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Direito à acessibilidade Caro(a) leitor(a), Por favor, avise a pessoas cegas, analfabetas ou por alguma razão impedidas de ler um livro impresso em tinta que esta obra está publicada em distintos formatos, conforme o Decreto Federal nº5.296/04 e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), ratificada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 186/08 e Decreto Federal nº 6.649/09: - Livro capa dura, com 54 páginas, colorido, impresso em fonte arial 12 para possibilitar a leitura das pessoas com baixa visão, afixado em espiral, a fim de facilitar o manuseio àquele ou àquela que apresente dificuldade na mobilidade motora. - CD de áudio, em formato MP3, encartado ao final deste livro.


Que a arte aqui na terra seja mato Que as cores não se reduzam à pintura E nem a vida se reduza à figura E seja esta uma história Onde todos tenham muito a ver (Geraldo Espíndola)


Agradecimentos individuais: Eu agradeço aos meus pais Silvia e Heitor a minha vida. E aos meus avós, pais de cada um, a vida deles. Agradeço também aos meus irmãos Carol e Math, meus raios de sol. E à minha família inteira o aconchego e apoio que sempre oferecem. Agradeço também a todos os meus amigos, família que eu escolhi. Agradeço especialmente aos meus colegas de sala, que tiveram os destinos entrelaçados ao meu pelo vestibular e viveram situações inesquecíveis comigo. E às minhas companheiras de TCC o companheirismo. Agradeço aos meus veteranos, voteranos e bisavoteranos, sobretudo os que inspiram meu fazer jornalístico pelo bom exemplo. Agradeço a todas as pessoas que entrevistei para esse caderno a disposição delas em dividir suas opiniões comigo e com você. E sem medo da breguice agradeço a vida, que me há dado tanto. (Camila) Agradeço às minhas avós, Clementina e Feiner, que são meus exemplos de caráter, determinação, coragem e amor incondicional. À minha mãe, Carmen, que me ensinou a importância do conhecimento, de suplantar as dificuldades e dar o melhor de si. Ao meu irmão, Diogo, e minha tia, Keiko, que foram compreensivos e estiveram sempre ao meu lado. Aos meus amigos que contribuíram com uma palavra afetuosa ou um abraço silencioso a cada desabafo. Às minhas companheiras de TCC, Camila e Thaysa, que corajosamente aceitaram este desafio junto comigo. À nossa orientadora, Professora Daniela Ota, que nos reservou suas considerações e reflexões durante o processo, enriquecendo o trabalho. Ao nosso co-orientador, Professor Silvio Pereira, que nos ensinou fotojornalismo, indicando possíveis caminhos, extraindo nosso melhor ‘olhar’. Agradeço a todos que, direta ou indiretamente, chegaram conosco até aqui. (Gabriela) Agradeço ao meu pai, João Pedro, que me ensinou honestidade e simplicidade. À minha mãe, Mara, que me mostrou que existe amor maior no mundo e sempre aceita toda e qualquer loucura que eu faça, ainda que isso quase a enlouqueça. Ao meu irmão, Binho, a pessoa mais companheira e que nunca me nega um favor. Ao Danilo, irmão que escolhi, que me abraça em cada momento difícil. Ao professor Mário Ramires, que sempre me questionou e pediu pra pegar leve. Ao professor Hélio Godoy, responsável pelo meu amor à fotografia. Ao professor Edson Silva, que me ensinou a nunca ter preconceito como jornalista, logo, como ser humano. À Gabriela, que me acolheu no TCC e na vida. À Camila, que mudou minha maneira de ler o mundo. Aos amigos que continuam amigos mesmo depois de tantos ‘não posso, tenho TCC’. E a todos os meus desamores, que só me tornaram mais forte. (Thaysa)

Agradecimentos gerais: Américo Calheiros e equipe da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Andréa Freire, Michel Lorãn, Myla Barbosa e Instituto Sul Matogrossense para Cegos ‘Florivaldo Vargas’ –ISMAC, Sofá Estúdio e a todos que contribuíram com informações para o desenvolvimento deste trabalho. (Camila, Gabriela e Thaysa)


Introdução Bonito é uma palavra em português usada como adjetivo para designar algo que provoca prazer estético, auditivo ou comoção. Também expressa nobreza de caráter ou bondade. Pode ser usada para dizer que o dia está ensolarado como em ‘dia bonito’. Ou como interjeição quando dizemos ‘bonito, hein’. Bonito é, ainda, a designação comum de certo tipo de peixe. E desde 1948 também é substantivo próprio – o nome de uma cidade brasileira que fica no sudoeste de Mato Grosso do Sul, na microrregião de Bodoquena, a aproximadamente 265 quilômetros da capital do Estado, Campo Grande. Mede 4.934,32 km², tem clima tropical úmido, temperatura

anual média de 22°C, 19.598 habitantes de acordo com o Censo Demográfico do IBGE do ano de 2010, rios de águas transparentes, cachoeiras, grutas e vários prêmios de melhor destino de ecoturismo no Brasil. A palavra ‘bonito’ chegou ao português no século XVI. Tem origem no latim, na palavra bonus, que significa bom e nasceu provavelmente de uma mistura entre o bonus do latino e o bueno da língua espanhola. A cidade de Bonito também tem espanhol e português misturados na sua origem. No fim do século XVII a expansão da Coroa Portuguesa foi além do Tratado de Tordesilhas.

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Os lusos, representados pelos paulistas, expulsaram as missões jesuíticas da borda meridional da bacia do Alto Paraguai. Depois, com a descoberta do ouro no Mato Grosso, portugueses e espanhóis demarcaram novamente suas terras, assinando o Tratado de Madri em 1750. Bonito permaneceu dentro dos limites da Coroa Portuguesa por conta da proximidade com o Presídio de Miranda, que na época era um dos núcleos militares de Portugal na região. Mais de cem anos depois, entre 1864 e 1870, a região também foi palco da Guerra do Paraguai. Quando a guerra terminou, D. Pedro II presenteou alguns militares com 15 léguas de terras, entre eles o capitão Luiz da Costa Leite Falcão, que nomeou seu território como Fazenda Rincão Bonito. Em 1927, Pilad Rebuá, então prefeito de Miranda, e Manuel Inácio de Farias, genro de Luiz Falcão, fundaram o distrito de paz de Bonito, que se tornou município em 1948. É dia 27 de julho de 2011 em várias partes do mundo. E no Brasil, em Mato Grosso do Sul, na cidade de Bonito, é de manhã. Não uma qualquer. É a manhã de estreia do Festival de Inverno de Bonito (FIB) em 2011. O Festival já é uma velha canção nos ouvidos da cidade e está em sua 12ª edição. Mas o primeiro dia é sempre o primeiro dia e podemos perceber o ar de expectativa na cidade. Daqui a algumas horas a Praça da Liberdade será o coração do Festival e essa metamorfose parece ser o primeiro espetáculo do dia. As pessoas que passam pela praça, mesmo quando apressadas, não deixam de espreitar a montagem da estrutura. Alguns se deixam ficar um pouco, olhando com curiosidade os bancos de tecido colorido espalhados, as tendas e uma sala de vidro onde eles ainda não sabem que um artista pintará telas gigantes ao vivo. Ao contrário das pessoas que espiam enquanto passam, Edmilson de Moura, mecânico e morador de Bonito há 38 anos, fica. Ele está sentado na calçada de um bar na esquina onde as ruas Costa e 15 de Novembro se encontram, bem atrás do Palco Fala Bonito. Observa atentamente a finalização da montagem, como o fiscal que ele já pode ser, depois de doze anos de experiência como espectador fiel. “Eu vejo tudo que vem, tudo o que acontece, estou sempre presente”. Bem, sempre talvez seja tempo demais... Mas alguém que notasse seu Edmilson durante o Festival não poderia dizer que ele não se esforçou para acompanhar toda a programação. Ele parecia mesmo onipresente, sempre circulando pela praça, vestido com a camiseta do Corinthians e segurando uma latinha de cerveja na mão.

