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No mundo, a conscientização das pessoas é cada vez maior a respeito da poluição luminosa. Em diversos países foram adotadas medidas para minimizar os problemas da poluição luminosa. No Brasil a legislação atual ainda é muito desconhecida e pouco abrangente. O primeiro país a criar uma legislação para combater os efeitos nocivos da poluição luminosa foi os Estados Unidos. Em meu trabalho “Análise legal dos impactos provocados pela poluição luminosa do ambiente”, apresento um anteprojeto de lei que tem a finalidade de combater a poluição luminosa com a regulamentação de instalações de iluminação externas e internas, públicas e privadas. Esse anteprojeto sugere mecanismos para evitar a poluição luminosa relativos ao mau planejamento dos sistemas de iluminação e dos efeitos produzidos por essa poluição, visando a proteção do meio ambiente noturno, em benefício da flora, fauna e ecossistemas em geral. A Figura 4 ilustra alguns exemplos de luminárias utilizadas em sistemas públicos e privados. Como se pode observar, quando os sistemas são planejados, existe um melhor aproveitamento do fluxo luminoso, utilizando-se a energia de modo mais eficiente.

Fig. 4. Normas para a utilização de luminárias

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No caso da ilustração “PROJETORES”, quando o sistema de iluminação é incorretamente direcionado, além de iluminar a área que realmente deve ser iluminada, existe uma parcela que é direcionada para o céu, causando a poluição luminosa. Quando o planejamento do sistema é realizado, a luminária é corretamente utilizada e direcionada, conforme demonstrado nos itens “aceitável”, “correto” e “muito correto”. Na ilustração “LUMINÁRIAS”, o item “incorreto”, correspondem às luminárias esféricas utilizadas em praças públicas, que além de iluminar onde deveria, ilumina acima da linha do horizonte, energia esta que é perdida. Os demais itens “correto” e “incorreto” da ilustração “LUMINÁRIAS” referem-se a luminárias para a iluminação pública. Observa-se que dependendo do ângulo do sistema, existe uma quantidade de fluxo luminoso que não é aproveitado e que é direcionado ao céu. Quando o sistema é corretamente direcionado, o uso da energia no sistema de iluminação é eficiente. O uso de sistemas de iluminação ineficientes ocorre em diversas cidades. Um clássico exemplo é o globo que pode ser encontrado nas praças públicas. Pode-se notar na figura 5 que apesar da luminária possuir sistema de proteção (detalhe da figura) para que a

Fig. 5. Sistemas de iluminação Praça Dr. José Braz – Itajubá/MG

luz não seja emitida acima da linha do horizonte, esta proteção é ineficiente, pois na imagem noturna observa-se a claridade acima da luminária, iluminando as árvores e provocando a poluição luminosa. Vale ressaltar que iluminar bem não é iluminar em excesso, e sim, com eficiência. Os profissionais e a comunidade em geral devem ser alertados para isso. Os órgãos de disseminação de informação e os formadores de opinião devem ter conhecimento deste importante aspecto e podem possuir um valioso papel em alertar a população sobre os aspectos negativos da poluição luminosa, seus impactos e meios de evitá-la. O uso racional da iluminação gera economia de recursos naturais e econômicos, uma vez que poupa a energia que seria desperdiçada, com consequências sociais importantes tais como a preservação da saúde e intimidade familiar, iluminação mal direcionada, bem como melhor visibilidade dos objetos celestes da superfície terrestre. Uma legislação nacional fixando parâmetros é um modo de evitar e corrigir a poluição luminosa no Brasil. A lei a ser implementada poderá fixar normas para o planejamento e a instalação de novos pontos luminosos, determinar o uso de equipamentos e lâmpadas mais energéticas e economicamente eficientes e incentivar programas de educação da população. As referências utilizadas neste artigo podem ser encontradas no link http://adm-net-a.unifei.edu.br/phl/ pdf/0032988.pdf Saulo Gargaglioni é Mestre em Engenharia da Energia pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei), trabalha no Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e é integrante do Núcleo de Estudo, Planejamento Ambiental e Geomática (Nepa/Unifei), que tem como coordenador o Prof. Dr. Francisco Antonio Dupas. Contato: saulo.gargaglioni@gmail.com.

Naturale

novembro/dezembro - 2010

Profile for Elaine Pereira

Naturale 5a edição  

Naturale é uma publicação bimestral de distribuição gratuita da Diagrarte Editora. Trata de assuntos de sustentabilidade, meio ambiente, edu...

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