder judicial brasileiro em estabelecer mecanismos de cooperação com a congénere de Angola. Sobre o discurso do Presidente da República na abertura, hoje, do ano judicial, cerimónia em que Joaquim Barbosa participou, como convidado, o magistrado brasileiro destacou a “árdua tarefa de todos os angolanos em estabelecer e consolidar um poder judiciário voltado à protecção dos direitos fundamentais do cidadão”. Acrescentou que se impressionou quando o Presidente José Eduardo dos Santos fez alusão às dificuldades que têm sido superadas ao longo dos anos e à falta de quadros. “Vejo isso como algo extraordinário, o papel que toda essa geração de angolanos tem vindo a exercer para erguer um país. Tudo é primoroso, é histórico e digno de nota”, considerou. Garantiu que os programas de cooperação no sector judiciário, entre Angola e o Brasil, serão restabelecidos em breve. O Presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Joaquim Barbosa, esteve de 06 a 09 de Março, em Luanda, a convite do Tribunal Constitucional n

José Eduardo dos Santos preocupado com a situação na RD Congo O Presidente da República de Angola José Eduardo dos Santos, que é também o presidente em exercício da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), declarou hoje em Luanda que está preocupado as mais recentes informações provenientes do leste da RD Congo. As declarações foram feitas no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, onde aconteceu uma mini-cimeira de chefes de Estado e de Governo da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos. “Estamos preocupados com informações que chegaram ao nosso conhecimento sobre a ocorrência de acontecimentos negativos no leste da RD Congo”, afirmou na abertura do encontro. O Presidente angolano acrescentou que “esses acontecimentos devem ser colocados sob o controlo das autoridades” de forma “urgente” para evitar pôr em causa o “processo de normalização política, económica e social em curso” na região. Para tal, o chefe de Estado propõe “neutralizar as forças negativas que subsistem à revelia das decisões que foram tomadas”, visando directamente a ADF e a FDLR, admitindo mesmo a opção “militar” quando esta “for imprescindível”. “Não podemos permitir que grupos rebeldes sem qualquer base social e violando princípios democráticos continuem

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a por em causa o Estado de Direito e a violar a integridade territorial”, justificou, apelando no entanto para a participação dos rebeldes num processo pacífico de resolução do conflito: “Deviam aproveitar a abertura política e a oportunidade de diálogo que lhes é oferecida pelo Governo”. “As guerras não servem para resolver os problemas dos nossos povos. Antes pelo contrário, as guerras só servem para piorar os problemas e geram traumas que levam muito tempo a superar”, disse José Eduardo dos Santos. Participam no encontro desta terça-feira em Luanda os presidentes da África do Sul (Jacob Zuma), da República Democrática do Congo (Joseph Kabila), do Congo (Denis Sassou Nguesso), do Ruanda (Paul Kagame), Tanzânia (Jakaya Kikwete) e Uganda (Yoweri Musseveni). São membros da CIRGL Angola, Congo, República Democrático do Congo, Zâmbia, Sudão do Sul, Ruanda, Tanzânia e Uganda. A África do Sul participa neste encontro como convidada.n

Fonte - Novo Jornal Brasil Angola Magazine I Ano 03 l Edição Nº 12 2014


POLÍTICA

Navio da Marinha de Guerra espanhola escala Porto do Lobito

O navio Infanta Elena da Marinha de Guerra espanhola realiza a sua primeira visita ao país, ao escalar o Porto do Lobito, província de Benguela, entre os dias 6 e 10 de Abril do próximo mês, no âmbito das relações de amizade entre Angola e Espanha. Segundo uma nota de imprensa da Embaixada do Reino de Espanha em Angola, chegada à Angop hoje, segunda-feira, a estadia tem como objectivo o fortalecimento das relações entre os ramos da armada de ambos países. Refere ainda, que o périplo da embarcação engloba vários países africanos, na perspectiva de maior aproximação e forta-

lecimento dos laços entre países amigos, bem como o estreitamento da cooperação em matéria de segurança marítima. O patrulheiro “Infanta Elena”, com os 101 efectivos, que compõem a sua tripulação, é o terceiro da classe “Descubierta”, cuja base está localizada no porto de Cartagena, na região de Múrcia. Desde 25 de Fevereiro último o navio encontra-se a navegar pela costa ocidental africana, tendo a sua tripulação participado em várias actividades no âmbito do Plano de Diplomacia para a Defesa e da iniciativa “África Partnership Station”, desenvolvidos pelo país ibérico. n

Secretário-geral do MPLA destaca benefícios da paz em Angola O secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, apontou domingo, em Luanda, a livre circulação de pessoas e bens, construção e reconstrução de infraestruturas de impacto social, como grandes feitos alcançados com a paz. Em breves declarações a Angop, no aeroporto internacional “ 4 de Fevereiro”, o dirigente partidário realçou a edificação de estradas, pontes, hospitais, escolas e outras infraestruturas com os factos visíveis dos 12 anos de paz. Dino Matrosse considera positivo o balanço dessa paz conquistada a 4 de Abril de 2002 e apela a fortificação deste entendimento e da democracia. Apelou a população angolana a contribuir positivamente na construção de uma pátria unida, solidária e moderna. O Dia da Paz e da Reconciliação Nacional resultou do Memorando de Entendimento do Luena, como complemento ao Protocolo de Lusaka, de que são signatários o Governo de Angola e a UNITA. n

SECRETARIO-GERAL DO MPLA, JULIÃO MATEUS PAULO “DINO MATROSSE”

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As Vencedoras serão conhecidas em Abril

Declaração Oficial realiza-se no âmbito da 56ª Reunião dos Ministros do Turismo de África a 27 de Abril em Luanda

