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Biomedia

Edição nº 4 Junho 2014

Com esta newsletter pretendemos informar-vos no que diz respeito a inovações na área da Biomédica, dar-vos a conhecer experiências de outros alunos e profissionais e claro, dar-vos voz! Esperemos que gostem! Secção de Informação

NEBM   Estagiar no Verão pelo NEBM O Programa de Estágios do Núcleo de Engenharia Biomédica tem por objectivo disponibilizar aos alunos do curso a participação em estágios de verão. Estes podem durar entre 1 e 3 meses desde Julho a Setembro, consoante o programa escolhido. As propostas de estágios existentes provêm de duas entidades: a empresa Plux - cujo estágio será em Lisboa - e o Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) em Oeiras, que oferece quatro oportunidades de estágio distintas. Dois destes últimos são destinados apenas a alunos de mestrado e oferecem benefícios de transporte e alimentação. Aos candidatos é pedido que entreguem o C.V. e uma carta de motivação (opcional). Existe ainda a possibilidade de receberem uma bolsa para despesas de alimentação e transporte fornecida pelo NEBM. Esta informação, assim como detalhes mais específicos relativamente aos estágios em questão, foram disponibilizados aos alunos do curso por email. Ana Palma

Entrevista

Estágios de Verão – Prof. Luís Caldas de Oliveira Com o objectivo de esclarecer os alunos de Engenharia Biomédica acerca das vantagens de realizar um estágio de verão – assim como de outras questões relacionadas com os mesmos – entrevistou-se o professor Luís Caldas de Oliveira. Actualmente, o professor lecciona disciplinas relacionadas com o processamento de sinal e empreendedorismo e é Vice-Presidente para o Empreendedorismo e Ligações Empresariais, no IST.   Na sua opinião, qual a importância que os estágios de verão podem ter na vida académica de um estudante de Engenharia Biomédica? Quais as mais-valias que trazem ao aluno?

Os estágios de verão são uma oportunidade para os alunos ganharem experiência sobre o ambiente e os requisitos da vida profissional numa empresa. A organização empresarial funciona com a reunião de um conjunto de diferentes competências baseada na capacidade de comunicação e cooperação dos seus colaboradores com formação e experiência muito diversificada.


Biomedia Estando os estudantes habituados ao ambiente universitário, que é muito mais uniforme, esta experiência será benéfica para desenvolver algumas capacidades que serão úteis na sua vida profissional e que dificilmente se podem transmitir num contexto de for mação tradicional. A realização do estágio enriquecerá o currículo do aluno com um fator distintivo após a conclusão do grau em curso. Para além disso, o próprio processo de candidatura a um estágio de verão poderá ser um excelente treino para o processo de entrada no mercado de trabalho. O aluno deverá preparar o seu CV e elaborar uma carta de motivação que lhe dê maiores possibilidades de ser selecionado pela empresa que oferece o estágio ao qual se candidata.   Diria que os empregadores dão elevada importância ao facto dos alunos terem realizado um estágio de Verão?  

Os empregadores dão valor não só ao diploma e à Escola que o emitiu, mas também às características únicas de cada candidato a uma posição na empresa. O estágio é importante não só por demonstrar uma experiência profissional mas, principalmente, porque é distinto de aluno para aluno. Neste sentido, é muito importante que o aluno reúna evidências dos resultados do seu estágio, como seja uma avaliação por parte da entidade que o acolheu com uma referência aos projetos ou trabalhos em que esteve envolvido. Será também bom solicitar a disponibilidade dos profissionais ou gestores da empresa para escreveram cartas de recomendação ou darem referências que possam ser úteis em futuros processos de recrutamento. Considera que seria uma boa ideia enquadrar os estágios no plano curricular do curso de Engenharia Biomédica, como é feito noutras faculdades?

A minha opinião pessoal é de que é uma péssima ideia.

