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Programa de Extensão Comunicação Infância e Juventude

ANO 2 Nº 3 ABRIL / 2010

OPINIÃO Ilustração: Daniele Vuoto

Em Cérebro Social a psicóloga Ana Lúcia Piraciaba relaciona o apoio emocional dado às crianças e a estruturação de adultos maduros e inteligentes. Pág. 3

SOCIEDADE Projetos sociais voltados para crianças e jovens educam e promovem cidadania em Cuiabá. Pág. 4

ENTREVISTA Gilberto Mendes O maestro conta sua experiência com o projeto Flauta Mágica, que há 11 anos adoça a vida dos jovens do Jardim Vitória. Pág. 8

DICAS Entre os muros da escola retrata as diferenças culturais da França contemporânea. Pág. 10

NECOIJ Pesquisas

BULLYING

Pág. 11

Violência covarde

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Acontece Pág. 12


neco ANO 2 Nº3 abril / 2010

editorial 2009 foi bom. E 2010 será melhor ainda. O

Necoij – Núcleo de Comunicação, Infância e Juventude teve em 2009 um ano bastante produtivo e, projeta um 2010 ainda melhor, com uma série de atividades e eventos previstos que tornarão o núcleo ainda mais ativo no propósito de dar sua contribuição à construção de uma compreensão mais fecunda do universo comunicacional da infância e da juventude.

Em reunião de avaliação, os membros do núcleo estabeleceram como uma das diretrizes a serem observadas ao longo de 2010 não apenas intensificar as atividades internas do Necoij, como também buscar uma aproximação maior com a comunidade extra-universidade, trocando idéias e experiências que possam contribuir para a construção de políticas públicas e práticas sociais em benefício da infância e da juventude.

Em 2009, foi dado andamento a três projetos de pesquisa, o núcleo passou a contar com bolsistas PIBIC e VIC, o site esteve sempre à disposição dos internautas, o jornal Neco marcou sua presença e um projeto de extensão e de pesquisa que busca estimular a produção de filmes por meio de aparelhos celulares e câmeras digitais domésticas foi aprovado pelo MEC.

Por fim, comemoramos a chegada de mais uma edição do Neco aos nossos leitores. O jornal traz um retrospecto das atividades do núcleo no segundo semestre de 2009, matérias sobre projetos sociais voltados para jovens que estão dando bons frutos em Cuiabá e uma interessante entrevista com o maestro Gilberto Carvalho, mentor e gestor do premiado projeto Flauta Mágica, desenvolvido com crianças carentes do bairro Jardim Vitória, em Cuiabá, e reconhecido nacional e internacionalmente.

O projeto “Comunicação e Saúde Popular de Jovens, Um Desafio Para o SUS”, concebido em parceria com o Instituto de Saúde Coletiva, já iniciou seu trabalho de campo em dois bairros de Cuiabá e na cidade de Nossa Senhora do Livramento. Duas outras pesquisas estão também em desenvolvimento: “A Adultificação da Infância nas Propagandas em Cuiabá” e “Juventudes de Mato Grosso e Jornalismo On-line: retratos, fazeres e interações.” E para 2010 vem mais por aí. Ao longo do primeiro semestre de aulas na UFMT, a cada bimestre serão realizadas duas oficinas, um fórum de discussão com convidados locais e apresentação de papers de professores e alunos envolvidos com projetos desenvolvidos no núcleo. No final do primeiro semestre, será realizado um evento maior, com convidado nacional para proferir palestra e participar de debate. No final do ano letivo de 2010, o Necoij participa do Seminário de Linguagens promovido anualmente pelo Instituto de Linguagens, cabendo-lhe realizar um Grupo de Trabalho (GT) durante o evento.

Como destaque desta edição, o Neco coloca em foco um assunto que causa cada vez mais preocupação à sociedade e, de modo particular, aos jovens e aos pais: a prática, infelizmente já comum, do bullying. Trata-se de uma ação covarde e extremamente danosa, disseminada principalmente pela Internet, em que jovens são ameaçados ou têm sua moral e sua honra atingidas por pessoas inescrupulosas e maldosas. Há casos de desfechos dramáticos para a vida das vítimas. Por falta de uma legislação específica que responsabilize criminalmente os que praticam o bullying, há um sentimento de impunidade que favorece o crime, cada vez mais presente no ambiente escolar, onde, aliás, os gestores e professores não estão, na maioria dos casos, preparados para lidar com o problema. O Neco, portanto, dá sua contribuição para que a sociedade reflita sobre a ameaça que o bullying representa e busque alternativas para combatê-lo.

Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT

NECO é um jornal laboratório produzido por professores e estudantes que compõem o grupo de estudos sobre a Comunicação, Infância e Juventude www.ufmt.br/necoij. É um dos projetos do Programa de Extensão Comunicação, Infância e Juventude, vinculado ao Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso. Coordenadora: Profª Mariângela Sólla López – MTb 1154 – DRT/SP Produção Gráfica: Prof. Javier López Diagramação: Prof. Aureliano Del´ Isola Ramos Capa: Daniele Vuoto (ilustração) Edição: Prof. José da Costa Marques Filho Redação: Andreza Silva Pereira, Dyolen Vieira, Gabriela Santana, Izabel Barrizon, Larissa Cavalcante, Lislaine dos Anjos, Marcela Brito Contato: neco@ufmt.br Necoij - Grupo de Estudos Comunicação Infância e Juventude – www.ufmt.br/necoij - Bloco de Comunicação Social - Instituto de Linguagens, Universidade Federal de Mato Grosso. Avenida Fernando Correa S/N, Coxipó – Cuiabá, Mato Grosso. CEP: 78060.900 - Tel: 065 3615 8409

