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EDITORIAL por Rita Viegas
E dois meses depois, cá estamos nós com uma nova edição do Anti-Matéria, a décima sexta. No passado mês de Novembro, mais concretamente nos dias 28 e 29 ocorreram as eleições para a Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra. “O direito de voto é um direito pessoal e constitui um dever cívico assente numa responsabilidade de cidadania”, e como tal independentemente das nossas crenças políticas devemos exercê-lo de forma a expressar a nossa vontade. Falo-vos das eleições para a DG/ AAC como poderia falar das eleições para o Senado ou para o Conselho Geral que ocorreram no passo dia 6 de Dezembro. Todos nós, estudantes, temos o dever cívico de ajudar a eleger os nossos representantes nas entidades superiores, e envolvermonos nas decisões tomadas para e a pensar em nós, seja de uma forma mais activa ou passivamente apenas pelo acto do voto. A liberdade de expressão e de podermos eleger os nossos representantes e superiores é muitas vezes levada como uma segurança, no entanto devemos considera-la como um privilégio que muitos outros noutros países e culturas não têm. Mas este é também um mês de alegria e nostalgia, Dezembro sempre foi associado a um mês de união e mudança. Como tal eu, e a nossa equipa, esperemos que tenham um bom natal rodeado dos que mais amam. Não gostaria de finalizar o editorial sem agradecer a todos os que contribuíram e continuam a contribuir nas diversas campanhas de solidariedade do DF, que vão ajudar muitas famílias e crianças a ter um melhor natal.
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Manuel em Munique 04 OManuel Conde
by random eyes 20 Coimbra Ricardo Margarido
06
22 Mauro Pinto
Se não fosse Cientista, seria...
Este álbum é brutal!
Rui Vilão
07 Mauro Pinto
23 Mariana Rajado
é trabalhar 08 Como Catarina Oliveira
ler este livro! 24 Devias Rafael Silva
de Electrónica e 10 Grupo Instrumentação
esta série! 24 Adoro Afonso Marques
no Mundo 12 Ciência Inês Félix
Semana Solidária 25 Mega Mariana Lapo Pais
em Portugal 13 Ciência Inês Félix
26 Aconteceu no núcleo...
14 David Silva
30 Equipa do projeto des.LIGA da LPCC.NRC
Fun Facts!
Este filme é mesmo bom!
Sara Barros
Escotismo
des.LIGA
17 Websummit Márcia Rocha Terra 18 AJoanaminha Covelo
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ERASMUS
O MANUEL EM MUNIQUE por Manuel Conde
Por que escolheste ir para Munique?
Como já sabia falar alemão, ir para Munique acabou por ser uma escolha muito natural, visto que era a universidade mais prestigiada das disponíveis. Para além do mais, tanto o desejo de querer viver numa cidade maior e cosmopolita, como o facto de ter familiares a viver lá, também pesaram na escolha, visto que fui “sozinho” para Erasmus.
Sentiste, em termos de conteúdos disciplinares, mais ou menos dificuldades, em relação ao que estavas habituado?
Apesar de ter achado que o nível de exigência era mais elevado, o cliché da organização germânica verifica-se também a nível académico (sebentas, fichas, correções de fichas, exames anteriores, etc), o que facilita muito o meu trabalho enquanto estudante. Gostei também de me Como é o ambiente académico? poder inscrever em cadeiras de assuntos muito dísparos, Obviamente que Munique não é uma cidade que não tinham necessariamente a ver com engenharia académica no real sentido da palavra, a vida física. universitária é uma pequena parte do que se passa lá. Claro que todos os meus amigos eram estudantes, mas muito do que fazíamos vinha do que Munique tinha para oferecer enquanto cidade cosmopolita e não enquanto cidade universitária.
Como encontraste alojamento?
Tive a sorte de arranjar uma residência universitária quando me inscrevi na Universidade ainda enquanto estava em Portugal. Nem toda a gente teve a mesma sorte que eu, visto que os preços das rendas em Munique são muito elevados (~900€) e nem sempre é facil arranjar casa. Apesar de ter pedido alojamento pela Universidade, também se pode pedir via: http://www. studentenwerk-muenchen.de/en/accommodation/
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PREÇOS
DIFICULDADE ACADÉMICA
TRANSPORTES
CLIMA
CULTURA
VIDA NOTURNA
Como são os preços em geral?
minha causa, por isso, de maneira muito natural, comecei a treinar o meu alemão, adaptando a minha audição ao sotaque vincado da Baviera.
Tirando as rendas, as coisas básicas eram relativamente baratas. As refeições nas cantinas eram mais caras do que em Portugal, mas achei ainda assim um preço muito acessível(~4€), especialmente comparando com outros países da zona. Claro que certas coisas como: sair à noite; jantar fora ou comer carnes mais “nobres”, são significativamente mais caras do que em Portugal. A rede de transportes públicos é excelente e cobre toda a cidade e subúrbios. Também têm preços especiais para os passes estudantis. Para viagens dentro da Alemanha aconselho andar de comboio visto que têm preços para grupos. Que conselhos darias aos futuros estudantes
em Munique?
Como foi com a língua? Frequentaste algum Erasmus é um ano única na vida de um estudante e curso? sendo eu de Coimbra foi um ano importante para o meu Acabei por não frequentar nenhum curso de alemão, pois já tinha o B1. Como toda a gente fala inglês, nos primeiros tempos estava reticente e medroso de experimentar falar alemão, pois o meu inglês é significativamente melhor que o meu alemão. No entanto, quando estava com alemães não lhes ia pedir que falassem em inglês por
crescimento. É um ano preenchido de experiências de todos os tipos e é preciso aproveitar, pois quando se dá por ela, já está a acabar. O melhor conselho que posso dar é que não limitem o vosso círculo de amigos. Muita gente vai para Erasmus e acaba por só se dar só com pessoas do seu país de origem, o que é muito redutor para uma experiência destas.
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Se não fosse Cientista, por Rui Vilão
… músico. Em boa verdade, a ciência e a música têm muito em comum. Ambas nascem do deslumbramento com a beleza e o encantamento da Natureza, ou dos sons que a habitam. Mas quer a ciência quer a música vão muito mais além do mero deleite contemplativo (que já não seria pouco!) e aplicam-lhe a extraordinária capacidade criadora e transformadora da inteligência humana. Os transístores e as fugas de Bach são assim duas faces da mesma moeda. O resultado, em ambos os casos, embora tenha muitos aspectos associados à cultura em que nasceu, ainda assim conserva o carácter universal da Natureza e das suas sonoridades, o que faz da ciência e da música linguagens universais por excelência.
seria...
