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Ano VI - Nº 6 - Outubro 2005

Pedro Russi Duarte*

Reflexões (Epistemológicas) na pesquisa: “A diáspora dos uruguaios no cenário do Brasil – uma hetero-auto-experimentação”

Resumo: Como migrante pesquisador quero ar-

que me pesquisa, pesquisador que me observo

ticular/resgatar vários momentos caleidoscópicos

ao observar, que me estudo ao estudar, me

da reflexão epistemológica sobre história oral

vivencio nas vivências do outro – sou um acon-

nessa pesquisa. Pensar nesse movimento

tecimento. E, nessa atividade, manifestam-se

epistemológico e os conflitos entre: conhecido-

pertenças e pertencimentos de coisas que con-

estranho-conhecido que re-elaboram o tempo e

sigo reconhecer, mas não remover.

espaço diaspórico do pesquisador ao estudar, neste caso, os migrantes uruguaios no Brasil. Uma reflexão que articula, dialeticamente, vários operadores das interações e processos comunicacionais de “um” sujeito uruguaio educado para emigrar e que (re)constrói a identidade com relação ao Brasil na experiência diaspórica. Primeiro, na idéia e no simbólico,

Palavras-chave: Epistemologia História Oral

tentando compreender a desterritorialização que

Migração

mistura mistério e ansiedade, saudade e raiva

Memória

no ritual migratório. Segundo, porque aqui es-

Processos Comunicacionais

tou, eu, entrando no palco e cena da pesquisa

*

Doutorando e Mestre em Ciências da Comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Unisinos-RS-Brasil. Licenciado em Educação-Pedagogia pela Universidade Católica do Uruguai. Professor-pesquisador no Curso Comunicação Social - Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus/IELUSC e no Núcleo de Estudos em Comunicação. Integrante do grupo de Pesquisa “Mídia e Multiculturalismo” do PPG-CC/UNISINOS. Bolsista CAPES. Ator-Diretor. pedrorussi@yahoo.es

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Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

Vivenciado a vivência, inícios de um caminho…

além das histórias familiares, eu também aprendi desde

Ao elaborar esta pesquisa, não posso ignorar o

criança que, para continuar estudando na universidade,

meu lugar de fala, de vivência. Ao dizer de Da Matta1,

teria que migrar para Montevidéu. Quer dizer, aprendi e

exigir-se-iam articulações para transformar o exótico em

vi (primos, tios, irmão) ser migrante. Primeiro, na idéia,

familiar e o familiar em exótico; já no meu caso o desa-

no abstrato, tentando compreender a desterritorialização

fio está no entrecruzamento de linhas e nodos de um

na mistura de mistério, ansiedade, saudade e raiva que

tecido que se faz com fios de conhecido-estranho-co-

iria se concretizar anos depois no ato daquele ritual

nhecido.

migratório.

Qual seria o lugar das surpresas ao começar o

Aproximando-me aos tempos atuais (já migrante

caminho da pesquisa? E, aquelas matrizes profundas, de

– alguma vez não fui migrante?), no final do ano 2003,

que forma/s iriam voltar à superfície?, Quais seriam mi-

fui de férias para Uruguai e ao retornar ao Brasil, come-

nhas atitudes, cientes ou não, diante das respostas do

cei a perceber com mais clareza, talvez por aquilo que

outro?, Como lidar com tudo isso, que interatua na mi-

Calvino3 menciona – começo a perceber meus espaços e

nha história de migrante/pesquisador?… são algumas das

histórias quando me afasto –, uma sensação que me

perguntas ao escolher o tema da pesquisa.

acompanhou durante minha estada lá. Uma sensação

Após de ter começado o doutorado, nas trilhas de

configurada de estranheza e familiaridade que, parado-

algumas leituras deparei-me com aquilo que Gramsci

xalmente, no deslocamento de um lugar para outro, me

escreveu e que, posteriormente, Martin-Barbero recu-

re-localizavam nalgum espaço que, em palavras de

pera numa espécie de autobiografia, “só pesquisamos a

Bhabha poderia ser entendido como a vivência de estar

verdade que nos afeta” – mais ainda ao lembrar que

no entre-lugar, entre-meio, entre-tempo4.

afetar vem de afeto2. Essas palavras não foram esqueci-

Aliás, ao localizar-me como interação – entre-lu-

das nem caíram vazias. Porque, aqui estou, eu, entran-

gar –, ou melhor, como acontecimento5, na vivência de

do no palco e cena da pesquisa que me pesquisa, do

sujeito migrante, aproximo-me ao sentido atribuído por

pesquisador que me observo ao observar, que me estu-

Heráclito6 de que “todo flui” porque todo está em movi-

do ao estudar, me vivencio nas vivências do outro. E,

mento, nada é eterno nem estático – daí que “não posso

nessa atividade, manifestam-se pertenças e

descer duas vezes pelo mesmo rio”, nem o rio nem eu

pertencimentos de/as coisas que consigo reconhecer, mas

somos os mesmos. Dessa forma, em tais processos di-

não remover.