Reitora: Maria Lúcia Cavalli Neder; Vice-Reitor: Francisco José Dutra Souto; Pró-Reitora Administrativa: Valéria Calmon Cerisara; Pró-Reitora de Planejamento: Elizabete Furtado de Mendonça; Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Myrian Thereza de Moura Serra; Pró-Reitora de Ensino de Pós-Graduação: Leny Caselli Anzai; Pró-Reitor de Pesquisa: Adnauer Tarquínio Daltro; Pró-Reitor de Cultura, Extensão e Vivência: Luis Fabrício Cirillo de Carvalho; Pró-Reitora do Campus de Rondonópolis: Cecília Fukiko Kimura; Pró-Reitor do Campus de Sinop: Marco Antônio Araújo Pinto; Pró-Reitor do Campus Araguaia: José Marques Pessoa; Superintendente do Hospital Universitário Júlio Müller: José Carlos Amaral Filho; Secretário de Gestão de Pessoas: Paulino Simões de Barros; Secretário de Tecnologia da Informação e da Comunicação: Alexandre Martins dos Anjos; Secretaria de Comunicação e Multimeios: Benedito Diélcio Moreira Instituto de Linguagens Diretora: Rosângela Calix Coelho da Costa; Departamento de Comunicação Social; Chefe: Vera Leite Lopes – cos@ufmt.br Núcleo de Estudos Comunicação, Infância e Juventude – NECOIJ – necoij@ufmt.br Coordenação Geral do Programa: Dielcio Moreira - dielcio@ufmt.br Projeto Neco - Coordenação: Mariângela Sólla López - mariangela@ufmt.br Projeto Portal NECOIJ - Coordenação: Janaina Capobianco – portalnecoij@ufmt.br Projeto Imagem, Comunicação e Educação - Coordenação: Javier López - javier@ufmt.br Projeto de Rádio - O Jovem no Rádio - Coordenação: Mariângela Sólla López - mariangela@ufmt.br Projeto de Vídeo - A Produção de Filmes pelo Celular - Coordenação: Diélcio Moreira - dielcio@ufmt.br Projeto Introdução à Pesquisa Qualitativa – Coordenação: Diélcio Moreira - dielcio@ufmt.br

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opinião Cérebro Social Ana Lúcia Dias Piraciaba *

Criar um cérebro emocional apto para o pensamento crítico e raciocínio lógico revoluciona a sociedade.

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asce uma criança. É acolhida com alegria pelos pais que a esperavam. Olham para ela, pegam-na no colo, falam com ela, cuidam e a alimentam mostrando a felicidade de têla junto à família. Todos esses cuidados físicos e emocionais, inspirados pelo amor, desde os primeiros instantes de vida formam o cérebro da criança. Recebendo amparo, proteção e satisfação para todas as suas necessidades, seu cérebro se desenvolve cada vez mais para levá-la a ter inteligência emocional; consegue vir a proteger-se, controlar sua impulsividade, ter mais consciência do que sente, planejar e executar melhor suas ações e com o senso ético da importância do outro, seu semelhante. Para quem não nasceu nesse berço de ouro tudo é bem mais difícil. Crianças abandonadas, maltratadas, vítimas de violência física, psicológica, sexual, crianças sem um adulto amoroso por perto que dê a ela a alegria de compartilhar sua ingenuidade e pureza, desenvolvem um cérebro viciado em adrenalina. O estado caótico é a regra, a tensão constante nunca aplacada por um adulto que a contivesse e desse um sentido para sua dor e so-

frimento a torna incapaz de desenvolver um senso autoregulador, tranquilizador. Sua mente projeta o mundo externo como hostil, perigoso e igualmente estressante e incapacitante. Desse cérebro emocional brotam os relacionamentos interpessoais e sociais. A escola recebe essa criança alfabetizada emocionalmente, capaz de esperar sua vez, brincar junto com as outras, ouvir e prestar atenção na professora, curiosa para aprender e desejosa para participar de tudo o que acontece ao seu redor. E também recebe a criança com o “bicho carpinteiro”, aquela que inquieta e sempre entediada não consegue dar nada, dividir nada e receber nada. Ansiosa, hiperativa, vive criando encrencas sendo cada vez mais afastada e isolada do grupo que não a aguenta e a rejeita. É desastroso o fato de crianças não receberem apoio para crescer. O vínculo afetivo é fundamental para o desenvolvimento da empatia que é a base para a capacidade de se colocar no lugar do outro, de ter compaixão, e desenvolver o senso de responsabilidade pessoal e social. Nesta medida, por não ter vivido num contexto harmônico o

suficiente para desenvolver e explorar seus recursos internos, será um adulto instável, uma pessoa infeliz e ávida para encontrar algo, de preferência concreto, que a torne mais viva e a faça se sentir melhor na própria pele. Álcool e drogas são quase um ritual de passagem para a adolescência. Com uma infância tensa e angustiante, na adolescência descobre que o álcool diminui a ansiedade, ela se acalma. Está armada a bomba. Depois de uma euforia rápida, os problemas voltam, aí é preciso aumentar a dose para recuperar a primeira sensação de bem estar. Com a cocaína é a mesma coisa, a sensação de infelicidade crônica parece sumir como mágica, eles se sentem normais e relaxados talvez pela primeira vez na vida. Adolescentes e adultos imaturos emocionalmente serão sempre susceptíveis a medicalizar sua vida como único meio de encontrar paz. E aí vale tudo, qualquer coisa que dê a chance de se livrar de si mesmo por alguns instantes está valendo. Eles são alvo fácil para a indústria farmacêutica, que vende pílulas mágicas para qualquer problema. Melhorar o humor, o sexo, a cognição e a vida pa-

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rece ficar bem mais atraente. A indústria do tabaco continua ganhando fortunas com a venda de companhia fácil, disponível a qualquer hora. A indústria do álcool vende a idéia de beleza, poder e aceitação pelo grupo amigo reunido à mesa. As drogas ilícitas sempre presentes nas praias, festas, baladas, nas esquinas. Amar e proteger as crianças é um ato revolucionário. Criar um cérebro emocional apto para o pensamento crítico e raciocínio lógico revoluciona a sociedade. Se não, continuaremos a tirar o lixo de casa, colocando na porta do vizinho e tendo a ilusão de que tudo está limpo e arrumado. Crianças apoiadas na infância crescem com estrutura para serem adultos maduros e inteligentes. Adultos maduros não entregam suas vidas à propaganda barata, mesmo àquela do poder instituído, não são seduzidos facilmente pela ilusão de pílulas milagrosas. Sabem que viver é uma conquista diária que exige esforço, dedicação e principalmente respeito a si mesmo e aos outros.

