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A Mente no

Cosmos e os PĂŠs no ChĂŁo


Fábio Campos Morais

A Mente no

Cosmos e os Pés no Chão

Da origem do universo à gestão do tempo: uma visão científica

Fortaleza 2010


Copyright 2010 © Fábio Campos Morais

Capa e projeto gráfico Roberto Santos Editoração Design Editorial Ilustração Eli Barbosa Revisão Teresa Lúcia Fontele Well Morais Catalogação na fonte Carmem Araújo Colaboração Gerliane Menezes

M827m

Morais, Fábio Campos. A mente no cosmos e os pés no chão - da origem do universo à gestão do tempo: uma visão científica / Fábio Campos Morais. - 2. ed. - Fortaleza : Design Editorial, 2010. 268p. :il Inclui referências bibliográficas, gráficos, tabelas e índice remissivo. ISBN 978-85-63699-00-8 1. Ciência e civilização. 2. Universo. 3. Descoberta científica. 4. Inteligência. I. Título. CDD: 306.45 Contato com o autor

fmorais@hotmail.com www.fabiomorais.com

Papéis

85 3274.8438


Ao meu pai, que aprendeu e ensinou fazendo.


Recado do autor Os relatos aqui apresentados representam minhas sinceras e profundas percepções sobre a vida. Este é um livro de ideias, escrito para abrir caminhos e indicar rumos. É dedicado a todos que não estão conformados com a atual condição de vida do homem no planeta Terra e anseiam por mudanças iniciadas em si mesmo. A leitura deste livro é um desafio à inteligência humana. Encare-o com boa vontade. Leia-o com espírito crítico. As críticas, questionamentos e debates éticos serão sempre bem-vindos. Desde já, fico grato aos leitores que indicarem erros ou omissões. Leia, releia, analise, risque, rabisque, dê parecer quando achar conveniente, corrija a forma e questione o conteúdo. Ao terminar, envie ao autor o exemplar trabalhado. Em troca, receberá outro, se assim o desejar. Muito obrigado. Fábio Campos Morais


Sumário PREFÁCIO ..................................................................................................................13 INTRODUÇÃO . ..........................................................................................................15

PARTE UM O PARADIGMA CIENTÍFICO .................................................................................21 Capítulo 1 A CIÊNCIA VISTA COMO UMA VELA NO ESCURO.........................................23 Algo de errado está sendo feito A ciência: uma luz nas trevas da ignorância O que é ciência e técnica? A institucionalização da ciência Benefícios da ciência na velocidade dos meios de transporte A ciência promove a longevidade Ciência, espiritualidade e Deus Capítulo 2 O MÉTODO CIENTÍFICO.......................................................................................37 Postura científica Espiral da cultura científica Capítulo 3 DADOS DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA.................................................................45 A revolução pela educação na Coreia do Sul Evidências físicas da cultura científica Capítulo 4 CIÊNCIA E INTERNET...........................................................................................55 Mundo de informações Comunicação virtual Comércio eletrônico


PARTE DOIS AS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS.......................................................................... 65 Capítulo 5 A ORIGEM E A FORMAÇÃO DO UNIVERSO..................................................... 67 ÔM Big Bang O microcosmo Formação das galáxias Formação de estrelas e planetas A origem da Terra A imensidão do universo Matéria escura Capítulo 6 VIDA SÓ NA TERRA SERIA DESPERDÍCIO DE ESPAÇO ................................ 83 Terra: um grão de areia no cosmos Enfim, a vida na Terra Era pré-biótica Definição de vida A vida gerada em laboratório Era micro-orgânica Processos metabólicos Simbiogênese Macro-organismos - evolução de plantas e animais Biodiversidade A evolução continua Capítulo 7 A SAGA DO HOMEM NO PLANETA TERRA....................................................105 A evolução humana Da história antiga à contemporânea Capítulo 8 A SOCIEDADE PÓS-MODERNA.........................................................................119 Raças, línguas e credos Trânsito do poder na sociedade A era do intangível Empresas do conhecimento Capítulo 9 A ECONOMIA DA INFORMAÇÃO.....................................................................131 Propriedades da informação O perfil do consumidor na era do intangível A era feminina O mercado consumidor feminino


PARTE TRÊS CRESCIMENTO PESSOAL, MELHORIA PROFISSIONAL E RECONHECIMENTO SOCIAL..............................................................................143 Crescimento pessoal Melhoria profissional Reconhecimento social Inteligências humanas Capítulo 10 INTELIGÊNCIA CORPORAL...............................................................................149 Alimentação saudável Atividades físicas regulares Sono reparador Sexualidade madura Exames médicos e odontológicos periódicos Capítulo 11 INTELIGÊNCIA BIOENERGÉTICA....................................................................165 Consciência bioenergética Corpo energético Projeciologia e Conscienciologia Técnicas de mobilização de bioenergias Capítulo 12 INTELIGÊNCIA EMOCIONAL ...........................................................................175 Relacionamentos e renúncia Pessoa maravilhosa Paciência e persistência O amor a si é o que interessa! Perdão, o caminho para o coração tranquilo Alegria: a força maior Técnica das 50 vezes mais Teste de inteligência emocional Capítulo 13 INTELIGÊNCIA INTELECTUAL.........................................................................193 Formação acadêmica Organização da aprendizagem Busca constante da excelência Comunicação e marketing Educação financeira Gestão do conhecimento Consciência ecológica Gestão do espaço-tempo


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . ...................................................................255 LISTA DE PÁGINAS CONSULTADAS NA INTERNET ....................................259 ÍNDICE REMISSIVO................................................................................................261


Prefácio A Mente no Cosmos e os Pés no Chão é uma deliciosa viagem desde a origem do universo até os nossos dias. O título traduz, de maneira fiel, a intenção do autor em nos posicionar nesta aventura, que é o universo em expansão e a vida, tendo como referencial a nossa pequena esfera azul, solta no espaço. Fábio Campos Morais, com muita maestria, nos conduz nesta viagem de forma didática e, ao mesmo tempo, lúdica, procurando relacionar fatos históricos e científicos numa sequência cronológica, mostrando a interface entre os vários ramos do conhecimento humano e a forma como os principais fatos científicos e tecnológicos contribuíram na definição dos rumos da humanidade. Fábio Campos Morais aborda ainda aspectos extremamente importantes da vida moderna em temas tais como Administração do Tempo, Inteligência Emocional e Consciência Ecológica, dentre outros, analisados no contexto da Sociedade da Informação. Por fim, temos uma obra que pode ser considerada um Manual de Conduta da vida moderna, escrito numa linguagem leve e agradável, capaz de ser apreciada por jovens e adultos com o mesmo interesse. O jovem mestre Fábio Campos Morais demonstra, com intensa lucidez, ser um homem absolutamente consciente e antenado com o seu tempo; esperamos, pois, que “A Mente no Cosmos e os Pés no Chão” chegue a muitos outros jovens como um elemento de orientação e que o autor possa dar seguimento à carreira de escritor que, a julgar pela presente obra, inicia-se de maneira brilhante.

Cláudio Ricardo Gomes de Lima Reitor do Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Ceará - IFCE


Introdução Este livro, destinado ao leitor comum, é a síntese de um pensamento que tem como essência a busca incessante da auto-organização, da disciplina e do bem-estar. Aqui são apresentados métodos e técnicas científicas que podem favorecer o aperfeiçoamento de desempenhos e performances nos esforços pessoais, profissionais e sociais, tendo em vista que tudo muda com o tempo. Os conceitos e experiências aqui descritos são resultados, em sua maioria, de vivências que possibilitaram saltos de crescimento pessoal, profissional e social do autor, somados aos conhecimentos de fundamentação científica, submetidos ao crivo do discernimento e da percepção. A linguagem adotada é a mais simples possível. Em alguns momentos, entretanto, por haver alguns dados técnicos e numéricos, o entendimento da leitura pode se tornar um pouco difícil. Cabe ao leitor seguir adiante, simplesmente correndo os olhos ou saltando essas passagens, sem medo de perder a essência principal do texto. O desafio maior está em mudar a maneira de pensar. Quanto maior o entendimento da grande realidade melhor o relacionamento com tudo e com todos. Pessoas conscientes desenvolvem o senso de ética e vivem com mais paciência, tolerância e flexibilidade. Este livro pode ser o início de uma jornada em busca de valores mais significativos para a vida, de modo a torná-la repleta de contentamento, marcada sobretudo pela permanente transição e por constantes descobertas de como aprender, desaprender e reaprender. A primeira parte do livro, denominada O PARADIGMA CIENTÍFICO, apresenta a ciência como proposta de saída à encruzilhada evolutiva em que a humanidade se encontra e como um caminho para alcançar um sistema mais equilibrado, amplo, autocrítico, fundamentado sobretudo em um paradigma que permita a expansão de percepções, das diferentes maneiras de pensar e dos próprios valores, ou seja, a ciência apoiada num pensamento integrativo, intuitivo, sintético, holístico, não linear e em valores de conservação, cooperação, qualidade e parceria.


A segunda parte, nomeada AS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS, apresenta o desenvolvimento alcançado pela ciência e suas implicações na forma de o homem se relacionar com o universo. A partir desse ponto, a abordagem temática é ampla no que tange aos aspectos espacial e temporal, abrangendo conhecimentos que vão da origem do universo até as técnicas de gestão do tempo e, igualmente, da imensidão quase infinita do universo até as técnicas de organização dos ambientes de convivência diária. Por uma questão cronológica, a primeira grande descoberta científica apresentada é a teoria do Big Bang, segundo a qual toda a matéria que compõe o universo foi gerada em uma grande explosão, há 13,7 bilhões de anos. A seguir, são apresentadas teorias sobre a formação das partículas atômicas que compõem as galáxias, os sistemas planetários, os planetas e tudo mais que faz parte do universo até hoje. Ainda dentro das descobertas de caráter macroambiental, caminhando sempre de uma perspectiva mais ampla para uma mais restrita, são apresentados conhecimentos científicos sobre a realidade do planeta Terra no que diz respeito à sua formação, composição e volume, à origem da vida, à evolução das espécies e à biodiversidade, entre outros aspectos. Sabendo ser o homem o que há de mais importante na Terra, apresenta-se um breve relato histórico de sua saga no planeta. As ciências históricas indicam que essa saga se inicia com o surgimento do primeiro hominídeo, há 4 milhões de anos, passando por inúmeras civilizações, até chegar à sociedade atual, denominada PósModerna ou Neorrenascentista. Buscando uma compreensão da atual realidade do ocidente, a ciência social reporta que a sociedade pós-moderna é denominada Sociedade do Conhecimento, cujas relações são baseadas na informação, matéria-prima da nova economia. A dinâmica de transformação social da modernidade para a pós-modernidade é caracterizada pela transição do poder econômico dos detentores dos meios de produção e comunicação para os geradores de informação e conhecimento. É, finalmente, o resgate do homem, como gerador de informação, detentor do conhecimento e centro do processo social.


A terceira e última parte, chamada de CRESCIMENTO PESSOAL, MELHORIA PROFISSIONAL E RECONHECIMENTO SOCIAL, ressalta o papel central do homem no autodesenvolvimento e no desenvolvimento socioeconômico sustentáveis, papel que se torna mais satisfatório quando pautado no uso das inteligências corporal, bioenergética, emocional e intelectual. A inteligência corporal se fundamenta nas boas práticas de alimentação saudável, atividade física regular, sono reparador, sexualidade madura e exames médicos e odontológicos periódicos, o que resulta na conquista da saúde física, o maior patrimônio do ser humano. A inteligência bioenergética é exercitada pela prática de yôga, banhos de mar, exercícios físicos, estados vibracionais, entre outras práticas, que fortalecem a autodefesa energética, liberação e recepção de fluxos energéticos saudáveis na vida diária, possibilitando uma interação saudável com a natureza e os seres habitantes do planeta. Essa inteligência promove o alcance da liberdade, o segundo maior bem da vida do ser humano. A inteligência emocional é a vivência prática de bom humor, otimismo lúcido, generosidade, apego balanceado, boa vontade, fraternidade, paciência, persistência e serenidade. Sucessivas emoções positivas e negativas, seguidas de profundos relaxamentos e reflexões, levam ao alcance de satisfatória disciplina pessoal, o terceiro maior patrimônio do ser humano. A inteligência intelectual é resultado da conquista da formação acadêmica, associada à organização da aprendizagem, à comunicabilidade e marketing, à educação financeira, à busca constante da excelência, à gestão do conhecimento, à consciência ecológica, à administração do espaço-tempo e à prática do ócio criativo. A contínua elevação da capacidade intelectual leva à conquista do sucesso financeiro, a quarta mais importante conquista do homem na Terra. Na verdade, as prisões de segurança máxima são as que limitam o pensamento. A libertação de paradigmas passa pela confiança em si próprio, na certeza da ajuda imanente do cosmos. A ousadia criativa alimenta o prazer de construir e desenvolver tarefas em favor de si e dos outros, seguindo as inspirações intuitivas.


O homem terá uma vida saudável quando alcançar relações sustentáveis consigo mesmo, com o próximo e com o meio ambiente e for então capaz de dinamizar os próprios talentos de razão, escolha, imaginação, construção de pensamento, atenção, concentração mental, entendimento, associação de ideias e memória. A esperança é que este livro possa abrir mentes e levá-las ao cosmos, sem que seja necessário tirar os pés do chão. Aceitem, caros leitores, o desafio. Boa leitura.


Parte um


O paradigma científico

“Toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil – e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos”. Albert Einstein

Existe desafio maior que entender como a vida funciona nas suas diversas formas de manifestação? O sentido maior da existência é a permanente busca e descoberta das grandes verdades da vida. A ciência se propõe a expor conhecimentos de forma correta e clara, na difícil missão de erradicar o analfabetismo intelectual que assola boa parte da humanidade. O método científico se baseia em dois princípios racionais: o ceticismo e a admiração pela vida. Para alcançar a verdadeira liberdade, a ciência persegue a compreensão da essência da vida.

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capítulo

1

A ciência vista como uma vela no escuro “A ciência é a maior força de esclarecimento das leis do universo, de impulsão do desenvolvimento da sociedade e de evolução espiritual do homem”. Fábio Campos Morais

Algo de errado está sendo feito O primeiro passo para encontrar o próprio lugar no universo é conhecê-lo, saber do que é feito e de que maneira funciona. Para Carl Sagan, “se a ciência for um tópico de interesse e consideração geral, se seus encantos e consequências sociais forem discutidos com competência e regularidade nas escolas, na imprensa e à mesa de jantar, teremos aumentado as possibilidades de aprender como o mundo realmente é, para melhorarmos a ambos, a nós e a ele”. Entretanto, em pleno século XXI, facilmente se percebe que o mundo é profundamente assombrado pelos demônios da ignorância, do desconhecimento e da desinformação. O analfabetismo científico assola boa parte dos 6,82 bilhões de habitantes do planeta Terra. Por exemplo, o astrônomo Carl Sagan em seu livro “O mundo assombrado pelos demônios” cita que a maioria dos americanos, um dos povos mais bem informados do mundo, acredita que os dinossauros conviveram com os seres humanos e que foram extintos no dilúvio porque não cabiam na Arca de Noé. Levantamentos sugerem que 95% dos americanos são cientificamente analfabetos, o que se revela extremamente grave, haja vista que se está falando da nação “loco23


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motiva” do mundo no que tange aos avanços científicos e tecnológicos. É evidente o perigo da desinformação generalizada das populações, como mostram os exemplos que seguem. O relatório global sobre a epidemia de AIDS de 2009 divulgado pela UNAIDS (www.unaids.org), órgão do Sistema das Nações Unidas cuja missão é liderar ampla resposta à epidemia de HIV/AIDS, indica que o número de pessoas vivendo com HIV mundialmente continua a crescer e chegou a estimados 33,4 milhões em 2008. O número total de pessoas vivendo com o vírus em 2008 é mais de 20% maior que no ano 2000. A UNAIDS indica que a epidemia parece ter se estabilizado na maioria das regiões do planeta, embora continue a crescer na Europa Oriental e na Ásia Central e em outras partes da Ásia devido à alta taxa de novas infecções por HIV. A África Subsaariana continua a ser a região mais afetada, com 71% de todas as novas infecções por HIV em 2008. Na Europa, metade das pessoas que vivem com HIV não sabe que estão infectadas. Falta de informação e de campanhas para exames são as principais causas desse fenômeno. Além disso, boa parte dos soropositivos ainda não apresenta sintomas da síndrome que atinge o sistema imunológico. O dado foi divulgado durante a Conferência Europeia sobre AIDS, que aconteceu em novembro de 2009 em Colônia, na Alemanha. Na África acredita-se que não passe de 10% o numero de infectados que sabem da sua condição de soropositivo. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde indicam que existem atualmente cerca de 630 mil pessoas vivendo com o HIV. Dessas, 255 mil nunca fizeram o teste anti-HIV e desconhecem a sua condição sorológica. Por certo, a desinformação aumenta as chances de o portador de AIDS contaminar outras pessoas involuntariamente, enquanto a descoberta precoce do vírus, além de evitar a propagação, facilita o tratamento e permite que mães gestantes não transmitam o HIV aos filhos, por exemplo. Vale lembrar que o vírus HIV pode ser transmitido por meio de relações sexuais sem proteção, transfusões de sangue infectado ou injeção de hemoderivados infectados, além do uso de agulhas e seringas contaminadas. O HIV também pode ser transmitido aos bebês durante a gestação, o parto e a amamentação. 24


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A desinformação sobre a diabetes se mostra ainda mais grave. De acordo com a OMS - Organização Mundial da Saúde, são alarmantes os números sobre essa doença. Em novembro de 2009, a doença atingiu mais de 246 milhões de pessoas no planeta e a previsão é que este número suba para 380 milhões em 2025. No Brasil, cerca de 7 milhões de pessoas acima de 18 anos têm a doença. Estudo da Sociedade Brasileira de Diabetes, que mapeou o perfil dos diabéticos no país, contatou-se que 11% dos brasileiros são diabéticos e o mais grave é que mais de 60% deles não sabem que têm a doença. Que a pobreza e a desinformação andam de mãos dadas todos já sabem. Agora se sabe que a cegueira se junta a esse dois males. Estudo do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostra que 90% das pessoas atingidas pela cegueira no país são de baixa renda, portanto de nível educacional baixo. E mais, dados do início de 2004 indicam existir cerca de 40 milhões de cegos no mundo e pelo menos a metade deles poderia estar enxergando, caso conhecesse as doenças, sintomas e situações que podem levar à cegueira, de acordo com informações do Manual da Boa Visão, elaborado pelo Núcleo de Prevenção à Cegueira da Universidade de Campinas (www.unicamp.br). Apesar da disponibilidade de intervenções efetivas, a OMS projeta que o número de pessoas cegas no mundo vai dobrar os próximos vinte anos. Diante de tamanhos avanços científicos e de tantas facilidades terapêuticas, é difícil aceitar passivamente que pessoas fiquem cegas por falta de informação e acesso ao tratamento apropriado. De forma geral, atualmente, o homem estabelece consigo, com o próximo e com a natureza uma relação, no mínimo, de desperdício. É vasta a quantidade de recursos oferecidos pela natureza ao homem. No planeta, hoje, produz-se mais alimento do que as populações precisam para viver com dignidade. No entanto, veem-se bilhões de pessoas passando fome, sem as condições básicas de habitação, saneamento, eletricidade, transporte, educação, sistema de saúde, enfim, sem dignidade. Considere-se que a maior crise que a humanidade vive é a de percepção e que o seu maior problema é o de gestão de recursos materiais, de tempo e de talentos humanos. O homem sofre por não enxergar a solução ou por não querer aplicá-la, o que é pior. Para conhecer outras formas de realidade, é preciso romper com pa25


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drões de pensamento. A ciência é mais que um corpo de conhecimento, é um modo de pensar, e o pensamento livre não pode nem deve seguir padrões, sob pena de afastar-se da liberdade. Certamente, hoje a humanidade se encontra em estágio entrópico de evolução pela própria condição. Não adianta fazer julgamentos de valores e querer que as soluções aconteçam de forma abrupta. A Terra ainda dará inúmeras voltas em torno do sol até que a situação da humanidade mude de forma significativa. Cabe a cada um otimizar ações, relações e processos com vista à evolução pessoal e global.

A ciência: uma luz nas trevas da ignorância As necessidades contínuas são inerentes à vida e inesgotáveis. É fato também que o ser humano é por natureza um eterno inconformado. Satisfaz-se, mas não se conforma com o que é ou tem. Isso se deve ao fato de que, a cada necessidade suprida, se sucede um novo desejo de conquista. Assim, ao atender uma necessidade, seja ela de caráter fisiológico, emocional, psicológico ou social, logo em seguida surge o desejo de uma nova realização. Não restam dúvidas de que as necessidades contínuas são inquietações salutares, posto que incitam as pessoas à busca de novas conquistas e à superação de novos desafios. Na verdade, aquele que não escuta aos anseios da alma está perdido. Está desperdiçando oportunidades de experimentação, de dar passos adiante no caminho do crescimento pessoal e da melhoria profissional, indispensáveis ao reconhecimento social tão almejado por todos. Nas soluções de questões sociais, profissionais ou pessoais, em vez de orar, acender velas, apegar-se a superstições, simpatias, gnomos, baralhos, búzios ou quaisquer outros legítimos rituais religiosos, místicos ou esotéricos, é mais inteligente e eficaz traçar uma estratégia racional e lógica, com discernimento e atitude, proposta da ciência e da técnica. O homem pode rezar pela vítima da cólera ou medicá-la com tetraciclina. Em pleno século XXI, ainda existe religião que se nega a atribuir certas doenças a micro-organismos; outras que impedem seus seguidores de receberem transfusões sanguíneas, formas de refutar o que já se tem por certo: os tratamentos científicos são inúmeras vezes mais eficazes que quaisquer outras alternativas. Deve-se admitir que a ciência e a tecnologia não trazem somente benefícios à humanidade. É verdade que foram os cientistas dos Estados Unidos, União Soviética, 26


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China e de outras nações que, no século XX, conceberam e produziram mais de 60 mil armas nucleares, ameaçando a todos de exposição à radiação nuclear. A tecnologia produz gases como os CFCs, a poluição do ar e da água, a extinção de espécies da fauna e flora, o que pode comprometer a vida no planeta. Entretanto, o número de vidas salvas pelo progresso da medicina e da agricultura é inúmeras vezes maior que o de vidas perdidas em guerras. O progresso dos transportes, das comunicações, da indústria, do comércio e dos serviços de entretenimento transformaram o mundo numa aldeia em pleno desenvolvimento e culturalmente integrada. Na explicação de fenômenos naturais e na realização de tarefas para atender necessidades humanas, a ciência busca sempre desenvolver a melhor técnica. Por isso, ao alvorecer do terceiro milênio, a ciência é vista como a luz do conhecimento no escuro da ignorância. Isso porque, sendo a menos limitada forma de pensamento humano, através de métodos próprios, apresenta explicações racionais para fatos e fenômenos que antigamente eram de domínio de outras linhas do pensamento. Questões como a origem do universo e da vida no planeta Terra, e ainda problemas ambientais, sociais, educacionais, pessoais ou de qualquer natureza, são mais bem solucionados através da ciência e da técnica. Afinal, tudo o que acontece tem alguma razão a ser desvelada pela ciência.

O que é ciência e técnica? A ciência e a técnica são processos racionais usados pelo homem para se relacionar com fenômenos naturais e sociais. A ciência sabiamente se “apossou” do termo técnica, conjunto de procedimentos que apresenta a melhor forma de realizar uma tarefa. Aquele que atua da maneira mais adequada possível, otimizando o uso de recursos materiais, tempo e potenciais humanos, está aplicando a técnica em sua atividade, cuja importância reside no fato de que “é desperdício fazer com mais o que se pode fazer com menos”. Segundo o Dicionário Aurélio, ciência é o “conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que visam compreender e possibilitam orientar a natureza e as atividades humanas.” 27


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De forma simples, fazer ciência é observar atentamente a realidade circundante, atitude acessível ao mais comum dos mortais, porém nem sempre presente no diaa-dia das pessoas mais bem graduadas. A ciência é uma forma de abordagem de problemas para os quais são estabelecidas algumas premissas. Na composição do pensamento científico, não há misticismo, doutrinação, sacralização, idolatria, personalismo, superstição, nem medo. A ciência tem natureza empírica, lógica e sistemática, baseada em provas, princípios, argumentações ou demonstrações que garantam ou legitimem a sua validade. De acordo com o enfoque científico, toda verdade é relativa, não havendo verdade absoluta ou inquestionável. Nisso se baseia um dos princípios fundamentais da ciência: a verificabilidade, que é a qualidade do que pode ser verificado ou a capacidade de a teoria harmonizar-se com a observação sensível. Na ciência, uma proposição, hipótese ou teoria deve ser empiricamente verificável. No positivismo lógico, a verificabilidade tornou-se critério fundamental para a determinação da cientificidade de qualquer formulação teórica. O senso comum, de forma arrogante, acolhe sem questionar evidências e aparências que se ajustam às suas ideias e interesses. Já a ciência é humilde. A crítica válida presta um favor ao cientista, em cujos propósitos está o de procurar persistentemente por fissuras em afirmações e crenças estabelecidas. Nesse contexto, o cientista é o cidadão versado em ciência ou adepto do cientificismo. O autêntico cientista é livre para assumir uma postura crítica, procurar a verdade e valorizar a objetividade, em qualquer área que atue. O bom cientista não se limita a resolver problemas, também formula questões originais e descobre problemas onde outros viam apenas fatos banais. Na verdade, trata-se de alguém que possui postura atenta e conhecimento aprofundado do objeto de investigação, adquirido pela reflexão investigativa ou experiência. Detém conhecimentos teóricos, práticos ou técnicos voltados para determinado ramo de atividades, mais precisamente, é alguém que, em constante interrogação de seu método, suas origens e seus fins, procura obedecer a princípios válidos e rigorosos, almejando coerência interna e sistematicidade. Com ciência ou consciente, o homem se diferencia dos outros seres habitantes da Terra. 28


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A institucionalização da ciência A institucionalização da ciência, entendida como a organização de cientistas em universidades e institutos de pesquisa, não tem mais que um século e meio, sendo financiada por governos e indústrias. O resultado da institucionalização da ciência foi o aumento exponencial do número de cientistas na face da Terra, nos últimos 150 anos. Para se ter uma ideia, no curso do século XVII inteiro, o número total de cientistas no planeta era de aproximadamente 150 pesquisadores, dos quais é difícil avaliar a produção científica. Já no ano de 1900, esse número oscila entre 4 a 5 mil e o total de trabalhos científicos publicados naquele ano foi de cerca de 4 mil. Em novembro de 2009, a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (www.unesco.org) divulgou estudo que indica que, de 2002 a 2007, o número de pesquisadores no mundo aumentou 56%, passando de 5,8 para 7,1 milhões. Esse aumento justifica a contínua descoberta de novos fatos, o registro de informações novas e a crescente publicação de trabalhos científicos. Essa quantidade enorme de informações novas possibilitou avanços e mudou completamente a maneira de o homem viver no planeta. Citem-se as mudanças significativas na velocidade dos meios de transporte como exemplo do impacto do desenvolvimento tecnológico no dia a dia das pessoas.

Benefícios da ciência na velocidade dos meios de transporte Um grande avanço ocorrido nos últimos 200 anos foi a velocidade alcançada pelos meios de transporte. Desde sua origem, e durante muito tempo, a única maneira que o homem tinha para se deslocar era com os seus próprios pés. A quantidade de carga que podia carregar era muito pequena e, quando corria, a velocidade máxima que podia alcançar chegava de 6 a 8 quilômetros por hora (km/h). Em longas distâncias, a velocidade de caminhada era de aproximadamente 4 km/h e as pessoas daquela época viajavam, em média, 20 quilômetros (km) por dia a pé. Posteriormente, o homem passou a utilizar o burro, um animal resistente, que pode levar cargas a longas distâncias a cerca de 7 km/h, e o cavalo, animal que, com pouca carga, pode chegar a mais de 40 km/h. Por isso, naquela época os burros

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eram utilizados para transportes de carga e os cavalos, como meio de transporte pelos mais abastados. Não se sabe ao certo quando a roda foi descoberta, mas os primeiros indícios de sua existência datam de 6 a 4 mil anos a.C. Graças a esse instrumento, o homem, com o auxílio da carroça, passou a transportar grandes cargas com pouco esforço e em menor tempo. Entretanto, a carroça era um veículo caro. Além disso, naquele tempo os caminhos nem sempre eram transitáveis e assim a velocidade média não era superior a 7 km/h, razão porque, para transportar cargas muito pesadas, eram utilizados os carros-de-boi. Os carros de combates, puxados por cavalos, surgiram na Mesopotâmia cerca de 3 mil anos a.C. Mais tarde, por volta de 1350 a.C., os egípcios, nas guerras asiáticas, tinham como principal instrumento de combates as bigas e as trigas, que alcançavam a velocidade de 20 a 25 km/h. Portanto, desde os egípcios até a diligência americana no ano de 1800, isto é, em mais de 4 mil anos na história do homem, o único avanço tecnológico conseguido foi passar de 2 ou 3 para 6 ou 8 cavalos. Quanto ao transporte marítimo, na Idade Média, as caravelas se moviam com ajuda da energia do vento, motivo pelo qual a velocidade de navegação não era regular e, em média, não passava de 15 km/h. Os navios viajavam dia e noite, chegando a alcançar mais de 300 km por dia. Em pouco mais de um mês, podia-se viajar de Portugal para o Brasil. Provavelmente, até esse tempo os navios foram os veículos mais rápidos para uma longa distância. No item avanço da velocidade alcançada pelo homem, o dia 27 de setembro de 1825 é uma data histórica: na Inglaterra, a locomotiva a vapor construída por George Stephenson, a “Locomotion”, supera a velocidade das diligências que corriam a 25 km/h. Assim, pela primeira vez na história, uma máquina atrelada à roda pôde ultrapassar um animal correndo. A partir do surgimento da locomotiva, foi extremamente rápido o aumento da velocidade dos meios de transporte usados pelo homem. Na segunda metade do século XIX, surgiu o motor a combustão e os automóveis, cujo deslocamento dispensava os trilhos. Com o aprimoramento dos motores, surgiram os balões dirigíveis que chegaram a atingir a velocidade de 100 km/h e, em seguida, os aviões. No início do século XX, durante a Primeira Guerra Mundial, os aviões alcan30


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çaram a velocidade máxima aproximada de 300 km/h. Em meados do século XX, durante a Segunda Guerra Mundial, com o surgimento dos aviões de caça, esse recorde foi superado, alcançando 600 km/h. Após a Segunda Guerra Mundial, os aviões a jato substituíram a hélice, e a velocidade aumentou ainda mais. O avião-foguete tripulado, experiência da força aérea norte-americana, X2, superou a velocidade do som, algo em torno de 1.230 km/h. Posteriormente, o avião experimental X-15 superou 6.000 km/h, marcando o recorde de velocidade de voo em aviões. Em seguida, aviões supersônicos chegaram à velocidade máxima de 20.000 km/h. Atualmente, as naves espaciais, projetadas com base nos mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) são os campeões de velocidade. Para colocar uma nave em órbita ou romper a gravidade da Terra para chegar à Lua, é necessária uma velocidade superior a 27.000 km/h. Até o presente, as naves americanas não tripuladas Voyager 1 e 2, lançadas na década de 1970, foram os veículos mais rápidos da história, chegando a 60.000 km/h, recorde que ainda não foi quebrado. Assim, em pouco tempo, de 1825 a 1970, menos que 150 anos, o homem deixa a Terra por onde cavalgava e alcança o espaço infinito, através de máquinas que chegam à incrível velocidade de 60.000 km/h. No entanto, levando-se em conta a realidade das vastidões interestelares, a Voyager está mais para um carro de boi. Viajando a 60.000 km/h, levaria cerca de 77.400 anos para atingir Alpha Centauri, a estrela mais próxima do sol, localizada a uma distância de 4,3 anos-luz da Terra. Com o intuito de superar a velocidade 60.000 km/h, já em 1924, o soviético Fridrikh Tsander, pioneiro no estudo de foguetes, apresentou o conceito de velas solares. A ideia consiste em colocar em órbita velas enormes, feitas com material levíssimo e resistente, que seriam infladas pela pressão da luz solar refletida em sua superfície, o que ocorre em virtude de a luz do sol poder empurrar objetos da mesma forma que o vento infla uma vela no mar. Na Terra, não somos capazes de perceber essa pressão em nossa pele porque ela é infinitamente menor do que a pressão atmosférica. Já no vácuo espacial, isso é possível, visto que, na ausência de qualquer influência atmosférica, a luz solar pode imprimir uma aceleração pequena, porém constante e cumulativa, na superfície de uma vela espacial. Em teoria, uma vela 31


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solar com 3,2 km de diâmetro poderia sair do repouso da Terra para atingir Alpha Centauri em apenas 40 anos. Ao passar por seu destino final, a vela estaria viajando a 36.000 mil km/s, ou seja, 12% da velocidade da luz. Com esse objetivo, a Planetary Society (www.planetary.org), organização não governamental americana voltada para o incentivo à exploração do espaço, construirá, até o final de 2010, uma nave espacial que navegará com a força da luz solar. O projeto da vela solar, impulsionado por uma doação anônima de um milhão de dólares, é o início de um programa inovador que vai lançar três naves separadas ao longo de vários anos. O programa, chamado LightSail, começa com a LightSail-1, missão que irá demonstrar que a luz solar pode impulsionar uma nave espacial em órbita da Terra. Os projetos LightSail 2 e 3, ainda mais ambiciosos, vão viajar mais longe no espaço. Voos interestelares estão para a atualidade como o avião estava para Leonardo da Vinci, diz Louis Friedman, co-fundador com Carl Sagan da Sociedade Planetária.

A ciência promove a longevidade A ciência se propõe a ser um caminho para superar a pobreza e o atraso que assola o planeta. O aumento da expectativa de vida e o crescimento das populações humanas ao longo do tempo são os maiores benefícios proporcionados pela ciência e avanços tecnológicos. Estima-se que, no início da era cristã, a população do planeta Terra era da ordem 300 milhões de pessoas e a expectativa de vida, de 14 anos. Do ano um da era cristã até 1850, a população do planeta passou de 300 para 900 milhões de habitantes e a vida média do homem variava entre 30 e 40 anos, dependendo da região em que habitava. Nesse intervalo de tempo, a população aumentou e diminuiu. Essa oscilação reflete o resultado de epidemias, pestes e muitas doenças ou simplesmente a falta de alimentos. Como exemplo, tem-se a peste bubônica ou negra, causada pela bactéria Yersinia pestis que, durante o século XIV, dizimou um quarto da população total da Europa, cerca de 25 milhões de pessoas. Atualmente, o grau de letalidade da Yersinia pestis é mínimo, devido à administração de antibióticos como a tetraciclina e a estreptomicina e à existência de vacinas específicas que podem assegurar a imunidade. No entanto, a maneira mais eficaz de combate à doença continua sendo a prevenção, a partir do extermínio dos ratos urbanos e de suas pulgas. 32


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Outro exemplo de doença assassina é a malária que, descontadas as guerras e as mortes acidentais, é responsável por metade dos óbitos da história da humanidade desde a Idade da Pedra, 600 mil anos atrás. Merece destaque especial, como assassina de seres humanos, a fome, visto que, até o século XX, metade das crianças nascidas morria de desnutrição ou de doenças dela decorrentes. Como dito, em 1850, havia cerca de 900 milhões de pessoas vivendo na Terra. Passados cerca de 100 anos, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o mundo havia ganhado mais um bilhão de habitantes. No início de 1992, a população mundial já atingia 5,5 bilhões de pessoas, num ritmo de crescimento de um bilhão de pessoas (quase uma China) por década. Em 2010, esse número chega a 6,82 bilhões de pessoas. A ONU, em seu site na Internet (www.un.org/esa/desa. htm), projeta a população mundial para o ano de 2050 em nove bilhões, afirmando ainda que uma mudança nos níveis de fertilidade pode fazer aumentar ou diminuir drasticamente essa projeção. Essa grande explosão demográfica se deve ao fato de, a partir do ano de 1850, o homem começar a entender as leis e forças da natureza. No campo da biologia, o homem descobriu que as doenças são causadas por micro-organismos, desenvolveu a assepsia e a anestesia e, já nos princípios do século XX, tornou as cirurgias muito mais eficientes. Em seguida, deu-se a descoberta dos antibióticos e das vacinas que protegem populações inteiras de várias infecções. Daí em diante, o grande avanço da medicina e da produção de alimentos permitiu que, em torno de 150 anos, a população do planeta, que era cerca de 900 milhões em 1850, passasse para 6,82 bilhões de habitantes em 2010. Assim, foram necessários quase 2 mil anos para triplicar a população do planeta e menos de 200 para mais que sextuplicar e chegar a 6,82 bilhões de habitantes. E mais, a vida média do homem saltou de 30 a 40 anos para a faixa de 60 a 70 anos, e até 80, dependendo da região em que habita. Desse modo, o homem idoso, de cabelos brancos, é algo muito novo na história da humanidade. Foi a partir de 1900 que a população de idosos começou a crescer. A longevidade gerou mudança de hábitos e na maneira de ser do homem. Por exemplo, a fidelidade conjugal, um conceito muito antigo, está sendo afetada significativamente 33


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pela longevidade. No princípio da era cristã, quando a vida média da população era de 14 a 16 anos, se dois jovens se casavam e juravam amor eterno, isso significava 6 ou 8 anos de fidelidade, tendo em vista que um deles falecia. Essa história se repetiu durante muito e muito tempo, através dos séculos. Entretanto, recentemente, nos últimos 50 anos, com aumento da vida média do homem para 60 a 70 anos, jurar fidelidade eterna agora significa ser fiel por 30 ou 40 anos, compromisso nem sempre fácil de ser mantido. Como resultado, tem-se o aumento do número de divórcios e separações, tão frequentes hoje em dia. Acredita-se, pois, que essas separações de casais não sejam resultantes de comportamentos estranhos, estando mais associadas ao aumento do tempo de convivência entre as pessoas, o que nem sempre é fácil. São muitos os exemplos da interferência da ciência no dia a dia das pessoas. Conceitos antigos, como o de paternidade e maternidade, estão mudando radicalmente nos últimos anos, sobretudo após a inseminação artificial, a fertilização in vitro, a barriga de aluguel e a clonagem, novas formas de criação que mudam conceitos e hábitos das pessoas.

Ciência, espiritualidade e Deus “A palavra Deus, para mim, nada mais é que a expressão e produto das fraquezas humanas” Albert Einstein, em carta recém-revelada, datada de 1954. No encontro com a natureza, o cientista tem verdadeiro sentimento de reverência e admiração. O próprio ato de compreender um fenômeno a partir de uma explicação racional é uma celebração da união ou incorporação do esplendor do universo. Em sua essência, a ciência é uma profunda fonte de espiritualidade, porquanto o reconhecimento da própria realidade na imensidão espacial e temporal do cosmos gera um sentimento espiritual de júbilo e humildade, sincero e profundo. Até hoje, a ciência não tem métodos nem evidências para provar ou negar a existência de Deus. A ciência não tem nada a dizer, e dificilmente terá, sobre a existência ou não de um Deus por trás de tudo que existe. Mas, sem dúvida, o método 34


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científico tem contribuído para responder algumas questões associadas à origem do universo e da vida. A felicidade e o conforto espiritual podem ser alcançados em um universo sem Deus, regido apenas pela reflexão filosófica, compreensão da ciência, vivência da arte e elevação da espiritualidade. São inquestionáveis os valores da vida e da natureza. Nesse sentido, muitos cientistas se classificam como existencialistas. Por tentar compreender a complexidade, a beleza e a sutileza da vida, a ciência revela-se legítima fonte de espiritualidade.

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capítulo

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O método científico

“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”. Brecht

Roger Bacon (1214-1294), um dos precursores da ciência moderna, publicou em seu “Opus Majus”: “argumentos não removem a dúvida, de forma que a mente possa descansar na certeza do conhecimento da verdade, a menos que a encontre na experimentação”. O papel da ciência é remover dúvidas, trazendo expansão e conforto à consciência. O método de prática do trabalho científico é um processo organizado, lógico e sistemático de pesquisa e apresentação, com prescrições de natureza indutiva e experimental de modo que assegure o sucesso da investigação científica. O método científico busca estimular uma reflexão crítica sobre o fenômeno estudado e deflagra o raciocínio e a pesquisa. De forma ampla, as ciências experimentais como a física, a biologia e a química, por exemplo, utilizam o denominado método científico experimental, cujas principais fases são: o enunciado do problema, a observação do fenômeno, a busca de informações, a formulação de hipóteses, o procedimento experimental, o tratamento dos dados, as conclusões, a comunicação de resultados e a elaboração de leis e teorias. Visando familiarizar o leitor com a metodologia científica, apresenta-se a seguir 37


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uma breve descrição de cada uma das etapas do método científico-experimental. 1. O enunciado do problema - Etapa em que são definidos o problema, o objeto de investigação, a ideia a ser testada ou a pergunta científica que se está tentando responder. 2. A observação do fenômeno - Uma vez definido o fenômeno de estudo, a primeira coisa a fazer é observar seu acontecimento, as circunstâncias em que se produz e suas características. Essa observação deve ser reiterada (realizada várias vezes), minuciosa (levantamento do maior número possível de detalhes), rigorosa (realizada com a maior precisão possível) e sistemática (efetuada de forma ordenada). 3. A busca de informações - Com o objetivo de confirmar e reafirmar as observações efetuadas, deve-se consultar livros, enciclopédias, artigos ou revistas científicas que já descrevem algo sobre o fenômeno que está sendo, mais uma vez, estudado. Por esse motivo, a busca e a utilização de informações científicas acumuladas através da história são imprescindíveis a todo trabalho científico. No meio acadêmico, essa etapa é denominada revisão bibliográfica. 4. A formulação de hipóteses - Depois de observar o fenômeno e de reunir documentação suficiente sobre observações já efetuadas por outros, o cientista deve buscar uma argumentação que permita explicar e justificar cada uma das características de tal fenômeno. Como primeiro passo dessa fase, começa a fazer várias conjecturas ou suposições a partir das quais, posteriormente, mediante uma série de comprovações experimentais, elegerá como explicação do fenômeno a mais completa e simples, a que melhor se ajuste aos conhecimentos gerais da ciência no momento. Essa explicação racional, razoável e suficiente se denomina hipótese científica. 5. O procedimento experimental - Uma vez formulada a hipótese, o cientista deve comprovar que esta é válida em todos os casos. Para tanto, deve realizar experiências nas quais se reproduzam o mais fielmente possível as condições naturais em que se verifique o fenômeno estudado. Se sob tais condições o fenômeno acontece, a hipótese terá validade, ou seja, será uma proposição verdadeira nas condições estipuladas. Uma das funções do trabalho experimental científico é a de realizar medidas sobre as diversas variáveis que intervêm no fenômeno estudado e que são susceptíveis 38


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de mensuração. É conveniente, sempre que possível, repetir a experiência em um lugar adequado, ou seja, num laboratório. Essas experiências denominam-se “experiências científicas” e devem cumprir os seguintes requisitos: a) permitir realizar uma observação sobre a qual se possam extrair dados; b) permitir que os distintos fatores que intervêm no fenômeno possam ser individualmente controlados; c) permitir que se possa realizar (repetir) tantas vezes quanto necessárias e por distintos operadores. Habitualmente, em ciências experimentais, os trabalhos de laboratório permitem estabelecer modelos, situações ou suposições teóricas mediante as quais se efetua uma representação analógica entre o fenômeno natural e o experimento realizado. 6. O tratamento dos dados - As medidas efetuadas sobre os fatores que intervêm em um determinado fenômeno devem revelar algum tipo de relação entre as grandezas que caracterizam o fenômeno em estudo. Para chegar a essa relação, os cientistas procuram seguir dois passos prévios: a análise dos fatores pertinentes e a construção de tabelas e gráficos representativos. 6.1. A análise dos fatores - O estudo em profundidade de um fenômeno requer, em primeiro lugar, a determinação de todos os fatores que nele intervêm. Para simplificação do estudo, fixa-se uma série de grandezas que não variem (variáveis controladas) e se estuda a maneira como varia uma dada grandeza (variável dependente) quando se produz uma variação de outra grandeza (variável independente). Assim, se reconhecidamente existem 10 fatores intervindo num dado fenômeno, fixam-se os valores de 8 deles, varia-se deliberadamente (de modo muito bem determinado) um dos dois restantes e determina-se, mediante cuidadosas medidas, que variação sofreu aquele fator restante. Isso se repete ciclicamente até esgotar toda a série.  6.2. A construção de tabelas e gráficos - A construção de tabelas consiste em ordenar os dados obtidos para a variável dependente em correspondência com os dados numéricos da variável independente. Sempre se deve especificar as unidades com as quais se medem as variáveis em jogo. A representação gráfica consiste em transferir os dados das medidas (pares ordenados) para um sistema de eixos cartesianos ortogonais. 39


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7. As conclusões e a comunicação de resultados - A análise dos dados e a comprovação das hipóteses levam os cientistas a emitirem suas conclusões, que podem ser empíricas - baseadas na experimentação, ou dedutivas - obtidas mediante um processo de raciocínio, a partir de uma verdade conhecida (premissa verdadeira) até chegar à explicação do fenômeno. Uma vez bem solidificadas, as conclusões devem ser comunicadas e divulgadas para o restante da comunidade científica para que sirvam de ponto de partida para outros descobrimentos ou como fundamento de uma aplicação tecnológica prática. Essa é a chamada produção científica. 8. A elaboração de Leis e Teorias - O estudo científico de todos os aspectos de um fenômeno natural leva à elaboração de leis e teorias. Uma lei científica é uma hipótese que tenha tido comprovação validada. Uma teoria científica é um conjunto de leis que explicam um determinado fenômeno ou um grupo deles. As teorias científicas têm validade até o limite de serem capazes de explicar determinados fatos ou fenômenos. Essas leis deixam de ter validade até que algum descobrimento novo comprovado se oponha a elas. A partir de então, os cientistas começam a elaborar outra teoria que possa explicar esses novos descobrimentos. Na ciência, o conhecimento é evolutivo e não estacionário. Por isso, para a ciência, toda verdade é relativa. Sintetizando, ciência pode ser definida como a linha de pensamento humano que, por meio de métodos próprios, realiza reflexão crítica sobre um problema ou experiência, exposta por meio de técnicas de comunicação.

Postura científica Certa vez, Isaac Newton (1642–1727), que, juntamente com Galileu Galilei e Albert Einstein, compõe a galeria das mais altas celebridades científicas da humanidade, disse: “se enxerguei mais longe que outros homens foi porque me ergui sobre ombros de gigantes”. Com essa afirmação, Newton dá uma sábia lição de humildade à humanidade. Assim, fica fácil entender por que no século XXI existem especialistas avançados nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Quando se pretende atuar nas áreas das ciências exatas (matemática, física, química, biologia, etc.), das ciências 40


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sociais (história, geografia, filosofia, psicologia, educação, etc), seja através de pesquisa acadêmicas ou de investigações informais, ninguém duvida da existência de uma gama de informações relevantes sobre cada tema. Isso se deve ao fato de haver inúmeros indivíduos e grupos no planeta que constantemente estudam e publicam conhecimentos avançados nos diversos ramos do saber humano. É fato que ninguém precisa reinventar a roda. Isso já foi feito pelos nossos antepassados há 6 ou 8 mil anos, não se sabe ao certo. Entretanto, até hoje, empresas como a Goodyear, Pirelli ou Firestone, entre outras, avançam no desenvolvimento de pneus melhores, sem desconsiderar os conhecimentos já alcançados. A novidade nessa área é que a fabricante Michelin está lançando o primeiro pneu sem ar. Assim como Newton, cabe a quem se lança em novas pesquisas a humilde sabedoria de buscar e reconhecer a imensurável contribuição deixada pelos especialistas precursores em determinados domínios ou atividades. Diante do conhecimento proposto pelos especialistas precursores em áreas específicas, os estudiosos em qualquer época ou lugar, em todas as linhas de pesquisa, podem adotar três posturas, abaixo detalhadas: 1. Aceitar a informação cegamente, ou seja, considerar que o conjunto de princípios apresentado tem valor de verdade absoluta, única e aceitável e, assim, o conhecimento vira doutrina ou dogma. 2. Rejeitar, ignorar, desconsiderar, não prestar atenção à informação ou ainda desprezar e seguir a vida em uma outra direção. As duas posturas descritas acima são legítimas, dignas de respeito, por possuírem legitimidade no livre arbítrio, porém não se afinam com a postura científica. A terceira postura possível diante do conhecimento é: 3. Duvidar, colocar sob suspeita e questionar os conceitos apresentados na fonte de pesquisa. Entrar em discussão e investigar de forma metódica e, conscientemente, descobrir e tomar novas informações sobre o fato ou fenômeno. Através de exame e observação minuciosa, pesquisar, imiscuir-se no processo com curiosidade e bisbilhotar insaciavelmente. Essa é a postura que permeia o pensamento científico. À luz da ciência, toda verdade pode ser verificada ou experimentada. Todo experimento elaborado segundo o método científico e apresentado à comunidade científica deve ser passível de 41


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repetição por qualquer pesquisador que siga fielmente a metodologia de pesquisa adotada. A repetição deve sempre chegar, quando sob as mesmas condições, a resultados semelhantes àqueles alcançados pelo pioneiro.

