Issuu on Google+

Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

Jacques Mick*

O jornalismo por vir1

Resumo Este artigo propõe que a crise do discurso jornalístico agravada pela convergência digital receba respostas teóricas que desloquem categorias-chave para a interpretação do jornalismo do marco cartesiano no qual foram constituídas. A partir da idéia de que o jornalismo é um pensar, não um fazer, sugere que conceitos como verdade, leitura, acontecimento, tempo e poder sejam ressignificados. A hipótese e de que maior complexidade teórica contribuirá para romper os limites impostos à reflexão

Palavras-chave: Teoria do jornalismo

sobre a área pela história, predominantemente

Discurso jornalístico

empírica, da constituição desse campo.

Jornalismo Poder

* - Jornalista, Doutor em Sociologia Política (UFSC), professor do curso de Comunicação Social da Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc 1 - Versão preliminar deste texto foi apresentada como aula inaugural comemorativa dos dez anos do Curso de Jornalismo do Bom Jesus/Ielusc, em Joinville (SC), em 12 de fevereiro de 2008. 40


Ano IX - Nº 9 - Agosto 2008

É consenso há quase vinte anos que o discurso

Brasil) de acontecimentos tão distintos quanto o rombo

jornalístico está em crise. Não há segredos quanto

na Société Générale, o caso Maddie ou o casamento

aos fundamentos dessa crise, ao menos no que tange

entre Sarkozy e Carla Bruni. Não há dados suficientes

às preocupações recorrentes dos intelectuais e dos

para se afirmar que a erosão de leitores de impressos

conglomerados de mídia. A convergência digital está

foi compensada pelo surgimento de novos leitores em

transformando os suportes em que circula a informação,

meio eletrônico – mas é uma possibilidade a conside-

ao mesmo tempo em que estende a cidadãos que não

rar. Metade dos franceses nascidos antes de 1940 lê

são jornalistas profissionais a possibilidade de publicar

jornal regularmente. Dos nascidos entre 1940 e 1960,

e dar ampla visibilidade a conteúdos – notícias, artigos,

somente 30% lêem jornal diariamente. E o índice é de

filmes, fotografias, para destacar apenas as formas

apenas 20% para os mais jovens. A convergência digital

mais próximas do Jornalismo. O novo ambiente foge

parece deslocar os leitores de jornal para suportes de

ao controle dos monopólios e, se ainda não representa

difícil comercialização, de escasso controle e de forte

exatamente uma democratização, dada a concentração

competitividade (SPITZ, 2004).

do uso de computadores na parcela mais alta da pirâ-

O diagnóstico alcança relativo consenso porque a

mide social, é de esperar-se que a universalização do

investigação sobre a relocalização das mídias tradicio-

acesso ocorra com maior rapidez do que aconteceu, por

nais é, sobretudo, um tema de interesse das empresas,

exemplo, com a televisão, que no Brasil só chegou a

as quais ainda ocupam lugar relevante em nosso campo

um número de domicílios superior ao do rádio 50 anos

de conhecimento. Tal abordagem não necessariamente

depois das primeiras transmissões.

contempla inquietações da sociedade civil e só corres-

O número de leitores de jornais tem caído em

ponde a parte das possibilidades e limites com que se

todo o ocidente e, nos países mais ricos, a concentra-

depara cotidianamente cada profissional. É um caso

ção de propriedade tem reduzido o número de títulos

de agendamento do debate acadêmico de acordo com

de diários. Nos Estados Unidos, os diários locais em

prioridades empresariais, notadamente dos grupos de

que os jornalistas começavam suas carreiras antes de

mídia, tais como a preservação de sua lucratividade. O

migrarem para títulos robustos como The New York

resultado desse foco se manifesta em textos como “Os

Times ou The Washington Post já não existem mais

jornais podem desaparecer?”, de Philip Meyer, que se

(MEYER, 2007). Em contrapartida, em parte pela força

autodesigna a imodesta missão de “salvar o jornalismo

econômica dos grupos de mídia, tem crescido o número

na era da informação”. No momento em que vemos

de títulos de revistas. E as experiências de convergência

sinais de fragmentação de uma “sociedade de discurso”

digital hoje asseguram a um leitor brasileiro o acesso

estruturada sob a força dos conglomerados de mídia,

instantâneo às versões eletrônicas dos diários euro-

não creio que a atitude intelectual mais adequada seja

peus ou americanos, permitindo uma leitura própria

a do lamento. Como notou Umberto Eco, a interpre-

(ou seja, não dependente do olhar da imprensa do

tação radical conduz a leituras alternativas às adesões

41


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

integradas ou às explosões apocalípticas.

