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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP - CAMPUS DE SÃO CARLOS INSTITUTO DE ARQUITETURA E URBANISMO - IAU NOVEMBRO DE 2013

TRABALHO DE GRADUAÇÃO INTEGRADO II NATHÁLIA WERNERSBACH CHAGAS


AGRADECIMENTOS

AOS PROFESSORES QUE ME AJUDARAM NESSA CAMINHADA E ME ORIENTARAM COM O OBJETIVO DE ALCANÇAR UM PROCESSO PROJETUAL ENRIQUECEDOR QUE RESULTASSE EM UM PRODUTO FINAL QUE FOSSE FRUTO DE UM PENSAMENTO CRÍTICO E EXPLORATÓRIO. UM AGRADECIMENTO ESPECIAL À: PAULO CESAR CASTRAL, TELMA DE BARROS CORREIA, LUCIANO BERNARDINO DA COSTA, CARLOS R. M. DE ANDRADE, LUCIANA BONGIOVANNI M. SCHENK, SIMONE HELENE T. VIZIOLI, JOUBERT JOSÉ LANCHA, LUCIA ZANIN SHIMBO E FRANCISCO SALES T. FILHO. À MINHA FAMÍLIA, PELA MINHA VIDA, POR ME DAR FORÇAS E ME APOIAR NOS MOMENTOS DIFÍCEIS, EM PARTICULAR MINHA QUERIDA MÃE, POIS SEM ELA NÃO TERIA CHEGADO ONDE EU CHEGUEI. AO MEU NAMORADO, POR ME AMAR, ME COMPREENDER, ME OUVIR E ME ACALMAR.


ÍNDICE INTRODUÇÃO

01

PRÉ - TGI

03

ABORDAGEM CONCEITUAL

05

LEITURAS DO MANGUEZAL

07

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

15

A CIDADE DE VITÓRIA E SEUS ATERROS 21 ÁREA DE PROJETO

24

FOTOS LEVANTAMENTO 29 AÇÕES PROJETUAIS O PROJETO

33

55

INFILTRAÇÕES 79 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 88


“Inicialmente, é preciso ter vontade de memória” Pierre Nora


INTRODUÇÃO

SEM TENTAR RECONSTITUIR UM PASSADO, DADO O RISCO DO ANACRONISMO ENTRE ESTÉTICA E TÉCNICA E DE ERIGIR O ‘FALSO’ COMO PRINCÍPIO, COMO DIZIA LE CORBUSIER A RESPEITO DA VENERAÇÃO AO PASSADO, MAS TAMBÉM NA RECUSA DA TÁBULA RASA MODERNA COMO PROPOSTA IDEAL PARA A CONSTRUÇÃO DA CIDADE, DEVIDO A SUA ATITUDE RADICAL E ANTI-HISTORICISTA, O OBJETO DE PROJETO DESTE TGI II SURGE DA VONTADE DE SE TESTEMUNHAR UMA MEMÓRIA AINDA MUITO VIVA E PARTICULAR, DADA SUA LIGAÇÃO COM UM ECOSSISTEMA ESPECÍFICO: O MANGUEZAL. A QUESTÃO TRAZIDA PELO PROJETO SE ENQUADRA NA CHAVE DO PATRIMÔNIO IMATERIAL OU INTANGÍVEL, AQUELE QUE TRATA NÃO MAIS DAS OBRAS DE EXCEPCIONAL IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E ARTÍSTICA, OU SEJA, OS MONUMENTOS, MAS SIM DAS TRADIÇÕES, DAS EXPERIÊNCIAS E DAS MANIFESTAÇÕES PRESENTES NA MEMÓRIA COLETIVA E QUE ADQUIRIRAM SIGNIFICAÇÃO CULTURAL COM O PASSAR DO TEMPO, OS CHAMADOS SABERES DO SILÊNCIO DE QUE FALA PIERRE NORA. SABERES ESTES QUE DÃO A UMA COMUNIDADE A NOÇÃO DE PERTENCIMENTO AO LUGAR, OU SEJA, DE UMA IDENTIFICAÇÃO ENTRE O HOMEM E O LOCAL EM QUE HABITA, ROMPENDO COM A IDÉIA DE UMA HOMOGENEIZAÇÃO DO ESPAÇO E BUSCANDO UMA INDIVIDUALIDADE NOS LUGARES, DIFERENCIANDO UM DOS DEMAIS.

EMBORA JÁ MUITO DESTRUíDO PELA AÇÃO ANTRÓPICA, O MANGUEZAL AINDA MANTÉM IMAGENS E COSTUMES MUITO FORTES NA CULTURA POPULAR E NA MEMÓRIA COLETIVA DAQUELES QUE O EXPERENCIARAM e o experienciam DE MANEIRA DIRETA OU INDIRETA.

01

“quando os lugares familiares retornam e reocupam o lugar primitivo, do mesmo modo aparentemente fortuito, aquele ser perdido no espaço descobrese em casa, e descobre ao mesmo tempo o lugar perdido.” (poulet, 1992 )


INTRODUÇÃO

“o cruzar e o entrecruzar de histórias foram tecidas e erigidas entre as raízes torcidas e reptantes do mangue, que com suas garras serviram de esteio (palafitas) que sustentaram e sustentam até hoje a memória desses sujeitos, revelando a força, a potência e a ética na construção do bairro-mangue emergido da cadeia de necessidades” (mally teixeira freire, 2010) isso porque, além de se tratar de uma FONTE DE SUSTENTO para comunidades ribeirinhas, o manguezal é, sobretudo, ELEMENTO FORMADOR DA PAISAGEm. A LAMA, O ANDAR DO CARANGUEJO, A PRODUÇÃO DAS PANELAS DE BARRO, AS PINGUELAS QUE LEVAM ÀS PALAFITAS, BEM COMO AS RAÍZES EXPOSTAS DO MANGUEZAL ESTARÃO SEMPRE ASSOCIADOS A ESTE ECOSSISTEMA. DESTE MODO, ENTENDENDO QUE O PASSADO NÃO SE CONSERVA, MAS É OBJETO DE UMA RECONSTRUÇÃO SEMPRE RECOMEÇADA, CONFORME LE PETIT, VISA-SE, PORTANTO, TRADUZIR AO INVÉS DE TRANSCREVER OS SIGNIFICADOS SIMBÓLICOS DESTAS IMAGENS, A PARTIR DE LEITURAS FEITAS LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO ESSE ECOSSISTEMA EM PARTICULAR, COMPREENDENDO PARA TANTO SUA PLÁSTICA, PARA QUE ENTÃO SE PRODUZISSE UM EDIFÍCIO PÚBLICO DE TECTÔNICA CONTEMPORÂNEA QUE COMBINASSE RACIONALIDADE TÉCNICA E MEMÓRIA SUBJETIVA, NUMA NATUREZA HÍBRIDA ENTRE TRADIÇÃO E CONTEMPORANEIDADE.

02

“a síntese entre preservação do passado e o atendimento às necessidades contemporâneas é, em si mesmo, uma arte”. (paulo ormindo de azevedo, 2005) POR FIM, A PRERROGATIVA DO PRODUTO FINAL NÃO É DE UMA REMEMORAÇÃO OU DE UM SAUDOSISMO, MAS DE PROPOR UMA EXPERIÊNCIA ESTÉTICA A UM USUÁRIO QUE SE ACOSTUMOU A UMA NOVA DINÂMICA EM QUE O EFÊMERO E O PASSAGEIRO SÃO PALAVRAS DE ORDEM. O INTUITO NÃO É DE QUE O INDIVÍDUO NECESSARIAMENTE VEJA O MANGUE NO PROJETO, VISTO QUE AS SOLUÇÕES ARQUITETÔNICAS NÃO SÃO LITERAIS, MAS RESIDEM NO CAMPO DO METÁFORICO, MAS BASTA A ESSA ALUNA DE TGI QUE OS USUÁRIOS SE PERMITAM SENTIR, PERCEPER E FRUIR.


03

PRÉ-TGI


PRÉ-TGI É IMPORTANTE OBSERVAR QUE ALGUNS DOS CONCEITOS E DISCUSSÕES DESENVOLVIDOS NO OBJETO SÍNTESE DA DISCIPLINA DE PRÉ - TGI FORAM FUNDAMENTAIS PARA EMBASAR ESSE PROCESSO PROJETUAL. ALGUMAS QUESTÕES JÁ ESTAVAM PRESENTES NESSE MOMENTO, POR EXEMPLO: COMO SER MODERNO ADMITINDO UM CONTEXTO ESTABELECIDO? E A FORÇA DAS TRADIÇÕES? COMO COMBINAR O ANTIGO E O NOVO, A TRADIÇÃO E A CONTEMPORANEIDADE?

04

ESSAS DILEMÁTICAS FUNCIONARAM COMO MOTORES PROPULSORES PARA A CRIAÇÃO DO OBJETO SÍNTESE DA DISCIPLINA, QUE CONSISTIU EM UMA PEQUENA CAIXA DE ACRÍLICO TRANSPARENTE DENTRO DA QUAL SE DISPUNHAM PREGOS E ALFINETES MANIPULADOS EXTERNAMENTE ATRAVÉS DE UM IMÃ. A INTENÇÃO ERA GERAR UMA GAMA DE POSSIBILIDADES DE CRUZAMENTO E DE COMBINAÇÃO DE DOIS MATERIAS QUE PROCURAVAM SIMBOLIZAR O ANTIGO E O NOVO. O IMPORTANTE NA EXPERIÊNCIA DE MANIPULAR O IMÃ, INCORPORANDO A IDÉIA DO DINÂMICO, ERA QUE, EM NENHUM MOMENTO AS PARTES PER-

DIAM SEU VALOR, NEM MESMO SUAS PROPRIEDADES, DE MODO QUE ELAS NÃO SE TRANSFORMAVAM, MAS SE JUSTAPUNHAM, DE FORMA QUE, A QUALQUER MOMENTO AS PARTES PODERIAM SER IDENTIFICÁVEIS E DISTINGUÍVEIS NO TODO. OBJETIVOU-SE, COMO ISSO, PROVOCAR UMA INDAGAÇÃO: POR QUÊ A ARQUITETURA DEVE SEMPRE OPTAR POR UM CAMINHO OU OUTRO? PORQUE NÃO UNIR AO INVÉS DE EXCLUIR? CHEGA-SE AÍ A UMA CONCLUSÃO IMPORTANTE, UMA ESPÉCIE DE CARTA DE INTENÇÕES: PREFIRO O “E” AO INVÉS DO “OU”, AO INVÉS DE DIVERGIR MELHOR CONFLUIR. ARQUITETURA É O NÓ, A COMBINAÇÃO DE ELEMENTOS QUE À PRIMEIRA VISTA PARECEM INCORRELACIONÁVEIS: ELEMENTOS LOCAIS (HABITABILIDADE LOCAL) E TÉCNICAS PROJETUAIS MODERNAS, TÁTIL E VISÍVEL, SENSIBILIDADE E SENTIMENTALISMO. DESSA FORMA, A NECESSIDADE DE SE INCORPORAR A NATUREZA HÍBRIDA E COMPLEXA DA TRADIÇÃO JUNTAMENTE COM A CULTURA CONTEMPORÂNEA ERA TIDA COMO ÍMPAR NAS ANÁLISES DE PRÉTGI E VOLTA EM TGI II COMO QUESTÃO PRIMORDIAL.


segundo halbwachs, é um conjunto de lembranças construídas socialmente e referenciadas a um conjunto que transcende o indivíduo. para ele, a capacidade de se lembrar é determinada, não pela aderência de um indivíduo a um determinado espaço, mas pela aderência do grupo do qual ele faz parte àquele mesmo espaço. lembrando que memória difere-se de história, visto que, esta última é, para pierre nora, a reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais, é sempre uma representação do passado, enquanto a memória é sempre plural e solidária, uma vez que há tantas memórias quanto grupos existentes. GENIUS LOCI OU ESPÍRITO DO LUGAR

MEMÓRIA URBANA E ESPONTÂNEA

PATRIMÔNIO IMATERIAL OU INTANGÍVEL

considerado pelos gregos como o deus ou guardião que existe em cada lugar. conforme sharp: “ a city has the same right as a humam patient to be regarded as an individual requiring personal attention (...) the good plan is that which will fulfill the struggle of the place to be itself.” já norberg-schulz’s considera o lugar algo além do que um simples espaço, “o lugar é a concreta manifestação do habitar humano”

elemento essencial da identidade de um lugar, locus do coletivo, trata-se do estoque de lembranças do modo de vida urbano per si, memória esta que é espontânea por estar em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento visto que é carregada por grupos vivos, mantendo-se sempre atual, um elo vivido no eterno presente.

a preservação se destina “não mais às obras de excepcional importância artística, (...) mas também a todos os bens que (...) com o tempo adquiriram significação cultural” (carta de veneza). abrange, portanto, tradições, folclores e outras manisfestações, os chamados saberes do silêncio, conforme pierre nora.

ABORDAGEM CONCEITUAL

QUE VONTADE DE MEMÓRIA TESTEMUNHAR ?

MEMÓRIA COLETIVA

05

segundo pierre nora, os lugares de memória são lugares em uma tríplice acepção: lugares materiais onde a memória social se ancora e pode ser apreendida pelos sentidos; lugares funcionais porque têm ou adquiriram a função de alicerçar memórias coletivas e lugares simbólicos onde essa memória coletiva se expressa e se revela. são, portanto, lugares carregados de uma vontade de memória.


COMO TESTEMUNHAR?

ABORDAGEM CONCEITUAL

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CRIANDO

DE MANEIRA SIMBÓLICA

E NATUREZA HÍBRIDA

LUGARES DOMINADOS

não se trata de restaurar nem de revitalizar, busca-se a criação de um novo edifício público que seja capaz de traduzir a memória de uma cultura.

projetar para que o usuário experiencie de maneira tátil e visual aquilo que é representativo de uma memória

complementaridade entre racionalidade técnica e irracionalidade da estrutura simbólica. ou seja: tectônica contemporânea+memória.

são lugares de refúgio, o santuário das fidelidades expontâneas e das peregrinações em silêncio. é o coração vivo da memória. são lugares, com efeito nos três sentidos da palavra, material, simbólico e funcional, simultaneamente.


LEITURAS DO MANGUEZAL

CARANGUEJO DO MANGUE OU UÇA CASCO DO MANGUE VERMELHO

07

FLOR DA RHIZOPHORA MANGLE MANGUE VERMELHO OU RHIZOPHORA MANGLE

BROMÉLIA DO MANGUE

ARATU

ENTRETANTO, A COR QUE MAIS NOS CHAMA A ATENÇÃO, DEVIDO A SUA PRESENÇA TANTO EM EXEMPLARES DA FAUNA QUANTO DA FLORA DESSE ECOSSISTEMA, É O VERMELHO, OU TONS AVERMELHADOS. O MANGUE VERMELHO, OU RHIZOPHORA MANGLE, ESPÉCIE EXCLUSIVA DO MANGUEZAL E UMA DAS ÁRVORES DE MAIS FÁCIL RECONHECIMENTO, RECEBE ESSE NOME DEVIDO À COR AVERMELHADA DE SEU CASCO, ALÉM DELA, MUITAS BROMÉLIAS APRESENTAM ESSA TONALIDADE MARCANTE. POR ÚLTIMO, NÃO PODEMOS ESQUECER DOS REPRESENTANTES DE SUA FAUNA QUE CARREGAM A COR AVERMELHADA: O CARANGUEJO DO MANGUE OU UÇÁ (ALGUNS TÊM UMA TONALIDADE ARROXEADA), IMPORTANTE AO SUSTENTO DAS COMUNIDADES QUE VIVEM DA SUA CATA E O ARATU, UM POUCO MENOR QUE O UÇA.

BROMÉLIA DO MANGUE

ALÉM DOS TONS DE VERDE DE SUA FLORA E DO PRETO CARACTERÍSTICO DE SEU SOLO LODOSO, SE ANALISARMOS COM MAIS ATENÇÃO A PAISAGEM DO MANGUEZAL, VERIFICAREMOS A PRESENÇA DE TONALIDADES FORTES E MARCANTES, COMO O AMARELO DO HIBISCO DO MANGUE E DA FLOR DA RHIZOPHORA MANGLE.

HIBISCO DO MANGUE

AS CORES


LEITURAS DO MANGUEZAL

CAMINHAR A ESMO DESDE AS GRANDES METRÓPOLES AOS MENORES AGLOMERADOS POPULACIONAIS TÊM POR UMA DE SUAS CARACTERÍSTICAS A EXISTÊNCIA DE MARCOS OU PONTOS REFERENCIAIS QUE NORTEIAM ESPACIALMENTE O INDIVÍDUO QUE A HABITA.

08

ISSO PORQUE É O HOMEM QUE CONSTRÓI A NECESSIDADE DE SE CRIAR MONUMENTOS, MOBILIZADORES DE MEMÓRIA, AFIRMADORES DE IDENTIDADE OU APENAS UM SÍMBOLO NA PAISAGEM. SEGUNDO GIEDION (1944), “LOS MONUMENTOS SON LA EXPRESSIÓN DE LAS NECESIDADES CULTURALES MÁS ELEVADAS DEL HOMBRE. DEBEN SATISFACER LA ETERNA NECESIDAD HUMANA DE SÍMBOLOS QUE TRADUZCAN O EXPRESEN LA FUERZA COLECTIVA”. O AMBIENTE NATURAL, COMO É O CASO DO MANGUEZAL, AO CONTRÁRIO, DEVIDO À INEXISTÊNCIA DE MARCOS NOS PRESENTEIA COM UM CAMINHAR A ESMO, SEM DIREÇÃO, PROVOCANDO NO HOMEM UM SENTIMENTO DE ESTAR PERDIDO, O QUE GARANTE UMA FRUIÇÃO E DELEITE DO ESPAÇO DIFERENTE DA ACOSTUMADA, UMA VEZ QUE ENVOLVE UM OUTRO TEMPO DE APRECIAÇÃO.