* Ana Lúcia Dias Piraciaba, psicóloga clínica, dpana1@hotmail.com


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sociedade

Desenhando o próprio destino Lislaine dos Anjos e Marcela Brito

Muitas vezes sem qualquer apoio governamental, os projetos sociais proliferam e acabam assumindo o papel que o poder público deveria ter na assistência a jovens expostos a situações de risco social.

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ão muitos os fatores que contribuem para manutenção das mazelas sociais, sobretudo quando o meio em que se vive são bairros periféricos que, devido às desigualdades sócioeconômicas, acabam mais vulneráveis a estes riscos. Para combatê-las, os projetos sociais proliferam na sociedade, seja por iniciativa do governo ou por voluntários, visando retirar crianças e adolescentes das ruas. A inserção dos jovens em tais projetos tem dupla função: moralizar e disciplinar seus integrantes, uma vez que es-

tes se encontram ainda em fase de formação. Esse projetos auxiliam os jovens envolvidos a evitar o uso de drogas e a gravidez precoce, além de ensiná-los a como se prevenir do abuso sexual e contribuir para a diminuição da evasão escolar e da violência urbana - fatores conhecidos como alguns dos principais contribuintes para o aumento do número de crimes e da marginalidade na sociedade. É nesse contexto que crianças e adolescentes de muitos bairros de Cuiabá convivem diariamente, principalmente quando não conseguem dri-

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blar o destino sombrio que normalmente os aguardam. Iniciativas como os projetos “PM Mão Amiga” e “Siminina” apresentam a essas crianças e adolescentes atitudes cidadãs que resultam em bom desempenho escolar, respeito aos colegas e à família e qualidade de uso do tempo que antes era gasto nas ruas. Mão Amiga Coordenado pela cabo da Polícia Militar Leonice Tenório, o projeto PM Mão Amiga atua no bairro Tijucal há mais de dois anos e atende crianças e jovens da Regio-

nal Sul do Coxipó, com idades que variam de oito a 18 anos. De acordo com a coordenadora, o projeto iniciou com apenas três crianças e hoje participam mais de 150, nos períodos matutino e vespertino. Além das atividades de disciplina militar, como a marcha, as crianças recebem orientações sobre prevenção à violência, praticam esportes e, em parceria com o grupo Mandala Soul, ensaiam semanalmente músicas em instrumentos de percussão feitos de sucata. “O projeto PM Mão Amiga é uma iniciativa voluntária


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e surgiu após o aumento do uso de drogas por adolescentes da região. Moro no bairro Tijucal há 21 anos e resolvi aliar a disciplina militar ao meu compromisso com a comunidade e apresentar às crianças alternativas positivas para viver em conjunto. O PM Mão Amiga conta com o apoio das diretoras das escolas estaduais, que incentivam os alunos a participar do projeto e me avisam quando a criança não está bem nas aulas”, afirma a cabo Leonice Tenório. Apesar de levar o nome da Polícia Militar e contar com os profissionais dessa área, o projeto não recebe auxílio algum do governo estadual. Programa Siminina Conscientizar as crianças sobre a importância do meio ambiente, ensiná-las a respeitar os colegas e valorizar o próprio corpo também fazem parte de uma grade de educação extra-curricular desenvolvida pelo projeto Siminina no bairro Jardim Fortaleza. São atendidas 104 meninas de sete e 14 anos, divididas entre os períodos matutino e vespertino. Funcionando ininterruptamente há

Aulas de educação sexual e outras atividades reduzem os casos de gravidez precoce entre meninas e adolescentes da periferia. 10 anos, o programa realizado pela Prefeitura de Cuiabá, com apoio da Brasil Telecom, surgiu como resultado de uma busca pela prevenção da gravidez precoce no bairro, fruto da ociosidade na qual se encontravam as meninas anos atrás. Obedecendo uma rotina que envolve orações, aulas de educação ambiental, sexual e de comportamento, as meninas aprendem valores que guardam como verdadeiros talismãs. Elas também são unidas. Se uma começa a faltar, as outras logo comunicam a monitora, que toma as providências cabíveis. A

comunidade também auxilia no projeto, seja cuidando das meninas, orientando-as ou fornecendo materiais didáticos, de limpeza, alimentação e transporte. A responsável por essa unidade do programa, Sandra Corrêa, 35, diz que “a relação entre a comunidade, as famílias e as responsáveis pelo Siminina no bairro é boa”, auxiliando uns aos outros sempre que possível. Quanto à adaptação, ela afirma que “no começo as meninas chegam atrasadas, mas acabam se integrando e gostando, passando a respeitar o horário de início. Algumas delas

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não querem ir embora no final do dia”. As meninas também criam suas próprias coreografias de dança e ensaiam teatrinhos que, posteriormente, são apresentados à comunidade e à sociedade em eventos e festivais. Silvana Ribeiro, 20, é estreante como monitora-assistente, mas já tomou gosto pelo trabalho. “Estou gostando muito e pretendo continuar trabalhando com as crianças”. Possivelmente, Silvana irá substituir Sandra, que pretende se dedicar mais à carreira de bióloga, na qual se formou há alguns anos.


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Covardia silenciosa Larissa Cavalcante e Lislaine dos Anjos

Geralmente não percebido pelos pais e ignorado pela escola, que prefere omitir-se diante do problema, o bullyng é uma forma de violência que pode causar danos irreparáveis à vida de crianças e jovens.

