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ANTIMATÉRIA

Revista do Núcleo de Estudantes do Departamento de Física da Associação Académica de Coimbra 15ª Edição - 21 Outubro 2016

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EDITORIAL por Rita Viegas

Em Dezembro de 2015 o Pelouro de Imagem e Comunicação, juntamente com toda a equipa do NEDF comprometeu-se a fazer renascer o que muitos de nós nem conhecíamos: o Antimatéria. É com muito orgulho e satisfação que, 10 meses e 6 edições depois, agora com uma nova equipa, venho-vos apresentar mais uma edição desta nossa querida revista, desta vez com um novo período de publicação: passará a ser bimestral. Não será fácil conseguir manter o “legado” deixado pelo mandato anterior, no entanto acredito que podemos continuar a dar-vos a qualidade a que estão habituados. O mês passado foi um dos mais importantes para muitos de vós. Uns começaram esta nova etapa que é a vida universitária, entraram nesta casa que vos acolhe de braços abertos e que espera ver-vos crescer. Por outro lado, outros viram nesse mês uma etapa da sua vida concluída, deixaram esta casa que os viu crescer para trás e foram em busca de novas aventuras, novos capítulos. Aos que vieram só vos posso dizer: aproveitem! Vivam estes anos intensamente, aproveitem tudo o que este departamento e esta cidade tem para vos dar! Aproveitem as oportunidades que surgirem; se não surgirem procurem por elas! E acima de tudo lembrem-se que o NEDF estará sempre aqui para vos ajudar e fazer-vos sentir em casa. Aos que que vão à procura de novas aventuras e desafios só vos posso desejar a melhor sorte do mundo, e dizer-vos o que espero que já saibam: que esta casa estará sempre aqui para vocês e que esperamos muitas visitas e quem sabe no futuro quando formos nós a “deixar o ninho” vão estar desse lado para nos ajudar.

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em Twente 04 ARitaRita Monteiro

Monalisa das séries 16 AAlexandre Chambel

de Física 06 Departamento Estatísticas de Alunos

by random eyes 17 Coimbra Ricardo Margarido

08 Aconteceu no Núcleo...

19 des.LIGA Equipa do projeto des.LIGA da LPCC.NRC

a Brincar 10 Aprender Mariana Lapo Pais

20 Ficha Técnica

Sara Frango Barros

12 Matrículas Inês Félix no Mundo 13 Ciência Inês Félix

14 João Oliveira

Já ouviste falar deles?

livro que me marcou... 15 Um Mariana Rajado

16 Mauro Pinto

O álbum da minha vida...

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ERASMUS

A RITA EM TWENTE por Rita Monteiro Por que escolheste ir para Twente?

Bem, sinceramente não sei muito bem como fui parar a Twente, Enschede na Holanda. No ano em que decidi ir de Erasmus foi o primeiro ano de protocolo com a universidade, apesar de não conhecermos experiências de alunos que tinham feito Erasmus lá, foi-nos falado muito bem da universidade, o nível de ensino e as oportunidades na área da engenharia biomédica eram vastas e conceituadas. Como nem eu nem o João Sousa nos sentíamos muito atraídos por Itália ou outros países acabámos por decidir e ser os primeiros a escolher a universidade de Twente.

Sentiste, em termos de conteúdos disciplinares, mais ou menos dificuldades, em relação ao que estavas habituado?

O ensino em Twente é diferente daquilo que estamos habituados, o ano lectivo está organizado em quadrimestres, as disciplinas estão mais distribuídas e acabas por ter entre duas e três cadeiras por quadrimestres. Normalmente há uma ou duas aulas teóricas por disciplina por semana, os alunos têm muito tempo sem aulas, que acaba por ser ocupado em reuniões para trabalhos e projectos. Na Holanda incentivam muito o trabalho de grupo, a componente teórica e o estudo individual e autónomo. Como estava habituada a ter componente prática nos exames ao início a adaptação foi um bocadinho mais difícil.

