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Resíduos da construção civil Por Paulo José Braz Rosas

A construção civil é uma das atividades mais antigas de que se tem notícias e também é considerada a maior produtora de resíduos sólidos, popularmente conhecido como entulho, que vem causando sérios prejuízos ao meio ambiente. Entende-se por entulho o conjunto de fragmentos provenientes do desperdício na construção, reforma e demolição de edificações diversas. Todas as atividades da construção civil geram um grande volume de resíduos de materiais altamente heterogêneos como: brita, areia, argamassas, tijolos, telhas, madeira, metais, plásticos, entre outros. Esta enorme quantidade de resíduos é gerada pela falta de conscientização ambiental, pela deficiência no planejamento e execução da obra, mão de obra desqualificada, inadequação às legislações, dentre outros fatores. Isso leva a inúmeros problemas como assoreamento dos rios, degradação de áreas urbanas, entupimento de bueiros, etc. Atualmente cerca de 63% dos municípios brasileiros enviam seus resíduos sólidos para os lixões, 18% para aterros controlados, 15% para aterros sanitários e 4% utilizam mecanismo de triagem e reciclagem. O manejo adequado dos resíduos sólidos requer técnicas especificas para a sua redução, reutilização e reciclagem. Não se tem estatísticas reais da quantidade de resíduos produzidos no Brasil e no mundo. O que sabemos é que a China, por exemplo, encontra-se hoje atolada em uma montanha de lixo, preocupando os seus dirigentes com seu desenfreado crescimento industrial. A reciclagem de resíduos sólidos só veio acontecer, de forma significativa, após a segunda guerra mundial, em resposta à necessidade de satisfazer a enorme demanda por materiais de construção e a necessidade de remover os escombros das cidades européias. Só

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a Alemanha herdou da guerra um volume de aproximadamente 400 milhões de m³ de escombros, dos quais foram reciclados cerca de 16 milhões de m³, que possibilitaram a construção de 180.000 unidades habitacionais, no período de 1946 a 1955. A reciclagem de entulhos pode dar origem a inúmeros novos materiais para a construção civil. Ao passar por um processo de moagem, se obtém agregados para diversas aplicações, tais como: base e sub-base para pavimentação, agregados para argamassas de assentamento/revestimento e agregados para concreto não estrutural, a partir da substituição dos agregados convencionais (areia e brita). No Japão, todas as construtoras são obrigadas a ter uma usina de reciclagem de resíduos para que nada seja perdido. A maioria dos municípios brasileiros tem dificuldades de gerenciar seus resíduos principalmente pela falta de recursos e capacidade técnica na gestão de seus serviços de limpeza pública, coleta seletiva, organização e tratamento adequado. A lei brasileira nº 12 305/2010 de 02 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, tem como objetivo definir as diretrizes da gestão integrada e do gerenciamento ambiental adequado dos resíduos sólidos urbanos. Essa lei vai disponibilizar recursos humanos, logística, equipamentos, financiamentos adequados e também promover a formação de consórcios municipais, em benefício da sustentabilidade ambiental e econômica. É fundamental que a sociedade organizada através dos órgãos ambientais, associações, entidades de classe e todas as pessoas preocupadas com o meio ambiente se unam para cobrar dos poderes públicos a urgente aplicação desta nova lei a fim de minimizar o terrível impacto causado pela atividade geradora desse grande problema.

Você sabia? Você sabia que hoje encontramos um número bastante significativo de empresas que trabalham com reciclagem de materias de obra, transformando o resíduo em blocos e outros artefatos? Novos materiais surgiram como a madeira plástica, por exemplo, muito utilizada na construção cívil, para telhados, decks, pisos, rodapés, lambris, mourões, cerca, além de móveis, bancos para praças entre tantas outras finalidades. Esta madeira tem a vantagem de ser muito resistente, não criar cupins e ter uma vida útil muito maior, pois não apodrece. Além de manter a floresta em pé, o plástico que demoraria centenas de anos para se decompor assume formas úteis e belas. Veja alguns exemplos nas fotos abaixo.

Outros produtos também surgiram, como telhas e placas produzidas a partir de aparas de tubo de pasta de dente, móveis de papelão, de pneus, tecidos de garrafas pet. Enfim, muitas opções para construirmos e mobiliarmos sem derrubarmos e agredirmos a natureza, utilizando materiais que têm uma durabilidade longa e que geram sustentabilidade, pois abrem postos de trabalho, geram renda, diminuem o descarte de materiais de difícil decomposição. O planeta agradece!

Naturale

novembro/dezembro - 2010

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Naturale 5a edição  

Naturale é uma publicação bimestral de distribuição gratuita da Diagrarte Editora. Trata de assuntos de sustentabilidade, meio ambiente, edu...

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