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Tanto interesse em prestigiar o evento tem um bom motivo: o orgulho de tê-lo em sua cidade. Alex Furtado, proprietário de uma empresa de turismo da cidade, afirma que é raro encontrar um morador que não reconheça a importância do FIB. “Este é um evento que é bem aceito pela população, há um envolvimento e tem a chance de ser reconhecido por isso. Apesar de normalmente o turista que vem para o FIB não fazer passeios, ele consome como outro que venha em alta temporada. O importante é saber que isso integra e desenvolve”. Um orgulho, uma tradição, uma data importante para a cidade, uma coisa sem a qual Bonito não sabe mais viver, um evento que supera o Carnaval, que é um dos mais famosos de Mato Grosso do Sul. É o que você vai ouvir se perguntar para os bonitenses o que eles acham do Festival de Inverno de Bonito, mesmo entre aqueles que não se sentem atraídos pelo Festival. É o caso de uma mulher grávida que passa pela rua 15 de Novembro lendo a programação do FIB. Tatiana Marques Ferreira tem 27 anos, todos vividos em Bonito, e nunca foi ao Festival. Mas diz que não conhece alguém que, como ela, nunca tenha ido ou não goste do evento. “Todo mundo fala que é bom, aqui todo mundo gosta”. Tatiana provavelmente não conhece Ligia Nogueira dos Santos, que tem 36 anos e vive em Bonito há 30. Ela também nunca viu uma apresentação do FIB, por causa de sua igreja. E também não conhece alguém que não goste. Mas talvez elas não escapem desta edição. Tatiana diz que está com vontade de conhecer o evento esse ano. E a filha de Ligia, de 8 anos de idade, pediu que fossem ao show essa noite. “Vamos ver né, depende do horário”, foi a resposta que a filha ouviu. Enquanto Tatiana está de passagem e seu Edmilson observa o palco, na outra extremidade da praça um grupo de crianças e adolescentes chega para conferir o espaço. E têm um bom motivo para isso: mais tarde eles estarão ali, no alto de pernas de pau, apresentando um número inédito. O Grupo Pernas de Pau, de Bonito, tem nove integrantes e, embora o mais velho tenha apenas quinze anos, eles já são veteranos no Festival de Inverno e têm até admiradores. Creuza Paim, dona de casa que tem 66 anos e não é conhecida de nenhum dos Pernas, é fã do trabalho. Quando perguntamos se alguma atração do Festival marcou sua vida, nos respondeu prontamente: “Aquelas crianças que andam com pernas de pau. Ah! Como eu amo, eu gosto, se eu pudesse ia fazer!”.

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Para os adolescentes que fazem parte do Grupo Pernas de Pau, viabilizado pelo projeto Arte Para Todos, por meio do Instituto Internacional Visão de Vida, a maior importância do FIB é conhecer pessoas e divulgar o trabalho deles. Na apresentação de hoje será a primeira vez que os Pernas vão pular corda com a perna grande (existe a média e a grande). O intuito é mostrar que com pernas de pau a juventude de Bonito pode ir mais longe. Na tarde do dia de abertura, 27 de julho, o gari Edinaldo Gomes limpa as folhas no chão e diz que tem pouco para limpar. Ele calcula que amanhã de manhã, depois da primeira noite de Festival, também não vai ter muito lixo no chão. Em comparação ao Carnaval e outros eventos que acontecem em Bonito, Edinaldo considera que o Festival de Inverno suja menos a cidade. Ele trabalha na limpeza do FIB há quatro anos e acha que com o passar do tempo a consciência das pessoas está aumentando e o lixo diminuindo. “O Festival gera lucro, promove a integração e fortalece a cultura, com a preocupação em evitar o acúmulo de lixo, diferente de outras comemorações, como o Carnaval. Os turistas que chegam

para o FIB são sensíveis à importância da consciência ambiental, que tanto estamos atentos em preservar e disseminar”, pontua Roberto Benevides, que mora em Bonito há 15 anos. Ele é empresário e desenvolveu uma marca de roupas e acessórios conceituada pelos turistas. Antonio Marques dos Santos já está a postos. A ocupação ‘verdadeira’ dele é pedreiro, mas durante os festivais ele troca o cimento por um avental vermelho e, vendendo pipoca e algodão-doce, garante uma renda extra para o sustento da família. Ele também trabalha em outros eventos, como o Festival da Guavira, mas diz que durante FIB é quando mais vende. Seu patrão, Lissandro Aguiar, além de ter o carrinho de pipoca, aluga carros para a organização do Festival e é dono do trenzinho que leva as pessoas da Praça da Liberdade ao Centro de Convenções, onde acontecem algumas atrações do Festival. O pedreiro e pipoqueiro e o empresário acham que a popularidade do FIB entre os bonitenses tem a ver com o dinheiro que ele traz para a cidade. “Vira Real, e todo mundo gosta de Real”, afirma Lissandro.

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Realmente, um dos principais aspectos positivos do Festival, citado pelos moradores e pelo governo, é o econômico. O secretário de turismo de Bonito, Augusto Mariano, divide a importância do FIB em três aspectos. “O primeiro é o aspecto de marketing. Antes, durante e após o Festival, Bonito fica em mídia nacional, internacional e estadual sendo exposta como uma grande marca. Esse aspecto de marketing, de mídia espontânea é o primeiro e muito importante. O segundo é o aspecto econômico-financeiro, onde as 50 mil pessoas que passam pelos cinco dias de Festival deixam um valor de R$ 8 milhões de reais. O dinheiro fica distribuído na rede hoteleira, na rede gastronômica, nos atrativos turísticos, nas agências de turismo, para os agentes de turismo que recebem as suas comissões, para o posto de gasolina, a loja de camisetas, a casa de sucos, o taxista, o mototaxista, a lanchonete que vende salgados e assim sucessivamente. E um aspecto fundamental é o aspecto sóciocultural. Durante cinco dias Bonito se transforma na capital da cultura, da arte, da dança, da música de Mato Grosso do Sul e, por que não, dizer, do Brasil”, explica. Mas segundo o prefeito da cidade, José Arthur Soares de Figueiredo, o FIB não é importante apenas para Bonito. “Hoje o Festival de Inverno de Bonito é muito significativo para toda nossa comunidade. Nossa população já vive essa expectativa, e tenho certeza que não só para Bonito, mas para todo sul-mato-grossense e para o Brasil, inclusive. Sem dúvida nenhuma, é um dos maiores festivais da nossa região centro-oeste e hoje é considerado um grande festival do Brasil”. A secretária de turismo de Mato Grosso do Sul, Nilde Brun, concorda que ele é relevante para o Estado inteiro. “Sem dúvida nenhuma é um evento extremamente importante para o turismo de Mato Grosso do Sul. Para que a gente possa cada vez mais colocar Bonito no cenário nacional e internacional e tornar a atividade de turismo cada vez mais forte, como atividade econômica geradora de emprego e de renda, fazendo com que as pessoas ganhem cada vez mais, que as pessoas consigam emprego através do segmento e através das atividades de turismo”.