Como é o ambiente académico?

Sem querer tirar mérito às outras faculdades acho que Twente ganha o melhor espírito académico. É uma universidade extremamente multicultural, em todas as turmas há pessoas dos vários cantos do país o que acaba por ser um grande incentivo para conhecer novas pessoas e culturas. Enschede é uma cidade pequena, no entanto, tem um dos únicos campus universitários da Holanda o que torna experiência de viver num país diferente mais fácil e intensa, há muito apoio e entreajuda entre os vários estudantes internacionais.

Como encontraste alojamento?

Como foi a primeira vez que alguém da Universidade de Coimbra foi para Twente, Enschede, não sabíamos com que facilidade íamos encontrar casas para a alugar a estudantes, por isso quando nos inscrevemos na Universidade e nos sugeriram alojamento aceitamos. Hoje sabemos que é possível arranjar casas mais baratas sem ser pela Universidade mas como a oferta não é muita o site http://www.veste.nl/ acaba por ser mais seguro.

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PREÇOS

DIFICULDADE ACADÉMICA

TRANSPORTES

CLIMA

CULTURA

VIDA NOTURNA

Como são os preços em geral?

No geral os preços são mais elevados do que em Portugal, a maior diferença é o custo de aluguer de casas, o custo nos restaurantes, bares e cantinas. Em relação ao supermercado o peixe e a carne são bastante mais caros mas os outros produtos têm preços semelhantes. Os preços de transporte acabam por ser mais baratos, toda a gente anda de bicicleta em curtas distâncias. Para longas distâncias há autocarros e comboios com bilhetes de grupos e ofertas mais baratas.

Como foi com a língua? Frequentaste algum Que conselhos darias aos futuros estudantes curso? em Twente? Em termos de línguas, na Holanda eles falam holandês, uma língua difícil de aprender e entender, no entanto, todas as pessoas falam inglês. Desde a criança de 5 anos, ao senhor mais velho que já está reformado todos sabem falar inglês e estão disponíveis para te ajudar, por isso não senti necessidade de aprender holandês. Fui aprendendo uma ou outra palavra com as idas ao supermercado mas nada de mais.

Aproveitem ao máximo o vosso semestre em Twente, porque quando se aperceberem já está tudo a acabar. Há tempo para tudo, há tempo para estudar, para viajar, para sair à noite e para estar com os amigos. Aproveitem para sair da vossa zona de conforto e conhecerem pessoas de culturas muito diferentes da nossa e ainda explorarem a grande oferta de cursos e grupos de investigação que a universidade oferece.

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DEPARTAMENTO DE Estat por Sara Frango Barros

O departamento de Física da Universidade de Coimbra recebe alunos desde 1772 e prepara-os para uma vida profissional de sucesso. Atualmente lecionam-se quatro cursos no departamento; Engenharia Biomédica, Engenharia Física, Física e Astrofísica. Mas quem são os alunos que acreditam nesta instituição e escolhem fazer o seu percurso académico na mais antiga universidade do país?

Engenharia Biomédica

Este é o curso mais recente do departamento, tendo sido criado em 2002. Apesar da licenciatura nesta engenharia ser recente o mestrado em Engenharia Biomédica já existe desde 1992, sendo que era coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Apesar de ser “noviço” apresenta-se como líder no número de alunos atrai por ano. Apenas este ano foram colocados na primeira fase 59 alunos vindos de todo o paísO gráfico em baixo mostra a evolução das médias do último colocado no curso desde o ano de 2005. É de notar a consistência do valor ao longo dos anos, onde os valores de entrada pouco diferem de ano para ano, e até mesmo entre a primeira e a segunda fase de entrada. Isto comprova que ano após ano continua a haver “mercado” para este curso, ou seja, os alunos com médias elevadas e apetências tanto pelas Ciências Biomédicas como pela Física continuam a acreditar que este curso é uma mais valia na área, não nos esquecendo que esta é a carreira profissional com maior taxa de crescimentos nos EUA [1] e que tem um nível de empregabilidade em Portugal de cerca de 96.3% [2].