Espiral da cultura científica Hoje, as comunidades possuem claras percepções da contribuição que a ciência e a tecnologia dão à solução dos problemas pessoais e sociais, sobretudo por serem inegáveis os impactos amplos e variados da ciência e tecnologia sobre a vida social, a saúde, a educação, o trabalho, o lazer, as economias, as formas de produção, as estruturas de mercados, os padrões de consumo, o papel do Estado e as relações entre nações. Não restam dúvidas de que a atuação da ciência e a participação ativa do cidadão no processo cultural científico e tecnológico repercutem de forma decisiva no desenvolvimento da humanidade. A cultura científica pode ser mais bem compreendida quando visualizada na forma de espiral, proposta por Carlos Vogt e mostrada na Figura 2.1. A ideia é da representação evolutiva sobre dois eixos, um horizontal, o do tempo, e um vertical, o do espaço, no qual as categorias constitutivas da ciência são estabelecidas. Analisando a Figura 2.1, tem-se como ponto de partida a dinâmica da produção e da difusão científica, no primeiro quadrante. Em sua evolução, a espiral desenha o ensino da ciência e da formação de cientistas, caminhando, então para o terceiro quadrante, onde configura o conjunto de ações do ensino para ciência. Complementa o ciclo o quarto quadrante, que representa as atividades da divulgação científica. Importa observar nessa representação que, ao cumprir o ciclo de sua evolução, retornando ao eixo de partida, a espiral da cultura científica não regressa ao ponto inicial. O início de um novo ciclo se dá em ponto alargado de conhecimento e de participação do cidadão no processo dinâmico da ciência e de suas relações com a sociedade. A cada novo ciclo da espiral, há o enriquecimento e a participação ativa dos cientistas e da sociedade em cada um dos momentos de evolução da ciência. Vale destacar que a cultura científica pode e deve estar cada vez mais presente no cotidiano das pessoas comuns. Ao observar atentamente a realidade circundante, o cidadão está vivenciando a essência da cultura científica, sendo esta, antes de tudo, um estado de espírito alerta, investigativo, crítico e livre de conceitos preconcebidos. 42


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Figura 2.1. Espiral da Cultura Científica

Conta o mestre Osho que, se as flores possuíssem um sistema de crença, logo se sentiriam culpadas pelo fato de terem espinhos e, rapidamente, por sentirem culpa, os espinhos seriam sua única realidade. E assim, as flores deixariam de dançar suas pétalas ao vento, perderiam sua alegria e sua fragrância.

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capítulo

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Dados da produção científica

“Não acredite em nada, nem mesmo no que lhe informarem aqui. EXPERIMENTE. Tenha suas experiências pessoais”. Waldo Vieira

Questionar e aprofundar os conceitos apresentados pelos desbravadores do saber tem possibilitado a geração de novos conhecimentos. Assim, a produção e a divulgação científica têm aumentado de forma exponencial, a partir da institucionalização da ciência, datada de pouco mais de um século. A cienciometria é a ciência que estuda a produtividade em pesquisa, que é avaliada número de artigos publicados em periódicos internacionais. Em 2008, a produção científica brasileira alcançou 1,8% da produção mundial e ultrapassou a da Rússia, tradicional potência na área e alcançou o terceiro lugar maior entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), de acordo com a tabela disponível no site do SCImago Journal (www.scimagojr.com). Tão importante quanto à capacidade de produção de artigos científicos é a capacidade de inovação tecnológica, ou seja, a implementação na cadeia produtiva das descobertas científicas realizadas. Para esses fatores, os principais indicadores da capacidade de inovação das nações são os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), a quantidade de patentes requeridas pela nação e o número de engenheiros em atuação nas empresas. 45


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A Tabela 3.1 e o Gráfico 3.1 listam 16 países do mundo e as respectivas participações no PBI mundial, que totalizava U$ 78.360.000 em 2008; o percentual na produção cientifica mundial, que totalizava 1.862.260 artigos em 2008; o percentual do PIB do país investido em P&D em 2007; e o número de patentes requeridas pelo país por 7.692 habitantes e 2007. Na segunda coluna da Tabela1, os números entre parênteses representam a posição no ranking mundial de cada país para os indicadores das colunas 3, 4 e 5. Os dados das colunas 3 e 4 da Tabela 1 mostram que, em 2008, as maiores economias do mundo figuram entre as nações que mais produziam artigos científicos. Como regra geral, parece que os países se esforçam para fazer os indicadores de produção econômica e produção cientifica se aproximarem. Também se observa na quarta coluna que, em percentuais do PIB, 13 países têm produção científica maior que o Brasil.

PRODUÇÃO CIENTÍFICA X PRODUÇÃO ECONÔMICA País 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Estados Unidos (1/1/3) Japão (2/5/1) China (3/2/9) Alemanha (4/4/4) França (5/6/5) Reino Unido (6/3/7) Itália (7/8/11) Rússia (8/15/11) Espanha (9/9/11) Brasil (10/14/14) Canada (11/7/6) Índia (12/10/15) México (13/29/16) Austrália (14/11/7) Holanda (15/13/9) Coreia do Sul (16/12/2) TOTAL MUNDIAL

Tabela 3.1

% Produção % PIB Patentes % PIB Científica em P&D Requeridas em Mundial em Mundial em em 2007 2007 / 7.692 2008 2008 habitantes

18,3 6,2 5,4 4,9 3,8 3,6 3,1 2,2 2,1 2,1 2,0 1,6 1,5 1,4 1,2 1,1 U$ 78.360.000

19,7 5,3 12,3 5,6 4,2 6,4 3,4 1,7 2,8 1,8 3,6 2,7 0,6 2,5 1,9 2,4 1.862.260

Fontes: Battelle, R&D Magazine, OECD, IMF, scimagojr, UNDP, wipo. * 2006

2,6 3,3 1,4 2,5 2,1 1,8 1,1 1,1 1,1 0,9 2,0 0,7 0,5 1,8 1,7 3,0

6,16 20,08 0,89 4,47 1,84 2,19 1,20 1,49 0,56 0,15* 1,17 0,04 0,05 0,99 0,98 20,43 96,07

A tabela disponibilizada no site do SCImago Journal revela que a produção cientifica brasileira avançou de 8.489 para 33.074 artigos publicados de 1996 a 2008. No mesmo período, a produção russa manteve-se praticamente estável – 30.200 artigos em 1996 e 31.818 em 2008. A produção científica da Índia, que em 1996 contabilizava 20.266 artigos publicados, chegou a 49.396 artigos em 2008. 46


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Gráfico 3.1. Dados da Tabela 3.1. 47


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O levantamento do SCImago Journal indica ainda que a produção científica chinesa, que em 1996 ainda estava atrás da russa, com 27.070 artigos, chegou ao segundo lugar mundial em 2008 com 228.337 artigos. Caso seja mantido o atual ritmo de expansão, até 2020 a China ultrapassará os líderes Estados Unidos, que avançaram de 319.876 para 366.491 no mesmo período. A China é o melhor exemplo de que investimentos internos em educação, ciência e tecnologia (C&T), pesquisa e desenvolvimento (P&D), aliados a custos produtivos baixos, atraem multinacionais que atuam no mercado de alta tecnologia. Os investimentos em P&D por parte dos chineses aumentaram de 0,9% do PIB em 2000 para 1,4% em 2007. Na média, os países ricos que integram a OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico investem 2,2% do PIB em P&D. Os EUA, que tem PIB nove vezes maior que o brasileiro, investe 2,68% de sua riqueza em P&D. O Brasil, que tem PIB menor que a metade do chinês, investiu 0,9% do PIB em P&D em 2007. Apesar do aumento recente, o ideal é que em P&D o Brasil invista 2% do PIB o quanto antes. A Tabela 1 indica que o gigante asiático é o nono em investimento do próprio PIB em P&D. Esses investimentos levaram os chineses a se tornar o povo que mais exporta tecnologia de ponta, com destaque para eletrônicos, ultrapassando Estados Unidos, Alemanha e Japão. Por sua vez, no que diz respeito à exportação de produtos de alto valor tecnológico agregado, em 2008, o Brasil ocupava a 27ª posição em um ranking de 42 países. Nesse ano, o Brasil vendeu US$ 11,1 bilhões em produtos de alta tecnologia, o equivalente a 3% do que a China exportou desses itens para o mundo no mesmo ano. É fato consumado que os países competitivos no mercado internacional investem pesado em educação, C&T e inovação. Hoje os principais produtos na pauta de exportação da China são de alta tecnologia, qualidade e valor agregado, tais como notebooks, iPhones e televisores de LCDs. Para incrementar o comercio exterior, os chineses também exportam produtos de média tecnologia – químicos, máquinas e carros - e produtos intensivos em mão de obra – têxteis, calçados e brinquedos. O mundo vive uma corrida frenética para ganhos de competitividade. Em 2008, as exportações de alta tecnologia da China respondiam a 22,5% das vendas, enquanto no Brasil não passava de 5,4%. O aumento de US$ 22 em 2000 para US$ 63,56 em 2008 do valor por quilo exportado de produtos de alta tecnologia revela que produtos 48


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cada vez mais sofisticados integram a pauta de exportação chinesa. Outro fator de desvantagem para o Brasil é que em vários países os investimentos em P&D vêm direto do setor privado, enquanto no Brasil estes procedem predominantemente do setor público. Ambas as fonte são necessárias e precisam crescer no Brasil, mas é preciso maior compromisso do setor privado com o investimento em P&D, já que inovar é essencial para a indústria dar um salto no desenvolvimento. Além do relativo baixo investimento em tecnologia para garantir competitividade, o Brasil tem desvantagem com outros países devido à alta carga tributária e à baixa previsibilidade no câmbio. Em 2008, a carta tributária na China era de cerca de 18% do PIB, enquanto no Brasil chegava a 35,8% naquele ano. Com tudo isso, a participação chinesa nas exportações globais saiu de 7,58% em 1997 para 12,37% em 2008. No mesmo período, a fatia do Brasil no comércio mundial subiu de 1,08% para 1,36%. Outro indicador de desenvolvimento em C&T é o número de patentes registradas, mostrado na sexta coluna da Tabela 3.1. A China, que em 1995 registrava 8,31 patentes por milhão de habitantes (PPMH), chegou a 116,10 PPMH em 2007. O Brasil passou de 16,75 PPMH em 1995 para 20,12 PPMH em 2006. Os coreanos são lideres com 2.656 PPMH em 2007, seguidos pelo japonês com 2.610 PPHM e dos americanos com 800 PPMH no mesmo ano. O número de engenheiros pelo total de habitantes revela o compromisso das nações com o desenvolvimento. A quantidade ideal de engenheiros formados para um país em desenvolvimento deve ser em torno de 25 por 100 000 habitantes. A China e Coreia do Sul possuem 25, a Índia 22 e o Brasil 06 engenheiros por 100 000 habitantes. E a realidade parece que não vai mudar em breve, visto que o Brasil formou em 2008, 47.098 profissionais nas diversas especialidades da engenharia. Enquanto isso, a Rússia forma 190 mil engenheiros por ano, a Índia 220 mil e a China 650 mil. Certo é que o Brasil pode acelerar mais o crescimento econômico se souber investir na direção correta: educação e desenvolvimento científico e tecnológico, o que pressupõe ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica. Na realidade esse é o diferencial que permite aos Estados Unidos e demais países ricos a permanecer no topo do desenvolvimento. A adoção de políticas apropriadas de investimentos nas áreas de educação 49


Fábio Campos Morais

e C&T pode antecipar o futuro do Brasil. Cortes nessas áreas, num mundo de economia globalizada, onde o crescimento econômico é regido pela capacidade de inovação tecnológica, só colocarão o país ainda mais distante dos países desenvolvidos, considerando que é na geração e no acesso ao conhecimento, tanto básico quanto aplicado, que se assegurarão a soberania e a sobrevivência na ordem internacional a longo prazo. No Brasil, está em fase final de elaboração o Plano Nacional de Ciência e Tecnologia (PNCT). O plano visa à promoção da educação científica e tecnológica da sociedade; alavancar a inovação tecnológica nas empresas; estabelecer plano de desenvolvimento e prioridades estratégicas em C&T para o desenvolvimento social; e fortalecer a expansão e consolidação do Sistema Nacional de C&T. Já é consenso que as batalhas fundamentais no campo do desenvolvimento econômico e social - do qual o crescimento econômico é apenas um componente são ganhas ou perdidas no front doméstico e não no internacional. Cada vez mais, a cultura da educação em todos os níveis, ciência e inovação tecnológica assume papéis de múltipla importância na sociedade globalizada, como mostra o exemplo de sucesso da Coreia do Sul.

A revolução pela educação na Coreia do Sul Em 1980, a Coreia do Sul e o Brasil eram típicas nações do mundo subdesenvolvido. Nessa época, a renda per capita da Coreia era de US$ 4.200, enquanto a brasileira chegava a US$ 3.900. Em 2009, a renda per capita coreana chegou a US$ 27.978 e a brasileira estagnou em US$ 10.514, de acordo com dados do FMI - Fundo Monetário Internacional (www.imf.org). A que se atribui tal diferença no desenvolvimento econômico das duas nações? A resposta pode ser resumida nas palavras investimentos em educação, ciência e inovação tecnológica. Enquanto a Coreia investe anualmente em educação cerca de 8% do PIB, o investimento brasileiro é de apenas 3,9%. O descaso do país com a educação básica se revela mundialmente no índice de desenvolvimento da Educação, aplicado em 28 países e divulgado em janeiro de 2010 pela Unesco, órgão da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura. Nesse estudo o Brasil aparece na incômoda 88ª posição, perto de Honduras (87ª), Equador (81ª) e Bolívia (79ª) - e longe dos países vizinhos 50


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

Argentina (38ª), Uruguai (39ª) e Chile (51ª). A Coreia do Sul também conseguiu universalizar o acesso à Internet para 99% da população, enquanto no Brasil o porcentual de pessoas com acesso à rede é de 34,8%. De forma objetiva, as 7 lições que o Brasil pode aprender com a Coreia do Sul na implantação de um modelo de educação bem-sucedido são: 1. Concentrar os recursos públicos no ensino fundamental e médio - e não na universidade - enquanto a qualidade nesse nível for sofrível. 2. Premiar os melhores alunos com bolsas e aulas extras para que desenvolvam seu talento. 3. Racionalizar os recursos para dar melhores salários aos professores. 4. Investir em pólos universitários voltados para a área tecnológica. 5. Atrair o dinheiro das empresas para a universidade, produzindo pesquisa afinada com as demandas do mercado. 6. Estimular os estudantes a dedicar mais horas de estudos diárias. 7. Incentivar os pais a se tornarem assíduos participantes nos estudos dos filhos. No que diz respeito ao ensino para o trabalho, nos EUA o projeto SCANS Secretary’s Commission on Achieving Necessary Skills propõe que a melhora nas competências básicas necessárias à busca de aumento da produtividade no mercado de trabalho passa pelo melhor desempenho das escolas. O SCANS oferece algumas importantes considerações sobre o aperfeiçoamento da cultura laboral de um país: a) as qualidades de alto desempenho, que atualmente caracterizam as empresas mais competitivas, devem tornar-se padrão para a vasta maioria de empresas, grandes e pequenas, locais e globais; b) as escolas devem tornar-se, elas mesmas, organizações de alto-desempenho; c) todo estudante secundário do país deve desenvolver um novo conjunto de competências e habilidades fundamentais, se pretende desfrutar de uma vida produtiva, plena e satisfatória; d) a forma mais efetiva de aprender habilidades é no contexto laboral, colo51


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cando objetivos de aprendizagem dentro do meio ambiente real, em vez de insistir que estudantes primeiro aprendam em abstrato o que se espera que apliquem na prática.

Evidências físicas da cultura científica Uma forma de identificar o exercício da cultura científica na sociedade é buscar evidências físicas na forma de objetos, adornos, utensílios, ferramentas, parafernálias, ou seja, no conjunto de apetrechos utilizados na prática da atividade científica. Como mostra a Figura 3.2, entre esses objetos, destacam-se o livro, a lupa, o microscópio, o grampeador, o quebra-cabeças, o peso para papel, o bibliocanto, o computador de mesa (desk top) ou portátil (notebook) multimídia com acesso à Internet, entre outros acessórios de pesquisa.

Figura 3.2. Objetos utilizados por um cientista

Quanto mais ferramentas o cientista dominar na prática da sua atividade nas diversas etapas (observação do fenômeno, busca de informações, procedimento experimental, tratamento dos dados e exposição dos resultados), maiores facilidades e chances de sucesso terá na execução da pesquisa. 52


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O livro, definido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como qualquer publicação não periódica com mais de 48 páginas, é sem dúvida referência de destaque entre os objetos adotados na teoria e prática da ciência. A lupa, acessório ótico composto de lente biconvexa que transmite imagem virtual aumentada dos objetos, é um exemplo fidedigno do mundo da ciência. O aumento da imagem por ela proporcionado é representativo da vontade do cientista de ver os detalhes das coisas ou seres e, assim, desvelar a essência contida no objeto de investigação. Outro instrumento óptico utilizado na obtenção de imagens ampliadas é o microscópio, este usado para observação de objetos de dimensões extremamente pequenas. Um dos maiores auxiliares dos cientistas nos tempos atuais é o computador, máquina capaz de obedecer a instruções que processam dados, com o objetivo de alcançar um fim determinado. Trata-se de uma máquina extraordinariamente complexa e que, devido ao estonteante desenvolvimento da microeletrônica, é capaz de possuir cerca de 250.000 unidades do célebre chip de silício. Equipamento de recente disponibilidade às massas populacionais, o microcomputador é um grande difusor de conhecimentos. A sua grande vantagem sobre as outras máquinas programáveis, tais como a máquina de lavar e cafeteiras, por exemplo, é que as funções do processador de dados podem ser modificadas – para isso basta introduzir um novo programa para que ele passe, em segundos, de um processador de palavras para um jogo eletrônico ou para um controlador de conta bancária, por exemplo. Quando dois ou mais computadores estão interligados entre si por meios eletrônicos, está gerada uma rede de computadores, conexão estabelecida com o intuito de trocar informações de forma rápida e fácil, fornecendo aos usuários um campo mais vasto de atuação com partilha de equipamentos e recursos (aplicativos, periféricos, ferramentas de comunicação, bases de dados, etc.). Quando se estabelece uma gigantesca rede mundial de computadores, que inclui desde grandes computadores até micros do porte de um personal computer (PC), está criada a Internet.

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capítulo

4

Ciência e Internet

“A Internet é o maior acontecimento no mundo de negócios desde a Revolução Industrial”. Jack Welch

A Internet é uma rede mundial de computadores interligados através de linhas comuns de telefone, linhas de comunicação privadas, cabos submarinos, canais de satélites e diversos outros meios de telecomunicação. Os computadores que compõem a Internet podem estar localizados, por exemplo, em universidades, empresas, cooperativas, prefeituras e nas próprias residências. É considerada hoje um dos mais importantes e revolucionários avanços tecnológicos da humanidade. Pela primeira vez no mundo, um cidadão comum ou uma pequena empresa podem, facilmente e a um custo muito baixo, não só ter acesso a informações localizadas nos mais distantes pontos do globo, como também - e é isso que torna a coisa revolucionária - criar, gerenciar e distribuir informações em larga escala, no âmbito mundial, algo que somente uma grande organização poderia fazer usando os meios de comunicação convencionais. Isso, com certeza, já afeta substancialmente toda a estrutura de geração e disseminação de informações existente no mundo, controlada primariamente por grandes empresas.

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Fábio Campos Morais

Através da Internet, uma pessoa qualquer pode de sua própria casa publicar textos ou vídeos ou quaisquer outros tipos de informações, a partir de um microcomputador, sem precisar da estrutura que no passado só uma empresa de grande porte poderia manter. Essa perspectiva abre um enorme espaço para profissionais e empresas interessadas em oferecer serviços de informação específicos. Uma das peculiaridades da Internet é o fato de a rede mundial não ser controlada de forma centralizada por nenhuma pessoa ou organização. Não há, por exemplo, um presidente ou um escritório central da Internet no mundo. A organização do sistema é desenvolvida a partir dos administradores das redes que a compõem e dos próprios usuários. Essa organização, que pode parecer um pouco caótica à primeira vista, tem funcionado extremamente bem, haja vista o seu enorme crescimento observado nos últimos anos. O site www.internetworldstats.com mantém informações atualizadas sobre o uso da Internet, comércio eletrônico e dados populacionais de mais de 233 países e regiões do mundo. Abaixo, a Tabela 4.1 mostra resumo do uso e do crescimento da Internet nas diversas regiões do planeta. Tabela 4.1

USO MUNDIAL DA INTERNET E ESTATÍSTICAS POPULACIONAIS Usuário de Usuários de Partic. Crescimento Partic. Regiões População Internet Internet População uso Internet Mundial na Mundiais 2009 31/12/2000 31/12/2009 usuária 2000-2009 Internet África 991.002.342 4.514.400 86.217.900 8,7 % 1.809 % 4,8 % Ásia 3.808.070.503 114.304.000 764.435.900 20,1 % 568 % 42,4 % Europa 803.850.858 105.096.093 425.773.571 53,0 % 305 % 23,6 % Oriente 202.687.005 3.284.800 58.309.546 28,8 % 1.675 % 3,2 % Médio América 340.831.831 108.096.800 259.561.000 76,2 % 140 % 14,4 % do Norte América Latina e 586.662.468 18.068.919 186.922.050 31,9 % 934 % 10,4 % Caribe Oceania / 34.700.201 7.620.480 21.110.490 60,8 % 177 % 1,2 % Austrália TOTAL 6.767.805.208 360.985.492 1.802.330.457 26,6 % 399 % 100,0 % MUNDIAL 56


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

São três as principais operações realizadas pelos usuários da Internet: a busca e oferta de informações; a comunicação, feita principalmente via correio eletrônico (e-mail) ou programas de mensagens instantâneas ou redes sociais e, por fim, a compra e venda de mercadorias ou e-commerce.

Mundo de informações É fato inquestionável que a Internet seja fonte inesgotável de informações das mais diversificadas naturezas, incluindo as científicas. Exemplo é o site www.indexmundi.com que resume estatísticas mundiais sobre usuários de Internet, demografia, economia, energia, telecomunicações, gastos com armamentos, entre outras, apresentadas em textos, mapas e gráficos. Na oferta de informações o indexmundi.com estima que havia em 2009 cerca de 234 milhões páginas e 126 milhões de blogs na Internet em 2009, distribuídos em cerca de 120 milhões de domínios ativos. Só em 2009, no mundo, foram publicadas 47 milhões de novas páginas na rede. No Brasil, foram 17 anos para chegar ao primeiro milhão de domínios. Para alcançar o segundo milhão, em março de 2010, foram necessários pouco mais de três anos, informa o site Registro.br (www.registro.br), responsável pela coordenação dos registros de nomes de domínio no país. O site YouTube (www.youtube.com), que armazena vídeos dos mais diversos tipos postados pelo próprios internautas, tem cerca de 1 bilhão de vídeos visualizados a cada dia, sendo que 82% dos usuários da Internet veem vídeos on-line. Apesar de disponibilizar muita informação de baixas qualidade e confiabilidade, a Internet disponibiliza um vasto conteúdo informativo em ciência e tecnologia. Todo pesquisador sabe que esse instrumento causou uma verdadeira revolução no acesso à informação científica. Por meio dele, operam-se consultas a bases de dados internacionais e a boletins eletrônicos de editoras e sociedades científicas, bem como se procede a pesquisa bibliográfica on-line e a comunicação com cientistas, e tudo isso pode ser feito com critérios de extrema confiabilidade. No dia 28 de junho de 2004, uma pesquisa no site de busca Google, contendo a palavra ciência, obteve, em 0,23 segundo, a resposta de que o argumento de pesquisa fornecido se encontrava em exatamente 2.020.000 (dois milhões e vinte 57


Fábio Campos Morais

mil) documentos. Já no dia 10 de fevereiro de 2005, no mesmo site, outra pesquisa sobre o mesmo argumento resultou, em 0,14 segundo, em 4.520.000 (quatro milhões, quinhentos e vinte mil) documentos. Em 10 de maio de 2010 a pesquisa do tema no Google alcançou aproximadamente 62.200.000 (sessenta e dois milhões e duzentos mil) resultados em 0,25 segundos. Abaixo são apresentados endereços úteis para estudo ou trabalho na área de ciência e tecnologia, no Brasil e no mundo. Agência de notícias da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (www.agenciafapesp.br) tem como missão divulgar a cultura científica no Brasil. O CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (www.cnpq.br), agência do MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia (www.mct. gov.br) destinada ao fomento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no país. Fundada em 1948, a SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (www.sbpcnet.org.br) é uma entidade civil, sem fins lucrativos nem cor políticopartidária, voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico, e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil. Periódicos da CAPES (www.periodicos.capes.gov.br), onde professores, pesquisadores, alunos e funcionários de 268 instituições de ensino superior e de pesquisa em todo o país têm acesso imediato à produção científica mundial atualizada. O ICH - Instituto Ciência Hoje (http://cienciahoje.uol.com.br), organização social de interesse público sem fins lucrativos vinculada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), é responsável pelo projeto de divulgação científica através da revista Ciência Hoje e do portal Ciência Hoje On-line, entre outras publicações. O SciELO (www.scielo.br) é uma biblioteca eletrônica que abrange coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros, projeto da FAPESP e conta com apoio do CNPq. Entre os sites internacionais que disponibilizam informação científica de confiança são citadas as versões virtuais das revistas Science (www.sciencemag.com), Nature (www.nature.com), Science Daily (www.sciencedaily.com) e Wired (www. wired.com) 58


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

Comunicação virtual No campo da comunicação virtual, no final de 2003, segundo o instituto de pesquisa International Data Corporation (www.idc.com), o número de e-mails no mundo era de 505 milhões. Em 2009, o site www.pingdom.com afirma que o número de usuários de e-mails no mundo atingiu 1,4 bilhões, que fazem circular 247 bilhões mensagens por dia. Para comunicação em tempo real, estão disponíveis programas que enviam e recebem mensagens instantâneas (MI), permitem conversas por voz e exibição de imagens transmitidas por webcams. O site www.comscore.com, especializado em medição de mídia digital, divulgou em abril de 2010 um estudo sobre o uso de mensagens instantâneas em várias partes do mundo. Segundo o estudo, 82 milhões de pessoas, ou 49% da população europeia, está acostumada com o uso de aplicativos de MI para comunicação online. Na América do Norte, 69 milhões de pessoas ou 37% da população permanecem online usando MI. Na América Latina 64% da população on-line usam ferramentas de MI. No uso de MI, o aplicativo MSN (www.msn.com) se destaca em todo o mundo, com 61% dos usuários do mundo inteiro. O MSN Messenger também é dominante na América Latina, alcançando mais de 90% dos utilizadores de MI e, na Europa e Ásia-Pacífico, atingindo mais de 70% dos utilizadores de MI em cada região. A América do Norte é a mais competitiva, com o MSN Messenger, AOL / AIM e Yahoo Messenger recebendo cada um entre 27% e 37% dos utilizadores de MI.

Figura 4.1 - Esquema representativo da complexa teia das redes sociais

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Fábio Campos Morais

A tecnologia P2P utilizada pelo programa Skype (www.skype.com) possibilita a qualquer pessoa munida de computador e microfone conversar com outras pelo mundo afora, sem pagar ligações telefônicas. Assim como o MSN, o Skype também oferece recursos de compartilhamento de arquivos, sem perder qualidade nas conexões de voz sobre IP (Internet Protocol). Atualmente, o fenômeno da Internet é o movimento do microblogging liderado pelo Twitter (www.twitter.com), que conecta pessoas trocando mensagens de até 140 caracteres. Em seu 4º ano de vida, o Twitter já alcança feitos de gente grande. São cerca de 75 milhões de usuários, sendo que 72,5% se cadastraram no primeiro semestre de 2009. Os twitters postam cerca de 50 milhões de tuítes por dia, ou 600 por segundo, sendo que os Estados Unidos concentram 62,14% dos usuários. O Brasil aparece com 2% dos twitters, conforme dados da Sysomos (www.sysomos. com), que analisou mais de 11,5 milhões de contas em 2009. As redes sociais, lideradas pelo Orkut (www.orkut.com), Facebook (www.facebook.com) e My Space (www.myspace.com) são tão populares quanto o e-mail. Estudo lançado pela empresa Nielsen (http://nielsen.com) indica que 67% dos internautas acessam as redes sociais, contra 65% que utilizam e-mails. No Brasil o percentual de usuários em de redes atinge 80%, onde gasta-se 23% do tempo online nas redes, sem contar o fato de que o crescimento do alcance das redes é duas vezes maior do que de outras ferramentas mais tradicionais, como portais, e-mails e sites de buscas. Em nível global, o Facebook tem 108 milhões de usuários, contra 81 milhões do MySpace e 19,7 milhões do Classmates IOnline. Com a força dos usuários brasileiros, o Orkut é o quarto maior do mundo, com 17,5 milhões. A Figura 4.1 representa a complexa teia das redes sociais na pós-modernidade.

Comércio eletrônico O comércio eletrônico ou e-commerce, forma moderna de comprar e vender, é a versão eletrônica dos estabelecimentos comerciais, que pode negociar com qualquer lugar do mundo, com grande rapidez, eficiência e redução de custos. O e-commerce ocorre entre três grupos básicos de participantes: empresa, governo e indivíduos. Uma das grandes vantagens do comércio eletrônico é eliminar as barreiras regionais e estender os limites do comércio até o âmbito internacional. 60


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Embora as lojas virtuais não substituam inteiramente as reais, o e-commerce é um mercado em contínuo crescimento e está rapidamente se tornando popular. Nos últimos anos, o número de internautas só aumenta devido à expansão da Internet, disseminação da confiabilidade na rede, a inserção de uma nova cultura e a inclusão digital de classes menos favorecidas. Estatística divulgada pela Nielsen aponta que cerca de 875 milhões de pessoas em 2008 realizaram compras pela Internet, o que indica crescimento de 40% em 2 anos no número de compradores pela rede. No Brasil e no mundo, vende-se e compra-se de tudo pela Internet: livros, CDs, eletrodomésticos, celulares, passagens de avião, joias e carros. Além da praticidade, por esse meio a compra costuma ter menor custo porque as empresas gastam menos com a contratação de empregados e aluguel de espaços físicos, por exemplo. Comprar um carro pela Internet sai, em geral, 2% mais barato que nas concessionárias, justamente porque empresas virtuais têm menos gastos administrativos que a loja real. Aos poucos, as empresas pontocom, como são chamadas as lojas virtuais, também estão cada vez mais confiáveis, haja vista que a pontualidade na entrega das principais lojas on-line chega a 95%. Os países campeões de internautas são a Coreia do Sul com 99% da população, Reino Unido, Alemanha e Japão (97%) e Estados Unidos (94%). Nesses países, as aquisições via Internet mais comuns são de livros (41%); roupas, sapatos e acessórios (36%); vídeos, DVDs e jogos (24%); passagens aéreas (24%); e equipamentos eletrônicos (23%). No final de 2009, dos 66,3 milhões de internautas brasileiros, estima-se que 17,6 milhões comprem pela Internet, aumento de 33% em relação a 2008. Com isso, as lojas virtuais nacionais faturaram cerca de R$ 10,6 bilhões em 2009, 30% mais do que o ano anterior. As previsões para 2010 é que por aqui o faturamento seja de R$ 13,6 bilhões, com crescimento de 30% em relação a 2009 e o número de e-consumidores chegue a 23 milhões. Atualmente, a maioria dos e-consumidores são adultos, com idade entre 35 a 49 anos, seguidos dos internautas de 25 a 34 anos, a maioria com curso superior e renda familiar entre R$ 1.000,00 e R$ 5.000,00. Já as mulheres são responsáveis por 51% das compras na Internet. 61


Fábio Campos Morais

Com o objetivo de universalizar a Internet rápida no país, em maio de 2010, o governo brasileiro governo lançou o PNBL - Plano Nacional da Banda Larga. O programa tem como meta ampliar a baixo custo o acesso à Internet via banda larga, passando de 11,9 milhões para quase 40 milhões de domicílios até 2014. A estatal Telebrás - Telecomunicações Brasileiras S.A. (www.telebras.com.br) é a gestora ou “espinha dorsal” do PNBL. Por tudo isso, é muito grande o risco de ficar de fora do comércio eletrônico, pois há uma mudança completa no perfil das empresas e dos consumidores que compõem o mercado de consumo no novo mundo. Dessa realidade, não há como fugir: todos os negócios no mundo são afetados pela Internet.

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Parte dois


As descobertas científicas

“Através da ciência com arte encontrei meu caminho e deixei as tristezas para trás”. Fábio Campos Morais

A ciência investiga a natureza para oferecer à humanidade melhores condições de vida. Aqui são apresentados alguns conhecimentos científicos, considerados os mais relevantes e significativos para uma maior qualidade de vida humana. Não se pretende, até porque não é possível, apresentar quantidade significativa de informações científicas, mas sim destacar alguns conhecimentos importantes na construção de novas perspectivas de inserção no mundo atual. Afinal, vive melhor quem sabe mais. Partindo do mundo mais amplo para um mais restrito, os conceitos científicos apresentados passam pelas áreas da cosmologia, física, astronomia, antropologia, sociologia, química, biologia, medicina, psicologia, educação física, nutrição, entre outras, tudo com foco nas questões estratégicas do dia a dia das pessoas, de modo que os conhecimentos apresentados possam ampliar percepções e trazer estímulos a uma vida plena de realizações.

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capítulo

5

A origem e a formação do universo “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Lei de Lavoisier

Respeitando a cronologia e a relevância das descobertas, optou-se pela apresentação da explicação científica da origem e começo de tudo: a teoria do Big Bang, tema de estudo da ciência cosmologia, ramo da astronomia que estuda a origem e a evolução do universo em seu todo.

ÔM Consta na filosofia hinduísta naturalista que, no momento da explosão do Big Bang, foi gerada uma vibração sonora que perdura até hoje, o corpo sonoro do absoluto, denominado ÔM, o som eterno, o som do silêncio. Na prática, o ÔM é um mantra entoado pelos yôgues com o objetivo de acelerar as vibrações corporais, proporcionando-lhes o alcance de estados de expansão de consciência. No filme de ficção científica “2001: Uma odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick, baseado no conto “A Sentinela” de Arthur C. Clarke, por diversas vezes, nos momentos em que é mostrado o cosmos ou o vazio do espaço sideral, o som de fundo apresentado é exatamente o ÔM. O site http://www.kubrick2001.com/index.html mostra alguns efeitos de ficção científica apresentados no filme aludido. Vale conferir. 67


Fábio Campos Morais

Big Bang A teoria apresentada inicialmente pelo físico George Gamow (1904-1968) explica que tudo que existe no universo e junto dele, como o espaço e o tempo, teve origem numa grande explosão. Segundo Gamow, num brevíssimo instante, a partir de um pequeno ponto cósmico incrivelmente denso e quente, ocorreu o Big Bang, há aproximadamente 13,7 bilhões de anos. Ninguém sabe com certeza como ocorreu a grande explosão e muito menos o que havia antes dela – trata-se de uma pergunta que a ciência ainda não sabe responder. Teóricos especulam que o Big Bang não foi exatamente um nascimento, mas sim uma transição, um “salto quântico” a partir de uma era informe de tempo imaginário, ou seja, algo como informação pura, o instanton. Há ainda a ideia de que esse salto quântico se deu a partir do nada. Outros cientistas investigam modelos metafísicos nos quais a história cósmica começa a partir de uma colisão de “universos paralelos”. A teoria de Andrei Linde, cosmologista da Universidade de Stanford, lançada em 1986, sugere que o universo se reproduz e se reinventa eternamente, sendo uma reação em cadeia de Big Bangs. O único ponto com que os especialistas concordam é o fato de que nenhuma ideia relativa às causas da origem do Big Bang funcionou, pelo menos até o momento. Segundo o astrônomo Sir Bernard Lovell, “aí é atingido o limite do pensamento, como se de repente o homem se dirigisse até uma grande barreira de neblina onde o mundo conhecido desapareceu”. Tem-se, por certo, que, no momento da explosão do Big Bang, foram criados o espaço e o tempo, inexistentes até então. Assim que o tempo começou a existir, o espaço pôde iniciar sua expansão, favorecendo que o tempo fluísse. As teorias mais sofisticadas não conseguem descrever o que aconteceu no instante exato da criação do universo, mas, no que tange aos efeitos do Big Bang, o consenso científico é de que, no decorrer de uma pequena fração de segundo depois da grande explosão, ocorreram mudanças extraordinárias. O máximo que se pode retroceder no relógio do tempo é até 10-43 segundo após a grande explosão, instante em que a densidade universo era de inacreditáveis 1094 gramas por centímetro cúbico. Em seguida, até 10-36 segundo após o Big Bang, o universo cresceu cem mi68


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lhões de vezes, baixando rapidamente sua densidade e fazendo a temperatura cair de quase infinito para 1028 kelvin(K). Entre 10-35 e 10-32 segundo o universo cresceu 1050 vezes, criando a enorme quantidade de matéria existente hoje. Essa expansão exorbitante é conhecida como inflação cósmica, teoria de Alan Guth, físico de partículas do Stanford Linear Accelerator Center, na Califórnia, lançada em 1979. Durante o breve período de inflação com duração de um milésimo de segundo, o universo cresceu de menor que um átomo para maior que uma galáxia. Nesse breve tempo, a temperatura, antes em 1028 K, caiu para quase zero K. A ilustração do fenômeno da inflação do universo ocorrida após o Big Bang é mostrada na Figura 5.1.

Figura 5.1 - Imagem da inflação após o Big Bang.

Impelido pela inflação, no instante 10-32 segundo, houve a separação da força unificada em forças de gravidade e forças de interações forte, fraca e eletromagnética, o que elevou novamente a temperatura de quase zero K para 1028 K, inundando o universo de energia. Nesse momento, a sua massa, que era de 1 kg, atingiu as atuais 1050 toneladas. O resultado da inflação foi a formação de energia radiante e partículas elemen69


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tares de matérias e antimatérias, tais como quarks, antiquarks, léptons, antiléptons, neutrinos, WIMPs (weakly interacting massive particles ou partículas maciças de interação fraca), glúons, bósons, grávitons e fótons, esta última uma partícula luminosa, a mais comum no universo visível. Entre 10-32 e 10-4 segundo de vida, enquanto a expansão continuava, o universo esfriou de 1028 K para 1010 K. Nessa era, as partículas subatômicas, um dilúvio de matéria e antimatéria, destruíam umas as outras, produzindo radiação. Os sobreviventes das batalhas subatômicas foram os neutrinos, WIMPs, fótons, além de quarks e os léptons, unidades básicas que compõem a matéria atual do universo. As primeiras partículas múltiplas agruparam-se entre 10-4 e 1 segundo após o Big Bang. Nesse momento, três quarks reunidos por glúons formaram os prótons e nêutrons, enquanto os léptons geraram os elétrons, formações que compõem os átomos atuais. Entre um segundo e três minutos de vida do universo, com a temperatura em torno de 900 x 106 K, os elétrons se uniram aos prótons e formaram os primeiros exemplares dos elementos hidrogênio, hélio e lítio. Até hoje, os balões de gás usados em festas são cheios de gás hélio, criado quando o universo tinha apenas três minutos de vida. Entre 3 minutos e 250 mil anos de vida, os ingredientes do universo, ainda em expansão, quase não sofreram alterações. O principal componente era a radiação que movimentava as partículas e formava um nevoeiro impenetrável e luminoso. Trezentos mil anos depois do Big Bang, devido à expansão e ao resfriamento, o universo passou de uma bola de fogo opaca para um cosmo claro e transparente. Quando atingiu a temperatura de 2.700 K, a matéria se organizou e os elétrons, agora lentos, foram atraídos para a órbita dos núcleos, formando um grande nevoeiro cósmico composto de átomos de hidrogênio, hélio e lítio. Com a prisão dos elétrons aos núcleos atômicos, os fótons de luz podiam deslocar-se livremente e o espaço ficou transparente.

O microcosmo A física é a ciência que investiga as leis que descrevem o microcosmo e as interações da matéria cósmica e da energia produzidas no Big Bang. Apesar de todo 70


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avanço científico e tecnológico, ainda não foi possível ver o interior do átomo. Para descobrir características e propriedades das partículas, os físicos usam métodos indiretos de observação. Começam pelo bombardeamento dos núcleos atômicos com radiação, após o que verificam os “estragos”. Em seguida, registram as ocorrências, fazem curvas de comportamento e, finalmente, elaboram modelos matemáticos que são testados para confirmação. A teoria física que explica a composição da matéria, apresentada em 1911 pelo cientista neozelandês Ernest Rutherford, afirma que a estrutura da matéria existente atualmente é composta por átomos, formados por uma região central, chamada núcleo atômico e uma região externa ao núcleo, a eletrosfera. Em suas pesquisas, Rutherford concluiu que o núcleo do átomo de carga positiva concentra prótons e nêutrons e que a eletrosfera do átomo de carga negativa é formada por elétrons que giram em torno do núcleo. Experimentos em laboratório mostram que o diâmetro da eletrosfera do átomo é de aproximadamente de 10-10 m ou 1Å (Angstron) e que o núcleo atômico tem a dimensão de 10-15 m. Assim, o raio da eletrosfera é cerca de 100.000 vezes maior que o do núcleo do átomo.

Figura 5.2 - O núcleo atômico e a eletrosfera

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Representativamente, como mostra a Figura 5.2, sendo o raio da eletrosfera do átomo ampliado até o tamanho de um estádio de futebol, o seu núcleo, posicionado no centro do campo, teria o tamanho da cabeça de um alfinete, isto é, cem mil vezes menor. Lembrando que a massa do átomo está praticamente toda concentrada no seu núcleo, conclui-se que a maior parte do átomo e, consequentemente, de toda a matéria visível que compõe os planetas, estrelas e galáxias é ocupada de espaço vazio.

Formação das galáxias A astronomia é a ciência responsável pela observação e pelo estudo sistemático do universo sideral e dos corpos celestes, com o fim de situá-los no espaço e no tempo, explicar suas origens e os seus movimentos, perquirir a sua natureza, a sua constituição e as suas características. A astronomia considera que, passados 300 milhões de anos do Big Bang, o nevoeiro cósmico formado de átomos de hidrogênio, hélio e lítio começou a se contrair pela própria atração gravitacional, que se tornou maior que a pressão responsável pela dispersão da matéria. Durante cerca de 200 milhões de anos, o nevoeiro coagulou e formou blocos gasosos. Meio bilhão de anos depois do Big Bang, os blocos gasosos mais densos, após violentas explosões, formaram as primeiras galáxias, em cujo centro há um buraco negro a engolir gases vorazmente e a lançar, para o espaço, o que não engole. A Via Láctea é uma dessas galáxias. Nove bilhões de anos após o seu nascimento escaldante, a Via Láctea começava a se acalmar e o buraco negro em seu núcleo entrava em repouso.

Formação de estrelas e planetas Acreção é a hipótese astronômica que explica a formação de estrelas e sistemas planetários a partir da contração de imensas nuvens de gás e poeira galáctica, como mostra a Figura 5.3. Na Via Láctea, o fenômeno da acreção iniciou a formação das primeiras estrelas há cerca de 5 bilhões de anos. Foram geradas bilhões de estrelas dispostas em uma bela forma espiral, mostrada na figura.

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Figura 5.3 - A formação de sistemas planetários

Foi nas fornalhas nucleares das estrelas, provocadas pela acreção, que se produziram todos os elementos químicos constituitivos da natureza, cerca de 100 tipos. Da massa total de elementos químicos que compõem as rochas, plantas e vida que formam o universo, 99% correspondem ao hidrogênio, hélio e lítio. Há cerca de 4,6 bilhões de anos, na Via Láctea, pelo processo da acreção, foi iniciada a formação do sistema planetário solar, constituído pelo sol e demais corpos celestes que circulam em seu campo gravitacional: planetas Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Plutão não é mais considerado planeta embora esteja no sistema. O sistema solar ainda contém os satélites dos planetas, numerosos cometas, asteroides, meteoroides, em um espaço interplanetário extenso, de quase vinte bilhões de quilômetros. O sistema planetário solar completo, que inclui a Terra, está contido num conjunto de 100 a 200 bilhões de estrelas que giram em volta do centro Via Láctea, descoberta feita inicialmente por Galileu Galilei, no início do século XVII. O as73


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trônomo alemão Willian Herschel, no final do século XVIII, mapeou a Via Láctea e descobriu que se trata de um sistema achatado, um plano de estrelas. Foi Harlow Shapley, na segunda década do século XX, quem determinou que a mencionada galáxia possui bordas distantes mais de 50 mil anos-luz, extensão que a luz percorre em 1 ano, equivalente a 9,5 trilhões de quilômetros. Já o sistema solar está há 30 mil anos-luz do centro da Via Láctea. A Figura 5.4 mostra, apenas em proporção de tamanho, o sol e os demais planetas do sistema solar, incluindo a Terra e a Lua. Considerando as proporções de distância entre os planetas, não seria possível conformá-los nesta figura. O sol, cuja superfície tem temperatura de 5.300 K, é o elemento principal do sistema solar, sendo uma estrela anã e amarela com cerca de 4,6 bilhões de anos. Das nuvens de poeira e gases que deram origem à estrela solar e demais corpos, 99,9% de sua massa formou o sol e o restante, 0,1%, pertence aos demais corpos do sistema solar. O sol é, pois, a fonte mais rica de energia eletromagnética (principalmente sob a forma de calor e luz) do sistema solar.

Figura 5.4 - O sistema solar

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Levando em conta as peculiaridades do sol, o ser humano poderá habitar a Terra por mais 4,5 bilhões de anos. O maior risco que o planeta corre é que este orbita o sol em região por que frequentemente passam cometas e asteroides. Alguns desses corpos possuem tamanhos suficientes para provocar o fim da vida humana, no caso de colisão com a Terra. Calcula-se que existem aproximadamente 2.000 cometas e asteroides cujas órbitas cruzam a da Terra e podem com ela colidir. A possibilidade de isso acontecer proximamente está afastada, pois, desses 2.000 corpos, 200 são conhecidos e constantemente monitorados, tendo-se por certo que nenhum corpo de grandes proporções colidirá com a Terra, pelo menos nos próximos 120 anos. É interessante destacar que o planeta Vênus possui rotação em sentido contrário aos outros planetas. Para explicar tal fato, basta imaginar o que aconteceria se a Terra virasse de ponta cabeça: o pólo norte ficaria no lugar do pólo sul e viceversa e o seu giro passaria a ser em sentido contrário ao atual. Assim, supõe-se que Vênus girava originariamente no mesmo sentido que os restante planetas e que o seu eixo de rotação virou de ponta cabeça (em relação ao plano da órbita de Vênus), razão por que “mudou” o sentido de giro. Note-se que a palavra mudou foi colocada entre aspas, pois, na verdade, o sentido da rotação não mudou de fato, mas sim o eixo de rotação.

A origem da Terra Há cerca de 4,5 bilhões de anos, a Terra nasceu de milhões de fragmentos rochosos, formados de pequenas partículas de poeira que giravam ao redor do sol. Ao longo do tempo, essa enorme massa pastosa incandescente se resfriou, desprendendo gases e vapores. Uma parte desses vapores, formada por vapor d’água, à medida que se afastava da massa incandescente, resfriava-se e transformava-se em água líquida, caindo em forma de chuva. Por muito tempo, a superfície do planeta era tão quente que, quando uma gota de chuva caía, imediatamente evaporava. Porém, essa “chuva” ajudou a baixar o calor das rochas e apressou o resfriamento global, até que chegou um momento em que as gotas de água que caíam das nuvens não mais retornavam à fase de vapor, permanecendo na forma de água no estado líquido. Assim, começou o acúmulo de água nas depressões da crosta, que iriam formar os mares e os oceanos. 75


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Numa perspectiva cronológica, o consenso científico aponta, com base na unidade ano, que o Big Bang aconteceu há 13,7 bilhões; a Via Láctea teria se formado há 9 bilhões; o sol, há 4,6 bilhões e a Terra, há 4,5 bilhões. Do ponto de vista astronômico, a Terra executa 3 (três) movimentos principais, todos eles periódicos: 1. Movimento orbital - Corresponde à translação em torno do sol, cuja duração é de 365,2 dias, o que equivale a um ano. Assim, sabendo-se que a distância média da Terra ao sol é de aproximadamente 1.500.000 km, ou 1 unidade astronômica, conclui-se que o centro da Terra possui uma velocidade média de translação em torno do sol da ordem de 107.515 km/h ou de 29,8 km/s. 2. Movimento rotacional - Corresponde à rotação em torno do próprio eixo, cuja duração é de 23h56min, equivalente a um dia. Assim, sabendo-se que o perímetro da Terra, na linha do equador, é aproximadamente de 40.075 km, conclui-se que em um ponto no equador, a sua velocidade de rotação é da ordem de 1.674,4 km/h ou de 0,46 km/s. 3. Movimento de precessão - Consiste no movimento do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da sua órbita, cuja duração é de aproximadamente 26.000 anos. Como consequência da movimentação ininterrupta da Terra, do sol, da Via Láctea e do universo, chegou-se ao conceito da irreversibilidade do espaço, segundo o qual o planeta e tudo que nele habita nunca estarão no mesmo lugar duas vezes, mas sim em permanente movimento. A verdade é que a Terra e seus habitantes estão num planeta “espaçonave” que se desloca continuamente pelo universo, numa interminável viagem cósmica. Como resultado de sua formação, hoje, a Terra possui circunferência de aproximadamente 40.000 km, com diâmetro médio de aproximadamente 12.700 km. O seu peso é de aproximadamente 5,6 sextilhões ou 5,6 x 1021 toneladas e volume de 108,32 x 1010 km3. A densidade, determinada pela divisão do peso (massa) pelo volume, é de 5,52 kg/litro, ou seja, a Terra é 5,52 vezes mais pesada que a água. Sua superfície é de 510 x 106 km2, sendo 149,67 x 106 km2 (29,31%) de terras emersas e 360,63 x 10 6 km2 (70,69%) de mares e oceanos, acumulando um volume de águas de 1,59 x 109 km3. A Terra, como planeta, compõe-se em 98% de ferro, oxigênio, enxofre, silício, 76


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magnésio e níquel, sendo os outros dois por cento compostos de aproximadamente cem outros elementos. A superfície da maioria dos planetas é completamente improdutiva, em contraste com a Terra, onde há lagos azuis, oceanos verdes, enormes massas de terra e 500.000 ilhas. A Figura 5.5 mostra imagem da Terra e da Lua vistas do espaço. A Terra possui camada atmosférica gasosa que vai até cerca de 1.000 km de altura e é composta de nitrogênio (78,08%), oxigênio (20,95%), argônio (0,93%) e outros gases (0,04%).