nâmicos de interação, observo as tensões e contradi-

A relação com o tema da emigração ou imigração

ções que a(s) experiência(s) suscita(m) tanto para um

está na minha família. Sempre ouvi falar sobre meus

eu-migrante quanto para um outro-receptor, e agora eu-

bisavós e bisavôs (pela minha mãe e meu pai), de que

pesquisador – devires7 de um eu-nós. Portanto, as expe-

foram migrantes italianos, espanhóis e brasileiros. Mas,

riências que vivencio encontram-se na encruzilhada (bi-

1

DA MATTA, Roberto. Relativizando. Uma introdução à antropologia social. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

2

MARTIN-BARBERO, J. Autobiografía. In: MARQUES, J. Melo de. et ROCHA, P. Dias da (orgs). Comunicação, cultura, mediações: o percurso de Jesús MartinBarbero. São Bernardo do Campo: UNESP: Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, 1999. 3 4 5

42

6 7

CALVINO, Italo. As cidades invisíveis. Rio de Janeiro: Globo, São Paulo: Folha de São Paulo, 2003. [in-between;time-lag] BHABHA, H. K. O local da cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1998. p.10. DELEUZE, Gilles. Lógica do sentido. São Paulo: Perspectiva, 2003. p.151. Filósofo de Éfeso (Ásia Menor), 540-480 a. C. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Introdução: Rizoma. In: Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. p.11-38.


Ano VI - Nº 6 - Outubro 2005

furcação que reúne e fasta) das inter-relações

Isto é, a identidade não é neutral ou funcionalista,

estabelecidas – sempre – por um constante e dinâmico

que se legitima na medida em que é funcional para uma

jogo de conflitos.

sociedade e cultura na que existe, onde as relações se

À primeira “vista” não deixa de ser contraditório,

dão por complementação – definição metafísica da iden-

o indivíduo tem que sair para ser e se reconhecer como

tidade (eu), que desde uma essência nega os aspectos

particular e nação. Mas a proposta aqui é compreender

que fundamentam e caracterizam a dinâmica do contex-

a complexidade exposta por essa dinâmica e identifica-

to11 – e não pela dialética das relações, exigência política

ção. Quer dizer, a migração é uma forma de ser e vir a

além de filosófica. Vai além do significado tradicional,

ser que para o Uruguai/uruguaios assume o valor no

“unimidad, omniabarcativa, inconsútil, y sin definición

decurso dos que migram e têm sucesso, sustentando,

interna”12.

conseqüentemente os mitos fundadores da nação e ser

Isso permite perceber-me (pesquisador-

uruguaio (educação, alfabetização, cultura, valores e assim

pesquisado) na identidade como “vazio de sentido”, pa-

por diante), a partir dos quais o indivíduo vai-se relacio-

rafraseando Lipovetsky13, e não como sentido vazio, já

nar e estabelecer os laços e interações entre os migrantes

que a identidade expõe o “vazio” a um constante “preen-

e as culturas que o recebe8.

chimento” por ser não unificada e não unidade;

Hall, permite entender o processo da identificação

tensionando assim, à artificialidade de um preenchimento

como uma dinâmica de articulação. Ao dizer do autor:

imposto por normas e leis identitárias (como função so-

uma sutura, já que o ideal do eu se compõe e tem rela-

cial), pensando o indivíduo sem ser sujeito-humano. Ao

ção com ideais culturais que não têm que ser harmonio-

dizer de Hall, as identidades “están cada vez más frag-

9

sos . Ele distingue e procura deixar claro uma evidência

mentadas y fracturadas, nunca son singulares, sino

de determinados relacionamentos que existem entre iden-

construidas de múltiples maneras a través de discursos,

tidade e identificação, mas isso não quer dizer a impor-

prácticas y posiciones diferentes, a menudo cruzados y

tação das conotações de um conceito para o outro, sem

antagónicos (…) en un constante proceso de cambio y

uma tradução dessas para compreender as reflexões em

transformación”14.

torno da identidade, por exemplo. Eu interpreto a identi-

Neste trabalho quero entender (a identidade) o

dade como movimento de intermédios de ação, entre o

lugar do pesquisador como um movimento em conflito-

surgimento (o que re-elabora) e a expressão (o que o

diferença e não como diversidade articulando uma

outro vê e, segundo Hall, interpela), isso permite pensar

interculturalidade de pacíficas e diversas interações.

