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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO INSTITUTO DE ARQUITETURA E URBANISMO JUNHO DE 2013

TRABALHO DE GRADUAÇÃO INTEGRADO I NATHÁLIA WERNERSBACH CHAGAS


“Inicialmente, é preciso ter vontade de memória” Pierre Nora


A QUESTÃO TRAZIDA PELO PROJETO SE ENQUADRA NA CHAVE DO PATRIMÔNIO IMATERIAL OU INTANGÍVEL, AQUELE QUE TRATA NÃO MAIS DAS OBRAS DE EXCEPCIONAL IMPORTÂNICIA HISTÓRICA E ARTÍSTICA, MAS SIM DAS TRADIÇÕES, EXPERIÊNCIAS E MANIFESTAÇÕES PRESENTES NA MEMÓRIA COLETIVA E QUE ADQUIRIRAM SIGNIFICAÇÃO CULTURAL COM O PASSAR DO TEMPO, OS CHAMADOS SABERES DO SILÊNCIO DE QUE FALA PIERRE NORA. SABERES ESTES QUE DÃO A UMA COMUNIDADE A NOÇÃO DE PERTENCIMENTO AO LUGAR. A LAMA, O ANDAR DO CARANGUEJO, A PRODUÇÃO DAS PANELAS DE BARRO, AS PINGUELAS QUE LEVAM ÀS PALAFITAS, AS RAÍZES EXPOSTAS DO MANGUEZAL SÃO TODAS IMAGENS MUITO FORTES. VISA-SE, PORTANTO, TRADUZIR AO INVÉS DE TRANSCREVER OS SIGNIFICADOS SIMBÓLICOS DESTAS IMAGENS NA FORMA DE UM EDIFÍCIO PÚBLICO, DE TECTÔNICA CONTEMPORÂNEA QUE COMBINE RACIONALIDADE TÉCNICA E MEMÓRIA SUBJETIVA, NUMA NATUREZA HÍBRIDA.

“no entanto, quando os lugares familiares retornam e reocupam o lugar primitivo, do mesmo modo aparentemente fortuito, aquele ser perdido no espaço descobre-se em casa, e descobre ao mesmo tempo o lugar perdido.” poulet, 1992 .

APRESENTAÇÃO

SEM TENTAR RECONSTITUIR UM PASSADO, DADO O RISCO DO ANACRONISMO ENTRE ESTÉTICA E TÉCNICA OU MESMO DE ERIGIR O ‘FALSO’ COMO PRINCÍPIO SEGUNDO LE CORBUSIER, O OBJETO DE PROJETO DESTE TGI I SURGE DA VONTADE DE SE TESTEMUNHAR UMA MEMÓRIA AINDA MUITO VIVA E PARTICULAR, DADA SUA LIGAÇÃO COM UM ECOSSISTEMA ESPECÍFICO: O MANGUE.


PRÉ-TGI É IMPORTANTE OBSERVAR QUE ALGUNS DOS CONCEITOS E DISCUSSÕES DESENVOLVIDOS NO OBJETO FINAL NA DISCIPLINA DE PRÉ-TGI FORAM FUNDAMENTAIS PARA EMBASAR ESSE PROCESSO PROJETUAL. ALGUMAS QUESTÕES JÁ ESTAVAM PRESENTES: COMO SER MODERNO ADMITINDO UM CONTEXTO ESTABELECIDO? E A FORÇA DAS TRADIÇÕES? O OBJETO PRODUZIDO CONSISTIA EM PREGOS E ALFINETES QUE ERAM MANIPULADOS EXTERNAMENTE ATRAVÉS DE UM IMÃ GERANDO UMA GAMA DE POSSIBILIDADES DE CRUZAMENTO, SEM QUE NENHUMA DAS PARTES PERDESSE SUAS PROPRIEDADES SENDO DISTINGUÍVEIS NO TODO.

COMO ISSO, GEROU-SE UMA INDAGAÇÃO: PORQUE A ARQUITETURA DEVE SEMPRE OPTAR POR UM CAMINHO OU OUTRO? CHEGA-SE AÍ A UMA CONCLUSÃO IMPORTANTE: PREFIRO O “E” AO INVÉS DO “OU”, NO LUGAR DE EXCLUIR, MELHOR UNIR, AO INVÉS DE DIVERGIR MELHOR CONFLUIR. ARQUITETURA É O NÓ, A COMBINAÇÃO DE ELEMENTOS QUE À PRIMEIRA VISTA PARECEM INCORRELACIONÁVEIS: ELEMENTOS LOCAIS (HABITABILIDADE LOCAL) E TÉCNICAS PROJETUAIS MODERNAS, TÁTIL E VISÍVEL, SENSIBILIDADE E SENTIMENTALIS. ESSA IDÉIA DE NATUREZA HÍBRIDA E COMPLEXA ENTRE TRADIÇÃO E CULTURA CONTEMPORÂNEA TRABALHADA EM PRÉ-TGI VOLTA EM TGI 1.


MEMÓRIA URBANA E ESPONTÂNEA

MEMÓRIA COLETIVA

genius loci

a preservação se destina “não mais às obras de excepcional importância artística, (...) mas também a todos os bens que (...) com o tempo adquiriram significação cultural” (carta de veneza). abrange, portanto, tradições, folclores e outras manisfestações, os chamados saberes do silêncio, conforme pierre nora.

elemento essencial da identidade de um lugar, locus do coletivo, trata-se do estoque de lembranças do modo de vida urbano per si, memória esta que é espontânea por estar em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento visto que é carregada por grupos vivos, mantendo-se sempre atual, um elo vivido no eterno presente.

é um conjunto de lembranças construídas socialmente e referenciadas a um conjunto que transcende o indivíduo, segundo halbwachs. para ele, a capacidade de se lembrar é determinada, não pela aderência de um indivíduo a um determinado espaço, mas pela aderência do grupo do qual ele faz parte àquele mesmo espaço

o deus ou guardião que existe em cada lugar. conforme sharp: “ a city has the same right as a humam patient to be regarded as an individual requiring personal attention (...) the good plan is that which will fulfill the struggle of the place to be itself.”