Figura 5.5 - A Terra e a Lua

O planeta Terra ocupa papel de destaque nas pesquisas científicas por permitir a manutenção da vida ao longo de bilhões de anos, fato raro nos demais planetas. Reconhecer a imensidão do universo, suas galáxias e sistemas planetários significa 77


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valorizar a vida, despertando em cada terráqueo o compromisso de um comportamento que possa permitir a sustentabilidade do globo. O único satélite natural da Terra, a Lua, possui, na superfície, 16% da gravidade terrestre. Situa-se a uma distância média de pouco mais de 384.400 km da Terra, possui velocidade tangencial aproximada de 3.700 km/h, período orbital de 27,3 dias e influi diretamente no nível das marés terrestres.

A imensidão do universo Na realidade terrena, a galáxia Via Láctea pode ser facilmente visualizada no céu. Para isso, basta que, em noites de céu escuro e límpido, sem Lua, se observe, a olho nu, uma faixa de estrelas nebulosas que atravessa o hemisfério celeste de um horizonte a outro. Tendo sido observada pelos antigos, a Via Láctea foi batizada com esse nome por se parecer a uma rua feita de leite. A Figura 5.6 mostra a imagem de uma galáxia semelhante à Via Láctea.

Figura 5.6 - Galáxia

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Olhando para o céu, a olho nu, o ser humano é capaz de contar cerca de 6.000 estrelas. Com o auxílio de um binóculo pequeno ou uma luneta parecida com a de Galileu, é capaz de contar 30.000 pontos luminosos celestes. Já com o telescópio principal do Observatório Astronômico Frei Rosário da Universidade Federal de Minas Gerais, é possível visualizar mais de 1 milhão de estrelas. As mais importantes observações astronômicas da humanidade são realizadas pelo Telescópio Espacial Hubble, instrumento ótico colocado às margens da atmosfera da Terra para que a luz dos astros captada por ele não sofra alteração. O Hubble se encontra em uma órbita baixa, a 600 km da superfície da Terra e gasta 95 minutos para dar uma volta completa em torno do planeta azul. Seus objetivos podem ser descritos como sendo: 1. Investigar as composições, características físicas e dinâmicas dos corpos celestes. 2. Estudar a formação e evolução das estrelas e galáxias. 3. Estudar a história e evolução do universo. Graças ao Hubble, a humanidade pode mensurar a imensidão que a cerca, visto que, por meio dele, em 1995, observações feitas dos “confins do universo” levaram os cientistas à previsão de terem captado luzes de 2 a 3 milhões de galáxias por grau quadrado do céu. Assim, devido ao fato de o universo sempre aparecer semelhante em qualquer direção observada, conclui-se que existem entre 80 e 120 bilhões de galáxias possíveis de serem observadas pelo Hubble. Acrescente-se a essa conclusão que o número de galáxias existentes pode e deve ser bem maior (10 vezes mais!), uma vez que muitas delas possuem pouco brilho e não puderam ser observadas na ocasião. O mapa representativo do universo, na Figura 5.7, foi construído a partir da observação de um ano de dados obtidos a partir do satélite Planck. Outras observações feitas pelo Hubble indicam que cada uma das centenas de bilhões de galáxias do universo é formada por outras centenas de bilhões de sistemas planetários, o que induz à previsão de haver nele mais de 10 trilhões de bilhões de estrelas. Estudos mostram que, atualmente, cerca de 13,7 bilhões de anos depois, o universo continua se expandindo em todas as direções e que as galáxias distanciam-

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se uma das outras. Entenda-se o universo como centenas de bilhões de galáxias agrupadas em enormes famílias que recebem o nome de cúmulos, separados por imensos vazios e espaços escuros. Dessa forma, tanto o microcosmos quanto o macrocosmos e consequentemente todo o universo são formados, em sua maior parte, por espaços vazios.

Figura 5. 7 - O universo

Supondo-se que cesse a força de expansão do universo, um dia, haverá mais atração do que repulsão e, eventualmente, a expansão diminuirá e será invertida, levando tudo de volta ao Big Bang. Essa situação é chamada Big Crunch. Esse é o tipo de universo chamado “fechado” e finito, melhor dizendo, que não pode avançar para sempre sem eventualmente voltar ao ponto de partida. Há ainda a possibilidade de o universo se expandir para sempre. Seria o chamado universo “aberto” e infinito. Nesse caso, o futuro do universo é quase alcançar o vazio, restando somente algumas poucas galáxias próximas. Alguns números para comparação mostram a imensidão do universo: ►►Estrelas no universo - mais de 10 trilhões de bilhões ►►Células no corpo humano - 50.000 bilhões ►►Galáxias no universo - 800 a 1.200 bilhões

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►►Estrelas na Via Láctea - 100 a 200 bilhões ►►Fios de cabelo na cabeça humana - 160 a 170 mil

Matéria escura No decorrer das últimas décadas, vários astrônomos aperceberam-se de que há uma grande quantidade de matéria no universo que emite pouca ou nenhuma luz. A descoberta mais importante do mundo da física no ano de 2003 foi que a matéria visível pode corresponder a somente 5% do conteúdo material do universo. Designada apropriadamente de matéria escura, 95% do conteúdo material do universo tem existência evidenciada pelos efeitos gravitacionais que exerce sobre os corpos visíveis. A matéria escura é matéria subatômica, não emite luz e não pode ser observada diretamente, sendo sua existência inferida pela influência gravitacional na matéria luminosa. É como não ver a Lua, mas ter de inferir e admitir a sua existência devido à sua influência nas marés. No início de 1993, o satélite europeu Rosat constatou a existência de 25 vezes mais matéria invisível que matéria visível na composição do universo. Portanto, numa dada região espacial, numa casa, por exemplo, existem mais grumos de matéria escura do que aqueles de matéria visível. As hipóteses vigentes afirmam que a matéria escura é constituída de partículas exóticas como os neutrinos ou WIMPs, que não emitem luz e apenas interagem com a matéria ordinária através da gravidade.

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capítulo

6

Vida só na Terra seria desperdício de espaço “Existem apenas duas maneiras de ver a vida: uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre”. Albert Einstein

Diante da vastidão do universo, fica claro que não se pode cometer o erro de crer que o pequeno mundo em que o homem vive, a Terra, seja o próprio universo. Proporcionalmente, o planeta azul dentro do universo é menor que um grão de areia dentro da Terra. Certamente, existem milhões de mundos semelhantes em existência e maiores que a Terra, isto é, milhões e milhões de universos terrestres pelo universo afora, com ou sem vida.

Terra: um grão de areia no cosmos É certo que haver vida somente na Terra seria extremo desperdício de espaço. Cientistas do Instituto Carnegie (EUA) estimam que 10% das estrelas da Via Láctea possuem sistemas planetários. A hipótese de haver 200 bilhões de estrelas na Via Láctea significa que, assim como o sistema solar, existem 20 bilhões de sistemas planetários só na galáxia da Terra. Os cientistas informam ainda que, em muitos desses sistemas planetários, existem planetas semelhantes à Terra, com boas possibilidades de haver vida por lá.

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A verdade é que há grande potencial para a vida existir em abundância por todo o cosmos. Na ciência astronômica, a vida nos planetas é tratada em termos de probabilidade de existência. Existe uma equação que pretende fornecer um possível número de civilizações inteligentes que desenvolveram tecnologia em nossa galáxia. Essa equação, formulada em 1961 pelo astrônomo norte americano Frank Drake, consiste simplesmente na multiplicação de 7 fatores. São eles: ►►o número de estrelas que se formam por ano na galáxia Via Láctea; ►►a fração, dentre as estrelas formadas, que possuem sistema planetário; ►►o número de planetas com condições de desenvolver vida por sistema planetário; ►►a fração desses planetas que de fato desenvolvem vida; ►►a fração, dentre os planetas que desenvolvem vida, que chega à vida inteligente; ►►a fração, dentre os planetas que chegam a vida inteligente, que desenvolve tecnologia; ►►a duração média, em anos, de uma civilização inteligente. Estipular valores para cada uma dessas grandezas não é uma tarefa simples. À luz da ciência atual e com uma visão bastante pessimista acerca da vulgaridade da vida pelo universo, atribuem-se valores a esses fatores que levam à possibilidade de, só em nossa galáxia, existirem milhares de civilizações inteligentes, capazes inclusive de desenvolver tecnologia e de se comunicar com os humanos.

Enfim, a vida na Terra Na representação do desdobramento da vida na Terra, é usada uma escala de tempo geológica, na qual os períodos são medidos em bilhões de anos. Esses períodos são chamados de era pré-biótica, micro-orgânica e macro-orgânica. As Tabelas 6.1, 6.2 e 7.1 apresentam a síntese evolutiva da vida no planeta, desde a era pré-biótica, passando pela origem dos micros e macro-organismos, desenvolvimento de plantas, fungos e animais, até a evolução humana.

Era pré-biótica Há 4,5 bilhões de anos, a era pré-biótica é iniciada com a formação do planeta Terra, uma bola de fogo de lava fundida. Forma as condições para a emergência da 84


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vida. Sua duração foi de um bilhão de anos, desde a formação da Terra até a origem das primeiras células vivas, por volta de 3,5 bilhões de anos atrás. A grande bola de fogo primordial tinha bastante gravidade para reter a atmosfera e continha os elementos químicos básicos para formação da vida. A distância da Terra ao sol era perfeita para evitar a dissipação e impedir o congelamento dos gases. Assim, tem início o processo de resfriamento e de condensação gasosa. De 4 a 3,8 bilhões de anos atrás, com o resfriamento gradual do planeta, as rochas mais antigas se formaram e o vapor que preenchia a atmosfera se condensou, provocando chuvas torrenciais durante milhares de anos, as quais formaram oceanos pouco profundos. Nesse longo período de resfria­mento, o carbono, espinha dorsal química da vida, combinou-se com o hidrogênio, o oxigênio, o nitrogênio, o enxofre e o fósforo para gerar uma enorme variedade de compostos químicos. Esses seis elementos - C, H, O, N, S e P - são hoje os principais ingredientes químicos de todos os organismos vivos. Nesse período, formava-se a “sopa química”, à medida que o planeta esfriava e que os oceanos se expandiam. Tais substâncias não se combinavam aleatoriamente, mas de maneira ordenada, padronizada. Foi daí que surgiram as complexas teias catalíticas, envolvendo laços fechados – em primeiro lugar, ciclos e, em seguida, “hiperciclos” – com uma forte tendência para a auto-organização. Nesse estágio, a direção para a evolução da era pré-biótica foi estabelecida e os ciclos catalíticos evoluíram em sistemas químicos dissipativos de crescentes riqueza e diversidade. A partir do momento em que foram criadas condições para o aumento da complexidade dos sistemas bioquímicos catalíticos na Terra, formas progressivamente mais complexas foram surgindo por evolução, possibilitando a origem da vida.

Definição de vida O biólogo Gail Fleischaker definiu a vida a partir de três critérios: o autolimitador, o autogerador e o autoperpetuador. O autolimitador significa que a extensão do sistema é determinada por uma fronteira que é parte integral da rede viva; o autogerador, que todos os componentes, inclusive os da fronteira, são produzidos por processos internos da rede e o autoperpetuador, que os processo de produção continuam ao longo do tempo, de modo que todos os componentes são continuamente repostos pelos processos de transformação do sistema. 85


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Esses três critérios estão sintetizados na definição de autopoiese, pensamento do biólogo chileno Humberto Maturana, segundo o qual, indistintamente, todos os sistemas vivos possuem um padrão de rede no qual a função de cada componente consiste em participar na produção ou transformação de outros componentes. Um dos aspectos intrigantes dos sistemas vivos reside no entrelaçamento de unidade e diversidade das espécies. Por um lado, percebe-se em todos os seres vivos uma unidade de estrutura e função; por outro, grande variedade de formas estabelecida sobre esta unidade.

A vida gerada em laboratório Para comprovar a teoria da origem da vida a partir de ciclos bioquímicos catalíticos, por volta do ano de 1950, Harold Urey fez uma analogia à condição atmosférica de 3,5 bilhões de anos atrás. Através de experimentos e do estudo comparado da atmosfera de vários planetas e da análise dos gases emitidos pelos vulcões, Urey concluiu que a atmosfera da Terra primitiva era fortemente redutora e continha essencialmente metano (CH4), hidrogênio (H2), amônia (NH3) e vapor de água (H2O).

Figura 6.1 - Esquema do experimento realizado por Stanley Miller 86


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Em seguida, em 1953, Stanley Miller, um estudante americano de 23 anos, em um laboratório da Universidade de Chicago, a partir da mistura de gases proposta por Urey, montou um dispositivo semelhante ao representado na Figura 6.1, página anterior. Miller simulou no dispositivo experimental algumas condições possíveis de terem existido na atmosfera primitiva terrestre, composta pela mistura de metano, amônia, vapor de água e hidrogênio, submetendo-a a descarga elétrica de alta tensão, equivalentes aos raios na Terra primitiva. A ideia básica da experiência de Miller era fornecer energia à mistura gasosa e verificar se havia a produção de moléculas orgânicas. Dito e feito! Depois de uma série de descargas elétricas, o líquido, inicialmente incolor, passou a um castanho-alaranjado, evidenciando a possível formação de novas moléculas. Miller, empregando uma técnica analítica de cromatografia em papel, analisou a composição das moléculas e verificou que havia sido produzido grande número de compostos orgânicos, entre os quais vários aminoácidos e outras moléculas básicas da vida. Até hoje, esse experimento é usado como referência de origem da vida na Terra. Entretanto, há mais de três décadas, considera-se que a atmosfera primitiva do planeta não era redutora e sim neutra. Nessas condições, o experimento de Miller produz quantidades insignificantes de aminoácidos. Mas quais seriam efetivamente as condições abióticas físicas e químicas da Terra quando se deu o surgimento dos primeiros seres vivos?

Era micro-orgânica Estudos no campo da biologia, ciência que estuda os seres vivos e as leis que os regem, bem como sua evolução e suas relações com o ambiente e entre si, indicam que a vida na Terra começou a dar seus primeiros sinais de existência há 3,5 bilhões de anos, quando a atmosfera primitiva provavelmente tinha uma constituição diferente da atual. Os fósseis mais antigos, considerados sem sombra de dúvida como resquícios de organismos vivos, são de aproximadamente 3,4 bilhões de anos atrás. Para Lynn Margulis, a vida se originou há 3,5 bilhões de anos, a partir de ciclos bioquímicos catalíticos que formaram membranas e originaram as primeiras células bacterianas autopoiéticas. De 3,5 a 1,5 bilhões de anos atrás, ocorreu a era da vida micro-orgânica, quando se registrou a origem e evolução de micro-organismos. 87


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Figura 6.2 - A atmosfera primitiva e a origem de moléculas orgânicas

Como mostra a Figura 6.2, nas condições primitivas da Terra, as primeiras células bacterianas, constituídas de moléculas orgânicas simples, podem ter aparecido a partir de reações dos gases da atmosfera, cuja consequência foi o surgimento das moléculas orgânicas complexas e, em seguida, das primeiras células vivas. A microbiologia é o ramo da biologia que estuda a teia planetária de micro-organismos que constituíram as únicas formas de vida durante os primeiros dois bilhões de anos de evolução. Pesquisas atuais em microbiologia indicam vigorosamente que os principais caminhos para a criatividade da evolução foram desenvolvidos muito tempo antes que plantas e animais entrassem em cena. De 3,5 a 2,5 bilhões de anos atrás, as bactérias – formas mais básicas de vida – que cobriam o planeta com uma intricada teia de processos metabólicos começaram a regular a temperatura e composição química da atmosfera, de maneira a preparar o terreno para evolução de formas superiores de vida. Durante o primeiro bilhão de 88


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ano de evolução, as bactérias transformaram continuamente a superfície da Terra e sua atmosfera, fazendo surgir todos os processos básicos e biotecnologias essenciais à vida, incluindo a fermentação, a fotossíntese, a fixação do nitrogênio, a respiração e os dispositivos de movimentação. Nesse período, estabeleceram-se os laços de realimentação global para a autorregulacão do planeta Terra. A microbiologia tem mostrado os principais caminhos da evolução dos seres vivos. Lynn Margulis e Dorion Sagan, no livro “Microcosmos”, contam a história dos caminhos da evolução da vida através de bilhões de anos, expressa por três formas distintas - mutação, recombinação de DNA e simbiogênese, aguçadas pela seleção natural. A mutação, peça central da teoria evolucionista darwinista, é causada por erro eventual na autorreplicação do DNA e consiste num processo em que as duas hélices do DNA se separam para formar o gameta com a metade de cromossomos. Na fecundação dos gametas, é de baixa incidência a replicação do DNA, sendo portanto improvável que a mutação explique a evolução da grande diversidade de formas de vida. Na verdade, pela mutação, somente as bactérias conseguem evoluir, pelo fato de se reproduzirem muito rápido, isto é, bilhões de bactérias individuais podem ser geradas a partir de uma única célula em menos de um dia. A segunda forma de desenvolvimento genético, mais eficaz que a mutação, é a comercialização de genes, conhecida tecnicamente como recombinação de DNA. Trata-se da troca de material genético entre indivíduos, presente há bilhões de anos na teia microbiológica bacteriana, que agora vem começando a ser compreendida pelo ser humano nos estudos de engenharia genética. A mutação e a recombinação de DNA são os dois principais caminhos para a evolução bacteriana. Já os organismos multicelulares das formas de vida maiores evoluem por meio da simbiogênese, que explica a criação de novas formas de vida superiores por meio de arranjos simbióticos permanentes. Enquanto a mutação e a recombinação de DNA consideram a evolução como resultado da divergência genética, a simbiogênese considera a cooperação e a dependência mútua entre as formas de vida como aspectos centrais da evolução. A primeiras células bacterianas tinham uma existência precária. O meio ambiente era agressivo e a sobrevivência, constantemente ameaçada. As forças hostis 89


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tais como luz solar muito forte, impactos de meteoritos, erupções vulcânicas, secas e inundações, obrigavam as bactérias a aprisionar energia, água e ali­mentos a fim de manterem sua integridade e permanecerem vivas. Certamente, a vida só não foi extinta pela veloz capacidade de replicação do DNA bacteriano.

Processos metabólicos Em grande número no planeta, as bactérias foram capazes, repetidas vezes, de responder criativamente a todas as ameaças e desenvolveram uma grande variedade de estratégias de adaptação ao meio hostil. Desse modo, gradualmente se expandiram nas águas, em superfícies de sedimentos e no solo. O caminho da adaptação das bactérias foi o desenvolvimento de processos metabólicos para a extração de alimentos e energia do meio ambiente. Uma das primeiras invenções foi a fermentação: decomposição e conversão de açúcares em moléculas de ATP (adenosina trifosfato), elementos “portadores de energia” que alimentam todos os processos celulares. A fermentação permitiu que bactérias fermentadoras liberassem substâncias químicas na terra, na lama e na água, protegendo-as da forte luz solar. Outro importante processo metabólico bacteriano foi a fixação do nitrogênio diretamente do ar, uma façanha que até mesmo hoje pode ser realizada somente por algumas bactérias especiais. Uma vez que o nitrogênio é um ingrediente de todas as proteínas, em todas as células, todos os organismos vivos da atualidade dependem de bactérias fixadoras do nitrogênio para a sua sobrevivência. A fotossíntese é, sem dúvida, a inovação metabólica isolada mais importante na história da vida no planeta e a fonte básica de energia vital. Há bilhões de anos, a fotossíntese bacteriana, diferentemente da atual, utilizava o sulfeto de hidrogênio, um gás expelido pelos vulcões, em vez de água, como fonte de hidrogênio, o que se dava pela combinação da luz solar com o CO2 extraído do ar para formar compostos orgânicos, sem produzir oxigênio. As estratégias de adaptação pela fermentação, fixação do nitrogênio e fotossíntese permitiram que as bactérias sobrevivessem, evoluíssem e mudassem o meio ambiente terrestre, sendo a elas atribuídos os primeiros laços de realimentação entre os sistemas vivos e o meio ambiente. Embora a química e o clima da Terra primitiva conduzissem à vida, foram as bactérias que regularam esse estado favorável. 90


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A Tabela 6.1 mostra as etapas evolutivas nas eras pré-biótica e micro-orgânica. Tabela 6.1

AS ERAS PRÉ-BIÓTICAS E MICRO-ORGÂNICA ERAS DA VIDA BILHÕES DE ETAPAS DA EVOLUÇÃO ANOS ATRÁS ERA PRÉ-BIÓTICA 4,5 - Formação da Terra formação das bola de fogo de lava fundida, esfriamento condições para 4,0 - Rochas mais antigas condensação do vapor a vida 3,8 - Formação de oceanos rasos compostos baseados carbono, laços catalíticos. membranas - Primeiras células bacterianas ERA 3,5 fermentação MICRO-ORGÂNICA fotossíntese evolução de dispositivos sensores, movimento micro-organismo reparo do ADN intercâmbio de genes - Placas tectônicas, continentes fotossíntese do oxigênio 2,8 - Plena difusão das bactérias 2,5 - Primeiras células nucleadas 2,2 - Aumento de oxigênio na atmosfera 2,0 - Respiração de oxigênio 1,8 - Estabelecimento da superfície e da atmosfera da Terra 1,5 - Locomoção 1,2 - Reprodução sexuada 1,0 - Mitocôndrias, cloroplastos 0,8 - Primeiros animais 0,7 À medida que o ferro e outros elementos reagiam com a água, o hidrogênio gasoso (H2) era liberado e, por ser leve, só não escapava da atmosfera terrestre porque, mais tarde, a vida interveio. Foi a fotossíntese, pela liberação de oxigênio, que possibilitou a combinação deste com o hidrogênio gasoso para formar a água (H2O), mantendo o planeta úmido e impedindo os oceanos de evaporarem. No processo de produzir moléculas de ATP a partir de açúcares, os fermentos também produziram metano e CO2 como produtos residuais. Foram esses resíduos gasosos emitidos na atmosfera que estabilizaram a indispensável estufa planetária, 91


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que até hoje mantém a temperatura do planeta em faixa confortável. A necessidade de luz solar, agora mais branda devido à rica atmosfera terrestre, fez com que as bactérias evoluíssem e desenvolvessem numerosos sistemas sensoriais e de movimento. Para se expor ao sol, umas usaram sais como filtros solares; outras encontraram proteção na areia; ainda outras desenvolveram pigmentos que absorviam os raios nocivos. Muitas espécies construíram imensas colônias e emaranhados microbianos multinivelados nos quais as camadas superiores queimavam e morriam, ao tempo em que formavam um escudo com seus corpos mortos para proteger as partes inferiores. Além dos filtros protetores, as bactérias também desenvolveram mecanismos para reparar o DNA lesado pela radiação, criando enzimas especiais para esse propósito. Atualmente, quase todos os organismos ainda possuem essas enzimas restauradoras, duradoura invenção dos micro-organismos. No reparo de DNA, em vez de usar seu próprio material genético, as bactérias tomavam emprestado, às vezes, fragmentos de DNA de suas vizinhas. Essa técnica evoluiu gradualmente para o constante intercâmbio de genes, que se tornou o caminho mais eficiente para a evolução bacteriana. Em formas superiores de vida, a recombinação de genes vindos de diferentes indivíduos está associada com a reprodução, enquanto no mundo das bactérias tais fenômenos ocorrem independentemente, tendo em vista que as células bacterianas se reproduzem assexuadamente e, continuamente, trocam genes. Por volta do final do primeiro bilhão de anos depois da emergência da vida, a Terra estava fervilhando de bactérias. Até aqui foram inventadas muitas das milhares de biotecnologias conhecidas atualmente. Para construir os carboidratos, formados de carbono, oxigênio e hidrogênio, as bactérias fotossintetizantes extraíam carbono e oxigênio do ar na forma de CO2, como fazem todas as plantas até hoje. Essas bactérias também extraíam hidrogênio gasoso (H2) do sulfeto de hidrogênio (H2S) dos vulcões, mas não conseguiam quebrar as ligações entre o hidrogênio e o oxigênio das moléculas de água por estas serem muito fortes. Com o passar do tempo, a fonte de CO2 para formar os carboidratos se manteve enquanto o hidrogênio gasoso escapava para o espaço e o sulfeto de hidrogênio tornava-se insuficiente. Há 2,8 bilhões de anos, em virtude do resfriamento do planeta, formaram-se as placas tectônicas que deram origem aos continentes terrestres. Foi nessa época 92


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que as azuis-verdes, uma espécie especial de bactérias, inventaram um novo tipo de fotossíntese, que resolveu para sempre o problema da falta de hidrogênio, usando a energia solar para quebrar as moléculas de água em seus componentes, oxigênio e hidrogênio. Este foi o advento da fotossíntese do oxigênio, um acontecimento singular que levou finalmente ao atual meio ambiente. Agora, alimentado-se da fonte ilimitada de oxigênio a partir da água, as novas bactérias foram espetacularmente bem-sucedidas: através delas, a fermentação e a fotossíntese tornaram-se dois processos mutuamente equilibradores do primitivo sistema. Há 2,5 bilhões de anos, as bactérias expandiram-se rapidamente pela superfície da Terra, cobrindo rochas e areias com sua película azul-verde, também conhecida como lodo, que até hoje existe em toda parte, crescendo em tanques e em piscinas, em paredes úmidas e em cortinas de banheiros, ou melhor, onde houver luz solar e água. Os estágios subsequentes da evolução dos micro-organismos são a formação de alianças e coevolução com plantas e animais. Ainda hoje, o meio ambiente está tão permeado de bactérias que é quase impossível dizer onde acaba o mundo inanimado e onde começa a vida. Como se pode notar, as bactérias, geralmente associadas a doenças, são vitais para a sobrevivência de animais e plantas. Na verdade, todos os seres vivos são comunidades ambulantes de bactérias.

Simbiogênese A abundância de organelas, partes menores da célula autorreprodutoras que usam oxigênio e executam várias funções altamente especializadas, levaram cientistas à conclusão de que as células nucleadas são resultados da evolução simbiótica de longo prazo, numa permanente convivência de várias bactérias e outros micro-organismos. Assim, há 2,2 bilhões de anos, deu-se o surgimento da simbiogênese, um passo decisivo na evolução em direção às formas superiores de vida. A evolução simbiogenética ficou caracterizada com a origem das primeiras células eucarióticas (nucleadas), componentes fundamentais de plantas e de animais, seres bem maiores e mais complexos que as bactérias. Enquanto a célula bacteriana contém um único cordão solto de DNA, flutuando livremente no fluido celular, o DNA de uma célula eucariótica está enrolado em cromossomos confinados numa membrana dentro do núcleo da célula. 93


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Há 2 bilhões de anos, as grandes quantidades de bactérias azuis-verdes produziam quantidades enormes de oxigênio gasoso, um dos resíduos tóxicos proveniente da fotossíntese da água. O oxigênio livre é tóxico porque reage facilmente com a matéria orgânica, produzindo os chamados radicais livres, extremamente destrutivos para os carboidratos e outros compostos bioquímicos essenciais. Além disso, o oxigênio também reage facilmente com gases e metais atmosféricos, desencadeando a combustão e a corrosão, as duas formas mais conhecidas de oxidação. Nessa época, a poluição de oxigênio resultou numa catástrofe de proporções globais sem precedentes e várias espécies vivas foram varridas do planeta. Há 1,8 bilhão de anos, diante do excesso de oxigênio, as azuis-verdes inventaram um sistema metabólico que usava a própria substância que envenenava o planeta. Estava criada a respiração com uso do oxigênio, uma maneira engenhosamente eficiente de catalisar e de explorar a reatividade do oxigênio. Com essa espetacular invenção, as bactérias azuis-verdes desenvolveram dois mecanismos complementares: a geração de oxigênio livre por meio da fotossíntese e a sua absorção por meio da respiração. Esses dois mecanismos passariam a regular o conteúdo de oxigênio da atmosfera, mantendo o delicado equilíbrio que permitiu a evolução de novas formas de vida que respiravam o oxigênio. No final da era micro-orgânica, há 1,5 bilhão de anos, tem-se o estabelecimento da superfície e da atmosfera modernas da Terra, com a proporção de oxigênio livre na atmosfera se estabilizando em 21%, valor determinado pela sua faixa de inflamabilidade. Ressalte-se que, se a quantidade de oxigênio caísse abaixo de 15%, nenhuma matéria entraria em combustão e que, além disso, os organismos não poderiam respirar e se asfixiariam. Por outro lado, se a taxa de oxigênio passasse de 25%, tudo entraria em combustão. Uma vez encontrado o nível de oxigênio adequado à proliferação da vida, uma camada de ozônio (moléculas com três átomos de oxigênio) se formou gradualmente no topo da atmosfera e, a partir daí, protegeu a vida na Terra dos perigosos raios ultravioleta. A essa altura, os micro-organismos permeavam o ar, a água e o solo, formando ciclos de realimentação com gases e nutrientes em uma rede planetária, assim como fazem até hoje. Estava montado o palco para a terceira era da vida, a macro-orgânica, que presenciou a evolução das formas visíveis de vida, incluindo os seres humanos. 94


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As novas relações simbióticas, além de possibilitar o uso eficiente de luz do sol e do oxigênio, deram às células nucleadas a vantagem de poder se mover, como no caso das células de sangue. A fusão de material genético é um antigo hábito das bactérias, mecanismo que não está ligado à reprodução. Somente há 1 bilhão de anos é que plantas e animais, organismos multicelulares, passaram a realizar trocas genéticas através da reprodução sexuada, proporcionada pelo surgimento das células gaméticas geradas pela meiose. A união de gametas para formar o ovo, denominada fecundação, possibilitou a esses organismos a divisão repetida e o desenvolvimento do organismo multicelular. Como visto, os bilhões de anos de sucessivas catástrofes e contratempos obrigaram as bactérias a desenvolver a criatividade, expressa em infindáveis invenções, até que fossem selecionadas espécies para sobreviver. Esse cenário montado tornou-se perfeito para a evolução de formas de vida maiores: fungos, plantas e animais, o que ocorreu, em seguida, em períodos de tempo relativamente curtos.

Macro-organismos - evolução de plantas e animais A simbiogênese é a hipótese científica que considera a criação de novas formas de vida por meio da fusão de diferentes espécies, gerando organismos em que o todo é mais que a soma das partes. A evolução de plantas e animais visíveis a partir de micro-organismos se deu por meio de sucessivas simbioses bacterianas. O exemplo mais notável para explicar a evolução por meio de simbiogênese é apresentado pelas mitocôndrias, unidade presente dentro da maioria das células nucleadas. Essas partes vitais das células animais e vegetais, que realizam a respiração celular, contêm seus próprios materiais genéticos e se reproduzem de maneira independente e em tempos diferentes com relação ao restante da célula. Especula-se que as mitocôndrias eram bactérias que flutuariam livremente e que, em tempos antigos, teriam invadido outros micro-organismos e estabelecido residência permanente dentro deles, realizando uma aliança simbiótica que permanece até os dias atuais. As ancestrais das mitocôndrias e de outras organelas podem ter sido bactérias que invadiram células maiores e se reproduziram dentro delas. Muitos invasores devem ter morrido juntamente com as células invadidas. No entanto, alguns dos predadores, ao contrário de matar seus hospedeiros, começaram a cooperar com eles para, afinal, 95


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sobreviverem e continuarem evoluindo conjuntamente. Uma vez alcançado o equilíbrio simbiótico, as membranas nucleares podem ter evoluído para proteger o material genético do hospedeiro da célula contra os ataques de outros invasores. Suspeita-se que os cloroplastos, organelas produtoras da fotossíntese nas células de plantas, primordialmente foram bactérias azuis-verdes, constantemente comidas por outros micro-organismos. Algumas variedades delas adquiriram resistência para não serem digeridas pelos seus hospedeiros e, em vez disso, continuavam a produzir energia por meio da fotossíntese, da qual as células maiores logo se tornaram dependentes. Para seguir a observação da evolução macro-orgânica das formas visíveis, formadas por animais, plantas, fungos e seres humanos, que emergiram de micro-organismos a menos de um bilhão de anos, é necessário mudar a escala do tempo de bilhões para milhões de anos. Em perspectiva cronológica, considerando escala com base na unidade ano, os primeiros animais evoluíram a cerca de 700 milhões, as plantas emergiram a aproximadamente 500 milhões, os fungos surgiram por volta de 300 milhões e os ancestrais dos humanos apareceram a 4 milhões, como mostra a Tabela 6.2. Ao longo de milhões de anos, a evolução simbiogenética cooperativa se tornou cada vez mais coordenada e entrelaçada. As organelas geraram proles para viver dentro de células maiores e estas se tornaram cada vez mais dependentes de seus inquilinos. Assim, organismos separados misturavam-se, criando novas totalidades maiores que a soma das partes. Até hoje, os organismos vivos visíveis funcionam devido às conexões bem desenvolvidas com a teia bacteriana da vida. A fauna e a flora e todo o meio ambiente são um mosaico evolutivo de vida microscópica. Animais, plantas e fungos estão entre as muitas organizações multicelulares que evoluíram a partir de comunidades de micro-organismos estreitamente entrelaçados. Devido ao sucesso evolutivo, os três foram classificados como reinos, a categoria mais ampla dos organismos vivos. Há ainda os reinos bacterianos (micro-organismos sem núcleo celular) e protistas (micro-organismos com células nucleadas). A teoria da simbiogênese permitiu aos cientistas classificar os organismos vivos em relações evolutivas. A Figura 6.3 mostra, de maneira simplificada, como os protistas, os animais, as plantas e os fungos evoluíram a partir das bactérias, por meio de simbioses sucessivas. 96


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Figura 6.3 - Relações evolutivas entre os cinco reinos da vida (Capra, 1995)

Plantas e animais evoluíram primeiro na água, para, em seguida, chegarem à terra firme. Os primeiros ancestrais das plantas eram massas filamentosas de algas que habitavam águas rasas iluminadas pelo sol. Já os primeiros animais evoluíram na água a partir de pequenas massas de células globulares e vermiformes. Alguns formavam comunidades coletivas, criando imensos recifes de corais com seus depósitos de cálcio. Por carecerem de partes rígidas ou de esqueletos internos, os animais primitivos desintegravam-se completamente, ou seja, morriam sem deixar fósseis. Plantas e animais desenvolveram enormes organismos multicelulares. A diferença é que a comunicação intercelular nas plantas é mínima, enquanto as células animais são altamente especializadas e estreitamente interligadas pelo sistema nervoso e pelo cérebro. Os fungos são organismos eucariontes, majoritariamente multicelulares, embora alguns possam ser unicelulares (leveduras). Todos os fungos são heterotróficos, essencialmente terrestres e alimentam-se por absorção. Muitos são saprófitos, isto é, absorvem nutrientes a partir de matéria orgânica morta, outros, os parasitas, retiram nutrientes de hospedeiros vivos. Há, ainda os que preferem viver em simbiose com outros organismos vivos.

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As plantas, fungos e animais não são os únicos organismos vivos multicelulares. A multicelularidade evoluiu em outras linhagens da vida. Os protistas, mostrados na Figura 6.3, são exemplos de que se podem gerar organismos multicelulares a partir de células unicelulares vindas de diferentes fontes, desde que da mesma espécie. O mixomiceto é um protista que, em sua fase zoomórfica, começa como uma multidão de células isoladas, encontradas em florestas sob troncos apodrecidos. Quando em número muito grande, as células unitárias se agregam e, numa massa coesa de milhares de células, são capazes de se deslocar pelo chão da floresta. Quando encontra uma nova fonte de alimento, o mixomiceto entra na fase fitomórfica e se parece com um cogumelo. Finalmente, a cápsula do fruto explode dando origem a novas células que se movimentam individualmente, iniciando um novo ciclo de vida.

Biodiversidade Durante a longa história evolutiva da vida na Terra, mais de 99% de toda as espécies que já existiram foram extintas. A despeito de tudo, a teia bacteriana sobrevive e continua a regular as condições para a vida na Terra, como tem ocorrido nos últimos três e meio bilhões de anos. A vida na Terra compõe uma fina camada de organismos vivos – a biosfera – que se afunda no oceano até cerca de 9 km e se ergue na atmosfera numa distância equivalente. Portanto, a vida é apenas uma delgada película ao redor do globo. Se o planeta for representado por uma esfera do tamanho de uma bola de basquete, com os oceanos e os países pintados em sua superfície, a espessura da biosfera corresponderá a aproximadamente à espessura dessa camada de tinta. Taxonomia é a ciência que faz as divisões entre categorias de seres vivos. Cálculos sobre a biodiversidade global atual, ou seja, o conjunto de todas as espécies de seres vivos existentes na biosfera, indicam que é de se esperar que o número real de espécies possa se situar entre 5 e 10 milhões ou, de acordo com alguns autores, até entre 30 e 150 milhões de espécies, pois grande parte da biodiversidade ainda não é conhecida. A realidade dos fatos, entretanto, é que, dentre os seres vivos que constituem atualmente a biosfera, já foram identificadas cerca de 1.414.000 espécies. Estas 98


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incluem 1.032.000 espécies de animais, 248.500 espécies de plantas, 77.000 de fungos e 26.000 de algas. Os invertebrados, que abrangem as esponjas, os cnidários, os moluscos, os crustáceos e os insetos, correspondem a cerca de 73% das espécies de organismos e 97% dos animais conhecidos. Só a classe insecta contém mais de 750.000 espécies descritas. Se alguns grupos, como os vertebrados ou as plantas, são bastante estudados, outros, como as bactérias ou os fungos, permanecem bastante desconhecidos. Crêse, por exemplo, que para além das 4.800 espécies de bactérias já descritas, possam existir ainda 1.000.000 de espécies por descrever. As florestas tropicais representam muito bem a biodiversidade do planeta, dada a grande variedade de alimentos disponíveis para a adaptação de várias espécies. Essas florestas cobrem 2% da superfície do planeta (ou 6% da superfície de terras aparentes), acolhendo cerca de metade das espécies vegetais e animais existentes na Terra. Chega a ser incrível que apenas 1% das espécies vegetais encontradas em florestas tropicais foi investigado em termos de composição química. Assim como a casca de uma árvore a protege contra danos à fina camada de seu tecido vivo, a vida na Terra é circundada pela camada protetora da atmosfera, que forma uma blindagem contra a luz ultravioleta e outras influências nocivas, mantendo a temperatura do planeta no nível ideal para a vida florescer. Considerando o planeta como um todo, nem a atmosfera acima do globo nem as rochas abaixo da terra são vivas, mas têm sido, ambas, modeladas e transformadas consideravelmente pelos organismos vivos. Desse pensamento, surge a teoria Gaia, lançada por Lynn Margulis, segundo a qual tanto o exterior como o interior da Terra fazem parte do meio ambiente terrestre comum. A hipótese Gaia defende que toda a Terra é um verdadeiro sistema, abrangendo toda a vida e todo o seu meio ambiente, estreitamente acoplados de modo a formar uma entidade autorreguladora. O site www.gaia.org é de uma organização internacional que, desde 1987, tem a intenção de formar uma humanidade espiritualizada e consciente da importância de educar e construir comunidades sustentáveis. Apesar de algumas interferências desastradas do homem no planeta, vale lembrar que a extinção também faz parte da evolução da vida na Terra, já que o número de espécies de plantas e animais vivos representa apenas cerca de 1% de 99


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todas as espécies que já existiram. Caso contrário, teríamos que dividir o planeta com dinossauros.

A evolução continua Uma importante inovação vital na vida terrestre foi a regulação do nível de cálcio nos organismos dos animais. Para que os processos metabólicos funcionem corretamente, a quantidade de cálcio no organismo deve ser mantida em níveis precisos, que são bem inferiores ao nível de cálcio da água do mar. Portanto, animais marinhos sempre tiveram que remover continuamente todo o excesso de cálcio, gerando resíduos às vezes amontoado em recifes de corais. Ainda no mar, à medida que evoluíam, os animais começaram a armazenar o excesso de cálcio ao redor e dentro do próprio corpo. Esses depósitos se converteram em conchas e esqueletos que lhes deram tremendas vantagens seletivas. Essa transformação do cálcio poluente em um material de construção de novas estruturas feitas pelos animais se compara à transformação do oxigênio poluente tóxico em um ingrediente vital para a evolução, feita pelas bactérias azuis-verdes. É a vida que transforma a adversidade em vantagem competitiva. A Tabela 6.2 mostra a saga evolutiva de plantas e animais no planeta Terra, ao longo de 700 milhões de anos, ou seja, desde o surgimento dos primeiro animais e plantas até a constituição dos macacos ancestrais dos humanos. Há 700 milhões de anos, surgiram os primeiros animais, e há 620 milhões, originaram-se os primeiros cérebros de animais. Há 580 milhões de anos, conchas e carcaças foram utilizadas para rechaçar predadores. Nesse período, esqueletos emergiram primeiramente em peixes, evoluindo, mais tarde, nas estruturas de apoio de todos os animais grandes, tais como espinhas dorsais, escudo craniano e maxilares. Tais conchas e esqueletos deixaram claras marcas em fósseis bem preservados. Nessa época, surgiram os peixes pulmonados que respiravam dentro e fora d’água, os quais acabaram evoluindo para os primeiros anfíbios. Rãs, sapos, salamandras e outros anfíbios constituem o elo evolutivo entre animais aquáticos e terrestres.

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Tabela 6.2

MACRO-ORGANISMOS - A SAGA EVOLUTIVA DE PLANTAS E ANIMAIS Milhões de anos atrás Estágios de evolução 700 primeiros animais 620 primeiros cérebros de animais 580 conchas e esqueletos 500 vertebrados 450 plantas chegam às praias 400 anfíbios e insetoschegam às praias 350 samambaias de sementes 300 fungos 250 répteis, arbustos e árvores 225 coníferas, dinossauros 200 mamíferos 150 pássaros 125 plantas de flores 70 extinção dos dinossauros 65 primeiros primatas 35 macacos 20 gorilas 10 grandes gorilas 4 “macacos do sul” de caminhar ereto A fermentação, a fotossíntese e a movimentação celular possibilitaram que as novas formas de vida simbióticas migrassem para ambientes novos, evoluindo assim para as plantas e animais primitivos, que finalmente abandonariam a água e conquistariam a terra. As plantas chegaram à terra há cerca de 450 milhões de anos, portanto 50 milhões de anos antes que os animais. Há 450 milhões de anos, por ocasião de secas em seu habitat, as algas que habitavam águas rasas marinhas sobreviviam, reproduziamse e convertiam-se em plantas. Para sobreviver em terra, as plantas desenvolveram a lignina, um polímero orgânico que une as fibras celulósicas, aumentando a rigidez 101


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da parede celular vegetal. Então, foram criados os caules, ramos fortes e sistemas vasculares cuja função era puxar água para cima, por meio das raízes. Há 400 milhões de anos, junto com os anfíbios, os insetos vieram a terra, explodindo numa enorme variedade de espécies, hoje cerca de 750.000 tipos, número maior que a soma de todas as outras espécies de seres vivos. A escassez de água era o maior desafio encontrado pelas plantas no ambiente terrestre. Para superar essa adversidade, encerraram seus embriões em sementes resistentes às secas, de modo a manter latente o desenvolvimento até que encontrassem um ambiente adequadamente úmido. Para possibilitar a mudança do ambiente aquático marinho para o terrestre, os animais inventaram o útero que simula a umidade, a flutuabilidade e a salinidade do meio ambiente marinho. Os animais saíram dos oceanos há mais de 400 milhões de anos, mas nunca o deixaram completamente para trás, posto que a salinidade do sangue, do suor e das lágrimas, é bem próxima da salinidade encontrada no mar. Para os animais, a adaptação da vida em terra foi uma façanha evolutiva de proporções vertiginosas. A saída do ambiente aquático os expôs à dessecação e à atmosfera rica em oxigênio, que exigia diferentes órgãos para respirar. Além disso, a incidência de luz solar não filtrada exigia peles de proteção e a ação da gravidade, aumentada pela ausência do empuxo de flutuação da água, os obrigou a fortalecer músculos e ossos. Há 300 milhões de anos, os fungos chegam às praias para formar um outro reino, o reino fungi, que se caracteriza por ser carente de clorofila verde para fotossíntese e também por não comer nem digerir, mas ser capaz de absorver diretamente os nutrientes, como substâncias químicas. Os fungos sempre foram aliados das plantas e até hoje praticamente todas as plantas contam com a ajuda dos fungos em suas raízes para a absorção do nitrogênio. Há 250 milhões de anos, seguindo os anfíbios, vieram os répteis, dotados de várias vantagens seletivas tais como poderosas mandíbulas, pele resistente à seca e um novo tipo de ovo, que encapsulava em terra as condições do antigo ambiente marinho. Essas inovações possibilitaram aos répteis a evolução em grande variedade de espécies, incluindo lagartos, tartarugas e cobras. Nesse tempo, as plantas em terra formavam arbustos e árvores, possibilitando aos répteis viver em densas florestas tropicais. 102


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Há 225 milhões de anos, uma linhagem dos répteis evoluiu e chegou aos dinossauros, numa grande variedade de tamanho e formas. Uns eram herbívoros, outros carnívoros e todos punham ovos, às vezes em ninhos trepados. Na época dos dinossauros, estava em plena atividade a expansão dos répteis e a Terra era habitada por cobras, lagartos e tartarugas marinhas. Há 200 milhões de anos, um vertebrado de sangue quente evoluiu a partir de um réptil, que mais tarde daria origem a uma nova classe de animais, os primatas, reconhecidos como os ancestrais dos humanos. As fêmeas desses animais não mais encerravam seus embriões em ovos e sim dentro de uma bolsa no interior do próprio corpo, a placenta. Quando fora do corpo, os filhotes de primatas eram alimentados por nutrição secretada pelas glândulas mamárias, dando a essa classe o nome de mamíferos. Os animais de sangue quente se caracterizam por conseguir regular a temperatura de seus corpos em níveis constantes, o que lhes permite permanecer alertas e ativos em noites frias. O desenvolvimento de pêlos também os ajudou a se proteger e permitiu a migração para regiões mais frias. Por volta de 150 milhões de anos atrás, algumas espécies de dinossauros evoluíram e chegaram ao pterossauro, ou seja, um réptil voador. Há 125 milhões de anos apareceram as plantas com flores, cujas sementes estavam encerradas em frutos. Essa foi a forma que as plantas encontraram de coevoluir com os animais que se deleitavam em comer frutos nutritivos e, em troca, disseminavam as sementes indigestas. Há 70 milhões de anos, num provável impacto de um meteorito de aproximadamente 11 quilômetros de raio, de súbito, os dinossauros e muitas outras espécies foram extintas da Terra. O impacto catastrófico gerou uma imensa nuvem de poeira, que bloqueou a luz solar por um longo período e mudou os padrões meteorológicos do planeta, levando à morte os dinossauros. Finalmente, há 65 milhões de anos surgiram os primeiros primatas, conhecidos como prossímios, que se desenvolveram a partir de mamíferos noturnos. O desenvolvimento da visão tridimensional, a partir de olhos posicionados frontalmente, possibilitou que saltassem nos galhos das árvores, à noite. O desenvolvimento do polegar em posição oposta aos demais dedos das mãos permitiu que os primatas desenvolvessem habilidades de trepar, agarrar e manusear objetos. 103


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Assim como os demais animais, os prossímios sempre foram ameaçados pelos inimigos e, por não disporem de anatomia especializada, desenvolveram maior inteligência e destreza. O medo de inimigos, as constantes fugas em busca de esconderijos e os hábitos noturnos os estimulavam à cooperação e os levaram ao comportamento social comunitário, assim como o constante e intenso barulho de vozes fê-los evoluir gradualmente para a comunicação vocal. Alimentado-se de insetos e vegetais, a maioria dos prossímios viviam dispostos no alto das árvores. Na falta de alimentos nas árvores, os primatas desceram ao chão em busca de alimentos, onde, sentindo-se ameaçados e atentos às ameaças de inimigos, por breves momentos, assumiram a postura ereta. Essa capacidade passou a permitir os primatas a usar as mãos para coletar alimentos, segurar varas e atirar pedras para se defender. O consequente uso de ferramentas e armas primitivas estimulou o crescimento do cérebro, e os prossímios evoluíram em macacos, chimpanzés e gorilas. Há 35 milhões de anos, uma linha evolutiva dos macacos divergiu dos prossímios. Esses animais, que adotaram hábitos diurnos, geralmente tinham faces achatadas e expressivas e usualmente caminhavam ou corriam com as quatro patas. Há 20 milhões de anos, a linha dos símios antropoides divergiu dos macacos e depois de mais 10 milhões de anos, surgiram os ancestrais humanos imediatos, os grandes símios antropoides – os orangotangos, gorilas e chimpanzés. O cérebro dos grandes símios antropoides é muito mais complexo que o dos macacos, razão por que sua inteligência é muito superior. A capacidade de usar e até mesmo de fazer ferramentas é característica dos grandes símios antropoides. Há 4 milhões de anos, uma espécie de chimpanzé do trópico africano evoluiu a partir dos grandes símios antropoides, sendo os primeiros primatas que se ergueram e passaram a caminhar sobre duas pernas. Essa espécie de primata, devido ao porte ereto, foi classificada como “hominídeo”.

