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transmitidos em LGP, mas também precisa de ler bibliografia com acuidade, alargar os seus conhecimentos no léxico do Português e perceber melhor a realidade da Língua Portuguesa. Desta forma, creio que o professor não deve reduzir o uso de vocabulário mais erudito com receio de que o surdo não o perceba. Se a interpretação para LGP não for suficiente, o docente poderá parafrasear o conceito para que este fique claro, esperando que o discente o compreenda quando ele for usado novamente noutro contexto lectivo. Para isso, há que considerar também o papel do aluno na sala de aula. O Lugar do Aluno: • o estudante surdo deve compreender a necessidade de ser proficiente em Português, língua maioritária da comunidade em que se insere; • o este aluno deve procurar ler a bibliografia essencial (e complementa) procurando criar estratégias de leitura selectiva, ou seja, deve esforçar-se por mapear os conceitos básicos no texto. Esta capacidade deve também ser fomentada nos alunos ouvintes; • o discente surdo não se deve coibir de levantar dúvidas ao professor, servindo-se da intérprete, e/ou de outros meios de comunicação, como o correio electrónico; • a partilha das dúvidas deve ser encarada como chave necessária para o sucesso educativo e não como factor de desmotivação; • a fluência em LGP e as dificuldades em Língua Portuguesa devem ser vistas como uma diferença e não como factor de desculpabilização. Para isso, todos os estudantes deverão entender a necessidade de se expressarem cada vez melhor na forma escrita; • o aluno surdo deve procurar ser cada vez mais proficiente na sua Língua Segunda pois dela depende, em grande parte, o sucesso académico; • os estudantes, ouvintes e surdos, deverão entender a diversidade de línguas na sala de aula como uma oportunidade de enriquecer o conhecimento linguístico e como forma de compreender expressões culturais diversas da sua.

Tendo em mente a importância que o conhecimento língua portuguesa reveste para o surdo, permitindo-lhe um acesso mais eficiente ao saber académico, e considerando também que a LGP é a sua Língua Natural construí o ensino-aprendizagem das disciplinas do curso de Língua Gestual Portuguesa que ministro no presente ano lectivo, Introdução à Linguística Geral e Portuguesa

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OPDES04  
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Revista OPDES

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