Ao contrário das engenharias convencionais, Engenharia Biomédica, por norma, tende a ter um maior número de raparigas do que rapazes. Isto deve-se provavelmente ao facto de ser uma engenharia mais ligada à medicina do que as restantes apelando a um público um pouco diferente. O segundo gráfico compara o número de alunos dos dois géneros relativamente aos alunos que chegaram na primeira e segunda fase entre o ano de 2013 e 2015. Observando estes últimos três anos podemos afirmar que existe uma tendência para o equilíbrio de géneros, no entanto estamos a analisar uma pequena amostra de anos sendo por isso uma análise débil.

Engenharia Física

O curso de Engenharia Física teve início no ano de 1984, sendo o seu principal objectivo fornecer, para além de uma sólida preparação científica e técnica, uma extensa prática laboratorial, o contacto com a investigação e a indústria e a realização de trabalhos de projecto. Por ano existem cerca de 28 vagas, sendo que este ano lectivo chegaram a este curso 20 alunos. Comparando com a Engenharia Biomédica é um curso que apresenta

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FÍSICA tísticas de Alunos uma maior oscilação na média de entrada ao longo dos anos, sendo a média de primeira fase destes últimos 12 anos de 137,7 valores. Apesar do reduzido número de alunos por ano, este é um dos cursos com o maior número número de candidatos colocados na 1ª opção do concurso nacional de acesso. Para além disso segundo dados recentes o nível de empregabilidade desta Engenharia é de cerca de 98.5% [2].

No entanto, tanto este ano lectivo como no anterior as vagas ficaram totalmente preenchidas. Também em Física nota-se algumas oscilações ao longo dos anos, no entanto nos últimos anos até conseguimos identificar uma ligeira subida. Estes 12 anos são marcados por uma média de primeira fase de 125,4 valores.

Este é o curso do departamento que apresenta um maior número de alunos estrangeiros, nomeadamente do Brasil. Por exemplo, segundo dados do Ministério de Educação e Ciência Física do ano lectivo de 2013/2014 cerca de 38% dos alunos desta licenciatura eram cidadão estrangeiros. Este é o curso com maior discrepância relativamente aos géneros, talvez explicável pelo pequeno número de alunos que entram todos os anos. Não diferente dos outros dois cursos, o gráfico cresce no sentido da paridade de géneros.

Neste mestrado nota-se uma tendência contrária ao curso anterior, onde a procura é maior pelos estudantes do sexo masculino, como é de esperar numa Engenharia mais tradicional.No entanto nos últimos anos tem presentando similarmente uma tendência de equilíbrio.

Física

A licenciatura em Fìsica é o curso mais antigo e com mais história o departamento. Este continua a ser um curso de prestígio tanto no departamento como na FCTUC. Por ano existem 20 vagas para esta licenciatura , sendo que normalmente não costuma preencher todas as vagas.

[1]http://www.nytimes.com/2011/04/17/education/edlife/edl17conted-t.html?_r=3& [2]http://fis.uc.pt/ http://ov.portalpsi.net/medias/ http://www.dges.mec.pt/guias/indarea.asp?area=III

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ACONTECEU N las

Matrícu

Visita à Alta

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NO NĂšCLEO... Apre nder a Brinc ar

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APRENDER A BRINCAR por Mariana Lapo Pais

A minha experiência no “Aprender a Brincar” Posso dizer que o meu cruzar com o “Aprender a Brincar” se deu de forma inesperada e casual, um tropeçar acidental que ainda hoje agradeço. É de facto único! Um projeto de contornos tão singulares que se torna obrigatório dar a oportunidade de conhecer. O “Aprender a Brincar” é uma iniciativa do núcleo que consiste em levar voluntários do departamento de física ao hospital pediátrico onde com experiências simples divertem e ensinam os mais pequenos. A nível pessoal foi uma experiencia maravilhosa que desejo muito repetir. Considero todos os tipos de voluntariado de louvar e capazes de nos fazer crescer exponencialmente, mas é com muita sinceridade que digo que o “Aprender a Brincar” tem um lugar especial no meu coração.