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capítulo

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A saga do homem no planeta Terra “O homem é definido como um ser que evolui, como o animal é imaturo por excelência”. Friedrich Nietzshe

À medida que se fez o rastreamento da origem das primeiras células bacterianas, que simbioticamente evoluiram em peixes, anfíbios e répteis e em seguida para vertebrados de sangue quente, os quais evoluíram para primatas com polegares opostos aos outros dedos e com uma comunicação vocal e, em sequência, para grandes símios antropoides com caixas torácicas e braços semelhantes aos humanos, cérebro complexo e capacidade de fazer ferramentas, chegou-se à conclusão de ser possível conhecer a cadeia que esbarra nas atuais características humanas. A verdade é que a aventura da evolução humana na Terra é um episódio muito curto quando comparado à história do planeta. Para demonstrar quão tardiamente a espécie humana chegou ao planeta, o ambientalista californiano David Brower concebeu uma narrativa, comprimindo os 4,5 bilhões de anos de idade da Terra nos sete dias da história bíblica da criação. No cenário de Brower, a Terra foi criada no domingo à zero hora. A vida, na forma das primeiras células bacterianas, aparece na terça-feira de manhã, por volta das 8. Durante os dois dias e meio seguintes, os micro-organismos evoluíram, e por volta da quinta-feira à meia-noite, está plenamente estabelecido e regulando todo o 105


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sistema planetário. Na sexta-feira, por volta das 16h, os micro-organismos inventam a reprodução sexual, e no sábado, o último dia da criação, todas as formas de vida visíveis se desenvolvem. Por volta de 1h30min da madrugada do sábado, os primeiros animais marinhos são formados, e, por volta das 9h30min da manhã, as primeiras plantas chegam às praias, seguidas, duas horas mais tarde, por anfíbios e insetos. Dez minutos antes das dezessete horas, surgem os grandes répteis, perambulam pela Terra em luxuriantes florestas tropicais durante cinco horas e então, subitamente, morrem por volta das 21h45min. Enquanto isso, os mamíferos chegam à Terra no final da tarde, por volta das 17h30min, e os pássaros já à noitinha, aproximadamente às 19h15min. Pouco antes das 22 horas, alguns mamíferos tropicais que habitavam árvores evoluem nos primeiros primatas; uma hora depois, alguns destes evoluem em macacos; e por volta das 23h40min aparecem os grandes símios antropoides. Oito minutos antes da meia-noite, os primeiros símios antropoides do sul se erguem e caminham sobre duas pernas. Cinco minutos mais tarde, desaparecem novamente. A primeira espécie humana, o homo habilis, surge quatro minutos antes da meianoite, evolui no homo erectus meio minuto mais tarde e, nas formas arcaicas do homo sapiens, trinta segundos antes da meia-noite. Os Neandertais comandam a Europa e a Ásia de quinze a quatro segundos antes da meia-noite. Finalmente, a espécie humana moderna aparece na África e na Ásia onze segundos antes da meia-noite, e na Europa, cinco segundos antes da meia-noite. A história humana escrita começa por volta de dois terços de segundo antes da meia-noite.

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A evolução humana A antropologia é a ciência do homem no sentido mais amplo e engloba origem, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais e crenças. No filme “2001: Uma odisseia no espaço”, Stanley Kubrick mostra a origem da saga antropológica no planeta Terra, desde o despertar da consciência no macaco até o desenvolvimento da cibernética e o desbravamento do espaço sideral com as viagens espaciais. No filme, há 4 milhões de anos, um ancestral do homem toma posse de um osso animal e o faz de ferramenta de defesa, sendo esse considerado o primeiro ato de inteligência consciente de um ser sobre a Terra. A Figura 7.1 faz uma inteligente sátira à escala evolutiva do homem. Percebese que fisicamente o homem continuamente ascendia até o advento da agricultura mecanizada, ilustrada na quarta imagem. A partir daí, com a fixação a terra, o advento dos desenvolvimentos industriais e da informática, o homem entra em um processo de submissão excessiva aos trabalhos braçal e intelectual, o que justifica sua postura atual, sensivelmente encurvada.

Figura 7.1 - Sátira à evolução humana, de 4 milhões de anos até hoje.

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Admite-se que a aventura humana propriamente dita começa com os grandes símios antropoides. A Tabela 7.1 mostra que foi há 4 milhões de anos que surgiram os grandes símios antropoides de caminhar ereto com as mãos livres, pertencentes ao gênero Australopithecus. Com idade de 3,2 milhões de anos, o esqueleto de “Lucy” é o fóssil mais antigo conhecido da espécie Australopithecus afarensis. Trata-se de um primata de 137 cm de altura e, provavelmente, tão inteligente quanto os chimpanzés atuais. Tabela 7.1

Anos Atrás 4 milhões 3,2 milhões 2,5 milhões 2 milhões 1,6 milhões 1,4 milhões 1 milhão 400.000 250.000 125.000 100.000 40.000 35.000

Estágios da evolução humana Estágios de evolução Australopithecus “Lucy” (Australopithecus afarensis) Australopithecus de várias espécies Homo habilis Homo erectus os Australopithecines se extinguem Homo erectus se estabelece na Ásia Homo erectus se estabelece na Europa Homo sapiens começa a evoluir formas arcáicas do Homo sapiens Homo erectus se extingue Homo Neandertalensis Homo sapiens se desenvolve plenamente na África e na Ásia Homo sapiens (Cro-Magnon) se desenvolve os Neandertaias se extinguem, o Homo sapiens permanece a única espécie humana sobrevivente

Depois de quase 1 milhão de anos de estabilidade genética, de 4 a 3 milhões de anos atrás, a primeira espécie de símios antropoides evoluiu para várias espécies que coexistiram com os símios do sul da África. Há 2,5 milhões de anos surgiram Australopithecus de várias espécies. Uma importante diferença entre os seres humanos e os outros primatas está no 108


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fato de as crianças humanas supostamente nascerem prematuras, precisarem mais tempo para passar pela infância e demorarem mais tempo para atingir a puberdade e a vida adulta do que qualquer um dos símios antropoides. Esses nascimentos prematuros de alguns símios antropoides geraram uma espécie relativamente desprovida de pêlo que, de acordo com essa hipótese, exigia famílias capazes de lhe dar sustentação, vindo daí a origem das comunidades, tribos nômades e aldeias que se tornaram os fundamentos da civilização humana. As fêmeas selecionavam machos para tomar conta delas enquanto estivessem cuidando de seus filhos e lhes dar proteção. Finalmente, entrariam no cio em épocas específicas e podiam ser sempre sexualmente receptivas, atraindo os machos para as famílias e reduzindo a promiscuidade em favor de novos arranjos sociais. Ao mesmo tempo, a liberdade das mãos para fazer ferramentas, manejar armas e atirar pedras estimulou o contínuo crescimento do cérebro e contribuiu para o desenvolvimento da linguagem escrita. Há 2 milhões de anos, os primeiros descendentes humanos dos símios antropoides do sul emergiram na África Oriental. O homo habilis era uma espécie de indivíduos pequenos e magros, com cérebros acentuadamente desenvolvidos e dotados de habilidade para a construção de ferramentas. Há 1,6 milhão de anos, o homo habilis evoluiu para o homo erectus, uma espécie de indivíduos maiores e mais robustos, com cérebro mais expandido. O homo erectus foi a primeira espécie a deixar o continente africano e a migrar para a Ásia, a Indonésia e a Europa, estabelecendo-se na Ásia há cerca de 1 milhão de anos, e na Europa, por volta de 400.000 anos atrás. Há indicações de que os primeiros seres humanos dominaram o fogo há cerca de 1,4 milhões de anos. Longe da terra natal africana, os primeiros seres humanos em conjunto caçavam espécies de animais robustos e peludos tais como bois, mamutes e bisões com o auxílio de machados de pedra e lanças pontudas. Também em conjunto, nas cavernas, banqueteavam-se junto às fogueiras e usavam as peles dos animais para se proteger. Essas partilhas foram catalisadores para criação da cultura civilizada humana e também responsáveis pela origem das dimensões artísticas, políticas, espirituais e místicas. 109


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Entre 400.000 e 250.000 anos atrás, o homo erectus começou a evoluir para a atual espécie humana, o homo sapiens. Nesse meio tempo, existiram várias espécies transitórias, denominadas homo sapiens arcaico. Há cerca de 250.000 anos, o homo erectus se extinguiu, complementando a transição para o homo sapiens. Por volta de 100.000 anos atrás, na África e na Ásia, e de 35.000 anos na Europa, o homo sapiens permanece como a única espécie humana sobrevivente. Por volta de 125.000 anos atrás, na Europa o homo erectus evoluiu para uma linhagem diferente denominada Neandertal clássica, provavelmente extintos 35.000 anos atrás ou mesclados à espécie dos seres humanos modernos. Há mais ou menos 35.000 anos, a espécie moderna de homo sapiens substituiu os Neandertais na Europa e evoluiu para uma subespécie conhecida como Cro-Magnon (batizada em homenagem a uma caverna do sul da Franca) à qual pertencem todos os modernos seres humanos. Os Cro-Magnons eram anatomicamente idênticos a nós, tinham uma linguagem plenamente desenvolvida e criaram uma verdadeira explosão de inovações tecnológicas e de atividades artísticas. Ferramentas de pedra e de ossos primorosamente trabalhadas, joias de conchas e de marfim e magníficas pinturas nas paredes de cavernas úmidas e inacessíveis são testemunhos vivos da sofisticação cultural desses membros primitivos da raça humana moderna. Foram os Cro-Magnons que desenvolve­ram gradualmente as pinturas rupestres, começando com desenhos desajeitados e grosseiros até atingir o apogeu com as famosas pinturas de leões, mamutes e outros animais perigosos, muitos deles saltando ou correndo ao longo de largos painéis. Recentemente essas pinturas foram datadas por arqueologistas na caverna de Chauvet, na região de Ardeche, no sul da França, onde também há uma profusão de ferramentas de pedra e de objetos rituais, inclusive uma laje de pedra semelhante a um altar com um crânio de urso colocado sobre ela. Talvez, a descoberta mais intrigante seja um desenho em preto de uma criatura xamânica, metade ser humano e metade bisão, encontrado na parte mais profunda e mais escura da caverna. Essas pinturas magníficas indicam que a grande arte fazia parte integral da evolução dos modernos seres humanos desde o princípio. 110


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Da história antiga à contemporânea A história é a ciência que trata do conjunto de conhecimentos relativos ao passado da humanidade, segundo o lugar, a época e o ponto de vista escolhido. Estuda eventos passados com referência a um povo, país, período ou indivíduo específico, considerando a evolução da humanidade ao longo de seu passado e presente, bem como a sequência de acontecimentos e fatos a ela correlatos. Para seguir adiante na civilizada aventura humana, mais uma vez muda-se a escala de tempo, dessa vez de milhares para centenas e dezenas de anos. Por muito tempo, foi considerado que o início da história do homem se deu com a invenção da escrita, porém, hoje, é sabido que, mesmo sem o poder da escrita, o homem é agente da história à medida que modifica o seu meio em benefício próprio. Mas, sem dúvida, o surgimento do primeiro sistema de escrita, o pictográfico, que apareceu na Mesopotâmia (atual Iraque), em 4000 a.C., facilitou a vida humana. Utilizando pequenos desenhos simplificados (pictogramas) para representar a realidade, os mesopotâmicos marcam o surgimento da antiguidade. Depois, de 3250 a 1950 a.C., surgiu a escrita cuneiforme dos sumérios (gravação de figuras com estilete sobre tábua de argila) e a hieroglífica dos egípcios (em ideogramas figurativos). Os egípcios e os fenícios criaram um alfabeto, posteriormente modificado pelos gregos, que deu origem ao alfabeto latino. A escrita impulsionou o comércio. Os sumérios originaram as primeiras cidades-estado, entre elas Uruk, no sul da Mesopotâmia. Estabeleceram técnicas de irrigação e drenagem do solo, construção de canais, diques e reservatórios, técnicas que possibilitaram um certo controle sobre a agricultura, antes totalmente à mercê de secas e inundações. Isso provocou uma melhoria significativa na qualidade de vida dos antigos. Cada civilização dá importante contribuição para a construção da história e para a evolução das técnicas que facilitam a vida. Em 3200 a.C., os egípcios lançam os fundamentos da geometria e do cálculo, traçam mapas celestes, situam os pontos cardeais e elaboram um calendário solar cujos princípios permanecem válidos até hoje. De 3000 a 146 a.C, os fenícios, célebres pelo comércio marítimo, desenvolvem técnicas de navegação e de fabricação de barcos.

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De 1640 a 1200 a.C., procedentes das montanhas do Cáucaso, os hititas estabelecem um reino na Capadócia (atual Turquia), onde desenvolvem a mineração de ferro, a agricultura, o artesanato e o comércio. Por volta de 1600 a.C., dá-se o surgimento do I Reino Dinástico Chinês, que posteriormente se subdivide em cerca de 1,5 mil principados. Os chineses desenvolvem a agricultura, a metalurgia de cobre e bronze, o comércio e a fabricação de seda, tecidos e cerâmica. Inventam o papel, a bússola, a pólvora e os sistemas monetário e de pesos e medidas. Utilizavam uma escrita com ideogramas e possuíam uma literatura rica, na qual se destacam Confúcio e Lao-Tsé. Em 776 a.C., os gregos criam as Olimpíadas, desenvolvem a filosofia, a dramaturgia, a poesia, a história, as artes plásticas, a arquitetura e a narrativa mitológica. Dedicaram-se ainda ao estudo das ciências, como astronomia, física, química, medicina e geometria. O ano de 753 a.C., é o marco inicial do Império Romano, o mais vasto da Antiguidade, com a fundação de Roma. Os romanos, dada a localização geográfica estratégica, desenvolvem o comércio, as artes arquitetônicas como arcos e abóbadas, o mural decorativo, a pintura de afrescos e a escultura. Em 586 a.C., os hebreus são dominados, deportados e escravizados pelos babilônios, no episódio conhecido como Cativeiro da Babilônia. Inicia-se, assim, o primeiro momento da diáspora judaica, a dispersão dos judeus pelo mundo. De 539 a 331 a.C., é fundado o Império Persa, que chega a estender-se do Egito até a Índia. Os persas realizam intensos intercâmbios comerciais e constroem estradas de pedra e canais para facilitar o transporte; praticam a agricultura, a pecuária, o artesanato e a mineração de metais e pedras preciosas; implantam uma economia monetária, um sistema de pesos e medidas e instituem impostos fixos. De 443 a 429 a.C., Atenas se transforma num império naval e comercial, destacando-se no desenvolvimento literário e artístico. Em 221 a.C., é iniciada a unificação da China com a dinastia Chin: os chineses expandem-se pela Ásia Central e pelo Sudeste Asiático e, no século I, ampliam seu domínio até o golfo Pérsico. É construída a Muralha da China, com mais de 2,5 mil quilômetros de comprimento por 4 metros de largura, com o objetivo de defender o império dos ataques dos povos do norte (tártaros). 112


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Ano 1 d.C., início da Era Cristã. No ano 70, os romanos destroem o Templo de Jerusalém e expulsam os judeus da Palestina, dando início a segunda diáspora judaica. Estes migram para diversos países da Ásia Menor e do sul da Europa, onde formam comunidades com o intuito de preservar sua religião e seus hábitos culturais. De 193 a 395 a dinastia romana dos Severos marca o início do declínio do Império Romano. Em 395, o imperador Teodósio realiza a divisão do Império Romano em Império Romano do Ocidente, sediado em Roma, e Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, cuja capital foi Constantinopla. O Império Romano do Ocidente chega ao fim no ano 476, sob o reinado de Rômulo Augusto, marco da transição da Antiguidade para a Idade Média. Entre os séculos IV e X, situados nas florestas da Guatemala e de Honduras e ainda na península de Yucatán, no México, os Maias formam cidades-estado independentes, com governo teocrático. Utilizam avançadas técnicas de irrigação na cultura do milho, do feijão e de tubérculos e realizam trocas comerciais. Constroem templos, pirâmides e palácios de pedra e criam um calendário que determina com precisão o ano solar (365 dias). Adotam a escrita hieroglífica e, na matemática, inventam as casas decimais e o conceito do valor zero. De 630 a 1258, as tribos da Arábia se unificam por meio do islamismo e da língua árabe, dando origem ao Império Árabe. Com as invasões bárbaras e a degradação do Império Romano do Ocidente, a Europa inicia profunda reestruturação, marcada pela descentralização do poder, pela ruralização e pelo emprego de mão-de-obra servil. O comércio desenvolvido pelos antigos fica estagnado até o início da Idade Média, quando houve uma mudança na mentalidade. Então, desenvolveu-se o sistema feudal, modelo de organização econômica, política e social da Europa Ocidental, que vigora entre os séculos IX e XVI. A estrutura social feudal é de pouca mobilidade social e baseada em relações de dependência servil e vassalagem. O feudo constitui a unidade territorial da economia, que se caracteriza pela autossuficiência e pela ausência quase total do comércio e de intercâmbios monetários. A produção é predominantemente agropastoril, voltada para a subsistência. 113


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Marcada por uma mentalidade religiosa, a Idade Média é um período em que os avanços tecnológicos não são permitidos, o que leva alguns autores a chamá-lo de “Idade das Trevas”. Porém, mais uma vez, o homem mostra sua capacidade de autotransformação. Os burgueses, que viviam basicamente do comércio, adquirem um capital que os faz ganhar poder junto à nobreza feudal em decadência. O crescente poder dos burgueses vai quebrando barreiras do conhecimento. Com a ascensão da classe social burguesa, o comércio volta a funcionar e a impulsionar a tecnologia. A abertura dos feudos e algumas medidas de proteção ao comércio, como a unificação de moedas, facilitaram as trocas entre os burgueses, tornando-os cada vez mais poderosos. Desejosos de adquirir novos mercados consumidores, por volta do século XV, a classe emergente se lança às grandes navegações e descobre o chamado “Novo Mundo”, o continente americano. A nova mentalidade que se apresenta na Idade Moderna, iniciada no século XV, é voltada para as ambições de novas conquistas e descobertas científicas. Dominando as técnicas de navegação e consequentemente o mar, o homem se sentia capaz de dominar o mundo. No século XIII, os incas fundam Cuzco, a capital do Império Inca, na cordilheira dos Andes (hoje, Peru) e ocupam também territórios do Equador, do Chile e da Bolívia. Eis que começaram a viabilizar a agricultura nas montanhas, talhando o relevo em degraus e, nas regiões desérticas do litoral, irrigam a terra por meio de tanques e canais. Dominam também a ourivesaria, a cerâmica e conhecem a tecnologia do bronze, bem como a utilização de quipos (cordões e nós coloridos) para registrar acontecimentos e fazer cálculos. Ressalte-se que foram os incas o único povo pré-colombiano a domesticar animais. Em 1532, são dominados pelos espanhóis. De 1325 a 1519, ao redor do lago Texcoco, no México, os astecas fundam e desenvolvem Tenochtitlán, atual Cidade do México. Chefiada pelo rei, que comanda o exército, a sociedade asteca é altamente hierarquizada, isto é, constituída pela nobreza, que inclui guerreiros e sacerdotes, e por uma população de agricultores, pequenos comerciantes e artesãos, que prestam serviço militar compulsório. Os astecas realizam importantes obras de drenagem e constroem espécies de ilhas artificiais (chinampas) para ampliar as áreas de cultivo e desenvolvem intensa atividade

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comercial em mercados urbanos. Usam a escrita pictórica e a hieroglífica e estudam a astronomia, a astrologia e a matemática. Por meio da dominação de outros povos, o império expande-se no reinado de Montezuma II, entre 1502 e 1520, agrupando 500 cidades e 15 milhões de habitantes. Seu declínio começa em 1519, quando a região é invadida por espanhóis que obtêm a cooperação dos grupos dominados para rendê-los. Em 1347, a peste negra chega à Europa pelo Porto de Gênova, trazida por um navio proveniente do mar Negro. A epidemia, altamente infecciosa, transmitida ao homem pelas pulgas de rato, disseminou-se com grande velocidade e provocou a morte de cerca de um quarto da população do continente.  O ano de 1453 é o marco de ruptura entre a Idade Média e a Idade Moderna, com a tomada de Constantinopla pelo Império Turco-Otomano. O bloqueio das rotas comerciais entre Europa e Ásia pelos turcos gera grande prejuízo econômico, levando os europeus a procurar novos caminhos para a Ásia pelo oceano Atlântico.  Em 3 de agosto 1492, convencido da esfericidade da Terra, o navegador genovês Cristóvão Colombo parte do porto espanhol de Palos. O dia 12 de outubro do mesmo ano é a data do descobrimento da América, quando Colombo aporta na ilha de San Salvador (Bahamas), pensando ter chegado às Índias. Em 22 de abril 1500, o navegador Pedro Álvares Cabral e sua esquadra atingem o litoral sul da Bahia. É o descobrimento do Brasil. Em 1520, a frota liderada pelo navegador Fernão de Magalhães se torna a primeira a dar a volta completa ao mundo. Em 2006, a família Shurman repete o percurso feito por Fernão e relata a proeza de ambos no filme “O mundo em duas voltas”. De 1789 a 1799, a burguesia volta-se contra os privilégios da nobreza e do clero e instaura a I República na Revolução Francesa. Revoltas resultam na proclamação da Assembleia Nacional Constituinte e na tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, por cerca de mil parisienses, quase todos comerciantes, artesãos e assalariados. Depois, os jacobinos e, em seguida, os girondinos burgueses se instalam no poder, entregando-o posteriormente a Napoleão Bonaparte com a finalidade de resguardar seus privilégios. Em 1811, iniciam-se os movimentos de independência das colônias americanas, favorecidos pela difusão das ideias liberais trazidas pela Revolução Francesa e 115


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pela independência dos Estados Unidos. Tais movimentos contam com o apoio dos ingleses, interessados na liberação dos mercados latino-americanos. Depois da derrota de Napoleão Bonaparte, em 1815, o Congresso de Viena redefine o mapa político da Europa e do mundo. A Santa Aliança, organização política internacional, é criada com o propósito de deter novas campanhas revolucionárias e impedir o desequilíbrio de poder entre as potências europeias. No século XIX, conhecido como o século das descobertas científicas fundamentais, após já estabelecidas as leis de Newton, relacionadas com a mecânica, e as leis de indução eletromagnética, de Faraday e Ampére, foi que se deu o advento de máquinas, motores e equipamentos que funcionaram como suporte à Revolução Industrial. De 1914 a 1918, o choque de interesses imperialistas das nações europeias, aliado a anseios nacionalistas, provoca a I Guerra Mundial. O conflito opõe a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália) e a Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia), vencedora da guerra. Mais de 8 milhões de soldados e mais de 6,5 milhões de civis morrem no conflito. Em 1917, o proletariado toma o poder na Rússia, no movimento conhecido como Revolução Russa. Em 1922, nasce a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), primeira nação socialista do mundo, reunindo os territórios que pertenciam ao Império Russo.  Em 1919, as nações vencedoras da I Guerra Mundial estabelecem o Tratado de Versalhes, que determina os termos de paz com a Alemanha, impondo a esse país severas penas. A Alemanha perde colônias e fica proibida de manter Marinha e Aeronáutica e limita seu Exército a 100 mil homens, sendo ainda forçada a pagar uma pesada indenização aos vencedores. Em 1920, é criada a Liga das Nações, com sede em Genebra (Suíça), cujo objetivo era garantir a paz e a segurança mundial.  A expansão do crédito bancário e a especulação financeira nos Estados Unidos da América (EUA) a partir de 1929 geram grave crise econômica, que atinge o limite com a quebra da Bolsa de Nova York. Mais de 9 mil bancos e 85 mil empresas decretam falência e a cotação das ações cai em média 85% no período compreendido entre 1929 e 1932. A redução de salários chega a 60% e o desemprego atinge 13 milhões de pessoas. A crise ganha dimensão mundial com a diminuição do crédito 116


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norte-americano a outros países e a elevação das tarifas alfandegárias dos EUA, medidas que provocam refluxo no comércio exterior. De 1939 a 1945, ocorre a II Guerra Mundial, quando o Reino Unido e a França declaram guerra à Alemanha, iniciada após a invasão nazista na Polônia. Em 1940, é formalizado o Eixo, pacto entre Alemanha, Japão e Itália. No ano seguinte, os japoneses bombardeiam a base naval de Pearl Harbor, no Havaí, e forçam a entrada dos EUA na guerra. Definem-se, assim, as duas forças em conflito. De um lado, os países do Eixo e, de outro, os Aliados (França, Reino Unido, EUA e URSS). Quase 50 milhões de pessoas morrem na guerra e cerca de 6 milhões de judeus são exterminados em campos de concentração nazistas.  Em 1945, durante a II Guerra Mundial, os EUA lançam bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima (6/8) e Nagasaki (9/8), matando 170 mil pessoas. Ao mesmo tempo, tropas soviéticas expulsam os japoneses da Manchúria e da Coreia. Finalmente, em 2 de setembro, o Japão capitula, pondo fim à II Guerra Mundial.  Em 25 e 26 de abril de 1945, cinquenta países assinam a Carta da ONU (Organização das Nações Unidas). A ONU, hoje com 185 países-membros, foi criada com a finalidade de zelar pela segurança e pela paz mundial, pela defesa dos direitos humanos e pela melhoria do nível de vida em todo o mundo.  Após a II Guerra Mundial, tem início a disputa pela hegemonia mundial entre EUA e URSS. É uma intensa guerra econômica, diplomática e tecnológica pela conquista de zonas de influência, denominada Guerra Fria. O mundo é dividido em dois blocos opostos: o chamado mundo capitalista, liderado pelos EUA, e o mundo comunista, encabeçado pela URSS. Deu-se então uma corrida armamentista que se estende por 40 anos e coloca o mundo sob a ameaça de uma guerra nuclear.  Em 1985, com a subida ao poder do líder soviético Mikhail Gorbatchov, a tensão e a guerra ideológica entre as superpotências começam a diminuir. O símbolo do final da Guerra Fria é a queda do Muro de Berlim, em 1989. A Alemanha é reunificada e, aos poucos, dissolvem-se os regimes comunistas do Leste Europeu. Com a desintegração da URSS, em 1991, o conflito entre capitalismo e comunismo cede lugar às contradições existentes entre o hemisfério norte, que reúne os países desenvolvidos, e o hemisfério sul, onde está a maioria dos subdesenvolvidos. 117


Fábio Campos Morais

No século XX, caracterizado como o século do conhecimento e da modernidade, foram desvendados os segredos do átomo e da molécula de DNA. Esse período foi marcado por grandes invenções tais como telégrafo, telefone, rádio, TV, radar, raios-X, transistor, microeletrônica, computador, laser e ressonância magnética, entre outras tecnologias. Continuamente, o homem não pára de obter avanços científicos nunca antes imaginados no curso da história, dando início à era pós-moderna.

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capítulo

8

A sociedade pós-moderna

“A Aldeia Global é formada por uma rede de conexões sociais, que deixam as distâncias cada vez mais curtas e facilitam as relações culturais e econômicas de forma rápida e eficiente”.

A sociologia trata do estudo científico da organização e do funcionamento das sociedades humanas e das leis fundamentais que regem as relações sociais e as instituições. No campo social, em 2010, a Terra é um planeta com 6,82 bilhões de pessoas no qual, em média, nascem 3 pessoas a cada segundo, multidão que vive em uma sociedade globalizada, econômica e culturalmente integrada, na chamada era do silício, sociedade pós-moderna ou sociedade neorrenacentista, em permanente transformação. A página www.poodwaddle.com/clocks2pw.htm, do site conhecido como “relógio mundial”, apresenta em tempo real estimativas da população da Terra (6,82 bilhões de habitantes em maio de 2010) e o número de nascimentos e mortes e suas principais causas. Entre outros aspectos, o relógio mundial estima ainda a evolução do número de pontos de acesso à Internet (criados 390 milhões em 2010), da temperatura da Terra (14,67 ºC), de espécies extintas (9447, em 2010) e de áreas desmatadas (4,5 milhões de hectares em 2010). O relógio mundial traz ainda outros dados detalhados sobre as populações, doenças, meio ambiente, energia, crimes e produção de alimentos. 119


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Em 2010, as 6,82 bilhões de pessoas da Terra estão distribuídas em 196 Estados soberanos ou países, conforme do artigo 1º da Convenção de Montevidéu de 1933. A Convenção define que o Estado soberano deve possuir as seguintes qualificações: (a) uma população permanente, (b) um território definido, (c) governo, e (d) capacidade de estabelecer relações com os outros Estados. Os 196 países soberanos estão divididos da seguinte forma: 192 Estados membros da Organização das Nações Unidas; a Cidade do Vaticano, com reconhecimento internacional, regido pela Santa Sé dentro de Roma; Taiwan, reconhecido por 24 membros das Nações Unidas, que mantém relações internacionais com a maioria dos Estados; República Árabe Saaraui Democrática, reconhecido por 47 membros da ONU, mas que tem metade do seu território reivindicado sob ocupação militar; e República Turca do Chipre do Norte, reconhecida apenas pela Turquia. A página www.universitario.com.br/noticias/noticia_nacoes_unidas.htm apresenta a lista dos 192 estados membros das Nações Unidas. A tabela abaixo apresenta estimativas das populações dos 10 países mais populosos do mundo, em maio de 2010. Tabela 8.1

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Estimativa dos países mais populosos do mundo em maio 2010 População País População Fonte do Mundo % China 1.337.420.000 19,61 Chinese Official Population Clock Índia 1.180.631.000 17,31 Indian Official Population Clock EUA 309.237.000 4,53 United States Official Population Clock Indonésia 231.369.500 3,39 Statistics Indonesia Brasil 192.903.000 2,83 Brazilian Official Population Clock Paquistão 169.452.500 2,48 Official Pakistani Population clock Bangladesh 162.221.000 2,38 UN estimate Nigéria 154.729.000 2,27 UN estimate Rússia 141.927.297 2,08 Federal State Statistics Service of Russia Japão 127.390.000 1,87 Official Japan Statistics Bureau

O relatório Rethinking poverty 2010 da ONU constata que, apesar da melhora, quase metade da humanidade, cerca de 3,4 bilhões de pessoas vive com menos de U$ 2,5 por dia ou R$ 135,00 por mês. O estudo da ONU mostra que o número de 120


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

pessoas vivendo com menos de U$ 1,25 caiu de 1,9 bilhões para 1,4 bilhões entre 1981 e 2005. A concentração de riquezas ou má distribuição de renda é o principal fato que impede que metade da humanidade possa viver de forma digna. O fato é que o homem viajou à Lua há mais de 40 anos, tem capacidade bélica para destruir o planeta várias vezes e em 2010 é incapaz de cumprir metas as 8 metas do Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (www.pnud.org.br/odm) estabelecidas para 2015 pelos 192 países membros da ONU, resumidas abaixo: 1. Erradicar a extrema pobreza e a fome, considerando que em 2004 havia 980 milhões de pessoas vivendo com menos de um dólar ao dia; 2. Atingir o ensino básico universal, visto que as matrículas no ensino básico estão limitadas a 88% das crianças em 2005, havendo mais de 100 milhões de crianças em idade escolar fora da escola, a maioria de meninas; 3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, sabendo que a desigualdade de gênero começa na infância e deixa as mulheres em desvantagem para o resto da vida; 4. Reduzir a mortalidade na infância, já que quase11 milhões de crianças ao redor do mundo ainda morrem todos os anos antes de completar cinco anos; 5. Melhorar a saúde materna, já que devido a complicações na gravidez ou no parto morrem mais de meio milhão de mulheres por ano e cerca de 10 milhões ficam com sequelas; 6. Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças, já que só 28% do número estimado de pessoas com AIDS que necessitam de tratamento o recebem, e a malária mata um milhão de pessoas por ano, principalmente na África; 7. Garantir a sustentabilidade ambiental com vistas a aumentar as áreas protegidas, reduzir o número de pessoas sem acesso à água potável e melhorar as condições de vida em favelas e bairros pobres; 8. Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento, com a finalidade de resolver o problema da dívida dos países pobres, ampliar ajuda humanitária, tornar o comércio internacional mais justo, baratear o preço de remédios, ampliar mercado de trabalho para jovens e democratizar o uso da Internet, entre outras metas. 121


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Raças, línguas e credos Transformações significativas sociais vêm ocorrendo pouco a pouco no mundo ocidental a partir dos últimos cinquenta anos, principalmente devido ao largo alcance dos meios de transporte e comunicação. Trens, navios, aviões, automóveis, televisão, telefonias e Internet possibilitam interações inimagináveis, trazendo brutais e irreversíveis consequências, impostas à sociedade pelo processo denominado globalização. Na verdade, a globalização é um processo que ultrapassa o campo econômico para alcançar mudanças culturais, de línguas, de costumes, de estilos, etc. Uma das consequências imediatas das transformações proporcionadas pela globalização é que cerca de 40% dos idiomas falados hoje no mundo desaparecerão entre os próximos 50 e 100 anos. A edição de 2009 do livro “The Ethnologue: languages of the world”, divulgado no site www.ethnologue.com, indica que o número de línguas faladas no mundo é de 6.912. Confira as dez primeiras línguas mais faladas no mundo e o respectivo número de pessoas: 1º. Mandarim - 1051 milhões - China, Malásia e Taiwan; 2º. Hindi - 565 milhões - Índia, regiões norte e central; 3º. Inglês - 545 milhões - EUA, Reino Unido, Partes da Oceania; 4º. Espanhol - 450 milhões - Espanha e Américas; 5º. Árabe - 246 milhões - Oriente Médio, Arábia, África do Norte; 6º. Português - 218 milhões - Brasil, Portugal, Angola; 7º. Bengalês - 171 milhões - Bangladesh, Nordeste da Índia; 8º. Russo - 145 milhões - Rússia e Ásia Central; 9º. Francês - 130 milhões - França, Canadá, Oeste e Centro da África; 10º. Japonês - 127 milhões - Japão. Dos 6.912 idiomas conhecidos, 2 mil já não são mais transmitidos às próximas as gerações. Esse alerta foi dado em recente painel de linguistas no Encontro Anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Seattle. Os cientistas, no entanto, consideram que pouco ou nada se pode fazer para evitar a extinção dessas línguas, concluindo ser dever da sociedade documentá-las o quanto puder para que não sejam apagadas da história. Quanto à divisão dos habitantes do planeta, se fosse possível reduzir essa população a uma pequena aldeia de exatamente 100 habitantes, mantendo as proporções existentes atualmente nas diversa regiões do globo, seria algo assim: 57 asiáticos, 12 europeus, 9 americanos do norte, 15 africanos, 3 do oriente médio, 5 da América do 122


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norte, 9 latino americanos e caribenhos, 0,5 da Oceania e Austrália. Quanto ao gênero, 51% seriam mulheres e, obviamente, 49 seriam homens. Concernente à preferência sexual, estima-se que 89 seriam heterossexuais e 11 homossexuais. No tocante ao credo dos terráqueos, as principais religiões do mundo e tradições espirituais são classificadas em pesquisa realizada em 2005 pela Encyclopædia Britannica. A pesquisa indica que 33.06% da população mundial segue o cristianismo; 21% o Islã; 13,3% o hinduísmo; 6,27% as religião da China e 5,87% o budismo. Os sem religiões ou ateístas são 14.27% e 3,97% seguem religiões étnicas indígenas. Considerando todas essas condições subumanas, quem se levantou esta manhã com mais saúde que doenças é mais abençoado que milhões de pessoas que não sobreviverão aos próximos dias. Quem nunca experimentou os perigos da guerra, a solidão de estar preso, a agonia de ser torturado ou a aflição da fome, então está melhor do que 500 milhões de pessoas. Quem tem comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre a cabeça e um lugar onde dormir é mais rico que 75% da população mundial. Quem guarda dinheiro no banco, na carteira e tem algumas moedas em um cofrinho já está entre os 8% mais ricos deste mundo. Quem leu este livro até aqui já compartilha de conhecimentos acessíveis a um número muito reduzido de pessoas e, mais ainda, tem melhor sorte que mais de 2 bilhões de pessoas neste mundo que sequer sabem ler. A verdade maior é que no mundo há pessoas de diversas regiões, credos e cores, formando uma única raça: a raça humana.

Trânsito do poder na sociedade Por certo, a busca de satisfação dos anseios de cada um passa por uma melhor compreensão da atual conjuntura econômica da sociedade globalizada, sobretudo a ocidental, na qual o Brasil está inserido. Nessa conjuntura, é interessante notar o trânsito do poder na sociedade, compreensão indispensável para montagem de uma boa estratégia de colocação pessoal, profissional e social na dinâmica do mercado globalizado. Alvin Toffler popularizou a ideia de que o homem tem vivenciado uma sucessão de eras e que cada uma delas possui características que determinam o seu futuro. Mostra como a vida mudou, a partir da inauguração da era da agricultura 123


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que, conforme descrito no trecho da história, reinou absoluta por quase 6.000 anos (4.000 a.C. a 1.750 d.C.), durante os quais a vida em si mesma e o poder estavam estruturados em função da organização do alimento. O período agrícola foi seguido pela era industrial maquinária que durou cerca de 200 anos e imperou de 1.750 até meados do século XX. Na era da máquina, o poder se concentrou nas mãos de quem detinha os meios de produção e capital, ou seja, os industriais e os banqueiros. Concentradores de poder, os senhores das posses materiais acumulavam capital à vontade, elegiam políticos e, por serem detentores de patrimônios físicos, comandavam as pessoas e as sociedades. Seguindo as inevitáveis transformações sociais, a partir da metade do século XX, inicia-se o processo de transição da era industrial para a chamada era da comunicação. Desde 1950, o centro do poder social transita gradualmente das mãos dos industriais para os empresários e organizações que detêm os meios de comunicação. Durante esse tempo, o poder na hierarquia social encaminhou-se para os proprietários dos meios de comunicação como televisão, telefonia e telecomunicações em geral. Portanto, enquanto na era da agricultura a ênfase social estava na terra e na industrial, no produto, na era da comunicação, o foco se concentrava no trânsito de informações. As próprias organizações empresariais passam por transições equivalentes às que ocorrem na ordem social. No interior das empresas, na era da agricultura e na industrial eram valorizados os funcionários operacionais, responsáveis pela produção, ou seja, os trabalhadores braçais ou o pessoal de processos produtivos. Já na era da comunicação, passou a ser reconhecido como mais importante o marketing e o pessoal de relações com o mercado. Com isso, os setores de produção passaram a se adequar às necessidades identificadas pelo marketing, cuja função primordial é manter contato direto com o consumidor. No final do século XX e início do século XXI, a configuração da sociedade capitalista continua em transformação e o poder distancia-se gradualmente da terra, da máquina e da comunicação para centrar-se nas mãos dos geradores de conhecimento. O fato é que, definitivamente, as decisões sociais significativas encontram-se nas mãos de quem detém informação e conhecimento. Nas sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente, as organizações que lideram as comunidades são aquelas 124


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

que trabalham com informação e conhecimento, por exemplo, as universidades e centros de pesquisa. Com essa dinâmica, os donos dos meios de cognição começam a se sobrepor aos donos dos meios agrícolas, industriais e de comunicação. Dentro das empresas, a regra também é válida: os profissionais mais valorizados são os que atuam com sistemas de informação, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços, Internet e áreas afins. É certo que, ainda hoje, os fazendeiros, industriais e comunicadores controlam parte do poder social, no entanto, em escala reduzida e cada vez menor. Ponto pacífico é que a inovação constituiu-se fator diferencial nas sociedades, organizações e profissionais de destaque no mercado. Assim, a dinâmica atual indica que o poder nas sociedades e nas empresas transita para as mãos dos detentores dos meios de inovação tecnológica. A competitividade entre as empresas e os profissionais é tão grande que, na sociedade atual, destaca-se quem incorporar sempre algo de novo a seus produtos e práticas, ou seja, os inovadores.

A era do intangível Análises sociológicas mostram que o novo milênio abriu portas para a era do intangível chegar ao topo da cadeia de valor: o conhecimento e a criatividade são as mercadorias mais valiosas na economia da informação. A nova economia que se configura na sociedade é baseada nas pessoas e na informação, esta última sendo a base dos negócios do mundo. É urgente, pois, organizar a informação de uma maneira que possa interessar às pessoas e às instituições. A transformação socioeconômica urgente nesse momento prevê a substituição da tralhada material para a imaterial. Assim, o mundo sai gradativamente de uma economia baseada em coisas tangíveis para outra versão baseada em coisas intangíveis, por exemplo, o conhecimento, seja numa grande indústria, na prestação de serviços ou no comércio. Quanto mais conhecimento agregado ao produto entregue ou ao serviço prestado, melhores os resultados obtidos pelas organizações. Vale destacar que conhecimento não é o mesmo que informação. Informações são dados brutos que podem ser armazenados em livros ou em computadores, por exemplo. Esses dados estão organizados dentro de uma lógica, de um código, de uma 125


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estrutura determinada. Exemplificando: uma biblioteca está sempre abarrotada de informação que precisa ser assimilada por um ser humano e então transformar-se em conhecimento que é, na verdade, a integração da informação no referencial humano. Assim, a informação só se torna conhecimento quando é apropriada em um paradigma e se torna significativa para as pessoas. Ao contrário, o conhecimento não se transfere, mas se cria, se constrói, ou seja, só existe na cabeça das pessoas, o que deixa claro a importância do valor humano na nova economia. Ora, se o que mais vale na sociedade atual é o conhecimento que, por sua vez, só pode ser encontrado, processado ou adquirido pelas pessoas, estas então representam o maior valor da economia moderna. Essa é a grande e genial transformação trazida pelo novo milênio, vez que promove o resgate do ser humano ao centro do processo das organizações. Finalmente, após 6.000 anos de civilizações, a sociedade pós-moderna aponta para a possibilidade de se remodelar a economia na qual o ser humano era valorizado pela força de trabalho manual, uma mera mão-de-obra subordinada ao trabalho rural, ao apito das fábricas, a jornadas de trabalho de 10 horas por dia, muitas vezes em condições de periculosidade e insalubridade, enfim, sem direito algum. O mundo das novas tecnologias de informação é caracterizado por atributos como interatividade, mobilidade, convertibilidade, interconectividade, globalização e velocidade. No início do século XXI, a humanidade vive mudanças significativas de valores. Em breve, não haverá mais o conceito que vinga até agora de produtos nacionais, tecnologias nacionais, empresas nacionais, economias nacionais ou indústrias nacionais. O que de verdadeiramente nacional deverá persistir é o povo, constituído por seus cidadãos. A capacitação e o discernimento de cada cidadão serão os principais recursos de cada nação, cuja importância será determinada pelo valor potencial daquilo que as competências e habilidades dos cidadãos podem acrescentar à economia global. A economia global da informação instala a era do capitalismo cultural, da economia imaterial, da sociedade de espetáculo e do sonho. Informação é hoje o produto mais vendido o tempo todo: maneiras de pensar, sentir e agir, de perceber, de morar e de vestir. Todos os homens do planeta consomem algo mais que bens. São comercializadas formas de vida, mesmo nos estratos mais carentes da população. Através dos fluxos de imagem, de conceitos, de conhecimento e de serviços, o homem consome maneiras de viver, sentidos de vida, toneladas de subjetividade. 126


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

Dos trabalhadores, são compradas todas as dimensões subjetivas antes relegadas aos planos artísticos e pessoais, tais como a inteligência, a imaginação, a criatividade, a conectividade e a afetividade. A nova economia requer do trabalhador, além da sua força criativa, a capacidade inventiva. De fato, o corpo, o psiquismo, a linguagem, a comunicação, a vida onírica são a força de trabalho do homem na economia da informação, aqui denominada cérebro-criação, numa alusão ao capital do trabalhador na velha economia, a mão-de-obra. Na economia atual, o cérebro-criação constitui a principal fonte do valor do homem trabalhador, tendo em vista que essa força deixou de ser privilégio dos grandes gênios ou artistas e monopólio da indústria ou da ciência, para ser o capital do homem comum. A importância do cérebro-criação na rede social torna-se vetor de valorização do trabalhador, posto que transforma a vida em capital, sendo tênue a fronteira de valores entre um e outro. Na nova economia, a vida é extorquida e sequestrada, investida e intensificada, reformatada e revendida a ela própria. Na economia intangível, afetiva, a subjetividade não é efeito ou superestrutura etérea, mas força viva, quantidade econômica, social e política. A criatividade é único produto de todo o circuito econômico, da produção ao consumo. A economia imaterial compra, produz, processa e vende sonhos, informação, imagens, serviços e inovação, não se baseando na força física, no trabalho mecânico ou automatismo impensante. Cada inovação, por menor que seja, ao se difundir e ser imitada, torna-se de domínio social, podendo assim ensejar outras invenções e novas imitações, associações e formas de cooperação. Assim, todos e qualquer um, e não apenas os trabalhadores inseridos na economia formal, detêm a força de invenção. Em certos segmentos da economia, como o da tecnologia digital, a produção de riqueza emana diretamente da inovação radical. Em todos os segmentos econômicos, inovação tornou-se um conceito universal, indispensável à gestão, distribuição, marketing e design, saindo do gueto da tecnologia para ser o ingrediente vital para a sobrevivência e crescimento dos profissionais, organizações e comunidades. Hoje, não é o grande que come o pequeno, mas o rápido que come o lento. Na dinâmica social da geração e gestão do conhecimento, o profissional autônomo ou os funcionários das empresas, do presidente aos mais simples zelador, todos têm que ser muito criativos. Esse é o objetivo: muitas ideias na ponta, o mais 127


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próximo possível do consumidor. Todo o poder tem que estar onde o povo está. Fica fácil de ver por que as organizações que alcançam o sucesso na nova economia são aquelas que colocam as pessoas em primeiro lugar. De uma maneira geral, as empresas que colocam o patrimônio físico e financeiro em primeiro lugar estão fadadas à falência. Não erram um centavo na contabilidade, entretanto erram no trato com as pessoas. A nova economia é imperativa no sentido de que as organizações não podem cometer esse tipo de erro. Como exemplo da força da informação na economia, pode ser citado um supermercado bem administrado, que negocia bens materiais e que tem margem de lucro da ordem de 2%, enquanto a margem de lucro na venda de um programa de computador, produto composto essencialmente de informação e conhecimento, é da ordem de 30%. Assim, fica claro que, quanto mais conhecimento agregado ao produto, maior o lucro para quem o negocia. Observe-se outro exemplo: uma senhora empreendedora compra um tecido e, manualmente, o alveja, pinta nele uma rosa e vai vender o seu produto na feira perto de casa. Se for contabilizar o valor auferido com a venda, o custo da matéria prima e as horas trabalhadas, pode-se chegar à conclusão de que o lucro final obtido foi irrisório ou nulo. Enquanto isso, num shopping, uma pochete pequenina, feita com um pedaço de couro mais parecido com retalho, é vendida por centenas de reais. O que poderia justificar esse preço tão elevado? A resposta certamente não é matéria-prima, nem mão-de-obra. A resposta é grife, composta de ideia ou conhecimento, os produtos mais valiosos da nova economia. A pochete foi fabricada possivelmente pela Louis Vitton ou alguma outra marca de renome. Com o valor subjetivo da grife, que é intangível, agregado ao produto manufaturado, o lucro da empresa fabricante é exponencialmente maior. Como demonstração do poder do conhecimento e da comunicação na sociedade, observa-se que a lista das pessoas mais ricas do mundo, donas de bilhões de dólares cada uma, publicada pela Revista Forbes (www.forbes.com) em 2010, é composta principalmente por quem trabalha com informação. No topo da lista, está o mexicano do setor de telecomunicações, Carlos Slim Helu, com US$ 53,5 bilhões. Em segundo lugar, aparece o Sr. Bill Gates, da Microsoft, com patrimônio de US$ 53 bilhões, seguido pelo investidor Warren Buffett, com US$ 47 bilhões. Merece destaque a presença em 8º lugar do empresário brasileiro Eike Batista, que atua principalmente nos setores de mineração e logística. 128


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

Uma demonstração da importância do intangível é que, nas maiores organizações do mundo, a maior parte do valor comercial da empresa não se constitui de patrimônio físico. Observe-se aqui, por exemplo, o balanço patrimonial da Microsoft, constituído praticamente de bens intangíveis, ou seja, de conhecimento.

Empresas do conhecimento Para fazer frente ao exigente mercado consumidor, as organizações, sejam industriais, comerciais ou de serviços, que se proponham a ter uma posição de destaque no competitivo mercado globalizado, estabelecem estratégias e objetivos claros de desempenho que atendam às expectativas dos stakeholders ou grupos de interesse aos quais está associada. Os stakeholders ou grupos de interesses associados às empresas apresentados na Figura 8.1 são: sociedade, consumidores, colaboradores, acionistas e fornecedores.

Figura 8.1 - Grupos de interesse de uma empresa do conhecimento

As empresas preocupadas em estabelecer objetivos estratégicos amplos aplicados a grupos de interesse podem estabelecer os seguintes valores como parâmetros. ►►Para a sociedade: aumentar o nível de emprego, aumentar o bem-estar da comu129


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nidade, produzir produtos sustentáveis e garantir um meio ambiente limpo. ►►Para consumidores: especificação apropriada de produto ou serviço, qualidade consistente, entrega rápida e confiável, flexibilidade e custo acessível. ►►Para colaboradores: manutenção do emprego, pagamento justo, boas condições de trabalho e desenvolvimento de pessoal. ►►Para acionistas: valores éticos e retorno sobre o investimento. ►►Para fornecedores: continuidade e ampliação da capacidade dos negócios e fornecimento de informações transparentes. Os objetivos amplos que as organizações perseguem para satisfazer os grupos de interesses formam todo o pano de fundo para o processo decisório estratégico. Entretanto, em nível operacional, é necessário um conjunto de objetivos mais bem definidos, que se resumem em cinco, todos relacionados ao desempenho básico, aplicaveis a qualquer tipo de operação produtiva de bens e/ou serviços, também utilizados como parâmetros de desempenho pessoal, quais sejam: qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custo, assim detalhados: ►►Vantagem de qualidade: fazer certo as coisas e fornecer bens e serviços isentos de erros, de modo a obter a satisfação dos consumidores. ►►Vantagem de rapidez: minimizar o tempo entre o pedido do consumidor e o pronto atendimento. A rapidez possibilita o aumento da disponibilidade de bens e serviços. ►►Vantagem de confiabilidade: fazer as coisas em tempo hábil, de acordo com os compromissos assumidos com os consumidores. ►►Vantagem de flexibilidade: estar preparado para mudar o que faz, isto é, estar em condições de adaptar atividades para enfrentar circunstâncias inesperadas ou dar aos consumidores um tratamento individualizado, por meio da ampla variedade de bens e serviços, atingindo assim um número maior de consumidores. ►►Vantagem de custo: produzir bens e serviços que possibilitem fixar preços apropriados ao mercado e ainda permitir retorno para a organização.