A RIQUEZA DO QUE NÃO SE VÊ TALVEZ A MAIOR RIQUEZA DO MANGUEZAL NÃO ESTEJA NAQUILO QUE SE VÊ SOBRE O SOLO, SOBRE A ÁGUA SALOBRA, ISSO PORQUE, MAIS DO QUE SUA FAUNA E SUA FLORA, A IMPORTÃNCIA DESSE ECOSSISTEMA ENCONTRA-SE DENTRO DA LAMA E DO LODO. EMBORA SEU SOLO POSSUA BAIXÍSSIMA CONCENTRAÇÃO DE OXIGÊNIO E ELEVADAS TAXAS DE SALINIDADE, A VIDA DO MANGUEZAL É GARANTIDA PELA GRANDE DEPOSIÇÃO DE MATÉRIA ORGÃNICA (TURFA), SOBRETUDO PROTEÍNAS, EM SEU SUBSOLO, ALÉM DE SER NELE ONDE PASSAM AS CORRENTES QUE PERMITEM AS TROCAS E O ELO ENTRE DUAS CADEIAS ALIMENTARES: UMA PROVENIENTE DO MAR E OUTRA DOS RIOS. ASSIM, MAIS DO QUE O QUE ESTÁ EM CIMA, É O QUE ESTÁ EMBAIXO QUE SE TORNA IMPRESCINDÍVEL PARA A DINÂMICA DESSE ESPAÇO.


COMO É SABIDO, O MANGUEZAL É RESULTANTE DO ENCONTRO DA ÁGUA SALGADA DO MAR COM OS SEDIMENTOS PROVENIENTES DOS RIOS, DESSA FORMA, ESSA TRANSIÇÃO ENTRE AMBIENTE MARINHO E AMBIENTE TERRESTRE CARACTERIZA SEU ESTUÁRIO E DIFERENCIA ESSE ECOSSISTEMA DOS DEMAIS. PORTANTO, É RELEVANTE A PRESENÇA DESSES DOIS ELEMENTOS, TERRA E ÁGUA, COMO FORMADORES DESSA PAISAGEM.

LEITURAS DO MANGUEZAL

ENTRE TERRA E MAR: O SOBE E DESCE DA MARÉ

ALÉM DISSO, TENDO EM VISTA QUE O MANGUEZAL PODE SER ENCONTRADO EM ZONAS COSTEIRAS, SOBRETUDO DE BAÍA CALMA ONDE DESEMBOCAM ESTUÁRIOS FLUVIAIS, O REGIME DE MARÉS É FUNDAMENTAL PARA A DINÂMICA E O CICLO DE VIDA DESSE AMBIENTE, UMA VEZ QUE GRANDE PARTE DE SUA FAUNA SE PORTA DE FORMA DIFERENCIADA QUANDO A MARÉ SOBE OU DESCE. O CARNGUEJO, POR EXEMPLO, SE REFUGIA NA MARÉ ALTA E SAI PARA SE ALIMENTAR E ACASALAR NA MARÉ BAIXA. VALE LEMBRAR QUE O SOLO DO MANGUEZAL É LAVADO, OU SEJA, SOFRE COM O FLUXO E REFLUXO DA MARÉ DUAS VEZES POR DIA, DEIXANDO À MOSTRA, POR VEZES, E ENCHARCADO, POR OUTRAS, O TERRENO LAMACENTO. ESSE DINAMISMO HORIZONTAL E VERTICAL DE UM AMBIENTE QUE ORA SE EXPANDE, ORA SE RECOLHE, QUE SOBE E DESCE INTERESSA.

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DINÂMICA VERTICAL E HORIZONTAL

MARÉ BAIXA

MARÉ ALTA

“no mangue, o terreno não é de ninguém. é da maré. quando ela enche, se avoluma e se estira, alaga a terra toda, mas quando ela baixa e se encolhe, deixa descobertos os calombos mais altos. nestes calombos de terra levantam os retirantes seus mocambos com as paredes de varas de mangue entrelaçadas e de lama amassada.”


TANTO O HOMEM QUANTO VÁRIOS ANIMAIS USAM O MANGUEZAL COMO ABRIGO. POR SE TRATAR DE UM AMBIENTE ALAGADIÇO QUE SOFRE COM O REGIME DAS MARÉS, A SOLUÇÃO FOI OPTAR POR UMA CONSTRUÇÃO AFASTADA DO SOLO, INSTÁVEL E ENXARCADO, UMA HABITAÇÃO SUSPENSA POR ESTACAS DE MADEIRA, EVITANDO QUE FOSSE ARRASTADA PELA SUBIDA E DESCIDA DA ÁGUA, SOLUÇÃO ESSA QUE É CONHECIDA COMO PALAFITA. É INTERESSANTE OBSERVAR A PLÁSTICA DESSA EDIFICAÇÃO, COMO UM GRANDE VOLUME CHEGA E SE ESTABILIZA NO SOLO DE MODO DELICADO E QUASE FRÁGIL, ATRAVÉS DE LINHAS QUE TOCAM O SOLO E QUE SÃO RESPONSÁVEIS PELA SUSTENTAÇÃO DO TODO.

ABRIGO SOBRE

SE O HOMEM OCUPA SOBRE A TERRA, O CARANGUEJO ESCAVA SOB ELA, SE ENFIA E SE AFUNDA NA TERRA, CONSTRUINDO SUA PRÓPRIA TOCA, QUE PODE CHEGAR DE 60 ATÉ 180CM DE PROFUNDIDADE, CRIANDO UMA ESPÉCIE DE GALERIA PARA SEU REFÚGIO.

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PALAFITAS E PINGUELAS

ABRIGO SOB

LEITURAS DO MANGUEZAL

REFÚGIO SOBRE E SOB

ENTREVER E GUIAR AS PINGUELAS SÃO PASSARELAS IMPROVISADAS QUE PERMITEM O ACESSO ÀS PALAFITAS DO MANGUE. EM VERDADE, FUNCIONAM COMO UMA RUA SUSPENSA QUE ORIENTA E LIMITA O CAMINHAR DO INDIVÍDUO, MAS QUE TEM O SEU PERCURSO RAMIFICADO CONFORME VÃO SURGINDO NOVAS DEMANDAS POR ACESSO. OUTRO PONTO INTERESSANTE DAS PINGUELAS É QUE, EMBORA GUIEM O PASSEIO, PELO FATO DA MAIORIA SEREM FEITAS COM TÁBUAS DE MADEIRA, ELAS SEMPRE PERMITEM QUE O USUÁRIO ENTREVEJA O QUE ESTÁ EMBAIXO, ORA ÁGUA, ORA LAMA, MAS SEM GARANTIR UMA VISÃO DA TOTALIDADE, ELA É SEMPRE PARCIAL DEVIDO ÀS FRESTAS PRESENTES NO PISO.


LEITURAS DO MANGUEZAL

FAIXAS DOS GRADIENTES DE LUZ E FORMAS

GRADIENTES É INTERESSANTE OBSERVAR COMO A IMAGEM FORMADA POR UM CONJUNTO DE ÁRVORES DO MANGUEZAL PODE SER DIVIDIDA EM TRÊS ZONAS OU FAIXAS COM CARACTERÍSTICAS PLÁSTICAS DISTINTAS. A PRIMEIRA DELAS SE CONSTITUI PELA COPA DAS ÁRVORES EM QUE A MASSA VEGETAL CRIA UM VOLUME FECHADO, NA QUAL A ENTRADA DE LUZ É LIMITADA, PREDOMINANDO O ESCURO.

POR ÚLTIMO, TEM-SE A FAIXA COMPOSTA PELO CONJUNTO DE RAÍZES ESCORAS QUE SALTAM POR SOBRE A ÁGUA E AJUDAM NA SUSTENTAÇÃO DOS TRONCOS E ATUAM NA RESPIRAÇÃO. AÍ O OLHAR ATENTO FORMA PLANOS DEVIDO ÀS CAMADAS DE ARCOS DAS ESCORAS QUE SE SOBREPÕEM, CRIANDO UMA ÁREA ONDE A LUZ PENETRA EM ESCALAS.

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A ZONA INTERMEDIÁRIA É FORMADA PELO TRONCO DAS ÁRVORES, LINHAS ESBELTAS QUE PERMITEM AO INDIVÍDUO VER AO LONGE, DE MODO QUE O CLARO GANHA DESTAQUE.


LEITURAS DO MANGUEZAL

SOLIDARIEDADE DA FORMA COMO JÁ CITADO ANTERIORMENTE, UMA DAS ESPÉCIES MAIS REPRESENTATIVA DESSE ECOSSISTEMA É A RHIZOPHORA MANGLE, TAMBÉM CONHECIDA COMO MANGUE VERMELHO OU SAPATEIRO, POIS É ELA QUEM GARANTE AO MANGUEZAL A IMAGEM CARACTERÍSTICA DE UM EMARANHADO DE RAÍZES QUE SE PROJETAM SOBRE O SOLO SALINO. ASSIM, SE ESSA ESPÉCIE É TÃO IMPORTANTE DEVEMOS CONHECÊ-LA BEM, POIS, EM ÚLTIMA INSTÂNCIA, É ELA QUE ESTRUTURA O TODO E CONFERE IDENTIDADE PAISAGÍSTICA AO MANGUEZAL. NESSE SENTIDO, ANALISANDO SUA ESTRUTURA BÁSICA, IDENTIFICA-SE A EXISTÊNCIA DE UM EIXO PRINCIPAL FORMADO PELO TRONCO DA ÁRVORE, O QUAL SE DESDOBRA EM ESTRUTURAS SECUNDÁRIAS OU RAMIFICAÇÕES A PARTIR DE UM NÓ. ESSA ESTRUTURA COMO UM TODO TRABALHA DE MODO SOLIDÁRIO POIS É GRAÇA A ESSES INÚMEROS BRAÇOS QUE SAEM DA ÁGUA E SE SOBREPÕEM QUE É POSSÍVEL A SUSTENTAÇÃO DO EIXO PRINCIPAL. ALÉM DISSO, É RELEVANTE DESTACAR OS VAZIOS ENTRE AS RAMIFICAÇÕES, UM RESPIRO AO EMARANHADO DESORDENADO E CUJO CONTORNO GERAM AS COMPOSIÇÕES GEOMÉTRICAS ORDENADORAS DO TODO QUE SERÁ TRATADA NAS PRÓXIMAS PÁGINAS.

LAYERS E JOGO COM A VISÃO

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AINDA FAZENDO UMA LEITURA DAS RAÍZES DO MANGUE, NOTA-SE QUE O TODO É FORMADO PELA SOBREPOSIÇÃO DAS ESCORAS DE UM NÚMERO INDEFINIDO DE ÁRVORES, QUE, DEVIDO À PROXIMIDADE, ACABAM SUSTENTANDO UMAS ÀS OUTRAS. É COMO SE A PAISAGEM PUDESSE SER DIVIDIDA EM LAYERS, CAMADAS DE RAÍZES, UMAS MAIS À FRENTE, OUTRAS MAIS AO FUNDO, AS QUAIS NORTEIAM O OLHAR, O QUAL NÃO SE DÁ DE MODO LINEAR, MAS DE FORMA QUEBRADA OU PARCIAL, POIS, A CADA NOVA RAIZ QUE SURGE NO CAMPO DE VISÃO, O OLHAR SE DESVIA E SE REDIRECIONA, EM UMA ESPÉCIE DE JOGO COM A VISÃO EM QUE ORA SE VÊ ORA NÃO, EM UM ESPAÇO ONDE O PERCURSO VISUAL É PERMEÁVEL E POROSO.


LEITURAS DO MANGUEZAL

NEURÔNIOS

EMARANHADO DESORDENADO

ORDEM NA DESORDEM QUANDO COMECEI A OBSERVAR AS FOTOS DO MANGUEZAL, O QUE PRIMEIRO ME CHAMOU ATENÇÃO FOI A COMBINAÇÃO OU A JUNÇÃO APARENTEMENTE DESORDENADA DESSAS RAÍZES QUE SE SUSPENDEM DO SOLO LODOSO, ESPALHANDO-SE EM UM EMARANHADO QUE PARECIA SE RAMIFICAR SEM LÓGICA, DE MODO QUE NÃO ERA MAIS POSSÍVEL DISTINGUIR SE DETERMINADA ESCORA VINHA DE UMA ÁRVORE OU DA ADJACENTE À ELA. VIA-SE A FORMAÇÃO DE UM “N” NÚMERO DE LIGAÇÕES E ENCONTROS QUE PARECIA NÃO TER FIM E QUE ME LEMBRAVA MUITO A ESTRUTURA DE UM NEURÔNIO.

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COMPOSIÇÃO GEOMÉTRICA

ENTRETANTO, PASSANDO POR UMA FASE DE MANIPULAÇÃO DAS IMAGENS DO MANGUEZAL E DE DESENHAR POR SOBRE ELAS VISANDO UM ENTENDIMENTO DE SUA LÓGICA, SE É QUE EXISTIA ALGUMA, OU AINDA DE SUA PLÁSTICA, NOTOU-SE QUE, NUMA APARENTE DESORDEM ERA POSSÍVEL NOTAR UMA COMPOSIÇÃO GEOMÉTRICA MUITO FORTE, PELA FORMAÇÃO DE ARCOS E TRIÂGULOS QUE APARECIAM DEVIDO AO PROCESSO DE RAMIFICAÇÃO, O QUE CONFERIA ORDEM AO TODO.


COMPOSIÇÃO 1: PREDOMINÂNICA DO VAZIO

IDENTIFICADO ESSE VEIO DE ORDEM NO TODO, GRAÇAS À REPETIÇÃO CLARA DE FORMAS TRIÂNGULARES QUE SE RAMIFICAM E VÃO SE MULTIPLICANDO, NOTOU-SE SUA SEMELHANÇA COM A ESTRUTURA DE UM FRACTAL GEOMÉTRICO. PARA TANTO, UTILIZOU-SE DE UM PROCESSO DE ABSTRAÇÃO FORMAL, VISTO QUE AS RAÍZES ESCORAS SÃO IRREGULARES E O FRACTAL É RECONHECIDAMENTE UMA ESTRUTURA REGULAR. O FRACTAL É UM OBJETO GEOMÉTRICO QUE PODE SER DIVIDIDO EM PARTES, CADA UMA DAS QUAIS SEMELHANTES AO OBJETO ORIGINAL, DIFERENCIANDO-SE APENAS PELA ESCALA. VALE LEMBRAR QUE ESSE PROCESSO DE DIVISÃO PODE SER REPETIDA INFINITAMENTE A PARTIR DE UM PADRÃO REPETIDO.

COMPOSIÇÃO 2: PREDOMINÂNICA DO CHEIO

LEITURAS DO MANGUEZAL

ORDEM NA DESORDEM

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ENTENDO ESSE CONCEITO, A ALUNA ESPELHOU UM DESENHO DAS RAÍZES ESCORA E A PARTIR DE SUA ABSTRAÇÃO CHEGOU A UM MÓDULO, QUE COMBINADO ENTRE SI GEROU DUAS COMPOSIÇÕES QUE SE UTILIZARAM DA IDÉIA DE CHEIO E VAZIO. O RESULTADO FOI UMA ESPÉCIE DE PELE PERMEÁVEL E POROSA EM DIFERENTE INTENSIDADE, CONFORME ONDE HAVIA SIDO APLICADO O BRANCO E O PRETO.

DESENHO BASE

ESPELHAMENTO

O MÓDULO


o cemitério de igualada é uma verdadeira experiência estética em que o tema da vida e da morte é tratado de maneira sensível e poética, trabalhando a concepção de eterno através de materiais como o concreto, a pedra e o aço que resultam em uma imagem final que remete a uma ruína, em que o passar do tempo se faz presente. interessa aqui o modo como miralles trata o percurso em seu projeto, que guia, mas ao mesmo tempo se bifurca. esse caminhar surge a partir da escavação do terreno, enterrando o cemitério entre as montanhas da catalunha, de modo que esses movimentos de terra geram os taludes onde as tumbas estão localizadas em nichos.

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

CEMITÉRIO DE IGUALADA _ ENRIC MIRALLES

dessa forma, a paisagem escalonada do projeto se funde ao entorno, num caminhar fluIdo e contínuo e que, embora enterrado, se adapta à escala humana sem se render à monumentalidade. é mais um exemplar de uma arquitetura que se preocupa com o existente, o contexto, a paisagem, a memória do lugar, a topografia e que é feita para se sentir e não para se pensar, características comuns às obras de enric miralles.

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obras estas que são por alguns críticos enquadradas na chamada arquitetura do sentimento, devido ao modo visceral COMO trata suas soluções. é dramática, provocadora de emoções.