É fantástico ver as crianças felizes e igualmente espantadas com a nossa tão querida física. Dar aquele bocadinho do nosso tempo e conhecimentos para depois receber um sorriso de alegria e admiração é de facto espantoso. Agora como Coordenadora do Pelouro de Intervenção Cívica tenho o dever e a alegria de dar continuidade a este projeto e convido assim todos a participarem nesta fantástica iniciativa do núcleo. Não deixem fugir esta oportunidade e desafiem-se como voluntários no “Aprender a Brincar”. Deem vida à física numa causa maior!

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MATRÍCULAS por Inês Félix

Dia 12 do passado mês de Setembro saíram os tão aguardados resultados das candidaturas da 1ª fase. Sucedeu-se uma semana inteira de matrículas na Universidade de Coimbra, e como tal, o Núcleo de Estudantes do Departamento de Física esteve presente no átrio das Químicas para receber os novos estudantes deste Departamento. Neste posto, encontravam-se colaboradores do NEDF que faziam uma apresentação do Núcleo, do Departamento e da cidade de Coimbra e que esclareceram as possíveis dúvidas que os novos estudantes tinham.

O Núcleo organizou um kit de caloiro, que era constituído por um Guia do caloiro 2016/2017, uma t-shirt de caloiro, um bloco de notas, uma agenda e preservativos, que os caloiros poderiam comprar pela pequena quantia de 3€. Foi uma iniciativa que ajudou a aproximar os caloiros do Núcleo.

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CIÊNCIA NO MUNDO por Inês Félix

David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz foram, este mês, galardoados com o Prémio Nobel da Física, pela descoberta da transição de estados de matéria que não acontecem na natureza, estados que eles chamam de exóticos. Estas descobertas são importantes para a mecânica quântica e para a construção de computadores quânticos, como admitiu o laureado Duncan Haldane.

Nos anos 80, David Thouless demonstrou que a condutividade, nestes materiais, poderia ser medida em passos integrais e que a sua natureza era topológica. Pela mesma altura, Duncan Haldane estudou matéria que forma filamentos tão finos que podem ser considerados unidimensionais.

Encontrar materiais com propriedades topológicas apresenta um grande potencial para a construção Metade do prémio foi recebido por Thouless e a de computadores quânticos. Espera-se que os outra metade por Haldane e Kosterlitz. Estes três computadores quânticos tenham processadores muito cientistas britânicos estudaram os supercondutores, mais rápidos que os computadores convencionais. os superfluidos e as finíssimas peliculas magnéticas. Na área das tecnologias quânticas, as aplicações São três os estados que podem existir naturalmente dos materiais com propriedades topológicas na natureza (pelo menos, na Terra) e em três dimensões: são promissoras para o desenvolvimento de gasoso, líquido e sólido. Mas as descobertas destes comunicações quânticas a longa distância. cientistas foram muito além disto, entraram no campo das transições de matéria que não acontecem naturalmente na natureza. Para conseguirem chegar a estes resultados, estes físicos recorreram a conceitos da topologia, uma área da Matemática que descreve as propriedades que se mantém intactas, mesmo depois de um objeto ser esticado ou deformado. Segundo explicou a organização do Nobel, em 1972, Michael Kosterlitz e David Thouless conseguiram mostrar como a supercondutividade podia acontecer a baixas temperaturas e apresentaram explicação para a altas temperaturas a supercondutividade desaparecer.

http://www.iflscience.com/physics/exotic-matter-research-wins-the-nobel-prize-in-physics/ http://observador.pt/2016/10/04/premio-nobel-fisica-para-transicoes-da-materia-exotica/

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JÁ OUVISTE FALAR DELES? Analog Art Man