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O Festival Segundo a produtora cultural Andréa Freire, que participou da elaboração e da implantação do Festival, o FIB foi criado numa tentativa de que a cultura fosse parceira de Bonito, potencializando as belezas naturais da cidade. A ideia nasceu do encontro entre o produtor cultural Nilson Rodrigues e o empresário de turismo apaixonado por arte, Afonso Rodrigues Júnior. Na época, Nilson produzia o Temporadas Populares, um grande evento cultural que acontecia em Mato Grosso do Sul. Quando o Temporadas passou pela cidade de Dourados, o produtor hospedou-se no hotel de Afonso e eles começaram a conversar. O empresário, que morava e tinha um empreendimento em Bonito, falou para o produtor sobre o potencial da cidade para um evento cultural. Nilson conheceu Bonito e eles

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começaram a desenvolver a ideia. Afonso contatou Juca Ygarapé, dono de uma das agências de turismo mais antigas de Bonito, que morava há muito tempo na cidade. Talvez Juca tenha sido o principal responsável pela inclusão da sociedade de Bonito nas discussões sobre o evento. O Festival de Inverno aconteceu pela primeira vez em 1999, depois de muita conversa entre produtores culturais, agentes do turismo e segmentos da sociedade. “O Festival tinha um olhar que era para a cidade, para o Brasil e para Mato Grosso do Sul. Fizemos oficinas de teatro com grupos brasileiros importantíssimos, era um momento privilegiado para artistas de outras cidades irem a Bonito curtir o Festival e vivenciar uma semana de uma atividade muito séria. Havia também oficinas


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pensadas para os guias de turismo, de contação de histórias, porque um bom guia deve envolver o turista com a história. Ele nasceu para ser um atrativo a mais para a cidade no mês de julho, atraindo o tipo de turista que o segmento turístico quer: um turista que vai porque gosta da natureza, que não vai para extravasar”, explicou Andréa. “Tínhamos autonomia para definir com a população bonitense a programação, isto é, considerando ideias possíveis, sobre artistas que poderiam acrescer na experiência de cada um. E assim que findava o Festival, nos reuníamos para avaliar o que foi positivo e o que precisaria mudar no ano seguinte. Existia o Conselho dos Notáveis, um conjunto de 20 pessoas, entre artistas, pessoas envolvidas com questões ecológicas, educacionais e preocupadas com o desenvolvimento sustentável de Bonito”, pontuou Afonso Rodrigues Júnior, empresário do setor turístico de Bonito e produtor cultural, no início do FIB. A partir da oitava edição do Festival, o governo mudou, alguns produtores culturais deixaram a organização e a marca “Festin Bonito” foi doada para a Associação dos Comerciantes de Bonito em uma audiência pública. “O Festival de Bonito continuou porque ficou entranhado na comunidade. É uma conquista da sociedade e foi pensado para ser assim. Conseguimos alicerçar. A cada ano que tem Festival eu fico super feliz”, disse Andréa Freire. Mas a Associação dos Comerciantes não tem mais a ver com a organização do FIB, que também já não é mais chamado de Festin Bonito. A realização é feita

pelo governo do Estado (por meio de suas fundações de Cultura e de Turismo) em parceria com a prefeitura do município e Bonito Convention & Visitors Bureau, empresa de marketing da cidade. “Nenhum Festival é igual ao outro. A cada edição nos preocupamos em inovar, dando visibilidade às atrações regionais e contemplando as nacionais. Essa ideia do Festival é ótima, pois não há nada melhor do que unir arte e natureza”, explicou Américo Calheiros, presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Com a mudança da equipe de produção, o evento manteve antigas características, mas houve algumas alterações. A data é uma delas. O Festival passou a ser feito sempre na última semana de julho ou na primeira de agosto para prolongar a alta temporada. A duração também tem mudado. Ele era maior, começou com dez dias e nessa edição durou apenas cinco. “A ideia de integração entre os artistas e os bonitenses, a difusão da consciência ambiental, e outros tantos objetivos do projeto inicial da realização do Festival, foram se perdendo. Apesar de haver grande aceitação do público, a essência de fazer um evento que chame a atenção do país todo para as belezas naturais e pela capacidade de promover a cultura e fortalecer a identidade, não há. O bar do Festival é um exemplo disso. Inúmeros artistas sul-matogrossenses fizeram contato com outros artistas do Brasil, em uma convivência natural, alguns tocando juntos, e isso não acontece hoje”, criticou Afonso.

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12ª Edição Um festival desse porte altera a rotina da cidade e de seus moradores. A média de 50 mil turistas que visitam a cidade durante o FIB é mais de duas vezes maior que o número de habitantes. Esse enorme fluxo de turistas circula pelo centro, enche os hotéis e restaurantes, compra nas lojinhas, afeta o trânsito e deixa a cidade bem mais agitada. Mas talvez uma das moradoras mais afetadas pelo FIB seja dona Iole Mazina Duarte, bonitense de 80 anos que mora em frente à Praça da Liberdade. O palco Fala Bonito, onde aconteceram diversos shows, ficava quase na frente da sua casa. Dona Iole se reúne com os amigos todo fim de tarde para tomar chimarrão na calçada. No dia 27 de julho a reunião aconteceu embalada pela música ao vivo do cantor Almir Sater, sul-mato-grossense, compositor, violeiro e amante do Pantanal, que ela define como nada menos do que tudo de bom, passando o som a poucos passos de seu portão, logo do outro lado da rua. A roda de chimarrão ficou, sem dúvida, mais animada. Dona Iole esperava o cantor olhar para erguer

e mostrar a cuia. “Sei que ele também toma mate”. Mas a rotina de ter um palco na frente de casa não era feita apenas de presenças ilustres, afinal “o barulho é muito alto e é grande demais, trepida tudo, janela, porta, casa, prateleiras”. À noite, depois da apresentação dos Pernas de Pau, a abertura oficial do Festival de Inverno de Bonito teve direito a discurso, homenagem e até fogos de artifício dançando Sangue Latino. O homenageado daquela edição foi o cantor Ney Matogrosso, que tem 70 anos de idade e, em mais de 30 anos de carreira, enfrentou as amarras da ditadura na época da censura, participou do movimento do Tropicalismo e tem um jeito de interpretar as canções e uma expressão corporal tão fortes que, mesmo tendo marcado uma época, é atemporal. O artista causou polêmica pouco tempo antes do FIB, quando declarou que iria se apresentar na terra dele, o Mato Grosso. Ney nasceu em Bela Vista, hoje Mato Grosso do Sul. Muitos sul-matogrossenses se sentiram traídos com a declaração e expressaram a