REFERÊNCIAS PROJETUAIS

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MUSEU JUDAICO DE BERLIM _ DANIEL LIBESKIND discute a capacidade da arquitetura, enquanto ícone, de se tornar símbolo de identificação de uma cultura. explora as sensações do usuário do edifício a favor de contar a história de maneira simbólica. ou seja, embora trabalhe sobre a questão da memória, não o faz de modo saudosista. é chave o modo como o projeto traduz os sentimentos e as histórias de um povo em soluções arquitetônicas, exemplos: o estilhaçamento da estrela de davi, importante signo para os judeus, simbolizando sua fratura, e que gera a implantação do projeto. fraturas estas expostas em toda a fachada do edifício, criando rasgos de luz; a opção por corredores estreitos com paredes cegas que servem de articulação entre os espaços e que denotam uma opressão e falta de liberdade; a dificuldade para se caminhar, seja pela extensão de um escadaria quase sem fim, seja pela existência de uma pequena inclinação para o caminhar; a forma em que a obra, em muitos casos, passa sua mensagem através do silêncio e da ausência; bem como a existência de três eixos que guiam o percurso pelos espaços internos e que são representativos da história dos judeus: o eixo da continuidade que lembra a capacidade de superação deste povo, o eixo do exílio e o eixo do holocausto. ademais, interessa a maneira como libeskind não abre mão de sua arquitetura desconstrutivista mesmo ao lado de um edifício histórico, o kollegienhaus, tornando a própria arquitetura do projeto o seu maior acervo. o arquiteto assume um formato arrojado para o prédio, com ângulos acentuados que resultam no zig-zag de sua implantação, bem como dá um peso à obra quando opta por revestíla com placas de zinco


REFERÊNCIAS PROJETUAIS NELSON FINE ARTS CENTER _ ANTOINE PREDOCK contrário à atitude de se rejeitar o entorno do projeto, predock incorpora no seu discurso formal a imagem do deserto do arizona, admitindo aspectos do terreno de maneira física e espiritual, sua dureza e seu caráter inóspito, suas cores e gradientes de luz, através de materiais e técnicas contemporâneas, lembrando a definição de deserto elaborada por garcia lorca: “sol e sombra”. assim, embora externamente o edifício assuma um caráter robusto, com volumes pesados com pequenas aberturas ou mesmo paredes cegas, internamente seus espaços estão carregados de simbolismo, sobretudo devido à entrada filtrada da luz por pequenas aberturas.

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além disso, destacam-se as possibilidades de percuso geradas por predock, tanto horizontalmente, quanto verticalmente, negando um caminho em particular. também é válido ressaltar o modo como os terraços são usados para explorar tanto os espaços externos quanto para conectar os ambientes internos .


REFERÊNCIAS PROJETUAIS

PRAÇA ROOSEVELT_ROBERTO COELHO CARDOZO considerada uma praça edifício devido à plurifuncionalidade de seus espaços que incluia: lojas, bar, supermercado, área para lazer, vagas de estacionamento, etc., o projeto foi pensado para ser uma espécie de praça cívica, local de encontro entre as pessoas, onde a questão da circulação adquiriria papel prioritário, devido a sua importância para a ligação leste-oeste da cidade de são paulo.

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entretanto, embora se trate de um projeto emblemático, vários pontos negativos podem ser destacados e que devem servir de lembrete para quando se constrói praças no brasil: a fragmentação dos patamares, a falta de visibilidade entre os níveis, o excesso de escadas e becos, a ausência de verde e o uso exagerado do concreto afastaram os usuários. assim, resultou-se na ociosidade do espaço, que, por seu turno, gerou problemas como o consumo de drogas, violência, bem como prostituição no local. por esse motivo, muitos críticos concordam com a declaração feita por paulo mendes da rocha a respeito do projeto: “a praça roosevelt é um bom exemplo do que nunca deve ser uma praça”. praças, assim como edifícios, devem ser convidativas e proporcionar conforto ao pedestre.


REFERÊNCIAS PROJETUAIS

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entretanto, existem vários pontos positivos no projeto que não podem ser menosprezados, como por exemplo: a solução para o desnível criado foi a construção de vários patamares, o que gerou vários pontos de mirada interessantes, bem como a idéia de propor estabelecimentos fixos que atraíssem consumidores e, como resultado, usuários para o lugar, criando movimento e vida ao projeto, o que, entretanto, não foi confirmado pelo processo pós-ocupação


REFERÊNCIAS PROJETUAIS

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ROCKEFELLER PLAZA_RAYMOND HOOD o que chama atenção nesse projeto é a forma como o entorno edificado acentua a abertura no solo, de modo que é a arquitetura que valoriza o não edificado, ou seja, o cheio que qualifica o vazio, em uma relação muito próxima com a estabelecida pelas piazzas italianas.


DE FATO, A ILHA DE VITÓRIA, AINDA HOJE, POSSUI APROXIMADAMENTE 11KM² DE ÁREA DE MANGUEZAL, CONSTITUINDO UM DOS MAIORES ESTUÁRIOS DO MUNDO. ENTRETANTO, DÉCADAS ATRÁS ESSE NÚMERO ERA AINDA MAIS SIGNIFICATIVO, POIS, EM VIRTUDE DA SUA POSIÇÃO GEOGRÁFICA, OU SEJA, O FATO DE SER UMA ILHA, O ENCONTRO ENTRE ÁGUA DE RIO E MAR EM UMA BAÍA CALMA E AO ABRIGO DAS ONDAS PROPICIAVA A EXISTÊNCIA DE MANGUEZAIS EM QUASE TODO O SEU PERÍMETRO. ENTRETANTO, A INTERFERÊNCIA HUMANA SOBRE ESSE ECOSSISTEMA AGIU E OCASIONOU A DESTRUIÇÃO DE BOA PARTE DE SUA ÁREA. ESTUDOS REVELAM QUE AS AÇÕES DE ATERRO TRANSFORMARAM RADICALMENTE A PAISAGEM DA ILHA. SABESE QUE A CIDADE DE VITÓRIA GANHOU CERCA DE 10 KM2 DE ÁREA EM SEU TERRITÓRIO, SENDO QUE, DESTE TOTAL, 48,6% CORRESPONDIAM A MANGUEZAIS.

DESENHO DA CIDADE ALTA POR JOAQUIM PANTALEÃO PEREIRA DA COSTA

RECORRENDO-SE À HISTÓRIA, NOTA-SE QUE A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO DA ILHA DE VITÓRIA OCORREU, PRIMEIRAMENTE, NAS REGIÕES DE COTA MAIS ELEVADA, DENOMINADA CIDADE ALTA, POR MOTIVOS DE CONTROLE E DEFESA DO TERRITÓRIO CONTRA INVASÕES E ATAQUES DE INIMIGOS OU INDÍGENAS, VISTO QUE A POSIÇÃO ELEVADA PERMITIA UMA VISÃO PRIVILEGIADA DAS TERRAS.

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A CIDADE DE VITÓRIA E SEUS ATERROS

A OPÇÃO PELA ÁREA DE PROJETO NÃO SE DEU APENAS EM VIRTUDE DA MINHA ORIGEM E MEMÓRIA PESSOAL DE VISITAS AO MANGUEZAL E TARDES COMENDO CARANGUEJADA.


ESSE PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DA PAISAGEM NATURAL E DESTRUIÇÃO DOS MANGUES SE INTENSIFICOU NO GOVERNO DE JERÔNIMO MONTEIRO (1908 A 1912) SOBRETUDO EM DECORRÊNCIA DO PLANO DE MELHORAMENTOS E EMBELEZAMENTO DE VITÓRIA, INFLUENCIADO PELAS IDÉIAS DO MOVIMENTO “CITY BEAUTIFUL”. O PLANO SE PREOCUPAVA COM A ESTÉTICA URBANA E O PROGRESSO DA CIDADE, PROPONDO UMA NOVA PLANTA PARA VITÓRIA QUE AMPLIAVA A REDE DE INFRA-ESTRUTURA, ATERRANDO E AJARDINANDO MANGUES, SANEANDO E RETIFICANDO AS RUAS E CONSTRUINDO INÚMEROS EDIFÍCIOS PÚBLICOS.

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VALE LEMBRAR QUE NESSA ÉPOCA AS IDÉIAS SANITARISTAS GANHAVAM FORÇA E ATERRAR OS MANGUEZAIS, CONSIDERADOS LOCAIS REPUGNANTES, SIGNIFICAVA EMBELEZAR E MODERNIZAR A CIDADE, ALÉM DE ADEQUÁ-LAS ÀS NECESSIDADES HIGIENISTAS, GARANTINDO A SAÚDE DA POPULAÇÃO.

“sendo victoria uma cidade magnificamente favorecida pela sua belleza panoramica, impunha-se o auxílio da mão-deobra do homem à natureza para adaptá-la às exigências da hygiene e belleza das cidades modernas e fazê-la o reflexo exacto da grandeza do estado. accresça-se a isso a necessidade imperiosa de um plano de conjucto que, dentro dos princípios de urbanismo, oriente o crescimento de victoria.” governante aguiar (1928 -1930)

ATERROS EM VITÓRIA

AINDA EM 1890, O CÓDIGO DE POSTURAS DA INTENDÊNCIA MUNICIPAL DA CIDADE DE VITÓRIA JÁ PREVIA O ESGOTAMENTO DE PÂNTANOS E ÁGUAS ESTAGNADAS, REALIZANDO ATERROS, TAPAMENTO DE TERRENOS ABERTOS, CONSTRUÇÃO DE VALAS E CANALIZAÇÃO DAS ÁGUAS, ATITUDES ESTAS QUE CAUSARAM O SECAMENTO DE VÁRIOS MANGUEZAIS.

ATERROS EM VITÓRIA

A CIDADE DE VITÓRIA E SEUS ATERROS

TODAVIA, COM O PASSAR DO TEMPO, ENTRE 1812 E 1819, O DESENVOLVIMENTO DA ILHA E O CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO, FEZ COM QUE ELA PASSASSE A SE EXPANDIR PARA AS ÁREAS MAIS BAIXAS PRÓXIMAS AO NÚCLEO CENTRAL, MUITAS DELAS ALAGADIÇAS E COBERTAS POR MANGUE, INICIANDO O PROCESSO DE DESTRUIÇÃO DESSE ECOSSISTEMA.


COMO SE ISSO NÃO BASTASSE, A PARTIR DA DÉCADA DE 1970, DEVIDO AO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO E O SURGIMENTO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE (CVRD) E DA COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO (CST), A ILHA VIVEU UM INCHAÇO POPULACIONAL SIGNIFICATIVO, PROVOCADO PELA MIGRAÇÃO DE PESSOAS ORIUNDAS DA ZONA RURAL, ATRAÍDAS PELA PROMESSA DE NOVOS EMPREGOS. CONTUDO, AS EMPRESAS NÃO CONSEGUIRAM ABSORVER TODO O CONTIGENTE QUE SE DESLOCOU PARA A CIDADE. COM ISSO, A MASSA DE DESEMPREGADOS, DEVIDO À RENDA REDUZIDA, BUSCA ALTERNATIVAS PARA FUGIR DA SUPERVALORIZAÇÃO DO ESPAÇO LITORÂNEO, OCUPANDO, CLANDESDINAMENTE, ÁREAS FRÁGEIS E IGNORADAS PELAS POLÍTICAS PÚBLICAS, PRINCIPALMENTE MORROS E MANGUEZAIS, QUE NÃO POSSUIAM INFRA-ESTRUTURA, COMO SANEAMENTO BÁSICO OU OUTRAS CONDIÇÕES DE HABITABILIDADE.

A CIDADE DE VITÓRIA E SEUS ATERROS

ENTRETANTO, NO CASO ESPECÍFICO DE VITÓRIA, FOI O PODER PÚBLICO O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA DESTRUIÇÃO DO MANGUEZAL. COMO SE PÔDE NOTAR, HOUVE INÚMEROS ATERROS OFICIAIS REALIZADOS PELO ESTADO, QUE, DEVIDO A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, INCORPORA ESSES GRANDES “LATIFÚNDIOS DE LAMA”, DE FORMA A CONQUISTAR NOVAS ÁREAS DE CRESCIMENTO PARA A CIDADE. ÁREAS ESTAS QUE SERVIRIAM AO MERCADO IMOBILIÁRIO, OU MESMO PARA A CONSTRUÇÃO DE GRANDES OBRAS PÚBLICAS, COMO É O CASO DO PORTO DE VITÓRIA. MAS SATURNINO DE BRITO, NA ÉPOCA, JÁ RESSALTAVA:

“aceitando, então, o aterro de mangues como solução para o problema do desenvolvimento da cidade, cumpre resolver o de correção a males que decorrem de assim serem contrariados.” (saturnino de brito) POR FIM, AS POUCAS ÁREAS RESTANTES DE MANGUE AINDA SOFRE COM A DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE DEJETOS, SENDO CADA VEZ MAIS VISTAS COMO ÁREAS MARGINALIZADAS PELA SOCIEDADE, QUE, CONTRADITORIAMENTE, INCORPORA AS TRADIÇÕES E AS RIQUEZAS PROVINDAS DESSE ECOSSISTEMA, COMO O CARANGUEJO E AS PANELAS DE BARRO, PRODUZIDOS COM O TANINO DA CASCA DA ESPÉCIE RHIZOPHORA MANGLE.

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A FALTA DE ZELO PARA COM OS MANGUEZAIS E SUA ASSOCIAÇÃO À DOENÇAS SE DEVE AO FATO DE QUE, DEVIDO À DEPOSIÇÃO DE MATÉRIA ORGÂNICA EM SEU SOLO, HAVIA UM CHEIRO DE ENXOFRE CARACTERÍSTICO NESSAS ÁREAS, QUE ERAM, PORTANTO, CONSIDERADAS SUJAS, PROPAGADORAS DE ENFERMIDADES.


ÁREA DE PROJETO

MAPA DAS ÁREAS DE ATERRO ATERROS EM ÁREAS AVANÇADAS AO MAR OU MANGUE NOS LIMITES DA ILHA ATERROS EM ÁREAS ALAGADAS INTERNAS AOS LIMITES DA ILHA ÁREA ESCOLHIDA PARA O PROJETO

GRANDE SÃO PEDRO: FORTE QUESTÃO SOCIAL ENVOLVIDA VISTO QUE ESTA ÁREA FOI OCUPADA POR PESSOAS DE BAIXA RENDA QUE NÃO FORAM INCORPORADAS ÀS INDÚSTRIAS QUE SURGIRAM NA CAPITAL NA DÉCADA DE 1970. ATÉ HOJE É UMA ÁREA COM UMA INFRA-ESTRUTURA URBANA PRECÁRIA, O QUE FEZ COM QUE EU A DESCARTASSE COMO ÁREA DE PROJETO POIS, COMO SERÁ OBSERVADO ADIANTE, O PROJETO PRECISARIA DE UMA ÁREA URBANA JÁ CONSOLIDADA E DENSA, PROPORCIONANDO VITALIDADE.

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POSSIBILIDADES DE ÁREAS APÓS COMPREENDER ESSA RELAÇÃO ENTRE ATERROS EM VITÓRIA, CIDADE OBJETO DESSE PROJETO DE TGI II, E A DESTRUIÇÃO DE UM ECOSSISTEMA TÃO RICO E IMPORTANTE COMO O MANGUEZAL, INICIOU-SE UMA ANÁLISE ESPECÍFICA DAS ÁREAS QUE SOFRERAM COM PROCESSOS DE ATERRO, IDENTIFICADAS NO MAPA ACIMA, A FIM DE ENCONTRAR UMA ÁREA DE INTERESSE AO PROJETO. APÓS UMA INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR, CHEGARAM-SE A TRÊS ZONAS QUE CHAMARAM A ATENÇÃO E, ANALISANDO MAIS PROFUNDAMENTE CADA CASO, OPTOU-SE POR UMA ÁREA EM ESPECIAL, CONFORME EXPOSTO À SEGUIR:

PARQUE MOSCOSO: PERTENCENTE A UMA ÁREA CENTRAL DA CIDADE, O ATERRO DA ÁREA CONHECIDA POR LAPA DO MANGAL OCORREU NO INTUITO DE FACILITAR A PASSAGEM DE PEDESTRES ENTRE O PORTO DOS PADRES E O HOSPITAL SANTA CASA DE MISERICÓRDIA, DANDO ORIGEM À RUA DO COMERCIO, DE GRANDE FLUXO DE PESSOAS. ENTRETANTO, EM VIRTUDE DA FALTA DE TERRENOS VAZIOS, ESTA POSSIBILIDADE DE ÁREA FOI DESCARTADA, VISTO QUE A DEMOLIÇÃO DE PRÉDIOS EXISTENTES NÃO ERA DE INTERESSE AO PROJETO. BENTO FERREIRA: REGIÃO ONDE OCORREU A MAIOR ÁREA DE ATERRO. TRATA-SE DE UM LUGAR ESTRATÉGICO: PRÓXIMO AO PORTO DE VITÓRIA, AO FORTE DE SÃO JOÃO (CONSTRUÇÃO EMBLEMÁTICA DA HISTÓRIA DE VITÓRIA), AO CLUBE SALDANHA DA GAMA E AO CLUBE DE REGATAS ÁLVARES CABRAL, CONSTITUI-SE COMO UMA ÁREA DENSA E MOVIMENTADA, DEVIDO À DIVERSIDADE DE ATIVIDADES QUE ALI OCORREM, SENDO, PORTANTO A ESCOLHIDA.


LEGENDA DAS FOTOS: REGIÃO DE BENTO FERREIRA EM 1940 (NO CANTO SUPERIOR À ESQUERDA); REGIÃO DE BENTO FERREIRA EM 1997 (NO CANTO INFERIOR À ESQUERDA); PENEDO E FORTE DE SÃO JOÃO NA ÉPOCA COLONIAL (NO CANTO SUPERIOR DO CENTRO); ILHA DE SANTA MARIA E ILHA DA FUMAÇA, POSTERIORMENTE ANEXADAS À VITÓRIA COM O ATERRO DE BENTO FERREIRA (CANTO INFERIOR DO CENTRO); O ATERRO DE BENTO FERREIRA RESULTOU NOS ENROCAMENTO DA BAÍA PARA O ATERRO DE BENTO FERREIRA (CANTO SUPERIOR À DIREITA) E ATERRO CONATUAIS BAIRROS DE FORTE DE SÃO JOÃO, JU- CLUÍDO NA ÁREA DO PORTO DE VITÓRIA E NA REGIÃO DE BENTO FERREIRA (CANTO INFERIOR À DIREITA).