a teoria da prática discursiva10, não abandonando o su-

Refiro-me a um movimento a contrapelo e entretecido

jeito, e sim pensá-lo na nova posição, descentrada, no

pelas mediações que vivencio. Pode que esse seja o meu

intermédio (interstício).

lugar como migrante ó pesquisador, e que, desde aí ar-

8 Considero o sentido de Receber como ato de recepção de algo, e não no sentido da acolhida, onde se articulam atividades e operadores de índole social, político, religioso, emocional, etc. Refiro-me, neste caso, aos uruguaios no Brasil. 9

LAPLANCHE et. PONTALIS apud. HALL, S. Introducción: quién decesita “identidad”?. In: HALL, S. et GAY, P. de (Orgs). Cuestiones de identidad cultural. Bs. As.: Amorrortu, 2003; p.16.

10 FOUCAULT apud. HALL, S. Introducción: quién decesita “identidad”?. In: HALL, S. et GAY, P. de (Orgs). Cuestiones de identidad cultural. Bs. As.: Amorrortu, 2003; p.14. 11 12 13 14

GARCÍA CANCLINI, Nestor. A socialização da arte. Teoria e prática na América Latina. São Paulo: Cultrix, 1984. HALL, S. Introducción: quién decesita “identidad”?. In: HALL, S. et GAY, P. du (Orgs). Cuestiones de identidad cultural. Buenos Aires: Amorrortu, 2003. p. 18. LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio. Ensaio sobre o dualismo contemporâneo. Lisboa: Relógio D’Agua, 1983. HALL, S. Introducción: quién decesita “identidad”?. In: HALL, S. et GAY, P. du (Orgs). Cuestiones de identidad cultural. Buenos Aires: Amorrortu, 2003. p. 17.

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Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

ticule os operadores de uma pesquisa que visa estudar

mória, aquela memória escondida, ao dizer de De

as interações e processos comunicacionais que re-ela-

Certeau), as técnicas de entrevistas orais e interpretação

boram o tempo/espaço/tempo diaspórico dos migrantes

das falas articulam-se como trilha para apreensão dos

uruguaios no Brasil.

temas/objetivos propostos.

Rápidas apresentações cenário da pesquisa…

A metodologia de história oral tem sido privilegiada no estudo de trajetórias, mediante entrevista semi-estruturadas ou histórias de vida. A utilização de

Para atingir os objetivos propostos na pesquisa,

história oral no estudo das migrações não tem o caráter apenas de técnica de levantamento de dados mas tem uma função epistemológica e ideológica18.

analisar as experiências Hetero-Auto-Experimentação no cenário das migrações contemporâneas do Mercosul – imigrantes uruguaios no sul do Brasil, parto dos processos e dinâmicas de interação comunicacional entrecruzada pelas mediações midiáticas e não midiáticas. O método

Continuando, nessa linha, as autoras explicitam que, a história oral, ao estudar a experiência de estes grupos, contribui para uma perspectiva teórica que contempla o agir humano no fazer-se da história, onde as práticas sociais são múltiplas, diversas e particulares. Coletar depoimentos orais numa sociedade marcada pela modernidade, pelo domínio da técnica,

pensado para a pesquisa é de caráter qualitativo. Por

ciência e razão, do poder massificador da mídia, remete a pensar sobre o lugar da narrativa nesta sociedade em que o quotidiano é definido pelo tempo disciplina-

meio das entrevistas recupero as vozes dos migrantes

do, controlado, pelo ritmo do relógio. (...) Não há o desaparecimento da narrativa mas a sua resignificação.

buscando a memória na construção das identidades cul-

De acordo com o anterior, a história oral tem como

turais como espaço de intercultural no cenário da migra-

característica a captação e reconstrução de fatos, vivências

15

ção .

e experiências de pessoas em diferentes cenários da vida Os sujeitos da pesquisa são uruguaios estabeleci-

mantendo estreita relação desta vida com o movimento

dos ou em circulação no sul do Brasil. A quantidade de

histórico e cultural da sociedade. Quer dizer que, a histó-

entrevistados seria de onze (11), e o mapa configura-se

ria oral “opera com uma noção de passado que se pro-

16

da maneira seguinte : (a) no Brasil: quatro (4) imigran-

longa no presente e se projeta no futuro. O processo his-

tes uruguaios; (b) no Uruguai: (b1) uruguaios que

tórico é, pois, algo que não se mostra acabado, com um

retornaram, quatro (4); (b2) uruguaios que querem mi-

início (...) mas apresenta-se em descontinuidades, ruptu-

grar para o Brasil, três (3). Nesse cenário, procuro estu-

ras, flashes e demoras”19.

