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Por uma aposentadoria sustentável Por Conrado Navarro Impossível não começar um artigo sobre futuro, aposentadoria e previdência sem mencionar os problemas graves que o mundo enfrentará para sustentar seus aposentados. Não se trata de ser apocalíptico ou desejar o pior, mas de analisar a evolução da expectativa de vida em contraste com os crescentes déficits previdenciários e demais desafios econômicos decorrentes de um cenário como este. Encarar a sustentabilidade como prática de vida significa olhar com carinho para o futuro. Segundo Robert J. Shapiro, autor do livro “A Previsão do Futuro” (Ed. Best Business), até 2020 a população idosa crescerá de 35 a 60% no mundo, forçando elevação nos gastos públicos, aumento de tributos e os déficits. Na Europa, o número de idosos que recebem pensões públicas e assistência médica aumentará cerca de 3% por ano nos próximos dez anos. Por outro lado, o total de habitantes em idade de trabalho cairá em torno de 1%. No Japão, onde a situação já é crítica, o número de idosos equivalerá a mais da metade da população economicamente ativa. Para completar, Shapiro alerta que o número de crianças japonesas e europeias que, quando adultas, estarão trabalhando e pagando impostos em 2025 e 2035 está caindo mais rapidamente do que a população economicamente ativa. E no Brasil? Segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro saltou de 66 anos em 2000 para 72,8 anos em 2009. No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil registrou queda de 61,7%, passando de 52,04 mortes por mil nascimentos para 19,88 mortes por mil. O déficit previdenciário — diferença entre arrecadação e pagamento de despesas/benefícios — saltou de R$ 10 bilhões em 2000 para R$ 43,6 bilhões em 2009. Em 1940, havia cerca de 31 contribuintes para cada beneficiário da Previdência. Na década de 80, essa relação caiu drasticamente, atingindo o número de 2,9 contribuintes para cada beneficiário. Hoje, a proporção é de apenas 1,7 contribuintes para cada as-

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segurado. A continuar nesse ritmo, em 2030 haverá somente 1,1 contribuintes para cada beneficiário da Previdência. Na prática, trata-se de uma aposentadoria longe da ideal. Você sabia que apenas 1% dos aposentados consegue viver (manter seu padrão de vida) com o que recebe da aposentadoria? Os dados também são do IBGE. Dos demais, 46% dependem de parentes, 28% dependem de caridade e 25% têm que continuar trabalhando. Que situação! Embora existam polêmicas visões sobre a aposentadoria no Brasil, fica claro que é explosiva a combinação de população crescendo em alta velocidade, brasileiros vivendo mais e maior número de aposentados. Colocada a situação e olhando pelo prisma da sustentabilidade, pergunto:  Os benefícios a serem pagos pela Previdência Oficial serão suficientes para manter seu padrão de vida?  Se não, com que dinheiro você vai viver quando se aposentar?  Como vai sustentar seu atual padrão de vida apenas com o dinheiro da Previdência Social? De onde virão os recursos adicionais desejáveis? Educação financeira é uma oportunidades de mudar esse quadro e sou entusiasta de seus resultados. Infelizmente, nem todos pensam assim. De acordo com pesquisa feita com mais de 4 mil inscritos num evento em São Paulo apenas 29% possuem plano de previdência complementar. Dos demais, 42% pretendem aderir, 16% ignoram a opção e 13% afirmam que não farão nada a respeito. Comemorar ao lado do pequeno grupo que se preocupa com o futuro acalenta, mas não me satisfaz. Saber que quase metade do grupo deseja saber mais sobre o tema e busca informações anima. Constatar que 1/3 dos pesquisados acha isso uma bobagem frustra, mas também aumenta minha responsabilidade. Atenção aos principais detalhes na hora de pensar, planejar e agir em prol de uma aposentadoria melhor e com mais qualidade de vida:  Se estiver em dúvida sobre em que produto investir, prefira aquele capaz de

gerar renda, o que garantirá um fluxo de caixa mais folgado e também patrimônio. Alguns exemplos de investimentos para geração de renda: imóveis (renda de aluguel) e ações (pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio);  Se a disciplina não for seu forte, considere a possibilidade de contratar um plano de previdência privada. Com pequenas contribuições é possível alcançar uma boa soma. Atente para a modalidade escolhida levando em conta a solidez da instituição escolhida, o tempo de contribuição e a forma de uso do montante acumulado. Hoje em dia existem planos de previdência privada e seguros de vida bastante interessantes. Recomendo aqueles em que parte do capital do cliente também seja alocada no mercado de renda variável, com a exposição ao risco constantemente revisada;  Sustente uma reserva de emergência que corresponda a um período mínimo de seis meses de salários/receitas (o ideal são doze meses), alocando este capital em um investimento de alta liquidez (caderneta de poupança, por exemplo);  Ao optar por montar e gerenciar sozinho uma carteira de investimentos para a aposentadoria, leve em consideração a diversificação e a questão da liquidez. Aproveite o tempo para arriscar e construir patrimônio, mas à medida que o período de usufruto for chegando, transforme os investimentos em ativos com liquidez maior e fluxo de caixa. Se você vai se aposentar para subsistir e apenas sobreviver, só suas atitudes dirão. Se a qualidade de vida e o bem-estar são metas para o futuro, melhor considerar investimentos complementares e a previdência privada como aliadas. Uma vida sustentável hoje e no futuro só depende de você. Conrado Navarro, educador financeiro, autor dos livros Vamos falar de dinheiro? (Novatec) e Dinheirama (Blogbooks) e sócio-fundador do Dinheirama – http://dinheirama.com. Atua como professor, consultor e palestrante.

Naturale

novembro/dezembro - 2010

Profile for Elaine Pereira

Naturale 5a edição  

Naturale é uma publicação bimestral de distribuição gratuita da Diagrarte Editora. Trata de assuntos de sustentabilidade, meio ambiente, edu...

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