lação (IVC), os maiores do país, imprimiram 11% a mais

No Brasil, o fenômeno não se dá exatamente

do que no ano anterior. Foi o quarto ano consecutivo

desta maneira, em função da série de transformações

de crescimento. A maior parte da expansão deveu-se

estruturais na sociedade, a partir da redemocratização

ao lançamento de diários populares e de jornais em

e, notadamente, após a estabilização da economia,

municípios de porte médio. O Estado de Santa Catarina,

depois de 1994. Começo por destacar a expansão

por exemplo, tem 48 diários e 171 jornais com outra

do alcance da educação. Em 2006, o Brasil tinha 9,5

periodicidade, a maior parte deles muito aquém, em

milhões de habitantes com ensino superior completo,

qualidade, das exigências de leitores de maior nível

conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicí-

cultural. Neste país que aos poucos abandona a histó-

lios (Ibge, 2008). É o maior número absoluto de toda

rica ignorância a que foi condenada a maior parte da

a história, e também o maior número relativo: 6%.

população, durante algum tempo ainda haverá espaço

Desde 2001, esse volume cresceu quase 50% e o ritmo

para ampliar o número de exemplares em circulação.

está se acelerando. Em 2006, já havia 5,5 milhões de

Na Noruega, em 2006, eram vendidos 601 jornais por

brasileiros matriculados no ensino superior, mais 378

grupo de mil habitantes. Na França, eram 155 exempla-

mil em mestrado ou doutorado. Ou seja: nos próximos

res por mil. Em ambos os países, a média havia caído

dez anos, a população com ensino superior irá mais

significativamente em relação às décadas anteriores.

que dobrar.

No Brasil, com o crescimento de 2006, chegamos aos

Podem avizinhar-se, com isso, inéditas e importantes mudanças políticas, econômicas, sociais – e,

53 diários por mil habitantes – um terço dos franceses, menos de um décimo dos noruegueses.2

claro, no jornalismo. Não há qualquer aspecto nega-

É também possível que o país pule a etapa im-

tivo nessa evolução: mesmo uma universidade ruim

pressa do desenvolvimento das mídias. A televisão che-

incrementa o capital cultural e, se desejar, um bom

ga a 96% dos domicílios brasileiros. São 102 milhões os

aluno construirá um percurso marcante, apesar das

brasileiros com telefone celular. São quase 40 milhões

adversidades.

aqueles que têm acesso à internet (Ibge, 2008). Por

Que impactos esse incremento de massa crítica

esses três canais (televisão, celular, internet) devem

na população pode trazer para nós, jornalistas? O que

ocorrer as principais transformações do jornalismo de

desejarão esses leitores, telespectadores, ouvintes

amanhã. Em 2005, quatro blogs não vinculados aos

daqui a uma década?

grupos de mídia já estavam entre os 50 sites de informa-

É certo que, num país de 20 a 30 milhões de

ção com maior volume de acessos nos Estados Unidos.

cidadãos educados, faltará informação de qualidade.

Programas feitos exclusivamente para a internet, de

Em 2007, a tiragem total média dos diários brasileiros

forma artesanal, conquistam nesse espaço audiência

chegou perto de 8 milhões de exemplares. Os veículos

semelhante a produtos do mainstream. Os critérios da

de tiragem auditada pelo Instituto Verificador de Circu-

indústria cultural para dizer aos consumidores de mídia

2- Os dados são da Associação Mundial de Jornais, compilados pela Associação Nacional de Jornais e disponíveis em <http://www.anj.org.br>. Referem-se à população urbana, exclusivamente. 42


Ano IX - Nº 9 - Agosto 2008

o que é bom e o que é mau ao que parece não nos

A era dos repórteres que se sentiam poderosos porque

servem mais, na era paradoxal da personalização de

escreviam para uma multidão igualmente ignorante já

massa (ANDERSON, 2006).

chegou ao fim.

Ninguém pode saber como será o jornalismo do

Contra a tradição de empirismo que limita nos-

futuro; esse sentimento de imprevisibilidade amplia as

so entendimento sobre o jornalismo de hoje e nossas

condições para o surgimento de novos paradigmas.

especulações sobre o de amanhã, proponho um fu-

Não se pode esperar do mercado uma interpretação

turo com teoria – e como teoria. Quero propor aqui

inteligente para essa crise. A práxis nele dominante é

algumas idéias para uma interpretação do jornalismo

a repetição – imposição compreensível, considerando a

a partir de fundamentos não-cartesianos. São desloca-

dinâmica da indústria cultural. Em nenhuma disciplina

mentos teóricos, movendo conceitos que me parecem

que conquistou autoridade intelectual a reverência às

fundamentais para este campo do conhecimento, do

práticas correntes do mercado, às verdades colhidas

território em que hoje estão confinados: alguns, nos

pela experiência profissional, é tão evidente quanto em

estertores do positivismo; outros, no âmbito do senso

algumas escolas de jornalismo e em parte da bibliografia

comum. Faço-o porque, mais importante que dominar

que dá apoio à formação dos profissionais. É curioso

as técnicas do jornalismo do passado, é mobilizar inte-

que, neste momento da crise, algumas empresas se vol-

ligências e formular linguagens para os cidadãos que

tem às universidades para pedir auxílio: não mais ditam

virão. Se há um sentido oculto na frase óbvia de que

como deve ser, mas perguntam como pode ser.