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capítulo

9

A economia da informação

“A revolução da informação representa uma nítida transferência de poder de quem detém o capital para quem detém o conhecimento.” Peter Drucker

O século XXI promete ser a era da economia da informação e da sociedade do conhecimento. Os avanços da microinformática e das telecomunicações, com a disseminação da Internet, reiteram a importância da matéria-prima informação, que é para a sociedade do conhecimento o que o minério de ferro é para o setor industrial e a terra para a agricultura. A informação é o recurso que, quando transformado em conhecimento, interfere diretamente na obtenção de algum resultado prático. O processo de transformação de informação em conhecimento é chamado de aprendizagem. Portanto, o desafio de quem administra e negocia a informação é disseminá-la de uma maneira que gere muito conhecimento, a partir de um método eficaz de ensino-aprendizagem.

Propriedades da informação A matéria-prima informação possui algumas propriedades, assim descritas:

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Partilhamento A informação não vale nada se não for compartilhada. É um engano considerar que informação se comporta na economia do intangível como a matéria se comportava na velha economia do tangível. No paradigma antigo, se alguém possui um bem material, uma barra de ouro por exemplo, esta lhe pertence e vale um bom dinheiro, devendo ser muito bem guardada. Se o dono da barra de ouro reparti-la e distribuí-la, acabará sem nada. Portanto, o proprietário de bens materiais tem mesmo que preservar o seu patrimônio. Na velha economia, ao comercializar um bem físico, ou seja, um produto tangível, o negociador se desfaz definitivamente do bem: o comprador fica com o objeto negociado e o fornecedor fica com o dinheiro. Na nova economia, as coisas são diferentes. Quando alguém detém uma informação e não a repassa, esta nenhum valor tem. Ninguém leva vantagem em aprisionar uma informação, cujo valor, segundo sua natureza, aumenta tão-só por meio da partilha. Por exemplo, imagine um jornalista que tem um furo de reportagem e pensa – não vou contar pra ninguém. Está perdido! A matéria-prima existe, mas não tem valor nenhum porque a informação não foi compartilhada. E ainda mais, quanto mais se compartilha a informação, mais se adquire e se lucra. Assim, a Microsoft negocia os programas de computadores, no entanto permanece com eles. Parece mágica! O comerciante vende um produto e permanece com ele. É por isso que o Sr. Bill Gates, proprietário da Microsoft, é o homem mais rico do mundo.

Difusibilidade Outra propriedade da informação é que ela é difusa, ou seja, espalha-se largamente, não sendo possível segurá-la. Diante dessa característica, fica evidente que não há cabimento para a presunção de propriedade sobre qualquer informação, ou seja, não existe dono de informação nenhuma no mundo. Admita-se que o profissional competente fale tudo o que sabe, escrevendo um livro, sem atentar para a omissão do “pulo do gato”. Se assim o fizer, é porque está seguro quanto à própria competência. Os neocapitalistas já sabem disso e não se preocupam em deter informações, mas sim em ganhar dinheiro de outras formas. Ainda assim, há algumas instituições que querem impor sobre a nova economia regras que são reconhecidamente ultrapassadas. Para tanto, tentam impor uma adapta132


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ção da legislação de produtos tangíveis, de modo que a informação, que é intangível, tenha dono. Na verdade, enquanto a informação for analógica ainda poderá haver dono, entretanto, no momento que for digitalizada, fica mais difícil retê-la, vez que se tornará inexoravelmente patrimônio da humanidade, bem de domínio público.

Mensurabilidade A informação é um bem intangível, no entanto, mensurável. A sua unidade de medida é o byte. Assim como a água é medida em litro e o açúcar em grama, os dados de um computador são medidos em byte, que corresponde a um caractere. Como o byte é uma medida muito pequena, na informática são utilizados prefixos, tais como k (103) para o kilobyte [kB]; M (106) para o megabyte [MB]; e o G(109) para o gigabyte [GB].

Sinergia Outra característica da informação é que ela é sinérgica, ou seja, duas informações podem gerar uma terceira, distinta, mais complexa e sofisticada que as originais. Portanto, é dessa forma que ocorre a ampliação do manancial de informações disponíveis, que potencializam as ações pela associação de conhecimentos diferentes, reiterando o axioma: “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Substituição A informação substitui dinheiro e trabalho. Em uma operação com cartão de crédito não se movimenta dinheiro propriamente, movimenta-se informação. Fica a dúvida de que a enorme quantidade de valores monetários movimentados em operações financeiras digitais possa existir de fato. Provavelmente, não haja nem lastro para toda essa quantidade de dinheiro movimentado em meios digitais. Como exemplo da capacidade substituidora do trabalho pela informação, tem-se o desenvolvimento da robótica, que substitui a energia humana no trabalho. As novas tecnologias de informação tornam desnecessário ou supérfluo os trabalhos humanos, braçal e executivo, substituídos satisfatoriamente pela automação comercial, industrial e de serviços. A lógica da racionalização faz substituir por inteiro postos 133


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de trabalhos anteriormente existentes na construção, na produção, no marketing, no armazenamento, na venda e mesmo na gestão de sistemas produtivos. Fica fácil perceber que cada vez mais o trabalho humano braçal é substituído por máquinas e ferramentas. Igualmente, cada vez mais o trabalho humano intelectual executivo é realizado por computadores e máquinas automatizadas. Ainda assim, cada vez mais, e sempre, o trabalho intelectual criativo é atribuição do ser humano.

Redutibilidade Outra característica do produto informação é que ele pode ser sintetizado, ou seja, dados podem ser reduzidos e compactados, ocupando espaços menores. Um exemplo típico é o de serviços oferecidos por programas de computador tais como o winzip, cuja função é a de reduzir o espaço ocupado por informações digitais.

O perfil do consumidor na era do intangível Na nova economia, os produtos têm que ter design e o atendimento tem que ser show. Vive-se uma economia baseada em ideias. Muitas vezes, o consumidor compra o que há de subjetivo no bem de consumo. Essa nova economia é gerada por um novo cidadão, um outro tipo de pessoa, completamente diferente dos antepassados, um sujeito mais sofisticado, cheio de desejos e atitudes. Noutros tempos, o consumidor se satisfazia com produtos que atendiam as suas necessidades básicas e objetivas. Hoje, o atendimento às necessidades do novo cidadão tornou-se mais complexo em virtude do seu nível de exigência ser bem maior. O novo cidadão quer produtos que tenham serviços agregados. E serviço é sentimento, algo intangível, de valor subjetivo, cuja qualidade será medida pela percepção pessoal do consumidor. Tem-se, como exemplo, o antigo hóspede de um hotel, a quem bastava que fosse oferecido um bom quarto, com cama limpa e banheiro asseado. Quando o novo cidadão vai a um hotel, além de um bom quarto, de cama limpinha e banheiro asseado, ele exige uma série de serviços agregados, por exemplo, frigobar, televisão com controle remoto e TV a cabo. E quanto mais jovem e bem informado, mais exigente é o consumidor. Assim, quando um adolescente vai a um hotel, além dos serviços básicos e agregados citados acima, ele faz questão de que 134


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no hotel haja ambientes de entretenimento, tais como parque temático, quadras esportivas, boates, etc. O novo cidadão compra sonhos, o memorável, o intangível. Fica claro então que as organizações que se restringem a atender simplesmente as necessidades básicas e objetivas dos clientes serão facilmente expurgadas, permanecendo no mercado as organizações que destacadamente oferecem diferenciais em serviços aos consumidores. O novo cidadão é esperto e bem informado, cada vez mais difícil de ser enganado, portanto, mais exigente, seletivo e racional. O novo consumidor é um cliente especial, sempre preocupado com a qualidade, mesmo que às vezes tenha que pagar mais por ela. Tem grande necessidade de se sentir diferenciado e rejeita o tratamento massificado, sendo ainda muito crítico em relação à propaganda. É consumista por excelência a ponto de não saber onde anda o presente que ganhou na última data festiva. Antigamente, os filhos eram presenteados, quando muito, na páscoa, aniversário, dia das crianças e Natal. Hoje, praticamente todos os dias, as crianças acham que devem ganhar uma lembrancinha, por mais simples que seja. É o novo cidadão mobilizando a nova economia com hábitos de consumo em grande escala. Trata-se de um sujeito não muito apegado às coisas materiais, que já nasceu com modelo mental integrado às características do novo milênio, ou seja, que valoriza o subjetivo, o intangível, o espiritual. Possui modelo mental que coloca as atividades práticas antes da teoria. Isso porque não gosta de perder tempo com teorias que mudam muito depressa. Assim, ele pega um equipamento de tecnologia moderna e, sem qualquer consulta ao manual de instruções, faz o aparelho funcionar, até mesmo nas funções mais sofisticadas. Entretanto, se o pai pega o mesmo equipamento e tenta empregar o mesmo procedimento do filho, certamente não terá êxito na sua tentativa. Ainda que leia o manual, terá dificuldade em assimilar as novas tecnologias. Isso se deve às distinções entre os modelos mentais do velho cidadão, o pai, e do novo cidadão, o filho, este já portador de um modelo mental programado para a cibercultura. O novo cidadão só compra ideias, não compra mais o produto em si, o que faz a nova economia ser baseada em grife, seja qual for a classe social. Essa é uma característica da nova economia. Todo mundo quer consumir a grife, o efêmero, o intangível. O consumidor não compra um refresco, mas juventude e beleza; não compra suco de 135


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frutas, mas saúde; não compra um carro, mas prestígio, potência e aventura. Até os mais pobres são extremamente ligados em marcas e só não compram esses produtos porque não podem. Dessa forma, sustentam a indústria da pirataria, que movimenta milhões de dólares pelo mundo afora, seja na comercialização de CDs, DVDs, calças, bolsas, camisas, etc. Vale lembrar que esse novo cidadão consumista é fruto da educação dos pais, com forte influência da sociedade como um todo. Alguns pais consideram que foi a televisão ou a mídia que educou seu filho para ser um consumista. Pode até ter sido. Então, cabe a pergunta: por que repassou à TV a tarefa de educar o filho? O perfil do novo cidadão é de jovem, não importando a idade real que tenha. Assim, seja qual for a idade do consumidor, ele tem aparência saudável, pratica esporte, alimenta-se e dorme bem, participa frequentemente de eventos sociais, etc. Tem controle emocional e, se precisar, faz cirurgia plástica, lipoaspiração ou qualquer técnica de rejuvenescimento, numa busca constante de atualização. O cidadão é fashion, ou seja, está sempre na moda e, a cada dia, segue uma nova tendência, estando sempre aberto às novidades. O cidadão também é techno, isto é, gosta de produtos que tenham dispositivos tecnológicos: botões, displays, luzes, etc. Defende-se aqui que o consumismo não é um mal em si. Veja-se o exemplo do milagre econômico americano, que tanto gera emprego e renda para a sua população. Quando o computador do americano dá um problema, ele o troca por um novo; se o sofá rasgar um pouco, ele o coloca na rua para um latino passar e levar. Este acha que é muito esperto, que pegou um sofá novinho. Dessa forma, através do consumo de massa é que o americano acelera a economia do país de forma espetacular. Em virtude de os jovens demonstrarem grande capacidade de inovação e de apresentarem soluções novas e criativas, imprescindíveis à atual dinâmica social, fica fácil perceber que, na maioria das circunstâncias, eles apresentam as melhores alternativas para os problemas. Através do jovem, a vida brota e se renova com mais vitalidade e sabedoria a cada geração. Na nova economia, vale a máxima: problemas antigos, soluções novas; problemas novos, soluções criativas. Outras excelentes referências para o novo milênio são as crianças e as mulheres. As crianças veem o mundo de forma ampla, geral e irrestrita. Não raro, demonstram possuir inúmeros canais de captação do mundo externo, necessidade indispensável 136


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para a boa adaptação ao mundo globalizado. Sua capacidade de concentração é múltipla. Por exemplo, sem nenhum comprometimento com o desempenho em qualquer das atividades, ficam à frente do computador, com a televisão ligada ao fundo, e ainda prestam atenção à conversa das pessoas em seu redor, emitindo opinião quando com elas não concordam. Nesse mesmo tempo, ainda ficam com um pé brincando com o cachorro, naturalmente, deixando o outro no estabilizador de tensão do computador, talvez por ser quentinho e agradável.

A era feminina Com a supremacia do intangível, percebe-se que o mundo globalizado tem características femininas em sua essência. Pode-se afirmar que ocorre nos tempos atuais uma adaptação da atitude, do comportamento, da personalidade e do temperamento feminino à realidade socioeconômica e cultural. A busca da realização pessoal e a necessidade de produzir e contribuir para o bem-estar da coletividade permitem que as mulheres agreguem à sociedade as habilidades como a motivação, capacidade de trabalhar em grupo, administrar conflitos e lidar com recursos escassos. Na era da globalização, sobressaem com melhor desempenho e competitividade as pessoas e organizações que observarem de forma ampla os processos e sistemas nos quais estão inseridos, uma das características do espírito feminino. Para citar um exemplo, de forma geral, pode-se dizer que, quando uma mulher observa um homem, ela o faz de forma integral: dá uma olhada no indivíduo dos pés à cabeça. Já o homem, por ter natureza mais objetiva, observa as mulheres de forma focada: só olha uma parte do corpo, aquela que mais o atrai. Comportamento semelhante ocorre no estilo de gestão das organizações: geralmente a mulher, independente do cargo que ocupa, tem visão ampla dos diversos setores da empresa: produção, recursos humanos, marketing, engenharia, finanças, contabilidade, etc. O homem, em geral, tem uma visão mais restrita às funções que exerce, tendendo a ficar um pouco mais alienado do processo como um todo. O novo milênio, marcado pelo dinamismo e pela baixa previsibilidade, requer mais o uso da intuição, outra características mais presente nas mulheres. Talvez seja por isso que as mulheres estão conquistando espaços antes de domínio exclusivo 137


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dos homens, conforme demonstram pesquisas publicadas. Dados divulgados pela Fundação Seade/Dieese no primeiro trimestre de 2010 indicam que, no Brasil, a participação feminina no mercado de trabalho aumentou de 52,7% em 2000 para 55,9% em 2009. Por outro lado, apesar da redução da taxa geral de desemprego por seis anos consecutivos, entre os homens o desemprego aumentou de 10,7% para 11,6%. A pesquisa revela ainda que o crescimento do emprego formal ocorreu de forma mais acentuada entre as mulheres (4,9%) que para os homens (2,5%). Apesar dos ganhos observados, a pesquisa verificou que houve redução dos salários das mulheres e que as trabalhadoras negras continuam recebendo menos do que as não negras em todos os setores da economia. Mesmo com o expressivo crescimento da participação da mulher no mercado de trabalho, há ainda diferenças de salários pagos para homens e mulheres. Divulgada em 2010, pesquisa do IPEA - Instituto de Pesquisas Aplicadas (www.ipea.gov. br) constatou que, de 2002 a 2008, diminuiu em 2,9% a desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil. Apesar da diminuição da diferença salarial, em média elas ganham R$ 700,88, enquanto eles ganham R$ 1.070,07. Os números mostram que o progresso da mulher é contínuo no mundo corporativo e que deve continuar assim. O crescimento da participação feminina é explicado por uma combinação de fatores econômicos e culturais, cada vez mais evidentes. O avanço feminino pode ser explicado pelo fato de as mulheres oferecerem aos empresários algumas vantagens empregatícias e apresentarem desempenho semelhante ou até melhor que os homens. Além disso, aceitam postos de trabalhos pesados como forma de garantir a sobrevivência própria e da família e, sobretudo, porque as taxas de desemprego feminino são significativamente maiores do que as do contingente masculino.

O mercado consumidor feminino As mulheres são, de fato, a grande força do mercado consumidor. Com dinheiro no bolso e disposição para gastar, elas formam o grupo consumidor mais poderoso da atualidade. Gostam de olhar vitrines de roupas, de decorar a casa com flores, de servir um prato gostoso no jantar, além de serem as grandes consumidoras de cosméticos, joias, roupas e eletrodomésticos. Elas também compram ou 138


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decidem a compra de computadores, de planos de previdência privada, seguro de vida e bens de consumo duráveis, como veículos. Com tudo isso, o fato é que as decisões de compra dos produtos de consumo diário são predominantemente das mulheres, pois elas têm uma habilidade maior para escolher e decidir o que é melhor. Por exemplo, em uma década, a participação do público feminino nas compras diretas de carros novos saltou de 25% para 42%, segundo cálculo das montadoras. Isso se deve ao poder aquisitivo das mulheres, que hoje ocupam cargos importantes em grandes empresas. Pesquisa feita por Marie Suzuki Fujisawa, docente da USP - Universidade de São Paulo e autora do livro “Das Amélias às mulheres multifuncionais”, constatou a participação das mulheres na decisão do consumo em mercado como mobiliário doméstico (94%), pacotes turísticos (92%), planos de saúde (88%); remédios (58%) e carros novos (42%). E como consumidoras, as mulheres têm comportamento singular. São atenciosas, exigentes e procuram saber o máximo de informações sobre os produtos antes de comprálos. E, mesmo em tempos de crise, o preço não é o que importa na hora de decidir a compra. Para a maioria das consumidoras, o fundamental é a qualidade do produto. Outra característica do comportamento da mulher como consumidora é a fidelidade às marcas. Se gostarem do produto que compram, não pensam duas vezes em repetir a aquisição, mesmo quando o concorrente oferece um produto mais barato. Com todas as dificuldades que enfrentam, as mulheres amadurecem mais cedo que os homens. Em sua maioria, pelas necessidades, são mais preparadas para o consumo e competitivas para o mercado de trabalho. Talvez porque, desde novas, têm consciência da importância do crescimento pessoal como forma de conquistar a melhoria profissional e o reconhecimento social.

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Parte trĂŞs


Crescimento pessoal, melhoria profissional e reconhecimento social “É possível sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo, mas é necessário ter pessoas para transformar o sonho em realidade”. Walt Disney

No caminho decidido das conquistas, vale a pergunta: Estou atento à natureza pessoal e intransferível de minhas realizações? O mundo valoriza gente com a cabeça no lugar, de conteúdo interno, idealismo nos olhos e os dois pés no chão da realidade. O homem é um ser em evolução, eterno aprendiz e vive para usufruir e desvendar os mistérios da existência. Quanto mais favoráveis as condições para enfrentar os desafios, mais chances de sucesso e de usufruto da complexa condição humana. A evolução humana se estabelece pela crescente satisfação pessoal, marcante atuação produtiva no mercado de trabalho e conquista de status social. Tudo isso é impulsionado pelo cultivo da saúde física, disposição para enfrentar desafios, disciplina emocional e disponibilidade financeira. Numa batalha sem fim, os maiores objetivos de conquista humana são a continuidade de crescimento pessoal, melhoria profissional e reconhecimento social. O primeiro passo para o alcance do crescimento, da melhoria e do reconhecimento está no entendimento das leis que regem as relações naturais, pessoais, profissionais e sociais. A percepção e a adoção de relacionamentos afetivos profundos e significativos, no trabalho, na sociedade e com a natureza como um todo são atitudes bastante saluta143


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res. Assumir que todos são companheiros de uma viagem cósmica, requer educação, atividades profissionais e redes sociais que privilegiam, além de habilidades técnicas, o desenvolvimento de qualidades que sejam favoráveis a que as pessoas aprendam continuamente e enfrentem naturalmente as constantes mudanças.

Crescimento pessoal “Crescimento pessoal se refere a tudo que é feito com cuidado e honestidade”. Tsai Chih Chung Entende-se por crescimento pessoal o permanente aperfeiçoamento de qualidades individuais desenvolvidas pelos sujeitos para enfrentarem futuras alterações tanto no conteúdo de seu trabalho quanto em seu perfil de desempenho, centradas na capacidade de pronta adaptação do cidadão às mudanças sociais que ocorrem de forma permanente. A seguir, enumeram-se algumas delas: 1. Organização e execução do trabalho - autossuficiência, capacidade de autoavaliação e de planejamento, coordenação, determinação, precisão, racionalização e zelo. 2. Comunicação interpessoal - cooperação, empatia, imparcialidade, integração, liderança emergencial, manutenção do diálogo, objetividade da argumentação, participação e receptividade. 3. Autodesenvolvimento - capacidade de pesquisa, de resolução de problemas e de transferência, expressão oral e escrita, generalização, leitura e interpretação de desenhos e gráficos, leitura e interpretação de textos, prontidão para aprender e utilizar técnicas de aprendizagem. 4. Autonomia e responsabilidade - consciência de qualidade e de segurança, disciplina, envolvimento, iniciativa, julgamento e reconhecimento das próprias limitações. 5. Resistência à pressão - atenção, capacidade de concentração, compensação de posturas físicas, flexibilidade, perseverança e prontidão para servir.

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Em resumo o crescimento pessoal diz respeito à superação do próprio desempenho em atividades que se reconheça o sujeito como indivíduo, tais como atenção, autossuficiência e determinação.

Melhoria profissional “A máquina pode fazer a tarefa de 50 homens comuns. Máquina nenhuma é capaz de fazer o trabalho de um homem extraordinário”. Elbert Hubbard O trabalho humano deve estar voltado para o aperfeiçoamento do indivíduo como pessoa e profissional, integrando-o à sociedade. É preciso o entendimento de questões pessoais nos sistemas de gestão produtivos das empresas. O bom trabalho deixa o cidadão à vontade em seu meio social e assume o papel de fonte de realização. O mais importante no verdadeiro trabalho humano é em que ele transforma o sujeito: a busca da superação da alienação. A superação da vida quotidiana alienada é obtida pela passagem da execução de atividades individuais realizadas sem reflexão para a execução de atividades coletivas, dotadas de ação reflexiva. A superação da alienação é alcançada pela concentração em determinada tarefa e caracterizada pela modificação da personalidade e da capacidade de generalização. Ao executar determinada atividade, o sujeito deve identificar e superar traços específicos da própria personalidade, na busca do pleno desenvolvimento dos potenciais humanos. Não é possível uma melhoria profissional plena sem que haja o comprometimento da aprendizagem e das necessidades gerais de qualificação. As atividades profissionais de elite são realizadas nos campos da pesquisa, estudo, análise, interpretação, planejamento, implantação, desenvolvimento de programas de trabalho, bem como outros em que estes se desdobrem ou com os quais mantenham correlação. Mesmo sabendo da pouca disponibilidade de empregos de alta tecnologia na economia automatizada do século XXI, a esperança do trabalhador recai sobre a instrução contínua para a obtenção de uma função no setor da elite profissional. 145


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Reconhecimento social A melhor das motivações é simples e um ato de espiritualidade: um elogio. O reconhecimento social diz respeito à excelência de um indivíduo como participante de um grupo, associada à capacidade de integração, liderança e receptividade. O reconhecimento social obtido por uma forte identidade pessoal reflete na autoestima e favorece a autoconfiança do sujeito. A identidade pessoal se expressa, principalmente, pelo grau de escolaridade e profissão exercida pelo cidadão. O desenvolvimento da identidade pessoal está longe de ser imediata e obtida de forma individual. Trata-se, pois, de um longo e árduo processo que co­meça na infância e se prolonga na vida adulta, ininterruptamente, tendo em mente uma sociedade em constantes e rápidas transformações. O reconhecimento social se dá pelo incentivo e pelo elogio. Uma posição ou status social favorável decorre da inserção em redes de exercícios da cidadania – posse de documentos civis, escolaridade, profissão, família, participação em associações, etc. O cidadão integrado socialmente exerce funções em processos de produção econômica, política e cultural; possui bens materiais necessários a sua subsistência e tem o reconhecimento do outro.

Inteligências humanas “Quando a pessoa está sem saúde, a sabedoria não pode se revelar, a arte não pode se manifestar, a força não aparece, a riqueza é inútil e a razão impotente”. Herófilo O objetivo do texto até aqui exposto foi abrir a mente do leitor, apresentando o universo, a Terra, a vida e a história das civilizações humanas de forma ampla, limpa, autêntica e positiva. Individualmente, a busca do crescimento pessoal, da melhoria profissional

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e do reconhecimento social como forma de resgate da própria existência pode ser trilhada pela vivência de conhecimentos teóricos e práticos no desenvolvimento de inteligências. Howard Gardner, em 1985, propôs a Teoria das Múltiplas Inteligências, na qual descreve que a mente humana é multifacetada, existindo várias capacidades distintas que podem receber a denominação de “inteligência”. Gardner apresenta uma alternativa para o conceito de inteligência como capacidade inata, geral e única. Em uma abordagem diferente de Gardner, levando em consideração as dimensões corporal, bioenergética, emotiva e intelectual do homem, aqui se considera particularmente importante para os indivíduos integrados nas sociedades ocidentais urbanizadas o desenvolvimento harmônico das inteligências corporal, bioenergética, emocional e intelectual. A inteligência corporal busca o alcance de uma saúde física vigorosa, a partir do estabelecimento de uma relação saudável e ininterrupta com o corpo; a bioenergética consiste em maior domínio de autodefesas energéticas, percepção de influências das energias dos ambientes, eliminação de vampirismos e maior disposição para enfrentar desafios; a emocional possibilita que se saiba identificar e expressar as próprias emoções e compreender os sentimentos alheios de forma saudável e construtiva; a intelectual representa o mundo do pensamento, da lógica racional e da linguagem trabalhada por associação de ideias. O equilíbrio das posturas físicas, das energias, dos sentimentos e dos pensamentos possibilita o alcance do trinômio motivação-trabalho-lazer, condição que só se faz presente quando o trabalho se torna um tipo especial de lazer, levando a pessoa à motivação e a considerá-lo não apenas como fonte de dinheiro, mas também de satisfação pessoal, profissional e social. O desenvolvimento das inteligências propostas tem como objetivo melhorar a saúde e o autodomínio bioenergético e emocional, além de possibilitar a renovação constante de ideias, criando uma nova perspectiva de percepções das possibilidades da vida humana na Terra. O uso dessas inteligências promove melhor aproveitamento de oportunidades e o alcance de saúde, liberdade, disciplina e dinheiro, nessa ordem o que há de mais importante para a evolução individual e coletiva.

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capítulo

10 Inteligência corporal

Se eu soubesse que eu iria durar tanto tempo, teria tido mais cuidado comigo.

A saúde é, indiscutivelmente, o bem mais precioso na vida humana. Em 2010, segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro é de cerca de 74 anos de idade e ter saúde na idade avançada depende dos cuidados com o corpo ao longo da vida. Assim, a qualidade de vida depois dos 60 ou 70 anos é determinada pelas atividades corporais desenvolvidas pela pessoa durante a existência. Inteligência corporal, conceito pouco difundido, é a capacidade do ser em desenvolver com espontaneidade as habilidades corporais, juntamente com as expressões de sentimentos, energias e ideias. Essa inteligência está muito relacionada à psicomotricidade fina, sendo muito bem avaliada pela habilidade manual em trabalhos minuciosos e detalhados, sendo também muito bem representada pela capacidade de praticar esportes. Na avaliação da inteligência corporal, podem ser investigados os níveis de coordenação motora, capacidade pulmonar, níveis de colesteróis, gordura, destreza física (equilíbrio, flexibilidade, força e velocidade) e a facilidade para a percepção de medidas e volumes. Aqui, é chamada de inteligência corporal a vivência natural de hábitos diários de alimentação saudável, atividades físicas regulares, sono reparador, prática de sexualidade madura e a realização de exames médicos e odontológicos periódicos. 149


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O exercício da inteligência corporal inicia-se por atitudes que NÃO devem fazer parte do dia a dia da pessoa que pretende ser saudável. Segundo Orion Swett Marden, um hábito é como um fio fino e quase invisível. Mas, cada vez que repetimos o mesmo ato, estamos acrescentando mais um fio, até que se torna uma corda espessa que prende nossos pensamentos e ações. Portanto, deve-se ter cuidado com os hábitos cultuados. O primeiro lugar entre os maus hábitos é ocupado pelo uso do cigarro. O tabaco contido em um cigarro produz até 20 gramas de nicotina, substância estimulante do sistema nervoso, que aumenta a pressão arterial e causa dependência química e psicológica, ou seja, vicia. Foram identificadas cerca de 4.000 substâncias no cigarro, das quais, 63 são causadoras potenciais de câncer, merecendo destaque as nitrosaminas e a amônia. O tabagismo está diretamente associado à incidência de câncer de boca, laringe, esôfago e pulmão, sendo também as doenças cardiovasculares 2 a 4 vezes mais frequentes nos fumantes. Essas doenças em conjunto causam milhares de óbitos todos os anos, levando sofrimento e tristeza às famílias envolvidas e elevando enormemente os custos dos sistemas de saúde público e privado. Outro mau hábito socialmente aceito e até estimulado é o consumo excessivo de bebida alcoólica. O álcool, ainda que legal, é uma droga depressora do sistema nervoso central. O alcoolismo é um dos maiores problemas de saúde em vários países, incluindo o Brasil, onde o consumo per capita do álcool é maior que o do leite. Ingerido na forma de bebida, o álcool penetra no organismo através da boca, passando pelo esôfago, estômago, intestino, fígado, coração, circulação sanguínea e cérebro, deixando em sua trajetória um rastro de destruição. Em sua maior parte é absorvido pela mucosa do estômago, onde exerce ação irritante e inflamatória. As bebidas fortes ou fracas, sem nenhuma exceção, são prejudiciais. Quando ingerido em excesso, o álcool causa males que variam de acordo com a quantidade e o tempo de uso. O usuário dependente, que bebe compulsivamente, está sujeito a doenças tais como a impotência sexual, gastrite, pancreatite, polineurite, cirrose hepática e câncer. Todavia, é importante distinguir o bebedor social do bebedor dependente. O bebedor social bebe moderadamente, caso em que os males provocados pelo álcool são praticamente desprezíveis. Nesse tocante, vale a regra: Não beba e, se o fizer, faça-o com moderação.

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Alimentação saudável Aqueles fortes ventos que batem firme não são realmente inimigos. Eles ajudam você a integrar-se. Parece até que vão desenraizá-lo, mas ao lutar com eles, você se enraíza. A boa alimentação é a primeira conduta para atingir uma vida mais saudável. O objetivo de uma dieta adequada é obter e manter a composição corpórea desejada e uma grande capacidade para o trabalho físico e mental. Uma dieta com menos gordura animal, colesterol e calorias e mais rica em verduras, legumes e fibras também pode atenuar o aparecimento da arteriosclerose e das doenças coronárias. As necessidades diárias de nutrientes essenciais variam de 1.600 a mais de 2.400 calorias por dia, dependendo da idade, do sexo, da altura, do peso e das atividades metabólica e física do indivíduo. A ingestão de alimentos considerada saudável é composta por dieta balanceada rica em proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, minerais, além das vitaminas. Para isso, é necessária uma dieta variada, que tenha todos os tipos de alimentos, sem abusos e também sem exclusões. A composição alimentar de uma refeição deve incluir 50 a 60% de carboidratos, 25 a 30% de gorduras e 10 a 15% de proteínas, não esquecendo os complementos alimentares, compostos de fibras, vitaminas e sais minerais. Os carboidratos, fontes de energia, são divididos em carboidratos simples (açúcares, mel, doces) e carboidratos complexos (massas, arroz, pães, cereais). As fibras, carboidratos não digeridos pelo nosso organismo que podem melhorar o hábito intestinal, são encontradas nos grãos, vegetais e frutas. As gorduras fornecem calorias e ajudam o corpo a absorver algumas vitaminas como A, E, D e K. Podem ser saturadas (encontradas nos produtos de origem animal e óleo de coco) e insaturadas (encontradas em produtos de origem vegetal). As proteínas, um dos principais componentes das células, são necessárias para a manutenção, crescimento e reconstrução dos tecidos e encontradas em peixes, aves, carnes, ovos, leite e feijão. As vitaminas, assim como os minerais, regulam o metabolismo orgânico e são encontradas principalmente nas frutas, verduras e legumes. 151


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Para seguir uma alimentação mais saudável, o ideal é comer devagar e mastigar bem os alimentos fazendo 5 a 6 pequenas refeições por dia. Uma boa alimentação é composta de três refeições principais (café da manhã, almoço, jantar) intercaladas com pequenos lanches (frutas ou suco de frutas ou iogurte desnatado) no meio da manhã e no meio da tarde. Na rotina alimentar, vale comer de tudo. O prato típico do brasileiro é um bom exemplo de alimentação balanceada: arroz, feijão, salada crua, verdura cozida (com pouco óleo), um pedaço de carne (de preferência aves e peixes) e fruta na sobremesa. O ideal é variar os tipos de cereais, de carnes, de verduras, de legumes e de frutas, alternando as cores dos alimentos. As vitaminas e sais minerais, complementos alimentares, dão as diversas colorações aos pratos. Para uma alimentação saudável, recomendam-se cuidados especiais com os excessos, principalmente de gorduras, frituras, doces, bebidas alcoólicas, refrigerantes, café e carnes vermelhas. A medicina constata que certos alimentos previnem e até ajudam a curar doenças. Além disso, uma boa dieta pode atrasar o processo de envelhecimento em até vinte anos. No caso de pessoas doentes, obesas ou com tendência familiar a ter problemas de saúde, a visita a um nutricionista é recomendada. A seguir, é apresentada uma lista de dez alimentos que a ciência nutricional já comprovou serem capazes de prevenir doenças. Indica-se também a quantidade ideal de alimento para potencializar os benefícios preventivos a doenças específicas, vez que a dosagem para o combate a doenças ainda não foi identificada pelos pesquisadores. 1. Aveia - Ajuda a diminuir o colesterol ruim, o LDL. Ganhou o selo de redutor do risco de doenças cardíacas da FDA, agência americana de controle de alimentos e remédios. Quantidade recomendada: 40 gramas por dia de farelo ou 60 gramas da farinha. 2. Alho - Reduz a pressão arterial e protege o coração ao diminuir a taxa de colesterol ruim e aumentar os níveis do colesterol bom, o HDL. Pesquisas indicam que pode ajudar na prevenção de tumores malignos. Quantidade recomendada: um dente por dia, para diminuir o colesterol e a pressão arterial. 3. Azeite de oliva - Auxilia na redução do LDL. Sua ingestão no lugar de margarina ou manteiga pode reduzir em até 40% o risco de doenças do coração. Quantidade recomendada: 15 mililitros por dia ou uma colher de sopa rasa. 152


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4. Castanha-do-Pará - Assim como noz, pistache e amêndoa, auxilia na prevenção de problemas cardíacos. Também ganhou o selo de redutora de doenças cardiovasculares da FDA. Quantidade recomendada: 30 gramas por dia ou de cinco a seis unidades. 5. Chá verde - Auxilia na prevenção de tumores malignos. Estudos indicam ainda que pode diminuir as doenças do coração, prevenir pedras nos rins e auxiliar no tratamento da obesidade. Quantidade recomendada: de quatro a seis xícaras por dia para reduzir os riscos de gastrite e câncer no esôfago. 6. Maçã - Ajuda a prevenir tumores malignos. O consumo regular da fruta auxilia na redução de doenças cardíacas e da pressão sanguínea, além de evitar doenças oculares como catarata. Quantidade recomendada: uma fruta por dia. 7. Peixes - As espécies ricas em ômega 3, como a sardinha, o bacalhau e o salmão são poderosos aliados na prevenção de infartos e derrames. Estudos indicam também que reduzem dores de artrite, melhoram a depressão e protegem o cérebro contra doenças como o mal de Alzheimer. Quantidade recomendada: pelo menos 180 gramas por semana, para reduzir o risco de doenças cardiovasculares. 8. Soja - Ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, segundo a FDA. Seu consumo regular pode diminuir os níveis de colesterol ruim em mais de 10%. Há indicações de que também ajuda a amenizar os incômodos da menopausa e a prevenir o câncer de mama e de cólon do útero. Quantidade recomendada: 150 gramas de grão de soja por dia, o equivalente a uma xícara de chá. 9. Tomate - Auxilia na prevenção do câncer de próstata. Quantidade recomendada: um tomate por dia. 10. Uva vermelha - Ajuda a aumentar o colesterol bom e evita o acúmulo de gordura nas artérias, prevenindo doenças do coração. Quantidade recomendada: dois copos de suco de uva por dia ou 100 gramas da fruta.

Atividades físicas regulares “Toda parte do corpo se tornará sadia, bem desenvolvida e com envelhecimento lento se exercitada; no entanto, se não forem exercitadas, tais partes se tornarão suscetíveis a doenças, deficientes no crescimento e envelhecerão precocemente”. Hipócrates 153


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Estudos mostram haver relação direta e favorável entre a atividade física praticada e a saúde, demonstrando que muitas doenças podem ser evitadas ou minimizadas com prática de exercícios regulares. Ao longo da história, a atividade física sempre esteve presente na rotina da humanidade, associada a um estilo de época. Na era das cavernas, o homem movimentava o corpo na caça para a sobrevivência; os gregos se exercitavam em práticas desportivas na busca de um corpo perfeito; os romanos realizavam formação militar através de longas marchas e treinos. Os avanços oferecidos pela ciência e tecnologia provocaram a redução da mortalidade por doenças infecto-contagiosas e o consequente aumento da longevidade. Por outro lado, esses mesmo avanços têm diminuído gradativamente a relação entre as atividades físicas e a rotina diária do homem. O progresso dos meios de transportes e a redução da necessidade de locomoção promovem o sedentarismo e o conseqüente aumento de doenças crônico-degenerativas, favorecendo a perda da qualidade de vida. Dessa forma, urge assumir um compromisso pessoal com a manutenção da própria forma física. Vários fatores contribuíram para o desenvolvimento e a popularização do esporte, como a entrada do rádio nos meados do século XX e, na última metade, as transmissões pela TV. As constantes evoluções das técnicas científicas de suporte como a medicina esportiva, a fisioterapia, a educação física, a psicologia, a tecnologia dos materiais, somadas à formação de profissionais e criação da imprensa esportiva, também fazem do esporte um tema em voga na sociedade. A atividade física estimula a circulação sanguínea e a sexualidade. Ativar de modo regular e periodicamente os músculos em exercícios e trabalhos físicos ajuda a manter o corpo pleno de vitalidade, ou seja, dinamiza a circulação sanguínea, o sistema gastrointestinal e todo o organismo celular ao mesmo tempo em que ativa a capacidade pulmonar, o fôlego, a resistência orgânica e o pensamento, este último determinado pela demanda regular e sadia de afluxos sanguíneos e de oxigênio ao cérebro. A palavra de ordem é movimento. Para tanto, é imprescindível o investimento contínuo em atividades físicas. Uma boa saída é tornar as rotinas diárias mais ativas, tais como descer escadas, sair para dançar, praticar atividades como jardinagem, lavar o carro, passear no parque, namorar, etc. O tipo de atividade ideal a ser praticada depende do estado de saúde, nível 154


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de condicionamento físico, objetivos e afinidades pessoais. É interessante praticar mais de um tipo de atividade, associando-se o trabalho aeróbico de resistência (corrida, natação e bicicleta) ao trabalho anaeróbico de força (musculação), juntamente com o trabalho de flexibilidade (alongamento). Um completo programa de saúde garante um corpo com resistência, força e flexibilidade. Atividades aeróbicas vigorosas durante 30 minutos estimulam a produção de substâncias no cérebro tais como a seretonina e a endorfina, ambas relacionadas ao sono e ao bom humor e ainda capazes de elevar o limiar de dor. As atividades físicas de musculação ideais são feitas com cargas de leves a moderadas. Assim como cargas excessivamente leves não trazem benefícios, cargas muito pesadas podem ser prejudiciais e exigem repouso para regeneração após o esforço. Alongamentos devem ser feitos antes e depois dos exercícios físicos de resistência e musculação, pois mantêm a flexibilidade, preparam o corpo para o movimento e ajudam a realizar a transição da inatividade para a atividade vigorosa, ajudando na prevenção de lesões musculares. Quando se objetiva a promoção da saúde, o importante é a regularidade e persistência no trabalho físico, visto que a adesão a um estilo de vida mais atlético exige progressão gradativa da atividade. A frequência de prática deve ser de pelo menos 3 dias por semana. No caso de menos atividades, corre-se o risco de não haver benefícios fisiológicos.

A invertida sobre a cabeça Há milhares de anos, uma forma ousada, sadia e eficaz de potencializar os efeitos dos exercícios é executar, após a prática desportiva, a posição invertida sobre a cabeça, cujos benefícios nenhum outro tipo de prática desportiva oferece. Denominada shirshasana no yôga e mostrada na Foto 10.1 em prática desse escritor, a posição invertida traz benefícios físicos e mentais. O shirshasana fortalece os sistemas respiratório e circulatório, diminui a circulação sanguínea nas pernas, evitando varizes e o cansaço nessa área. A inversão da ação da força de gravidade, que constantemente puxa para baixo os tecidos e órgãos, possibilita reposicioná-los e dar um descanso aos músculos que os sustentam. 155


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A invertida ativa a hipófise, principal glândula do sistema endócrino que coordena as funções das outras glândulas. Outro grande benefício dessa prática é que faz o sangue correr mais facilmente para a cabeça, alimentando os neurônios e ativando as funções cerebrais: raciocínio, memória, concentração e criatividade. Por fim, a invertida sobre a cabeça permite ver o mundo por um outro ângulo e mudar a percepção que se tem dele. Convém lembrar que, antes de realizar atividades físicas, é imprescindível consultar um médico.

Foto 10.1 - Fábio Campos Morais em prática na posição invertida sobre a cabeça. 156


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Sono reparador Tenha belas noites para ter bons dias. O sono é um processo orgânico vital para o corpo humano. Especialistas dizem que o ser humano precisa, em média, de seis a oito horas de sono por dia para que, além de descanso físico e mental, o corpo realize vários processos metabólicos vitais. Estudos mostram que pessoas privadas de sono perdem o vigor físico e sexual, a resistência a doenças, a atenção e a coordenação motora, além de terem potencializados o mau humor e a agressividade. Os insones trabalham pior, não conseguem desempenhar as atividades cotidianas e podem ter problemas de saúde sérios, que vão da depressão ao diabetes. Para quem estuda, o sono é vital para a fixação de aprendizados. Só o cérebro adormecido fixa as informações recém-chegadas. Durante o sono, as células corporais se regeneram, as glândulas secretam hormônios e a mente se recupera. Os medicamentos hipnóticos e antidepressivos, que induzem o sono, são muito eficientes, mas não podem ser usados continuamente, pois causam tolerância e dependência, sendo recomendada a utilização apenas sob restrita orientação médica. Seguem algumas recomendações para noites de sono com qualidade. Durante o dia: ►►Procurar estabelecer horários para dormir e, principalmente, para acordar. ►►Buscar exposição à luz solar logo após se levantar. Abrir cortinas e janelas e deixar o dia entrar livremente no quarto. ►►Fazer exercícios físicos, de preferência ao ar livre, após se levantar. ►►Evitar álcool, café, chá, chocolate, refrigerante, cigarros em excesso. ►►Evitar longas sonecas diurnas. ►►Reservar o ambiente de dormir somente para dormir. Não assistir à TV, considerando que alguns programas podem alterar o sono e trazer inquietações noturnas, não se alimentar ou trabalhar no quarto. ►►Evitar exercícios físicos intensos próximos da hora de dormir, pois deixam as pessoas mais alertas, dificultando o repouso. 157


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Na hora de dormir: ►►Deitar para dormir entre 9 e 11 horas da noite, sem ver filme poluidor. ►►Escolher um quarto silencioso, escuro e agradável. ►►Tomar banho quente com duração de 15 a 20 minutos, duas horas antes de dormir. ►►Evitar comidas pesadas até uma hora antes de deitar. ►►Antes de deitar, ingerir um lanche leve, de preferência com leite e/ou derivados e carboidratos. ►►Em climas frios, manter os pés bem aquecidos para o ato de dormir. ►►Deitar somente quando estiver sentindo sono ou cansaço. ►►Se não conseguir dormir, levante-se depois de 20 a 30 minutos. Não fique “ferrenhamente” tentando dormir. Procure distrair-se, leia, assista a TV, fora do seu ambiente de dormir. ►►Procurar dormir de 6 a 8 horas por noite. Mais vale a qualidade que a quantidade de sono. ►►Evitar comer, fumar e beber álcool no meio da noite. Essas medidas, por certo, garantirão uma boa noite de sono, daquelas que se costuma desejar aos amigos: com os anjos.

Sexualidade madura O único compromisso do homem nessa vida é tentar ser feliz. O sexo é uma bênção, pois alivia o corpo e a mente. A vida sexual é tão indispensável ao corpo quanto a respiração ou alimentação de sólidos ou líquidos. É uma necessidade fisiológica que precisa ser satisfeita, devendo ser agradável para ambos os parceiros. A prática diária do sexo, em uma sessão de meia hora ou mais, gera bem-estar e reduz as tensões e as carências afetivas.

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Apesar das grandes mudanças tecnológicas e sociais, a maioria das pessoas ainda apresenta questões não resolvidas internamente, respeitantes principalmente ao encontro com o outro e à sexualidade. A construção da sexualidade humana opera-se a partir da cultura social, da escola, da mídia e da educação de pai e mãe. E, para a vivência da sexualidade ativa, é necessário desejar a mudança que tem como premissa a abertura a novas relações. Há que se permitir a chegada do outro, vez que foi para troca que o ser humano nasceu, não esquecendo que, antes de encontrar o outro, o homem precisa encontrar e conhecer a si mesmo. Sem querer reforçar tabus sexuais, aqui se considera sexualidade madura a relação íntima, monogâmica e de vivência diária. A monogamia envolve questões físicas e emocionais e pressupõe a fidelidade, importante até na hora do rompimento de uma relação. Nesse caso, assume a feição de sinceridade que não é outra coisa senão a fidelidade aos próprios sentimentos. O ato de fazer amor de cama e mesa, à mão, disponível a qualquer hora no diaa-dia do casal íntimo, não pode nem se comparar em excelência com a mais sublime afeição tão somente platônica, distante, abstrata e irrealizada do casal incompleto. A experiência vivida aqui-agora está anos-luz à frente das melhores teorias, mesmo as mais avançadas e evoluídas. A educação sexual dá-se através de informações e diálogos reflexivos e críticos. Para a vivência da sexualidade madura, exercida sem riscos de gravidez precoce e indesejada e contaminação com doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, é importante conhecer o funcionamento orgânico do corpo e a atuação dos métodos anticonceptivos. Entre os principais métodos anticonceptivos disponibilizados a custo baixo podem ser destacados: 1. Métodos naturais - Entre os métodos naturais de contracepção, estão a tabelinha, a tomada da temperatura basal, a observação do muco cervical e o coito interrompido. São todos de baixa confiabilidade, principalmente para as mulheres jovens que podem ter o ciclo menstrual alterado por questões emocionais. São métodos comportamentais que buscam encontrar, através de cálculos, o início e o fim do período fértil, geralmente entre o nono e o vigésimo primeiro dia após a menstruação, 159


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quando deve ser praticada a abstinência sexual. Características: exige a colaboração de ambos os parceiros, tem índice de falha alto, não interfere no sistema hormonal, tem baixo custo e pode interferir na dinâmica da relação sexual. 2. Preservativo masculino - Mais conhecido como camisinha, o preservativo masculino é uma bainha de látex que se coloca sobre o pênis ereto antes da relação sexual, ajudando a impedir que o esperma entre na vagina. O preservativo é descartável, portanto só pode ser utilizado uma vez. Para uma maior eficácia, os preservativos podem ser utilizados em conjunto com espermicidas ou pomadas lubrificantes à base d’água, os quais diminuem o atrito e as chances de a camisinha se rasgar. Características: não interfere no sistema hormonal, oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, p. e. o HIV, tem venda livre em farmácias e pode interferir na dinâmica da relação sexual. 3. Preservativo feminino - Mais conhecido como camisinha feminina, ajuda a impedir que o esperma entre na vagina. É uma bainha lubrificada de poliuretano com anéis flexíveis em ambas as extremidades. Deve ser introduzido na vagina com a extremidade fechada para dentro e a aberta para fora. Pode ser utilizado apenas uma vez. Características: é controlado pela usuária, não interfere no sistema hormonal, oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, p. e, o HIV, tem venda livre em farmácias e pode interferir na dinâmica da relação sexual. 4. Pílula hormonal combinada - A pílula contraceptiva combinada contém dois hormônios femininos, o estrogênio e a progesterona, cuja ação é a de inibir a ovulação e diminuir a espessura do revestimento uterino, impedindo a gravidez. A maioria dos contraceptivos orais vem em embalagens com 21 ou 28 pílulas. Características: a ingestão da pílula é feita diariamente pela própria usuária, seu uso não está associado à relação sexual, oferece benefícios não relacionados com a contracepção, como a melhora da tensão pré-menstrual, acne e endometriose, não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e, geralmente, favorece a dinâmica da relação sexual. 5. Pílula de progesterona ou minipílula - A minipílula de progesterona contém pequenas quantidades desse hormônio, que ajuda a impedir a ovulação e também aumenta a viscosidade do muco cervical, evitando que os espermatozoides cheguem ao óvulo. Características: a ingestão da pílula é feita diariamente pela própria 160


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usuária, o uso não está associado à relação sexual, pode ser utilizada por mulheres que estão amamentando e é uma boa opção para mulheres com intolerância a estrogênios, não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e, geralmente, favorece a dinâmica da relação sexual. 6. Implante hormonal - O implante hormonal é um dispositivo em forma de palito de fósforo, inserido por um médico sob a pele do braço da mulher, que libera lentamente um progestagênio, cuja ação impede a ovulação e aumenta a viscosidade do muco cervical, evitando que os espermatozoides atinjam o óvulo. Características: é eficaz durante três anos, não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e, geralmente, favorece a dinâmica da relação sexual. 7. Injeção hormonal combinada - As injeções hormonais combinadas são administradas por médicos nas nádegas, coxa ou braço da mulher. Essas injeções de estrogênio e progestagênio têm ação semelhante aos outros métodos hormonais combinados e agem por um ou três meses, após o que a usuária deve tomar nova injeção para permanecer protegida contra a gravidez. Características: é discreto e imediatamente eficaz após sua administração, não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e, geralmente, favorece a dinâmica da relação sexual. 8. Dispositivo intrauterino de cobre (DIU) - O DIU de cobre é um objeto plástico pequeno, em forma de T, com um fio de cobre e um cordão de polietileno na parte inferior. Uma vez colocado no útero por um médico, altera a bioquímica dentro do útero, impedindo não só que os espermatozoides fertilizem os óvulos, mas também a implantação dos óvulos fertilizados. Até hoje, não se compreende completamente como o DIU impede a gravidez. Características: não interfere no sistema hormonal, é discreto, oferece proteção a longo prazo (até 10 anos), não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e, geralmente, favorece a dinâmica da relação sexual. 9. Laqueadura tubária - Intervenção cirúrgica feminina, conhecida por ligação das trompas, que consiste em bloquear as trompas de falópio (pela secção, cauterização, anéis ou clipes). Trata-se de um procedimento praticamente irreversível, razão por que uma avaliação criteriosa deve preceder a decisão de fazê-la. Características: não apresenta efeitos colaterais a longo prazo, não interfere no 161


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sistema hormonal, oferece contracepção a longo prazo, a reversão requer cirurgia complexa, não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e, geralmente, favorece a dinâmica da relação sexual. 10. Vasectomia - Intervenção cirúrgica no homem, segura e rápida que consiste em cortar os vasos deferentes (tubos que conectam os testículos ao pênis), bloqueando assim a passagem dos espermatozoides produzidos pelos testículos. Dessa forma, o esperma liberado durante a ejaculação é incapaz de fertilizar o óvulo, evitando assim a gravidez. É um método contraceptivo definitivo. Características: não afeta o desempenho sexual, não interfere no sistema hormonal, não possui efeitos colaterais, oferece contracepção a longo prazo, a reversão requer cirurgia complexa, não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e, geralmente, favorece a dinâmica da relação sexual. Além dos 10 métodos citados, ainda existem outros meios anticonceptivos. Diante de tantas opções, só engravida a mulher que quiser realmente ter um filho, ou a que for muito mal informada.