A Declaração Oficial das 7 Maravilhas Naturais de Angola® , um grandioso evento transmitido em directo na televisão, tem data marcada para 27 de Abril de 2014, na Baía de Luanda. A data do evento coincide assim com a 56ª Reunião dos Ministros do Turismo de África – CAF OMT 2014. Este vai ser um espectáculo único, que marca um dia inteiro de homenagem às belezas naturais angolanas. O calendário do projecto foi alargado, devido à realização desta reunião em Luanda e também do roadshow pelas 18 Províncias Angolanas. Esta reunião é uma oportunidade ímpar para divulgar junto dos Ministros do Turismo africanos os enormes recursos turísticos de Angola. O roadshow também levou à alteração do calendário. Esta “viagem” começou em Novembro em Cabinda e termina em Abril no Cunene,

de forma a promover as 27 finalistas a concurso nesta eleição. Este roadshow são 18 programas de televisão, emitidos em directo durante quatro horas, na TPA1, 2 e TPA Internacional, entre Novembro de 2013 e Abril de 2014. Já foram realizados programas em 7 das 18 Províncias, nomeadamente: Cabinda, Zaire, Cuanza Norte, Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico. É uma iniciativa sem precedentes na televisão em Angola, com o intuito de promover o património natural. Esta mega operação de televisão culmina na Declaração Oficial das 7 Maravilhas mais votadas, a 27 de Abril. O projecto 7 Maravilhas Naturais de Angola® arrancou em Junho de 2013 e tem como objectivo a divulgação para a preservação. A população está a votar por SMS para escolher as 7 vencedoras de entre 27 finalistas. As vencedoras serão apuradas pelo maior número de votos e não serão eleitas mais do que duas Maravilhas por Província ou por Categoria. Para votar basta enviar um SMS com o código da Maravilha para o número 44567 (custo de 6utt’s. Códigos de votação no site oficial e na página do facebook. O processo de votação pública é auditado pela empresa internacional de auditores PwC. Angola é o primeiro país africano a eleger as suas 7 Maravilhas, numa homenagem ao património natural e riqueza ambiental do país, através de uma escolha que está nas mãos dos angolanos. A organização das 7 Maravilhas Naturais de Angola conta com o apoio do Infotur. O projecto enquadra-se na estratégia nacional do turismo, aprovado pelo Executivo Angolano, que prevê, para os próximos 10 anos, o posicionamento de Angola como destino turístico de grande referência mundial.

Conheça as Finalista Bacia do Okavango

Província: Cuando Cubango Categoria: Rios e Lagoas A Bacia do rio Okavango cobre uma superfície hidrologicamente activa com cerca de 323 192 km2, compartilhada por três países da África Austral: Angola, Namíbia e Botswana. O seu caudal principal resulta do escoamento de planícies sub-húmidas e semi-áridas da província de Cuito-Cubango, em Angola, numa área de 120 000 km², antes de concentrar o seu caudal ao longo das margens entre a Namíbia e Angola, desaguando num leque ou delta a uma altura de 980 metros. Vários rios confluem num único rio, cujas águas correm para o sul e oriente, ramificando-se novamente quando desagua no Delta do Okavango, onde termina, numa das maiores concentrações de água doce no interior do planeta. Faz parte da Bacia do Okavango o Rio Cuebe. Em toda a sua extensão tem inúmeras ilhas. Na sua nascente tem águas azuis, cuja imagem é, ao que parece, única no mundo. Nasce a norte da Província do Cuando Cubango, percorre cerca de 250 kms, passa pelo interior da cidade de Menongue, cruza-a de norte a Sul. É um rio com características, de caudal permanente, com

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diferentes espécies de peixe, lontras e jacarés em abundância.

Barra do Dande

Província: Bengo Categoria: Falésias Onde desagua o rio Dande, na comuna de Barra do Dande, na Província do Bengo. Merece destaque entre os atractivos naturais da região, pelas suas falésias deslumbrantes, que fazem as delícias dos visitantes. É uma zona também reconhecida pelo lazer e pelas suas praias bem preservadas e de beleza inegável.

Cachoeiras do Binga no Rio Keve

Província: Cuanza Sul Categoria: Quedas de Água As Cachoeiras do Binga no Rio Keve são uma paisagem idílica para quem as visita e escolhe este local para a prática balnear. Apresentam características únicas à prática do turismo ecológi-

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co e de lazer. As Quedas formam um leito caudaloso e navegável, que serpenteia as povoações das comunas dos municípios do Sumbe e Porto Amboim, espreguiçando-se na Foz do Rio Keve.

Cataratas do Ruacaná

Província: Cunene Categoria: Quedas de Água As Quedas do Ruacaná são um conjunto de cataratas e rápidos, em que o seu espectáculo impressionante faz do local um destino turístico popular. Formado pelo Rio Cunene nas imediações da povoação do Ruacaná, na fronteira de Angola com a Namíbia. A queda principal tem 120 metros de altura e cerca de 700 metros de largura, em cheia máxima. O conjunto constitui uma das maiores quedas de água de África. Devido ao uso da água do rio para a geração de energia, irrigação e abastecimento público, as quedas de água ganham um aspecto mais majestoso durante a época das chuvas.