“a realidade profissional é muito diferente daquilo que

É um sinal de que novos critérios de legitimação

se discute na universidade” é o de que a universidade

e novas formas de reflexão podem surgir. Os meda-

tem o dever de propor uma formação transcendente

lhões de hoje pensam com a cabeça de ontem: alguns

em relação aos horizontes necessariamente limitados

têm saudade de um tempo em que as redações eram

da habilitação profissional.

formadas por punhados de amadores, ignorantes tanto

Como condição para tal reflexão, noto a impor-

em relação àquilo sobre o que escreviam quanto em

tância de libertar o entendimento do jornalismo dos

relação aos interesses empresariais ou políticos a que

constrangimentos impostos pela fragmentação discipli-

serviam, ingenuamente. (Notemos, de passagem, que

nar. Aqui parafraseio Morin: a ação coletiva dos homens

o jornalismo pode ser das mais fáceis profissões. O

é o objeto da sociologia, assim como suas patologias o

trabalho de um repórter de TV pode restringir-se, sem

são da psicologia, enquanto os hábitos e ritos o são da

esforço, a pentear um release, colher uma sonora, gerar

antropologia e as idéias, da filosofia; a biologia analisa

uma notícia confortável para a fonte e o veículo, deixar

a anatomia do cérebro; a neurologia, suas conexões

para o cinegrafista o trabalho de cobri-la com imagens e,

e sinapses. A fragmentação das disciplinas, coerente

ao final do mês, merecer o salário. Já entendemos que

com o projeto cartesiano, cria rupturas artificiais no

essa práxis não bastará para o jornalismo do futuro).

Todo, separa o indivisível. Eis outro “problema” para

43


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

aqueles que vislumbram ou desejam a constituição de um campo em torno de objeto tal qual a comunicação: só um pensamento sem fronteiras pode nos aproximar

ensinar – o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar (FOUCAULT, 2003, p. 10).

do que é radicalmente “humano” – para contestar a

Reitero: o discurso é o poder que se deseja.

própria idéia de humano e permitir outras interpreta-

É, assim, impróprio referir-se à mídia ou à im-

ções sobre fenômenos de fortes implicações sociais e

prensa como um braço do poder, porque ela, como

políticas como o jornalismo. De modo eclético, erudito,

discurso, constitui o próprio poder. Evidentemente, o

sem concessões – não estamos acostumados a pensar

discurso não se limita às formas midiáticas – mas encon-

desse modo, mas é preciso.

tra nelas manifestação expressiva, às vezes dominante,

Começo pelos fundamentos para essa interpre-

às vezes marginal. Interpretar o jornalismo como parte

tação. O ponto de partida é o reconhecimento, embora

desse discurso idêntico ao poder implicaria refletir sobre

problemático, de que o jornalismo é uma forma social

seus três constrangimentos externos cruciais apontados

de conhecimento, resultante de um conjunto de carac-

por Foucault: a interdição (ou a palavra proibida), a

terísticas de determinadas etapas do desenvolvimento

separação (ou rejeição), a vontade de verdade – desafio

econômico e de determinadas culturas. Como fenômeno

que foge ao alcance deste artigo. Foco na vontade de

histórico, o jornalismo corresponde a certo espaço-

verdade em função de paralelos explícitos e assimetrias

tempo – ou seja, não será necessariamente eterno,

instigantes com a crítica da verdade em Morin.

como certamente desejam os proprietários de jornais e

Os jornalistas são os últimos herdeiros daquela

revistas. A reinvenção das notícias – com a proliferação

vontade de saber da ciência, cuja origem Foucault situa

de vívidos relatos produzidos por testemunhas de acon-

entre os séculos XVI e XVII, que

tecimentos em blogs ou comentários ou a publicação de fotos de catástrofes que acabam de se dar diante das câmeras digitais – pode ser vista como um sinal de emergências de novas formas de compartilhamento de informação independentes (ou menos dependentes) do mainstream.

desenhava planos de objetos possíveis, observáveis, mensuráveis, classificáveis; uma vontade de saber que impunha ao sujeito cognoscente (e de certa forma antes de qualquer experiência) certa posição, certo olhar e certa função (ver, em vez de ler, verificar, em vez de comentar); uma vontade de saber que prescrevia (e de um modo mais geral do que qualquer instrumento determinado) o nível técnico do qual deveriam investir-se os conhecimentos para serem verificáveis e úteis (FOUCAULT, 2003, p. 16).