Os estágios curriculares são mais comuns em escolas de menor relevo porque os utilizam como uma forma de mitigar as dificuldades que têm em colocar os seus diplomados no mercado de trabalho. Essas Escolas estão disponíveis para sacrificar o tempo em que poderiam dar mais e melhor formação aos seus alunos, por uma experiência profissional normalmente demasiado focada para não ser útil fora da área de trabalho da empresa onde o estágio foi realizado.Isto limita seriamente as alternativas de colocação do aluno, definindo demasiado cedo as suas opções de emprego. Acresce que a maioria desses estágios curriculares são mal remunerados e as empresas que os oferecem não têm qualquer intenção em vir a contratar o estagiário.  Isto não significa que não possam existir estágios em empresas que são úteis na formação dos alunos. Não vejo qualquer inconveniente em que um aluno realize parte do trabalho da sua dissertação de Mestrado em ambiente empresarial, desde que tenha a adequada orientação de um professor da Escola e o acordo do próprio aluno. A obrigatoriedade do estágio para a atribuição do diploma é que me parece uma opção errada. Havendo estágios curriculares obrigatórios, as empresas ficam com um poder negocial demasiado grande por saber que as Escolas têm de encontrar estágios para todos os seus alunos. Este desequilíbrio negocial conduz a um nivelamento por baixo das ofertas de estágio, retirando valor ao que a mim me parece ser o produto mais importante da Escola: os seus alunos e futuros diplomados. Penso que a Escola prestará um melhor serviço ao aluno dando-lhe uma formação sólida e abrangente que lhe permita ter todas as opções em aberto no momento da entrada no mercado de trabalho. Haverá algo de muito errado na formação prestada pela Escola se esta estiver dependente de entidades externas para conclusão do processo formativo.


Biomedia Opinião Estágio de Verão – Daniel Castro Em primeiro lugar gostaria de salientar a relevância que penso que um estágio pode assumir aquando a apresentação de um CV a uma empresa. Para além de demonstrarmos interesse em pôr em prática aquilo que nos é ensinado na faculdade, aproveitamos ainda para conhecer novas pessoas (neste caso o coordenador do estágio e algumas pessoas com quem trabalhamos, possibilitando por vezes novas oportunidades no futuro), novas aprendizagens e, algo que acho de extrema importância, acabamos por adquirir o gosto, ou não, por aquela área, sendo que quando chegamos à altura de entrar no mercado de trabalho já temos uma ideia mais consolidada daquilo que pretendemos/queremos fazer enquanto profissionais. Uma vez que me surgiu a oportunidade de estagiar no decorrer do último ano de Licenciatura, decidi aproveitá-la já que para além de “fortalecer” o meu currículo estava disponível para experimentar qualquer uma das áreas relacionadas com Eng. Biomédica (Investigação ou não). No meu caso e visto ter estagiado num Instituto cuja finalidade é investigação científica, que no Mestrado de Engenharia Biomédica se relacionaria com o Perfil de “Células e Tecidos” (Bioengenharia Molecular e Celular, Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa), fez-me perceber que seria algo que não teria tanto interesse em seguir numa carreira profissional, ainda que não a exclua por completo, virando as minhas atenções para algo mais ligado à Gestão e Consultoria (sendo que acabei por optar pelo perfil de Eng. Clínica IST). Esta foi uma das razões que me fez querer ingressar no IST (aquando a escolha de Mestrado), visto que esta vertente (Eng. Clínica) não faz parte de mais nenhum plano curricular de outra faculdade em Lisboa (UL, UNL).

Nome: Daniel Castro Ocupação: Estudante de mestrado de Eng. Biomédica, IST Estágio: Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, (ano lectivo de 2012/2013)

Em suma, penso que os estágios, apesar de ser em complementar es, per mitem-nos consolidar algumas das dúvidas que possamos ter quanto à escolha de um perfil, bem como a consolidação de alguns conhecimentos e autonomia. Este tipo de experiências revelou-se ainda bastante importante para mim depois de uma entrevista de emprego, onde foi notavelmente uma mais-valia, bem como a escolha da faculdade onde estudamos (no meu caso a Licenciatura em Eng. Biomédica, atribuída pela Universidade Católica) onde foram reconhecidas como faculdades de referência tanto o IST como a UCP. Aconselho a realização dos estágios aos meus amigos, já que estes constituem uma experiência única e pessoal e muitas vezes as conclusões que retiramos destes até podem divergir. Nada como experimentar!

