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organização enquanto agente social transformador. Nesse sentido, Veiga (2007) aponta como a reforma da educação superior, na nossa percepção uma contrarreforma1, marcada principalmente pela LDB/1996, vem contribuindo para essas questões. Questões essas que tem como base as políticas neoliberais, que começam a direcionar os caminhos do Brasil na década de 1980 e 1990, impactando também na LDB/96, e nos aspectos que rodeiam a consolidação da contrarreforma do modelo de educação superior. Nesse sentido Boaventura Santos aponta que, A perda de prioridade na Universidade pública nas políticas públicas do Estado foi, antes de mais, o resultado da perda geral de prioridade das políticas sociais (educação, saúde, previdência) induzida pelo modelo de desenvolvimento económico conhecido por neoliberalismo ou globalização neoliberal que, a partir da década de 1980, se impôs internacionalmente. Na Universidade pública ele significou que as debilidades institucionais identificadas – e não eram poucas –, em vez de servirem de justificação a um vasto programa político-pedagógico de reforma da Universidade pública, foram declaradas insuperáveis e utilizadas para justificar a abertura generalizada do bem público universitário à exploração comercial. Apesar das declarações políticas em contrário e de alguns gestos reformistas, subjacente a este primeiro embate da Universidade com o neoliberalismo está na ideia de que a Universidade pública é irreformável (tal como o Estado) e que a verdadeira alternativa está na criação do mercado universitário. O modo selvagem e desregulado como este mercado emergiu e se desenvolveu são a prova de que havia a favor dele uma opção de fundo. E a mesma opção explicou a descapitalização e desestruturação da Universidade pública a favor do emergente mercado universitário com transferências de recursos humanos que, por vezes, configuram um quadro de acumulação primitiva por parte do sector privado universitário à custa do sector público (SANTOS, 2004, p.9/10)

Isso instaura uma crise institucional na Universidade Contrarreforma no sentido de se consolidar uma reorganização, porém, não com caráter progressista, sem a finalidade de melhorar no sentido de democratização da universidade para o povo. 1 

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Princípios de movimento de educação do campo: análise dos projetos político-pedagógicos das LEDCs do  

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