Lembro de uma idéia cara a Michel Foucault,

Tal território nos é familiar: os planos de objetos

manifestada na aula inaugural no Collège de France,

a conhecer correspondem aos critérios de noticiabilida-

em 2 de dezembro de 1970:

de; as funções e posições do sujeito cognoscente são análogas às normativas do trabalho de reportagem; o

Por mais que o discurso seja aparentemente bem pouca coisa, as interdições que o atingem revelam logo, rapidamente, sua ligação com o desejo e o poder. Nisto não há nada de espantoso, visto que o discurso – como a psicanálise nos mostrou – não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo; é, também, aquilo que é o objeto do desejo; e visto que – isto a história não cessa de nos

44

caráter técnico, material, instrumental configura até o prisma ético de nossa profissão. O discurso jornalístico é autorizado pelo discurso da verdade. “Ora, essa von-


Ano IX - Nº 9 - Agosto 2008

tade de verdade, como os outros sistemas de exclusão,

verdade do sentimento da verdade. A idéia de verdade

apóia-se sobre um suporte institucional (...). Mas ela

corresponde a uma resolução de alternativa verdadeiro/

é também reconduzida, mais profundamente, sem

falso sem que necessariamente sejamos envolvidos ou

dúvida, pelo modo como o saber é aplicado em uma

afetados” (MORIN, 1999, p. 145). Há aqui um paralelo

sociedade, como é valorizado, distribuído, repartido e

evidente com Foucault: “Se nos situamos no nível de

de certo modo atribuído” (FOUCAULT, 2003, p. 17).

uma proposição, no interior de um discurso, a separação

Cria-se uma espiral: o jornalismo crê legitimar sua ver-

entre o verdadeiro e o falso não é nem arbitrária, nem

dade no momento em que faz circular o conhecimento

modificável, nem institucional, nem violenta” (FOU-

que representa – esse peculiar saber onipotente sobre

CAULT, 2003, p. 14).

singularidades que nos cercam. A heroicização dos

A vontade de verdade transmuta esse sentido

jornalistas – linimento para baixos salários e condições

para a esfera do desejo e do poder. Morin (1999, p.

inadequadas de trabalho – é tradução de uma obsessão

145-146) nota que

narcísica com a verdade, construída coletivamente na

o sentimento de verdade traz a dimensão afetiva/existencial para a idéia de verdade e pode tanto se apropriar da idéia de verdade quanto lhe obedecer. (...) O sentimento de verdade suscita uma dupla posse existencial: apropriação da verdade (‘eu tenho a verdade’) e possessão pela verdade (‘pertenço à verdade’); as duas posses ligam-se num ciclo que as alimenta: ‘Pertenço à verdade que detenho’; assim, enquanto se torna uma entidade transcendente que adoramos, a verdade torna-se nosso bem pessoal, incorporado em nossa identidade.

formação dos profissionais. Peter Parker e Clark Kent são, sob este ponto de vista, representações irônicas de uma neurose coletiva: é heróico o desafio de defender a verdade, quer mobilizemos diáfanas teias de aranha ou invulneráveis músculos de aço. Ainda nos julgamos dotados da onipotência da linguagem, incapazes de ver nela a fragilidade das figu-

É um discurso religioso, claro, e tal pertenci-

ras, metáforas, metonímias, antropomorfismos. Aceitar

mento cria em nós, jornalistas, discípulos/profetas da

a hipótese de uma ruptura profunda entre Real e Lin-

verdade no tormentoso mundo contemporâneo, um

guagem não é fácil. Morin, por exemplo, compreende as

sentimento de comunhão profissional – um corporati-

particularidades da linguagem, mas propõe uma ruptura

vismo, um auto-engano, uma identidade com o divino

apenas parcial com a idéia de que a verdade reside na

que inventamos.

correspondência entre fato e relato. “(...) a linguagem é

“Toda evidência, toda certeza, toda posse pos-

uma simplificação complexificadora que permite utilizar

suída de verdade é religiosa no sentido primordial do

uma parte da hipercomplexidade cerebral, construir/

termo: religa o ser humano à essência do real e estabe-

desconstruir uma nova complexidade discursiva e assim

lece, mais do que uma comunicação, uma comunhão”

dialogar com a complexidade do real” (MORIN, 1999,

(MORIN, 1999, p. 147). Questão de fé, note-se, longe

p. 135). É uma posição ambígua, de difícil deglutição,

do exercício racional em que se assenta o projeto da

mas cujo ponto de partida é bem claro: a rejeição da

verdade. E que não raro legitima seus próprios equí-

vontade de verdade. “Deve-se distinguir a idéia de

vocos:

45


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

(...) esse mesmo desejo infinito [de conhecimento] e imperativo [de verdade] pode também enganar o conhecimento teleguiando-o rumo às aspirações metafísicas secreta e inconscientemente inscritas no começo da investigação. Muitas buscas da verdade terminam na resposta desejada previamente: ‘Tu não me procurarias se já não me tivesses encontrado’. A verdadeira busca, com mais freqüência, encontra outra coisa que a buscada (MORIN, 1999, p. 152).

um corpo; produz-se como efeito de e em uma dispersão material (FOUCAULT, 2003, p. 57-58).