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aneiro de 2003. O jovem Edmar Freitas, 18, invade uma escola em Taiúva (SP) e atira contra alunos e professores. Oito pessoas ficam feridas e Edmar mata-se com um tiro na cabeça. Esta história pode até parecer um roteiro cinematográfico, mas aconteceu no Brasil, em uma cidade paulista próxima a Ribeirão Preto. Pessoas que conheciam o atirador afirmaram que ele era constantemente humilhado com apelidos pejorativos relacionados à obesidade. Ficou provado que Edmar era uma vítima de bullying. Na língua inglesa, o verbo bully significa amedrontar, intimidar. As salas de aula são os principais palcos para a prática deste fenômeno que, de tão recorrente, chega a ser visto com banalidade pelos diretores e professores. De fato, estes conflitos fazem parte do ambiente escolar, mas precisam ser combatidos por escolas que compreendam as consequências das perseguições para a vida das crianças. Em 2002, a Associação Brasileira de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia) realizou uma pesquisa com

5.875 estudantes de 5ª a 8ª séries de 11 escolas da cidade do Rio de Janeiro. Segundo o estudo, 40,5% dos jovens pesquisados revelaram ligação direta em atos de bullying, entre autores e alvos. A mesma pesquisa mostrou que 59% dos casos ocorrem nas salas de aula e que a maioria das vítimas é de crianças da quinta e sexta séries. Números como esses mostram o quanto esse fenômeno está presente na sociedade. Essa pesquisa fez parte do Programa de Redução do Comportamento Agressivo Entre Estudantes, realizado pela Abrapia em parceria com a Petrobras.

Pesquisa realizada em 11 escolas do Rio de Janeiro apontou que 40,5% dos jovens pesquisados revelaram ligação direta em atos de bullying, entre autores e alvos. De acordo com a psicopedagoga Maria Irene Maluf, o bullying é uma agressão verbal, emocional ou física contra uma criança ou jovem que, por razões diversas, torna-se alvo dos intimidadores

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e deles não consegue fugir. Ela explica que a baixa auto-estima é um dos grandes problemas das vítimas. “As agressões costumam estar relacionadas às características físicas e psicológicas da criança, que geralmente se sente merecedora do ataque”. Sentimento de fragilidade, depressão, instabilidade comportamental, isolamento e evasão escolar são as principais consequências do bullying para a vida da vítima. Por isso, Maluf ressalta a importância do auxílio psicológico para quem sofre as perseguições. No entanto, o agressor também merece atenção especial. “As crianças e jovens que praticam as agressões costumam enfrentar sérios problemas em casa, especialmente violência e descaso. São valentões muito frágeis”, explica. Em muitos casos, o agressor também costuma ser uma vítima. Para evitar que os casos de bullying aconteçam, Maria Irene Maluf acredita que os pais precisam acompanhar mais de perto a vida dos filhos, impondo limites e responsabilidades. A escola também precisa fazer a sua parte, com a preparação dos professores e a criação de projetos que gerem sociabilidade e desenvolvam o sentimento de tolerância. Omissão e cumplicidade da escola A estudante gaúcha Daniele Vuoto, 23, começou a ser vítima de bullying aos nove anos. Muito branca, magra e dona das melhores notas da

classe, Daniele logo se tornou o alvo preferido de alguns colegas. As agressões passaram a afetá-la mais profundamente após a morte do avô, fato que a deixou muito abalada. Seu rendimento escolar despencou e ela sentia um desejo cada vez maior de se isolar. Depois disso, vieram as sucessivas mudanças de escola, acompanhadas pela falsa idéia de que o problema ficaria no passado. Aos 16 anos, Daniele abandonou a escola por não ter condições físicas e psicológicas para continuar os estudos. Desesperados, os pais da jovem decidiram interná-la em uma clínica psiquiátrica, onde recebeu um tratamento desastroso à base de fortes medicamentos. Durante os três anos de internação, a estudante precisou recuperar a auto-estima e, para isso contou com o apoio do namorado, Rafael. Assim que deixou a clínica, Daniele teve a ideia de criar um blog para discutir o tema e auxiliar outras pessoas. “O diálogo é fundamental para resolver o problema. O bullying deve ser combatido diariamente, em um esforço conjunto entre pais, professores, alunos e demais profissionais da educação. Os casos não podem passar em branco”, afirma Daniele, que hoje estuda Pedagogia e pretende conhecer ainda mais o assunto. O blog criado pela estudante Daniele Vuoto é o www.nomorebullying.blig. ig.com.br. Para Daniele, os casos de


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Daniele criou o blog www. nomorebullying.blig.ig.com.br para ajudar outros jovens

bullying são agravados porque a maioria dos professores não sabe como agir diante das situações. “Meus professores nunca fizeram nada para ajudar. Alguns, inclusive, conseguiam piorar a situação, participando das provocações dos colegas”. A pedagoga Cleo Fante resolveu escrever um livro sobre bullying após anos de dedicação às salas de aula. Das pesquisas da autora nasceu o livro Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. Em seu livro, Cleo explica que se sentiu motivada a pesquisar sobre o tema porque percebeu que a maioria dos professores desconhecia o assunto e suas consequências. Para a pedagoga, as escolas precisam mudar a prática de ensino, que tem sido pautada no autoritarismo. O livro Fenômeno Bullying aborda situações vividas diariamente pelos professores e aponta soluções para amenizar os conflitos. A autora também buscou mostrar um pouco da realidade de outros países e, para isso cita projetos desenvolvidos nas nações europeias. Um dos principais pontos abordados pela edu-

cadora é como reconhecer os envolvidos em situações de bullying. Ela explica que é preciso estar alerta às mudanças de comportamento das crianças e jovens. Hostilidade, desejo de não ir à escola, medo, mau humor e outros sentimentos que revelam constrangimento e apatia são sinais de que algo está errado. Em 2006, Cleo Fante participou da criação do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre Bullying Escolar, o Cemeobes. Tratase de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), com sede em Brasília, que atua nas instituições de ensino para identificar e intervir em situações que caracterizam o bullying. O Cemeobes considera o fenômeno um caso de saúde pública, porque atrapalha a aprendizagem e a socialização das crianças e jovens. Para conhecer melhor o trabalho desenvolvido pela organização, basta acessar www.bullying.pro.br.