CRIANDO

DE MANEIRA SIMBÓLICA

E NATUREZA HÍBRIDA

LUGARES DOMINADOS

não se trata de restaurar nem de revitalizar, busca-se a criação de um novo edifício público que seja capaz de traduzir a memória de uma cultura.

projetar para que o usuário experiencia de maneira tátil e visual aquilo que é representativo de uma memória

complementaridade entre racionalidade técnica e irracionalidade da estrutura simbólica. ou seja: tectônica contemporânea+memória.

são lugares de refúgio, o santuário das fidelidades expontâneas e das peregrinações em silêncio. é o coração vivo da memória. são lugares, com efeito nos três sentidos da palavra, material, simbólico e funcional, simultaneamente.

segundo pierre nora, os lugares de memória são; lugares em uma tríplice acepção: lugares materiais onde a memória social se ancora e pode ser apreendida pelos sentidos; são também lugares funcionais porque têm ou adquiriram a função de alicerçar memórias coletivas e são lugares simbólicos onde essa memória coletiva se expressa e se revela. são, portanto, lugares carregados de uma vontade de memória.

ABORDAGEM CONCEITUAL

QUE VONTADE DE MEMÓRIA TESTEMUNHAR ? COMO TESTEMUNHAR?

PATRIMÔNIO IMATERIAL OU INTANGÍVEL


REFERÊNCIAS MUSEU JUDAICO DE BERLIM _ DANIEL LIBESKIND discute a capacidade da arquitetura, enquanto ícone, de se tornar símbolo de identificação de uma cultura. explora as sensações do usuário do edifício a favor de contar a história de maneira simbólica. ou seja, embora trabalhe sobre a questão da memória, não o faz de modo saudosista.


REFERÊNCIAS NELSON FINE ARTS CENTER _ ANTOINE PREDOCK incorpora no discurso formal a imagem do deserto, incorporando aspectos do terreno de maneira física e espiritual, lembrando a caracterização de deserto por garcia lorca: “sol e sombra”.


REFERÊNCIAS

PRAÇA ROOSEVELT_ROBERTO COELHO CARDOZO considerada uma praça edifício devido à plurifuncionalidade do espaço ( lojas, bar, supermercado, área para lazer, vagas de estacionamento, etc.) o projeto foi pensado para ser uma espécie de praça cívica, local de encontro entre as pessoas, onde a questão da circulação adquiriria papel prioritário (ligação leste-oeste). entretanto, embora se trate de um projeto emblemático, vários pontos negativos podem ser destacados e que devem servir de lembrete para quando se constrói praças no brasil: a fragmentação dos patamares, a falta de visibilidade entre os níveis, o excesso de escadas e becos, a ausência de verde e o uso exagerado do concreto afastaram os usuários. assim, resultou-se na ociosidade do espaço, que, por seu turno, gerou problemas de consumo de drogas, violência e prostituição no local. segundo declaração de paulo mendes da rocha: “a praça roosevelt é um bom exemplo do que nunca deve ser uma praça”. praças, assim como edifícios, devem ser convidativas e proporcionar conforto ao pedestre.


REFERÊNCIAS entretanto, existem vários pontos positivos no projeto que não podem ser menosprezados, como por exemplo: a criação de vários patamares que vencessem o desnível criado, que criam vários pontos de mirada interessantes, bem como a idéia de propor estabelecimentos fixos que atraíssem consumidore e, como resultado, usuários para o lugar.


REFERÊNCIAS

ROCKEFELLER PLAZA_RAYMOND HOOD o que chama atenção nesse projeto é a forma como o entorno edificado acentua a abertura no solo, de modo que é a arquitetura que valoriza o não edificado, relação muito próxima com a estabelecida pelas piazzas italianas.


A OPÇÃO PELA ÁREA DE PROJETO NÃO SE DEU APENAS EM VIRTUDE DA MINHA ORIGEM E MEMÓRIA PESSOAL DE VISITAS AOS MANGUES E TARDES COMENDO CARANGUEJADA. DE FATO, A ILHA DE VITÓRIA, AINDA HOJE, POSSUI APROXIMADAMENTE 11KM² DE ÁREA DE MANGUEZAL, CONSTITUINDO UM DOS MAIORES ESTUÁRIOS DO MUNDO. ENTRETANTO, DÉCADAS ATRÁS ESSE NÚMERO ERA AINDA MAIS SIGNIFICATIVO, POIS, EM VIRTUDE DA SUA POSIÇÃO GEOGRÁFICA (ILHA), O ENCONTRO ENTRE ÁGUA DE RIO E MAR É MUITO MAIS ABUNDANTE. A INTERFERÊNCIA HUMANA SOBRE ESSE ECOSSISTEMA SE INTENSIFICA SOBRETUDO A PARTIR DA DÉCADA DE 1970, POIS, DEVIDO AO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO,A ILHA VIVEU UM INCHAÇO POPULACIONAL, E MUITAS DAS PESSOAS QUE NÃO FORAM ABSORVIDAS PELAS EMPRESAS OCUPARAM CLANDESDINAMENTE ÁREAS DE MANGUEZAL. VALE LEMBRAR TAMBÉM QUE HOUVE OS ATERROS