Nada mais distante da noção de fato jornalístico – ela própria tão artificial que não resiste ao cotejamento do conceito com as páginas de internet, jornais, revistas, programas de rádio ou TV. A fluidez do conceito

Produzimos cotidianamente o antídoto contra o

de acontecimento, ressaltada sob outras premissas

ceticismo, incensado valor do nosso campo, porque “o

por Adriano Rodrigues, experimenta as implicações do

sentimento de verdade é inseparável do sentimento de

“materialismo do incorporal” (FOUCAULT, 2003, p. 58):

certeza (...). A necessidade de verdade deveria, certo,

o reconhecimento do lugar do acaso, do descontínuo e

primar em relação à de certeza e correr o risco de

da materialidade na raiz do pensamento. Tal percepção

contradizê-la, mas, com mais freqüência, a necessidade

nos remeterá a outra noção do tempo. O acontecimento

de certeza submerge e cega a necessidade de verdade”

é discurso descontínuo, cuja interpretação escapa da

(MORIN, 1999, p. 146). Em outra direção, Foucault

ordem da sucessão ou simultaneidade e da ordem

rejeita a possibilidade de imaginar o mundo como uma

da consciência do sujeito. “É preciso elaborar – fora

face legível que teríamos de decifrar apenas: “Deve-se

das filosofias do sujeito e do tempo – uma teoria das

conceber o discurso como uma violência que fazemos

sistematicidades descontínuas. (...) É preciso aceitar

às coisas, como uma prática que lhes impomos em

introduzir a casualidade como categoria na produção

todo o caso; e é nessa prática que os acontecimentos

dos acontecimentos” (FOUCAULT, 2003, p. 59). A ca-

do discurso encontram o princípio da sua regularidade”

sualidade subverte a causalidade a que habitualmente

(FOUCAULT, 2003, p. 53).

recorremos para defender conceitos arbitrários como

Isso nos remete à reflexão sobre o acontecimento, crucial para a contraposição às leituras esquemáticas

proximidade, relevância, identificação social ou humana, grandeza (LAGE, 2001).

sobre os critérios de noticiabilidade. Contra analistas

Convictos da concretude do fato, orientamos nos-

que racionalizam as opções em torno de categorias

so trabalho pelo signo da urgência, valor fundamental

mais ou menos estritas, perseguindo a ilusão cartesiana

para a modernidade, da qual o jornalismo é produto:

fundadora do jornalismo, pode-se reconhecer, a partir de Foucault, a arbitrariedade das escolhas jornalísticas, consolidadas a partir dos princípios de regularidade. Certamente o acontecimento não é nem substância nem acidente, nem qualidade, nem processo; o acontecimento não é da ordem dos corpos. Entretanto, ele não é imaterial; é sempre no âmbito da materialidade que ele se efetiva, que é efeito; ele possui seu lugar e consiste na relação, coexistência, dispersão, recorte, acumulação, seleção de elementos materiais; não é o ato nem a propriedade de

46

(...) nesse início de modernidade o tempo passava gradualmente a ser espacializado, imaginado como seqüência linear de passado, presente, futuro. Oferecendo uma leitura diária, o jornal estaria não só reforçando essa noção moderna de tempo, como também possibilitando àquela comunidade de leitores a imaginação de si mesma como uma coletividade coesa, caminhando em bloco ao longo de uma estrada que a levaria ao futuro (GUIMARÃES SOARES, 2003, p. 72).

Guimarães Soares critica essa subordinação ao


Ano IX - Nº 9 - Agosto 2008

tempo, a partir de Anderson (2008). A novidade, o urgente, é constitutivo de uma parte do jornalismo – aquela que é respondida pela forma vibrante da notícia, cada vez mais contemplada pelo rádio, pela TV, pela internet. Com a universalização da urgência, tudo é subordinado a esse imperativo, inclusive a crítica. Se todo discurso é formado por uma matriz e seus comentários, o jornalismo progressivamente se converte na multiplicação dos comentários, sob uma base relativamente escassa de temas. Assim, a notícia de um jogo de futebol, um relato de dois minutos sobre uma partida de 90, comenta-se em mesas redondas, colunas, programas de entrevistas, jornadas esportivas estendidas horas depois do espetáculo – imensa tagarelice de função reiterati-

se a tecnologia vem sendo reverenciada por escolas e redações como a bela rainha a cujo cetro novos e velhos jornalistas têm que se submeter, sustento que tanto a indústria de tecnologia quanto o campo jornalístico (incluindo seus leitores) vêm sendo obedientes, assim como vários outros campos da cultura moderna, ao imperativo da urgência (GUIMARÃES SOARES, 2003, p. 69).