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indignação em redes sociais na internet. A separação dos Estados aconteceu em 1977 e o rompimento recente faz com que o novo estado, nosso Mato Grosso do Sul, se esforce para afirmar sua identidade no cenário nacional. Se um artista famoso se apresenta em Mato Grosso do Sul e, por engano, diz que está no Mato Grosso, necessariamente ouve um “do Suuuuuuuuuul”. As figuras de artistas famosos sul-mato-grossenses talvez representem para os conterrâneos a visibilidade nacional que eles gostariam que o Estado tivesse. E perder um desses artistas para o Mato Grosso é inaceitável para a maior parte da população. Na abertura, o governador de Mato Grosso do SUL, André Puccinelli, entregou ao homenageado a foto de uma área alagada do Pantanal sul-mato-grossense, em forma de coração, e afirmou que naquele dia ele seria Ney Mato Grosso do Sul. O público aplaudiu energicamente. A cena é o retrato da busca da afirmação da identidade cultural do novo Estado. E da ligação entre cultura, política e geografia. Mas como andam juntas e descompassadas essas três coisas. Afinal, classificar Ney Matogrosso como sul-mato-grossense contempla a inclusão de Mato Grosso do Sul no cenário artístico nacional e ao mesmo tempo ignora a sensação de pertencimento de um artista que, meses depois, explicou em entrevista que é do Mato Grosso, porque sua memória é de um Estado único e ele nunca se sentiu dividido. O primeiro show do Festival, do cantor Almir Sater, encheu a praça. Homens, mulheres, crianças, idosos, moradores e alguns turistas (a maioria deles chegou mesmo na sexta-feira) deixaram-se encantar pelo carisma do cantor, que cantava e conversava com o público afetuosamente, como se estivesse em casa. Entre turistas e moradores havia outro grupo que transitava entre essas duas situações. Eles não moram propriamente em Bonito e também não são aquele tipo de turista que vem de longe. Moram e trabalham em fazendas nos arredores do município. Muitos, assim como o cantor da noite, usam botinas, alguns sempre vêm ao Festival, outros foram ver Almir Sater. Leonildo Santana é um “caboclo do mato” que saiu da fazenda especialmente para ver o show do cantor e só não estava lá pertinho do palco porque estava esperando a neta brincar no pulapula. Francisco Gonçalves Filho também foi da fazenda para o Festival e afirmou que muitos outros trabalhadores do campo foram “para ver coisas diferentes, que só tem na televisão”. Ao contrário de muitos profissionais da cidade, eles não faturaram um dinheiro a mais com o Festival. “Pra nós só dá prejuízo”, brincou Francisco.

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A Geografia do Festival A partir do segundo dia, as atrações do Festival aconteceram em quatro lugares da cidade: Centro de Convenções, Grande Tenda, Praça da Liberdade e Mercado Mundo Mix. Todas as apresentações eram gratuitas, exceto na Grande Tenda onde os ingressos eram vendidos a preços populares. No Centro de Convenções aconteciam exibições de filmes, palestras e peças de teatro. O espaço foi projetado para ser uma espécie de aldeia indígena climatizada, pode receber eventos de até 1700 pessoas, é formado por vários auditórios e possui uma enorme área verde que nos dá a sensação de respeito com o meio ambiente. Foi nesse espaço que aconteceu o 2º encontro estadual do Geopark Bodoquena Pantanal, cujo objetivo é fomentar o desenvolvimento social, econômico e cultural da região, além de unir preservação e desenvolvimento. A proposta era dar continuidade às discussões iniciadas em 2010 sobre como estimular o sentido de pertencimento da população. Portanto, a programação estava baseada em delinear os caminhos percorridos até agora, explicar resumidamente o que é e direcionar as perspectivas. Para tanto, o professor Paulo César

Boggiani, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, explicou que o conceito de Geopark abrange ciência, educação e cultura a fim de envolver a população local e turistas. "O Geopark não deve ser implantado. Ele deve acontecer com a participação de todos. Isso faz parte da concepção que a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) desenvolve, no sentido de pertencer à região e aos moradores. Então, jamais ganhará chancela se o todo não participar e entender o que é, como funciona e quais cuidados serão necessários". O Mercado Mundo Mix é um movimento que surgiu em 1994 e reúne diversas tendências criativas em moda, música e design. Em mais de 200 edições passou por 14 cidades em 8 estados brasileiros e atraiu aproximadamente 2 milhões de consumidores. Pela segunda vez em Bonito, na 12ª edição o Mercado foi instalado na principal rua da cidade, Pilad Rebuá, no espaço Vila de Rebuá – um local grande de teto aberto com uma grande árvore no meio. No espaço foram instaladas tendas de 42 artistas do Brasil inteiro. A música moderna do ambiente, as luzes coloridas, os fios de luzes que serviam de cortina

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na entrada e os produtos criativos e inovadores em cada tenda davam ao mercado uma atmosfera de vanguarda. Jorge de Barros, artista de teatro de Campo Grande, estava expondo no Festival pela décima segunda vez. Ele avaliou que estar no espaço do Mercado Mundo Mix foi importante pelo contato com o trabalho de outros artistas. “Dentro dessa feira você vê tendências da arte, da moda, de todos os conceitos da feira. Nós somos 42 expositores – artistas e modistas do Brasil inteiro – e é um momento muito bom para você interagir, conhecer também outras culturas”, explicou. A Praça da Liberdade tem uma fonte com a escultura de duas piraputangas (peixes típicos da região) no centro, famosas nas fotos de turistas do mundo inteiro. Foi na praça que se concentrou a maioria das atrações do FIB. Indo pela rua Pilad Rebuá encontramos a Galeria do Homenageado. Uma sala com painéis compostos por muitas fotos e algumas televisões que ilustravam a biografia do homenageado daquela edição, Ney Matogrosso. A presença do artista causou um grande sentimento de reverência durante todo Festival. Além da Galeria, Ney recebeu a homenagem de alguns artistas. Guto Naveira

pintou a tela “O Homem Pavão” e o designer Vicente Perrotta fez um colar especialmente para o cantor. Alguns passos adiante havia uma sala de vidro onde Guto Naveira, artista campo-grandense que atualmente mora em São Paulo, pintava ao vivo. O desafio era pintar quatro telas de 2x2 metros durante o Festival. Enquanto ele trabalhava nos quadros grandes cheios de cores com traços quase infantis que misturavam pop art com grafite, o público pôde observá-lo de fora pelas paredes de vidro ou entrar na sala. “O Festival é uma oportunidade de trazer a minha arte para o público de uma forma mais espontânea. Para o público participar da criação e criar aquele apego, aquele carinho. Não com o artista, mas com a obra, com a arte em si. Hoje os espaços como os museus já nem interessam pro perfil do meu trabalho. O que interessa é estar no Festival de Inverno de Bonito. É o que agrega. É o que traz à tona a arte de verdade, como um manifesto público de arte”. Segundo o artista, o retorno do público foi muito bom durante o Festival. As pessoas, sobretudo as crianças, se interessaram e até voltavam à galeria para ver como o trabalho estava ficando.