CUTUQUARA, SANTA CECÍLIA, HORTO, ILHA DE SANTA MARIA, MONTE BELO, ILHA DA FUMAÇA E BENTO FERREIRA. O INÍCIO DO ATERRO DA REGIÃO ACONTECEU EM 1920 POR INICIATIVA PÚBLICA, RESULTANTE DO DESMONTE DA ILHA DE SANTA MARIA E OUTROS PEQUENOS MORROS. ENTRETANTO, FOI INTERROMPIDO PELA FALTA DE RECURSOS, DEVIDO AO CUSTO ELEVADO DA OBRA. DESSA FORMA, A MAIOR PARTE DOS ATERROS CONSISTIU, NAQUELE MOMENTO, EM PEQUENAS OBRAS REALIZADAS PELOS PRÓPRIOS MORADORES QUE JÁ OCUPAVAM A REGIÃO.

ÁREA DE PROJETO

ATERRO DE BENTO FERREIRA

DESTE MODO, FOI APENAS COM O PLANO DE VALORIZAÇÃO ECONÔMICA DO SEGUNDO MANDATO DE JONES DOS SANTOS NEVES (1951 - 1955) QUE O PODER PÚBLICO DÁ REINÍCIO AOS ESFORÇOS DE ATERRO ENTRE O FORTE DE SÃO JOÃO E BENTO FERREIRA COM PROPÓSITOS DE EXPANSÃO TERRITORIAL E CRIAÇÃO DE UM ESPAÇO DESTINADO A SUPRIR A DEMANDA POR ARMAZÉNS PELO PORTO DE VITÓRIA.

AS FOTOS AO LADO APRESENTAM O CENÁRIO ANTERIOR E POSTERIOR AO ATERRO DE BENTO FERREIRA NA ILHA DE VITÓRIA, LOCAL ESCOLHIDO PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROJETO DE TGI II.

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O ATERRO PERMITIU ANEXAR À CAPITAL UMA EXTENSÃO DE QUASE 500.000 M2. LEMBRANDO QUE SOMENTE A PARTIR DE 1980 ESSA ENORME ÁREA PASSA A RECEBER INVESTIMENTOS EM INFRA-ESTRUTURA.


26 ÁREA DE PROJETO


ÁREA DE PROJETO

QUADRA LIVRE DE EDIFICAÇÕES RUÍNA DO ANTIGO TERMINAL AQUAVIÁRIO

EM VISITA À ÁREA, PERCORRENDO A ORLA DA AVENIDA BEIRA MAR NOS BAIRROS: ILHA DE SANTA MARIA, UMA DAS COMUNIDADES MAIS ANTIGAS DE VITÓRIA, ILHA DA FUMAÇA E BENTO FERREIRA, DEPAREI-ME COM UMA QUADRA LIVRE DE EDIFICAÇÕES BEM EM FRENTE À RUÍNA DO ANTIGO TERMINAL AQUAVIÁRIO DOM BOSCO, QUE FAZIA A LIGAÇÃO DA CAPITAL À CIDADE DE VILA VELHA PELA BAÍA DE VITÓRIA. DESDE O INÍCIO, HAVIA UMA VONTADE DE SE TRABALHAR COM UM CONCEITO DE PROJETO QUE FIZESSE USO DOS DOIS ELEMENTOS FORMADORES DA PAISAGEM DO MANGUE: TERRA E ÁGUA. FOI POR ESSE MOTIVO QUE O LOCAL ME INSTIGOU, PELO SIMBOLISMO INCIPIENTE QUE EU PODERIA ME APODERAR.

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RUÍNAS DO ANTIGO TERMINAL AQUAVIÁRIO DOM BOSCO

QUADRA LIVRE DE EDIFICAÇÕES


ÁREA DE PROJETO

O ESPAÇO DESTINADO AO PROJETO, POR CONSEGUINTE, ENGLOBA AS ÁREAS 8 E 9 DO MAPA. COMO É POSSÍVEL NOTAR A PARTIR DO LEVANTAMENTO, O ENTORNO DA ÁREA JÁ APRESENTA EQUIPAMENTOS NA ÁREA DA SAÚDE, EDUCAÇÃO E LAZER. POR ISSO, O EDIFÍCIO PÚBLICO PROJETADO NESSA DISCIPLINA DE TGI II VISOU SUPRIR UMA DEFICIÊNCIA DE ESPAÇOS DE CULTURA NA REGIÃO, OU SEJA, UMA NECESSIDADE DOS BAIRROS RESIDENCIAIS ADJACENTES AO PROJETO, COMPOSTO, SOBRETUDO, POR UMA CLASSE MÉDIA-BAIXA. ASSIM, O MANGUE, ANTES DEPÓSITO DE LIXO, É ATERRADO PELO GOVERNO PARA AMPLIAÇÃO DO ENTORNO DO NOVO PORTO DE VITÓRIA E, COM ESSE PROJETO DE TGI II, TORNA-SE DEPÓSITO DE CULTURA, ABRIGANDO UMA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA E UM MUSEU.

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5 3

4

7

10

8

11

12

9

13 2

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1

LEGENDA: 4. clube de regatas saldanha da gama 1. porto de vitória 5. hospital estadual são lucas 2. pedra do penedo 6. unidade de saúde bolivar de abreu crai 3. forte de são joão 7. colégio salesiano

8. terreno livre 9. antigo terminal aquaviário dom bosco 10. nova sede da procuradoria federal do espírito santo

11. previdência social 12. justiça federal 13. clube de natação e regatas álvares cabral


FOTOS LEVANTAMENTO VISTA DO TERRENO A PARTIR DA RUA DOM JOÃO BOSCO

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VISTA DA BAÍA A PARTIR DO TERRENO


FOTOS LEVANTAMENTO

VISTA DA BAÍA E DA AV. PAULINO MULLER A PARTIR DO TERRENO

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VISTA DA BAÍA E DA RUA DOM JOÃO BOSCO A PARTIR DO TERRENO


FOTOS LEVANTAMENTO

VISTA DA RUA LUIZ CARLOS GRECCO

VISTA DA RUA PEDRO CARLOS DE SOUZA

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VISTA DA RUA LUSMAR MACHADO DE MORAES


PRAÇA EDIFÍCIO - meio de entrada do projeto. O indivíduo adentra feito caranguejo na terra. Dele se dá o acesso ao eixo subterrâneo. EIXO SUBTERRÂNEO - A ESCURIDÃO. BUSCA-SE TRABALHAR COM A QUESTÃO SIMBÓLICA DO SOLO RICO DO MANGUE E A VIDA EMBAIXO DA TERRA

AÇOES PROJETUAIS_A TRÍADE

A TRÍADE

desenhos iniciais presentes no caderno de processo

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ESTRUTURA SUSPENSA - ESSA ESTRUTURA ADENTRA PELA BAÍA COMO O MAR ADENTRA NO MANGUE. TRABALHA-SE A QUESTÃO DOS PONTOS DE MIRADA.


AÇOES PROJETUAIS_A TRÍADE DEVIDO À IMPORTÂNCIA DESSA SIMBIOSE ENTRE TERRA E MAR NA CARACTERIZAÇÃO DO MANGUEZAL, DESDE O INÍCIO DO DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS E SURGIMENTO DOS PRIMEIROS DESENHOS, DECIDIU-SE QUE O PROJETO SERIA O RESULTADO DE UMA TRÍADE ENTRE: PRAÇA EDIFÍCIO + EIXO SUBTERRÂNEO + ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA. COMO É POSSÍVEL OBSERVAR ATRAVÉS DO DESENHO AO LADO ELABORADO DURANTE O PROCESSO DE PROJETO, NA QUADRA LIVRE SE SITUA O AMBIENTE PELO QUAL SE DÁ O ACESSO AO EIXO SUBTERRÂNEO QUE, POR SUA VEZ, ATRAVESSA A AVENIDA E CHEGA À ESTRUTURA SUSPENSA. DESSA FORMA, O PROJETO FUNCIONA DE MANEIRA SOLIDÁRIA E INTERDEPENDENTE, COMO AS RAÍZES DO MANGUEZAL, DE MODO QUE UMA ESTRUTURA ALIMENTA E MOVIMENTA AS OUTRAS, POIS SÓ SE CHEGA AO EDIFÍCIO SUSPENSO, QUE MAIS SE DESTACA NA PAISAGEM, PERCORRENDO AS DEMAIS ÁREAS.

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O OBJETIVO DA TRÍADE ERA PROMOVER AO PASSANTE A EXPERIÊNCIA DE ENTRAR DENTRO DA TERRA E, EM SEGUIDA, DE REDESCOBRIR O ESPAÇO QUANDO DO EIXO SUBTERRÂNEO EMERGE. É UMA SENSAÇÃO SEMELHANTE AO DO CARANGUEIJO DO MANGUE, QUE ORA CAVA SUA TOCA ORA SAI DELA. ADEMAIS, OUTRO PONTO DE PARTIDA IMPORTANTE ERA QUE, EMBORA FOSSE FUNDAMENTAL QUE ESSES TRÊS ESPAÇOS TIVESSEM UMA LINGUAGEM SEMELHANTE QUE IDENTIFICASSE CADA PARTE AO TODO, O PROJETO DA PRAÇA EDIFÍCIO E O PROJETO DO PRÉDIO SUSPENSO DEVERIAM ASSUMIR UM PAPEL DISTINTO NA PAISAGEM DA CIDADE, DE MODO QUE, SE DE UM LADO O PRÉDIO POR SOBRE A BAÍA ASSUMIA MAIOR ESCALA, DIALOGANDO COM OS MORROS DA BAÍA E INSTIGANDO A CURIOSIDADE DOS PASSANTES, A PRAÇA EDIFÍCIO, POR SUA VEZ, DEVERIA SER MAIS SINGELA, QUASE QUE PASSAR DESPERCEBIDA NA PAISAGEM.


AO ESTUDAR A CIRCULAÇÃO O QUE ME INTERESSOU FOI A INEXISTÊNCIA DE FLUXOS QUE CORTASSEM A PRAÇA, DE FORMA QUE OS FLUXOS DE PEDESTRE SE DAVAM POR TRAÇADOS PARALELOS E PERPENDICULARES AO TERRENO, PRINCIPALMENTE DAQUELES QUE CORTAVAM A AVENIDA BEIRA MAR A FIM DE PEGAR ÔNIBUS, JÁ QUE EM FRENTE AO ANTIGO TERMINAL AQUAVIÁRIO ENCONTRA-SE UM PONTO DE ÔNIBUS DE GRANDE CONFLUÊNCIA DE LINHAS, OU DAQUELES QUE CAMINHAM PELO CALÇADÃO DA ORLA PARA FINS DE LAZER.

AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

QUANDO SE TRATA DA PRAÇA EDIFÍCIO, PRIMEIRO SE OBSERVOU A CIRCULAÇÃO DO LOCAL, JÁ QUE É NESTE TERRENO ONDE SE DARÁ O ACESSO AO EIXO SUBTERRÂNEO E AO PRÉDIO SUSPENSO E, PORTANTO, ENTENDER O FUNCIONAMENTO DA REGIÃO ERA FUNDAMENTAL.

PARA TANTO, A PRIORI, JÁ SE VIA 2 FLUXOS A SEREM ESTIMULADOS E QUE ORIENTARIAM A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO: O PRIMEIRO DELES TEM UM CARÁTER FUNCIONAL, LIGA DOIS PONTOS IMPORTANTES PARA A DINÃMICA DA REGIÃO, A ESCOLA SALESIANO E A NOVA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO, ATUALMENTE EM CONSTRUÇÃO, ENTRETANTO, AO INVÉS DESSE CAMINHAR ACONTECER PERIMETRALMENTE À PRAÇA, BUSCAVA-SE QUE ESSE EIXO SE DESVIASSE LIGEIRAMENTE PARA O CENTRO DA PRAÇA EDIFÍCIO, INSTIGANDO O PASSANTE A DESCOBRIR O PROJETO; O SEGUNDO PERCURSO CORTARIA DIAGONALMENTE A PRAÇA LIGANDO O BAIRRO À ESCOLA, PASSANDO POR DENTRO DO PROJETO.

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DESSE MODO, PARA QUE A PRAÇA EDIFÍCIO GANHASSE VIDA E ROMPESSE SEU ISOLAMENTO, O PROJETO DEVERIA INCORPORAR NA SUA DINÂMICA ESPACIAL UM TRAÇADO FORTE QUE ORIENTASSE UMA NOVA FORMA DE PERCORRER E EXPLORAR O LOCAL.


36 AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO


SABENDO DA NECESSIDADE DE SE CRIAR ATRATIVOS PARA QUE A PRAÇA EDIFÍCIO FOSSE CONVIDATIVA PARA AS PESSOAS, BUSCOU-SE RELAÇÕES COM O ENTORNO DELA: ESCOLA - LAZER / EDIFÍCIOS PÚBLICOS - DESCANSO / BAIRRO - EDIFÍCIO FUNCIONAL. ENTÃO, A PARTIR DESSAS LINHAS FUNCIONAIS DE FORÇA, SURGIRAM DOIS EIXOS POSSÍVEIS DE CIRCULAÇÃO CORTANDO A PRAÇA EDIFÍCIO (CONFORME IDÉIA 1). A PARTIR DAÍ, PARTE-SE PARA A IDÉIA 2, EM QUE UM DOS EIXOS, O FUNCIONAL, GANHA DESTAQUE E INCORPORA A FUNÇÃO DE DESCANSO. ISSO SERIA POSSÍVEL POIS AO TRABALHAR COM A GEOMETRIA COMPLEXA NA COBERTURA DO PRÉDIO DA PRAÇA, ASSUMINDO AS TRIANGULAÇÕES PRESENTES NAS RAÍZES DO MANGUE, CRIA-SE SUBIDAS E DESCIDAS, ORA MUITO INCLINADAS ORA COM INCLINAÇÕES SUAVES PARA DEFINIR LUGARES DE PASSAGEM, ESPAÇOS PARA SENTAR OU MESMO DEITAR.

IDÉIA 1

AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

ESQUEMA DO CADERNO DE PROCESSOS

ALÉM DISSO, ESSE EIXO DE CIRCULAÇÃO / DESCANSO DEFINE MELHOR OS DEMAIS ESPAÇOS, DE FORMA QUE O LAZER ASSUME UMA FORMA MAIS CLARA, ABARCADA PELO EIXO.

IDÉIA 2

ADEMAIS, EM AMBAS AS IDÉIAS OBSERVA-SE UM ESPAÇO PARA APROPRIAÇÃO PRÓXIMO A ÁREA RESIDENCIAL DO BAIRRO, OU SEJA, UM AMBIENTE NO QUAL DEVIA SER CRIADO ALGUM TIPO DE PAISAGISMO OU TRATAMENTO ESPACIAL DO QUAL NÃO SE ESPERASSE NENHUM USO PRÉ-DETERMINADO, EM QUE SÓ O TEMPO DEFINIRIA COMO A POPULAÇÃO ABSORVERIA ESSE LOCAL.

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O SEGUNDO EIXO ASSUME A FUNÇÃO DE LIGAR, ESCAVANDO E AFUNDANDO NA TERRA, O EDIFÍCIO FUNCIONAL À ÁREA DESTINADA AO LAZER. ESSA É UMA CIRCULAÇÃO DESTINADA A APRECIAÇÃO DO USUÁRIO, QUE EXPERIMENTA O ESPAÇO INCLUSIVE PELO SUBTERRÂNEO, ENQUANTO O EIXO DE CIRCULAÇÃO / DESCANSO É UM PASSEIO MAIS FUNCIONAL.


AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

LEGENDA DE USOS:

1 PAVIMENTO

1 - RESIDENCIAL 2 - SERVIÇO 3 - COMÉRCIO 4 - SERVIÇO E COMÉRCIO 5 - USO MISTO: RESIDENCIAL, COMÉRCIO E SERVIÇO 6 - INSTITUCIONAL 7 - ESTACIONAMENTO

2 PAVIMENTOS 3 PAVIMENTOS

COM RELAÇÃO ÀS ALTURAS DO PRÉDIO DA PRAÇA, A OPÇÃO POR USAR O GABARITO ALTO NA EXTREMIDADE QUE DÁ ACESSO AO BAIRRO ILHA DE MONTE BELO E JUCUTUQUARA VISOU DESPERTAR A CURIOSIDADE DOS MORADORES, VISTO QUE O GABARITO DO ENTORNO É BAIXO, CERCA DE 3 E 4 PAVIMENTOS EM MÉDIA, EXCETUANDO O PRÉDIO DA PROCURADORIA, COM 10 PAVIMENTOS, QUE SE DESTACA NA PAISAGEM. OUTRO PONTO IMPORTANTE É A OPÇÃO POR UM GABARITO MAIS BAIXO OU ATÉ MESMO NEGATIVO PRÓXIMO À AVENIDA BEIRA MAR, PARA QUE OS PEDESTRES QUE USASSEM O EIXO DE CIRCULAÇÃO NÃO PERDESSEM A VISUAL DE UM TODO DO PROJETO, ALÉM DE MANTER A LIGAÇÃO VISUAL ENTRE ESCOLA E PROCURADORIA DO ESTADO, O QUE ESTIMULARIA O USO DESSE EIXO DE CIRCULAÇÃO FUNCIONAL. ADEMAIS, NÃO ERA A INTENÇÃO DO PROJETO PERDER O VISUAL DA BAÍA DE VITÓRIA, COM A PEDRA DO PENEDO E O PORTO DE VITÓRIA, MAS SIM ENFATIZÁ-LA, OPTANDO-SE PELO GABARITO MAIS BAIXO.