A relação com as novas tecnologias, experimentada como drama no contexto da convergência digital, é manifestação de uma mesma inserção no projeto da modernidade, trabalho em função da urgência da informação, da tensão narrativa intrínseca à esperança de realização da promessa moderna [de progresso, de desenvolvimento, de justiça social]. Jornalistas, tecnólogos, alunos, professores e leitores vêm prestando um louvor diário, religioso, delirante à própria deusa urgência, ao stress tomado como prova de responsabilidade social (GUIMARÃES SOARES, 2003, p. 75).

va: falamos tanto para reforçar a importância do que dissemos há pouco. Ainda que nada tenhamos a dizer,

O autor nota que certos discursos contrários a

mesmo o vazio do falatório reitera nossa autoridade.

tal subordinação evocam a nostalgia de outro tempo,

Para driblar a trivialidade habitualmente associada ao

mítico, pré-moderno, cristalizado no presente – o tempo

futebol, volto à política e seu classicismo: as crises que

do Narrador enterrado por Benjamin. Não é a única

afetam os governos, sempre terminais, são longamente

oposição possível, evidentemente.

observadas em mesas redondas, colunas, programas

Quero deixar anotadas algumas idéias que me

de entrevistas, freqüentemente com precisão inferior

parecem relevantes para o debate desse tema, já que

à adotada para a análise dos esquemas táticos. Res-

não será possível desenvolvê-las aqui. A primeira é o

sentido, desinformado, inculto, o jornalismo apressado

conceito de “tempo próprio” – a percepção recente

justifica suas falhas sob o paradigma da urgência.

de que grupos sociais distintos têm experiências par-

Sob outro ângulo, o problema manifesta-se como

ticulares do tempo, incomparáveis, e que, portanto, o

simulacro da urgência: a adoção da forma da emergên-

próprio conceito de tempo não pode mais ter um sentido

cia para a notícia da irrelevância. É a espetacularização,

único, limitador. O tempo próprio é a negação do ritmo

é certo, mas também a vulgarização da forma.

industrial, da pasteurização da vida sob o tique-taque

Guimarães Soares criticou tal apreço à urgência,

da indústria (ELIAS, 1998). A segunda, articulada com a

tomando como objeto o imperativo de atualização tec-

anterior, é contestação da linearidade do tempo, desde

nológica nas redações – comportamento certamente

Bergson, a partir da constatação de que as percepções

não exclusivo de jornalistas:

de espaço e tempo variam conforme o ponto de vista

47


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

do sujeito. Se na idéia anterior a ênfase era de natureza sociológica, agora a dimensão é individual – o olhar se volta para o observador. A terceira é a evaporação do presente, idéia de Mallarmé analisada por Blanchot no ensaio O livro por vir. Obcecados pelo presente, os jornalistas se impõem uma angústia insolúvel: esforçam-se por capturar o inexistente. Como Sísifo, a cada dia empurram rochas montanha acima, para tornar a

décadas o anúncio da morte do autor por Barthes3: (...) no momento em que leio, o que eu vejo em cada palavra me parece estar no papel, e não posso crer que cada pessoa, abrindo os olhos, não veja diretamente as imagens que eu vejo, acreditando que o pensamento do autor é diretamente percebido pelo leitor, quando a verdade é que se trata de um outro pensamento fabricado em seu espírito, com a mesma candura de quem imagina que é a própria palavra que pronunciamos que caminha tal e qual ao longo dos fios telefônicos; no momento mesmo em que eu quero ser um leitor, meu espírito repete, como autor, a experiência dos que lerão meu artigo (PROUST, 1995, p. 143).

carregá-las no dia seguinte, obedientes a uma tortura

Para o narrador de Proust, o jornalismo é uma

que lhes parece auto-imposta: é o sacrifício, ainda que

“Vênus coletiva, da qual só possuímos um membro

inconsciente, diante do inevitável.

mutilado se nos ativermos ao pensamento do autor,

Tais idéias anunciam mais um tema-chave para

porque ele só se realiza completamente no espírito dos

outro pensar sobre o jornalismo, capaz de responder às

leitores, e aí se consuma” (PROUST, 1995, p. 143). O

perguntas que ainda não foram formuladas: é o tema

narrador goza o júbilo da escrita, ao tempo que lamenta

da nossa relação com o leitor.