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Foi o caso de Luiz Renato Menezes Aguiar, que tem 12 anos e nunca viveu nenhum deles sem o Festival. Ele é filho do dono do carrinho de pipoca e algodão doce que funciona na praça durante o FIB e na primeira edição foi no carrinho de bebê trazido pelo pai. Na 12ª edição ele circulava com as próprias pernas pelo Festival. E durante essas andanças sempre ia ver Guto pintar, atraído pelas cores vibrantes e pela magia da transformação das telas. “De repente, do nada, as telas vão surgindo. Bem legal isso”, explicou Luiz Renato. Um pouco mais para dentro da praça uma galeria abrigava a exposição Flutuações, da fotógrafa Sheila Oliveira. A artista paulistana consagrada pelas obras, que são em sua maioria autorretratos com interferências fotográficas, desenvolveu a exposição especialmente para o FIB. O passeio de flutuação nos rios, uma das maiores atrações turísticas da cidade, é o mote da obra delicada onde cada movimento fotografado lembra o movimento das águas. Sheila pesquisou muito para produzir a obra, mas nunca tinha feito o passeio até o sábado, terceiro dia do Festival. Além da experiência inesquecível de deixar-se levar pela correnteza e ter a companhia dos peixes, a fotógrafa viveu em Bonito um contato interessante com o público. “O que me chamou muita atenção foi a participação das crianças. A leitura das crianças é completamente diferente. É óbvio, mas às vezes a gente precisa passar por experiências como essas para perceber isso. Eu vivi histórias incríveis com as crianças que vão me fazer pensar mais sobre o trabalho. Teve uma que veio e falou: ‘Vó, vem cá ver a mulher que flutua!’. Aí ela virou pra mim e perguntou: ‘Você é de verdade?’”. As crianças... foi a primeira vez na história do Festival que existiu uma galeria voltada especificamente para elas. O Espaço EcoCriança era uma galeria onde grupos de no máximo 20 crianças faziam atividades voltadas à temática ambiental. Havia duas turmas por dia. Na galeria, elas assistiam à apresentação do livro “Animais, mais, mais, música, poesia e muito mais” do escritor Paulo Robson, brincavam com jogos sobre reciclagem e faziam oficina de artes com reaproveitamento de recursos. Ao final das atividades, deixavam um recado para o planeta em um grande mural. “‘Não polua o planeta. Sem a poluição o planeta fica mais lindo’ eu escrevi só. Porque sem poluição o planeta fica mais limpo e bonito”, explicou Gabriel Henrique Voidela, bonitense de 8 anos. O douradense Lucas Holsback, 11, foi o

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autor da frase mais inusitada do mural: “O que adianta salvar o planeta se não salvar as pessoas?”. A praça também abrigou o Pavilhão das Artes, um grande espaço dividido em duas tendas onde, em stands considerados um pouco apertados por muitos deles, artesãos sul-mato-grossenses e dos estados convidados pela organização (Mato Grosso e Ceará) expunham e vendiam diversos tipos de produtos. Dentro do Pavilhão também havia uma livraria, uma loja de discos, um stand institucional da Secretaria de Turismo de Bonito, o stand do Fórum de Cultura de Mato Grosso do Sul, uma lanchonete e o espaço “Mãos que criam”, onde os artesãos demonstravam suas técnicas de produção ao vivo. É no Pavilhão que, há 12 anos, dona Ângela Cardoso da Rosa vai da sua chácara para vender doces caseiros e pimenta. “A época que eu mais ganho dinheiro é época de Festival. Pessoas que compraram produto de mim três anos atrás chegam aqui, já lembram de mim e compram de novo”. A venda no Festival é importante não só para ela, mas para toda a família. “Tem minha filha, que trabalha nessa parte do artesanato, meu marido faz rapadura...”. Ao contrário de dona Ângela, foi a primeira vez que Raul Menezes Filho expôs no Festival. O funcionário público usa as horas vagas para fazer trabalhos manuais em couro. Para ele, estar dividindo o espaço com outros artesãos era uma coisa boa. “Eu sempre estou aprendendo com os outros artesãos mais antigos”. No Pavilhão cada peça era única e carregava em si uma técnica, uma história, uma tradição diferentes. Os doces de dona Ângela, as bolsas de couro de Raul, as peças tradicionais de mais de 12 etnias indígenas que Neulione Alves Gomes levou de Mato Grosso, o crochê de Edelmira Leonor de Lima, as raras violas de cocho, hoje consideradas patrimônio cultural nacional, que Alcides Ribeiro aprendeu a fazer com seu pai e seu pai aprendeu com seu avô. Mas também havia um stand em que as histórias não eram materializadas em nenhum produto. “A gente não está ali para vender nada, a gente está ali para conversar e passar informações. O grande barato da relação do Fórum de Cultura com os festivais está exatamente em trocar com as pessoas, sem venda. O grande diferencial do trabalho está em dar oportunidade para os artistas locais. Porque é claro que as pessoas querem tocar seu violão, falar sua poesia, cantar, mostrar sua pintura ou escultura, mas não com

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aquela visão de palco do grande artista que precisa entrar em um processo seletivo. Ele quer compartilhar a sua obra, o seu fazer artístico. E é essa a forma que o Fórum atua bastante nesses encontros. Passa uma pessoa que toca violão, senta ali, toca o violão, canta, fala uma poesia...”, explicou o presidente do Fórum, Robson Simões de Almeida. Essa função de “arrebanhar o artista que tem como perspectiva divulgar o seu trabalho sem a visão das luzes, fumaças e grandes palcos” fez com que o cantinho do Fórum fosse uma espécie de lado B do Festival. O contraponto aos artistas que são grandes ídolos famosos, inacessíveis e poderosos. Talvez grande parte dos espectadores não tenha visto, mas houve apresentações interessantes ao lado do stand do Fórum durante o 12º FIB. Entre elas um grupo de cantores gospel, danças folclóricas e até uma dupla de hip hop que cantou uma música de autoria própria, cuja letra denuncia a falta de investimento na periferia de Bonito enquanto a parte turística e o Festival recebem milhões. Sebastião Bronze e Teddy Tarciso, do Centro de Pesquisa Folclórica Mar de Xaraés, foram na equipe do Fórum

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para divulgar a cultura gaúcha por meio da dança. Os dois andavam pela cidade vestidos com roupas típicas, sempre carregando a garrafa térmica e o chimarrão na mão. Por onde passavam o pessoal assoviava, chamava, pedia para tirar foto, tomar chimarrão, trocar por outra bebida... um rapaz chegou a pedir para que Teddy dançasse com a namorada dele, porque ela queria tirar foto dançando com um gaúcho. Para os gaúchos, o melhor do Festival foi o retorno das pessoas. “A gente estava dançando polca, que é um ritmo característico daqui, e o chamamé também. A gente começou a dançar com as pessoas que passavam e formamos um salão de baile lá na frente” contou Teddy. “Um menino, acho que foi com o Teddy que ele falou, disse que vai aprender os passos”, disse Sebastião. “É, ele é morador aqui da cidade, um menino de nove ou dez anos. Ele viu ali e perguntou como é que faz, se ensinava a dançar. Eu falei pra ele acessar a internet, que o ano que vem, quando a gente vier, já no primeiro dia vou mandar um e-mail pra ele vir ali no stand pra gente ir ensaiando e ele convidar o pessoal pra vir assistir ele a dançar” , relatou Teddy. Ao lado do Pavilhão, uma grande árvore estava repleta de