Cavernas do Zau Evua

Província: Zaire Categoria: Grutas e Cavernas As Cavernas do Zau Evua localizam-se a 80 quilómetros da sede do município de M´Banza Congo, cidade capital da Província do Zaire, classificada como Património Cultural Nacional e candidata a Património da Humanidade. Estas Cavernas são um local de rara beleza e têm um grande potencial turístico, que deslumbra os seus visitantes

Deserto do Namibe

Província: Namibe Categoria: Áreas Protegidas O Deserto do Namibe, na sua extensão em território angolano, contempla, entre outros locais de referência, o Parque Nacional do Yona, a Reserva Especial do Namibe, a Baía dos Tigres e as lagoas de Arco e do Carvalhão. É um deserto partilhado entre a Namíbia e o sudoeste de Angola e faz parte do Namib-Naukluft National Park, a maior reserva de caça em África. É considerado como sendo o mais antigo deserto do mundo, tendo permanecido em condições áridas ou semi-áridas há pelo menos 55 milhões de anos. Abunda a Welwitschia Mirabilis, planta que pode atingir mais de mil anos de vida. A maior Welwitschia conhecida, apelidada de “A grande Welwitschia”, mede 1.4 metros de altura e mais de 4 metros de diâmetro.

Egipto Praia

Província: Benguela Categoria: Praias O Egipto Praia, onde desagua o Rio Balombo, é um local de paisagem mística que nos reporta para o Egipto. As arribas e falésias em torno da praia, que lhe conferem a sua real beleza,

fazem lembrar a paisagem egípcia. O Egipto Praia fica a norte da Província de Benguela, relativamente perto da cidade do Lobito.

Fenda da Tundavala

Província: Huíla Categoria: Falésias Janela natural do planalto da Huíla para o Deserto de Namibe, a maravilhosa Fenda da Tundavala situa-se a um pouco mais de dois mil metros de altitude, rodeada de imponentes falésias, sobre a cordilheira da Chela. Tem uma distância de aproximadamente 15 quilómetros a oeste da cidade do Lubango, capital da província da Huíla. O sítio, pela sua atractiva beleza e características propícias ao turismo, foi classificado como paisagem natural e cultural, por Decreto Executivo nº 5/12 de 9 de Agosto, do Governo de Angola. As comunidades nativas consideram-no também como sendo o lugar onde os espíritos dos seus antepassados se refugiam, fechando-se em gavetas invisíveis. Floresta do Maiombe Província: Cabinda Categoria: Áreas Protegidas Está situada na região norte da Província de Cabinda, fazendo fronteira com o Congo Brazzaville e a República Democrática do Congo, ocupando uma vasta extensão territorial de 290 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Buco Zau (comunas de Inhuca e Necuto) e Belize (comunas de Miconge e Luali). Apresenta uma densa vegetação com árvores frondosas com 50 metros de altura onde podemos destacar o Pau-Rosa, Ngulo Mazi, entre outros. A fauna está constituída de animais de grande porte como os Elefantes, Rinocerontes, Pacaças, vários primatas como os gorilas, chimpanzés, pequenos macacos e preguiças, vários tipos de roedores, aves raras como o papagaio cinzento e periquitos.

Grutas da Sassa

Província: Cuanza Sul Categoria: Grutas e Cavernas As Grutas da Sassa localizam-se aproximadamente a 3 km a leste da cidade do Sumbe, na Província do Cuanza Sul. Apresentam um coral que forma estalactites e estalagmites, com exemplares únicos no mundo. É considerado um local de interesse histórico, por terem sido furnas de refúgio dos antepassados, na fuga do pagamento de impostos.

Grutas do Nzenzo

Província: Uíge Categoria: Grutas e Cavernas As Grutas do Nzenzo são um local recentemente descoberto. A sua beleza ainda virgem e completamente preservada, foi descoberta pelo Governo Provincial do Uíge, através da Direcção Provincial da Hotelaria e Turismo.

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Tem vindo a ser desenvolvido o projecto Turi-Uíge, com a realização de acções destinadas a descobrir, fazer o levantamento e aproveitar os locais turísticos existentes, que pode impulsionar as Grutas do Nzenzo no sector turístico.

Ilha do Mussulo

Província: Luanda Categoria: Praias A Ilha do Mussulo é um local de rara beleza às portas de Luanda. Trata-se de um banco de areia, com cerca de 30 km de comprimento, formado pelos sedimentos do rio Kwanza. A restinga do Mussulo abriga a Baía do Mussulo, que alberga três ilhas no seu interior, sendo a ilha dos Padres a maior e mais conhecida. Do outro lado da restinga, voltada para o Oceano Atlântico, há uma imensa praia de areia branca, praticamente deserta.

Lagoa Carumbo

Província: Lunda Norte Categoria: Rios e Lagoas

Parque Nacional da Cameia

Província: Moxico Categoria: Áreas Protegidas Ocupa uma área de 14.450 km² e foi estabelecido como parque nacional em 1957. O Parque Nacional da Cameia é uma enorme reserva animal, onde se encontram várias espécies de peixes como o caqueia, mussata, entre outros, e animais selvagens como onças, nusses, pacaças e palancas. Está limitado a norte pelo caminho-de-ferro de Benguela, a sul com o rio Luena, a oeste com o rio Lumege e a leste com os rios Luangunge, Chifumagi, Zambeze e Lulua.

Parque Nacional da Quiçama

Também conhecida como Lagoa Nakarumbo e Karumbo. As águas do rio Luxiko correm lentamente sobre a lagoa proporcionando um visual bastante agradável a todos que se deslocam àquela localidade. Conta a lenda que numa noite de frio, uma senhora de idade avançada, de nome Carumbo, que estava de passagem na aldeia onde é hoje a lagoa, pediu acolhimento e ninguém acedeu, à excepção de um aldeão. De manhã a idosa recomendou que abandona-se o local, pois havia amaldiçoado a aldeia e ia transformá-la numa lagoa. A lagoa ganhou assim o seu nome.