a inescapável incompletude do pensamento – o dom e

Temos algo a aprender com Marcel Proust tam-

o chicote de Truman Capote. O reconhecimento da im-

bém sobre o jornalismo. Proust não tem fama como

possibilidade da relação entre a representação e a “coisa

epistemólogo, mas poucas obras esmiuçaram as condi-

em si” ganha então muitas formas no romance:

ções do conhecimento tão detalhadamente quanto Em Busca do Tempo Perdido. No sexto volume, o narrador

enfim é bem sucedido em suas tentativas de publicar um artigo no Figaro. E esse pequeno acontecimento deflagra uma torrente de reflexões e reminiscências sobre o jornal e a relação entre autor e leitor: Depois, considerei o pão espiritual que é um jornal, ainda quente e úmido da prensa recente, sob o nevoeiro da manhã em que o distribuem, desde o alvorecer, às criadas que o levam a seus patrões com o café com leite, pão miraculoso, multiplicável, ao mesmo tempo um e dez mil, e que permanece o mesmo para cada um, penetrando, inumerável e de uma só vez, em todas as casas (PROUST, 1995, p. 142).

Nosso erro está em acreditar que as coisas se apresentam habitualmente tais quais são na realidade, os nomes tais como são escritos, as pessoas tais como a fotografia e psicologia delas fornecem uma noção imóvel. Em verdade, não é absolutamente isto que de ordinário percebemos. Vemos, ouvimos, concebemos o mundo inteiramente às avessas. Repetimos o nome tal qual o ouvimos, até que a experiência haja retificado nosso erro, o que nem sempre acontece. (...) Só temos do universo visões informes, fragmentárias, que completamos com associações de idéias arbitrárias, criadoras de sugestões perigosas (PROUST, 1995, p. 147).

Reconhecer a autonomia do leitor implicaria numerosas mudanças na nossa prosa e na nossa práxis. Sabemos que os jornais segregam os leitores em blocos – de um lado, o das autoridades; de outro, o dos

E então: “Para apreciar exatamente o fenômeno

leitores comuns. Confiamos na fidelidade do leitor: “(...)

que se produz neste momento nas outras casas, tenho

lêem-se os jornais como se ama, com uma venda nos

de ler este artigo não como autor, mas como um dos

olhos. Ouvem-se as doces expressões do redator-chefe

outros leitores do jornal”. Proust antecipa em cinco

como as de uma amante. Pode ser derrotado e feliz

3- Barthes reconhece essa inspiração, citando Proust no artigo.

48


Ano IX - Nº 9 - Agosto 2008

quem se julga, não vencido, mas vencedor” (PROUST,

amplamente explorados – como o das condições de pro-

1992, p. 54).

dução. Poderemos observar, tanto quanto as estruturas

Sabemos que as escolhas lingüísticas nas reda-

que impedem as transformações, aquelas que apontam

ções geralmente se dão pela média: raramente nos

para a possibilidade de mudanças. Não apenas o incre-

aventuramos a explorar a vontade de experimentar

mento na educação, mas outras políticas de promoção

dos leitores: limpamos os textos de colinas e curvas,

da igualdade estão transformando os critérios para

transformando-os em auto-estradas que cortam uma

julgar a qualidade do jornalismo e da mídia4. A mídia é,

paisagem desértica. “O hábito de pensar nos impede,

de algum modo, permeável à mobilidade social, reflete

não raro, de sentir o real, imuniza-nos contra ele,

algumas das mudanças que nos cercam.

torna-o, também ele, pensamento. Não há idéia que não traga em si uma refutação possível, nem palavra

***

sem a sua contrária” (PROUST, 1995, p. 172). Do mesmo modo que as teorias da cognição iluminaram recentemente as interpretações sobre o

O jornalismo não é um fazer; o jornalismo é um pensar.

modo como a memória se apropria dos diversos níveis

A hegemonia da formação técnica na área, que

de leitura de uma página impressa e da estrutura interna

subordina a educação às prioridades do mundo do tra-

da notícia, outra percepção do jogo entre autor e leitor

balho, domestica os espíritos, abastarda a universidade.

pode nos conduzir a opiniões mais iluminadas sobre o

Tal opção contribuiu para nos trazer a este ponto de

texto jornalístico. Como Barthes, podemos pensar a

crise. O caráter normativo da maior parte da formação

teoria musical como metáfora do texto – harmonia e me-

coisifica a profissão: a amaldiçoa a repetir o passado

lodia, ritmo, altura, intensidade, tonalidade compõem a

no futuro. Orgulhamos-nos hoje de dominar e mobilizar

frase, o parágrafo, a matéria. Assim como a partitura é

cotidianamente linguagens criadas há 60 anos – e não

uma representação gráfica imperfeita da música, o texto

conseguimos entender por que tantos leitores não vêm

é representação gráfica imperfeita da idéia.

nessas formas o melhor modo de comunicar uma idéia

O escritor não diz ‘meu leitor’ senão pelo hábito contraído na linguagem insincera dos prefácios e dedicatórias. Na realidade, todo leitor é, quando lê, o leitor de si mesmo. A obra não passa de uma espécie de instrumento óptico oferecido ao leitor a fim de lhe ser possível discernir o que, sem ela, não teria certamente visto em si mesmo. O reconhecimento, por seu foro íntimo, do que diz o livro, é a prova da verdade deste, e vice-versa, ao menos até certo ponto, a diferença entre os dois textos devendo ser freqüentemente imputada não a quem escreveu, mas a quem leu (PROUST, 1992, p. 184).