Notícia Sistema wireless de transferência de energia para dispositivos bioelectrónicos Ada Poon, professora assistente de Engenharia Eléctrica em Stanford, desenvolveu uma forma wireless de transferência de energia, que permite a sua utilização na alimentação de pequenos dispositivos médicos electrónicos como pacemakers e biosensores.


Biomedia A descoberta, divulgada no passado dia 19 de Maio, resulta do trabalho de uma equipa de investigação interdisciplinar, que conta com a participação de alunos de Poon, um professor convidado e um professor de cirurgia cardiotorácica, igualmente de Stanford. A inovação consiste na criação de uma forma wireless de transferência de energia, capaz de penetrar o corpo de modo seguro, tendo sido atestado por um laboratório independente de testes de telemóveis que o sistema se encontrava consideravelmente abaixo dos níveis de risco para a saúde humana. Ao eliminar a necessidade de utilização de baterias e sistemas de recarga obsoletos, que contribuem para o atraso de um uso mais generalizado de aparelhos médicos, abre-se caminho para uma via de tratamento alternativa à actualmente mais utilizada, privilegiando a electrónica em detrimento dos fármacos. Foram já efectuados testes num coelho que recebeu um aparelho menor que um grão de arroz que actua como pacemaker, podendo ser carregado através de uma fonte de energia exterior, do tamanho de um cartão crédito, sobre o local do dispositivo. O sistema de recarga foi também utilizado num porco e está a agora a ser preparado para posterior aplicação em humanos. Caso venha a ser bem sucedido, serão necessários vários anos para alcançar a segurança e eficácia necessárias à comercialização de instrumentos médicos que empreguem esta tecnologia. No entanto, acredita-se que a descoberta terá despoletado o surgimento de uma nova geração de micr oimplantes, desde sensor es para monitorizar funções vitais implantados no interior do corpo a electroestimuladores que modulem sinais no cérebro e sistemas de administração de fármacos direccionados. William Newsome, director do Instituto de Neurociências de Stanford, afirma que esta forma de tratamento poderá ser mais eficaz do que a utilização de fármacos pois a abordagem bioelectrónica permite, entre outras coisas, modular directamente a actividade de circuitos cerebrais específicos, ao invés de actuar globalmente no cérebro.

“The Poon lab has solved a significant piece of the puzzle for safely powering implantable microdevices, paving the way for new innovation in this field.” Para mais informações: h"p://engineering.stanford.edu/news/stanford-­‐ engineer-­‐invents-­‐safe-­‐way-­‐transfer-­‐energy-­‐medical-­‐ chips-­‐body   Inês  Esteves  

Entrevista

Biomédicos pelo Mundo Diogo Ferreira de Almeida Diogo Ferreira de Almeida, de 29 anos, p r o v e n i e n t e d e Vi s e u , l i c e n c i a d o e m Engenharia Biomédica pelo IST, da turma de 2003 (a terceira!). Realizou o seu mestrado no IDMEC do Departamento de Mecânica do IST, intitulado de “Influência do diâmetro e do material nas pressões de contacto da componente acetabular de uma prótese total da anca” (orientado pelos Profs. Paulo Fernandes e João Folgado). Estudou em Praga por um semestre ao abrigo do programa Erasmus, durante o mestrado. Actualmente encontra-se a fazer um doutoramento em conjunto com a Universidade de Gent, na Bélgica, focado nas áreas de processamento de imagem médica e biomecânica. Quando é que nasceu esta paixão pela biomecânica e porquê Engenharia Biomédica? A verdade é que na altura das candidaturas pouco sabia do recém-criado curso de Engenharia Biomédica. Sabia que queria envergar pela engenharia mas não ao certo que ramo. Ao mesmo tempo, não estava disposto a deixar a formação de biologia que trazia do secundário.