Exames médicos e odontológicos periódicos “Os exames médicos e odontológicos de rotina permitem a avaliação funcional e ajudam a manter o corpo e mentes sãos” O médico clínico geral, em função de sua visão abrangente e holística, de sua percepção sistêmica do paciente, do ato de adoecer, dos meios diagnósticos e terapêuticos, tem importância fundamental na detecção, prevenção e correção das inúmeras doenças que acometem os seres humanos. A consulta a um médico de confiança é o primeiro passo na avaliação da saúde. Rotineiramente, devem ser realizados exames para prevenir doenças e acompanhar a saúde, não havendo efetivamente uma idade predeterminada para começar a fazer check-ups preventivos de uma forma regular. Os fatores de risco individuais determinarão não somente a realização desse primeiro check-up, mas sobretudo a frequência com que devem ser efetuados. Em geral, o primeiro check-up é feito a partir dos 15 anos. 162


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Nessa primeira consulta, o médico avalia fatores de risco para doenças, histórico familiar e condição física, o que inclui peso, hábitos de vida como fumo e bebidas, doenças preexistentes e, no caso das meninas, uso de pílula anticoncepcional. O médico também deve medir a pressão arterial em todas as consultas, completando o diagnóstico com o monitoramento do colesterol e do nível de açúcar no sangue. Pessoas com antecedentes familiares de colesterol elevado e diabetes devem repetir esses exames anualmente e as demais pessoas a cada dois anos, até os 30, e depois, anualmente. Aos 20 anos, recomenda-se um teste ergométrico, para avaliar a condição cardíaca. Na ausência de problemas, deve-se repetir o exame a cada 5 anos e, após os 40, a cada 2. A mulher, a partir do início da atividade sexual, anualmente, deve fazer o exame papanicolau, para detectar câncer e, a partir dos 40, anualmente, mamografia e ultrassom das mamas. Se parentes próximos como a mãe e tias tiverem tido algum tipo de câncer, os exames devem ser feitos a partir dos 30 anos. A partir dos 35, a cada dois anos, deve-se fazer uma avaliação cardiológica, que inclui teste ergométrico, eletrocardiograma e ecocardiograma. A partir dos 40, anualmente, deve-se dosar o ácido úrico, cuja elevação provoca a gota, e o TSH, que mostra o funcionamento da tireoide. Além disso, os homens devem dosar o PSA, indicador de tumor de próstata, lembrando que nenhum exame substitui a avaliação médica. A dosagem de PSA, por exemplo, complementa o exame de toque, feito pelo médico urologista. Reitere-se que, em qualquer fase da vida, antes de praticar qualquer atividade física, convém passar por uma avaliação física para conferir as articulações e os músculos, fazer ainda exames cardiológicos, além de teste ergométrico e ecocardiograma. Com esses resultados, o médico pode recomendar a atividade mais adequada. Os exames básicos são capazes de detectar muitos problemas. No entanto, exames sofisticados, como ressonância magnética, medicina nuclear e tomografia, podem ser realizados para completar a investigação de alterações detectadas em exames iniciais, como também podem ser indicados para acompanhar a saúde de pacientes com história de doenças graves. Os fumantes, a cada ano, devem fazer uma radiografia de tórax. Os exames odontológicos dizem respeito aos cuidados com a saúde bucal, 163


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essencial à qualidade de vida humana. Os cuidados com os dentes e gengivas resumem-se em prevenir e controlar as cáries e doenças periodontais. As evidências disponíveis indicam que a maior parte da redução das patologias associadas à boca se deve à utilização de flúor e à melhora das técnicas de higiene bucal. Como ação preventiva, é aconselhável uma visita semestral ao dentista. A frequência das visitas está diretamente relacionada com a tendência de cada um para desenvolver doenças orais e com as necessidades de tratamento, casos em que as idas ao dentista tornam-se amiudadas.

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capítulo

11 Inteligência bioenergética

“A liberdade é o nosso bem mais precioso. No caso de ter que confrontá-la com a disciplina, se esta violentar aquela, opte pela liberdade”. Mestre De Rose

O conhecimento e domínio das bioenergias têm como objetivos o acúmulo de energias para aplicação nas situações ou perguntas angustiantes e o recebimento de ideias intuitivas de onde ir e o que fazer de forma mais eficaz. A consciência bioenergética resulta em maior controle de pensamentos, sentimentos e energias, possibilitando a autodefesa energética, elevando a percepção de influências das energias dos ambientes, eliminação do vampirismo e aumentando a disposição para enfrentar desafios. O melhor emprego das energias ocasiona melhoria das relações interpessoais e a instalação do trinômio motivação-trabalho-lazer nas atividades diárias. O domínio das bioenergias proporciona o alcance da autonomia e liberdade que, alicerçada na verdade e na responsabilidade, traz a real felicidade. Portanto, sendo essencial à felicidade, a liberdade é considerada o segundo maior bem do ser humano, vindo logo depois da saúde. É na bem-aventurança que o homem encontra o sentido e o objetivo da vida. A liberdade atinge sua perfeição quando voltada ao bem e à virtude, e mais feliz a pessoa será.

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Consciência bioenergética “O mundo íntimo da consciência é muito mais interessante que o universo exterior”. Waldo Vieira O paradigma da ciência materialista, mecanicista, newtoniana, cartesiana e tridimensional exige que os fenômenos naturais estudados sejam explicados através de provas materiais visíveis e palpáveis. O modelo materialista se apoia no batismo de tudo que existe, buscando gerar uma compreensão de um universo visível, previsível, seguro e controlável. Busca a eliminação do incerto e o estabelecimento de leis determinísticas na regência do universo. O ceticismo da ciência aponta para a comprovação dos fatos, o que se aplica muito bem à análise e explicação de fatos e fenômenos óbvios, tais como investigação de objetos físicos sem vida. Entretanto, em abordagens de sistemas vivos, tal paradigma está sendo abandonado pelos cientistas modernos. Surge uma nova forma de ver que os fenômenos naturais de organismos vivos são de caráter probabilístico sistemático. A física quântica já revela que o espaço é composto, em sua maior parte, por um padrão de energia e partículas elementares denominadas matéria escura. Parte dessa matéria escura pode ser manipulada pela consciência e são chamadas de bioenergia. Essa matéria elementar do universo, extremamente sutil, é uma espécie de energia pura e maleável ao pensamento e ao sentimento humanos, o que desafia o antigo modelo materialista. A bioenergia, também chamada de energia vital ou prana, é parte natural que compõe os espaços vazios da matéria sólida, sendo responsável por fenômenos que alimentam a vida no universo. Na filosofia milenar oriental a bioenergia é denominada Tchi, Ki, Qi ou Chi e significa a energia sem a qual nada pode existe. A energia Chi pode ainda ser representada pelas energias luminosas, mecânicas, térmicas, magnéticas e existe como um rio que sempre flui. No homem, a parte material da energia Chi é o sangue. Não há vida se não existir Chi e toda vez que ele se estagna surge a doença. 166


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A percepção humana da bioenergia começa pela ampliação da sensibilidade à beleza de objetos, paisagens, pessoas, sons, aromas, paladares e fenômenos naturais em geral. O nível seguinte de percepção é a identificação de um campo de energia que paira em torno do que existe na forma sólida, p. e. objetos, flora, fauna ou pessoas. É através dos chacras que se dá a percepção da bioenergia, e o que parece belo aos olhos humanos tem mais brilho, vivacidade de cores, nitidez de forma e conteúdo.

Corpo energético No corpo humano, existem os sistemas respiratório, circulatório, nervoso que somados aos órgãos compõem o corpo físico. Paralelamente, coexiste um sistema sutil de energia, que cuida do ser físico, emocional e intelectual, chamado de corpo humano energético, duplo etérico ou holochacra. O corpo humano energético é um invólucro vibratório que coexiste estruturalmente e circunvolve o corpo humano, sendo agente energético entre dimensões existenciais. Compõe-se da aura, chacras e nadis, que juntos formam uma trama de conexões bioenergéticas entre o corpo humano e o plano sutil, astral ou extrafísico. A aura, manifestação de substância etérea que irradia de todos os seres vivos, é a parte do corpo energético que ultrapassa as linhas externas do corpo humano, somente perceptível por pessoas de sensibilidade especial, denominados clarividentes. Os chacras são responsáveis por transportar e adaptar a energia vital aos órgãos e tecidos do corpo físico e os nadis são canais invisíveis por onde fluem as forças psíquicas, responsáveis pela transmissão das impressões físicas ao corpo psíquico. Um dos mecanismos de ação da acupuntura, milenar prática medicinal chinesa, é a atuação das agulhas no estímulo de bioenergias, que se transmitem pelos canais de nadis aos órgãos afetados pelas patologias. A acupuntura tem efeito regenerativo, além de promover imunidade, analgesia e harmonização das funções endócrinas, autônomas e mentais. Por meio dos neurotransmissores, ativam-se determinados hormônios, promovendo ação bioquímica em células doentes. O mais importante é que a harmonia dos chacras é regida pelos padrões de pensamentos e sentimentos. Para a conservação da saúde física, emocional e intelectual, é necessária a manutenção dos chacras abertos e equilibrados. As doenças provocam, sem exceção, o fechamento e bloqueio dos chacras. Desequilíbrios dos padrões 167


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mentais impedem que as energias fluam naturalmente pelos chacras, provocando dores e favorecendo o aparecimento de doenças. Os entulhos mentais do apego, das mágoas, das paixões, da vaidade e do ego levam ao desequilíbrio bioenergético e, consequentemente, às doenças e à infelicidade. O organismo humano possui aproximadamente 72.000 chacras, associados a cada um dos poros do corpo físico. Na Figura 11.1, são apresentados os 7 chacras principais, verdadeiros vórtices ou rodamoinhos que fazem girar bioenergias pelo corpo.

Figura 11.1 - Sete chacras básicas e a aura humana 168


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Cada um dos 7 chacras principais está ligado às 7 glândulas do corpo humano produtoras dos hormônios, que são os elementos equilibradores do metabolismo vital. Normalmente, o processo de ativação dos chacras começa de baixo para cima, da terra ao céu. A seguir, são apresentados os 7 principais chacras, do básico ao coronário. ►►Básico: localizado na base da espinha, é responsável pelos órgãos da reprodução e emoções grotescas. Corresponde-se com a glândula suprarrenal, que controla a constituição química dos fluidos do corpo, liberando a adrenalina necessária ao equilíbrio da saúde. Quando visualizado, tem a cor básica vermelho-alaranjado. ►►Umbilical: localizado, em média, 4 dedos abaixo do umbigo, um pouco mais para o lado esquerdo. Além de controlar as gônadas e as energias sexuais reprodutoras, é ligado diretamente ao baço, regulando e distribuindo a circulação adequada dos recursos vitais, da formação e reposição das defesas orgânicas, através do sangue. É o chacra da sexualidade e da criatividade. Sua cor básica é o laranja. ►►Do plexo solar: localizado, em média, 4 dedos acima do umbigo, é o chacra das sensações e do poder pessoal. Sua importância é justificada pelo fato de favorecer a conexão com o mundo físico e etérico. É o canal de passagem das energias emocionais e está associado ao pâncreas. É o equilibrador das gorduras e proteínas e dos açúcares do organismo humano. Sua cor predominante é o amarelo dourado. ►►Cardíaco: localizado um pouco acima da região do coração, tem uma importância vital nos processos de cura e é o responsável pela sabedoria, amor, generosidade e compaixão. Está abaixo da glândula do timo, o ponto imunológico do organismo. Sua cor predominante é o verde, indo para tons de azul-marinho. ►►Laríngeo: localizado na região da garganta, vindo da parte de trás do pescoço, abaixo da medula oblonga e indo para frente um pouco abaixo do pomo-de-adão. É o centro da expressão humana, que permite a comunicação criativa com o mundo, transmitindo o intento do espírito. Está associado à glândula tireoide, que mantém o equilíbrio do corpo. Sua cor predominante é o azul-prateado. 169


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►►Frontal ou 3º olho: localizado acima das sobrancelhas, está ligado diretamente à glândula pituitária que segrega vários hormônios de crescimento e metabólicos, aos lobos frontais, sendo também responsável pelo funcionamento dos centros superiores do processo intelectual, sistema nervoso central, comando endócrino, percepções da visão, audição, olfato, paladar e tato. Dele emana também a clarividência ou 3ª visão, a intuição e todo o contato com a espiritualidade. Sua cor predominante é o azul-anil. ►►Coronário: localizado no topo da cabeça, relaciona-se diretamente com a epífise e glândula pineal. Devido ao seu alto potencial de irradiação, liga a mente humana aos estímulos do espírito. Dele emanam as energias de sustentação do sistema nervoso, sendo responsável pela alimentação das células do pensamento e provedor de todos os recursos eletromagnéticos, indispensáveis à estabilidade orgânica. É o grande assimilador das energias solares, mantenedora da vida e das mais altas energias espirituais que o ser humano recebe. Quando ativo, vibra como um conjunto de cores, contendo todas as cores, com a predominância do violeta. O autoconhecimento leva ao equilíbrio dos chacras. O cultivo da saúde corporal, emocional e intelectual favorece a libertação dos chacras e a absorção de bioenergias positivas do universo. Entre os beneficio advindos da prática regular de exercícios com bioenergias se destacam: aumento da vitalidade, da energia e da disposição; fortalecimento do sistema nervoso; aumento da atenção e concentração mental; desenvolvimento do potencial mental e espiritual; equilíbrio dos sistemas orgânicos do corpo; melhora da serenidade e do equilíbrio das emoções; diminuição do estresse e da sobrecarga mental; aumento da flexibilidade e do relaxamento muscular; fortalecimento do sistema imunológico na prevenção de doenças; e superação de medos e de limites.

Projeciologia e Conscienciologia No Brasil, pesquisas científicas sérias, sem misticismos ou dogmas, no campo das bioenergias e de fenômenos parapsíquicos, são conduzidas pelo Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (www.iipc.org.br). Pessoalmente, 170


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tivemos a oportunidade de compartilhar várias experiências com o Presidente do IIPC, médico Waldo Vieira. Ao todo foi mais de uma dezena de encontros que nos possibilitaram mudanças significativas na vida. A Projeciologia, uma especialidade da ciência Conscienciologia, estuda as projeções energéticas e da consciência para fora do corpo humano. Esse fenômeno paranormal, que faz parte da fisiologia do corpo humano, é conhecido popularmente como desdobramento, viagem astral ou projeção astral. Os cientistas e pesquisadores do IIPC preferem denominá-lo de experiência fora do corpo, OBE (out-of-the-body experience) ou projeção da consciência. Além dessa experiência, a Projeciologia também investiga dezenas de fenômenos projeciológicos correlatos tais como bilocação, clarividência, experiência da quase-morte, precognição, retrocognição, telepatia e muitos outros. O livro “Projeciologia”, de Waldo Vieira, com 1.232 páginas e com 2.040 obras nas referências bibliográficas, já na 4ª edição, é referência internacional no estudo da projeção consciente. A Conscienciologia, ciência que estuda a consciência (ego, alma, essência) em uma abordagem integrada e abrangente e ainda os veículos (corpos) de manifestação da consciência, nas diversas dimensões, energias, capacidades e atributos parapsíquicos lúcidos e cosmoéticos, procura ir mais além nas investigações que as ciências convencionais modernas. A obra literária de referência para a Conscienciologia é “700 Experimentos da Conscienciologia”, também de Waldo Vieira. Trata-se de uma obra que analisa 40 traços da personalidade humana, contendo 5.116 referências bibliográficas em suas 1.058 páginas. O Centro de Altos Estudos da Conscienciologia - CEAEC (www.ceaec.org) é o campus da Conscienciologia, fundado em 1995, em Foz do Iguaçu (PR). Trata-se de uma instituição científica, sem fins lucrativos, com cerca de 100 voluntários, que se mantém financeiramente através de cursos regulares e venda de livros. Nesse balneário bioenergético, cuja riqueza ecológica favorece a utilização lúcida das bioenergias conscienciais no desenvolvimento dos atributos pessoais, encontra-se um meio ambiente otimizado para o autoconhecimento por meio de pelo menos quatro tipos de energias imanentes: aeroenergia, fitoenergia, geoenergia e hidroenergia. Atualmente, diariamente, através da página www.tertuliaconscienciologia.org, o Prof. Waldo ministra ao vivo a tertúlia Conscienciológica diretamente do CEAEC. 171


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A tertúlia é o curso de longo curso circular no qual são apresentados e debatidos os verbetes em construção da Enciclopédia da Conscienciologia.

Técnicas de mobilização de bioenergias As técnicas bioenergéticas envolvem exercícios de relaxamento físico-mental e manobras energéticas com a finalidade de permitir que o praticante sinta e comande energias pela própria vontade. Os principais exercícios consistem em manobras de circulação, exteriorização e absorção de energias, aumentando a consciência quanto ao corpo energético e promovendo o desbloqueio, o equilíbrio e a ativação dos chacras. O emprego da técnica de autodefesa energética através do Estado Vibracional descrita baixo amplia as percepções e a leitura das energias de ambientes, pessoas e objetos. O exercício contínuo pode produzir fenômenos parapsíquicos, como por exemplo a clarividência, melhorar a flexibilidade do holochacra para dinamizar as projeções da consciência e, principalmente, ensinar ao praticante a lidar com as energias nas mais variadas circunstâncias do dia a dia. A técnica do Estado Vibracional (EV), proposta por Waldo Vieira, assenta-se em 6 manobras básicas que exigem perseverança, a saber: 1. Pés. Fique ereto, com os pés separados um do outro. Cerre as pálpebras. Deixe os braços caírem ao longo do corpo. Dirija o fluxo de sua bioenergia pela impulsão da vontade da cabeça até as mãos e os pés. Se não sabe o que é a bioenergia, não importa. As práticas lhe mostrarão, em breve tempo, a realidade energética. Se nada sentir nas primeiras tentativas, insista mesmo assim. Acabará sentindo porque a energia consciencial (EC) faz parte da fisiologia inevitável do corpo energético. 2. Cabeça. Traga de volta o fluxo da sua EC, por força da sua vontade decidida, dos pés até a cabeça. Identifique, então, através das suas sensações ou vivencias autocríticas, a direção do fluxo da EC de baixo para cima, nitidamente contrário ao fluxo anterior. 3. Discriminação. Repita esses procedimentos 10 vezes, sentindo e discriminando o fluxo da EC varrendo os órgãos do seu corpo. Assim começam os desbloqueios e as com­pensações das ECs em seus centros energéticos ou chacras básicos.

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4. Velocidade. Aumente, gradualmente, a velocidade ou o ritmo da impulsão do fluxo da EC, por intermédio da força de impulsão da sua vontade decidida. 5. Intensidade. Expanda, ao máximo, a intensidade ou o volume do fluxo da EC que passará a compor circuitos cada vez maiores e mais potentes, para dentro e para fora do seu corpo. Você perceberá isso perfeitamente. Este fato convence você da realidade das bioenergias. 6. EV. Instale, por fim, o EV, ou estado vibracional. O fluxo e o circuito fechado desa­ parecem. Toda a sua psicosfera energética torna-se completamente acesa, feérica ou incandescente com a EC vibrante e você sente o EV sem qualquer dúvida. Repetições. Repita todo o procedimento, de início 20 vezes por dia, em condições, situações e circunstâncias diferentes, sempre se mantendo na posição de pé ou ereto, seja nu no banheiro, vestido esportiva ou socialmente, segurando embrulhos, debaixo da luz do sol, sob a chuva, enfim, em qualquer lugar, seguindo a sua motivação. Alerta. Nunca se sabe quando precisaremos de nossas autodefesas energéticas. A vida sempre oferece surpresas, nem todas bem-vindas ou agradáveis. Vive melhor quem está preparado e alerta, bioenergeticamente, 24 horas por dia, o ano inteiro. Perde quem empre­ga artifícios, andaimes pseudoprovidenciais ou muletas parapsicofísicas, seja qual for a na­tureza ou a desculpa, pretendendo otimizar ou “enriquecer” essa técnica. Isso impedirá o crescimento da confiança na própria vontade e nas ECs. É preciso aceitar a realidade percebida para encontrar outras formas de pensamento.

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capítulo

12 Inteligência emocional

“Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa – não é fácil”. Aristóteles

O psicólogo norte-americano Daniel Goleman, pai da inteligência emocional, constatou que os profissionais mais bem sucedidos não estão entre os que apresentaram melhor rendimento no período escolar. Apoiado nessa constatação e amparado em extensas pesquisas em mais de 500 empresas do mundo todo, Goleman afirma que há uma baixa correlação entre sucesso e os índices de QI (quociente intelectual). De acordo com tal avaliação, o quociente de inteligência emocional (batizado de QE por Goleman) pesa duas vezes mais que o QI e as aptidões inatas na conquista de bons resultados pessoais, profissionais e sociais. Isto prova que possuir um QI acima da média ou simplesmente manifestar uma habilidade incomum não é garantia de sucesso. Profissionais destacados são aqueles que, na escola, mantiveram bons relacionamentos interpessoais, souberam se comunicar, ouviram as pessoas e estimularam clima cordial de camaradagem, disciplina e interação. Associada diretamente à inteligência emocional, a disciplina pessoal é considerada o terceiro bem mais precioso ao homem, vindo logo depois da saúde e da liberdade. A disciplina pessoal visa ao bem-estar pessoal, ao bom andamento de atividades profissionais e à boa integração social. Ter disciplina é fazer o que realmente 175


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precisa ser feito, na hora certa; é saber gerenciar emoções, promover a cooperação e a harmonia no trabalho, tomar decisões adequadas, desenvolver o autoconhecimento e praticar a empatia. De acordo com Goleman, anatomicamente, os sistemas intelectual e emocional podem agir de forma completamente independente, o que permite algumas reações e lembranças emocionais formarem-se sem a participação consciente e cognitiva. Quanto maior é o estímulo emocional de determinado evento, mais forte será seu armazenamento na memória. Isso significa que o cérebro tem dois sistemas de memória: um para fatos comuns e outro para os emocionalmente carregados. Fisiologicamente, as emoções são tratadas pelos circuitos localizados nos dois lobos pré-frontais cranianos. A ligação entre eles (lobo direito: emoções desagradáveis, como medo, agressão e preocupações; e esquerdo: emoções agradáveis) é essencial para o refinamento das emoções. Casos há em que, em razão de o lobo pré-frontal direito ter sido danificado, se registra uma mudança de humor que beira o “exageradamente animado”. Pessoas com deficiências nos lobos pré-frontais tendem a apresentar um QI acima da média, já que o pensamento não está sendo “atrapalhado” pelas emoções. Entretanto, o descontrole sobre a vida emocional tem gerado problemas como o fracasso pessoal, profissional e social, e pode levar o sujeito ao uso de álcool e drogas e à criminalidade. Pessoas com falhas no circuito pré-frontal não revelam deterioração no QI, mas possuem um falho processo decisório, para o qual as emoções são essenciais, o que leva a crer que o homem possui dois tipos de inteligência que influenciam nas tomadas de decisões: a intelectual e a emocional. Goleman concluiu que o nível de QI não é preponderantemente decisivo para o pleno sucesso pessoal, profissional e social. A inteligência intelectual, cognitiva ou racional não prepara o homem para as vicissitudes da vida. Apesar disso, as escolas tradicionais continuam concentrando-se na capacidade acadêmica e ignorando a inteligência emocional. Para Goleman, os desempenhos pessoal, profissional e social são regidos pelas inteligências intelectual e emocional. O paradigma centrado na inteligência intelectual compara o cérebro a um computador e falha na falta de percepção de que a racionalidade é guiada pelo sentimento. À medida que a psicologia começa a reconhecer a importância dos sentimentos nos pensamentos, vê-se a necessidade de reconhecer as próprias emoções e de saber lidar 176


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com os sentimentos apropriadamente, colocando-os a serviço da automotivação e da criatividade, ao que se deve acrescentar o interesse de reconhecer e saber lidar com as emoções dos outros. Uma inteligência emocional sadia é calcada no bom humor, otimismo lúcido, generosidade, apego balanceado, boa vontade, fraternidade, paciência, persistência e serenidade. O inteligente emocional encara a vida de forma positiva e madura, observando atentamente e aprendendo continuamente com os erros próprios e alheios. É inteligente o contínuo aprendizado através das experiências de quem se dispõe a compartilhar seus êxitos e decepções. Errar é humano, só não erra quem se omite. Portanto, vale a regra: observar, agir e errar, sem jamais perder uma oportunidade de aprendizado. Um elevado QE requer o ótimo hábito de analisar os problemas sob prismas mais construtivos, prática que acaba influenciando beneficamente a todos. Na verdade, o sábio emocional é exigente consigo e complacente com os outros. As pessoas que têm um grande desenvolvimento da inteligência emocional são aquelas que se relacionam adequadamente. Saber se relacionar é uma conquista do contínuo esforço pessoal e da prática de melhores atitudes no dia a dia, cujos resultados imediatos são benefícios pessoais diretos, qualidade nos relacionamentos, seguidos de melhoria profissional e reconhecimento social. Um exemplo de prática da inteligência emocional é “vestir a camisa” da empresa em que trabalha, mesmo reconhecendo que não se deseja trabalhar nela por tempo indefinido. Falar mal até se pode e deve-se, mas dentro da organização. Condenável mesmo é reclamar do salário. Se alguém acha que está ganhando pouco, é bom repensar se está no emprego certo. Aqui cabe a pergunta: Há alguém lá fora querendo contratar o profissional descontente? Não? Nesse caso, o insatisfeito pode considerar que está ganhando muito e que é hora de dar uma baixada no salário. Quando se tem colegas de trabalho descontentes com o salário, em vez de engrossar o coro das lamentações, o sábio emocional sugere uma pesquisa salarial em firmas concorrentes e propõe uma conversa com o chefe, fazendo-lhe uma proposta justa de bônus salarial. A saúde e o equilíbrio emocional começam quando se é capaz de identificar e reconhecer o próprio sentimento e méritos. Saber que todo sentimento é digno 177


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e reconhecê-lo como tal possibilita a liberdade de escolher a melhor forma de se expressar. Afinal, o que mais causa problemas nos relacionamentos são as formas de expressar os sentimentos. Outra qualidade emotiva é saber discernir quando se deve expor o que se sente e quando o melhor a fazer é guardar os sentimentos para si. O ideal mesmo é pensar antes de falar para não se arrepender depois. Quem age assim tende a ser bem-sucedido nas relações pessoais e negociações profissionais. É líder e firma-se como alguém com quem todos querem conviver.

Relacionamentos e renúncia Os relacionamentos, compostos de pessoas, necessidades e expectativas, são indispensáveis para autoconhecimento e o aprendizado sobre a vida. É através deles que o ser humano desperta para a vida e toma posse dos sentimentos relativos à própria existência. Os relacionamentos são tão impositivos que muitas vezes o homem se ocupa demais, olhando para fora, para os outros, e acaba não conseguindo ver o que está fazendo, deixando de assumir a responsabilidade por si. Relacionamentos honestos, honrados e amorosos só podem existir quando as partes estão livres de questões de sobrevivência; quando há abertura e disposição em dizer a verdade e expressar emoções; quando há espaço à espontaneidade para falar exatamente o que se deseja, quer ou precisa. É difícil dizer a verdade para alguém de quem se tem medo ou é dependente. É necessário tempo e disposição para crescer e aprender através da vida e das experiências pessoais. O ideal é sentir o que foi despertado na relação, reconhecer, aceitar o que se sente para, finalmente, expressá-lo adequadamente, complementando assim a experiência emocional saudável. É impressionante a capacidade humana de criar e acumular coisas e sentimentos. Por distração, quando menos se espera, os espaços e os relacionamentos estão cheios de lixos, tralhas, confusões e ressentimentos. Penoso é o trabalho de livrarse de tralhas sentimentais, no entanto é uma tarefa que, mais cedo ou mais tarde, deverá ser feita, inevitavelmente. Quem não o fizer voluntariamente, terá de fazê-lo involuntariamente e, às vezes, de forma inapropriada.

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Pessoa maravilhosa O bom da vida é se relacionar com pessoas maravilhosas, dignas de serem amadas, que não precisam fazer esforço para agradar, apenas ser. O ideal seria que todos fossem naturalmente maravilhosos, o que teoricamente não é possível. Tornar-se uma pessoa maravilhosa é aprender a reconhecer as coisas que precisam ser curadas e entender de que forma contribui-se para a própria infelicidade. Reconhecer os sentimentos é uma experiência pessoal que gera bem-estar. Para tanto, deve-se estar disposto a encarar naturalmente as próprias imperfeições, sem evitá-las ou desculpá-las e com a disposição de libertar-se de atitudes que não estão funcionando. Para alcançar uma vida melhor, certas coisas precisam ser ditas, feitas ou desfeitas, como parte da limpeza e da cura, colocando para fora o lixo das dores, vergonhas, decepções e confusões do passado. Quem deseja novos resultados deve fazer coisas diferentes. A maneira antiga não sobrevive à escolha decidida por um novo caminho, trilhado pela prática consciente e repetida até que se incorpore ao novo inconsciente que está sendo moldado. A confiança cresce a partir da disposição. Na sociedade do conhecimento, todos têm informações suficientes para fazer coisas e usufruir novas oportunidades de maneiras diferentes. Pessoas esclarecidas sabem que relacionamentos baseados em padrões antigos de conduta podem ser mudados ou liberados a partir da disposição em encarar a verdade dos fatos, equipamento indispensável para emergir à superfície da satisfação pessoal. Convém lembrar sempre o que é preciso fazer ou não fazer, evitar comportamentos programados e incorporar novas informações e conceitos às práticas, renunciando aos condicionamentos de vida. A renúncia é o agente espiritual que inicia o processo de renovação e cura. Renunciar não é render-se. É desistir das coisas que não estão funcionando; é ser capaz de abrir mão de tudo que um dia pensou ser verdade. Se o que se está fazendo não traz resultados satisfatórios, é inteligente mudar de ideias e atitudes. Por fim, renunciar é parar de fazer as coisas que trazem a um só tempo infelicidade, loucura e ódio a si mesmo. Quando se renuncia a algo, tem-se que o substituir por outra coisa, começando pela adoção de novos hábitos para velhos costumes. Problemas antigos, soluções novas. Problemas novos, soluções criativas. Quem fizer o que está dentro da própria capacidade, consciente das escolhas, dará uma grande salto em direção à felicidade. 179


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A atitude mais ousada e eficaz na disciplina pessoal é não ceder à tentação de culpar o(s) outro(s) pelo próprio sentimento. É possível que a responsabilidade pelas decepções seja consequência do excesso de expectativas geradas nas relações. Na verdade, a única pessoa com a qual o ser humano tem que lidar é consigo mesmo, isto é, com os próprios sentimentos. O outro não faz nada além de ajudar a revelar os sentimentos alojados em cada um: afeto, ternura, medo, raiva, loucuras. Portanto, insistindo em apontar o dedo para o outro, perde-se oportunidades de livrar-se dos verdadeiros problemas. Em vez de arranjar culpados, o ideal é assumir responsabilidades. A verdade é que ninguém tem culpa. Dessa forma, melhor é não culpar nem assumir a culpa pelos atos inadequados dos outros. Todos fazem o melhor que podem, até descobrir que é necessário tornar-se melhor, mais forte, mais sábio, disposto e pronto para crescer.

Paciência e persistência “Alguns homens lutam um dia e são bons; outros lutam um ano e são melhores; os que lutam vários anos são ótimos; mas os que lutam a vida toda... esses são imprescindíveis”. Bertold Brecth Quanto mais se adia uma mudança, mais difícil fica fazer o que tem que ser feito ou dizer o que tem que ser dito. No entanto, é importantíssimo não tomar decisões precipitadas para tentar escapar da dúvida. É preciso ter paciência para refletir sobre o que de fato se quer e o grau de imprescindibilidade do desejo. É preciso saber o que procurar antes de começar, o que possibilita reconhecê-lo quando aparecer. É salutar discernir quando uma situação vivida é provisória, razoável ou definitiva. No entanto, é cauteloso não colocar o provisório no local do definitivo. Ser disciplinado é ter paciência para encontrar o eixo e persistência para manterse firme nele, permitindo que todos trilhem os caminhos escolhidos, amando-os assim mesmo. Na busca do próprio eixo, é interessante deixar claro para si a experiência 180


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desejada, sem se impor limites. Deixar a imaginação criar a melhor situação possível e permitir-se sonhar é o que de melhor se pode fazer. Grandes conquistas são resultados de sonhos e de uma sequência de pequenas atitudes. A construção de algo relevante se faz por partes, um pouco de cada vez, o que torna a vida mais fácil. O primeiro passo é sentir que existe o problema, ainda que não se saiba defini-lo; o segundo passo é decifrá-lo e entendê-lo, mesmo sem saber o que fazer. Uma vez definido o problema, surge o momento em que se sabe o que fazer, embora haja limitações impeditivas relacionadas a como fazer. Finalmente, faz-se o que a capacidade permite, com paciência e persistência. Depois de muitas aterrissagens forçadas, percebe-se que voar é uma ação que se faz sozinho, quando se é capaz de relaxar e soltar todos os medos, feridas, decepções, julgamentos e conclusões provocadas pela raiva, preconceito e ressentimentos. A liberdade de sentimentos confusos possibilita voos altos e prazerosos.

O amor a si é o que interessa! “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”. Carl Jung Amar a si é a única coisa importante. Quando ama a si, o homem pode amar a tudo e a todos. Quando não se cultiva a autoestima, fica difícil amar outras pessoas. Amar-se é reconhecer que o que se pensa, sente, faz ou fala tem importância para si e para os outros. É expressar adequadamente os sentimentos. Quando o amor está presente, todo mundo ganha. Na vivência do amor verdadeiro, é necessário reconhecer a importância de dizer a verdade, o tempo todo. O verdadeiro amor é apoio, doação e proteção. É dar sem lembrar. É receber sem esquecer. É dizer não à agressão, à exigência e à expectativa. Amar é perdoar. O maior desafio a vencer é aceitar-se e amar-se, não importando as circunstâncias. O autoperdão, na verdade é um grande renascimento. Desfazer-se das ilusões, medos e autojulgamentos é o exercício da autocompaixão e a gestação de uma personalidade maior, descomprometida com sentimentos de culpa em excesso. 181


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Perdão, o caminho para o coração tranquilo A culpa em excesso amarra ao passado, rouba o presente e assusta o futuro. O primeiro passo para a construção de uma nova forma de pensar e agir é a predisposição a abandonar os atuais conceitos, buscando remover da mente todas as ideias atuais sobre o perdão. O perdão consiste em desapegar-se da culpa, vez que esta, em excesso, amarra o ser humano ao passado, rouba-lhe o presente e assusta seu futuro. É a morte certa da autoestima. A personalidade culpada exige e estabelece uma autopunição, que vem na forma de infelicidade, depressão e sentimento de indignidade. Além de voltar-se para dentro, a culpa pode ser projetada para fora através da raiva e do ressentimento, de modo que o mundo passa a ser visto como um lugar hostil e injusto. Saber lidar adequadamente com preconceitos, ressentimentos e raivas pode fazer a diferença na solução de problemas em relacionamentos pessoais, profissionais e sociais. Afinal, essas são emoções poderosas, anuladoras de energias que podem ser aplicadas em projetos construtivos e salutares. Perdoar não significa tolerar comportamentos inaceitáveis ou abusivos, tampouco ser conivente com comportamentos inadequados. Aceitar abusos, manipulações, violência, agressões, desonestidade, traições ou insensibilidade aos direitos básicos dos outros não tem nada a ver com o perdão. Diante de posturas inaceitáveis, às vezes, são necessárias atitudes firmes e decididas, tais como divórcio, litígio ou o fim de um relacionamento, de modo a impedir que esses comportamentos se perpetuem. Perdoar não é aceitar o ato de violação pelo outro e fingir que está tudo bem. Ignorar, negar ou reprimir a raiva ou a mágoa podem ser equivocadamente confundidos com o perdão. Não haverá perdão genuíno se a raiva ou a mágoa forem ignorados, negados ou reprimidos. O perdão, na verdade, não pressupõe a comunicação verbal de quem o concede a quem o recebe, embora às vezes seja conveniente fazê-lo. Muitas vezes, basta mudar a percepção ou a maneira de ver as pessoas e as circunstâncias que causam dor e sofrimento ou ainda compreender que as percepções são escolhas que podem mudar as próprias reações emocionais. A capacidade de perdoar é um processo lento 182


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de reeducação perceptiva e emocional. Perdoar é livrar-se do fardo de permanecer vítima para sempre; é libertar-se para apreciar a própria vida; é romper com os grilhões do passado; é viver de maneira mais pacífica e alegre. Pelo perdão, quebra-se a incapacidade de se comunicar, rompem-se as barreiras de isolamentos. O verdadeiro perdão serve para aliviar a dor do estômago e curar a tristeza do coração. Quem consegue perdoar usufrui o sabor da reconciliação e da harmonia no trabalho, liberta-se de relações fracassadas e encontra liberdade para seguir adiante sem entraves. Só o perdão possibilita a vivência de relacionamentos mais amorosos e felizes baseados sobretudo no respeito. Perdoar nem sempre é fácil. Muitas vezes, é uma escolha muito ousada. Certo é que o perdão será sempre o caminho para um coração mais tranquilo, aberto a relações mais independentes com os outros e mais saudáveis consigo mesmo. É a fórmula para romper com o poder que as atitudes e ações dos outros têm sobre si. É a certeza de poder livrar-se das confusões emocionais. O perdão, comumente relacionado à religião, amplamente pregado, dificilmente é posto em prática. Na verdade, não existe a educação e treinamento para o perdão, razão por que, para algumas pessoas, a ideia do perdão soa como algo impossível: “nunca” ou “ele(a) não merece” ou “bem que eu gostaria que fosse possível” ou “você pensa que é fácil?”. Muitas vezes, a simples ideia de perdoar gera sentimentos de raiva ou ressentimento. A raiva é um sentimento digno que tem um curso natural: aparece, intensificase, chega ao máximo e diminui. Quem adota a prática do perdão consegue curar a raiva mais rapidamente, sentindo-se mais poderoso, pacífico e seguro. Sendo um sentimento superficial, instantâneo, a raiva chega a encobrir muitos outros sentimentos e energias. Ater-se à raiva é perder a oportunidade de perceber sentimentos mais profundos, muitas vezes relegados à insignificância. Por outro lado, a raiva traz benefícios porque, uma vez manifestada, afasta os pares e traz a sensação de poder, proteção, segurança e controle. Identificada como força de partida para a ação, a raiva mascara sentimentos tais como o medo e a tristeza. Pode também servir para manter próximo, na lembrança, alguém que se afastou, um cônjugue, por exemplo. Assim, o ódio é uma maneira mais fácil de permanecer ligado à pessoa odiada. 183


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O ressentimento é a raiva crônica, que permanece depois de terminada a situação que causou raiva. É a emersão de um sentimento de dor do passado que desgasta o bem-estar emocional e físico. Muitos não suportam abrir mão dos ressentimentos, uma vez que possibilitam a manutenção do papel de vítima, sem o qual, para alguns, a vida perde o sentido. Preso ao rancor, qualquer um pode culpar o(s) outro(s) pela própria infelicidade, escapando de assumir a responsabilidade pelo que está sentindo ou pelos malsorteados caminhos da vida. Adotar o perdão como prática possibilita, gradualmente, transformar-se de vítima indefesa das circunstâncias em um poderoso agente da própria realidade. O ato de perdoar pode ser experimentado com benfazejos sentimentos: alegria, paz, amor, abertura emocional, tranquilidade, extroversão, confiança, liberdade, leveza e senso de justiça. O ser humano possui potencialidades que ultrapassam os limites do ego normalmente desenvolvido. A natureza humana é constituída de consciência, a habilidade de ver claramente, sem defesas ou distorções, e do livre-arbítrio, que consiste em escolher como reagir às situações. Um simples exercício de consciência e livre arbítrio pode ser feito em uma situação de engarrafamento no trânsito. O motorista, a princípio ansioso, estressado e preocupado, percebe que tais sentimentos não fazem mover os carros da frente. Consciente, resolve que é melhor relaxar. Respira fundo e começa a se sentir mais aliviado. Sabe que, ao chegar ao destino, pode justificar-se, relatando às pessoas o que aconteceu. Resolve ouvir uma boa música e, novamente, conscientiza-se de que pode escolher como vai reagir à situação e reafirmar a si mesmo que é melhor relaxar. Firme na escolha, respira fundo novamente, recosta-se no banco e curte a privacidade. O alcance da paz interior passa pelo perdão aos amigos, aos colegas de trabalho e aos familiares. Perdoar pais, irmãos ou filhos é uma prática das mais difíceis. Mesmo nos lares mais harmoniosos, o perdão pode ser usado para dissolver pequenas irritações e conflitos inerentes a todos os relacionamentos. Para isso, o primeiro passo é evitar a criação de modelos de pais ou familiares perfeitos, livrando-se de expectativas que exigem das pessoas o que elas não podem oferecer. É mais sábio o apoio ativo 184


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às transformações, evitando as cobranças, sobretudo as veladas. Na maioria dos casos, os pais e familiares oferecem aos filhos mais que qualquer um precisa para se desenvolver com os próprios méritos. O esforço sincero de comunicar-se abertamente com os familiares inicia uma mudança positiva e pode resultar numa maior sensação de liberdade e plenitude. Duas questões podem ajudar a estabelecer uma nova forma de se comportar nos relacionamentos: Quer receber amor ou amar incondicionalmente? Quer aprovação total ou está disposto a aceitar o outro como ele é? A culpa pode ser saudável se usada para recuperar a responsabilidade e agir com integridade. Sendo assim, serve para estabelecer limites, indicar comportamentos sensíveis e íntegros e guiar a consciência livre da psicopatia. O processo de autoperdão pode ser dividido em etapas (1) reconhecer a verdade; (2) assumir a responsabilidade pelo problema; (3) aprender com a experiência; (4) abrir o coração e reconhecer os sentimentos mais profundos; (5) ouvir os medos e pedidos de socorro; (6) curar as feridas emocionais atendendo os pedidos de maneira responsável e saudável; (7) descobrir a identidade pessoal e reconhecer a inocência fundamental. Ressalte-se que alguém pode ser culpado por algum comportamento particular, no entanto, a sua personalidade essencial permanece inocente e digna de amor. À medida que o autoperdão se enraíza na consciência, mesmo quando as pessoas e as circunstâncias externas não são favoráveis, há uma certeza de segurança e aceitação interior; há a clara sensação de poder e autoconfiança em algo infinitamente maior que as aparências. O preconceito sobre grupos étnicos distintos é outra fonte de mágoa. O foco na etnia do grupo pode cegar a visão do indivíduo e, mesmo que jamais se tenha encontrado ou interagido com um certo grupo, certas crenças podem impedi-lo de ver as diferenças com clareza e benevolência. Dalai Lama, líder do povo tibetano, é perseguido há mais de 50 anos pelo Governo Chinês e vítima das mais cruéis injustiças. Sabe-se que a opressão desumaniza tanto o opressor quanto o oprimido. Devido à opressão chinesa, a segurança pessoal e coletiva do povo tibetano é colocada à prova várias vezes. Ainda assim, embora atos e comportamentos de uma pessoa sejam condenáveis, ela deve sempre receber o perdão. 185


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A cura dos ressentimentos pode se manifestar pela confiança em meio ao caos e às dificuldades. Essa é a prática de Dalai Lama, que não sente raiva dos chineses, considerando-os “desorientados”. Não havendo respostas satisfatórias para as circunstâncias, a saída é aceitar a vida como ela é, fazendo o que for possível e necessário. Assim, além de ser uma escolha consciente, o perdão se manifesta de forma espontânea. O estado de abertura para a cura pode propiciar a intervenção de um poder superior indescritível. Errar, sofrer, ficar triste faz parte da natureza humana. Ter forças para levantarse, cair de novo e tornar a levantar-se, tudo isso é que faz um alegre vencedor.

Alegria: a força maior “Venho não sei de onde / Sou não sei quem / Morro não sei quando / Vou não sei aonde / Espanto-me por ser alegre”. Martinus von Biberah A maior expressão da inteligência emocional é a alegria sincera que, em sua mais alta potência, é uma expressão direta e inocente de uma radical adesão ao viver e à realidade. A alegria basta a si mesma e não precisa de nenhum contributo exterior. É a experiência de celebração plena da vida e aceitação integral dos aspectos perigosos, problemáticos e enigmáticos da existência real; é viver como amante incondicional da realidade do que existe e acontece na vida. Sendo assim, o mau-humor fica para os indivíduos faltos de inteligência. O homem alegre certamente é bom. Embora nem sempre seja o mais inteligente, alcança aquilo a que o inteligente aspira. Alegrar-se pela lembrança de que o mundo existe e fazer parte dele com a disposição de aprovar incondicionalmente toda forma de existência, presente, passada ou futura, é o que o homem verdadeiramente alegre faz. Ainda que não tenha a capacidade de precisar o que lhe traz satisfação, sabe que apenas o mundo real é fonte de alegria verdadeira. O homem alegre é aquele que se apropria daquilo que já é sua propriedade: o tempo vivido a cada instante de sua vida. Cuida de si e experimenta a construção 186


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

de uma ética da existência, fundada na política da amizade e harmonia natural. A alegria é pura presença de espírito. É resistência à morte, à omissão, à servidão, ao intolerável, à vergonha. É luta pela defesa da criação, da arte, da filosofia, da vida, do progresso espiritual e pela emancipação universal. Considere-se, entretanto, que a alegria pode ser experimentada de forma doentia. Também denominada de patológica ou destrutiva, trata-se da alegria manifestada pelo sarcasmo, uma ironia crítica, de importunação. Inconveniente, é basicamente a felicidade que surge com o sofrimento do outro, com a entrega do homem a maus hábitos, o que demonstra imaturidade pessoal. Um outro tipo é a alegria simples, vivenciada quando se faz algo prazeroso ou se consome um produto para satisfazer os próprios desejos. É fugaz e desaparece juntamente com o fim dos estímulos provocados pelo bem ou momento apreciado. Geralmente, é alcançada a partir de uma relação pessoal prazerosa ou pelo consumo de um bem ou serviço e representada pelo regozijo maior das espécies vivas: a sexualidade. No momento do pleno alcance da satisfação sexual, experimenta-se o orgasmo “bem sucedido”. Entretanto, a alegria simples pode se valer de descompasso entre o prazer esperado e o prazer obtido. Surge daí a decepção: uma defasagem entre a expectativa e a percepção da experiência. Nesse caso, pode acontecer de o prazer sexual ser substituído por um profundo desapontamento e levar à tristeza. Diz um ditado que todo animal acabrunha-se, ou seja, perde a alegria com a consumação do ato sexual. Assim, o orgasmo pode não ser o suficiente para uma alegria plena. A alegria vivenciada pela bem-aventurança é certamente plena. Inerente à própria bem-aventurança da consciência, é alcançada pela plena vivência dos princípios pessoais. Algo sofisticado, é reservada a poucos bem-aventurados conscientes que vivem a coerência de pensamentos, sentimentos e ações. É a que brota de uma mente sem ressentimentos em relação à origem ou ao destino. É o puro perdão que não se limita à ausência de ódio pelo mundo, tampouco à complacência em relação à baixeza do presente, mas sim, uma abertura extrema ao improvável, à multiplicidade contemporânea, aos processos que ela libera, ao futuro que ela engendra. É uma conquista evolutiva, que vem da compreensão dos mecanismos existenciais. É uma espécie de bem-estar cósmico. 187


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Para Nietzsche, o homem bem–aventurado vive como amante incondicional da realidade, chegando a abrir mão de fundamentos ou de qualquer espécie de pertinência à existência. Cada vez mais, busca aprender a ver a beleza das coisas, tornando-se um daqueles que as embelezam. Busca não entrar em guerra contra a feiura. Para tanto, desvia o olhar, elegendo esta como sua única negação. Busca, afinal de contas, a partir de qualquer momento, ser tão-somente pura afirmação, reconhecendo que, absolutamente, todas as coisas que advêm ao homem tornam-se constantemente favoráveis. Qualquer coisa, seja boa ou má, como a perda de um amigo, a doença, a calúnia, a carta que não chegou, um pé pisado, uma olhadela numa revista, um contra-argumento, um livro aberto ao acaso, um sonho, uma fraude, revela-se imediatamente ou logo depois como alguma coisa que não podia deixar de acontecer. Para ele, o mundo vive na harmonia de uma ressonância e sincronismo perfeitos, na mais sábia providência. Assim, a vida de todo dia, de cada instante, parece não querer mais outra coisa senão confirmar ser plena de sentido e lucrativa para todos.