OFICIAIS REALIZADOS PELO ESTADO, QUE DEVIDO A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, INCORPORA ESSES GRANDES “LATIFUNDIOS DE LAMA”, CONQUISTANDO NOVAS ÁREAS DE CRESCIMENTO PARA A CIDADE, ÁREAS ESTAS QUE SERVIRAM AO MERCADO IMOBILIÁRIO, OU MESMO PARA A CONSTRUÇÃO DE GRANDES OBRAS PÚBLICAS, COMO É O CASO DO PORTO DE VITÓRIA. ALÉM DISSO, NUMA ÉPOCA EM QUE AS IDÉIAS SANITARISTAS GANHAVA FORÇA, ATERRAR OS MANGUES SIGNIFICAVA EMBELEZAR A CIDADE E ADEQUA-LÁS ÀS NECESSIDADES HIGIENISTAS. POR FIM, AS POUCAS ÁREAS RESTANTES DE MANGUE AINDA SOFRE COM A DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE DEJETOS, SENDO CADA VEZ MAIS VISTAS COMO ÁREAS MARGINALIZADAS PELA SOCIEDADE, QUE, CONTRADITORIAMENTE, INCORPORA AS TRADIÇÕES E AS RIQUEZAS PROVINDAS DESSE ECOSSISTEMA, COMO O CARANGUEJO E AS PANELAS DE BARRO, PRODUZIDOS COM O TANINO DA CASCA DA ESPÉCIE RHIZOPHORA MANGLE.

O LOCAL_ MANGUE X ATERRO

“ACEITANDO, ENTÃO, O ATERRO DE MANGUES COMO SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA DO DESENVOLVIMENTO DA CIDADE, CUMPRE RESOLVER O DE CORREÇÃO A MALES QUE DECORREM DE ASSIM SEREM CONTRARIADOS”. SATURNINO DE BRITO


O LOCAL_ MANGUE X ATERRO

POSSIBILIDADES DE ÁREAS GRANDE SÃO PEDRO: FORTE QUESTÃO SOCIAL ENVOLVIDA VISTO QUE ESTA ÁREA FOI OCUPADA POR POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA QUE NÃO FORAM INCORPORADAS ÀS INDÚSTRIAS QUE SURGIAM. ATÉ HOJE É UMA ÁREA COM UMA INFRA-ESTRUTURA URBANA PRECÁRIA, O QUE FEZ COM QUE EU DESCARTASSE COMO ÁREA DE PROJETO POIS, COMO SERÁ OBSERVADO ADIANTE, O PROJETO PRECISARIA DE UMA ÁREA URBANA JÁ CONSOLIDADA E DENSA, PROPORCIONANDO VITALIDADE. PARQUE MOSCOSO: PERTENCENTE A UMA ÁREA CENTRAL DA CIDADE, O ATERRO NA ÁREA CONHECIDA POR LAPA DO MANGAL DEU ORIGEM À RUA DO COMERCIO, DE GRANDE FLUXO DE PESSOAS, ENTRETANTO, A FALTA DE TERRENOS VAZIOS FEZ COM QUE EU A DESCARTASSE, VISTO QUE A DEMOLIÇÃO DE PRÉDIOS EXISTENTES NÃO ERA DE INTERESSE AO PROJETO. BENTO FERREIRA: REGIÃO ONDE OCORREU A MAIOR ÁREA DE ATERRO. TRATA-SE DE UM LUGAR ESTRATÉGICO: PRÓXIMO AO PORTO DE VITÓRIA E AO FORTE DE SÃO JOÃO (CONSTRUÇÃO EMBLEMÁTICA DA HISTÓRIA DE VITÓRIA), AO CLUBE SALDANHA E AO CLUBE DE REGATAS ÁLVARES CABRAL, SENDO, PORTANTO, UMA ÁREA DENSA E MOVIMENTADA, DEVIDO À DIVERSIDADE DE ATIVIDADES QUE ALI OCORREM, SENDO, PORTANTO A ESCOLHIDA.

ÁREAS DE ATERRO ATERROS EM ÁREAS AVANÇADAS AO MAR OU MANGUE NOS LIMITES DA ILHA ATERROS EM ÁREAS ALAGADAS INTERNAS AOS LIMITES DA ILHA

ÁREA ESCOLHIDA PARA O PROJETO


O LOCAL_ MANGUE X ATERRO ESSAS FOTOS DATADAS DE 1940 E 1997 APRESENTAM O CENÁRIO ANTERIOR E POSTERIOR AO ATERRO DE BENTO FERREIRA, QUE DEU ORIGEM AOS ATUAIS BAIRROS DE ILHA DE SANTA MARIA E MONTE BELO, NA ILHA DE VITÓRIA, LOCAL ESCOLHIDO PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROJETO DE TGI.


O LOCAL_ MANGUE X ATERRO

O ESPAÇO DESTINADO AO PROJETO ENGLOBARÁ AS ÁREAS 8 E 9 DO MAPA. COMO É POSSÍVEL NOTAR A PARTIR DO LEVANTAMENTO, O ENTORNO DA ÁREA JÁ APRESENTA EQUIPAMENTOS NA ÁREA DA SAÚDE, EDUCAÇÃO E LAZER. POR ISSO, O EDIFÍCIO PÚBLICO QUE SERÁ CRIADO SUPRIRÁ UMA DEFICIÊNCIA DE ESPAÇOS DE CULTURA NA REGIÃO, UMA NECESSIDADE DOS BAIRROS RESIDENCIAIS ADJACENTES (CLASSE MÉDIA-BAIXA). ASSIM, O MANGUE, ANTES DEPÓSITO DE LIXO, E QUE POR ISSO É ATERRADO PELO GOVERNO, TORNA-SE DEPÓSITO DE CULTURA.