Biomedia Quando soube da existência do curso falei com uma colega que o frequentava e fiquei fascinado pela multidisciplinaridade que oferecia. Para mim, era perfeito: possibilitar-me-ia uma educação nas diferentes áreas da engenharia sem esquecer a componente biológica. Foi como se atribuísse um propósito a toda a formulação matemática e física, características de engenharia. Mais tarde, enverguei pelo caminho da Biomecânica, muito por culpa do grupo com quem trabalhei durante a minha tese de mestrado – IDMEC. De que se trata o teu doutoramento? O meu doutoramento tem como objetivo o desenvolvimento de uma plataforma de auxílio à artroplastia total da anca. A articulação da anca é uma das mais importantes e complexas do corpo humano, podendo suportar cargas até seis vezes superiores ao peso de um indivíduo. A sua importância na locomoção é evidente pelo que a garantia da sua perfeita funcionalidade é o que nos motiva. Contudo, é uma articulação que está sujeita a inúmeras complicações, como a osteoartrite, comum numa população envelhecida. A solução passa por substituir a articulação anatómica por um implante, que pode ter diferentes formas e feitios, bem como ser constituído por uma liga metálica ou polietileno. Acrescem a este facto uma diversidade de problemas associados à performance do implante e que podem requerer revisão, num processo moroso e complexo. O meu doutoramento prevê o desenvolvimento de uma ferramenta que possibilitará aos cirurgiões fazerem uma análise quantitativa da performance dos diferentes tipos de implantes face às várias mor fologias da articulação antes da intervenção cirúrgica – artroplastia total da anca. O que te fez partir para o estrangeiro a fim de realizares o doutoramento? A oportunidade surgiu quando já tinha iniciado os meus estudos no âmbito do programa doutoral.

O meu orientador, o Prof. Rui Rúben, tinha bons contactos com o Biommeda http://www.biommeda.ugent.be/ – que é o laboratório onde estou de momento, na Universidade de Gent – e a possibilidade de uma colaboração surgiu naturalmente. Havia interesse de ambas as partes: por um lado eles desenvolveram uma ferramenta bastante útil na minha investigação e por outro a minha pesquisa contribuirá para o desenvolvimento da mesma. Trata-se de uma aplicação open source que serve para gerar, manipular e transformar estruturas tridimensionais. Quais as diferenças entre a Universidade de Gent e o IST? Em primeiro lugar, existe uma colaboração mais activa dos estudantes de doutoramento no sistema de ensino, estes são incentivados a propor tópicos e a orientar alunos de mestrado, bem como a leccionarem aulas práticas. Por outro lado, e ainda que o laboratório esteja inserido num hospital universitário (UZ Gent), existe uma maior abertura e interesse da classe médica em pertencer à investigação a nível académico. O que permite que as coisas evoluam mais depressa e que haja um feedback imediato do ponto de vista clínico. A rapidez com que tive acesso à base de dados dos exames dos pacientes é prova disso mesmo. Quais são os prós e contras de viver no estrangeiro? Eu, por ser fã de Portugal e Lisboa, posso não conseguir ter uma resposta isenta a esta pergunta por mais que tente. Também dependerá sempre do local que me encontre. No meu caso, o facto de saber que a estadia tem um termo definido ajuda com as saudades: das pessoas, do clima e principalmente da gastronomia. No meu caso, o facto de saber que a estadia tem um termo definido ajuda com as saudades: das pessoas, do clima e principalmente da gastronomia. Contudo, a capacidade de nos adaptarmos surpreende-nos por vezes até a nós mesmos.


Biomedia A motivação que advém de uma cultura a conhecer, de criar novos laços e de ter a oportunidade de ver novos lugares é um forte alento contra a sempre presente saudade. Não quero de todo desencorajar quem me esteja a ler, até porque tenho a convicção que viajar e conhecer é sempre uma experiência enriquecedora. Ao nível da investigação académica, considero-me um privilegiado por conhecer novas metodologias de trabalho e ter oportunidade de discutir ideias com colegas que têm um background distinto do meu. No futuro, planeias ficar na Bélgica ou regressar a Portugal? Em primeiro lugar regressarei a Lisboa para terminar o meu doutoramento. É um plano que tenho, o de assentar por Portugal. No entanto, dado o panorama económico do país e as políticas de contenção adotadas pela maioria das empresas, é difícil fazer previsões. Entretanto, estabeleci contactos e criei ligações que me fazem olhar para a Bélgica como uma possibilidade. Existem mais oportunidades e melhor financiamento na área académica, pelo que considero que seja uma vantagem preponderante em certas áreas de investigação. Em relação a ofertas de emprego, sinto que também aqui na Bélgica a Engenharia Biomédica ainda não é reconhecida de forma unânime no meio empresarial dada a sua história recente. Contudo, há um maior leque de ofertas de emprego. Recentemente, dois colegas de trabalho conseguiram colocações em empresas do sector com entrada imediata após terminarem os seus estudos. Os salários aqui são consideravelmente superiores na generalidade, mas é importante focar que mão-de-obra qualificada aqui é remunerada como tal. Tens algum conselho para os que estão a iniciar o seu percurso em Engenharia Biomédica ou para os que planeiam estudar no estrangeiro? A Engenharia Biomédica possui a grande vantagem de ter uma abrangência vasta.