Pedro Martins, João Oliveira, Francisco Soares, Carlos Gonçalves e João Francisco

Analog Art Man começou como um projeto de bandas sonoras para documentários, filmes e anúncios ligados à natureza, património, artesanato e tradições portuguesas. Em parceria com o realizador Paulo César Fajardo, João Francisco compôs e produziu a banda sonora do documentário “Palheiros da praia da Tocha” (vencedor, na sua categoria, no Fafe Film Festival em 2015) e o tema “Voo d’alma”, primeiro videoclipe oficial de Analog Art Man (apresentado no Festival de Cinema da Figueira da Foz), e banda sonora para a curta “Pastor de Sonhos” (selecionada entre 301 filmes provenientes de 52 países para estar presente no “ART&TUR 2016”). O grupo é formado por Pedro Martins, projeções líquidas, João Oliveira, guitarra folk e guitarra portuguesa, Francisco Soares, baixo, Carlos Gonçalves, percussão e João Francisco, guitarra elétrica. Nesta viagem sensorial somos transportados para uma ruralidade bem portuguesa através da reprodução de “paisagens sonoras” captadas por Luís Antero (pescador de

sons). Explicando um pouco melhor os “sabores” aqui à mistura, temos “o imaginário de um Portugal beirão fundindo-se com a veia própria de uma sonoridade progressiva dos anos 70.” (1) No “Elementos à solta” Analog Art Man fez a ponte entre os últimos raios de sol e a noite cerrada na aldeia da Cerdeira. Mimetizada entre os valores naturais e a arte de vanguarda que adornava o local, o som ecoou pelo vale proporcionando um momento inesquecível. “Mais do que música, os temas criam uma ambiência quase palpável - é difícil ouvir e não se sentir transportado para um universo de ideias e construções, as sombras palpáveis de um Portugal tão litoral como rural afirmando-se como o motif principal da “pintura” sonora” (1) Analog Art Man, um projeto da Lousã que toca um país inteiro através de timbres e melodias que respiram portugalidades antigas. (1)– Taberna News & Taberna Cast

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João Oliveira


UM LIVRO QUE ME MARCOU... Admirável Mundo Novo (1932) Aldous Huxley

O género romance distópico remete-nos irremediavelmente para o velho clássico “1984” (publicado pela primeira vez em 1949). Tão grande foi a influência desta obra no panorama global que ainda hoje o Big Brother continua watching concorrentes de reality shows pelo mundo fora. Todavia, o não tão célebre “Admirável Mundo Novo” (1932) estabeleceu um lugar igualmente firme na lista de obras desse género literário, e é muitas vezes considerado tão bom quanto o seu eterno oponente. Ambas ilustram que tanto George Orwell como Aldous Huxley estavam bem à frente da era em que viviam, embora as sociedades idealizadas por cada um diferissem grandemente. Por considerar que “Admirável Mundo Novo” retrata um método de controlo da população mais inteligente do que “1984”, e porque todos gostam de um underdog, escolhi abordar a obra de Huxley. Era o ano 632 d.F. (depois de Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, tido como um Deus por ter inovado a técnica de produção em massa). Na sociedade retratada, existiam várias castas: os Alfas, dotados de inteligência, estatura e beleza incomuns e produzidos para ocuparem os mais elevados cargos da sociedade; os Betas, menos evoluídos que os primeiros mas, ainda assim, privilegiados; e os Gamas, os Deltas e os Épsilones, produzidos em massa (muitos deles com feições semelhantes), de baixa envergadura, pouco atraentes e encarregues dos trabalhos pesados. A sociedade foi idealizada de um modo verdadeiramente genial – primeiramente, na fase embrionária, cada indivíduo era biologicamente estimulado para ter determinadas características; numa etapa posterior, enquanto criança, presenciava sessões de condicionamento bem Pavlovianas que o modelavam de maneira a estar confortável com certos comportamentos/acontecimentos (a morte, o erotismo desde tenra idade) e a repelirem outros (o amor, a família, a arte). Este controlo garantia que cada indivíduo era inteiramente feliz com a vida que levava e que desempenhava o seu papel do modo mais eficaz possível, o que é de extrema importância, dado que o equilíbrio da sociedade era o derradeiro objetivo. Quando confrontados com algum problema, optavam pelo consumo de soma, uma substância psicotrópica que os fazia vivenciar alucinações e os trazia de volta à felicidade superficial na qual estavam imersos. Existiam, ainda, reservas de “selvagens” – locais nos quais viviam aqueles que haviam rejeitado a sociedade e que escolheram a vida em