Miradouro da Lua

Província: Luanda Categoria: Falésias O Miradouro da Lua faz parte do imaginário dos angolanos e é um ponto turístico de paragem obrigatória. Trata-se de um conjunto de falésias, 40 km a sul de Luanda, no município da Samba. Ao longo do tempo, a erosão provocada pelo vento e pela chuva foi criando a paisagem de tipo lunar que ali se encontra. Este foi o cenário do filme “O Miradouro da Lua”, do realizador português Jorge António, a primeira co-produção cinematográfica luso-angolana, rodada em 1993 e que obteve o prémio especial Realização no Festival de Gramado, Brasil.

Morro do Môco

Província: Huambo Categoria: Grandes Relevos O Morro do Môco é o ponto mais alto de Angola. Situa-se na província do Huambo, no município de Londuimbali e tem 2.620 m de altitude. Aqui permanecem 85 hectares de floresta de montanha, o habitat mais ameaçado de Angola.

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Aqui é o refúgio de várias espécies raras e de espécies endémicas, como o Francolim de Swierstra. Do ponto de vista do turismo de natureza sustentável, é um desafio para os praticantes de rappel e canyoning.

Província: Luanda Categoria: Áreas Protegidas O Parque Nacional da Quiçama foi estabelecido como reserva de caça em 1938 e transformado em parque nacional em 1957. Com uma extensão de 990.000 hectares, é um dos maiores parques em toda a África. O período de Guerra Civil que se viveu em Angola, dizimou parte da população animal do parque. A Operação Arca de Noé, que se encontra a decorrer no parque, propõe-se fazer o repovoamento de várias espécies, entre elas elefantes, pacaças, palancas vermelhas, assim como uma grande variedade de aves exóticas.

Parque Nacional de Kangandala

Província: Malanje Categoria: Áreas Protegidas O Parque Nacional de Kangandala é a reserva natural da Palanca Negra Gigante, espécie endémica e protegida que é símbolo de Angola. Com uma extensão territorial de 600 Km2, o Parque Nacional da Kangandala foi estabelecido como Reserva Natural Integral a 25 de Junho de 1963 e elevado a Parque Nacional a 25 de Junho de 1970. É especialmente rico em espécies de aves, como por exemplo: patos bravos, capotas, perdizes, pombos, entre outros.

Pedras Negras de Pungo Andongo

Província: Malanje Categoria: Grandes Relevos As Pedras Negras de Pungo Andongo ficam localizadas no município do Kacuso, a cerca de 116 km da cidade de Malanje e são uma

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importante atracção turística de Angola. São estranhas formações rochosas, com milhões de anos, que se elevam bem acima da savana que as rodeia e formam um cenário deslumbrante. Segundo a tradição, podem ai encontrar-se pegadas esculpidas na rocha da Rainha Ginga.

Praia da Caotinha

Província: Benguela Categoria: Praias A Praia da Caotinha é uma das mais bonitas de Benguela, Província reconhecida por uma costa rica em praias de rara beleza. Com águas muito límpidas, é uma praia pequena com cerca de 100m de comprimento à qual se acede contornando o Morro da Caota. É muito frequentada porque situa-se próximo à cidade em relação às outras, também é muito visitada pela sua beleza e pela sua natureza bem preservada.

Quedas de Kalandula

Província: Malanje Categoria: Quedas de gua As Quedas de Kalandula são postal de visita de Angola. Localizadas no rio Lucala, o mais importante afluente do rio Cuanza, são as segundas quedas mais altas de África, com extensão de 410 metros e 105 metros de altura. Ficam a cerca de 80 km da cidade de Malanje, capital da província e a 420 km de Luanda. Para além de um inigualável cenário paisagístico, são também propícias a banhos.

Quedas do Rio Chiumbe

Província: Lunda Sul Categoria: Quedas de Água As Quedas do Rio Chiumbe estão situadas próximo do município de Dala, ao lado da ponte que liga a estrada da Província da Lunda Sul ao Moxico. Ninguém fica indiferente à sua passagem, onde o rio que lhes dá o nome cria uma paisagem de rara beleza.

Reserva Florestal do Golungo - Alto

Província: Cuanza Norte Categoria: Áreas Protegidas

A Reserva florestal do Golungo - Alto tem uma área de 558km2. É uma região rica em diversidade de espécies como a pacaça, hipopótamos, antílopes, corças, lebres, galinhas do mato e perdizes. Também aqui se encontram elefantes, leões, onças, lobos, hienas, chacais e mabecos.

Rio Cuito

Província: Cuando Cubango Categoria: Rios e Lagoas O Rio Cuito, na Província de Cuando Cubango, destaca-se pela beleza natural e verdejante nas suas

margens e pelo serpentear do seu leito. Local de grande riqueza em fauna e flora, cria uma reforça a força hidrográfica desta região angolana.

Rio Kwanza

Província: Bié Categoria: Rios e Lagoas A nascente do Rio Kwanza localiza-se no planalto central de Angola, na Província do Bié, no município do Chitembo, comuna do Mumbué. É o maior rio exclusivamente angolano e tem uma importância extrema para o país, tanto que desde 1977 dá nome à unidade monetária nacional (o kwanza). Tem um curso de 960km, com uma bacia hidrográfica de 152.570km2. A sua foz é no Oceano Atlântico, a Sul de Luanda, na Barra do Kwanza. Dá o seu nome a duas províncias de Angola: Cuanza Sul, na margem sul, e Cuanza Norte na margem norte e foi berço do antigo reino do Ndongo.

Rio Zaire

Província: Zaire Categoria: Rios e Lagoas O rio Zaire, também conhecido como rio Congo, é o segundo maior rio da África (após o rio Nilo) e o sétimo do mundo, com uma extensão total de 4.700 km. É o primeiro rio de África e o segundo do mundo em volume de água, chegando a debitar um caudal de 67.000 m³/s de água no Oceano Atlântico.