-de-alpaca que julgam que a criatividade científica/ artística é como uma qualquer máquina do BIF que devolve chocolates em troco de uma moedinha e de um empurrão. Estes seres entoam e exigem arrevesadas ladainhas em honra de deuses de pau (a “excelência”, a “qualidade”, a “relevância social”). Mas, não conhecendo desses deuses senão alguns falsos sacerdotes, acabam frequentemente por degolar Isaac em vez do cordeiro.
É por isso que, pensando melhor, a melhor opção não seria ser cientista nem músico, mas sim professor de ciência ou de música. É que os professores têm a enorme vantagem de contactar com aqueles que mantêm a capacidade de se deslumbrar com a Natureza e com os seus sons e de lhes poderem transmitir a melhor ciência Não espanta assim que haja uma ligação umbilical e a melhor música. E que a força esteja convosco! entre a música e a ciência. Entre as descobertas mais significativas da Antiguidade conta-se a experiência de Pitágoras demonstrando que as concordâncias musicais correspondiam a cordas com comprimentos relacionados por razões de números inteiros. Esta foi uma descoberta revolucionária que associou a matemática à música. Foi além disso uma descoberta experimental, algo a que não foi atribuído na altura (e nos séculos que lhe seguiram) a devida importância. O método experimental moderno, como sabemos, foi desenvolvido apenas no início do séc. XVII. Também aí a música desempenhou um papel fundamental. De facto, é conhecida a influência que o célebre compositor, alaudista e teórico musical Vincenzo Galilei teve no seu filho Galileu: Vincenzo, com a ajuda do jovem Galileu, foi um dos pioneiros no estudo sistemático da acústica e na descoberta experimental das leis das cordas vibrantes. A sua ênfase na experimentação decerto influenciou Galileu na exploração sistemática deste método de inquirição da Natureza em que o pensamento racional, matematicamente estruturado, anda a par com a experimentação, sendo sempre desta a última palavra. É claro que tanto os cientistas como os músicos têm de lidar com o “dark side of the force”… Ambos têm de contactar frequentemente com estranhos mangas-
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Fun Facts! por Mauro Pinto
Sabias que …
Nos anos 40 existia uma secção da Associação Académica de Coimbra denominada Centro Experimental de Rádio, que formava técnicos e locutores de rádio, iniciando uma actividade de rádio com emissões regulares. Como era o início, a difusão era feita apenas em circuito interno, destinando-se às cantinas universitária e podendo ser ouvida na cidade. Esta secção foi a raíz para o tronco da RUC se germinar, nascendo assim a Rádio Universidade de Coimbra a 1 Março de 1984.
Sabias que …
Os UHF são considerados os fundadores do famoso boom do rock português? A banda de Almada é considerado o grupo de Rock mais antigo em actividade, tendo nascido em 1978. O primeiro álbum, “À Flor da Pele” aparece em 1981, contendo a famosa faixa Rua do Carmo. Cavalos de Corrida, o primeiro single, aparecia um ano antes. Continuando ainda no rock português, sabias que o Tim não foi o primeiro vocalista dos Xutos? Ficava-se apenas pelo baixo, ocupando Zé Leonel os vocais, que acabaria por sair em 1981. Este foi o autor do primeiro single da banda: “Sémen”, inspirado no nascimento da filha.
Sabias que …
O nome “Big Brother” dos reality-shows televisivos foi inspirado num clássico da literatura: 1984 de George Orwell. Na sociedade descrita no livro, existe uma grande falta de liberdade de expressão, existindo uma constante vigilância através do uso de câmaras (denominadas teletelas na obra). A propaganda do estado dessa sociedade alusiva a esta falta de liberdade é marcada por cartazes e folhetos de cariz ameaçador, em que a frase propaganda consiste em “Big Brother is watching you”. Curiosamente, este autor tem também uma obra denominada Animal Farm, tratando-se também duma outra famosa distopia. E quem se inspirou nesta obra? Foi a banda Pink Floyd, compondo o álbum Pigs.
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COMO É por Catarina Oliveira Ok. Aqui vem informação chocante. Completamente terrífica e popularmente contraditória. Trabalhar, na minha opinião, é muito melhor do que estudar. Em, praticamente, todos os aspetos. De vez em quando, ainda alguém me pergunta: “Então, não tens saudades de ser estudante?”: não. Tenho saudades dos meus amigos. Tenho saudades de Coimbra. Muitas. Mas de ser estudante? Não. Quando trabalhamos, todos os fins-de-semana são verdadeiramente fins-de-semana. Todos os feriados são feriados. Todo o tempo livre é tempo livre. Para além disso, temos dinheiro. Nosso. Que ganhamos porque estivemos a trabalhar. E isto é, efetivamente, das sensações mais incríveis e estranhamente deliciosas de todo o sempre. Para os que me conheciam, o meu desejo de trabalhar na área era mínimo. Invulgarmente, sempre achei que gostaria de trabalhar em consultoria dado que, por norma, sempre ia ouvindo dizer que, neste mundo,
é tudo incrivelmente dinâmico - vai-se passando por projetos diferentes, por pessoas diferentes – e este dinamismo sempre me entusiasmou. Dado que queria, necessariamente, começar a trabalhar imediatamente depois de terminar o curso – uma vez que imaginar um período de latência à procura de emprego, já depois de ter terminado, me afligia imenso – iniciei a minha busca profissional ainda alguns meses antes da data prevista para o término da minha tese. Hoje em dia, questionome se esta pressa foi, de facto, a atitude certa. Depois de se terminar o curso, tem-se, provavelmente, a última hipótese de toda a vida para não se fazer, efetivamente, nada e tirar o tempo de férias que se pretenda, literalmente até enjoar. No entanto, olhando para trás, sei que não faria as coisas de maneira diferente. Entrei, a 12 de setembro de 2016, para a academia da Novabase, onde conheci pessoas absolutamente espetaculares e que considero, mais do que colegas, verdadeiramente amigos. Desde então, em termos profissionais, não poderia estar mais satisfeita, dado que isto é tudo – ou mais – do que o que poderia esperar. Nestes três meses de contexto profissional, aprendi uma infinidade de coisas e a paciência que todos demonstram para ensinar e distribuir conhecimento é maravilhosamente estupenda. Sei que, muito dificilmente, poderia estar mais concretizada em qualquer outro sítio. anos sendo por isso uma análise débil.