comunhão com a família e a natureza. A obra relata a história de um Alfa, Bernard Marx, e do seu contacto com um “selvagem” que conhece ao visitar uma reserva indígena. Ao longo do livro, são ressaltados os contrastes entre ambos os modos de vida e as consequências que cada um dos personagens sofre ao ser inserido no ambiente que repudia. A meu ver, porém, a narrativa é uma mera forma de expor a sociedade que Huxley idealizou – uma que, ao contrário daquela que está retratada em “1984”, não é controlada pelo medo, mas pelo prazer. Em termos sociológicos e psicológicos, esta é uma obra verdadeiramente fascinante, e é acima de tudo um sinal de alerta de Huxley para a sociedade. Recomendo.

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Mariana Rajado


O ÁLBUM DA MINHA VIDA... Nobody Can Live Forever (1976) Tim Maia

Mais um ano letivo e, como não poderia deixar de ser, não resisto em dar as boas-vindas aos novos alunos, acrescentando um toque especial para quem atravessou o Atlântico e veio aterrar neste departamento: Tim Maia. Ou melhor, “Ninguém pode viver para sempre: A alma existencial de Tim Maia”. Não é um álbum que pertença diretamente à sua discografia, por se tratar duma coletânea de canções com o intuito de celebrar o seu septuagésimo aniversário, mas escolhi esta relíquia precisamente por isto: convido-vos primeiramente a conhecer a epiderme de Tim, para que depois possam submergir na sua discografia. Sebastião Rodrigues Maia é um dos principais arguidos pela introdução da música soul na música popular brasileira, sendo um dos maiores emblemas da música Brasileira, dividindo o pódio com figuras míticas, como Jorge Ben. Se numa daquelas

tardes solarengas de domingo os vossos olhos começarem a vacilar face ao estudo, convido-vos a pesquisar este álbum e a escutarem do início ao fim, passando um pouco por todas as fases artísticas de Tim, sempre acompanhadas por uma boa dose não só de soul, mas também de funk. Esperem uma voz completamente distinta, grave e rouca, reconhecendo-se a anos-luz. Enfim, é o Tim Maia, afinal de contas. Não me querendo alongar para vos deixar na vossa própria viagem espiritual, deixo-vos apenas a informação de que Tim já não está entre nós, no entanto, não desanimem! A sua alma existencial perpetua-se pelas nossas cócleas, por ondas longitudinais, até aos confins do universo.

Mauro Pinto

A MONALISA DAS SÉRIES Preacher (2016)

Sam Catlin, Evan Goldberg, Seth Rogen

Preacher é uma série de televisão americana de drama e horror. Estreada a 22 de maio de 2016, a série conta a história de Jesse Custer, um pastor que é possuído por uma entidade superior, chamada Génesis, e que faz com que ele tenha o poder divino de fazer obedecer todos os seus seguidores, ou mesmo inimigos, em qualquer circunstância. Com o intuito de descobrir a origem do seu novo dom, Jesse aliado à sua relação de amor-ódio, Tulipa, e juntando-se a eles Cassidy, um vampiro, tentam contactar Deus, através de dois anjos que o perseguem e que querem recuperar Génesis. Os anjos acabam por se deslocar ao inferno, que se passa no mesmo local onde o preacher vive no presente, mas recuando até ao século XIX, pedem ajuda a um assassino da época para obrigar preacher a devolver Génesis. A série é baseada na banda desenhada da DC Comics’ Vertigo, motivo principal pelo qual a comecei a ver. Preacher