Técnica das 50 vezes mais A prática da disciplina emocional pode ser exercitada na aplicação da TÉCNICA DAS 50 VEZES MAIS, proposta abaixo em texto adaptado da obra “700 experimentos da conscienciologia”, de Waldo Vieira. 1. Natureza - Há legiões de pessoas semibárbaras. Mas a tendência da natureza da pessoa é iniciar uma tarefa e concluí-la o mais depressa possível, no menor tempo, com eficácia. Essa é a reação natural e comum da pessoa que se julga competente. 2. Planejamento - A personalidade bem organizada planeja a tarefa e estipula um prazo que despenderá a fim de concluí-la de modo satisfatório. Esse período de tempo é o natural e comum a quem se julga até genial e eficiente. 3. Prazo - Ficando dentro do prazo estabelecido para si mesmo, a pessoa não se exaspera nem se lastima. Ela segue em frente no projeto e vai firme até o fim proposto. 4. Reclamação - Se o prazo se dilata além das previsões, se a tarefa exige um pouco mais de esforços e se mais energia é necessária à conclusão do empreendimento, a pessoa reclama, perde seu interesse vital. 5. Modificação - Nesse ponto, a atenção do tarefeiro já se volta para outras coisas. Ele se mostra saturado com aquilo que vinha fazendo, sente-se insatisfeito e acomodado 188


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

com o que fez até aí. Sua natureza exige modificação: saída da rotina exasperante. 6. Perseverança - É sempre difícil encontrar a personalidade que persevera na mesma tarefa por uma década a fio. A pessoa está sempre mudando dispersiva­mente de meta, objeto, lugar, companhias, interesses e, sobretudo, paixões. 7. Superação - Quem deseja alcançar o crescimento pessoal, a melhoria profissional e o reconhecimento social, há de reconhecer que as tendências medíocres da natureza humana precisam ser domadas. Não há outra opção inteligente. Viver com genialidade exige dedicação a fio e a transpiração do gênio. 8. Fórmula - Aumente em 50 vezes o que você faria em todas as linhas de esforços, em uma tarefa normal, segundo a maioria medíocre, isto é, um ele­mento da massa impensante. Desse modo, mais 50 vezes a sua energia, mais 50 vezes a sua motivação, mais 50 vezes a sua atenção, mais 50 vezes a sua perseverança e, o mais terrível, mais 50 vezes o período do seu tempo de dedicação plena à tarefa nobre empreendida, resulta na constância e tenacidade. 9. Incorruptibilidade - Se você sentir que a tarefa esta concluída com menos de 50 vezes de esforços, sinta isso como autocorrupção grosseira. Siga decididamente até as 50 vezes em qualquer circunstância. Não se justifique, nem se desvie. Persista. Não conclua o serviço nem mesmo com 49 vezes, mas somente com as 50 vezes propostas em sua planilha. Esse método de pesquisa exige paciência, mas é praticamente infalível. 10. Artigo - Se você vai escrever um artigo científico de 3 páginas, trabalhe como se tivesse 150 (livro). Se for despender nele 1 semana, aplique 50 semanas pesquisando e redigindo. Você alcançará assim, sem duvida, as ideias originais e será um erudito em sua tarefa magna. Se admite esse raciocínio, comece a enfrentar agora o desafio a que se propõe. Será o começo ideal para o alcance das conquistas pessoais, profissionais e sociais.

Teste de inteligência emocional Com vistas a uma breve autoavaliação de aspectos pessoais ligados à inteligência emocional, responda com a máxima sinceridade as questões abaixo. Elas foram adaptadas da página da Internet www.superdica.com.br/testedeqe.htm. Para cada afirmação, assinale “a” para sim, “b” para às vezes ou não sei e “c” para não. Entre 189


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parênteses, segue a pontuação de cada item. Ao final, some a todos e, comparando o resultado, verifique o seu atual nível de inteligência emocional. Convém atentar para a regra: não subestime a capacidade de autotransformação e não superestime a capacidade de mudar os outros. 1) Entre dois cursos superiores, prefiro ingressar no que possa me garantir futuramente um cargo que domino a outro completamente diferente de tudo o que já fiz na vida?

a) sim (2)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (8)

2) Fico irritado quando alguém me interrompe, principalmente se estou envolvido com alguma atividade que me dá prazer?

a) sim (4)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (1)

3) A intuição é uma boa conselheira para resolver meus problemas nos estudos e em casa?

a) sim (4)

b) às vezes/não sei (1)

c) não (0)

4) Quando tomo uma atitude que não surte o efeito esperado, abandono-a e logo parto para outra?

a) sim (4)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (1)

5) Levo até o fim cada projeto que inicio, mesmo sofrendo várias frustrações no meio do caminho?

a) sim (8)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (2)

6) Prefiro estudar em grupo a sozinho(a)?

a) sim (3)

b) às vezes/não sei (1)

c) não (1)

b) às vezes/não sei (1)

c) não (3)

7) Detesto correr riscos?

a) sim (1)

8) Gosto de realizar coisas em que posso influenciar os outros. Em outras palavras, liderança é uma das minhas qualidades?

a) sim (6)

b) às vezes/não sei (4)

c) não (0)

9) Tenho vários objetivos pessoais e profissionais e estou sempre motivado(a) a concretizá-los. Obstáculos e falta de apoio não me desanimam?

a) sim (8)

b) às vezes/não sei (0) 190

c) não (2)


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

10) Frequentemente, meus colegas de escola e meus amigos me procuram para contar como se sentem e dividir os seus segredos?

a) sim (3)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (2)

11) Eles me acham um(a) colega agradável, sociável e bem-humorado(a)?

a) sim (1)

b) às vezes/não sei (21)

c) não (22)

12) Quando discuto feio com um(a) colega ou com um professor, fico tão nervoso(a) que acabo dizendo coisas das quais me arrependo segundos depois?

a) sim (2)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (8)

13) Se um(a) colega está descontrolado(a), chorando ou reagindo com agressividade, normalmente encontro uma forma de acalmá-lo(a)?

a) sim (6)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (4)

14) Estou sempre refletindo sobre as minhas metas de vida e sinto que venho crescendo como pessoa e como profissional?

a) sim (4)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (2)

15) Ultimamente, tenho esquecido datas importantes, como o aniversário de amigos?

a) sim (1)

b) às vezes/não sei (1)

c) não (3)

16) Nos fins de semana e feriados, o estudo me absorve tanto que fico pensando nas muitas aulas e tarefas que vou precisar fazer na segunda-feira?

a) sim (0)

b) às vezes/não sei (2)

c) não(8)

17) Quando qualquer coisa dá errado (numa prova ou num simulado, cancelados pelo erro, por exemplo), sinto-me responsável de alguma maneira, mesmo sabendo que não o sou?

a) sim (1)

b) às vezes/não sei (1)

c) não (3)

18) Acredito que, no decorrer da vida, as pessoas aprendem com os erros e são capazes de mudar seus pensamentos e suas atitudes?

a) sim (8)

b) às vezes/não sei (0)

c) não (2)

19) Se estou em um curso ou faculdade que não é exatamente o que desejo da vida, mesmo assim procuro realizar um bom estudo?

a) sim (3)

b) às vezes/não sei (1)

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c) não (1)


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20) Estou sempre aberto(a) a ajudar os professores, meus colegas, repartir conhecimento ou exemplificar, ensinar independentemente de ter um aumento na nota?

a) sim (4)

b) às vezes/não sei (1)

c) não (0)

Some os pontos indicados entre parênteses, equivalentes a cada opção marcada e obtenha a sua pontuação total: ______ Resultado do teste: Acima de 80 pontos

- ALTA inteligência emocional

de 50 a 79 pontos

- MÉDIA inteligência emocional

Menos de 49 pontos

- BAIXA inteligência emocional

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capítulo

13 Inteligência intelectual

“O problema não é o problema. O problema é sua atitude com relação ao problema”. Kelly Young

A inteligência intelectual aqui é definida como a capacidade de a pessoa se destacar significativamente das demais em atividades racionais. O componente central dessa inteligência é a capacidade de raciocínio lógico, de reconhecer problemas e resolvê-los. Envolve a habilidade para explorar relações entre fatos, categorias e padrões. A alta performance da inteligência intelectual possibilita ao homem o alcance do quarto mais importante bem necessário para uma vida plena de realizações e conquistas: o dinheiro, que segue em importância a saúde, a liberdade e a disciplina. Entre as características das pessoas que detêm a inteligência intelectual, estão a vontade inabalável, a lucidez, o discernimento, o conhecimento, a memória, a criatividade e a excelência pessoal. São consideradas como favoráveis ao destaque da inteligência intelectual as seguintes competências a serem discutidas: formação acadêmica, organização da aprendizagem, comunicabilidade e marketing, educação financeira, busca constante da excelência, gestão do conhecimento, consciência ecológica, gestão do espaçotempo e a vivência do tempo livre no ócio criativo.

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Formação acadêmica Graduação. Ponha essa ideia na cabeça! No âmbito da inteligência intelectual, na sociedade de hoje, é estratégica a conquista de um diploma acadêmico. A boa formação acadêmica pode ser determinante para destaque em profissão de elite, visto que algumas delas somente podem ser exercidas com a posse de diploma de curso superior, tais como arquitetura, engenharias, jornalismo, direito, medicina, odontologia, educação física, fisioterapia, psicologia, farmácia, pedagogia, economia, administração, contabilidade, entre outras. O curso superior não garante uma boa colocação no mercado de trabalho, mas a sociedade brasileira valoriza sobremaneira o diploma, razão por que a formação acadêmica ainda é um referencial social de status intelectual. Além disso, a capacitação contínua é fundamental para a competitividade dos profissionais e das empresas, que necessitam de colaboradores sintonizados com as tendências do mercado, comprometidos, motivados e capazes de tomar decisões nas mais diversas áreas do conhecimento, com rapidez e segurança. A formação acadêmica, dentro dos princípios da pedagogia moderna, dá-se pelo estímulo à participação do aluno que, juntamente com o professor, é responsável pela aprendizagem. A leitura e produção de artigos, exposições, seminários, debates, visitas técnicas, jogos empresariais e projetos aplicados possibilitam que o aprendiz coloque em prática a teoria que assimilou. Dessa forma, a educação passa a ser um processo dinâmico, que consiste em ouvir, analisar, conceituar, criticar, agir e vivenciar. Na sociedade da revolução informacional, existem as universidades presenciais, virtuais e corporativas, todas com a difícil obrigação de se manterem atualizadas no mercado globalizado. No Brasil, há inúmeras universidades gratuitas e pagas. As gratuitas são as universidades públicas federais e estaduais, além dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets). É consenso que a universidade pública ainda detém maior vantagem competitiva na formação do profissional no que tange ao conteúdo. Por serem gratuitas, as universidades públicas selecionam os melhores alunos, razão por que formam os melhores profissionais disponíveis no mercado. 194


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

O ensino superior particular brasileiro, em plena expansão, tem como vantagem campus com modernas infraestruturas de salas, bibliotecas, laboratórios de pesquisa e ginásios poliesportivos, atrativos para a demanda de alunos, resultante das poucas vagas ofertadas pela universidade pública. As constantes mudanças no mercado fazem com que seja de fundamental importância a experiência prática dos acadêmicos. Assim, como atividade complementar à formação acadêmica universitária, o estágio profissionalizante é a oportunidade de o aluno vivenciar o futuro campo profissional, num contato direto com as questões teórico-práticas. Após concluir a graduação, se possível, o melhor caminho é o ingresso imediato em curso de pós-graduação, seja especialização, mestrado ou doutorado, no Brasil ou no exterior. Vale reconhecer que, apesar da importância do diploma acadêmico, as universidades mais sofisticadas não estão atendendo a todas as necessidades de formação. Ir à escola, tirar boas notas e conseguir um bom emprego não é garantia de segurança, vez que, do desemprego, ninguém está a salvo. Por isso, em vez de ensinar os jovens a buscarem segurança, é melhor ensiná-los a ficar espertos e a gostar de aprender continuamente.

Organização da aprendizagem “Aquele que não sabe e não sabe que não sabe é um idiota – enxota-o. Aquele que não sabe e sabe que não sabe é simples – ensina-o. Aquele que sabe e não sabe que sabe está a dormir – acorda-o. Aquele que sabe e sabe que sabe é sábio – segue-o”. Provérbio Árabe Assim que você achar que sabe como realmente são as coisas, descubra outra maneira de olhar para elas. O futuro jamais será apenas a repetição do passado ou do presente. Algo novo está sempre acontecendo. O mundo vive rápidas e constantes transformações tecnológicas e culturais. Quem pensa que sabe tudo está preparado 195


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para viver num mundo que não existe mais. A capacidade de aprender mais rápido que os concorrentes pode ser a única vantagem competitiva sustentável. As pessoas e empresas, em constante atualização no que concerne a práticas de relacionamentos com pessoas e mercados, reconhecem a incessante renovação das lógicas da interação global e preparam-se continuamente para a descoberta e percepção das oportunidades futuras. Desenvolvendo habilidades de aprendizagem, energização e motivação pessoal, as equipes se capacitam para superar os concorrentes pela adoção de estratégias ousadas, sem correr riscos desmedidos. Quando novas informações surgem e as circunstâncias mudam, já não é possível resolver os problemas com as soluções antigas. É certo que novos saberes e mudanças estão sempre vindo. É, pois, mais sábio saudar as mudanças que se agarrar ao passado. Com efeito, torna-se urgente desenvolver novas habilidades e competências, grande desafio da educação e do trabalho. Cidadãos capazes e aptos à nova realidade social e do trabalho são formados através de atividades que integram diversas disciplinas e promovem a cooperação, a autoestima, a liberdade de expressão, o respeito mútuo, a afetividade e, principalmente, o desejo de aprender. As práticas pessoais e organizacionais despendem muito tempo com questões do passado, quando mais oportuna é a dedicação à compreensão do presente e à criação do futuro. O capital intelectual sofre depreciação constante e qualquer conhecimento vale menos hoje do que valia ontem. É importante preparar indivíduos, empresas e toda a sociedade para o aprendizado, desaprendizado e reaprendizado. A organização da aprendizagem inteligente reconhece que o que impede as empresas de criarem o futuro é a base instalada de ideias, as convenções e precedentes, inquestionados ou não desafiados. Indagando que parte do passado é relevante e indispensável e que outra representa excesso de bagagem, isto é, passando da incerteza ou de uma certeza provisória a um patamar de novas descobertas e novas sínteses, chega-se à real aprendizagem. Na elaboração de metas, a previsão de comportamento informa a direção e permite o controle da evolução e do destino. Percepções de tendências de tecnologias, bem como da alteração de estilos de vida social são alcançadas pela criatividade e imaginação das pessoas, baseadas em pesquisa de fundamentos factuais. Vendo pelos olhos curiosos de uma criança e desacreditando ocasionalmente no que vê é que se pode prever e criar o futuro. 196


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Prevendo o futuro, precisa-se encontrar a estratégia que leva do hoje ao amanhã. Afinal, não basta imaginar o futuro: é preciso construí-lo. A arquitetura estratégica procura saber quais benefícios devem ser oferecidos aos parceiros, identifica, desenvolve, distribui e protege as competências essenciais que criam tais benefícios. Em seguida, são implantadas interfaces eficazes destinadas a comunicar aos parceiros os benefícios criados. O que é preciso ser feito agora para acertar no futuro? Primeiramente, aprender com a experiência, criar aliança com clientes de vanguarda, realizar protótipos, associar-se a concorrentes e estudar tecnologias de ponta, tudo associado ao desenvolvimento das habilidades e competências humanas e tecnológicas. No caminho da aprendizagem, a arquitetura estratégica é o mapa e o combustível são as inteligências corporal, bioenergética, emocional e intelectual dos colaboradores. Em uma equipe, todos devem compreender a ligação entre a própria atividade e a concretização da meta comum. As organizações que evoluem aprendem a reeducar-se, criam ambientes mais significativos de confiança, de cooperação e de autenticidade, o que as faz crescer mais e estar mais atentas às mudanças necessárias. À medida que o futuro se aproxima, o mais importante é aprender mais rápido do que os concorrentes onde está a real demanda futura. Na nova economia, quanto maior a velocidade em redirecionar estratégias e relançar produtos e serviços, maior a eficiência na busca constante da excelência por parte de profissionais, empresas e sociedades.

Busca constante da excelência Depois da excelência, o que fazer? Como modelo da busca constante da excelência, é apresentada a metodologia desenvolvida pelo treinador da seleção brasileira de voleibol masculino, medalha de ouro na olimpíada de Atenas 2004, Bernardo Rezende, o Bernardinho. O modelo de Bernardinho, batizado por ele de “A Roda da Excelência”, defende que os grandes vencedores estão sempre centrados nas próprias habilidades e competências. A filosofia é procurar manter-se sempre no topo, almejar maiores conquistas e assumir o espírito dos verdadeiros campeões.

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A capacidade, determinação e exemplo de liderança de Bernardinho representam as virtudes e qualidades ideais necessárias a um profissional que almeja o sucesso permanente em sua trajetória, independentemente de sua área de atuação. O coração do modelo “A Roda da Excelência” está na BUSCA CONSTANTE DA EXCELÊNCIA. Querer ser o melhor e trabalhar incansavelmente para isso é o que faz a roda girar, ou seja, é o que impulsiona o profissional rumo ao sucesso. O inconformismo é uma das principais características daqueles que almejam o topo. E, para isso, é preciso estar constantemente se perguntando: O que pode ou deve ser melhorado? Não ter medo de mudanças é outro aspecto importante. “As mudanças, desde que bem estudadas e realizadas de maneira consciente, levam ao crescimento que, por sua vez, conduz à satisfação”, garante Bernardinho. Complementando o modelo de Busca Constante da Excelência, mostrado na Figura 13.1, os outros elementos que, uma vez interligados, formam graficamente o que o técnico chama de “A Roda da Excelência”, são: o trabalho em equipe, a liderança, a motivação, a perseverança, o comprometimento e a disciplina. “A Roda da Excelência” ainda tem como base o planejamento com foco em meta realista e desafiadora atrelada a um prazo.

Figura 13.1 - Esquema do modelo “A Roda da Excelência” do técnico Bernadinho

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Para o alcance da excelência, em primeiro lugar, é preciso cultivar o TRABALHO EM EQUIPE. Cada integrante do time deve ser compreendido em sua plenitude, lembrando que todas as pessoas possuem defeitos e qualidades. Segundo Bernardinho, “é nas qualidades pessoais individuais que os líderes vencedores devem centrar as atenções, pois, ao unir as virtudes de cada um, os resultados serão, com certeza, os melhores”. O modelo destaca, ainda, a importância da comunicação franca e aberta entre os integrantes do grupo. “Toda equipe deve conhecer os planos, os objetivos e as metas estabelecidas e compartilhar a mesma filosofia de trabalho, consciente de que todos serão beneficiados com o esforço de todos”, destaca o treinador. LIDERANÇA é outro elemento fundamental. Bernardinho argumenta que os profissionais de sucesso são aqueles que conseguem transformar um simples grupo de pessoas em equipe comprometida mutuamente, fazendo com que cada um atue em benefício do bem coletivo. Além disso, os verdadeiros líderes adotam processos decisórios compartilhados, embora assumam a responsabilidade solitária da decisão. “Também cabe aos líderes serem capazes de tolerar eventuais erros de seus comandados, mas nunca a displicência, entendida aqui como a falta de preparação ou desleixo com a atividade delegada”, acrescenta. A MOTIVAÇÃO é ingrediente indispensável à busca constante da excelência. A equipe precisa estar motivada para se comprometer e, para motivar, é preciso conhecer cada membro da equipe e saber como obter o melhor de cada um. Para Bernardinho, não há fórmulas milagrosas: “a motivação é uma porta que se abre de dentro para fora. Estar motivado é viver constantemente desafiando e melhorando a autoestima”. Abater-se com eventuais derrotas não pode fazer parte do dia a dia de quem busca o sucesso. Amando o que faz, qualquer um vai crescer na motivação sem lacunas depressivas. A pessoa ou grupo motivado para a realização torna-se continuamente mais inteligente no emprego das próprias energias, do tempo e das oportunidades. O tipo ideal de motivação e a que se revela autossuficiente é a gerada pela atividade. A essa altura, o trabalho e o lazer são uma coisa só. Ao se interfundirem, completam-se mutuamente no trinômio motivação-trabalho-lazer, equilibrando a consciência no autocontrole e na motivação de realização contínua. As forças motivadoras, que impulsionam de dentro para fora do microuniverso pessoal, eliminam a

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possibilidade de que eventos externos representem desmotivação. Resta um problema sério: manter a produtividade e a permanente realização, conquista privilegiada e reservada aos perseverantes. Conceitos como PERSEVERANÇA, OBSTINAÇÃO, SUPERAÇÃO E OUSADIA devem estar presentes diariamente no cotidiano dos profissionais de excelência. É preciso perseverar na constante busca de soluções. O perseverante age através de estratégias distintas até alcançar o objetivo. Vê-se que a perseverança desempenha função ímpar no quadro do crescimento pessoal. Nem o talento genial, nem a cultura ampla, nem a ideia criativa conseguem substituir a persistência, a constância, a tenacidade, a firmeza. “É importante lembrar, no entanto, que persistência ou obstinação não são sinônimos de teimosia”, destaca Bernardinho. O teimoso quer alcançar resultados distintos sem mudar as práticas. Para enfatizar seu pensamento nesse campo, Bernardinho expressa uma definição para superação: “superar-se é ter a humildade de aprender com o passado, ser inconformado com o presente e ousar desafiar permanentemente o futuro”. A ousadia é característica do destemido. O ousado é bravo e corajoso, mostra-se arrojado, inovador e tem vontade de trocar a rotina pelo risco e pela aventura, de sair da zona de conforto e embrenhar-se no desconhecido. A busca da excelência passa pelo COMPROMETIMENTO E CUMPLICIDADE da equipe, habilidades que, por certo, são desenvolvidas pelos profissionais e equipes de sucesso. Quando se está comprometido, é natural demonstrar interesse pelo que faz. Cada dia é um novo dia de busca e aprimoramento. O compromisso é representado pela curiosidade, gosto pela pesquisa e pelo conhecimento. A cumplicidade consuma-se quando se tem atenção pelas pessoas, sejam parentes, clientes ou colaboradores, e pressupõe cobrança entre os membros da equipe. Não se chega ao sucesso sem dividir responsabilidades. Para o alcance do sucesso, “A Roda da Excelência” sugere a conduta dentro de preceitos rígidos, relacionados à DISCIPLINA, HÁBITOS POSITIVOS NO TRABALHO e, principalmente, ÉTICA. “São ingredientes que ajudam a sedimentar e a consolidar os processos de trabalho, quaisquer que sejam eles”, relata Bernardinho. “Acreditar sempre que os objetivos serão alcançados e fazer o máximo para que haja merecimento ou, na pior das hipóteses, não haja arrependimento”, ensina.

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Bernardinho destaca que não há sucesso possível se não houver PLANEJAMENTO. “O planejamento é o meio pelo qual as forças são direcionadas, em busca das METAS almejadas”, garante. Ao mesmo tempo, é preciso dar flexibilidade ao planejamento, sabendo adaptá-lo a novos fatores e cenários que surgem em meio à jornada. “O mais importante é que a busca do sucesso é uma estrada sem fim. Existem algumas paradas, as quais podemos chamar de metas intermediárias. Mas não existe um ponto final. E digo a todos os profissionais que, tal qual no esporte, o principal segredo para se alcançar o sucesso e manter-se no topo é encarar o próximo campeonato como sendo sempre o mais importante”, conclui o treinador.

Comunicação e marketing Se você lhes oferecer algo que valha a pena, eles pagarão! Um trabalho de excelência não vale nada se não for percebido como tal. A comunicação e o marketing efetivos fazem parte da estratégia de melhoria nas relações pessoais, profissionais e sociais, meta primordial quando se busca a maior satisfação dos envolvidos. A comunicação é a habilidade bem exercida pelos poetas, radialistas, apresentadores, professores, etc. Consiste basicamente na capacidade para contar histórias originais ou para relatar com precisão experiências vividas e aprendizados adquiridos. As empresas mundiais, a nova economia globalizada e o comércio eletrônico somente se viabilizam em virtude da infinita e instantânea capacidade oferecida por meios de comunicação de imagem, som e dados, como a Internet, a telefonia móvel, a fibra óptica e os satélites, tudo num único canal digital. Acontece que a velocidade da tecnologia é maior do que a capacidade do ser humano de assimilar as mudanças culturais. É por isso, dentre outros motivos, que a comunicação eficaz torna-se uma ferramenta estratégica para pessoas, empresas e sociedades. Por vontade própria, através de métodos, técnicas e práticas, a capacidade de marketing e comunicação de pessoas e grupos pode ser desenvolvida e ampliada. 201


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No momento da interação, é importante manter a atitude de acolhimento e de compreensão. Demonstrar empatia, atitude de confiança, abertura e aceitação; manter relações saudáveis, destacando os aspectos positivos em detrimento dos negativos; ressaltar os potenciais; ouvir, incentivar e interagir são condições imprescindíveis ao aprimoramento do processo de comunicação. A eficiência da comunicação é vital na credibilidade das pessoas e empresas do mercado. Uma boa estratégia de marketing faz a diferença na formação da imagem comunicada. De acordo com a AMA - American Marketing Association (www.marketingpower.com), a definição de marketing, anunciada na AMA’s Summer Educator’s Conference é: “Marketing é uma função organizacional e uma série de processos para a criação, comunicação e entrega de valor para clientes, e para a gerência de relacionamentos com eles de forma que beneficie a organização e seus stakeholders”. Uma outra definição diz que marketing é estratégia empresarial de otimização de lucros através da adequação da produção e oferta de mercadorias ou serviços às necessidades e preferências dos consumidores, para isso recorrendo a pesquisas de mercado, design de produtos, campanhas publicitárias e atendimentos pós-venda. Pessoas e grupos buscam interações significativas em se tratando de relacionamentos pessoais e de consumo. É certo que, por algo que valha a pena, eles pagarão. O foco do marketing na nova economia é oferecer produtos, serviços e relacionamentos de valores significativos aos grupos de interesses. Como estratégia de comunicação e marketing para manter e ampliar a clientela, é inteligente, primeiramente, que o prestador de serviços identifique o perfil dos seus clientes: Quem são eles? O que pensam? Como vivem? Como se comportam no processo de compra no ponto de venda? Quanto mais se sabe sobre eles, tanto melhor para as empresas. Fazer negócios sob a ótica dos clientes, exatamente ao gosto do freguês e posicionar-se como operador de sonhos e não de mercadorias são os caminhos mais curtos para o sucesso. O fornecedor estabelece com cada cliente níveis crescentes de intimidade. Gradativamente, o cliente é potencial, experimentador, repetidor, fiel, torcedor e vendedor. Para encantar o cliente potencial e fazê-lo seguir adiante na escala de intimidade, pesquisas no campo das ciências humanas, especificamente em comportamento do consumidor, demonstram que este não se esquece do fornecedor quando 202


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a relação de consumo é divertida, instrutiva e prazerosa. Mais que um simples suprimento de uma necessidade qualquer, consumir virou um momento de diversão, aprendizado, entretenimento e alegria. Na nova economia, consumir produtos e serviços tem o mesmo significado de ir ao cinema, ao teatro, viajar de férias, assistir à televisão, jantar fora ou pular de pára-quedas, dependendo dos valores e estilo de vida de cada consumidor. O local de venda precisa ser um ponto de atração, capaz de incitar o cliente à compra e mantê-lo fiel. As atividades de comércio e serviços viraram supermercados de eficiência na arte do encantamento. Em todos os momentos, independente do grau de intimidade, de potencial a torcedor, os relacionamentos, para se manterem encantadores, devem ser recheados de surpresas agradáveis. O cliente potencial somente se tornará experimentador se for surpreendido por algum motivo: um excelente atendimento, um novo design, uma vitrine chamativa, etc. Da mesma forma, para que o cliente passe de experimentador a repetidor, uma nova surpresa positiva deverá encantá-lo. Serviços de excelência surpreendem e encantam o cliente a cada novo encontro, fazendo-o seguir de potencial a experimentador, a repetidor, a fiel, a fã ou a torcedor e, finalmente, a vendedor. Assim, o grande objetivo do marketing é fazer o cliente se tornar fã e vendedor do negócio. É certo que os erros são inevitáveis e somente o fã ou torcedor é capaz de perdoá-los. Mire-se no futebol: O time não ganha há vários jogos. Às vezes, na diretoria, só tem “bandido” e a maioria dos jogadores é “perna-de-pau”. Ainda assim, o torcedor, que é fã, está lá na arquibancada, vestido com o uniforme, de bandeira na mão, pagando ingresso caro e gritando em coro o nome do time. O cliente-torcedor topa essa relação porque é apaixonado e sabe que o time pode ganhar. Essa é a magia que movimenta os esportes de massa: a possível surpresa da vitória que, mais cedo ou mais tarde, acaba acontecendo. Outra coisa: o torcedor apaixonado é cego e não considera as deficiências da equipe. O negócio é fazer o cliente se apaixonar pela sua marca. Torná-lo fã do seu negócio. É um caminho árduo, que somente os profissionais com muita disposição vão trilhar. Vale lembrar que o cliente é qualquer pessoa que faça parte dos grupos de interesses: sociedade, consumidores, empregados, acionistas, fornecedores e ainda familiares.

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Marketing de relacionamento Na sociedade do conhecimento, independente da área de atuação, os profissionais e empresas necessitam atuar de forma multidisciplinar. Além dos conhecimentos técnicos, habilidades de comunicação e marketing de relacionamento são pré-requisitos à manutenção de redes de sistemas e pessoas. O cidadão necessita ser um bom comunicador, com habilidades em linguagens gesticular, oral, escrita e virtual, estando apto a convencer, agradar, estimular e repassar conceitos. A nova economia requer uma especial capacidade de transmitir ideias, estabelecer boas relações públicas, tomando por base a pesquisa de mercado e o marketing de relacionamentos pessoal e corporativo. Na gestão de relacionamentos com os clientes, aplica-se o Customer Relationship Management (CRM), ferramenta informatizada que possibilita monitorar a eficácia dos serviços e orientar os rumos da relação. O marketing tradicional busca mais e mais clientes para produtos e serviços específicos. O CRM busca oferecer produtos e serviços de maior valor, ou seja, com mais benefícios e menos custos para os clientes, o que se opera pelo acompanhamento das interações da companhia com cada cliente individual, ao longo do tempo, integrando processos, departamentos e divisões da empresa no esforço de tratar cada cliente o mais individualmente possível. Na verdade, a necessidade de cada cliente deve ser considerada individualmente. Através de um banco de dados, da interatividade e da personalização do atendimento, o profissional ou a empresa desencadeia uma série de interações positivas com o cliente, cada vez mais ricas com o passar do tempo. A cada nova interação, há uma nova personalização de atendimento, produtos e serviços adequados às necessidades dos clientes, que estão sempre mudando as suas exigências. Estas, por sua vez, geram a necessidade de se desenvolver uma percepção contínua de como atender satisfatoriamente as expectativas dos clientes. Para tanto, a empresa precisa se adaptar à nova realidade vivenciada e, se possível, antecipar-se ao sonho do cliente. Ouvir do cliente “era isso que eu estava precisando” é prova cabal de que a estratégia adotada foi eficaz.

Como usar a Internet a favor da carreira Na há dúvidas de que a Internet é um veículo que pode aumentar a visibilidade, 204


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expor realizações, expandir os horizontes e fazer muito pela carreira de todos os profissionais. Muitas pessoas não a utilizam em todo o seu potencial, limitando-se a utilizá-la como fonte de entretenimento. Profissionalmente, a Internet é fonte de conteúdo específico para cada área de atuação, útil tanto na procura de novas oportunidades quanto na própria qualificação, realização de contatos, cursos e notícias. Algumas dicas simples podem melhorar a eficácia do uso da Internet: ►►Estimular a curiosidade e criar o hábito de navegar pela Internet. ►►Usar sites de busca como Yahoo e Google permite encontrar informações de qualidade, com pouco esforço. ►►Cadastrar-se em sites para receber newsletters gratuitas sobre as áreas de interesse e ficar atualizado. ►►Procurar bons sites de referência ligados à área de atuação e adicionar os mais importantes na pasta de favoritos. Atitudes que podem fazer da Internet uma ferramenta de benefício à própria carreira: ►►Fazer e manter contatos com profissionais da área de atuação, através de e-mails, fóruns, listas de discussão, blogs segmentados, etc. ►►Enviar currículo para departamento de recursos humanos das empresas. ►►Realizar, frequentemente, busca de vagas na área de atuação em sites de recolocação. ►►Manter um site ou blog pessoal, publicar artigos, participar de discussões e projetos on-line. Uma página na Internet, com baixos custos de desenvolvimento e manutenção, pode ser uma eficiente ferramenta de comunicação e marketing de relacionamento, acessível a profissionais liberais e empresas industriais, de comércio e de serviços. Um bom sistema de gerenciamento de site pode fazer a diferença na imagem e na efetividade da comunicação com o público de Internet. Um site moderno possibilita que o pro-prietário da página a administre de qualquer local, atualizando notícias, eventos e cursos. Os sistemas de gerenciamento dinâmico de home pages disponibilizam produtos on-line, enquetes, envio de mala-direta, controle de banners, mural de recados, cadastro e bate-papo direto com internautas. 205


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Os sistemas de informação denominados Joomla e WordPress, utilizados pela empresa gNial (www.gNial.com.br), são excelentes soluções de gerenciamento de conteúdos da Internet. Aplicação pode ser vista na página www.fabiomorais.com. Os sistemas são divididos em módulos de navegação e de gestão do conteúdo da página. De excelente interatividade com os internautas, as páginas em Joomla e WordPress facilitam a produção e a publicação de informações na Internet, com interfaces de notícias, enquetes, álbum, newsletter, entre outras. Um outro aspecto importante associado à capacidade de comunicação é o domínio de um segundo idioma. Falar uma ou duas línguas estrangeiras não é mais um diferencial, mas uma necessidade básica tanto para profissionais quanto para quem está se preparando para ingressar no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo nas mais diversas áreas. O mercado, atualmente, considera requisito básico para a contratação que o candidato domine o inglês e, se possível, conheça uma terceira língua, como o espanhol, por exemplo. As escolas voltadas para o ensino de idiomas também se preocupam em levar aos seus alunos a oportunidade de conhecer e aperfeiçoar outros idiomas tais como italiano, francês, alemão, japonês e mandarim. A regra geral é: Quem se expressa por diversos canais, sem inibição e em várias línguas, comunica-se melhor.

Educação financeira Há ouro em todo lugar. A maioria das pessoas não está treinada para vê-lo. O argumento de que “o amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal” é refutado pelo que diz “a falta de dinheiro é a raiz de todo o mal”. A sociedade consumista educa seus cidadãos para gastar desmedidamente, descuidando-se de ensinar como funciona o dinheiro. Depois da saúde física, da liberdade e da disciplina emocional, o dinheiro é considerado a quarta mais importante conquista para uma vida humana plena e próspera. Dinheiro é poder, possibilita obter coisas melhores, mais alegres e empolgantes. Um profissional pode ser instruído e bem sucedido e, ainda assim, ser um analfabeto financeiro. As escolas e a sociedade ensinam habilidades acadêmicas e formam 206


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profissionais para trabalhar pelo dinheiro, uma opção mais cômoda, alimentada pela cultura do medo: medo de não ter dinheiro bastante, de perder o emprego, de começar de novo. Trata-se de um esquema que torna o homem escravo do medo. Vive-se como se o que se ganha não fosse o suficiente e o salário não valesse nada. A educação financeira convencional se limita a ensinar a nunca se gastar mais do que se ganha. Muitas vezes, ganhar mais dinheiro não resolve problemas financeiros. Não importa o nível de salário, os gastos das famílias são quase sempre os mesmos: casa, escola, telefone, cheque especial, cartão de crédito e dívidas a pagar. A maioria das pessoas, caso disponha de mais dinheiro, apenas passará a ter mais dívidas. Enfim, todos passam pelos mesmos apuros financeiros: contas a pagar, sonho de salários maiores e medo de perder o emprego. A regra é trabalhar arduamente, poupar e levantar empréstimos, o que não enriquece ninguém. Um número muito grande de pessoas, se perguntadas sobre a sequência natural da vida, diriam: nascer, crescer, estudar, trabalhar, pagar as contas, casar, procriar e, enfim, morrer. Trabalhar pelo dinheiro alimenta a falsa ilusão de segurança. O trabalho profissional assalariado é uma armadilha social que as pessoas não enxergam por possuírem uma visão limitada. Trabalha-se muito, por um salário baixo, na expectativa das férias anuais e da aposentadoria décadas depois. Socialmente, a estabilidade no emprego e os benefícios trabalhistas muitas vezes são mais importantes que a atividade profissional. Não restam dúvidas de que ter formação superior é importante, embora não afaste o medo de ficar pobre. A universidade forma professores, médicos, engenheiros, artistas, advogados, etc. Infelizmente, para muita gente, a universidade é o fim e não início do aprendizado. O emprego, solução de curto prazo para um problema de longo prazo, não afugenta o medo da pobreza. A vida humana é uma eterna luta entre a ignorância e o esclarecimento. É indiscutível a importância dos estudos como meio de aprender profissões, de entender como funciona o dinheiro e de administrar riscos. A dificuldade reside em levar os adultos a desaprender velhos costumes. Os hábitos de despesas revelam as prioridades de cada um. Quem quer ter uma vida sem apuros financeiros deve buscar a educação financeira, vez que, com o dinheiro, pode se manter duas relações: ser escravo dele ou escravizá-lo. Ao invés 207


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de juntar dinheiro, o ideal é criar investimentos financeiros, isto é, fazer o dinheiro trabalhar sozinho. Essa é a essência da inteligência financeira; é uma lição que dura uma vida inteira e que só se aprende com paixão. Parar, avaliar e ver o que está trazendo bons resultados e o que não está funcionando; aprender com a história e procurar novas ideias representam um bom começo de uma vida equilibrada. Vale sempre lembrar que quanto se conserva é mais importante do que quanto se ganha. Gastar menos, guardar mais e descobrir como fazer com que o dinheiro guardado gere mais dinheiro. Isso não é uma lição. É um desafio! De início, deve-se preparar um orçamento mensal, priorizar e limitar gastos, descobrir caminhos para economizar e fazer investimentos. Em seguida, anotar todas as rendas monetárias (salários, aplicações, aluguéis e outras fontes) e confrontá-las com os gastos mensais e dívidas (aluguel, supermercado, escola, prestações, telefone, Internet, cartão de crédito, etc), não deixando fora as pequenas despesas como jornais, cinema, lanches, etc. Quase sempre, é surpreendente saber como e onde se gasta o próprio dinheiro. Para acompanhar o movimento financeiro, convém manter o orçamento em dia, anotando todos os gastos e rendimentos de forma clara e objetiva. Pagar a si mesmo parte do salário em uma conta separada, cerca de 10%, pode gerar uma grande fortuna. É um jogo de paciência, pois até se começar a obter lucro com o próprio dinheiro, vai um tempo. Para o jovem, essas recomendações também servem. Administrar a mesada e nunca esquecer que quanto mais dinheiro disponível para investir, maiores as chances de sucesso financeiro. Saldar as dívidas e manter-se longe de novas despesas, evitar pegar dinheiro emprestado e gastar menos são formas simples de não dar lucro a bancos, setor da economia que se beneficia com os juros abusivos, sobretudo no Brasil.

Ativos e passivos financeiros Aqui vai a diferença entre ativos e passivos financeiros. Aqueles são investimentos que geram retorno; estes são despesas que nunca geram retorno monetário. Parar de gastar dinheiro com passivos pode fazer grande diferença na saúde financeira. Ao contrário, quem prefere passar o próprio dinheiro adiante consome passivos. Em 208


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geral, os principais passivos são compras em shoppings, empréstimo bancário, alimentação cara, roupas, diversão, carro, despesas em cartão de crédito e outros, todos itens que geram despesas na forma de impostos e desvalorizam-se com o passar do tempo. As despesas de quem consome passivos acompanham a renda e o impedem de investir em ativos. Está então instalado um ciclo financeiro vicioso. Consumindo passivos, além de desperdiçar economias, o brasileiro paga taxas altíssimas de tributos, uma das maiores do mundo, inferior apenas à da Suécia e à da Alemanha. Desde 1994, a carga tributária brasileira tem crescido continuamente e já beira 40% do PIB. Isso significa que o brasileiro trabalha mais de 4 meses no ano só para pagar impostos. Fazer investimentos em ativos é o caminho para fazer fortuna. Quem quer ganhar dinheiro fazendo o dinheiro trabalhar para si, adquire ativos. Os principais ativos são: negócios, ações, títulos, promissórias, imóveis e propriedade intelectual. Os ativos vão gerar dinheiro na forma de renda imobiliária, dividendos, juros, royalties (percentagem sobre o preço de cada exemplar vendido de uma obra, paga ao autor ou compositor). Os investimentos em ativos tendem a crescer continuamente, aumentando a renda gerada por eles. Com o passar do tempo, os ativos geram renda mais que suficiente para cobrir as despesas correntes, podendo o saldo ser reinvestido em ativos. É assim que os ricos ficam mais ricos. É o chamado ciclo financeiro virtuoso. O emprego é mais importante pela oportunidade de aprendizado que pelo salário. Desse modo, trabalhando, pode-se construir o próprio patrimônio de ativos: capital e conhecimento. A longo prazo, a instrução vale mais que o dinheiro. O maior dos ativos é a educação financeira: entender de fluxo de caixas, gestão de pessoal, administração do tempo, estratégias de investimentos, leis e mercados. Nesse jogo, importante é aplicar conhecimento técnico, sabedoria e amor para minimizar riscos. Há muito o que aprender e a recompensa é valiosa. Enquanto a maior riqueza é o que se sabe, o maior risco é o que não se conhece. Dinheiro investido em ativos favorece uma vida melhor. Em lugar de trabalhar em tempo integral para pagar as contas, o importante é começar cedo a fazer um plano de investimentos e de aposentadoria. Para descobrir bons negócios, é neces209


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sário despertar o próprio gênio financeiro adormecido pela cultura alienante. Então, num momento de dificuldade, em vez de gastar poupanças e investimentos, o ideal é descobrir novas formas de ganhar dinheiro. Assim, a capacidade de ganhar dinheiro está sendo estimulada, bem como a inteligência financeira. No livro “Os Axiomas de Zurique”, Max Gunther dá algumas dicas para quem quer se aventurar no mundo dos investimentos, ou especulações, como prefere o autor. I - Do risco - Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante. 1 - Só aposte no que vale a pena. 2 - Resista à tentação das diversificações. II - Da ganância - Realize o lucro sempre cedo demais. 3 - Entre no negócio sabendo quanto quer ganhar; quando chegar lá, caia fora. III - Da esperança - Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o. 4 - Aceite as pequenas perdas com um sorriso, como fatos da vida. Admita-as com naturalidade enquanto espera um grande ganho. IV - Das previsões - O comportamento do ser humano não é previsível. Desconfie de quem afirmar que conhece uma nesga que seja do futuro. V - Dos padrões - Até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso. 5 - Cuidado com a armadilha do historiador. A história nem sempre se repete. 6 - Cuidado com a ilusão do grafista. Os gráficos representam dados passados. 7 - Cuidado com a ilusão de correlação e com a de causalidade. 8 - Cuidado com a falácia do jogador. VI - Da mobilidade - Evite lançar raízes. Tolhem seus movimentos. 9 - Numa operação que não deu certo, não se deixe apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade. 10 - Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer à sua frente. VII - Da intuição - Só se pode confiar num palpite que possa ser explicado. 11 - Jamais confunda palpite com esperança.

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VIII - Da religião e do ocultismo - É improvável que entre os desígnios de Deus para o universo se inclua o de fazer você ficar rico. 12 - Se astrologia funcionasse, todos os astrólogos seriam ricos. 13 - Não é necessário exorcizar uma superstição. Podemos apreciá-la, desde que ela conheça o seu lugar. IX - Do otimismo e do pessimismo - O otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como lidar com o pior. Jamais faça uma jogada por otimismo apenas. X - Do consenso - Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada. 14 - Jamais embarque nas especulações da moda. Com frequência, a melhor hora de se comprar alguma coisa é quando ninguém a quer. XI - Da teimosia - Se não deu certo da primeira vez, esqueça. 15 - Jamais tente salvar um mau investimento fazendo “preço médio”. XII - Do planejamento - Planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja. 16 - Fuja de investimentos a longo prazo. A vontade de poder usufruir uma vida mais divertida, com riscos medidos e sucessos, é o maior estímulo à contínua educação financeira. Agir é melhor que ficar parado.