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LEGENDA DE GABARITO:

POR FIM, O EIXO DE CIRCULAÇÃO FUNCIONAL / DESCANSO SE CONFIGURA COMO UMA RAMPA QUE SOBE, ASSUMINDO CERTA ALTURA, O QUE PROPICIA AOS USUÁRIOS UMA VISÃO MAIS AÉREA DO ENTORNO E DO PRÓPRIO PROJETO, DIFERENTE DAQUELA QUANDO SE ESTÁ NA CALÇADA.

4 PAVIMENTOS 5 PAVIMENTOS 7 PAVIMENTOS 9 PAVIMENTOS OU MAIS

5

2 2 3 2 1 1 1 1

2 11

5 7 1

5 1

5

5

4 7

7

6

6

5


IDÉIA 3

A APROXIMAÇÃO DOS OPOSTOS BENEFICIA TANTO O CHEIO QUANTO O VAZIO

IDÉIA 4

IDÉIA 5

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IDÉIA 2

AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

IDÉIA 1


AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

COM RELAÇÃO ÀS AÇÕES PROJETUAIS REFERENTES À IMPLANTAÇÃO E À FORMA DO PROJETO, BASEANDO-SE NAS LEITURAS DO MANGUE, O PROJETO INCORPOROU TRÊS ELEMENTOS: VOLUMES, PLANOS E LINHAS. OS DESENHOS APRESENTADOS AO LADO ESQUERDO MOSTRAM A SEQUÊNCIA DE ESTUDOS QUE RESULTARAM EM UM ESQUEMA PARA A IMPLANTAÇÃO DA PRAÇA EDIFÍCIO, APRESENTADO AO LADO DIREITO. O CAMINHO TOMADO NO DESENVOLVIMENTO DA OCUPAÇÃO DO ESPAÇO FOI O DE TENTAR DEIXAR CADA VEZ MAIS UNO O OBJETO DE PROJETO, DIMINUINDO A FRAGMENTAÇÃO DOS ESPAÇOS, TORNANDO-OS SOLIDÁRIOS. DAÍ A JUNÇÃO DO VOLUME POSITIVO (SOBRE A TERRA) COM OS PLANOS QUE FORMAM A RAMPA / EIXO DE CIRCULAÇÃO FUNCIONAL.

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TAMBÉM SE PASSA POR UMA EXPERIMENTAÇÃO COM RELAÇÃO À ÁREA DESTINADA À APROPRIAÇÃO, QUE SE UTILIZARIA DO ELEMENTO LINHA, O QUAL SERIA OBTIDO ATRAVÉS DO PROLOGAMENTO DAS LINHAS QUE FORMAM OS PLANOS TRIÂNGULARES DA COBERTURA. NO ESQUEMA ESCOLHIDO, ESSE ESPAÇO É CONSTITUIDO POR DOIS NICHOS, DEFINIDOS PELA INFLEXÃO DA COBERTURA, UM MENOR E MAIS PARTICULAR (CONVIDATIVO ÀS CASAS QUE COBREM O PERÍMETRO DA PRAÇA EDIFÍCIO) E OUTRO DE MAIOR DIMENSÃO E USO MAIS GERAL. TAMBÉM SE PENSA NUMA REGIÃO DE RESPIRO / RECUO NA ÁREA MAIS PRÓXIMA AO PRÉDIO DA PROCURADORIA DO ESTADO, OBJETIVANDO, COM ISSO, GARANTIR UM MAIOR AFASTAMENTO ENTRE O PROJETO DA PRAÇA PRÉDIO, MAIS SINGELO, E QUE RESPEITA A ESCALA DO PEDESTRE, GRAÇAS A OPÇÃO DE UM GABARITO BAIXO, E O PRÉDIO ALTO DA PROCURADORIA, EVITANDO QUE ESTE ÚLTIMO “ENGOLISSE” O PROJETO.

IDÉIA 6 - A ESCOLHIDA


AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

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ACIMA SE APRESENTAM OS CORTES ESQUEMÁTICOS DA PRIMEIRA IDÉIA, BEM COMO OS CORTES DA IDÉIA FINAL, REVELANDO AS ALTERAÇÕES SOFRIDAS DURANTE O PROCESSO DE DEFINIÇÃO DAS AÇÕES PROJETUAIS.


AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

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IDÉIA 2: APENAS UMA ENTRADA PARA O EIXO SUBTERRÂNEO, ACESSADO PELO INTERIOR DO EDIFÍCIO FUNCIONAL, O QUE DARIA UMA SEGURANÇA MAIOR A ESSA PASSAGEM PARA A ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA.

IDÉIA 3: SOMATÓRIA DOS PONTOS POSITIVOS DAS OUTRAS DUAS IDÉIAS: DUAS ENTRADAS SEGURAS E ESTIMULADORAS ATENDENDO AOS DOIS FLUXOS, UM SENTIDO BAIRRO E OUTRO SENTIDO ESCOLA-PROCURADORIA. ISSO PORQUE O EDIFÍCIO FUNCIONAL SE PROLONGA PARA O SUBSOLO, GARANTINDO O CONTROLE DAS ENTRADAS E AINDA SE MANTÉM O EFEITO SURPRESA VISTO QUE AS ENTRADAS ESTÃO EM COTA NEGATIVA.

IDÉIA 1: OS EIXOS SUBTERRÂNEOS SERIAM ACESSADOS PELO VOLUME SUBTERRÂNEO DA PRAÇA EDIFÍCIO. NESSE CASO, UM DOS PONTOS FORTES É PRESENÇA DO FATOR SURPRESA, POIS DA COTA ZERO NÃO SE ENXERGAM AS ENTRADAS PARA O EIXO, ENTRETANTO É MAIS INSEGURO POIS NÃO HÁ UM CONTROLE NA ENTRADA DAS PESSOAS, SOBRETUDO À NOITE, POIS O VOLUME SUBTERRÂNEO FICA ABERTO TODO O TEMPO

DURANTE O PROCESSO DE DEFINIÇÃO DAS AÇÕES PROJETUAIS, QUE REVELAM A BASE DO PROJETO, TAMBÉM SE ESTUDOU POR ONDE SE DARIA O ACESSO PARA O EIXO SUBTERRÂNEO PELA PRAÇA EDIFÍCIO. POR FIM,


COBERTURA EM PLACAS TRIÂNGULARES

É IMPORTANTE DIZER TAMBÉM QUE A ANÁLISE DA ESTRUTURA DO CARANGUEJO FOI PRIMORDIAL PARA A TRADUÇÃO DE UMA PLÁSTICA PARA O PROJETO, ENCONTRANDO A FORMA CRUA DA PRAÇA PRÉDIO, QUE SOFREU REFINAMENTOS DURANTE O PERCURSO DE TGI. .

AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

COM RELAÇÃO À FORMA ARQUITETÔNICA DO PRÉDIO EM SI, BUSCOU-SE TRADUZIR A FORTE GEOMETRIA PRESENTE NAS RAÍZES DESORDENADAS DO MANGUE EM UMA COBERTURA FORMADA POR PLACAS TRIÂNGULARES QUE GERASSE UM DINAMISMO À TOPOGRAFIA DO TERRENO, CONFORME EXPOSTO NO DESENHO AO LADO.

JÁ NO QUE CONCERNE AO CONCEITO DESENVOLVIDO CARAPAÇA E A IDÉIA DA PELE SOBRE A ESTRUTURA

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O CARANGUEJO, UMA ESPÉCIES MAIS CARACTERÍSTICAS DO MANGUEZAL, TEM SEU CORPO COBERTO E PROTEGIDO POR UMA CARAPAÇA BEM RESISTENTE. A PARTIR DISSO, OPTA-SE POR CRIAR UMA ESTRUTURA METÁLICA PARA O PRÉDIO POR SOBRE A QUAL SERIA POUSADA UMA PELE DE VIDRO. ENTRETANTO, SE A IDÉIA ERA CRIAR UMA TRADUÇÃO PARA A CASCA DO CARANGUEJO, ESSA TRADUÇÃO NÃO É LITERAL, POIS FOGE-SE DA OPÇÃO POR UMA COBERTURA PESADA, DE FORMA QUE A PRAÇA PRÉDIO GANHA LEVEZA QUANDO OPTA-SE PELO VIDRO COMO VEDAÇÃO.


AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

POR FIM, EM UMA ETAPA ANTERIOR À DEFINIÇÃO DO PROGRAMA ESPECÍFICO DA PRAÇA PRÉDIO, CRIARAM-SE 3 CLASSIFICAÇÕES A FIM DE GUIAR A PRODUÇÃO DOS ESPAÇOS INTERNOS DO PROJETO. ADEMAIS, O CARÁTER DE CADA UM DESSES ESPAÇOS TEM REFLEXO NO TAMANHO DAS ABERTURAS DA PELE DE VIDRO DA COBERTURA, VARIANDO O MODO COMO A LUMINOSIDADE ENTRA NO PROJETO, ORA COM MAIS INTENSIDADE ORA COM MENOS. AS 3 CLASSIFICAÇÕES SÃO:

PARA A ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS INTERNOS, SABENDO-SE QUE A ESTRUTURA DO ABDOMEN DO CARANGUEJO APRESENTA UMA SÉRIE DE MEMBRANAS QUE FORMAM NICHOS, BUSCOU-SE TRABALHAR COM A IDÉIA DE UM ESPAÇO NÃO DESVENDÁVEL NA SUA TOTALIDADE EM UM ÚNICO GOLPE DE VISTA. OBJETIVAVA-SE UM DESCOBRIMENTO DO ESPAÇO PELO USUÁRIO DE MODO QUE OS AMBIENTES SE MOSTRASSEM AOS POUCOS, SENDO GUIADOS POR PLANOS QUE ORIANTASSEM O OLHAR, MAS QUE, AO MESMO TEMPO CONFERE UM QUÊ LABIRÍNTICO.

ABDOMEN DO CARANGUEIJO

AMBIENTES DE USO EXTERNO: AQUELES CUJO USO INDEPENDE DA FUNÇÃO ESPECÍFICA DO EDIFÍCIO, PODE SER POR EXEMPLO: BANHEIROS PÚBLICOS, RESTAURANTES, CAFÉS, ENTRE OUTROS. QUANTO À PELE DE VIDRO, OPTA-SE POR USAR GRANDES ABERTURAS PARA QUE AS PESSOAS POSSAM IDENTIFICAR FACILMENTE DE FORA ESSES SERVIÇOS.

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A OPÇÃO POR ESSE TIPO DE CAMINHAR VISA PERMITIR AO USUÁRIO UM MERGULHO AO PROJETO, REMETENDO A PERDA DE REFERÊNCIA ESPACIAL COMUM A UM AMBIENTE NATURAL, COMO O MANGUE. VALE LEMBRAR AINDA QUE A IDÉIA DE MONUMENTOS E MARCOS FOI ALGO CRIADO PELO HOMEM, E, PORTANTO, ARTIFICIAL. ENTRETANTO, É BOM LEMBRAR QUE A AÇÃO DO DESVENDAR NÃO DEVE ATRAPALHAR A LEGIBILIDADE DO TODO, GARANTINDO CLAREZA E LIMPEZA FORMAL AO PROJETO.

AMBIENTES NICHO: AMBIENTE DE USO MAIS RESTRITO E ESPECÍFICO, PORTANTO A ILUMINAÇÃO NÃO É TÃO FORTE (PELE MENOS POROSA) A FIM DE NÃO ATRAPALHAR A ATIVIDADE QUE ALI SERÁ REALIZADA.

PLACAS QUE GUIAM O CAMINHAR

ESPAÇOS DE PASSAGEM: TRATAM-SE DE UM PRELÚDIO AO EIXO SUBTERRÂNEO E, POR CONSEGUINTE, À ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA. SÃO ESPAÇOS EM QUE A CIRCULAÇÃO É INTENSA POIS É PRECISO PERCORRÊ-LOS PARA ACESSAR O EIXO SUBTERRÂNEO. USO DE ABERTURAS MEDIANAS NA PELE.


AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO

PARA TANTO, UTILIZOU-SE COMO FERRAMENTA DE TRABALHO A MAQUETE FÍSICA, QUE PERMITIA UMA MAIOR MALEABILIDADE DA FORMA, JÁ QUE SE TRATAVA DE UM TECIDO ELÁSTICO, QUE POSSIBILITAVA UMA EXPERIMENTAÇÃO DE COMO SE DARIA A PROGRESSÃO DAS ALTURAS DOS VÉRTICES DAS PLACAS.

EIXO DECIRCULAÇÃO FUNCIONAL

UTILIZANDO OS PRINCÍPIOS DE IMPLANTAÇÃO EXPLICITADOS ANTERIORMENTE, PARTIU-SE PARA O ESTUDO DA TRIANGULAÇÃO DA COBERTURA DA PRAÇA PRÉDIO.

EXPERIMENTAÇÃO COM O TECIDO ELÁSTICO

ESTUDOS PARA DEFINIÇÃO DAS TRIANGULAÇÕES DA PRAÇA PRÉDIO

PARA ANALISAR ESSAS INCLINAÇÕES E COMO OS PONTOS DAS ALTURAS SERIAM LIGADOS FORMANDO AS ARESTAS, FORAM FEITOS ESTUDOS NO PHOTOSHOP QUE, POR UTILIZAR DA GRADAÇÃO DE VERMELHO, CRIAVA A NOÇÃO DE ALTOS E BAIXOS. COM ISSO, FOI OPTADO PELA TRIANGULAÇÃO QUE PARECIA PERMITIR UM CAMINHAR FLUIDO, SEM TANTAS DIFICULDADES, PARA TORNAR O ESPAÇO CONVIDATIVO À EXPLORAÇÃO.

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O OBJETIVO ERA GARANTIR UMA INCLINAÇÃO SUAVE NA ÁREA DESTINADA AO EIXO DE CIRCULAÇÃO FUNCIONAL / DESCANSO, DESTACADO PELA SETA EM AMARELO, PARA QUE NÃO HOUVESSE UM DESCONFORTO PARA O PASSANTE. ISSO PORQUE ESSE EIXO NÃO ESTÁ NO MESMO NÍVEL DA RUA, ELE SE SUSPENDE ADQUIRINDO UMA CERTA ALTURA NO MEIO DO PERCURSO E DEPOIS VOLTA A DESCER.


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OPÇÃO ESCOLHIDA PARA AS TRIANGULAÇÕES DA COBERTURA

PRIMEIRO ESTUDO DAS ARESTAS E INCLINAÇÕES DA OBERTURA

AÇOES PROJETUAIS_PRAÇA EDIFÍCIO


AÇÕES PROJETUAIS_EIXO SUBTERRÂNEO O USO DE UMA MEIA LUZ ARTIFICIAL E PÉ-DIREITO MAIS BAIXO CRIA UM AMBIENTE ESCURO E QUASE QUE SOMBRIO POR ONDE OS USUÁRIOS PERCORREM ATÉ ENCONTAR A ESTRUTURA SUSPENSA, QUE SE ABRE PARA A LUZ.

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COM APROXIMADAMENTE 62M DE EXTENSÃO, O OBJETIVO DO EIXO SUBTERRÂNEO É PROVOCAR UMA SENSAÇÃO SIMBÓLICA DE OPRESSÃO NOS USUÁRIOS, OPRESSÃO ESSA QUE A CIDADE EXERCE SOBRE AS PESSOAS E O MEIO AMBIENTE. ALÉM DISSO, BUSCA-SE A EXPERIÊNCIA DE SE VIVER EMBAIXO DA TERRA, COMO CARANGUEJO.


AÇÕES PROJETUAIS_EIXO SUBTERRÂNEO

POR SE TRATAR DE UM AMBIENTE ENTERRADO, HAVIA A NECESSIDADE DE SE PENSAR EM COMO ILUMINAR O ESPAÇO. IDÉIA 1: INICIALMENTE, PENSOU-SE EM UMA ILUMINAÇÃO NATURAL ZENITAL, ATRAVÉS DE RASGOS NO TETO, LEMBRANDO AS FRESTAS DAS PINGUELAS QUE LEVAM ÀS PALAFITAS. DESTAS FRESTAS, SERIA POSSÍVEL VER E OUVIR OS CARROS PASSANDO PELA AVENIDA. ENTRETANDO, O MEDO E O SENTIMENTO DE OPRESSÃO DEVERIA SE DAR DE MANEIRA SIMBÓLICA, PORQUE SENÃO PODERIA AFASTAR AS PESSOAS DO PROJETO. POR ISSO, TAL OPÇÃO FOI DESCARTADA.

IDÉIA 2: PARTINDO PARA A SOLUÇÃO DA ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL, UMA POSSIBILIDADE É LEVANTAR O PISO PARA QUE A ILUMINAÇÃO CORRA EMBAIXO DO MESMO, PROPICIANDO UMA ILUMINAÇÃO INDIRETA E DIFUSA.

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IDÉIA 3: A OPÇÃO ESCOLHIDA SE APROVEITA DOS NICHOS LATERAIS GERADOS PELA SEQUÊNCIA DE PÓRTICOS DO EIXO SUBTERRÂNEO PARA EMBUTIR A ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL, NO PISO OU NA PRÓPRIA PAREDE LATERAL


AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA QUANTO À ESTRUTURA SUSPENSA, A SER IMPLANTADA NA REGIÃO ONDE EXISTIRA O TERMINAL AQUAVIÁRIO DE VITÓRIA, HOJE EXTINTO, O QUE MAIS ME CHAMAVA A ATENÇÃO ERA SUA POSIÇÃO ESTRATÉGICA QUANTO ÀS VISUAIS, OU SEJA, QUANTO AOS PONTOS DE MIRADA QUE A BAÍA OFERECIA.