dar as dinâmicas dos fluxos/interações comunicacionais,

Para levar adiante a história oral como recuperação

considerando o lugar que ocupam no concreto dos

da memória (comunicacional) do migrante, optei, no cená-

migrantes, como posições determinadas e dinâmicas nas

rio das várias entrevistas realizadas, por um grupo de uru-

redes interpessoais no contexto sul brasileiro. Quer di-

guaios que apresentam diversas características (escolari-

17

zer, considero o método da história oral (retomar a me15

dade, idade, tipo de trabalho, forma de migração, classe,

No que tange à escolha do local onde se estabelecem os migrantes uruguaios, será o Estado de Rio Grande do Sul (RS). Resumidamente aponto para alguns fatores

entendidos como pertinentes às margens territoriais do local escolhido para a pesquisa: a relação tanto histórica quanto contemporânea; as interações – fronteira terrestre – apresentadas nas entrevistas, mostram que a vivência e percepção de um outro (Uruguai/Brasil) como vizinho. Quer dizer, a escolha e delimitação do espaço territorial (o sul) advêm de matrizes históricas que configuram uma trama/tecido à hora de resgatar os processos migratórios na experiência vivenciada pelos sujeitos das entrevistas. 16 17

(uruguaios que estão no Brasil; uruguaios que retornaram do Brasil; uruguaios que estão pensando migrar para o Brasil) Algumas leituras, como bases bibliográficas, para apontar o caminho: THOMSON, Paul. A voz do passado. Historia oral; HALBWACHS, M. A memória coletiva;

da Academia universal de las culturas. Por qué recordar?; YANKELEVICH, P. (org). En México, entre exilios. Una experiencia de sudamericanos; LE GOFF, J. Histórias e memória. Memória; AMADO, Janaína e MORAES, M. de. (Org.) Usos & abusos da história oral; BOURDIEU, P. (Coord.) A miséria do mundo; BOSI, Ecléa. Memória e sociedade. Lembranças de velhos. GRISA, J. Histórias de ouvintes;JOSSO, Marie-Christine Experiências de Vida e formação; TREBITSCH, Michel. A Fundação epistemológica da história oral no discurso da história contemporânea; FERNANDES, Florestan. A história de vida na investigação sociológica: a seleção dos sujeitos e suas implicações. Assim como, diversos materiais da Assossiação Brasileira de Historia Oral. W. Benjamin; Michel de Certeau; R. Barthes. 18 MORAES, Ma. S. et. MENEZES, Ma. A, de. Migrantes temporários: fim dos narradores?. In: Neho-história. revista do Núcleo de Estudos em História Oral. Nº1, 44

novembro 1999. p.12. 19 RESENDE, Selmo, H. de. Abordagens biográficas e Foucault. In: Neho-história. revista do Núcleo de Estudos em História Oral. Nº1, novembro 1999. p.60.


Ano VI - Nº 6 - Outubro 2005

cidade de origem…), deixando mais complexa e desafiante

matizar os dados (análise descritiva), paralelamente aos

a pesquisa. Dessa forma, poder compreender na própria

momentos das entrevistas, o que vai possibilitar um

complexidade a interculturalidade e suas mediações nas

melhor diálogo com as histórias de vida e história

interações comunicativas desses indivíduos. Quer dizer, a

comunicacional.

escolha dos entrevistados é um fato significativo porque

Conforme a maneira como venho realizando a pes-

diz respeito à inserção, por parte do sujeito, nos diferentes

quisa, divido as entrevistas em três momentos, e para

cenários-contextos culturais, políticos, educativos, econô-

cada um desses corresponde um bloco/roteiro – teria

micos; buscando identificar, para analisar, as diferentes

um roteiro por momento, e cada momento objetivos a

mediações midiáticas e não midiáticas (bairro, família, re-

serem cumpridos (de maneira sincrônica e diacrônica).

ligião, meios de comunicação, etc.).