C o n s i d e r o importante ter uma ideia de que ramo seguir o quanto antes. Nada definitivo, mas uma direcção onde focar interesses e pesquisas, pois é uma área onde as coisas evoluem bastante depressa e o que hoje é tido como estado da arte, amanhã pode ser obsoleto. Relativamente a estudar no estrangeiro, apenas queria focar que enquanto experiência de vida, por mais dura que seja, é sempre gratificante. As vivências, o choque de culturas e os laços criados farão que tudo tenha valido a pena. Numa sociedade como a nossa, de que nos valerá a bagagem académica se não se tem o contacto certo? Raquel Calçada

Entrevista   Actividades Extracurriculares Para te mostrar que é possível conciliar o curso com actividades extracurriculares conversámos com 5 alunos de Engenharia Biomédica sobre algumas das suas actividades. Vasco Conceição é aluno de 5º e já trabalhou com professor Tiago Maia da FML. Representando o 4ºano temos o Pedro Franco e o André Pinheiro que participam no Global Management Challenge, e que no semestre passado ficaram em 4ºlugar a nível nacional. O José Maria Moreira é também aluno de 4ª ano e concilia o curso com um projecto de investigação na Champalimaud. Falámos também com a Cheila Madaleno de modo a saber mais sobre a sua experiência na Junitec. Como soubeste dessa oportunidade? PF- A minha interação com este jogo de gestão estratégica começou no campeonato interno do IST para a disciplina de Gestão.


Biomedia No início, era apenas um jogo, porém à medida que íamos jogando e vencendo eliminatórias, tornou-se um verdadeiro desafio. Apercebemo-nos das nossas capacidades e que podíamos realmente fazer algo de positivo na prova. VC- Tive conhecimento através dum mail enviado pelo professor aos alunos do meu ano, no qual explicava qual a sua área de trabalho e qual o contributo que os alunos poderiam ter no seu trabalho. JMM-­‐   Não se tratou de uma descoberta. Foi uma cadeia de contactos que começou com uma professora da disciplina de Fisiologia de Sistemas, quando lhe perguntei se conhecia alguém que precisasse de um estagiário de Verão. Pouco tempo depois já estava a fazer uma visita à Fundação Champalimaud, no entanto não foi nesse dia que fiquei com a garantia de lá ficar. Foi preciso chegar ao fim de Julho, quando estava a tirar as malas do carro para passar uns dias com uns amigos em Portimão, quando recebo uma mensagem de um PostDoc do laboratório de “Metabolism & Behaviour” a dizer que não se importava de me receber, pois até precisava de uma ajuda com bases em engenharia num projecto. Nesse ano não passei os tradicionais 15 dias de Agosto com os meus pais e fiquei por Lisboa a ir todos os dias para Belém. Ou seja, procurei, movi-me e encontrei a oportunidade. CM- Tive conhecimento da Junitec depois de ter ido visitar as bancas do MecanIST, as jornadas de engenharia Mecânica em 2013. Para quem não sabe, a JUNITEC é a júnior empresa do IST e o seu principal objectivo é aproximar os estudantes do meio empresarial e promover o seu espirito empreendedor através da realização de projectos inovadores. Na altura, a ideia da possibilidade de desenvolver projectos fora do contexto das cadeiras do curso e de aplicar na prática o que aprendemos agradou-me bastante pois considerava e considero que o nosso percurso é bastante teórico e que lhe falta uma grande componente prática. O que estás a achar da experiência?