FOTOS LEVANTAMENTO VISTA DO TERRENO A PARTIR DA RUA DOM JOÃO BOSCO

VISTA DA BAÍA A PARTIR DO TERRENO


FOTOS LEVANTAMENTO

VISTA DA BAÍA E DA AV. PAULINO MULLER A PARTIR DO TERRENO

VISTA DA BAÍA E DA RUA DOM JOÃO BOSCO A PARTIR DO TERRENO


VISTA DA RUA PEDRO CARLOS DE SOUZA

VISTA DA RUA LUSMAR MACHADO DE MORAES

FOTOS LEVANTAMENTO

VISTA DA RUA LUIZ CARLOS GRECCO


ABORDAGEM FORMAL PRELIMINAR

A PARTIR DO ESTUDO DAS FORMAS DO MANGUE, OBSERVOUSE ALGUNS PONTOS DE INTERESSE COM RELAÇÃO A FORMA: A SOBREPOSIÇÃO DE CAMADAS, A PERMEABILIDADE VISUAL, A PRESENÇA DE UMA ORDEM NUM APARENTE DESORDEM (COMPOSIÇÃO GEOMÉTRICA ACENTUADA), A SOLIDARIEDADE DAS ESTRUTURAS, BEM COMO A RAMIFICAÇÃO DE UM EIXO PRINCIPAL EM EIXOS SECUNDÁRIOS


ABORDAGEM FORMAL PRELIMINAR PENSANDO A QUESTÃO DA ORDEM PRESENTE NA DESORDEM, SEGUIU-SE UM TRABALHO DE MANIPULAÇÃO DAS FORMAS COMUNS AO MANGUE (ESPÉCIES COM RAIZES À MOSTRA). DESSA ATITUDE, QUE NOS REMETE AO FRACTAL, OBTÊM-SE UMA CLARA REPETIÇÃO DE FORMAS (ESPÉCIE DE MÓDULO), QUE, COMBINADO ENTRE SI GERAM CHEIOS E VAZIOS EM UM TIPO DE PELE PERMEÁVEL E POROSA


ABORDAGEM FORMAL PRELIMINAR

VOLUME

ESCURO

LINHAS CLARO

PLANOS

EXEMPLOS

ESCALAS DE LUZ


AÇOES PROJETUAIS_A TRÍADE O PROJETO CONSISTE EM TRÊS PARTES: TOCA + EIXO SUBTERRÂNEO + ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA. COMO É POSSÍVEL OBSERVAR ATRAVÉS DO ESQUEMA, NA QUADRA LIVRE SE SITUA A TOCA, A PARTIR DELA SE DÁ O ACESSO AO EIXO SUBTERRÂNEO QUE, POR SUA VEZ, ATRAVESSA A AVENIDA E CHEGA A ESTRUTURA SUSPENSA. DESSA FORMA, O PROJETO É FORMADO POR TRÊS ESTRUTURAS QUE FUNCIONAM DE MANEIRA SOLIDÁRIA E INTERDEPENDENTE.


AÇOES PROJETUAIS_TOCA

IDÉIA 1: CRIAÇÃO DE CAMINHOS SUBTERRÂNEOS QUE SE RAMIFICAM E SE ENTRECRUZAM NUMA ESPÉCIE DE FORMA LABIRÍNTICA (RAÍZES QUE SE ABREM)

IDÉIA 2: CRIAÇÃO DE VÁRIAS TOCAS NÃO COMUNICANTES, ESTRUTURAS INDEPENDENTES (ESPÉCIE DE “CUL DE SAC”) ONDE SE REALIZAM ACONTECIMENTOS OU EVENTOS PONTUAIS, ONDE UM DELE LEVARIA AO EIXO SUBTERRÂNEO

IDÉIA 3: CRIAÇÃO DE UMA TOCA QUE SE BIFURCASSE EM TRÊS CAMINHOS SUBTERRÂNEOS E QUE CHEGASSEM EM DIFERENTES PONTOS DA ESTRUTURA SUSPENSA. TRABALHANDO A IDÉIA DO INESPERADO.

A TOCA É O MEIO DE ENTRADA PARA O PROJETO: O INDIVÍDUO ENTRA NA TERRA FEITO CARANGUEJO E TEM ACESSO AO EIXO SUBTERRÂNEO. A TOCA INICIA O PROCESSO DE REVELAÇÃO DA RIQUEZA DO SUBTERRÂNEO PARA O PROJETO TAL QUAL O SOLO RICO DO MANGUEZAL.

IDÉIA 4: CRIAÇÃO DE PLATÔS, AO INVÉS APENAS DE UM RAMPADO, QUE VENCESSE O DESNÍVEL E CHEGASSE A COTA DOS EIXOS SUBTERRÂNEOS (AQUI ESTES TAMBÉM SERIAM EM NÚMERO DE TRÊS).

IDÉIA 5: USO DA GEOMETRIA COMPLEXA, UTILIZANDO A IDÉIA DOS TRIÂNGULOS, OBTIDO PELO ESTUDO DAS FORMAS DO MANGUE, CRIANDO ORA SUBIDAS, ORA DESCIDAS. A ORDEM NA DESORDEM


AÇOES PROJETUAIS_TOCA AO ESTUDAR A CIRCULAÇÃO O QUE ME INTERESSOU FOI A INEXISTÊNCIA DE FLUXOS QUE CORTASSEM A PRAÇA, DE FORMA QUE OS FLUXOS DE PEDESTRE SE DAVAM POR TRAÇADOS PARALELOS E PERPENDICULARES AO TERRENO. DESSE MODO, PARA QUE A PRAÇA GANHE VIDA DEVERIA SER PROPOSTO ALGO QUE ATRAÍSSE AS PESSOAS A CIRCULAR PELA ÁREA.


AÇOES PROJETUAIS_TOCA

SABENDO DA NECESSIDADE DE SE CRIAR ATRATIVOS PARA QUE A PRAÇA FOSSE CONVIDATIVA PARA AS PESSOAS, BUSCOU-SE RELAÇÕES COM O ENTORNO DA PRAÇA: ESCOLA - LAZER / EDIFÍCIOS PÚBLICOS - DESCANSO / BAIRRO - EDIFÍCIO FUNCIONAL. A PARTIR DESSAS LINHAS FUNCIONAIS DE FORÇA, SURGIRAM DOIS EIXOS POSSÍVEIS DE CIRCULAÇÃO CORTANDO A PRAÇA (CONFORME IDÉIA 1).

