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FOTO: MILES ALDRIDGE /trunk archive

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Você nem sonha, mas seu namorado pode estar saindo com garotas de programa. Elas entregam os caras – e eles explicam por que (ainda) fazem isso Por Nathan Fernandes colaborou tathiane forato


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Eles comentam os problemas com as namoradas e falam coisas que jamais contariam para elas

segredos de alcova As namoradas desses caras não sabem, mas muitas delas acabam “participando” da transa com a prostituta. “Eles comentam dos seus problemas com as namoradas e falam coisas que jamais falariam para elas. Como da garota do trabalho que eles estão a fim de pegar”, diz Eduarda. Sim, elas acabam se tornando confidentes discretíssimas. “Sempre acham que sou terapeuta e acabo ouvindo reclamações de todos os tipos. Mas procuro me ater ao meu trabalho”, lembra a garota de programa Maysa Ykeda, 21 anos. 130

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casas de prostituição “Puteiro é tipo um bar com um monte de mulher dando muita sopa e se esfregando na gente. Você vai, fica excitado e, se não quiser pagar, vai no banheiro bater uma”, explica ele – na gíria da noite, caras assim são conhecidos como “ximba”. Já para o paulista Carlos Eduardo, 25 anos, o que pega é a variedade. “Às vezes, você está mal com a namorada ou viajando e fica com vontade de comer uma ruiva ou japonesa. Acontece...”, diz. Ele garante que o hábito não atrapalha seu namoro. “Transo com minha namorada em média três vezes por semana, que é quando nos vemos. Ela sempre está aberta às minhas propostas e eu às dela. A prostituta é mais pela vontade de variar mesmo”, confessa. Talvez você esteja indignada a essa altura, mas, para esses homens, transar com uma prostituta não configura uma traição – é apenas “dispersão de energia”, como diz Carlos Eduardo. “Morre tudo ali na

hora em que a gente goza. Se você é comprometido, faz mais sentido sair com uma prostituta do que se envolver mais seriamente com outra garota”, diz.

sexo versus amor Para o psicoterapeuta sexual Oswaldo Martins Rodrigues Jr., diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, o que está em jogo é a maneira como homens e mulheres encaram o sexo. “Eles não acreditam que estejam traindo as namoradas porque, para os homens, romantismo e sexo não são necessariamente ligados.” Assim como os homens, as mulheres também têm uma necessidade biológica de ter vários parceiros sexuais. “Só que se mostram mais capazes de transferi-la a um único cara, de estabelecer e manter um vínculo”, afirma a psicóloga Tatiana Presser. Quer dizer: se você quer ter uma relacão, terá que lidar de alguma maneira com essa diferença de abordagem. E a melhor forma de fazer isso é garantindo que a relação – sexual e emocional – que você tem com seu namorado seja legal para os dois. Se ainda assim o cara tiver vontade de pagar por sexo, isso está fora do seu controle. (Mas você pode, claro, dispensá-lo.) O que não vale a pena é transformar a desconfiança de que ele esteja procurando prostitutas em paranoia – e muito menos tentar ‘substituí-las’ e ter uma atitude no sexo que não tem a ver com você. Por fim, não custa lembrar: nem todo homem se interessa ou tem o hábito de procurar prostitutas.

Eles gostam de pagar

Nenhum deles precisaria procurar prostitutas. Mas procuram mesmo assim Hugh Grant

Em 1995, o ator namorava Liz Hurley e foi flagrado recebendo sexo oral em público. Em 2007, na Espanha, foi fotografado tentando conseguir um programa.

Lewis Hamilton

O piloto da fórmula 1 pagou 15 mil reais por um quarto de hotel para ele e mais dez “amigas”. Nicole Scherzinger, na época, noiva do piloto, não gostou.

Colin FarrelL

O ator afirmou, em 2005, que “pagar por sexo é como pedir pizza”. “Alguém chega a sua casa, você gasta uma hora com ela, vocês fumam um cigarro e aí termina.”

Profissão antiga, mercado moderno fotos: divulgação e afp (colin farrell)

Poder se mostrar do jeito que são – com todos os seus defeitos e desejos – é outro atrativo que o sexo pago tem para os homens. “Mesmo no sexo casual, você sempre tenta passar uma imagem de quem você é”, diz o empresário Bruno, 26 anos, que namora, e transa com prostitutas eventualmente. “Já as garotas de programa deixam você mais livre para decidir o que fazer na hora do sexo e também sabem pedir. Muitas mulheres ainda têm vergonha ou acham nojento fazer sexo oral, por exemplo.” A ex-prostituta Vanessa de Oliveira, autora de livros como O Diário de Marise (em que conta como era sua rotina), explica isso de outra maneira: “Quando paga, o homem não se sente tão canalha de gozar e ir embora. Com a mulher do sexo casual ou com a namorada, ele tem essa ‘obrigação’ de satisfazê-la”, diz. É também uma questão de praticidade o que atrai o paulista Matheus – aquele lá do início do texto – às

MATHEUS, BRUNO E CARLOS EDUARDO TIVERAM SEUS NOMES TROCADOS PARA QUE SUA IDENTIDADE FOSSE PRESERVADA

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engenheiro Matheus, 27 anos, é um cara que você poderia ter vontade de namorar: simpático, tem um bom emprego, uma beleza do tipo comum e uma namorada que ele ama. Matheus também gosta de transar com prostitutas de vez em quando. Mas isso só alguns poucos amigos sabem – e sua namorada nem sonha. Na cabeça dela (assim como na de muitas mulheres), recorrer a garotas de programa é coisa de homens mais velhos, solteiros ou pouco interessantes. “Não é o que acontece. Metade dos meus clientes são caras bonitos que têm entre 18 e 28 anos”, diz a acompanhante Eduarda Stella, 29 anos, que recebe os clientes em seu apartamento, nos Jardins, em São Paulo. “E muitos deles têm namoradas que eles amam.” Um estudo de 2010 da ONG americana Prostitution Research & Education confirma o que Eduarda percebe na prática: 29% dos britânicos entrevistados disseram que saíram com prostitutas pela primeira vez antes de completar 21 anos. E mais da metade dos caras (de qualquer idade) que já tinham contratado garotas de programa fizeram isso quando eram comprometidos. “De quinta a domingo são os dias que eu mais pego novinhos”, diz Melissa Mello, uma morena de 19 anos, pele bronzeada e cabelos lisos e longuíssimos, que também atende seus clientes em casa, em São Paulo.

Com internet e celular, ficou mais fácil para os caras pegar geral sem se expor Tudo ficou mais fácil com a internet – até a venda de serviços sexuais. Para contratar uma prostituta, um cara só precisa de alguns cliques. “83% das garotas de programa têm páginas no Facebook, que rendem 25% dos programas”, avaliou Sudhir Venkatesh, professor de sociologia da Universidade de Columbia, em entrevista à revista Wired.

No Brasil, não é diferente. As garotas de programa transformaram-se em experts do marketing digital. Bombam em redes sociais e escrevem blogs superacessados. Publicam fotos dignas de ensaios de revistas masculinas e ainda descrevem as suas condições para o encontro. Aceitam até pagamento online com cartão de crédito!


O que ele vê nelas?