Os roteiros20 das entrevistas estão sendo configurados

A relação – rede – entre os entrevistados, surge

na base dos seguintes elementos: pesquisa exploratória;

deles mesmos já que foram tecendo a rede que se, eu

as perguntas das entrevistas realizadas e apresentadas

não delimito de alguma forma, se expande constante-

na qualificação; o modelo – 2004 – da pesquisa do gru-

mente. Portanto, cabe assinalar que a delimitação está

po “Mídia e Multiculturalismo”; e material bibliográfico21.

baseada nos parâmetros especificamente temporais da

Daí os três momentos:

pesquisa e meus, assim como na (im)possibilidade de

(1)

História Familiar (contexto geral do sujei-

abarcar toda a dimensão de rede sugerida pelos

to, observando e relacionando as diferentes formas e

migrantes. Porque, das entrevistas registradas resgato

modos de construção das estruturas culturais, sociais…,

a abertura para falar, o gosto (necessidade?) por com-

buscando recuperar a memória do coletivo através das

partilhar as histórias e memórias a serem ouvidas,

individualidades);

vivências e “resgate” de vozes que significam e

(2)

Histórias vivenciais (mais específico do

(re)atualizam o cotidiano construído sobre e sob ten-

sujeito, na vivência/experiência antes-durante-depois ao

sões, acertos, incertezas, pressões, burocracias, rejei-

processo migratório). Dessa forma, levantar categorias

ção…

para o próximo momento; Se considerar as discussões apontadas pelos au-

(3)

História Comunicacional (a relação en-

tores mencionados (e outros consultados), no que diz

tre o sujeito e os diversos/diferentes dispositivos midiáticos

respeito às histórias de vida e o número de entrevista-

e não midiáticos; apropriações e dinamização – antes-

dos, permito-me decidir pela busca das “potencialidades”

durante-posterior ao processo migratório). Busca-se

de cada um dos relatos como validade da pesquisa, in-

compreender/descobrir: os momentos fundação, gostos

vés da saturação numérica de informação. Vou realizar

midiáticos, usos sociais, dinâmicas a parir das mídias,

as entrevistas e paralelamente ir analisando-as para te-

configuração de redes de migrantes.

cer entrecruzamentos, não vou deixar para serem trans-

O que pretendo é configurar uma dinâmica que

critas ou analisadas no final do processo. A idéia é siste-

vai do micro de cada vivência – entendida como potenci-

20 21

Está clara a não fixação das entrevistas-roteiro, porque, segundo as circunstâncias e dinâmica da pesquisa e entrevistas , podem-se re-atualizar os roteiros. Principalmente Jairo Grisa no livro “Histórias de ouvintes”, Marie-Christine Josso no livro “Experiências de Vida e formação”. 45


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

al para a pesquisa –, ao macro (geral) que busco enten-

A seguir, procuro navegar sobre os movimentos

der a partir do problema de pesquisa, e ambos

que venho realizando no sentido epistemológico e que

(re)configurando um meso. Assim compreender, nas fa-

permitem elaborar o trabalho de pesquisa que se articu-

las dos migrantes, as dinâmicas micro-meso-macro-

la sobre um mapa que, em virtude do decorrer da pes-

comunicacionais que re-significam e re-dinamizam as

quisa, pode ser configurado como relação de forças: entre

relações interpessoais e matrizes culturais de nação/

Uruguai e Brasil. Essas existem nos processos de migra-

nacionalidade/território relacionadas ao diaspórico na

ção vivenciados por sujeitos (entre os quais me encon-

tensão ao intercultural e identidade cultural.

tro) com suas especificidades e que (re)constroem e

Das reflexões epistemológicas:

(re)articulam tal experiência. Para entender tais práticas

‘…aqui estou, eu, entrando no palco e cena da pesquisa que me pesquisa, pesquisador que me observo ao observar, que me estudo ao estudar, me

como dinamizadoras, a pesquisa estrutura-se no eixo das

vivencio nas vivências do outro – sou um acontecimento…’

interações comunicacionais que são configuradas e configuram as identidades culturais, sobre determinados

O que estou procurando é apresentar, além dos

operadores/cenários de sentido concretos e simbólicos.

percursos realizados tanto no método quanto na

Ambos os cenários estão articulados por proces-

metodologia, as vivências e reflexões que permitem uma

sos de fluxos e contra-fluxos que se atravessam pelas

epistemologia do concreto-pesquisa-pesquisador. Por

diferentes mediações; não somente nas suas particulari-

método entendo as decisões que têm relação às técni-

dades, mas na complexidade que caracteriza as identi-

cas a serem utilizadas e, quanto à metodologia, os pro-

dades. Para isso, busca-se realizar problematizações

cessos epistemológicos, a reflexão sobre tais movimen-

metodológicas vinculadas com as estruturas teóricas e

tos, buscando entrecruzar dinâmicas abstratas e con-

com problematizações empíricas, investigando e enfren-

cretas que não podem ser definidas a priori. Nessa dire-

tando o desafio de não produzir separações postiças de

ção, vou esclarecer as opções realizadas sobre as ope-

níveis, onde o teórico é apresentado como exercício

rações e técnicas conforme o método proposto, e se-

retórico em um cenário que se reduz a aplicações de

gundo as plataformas empírica/teórica solicitadas pelo

ferramentas. Essa idéia, apresentada por Maldonado,

próprio fluxo da pesquisa.

