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colonialidade (que colocado o outro como inferior, apolítico, irracional) e do capitalismo que prioriza a expansão de capital (e suas estratégias como o agronegócio, neoliberalismos). Ou seja, se constrói um percurso que busca compreender problematizar os padrões de poder, refletir as dicotomias viciosas e naturalizadas que consolidam pensamentos Abissais3, pois o “pensamento moderno ocidental é um pensamento abissal” (SANTOS, 2009, p.23). Silva et al. (2014) vêm sinalizando essas questões, ao colocar o campo como lugar de movimentação epistemológica, política, cultural e educacional, que deve ser sujeito, espaço e tempo de enunciação de formas alternativas de conceber o mundo, dentro de uma perspectiva de cultura sujeito. A autora pontua como a colonialidade/modernidade/eurocêntricas marginalizou a população do campo a partir dos critérios de racialização e racionalização, que produziu padrões de poder, saber e ser que colocou esses sujeitos como inferiores, os tirando o acesso e permanência à terra, ao saber, através de genocídios e epistemicídios. Além disso, criou-se a dicotomia e hierarquia entre o rural e o urbano, sendo o urbano o lugar do conhecimento válido, em detrimento ao conhecimento rural. Pois, o eixo da colonialidade do poder (hierarquia de raça, território, padrão de social) [...] repercute na dicotomia entre urbano e rural, sendo o primeiro lócus privilegiado do progresso e o segundo lócus subalternizado, como veremos mais adiante. A imposição desta dicotomia entre urbana e rural, apoiada na ColonialiPensamento Abissal é construído a partir do pensamento moderno ocidental. “As distinções invisíveis são estabelecidas através de linhas radicais que dividem a realidade social em dois universos distintos: o universo ‘deste lado da linha’ e o universo ‘do outro lado da linha’. A divisão é tal que ‘o outro lado da linha’ desaparece enquanto realidade, torna se inexistente, e é mesmo produzido como inexistente. Inexistência significa não existir sob qualquer forma de ser relevante ou compreensível” (SANTOS, 2009, p. 23). Assim, o pensamento moderno ocidental cria esse abismo sobre outros pensamentos subalternizados, anulando outras realidades, centrando e reproduzindo apenas sua realidade enquanto legítima. 3 

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Princípios de movimento de educação do campo: análise dos projetos político-pedagógicos das LEDCs do  

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