Engenharia Física
O curso de Engenharia Física teve início no ano de 1984, sendo o seu principal objectivo fornecer, para além de uma sólida preparação científica e técnica, uma extensa prática laboratorial, o contacto com a investigação e a indústria e a realização de trabalhos de projecto. Por ano existem cerca de 28 vagas, sendo que este ano lectivo chegaram a este curso 20 alunos. Comparando com a Engenharia Biomédica é 8 um curso que apresenta
TRABALHAR
que isto é tudo – ou mais – do que o que poderia esperar. Nestes três meses de contexto profissional, aprendi uma infinidade de coisas e a paciência que todos demonstram para ensinar e distribuir conhecimento é maravilhosamente estupenda. Sei que, muito dificilmente, poderia estar mais concretizada em qualquer outro sítio.
De resto, se acham que a vossa vida boémia, saídas com amigos e façanhas aleatórias vão acabar por causa de começarem a trabalhar, não se enganem. A loucura, efetivamente, continua! Coimbra fica, inevitavelmente, nos corações de todos os que por lá passam. Aliás, é um facto que, no último ano, senti verdadeiramente a tristeza nostálgica de saber que ia embora e que a minha época de estudante ia ficar para trás. Aos que estão a passar pelo mesmo, não se angustiem. Aceitem a mudança e esforcem-se para fazer parte dela. Terminar a faculdade não é o fim da melhor fase das nossas vidas. É só a catapulta para uma nova aventura!
Percebi, ainda, que todo o conhecimento que aprendi na faculdade, mesmo as coisas que aparentemente achava inúteis, são extremamente preciosas. Em contextos reais, o que me parece realmente importante é a capacidade de destreza, a rapidez de raciocínio e a celeridade de desenrasque e, para isso, o Departamento de Física não falha no treino, ahah! Referência da segunda fotografia:
https://www.facebook.com/971644506200677/photos/pb.971644506200677.-2207520000.1481476201./1294008327297625/?type=3&th eater
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por Sara Barros O Grupo de Eletrónica e Instrumentação surgiu no início dos anos 70. O Departamento de Física recebia na altura vários Doutorados vindos do estrangeiro que ao chegar a Portugal quiseram dar continuidade aos projetos que desenvolviam até à data. Surgiram assim quatro linhas de investigação em diferentes áreas. A terceira linha, desenvolvida pelo Dr. Carlos Nabais Conde criou um grupo de investigação orientado para a instrumentação e eletrónica com origem no piso D. Hoje, localiza-se entre os pisos A e B do Departamento de Física, também conhecido como o piso fantasma AB e é coordenado pelo Dr. Carlos Correia. O grupo mudou-se para a sua localização atual no ano 2000, pois o espaço era anteriormente ocupado por grupos de Engenharia Civil, que com a construção do polo II e reorganização da FCTUC foram colocados no Departamento de Engenharia Civil.
O GEI faz parte do centro LIBPHYS (Laboratory for Instrumentation, Biomedical Engineering and Radiation Physics) que resulta de uma parceria entre a Universidade de Coimbra e a Universidade Nova de Lisboa e desenvolve projetos nas áreas atómica, molecular, física nuclear, eletrónica, instrumentação eletrónica e automação. A Universidade de Coimbra, para além do GEI, tem também associado ao LIBPHYS outros dois grupos de investigação, o GIAN (Grupo de Instrumentação Atómica Nuclear), coordenado atualmente pelo Dr. Joaquim Santos e o grupo GAI, coordenado pelo Dr. Francisco Cardoso. Ao longo dos anos o GEI recebe vários alunos para estágios, Mestrados e Doutoramentos. Está dividido em três áreas organizacionais: Biomédica, Fusão Nuclear e Controlo de Experiencias Físicas.
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O grupo de Controlo de Experiencias Físicas é atualmente orientado pelo Dr. João Cardoso. Têm como objetivo detetar matéria escura. O grupo trabalha em parceria com dezassete institutos a nível mundial, o que se traduz numa cooperação de 130 investigadores no projeto Xenon-1T. Este projeto tem a base central em Itália, no Laboratório de Gran Sasso que se situa numa zona montanhosa no interior de umas grutas que formam um escudo e bloqueiam os raios cósmicos resultantes das experiencias. O contributo do grupo de Controlo de Experiencias Físicas está associado às componentes de instrumentação e eletrónica do projeto onde desenvolvem o sistema de controlo e recolha de dados. O grupo de Fusão Nuclear apareceu em 1992 e está ligado ao Programa Europeu de Fusão Nuclear e ao Instituto de Plasma e Fusão Nuclear. Contribuem na pesquisa que decorre a nível europeu para a construção e otimização de uma central de fusão nuclear comercialmente viável para a produção de energia. O grupo de Biomédica é o mais recente, surgiu em 2007 com o aparecimento dos primeiros graduados do curso de Engenharia Biomédica no departamento. Ao longo dos anos já recebeu setenta e cinco alunos de Mestrado e cinco Doutoramentos nesta área.
A primeira abordagem do grupo na área médica incidia em estudos do sistema cardiovascular, com desenvolvimento de sensores e medições de parâmetros vasculares. Ao longo dos anos as áreas de pesquisa têm sido expandidas para estudos de bioimpedância e instrumentação do sistema ocular.
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CIÊNCIA NO MUNDO por Inês Félix
No dia 28 de Novembro, a União Internacional da Química Pura e Aplicada (IUPAC) anunciou que quatro novos elementos foram adicionados à tabela periódica. Os cientistas do Japão, que descobriram o elemento número 113, na primeira contribuição asiática para a tabela periódica de elementos químicos, escolheram o nome ‘nihonium’, que vem do nome do país na língua local, e o símbolo ‘Nh’. Os cientistas russos propuseram
www.sciencenews.org
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‘moscovium’ (‘Mc’) (em homenagem à capital russa), para o elemento número 115, á os norteamericanos ‘tennessine’ (‘Ts’) (referenciando o estado norte-americano), para o elemento número 117 e ‘oganesson’ (‘Og’) para o elemento número 118, honra o físico russo Yuri Oganessian. Os novos elementos, sintéticos, são produzidos através de experiências de laboratório, ao contrário daqueles que são encontrados na natureza como o hidrogénio, o carbono ou o magnésio.
CIÊNCIA EM PORTUGAL por Inês Félix
A Unidade de Transplantes Hepáticos do Hospital Universitário de Coimbra realizou um autotransplante de fígado, uma cirurgia inovadora e rara no Mundo que, essencialmente, leva a que o órgão seja operado fora do corpo do doente.