Tais mudanças de perspectiva podem conduzir nosso olhar com maior profundidade para territórios já

ou uma informação. Convertemos a linguagem, fluida por natureza, num bloco compacto – concretismo sem crítica. Ogulhamos-nos de dominar formas que geram tédio. Orgulhamos-nos do mantra de Voltaire: “Sê isento”. Estamos certos de que encontramos na técnica do jornalismo nossa realização particular do divino como saber, como conhecimento. A vontade de verdade é um impulso narcísico. É ainda para nós um desafio “questionar nossa

4- Em 2002, o Jornal Nacional passou a ter, pela primeira vez em 33 anos, um apresentador negro. Não é resultado direto de políticas de compensação pela histórica exclusão social dessa população desde a escravidão: não há cotas para apresentadores ou comentaristas.

49


Rastros - Revista do Núcleo de Estudos de Comunicação

vontade de verdade; restituir ao discurso seu caráter de acontecimento; suspender, enfim, a soberania do significante” (FOUCAULT, 2003, p. 51). Despidos da onipotência da verdade, conscientes da fluidez da linguagem, teremos outras bases intelectuais para ressignificar nossa idéia de acontecimento, nossa relação com o tempo e com o leitor, nossa percepção do texto. Não preciso notar o quanto tal escolha rejeita a mitologia profissional (de objetividade, isenção, imparcialidade), assentada na normatividade da formação. Que o jornalismo por vir exista como imaginação, antes de tudo – como toda idéia visionária –, tenha ou não o nome de “jornalismo”. Espero, com essas reflexões erráticas, contribuir para deslocar o pensamento sobre o futuro de nossa profissão das cadeias impostas pela fragmentação disciplinar, pelas prioridades das empresas, por nossas neuroses coletivas ou por nosso narcisismo. Gostaria de não ter incorrido igualmente no erro primário apontado pelo narrador de Em Busca do Tempo Perdido: “Boa parte daquilo em que acreditamos (e assim acontece até nas conclusões extremas) com igual teimosia e boafé resulta de um primeiro engano sobre as premissas” (PROUST, 1995, p. 217).

50


Ano IX - Nº 9 - Agosto 2008

Referências Bibliográficas Anderson, Benedict. Comunidades imaginadas. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. (Trad. Denise Bottmann). Anderson, Chris. A cauda longa. São Paulo: Campus, 2006. Blanchot, Maurice. O livro por vir. São Paulo: Martins Fontes, 2005. (Trad. Leyla Perrone-Moisés). Elias, Norbert. Sobre o tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. Foucault, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2003. (Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio). Guimarães Soares, Luiz Felipe. A serviço da deusa urgência. Revista Fronteiras – Estudos Midiáticos, vol. V, n. 2, p. 67-76. São Leopoldo: Unisinos, dez. 2003. Henn, Ronaldo. Os fluxos da notícia. São Leopoldo: Unisinos, 2002. Ibge (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Rio de Janeiro: IBGE, 2008. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2006/suplementos/renda/publicacao_renda.pdf>. Acesso em 01/02/2008. Lage, Nilson. Ideologia e técnica da notícia. Florianópolis: Insular, 2001. Meyer, Philip. Os jornais podem desaparecer? São Paulo: Contexto, 2007. (Trad. Patrícia De Cia). Morin, Edgard. O método 4. As idéias – habitat, vida, costumes, organização. Porto Alegre: Sulina, 2002. (Trad. Juremir Machado da Silva). Morin, Edgard. O método 3. O conhecimento do conhecimento. Porto Alegre: Sulina, 1999. (Trad. Juremir Machado da Silva). Proust, Marcel. O tempo redescoberto. São Paulo: Globo, 1992. (Trad. Lúcia Miguel Pereira). Proust, Marcel. A fugitiva. São Paulo: Globo, 1995. (Trad. Carlos Drummond de Andrade). Spitz, Bernard. Les jeunes et la lecture de la presse quotidienne d’information politique et générale. Paris: Ministère de la culture et de la communication, 2004. Disponível em: <http://www.ladocumentationfrancaise.fr/rapports-publics/044000522/index.shtml>. Acesso em 01/02/2008.

51


Rastros 9.5