VC- Serviu de motivação para aprender uma série de coisas das quais gostava e que de certeza não iria aprender por iniciativa própria. PF- Está a ser uma experiência extremamente enriquecedora. Juntamente com a minha equipa conseguimos apresentar um bom desempenho e chegar longe na competição. No ano seguinte iremos competir novamente, como uma das equipas da EDP, e tentaremos ir ainda mais além, tendo como objetivo a vitória na final do Nacional! VC- Estou a gostar bastante. Acho que quando uma pessoa está a trabalhar numa coisa que gosta a motivação é completamente diferente e é isso que me tem acontecido até agora. Além disso, é sempre bom quando podemos usar coisas que aprendemos no curso para fazer algo realmente útil, nem que sirvam só como um ponto de partida. Na minha opinião isso é precisamente uma das coisas que mais falta no nosso curso e sinceramente comecei a gostar ainda mais de Biomédica depois de ter começado a trabalhar no grupo. Por último, só dizer que uma coisa muito porreira é que num ambiente de investigação toda a gente fala sem problemas e completamente à vontade uns com os outros, e não só dentro do mesmo grupo, no qual o ambiente já é espectacular. Isso para quem gosta, como eu, é mais um grande motivo para estar a gostar tanto deste projecto. JMM- Desde Agosto de 2012 que lá estou a trabalhar em diversos projectos. O primeiro mais relacionado com biologia, onde tive a oportunidade de realizar experiências com animais, particularmente com a Drosophila melanogaster, vulgar “mosca da fruta”. O projecto que se seguiu, muito mais na nossa área, ensinou-me a pensar e a trabalhar como um engenheiro. Tive apoio não só do PostDoc que me recebeu, bem como de um Engenheiro, que me ensinaram realmente o que é criar Ciência. O ambiente na Fundação Champalimaud é muito friendly, e contactar com qualquer investigador ou cientista é muito fácil. Conheci muita gente!


Biomedia Que falam várias línguas e que vêm de várias áreas do saber, portanto, para além de profissionalmente, esta experiência tem-me enriquecido pessoalmente. AP- É uma experiência fantástica para quem levar o jogo a sério. É uma óptima oportunidade para desenvolver as nossas capacidades ao nível da resolução de problemas e também competências ao nível de trabalho em equipa. Eu, por exemplo, aprendi a programar em VBA, para o Excel, ganhando com isso uma ferramenta que me permite tomar decisões de uma forma mais quantitativa e não tanto baseadas em “gut feeling”. Por outro lado, aprendemos também a funcionar em grupo ao estarmos constantemente sujeitos a situações de stress e pressão, por termos de tomar decisões com qualidade num curto espaço de tempo. Sem uma excelente equipa não conseguíamos chegar onde chegamos, visto ser mos estreantes na competição e estarmos a competir com equipas que têm 5/6 anos de experiência. CM- Actualmente, apesar de não estar inserida em nenhum projecto da Junitec, faço parte do departamento comercial e um dos pontos altos que destaco no nosso trabalho é a parceria que conseguimos com a EDP, para a realização de projectos em conjunto. É realmente importante para a Junitec poder estar associada a uma das maiores empresas do país. Por outro lado, gosto bastante do espirito que se vive na Junitec, das pessoas que já conheci e das actividades que fazemos. No que toca ao futuro, que benefícios achas que essa experiência te trará? PF- Para além do prestígio que uma competição como esta traz, adquiri um conjunto de conhecimentos técnicos essenciais para ultrapassar as dificuldades encontradas etapa a etapa e que poderão ser utilizados em contextos fora da competição. Permitiu-me não só desenvolver diversas valências como difíceis tomadas de decisão onde um pequeno erro poderia ditar o resultado final, trabalho de equipa e espírito crítico, como também conhecer várias pessoas desde empresas a estudantes,