A Unidade de Transplantação Hepática tem vindo a aumentar a sua atividade, que se deve, em parte, ao recurso à divisão de um só fígado por dois recetores, técnica que já executou quatro vezes este ano. O presidente do conselho de administração, Martins Nunes, destaca que “o que A cirurgia realizada no CHUC ocorreu há cerca de um se faz hoje no CHUC na transplantação hepática, mês e o doente “já teve alta e encontra-se muito bem”, no adulto e em crianças, está ao nível do que de revela o cirurgião Emanuel Furtado. O procedimento melhor se faz nos melhores hospitais do mundo”. foi motivado por um tumor e “o fígado foi operado fora do corpo e posteriormente colocado novamente no “A intervenção de autotransplante de fígado agora doente”, explica à agência Lusa Emanuel Furtado, o anunciada ou a realização de ‘splits‘ são técnicas de coordenador da unidade do CHUC. O cirurgião salienta execução muito complexas, só praticadas nos melhores que apenas “meia dúzia de centros no mundo” realizam centros mundiais, pelo que exigem alta diferenciação e este tipo de operação. “Esta intervenção, bem como elevado treino das equipas que os realizam”, sublinha. a divisão de um só fígado por dois recetores (‘splits’), é o corolário da elevada competência técnica que a equipa foi adquirindo”, frisa Emanuel Furtado, realçando que pretende continuar a aumentar essa capacidade técnica, nomeadamente para formar outros cirurgiões que venham a operar autonomamente, numa perspetiva que não se limita apenas aos transplantes. Muito recentemente, a unidade esteve quase a realizar um transplante triplo de um só fígado, cuja cirurgia é também “muito rara” e que “só não aconteceu porque houve problemas técnicos“, diz o cirurgião. “É um procedimento muito raro, para o qual é preciso um conjunto de condições, mas que está nos nossos objetivos”, diz, realçando que o número de transplantes de fígado aumentou este ano nesta unidade.
www.publico.pt
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ESCOT
por Davi
Fotografia I – Atividade “Cavalo de Ferro II”, na qual percorri o caminho férreo desactivado, “Linha do Vouga”.
“Uma vez escoteiro, para sempre saudade...” Olá! O meu nome é David e sou um Caminheiro do Grupo 10 da Figueira da Foz, da Associação de Escoteiros de Portugal. Estou agora no meu 3º ano da Licenciatura em Física, aqui, na Universidade de Coimbra. O meu objetivo com esta mensagem será abrir o mundo escotista a todos os habitantes do nosso departamento e assim dar-vos a conhecer parte da história do Escotismo e da minha experiência pessoal enquanto escoteiro. Talvez ainda, desmistificar alguns dos rumores sobre estas pessoas que andam de calções, mesmo que seja Inverno. Espero que, pela altura em que acabem de ler este artigo, tenham uma visão mais abrangente e carinhosa sobre o que é o movimento escotista, ao qual pertenço há 14 anos.
Ora, então, quem somos?
Hoje em dia, quando ouvimos falar de escoteiros fazemos, muitas vezes, uma associação mental a paisagens naturais. Com efeito, o escotismo tem muito a haver com a maneira como um indivíduo se relaciona com o mundo que o rodeia, uma ideia implementada pelo seu fundador, um ávido estudante da natureza e general do exército britânico, Lord Robert Baden-Powell. Baden-Powell, ou “B.P.”, como com ternura o tratamos, serviu no exército durante vários anos, mais especificamente, entre 1876 e 1910, e foram a
TISMO
id Silva
experiência e lições de vida que acumulou durante esse tempo que o inspiraram a criar o movimento escotista. B.P. via potencial nos jovens rapazes da altura. Via a oportunidade de ajudar a educar uma geração segundo valores como a igualdade e o respeito, dando-lhes espaço para experimentar e errar num ambiente seguro. Estes, mais tarde, tornar-se-iam adultos responsáveis, mensageiros da paz, pró-ativos e conscientes do seu papel na sociedade e, por sua vez, transmitiriam as lições que aprenderam aos mais novos. Em 1907, realizou o seu primeiro acampamento experimental na Ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, com 22 rapazes, pondo em prático o método de ensino que idealizou. Foi um tremendo sucesso! Considera-se ter sido essa a altura em que o Escotismo nasceu. Desde então cresceu exponencialmente e conta hoje com mais do que 40 milhões de membros distribuídos por 164 organizações nacionais em 224 países e territórios espalhados pelo mundo. É o maior movimento de educação juvenil do Mundo!
A minha experiência
Qualquer pessoa pode entrar nos escoteiros, tenha 6 ou 60 anos. O escotismo destina-se a todos, sem excepção. Os mais novos aprendem com os mais velhos e os mais velhos ensinam aos mais novos as lições que a vida já lhes deu. Neste momento sou um Caminheiro, isto é, um membro do Clã, a última divisão dos escoteiros no que diz respeito ao método pensado por B.P.. A ela pertencem os escoteiros que tenham entre 17 e 21 anos. Por ser uma altura em que muitos de nós partem para a Universidade, o Clã é em geral uma divisão com menos elementos por ser mais difícil encontrar uma altura em que todos possam estar juntos. Não sou um estranho a este fenómeno e desde que vim para a faculdade tem sido difícil conciliar este universo com os meus estudos. Mas já passei por demasiado enquanto escoteiro para deixar de o ser, pelo que por mais difícil que se torne, tentarei sempre lutar por me dedicar a ambas as coisas. Em Portugal existem 3 diferentes associações Assim o tenho feito e durante estes dois últimos anos vivi escoteiras, a AEP, à qual pertenço, o CNE, Corpo Nacional projetos que me marcarão para o resto da minha vida. Em de Escutas, e a AGP, Associação de Guias de Portugal (faz- especial, quero falar-vos de dois: vos lembrar algo? A Isabella do Phineas e Ferb!). O escotismo português foi formalmente fundado pela AEP (escoteiros com “o”), em 1913, nascendo o CNE (escuteiros com “u”) 11 anos depois, em 1924. Enquanto a primeira consiste num movimento sem nenhuma ligação Durante o ano passado fiz parte do CUC, o Clã religiosa, a segunda está associada à Igreja Católica. Já Universitário de Coimbra. Como o próprio nome o sugere, as Guias são um movimento diferente. Também fundado esta é uma equipa composta apenas por universitários por B.P., com a ajuda da sua irmã, Agnes e, mais tarde, da e que pretende dar-lhes a experiência escotista que sua mulher, Olave B.P., o Guidismo surgiu em Portugal na não podem ter por estarem longe de casa. Nunca tinha ouvido falar antes dele até ter conhecido a fabulosa década de 20 e destinava-se apenas a jovens raparigas. Passado o 25 de Abril, a AEP e o CNE, abriram-se ao Natália Alves, do 2º ano de Engenharia Biomédica, numa acolhimento de jovens do sexo feminino, ao contrário da atividade organizada pelo Clã dela na Figueira da Foz (quando a virem, peçam-lhe, ou ao João Dias, também AGP. de Biomédica, para fazer a “Dança do Kangoroo”). Aqui conheci pessoas fantásticas, na mesma situação que eu.