leva-me a pensar a junção entre as dimensões teórica/

Como forma de explicar os caminhos percorridos e entender os futuros movimentos da pesquisa, cabe

sa22.

deixar claro que a seqüência apresentada é um reflexo

O processo metodológico busca descobrir não só

da dinâmica vivenciada no que vai da elaboração da pes-

a relação que une (liga) os fenômenos a um determina-

quisa, enquanto método e metodologia – uma forma de

do instante, senão as suas modificações e evolução. Quer

explicá-la e refleti-la.

dizer, a realidade a ser estudada (análises e exposição)

Das articulações metodológicas… lugar de olhar e fala

22

é sempre uma realidade em movimento; mutável, misteriosa, duvidosa, organismo móvel e transformável, de

MALDONADO, Efendy. Explorações sobre a problemática epistemológica no campo das ciências da Comunicação. In: Epistemologia da Comunicação. LOPES,

Ma. I. Vassallo de. São Paulo: Loyola, 2003. p. 207. 46

metodológica/vivência como sistemática na/da pesqui-


Ano VI - Nº 6 - Outubro 2005

medos e incertezas, “nunca é ao começo quando algo

natural. Necessitamos construir (ser criativos) os méto-

novo revela sua essência, senão que, o que havia desde

dos científicos, percursos e abordagens diferentes para

o começo só pode revelar-se em um giro da sua evolu-

cada novo objetivo, que se apresenta na escolha de cada

23

ção” , apontava Nietzsche. Estamos convidados à aven-

caminho bifurcado. O método avança no conhecimento

tura de caminhos e encruzilhadas com montanhas de

mediante o reconhecimento de elementos contraditórios,

dúvidas não resolvidas – não conhecidas – e ainda en-

de opostos buscando compreender as condições da pes-

voltas em neblina24.

quisa.

Os caminhos propostos em um primeiro momen-

Nessa direção, Sodré, adotando as palavras de

to vão se modificando, alterando e alternando com ou-

Gumbecht, apresenta e chama a atenção para o seguin-

tros passos muitas vezes em contra-fluxo, mas que fa-

te desafio, “não acredite em nenhum ‘método’ ou (pior)

zem parte da descoberta de novas trilhas. Parafrasean-

metodologia – não porque os métodos ou metodologias

do Borges, estamos em um bosque que é um jardim de

sejam intrinsecamente maus, mas porque eles o impe-

caminhos que se bifurcam. A dimensão elaborada para

dem de pensar de modo independente e de desfrutar

compreender os dados é trabalho da reflexão na base

sua liberdade intelectual em uma dimensão de pensa-

das estratégias e processos que vão permitir construir o

mento que não admita regularidades rígidas” 27. Formu-

novo conhecimento e, assim, desconstruir o obstáculo

lando e veiculando estratégias inter e transdisciplinares,

epistemológico que bloqueia idéias.

categorias relacionadas ao movimento que atravessam

O resgate das falas como vozes e memórias que

fronteiras, observa-se que nessa ultrapassagem articu-

“querem ser faladas”, são uma forma de amplificar o

la-se e estabelece-se a identidade do campo porque,

cotidiano construído por tensões, acertos, incertezas,

“define-se em relação com outros. É a partir dessa inter-

pressões, burocracias, rejeição. Para Boaventura, tal

relação que os outros focos, “limites”, pertinências, dis-

movimento de resgate se concretiza como dupla ruptura

tinções, características, ênfase e eixos são objetiváveis

epistemológica25. Desse modo, é base da ciência salien-

e possíveis de definir”28.

tando a sua positividade e a contribuição para a emanci-

Segundo Vizer, a construção do sentido da vida

pação cultural social que “sendo prática não deixe de ser

social e as “relações de sentido”, como processos

esclarecida e, sendo sábia não deixe de estar democra-

comunicacionais, são elaboradas no cotidiano da vida,

ticamente distribuída”26.

das pessoas, nos relatos dos quais se serve para conhe-

O método se adapta a cada objeto estudado, mas

cer-se a si mesma, na “conversa” dos costumes com os

não de forma mecânica, daí a necessidade de contato

meios massivos. Mas, nessa mesma linha, pode-se per-

com o objeto, sua análise e conhecimento da sua reali-

ceber que os próprios processos são articulados nas fron-

dade e matéria. Aquilo que o homem faz por meio da

teiras, “la comunicación tiene la impertinencia de ser un

técnica não está na natureza nem em uma continuação

proceso transversal, un proceso que cruza todas las

23

apud. FABRI, Paolo. O giro semiótico. Espanha: Gedisa, 1998.