DESSA FORMA, DEVIDO À EXUBERÂNCIA DA BAÍA, A ESTRUTURA SUSPENSA DEVERIA SER A PEÇA DE MAIOR DESTAQUE VISUAL DENTRE AS PARTES QUE FORMAM A TRÍADE DO PROJETO, DE MODO QUE SEU GABARITO DEVERIA SER MAIOR QUE O DA PRAÇA PRÉDIO A FIM DE DIALOGAR COM OS MORROS DA BAÍA.

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NESSE SENTIDO, FORAM OBSERVADOS TRÊS PONTOS DE INTERESSE PARA A APRECIAÇÃO E INCORPORAÇÃO AO PROJETO: PRIMEIRAMENTE, A PEDRA DO PENEDO JUNTAMENTE COM O PORTO DE VITÓRIA; EM SEGUNDO LUGAR, UMA ÁREA ONDE BARCOS DE PESCADORES SÃO ATRACADOS E RESQUÍCIOS DE PALAFITAS SÃO ENCONTRADAS; E, POR ÚLTIMO, UMA RUÍNA DE UM ANTIGO PRESÍDIO QUE HOJE É UM PRÉDIO HISTÓRICO.


RUÍNA DO PRESÍDIO

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BARCOS DE PESCADORES

PEDRA DO PENEDO E PORTO DE VITÓRIA LOGO AO FUNDO

AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

ÁREA DE PROJETO


ASSIM, PRIMEIRO TRAÇARAM-SE RETAS A PARTIR DA TRIANGULAÇÃO DA PRAÇA PRÉDIO PARA QUE ESSA NOVA ESTRUTURA FOSSE UM PROLONGAMENTO DA ANTERIOR. ISSO PORQUE UM ÚNICO GESTO DEVERIA CONTAGIAR TODO O PROJETO, PARA QUE AS TRÊS PARTES COMPONENTES DO TODO TIVESSEM UMA FORMA FLUÍDA E CONTÍNUA. O OBJETIVO COM ISSO ERA CRIAR A SENSAÇÃO DE QUE A ESTRUTURA PRESENTE NA PRAÇA AFUNDA, SOME NA TERRA E EMERGE DO OUTRO LADO DA AVENIDA NA FORMA DO PRÉDIO SUSPENSO SOBRE A BAÍA, COMO AS RAÍZES DO MANGUEZAL, QUE SE AFLORAM POR SOBRE A ÁGUA.

AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

SABENDO DA IMPORTÂNCIA DAS VISUAIS DA BAÍA PARA O PROJETO DA ESTRUTURA SUSPENSA, A DEFINIÇÃO DO CONTORNO / LIMITE DO PRÉDIO SE DÁ A PARTIR DESSAS LINHAS DE FORÇA.

DESTE MODO, A PARTIR DESSES PROLONGAMENTOS DE LINHAS, SURGEM FACES, CADA QUAL VOLTADA PARA UM PONTO ESPECÍFICO DE MIRADA, COMO DESTACADO NO DESENHO AO LADO.

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DESENHO DO CONTORNO DO PRÉDIO SUSPENSO

POR FIM, CRIA-SE UM AFASTAMENTO MAIOR ENTRE A ESTRUTURA SUSPENSA E A VIA DESTINADA AOS ÔNIBUS QUE FAZEM PARADA NA REGIÃO. DESSA FORMA, TEM-SE UMA GRANDE ÁREA QUE SE CONFIGURA AO MESMO TEMPO COMO MIRANTE, MAS TAMBÉM COMO ÁREA DE RESPIRO E DESCANSO PARA AS PESSOAS QUE PEGAM O TRANSPORTE PÚBLICO.


DESENHO DAS TRIANGULAÇÕES

AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

POSTO QUE UMA DAS PREMISSAS PARA A ELABORAÇÃO DO PRÉDIO SUSPENSO POR SOBRE A BAÍA ERA QUE ELE MANTIVESSE A MESMA LINGUAGEM FORMAL PRESENTE NA COBERTURA TRIANGULADA DA PRAÇA PRÉDIO, CHEGOU-SE AO DESENHO DA TRIANGULAÇÃO BÁSICA DA ESTRUTURA SUSPENSA, CONFORME EXPOSTO ACIMA.

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ESSE DESENHO SURGE A PARTIR DA CRIAÇÃO DE RETAS NO INTERIOR DO CONTORNO DA IMPLANTAÇÃO OBTIDA, GRAÇAS A LIGAÇÃO ENTRE VÉRTICES OU DE UM VÉRTICE COM O PONTO MÉDIO DA FACE OPOSTA, OU AINDA DA RETA NORMAL A PARTIR DE UM VÉRTICE.


AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

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PASSOU-SE, ENTAO, PARA A ETAPA DE EXPERIMENTAÇÃO COM A MAQUETE FÍSICA EM PAPEL. ISSO ME PERMITIA TRABALHAR COM AS ALTURAS DO PRÉDIO. O OBJETIVO DA MANIPULAÇÃO ERA CONFERIR UMA MOVIMENTAÇÃO INSTIGANTE À COBERTURA.

EXPERIMENTAÇÕES COM A MAQUETE


ESSE CAMINHAR INCORPORA A IDÉIA DE ARQUITETURA COMO PERCURSO, DE UM ESPAÇO EM MOVIMENTO E NÃO MONÓTONO. NESSE CONTEXTO, SEGUNDO BERNARD TSCHUMI “os corpos não apenas se movem adiante mas também criam espaços produzidos por e através de seus movimentos”. AINDA COM RELAÇÃO À ESSA TRADUÇÃO, BUSCOU-SE CRIAR UM ESPAÇO NEGATIVO AO PERCURSO QUE ASSUMISSE FORMAS TRIANGULARES E QUE CONSTITUIRIAM AS PRAÇAS SUSPENSAS DESTA PARTE DO PROJETO, ESPAÇOS DE MIRADA PARA AS VISUAIS DE INTERESSE. ESSES RESPIROS PARA O CAMINHAR SÃO A TRADUÇÃO DAS FORMAS GEOMÉTRICAS QUE SURGEM NOS ESPAÇOS VAZIOS ENTRE AS RAMIFICAÇÕES DAS RAÍZES DO MANGUEZAL, CONFORME EXPLANADO NO ITEM SOBRE SOLIDARIEDADE DA FORMA PRESENTE NA SEÇÃO SOBRE AS LEITURAS DO MANGUEZAL DESTE CADERNO DE TGI II.

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AINDA COM RELAÇÃO ÀS PRAÇAS SUSPENSAS, OBJETIVAVA-SE SENSIBILIZAR O USÚARIO COM UM FENÔMENO IMPORTANTE NA CONSTITUIÇÃO DA PAISAGEM DO MANGUE: O REGIME DAS MARÉS. ASSIM, O PROCESSO DE SUBIDA E DESCIDA DA ÁGUA PODERIA SER SENTIDO QUANDO SE ESTIVESSE NAS PRAÇA VAZADA EM VIRTUDE DA OPÇÃO POR UM PISO EM VIDRO, QUE PROVOCARIA A SENSAÇÃO DO ORA PROXIMIDADE ORA AFASTAMENTO DO MAR.

ESQUEMA DA DISPOSIÇÃO INTERNA DOS ESPAÇOS

TENDO EM VISTA QUE A ESTRUTURA DAS ÁRVORES DO MANGUEZAL É RESULTADO DE RAMIFICAÇÕES DE UM EIXO CENTRAL A PARTIR DE UM NÓ E REBATENDO ALGUMAS LINHAS DE FORÇA PRESENTES NA TRIANGULAÇÃO DA COBERTURA, DEFINIU-SE ONDE SE DARIA O CAMINHAR DO PROJETO, ESTABELECENDO-SE UM EIXO PRINCIPAL, A PARTIR DO QUAL SE DESDOBRAM OUTROS DOIS.

PISO EM VIDRO DAS PRAÇAS SUSPENSAS

AÇÕES PROJETUAIS_ESTRUTURA SUSPENSA

QUANTO À DISPOSIÇÃO INTERNA DO PRÉDIO, ESTA FOI RESULTADO DA TRADUÇÃO DA LEITURA DAS RAÍZES EXPOSTAS DO MANGUE NA FORMA DE PROJETO.


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O PROJETO


O PROJETO_MATERIALIDADE

DE POSSE DE UM CONCEITO GERAL DA TRÍADE FORMADORA DO PROJETO, TANTO NOS QUESITOS DE CIRCULAÇÃO, FUNCIONALIDADE, GABARITO E FORMA GERAL, PASSOU-SE PARA A ETAPA DE PROJETO PROPRIAMENTE DITO. PRIMEIRAMENTE, PENSOU-SE NA MATERIALIDADE DO TODO, A FIM DE MANTER SEMPRE UMA MESMA LINGUAGEM. NESSE SENTIDO, OPTOU-SE POR EMPREGAR O AÇO PATINÁVEL COM PAPEL ESTRUTURAL E O VIDRO COMO MATERIAL DE VEDAÇÃO, OU SEJA, UMA OPÇÃO OPACA E OUTRA OPÇÃO TRANSLÚCIDA A FIM DE PERMITIR A EXPLORAÇÃO DE ESCALAS DE LUZ NO PROJETO, ENTRE O CLARO E O ESCURO, EXPERIÊNCIAS RETIRADAS DAS LEITURAS SOBRE O MANGUE.

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EM TERMOS ESTRUTURAIS, O EMPREGO DO AÇO EM UM PROJETO COM GRANDES VÃOS ME PERMITIA CRIAR UMA ESTRUTURA MAIS LEVE, COM VIGAS MENOS ROBUSTAS. ADEMAIS, SEU USO ERA IMPORTANTE EM UMA ÁREA DE PROJETO QUE SOFRE COM A BRISA MARINHA, OU MESMO COM OS RESPINGOS DO MAR. ISSO PORQUE O AÇO PATINÁVEL TEM PROPRIEDADES ANTI-CORROSIVAS, OXIDANDOSE E ADQUIRINDO A COR AVERMELHADA COM O PASSAR DO TEMPO, TONALIDADE ESSA PREDOMINANTE NO MANGUEZAL. METAFORICAMENTE, A OPÇÃO POR UM MATERIAL QUE SE MODIFICA COM O TEMPO TRADUZ, DE CERTA FORMA, AS TRANSFORMAÇÕES QUE O MANGUEZAL VIVEU NO DECORRER DAS DÉCADA. ALÉM DO FATO DO AÇO PATINÁVEL TER UM ACABAMENTO BRUTO, REFLETINDO SOBRE AO PROCESSO DE MARGINALIZAÇÃO EXPERENCIAD0 POR ESSE ECOSSISTEMA TÃO RICO.


O PROJETO_O TODO COMO DITO ANTERIORMENTE, A UNIDADE ENTRE AS TRÊS ESTRUTURAS QUE COMPÕEM O PROJETO É GARANTIDA POR UMA COBERTURA TRIANGULADA QUE NASCE NA QUADRA, AFUNDA E EMERGE POR SOBRE AS ÁGUAS DA BAÍA, NUMA BUSCA POR UMA CONTINUIDADE DA RAMPA QUE COMPÕE O EIXO DE CIRCULAÇÃO FUNCIONAL DO PROJETO DA PRAÇA PRÉDIO, CONFORME PODE SE VERIFICAR NAS IMAGENS ACIMA. ENTRETANTO, SE A RAZÃO MAIOR DE SER DA PRAÇA EDIFÍCIO É PROPORCIONAR UMA APROXIMAÇÃO À ESCALA DO PEDESTRE, ATRAVÉS DA OPÇÃO POR UM GABARITO REDUZIDO QUE NÃO SE TORNE UMA BARREIRA AO PERCURSO NO SENTIDO ESCOLA-PROCURADORIA, NA ESTRUTURA SUSPENSA A RELAÇÃO É OUTRA COM O PEDESTRE, SOBRETUDO DEVIDO À ESCALA DO EDIFÍCIO, TENDO EM VISTA QUE EM UM DOS VÉRTICES DAS TRIANGULAÇÕES O PRÉDIO ATINGE 24,5M DE ALTURA, ENQUANTO O EDIFÍCIO DA PRAÇA NÃO ULTRAPASSA OS 9,2M. ASSIM, SE A PRAÇA PRÉDIO CONVIDA A PESSOA A SUBIR E CIRCULAR SOBRE SUA COBERTURA, A ESTRUTURA SUSPENSA DEIXA CLARO ESSE AFASTAMENTO PARA COM O PASSANTE, TORNANDO-SE APENAS OBJETO PARA O OLHAR. ESSA QUESTÃO É ENFATIZADA PELO RASGO QUE SEPARA O MIRANTE DA ESTRUTURA SUSPENSA, COMO SE PODE OBSERVAR ABAIXO

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ALÉM DESSE DISTANCIAMENTO, O RASGO DEIXA ENTREVER QUE ALGO ACONTECE NO SUBSOLO, NA MEDIDA EM QUE REVELA UM RAMPADO QUE NASCE EMBAIXO DA TERRA E TERMINA NO INTERIOR DO PRÉDIO SUSPENSO, ESTIMULANDO A CURIOSIDADE.


O

NE

 RR

TE

B SU

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O EIX

IMPLANTAÇÃO

O PROJETO_O TODO


O PROJETO_O PROGRAMA

SABENDO DA DEFICIÊNCIA DE EQUIPAMENTOS CULTURAIS PÚBLICOS DISPONÍVEIS À POPULAÇÃO NOS BAIRROS QUE CERCAM O PROJETO, DESENVOLVERAM-SE NOS ESPAÇOS EDIFICADOS DOIS PROGRAMAS EM ESPECÍFICO: UMA BIBLIOTECA PÚBLICA E UM MUSEU PÚBLICO. ISSO PORQUE SE ENTENDEU QUE ESSES DOIS USOS ERAM COMPLEMENTARES NO QUE CONCERNE À DEMOCRATIZAÇÃO E AO ACESSO AO CONHECIMENTO, MAS, SOBRETUDO, POR SE TRATAREM, HISTORICAMENTE, DE ESPAÇOS DE SOCIABILIZAÇÃO E DE INTEGRAÇÃO DE UMA COMUNIDADE A PARTIR DO SABER. ENTRETANTO, VALE ENALTECER QUE, EMBORA ESSES USOS TENHAM SURGIDO A PARTIR DE UMA DEMANDA LOCAL, DA MESMA FORMA QUE A COBERTURA DO PROJETO SE TORNA ÍCONE NA PAISAGEM DA CIDADE, TAMBÉM DEVE SER ÍCONE O PAPEL QUE O PROJETO DESEMPENHA EM TERMOS DE CULTURA PARA O ÂMBITO DE TODA A CIDADE, TORNANDO-SE UMA POLO ATRATOR E DIFUSOR DE CULTURA. ADEMAIS, EMBORA UM MUSEU E UMA BIBLIOTECA SEJAM, À PRIMEIRA VISTA, PROGRAMAS TRADICIONAIS, A ORGANIZAÇÃO ESPACIAL INTERNA DESSES AMBIENTES, CONFORME SE VERÁ A SEGUIR, BUSCA TRADUZIR O DINAMISMO E O CARÁTER EXPLORATÓRIO DA COBERTURA FLUÍDA DO PROJETO, EM UMA ATITUDE DE NEGAÇÃO À NEUTRALIDADE DOS ESPAÇOS. ISSO PORQUE SE VÊ A ARQUITETURA COMO INSTRUMENTO DE FOMENTO ÀS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS PELOS SEUS USUÁRIOS. PORTANTO, A EXPLORAÇÃO DO ESPAÇO DEVE FAZER PARTE DO PROCESSO PROJETUAL.

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DESPIDO DE UM PRINCÍPIO ORDENADOR, UMA VEZ QUE TANTO A BIBLIOTECA QUANTO O MUSEU PROPOSTOS AQUI NÃO SÃO APENAS SUPORTES PARA OS OBJETOS COM O QUAL TRABALHAM, NÃO HÁ UMA HIERARQUIA PADRÃO NA ESTRUTURAÇÃO DOS AMBIENTES, CONFORME SE VERIFICARÁ NAS PÁGINAS ADIANTE. ISSO PORQUE TODOS ELES SÃO IGUALMENTE IMPORTANTES POIS CADA UM PROVOCA UMA SENSAÇÃO DISTINTA AO USUÁRIO. COMO DITO ANTERIORMENTE, O PROJETO PROCURA TRABALHAR COM UM CRÍTICA À NEUTRALIDADE DO ESPAÇO. DESTE MODO, COM UMA ARQUITETURA INSTIGANTE E PRODUTORA DE SENSAÇÕES BUSCA-SE DESENVOLVER UM SER QUE VIVA O ESPAÇO E NÃO APENAS O VISITE, E QUE NÃO SEJA APENAS EXPECTADOR PASSIVO, MAS SE TORNE PARTICIPANTE DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO.


planta dos ambietes semi-enterrados do espaço para uso externo

O PROJETO_PRAÇA PRÉDIO

CAIXA D’ÁGUA

CAIXA D’ÁGUA

planta dos ambientes semi-enterrados da biblioteca, embaixo da área para consulta e estudo BANHEIRO FEMININO

CABINES DE LEITURA INDIVIDUAL

BANHEIRO MASCULINO RESTAURANTE / BAR

ÁREA DE ALIMENTAÇÃO VIDEOTECA

TERMINAIS PARA ACESSO À INTERNET

ÁREA PARA CONSULTA E ESTUDO ATENDIMENTO E COPIADORA

ACERVO

CONFORME DESENVOLVIDO DURANTE O MOMENTO DAS AÇÕES PROJETUAIS, O PROJETO DA PRAÇA PRÉDIO ABRIGARIA TRÊS TIPOS DE ESPAÇOS: AMBIENTES DE USO EXTERNO, AMBIENTES “NICHO” E ESPAÇOS DE PASSAGEM. NOS TRÊS CASOS, A ORGANIZAÇÃO INTERNA SE DÁ A PARTIR DO REBETIMENTO EM PLANTA DAS LINHAS QUE FORMAM A COBERTURA.