Serra da Leba

Província: Namibe Categoria: Grandes Relevos

A Serra da Leba separa a Huíla do Namibe, tem um declive de mais de 1.000 metros e faz parte do roteiro turístico de dentro e fora de portas. Seduz o mais exigente turista, por ser inédita e grandiosa. Com o miradouro, a paisagem, a cascata, os tons e sons únicos, tem sido visitada por grandes personalidades que se encantam e extasiam. No passado, as vias comerciais tinham caminhos impraticáveis e o comércio era moroso, com a carga transportada às cabeças dos carregadores ou no dorso de animais. Hoje, destaca-se pela estrada ziguezagueada desenhada num aveludar da encosta. A estrada é uma obra da arte de 20km, com 19 curvas espectaculares, construída em 1915, com a ousadia e conhecimento do Eng.º Artur Torres, ligando agora o Namibe ao Lubango em 2 horas. n

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Fonte - National Wonders

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DESPORTO

Luanda recebe edição de 2014 dos Jogos da CPLP Os IX Jogos Desportivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) decorrerão em Angola entre os dias 23 de julho e 02 de agosto deste ano, decidiu em Luanda a Comissão Permanente do evento. Segundo a agência ANGOP, no encontro participaram os diretores-gerais do Desporto de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. A competição será feita nas modalidades de handebol sub-17 (feminino), atletismo sub-16 (ambos os sexos) nas especialidades de estafeta olímpica (100, 200, 400 e 800 metros), individuais (100, 200, 400 e 800 metros), salto em comprimento e lançamento de peso. Outras modalidades presentes são basquetebol sub-16 (masculino), futebol sub-16 (masculino), judô sub-17 (ambos os sexos), natação de águas livres sub-17 (ambos os sexos), tênis sub-16 (ambos os sexos), tênis de mesa sub24

17 (ambos os sexos) e voleibol de praia sub-17 (ambos os sexos). Segundo as conclusões finais da reunião, cada delegação será constituída por 132 pessoas, entre atletas e dirigentes, e a inscrição, com a indicação das modalidades e número global de participantes, sem indicar nomes, deve ser efetuada até 30 de abril, enquanto a inscrição nominal das delegações deve ser efetuada até 30 de maio. Angola volta a receber os Jogos da CPLP, que organizou em 2005, desta vez em substituição de São Tomé e Príncipe, que desistiu por falta de condições logísticas. n

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CULTURA

Livro “A bicha e a fila” é lançado em Luanda

Obra escrita pelo angolano Manuel Rui e pelo brasileiro Marco Guimarães constrói uma narrativa com dois personagens principais que dialogam sobre os diferentes sentidos que as palavras “fila”, “bicha” e “bicheiro” têm em Angola, Brasil e Portugal.

A obra “A bicha e a fila”, da autoria do escritor angolano Manuel Rui (foto acima) e do brasileiro Marco Guimarães, vai ser lançada dia 3 de abril de 2014, Centro Cultural Português de Luanda. O livro será apresentado por António Carmo Neto, secretário-geral da União dos Escritores Angolanos. No livro, Manuel Rui e Marco Guimarães dão voz a dois perso-

nagens, médicos de profissão e escritores por devoção. Através do diálogo, os autores procuram estabelecer a relação entre as palavras “fila”, “bicha” e “bicheiro”, sublinhando os diferentes sentidos que as mesmas assumem em Angola, Brasil e Portugal. O narrador brasileiro chama fila ao somatório de palavras que compõem uma frase, às filas de selos das coleções, às filas dos elevadores, às filas para tirar documentos, às filas no aeroporto, nas farmácias, nos bancos, e à fila da morte - “talvez a única fila capaz de aterrorizar”. Por seu lado, o narrador angolano fala em bichas: na junta médica, na loja dos Vinte e Oito, nas lojas do povo e nos consulados para pedir vistos. Ao longo da obra, os narradores fazem uma dissertação sobre as variedades e tipologias de bichas e filas, apontando semelhanças e diferenças entre os dois países, sem deixar de fora os contextos políticos, econômicos, sociais e culturais de cada um. Trata-se de “uma parceria literária para escrever um livro sobre filas”, conforme afirma um dos personagens. Esta iniciativa é organizada pelo Centro Cultural Português de Luanda, do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, em parceira com a União dos Escritores Angolanos. n

Cabo Verde lança Cyber Museu dedicado a sítio histórico

O primeiro Cyber Museu de Cabo Verde, dedicado à primeira cidade capital do arquipélago, a Cidade Velha, foi lançado para proporcionar aos internautas um amplo e diversificado instrumento de conhecimento deste “berço da nação cabo-verdiana”. O primeiro Cyber Museu de Cabo Verde, dedicado à primeira cidade capital do arquipélago (Cidade Velha) foi lançado, oficialmente, para proporcionar aos internautas um amplo e diversificado instrumento de conhecimento deste “berço da nação cabo-verdiana”. Trata-se de uma iniciativa do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Inovação (MESCI), através do projeto denominado “Cidade Velha Virtual” como um espaço interativo para aqueles que querem conhecer o sítio histórico, declarado Património da Humanidade, em 2009, pela UNESCO. Na altura do lançamento, que teve lugar no Convento de São Francisco na Cidade Velha, o titular do MESCI, António Correia e Silva, disse que o que se pretende é que, através do Cyber Museu, as pessoas tenham vontade de conhecer o sítio histórico. Também conhecida por Ribeira Grande de Santiago, a localidade foi descoberta pelos portugueses em 1460 e, dois anos mais tarde, foi lá criada a primeira cidade do mundo construída por europeus nos trópicos, mais precisamente por Portugal. Ela tornanou-se na primeira capital do arquipélago, título que ostentou até 1770, altura em que se deu a passagem oficial para a Praia de Santa Maria, a atual Cidade da Praia. “O museu é um espaço de criação, mas não dispensa a visita a Cidade Velha real. Pelo contrário, é um instrumento importante