O Escotismo Português:
CUC
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Acredito que o nosso crescimento pessoal tem tanto uma componente individual como colectiva, ideia em que assenta o objetivo formativo do Clã. Ao poder partilhar os meus receios e inseguranças com os demais Caminheiros, fazendo-o num ambiente compreensivo e aberto como o que com que me receberam, pude, de verdade, crescer.
Fotografia II – Os “CUC’s” de várias Universidades em Drave, uma aldeia da Serra da Freita.
ROVERWAY
decisão difícil de tomar, dados todos os acontecimentos que lá ocorreram este ano. Mas por acreditar que o medo não deve reger as nossas vidas decidi arriscar e, ainda bem que o fiz, pois nunca mais serei o mesmo. Durante os 12 dias em que lá estive, primeiro em Lyon, depois em Jambville, Paris, aprofundei o meu conhecimento sobre as suas culturas e filosofias de vida e durante este tempo vivemos em comunidade. Foi engraçado comparar a maneira como os outros povos nos vêm com a nossa própria maneira de ser e acredito que chocámos muitos com aquilo que lhes mostrámos. Tentámos sempre ser prestáveis, sérios nos momentos de seriedade, divertidos e descontraídos nos momentos lúdicos. Líderes, quando havia necessidade de liderença. Fomos honestos na nossa maneira de agir e tentámos representar bem a nossa nação. Espero que tenham gostado de ler sobre a minha experiência! Ainda há muito para dizer mas com 6700 caracteres para ocupar só se pode dizer tanto. Qualquer dúvida ou curiosidade que tenham, podem sempre vir falar comigo ou com qualquer outro “escouteiro” aqui do departamento.
Esta é, sem dúvida, a melhor experiência que já vivi em toda a minha vida. O Roverway é um acampamento internacional que, de 2
Fotografia III – A minha equipa no campo central do Roverway, em Jambville, Paris.
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CanhoYa forte, David Silva.
por Márcia Rocha Na Web Summit participaram 53 055 pessoas e eu. Ao todo, andavam por lá pendurados ao peito 53 056 QR codes. Fui uma das felizardas que há pouco mais de um ano recebeu um bilhete só por ser mulher (yap, tal e qual uma ladies Night no NB em que “elas pagam 0€”), não desconfiando, nem de perto, que me havia sido dado um passe geral para aquele que é o maior evento de tecnologia da Europa. O evento foi exatamente o alvoroço que as notícias fizeram passar. O Meo Arena quase sempre enchia de uma talk para a seguinte e aquelas que decorriam em paralelo noutros pavilhões também ficavam com os lugares sentados esgotados. Toda a FIL estava apinhada de startups, marketeers, CEOs, investors, developers e entrepeneurs (sabem bem que a tradução destas palavras tira todo o je-ne-sais-quoi da frase). E pessoas como eu “just curious”.
Opa... foi giro! Vi o Ronaldinho Gaúcho, o Figo, malta da Facebook, Google, entrei no stand da Farfetch (o melhor, na minha opinião), ouvi umas quantas talks, havia coffee stations por toda a parte. Saí à noite no bairro alto e no cais do Sodré, para onde o evento se prolongava com a Night Summit. Para casa trouxe lápis, uns quantos stickers, rebuçados, chocolates, mais uma data de merchandising com logos de empresas estampados e uma lição aprendida: Esta não é uma conferência para pessoas “justcurious”. Não há problema nenhum em ir “só ver como é que é”. Mas para que o evento valha a pena, é necessário ter algo, nem que seja apenas uma ideia, para vender, expor, debater. No caso de não haver nada para expor, informem-se sobre o que vai acontecer, as startups e projetos do vosso interesse que vão lá estar e vão conhecê-los! É para isso que eles lá estão. Durante a Web Summit estão demasiadas coisas a acontecer para que seja possível acompanhar tudo e, por isso, planear os dias do evento é tudo! Não há dúvida de que o evento é tão grandioso como o fazem parecer. Mas como eu fui uma das pessoas que foi lá apenas para ver como é que aquilo era, quando me Para aqueles que pensam que a Web Summit é apenas perguntam como foi a minha experiência só respondo um evento de empreendedorismo que dá às empresas a “Opa, foi giro!”. oportunidade de em três dias conseguir capital por parte dos investidores que lá andam ou três dias de palestras non-stop: errado! A Web Summit é, acima de tudo, um evento de oportunidades de networking. E é por isto que há quem pague os olhos da cara para lá ir! Os mais de 1000€ que custam um bilhete, pagam a oportunidade de conhecer alguém com ideias semelhantes, de dar a conhecer uns projetos arrojados, de conhecer outros ainda mais, pagam connects espalhados por todo o mundo.
Ao chegar ao local, pensei: “Nunca ser geek foi tão mainstream”.
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A minha Terra
por Joana Covelo
“corpo vivo que liga a terra ao mar como um enorme coração” -José Saramago Sempre gostei de Aveiro, uma cidade viva, mas calma e segura, pequena, mas completa. No entanto, só quando vim estudar para Coimbra é que comecei a apreciar verdadeiramente o seu encanto: a planície, as tripas, o mar e até mesmo o vento.
Em Aveiro, tudo se concentra em redor da Ria, que consiste em 47 km de água disposta paralelamente ao mar e profundamente entranhada em história e tradição. Para a conhecer, nada é melhor que uma viagem nos típicos barcos moliceiros. No entanto, se for de enjoar, pode optar por uma buga, bicicletas que o município tem à disposição de qualquer um.
Fotos tiradas por Maria João Lemos (https://www.facebook.com/MariaJoaoLemosFotografia/?fref=ts)
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No entanto, o futuro também promete: desde 1973 que uma das mais imponentes fontes dinamizadoras da cidade é a Universidade de Aveiro. Assinada por arquitetos contemporâneos portugueses como Siza Vieira, Souto Moura, Alcino Soutinho, Carrilho da Graça e Gonçalo Byrne, envolvida pela beleza natural das salinas de Aveiro e a um passo do centro histórico, é um local a visitar, não apenas pela paisagem, mas também pela forte e constante aposta na inovação, que vai dando cada vez mais motivos para que se associe prestigio ao seu nome.