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CORTE AA


O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO planta nível o,om

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LEGENDA: 1 2 3 4 5 6 7 8 9

-

ESTAR / ÁREA DE LEITURA INFORMAL CABINES DE LEITURA INDIVIDUAL ÁREA PARA CONSULTA E ESTUDO ATENDIMENTO E COPIADORA TERMINAIS MULTIMÍDIA VIDEOTECA TERMINAIS COM ACESSO À INTERNET ADMINISTRAÇÃO ÁREA DE ALIMENTAÇÃO

10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

-

RESTAURANTES / BAR BANHEIRO ACESSÍVEL PALCO PRAÇA REBAIXADA ESPAÇO DE APROPRIAÇÃO ALMOXARIFADO BANHEIRO MASCULINO BANHEIRO FEMININO ÁREA DE DEP. DE LIMPEZA EIXO SUBTERRÂNEO

ESPAÇOS DE PASSAGEM

SERVIÇOS

AMBIENTES DE USO EXTERNO

AMBIENTES SEMI-ENTERRADOS

AMBIENTE NICHO ESPAÇOS DE IMERSÃO

EIXO SUBTERRÂNEO


PRAÇA REBAIXADA

vista sentido espaço de apropriação - praça rebaixada

QUANTO AOS AMBIENTES DE USO EXTERNO, DESTACADOS EM AMARELO NA PLANTA DO NÍVEL 0,0M E NA PLANTA DOS AMBIENTES SEMI-ENTERRADOS, VALE DIZER QUE ELES ABRIGAM: 01 ÁREA DE ALIMENTAÇÃO, 02 RESTAURANTES / BAR, 01 BANHEIRO FEMININO, 01 BANHEIRO MASCULINO, 01 BANHEIRO ACESSÍVEL E 01 PALCO.

O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO

ESPAÇO DE APROPRIAÇÃO

vista da calçada sentido praça rebaixada - espaço de apropriação

ESSES ESPAÇOS ESTÃO RELACIONADOS A UM USO MAIS COTIDIANO DA PRAÇA PRÉDIO POR PESSOAS QUE TRABALHAM OU MORAM NA REGIÃO E SE UTILIZARIAM DESTES ESPAÇOS COMO APOIO ÀS SUAS NECESSIDADES CORRIQUEIRAS. PORTANTO, O ACESSO A ESSES AMBIENTES É COMPLETAMENTE INDEPENDENTE DOS DEMAIS ESPAÇOS QUE CONSTITUEM A PRAÇA PRÉDIO. ao fundo: vista da estrutura suspensa sobre a baía

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ADEMAIS, ESSES AMBIENTES DESEMPENHAM UMA FUNÇÃO IMPORTANTE: DEVIDO À EXISTÊNCIA DE DUAS GRANDES ABERTURAS, UMA VOLTADA PARA A PRAÇA REBAIXADA E OUTRA PARA O ESPAÇO DE APROPRIAÇÃO DO PROJETO, PERMITE-SE UMA LIGAÇÃO VISUAL ENTRE ESSES DOIS AMBIENTES. ALÉM DISSO. EM VIRTUDE DESSA ABERTURA, É POSSÍVEL VISUALIZAR A ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA DO OUTRO LADO DA AVENIDA.


O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO

OS BANHEIROS FEMININO E MASCULINO ENCONTRAM-SE EM UMA COTA NEGATIVA DE 2,70M, O QUE PERMITE CONFERIR UM AMBIENTE MAIS RESERVADO A ESSA FUNÇÃO, JÁ QUE NÃO SE ENCONTRA NO MESMO NÍVEL DA ÁREA DE ALIMENTAÇÃO, SENDO CONECTADOS POR UMA ESCADA. POR SE ENCONTRAR SEMI-ENTERRADO, É NECESSÁRIO PREVER DUTOS DE VENTILAÇÃO FORÇADA PARA ESTES ESPAÇOS. O BANHEIRO ACESSÍVEL FICA NO MESMO PATAMAR DA ÁREA DE ALIMENTAÇÃO, À - 0,9M, SENDO SEU ACESSO POSSÍVEL GRAÇAS À PRESENÇA DE UMA RAMPA TAMBÉM ACESSÍVEL QUE VENCE O DESNÍVEL ENTRE ESPAÇO DE APROPRIAÇÃO E A ÁREA DE ALIMENTAÇÃO.

O ESPAÇO DO PALCO SERVE TANTO À ÁREA DE ALIMENTAÇÃO QUANTO À PRAÇA REBAIXADA. POR SE ENCONTAR EM UMA COTA MAIS ALTA QUE A PRAÇA REBAIXADA, PERMITE A REALIZAÇÃO DE PEQUENOS SHOWS AO AR LIVRE, REVELANDO UM TIPO DE OCUPAÇÃO DIFERENTE PARA A PRAÇA REBAIXADA.

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EM DESTAQUE A ÁREA DE ALIMENTAÇÃO: SERVIDA POR DOIS RESTAURANTES / BAR. DEVIDO À PROXIMIDADE COM O ESPAÇO DE APROPRIAÇÃO, ESTE ÚLTIMO PODE SE TORNAR TAMBÉM UM AMBIENTE PARA A REALIZAÇÃO DE PEQUENOS LANCHES À SOMBRA DAS ÁRVORES QUE FORMAM O PAISAGISMO DESSA ÁREA.


O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO percurso em zig zag

ESSA DINÂMICA DE MOVIMENTO, QUASE QUE EM UM FORMATO DE ZIG-ZAG, CONFERE UM QUÊ LABIRÍNTICO AO ESPAÇO, TORNANDO-SE PROPÍCIO À EXPERIÊNCIA DE EXPLORAR E DE DESCOBRIR. COMO SE OBSERVA A PARTIR DA IMAGEM AO LADO É NOS ESPAÇOS DE PASSAGEM QUE SE DESENVOLVE O ACERVO DA BIBLIOTECA, OCUPANDO AS PAREDES QUE SE FORMAM A MEDIDA EM QUE SE DESCEM AS RAMPAS E SE REDUZ A COTA.

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o acervo

SABENDO QUE UMA DAS PRERROGATIVAS DESENVOLVIDAS DURANTE O MOMENTO DAS AÇÕES PROJETUAIS PARA O PROJETO DA PRAÇA PREDIO FORA QUE ELE ASSUMISSE UMA ESCALA MAIS PROXIMA A DO PASSANTE E TENDO EM VISTA QUE DELE PARTIRIA O EIXO SUBTERRÃNEO, ALÉM DA NECESSIDADE DE SE CRIAR UM ESPAÇO LEGÍVEL MAS AO MESMO TEMPO INSTIGANTE, OS ESPAÇOS DE PASSAGEM (DESTACADOS EM AZUL NAS PLANTAS), UM PRELÚDIO AO MUSEU, FORAM DESENVOLVIDOS AFUNDANDO-SE GRADUALMENTE NO SOLO, ATRAVÉS DE UM SISTEMA DE RAMPAS E PATAMARES QUE CONFERISSE FLUIDEZ NECESSÁRIA A UMA CONTINUIDADE ENTRE BIBLIOTECA - EIXO SUBTERRANEO E MUSEU.


em primeiro plano: área de leitura informal em primeiro plano: terminais para acesso à internet em primeiro plano: área de consulta e estudos

O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO

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AO MESMO TEMPO, CRIAM-SE PATAMARES QUE SE CONSTITUEM COM ESPAÇOS DE IMERSÃO, DESTACADOS EM VERDE NA PLANTA DO NÍVEL O,0M. ESSES AMBIENTES ENGLOBAM: 01 ESTAR / ÁREA DE LEITURA INFORMAL, 01 ESPAÇO COM CABINES DE LEITURA INDIVIDUAL, 02 ESPAÇOS PARA CONSULTA E ESTUDO, 01 ESPAÇO PARA TERMINAIS MULTIMÍDIA E 01 ESPAÇO COM TERMINAIS PARA ACESSO À INTERNET. DESTA FORMA, A MULTIPLICIDADE DOS AMBIENTES PROPOSTOS VISOU ATENDER À PLURALIDADE DO PÚBLICO QUE POSSA VIR EXPERIMENTAR O PRAGRAMA DA BIBLIOTECA, ATENDENDO A DIFERENTES NECESSIDADES DO USUÁRIO.


O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO

ALÉM DOS ESPAÇOS DE IMERSÃO E O SISTEMA DE RAMPAS QUE CRIAM O SUPORTE PARA O ACERVO DA BIBLIOTECA, EXISTEM AINDA OS ESPAÇOS QUE SUPREM ÀS NECESSIDADES POR SERVIÇOS BÁSICOS RELACIONADOS AO BOM FUNCIONAMENTO DE UMA BIBLIOTECA: 01 ÁREA ADMINISTRATIVA, 01 ALMOXARIFADO, 01 ÁREA DE DEPÓSITO DE LIMPEZA, 01 BANHEIRO MASCULINO, 01 BANHEIRO FEMININO E 01 ÁREA DE ATENDIMENTO COM COPIADORA. COMO OS BANHEIROS, O ALMOXARIFADO E A ÁREA DE DEPÓSITO DE LIMPEZA SE ENCONTRAM EMBAIXO DA ÁREA DE CONSULTA E ESTUDOS DA BIBLIOTECA, OU SEJA, ESTÃO SEMI-ENTERRADOS. FEZ-SE NECESSÁRIO A PREVISÃO DE DUTOS PARA VENTILAÇÃO FORÇADA PARA ESSES ESPAÇOS. O MESMO ACONTECEU COM OS LAVABOS LOCALIZADOS NO INTERIOR DA ÁREA ADMINISTRATIVA DA BIBLIOTECA.

O UNICO SERVIÇO OFERTADO MAIS DISTANTE DO EIXO SUBTERRÂNEO É A ÁREA DE ATENDIMENTO COM COPIADORA, QUE SE ENCONTRA EM UM DOS PLATÔS DE IMERSÃO, PRÓXIMO ÀS DUAS ENTRADAS DA BIBLIOTECA , UMA QUE DÁ PARA O PRÉDIO DA PROCURADORIA E OUTRA PARA O ESPAÇO DE APROPRIAÇÃO.

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COMO SE VERIFICA EM PLANTA, AS ÁREAS DE SERVIÇO DA BIBLIOTECA SE ENCONTRAM PRÓXIMAS À ENTRADA DO EIXO SUBTERRÂNEO, ISSO PORQUE A ÁREA ADMINISTRATIVA E O ALMOXARIFADO LOCALIZADOS NA BIBLIOTECA SERVEM TANTO A ELA QUANTO AO MUSEU.


O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO O ACESSO AO ÚNICO AMBIENTE NICHO EXISTENTE NO PROJETO (ESPAÇO IDENTIFICADO EM VERMELHO NA PLANTA DO NÍVEL 0,0M) SE DÁ POR DENTRO DA BIBLIOTECA. ISSO PORQUE, PELA FATO DE ABRIGAR UMA VIDEOTECA, ENTENDIA-SE QUE ESSE TIPO DE ATIVIDADE DIALOGAVA COMO O ESPAÇO DA BIBLIOTECA. É IMPORTANTE LEMBRAR QUE, COMO O USO DESSE ESPAÇO ESTÁ ASSOCIADO AO SOM, DEVERIA HAVER UM BOM ISOLAMENTO ACÚSTICO PARA QUE A VIDEOTECA NAO INTERFERISSE NO FUNCIONAMENTO DA BIBLIOTECA E VICE E VERSA. POR ISSO, FORMALMENTE, O AMBIENTE NICHO SE DESTACA POR SE DESCOLAR DA COBERTURA EM VIDRO, TAMBÉM DEVIDO AO FATO DE QUE O EXCESSO DE LUZ PROVENIENTE DO TETO PODERIA PREJUDIAR A EXIBIÇÃO DE VÍDEOS.

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COM ISSO, A VIDEOTECA SE TORNA UM VOLUME ROBUSTO, PRESENÇA FORTE EM UM PROJETO QUE SE DESTACA PELA LEVEZA. ENTRATANTO, OPTOU-SE POR ASSUMÍ-LO, DESTACÁ-LO E VALORIZÁ-LO AO PINTAR A PAREDE QUE O CORTORNA DE AMERELO, UMA DAS CORES PRESENTE NO MANGUEZAL. ESSA ATIDUDE DEIXA MAIS EVIDENTE O GRANDE VOLUME BRANCO DA VIDEOTECA, REFORÇANDO, ATRAVÉS DA CLARA DIFERENÇA FORMAL ENTRE BIBLIOTECA E AMBIENTE NICHO, QUE SE TRATAM DE ESPAÇOS COM FUNÇÕES E QUALIDADES DISTINTAS.


O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO

POR FIM, VALE RESSALTAR AS POSSIBILIDADES DE ENTRADA PARA A BIBLIOTECA / VIDEOTECA / EIXO SUBTERRÂNEO, SENDO UM TOTAL DE TRÊS: UM PARA QUEM VEM DO PRÉDIO DA PROCURADORIA (SETA EM AZUL), OUTRO PARA QUEM CHEGA DO ESPAÇO DESTINADO À APROPRIAÇÃO (SETA VERDE) E POR ÚLTIMO, UM PARA QUEM VEM DA ESCOLA SALESIANO, QUE PRECISA PASSAR PELA PRAÇA REBAIXADA A FIM DE ENTRAR NO EDIFÍCIO, TENDO A POSSIBILIDADE DE IR DIRETO PARA O EIXO SUBTERRÂNEO (SETA LARANJA) OU DE EXPLORAR A BIBLIOTECA (SETA VERMELHA). É VÁLIDO LEMBRAR AINDA QUE A PRAÇA EDIFÍCIO É CONECTADA ÀS QUADRAS DA PROCURADORIA E DA ESCOLA POR MEIO DE LOMBO FAIXAS QUE FACILITAM A TRAVESSIA DO PEDESTRE, UMA VEZ QUE ELA OCORRE EM NÍVEL. ADEMAIS, PARA O CASO ESPECÍFICO DA ENTRADA VIA PROCURADORIA, OPTOU-SE POR EMPREGAR PAREDES CEGAS QUE VALORIZASSEM A ABERTURA.

POR ÚLTIMO, A EXISTÊNCIA DE GRANDES ABERTURAS PERMITE AO PROJETO TIRAR PROVEITO DA VENTILAÇÃO CRUZADA E DA BRISA DO MAR COM RELAÇÃO AO CONFORTO TÉRMICO, MINIMIZANDO O AQUECIMENTO DOS ESPAÇOS INTERNOS, O QUE TAMBÉM É FAVORECIDO PELA APLICAÇÃO DE PELÍCULAS UV NOS VIDROS DA COBERTURA.

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JÁ COM RELAÇÃO À ENTRADA VIA ESPAÇO DE APROPRIAÇÃO É INTERESSANTE OBSERVAR QUE O MODO COMO SE COLOCA A PAREDE CEGA, SEM RECUO, OBRIGA AS PESSOAS QUE QUEREM ATRAVESSAR A QUADRA A ENTRAR RAPIDAMENTE NA BIBLIOTECA, SAINDO PELA ABERTURA QUE MIRA À PROCURADORIA, INCENTIVANDO ESSE PASSANTE A EXPERENCIAR O PROJETO EM OUTRO MOMENTO MAIS OPORTUNO.


70 O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO


CABINES DE LEITURA INDIVIDUAL

ÁREA PARA CONSULTA E ESTUDO

RESTAURANTE / BAR

BANHEIRO MASCULINO TERMINAIS MULTIMÍDIA

ÁREA DE ALIMENTAÇÃO

VIDEOTECA PRAÇA REBAIXADA

PALCO

ÁREA DE ATENDIMENTO

ADMINISTRAÇÃO ALMOXARIFADO DEP. DE LIMPEZA

TERMINAIS COM ACESSO À INTERNET

O PROJETO _PRAÇA PRÉDIO

RESTAURANTE / BAR

ESTAR / ÁREA DE LEITURA INFORMAL

ÁREA PARA CONSULTA E ESTUDO

BANHEIRO FEMININO BANHEIRO MASCULINO

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BANHEIRO MASCULINO


O PROJETO _EIXO SUBTERRÂNEO

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COM RELAÇÃO AO EIXO SUBTERRÂNEO, OBJETIVA-SE FAZER UMA HOMENAGEM AOS ROSTOS ANÔNIMOS DE PESSOAS QUE VIVEM DO MANGUEZAL. DESSA FORMA, EM CADA NICHO QUE SE FORMA ENTRE A SEQUÊNCIA DE PÓRTICOS DE CONCRETO QUE ESTRUTURAM O EIXO SOB A TERRA, UMA FACE É ILUMINADA.


O PROJETO_ESTRUTURA SUSPENSA

SE A BIBLIOTECA SE ORGANIZA A PARTIR DE UM SISTEMA DE RAMPAS QUE ESCAVA O TERRENO E PERMITE QUE O USUÁRIO ADENTRE GRADUALMENTE PARA DENTRO DA TERRA, NA ESTRUTURA SUSPENSA OCORRE O CONTRARIO. UM SISTEMA DE RAMPAS E PATAMARES PERMITE ÀS PESSOAS GANHAREM ALTURA NO PROJETO.

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EMBORA ESSE CONJUNTO DE SUBIDAS E PATAMARES APARENTE, À PRIMEIRA VISTA, UM CERTO CAOS, UMA DESORGANIZAÇÃO ESPACIAL, NA VERDADE, OLHANDO MAIS DE PERTO, VERIFICASE QUE OS PERCURSOS SÃO DE FATO ORGANIZADOS E LEGÍVEIS POIS APONTAM PARA AS LINHAS DE VISUAIS QUE SE QUERIA DESTACAR NA BAÍA E QUE TAMBÉM É OBRA DO MUSEU.