sibilidade de anonimato motiva as ofensas. O agressor inventa um nome qualquer e fica livre para fazer as perseguições. É o chamado Ciberbullying, muito comum nos sites de relacionamento. A divulgação de vídeos e fotomontagens está entre as principais formas de agressão pela internet. Alguns casos de ciberbullying ganharam projeção internacional no meio jurídico, como o da garota norte-americana Megan Meier, 13. A vizinha de Megan, Lori Drew, 49, criou um falso perfil em um site de relacionamentos e começou a perseguir a garota, até convencê-la de que sua vida não valia nada e que ela deveria se matar. Megan se suicidou no dia 16 de outubro de 2006, certa de que estava sendo insultada por um garoto de 16 anos. De acordo com a legislação americana, Lori poderá ser condenada a seis meses de prisão e pagamento de multa à família da garota.

Ciberbullying

Os danos causados pelo bullying, seja pela internet ou pessoalmente, não se encaixam em nenhum tipo de lei existente no Brasil. O advogado Everton Anjos explica que os processos judiciais relacionados à questão são baseados em analogias com o Código Penal, o que dificulta a aplicação de uma pena compatível com a prática destes crimes.

As agressões características do bullying também chegaram à internet, onde a pos-

Ações indenizatórias também são uma forma de punição. “Na maioria das vezes,

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as agressões vêm acompanhadas de palavrões, acusações e adjetivos que podem caracterizar crime de calúnia, difamação e injúria, crimes praticados contra a honra e que podem resultar em ações indenizatórias”, afirma o advogado.

Os danos causados pelo bullying, seja pela internet ou pessoalmente, não se encaixam em nenhum tipo de lei existente no Brasil. Em dezembro de 2005 foi criada no Brasil a Organização Não-Governamental Safernet, dedicada a combater a prática de crimes e violações contra os direitos humanos na internet. O ciberbullying é um dos alvos da associação, que recentemente publicou uma Cartilha de Segurança, disponível para download no site www.safernet.org.br. Nela há sugestões para escapar das agressões, além das providências que devem ser tomadas pelas vítimas.


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entrevista Entrevista com Gilberto Mendes – Instituto Cultural Flauta Mágica

Com flauta, canto e dança, a vida fica mais doce Izabel Barrizon

Usando a música e outras manifestações artísticas, o maestro Gilberto Mendes transforma a vida de crianças e adolescentes de um dos bairros mais pobres e violentos de Cuiabá, afastando-os das drogas e da violência.

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om muita simpatia e mostrando um enorme apreço em falar do Instituto Cultural Flauta Mágica, o maestro e um dos fundadores do projeto, Gilberto Mendes, concede uma entrevista exclusiva para o jornal Neco, discorrendo sobre o início complicado numa escola da periferia de Cuiabá, passando pelas viagens e apresentações no Brasil e no exterior, finalizando com o reconhecimento do trabalho social e educacional que se propôs a fazer, criando novas perspectivas para crianças e jovens de um dos bairros mais pobres e desassistidos de Cuiabá. Uma grande oportunidade de vivenciar a arte através da flauta doce, da

dança e do canto coral. Como foi o início do Instituto Cultural Flauta Mágica? Gilberto Mendes: Esse projeto começou em 98, quando o então diretor da Escola Técnica Federal de Mato Grosso, Edivá Pereira Alves, foi eleito vereador e me propôs montar um coral na Escola Municipal Dejane Ribeiro Campos, no bairro Jardim Vitória, em Cuiabá. Eu sugeri que fosse com flauta doce, e o projeto passou a ser uma atividade extra curricular para as crianças dessa escola. A escola passou a cobiçar o projeto? Gilberto Mendes: Quando o

projeto passou a ter um reconhecimento, porque, inclusive, o embaixador da Unesco na época, Jorge Werthein, veio até Cuiabá selecionar 30 instituições que apoiavam comunidades carentes para ajudar financeiramente, a diretora da escola entendeu que o dinheiro era para a escola, e “expulsou” o projeto. Ela prestou queixa na polícia porque eu não devolvi as flautas, já que os alunos usavam. Depois que o delegado não viu fundamento na queixa, ele me deu um prazo para devolver as flautas em seis meses. Foi exatamente o tempo de elaboração do projeto, o que viria a se tornar definitivamente o Flauta Mágica. Mas sem um lugar para ensaiar, onde o projeto se instalou? Gilberto Mendes: Na igreja do bairro, mas era numa parte anexa e logo a igreja não tinha como sustentar o projeto. Estávamos no olho da rua novamente. Mas a rede Cemat se dispôs a ser patrocinadora do projeto e logo a diretora também se reconciliou conosco e concedeu um prédio ao lado para os ensaios. O que acontecia com a escola era uma relação de patrão e empregado, e eu não aceitei isso. Com a ajuda de mais patrocinadores, conseguimos alugar um prédio. Foi no ano que a gente foi à Europa. Logo depois, com mais apoio

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de empresas como a Todimo, Supermercado Modelo e Açofer, conseguimos concluir a sede do projeto, localizado na rua 21 do bairro Jardim Vitória.