Passando pelas casas de Arte Nova e pelas barraquinhas de ovos moles, as margens da ria conduzem-nos à zona balnear: primeiro à praia da Barra, que tem o maior farol de Portugal, e, finalmente, à da Costa Nova, com as pitorescas casinhas às riscas, que em tempos serviram de armazém e abrigo aos homens do mar – uma das tantas provas de que Aveiro sempre esteve ligada ao comércio marítimo, à pesca e à produção de sal.
Fotografias tiradas por Maria João Lemos (https://www.facebook.com/MariaJoaoLemosFotografia/?fref=ts)
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COIMBRA by random eyes as escolhas de Ricardo Margarido
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#coimbrabyrandomeyes
ESTE ÁLBUM É BRUTAL! Achtung Baby (1991) U2
Olá, desta vez os sortudos são uns velhos dinossauros: U2. Desde dia 18 de Novembro que o expoente máximo da sua criatividade faz 25 anos: Acthung Baby era lançado neste dia em 1991. Este trata-se de um ponto de inflexão da sua história, passando um muro que já se vinha a construir deste algum tempo, com alguns álbuns bons mas faltando aquela pitada de excentricidade para se chegar ao nível acima. Este acabou por ser construído debaixo de um misticismo brutal, em condições de ambiente únicas e propícias para uma transformação radical. Acontece que a banda atravessava críticas duras depois do último álbum até à altura (Rattle and Hum) reinando uma monotonia criativa que se ia agravando. Assim começava um caminho diferente, com o início da gravação deste em Berlim nos Hansa Studios, devido ao facto de ter sido a casa de Low e Heroes de David Bowie, ocorrendo simultaneamente a histórica queda do Muro de Berlim, efervescendo a capital alemã. Larry (baterista) e Adam (baixista) queriam referências mais clássicas, voltando às influências dos 50/60 enquanto Bono (dispensa apresentações) e Edge (guitarrista) incorporavam-se nas batidas eletrónicas e no industrial alemão que começava a pegar destaque nas discotecas underground de Berlim. As brigas entre os elementos e as desavenças levaram a um clima super duro, agravando-se ainda mais este distanciamento com o divórcio matrimonial de Edge, tendo este ocorrido durante as gravações. O espaço que tenho para explicar o que ocorreu é bastante reduzido, tendo que passar à frente factos incríveis que desmistificam este puzzle, como o caso de algumas texturas musicais que posteriormente se desdobraram em 3 e 4 singles,
completamente embrulhados como diamantes por lapidar. Só tenho caracteres suficientes para poder notificar-vos que a banda apenas entrou em consentimento no momento em que descobriram a música One, achando o meio termo e a sintonia de todos. Como todos vós pensariam talvez, esta não é sobre amor e paz mundial, mas sobre a miraculosa conciliação da banda em si. O que aconteceu depois? Os U2 re-inventam-se e fazemno durante os próximos tempos vezes sem conta. Acthung Baby é o lado negro dos U2, um álbum descartável, sintéctico, mostrando veias de Sascha Konietzko, de Cabaret Voltaire, Nine Inch Nails e de tudo o que poderia ser mais sombrio. Os autores de músicas como In Name of Love começam a afirmar que qualquer artista é um canibal e que qualquer poeta é um ladrão. Este pico de criação desenvolve-se na tour zooTV. A zooTV foi simplesmente o oxigénio presente numa combustão que se criou com esta obra: era na verdade um programa ambulante de televisão sobre a televisão para a televisão zooTV com o objectivo de… desacreditar a televisão! Tratou-se de uma viagem muito complexa e dinâmica, mutável e personalizada, na qual Bono assumia vários alter-egos multifacetados. Como ressaca de tanto atrito e entropia na gravação, no período de descanso entre as 2 partes da tour, sai um novo álbum a meio: Zooropa. Acthung Baby foi o ponto de viragem. E sabem que mais? Apesar do Edge se ter divorciado durante as gravações como já mencionado, apaixona-se por uma das bailarinas da tour, acabando por casar novamente.
Mauro Pinto
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ESTE FILME É MESMO BOM! Arrival(2016) Denis Villeneuve
O contacto com seres extraterrestres é uma das temáticas mais frequentemente abordadas no cinema de ficção científica. Quer interajam com a humanidade sob a forma de emissões de rádio longínquas ou venham pisar a Terra com os seus pegajosos tentáculos verdes, é inegável que os aliens são reis e senhores dos ecrãs de cinema pelo mundo fora. “Arrival”, realizado por Denis Villeneuve, vem contrastar com a grande maioria dos filmes de ficção científica por focar precisamente o assunto que muitos outros escolhem ignorar: a comunicação entre humanos e seres extraterrestres (pois é, os aliens não falam inglês). A ação é essencialmente psicológica, e gira em torno da frustração que advém da barreira linguística. Perante a chegada de 12 naves extraterrestres a locais, aparentemente, aleatórios da Terra, Louise, uma linguista reconhecida pelos seus trabalhos de tradução, é chamada pelas forças armadas norte-americanas para determinar a razão da sua vinda. Trabalhando em conjunto com uma equipa da qual faz parte Ian, um físico teórico, começa a ensinar aos seres alienígenas (denominados de heptápodes, por possuírem sete tentáculos) as bases da língua inglesa, num processo no qual acaba por aprender o significado da escrita dos próprios extraterrestres. Ao contrário da linguagem humana, na qual a comunicação é feita encadeando palavras de um modo
coerente, os alienígenas escrevem frases circulares, sem princípio nem fim, não havendo uma ordenação lógica de conceitos – algo inimaginável para a comunicação tal como a conhecemos. À medida que Louise descodifica o significado da escrita alienígena, começa a ter aparentes “flashbacks” de uma criança, possivelmente sua filha, com a qual brinca e que acaba por ver morrer, vítima de doença terminal. Estas visões deixam-na assoberbada e confusa, e é aqui que entra em cena a Hipótese de Sapir-Whorf, uma proposta teórica nunca comprovada em que se defende que a perceção do mundo é altamente influenciada pelo idioma que cada indivíduo fala. Tendo aprendido a língua dos heptápodes, a perceção de Louise sofre, então, alterações que se revelam fundamentais na compreensão do propósito da vinda dos seres extraterrestres. O filme sustenta fortemente esta hipótese, de um modo intelectualmente estimulante e sem quaisquer pontas soltas. “Arrival” distancia-se do típico sci-fi por não estar munido de efeitos especiais hipnotizantes ou criaturas exóticas. É, fundamentalmente, um filme que, à semelhança de grandes títulos da ficção científica como “Contacto” ou “2001: Odisseia no Espaço”, nos mostra que a exploração do Universo acaba por afluir numa exploração da psicologia do próprio ser humano.