IDÉIA 1

A PARTIR DAÍ, PARTE-SE PARA A IDÉIA 2, EM QUE UM DOS EIXOS GANHA DESTAQUE E INCORPORA A FUNÇÃO DE DESCANSO. ISSO SERIA POSSIVEL POIS AO TRABALHAR COM A GEOMETRIA COMPLEXA CRIANDO SUBIDAS E DESCIDAS, SUA INCLINAÇÃO DEFINIRIA ORA PASSAGEM, ORA ESPAÇOS PARA SENTAR OU MESMO DEITAR. ADEMAIS, ESSE EIXO DE CIRCULAÇÃO / DESCANSO DEFINE MELHOR OS ESPAÇOS, DE FORMA QUE O LAZER ASSUME UMA FORMA CONTIDA. O SEGUNDO EIXO ASSUME A FUNÇÃO DE LIGAR, PELO SUBTERRÂNEO, O EDIFÍCIO FUNCIONAL À ÁREA DESTINADA AO LAZER. ESSA É UMA CIRCULAÇÃO DESTINADA A APRECIAÇÃO DO USUÁRIO, QUE EXPERIMENTA O ESPAÇO INCLUSIVE PELO SUBTERRÂNEO, ENQUANTO O EIXO DE CIRCULAÇÃO / DESCANSO É UM PASSEIO MAIS FNCIONAL.

IDÉIA 2

DEMAIS, EM AMBOS OBSERVA-SE UM ESPAÇO PARA APROPRIAÇÃO, OU SEJA, SERÁ CRIADO ALGUM TIPO DE ESTRUTURA DA QUAL NÃO SE ESPERA UM USO DETERMINADO


AÇOES PROJETUAIS_TOCA A OPÇÃO POR USAR O GABARITO ALTO NA EXTREMIDADE DA PRAÇA QUE DÁ ACESSO AO BAIRRO ILHA DE MONTE BELO E JUCUTUQUARA VISOU DESPERTAR A CURIOSIDADE DOS MORADORES, VISTO QUE O GABARITO DO ENTORNO É BAIXO (EXCETUANDO O PRÉDIO DA PROCURADORIA), DESTACANDO-SE NA PAISAGEM. OUTRO PONTO IMPORTANTE É A OPÇÃO POR UM GABARITO MAIS BAIXO PRÓXIMO À AVENIDA BEIRA MAR, PARA QUE OS USUÁRIOS NÃO PERCAM A VISUAL DE UM TODO DO PROJETO, MUITO MENOS QUE O PROJETO PERCA A VISUAL DA BAÍA DE VITÓRIA, DA PEDRA DO PENEDO E DO PORTO DE VITÓRIA. POR FIM, O EIXO DE CIRCULAÇÃO / DESCANSO SE CONFIGURA COMO UMA RAMPA QUE ASSUME CERTA ALTURA, CONCEDENDO AOS USUÁRIOS UMA VISÃO MAIS AÉREA, DIFERENTE DAQUELE QUANDO SE ESTÁ NA CALÇADA.


AÇOES PROJETUAIS_TOCA

DE POSSE DE UM CONCEITO GERAL A RESPEITO DO QUE SERIA A PRAÇA NOS QUESITOS DE CIRCULAÇÃO, FUNCIONALIDADE E GABARITO RESTAM QUESTÕES IMPORTANTES: QUAL SERIA A FORMA /ESTÉTICA ASSUMIDA POR ESSES ESPAÇOS? QUAIS OS MATERIAIS A SEREM EMPREGADOS? ASSIM, COM RELAÇÃO À PLÁSTICA DO EDIFÍCIO, COMO DITO ANTERIORMENTE, FOI EMPREGADA A GEOMETRIA COMPLEXA, UMA VEZ QUE NOS REMETE À PERCEPÇÃO DE UMA ESTRUTURA APARENTEMENTE INSTÁVEL, COMO AS RAÍZES DO MANGUE. QUANTO AO MATERIAIS OPTOU-SE POR VIDRO E AÇO CORTEN, OU SEJA, UMA OPÇÃO TRANSLÚCIDA E OUTRA OPÇÃO OPACA PARA PERMITIR A EXPLORAÇÃO DE ESCALAS DE ILUMINAÇÃO DO PROJETO, ENTRE O CLARO E O ESCURO. ADEMAIS, O AÇO CORTEN É AQUELE QUE SOFRE OXIDAÇÃO QUANDO EXPOSTO AO TEMPO, TRADUZINDO DE ALGUMA FORMA AS TRANSFORMAÇÕES COM A PASSAGEM DO TEMPO QUE O MANGUEZAL SOFREU. ALÉM DO FATO DESTE SER UM MATERIAL COM ACABAMENTO BRUTO, REFLETINDO SOBRE A MARGINALIZAÇÃO DESSE ECOSSISTEMA. QUANTO À FORMA DO PROJETO, ESTA INCORPORA AS TRÊS NOÇÕES PRESENTES NO MANGUE: VOLUME, PLANOS E LINHAS. OS ESQUEMAS APRESENTADOS A SEGUIR MOSTRAM A SEQUÊNCIA DE ESTUDOS QUE RESULTARAM NA IMPLANTAÇÃO DA PRAÇA.