Você imagina, para essas crianças e jovens que vivem numa realidade totalmente diferente, terem a oportunidade de vivenciar outras culturas. As apresentações pelo Brasil e na França tiveram efeito positivo na vida das crianças? Gilberto Mendes: Você imagina, para essas crianças e jovens que vivem numa realidade totalmente diferente, terem a oportunidade de vivenciar outras culturas. Na França, por exemplo, visitamos museus, apresentei o “berço” de muitos compositores famosos que essas crianças aprenderam a admirar, foi uma grande experiência na vida delas com certeza. Aqui no Brasil nos apresentamos no Criança Esperança por três vezes e este ano nos preparamos mais uma vez


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entrevista para participar. Somos convidados sempre para apresentações em vários eventos, o que é muito gratificante. Como o Instituto Flauta Mágica sobrevive? Gilberto Mendes: Com o apoio dos nossos patrocinadores, o Criança Esperança também contribui, a Unesco já contribuiu, e lançamos em 2007 um CD, “As Flautas Mágicas”.

Daqui a alguns anos, pretendemos levar para o interior do estado também. Com isso fortaleceremos a identidade de nosso projeto, reaplicando nossa tecnologia social em todo Mato Grosso. Existe algum projeto de ampliação do Instituto Cultural Flauta Mágica para outros bairros? Gilberto Mendes: Sim, existe. Existe um projeto com a Secretaria de Educação de Mato Grosso para os próximos meses. Trabalharemos com 50 professores de Artes da rede estadual de ensino dos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. Formando e capacitando 50 professores, atenderemos diretamente sessenta mil alunos. E daqui a alguns anos, pretendemos levar para o interior do estado também. Com isso fortaleceremos a identidade de nosso projeto, reaplicando nossa tecnologia social em todo Mato Grosso. Para esse convênio, eu mesmo estarei disponibilizando o material didático, as partituras, todo um acervo para os professores.

Quanto tempo essas crianças permanecem no Instituto? Gilberto Mendes: Em média um ano. Muitos se musicalizam, mas não continuam, outros estão desde 1998 e não querem sair (risos). Além desse trabalho de musicalização das crianças, há uma preocupação com o futuro delas no mercado de trabalho? Gilberto Mendes: Sim, nós incentivamos os estudos. Quando tenho oportunidade, nas apresentações mesmo, entre os empresários, eu falo com eles, sugiro alguns nomes e esses empresários acabam contratando. Temos alguns alunos já graduados, temos 10 na faculdade, 40 alunos frequentando, gratuitamente, o terceiro ano consecutivo do curso de inglês. Há 13 alunos na faixa etária entre 14 e 16 anos incluídos em um programa para o primeiro emprego, com cursos gratuitos de qualificação e recebendo meio salário mínimo por mês; dois alunos atuando como professores de música; seis alunos aprovados em concurso para bancários com salários superiores a R$ 1.500,00.

reestruturação do Instituto visando a implantação do Centro de Capacitação para reaplicação da Tecnologia Social em outras comunidades, publicação dos livros “A magia da arte transformando vida: Metodologia de Ensino de Música”; e “Arranjos para Quartetos e Quintetos de Flautas Doce”. E outras coisas, como aquisição de novos instrumentos, novos uniformes para apresentações. O Instituto não para. Para finalizar, qual o lema do Instituto Cultural Flauta Mágica? Gilberto Mendes: Estamos inseridos nos quatro pilares

Quais são os projetos para 2009? Gilberto Mendes: Estamos tentando parceiros para a

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da educação propostos pela Unesco: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a saber e aprender a ser. Além do mais, dentre centenas de beneficiários do projeto, nenhum está envolvido com drogas ou criminalidade, dentro de uma comunidade assolada por estes problemas sociais. Temos por finalidade promover ações de arte, educação e cultura como instrumentos eficazes contra a exclusão social, bem como estabelecer parcerias com instituições públicas e privadas para que desenvolvam programas de qualificação profissional para jovens aprendizes.


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dicas do neco

Entre os muros da escola: o realismo como argumento Andreza Silva Pereira e Dyolen Vieira

J Marin estimula a expressão individual de seus alunos, mas estes aparentam não ver o porquê de tudo aquilo.

á não há apenas a voz inequívoca e imperativa do professor. Em “Entre os muros da Escola”, dezenas de vozes adolescentes disputam o poder de expressão e convencimento numa micropolítica engajada de linguagem. As grandes tomadas de diálogos, que sustentam a película, esbarram em questões fundamentais sobre o conceito de Educação na contemporaneidade e registram uma realidade praticamente universal: tudo mediado pela narrativa apurada de François Bégaudeau.

O filme, lançado em 2008, funde documentário e ficção (docudrama) ao recriar as experiências no processo de ensino vividas por Bégaudeau, professor de língua francesa da sétima série de uma escola

pública da periferia da França. As mesmas experiências foram contadas antes pelo professor em livro homônimo. O longa, interpretado pelas próprias pessoas apresentadas na obra escrita, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano passado e foi indicado ao Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro. O enredo se desenrola ao longo de um ano letivo de uma classe e ocorre restritamente na escola: sala de aula, sala dos professores, corredores, pátios. Grande parte do filme se passa durante diálogos entre a personagem de Bégaudeau, Marin, e seus alunos em aula. Diálogos, que muitas vezes, condensam tensões, fragilidade, distâncias. O diretor francês Laurent Cantet optou por usar, simultaneamente, três câmeras na filmagem das cenas, de modo a evitar cortes, conservando a energia das tomadas e ainda despistando os atoresamadores de um foco de captação, levando-os a atuar todo o tempo. Escolhas de direção que redundaram na sensação de extrema realidade e naturalidade das atuações, aproximando de forma testemunhal o expectador

do filme e pulverizando vestígios de estilo ou construção cinematográfica: os atores estão convictos em seus papéis de si mesmos. No entanto, todo esse realismo não deixa de produzir sentido. Ainda que aparente transparência e caos,“Entre os muros da Escola” pode ser metonímia: a Escola como não-ilha e parte da sociedade. A escola da periferia francesa como extensão micro de uma França de diferenças, povoada de imigrantes vindos de suas ex-colônias. Um aluno africano, considerado indisciplinado pelos professores, não se adapta à lógica da escola, outro, chinês, é ameaçado de ser deportado em razão de sua mãe ser imigrante ilegal, outra, ainda, questiona a necessidade de se aprender o imperfeito do subjuntivo, para ela, conjugação arcaica e burguesa contestando também o constante uso do nome americano “Bill” nos exemplos de gramática. Embora cheio de força de vida, o longa constrói realismo como argumento, escolhe imparcialidade por posição. Em todo o tempo, a complexidade da realidade leva a não-saídas narrativas.