Mariana Rajado
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DEVIAS LER ESTE LIVRO! Alta Fidelidade(1995) Nick Hornby
Londres, meados dos anos 90 e um personagem principal a atravessar uma crise de meia idade. O primeiro romance de Nick Hornby teletransporta-nos directamente para a vida de Rob Fleming, um viciado em música, dono de uma loja de discos quase falida. Emocionalmente abalado por ter sido deixado pela sua namorada Laura e descontente com o pouco sucesso profissional, Rob começa a sua odisseia interior para descobrir como a sua vida se tornou nessa vida. O que fazer? Rodeado pela sua interminável colecção de discos, Rob começa então a odisseia pelo seu passado amoroso: qual o seu top-5 de namoradas que mais o marcaram? “What came first, the music or the misery? Did I listen to music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to music?” O hábito de categorizar as coisas num top-5 tem origem na sua loja. Rob passa os dia a fazê-lo, desafiado por Barry e Dick, os empregados que se tornaram nos seus amigos. E porquê? São
os três viciados em música, livros e cultura Pop. É a partir das vidas destas personagens que o autor nos consegue pôr a questionar certos aspectos da nossa vida, espelhando-as nos dramas e vivências de Rob. A leitura deste livro é o mesmo que ouvir um disco. O disco vai avançando de faixa em faixa, como a vida de Rob. O que ele ouve, nós ouvimos (até porque as referências musicais são intermináveis). O que ele sente e relembra, nós também o fazemos. Tudo isso porque a história é demasiado verdadeira para ser ficção. Revi-me nas experiências do personagem, e por isso este livro tem uma magia pessoal. Tal e qual aquele single da vossa banda predilecta, estão a ver? Repleto de boas gargalhadas do início ao fim e em menos de trezentas páginas , este livro é quase como um ensaio sobre a maneira como olhamos a vida, inseguranças, a música, relacionamentos, etc. Cativante e verdadeiro, é um livro genial.
Rafael Silva
ADORO ESTA SÉRIE! American Horror Story(2011) Brad Falchuk, Ryan Murphy
Medo, para que te quero? American Horror Story: a série norte-americana que tem conquistado fãs por tudo mundo. Como o próprio nome indica, trata-se de uma série do género horror/drama de, atualmente, 6 temporadas, onde cada uma destas apresenta uma história independente na sua matriz principal. É de salientar o papel magnífico da inconfundível atriz americana Jessica Lange. A primeira temporada (Murder House) passa-se no ano de 2011, em Los Angeles, e centra-se na história de uma família que se decide habitar uma casa assombrada pelos seus antigos inquilinos. A segunda temporada (Asylum) ocorre em Massachusetts em 1964 e acompanha a história de um asilo criminal liderado pela Igreja, de uma freira possuída pelo Diabo e de um cientista com experiências nada ortodoxas. A terceira (Coven) acontece em New Orleans, no ano de 2013, e segue a história de um grupo de bruxas que enfrenta aqueles que as querem destruir. A quarta temporada (Freak Show) passase em 1954 no estado de Florida e foca-se num dos últimos
espetáculos americanos de aberrações. A quinta temporada (Hotel) acontece em 2015 novamente em Los Angeles e descreve os acontecimentos que acontecem num hotel com empregados e visitantes supernaturais. A sexta (Roanoke) acontece em 2016, na cidade de Roanoke, descrevendo a tragédia de um casal que decidiu habitar uma quinta isolada. O modo de realização de cada temporada é único. Enquanto que, por exemplo, em Asylum, se deu muita importância ao contraste entre luz e escuridão, em Roanoke decidiu-se apresentar toda a temporada em forma de documentário, algo que nunca tinha sido feito nas outras temporadas. A minha temporada favorita foi, até agora, Asylum. Nesta temporada é atravessada a fronteira do susto, intriga e crítica, com uma história que nos assusta, mas faz querer ver o episódio seguinte. Afinal, só um asilo nos faz impressão… Agora um asilo gerido por freiras...
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Afonso Marques
MEGA
SEMANA SOLIDÁRIA por Mariana Lapo Pais No passado dia 1 de dezembro foi feriado, mas certamente não foi dia de descanso para quem decidiu marcar presença no 1º dia do peditório do Banco Alimentar. Começa o mês do Natal e o Departamento mostrou que não se esqueceu de pensar nos outros. Foi com muita alegria e satisfação que vivenciei o entusiasmo e aderência dos estudantes neste desafio que o núcleo decidiu lançar. O peditório do Banco Alimentar contou com a presença do tão dinâmico Departamento de Física em todos os seus dias e por vários supermercados chegando até mesmo ao armazém. Mas essa semana foi mesmo para arregaçar as mangas e meter mãos à obra pois foi também marcada pelo início “oficial” de várias recolhas para campanhas solidárias. Queremos dar uma prenda a quem mais precisa e continuar o espirito solidário e de entreajuda que começamos logo dia 1. É o mês de dar e receber e com isto convido a todos do Departamento a juntaremse a estas recolhas tão simples, mas que farão imensa diferença. Recolha de tampas: esta recolha reverte a favor da associação Bárbara-Passoa-Passo que irá ajudar a Bárbara, uma menina que nasceu com paralisia cerebral, a conseguir frequentar seções de fisioterapia e terapia da fala.
O simples gesto de retirar uma tampinha antes de ir para o lixo pode ajudar uma criança a tornar-se mais autónoma, capaz e feliz. Dá um sorriso à Barbara e coloca as tuas tampinhas na nossa caixa do BIF. Recolha de papel: como o DF não é se ficar de braços cruzados mal ouviu falar da campanha “Papel por Alimento” do Banco Alimentar não hesitou em também ajudar. A campanha consiste na recolha de papel que irá ser convertido em comida. As frequências e exames estão à porta e com eles muito estudo e papel. Faz com que o teu estudo valha a pena e coloca os teus papeis na nossa caixa do BIF. Uma tonelada de papel vale 100€ em comida. Recolha de Bens: entrando mesmo dentro do natal, e descendo diretamente da chaminé a recolha de bens do Departamento terá como objetivo tornar os estudantes verdadeiros “Pais-Natais” e oferecer os bens doados por estes a meninas que se encontram na casa da infância Doutor Elísio de Moura. Para tornar o natal mais especial e único temos uma lista de desejos que elas nos forneceram e que será divulgada tentando deste modo ir de encontro com o que desejavam para este natal. Podem ser coisas que tenham em casa e já não usem e serão sem dúvida muito especiais para elas.