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ob

EM UMA CRÍTICA AO CUBO BRANCO, NÃO SE TRATA DE UM ESPAÇO COM JANELAS LACRADAS QUE CONFINAM O INDIVÍDUO A UM AMBIENTE ENCLAUSURADO QUE VISA SUA IMERSÃO EM UMA ATITUDE CONTEMPLATIVA PARA COM ÀS OBRAS DE ARTE. O MUSEU PROPOSTO, PELO CONTRÁRIO, NÃO POSSUI FECHAMENTOS, CONFIGURANDO-SE, DE CERTA FORMA, COMO UM AMBIENTE QUE É A EXTENSÃO DA RUA, ONDE A DISPERSÃO É ACEITA, MAS QUE TAMBÉM GARANTE UMA LIBERDADE DE PERCURSO E DE FRUIÇÃO QUE UM MUSEU TRADICIONAL NÃO PROPORCIONA. LEGENDA: 1 2 3 4 5

-

ESPAÇO PAINEL ESPAÇO ESCULTURA ESPAÇO INSTALAÇÕES BANHEIRO ELEVADOR

planta nível +4,2m

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VALE DESTACAR QUE HÁ UM ÚNICO VOLUME FECHADO NESSA PARTE DO PROJETO E ELE ABRIGA DOIS ELEVADORES E QUATRO LAVABOS E ENCONTRA-SE EM UM DOS NÓS QUE SE FORMA DO ENCONTRO DO EIXO PRINCIPAL COM UMA DAS RAMIFICAÇÕES.


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O PROJETO_ESTRUTURA SUSPENSA

74

LEGENDA: 1 2 3 4 5

-

ESPAÇO PAINEL ESPAÇO ESCULTURA ESPAÇO INSTALAÇÕES BANHEIRO ELEVADOR

planta nível +8,1m

planta nível +11,9m


BANHEIROS ESPAÇO INTALAÇÕES

O PROJETO_ESTRUTURA SUSPENSA

ESPAÇO ESCULTURA ESPAÇO PAINEL ESPAÇO PAINEL

CORTE AA

ADEMAIS, SE O ESPAÇO CRIADO PELO MUSEU FOGE DO PADRAO DEVIDO A SUA DINAMICIDADE, DE MODO QUE A EXPERIÊNCIA DE EXPLORAR SE TORNA MAIS INTENSA DO QUE O SIMPLES CONTEMPLAR, AS OBRAS ALI EXPOSTAS TAMBÉM NAO PODERIAM SER AS TRADICIONAIS. APROXIMANDO-SE À IDÉIA DE UM MUSEU RUA, O MUSEU SE DESTINARIA A EXPOR OBRAS POPULARES QUE PERMITISSEM AO INDIVÍDUO COMPREENDER A OBRA MESMO SEM UM CONHECIMENTO A RESPEITO DE TEORIAS ARTÍSTICAS.

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O MUSEU INCORPORA TRÊS TIPOS DE ESPAÇO: O ESPAÇO PAINEL, O ESPAÇO INSTALAÇÕES E O ESPAÇO ESCULTURA. O PRIMEIRO DESTES TIRA PROVEITO DA SEQUÊNCIA DE PILARES QUE SUSTENTAM AS RAMPAS E OS PATAMARES DA ESTRUTURA SUSPENSA, UTILIZANDO-OS COMO APOIO PARA A AMARRAÇÃO E FIXAÇÃO DE PAINÉIS; O ESPAÇO INSTALAÇÕES SÃO ABRIGADOS SOBRE AS PRAÇAS SUSPENSAS, UMA VEZ QUE, TENDO SUA ALTURA LIMITADA APENAS PELA COBERTURA TRIÂNGULADA PERMITE A EXPLORAÇÃO DESSE VAZIO E POR ÚLTIMO O ESPAÇO ESCULTURA, COM PISO EM CONCRETO E LIVRE DE PILARES QUE PUDESSEM COMPETIR COM AS OBRAS.


O PROJETO_ESTRUTURA SUSPENSA

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ESPAÇO INSTALAÇÕES ESPAÇO ESCULTURA ESPAÇO PAINÉIS

ESPAÇO PAINÉIS


O PROJETO_ESTRUTURA SUSPENSA

AO LADO, O ESPAÇO PAINEL. NESSA FIGURA É POSSÍVEL VISUALIZAR A ESTRUTURA QUE SUPORTA ESSE CONJUNTO DE RAMPAS E PATAMARES: UM SISTEMA MISTO COM VIGAS E PILARES METÁLICOS TRELIÇADOS EM AÇO PATINÁVEL E LAJE EM CONCRETO, O QUE PROPORCIONA RIGIDEZ AO TODO.

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AO LADO, AS PRAÇAS SUSPENSAS QUE SE ABREM PARA AS VISUAIS DA BAÍA QUE ERAM DE INTERESSE AO PROJETO. PARA TANTO, A COBERTURA TRIANGULADA DEIXA A VISÃO LIVRE NESSA ÁREA, SEM SE CONSTITUIR COMO BARREIRA A APREENSÃO DA PAISAGEM QUE TAMBÉM É OBRA DO MUSEU.


ENTENDENDO A FLUIDEZ DA PLÁSTICA DESSA ESTRUTURA QUE COBRE O PROJETO, LIMITAR-SE AO CONTORNO DA QUADRA ERA NEGAR UM ANSEIO POR UMA EXPANSÃO QUASE QUE INFINITA DESSAS TRIANGULAÇÕES.

INFILTRAÇÕES

UMA DAS SOLUÇÕES ARQUITETÔNICAS MAIS MARCANTES DO PROJETO É A SUA COBERTURA TRIÂNGULADA EM PELE DE VIDRO. SUA FORMA, QUASE QUE RIZOMÁTICA, REMETE ÀS FORMAS GEOMÉTRICAS E AO MOVIMENTO PRESENTE NAS RAÍZES DO MANGUEZAL.

DESTE MODO, ERA PRECISO DESMONTAR A BAIRREIRA E O RIGOR DA QUADRA E CRIAR DESDOSBRAMENTOS PROJETUAIS A PARTIR DO FORTE DESENHO DA COBERTURA, PRINCIPALMENTE NAS ÁREAS EM QUE FICAVA MAIS CLARO ESSA NECESSIDADE POR INFILTRAÇÕES. ESSAS INFILTRAÇÕES SIGNIFICARAM A CONTINUAÇÃO IMAGINÁRIA DO EIXO DE CIRCULAÇÃO FUNCIONAL PRESENTE NO DESENHO DA PRAÇA PRÉDIO EM DIREÇÃO ÀS ÁREAS EM FRENTE À QUADRA DA ESCOLA SALESIANO, AO NOVO PRÉDIO DA PROCURADORIA DO ESTADO E AO PRÓPRIO PRÉDIO SUSPENSO SOBRE A BAÍA. VIA-SE ESSE RAMPADO QUE SUBIA E DESCIA E QUE NA VERDADE FUNCIONAVA COMO A GRANDE CALÇADA DO PROJETO COMO O GRANDE PROVOCADOR DA VONTADE DE SE PERPETUAR INFINITAMENTE A FORMA RIZOMÁTICA NAS ÁREAS ADJACENTES AO PROJETO. ESSES DESDOBRAMENTOS ASSUMIRAM CORPO NA FORMA DE UM DESENHO PAISAGÍSTICO QUE SURGE A PARTIR DO PROLONGAMENTO, EM PLANTA, DAS LINHAS DA COBERTURA, CRIANDO TRIANGULAÇÕES QUE ORIENTASSEM O CAMINHAR, MAS QUE NÃO TIRASSE DO PASSANTE A LIBERDADE DE EXPERIMENTAR NOVOS PERCURSOS. SABENDO QUE ESSA EXPANSÃO TAMBÉM ACONTECEU NO ESPAÇO DESTINADO À APROPRIAÇÃO DA PRAÇA PRÉDIO, UM ESPAÇO DEFINIDO NAS AÇÕES PROJETUAIS COMO AQUELE ELEMENTO DO PROJETO DO QUAL NÃO SE ESPERARIA NENHUM USO PRÉ-FIXADO, BUSCOUSE CRIAR NESSAS TRIANGULAÇÕES EXPERIÊNCIAS TÁTEIS E SENSÍVEIS.

EM UMA CRÍTICA AO PERCURSO FUNCIONAL QUE ESCOLHERIA O BLOQUETE COMO CAMINHO PRINCIPAL, NESSE DESENHO DE PAISAGISMO A PESSOA PERCORRE OS TRÊS TIPOS DE PISO. NO CASO DO GRAMADO E DA AREIA, O PERCURSO É FACILITADO POR UM PISO NIVELADO EM MADEIRA, O QUE NAO IMPEDE QUE AS PESSOASEXPERENCIEM PISAR NA AREIA E NA GRAMA, MESMO QUE PARA CORTAR CAMINHO.

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NESSE SENTIDO, FORAM DEFINIDOS 3 MATERIALIDADES DISTINTAS ÀS TRIANGULAÇÕES: O BLOQUETE, O GRAMADO E A AREIA, ESTE ÚLTIMO ELEMENTO COMO UMA LEMBRAÇA AOS ATERROS SOFRIDOS NA REGIÃO. A DISPOSIÇÃO DAS ÁRVORES NOS GRAMADOS SEGUE PARALELO ÀS LINHAS DE MAIOR FORÇA DO DESENHO DA COBERTURA, REFORÇANDO O CONCEITO DOS PROLONGAMENTOS. E NA INTERFACE ENTRE PISO DE BLOQUETE E AREIA SE DÁ UM RASGO NO PISO QUE SERVE DE ILUMINAÇÃO AO PAISAGISMO.


INFILTRAÇÕES planta paisagismo

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AREIA

BLOQUETE

GRAMA

PISO EM MADEIRA


INFILTRAÇÕES

81

vista de topo do paisagismo


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infiltrações em frente à estrutura suspensa

infiltrações em frente ao prédio da procuradoria

INFILTRAÇÕES


INFILTRAÇÕES

infiltrações no espaço de apropriação

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infiltrações em frente à quadra da escola


configuração anterior ao projeto

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foto do levantamento

INFILTRAÇÕES

SITUAÇÃO ANTERIOR AO PROJETO

FAIXA EXCLUSIVA PARA A ENTRADA DOS ÔNIBUS

ESPAÇO DE PARADA DOS ÔNIBUS

PRIMEIRAMENTE, LOGO NA ETAPA DE LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO FOI POSSÍVEL OBSERVAR A IMPORTÂNCIA DO PONTO DE ÔNIBUS PRÉ-EXISTENTE (LOCALIZADO EM FRENTE ÀS RUÍNAS DO ANTIGO TERMINAL AQUAVIÁRIO DE VITÓRIA) PARA A DINÂMICA DA REGIÃO. ISSO FICA CLARO QUANDO SE ANALISA A FOTO AO LADO QUE CAPTURA, EM UM MESMO INSTANTE, QUATRO ÔNIBUS FAZENDO PARADA NO LOCAL. SABENDO DISSO E JÁ HAVENDO TODA UMA INFRA-ESTRUTURA VIÁRIA PARA ABRIGAR ESSES PONTOS DE PARADA DE ÔNIBUS, INCLUINDO UMA FAIXA EXCLUSIVA PARA A ENTRADA E SAÍDA DESSE TIPO ESPECÍFICO DE VEÍCULO, OPTOU-SE POR INCORPORAR ESSA QUESTÃO AO PROJETO, COMPREENDENDO O PAPEL SOCIAL QUE QUALQUER PROJETO DE ARQUITETURA DEVE TER. NA VERDADE, O PROJETO SE BENEFICIARIA AO INCORPORAR UM MEIO DE CHEGADA DO TRANSPORTE PÚBLICO NA REGIÃO, UMA VEZ QUE, POR SE TRATAR DE UMA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA E UM MUSEU DESTINADO ÀS OBRAS E CULTURAS POPULARES, INCORPORAR UM TRANSPORTE DE MASSA AO PROJETO SERIA MAIS UM ATRATIVO PARA QUE AS PESSOAS CONHECESSEM OS DOIS NOVOS PRÉDIOS PÚBLICOS, DEVIDO À FACILIDADE DE LOCOMOÇÃO ATÉ O LOCAL.


ADEMAIS, HOUVE PEQUENO DESLOCAMENTO DE TODA A ESTRUTURA DE PARADA DOS VEÍCULOS PARA A DIREITA, ACOMPANHANDO O DESENHO DA NOVA PRAÇA / MIRANTE EM FRENTE À ESTRUTURA SUSPENSA SOBRE A BAÍA, TRAZENDO PARA SEU LADO OS PONTOS DE PARADAS DE ÔNIBUS E SEUS ABRIGOS. A PRESENÇA DESSA PEQUENA PRAÇA MIRANTE FUNCIONARIA COMO UM LUGAR DE DESCANSO E RESPIRO PARA AS PESSOAS QUE UTILIZAM O TRANSPORTE PÚBLICO.

INFILTRAÇÕES

85

O PROJETO BUSCOU MODIFICAR MINIMAMENTE A CONFIGURAÇÃO JÁ EXISTENTE DO ESPAÇO DESTINADO À PARADA DOS ÔNIBUS. MANTEVE-SE A FAIXA EXCLUSIVA COM 7M DE LARGURA E AS VAGAS PARA OS ÔNIBUS COM 4M DE LARGURA, ENTRETANTO, AMPLIOU-SE SEU COMPRIMENTO PARA 49M A FIM DE PERTIMIR A PARADA DE DOIS ÔNIBUS DE UMA SÓ VEZ EM CADA RECUO, COMO É POSSÍVEL OBSERVAR EM PLANTA E NAS IMAGENS DA MAQUETE 3D.

parada de ônibus, mirante e projeto

planta parada de ônibus

SITUAÇÃO POSTERIOR AO PROJETO


INFILTRAÇÕES

ENTENDIDO O PORQUÊ E COMO SE DEU A INCORPORAÇÃO PELO PROJETO DESSE PONTO DE PARADA PARA O TRANSPORTE PÚBLICO, RESTA EXPLICAR, NESTE CASO, COMO SE DEU A INFILTRAÇÃO DA FORMA RIZOMÁTICA DA COBERTURA. NESSE SENTIDO, A TRADUÇÃO DA PLÁSTICA DA COBERTURA SE REFLETIU NA ESCOLHA DO MOBILIÁRIO URBANO, ESPECIFICAMENTE COM RELAÇÃO AO AGRIGO DE ÔNIBUS. ENTENDENDO QUE INDEPENDENTE DA ESCALA DO OBJETO QUE SE PROJETE, TODA PARTE DEVE HARMONIZAR COM O TODO, TAMBÉM BUSCAVA-SE ENCONTRAR UM ABRIGO QUE DIALOGASSE COM A FORMA DO PROJETO E QUE FOSSE UM DESDOBRAMENTO DAS SOLUÇÕES JÁ EMPREGADAS NA PELE QUE REVESTE OS DOIS EDIFÍCIOS. TENDO ISSO EM VISTA, FOI OPTADO POR TRAZER PARA O PROJETO UM ABRIGO QUE JÁ EXISTE E PODE SER ENCONTRADO CIDADE DE SÃO PAULO. OBRA DO DESIGNER GUTO ÍNDIO COSTA, BATIZADO COMO “CAOS ESTRUTURADO”, O ABRIGO UTILIZA OS MESMOS MATERIAIS EMPREGADOS NESSE PROJETO DE TGI, O VIDRO E A ESTRUTURA METÁLICA, MAS TAMBÉM REÚNE UMA SÉRIE DE CARACTERÍSTICAS EM COMUM COM A COBERTURA TRIANGULADA: UMA CERTA IRREGULARIDADE APRESENTADA POR SEUS PILARES INCLINADOS, UMA CLARA LIMPEZA FORMAL DO DESENHO, A TRANSPARÊNCIA QUE DESTACA A BELEZA DA PAISAGEM, BEM COMO A LEVEZA DE SEU DESENHO. A PARADA DE ÔNIBUS CONTA COM QUATRO ABRIGOS DESSE TIPO, CADA QUAL MEDIDINDO 1,8MX4,5M, UM NA ENTRADA E UM NA SAÍDA DE CADA RECUO PARA ENTRADA E PARADA DOS ÔNIBUS.

imagem do abrigo de ônibus

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LEVEZA


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, MAURÍCIO DE ALMEIDA. SOBRE MEMÓRIA DAS CIDADES. REVISTA DA FACULDADE DE LETRAS - GEOGRAFIA I SÉRIE, PORTO, VOL. XIV, P. 77-97, 1998. CERÁVOLO, ANA LÚCIA. INTERPRETAÇÕES DO PATRIMÔNIO: ARQUITETURA E URBANISMO NA CONSTITUIÇÃO DE UMA CULTURA DE INTERVENÇÃO NO BRASIL, ANOS 1930-60. 2010. TESE (DOUTORADO) - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS, SÃO CARLOS, 2010. FREIRE, MALLY TEIXEIRA. “OCUPAR, RESISTIR, CONSTRUIR E MORAR”: MANGUEZAL BERÇÁRIO DE MEMÓRIAS. 2010. TESE (MESTRADO EM PSICOLOGIA INSTITUCIONAL) - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, VITÓRIA, 2010. NORA, PIERRE. ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA: A PROBLEMÁTICA DOS LUGARES. PARIS, 1984.

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NUNES, ANDRÉ GUSTAVO ALVES. OS ARGONAUTAS DO MANGUE: UMA ETNOGRAFIA VISUAL DOS CARANGUEJEROS DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA - ES. 1998. TESE (MESTRADO EM MULTIMEIOS) - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, INSTITUTO DE ARTES, CAMPINAS, 1998.


Caderno tgi 2 nathalia w chagas