IDÉIA 3

IDÉIA 2

A APROXIMAÇÃO DOS OPOSTOS BENEFICIA TANTO O CHEIO QUANTO O VAZIO

IDÉIA 4

IDÉIA 5

AÇOES PROJETUAIS_TOCA

IDÉIA 1


AÇOES PROJETUAIS_TOCA

O CAMINHO TOMADO NO DESENVOLVIMENTO DA OCUPAÇÃO DO ESPAÇO FOI O DE TENTAR DEIXAR CADA VEZ MAIS UNO O OBJETO DE PROJETO, DAÍ A JUNÇÃO DO VOLUME POSITIVO (SOBRE A TERRA) E OS PLANOS QUE FORMAM A RAMPA, DE FORMA A MINIMIZAR A SEGMENTAÇÃO DO TRABALHO (A QUESTÃO DA SOLIDARIZAÇÃO ENTRE OS ESPAÇOS). PASSA-SE POR UMA EXPERIMENTAÇÃO COM RELAÇÃO À ÁREA DESTINADA À APROPRIAÇÃO, QUE SE UTILIZARIA DE LINHAS, OPTANDO-SE POR SUA SEGMENTAÇÃO EM DUAS PARTES, UMA MENOR E MAIS PARTICULAR (CONVIDATIVA AS CASAS QUE COBREM O PERÍMETRO DA PRAÇA) E OUTRA DE MAIOR DIMENSÃO E USO MAIS GERAL. A ÁREA DE COTA ZERO QUE SERVIRIA DE RESPIRO E RECUO AO PRÉDIO ALTO DA PROCURADORIA GERAL TAMBÉM FOI AUMENTADA DURANTE O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO.


AÇOES PROJETUAIS_TOCA ACIMA SE APRESENTAM OS CORTES EM ESCALA 1:750 DA PRIMEIRA IDÉIA, BEM COMO OS CORTES DA IDÉIA FINAL, REVELANDO AS ALTERAÇÕES SOFRIDAS.


AÇOES PROJETUAIS_TOCA

IDÉIA 2: APENAS UMA ENTRADA PARA O EIXO SUBTTERRÂNEO, ACESSADO PELO INTERIOR DO EDIFÍCIO FUNCIONAL, O QUE DARIA UMA SEGURANÇA MAIOR A ESSA PASSAGEM PARA A ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAHIA.

IDÉIA 3: SOMATÓRIA DOS PONTOS POSITIVOS DAS OUTRAS DUAS IDÉIAS: DUAS ENTRADAS SEGURAS E ESTIMULADORAS ATENDENDO AOS DOIS FLUXOS. ISSO PORQUE O EDIFÍCIO FUNCIONAL SE PROLONGA PARA O SUBSOLO NA PARTE QUE ENGLOBA AS RAMPAS GARANTINDO O CONTROLE DAS ENTRADAS.

IDÉIA 1: OS TRÊS EIXOS SUBTERRÂNEOS SERIAM ACESSADOS PELO VOLUME SUBTERRÂNEO DA PRAÇA. PRESENÇA DO FATOR DE SURPRESA, POIS DA COTA ZERO NÃO SE ENXERGAM OS EIXOS, ENTRETANTO É MAIS INSEGURO POIS NÃO HÁ UM CONTROLE NA ENTRADA DAS PESSOAS.


AÇOES PROJETUAIS_TOCA PRAÇA_ESCALAS DE LUZ: VER O QUE IMPORTA, O QUE É REALMENTE RELEVANTE

EIXO SUBTERRÂNEO_ ESCURO

ESTRUTURA SUSPENSA_ESCALAS DE LUZ: VER O QUE IMPORTA, O QUE É REALMENTE RELEVANTE


ESTUDOS USANDO A MAQUETE PARA DEFINIÇÃO DE ALTURAS E TRIANGULAÇÕES


AÇOES PROJETUAIS_TOCA

O PERCORRER PELO ESPAÇO INTERNO DO EDIFÍCIO DA PRAÇA É GUIADO POR GRANDES PLANOS, QUE DÃO AO AMBIENTE UM QUÊ LABIRÍNTICO. A OPÇÃO PELO CAMINHAR PERDIDO FOI ESCOLHIDO POIS EM UM AMBIENTE NATURAL COMO O MANGUE, EM GERAL, É COMUM A PERDA DE REFERÊNCIA ESPACIAL, LEMBRANDO QUE A IDÉIA DE MONUMENTOS E MARCOS FOI ALGO CRIADO PELO HOMEM, E, PORTANTO, ARTIFICIAL.


AÇOES PROJETUAIS_TOCA

TENDO JÁ CRIADO OS GRANDES PLANOS INTERNOS QUE SUSTENTAM A ESTRUTURA DO EDIFÍCIO, POUSA-SE SOBRE ELE UMA ESTRUTURA EM PELE (COMO UMA CARAPAÇA), QUE CRIAM ORA PEQUENAS ORA GRANDES ABERTURAS, DEPENDENDO DO USO QUE TERÁ O ESPAÇO. COMO EVITOU-SE DEFINIR UM USO ESPECÍFICO PARA CADA ESPAÇO INTERNO, FOCANDO NA PARTE DE ORGANIZAÇÃO DOS MESMOS, CRIOU-SE UMA CLASSIFICAÇÃO PARA ELES: ESPAÇOS NICHO, ESPAÇO PARA O USO EXTERNO E ESPAÇOS DE PASSAGEM.


AMBIENTES DE USO EXTERNO: AQUELES CUJO USO INDEPENDE DA FUNÇÃO ESPECÍFICA DO EDIFÍCIO, PODE SER POR EXEMPLO: BANHEIROS PÚBLICOS, RESTAURANTES, CAFÉS, BANCAS DE REVISTA, ENTRE OUTROS. OPÇÃO POR USAR GRANDES ABERTURAS NA PELE DO EDIFÍCIO PARA QUE AS PESSOAS POSSAM IDENTIFICAR FACILMENTE DE FORA ESSES SERVIÇOS. ESPAÇOS DE PASSAGEM: SÃO AQUELES EM QUE A CIRCULAÇÃO É INTENSA, PORTANTO, AS ATIVIDADES AÍ REALIZADAS DEVEM TER EM MENTE A QUESTÃO DO PASSAGEIRO, DO EFÊMERO, TRATA-SE DE UM ESPAÇO EM CONSTANTE MOVIMENTO E MUDANÇA. USO DE ABERTURAS MEDIANAS NA PELE.