aprender e partilhar as nossas experiências e paixão pelo jogo! Além disso, acho que me deu mais vontade para tentar aprender uma série de coisas em cadeiras do curso no 4º e 5º ano, porque serviu para ver que de facto muitas dessas coisas têm aplicação prática e podem ser úteis no futuro. Mais importante que tudo isso, é ver como é a vida dum investigador e perceber quais as vantagens e dificuldades desse ramo. JMM- Penso que uma qualquer experiência profissional num laboratório de investigação antes de terminar o Mestrado trará valor curricular. Não só pela garantia do trabalho que realizaste para lá estares, mas também pelos “bónus” que verás escritos no teu curriculum. Refiro-me a possíveis publicações nas quais o teu nome aparecerá por teres ajudado na criação de conhecimento. Estes são, todas elas mais valias que acrescento ao meu curriculum, no entanto, esta experiência ensinou-me a trabalhar, a saber resolver problemas reais, a pensar como cientista e mais do que isso, pensar como engenheiro! AP- Não sei se a nossa classificação será relevante a nível curricular ou não, mas o conhecimento que adquiri certamente será útil para o meu futuro. Sinto que ao ter participado neste desafio ganhei não só conhecimentos básicos acerca do funcionamento de uma empresa mas também de desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão. Creio que isto será útil no meu futuro profissional, independentemente da carreira que escolha. Embora tivéssemos começado por brincadeira, nunca imaginamos o quão longe conseguíramos avançar na competição. Chegando à final nacional tem-se a oportunidade de conhecer quadros de outras empresas e trocar ideias com pessoas bastante interessantes, como é o caso do director adjunto dos recursos humanos e uma equipa de engenheiros da EDP, uma equipa coordenadora de vendas da ZON e o co-fundador da Critical Manufacturing. CM- Considero a minha experiência na Junitec uma mais valia para o meu futuro profissional porque permite-me alargar a minha rede de contactos e lidar com pessoas fora da área de Biomédica.


Biomedia Para além disso, tenho aprendido a gerir muito bem o meu tempo, de maneira a conseguir conciliar as actividades da júnior com o trabalho do curso. Por outro lado, a Junitec tem também como objectivo a formação dos seus membros e nesse sentido, todos os workshops organizados pela Junitec em que já participei são bastante importantes e úteis para o meu percurso profissional. Esperamos ter -te entusiasmado para procurar algo mais! Joana Chim

NEBM

III Jornadas de Engenharia Biomédica As Jornadas de Engenharia Biomédica são um evento organizado anualmente pelo NEBM, em colaboração com outros elementos do curso. A terceira edição deste evento realizou-se nos dias 19 e 20 de Março, e teve como principal objectivo fomentar o debate e a reflexão acerca das áreas científicas que a Engenharia Biomédica reúne, tendo em conta o contexto profissional e empresarial em que está inserida. O primeiro dia de jornadas começou da melhor forma, com a realização de um Workshop “Dá nas Vistas em Entrevistas” promovido por Ana Paula Saraiva da Lee Hecht Harrison| DBM, onde foram discutidas as armas ideais para ser bem-sucedido no mundo das entrevistas. Num momento seguinte realizou-se a Sessão de Abertura oficial destas jornadas e contou com a presença do Professor Arlindo Oliveira, Presidente do IST, do Professor João Pedro Conde, Coordenador do MEBM, e ainda, do Engenheiro Carlos Mineiro Aires, Presidente da Região Sul da Ordem dos Engenheiros.