24

ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 12. SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro:Graal,1989. p. 41

25 26 27

SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro:Graal,1989. p. 42 SODRÉ, Muniz. Ciência e método em comunicação. In: Epistemologia da Comunicação. LOPES, Ma. I. Vassallo de. São Paulo: Loyola, 2003. p. 305.

28

MALDONADO, Efendy. Explorações sobre a problemática epistemológica no campo das ciências da Comunicação. In: Epistemologia da Comunicação. LOPES, Ma. I. Vassallo de. São Paulo: Loyola, 2003. p. 208.

47


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

fronteras y se resiste a su delimitación en una e otra

no qual se re/elaboram as identidades pela interação30

disciplina”29.

eu-outro. No livro intitulado: Lógica formal/lógica

Ciente sobre a complexidade do tema em si, mas

dialética31, Henri Lefebvre propõe o esquema seguinte

também, pelas suas inter-relações entre os vários cam-

como forma de entender, desde a dialética, os proces-

pos (comunicacional, histórico, social, político, cultural,

sos que configuram identidade em dois espaços, abstra-

antropológico…) que, além da compreensão específica,

to e concreto.

demandam um recorte (risco da escolha) permitindo simultaneamente aprofundar o/no objeto de estudo. Tais

Identidade abstrata (conteúdo reduzido)

Diferenças

Identidade concreta (dialética)

Universalidade (momento)

Particularidades concretas

Singularidades (momentos)

escolhas não estão livres de um processo reflexivo (político-epistemológico) que atinge o lugar do pesquisador pelas opções, configurando movimentos de acomodação e inquietação que advêm do objeto – sujeito – de estudo. Significa que o objeto empírico problematiza e se

A existência de movimentos dialéticos nessa cons-

problematiza, na intervenção que ele força a cada movi-

trução (historicidade) poderia ser analisada se conside-

mento, como fenômeno cultural comunicacional. Daí ou-

rarmos as relações identitárias na forma e conteúdo. A

vir as tensões, propostas e exigências que o objeto apre-

identidade abstrata, baseada em marcos universais de

senta para entender o seu lugar de fala.

conteúdo reduzido, articula-se pela différance 32e

Nesse sentido, o próprio objeto de estudo não exige

interação, com a identidade concreta na singularidade

unicamente compreensão desde o espaço mental (abs-

do momento, que se entrecruzam através das particula-

trato/simbólico) ou do concreto exclusivamente, senão

ridades concretas com a universalidade que é definida

desde um interstício entre ambos. Mas ainda continua

por aquela identidade abstrata. Por exemplo: o migrante

sendo mental se o pesquisador não busca internar-se no

que chega (re)configura identidades, do lugar receptor,

fenômeno interculturalidade, interatuando no próprio cam-

dos sujeitos, de si mesmo, através de diferentes dinâmi-

po desde uma epistemologia multicultural. Conseqüen-

cas que se estabelecem entre o abstrato (criado antes

temente, pensar o outro unicamente como algo/alguém

de chegar) e a instância do particular concreto (ao che-

diferente é minimizar (de mais) um processo altamente

gar). Movimentos que me desafiam no caminhar da pes-

complexo como a identidade, mais ainda no contexto da

quisa, perceber no outro é: me perceber nessas confi-

migração.

gurações e tensões-dialéticas das identidades concretas

Diante disso, percebo que estou em presença de

e abstratas.

um problema de pesquisa que exige (e me exige) ser

Dessa forma, articula-se o processo dialético que

lido de forma dialética para entendê-lo na complexidade

deve ser entendido “não apenas de oposições

dos contextos e processos comunicacionais, como lugar

formalizáveis (redutíveis a operadores), como ‘inclusão/

29

VIZER, Eduardo. La trama (in)visible de la vida social: comunicación, sentido y realidad. Bs. As.: La Crujia, 2003.