Comparado a outros filmes que abordam a mesma temática, “Entre os muros da Escola” é diferente. Diferente de obras americanas como “Sociedade dos Poetas Mortos” ou “Mr. Holland, adorável professor” em que o mestre e seu heroísmo estóico levam à transformação da realidade. Marin é mestre com defeitos e não há uma trilha musical a subir eufórica no desfecho. Diferente dos clássicos franceses “Os Incompreendidos” de Truffaut e “Zero de Conduta” de Jean Vigo em que o contexto da educação francesa era de autoritarismo, repressão e a rebeldia, força libertária. Marin estimula a expressão individual de seus alunos, mas estes aparentam não ver o porquê de tudo aquilo. Fica a impressão de que o filme esmera-se em esgarçar seu título. Quando o conhecimento dado em sala parece não produzir eco nos estudantes, carece-se de sentidos. Sentidos para pensar a educação para além. Pensála diante da complexidade da realidade, abraçada com energia e vigor, ainda que sem indicações peremptórias, pelo Cinema.

Entre os Muros da Escola (Entre les Murs, França, 2008) Classificação: 12 anos Gênero: Drama Duração: 128 min. Tipo: Longa-metragem / Colorido Distribuidora: Imovision Produtora(s): Haut et Court, Canal+, Centre National de la Cinématographie, France 2 Cinéma, Memento Films Production. Diretor: Laurent Cantet / Roteirista(s): François Bégaudeau, Robin Campillo, Laurent Cantet / Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille, Dalla Doucoure, Arthur Fogel, Damien Gomes.

Sinopse: François e os demais amigos professores se preparam para enfrentar mais um novo ano letivo. Tudo seria normal se a escola não estive em um bairro cheio de conflitos. Os mestres têm boas intenções e desejo para oferecer uma boa educação aos seus alunos, mas por causa das diferenças culturais - microcosmo da França contemporânea - esses jovens podem acabar com todo o entusiasmo. François quer surpreender os jovens ensinando o sentido da ética, mas eles não parecem dispostos a aceitar os métodos propostos.

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neco ANO 2 Nº3 abril / 2010

necoij

Pesquisa investiga comunicação do SUS com os jovens O projeto é uma parceria entre o Necoij e o Instituto de Saúde Coletiva da UFMT família de cada uma destas regiões.

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lunos e professores do curso de Comunicação Social vinculados ao Núcleo de Estudos Comunicação, Infância e Juventude, em parceria com professores do Instituto de Saúde Coletiva e militantes do Movimento Popular de Saúde de Cuiabá, iniciaram no mês do novembro de 2009 o trabalho de campo da pesquisa ‘’Comunicação Social e Educação Popular dos Jovens: um desafio para o SUS’’. Trata-se de um estudo quali-quantitativo que busca compreender como são percebidas por pais e filhos as mensagens veiculadas nos meios de comunicação sobre o tema saúde e qual é o nível de diálogo sobre este tema entre os pais e os jovens e entre jovens e a equipe de Saúde da Família. Além da pesquisa, o projeto prevê também atividades de extensão relacionadas à comunicação social. Como áreas de campo foram escolhidas três regiões ocupadas

por populações de baixa renda: os bairros Canjica e Doutor Fábio II, em Cuiabá, e a cidade de Nossa Senhora do Livramento. A escolha do bairro Canjica, muito próximo centro de Cuiabá, se deve à militância existente no bairro em defesa da saúde; a escolha do bairro Doutor Fábio II por já contar com uma equipe de saúde da família atuante no bairro e a cidade de Livramento por estar próxima da Capital, Cuiabá, e ainda por manter traços de uma área rural, especialmente nos bairros escolhidos.

Para a terceira etapa está planejada a realização de seis grupos focais, dois em cada região. Com objetivo de capacitar os alunos e professores envolvidos com este projeto, a coordenação do Necoij organizou em dezembro um curso de pesquisa qualitativa, centrada no recrutamento, produção de roteiro, moderação de grupos focais e análise de dados qualitativos, incluindo a análise com o suporte de computadores, com base em software do tipo QDA. Após a coleta de informações quantificáveis e a construção de informações qualitativas oriundas das entrevistas dirigidas e dos grupos focais, serão realizadas oficinas temáticas com os jovens das três regiões, relacionando a comunicação e a saúde, como fotografia, edição de filmes,

O projeto todo está dividido em cinco etapas. A primeira fase de campo, que já se iniciou, prevê a aplicação de um questionário com 63 questões, exclusivamente às mães e pais de adolescentes e jovens com idade entre 12 e 18 anos. A segunda etapa consiste na realização de entrevistas dirigidas com médicos, enfermeiras e agentes de saúde, integrantes das equipes de unidade de saúde da

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produção de programas radiofônicos, produção de jornais comunitários, construção e alimentação de blogs, entre outras. O objetivo das oficinas é gerar a produção de peças de comunicação que possam traduzir o diálogo que os jovens travam com os meios, com os pais e com a temática saúde. A quinta etapa consiste na apresentação dos trabalhos produzidos nas oficinas e a formação de grupos de discussão sobre o trabalho exposto. Para participar destes grupos serão convidados a população, os jovens envolvidos e a equipe técnica da unidade de Saúde da Família da região. O término previsto para o projeto é o mês de setembro de 2010. Até lá, os pesquisadores, que já realizaram dois seminários sobre o tema, têm programado mais três seminários para discussão dos resultados parciais.