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garrafas de plástico penduradas com fitinhas brancas e verdes, cores da bandeira de Bonito. Dentro das garrafas havia poemas. Qualquer poeta poderia deixar poemas dentro das garrafas. Qualquer leitor que passasse poderia colher um poema, ler e levá-lo. O projeto Árvore dos Poemas é iniciativa da advogada, escritora e embaixadora da paz, Delasnieve Daspet, “60 anos de pura poesia”. A ideia já tinha sido implantada em outros lugares do país, mas foi inédita em Mato Grosso do Sul. A escolha de inaugurar o projeto durante o Festival de Bonito foi feita para dar visibilidade aos escritores. “O escritor de Mato Grosso do Sul tem pouca chance nos festivais do Estado. Então nós somos teimosos, forçamos para que nos vejam”, argumenta. Mas o objetivo é que a Árvore dos Poemas fique cheia do fruto poema para sempre, não apenas durante o Festival. A árvore de poesias engarrafadas foi testemunha e motivo da descoberta de uma nova palavra pelo vendedor ambulante Wanderson Ferreira de Oliveira. Ele, a namorada e o cunhado estavam sentados nas mesinhas que ficam à sombra da árvore quando a escritora Delasnieve Daspet foi até eles e deu um poema


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para cada. Wanderson lia compenetrado quando ergueu as sobrancelhas. Levantou a mão chamando Delasnieve e perguntou: “o que significa esse quê.. crepúsculo?”. “É o fim da tarde”, traduziu a escritora. “Aaaah, que legal”. Minutos depois, lendo outra poesia, ele descobriu que sublimar é engrandecer, exaltar. Wanderson foi de Campo Grande para vender brinquedos e aproveitar o que fosse possível do Festival de Inverno. “Eu não vim tanto em busca do dinheiro. Dinheiro, em qualquer festa que a gente vai a gente ganha. Vir é melhor que ficar em Campo Grande, com certeza, porque só por você sair de lá, você está conhecendo novas pessoas, você está conhecendo nova região, um ambiente totalmente

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diferente, então é legal, é gostoso por causa disso.” Outra região, novas pessoas, fins de tarde e duas palavras novas na bagagem. A alguns passos da árvore, uma tenda, que estava de costas para a rua Nelson Felício de Souza e de frente para a famosa fonte das piraputangas, abrigava a Galeria Mostra de Artes Plásticas em Bonito, onde se podia conferir um panorama das artes locais através de obras de estilos variados dos artistas bonitenses Lenice Rocha, Alessandra Mastrogiovanni, Buga e Paulo Rigotti. Ao lado dessa tenda, uma estrutura aberta com fotos penduradas por cordas faziam a Galeria Pele Pantaneira, uma exposição dos fotógrafos Orlando Jacques e Kiko Azevedo, com fotos do Pantanal sul-mato-grossense tiradas


Ao lado da Praça, na rua 15 de Novembro, o Palco Fala Bonito era maior e muito mais alto. Foi lá que a abertura oficial do FIB aconteceu e músicos locais, regionais e nacionais se apresentaram. Na frente desse palco, a acadêmica ponta-poranense Renata Boeira conseguiu a lembrança mais preciosa que ela poderia levar para casa. Ela pegou a palheta do cantor e ídolo Marcelo Camelo. O ex-vocalista da banda Los Hermanos começou sua carreira solo há quatro anos. Com sucessos do primeiro e do segundo CD’s e da extinta banda, Camelo embalou os fãs que contemplaram suas composições durante o show. “A gente veio de Ponta Porã só por causa dele. A gente está em três amigas. Fizemos uma coisa que a gente nunca achou que ia fazer na vida: abraçar, tirar foto com ele, ver que ele é querido, simpático...”. Renata considerou que a importância do cantor no FIB foi abrir a mentalidade das pessoas para a nova geração da música popular brasileira. E acha que, de certa forma, isso aconteceu

durante vôos que mostram as marcas do tempo e das águas naquela região. A imagem doada ao Ney fazia parte dessa exposição. Dentro da praça, na rua Luiz da Costa, estava o Palco das Águas, com cadeiras na frente, de onde o público assistiu a apresentações de música, dança e teatro locais e regionais durante o Festival. Foi sentado nessas cadeiras que, no fim da tarde do dia 28 de julho, o monitor de dança dos programas sociais da prefeitura de Bonito, Doacyr Morales Antunes, o Duca, aprendeu algumas lições sobre dança durante a apresentação da Cia. Dançurbana, de Campo Grande. “Eles terem vindo pra cá foi bacana. Um espetáculo lindo, maravilhoso. Mistura de danças, de ritmos, sincronismo. Eu trabalho com dança e trouxe as crianças com as quais eu trabalho pra assistirem também. E foi um sucesso, todo mundo gostou. Assistindo tem como aprender muito. Muito mesmo. Expressão corporal, garra, você aprende sim”.

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durante a apresentação. “Foi bacana porque acho que a maioria não conhece o trabalho dele, mas acredito que todo mundo se abriu para o que ele estava apresentando”. O Túnel Cenográfico foi projetado para ligar a Praça da Liberdade à Grande Tenda e tornar a travessia mais lúdica. A estrutura possuía a largura da Pilad Rebuá e aproximadamente 85 metros de comprimento. Na 12ª edição o túnel homenageou as águas cristalinas e límpidas de Bonito e teve como inspiração a música Planeta Água, de Guilherme Arantes. Assinado por José Carlos Serroni pelo quinto ano consecutivo, em 2011 o Túnel estava repleto de pequenos sacos plásticos translúcidos com água que durante a noite eram iluminados e possuíam em seu interior imagens do homenageado do Festival, Ney Matogrosso. A Grande Tenda era um espaço com praça de alimentação, sanitários, camarotes e grande palco para o show de artistas consagrados nacionalmente como o homenageado dessa edição. Na noite do show do Ney o espaço estava diferente, com várias cadeiras para que o público assistisse sentado. O pescador de pérolas fez a Grande Tenda tremer com a seleção musical do espetáculo Beijo Bandido. Ney Matogrosso se despiu das fantasias, abusou da sensualidade, saboreou cada verso que cantava e, acompanhado por apenas quatro músicos, roubou o coração de muita gente naquela noite. “Achei soberbo. O show do Ney Matogrosso é uma expressão bem burilada, sabe. Como quando você pega um diamante e vai burilando e chega assim numa expressão espetacular. E o que me impressiona não é só a musicalidade, mas a escolha do repertório. Ele pegou um Brasil de pelo menos 60 anos”, comentou Lenilde Ramos, cantora campograndense que entendeu bem o texto que Ney organizou para contar parte da história do país. “O show foi fantástico, o Ney é mais que um cantor, é uma entidade em cena. É uma entidade o tempo inteiro. O carão ele mantém da entrada até o final, acho que nem na coxia ele desmonta aquela coisa mais linda do mundo”, se derreteu o ator Luís Eduardo Rodrigues Gasperin, de 21 anos, que foi de Campo Grande especialmente para ver o ídolo. Mas se para Luís Eduardo Ney é um ídolo tão mágico que é chamado de entidade, dona Maria Sard Loureiro, mesmo depois da performance, não desvinculou a lembrança do cantor daquele menino tímido, vizinho de sua avó, que ela conheceu ainda pequeno em Bela Vista. Dona Maria e outras cinco senhoras foram ao Festival para ver o show do cantor. Algumas se lembravam dele como um menino quieto, que gostava de passar as tardes em uma rede na varanda.