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Sei que todos juntos faremos a diferença, Feliz Natal!
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O des.LIGA é um projeto de educação para a saúde e prevenção do cancro desenvolvido no contexto do ensino superior, promovido pelo Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro em cooperação com Associações, Núcleos de Estudantes e outras Instituições.
3h30 sem comer, pois há uma distribuição mais equilibrada dos alimentos ao longo das horas e através da regulação do apetite é possível fazer um controlo da ingestão alimentar por dia.
Alguns dos fatores de risco alimentares são as gorduras saturadas presentes em carnes vermelhas e enchidos, o excesso de calorias e Em 5 anos de projeto, os voluntários já açúcares, que leva à obesidade, os alimentos tiveram a oportunidade de participar em tostados, o excesso de bebidas alcoólicas e muito inúmeras atividades de promoção da saúde e de sal na alimentação. prevenção do cancro. Destacam-se atividades e campanhas de sensibilização realizadas durante Existem alimentos que ajudam na prevenção a Queima das Fitas, a Festa das Latas, o Peddy- de tumores malignos, através da remoção Paper “des.LIGA o Mito”, a produção de vídeos de substâncias cancerígenas e da inibição do de sensibilização, e a publicação assídua em crescimento de células cancerígenas, tal como o revistas e jornais universitários. A IXª Edição ómega-3. do Peddy-Paper “des.LIGA o mito”, que ocorreu a 4 de outubro de 2016, numa parceria com Deve-se assim utilizar algumas práticas a Associação Académica de Coimbra (AAC) nutricionais como: e contou com o apoio do Jardim Botânico da • limitar o consumo de gorduras saturadas, Universidade de Coimbra, foi a mais recente açúcares e sal, sendo preferível utilizar ervas iniciativa organizada pelo des.LIGA e contou com aromáticas, alho e cebola para temperar; a participação de 12 voluntárias do des.LIGA, • não reutilizar gorduras e preferir o azeite; estando a próxima atividade, “kit natal saudável, • reduzir o consumo de carnes vermelhas; agendada para a segunda semana de dezembro. • preferir carnes brancas e peixe, preferencialmente peixes gordos (sardinha, cavala, salmão); • não comer alimentos pré-confecionados, pois contêm elevados teores de sal; • inclua leguminosas na sua alimentação. Os legumes contêm fibras, minerais e vitaminas, em especial os de cores vermelha e roxa têm licopeno, um potente antioxidante; • aumentar os produtos hortícolas e fruta nas refeições. Este são uma fonte de fibra e as Sabias que: hortaliças de cor verde escura têm sulfurafanos; 75 a 80% da maior parte dos cancros são • consumir cereais integrais; causados por fatores associados ao estilo de • não comer alimentos total ou vida? parcialmente carbonizados; 1/3 das mortes por tumores malignos • moderar o consumo de bebidas alcoólicas. é atribuída a maus hábitos alimentares e à inatividade física? Com o aproximar do Natal O Pilão e o des. 40% dos cancros poderiam ser evitados LIGA*, com o apoio da Unidade de Nutrição e com mudanças no estilo de vida? Dietética do Centro Hospitalar e Universitário Uma dieta saudável com uma alimentação de Coimbra deixam-te receitas de Natal, porque variada e equilibrada e a prática de exercício também em épocas festivas podes fazer uma físico regular ajudam a reduzir o risco de cancro. alimentação saudável. Também é importante a realização de 5 a 6 refeições por dia, de modo a não ficar mais de
Alimentação Saudável e Prevenção do Cancro: des. LIGA-TE dos Excessos
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Receitas de Natal Bacalhau de Consoada
Rabanadas
Ingredientes (para 6 pessoas):
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Preparação:
Preparação:
Demolhar bem o bacalhau. Cozer o bacalhau juntamente com as couves pencas, as cenouras e as cebolas. À parte, cozer as batatas com a pele e os ovos. Na altura de servir pelar as batatas e descascar os ovos. Temperar no final com alho, azeite e vinagre.
1º Misturar o leite magro e o açúcar e ferver. 2º Bater ligeiramente os ovos. 3º Passar cada fatia de pão no leite e em seguida no ovo batido. 4º Barrar a forma com o azeite. 5º Levar ao forno bem quente, pré-aquecido a 280ºC, diminuindo a temperatura para 180ºC, por aproximadamente 20 minutos. Virar as rabanadas na metade do tempo, para dourarem nos dois lados. Para a calda: 1º Levar ao lume a ferver a água, o sumo de laranja e o açúcar. Deixar ferver durante 15 minutos, de seguida deixar arrefecer e dispor sobre as rabanadas.
1 Molho de couve penca com talos 1Kg de Batatas 6 Postas pequenas de bacalhau 6 Ovos 6 Cenouras 3 Cebolas 5 a 6 Dentes de alho 60ml de Azeite Vinagre q.b. Sal moderado
Composição Nutricional (por pessoa): Calorias: 441,6kcal Hidratos de Carbono: 40g Proteínas: 32,6g Gordura: 16,6g
12 fatias de pão de centeio 3dl de Leite magro 4 Ovos 100g Açúcar Azeite para untar Para a Calda: 1dl de água 20g de Açúcar Canela Sumo de 1 laranja
Composição Nutricional (por rabanada): Calorias: 149kcal Hidratos de Carbono: 28g Proteínas: 4,7g Gordura: 1,9g
Para mais informações: educacao.nrc@ligacontracancro.pt
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FICHA TÉCNICA Morada
Rua Larga, Departamento de Física, Sala C8, 3004-516 Coimbra
Contacto
antimateria.df@gmail.com
Editor Executivo Maria Pimentel Rita Viegas
Equipa de Edição
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Capa e Ilustrações Catarina Oliveira Maria Pimentel
Equipa de Design
Maria Pimentel, Catarina Oliveira
Equipa de Revisão
Rita Viegas, Joana Covelo, Mauro Pinto
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ANTIMATÉRIA Dezembro 2016 NEDF/AAC
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