AÇOES PROJETUAIS_TOCA

AMBIENTES NICHO: AMBIENTE DE USO MAIS RESTRITO E ESPECÍFICO, PORTANTO A ILUMINAÇÃO NÃO É TÃO FORTE (PELE MENOS POROSA) A FIM DE NÃO ATRAPALHAR A ATIVIDADE QUE ALI SERÁ REALIZADA.


AÇÕES PROJETUAIS_EIXO SUBTERRÂNEO

COM APROXIMADAMENTE 100M DE EXTENSÃO, O OBJETIVO DO EIXO SUBTERRÂNEO É PROVOCAR UMA SENSAÇÃO SIMBÓLICA DE OPRESSÃO NOS USUÁRIOS, OPRESSÃO ESSA QUE A CIDADE EXERCE SOBRE AS PESSOAS E O MEIO AMBIENTE. ALÉM DISSO, BUSCA-SE A EXPERIÊNCIA DE SE VIVER EMBAIXO DA TERRA, COMO CARANGUEJO. O USO DE UMA MEIA LUZ ARTIFICIAL E PÉ-DIREITO MAIS BAIXO CRIA UM AMBIENTTE ESCURO E QUASE QUE SOMBRIO POR ONDE OS USUÁRIOS PERCORREM ATÉ ENCONTAR A ESTRUTURA SUSPENSA, QUE SE ABRE PARA A LUZ.


IDÉIA 2: PARTINDO PARA A SOLUÇÃO DA ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL, UMA DAS POSSIBILIDADES É CRIAR NAS LATERAIS NICHOS PARA RECEBER A ILUMINAÇÃO

IDÉIA 3: UMA OUTRA POSSIBILIDADE É LEVANTAR O PISO PARA QUE A ILUMINAÇÃO CORRA EMBAIXO DO MESMO, PROPICIANDO UMA ILUMINAÇÃO INDIRETA.

AÇÕES PROJETUAIS_EIXO SUBTERRÂNEO

IDÉIA 1: INICIALMENTE, PENSOU-SE NUMA ILUMINAÇÃO NATURAL ZENITAL, ATRAVÉS DE RASGOS NO TETO, LEMBRANDO AS FRESTAS DAS PINGUELAS QUE LEVAM ÀS PALAFITAS. DESTAS FRESTAS, SERIA POSSÍVEL VER E OUVIR OS CARROS PASSANDO. ENTRETANDO, O MEDO E O SENTIMENTO DE OPRESSÃO DEVERIAM SER SIMBÓLICOS, PORQUE SENÃO PODERIA AFASTAR AS PESSOAS DO PROJETO. POR ISSO, TAL OPÇÃO FOI DESCARTADA


AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

UMA DAS PREMISSAS DO PROJETO DA ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA ERA QUE ELA TIVESSE UMA CONTINUIDADE COM A RAMPA DE CIRCULAÇÃO DA PRAÇA, ADENTRANDO PELA BAÍA COMO SE AS RAÍZES DO MANGUEZAL ESTIVESSEM EMERGINDO DA ÁGUA, INCORPORANDO A MESMA LINGUAGEM FORMAL DA PRAÇA. ADEMAIS, O EDIFÍCIO DEVERIA SER A PEÇA DE MAIOR DESTAQUE VISUAL DENTRE AS TRÊS PARTES QUE COMPÕEM O PROJETO DEVIDO A SUA POSIÇÃO PRIVILEGIADO QUANTO À VISUAIS.


ASSIM, PRIMEIRO TRAÇOU-SE RETAS A PARTIR DA PRAÇA PARA QUE ESSA NOVA ESTRUTURA FOSSE UM PROLONGAMENTO DA ANTERIOR. EM SEGUIDA, FORAM OBSERVADOS TRÊS PONTOS DE INTERESSE DA VISÃO: A PEDRA DO PENEDO / PORTO DE VITÓRIA (LINHA DA ESQUERDA); UMA ÁREA ONDE BARCOS DE PESCADORES SÃO ATRACADOS E RESQUÍCIOS DE PALAFITAS SÃO ENCONTRADAS (LINHA DA DIREITA); E UM PRÉDIO HISTÓRICO QUE HOJE É UMA RUÍNA E QUE JÁ FOI UM PRESÍDIO (LINHA CENTRAL). A PARTIR DO ENCONTRO DESTAS TRÊS LINHAS DE MIRADA SURGE A FORMA INICIAL E POSICIONAMENTO ESPACIAL DO PROJETO: UMA ESTRUTURA TRIÂNGULAR

AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

O PROJETO DA ESTRUTURA SUSPENSA TEVE INÍCIO COM A DEFINIÇÃO DE LINHAS DE FORÇA PARA ESSA ÁREA. E PARA ESTA PARTE DO PROJETO A FORÇA SEM DÚVIDA ESTARIA NOS PONTOS DE MIRADA QUE A PAISAGEM DA BAÍA OFERECE.


AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

“quebra os nossos hábitos espaciais espaciais: direita-esquerda, anverso e reverso, etc. ela nos faz viver a experiência de um tempo sem limite e de um espaço contínuo.” lygia clark sobre a fita de moebius.

EMBORA A FITA DE MOEBIUS NÃO SE REFLITA FISICAMENTE NO PROJETO, ALGUMAS SOLUÇÕES PROJETUAIS ADVÊM DESSA IDÉIA DE UM PERCURSO LINEAR E DE UM ESPAÇO CONTÍNUO EM QUE O USUÁRIO PERDE A REFERÊNCIA ESPACIAL, NUM CAMINHAR PERDIDO. SÃO APENAS AS VISUAIS DE INTERESSE PARA A BAHIA QUE CRIAM PONTOS ESTRATÉGICOS PARA O USUÁRIO SE LOCALIZAR NO PROJETO. DESSA FORMA, A OBRA DE ARTE É TANTO UM CONSTRUCTO DO HOMEM, QUANTO UMA VISUAL DA NATUREZA, ADMITINDO NESSE SENTIDO UM QUÊ CONTEMPLATIVO.