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Atmosfera Durante os cinco dias de Festival, o evento alterou a estrutura física da cidade. Mas não foi só isso. Outra coisa diferenciava Bonito das outras cidades do mundo naquele fim de julho e essa coisa era o ar. Por lá soprava o chamado ‘ar de festival’. Um passa e repassa de gente andando a pé em grupo, conversando embaixo das árvores, conferindo o artesanato, tomando tereré ou chimarrão na praça, visitando as galerias, colhendo poemas. Moradores, turistas que foram especialmente para o Festival e os que se surpreenderam com ele. A 12ª edição também foi beneficiada com o clima – o calor do

Festival de Inverno parecia estimular as pessoas a saírem de casa. Segundo a Secretaria de Turismo de Bonito, logo na primeira noite de shows o recorde de público das edições anteriores foi batido. Uma família de Ponta Porã (pai paraguaio, mãe brasileira e um casal de filhos) fazia parte do grupo de turistas que foram a Bonito especialmente para participar do FIB. Eles estavam em Campo Grande quando souberam que o evento estava acontecendo e resolveram passar pela cidade no caminho de volta. Assistiram a um teatro de rua pela primeira vez no calçadão do Mercado Mundo Mix.

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Gostaram muito e disseram que valeu a pena desviar a rota. Luis Cláudio Martinez e Clifton Winne Bezerra da Silva foram a Bonito pelos mesmos motivos. São ex-moradores da cidade e aproveitaram, ao mesmo tempo, o Festival e os antigos amigos. Paula Ramires e Gilmar Martins, um casal de hippies, foi ao Festival para vender artesanato e curtir as atrações. Gilmar esteve em outra edição do FIB há quase uma década e estranhou a comercialização do artesanato. “Era aquela tenda lá embaixo e o artesanato vendido na rua. Tinha uma mera feirinha no meio da praça e era esse o Festival de Inverno de Bonito. Era uma maravilha, todo mundo interagia, todo mundo ganhava”. O artesão reclamou, ainda, dos valores. “Eu penso assim, que aumentando o custo daqui, o custo de vida, o custo da estadia, não vai ajudar em nada. Por que só quer a classe A? Coloca um preço legal pra que a classe B, classe C, a galera também possa vir, mas com a conscientização de que eles têm que conservar isso aqui”. Um casal de uruguaios que viajava pela América Latina fazendo arte de rua nos semáforos não imaginava encontrar um festival como esse em Bonito. Gostaram muito da surpresa porque puderam trocar idéias com vários outros artistas durante o FIB. E

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aproveitaram para exercitar a criatividade para ganhar algum dinheiro. É que em Bonito não há semáforos. Sarah Van Nunen e Alexandra Miebach são alemãs e também foram pegas de surpresa pelo Festival. Foram conhecer as belezas naturais de Bonito e acabaram tendo a oportunidade de assistir a um show do grupo Falcão e os Loucomotivos, o qual acharam interessantíssimo, e foram testemunhas da força que tem a música brasileira enquanto observavam as pessoas da platéia sambando diante da cantora Mart’nália. Mas aquela música não fez apenas sambar. A artista Sandra Miyazawa voou ao lado do palco. Ela fez acrobacias na lira (um arco que fica suspenso no ar por um guindaste) durante o show do Marcelo Camelo e ao som de Mart’nália, de quem é fã. Sandra se encantou tanto com Bonito que mudou o dia da passagem de volta e ficou mais um pouquinho. Como para fazer cultura é preciso também discuti-la, um grupo

de artistas aproveitou o Festival para fazer um protesto. Enquanto centenas de artistas ocupavam a sede da Funarte em São Paulo, em Bonito um grupo de aproximadamente 200 pessoas ocupou simbolicamente a Galeria do Homenageado. O objetivo era chamar a atenção do público para a necessidade de investimentos mais contínuos na cultura e colher assinaturas para a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 150, que prevê a aplicação de 2% dos recursos federais para o segmento cultural. “Essa PEC tem mais de 10 anos que dorme no Congresso Nacional. Ninguém fala que é contra a cultura, nenhum deputado federal é louco de falar que é contra a cultura. Mas nenhum deles vota”, desabafou Delasnieve Daspet, uma das organizadoras da manifestação. Eles também reivindicavam a aprovação da PEC 236, que altera o artigo 6º da Constituição, incluindo a cultura como direito social do cidadão. Conseguiram cerca de 500 assinaturas.

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Durante os cinco dias de Festival, muitas pequenas histórias aconteceram. Artistas pintaram, músicos tocaram, dançarinos dançaram, atores atuaram, espectadores aplaudiram, crianças aprenderam, adultos descobriram, plateias cantaram, cantores dançaram, crianças pintaram, adultos leram poesia. A cidade respirou cultura. Mas quando o Festival acabou ninguém morreu de falta de ar. A cultura garantiu um espaço permanente em Bonito. Andréa Freire, produtora cultural, se lembra das reflexões para a criação do Festival. “Como é que a cultura volta para a sociedade? Isso é o que a gente tem que se perguntar pra que a sociedade incorpore a cultura como um fator importante no seu desenvolvimento humano, criativo, econômico”. Doze anos depois, o Festival de Inverno de Bonito não é perfeito. Faltam oficinas artísticas e a duração já foi maior. Mas um dos principais objetivos foi alcançado: a cidade (sociedade e governantes) compreendeu a importância do fomento da cultura e já não sabe mais viver sem ele.

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Progamação Arte de Rua Pernas de Pau (Projeto Arte Para Todos – Bonito/MS) Música Viola e Violão (Projeto Arte para Todos – Bonito/MS) Almir Sater (Campo Grande/MS) Erasmo Carlos (nacional) Kalu (Bonito/MS) Giani Torres (Dourados/MS) Jonavo & Barulho Zen (Campo Grande/MS) Sarravulho (Campo Grande/MS) Ney Matogrosso (Bela Vista/MS) Alicea (Dourados/MS) Muchileiros (Campo Grande/MS) Leo Verão (Dourados/MS) Marcelo Camelo (RJ) Falcão e os Loucomotivos (RJ) Zé Pretim (Campo Grande/MS) Marina Dalla (Campo Grande/MS) Mar'tnália (RJ) Jota Quest (MG) Dança Plagium? (cia Dançurbana - Campo Grande/MS) Jeens (Funk-se – Campo Grande/MS) Artesanato Oficina de Artesanato de Customização - Customização de Camisetas Customização de Sacolas de Compras – eco bags Customização de Caderninho de Anotações Literatura Lançamento do livro "A literatura sul-mato-grossense na ótica de seus construtores" (Maria da Gloria Sá Rosa e Albana Xavier Nogueira MS) As cores do Crepúsculo - a estética do Envelhecer - Conversas com Rubem Alves (MG)

Cinema Oficina de Animação – Stop Motion Curso Básico de Fotografia para Câmeras Compactas Mostra Anima Mundi – Perfeito; Xixi no banho; O lenhador e a raposa; tempestade; 1 4 7; Passo; Calango Lengo - morte e vida sem ver água; Imagine uma menina com cabelos de brasil; Os anjos do meio da praça O guardado Home – o mundo é a nossa casa Lixo extraordinário Histórias de amor duram apenas 90 minutos Brasil animado Mostra anima mundi - Menina da chuva; L.E.R.; Josué e o pé de macaxeira; O povo atrás do muro; Eu queria ser um monstro; Pinga com sakê; Pax No tempo dos meus avós Antes que o mundo acabe Teatro Encruzilhada – O último cabaré (Circo Do Mato – Campo Grande/MS) A farsa do bom enganador (Buraco D'oráculo – SP) Incontornáveis – um teatro de incoerência e horror (Mercado Cênico – Campo Grande/MS) Stand-up comedy "Os babaccos" (Cia De Nós Mesmos – SP) Cutucando a onça com vara curta (Instituto Família Legal – Bonito/MS) Sério, meio sério e nada sério (Cia Bubiô, Ficô Lô – Nacional) Gandhi, um líder servidor (Monólogo Com João Signorelli – MG) Jornalismo Oficina de Jornalismo Ambiental e Comunicação Popular – Formando Multiplicadores de Informações Ecológicas Meio ambiente 2º Encontro Estadual do Geopark Bodoquena Pantanal


Legendas Foto de abertura Pg 05 - Apresentação da cia Bubiô, fico lô na calçada do Mercado Mundo Mix.