para aguçar o apetite do ponto de vista do turismo cultural”, afirmou. Com a parceria do Ministério da Cultura e da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, o museu virtual vai apresentar ‘online’ algumas valências em três dimensões, as potencialidades da cidade Património Mundial, os seus monumentos e as suas histórias. “A nova tecnologia de informação está a procura de revelar o passado de forma a tornar a Cidade Velha acessível a qualquer hora do dia através dos meios modernos”, disse o ministro. Segundo ele, a ideia do Governo é que com esta plataforma virtual se possa promover a aplicação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no conhecimento do património histórico cabo-verdiano. No “Cidade Velha Virtual” vão estar disponíveis circuitos turísticos, guia de visitas pedagógico-científica, conteúdos de cariz cultura e lúdico, assim como uma componente altamente interativa que permite ao visitante colocar dúvida ou deixar sugestões. Implementado com a parceria técnica da Universidade de Aveiro (Portugal), o primeiro museu virtual de Cabo Verde vai estar disponível através do site - www.cidadevelha.gov.cv. n

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Fonte - Panapress

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saúde

Ministério da saúde propõe Política Nacional de Recursos Humanos

O Ministério da Saúde ANGOLANO, vai propor ao executivo angolano a criação de uma Política Nacional sobre recursos humanos, visando promover o desenvolvimento integral de uma força de trabalho para a saúde. saúde nas comunidades e em instituições públicas ou privadas, em todo território nacional. António da Costa disse que no horizonte de 2025, Angola será servida por uma força de trabalho no ramo da saúde maioritariamente nacional, tecnicamente diferenciada e diversificada, devidamente motivada, distribuída equitativamente no território nacional e entre os diversos níveis do sistema de saúde e, acima de tudo, orientada por valores da ética profissional. Informou que a necessidade da criação de uma PolíA informação foi prestada quarta-feira, em Luanda, tica Nacional de Recursos Humanos assenta no facto pelo director nacional de recursos humanos, António de, entre outros, se considerar a mesma como instruda Costa, quando apresentava aos participantes no mento orientador. workshop Nacional de Consenso da Política de Re- Com isto, se pretende criar as bases de intervenção e cursos Humanos da Saúde a “Proposta de Política Na- de coordenação dos diferentes subsistemas de saúde, cional de Recursos Humanos para Saúde em Angola”. das instituições multissectoriais e das parcerias bilaDe acordo com o responsável, a política nacional de terais, multilaterais e privadas, nos domínios do plarecursos humanos em Angola é aplicável a todas ins- neamento, da produção, administração, gestão e detituições e técnicos da saúde, prestando serviços de senvolvimento dos recursos humanos para saúde em Angola. n Fonte - Angop

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saúde

Feira da saúde no Kialamba atende mais de mil pacientes

Mais de 1.500 pessoas foram atendidas durante a realização da feira de promoção a saúde nas comunidades, realizada na cidade do Kilamba município de Belas, pela Direção Provincial de Saúde de Luanda, informou hoje, domingo, à ANGOP a coordenadora do projeto, Regina António.

De acordo com a responsável, que fazia o balanço da atividade, organizada no âmbito do projeto assistencial às comunidades, as áreas mais concorridas foram as de consultas de medicina com 220 atendimentos, seguida da pediatria com 185 pacientes, com maior atenção para a puericultura e otorrino. Informou ainda que, ligada à assistência infantil foram realizadas 336 atualizações dos calendá-

rios de vacinação e a distribuição de 168 escovas e pastas de dentes, no âmbito do programa de saúde bucal. Regina António disse que se realizaram também despistes da hipertensão, ginecologia, planejamento familiar, testes para malária, distribuição de preservativos, contraceptivos, Bactivec e mini-doses Biorat. Palestras sobre Nutrição, Malária, ITS/VIH/ SIDA, Doenças Diarreicas Agudas, Hipertensão, Planejamento Familiar, foram alguns programas de prevenção que preencheram a dia na cidade do Kilamba. A atividade, que juntou médicos e enfermeiros de várias especialidades, foi realizada em 19 tendas e três clínicas móveis. O objetivo é a redução da mortalidade materna e infantil, com o modelo de gestão que visa melhorar a qualidade de vida da população.

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CONSUMO

A ascensão 
do consumidor africano

África é a nova aposta das estratégias de internacionalização de gigantes do vestuário como a espanhola Zara ou a norte-americana Gap.
Do Cabo ao Cairo há cada vez mais retalhistas a apostar no continente, onde o consumo deverá aumentar mais de 400 mil milhões de dólares até 2020 e dará acesso a milhões de novos consumidores, na sua maioria jovens, com formação e um aumento progressivo do seu poder de compra. tem menos de
20 anos) e cada vez mais atentos, informados OPTIMISMO: 
84% acreditam 
que a economia 
vai e mais educados. Talvez por isso valorizem muito a reputação melhorar nos próximos dois anos A consultora Boston Consulting Group (BCG) vaticina que África será um destino-chave para o mundo dos negócios. “Os mercados africanos podem valer mais de 1 bilião de dólares em 2020.”
Mas quem são e como se comportam os consumidores africanos? A resposta é dada pelo estudo da consultora McKinsey, A Ascensão do Consumidor Africano, que teve por base entrevistas a 13 mil pessoas em dez países africanos. Segundo o documento, o perfil da nova classe de consumidores que está a emergir em África consiste em pessoas com um poder de compra em ascensão e um desejo por produtos e serviços antes considerados inatingíveis.
A McKinsey refere ainda que os novos consumidores africanos são exigentes na relação preço versus qualidade dos produtos, fiéis às marcas, empreendedores e adeptos da poupança, atentos às últimas tendências internacionais e presentes no mundo on-line.