30

Inter, entendido como reciprocidade. E, ação compreendida como: ação que se exerce mutuamente entre duas ou mais coisas, ou duas ou mais pessoas; ação recíproca. (Dicionário eletrônico Aurélio Século XXI) 31 32

LEFEBVRE, H. Lógica formal/lógica dialética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. p.26. DERRIDA, J. La Différance. Conferencia pronunciada en la Sociedad Francesa de Filosofía, el 27 de enero de 1968, publicada simultáneamente en el Bulletin de

la Societé française de philosophie (julio-septiembre, 1968) Disponível em: http://personales.ciudad.com.ar/Derrida/ 48


Ano VI - Nº 6 - Outubro 2005

exclusão’, ‘conjunção/disjunção’, mas também de oposi33

velocidades diferentes, não melhor ou pior, mas diferen-

ções mais concretas, como ‘aberto/fechado’” . De que

tes na relação eu-outro-eu…’ E, assim, (re)pensar o lu-

forma(s) eu, pesquisador, operacionalizo os movimen-

gar do sujeito (com sua intimidade, secretos e

tos na identidade abstrata/imaginada desse outro.

exterioridade) como práxis frente a cada árvore que se

Nesse

sentido,

pode-se

entender

os

apresenta como ator de um novo cenário e desconheci-

atravessamentos que acontecem entre as definições so-

da cena (leia-se como o prazer da incerteza). Andar nas

bre a migração, advindas do universal e criadas pelas

nebulosas dos bosques, da onde surgem os espectros

definições conceituais, e as surgidas no concreto da pró-

com suas vozes que gritam: “os que fazem da objetivi-

pria experiência migratória. Tal entrecruzamento reve-

dade uma religião, mentem. Eles não querem ser obje-

la-se como espaço no qual as identidades (re)configuram-

tivos, mentira: querem ser objetos, para salvar-se da

se no micro-meso-macro elaborando as interações.

dor humana”36, para entender, no concreto dos aconteci-

Figurativamente posso entender aquela relação

mentos, a presença do entorno.

como de elaboração34. A tese está ligando, ou melhor,

No cenário do dia-a-dia da pesquisa, onde se mis-

entrecruzando determinados questionamentos (a nível

turam cenas de um pastiche, vale a coragem de valori-

pessoal) que vão exigindo reflexões para entender que o

zar nosso lugar que poderia estar entre o “teatro de

epistemológico, como práxis científica, busca sair do

Aristóteles que é o teatro da opressão: onde o mundo é

mero jogo de enunciados lingüísticos e especulativos, já

conhecido com algo perfeito ou por aperfeiçoar-se, e

que os conceitos têm que ser construtores, sujeitos his-

todos seus valores impõem-se à platéia (...); o do Brecht

tóricos estimulando a produção de saberes35. Nesse sen-

que propõe um teatro onde o espectador delega pode-

tido, a pesquisa conjuga-se por diferentes caminhos,

res à personagem para que ela atue, mas reserva-se o

processos/práticas culturais e políticas. Em virtude dis-

direito de pensar por sua conta (...); ou o ‘teatro do opri-

so, as dinâmicas reflexivas sustentam metodologicamente

mido’ que propõe a própria ação: o espectador não de-

as decisões que foram e vão ser tomadas.

lega poderes à personagem para que pense ou atue em

Em fim…(?)

seu lugar; ao contrário, ele próprio assume o papel de

A imagem poderia ser entendida como o movi-

protagonista”37… viver a peça teatral como espaço (pal-

mento que se pergunta: Quais são os motivos que me

co-cenário-cena) onde os atores se tornam público e o

incomodam diante dessa relação (eu-outro-eu) devires

público ator, e assim flutuantes, misteriosos e mistura-

de eu-nós? Medo e não-medo diante da cena na qual

dos tecer oportunidades de experiências para degustar

sou exposição constante porque ‘me entrego ao outro

os lugares. É nesse jogo de papéis e de máscaras que

para que me devore, ofereço-me para o ato antropofágico

os lugares (personagens) se intercalam… um e outro se

de ser experimentado e mergulharmos juntos embora a

fazem…

33

LEFEBVRE, H. Lógica formal/lógica dialética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. p.26.

34

Isto é, levando em conta a definição fisiológica desse ato: ‘como ação vital e nutritiva’, elaboração da seiva em dois movimentos, ascendente ou mineral corre pelos vasos lenhosos e é formada da solução extraída do solo pelas raízes; e a seiva descendente ou orgânica que circula pelos vasos do líber e forma-se da anterior acrescida dos produtos da fotossíntese. (Dicionário eletrônico Aurélio Século XXI) MALDONADO, Efendy. Explorações sobre a problemática epistemológica no campo das ciências da Comunicação. In: Epistemologia da Comunicação. LOPES,

35

Ma. I. Vassallo de. São Paulo: Loyola, 2003. p. 215. GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: L&PM, 2002.

36 37

BOAL, Augusto. Teatro del oprimido y otras poéticas políticas. Buenos Aires: Nueva Visión, 1969. p. 22 e 36 49


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

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