“nesse ato de se experenciar um espaço sem avesso ou direito, frente ou verso, apenas pelo prazer de percorrê-lo (...) você realiza uma obra multiplo de arte” lygia clark


OUTRO PONTO IMPORTANTE A SER RESSALTADO JÁ NESSA FIGURA É A IMPORTÂNCIA DADA AO PROCESSO DE SUBIDA E DESCIDA DA MARÉ, QUE PODE SER SENTIDO QUANDO SE ESTÁ NA PRAÇA VAZADA OU DA PONTA DO PROJETO QUE NÃO TOCA A ÁGUA.

AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

COMO SE OBSERVA A PARTIR DO ESBOÇO AO LADO, FICA CLARA QUE A OCUPAÇÃO E USO DA ESTRUTURA SE DÁ EM SEU PERÍMETRO (A IDÉIA DE ARQUITETURA COMO PERCURSO), VISTO QUE MANTÉM O CARÁTER DE FITA, ENTRETANTO, OLHANDO A CONSTRUÇÃO COMO UM TODO ELA APARENTA SER ROBUSTA E SE DESTACA NA PAISAGEM.


AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

O TRABALHO DAS ABERTURAS PARA AS VISUAIS, LINHAS DE FORÇA DO EDIFÍCIO. VALE NOTAR QUE, MESMO ONDE AS PAREDES SÃO CEGAS ACONTECE A APLICAÇÃO DA PELE VAZADA, DANDO UMA UNIDADE AO TODO.


AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

PRAÇA INTERNA VAZADA: O REGIME DAS MARÉS IDÉIA 2: CADA PATAMAR TERIA UM PROLONGAMENTO DO PISO INTERNO QUE GERAM PRAÇAS MENORES VAZADAS EM TODOS OS ANDARES. CONTUDO, A SOBREPOSIÇÃO DESSAS PEQUENAS PRAÇAS TAMBÉM RESULTA NO TRIÂNGULO ORIGINAL, PONTO DE PARTIDA PARA A ESTRUTURA SUSPENSA.

IDÉIA 1: UMA GRANDE E ÚNICA PRAÇA VAZADA CONFORMANDO O TRIÂNGULO INICIAL OBTIDO ATRAVÉS DAS LINHAS DE FORÇA, ORIUNDAS DOS PONTOS DE MIRADAS.


O PROJETO_IMPLANTAÇÃO

IMPLANTAÇÃO GERAL DO PROJETO ESC.: 1:200, COM PRAÇA E A ESTRUTURA SUSPENSA.


O PROJETO_PLANTA TÉRREO PRAÇA


O PROJETO_PLANTA SUBSOLO PRAÇA


O PROJETO_ELEVAÇÃO ELEVAÇÃO DA PRAÇA ESC.: 1:1000

ELEVAÇÃO COM PRAÇA E ESTRUTURA SUSPENSA ESC.: 1:1000


O PROJETO_CORTE PRAÇA

O CORTE EM ESCALA 1:200 DA PRAÇA DEIXA À MOSTRA ALGUMAS DAS IDÉIAS APRESENTADAS ANTERIORMENTE: TODA A FORMA DO PRÉDIO QUE USA A GEOMETRIA COMPLEXA, A RAMPA QUE PERCORRE TODA A COBERTURA DO EDIFÍCIO, O ACESSO AO SUBSOLO PELO CANTO DIREITO DA PRAÇA, O USO DO SUBSOLO POR ALGUNS AMBIENTES E OUTROS NÃO.


ADEMAIS, É NOTÁVEL O PROLONGAMENTO DA TRAMA EM PELE DO EDIFÍCIO ATÉ O ENCONTRO COM O MAR, LEMBRANDO AS RAÍZES DO MANGUE, ALÉM DE ADMITIR AS MUDANÇAS DO REGIME DA MARÉ.

O PROJETO_CORTE ESTRUTURA SUSPENSA

O CORTE EM ESCALA 1:200 DA ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA DE VITÓRIA DEIXA À MOSTRA ALGUMAS DAS IDÉIAS APRESENTADAS ANTERIORMENTE: A PRAÇA VAZADA, A OCUPAÇÃO PERIMETRAL DO PRÉDIO.


MAQUETE


MAQUETE


MAQUETE


MAQUETE estudo do espaรงo interno - labirinto


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, MAURÍCIO DE ALMEIDA. SOBRE MEMÓRIA DAS CIDADES. REVISTA DA FACULDADE DE LETRAS - GEOGRAFIA I SÉRIE, PORTO, VOL. XIV, P. 77-97, 1998. CERÁVOLO, ANA LÚCIA. INTERPRETAÇÕES DO PATRIMÔNIO: ARQUITETURA E URBANISMO NA CONSTITUIÇÃO DE UMA CULTURA DE INTERVENÇÃO NO BRASIL, ANOS 1930-60. 2010. TESE (DOUTORADO) - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS, SÃO CARLOS, 2010. FREIRE, MALLY TEIXEIRA. “OCUPAR, RESISTIR, CONSTRUIR E MORAR”: MANGUEZAL BERÇÁRIO DE MEMÓRIAS. 2010. TESE (MESTRADO EM PSICOLOGIA INSTITUCIONAL) - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, VITÓRIA, 2010. NORA, PIERRE. ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA: A PROBLEMÁTICA DOS LUGARES. PARIS, 1984. NUNES, ANDRÉ GUSTAVO ALVES. OS ARGONAUTAS DO MANGUE: UMA ETNOGRAFIA VISUAL DOS CARANGUEJEROS DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA - ES. 1998. TESE (MESTRADO EM MULTIMEIOS) - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, INSTITUTO DE ARTES, CAMPINAS, 1998.


Caderno tgi i final