Pg 24 - Ator da Cia. Buraco D'oráculo em apresentação na praça da Liberdade. Pg 25 - Artista da Cia. Bubiô, fico lô interagindo com a plateia durante apresentação na calçada do Mercado Mundo Mix Geografia

Introdução Pg 06 - Estátuas em forma de piraputangas na Praça da Liberdade, um dos símbolos de Bonito. Pg 07 - Grupo Pernas de Pau que participou da abertura da 12ª edição do FIB. Pg 08 - Com malabarismos e muita alegria, o grupo deu boas vindas aos bonitenses e turistas. Pg 09 - Superior - Grupo Pernas de Pau durante a apresentação na abertura do FIB. Pg 09 - Inferior - Cia Dançurbana durante apresentação no Palco das Águas. Pg 10 - Artesãos organizam o espaço no Mercado Mundo Mix. Pg 11 - Um dos cenários do festival, a Praça da Liberdade ganha mais atenção da comunidade e visitantes. Pg 12 - Do início ao fim, a consciência ambiental permaneceu na realização do FIB . Pg 13 - Superior - A poucas horas para abertura do FIB, trabalhadores fazem os ajustes finais. Pg 13 - Inferior - Palco Fala Bonito que recebeu Almir Sater, Marcelo Camelo, Mart'nália, entre outros músicos. Pg 14 - Dançarino do Grupo Funk-se, durante o flash mob apresentado na calçada da Rua Pilad de Rebuá. Pg 15 - Casal hippie caminhando na praça da Liberdade, entre as estruturas do festival. 12ª Edição Pg 20 - Ney Matogrosso é o homenageado da 12ª edição do festival. Pg 21 - Almir Sater é a primeira atração do 12º Festival de Inverno de Bonito. Pg 22 - População e turistas prestigiam show de abertura do FIB. Pg 23 - Coreografia da Cia. Dançurbana durante apresentação na calçada do Mercado Mundo Mix.

Pg 26 - Cantor Ney Matogrosso durante o show Beijo Bandido Pg 27 - Esquerda - Atriz Aline Duenha, da Cia. Circo do Mato, durante o espetáculo Pg 27 - Encruzilhada – o Último Cabaré Pg 27 - Direita superior – Entrada do Mercado Mundo Mix Pg 27 - Direita inferior – Escritor Rubem Alves durante palestra no Centro de Convenções Pg 28 - Galeria do Homenageado na Praça da Liberdade Pg 29 - Painel de fotos na Galeria do Homenageado Pg 30 - Luiz Renato Menezes observou o artista Guto Naveira pintar durante todos os dias do festival Pg 31 - Crianças participam de atividades no Espaço Eco-Criança Pg 32 - Superior - Raul Menezes Filho expõe pela primeira vez no festival Pg 32 - Inferior - Neulione Alves Gomes comercializa artesanato de 12 etnias indígenas do Mato Grosso no Pavilhão das Artes Pg 33 - O artesão Alcides Ribeiro aprendeu a fazer violas de cocho com seu pai, que aprendeu com seu avô Pg 34 - Esquerda - Marcelo Camelo durante show no palco Fala Bonito Pg 34 - Direita - Mart'nália abriu seu show na Praça da Liberdade homenageando Zumbi Pg 35 - Árvore dos poemas na Praça da Liberdade Pg 36 - “Nunca antes na história desse país um cantor esteve tão feliz no palco” foi o que o cantor Erasmo Carlos disse ao público no show na Grande Tenda Pg 37 - Público passa pelo túnel para chegar à Grande Tenda Pg 38 - Rogério Fauzino, vocalista do Jota Quest, durante o show Pg 39 - Superior - Ney Matogrosso cantou acompanhado de quatro músicos na Grande Tenda Pg 39 - Inferior - O grupo Jota Quest fez o show que mais encheu a Grande Tenda Pg 40 - Ney Matogrosso interpretou canções brasileiras de várias épocas


Atmosfera Pg 41 - Circo do Mato – Encruzilhada, o Último Cabaré contou a história de artistas que trabalham com teatro, circo, música e dança que decidem se aposentar por falta de público e patrocínio. Pg 42 - Sandra Miyazawa durante intervenção artística no show da Mart’nália. A cantora interrompeu a apresentação para chamar a atenção para moça e afirmou “isso é o Festival de Bonito”. Pg 43 - Os cinco dias de Festival contaram com intervenções artísticas diárias no meio das ruas. Pg 44 - A Cia Dançurbana resistiu ao sol e se apresentou em frente ao Mundo Mix. Pg 45 - Superior - Grupo Funk-se e a coreografia Jeens no Palco das Águas. Pg 45 - Inferior - Funk-se durante flash mob debaixo de chuva, ao lado de um dos bares mais tradicionais da cidade. Pg 46 - Crianças do Instituo Família Legal, de Bonito, também tiveram vez no Palco das Águas. A peça apresentada por eles criticava as caçadas de onças no Pantanal. Pg 47 - Esquerda - Jonavo, vocalista da banda Jonavo e Barulho Zen, novidade no cenário musical de Campo Grande, durante show no Palco Fala Bonito. Pg 47 - Direita - Cantora Alicea, de Dourados, cantou composições próprias em show na Praça da Liberdade. Pg 48 - No meio da Praça da Liberdade, o grupo Buraco D’oráculo reuniu um dos maiores públicos de teatro de rua com A Farsa do Bom Enganador. Pg 49 - Cena do espetáculo Encruzilhada – O último cabaré.


Mapa do Festival

Legenda • PRAÇA DO FESTIVAL Grande Tenda, bares e praça de alimentação. Rua Cel. Pilad Rebuá, s/n° - centro • PRAÇA DA LIBERDADE Palco Fala Bonito, Palco das Águas, Pavilhão das Artes, Espaço Mãos que Criam, Galeria do Festival, Galeria do Homenageado, Galeria Pele Pantaneira, quiosques de alimentação, artistas de rua, escritório para imprensa e sala da coordenação. Rua Cel. Pilad Rebuá, s/n° centro • MERCADO MUNDO MIX Rua Cel. Pilad Rebuá, Vila Rebuá • CENTRO DE CONVENÇÕES DE BONITO Cinema, exposição de fotografia,oficinas e artes cênicas.Rodovia MS 178 - KM 2


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