é um misto de sensações de horror com uma subtil comédia inerente, que marca os momentos mais tensos ao longo dos episódios, e que a torna sensorialmente viciante. As próprias personagens são de carizes estranhos que por vezes nos deixam perplexos em certas cenas que vão acontecendo, umas mais inesperadas que outras. Do elenco fazem parte grandes atores dos quais destaco Ruth Negga (Tulipa) e Dominic Cooper (o Preacher), que na realidade são um casal e que torna esse facto ainda mais interessante aos olhos do espectador, pois a relação deles dentro da série não é, de todo, a mais convencional. A série conta para já com 10 episódios da primeira temporada e já foi renovada para a segunda, que deverá estrear a meados de 2017, pela transmissora original, AMC.

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Alexandre Chambel


COIMBRA by random eyes as escolhas de Ricardo Margarido

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#coimbrabyrandomeyes 18


Projeto des.LIGA:

Outubro:

Educação para a Saúde no Ensino Superior

Mês da prevenção do cancro da mama

O des.LIGA é um projeto de educação para a saúde e prevenção do cancro desenvolvido no contexto do ensino superior, promovido pelo Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro em cooperação com a Associação Académica de Coimbra. Desenvolvido por estudantes e para estudantes, o des.LIGA visa a sensibilização para a prevenção do cancro e para a adoção de estilos de vida saudáveis, através da promoção de iniciativas dirigidas à comunidade estudantil. A adesão às atividades do grupo é voluntária. Caso esteja interessado em integrar o projeto des.LIGA envie um e-mail para educacao.nrc@ligacontracancro.pt

Em Portugal, anualmente são detetados cerca de 6.000 novos casos de cancro da mama e 1.500 mulheres morrem com esta doença. Sob o mote “Prevenir o cancro da mama é o primeiro gesto para o vencer”, a Liga Portuguesa Contra o Cancro desenvolveu uma nova app. A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) disponibiliza, de modo gratuito, uma app sobre cancro da mama. A app está disponível para tablets e smartphones (versão Android, Windows e IOS). Está, também, disponível numa versão web. Com o desenvolvimento desta aplicação pretende-se melhorar o conhecimento sobre cancro da mama, tornando, por essa via, mais eficaz a sua prevenção e diagnóstico precoce. Organizada em capítulos, a aplicação foca aspetos relativos à epidemiologia, prevenção, tratamento e apoio à mulher com cancro da mama. Por ter sido desenvolvida no âmbito do projeto de Educação para a Saúde sobre Cancro da Mama para Mulheres Cegas e Amblíopes, financiado pela Fundação EDP (EDP Solidária), em parceria com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e a Coligação Europeia Contra o Cancro da Mama – Europa Donna, esta aplicação atende a critérios de acessibilidade específicos para a pessoa cega ou com baixa visão. Entre estes critérios, destaca-se a possibilidade de aumentar ou diminuir a dimensão dos carateres de acordo com as necessidades do utilizador, a possibilidade de colocar um contraste acentuado no texto e a reprodução áudio dos conteúdos em equipamentos móveis adequados a pessoas cegas e amblíopes. Para mais informações: www.ligacontracancro.pt

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FICHA TÉCNICA Morada

Rua Larga, Departamento de Física, Sala C8, 3004-516 Coimbra

Contacto

antimateria.df@gmail.com

Editor Executivo Maria Pimentel Rita Viegas

Equipa de Edição

Mariana Rajado, Inês Félix, Sara Barros, Maria Pimentel, Mariana Rajado, Rita Viegas

Capa e Ilustrações Catarina Oliveira Maria Pimentel

Equipa de Design

Maria Pimentel, Catarina Oliveira

Equipa de Revisão Rita Viegas

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