Para terminar a primeira manhã de jornadas ocorreu ainda a Mesa Redonda com o tema “Molecular and Cell Based Medicine”, dedicada ao perfil de Bioengenharia Molecular e Celular, Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa, onde estiveram presentes os oradores, Helena Vieira, João Garcia Fonseca, João Fernandes, e o Professor Duarte Prazeres no papel de moderador. Depois do almoço, e com as baterias recarregadas, recomeçaram as jornadas com mais uma Mesa Redonda, desta vez intitulada “Human Enhancement”. Uma mesa dedicada ao perfil de Biomecânica e Dispositivos Biomédicos, onde contámos com a presença do Professor Paulo Fernandes como moderador, acompanhado dos oradores, Professor Miguel Tavares da Silva, Professor Jorge Martins, e Sérgio Gonçalves. De seguida realizou-se a primeira sessão de Speed-Dating, uma curta sessão onde os alunos tiveram a possibilidade de conversar com ex-alunos, empresários, investigadores e docentes da área num pequeno grupo de participantes, podendo trocar ideias e colocar questões. Nesta primeira sessão participaram todos os elementos da Mesa Redonda dedicada à Biomecânica. Quase a terminar um dia perfeito de jornadas, os alunos assistiram ainda ao último Workshop do dia “CV: Diferencia-te” promovido pelo departamento de Emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional, onde foram desmistificados alguns dogmas relacionados com a elaboração de um Curriculum Vitae. A última actividade do primeiro dia de jornadas foi uma inovadora sessão de CINEBMA, já conhecido pelos alunos de Biomédica, desta vez com a transmissão do filme “FIXED: The Science/Fiction of Human Enhancement” realizado e produzido por Regan Brashear. Não teria sido uma sessão inovadora apenas com a transmissão deste filme. Esta sessão classificada como fora do comum contou com um debate, via Skype, entre a própria realizadora, os alunos da audiência, e alguns oradores convidados.


Biomedia O último dia das destas jornadas começou cedo com mais uma actividade de Workshop desta vez sobre o dispositivo “BITalino 101” com Hugo Silva, alumni do IST, co-fundador da empresa PLUX. Seguindo o formato do primeiro dia de jornadas, seguiu-se mais uma Mesa Redonda em torno do perfil de Imagiologia, Biossinais e Instrumentação Biomédica, “ Life Through Signals” era o mote dado para esta mesa moderada pela Professora Patrícia Figueiredo e composta pelos oradores: Professor Raúl Martins, Professor João Sanches, Marco Leite, e Hugo Silva. A manhã não terminara sem que se realizasse mais um Speed-Dating com os oradores da Mesa Redonda e com os responsáveis pelo Workshop da manhã. Já no período da tarde começamos com a última Mesa Redonda “Health Care – Business Side” dirigida para o perfil de Engenharia Clínica. Esta mesa foi moderada pela Professora Mónica Oliveira e contou com a presença de Filipe Janela,  o Professor Luís Caldas de Oliveira, Joaquim Cunha, João Lea como oradores. Seguida de mais uma actividade de Speed-Dating com os elementos deste painel. A última actividade oficial realizou-se de seguida “Das ideias à acção: Como criar uma empresa?” foi o Workshop com André Casado, Managing Partner da Adding Talent, dedicado a desvendar as bases necessárias para levar uma ideia original bem longe. Ter minadas as terceiras Jor nadas de Engenharia Biomédica do Instituto Superior Técnico, deu-se a sessão de encerramento na qual estiveram presentes António Cruz Serra, Reitor da Universidade de Lisboa, o professor João Pedro Conde e Rafael Gonçalves, presidente do núcleo de Engenharia Biomédica. Daniela Burrinha

Agenda IST  

Período de exames época normal – 7 a Sábado 21 de Junho Época de recurso – 28 de Junho a 4 de Julho Lançamento de notas 2º semestre – 14 de Julho

Eventos  do  IST  

Open Day Arquivo do Técnico – 9 de Junho IST Summer Internships – Julho a Setembro Candidaturas ao programa MIT Portugal – 1 de Junho a 15 de Julho

Concertos  

Optimus Alive – 10, 11 e 12 de Julho (Oeiras) Festival Paredes de Coura 2014 – 20 a 23 de Agosto MEO Sudoeste – 6 a 10 de Agosto (Zambujeira do Mar) Super Bock Super Rock – 17 a 19 de Julho (Meco) OneRepublic – 21 de Novembro (MEO Arena)

Cinema   Transformers: Age of Extinction – 26 de Junho Dawn of the Planet of the Apes – 17 de Julho

Destaques 4   de   Julho:   Eleições para o próximo mandato do NEBM.

Secção  de  Informação  (NEBM):    Mariana  Costa  (responsável),  Ana  Palma,Daniela  Burrinha,    Inês  Esteves,  Joana  Chim    e  Raquel   Calçada.  seccaoinformacaonebmist@googlegroups.com   *  Esta  newsle"er  não  segue  o  novo  acordo  ortográfico  


Newsletter - Junho2014