As previsões dos analistas...

O estudo da McKinsey salienta que os africanos são “excepcionalmente optimistas em relação ao seu futuro”, com 84% dos inquiridos a acreditarem que a sua situação económica será melhor dentro de dois anos. Relevante é também o peso que a internet detém nos hábitos dos consumidores africanos: de acordo com o inquérito, 50% dos entrevistados residentes em áreas urbanas referem que utilizam a Web para adquirir produtos. Muitos adiantam também que grande parte das suas decisões de consumo passa pela informação que recolhem na internet e junto de amigos e familiares. Num continente constituído por 54 países, os especialistas da McKinsey considerarem que as maiores oportunidades de negócio para as grandes cadeias de consumo estão em dez mercados: Argélia, Angola, Egipto, Gana, Quénia, Marrocos, Nigéria, África do Sul, Sudão e Tunísia, que representava cerca de 80% do consumo total em África. Apesar dos flagelos da pobreza e do desemprego ainda atingirem severamente o continente, o consumo privado africano é maior do que o da Índia ou da Rússia, tendo crescido 568 mil milhões de dólares entre 2000 e 2010
e com expectativas de aumentar mais 410 mil milhões entre 2012 e 2020. Nessa altura, alimentos, vestuário e outros bens de consumo representarão 45% desse valor, referem os analistas da McKinsey. Para as grandes marcas que colocaram África no radar da sua expansão internacional também não terá passado despercebido o potencial crescimento da população nos próximos anos, o chamado “bónus demográfico”: dos actuais 1,1 mil milhões de habitantes, espera-se que a população duplique para 2,4 mil milhões até 2050, graças, entre outras causas, à melhoria dos cuidados de saúde, de acordo com o Population Reference Bureau dos Estados Unidos. As Nações Unidas confirmam que, em 2030, África representará 40% da população mundial. Além de serem muitos, os africanos são jovens (mais de metade

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das marcas, com 58% dos africanos subsarianos a revelarem-se fiéis às marcas preferidas, com especial enfoque nas gigantes internacionais. Mas não é só nos estudos da BCG e da McKinsey que o surgimento de um novo consumidor africano é sublinhado. Recentemente, o Fórum África, realizado no Gabão, dedicou um painel especial ao tema “A oportunidade — O novo consumidor africano”, justificado por alguns números surpreendentes: em 2014, existirão 106 milhões de famílias com um rendimento igual ou superior a 5 mil dólares e, em 2030, as 18 maiores cidades africanas terão um poder de consumo combinado de 1,3 bilhões de dólares. África já tem mais agregados familiares da classe média (rendimentos acima de 20 mil dólares por ano) do que a Índia. Segundo o grupo de debate moderado por Acha Leke, director da McKinsey, na Nigéria, “os gigantes económicos mundiais estão à procura de mercados mais dinâmicos, como o da África Subsariana, onde emerge um novo consumidor africano de elevado potencial”.

...E os conselhos e casos de estudo

As empresas que já seguem as “boas práticas” de fazer negócios em África multiplicam-se. É o caso da gigante mundial Coca-Cola que optou por um sistema de garrafas de vidro com depósito (devolvidas após o consumo da bebida) para conseguir manter os preços mais baixos.
Para adequar os produtos ao gosto dos consumidores africanos, a cervejeira SABMiller já produz cervejas de mandioca; a Tiger Brands alterou as receitas do pão de forma embalado e a LG retirou o sistema no frost dos frigoríficos nos países africanos, onde a presença de gelo é sinónimo de bom funcionamento do aparelho. Também a Sansung criou a linha de produtos Built for Africa, mais resistentes ao calor e à poeira e que previnem cortes de corrente eléctrica. Outro case study interessante é a introdução das fraldas descartáveis para bebés, feita pela Procter & Gamble (P&G) na Nigéria — através de embalagens mais pequenas, com apenas dez unidades — ou uma embalagem mais pequena de detergente Ariel, cuja fórmula foi alterada para se dissolver melhor com pouca água, tendo em conta a escassez desse recurso em zonas remotas de África. Nas operadoras móveis, as sul-africanas MTN e Vodacom optaram por cartões pré-pagos (estratégia similar à das angolanas Unitel e Movicel), que permitem aos consumidores comprar minutos de chamadas à sua medida. As novidades são a referida entrada da Gap, já tem quatro lojas na África do Sul e uma no Egipto, a par da Zara presente em Marrocos, Tunísia, Egipto e África do Sul. Ambas procuram tirar partido de uma das conclusões do estudo da McKinsey: “O consumidor africano está disposto a pagar mais pelas marcas internacionais da moda”. n Por: Bárbara Silva e Luís Leitão