Pesquisadores e jovens participam de cursos, seminários e oficinas temáticas durante a realização da pesquisa.


neco ANO 2 Nº3 abril / 2010

Retrospectiva 2009 O Núcleo de Estudos Comunicação, Infância e Juventude realizou 10 encontros temáticos em 2009 para discutir assuntos bem variados, como a socialização da criança no mundo rural, a publicidade infantil e questões atinentes à juventude no ciberespaço e aos processos de construção de identidade dos jovens. Foram realizadas ainda duas palestras e uma videoconferência com a Alemanha, parte das atividades do projeto Janelas para o Mundo. O cinema também foi contemplado na programação do Necoij. Em parceria com o professor Diego Baraldi, idealizador do projeto Imagens em Pauta, o Núcleo participou dos debates após a exibição dos filmes “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, e “Edukators”, de Hans Weingartner, no Sesc Arsenal. A parceria continua em 2010.

ENCONTROS TEMÁTICOS NECOIJ 2009 20/3/2009

Palestra: Comunicação, Infância e Tecnologia – Prof. Dr. Berndt Fichtner, da Universidade de Siegen – Alemanha.

8/5/2009

Discussão: Socialização da criança no mundo rural, tema apresentado pela estudante Andhressa Barboza Apresentação dos projetos de pesquisa das professoras Janaína Capobianco e Mariângela López.

21/8/2009

Palestra: Estudar e pesquisar no estrangeiro – Prof. Dr. Paulo Teixeira, da UFMT. Aspectos Culturais das Juventudes Turca e Espanhola – Projeto Janelas para o Mundo – Apresentado pelos estudantes Priscila Kerche, Mayara Dias e Aline Fonseca, da UFMT, e Rafael Gomes, da Unic.

27/8/2009

Tema: Comunicação Social e Educação Popular de Jovens: um desafio para o SUS. Palestra: Análise e Difusão de Informação sobre Saúde – Profª Dra. Maria Angélica Spinelli. Discussão dos textos: - Ciências Sociais, Comunicação e Saúde, de Ricardo Teixeira e Antonio Phiton, apresentado pela Profª Ms. Emilia Biato. - O Fator Risco na Mídia, de Paulo Vaz et all, apresentado pela estudante Naiara Rocha. - Retratos da Comunicação em Saúde: desafios e perspectivas, de Tania Monteiro, apresentado pela estudante Taisa Amiden.

4/9/2009

Tema: Janelas para o Mundo Juventude e Interação - vídeoconferência, direto da Alemanha, com a professora Maria Benites, pesquisadora do Instituto Vygotskij. (VER NOME: Vygotsky) Palestra: Antropologia das Emoções e a Comunicação – Prof. Dr. Dielcio Moreira. Jovens de Berlim , apresentação das alunas Taisa Amiden e Naiara Rocha.

9/9/2009

Palestra: A Pesquisa Sócio-Histórica: metodologia – Prof. Dr. Phil. Bernhard Fichtner, da Universität Siegen – Alemanha. (CHECAR O NOME)

18/9/2009

Tema: Publicidade Infantil – Profª Luciana Borges (coord.) Palestra: A Teoria da Atividade e o trabalho da criação publicitária – Profª Ms. Luciana Borges Discussão: A propaganda e a Zona de Desenvolvimento Proximal – com base nos estudos de Lev Vygotsky e Jean Piaget – apresentação dos estudantes Eliene Londero e Valdir Brito.

2/10/2009

Tema: Publicidade Infantil – Profª Luciana Borges (coord.) Palestra: Crianças de medicamentos – Ana Lúcia Piraciaba, psicóloga. Discussão: O marketing nas escolas – tema apresentado da estudante Letícia Baldini.

23/10/2009

Palestra: A invenção da juventude no século XX – Profª Ms. Fernanda Quixabeira Machado. Discussão do texto: Considerações sobre a tematização social da juventude no Brasil, de Helena Abramo - apresentação da estudante Laís Costa.

13/11/2009

Juventude no Ciberespaço: produções de conteúdos e interações no jornalismo on-line – tema apresentado pela Profª Ms Janaína Capobianco e pela estudante Bruna Pinheiro.

27/11/2009

Tema: Juventude e Identidade – Profª Mariângela Sólla López (coord.) Palestra: Identidade e subjetividade no ciberespaço – Profª Dra. Lúcia Helena Vendrúsculo Possari. Projetos de pesquisa dos estudantes: Saga Crepúsculo: o fenômeno multimidiático na construção da identidade – Issaaf Karhawi Faz de conta que sou eu: fantasia e realidade na construção dos perfis fakes no Orkut – Wagner Rocha

Fique F ique atento atento à p programação rogramação d das ass a atividades tividades d do on núcleo. úcleo.

Acesse: www.ufmt.br/necoij

O que vem por aí A partir de 2010 as atividades do Necoij sofrem algumas modificações. O Núcleo vai atender à solicitação dos estudantes e realizar oficinas de capacitação na área de comunicação.

Além disso, os encontros temáticos serão repaginados, agora com a realização de um debate e um fórum por bimestre. Todas as atividades são abertas à participação do público interessado nas te-

máticas abordadas. Confira abaixo a programação para o primeiro semestre de 2010. As datas serão divulgadas oportunamente no site www. ufmt.br/necoij

Março - Abril / 2010

Maio - Junho / 2010

Oficina 1: Como construir e alimentar o seu blog.

Oficina 1: Diagramando com o Corel.

Oficina 2: A criação publicitária para o público jovem.

Oficina 2: A redação do texto científico.

Debate: Juventude e ciberespaço: produção de conteúdos e interações no jornalismo.

Debates: O Jovem na primeira página dos jornais de Cuiabá. Fórum: A imprensa e os jovens.

Fórum: A criança na publicidade em Cuiabá.

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Informativo NECO Nº 03  

NECO é um jornal laboratório produzido por professores e estudantes que compõem o grupo de estudos sobre a Comunicação, Infância e Juventud...

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