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ARTIGO

ANGOLA: Os Brasileiros Descobrem um País Promissor por João Alves das Neves II

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Cerca de 40 mil brasileiros já teriam desembarcado em Angola, nos últimos anos, ao mesmo tempo que alguns angolanos (e em particular as mulheres) vêm cada cada vez em maior número “fazer compras” no Brasil, desde roupas aos pequenos utensílios domésticos – primeiro, voavam de Luanda a Fortaleza, na região nordeste, e agora começaram a descer até São Paulo, no sul. E dizem que, apesar do alto custo da viagem, vale a pena, porque são muito mais caros os produtos de outros países, incluindo os adquiridos em Portugal (os exportadores que se cuidem, pois os ventos mudaram). O que está ocorrendo não seria novidade no fim do século XVIII e no começo do XIX, isto é, reata-se uma tradição secular. Quem sabe História, recordará que os oportunistas holandeses, em virtude da guerra com os espanhóis, tentaram asfixiar a economia portuguesa (ou luso-brasileira?) por meio da ocupação do Brasil), pois chegaram a dominar uma boa parte do Nordeste e foram até Angola, instalando-se em diversos pontos do território. Portugal conseguiu libertar-se das grilhetas filipinas, mas os flamengos venderam por bom preço as zonas conquistadas temporariamente pelos militares dos comerciantes vitoriosos. Em relação a Angola, foram os portugueses do Brasil e os seus descendentes “brasilianos” os principais financiadores da reconquista genuinamente luso-brasileira, ainda que com o denodado apoio da Metrópole, esgotada pelos roubos napoleônicos e, depois, com os gastos da guerra contra “nuestros hermanos (vizinhos, sim, mas não irmãos). A penúria lusitana de homens e dinheiro foi tão grande que o Padre Vieira, na dupla condição de diplomata e negociador, chegou a admitir a hipótese de Portugal ter de recomprar aos holandeses as terras que eles tinham descaradamente roubado a Portugal! Felizmente, o despudor dos flamengos não conseguiu descaracterizar o Nordeste do Brasil, em virtude de eles haverem sido vencidos para sempre na batalha dos Guararapes (no Recife), ao mesmo tempo que as posições assumidas em território angolano foram destroçadas. Evidentemente, há contemporâneos que não sabem nem querem saber que a unidade do Brasil e de Angola só tem uma explicação – a coragem que os lusos demonstraram na luta contra os inimigos de ontem no antigo Ultramar e até em Portugal. E dizê-lo não significa que os portugueses fossem colonialistas dos tipos inglês, francês, espanhol, holandês, alemão ou italiano. Não obstante, quando ocorreu a independência do Brasil, em 1822, houve quem, em Angola, defendesse a separação de Portugal e a união em nome de uma brasilidade atlântica, nessa altura tão débil quanto irrealista. O episódio histórico é mal conhecido, mas está documentado no livro Angola e Brasil – 18081830, da autoria de Manuel dos Anjos da Silva Ribeiro (ed. Agência Geral do Ultramar, Lisboa. 1970).

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Mais de 50 empresas brasileiras (grandes, médias e pequenas) estão já instaladas em Luanda e outros lugares, conforme artigo de O Estado de S. Paulo, assinado por Edison Veiga, com base em informações da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola. Os empreendimentos são de vulto – o Grupo Odebrecht, por exemplo, dispõe de 10 mil empregados (2.500 são brasileiros) e fez várias centrais hidroelétricas, constrói imóveis e participa das obras de saneamento de Luanda e participa do único central de compras do país (tem 89 lojas), ao passo que a Construtora Andrade Gutierrez amplia os projectos. Por seu turno, cresce a influência da TV Globo Internacional, que fornece novelas para a Televisão oficial e, além disso, tem 150 mil assinantes. E a Universidade Agostinho Neto contratou diversos professores brasileiros, dá facilidades aos 2 mil estudantes que freqüentam escolas superiores do Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Rio Grande do Sul. Paralelamente, a Universidade Agostinho Neto desenvolve-se a partir dos seus 50 mil alunos, que freqüentam 68 cursos de licenciatura, 18 de bacharelato e 15 de mestrado. E anuncia-se que funcionam igualmente 14 universidades particulares em todo o território. Para lá das saudades que têm da Pátria, os brasileiros que optaram por Angola, definitivamente ou com planos de regresso, vivem muitíssimo bem. Considerando que são milhares os que auferem o triplo dos salários que ganhariam no país natal. E são bastantes aqueles que têm viagens pagas para revisitar de dois em dois meses as famílias que deixaram no país natal. Como não há bela sem senão, os neo-emigrantes queixam-se da carestia angolana – e só os produtos importados são bons, porque a jovem nação ainda não pôde reformular a sua agropecuária, que foi outrora muito razoável. Os alimentos mais apreciados custam 4 vezes mais do que no Brasil: uma lata de coca-cola custa US$2,70 e uma refeição aceitável fica em torno de USA$50,00 – a moeda nacional é o “kuwanza”, mas para adquirir 1 dólar são precisos 75 “kwanzas”! E isto explica que um apartamento de 2 dormitórios não seja acessível por menos de US$ 5 mil… mensais! (Os executivos mais bem pagos chegam a dispender US$ 5 mil!). Os brasileiros são como os portugueses e, por isso, irritam-se com o trânsito mais do que lento (em Luanda, nas horas de pico, há quem demore 3 horas para percorrer uma distância de 15 km…). Apesar dos pesares, Angola ainda vale a pena, em especial para os que têm paciência, porque oferece ao visitante praias bonitas, paisagens belíssimas – e, acima de tudo, ao que diz O Estado de S. Paulo, “o angolano é boa gente”, simpático, bem educado e gosta dos brasileiros (e também dos portugueses, porque a colonização foi muito pior noutras terras africanas). Todavia, o que confrange é a pobreza vivida pela maioria dos 4,5 milhões de residentes na cidade de São Paulo de Assunção de Luanda, fundada pelos colonizadores, em contraponto a São Paulo de Piratininga. Resta aos bons luandenses a esperança de um futuro melhor, já que o presente é difícil. Os brasileiros adaptam-se à vida angolana, mal grado a falta de uma felicidade completa, que não existe fora do sonho. E quem desembarca em Luanda para trabalhar não deve esquecer a sua condição de emigrante. Aliás, brasileiro que vai para Angola é um privilegiado, porque um alto salário contribui decisivamente para reduzir a saudade. (*) João Alves das Neves é escritor (e-mail: jneves@fesesp.org.br)

Brasil Angola Magazine I Ano 03 l Edição Nº 12 2014


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