Gestão do conhecimento “Existirão dois tipos de executivos nos próximos cinco anos: os que pensam globalmente e os que estarão desempregados”. Peter Drucker

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Os ativos patrimoniais que compõem a sociedade do conhecimento são formados de ativos tangíveis e intangíveis. Os tangíveis são propriedades materiais como imóveis, fábricas, máquinas, dinheiro, ou seja, itens palpáveis e que aparecem no balanço patrimonial. Entretanto, na economia da informação, os ativos mais valiosos são os ativos intangíveis, assim chamados por não serem contabilizáveis objetivamente. O conhecimento é o produto que compõe o balanço patrimonial de ativos intangíveis de uma organização, os quais se apresentam sob três formas: ►►habilidades, competências e atitudes dos funcionários. ►►estrutura interna – patentes, sistemas de gestão, estrutura legal, manuais, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e softwares. ►►estrutura externa – marcas, reputação com clientes e fornecedores. Em todos os tipos de ativos intangíveis, as pessoas são os verdadeiros agentes de negócios, sendo a competência empreendedora medida pela capacidade de criar tanto ativos intangíveis como tangíveis. Na economia da informação, são os ativos intangíveis que mais agregam valor aos profissionais e às empresas dos mais diversos setores de mercado - industrial, comercial e de serviços. Empresas de produtos de consumo, como a Coca-Cola, por exemplo, possuem ativos intangíveis concentrados, principalmente nas marcas de sua propriedade. Os ativos intangíveis mais valiosos do McDonald’s são provavelmente a sua marca e a sua rede de franquias. Já o principal ativo intangível de uma construtora é a sua capacidade de realizar projetos complexos. Na economia da informação, os ativos intangíveis ou o conhecimento são tão valiosos que saber gerenciá-los pode fazer a diferença entre a prosperidade e o fracasso de uma empresa. Assim, os funcionários de uma empresa de conhecimento são profissionais qualificados e com alto nível de escolaridade que, principalmente, convertem informação em conhecimento e, consequentemente, produzem ativos. A gestão do conhecimento é um processo sistemático e intencional, apoiado na geração, apropriação e disseminação de conhecimentos, com o propósito de atingir a excelência. A economia da sociedade do conhecimento dispõe de recursos

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ilimitados dada a capacidade humana infinita de gerar conhecimentos. Ao contrário dos recursos físicos, o conhecimento cresce quando é compartilhado. Nas organizações do conhecimento, as pessoas são geradoras de receita, e a base do poder de decisão está relacionada ao nível de conhecimento dos colaboradores no que tange ao domínio de conceitos tecnológicos, à produção e ao manuseio de softwares. Os ganhos são gerados na forma de aprendizado, novas ideias, novos clientes, pesquisa, desenvolvimento e inovação. Na empresa do conhecimento, o fluxo de produção é caótico, sendo regidos por ideias. O estrangulamento da produção ocorre pela falta de tempo e limitação de conhecimentos. O valor de mercado da empresa é medido pelos ativos intangíveis. Os líderes atuam no contínuo apoio às equipes, cujos componentes convertem conhecimento em estruturas intangíveis, produtos e serviços, de maior valor agregado, tais como: know-how técnico, projeto de produto, apresentação de marketing, entendimento do cliente, criatividade pessoal e inovação. Os pontos fortes do conhecimento são velocidade de difusão, complexidade, senso histórico e de contexto, discernimento e flexibilidade, todos necessários numa economia global progressivamente competitiva e continuamente dinâmica. Há cinco modos de se gerar conhecimento: (1) Aquisição – A compra é a maneira direta de adquirir conhecimento. Exemplo: a compra de softwares, por um valor que supera até quatorze vezes o valor da avaliação contábil. As mentes que inventaram os programas são mais valiosas que o software em si. Elas têm a capacidade de vislumbrar a geração seguinte de software de comunicação e de compartilhamento do conhecimento e ainda a qualificação, a experiência e a criatividade de que a organização precisa para usar o conhecimento no novo mundo dos aplicativos colaborativos. (2) Aluguel – Contratar um consultor significa alugar uma fonte de conhecimento. A empresa paga determinados honorários ao consultor para que ele compartilhe o seu conhecimento com ela ou o aplique em determinado assunto. Embora a fonte do conhecimento seja temporária, parte do conhecimento tende a permanecer na empresa. (3) Recursos dirigidos – Consiste em formar unidades ou grupos para gerar conhecimentos. Departamentos de pesquisa e desenvolvimento são o seu exemplo-padrão. 213


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(4) Fusão – A geração do conhecimento através da fusão nasce da combinação de velhas ideias com novas formas de saber. (5) Adaptação – “Adaptação ou morte” é o destino. A capacidade de adaptação de uma empresa depende de dois fatores principais: 1 - possuir recursos e capacidades internas que possam ser utilizados de novas formas; 2 - estar aberta à mudança ou ter uma elevada capacidade de absorção. Os recursos adaptativos mais importantes são funcionários que tenham facilidade de adquirir conhecimentos e habilidades novas. Nessas funções, sobressaem os profissionais que tenham dominado uma variedade de papéis e habilidades, podendo estes ser estimulados a mudar de função com frequência, construir e gerir suas habilidades e dominar novas disciplinas relacionadas com o trabalho. Uma vez gerado o conhecimento, algumas iniciativas são importantes para o desenvolvimento de mercados internos: (1) Uso de tecnologia da informação com sabedoria – As redes de computador e os computadores pessoais, com sua capacidade de interligar pessoas e de armazenar e recuperar volumes de conteúdo virtualmente ilimitados, podem melhorar a eficiência do mercado do conhecimento. (2) Construção de locais de mercado – Consiste em criar espaços físicos e virtuais dedicados ao intercâmbio do conhecimento, tais como salas de conversa, onde pesquisadores discutem trabalhos. Promoção de férias dedicadas ao compatilhamento do conhecimento de melhores práticas. Outros exemplos são as universidades corporativas e os foros reais ou virtuais que reúnem pessoas para examinar assuntos de interesse mútuo. (3) Criação e definição de uma cultura consistente de compartilhamento do conhecimento - Implantação de moedas valiosas, como gratificações monetárias substanciais, aumentos de salário e promoções, colocação de pessoas respeitadas em funções facilitadoras do compartilhamento de conhecimento e oferta de tempo aos funcionários para que eles possam aprender e trocar conhecimentos. A transferência espontânea e não estruturada do conhecimento é vital para o sucesso de uma empresa. Entre as técnicas conhecidas para a transferência do conhecimento estão os contatos pessoais, murais, workshops, treinamento, relatórios técnicos, licenças de terceiros, produção e suporte de produtos, documentos, bancos de dados, 214


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intranet web, telefone, correio eletrônico e grupos virtuais. Outra forma também eficiente é o rodízio de executivos de engenharia para a produção e vice-versa, de modo que os gerentes entendam todo o processo de desenvolvimento e de fabricação de novos produtos. Há ainda as conversas que ocorrem nos corredores, ocasiões em que as pessoas trocam informações sobre projetos em andamento, discutem ideias e pedem conselhos sobre como resolver problemas, excelentes oportunidades de transferência do conhecimento. Conversar é a maneira pela qual os trabalhadores do conhecimento descobrem aquilo que sabem, compartilham o conhecimento com os colegas e, nesse processo, criam conhecimento novo para a organização. Para a implantação de uma cultura de geração, desenvolvimento e transferência de conhecimento, é necessário construir relacionamentos e fazer despertar uma confiança mútua através de reuniões face a face, de discussões, publicações, trabalho em equipe e rodízio de funções. Criar tempo e locais para transferência do conhecimento (feiras, salas de bate-papo, relatos de conferências); avaliar o desempenho e oferecer incentivos baseados no compartilhamento; educar funcionários para a flexibilidade; propiciar tempo para aprendizado e, por fim, basear as contratações na abertura a ideias são outras estratégias igualmente importantes. O denominador comum de todos esses esforços é a necessidade de se alocar tempo e espaço apropriados para a criação ou aquisição do conhecimento. Espaço significa laboratórios e bibliotecas que possibilitem descobertas, além de lugares onde circulem funcionários envolvidos com o trabalho do conhecimento. Em alguns casos, o espaço compartilhado pode ser eletrônico, mas é preciso que exista também um espaço físico para encontros. É importante não gastar tempo e recursos em excesso, de modo a gerir o conhecimento pelo conhecimento em si. Assim, o conhecimento e o aprendizado estarão a serviço dos propósitos maiores da organização, focados em servir de sustentação ao processo decisório no comprometimento com a eficácia operacional da empresa e na satisfação plena dos grupos de interesses, o que se opera sobretudo por meio de ações empreendidas em harmonia coma natureza e fundamentadas na consciência ecológica.

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Consciência ecológica Se se aprende a paz, então é importante criar espaços onde os jovens possam vivenciá-la. Se quiser garantir a própria existência na Terra, o homem precisa aprender a viver e explorar a natureza de maneira sustentável. Ter consciência ecológica significa pensar, educar e construir comunidades humanas sustentáveis, capazes de satisfazer as próprias aspirações sem diminuir as expectativas de vida das gerações futuras. A diversidade biológica é patrimônio da humanidade e, como tal, deve ser preservada e tratada com absoluto respeito e ética. A consciência ecológica se revela no senso estético de encantamento com o mundo natural e com a teia da vida e em atitudes que não agridam o ecossistema natural. Na atual conjuntura econômica, os lucros privados são obtidos em detrimento do meio ambiente e da qualidade de vida das gerações atuais e, principalmente, das futuras. A economia enfatiza a competição, a expansão e a dominação, enquanto a ecologia enfatiza a cooperação, a conservação e a parceria. Encontrar o equilíbrio entre o interesse privado e o público no tocante à conservação ambiental não é tarefa fácil, principalmente porque o controle do equilíbrio ecológico depende de critérios e fatores subjetivos e de políticas ambientais e turísticas adequadas. Um programa de monitoramento ecológico, cientificamente embasado, diminui a subjetividade por incluir componentes quantificáveis na avaliação de impacto ambiental decorrente das atividades produtivas, o que tem papel estratégico na utilização sustentável da biodiversidade dos ecossistemas planetários. Os mecanismos de autorregulação de comunidades sustentáveis de microorganismos, plantas e animais indicam ser ideal criar comunidades humanas autossustentáveis. A analogia entre o mundo natural e o humano é o ponto alto da força didática na difusão da consciência e alfabetização ecológicas. Um maior conhecimento da dinâmica dos ecossistemas naturais permite o alcance de uma melhor gestão ambiental, cujo os interesses ecológicos fiquem sempre acima dos interesses privado e comercial. Fritjof Capra, em seu livro “A Teia da Vida”, considera que os princípios básicos 216


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de organização de comunidades naturais sustentáveis são: interdependência, natureza cíclica, parceria, flexibilidade e diversidade. Considera também que tais princípios podem ser adotados nas regras de desenvolvimento das comunidades humanas que se pretenderem autossustentáveis. O princípio da interdependência se estabelece no fato de os membros de uma comunidade ecológica estarem interligados, de forma que a ação de qualquer dos componentes tem efeito em todos os integrantes da teia ecológica. Pela interdependência, cada membro vivo do ecossistema depende do comportamento de todos os outros. O sucesso da comunidade toda depende do sucesso de cada um dos membros e vice-versa. A teia de interdependência possui laços de realimentação, de modo que a perturbação em um componente pode ampliar-se e se espalhar por toda a teia, sendo capaz de repercutir inclusive na fonte da perturbação. Entender a interdependência ecológica significa entender as características do pensamento sistêmico, das partes para o todo, de objetos para relações, de conteúdo para padrão. Uma comunidade humana sustentável está ciente das múltiplas relações entre seus membros. Então, nutrir a comunidade significa nutrir essas relações. Ao longo dos bilhões de anos de existência do planeta, os organismos têm evoluído usando e reciclando continuamente os mesmos átomos que compõem as matérias sólida, líquida e gasosa da Terra. Daí surge o princípio cíclico dos ecossistemas autossustentáveis, percebido quando se observa que os nutrientes são continuamente reciclados nos laços de realimentação dos ecossistemas. Em uma teia de vida sustentável, todos os organismos produzem resíduos, e o que é resíduo para uma espécie é alimento para outra, de modo que toda a teia permanece livre de resíduos. As comunidades humanas precisam incorporar o princípio da reciclagem da natureza, estabelecendo atividades industriais, comerciais e de serviços que sejam cíclicas. É necessária a redução do número de resíduos e que estes, quando inevitáveis, possam ser incorporados à cadeia produtiva. O princípio da parceria também é uma característica evidente nas comunidades autossustentáveis. Em um ecossistema natural, a cooperação entre os componentes da teia viva sustenta os ciclos de matéria e energia. Desde o surgimento no planeta, há cerca de 3,5 bilhões de anos, a vida tem evoluído continuamente por meio de arranjos cooperativos. 217


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Nas comunidades humanas, a parceria se estabelece no reconhecimento da individualidade e na importância do papel social de cada indivíduo. A sustentabilidade social, econômica e ecológica de projetos e negócios é cada vez mais dependente da formação de parcerias entre os grupos sociais de interesses: empresas, sociedade, consumidores, colaboradores, acionistas e fornecedores. Em atividades sociais autossustentáveis, a cada nova relação estabelecida, cada parceiro e grupos sociais envolvidos evoluem e, ainda, todos passam a perceber melhor as necessidades uns dos outros. Em teias vivas, as perturbações sempre acontecem e as transformações são contínuas. Daí vem o princípio da flexibilidade que, em sistemas vivos autossustentáveis, é representada pelos laços de realimentação que tendem a levar o sistema de volta ao equilíbrio sempre que houver uma variação em algum dos componentes. A teia da vida é uma rede flexível e variante. No entanto, as variações nos componentes individuais devem ocorrer dentro de limites de tolerância. Ao ultrapassar esses limites, corre-se o risco de o sistema não conseguir mais retornar à faixa de equilíbrio, ocorrendo o colapso da teia da vida. Em comunidades humanas, as visões contraditórias dos grupos de interesse demonstram sinais de diversidade e vitalidade e, desse modo, contribuem para a evolução da sociedade. Com efeito, administrar com flexibilidade conflitos de interesses favorece o alcance de soluções eficazes e possibilita que todos aprendam a cada nova experiência, até chegar ao aprimoramento das relações e à evolução dos indivíduos e dos grupos. A diversidade é o princípio inerente à estrutura de ecossistemas naturais da Terra que leva à flexibilidade funcional dos componentes da teia da vida. Quando uma determinada espécie do ecossistema é naturalmente destruída, há a quebra de um elo da teia. Nesse caso, um ecossistema diversificado pode se reorganizar, pois um outro componente da teia será capaz de realizar a função da espécie destruída. Quanto mais complexa for a rede de interconexões de uma teia viva, mais flexível ela será. A diversidade nas comunidades humanas é representada pelas diferenças étnicas e culturais. Uma comunidade fragmentada em grupos e em indivíduos isolados faz da diversidade uma fonte de preconceitos e de atrito. Porém, a consciência da interdependência dos membros da comunidade leva à consciência da riqueza trazida 218


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pelas relações, o que beneficia cada um dos seus componentes e a comunidade como um todo. Uma comunidade diversificada sustentável é elástica, ou seja, capaz de se adaptar a situações mutáveis, por dispor de abordagens diferentes para um mesmo problema. Preservar a diversidade é preservar a riqueza de soluções para os problemas enfrentados pela humanidade, o que pode levar a soluções mais eficazes. O ecoturismo ou turismo ecológico é atividade que une o lazer à formação de uma consciência ecológica. As práticas corretas do ecoturismo, estabelecidos em protocolos de visitação, devem minimizar o conflito entre recreação e conservação da natureza, preparando o visitante para compreender e respeitar as características dos ambientes naturais. O turismo desenvolvido em ambiente ecológico, de forma conservacionista, procura conciliar a exploração turística com a compreensão dos princípios básicos de organização de comunidades naturais sustentáveis: interdependência, natureza cíclica, parceria, flexibilidade e diversidade. O contato íntimo do turista com os recursos naturais e culturais da região visitada possibilita a vivência da harmonia inerente aos ambientes autossustentáveis. As regras do ecoturismo são: “viva e deixe viver”; “não leve nada além de lembranças”; “não tire nada além de fotos”; “destrua as ondas, não as praias”. O filme “Uma verdade inconveniente”, vencedor em 2007 do Oscar de melhor documentário e produzido pelo ex-vice presidente americano Al Gore, ganhador em 2007 do prêmio Nobel da Paz juntamente com o IPPC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (www.ipcc.ch), retrata de forma convincente de que é a atividade humana que tem causado o aquecimento global, um dos priores problemas já enfrentados pelo homem. Por aqui, o fato é que a matriz energética brasileira é uma das melhores do mundo, com 45% da energia originada de fontes não poluentes e da produção de biocombustíveis. Entretanto, 75% das emissões nacionais de gás carbônico são provocadas pelas derrubadas de árvores e o país precisa de ações eficazes contra o desmatamento e queimadas de matas. Com a finalidade tirar o Brasil da incomoda posição de quarto maior emissor do mundo de gases do efeito estufa, que contribuem para o agravamento do aquecimento global, em dezembro de 2009, foi sancionada a Política Nacional sobre Mudança do Clima. A política fixa em lei o compromisso do Brasil em reduzir, até 219


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2020, as emissões projetadas de gases do efeito estufa, dentro do limite que vai de 36,1% a 38,9%. Os objetivos específicos são: reduzir as emissões antrópicas de gases de efeito estufa e implementar medidas para promover a adaptação à mudança do clima das comunidades e de setores econômicos e sociais. Ainda com a finalidade de preservação ambiental no Brasil, em março de 2010, após 19 anos de tramitação, foi aprovada pela câmara a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O plano é ousado e exige responsabilidade compartilhada de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, consumidores e responsáveis pela limpeza pública. As soluções de geração e manejo de resíduo devem apresentar diagnósticos; proposição de cenários; metas de redução, reutilização e reciclagem; metas de eliminação de lixões com a inclusão social dos catadores e metas de aproveitamento energético dos gases gerados pelos resíduos. Se nesse sentido não se tomar atitudes, pode ser que seja tarde e a humanidade passe a viver ameaçada de findar precocemente a experiência sobre o planeta Terra. É urgente a preservação dos recursos naturais, visto que o tempo é o mais escasso de todos os recursos, do qual é impossível obter substituto.

Gestão do espaço-tempo “Nada é mais fácil do que estar ocupado e nada é mais difícil do que ser eficaz”. MacKenzie Para Isaac Newton, o espaço e o tempo constituíam um pano de fundo em que os eventos ocorriam sem ser afetados por eles. O tempo era distinto do espaço e considerado uma linha única, infinito em ambas as direções, sendo eterno, no sentido de que sempre tinha existido e de que existiria para sempre. Já o espaço foi definido como uma extensão limitada em uma, duas ou três dimensões, que contém todas as extensões finitas e todos os corpos ou objetos existentes ou possíveis Para Albert Einstein, a relatividade geral combina a dimensão temporal com as três dimensões espaciais (x,y,z) para formar o que se denomina espaço-tempo. A teoria 220


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da relatividade incorpora em si o efeito da gravidade, afirmando que a distribuição de matéria e energia no universo deforma e distorce o espaço-tempo. Na relatividade, tempo e espaço estão intricadamente entrelaçados. Não se pode conceber um sem envolver o outro. Na relatividade geral, tempo e espaço não existem independente do universo ou um do outro. Assim, o tempo possui uma forma, conceito que leva à conclusão de ser o espaço-tempo participante dinâmico e ativo dos acontecimentos. É concebível que o tempo tenha um início ou um fim, mas, absolutamente, não se pode conceber o que aconteceu antes do início e acontecerá depois do fim. Sem o espaço-tempo, nenhuma percepção é possível, vez que, além desse binômio, só há as categorias da razão. Ainda assim, a existência racional necessariamente acontece no espaço-tempo. No dia a dia, administrar o espaço-tempo significa gerir a existência, as oportunidades e os recursos que a vida oferece, na busca de maximizar resultados e minimizar custos. A melhor atitude na gestão do espaço-tempo é vivenciar o momento presente, o “aqui e agora”; é pensar menos e prestar mais atenção. Muitas vezes, enquanto se mergulha na introspecção, as oportunidades passam à frente dos olhos e não são percebidas. Por isso, convém seguir a regra: mente alerta, olho vivo e faro fino. Saúde, energia e percepção é o de que se precisa para realizar os próprios sonhos. Muitos dizem estar estressados, cansados e que precisam se distrair um pouco. Distraídos já somos até demais. O que o ser humano precisa é de concentração. A fonte da liberdade e da felicidade da vida é viver o momento presente, é estar atento a cada ato do dia a dia. O texto elaborado por Sérgio Casalecchi para a campanha publicitária da malharia Devi (www.devi.com.br) é uma verdadeira fonte de inspiração para a plena vivência do momento presente: “A cada instante, marque um encontro com você mesmo. Fique à vontade. Entre em contato, acesse, conecte-se ao seu momento. Inspire e expire profundo. Siga por belos caminhos, ultrapasse horizontes, trace seu próprio destino. Perceba as coisas, as formas, o perfume, a paz, o êxtase que existe em você. Crie movimentos, experimente sensações, encontre espaços, busque alternativas. Estime que a viagem seja longa, repleta de aventura, repleta de saber. Não faça perguntas, apenas ouça. Aja plenamente. Seja espontâneo. Contemple livremente. Atente-se apenas ao presente. Ouça a música do vento, dance ao ritmo das ondas, sinta a delicada brisa que toca o seu corpo. Faça 221


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desse momento único, o seu próprio momento. Perceba com que prazer e com que alegria você mergulhou em sua própria essência. Você se tornou sábio enfim, rico de quanto ganhou no caminho, livre para viver sua própria natureza”. A gestão do espaço-tempo está diretamente associada à capacidade de viver o momento presente. Estar alerta é uma questão de postura, atitude e concentração, sendo uma prática acessível e recomendada a todos. As pessoas e empresas comprometidas com a gestão do espaço-tempo incorporam em suas atividades padrões de qualidade e produtividade, através da adoção dos critérios de eficácia e eficiência. Eficácia significa fazer as coisas certas, ou seja, fazer as tarefas que realmente devem ser feitas, resultando em produtividade. Já a eficiência está associada à capacidade de fazer certo as coisas, ou seja, fazer tarefas como devem se feitas, com máximo de qualidade e mínimo de erros, evitando o retrabalho. A relação entre qualidade e produtividade pode ser analisada em eixos coordenados, mostrados na Figura 13.2. Na horizontal, tem-se a reta representativa da qualidade e na vertical, a reta que representa a produtividade.

Figura 13.2 - Qualidade X Produtividade

Analisando cada um dos quadrantes, inicialmente, pode-se observar que, no 222


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quadrante I, tem-se a condição ideal de trabalho, na qual as atividades são realizadas com qualidade e produtividade, ou seja, com eficácia e eficiência. No quadrante II, tem-se a condição indesejável de se estar fazendo errado a tarefa que dever ser feita, e bem feita. Tem-se qualidade, no entanto, baixa produtividade. Lembre-se: aquilo que deve ser feito merece ser bem feito. O quadrante III apresenta a situação mais indesejável: fazer errado algo que nem deveria ser feito, portanto, sem qualidade nem produtividade. Nesse caso, a decisão mais acertada é parar com todo o sistema para redirecionamento das ações. Finalmente, o quadrante IV traz a condição em que a tarefa realizada não é a correta, mas está sendo feita da forma correta. Tem-se produtividade, mas não qualidade. Ressalte-se que direção é mais importante que velocidade, ou seja, é melhor seguir devagar no caminho correto que apressadamente na trilha errada. Na gestão do espaço-tempo, podem ser citadas algumas motivações: fazer somente o que interessa, eliminar tarefas indesejáveis, obter maior produtividade, diminuir o estresse em casa e no trabalho e assim melhorar os ambiente e as relações. No estudo das técnicas de gestão do espaço-tempo, são identificados dois mitos, ou seja, inverdades: conseguir programar 100% do tempo ou tornar-se escravo dele. Também é um equívoco muito comum achar que resolver logo o menos importante é uma boa prática, bem como achar que delegar atividades resolve tudo. Existem algumas atitudes que intensificam o desperdício de tempo as quais, caso não tratadas com atenção, podem sabotar qualquer tentativa de tornar a vida mais produtiva. Convém conhecer algumas e tentar driblá-las: preguiça, desorganização, interrupções das tarefas, atrasos inesperados, procrastinação (adiamentos), não compreensão do problema, falta de prioridades, conversas telefônicas demoradas, excesso de e-mails inúteis, conserto de atividades ou retrabalho, reuniões desnecessárias ou mal conduzidas e o não uso de agenda. Por oportuno, citam-se algumas frases que destacam a relevância do espaçotempo na vida humana: “O tempo é a substância de que sou feito”. - Jorge Luís Borges “O que é feito com tempo, o tempo respeita”. - Leonardo da Vinci “O homem que tem coragem de desperdiçar um minuto de seu tempo não descobriu o valor da vida”. - Charles Darwin 223


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“Amas a vida? Então não desperdices teu tempo; é de tempo que a vida é feita”. - Benjamin Franklin “Quem mata o tempo não é assassino, é suicida”. - Millor Fernandez “Eis um teste para saber se terminou tua missão na Terra: se estás vivo, não a terminaste”. - Richard Bach “Sonha como se vivesses para sempre; vive como se fosses morrer hoje”. James Dean “Viva cada dia como se fosse o último: um dia você acerta”. - autor desconhecido (a.d.) “O hoje é o amanhã que ontem tanto o preocupava”. - a.d. “Preste atenção ao que está fazendo hoje: o ontem já lhe fugiu das mãos, o amanhã ainda não chegou” - Vitor Hugo “O que você fizer hoje é muito importante: você está trocando um dia da sua vida por isso”. - a.d. “Concentre todos seus pensamentos na tarefa que está realizando. Os raios de sol não queimam até que sejam colocados em foco”. - Alexander Graham Bell “Tempo disso, tempo daquilo, falta o tempo de nada”.- Carlos Drummond de Andrade “O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido”. - Bertran Russel “O maior erro é a pressa antes do tempo e a lentidão ante a oportunidade!”. - a.d. “A vida já é curta e nós a encurtamos mais desperdiçando tempo”. “O tempo amadurece todas as coisas. Nenhum homem nasce sábio”. - a.d. “Nunca me preocupo com o futuro, muito em breve ele virá”. - Albert Einstein “Tornar-se jovem leva muito tempo”. - Pablo Picasso “O passado não conhece o seu lugar, está sempre no presente. Portanto, haja hoje pra tanto ontem!” - a.d. “Cure o passado. Viva o presente. Sonhe o futuro”. - a.d. “Ontem é história; amanhã é mistério; hoje é uma dádiva, e é por isso que é chamado presente”. - a.d. “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode recomeçar agora e fazer um novo fim”. - Chico Xavier 224


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O texto que segue aborda o tema da gestão do espaço-tempo e foi produzido no formato de artigo acadêmico. Gestão do Espaço-Tempo Fábio Campos Morais Engenheiro da Petrobras Mestre em Engenharia Mecânica - Universidade Federal de Uberlândia - 2001 MBA em Administração e Marketing – Faculdade Integrada do Ceará - 2006 Engenheiro Mecânico - Universidade Federal do Ceará - 1997 Técnico em Mecânica – Escola Técnica Federal do Ceará - 1997 www.fabiomorais.com – fmorais@hotmail.com Resumo O espaço-tempo é uma combinação da dimensão temporal com as três dimensões espaciais. A existência racional necessariamente acontece no espaço-tempo. O espaço-tempo é vida e aprender a usá-lo eficazmente é uma forma de aproveitá-la mais e melhor em todos os seus aspectos. Existe uma íntima relação entre o uso do espaço-tempo e a qualidade de vida humana. A gestão do espaço-tempo é simples e produz sensível melhoria em rotinas pessoais. Os passos da boa prática de gestão do espaço-tempo são: identificar e assumir o problema; não procrastinar; organizar a área de trabalho; reservar tempo para o inesperado; evitar o manuseio duplo; planejar o dia; não se afobar e concentrar-se nos resultados; estabelecer prioridades; começar; verificar detalhes para evitar erros caros; programar paradas regulares; apoiar as pessoas. Tempo é vida e o dom mais precioso do universo. 1. Introdução O tempo determina a duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro. É um período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucedem. O espaço é a extensão que contém todas as extensões finitas e todos os corpos ou objetos existentes ou possíveis, limitado a três dimensões. O 225


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tempo e o espaço não existem independente do universo ou um do outro, e unemse formando o espaço-tempo, matéria-prima da vida. Administrá-lo é, portanto, uma questão de sobrevivência. No dia a dia, administrar o espaço-tempo significa gerir a existência, as oportunidades e os recursos que a vida oferece, na busca de maximizar resultados e minimizar custos. Problemas em relação ao uso eficaz do espaço-tempo são verdadeiros campos minados que podem destruir as pessoas, as empresas e os relacionamentos. Em ambientes sociais, nos quais as pessoas não se preocupam com a gestão de espaço-tempo, é comum aparecerem sinais de estresse, alta incidência de doenças, queda na produtividade e saída dos melhores funcionários por não suportarem tais ambientes, o que é, na verdade, um prejuízo para as empresas. 2. Desenvolvimento Eu não tenho tempo! Eu preciso de mais espaço! Essas são queixas comuns nos dias atuais. Na verdade, o espaço-tempo é constante e irreversível para todos. Não discrimina nem privilegia ninguém, sendo igual para cada um de nós. Cabe a cada pessoa usufruir corretamente cada momento de que dispõe. Entre os principais desperdiçadores de espaço-tempo estão a desorganização, o perfeccionismo, a dificuldade de dizer não, a falta de planejamento e de objetivos, a dificuldade de delegar e a rotina de “administração de crises”, caso em que a pessoa se habitua a trabalhar apagando os incêndios do cotidiano. Esses fatores, juntos ou isolados, fazem o espaço-tempo das pessoas render menos do que poderia e acabam comprometendo a qualidade de vida. Não há fórmulas definidas para resolver problemas de espaço-tempo, devendo cada um agir de acordo com as características individuais. No entanto, algumas abordagens práticas podem ser úteis a todos. O espaço-tempo deve ser considerado um grande aliado, um recurso a ser usado em favor próprio. A técnica de administração do espaço-tempo apresentada segue 12 passos, assim descritos:

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Passo 1: Identificar e assumir o problema para si. É comum considerar que problemas com o espaço-tempo se devam à escassez do recurso. O espaço-tempo é igual para todos, não privilegia, nem discrimina. É imprescindível admitir a responsabilidade pelo problema para depois resolvê-lo. Se a pessoa acha que o problema é do dia que só tem 24 horas, que é do chefe que exige trabalhos demais, ou aponta outra razão externa qualquer que seja, é melhor desistir do programa de administração espaço-tempo e continuar com o problema. Considerando que o homem dispõe de todo o espaço-tempo do mundo, o melhor é promover mudanças de hábito, que devem acontecer gradual e lentamente, aumentando assim as chances de sucesso. Não se pode extremar entre 8 e 80. Somente adotando um esquema de mudanças, é possível administrar as decepções, presentes em qualquer processo de evolução. Passo 2: Não procrastinar. Procrastinação é a tática de adiar a resolução dos problemas. Além de gerar o hábito de perder espaço-tempo com coisas inúteis, protelar problemas inevitáveis só faz dificultar as situações. Existem condutas indicadas para evitar-se a procrastinação de soluções. O ponto de partida é ser assertivo, o que engloba atitudes como não ser receptivo com visitas inesperadas, recusar-se a participar de bate-papos, frisar que está ocupado, diminuir o número de cadeiras para visitantes na sala, demonstrar com gestos como ficar de pé a inconveniência da visita, tudo isso para evitar a perda de espaço-tempo com supérfluos, o que prejudica o andamento do que é essencial. Passo 3: Organizar a atividade de trabalho. Atividades produtivas agregam valor aos bens e serviços. É conveniente, pois, organizar o local de trabalho e otimizar deslocamentos, telefonemas e reuniões. A implementação de um programa 5S ajuda na organização do ambiente de trabalho. Ressalte-se que a sensação de libertar-se do caos é muito poderosa. O 5S é dividido em cinco etapas e atitudes: ►►Senso de Utilização – Separar e classificar o que é útil e o que é inútil, para manter no local de trabalho apenas os itens que realmente são úteis. ►►Senso de Ordenação – Arrumar o que for útil de uma forma que seja de 227


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fácil visualização, acesso e manuseio, começando por manter os arquivos e pastas em ordem, procedimento extensivo às informações armazenadas no computador. ►►Senso de Limpeza – Com o uso de vassouras e panos, retirar o pó e a sujeira do local e equipamentos de trabalho. ►►Senso de Saúde – Eliminar condições inseguras e insalubres, manter as condições de trabalho, físicas e mentais favoráveis à saúde. ►►Senso de Autodisciplina - Através de treinamentos em procedimentos operacionais, ética e padrões estabelecidos, promover o desenvolvimento mental físico e moral da equipe, na busca da melhoria contínua. Otimizar os deslocamentos é outra regra valiosa. Para tanto, podem-se estabelecer as melhores rotas de acordo com os horários e aproveitar itinerários para resolver tarefas. O percurso pode ser aproveitado para desenvolver atividades agradáveis como ouvir boas músicas ou CDs de línguas, fazer anotações na agenda, treinar apresentações, etc. Filtrar o excesso de ligações telefônicas, utilizando o serviço de uma secretária que anotará recados ou mesmo a secretária eletrônica, fazer as ligações todas de uma vez, com lista de assuntos predefinida e tornar mais objetivos os diálogos com os interlocutores são também atitudes inteligentes e proveitosas. As reuniões devem ser programadas com participação somente dos indivíduos indispensáveis, observando alguns pontos: pautas predeterminadas e propósitos bem definidos, pré-avaliados por todos; limite de tempo estabelecido, com início e fim programados; objetividade nos diálogos, sem fuga dos temas propostos; elaboração de ata com delegação de responsabilidades, definindo o que deve ser feito, quem deve fazê-lo e o prazo de execução. Feita a ata, as decisões tomadas podem ser acompanhadas durante a execução. Passo 4: Reservar tempo para o inesperado. Os imprevistos acontecem e nem sempre são agradáveis. Por isso, nunca se deve subestimar o espaço-tempo necessário para realizar um trabalho, mas sim programar um certo espaço-tempo extra para realizar uma tarefa.

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Passo 5: Evitar o manuseio duplo. As correspondências, memorandos ou e-mails devem ser despachados imediatamente. Evite manusear mais de uma vez documentos para não ter que retomar uma tarefa já iniciada. A ordem é resolver na hora tudo que puder. Passo 6: Planejar o dia. O momento ideal do planejamento diário é no período da noite, especialmente antes de dormir. Afinal, o bem-estar da manhã começa com uma noite bem dormida e, para isso, nada melhor que afastar preocupações. O ideal é fazer à noite a agenda com a lista das tarefas a serem realizadas no dia seguinte. No planejamento, as metas específicas e os objetivos devem estar bem definidos. As metas a serem atingidas devem ser realistas, relevantes, desafiadoras, com prazos preestabelecidos, de modo a evitar dispersões. Ao final de um dia planejado, um balanço de desempenho pode ser feito após o que se determinam as atitudes a serem adotadas, com critério e comedimento. Há os que vivem no futuro em vez de viver o “aqui e agora”. Preocupam-se tanto com o planejamento que, nesse caso, é tão destrutivo quanto a falta dele. Passo 7: Não se afobar e concentrar-se nos resultados. Concentrar-se nos resultados e no poder da solução é o ideal. Afinal, a vida é uma experiência a ser desfrutada e não sobrevivida. Afobar-se não resolve problema algum. Gasta-se muito mais energia com o mau humor que com atitudes proativas. Quem vive para vencer o próprio recorde, ou seja, faz uma tarefa em tempo cada vez mais curto, chega cada vez mais cedo ao trabalho, à reunião ou outros compromissos, é um sério candidato ao estresse e pode estar com a qualidade de vida comprometida. Passo 8: Estabelecer prioridades. “Tenho priorizado coisas secundárias em minha efêmera existência?” Se a resposta for sim, é hora de reformular as estratégias. Priorizar é a chave da administração do espaço-tempo. Começando pelas atividades mais importantes e urgentes, estas devem ser enumeradas de acordo com a relevância, lembrando ser importante o que é indispensável e tem caráter essencial e determinante. O urgente é inadiável 229


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e necessita ser atendido ou feito com rapidez, não podendo ser retardado. A Tabela 13.1 que segue apresenta um paralelo entre atividades consideradas importantes e/ ou urgentes: Tabela 13.1

Importante e Urgente ►►Crise

Importante e Não Urgente ►►Planeja e prever

►►Conflito com cliente

►►Desenvolvimento Pessoal

►►Projeto com prazo

►►Recreação

►►Cobrança Urgente e Não Importante ►►Telefonema

Não Urgente e Não Importante ►►Discussões inúteis

►►Correspondências

►►Detalhismos

O estabelecimento de prioridades deve levar em conta o que é mais importante, que deve ser bem feito. O primeiro passo é estabelecer horário para realizar as tarefas, lembrando-se de deixar um período de folga entre elas para o inesperado. Se o trabalho for grande, convém dividi-lo em tarefas menores, fazendo uma por vez. Caso necessário, pedir a opinião de um especialista no assunto em questão é conveniente. Passo 9: COMEÇAR! Começar é o grande passo e ficar parado, esperando a motivação chegar, é uma atitude infantil. Para iniciar algo, não é necessário estar motivado: Basta começar! A ousadia tem gênio, poder, magia e amor. O iniciar de uma tarefa traz consigo a grata surpresa da motivação. A empolgação vem com o movimento. Passo 10: Verificar detalhes para evitar erros caros. Pequenos itens podem comprometer grandes projetos. A falta de atenção a um pequeno item pode comprometer um grande trabalho. Observar detalhes importantes pode eliminar desperdícios de tempo e recursos. Passo 11: Programar paradas regulares e dieta saudável. Para cada hora de trabalho no computador são recomendados de 5 a 10 minu230


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tos de descanso. Caminhando um pouco, a circulação sanguínea é ativada. Outras regras: ter uma boa alimentação, vez que o alimento sustenta o corpo humano e lhe fornece energia; beber água, cerca de 2 litros por dia; alimentar-se regularmente a cada três horas com frutas e sucos, que são leves e saudáveis; aproveitar os picos de energia para realizar tarefas mais complexas e exigentes; não fumar e evitar o excesso de cafezinhos. Passo 12: Apoiar as pessoas. Quem consegue implementar os onze passos atrás mencionados é certamente um profissional exemplar para todos que o cercam. Para viver melhor, o ser humano deve valorizar a vida de forma integral, em todos os seus aspectos: social, laboral, familiar, de lazer, afetivo e espiritual. É a harmonia desses aspectos que traz qualidade de vida ao homem. 3. Resultados Os resultados da implementação do programa pessoal de administração do espaço-tempo refletem-se claramente nas pessoas, na organizações e na sociedade. Pessoas desorganizadas e desatentas, ao assumirem o programa de administração de espaço-tempo, tornam-se organizadas, centradas e com disponibilidade para novos e ousados projetos pessoais, profissionais e sociais. 4. Conclusão A boa prática de gestão do espaço-tempo possibilita a geração de maior tempo livre para a vivência do ócio criativo e favorece o crescimento pessoal, a melhoria profissional e o reconhecimento social. 5. Bibliografia BARBOSA, Christian. “A tríade do tempo: a revolução da produtividade pessoal”. Rio de Janeiro. Elsevier, 2004. CUNHA, Luis Antonio Rabelo. “Você sabe como estabelecer metas?”. Classificados do Jornal O Povo: Populares, pág 7. Fortaleza, 27 de abril de 2003. 231


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MAITLAND, Iain. “Administre seu tempo” – São Paulo: Nobel, 2000. SAMPAIO, Branca Maria. “Curso de administração do tempo e qualidade de vida na Internet”. http://www.webcorner.com.br/cursos/artigos.htm. Acesso em 27 de abril de 2003. Testes de gestão do espaço-tempo Abaixo, seguem os questionários “você e o tempo” e “você e o espaço”, cuja aplicação serve para avaliação de aspectos da administração do espaço-tempo. Teste I - Você e o tempo. Questionário adaptado do curso “Administração do tempo e qualidade de vida”, ministrado no SEBRAE/CE, pelo consultor Albigenor Militão “Aqueles que gastam mal o seu tempo são os primeiros a queixar-se da sua brevidade”. Jeam De La Bruyére.

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1. PLANEJAMENTO E comum não saber como será meu próximo dia de trabalho Não acredito que o planejamento possa resolver meus problemas de tempo Por mais que eu planeje o meu dia de trabalho, sempre ficam coisas para fazer Prefiro resolver as coisas na hora a planejar Dificilmente sei aonde realizarei o trabalho Faço as coisas sem pensar no tempo que levam

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SIM SIM

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SIM

NÃO

SIM SIM SIM

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2. ADMINISTRAÇÃO POR CRISE Um dia sem inesperados e crises é cansativo e monótono Passo boa parte do meu tempo no trabalho "quebrando galhos" urgentes Resolvo tudo em cima da hora A maioria das coisas que acontecem numa empresa é imprevisível Procuro resolver uma crise que surge, em vez de perder tempo pensando como ela poderia ser evitada Um executivo competente é aquele que tem capacidade de resolver problemas de última hora 3. ORGANIZAÇÃO PESSOAL E DISCIPLINA Nem sempre termino o que começo Minhas gavetas estão sempre cheias de papel Às vezes esqueço onde guardei um papel, documento ou objeto Costumo fazer varias coisas ao mesmo tempo Muitas vezes tenho dificuldade em concentrar-me no que estou fazendo

SIM SIM

NÃO NÃO

SIM SIM

NÃO NÃO

SIM

NÃO

SIM

NÃO

SIM SIM SIM SIM SIM

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO

SIM SIM SIM SIM SIM

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO

SIM

NÃO

4. COMUNICAÇÃO 1 2 3 4 5 6

Sou prolixo Quando dou uma informação, vou aos mínimos detalhes Muitas vezes as pessoas não entendem o que eu quero dizer Tenho dificuldade de expressar minhas ideias É comum as pessoas voltarem para checar informações por mim transmitidas Minha dificuldade em comunicar-me atrapalha o rendimento do meu trabalho

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Fábio Campos Morais

1 2 3 4 5 6

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5. DECISÃO Toda vez que tome uma decisão fico em duvida se foi a melhor Quando ha riscos envolvidos, prefiro que os outros tomem as decisões Gosto de pensar bastante antes de tomar uma decisão Quando tomo uma decisão, procuro não pensar nos riscos envolvidos Tento adiar decisões que envolvem trabalhos futuros Tomar decisões é uma tarefa difícil 6. DIAGNÓSTICO DE PROBLEMAS Às vezes custa-me perceber a existência de problemas no meu trabalho Não compensa perder tempo à procura de medidas que evitem problemas futuros A maioria dos problemas tem causas que dificilmente podem ser definidas Deixo que os problemas se resolvam por si só Os problemas só existem nas cabeças das pessoas Faça o que fizer sempre surgem problemas sem solução 7. DELEGAÇÃO Prefiro executar eu mesmo uma tarefa, porque delegar implica em dar muitas instruções Só delego trabalhos rotineiros, sem grandes responsabilidades Gasto tempo fazendo coisas que outros poderiam fazer Só delego tarefas para pessoas experientes Quem delega muito acaba sendo dispensável na empresa Há coisas que gosto de fazer e que não delego por nada neste mundo

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SIM SIM

NÃO NÃO

SIM SIM

NÃO NÃO

SIM SIM

NÃO NÃO

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NÃO

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NÃO

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SIM

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SIM SIM SIM SIM SIM

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

5 6

8. CAPACIDADE DE DIZER NÃO Quando meu chefe me chama, largo tudo o que estou fazendo e vou atendê-lo Dizer "não" as pessoas é uma demonstração de má vontade Fico sobrecarregado de trabalho porque me é difícil dizer não a um pedido de ajuda Nunca deixo de atender um telefonema ou uma visita inesperada, mesmo que esteja ocupado Minha porta esta sempre aberta para todos Na minha empresa sou "pau para toda obra"

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9. USO DO TELEFONE Atendo pessoalmente todas as chamadas telefônicas O telefone é um verdadeiro ditador no trabalho Raramente telefono para confirmar reuniões, visitas, etc As pessoas queixam-se que meu telefone esta sempre ocupado Os telefonemas internos na empresa só servem para atrapalhar Só resolvo por telefone o que não posso resolver por escrito

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1 2 3 4 5 6

10. CONFIANÇA NOS SUBORDINADOS Sempre ajudo meus subordinados quando eles têm dificuldades ou problemas com o trabalho Muitas vezes assumo tarefas dos meus subordinados Minha carga de trabalho é maior do que a dos meus subordinados Frequentemente levo trabalho para casa Quando meus subordinados estão atrasados com algum trabalho, "dou uma mão" É comum meus subordinados terem poucos serviços

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SIM

NÃO

SIM SIM

NÃO NÃO

SIM

NÃO

SIM SIM

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SIM SIM SIM SIM SIM SIM

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO

SIM

NÃO

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NÃO NÃO

SIM SIM

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SIM

NÃO


Fábio Campos Morais

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11. PRIORIDADES Para mim todo trabalho é importante É difícil para eu distinguir entre o que é urgente e o que é prioritário É comum não me sobrar tempo para fazer as coisas mais importantes Minhas prioridades são estabelecidas pelos meus superiores hierárquicos Não tenho uma ideia clara sobre os objetivos do meu trabalho Dificilmente estabeleço prazos para minhas tarefas 12. APROVEITAMENTO DOS PICOS DE ENERGIA Logo que chego ao trabalho liquido primeiro as tarefas rotineiras Não sei em que momento do dia meu trabalho rende mais Costumo deixar os trabalhos importantes para o fim do expediente O dia foi feito para trabalhar e a noite para descansar Gosto de comer bastante na hora do almoço Não tenho preferências de horários para reuniões 13. PERFECCIONISMO No trabalho gosto que tudo saia perfeito Nunca assino uma carta sem verificar se o texto digitado está perfeito Revejo o trabalho dos meus subordinados para evitar possíveis erros Controlo tudo para que nada saia errado Há coisas no meu setor de trabalho que só eu sei fazer Sou exigente comigo mesmo e com os outros

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SIM SIM

NÃO NÃO

SIM

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SIM SIM

NÃO NÃO

SIM SIM SIM

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SIM SIM SIM

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SIM SIM

NÃO NÃO

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NÃO

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A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

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14. OBJETIVOS PESSOAIS Nunca parei para pensar quais são os meus objetivos pessoais na vida Não adianta ter objetivos na vida, pois tudo depende do destino Meu lema é "tocar a vida para frente sem pensar muito nela." Não adianta ter objetivos pessoais num mundo que esta sempre mudando O amanha a Deus pertence Os nossos objetivos não dependem de nós

SIM

NÃO

SIM SIM SIM

NÃO NÃO NÃO

SIM SIM

NÃO NÃO

As respostas afirmativas devem ser totalizadas e, em seguida, confrontadas com a pontuação a seguir explicitada. Pontuação por atributo

Conceito

0-1

Muito Bom !

2-3

Regular

4 ou mais

Convém melhorar

Pontuação Total

Conceito

00-14

Parabéns! Você administra

muito bem o seu tempo.

15-29

Atenção! Convém aparar

algumas arestas.

30-40

Opa! Você pode melhorar.

41-59

Cuidado! Convém dar mais atenção

ao problema.

60 ou mais

Emergência! Você precisa tratar desta

questão com urgência.

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Fábio Campos Morais

Teste II “Você e o espaço” Questionário extraído da obra de Maitland, Iain. Administre o seu tempo. São Paulo: Nobel, 2000. As cadeiras e bancos são confortáveis? Os equipamentos e maquinários podem ser operados de maneira fácil? Você consegue se deslocar com facilidade? O chão, as passagens e as rampas estão limpos, uniformes e não são escorregadios? Os degraus, esquinas, corredores e obstáculos têm boa visibilidade? As aberturas do piso estão cobertas ou protegidas? Os sanitários estão limpos, ventilados, acessíveis e em funcionamento? Os lavatórios estão disponíveis com água corrente, sabonete, toalhas e outros itens de higiene? Há um refeitório agradável e bem equipado para a equipe? Existem armários ou algum espaço disponível para roupas e sacolas? A temperatura permanece agradável em todos os lugares? É fornecida alguma vestimenta de trabalho apropriada, quando necessária? O equipamento de ventilação funciona de maneira segura? Todos os locais são bem ventilados? Todos os compartimentos têm iluminação adequada? Há luz de emergência disponível, caso seja necessária? As áreas externas permanecem iluminadas à noite? As janelas e vidros estão limpos? Todos os equipamentos, máquinas e processos são tão silenciosos quanto possíveis? Há uma área para descanso disponível, para os momentos de pausa? As áreas de maior incidência de ruídos estão assinaladas? 238


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

Você sabe operar equipamentos e maquinários com segurança? Os sistemas e os procedimentos de segurança no trabalho são seguidos a todo momento? É fornecido equipamento de segurança em caso de necessidade? Os maquinários e os acessórios são mantidos funcionando em ordem? Em caso de emergência, todos sabem como agir? Na prática, os procedimentos de emergência funcionam? Há kits de primeiros socorros disponíveis e bem abastecidos? As instalações estão protegidas contra vandalismo e roubo? Existem procedimentos para proteger todos contra agressões externas? Responder “sim” a todas essas perguntas indica que você está trabalhando em um ambiente seguro e saudável. Prevalecendo o “não”, procure melhorá-lo.

Tempo livre e ócio criativo “Felicidade não é uma estação aonde chegamos, mas uma maneira de viajar”. Margaret Lee A criação da agricultura, uma das maiores revoluções da humanidade, e o aumento da produtividade no campo permitiram ao homem permanecer em um mesmo lugar por mais tempo, sem precisar trabalhar o tempo todo. A produção de alimentos excedente à demanda possibilitou a geração de tempo livre e as pessoas passaram a se dedicar a atividades artísticas, científicas, sacerdotais, militares e de lazer. A produção em massa, proporcionada pela revolução industrial, também veio para suprir a necessidade humana de produtos e serviços, gerando mais tempo livre. A revolução da microeletrônica diminuiu ainda mais o tempo de produção e a necessidade de mão-de-obra, barateando produtos e liberando o homem para outras atividades que não o trabalho.

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Fábio Campos Morais

O suprimento de bens e serviços com o uso mínimo de trabalho humano implica a necessidade de estabelecimento de novas formas de distribuir riquezas, tarefas e tempo. O maior número de pessoas não envolvidas no processo produtivo requer novas formas para atender as necessidades destas e novas formas de gratificação para os que trabalham. O entretenimento tornou-se, pois, uma necessidade. Para o sociólogo italiano Domenico de Masi, que ganhou notoriedade mundial ao divulgar a teoria sobre o poder criativo do ócio, a diminuição da necessidade do trabalho pela otimização do tempo da máquina é a característica maior da sociedade pós-moderna. É chegado o tempo em que os homens não mais fazem o trabalho que as máquinas podem fazer. No entanto, o modelo de civilização desenvolvida, liderado pelos EUA e Japão, pragmatiza o trabalho como a principal razão de viver. Muitos homens correm como loucos, nunca têm tempo para nada, nem mesmo para usufruir a riqueza que acumulam. Os norte-americanos vão a supermercados nos feriados comprar coisas inúteis, acumulando dívidas que passarão a vida pagando e trabalhando para isso. Estudo da OIT - Organização Internacional do Trabalho (www.ilo.org) afirma que, em 2009, trabalhavam 3 bilhões dos 6,8 bilhões de habitantes do planeta. Entre os trabalhadores, a parcela com empregos vulneráveis (trabalhadores por conta própria mais trabalhadores familiares) supera a 1,5 bilhão de pessoas, o que equivale a mais da metade da força de trabalho global. Os outros 3,8 bilhões, por diversas razões, não tinham acesso ao ritmo pós-industrial de trabalho. Ademais, continuamente, a mão-de-obra humana está sendo substituída por máquinas. Dados como estes apontam para algumas reflexões. Certamente, o compartilhamento do trabalho e do pão possibilitaria maior abundância econômica para um maior número de pessoas; igualmente benéfica seria a adoção de medidas como turnos de seis horas diárias e semana de trabalho de 30 horas, vez que ajudariam a resolver problemas de desemprego e de renda de muita gente por um longo período. Considere-se que seis horas de trabalho são suficientes para satisfazer a necessidade diária de trabalho do homem. O maior tempo livre delegado ou conquistado pela humanidade pode e deve ser bem aproveitado, e nunca “amargado” em depressão. Tempo livre é a realização do sonho ancestral, mesmo que, por ironia do destino, os homens experimentem-no não como a libertação do trabalho, mas como o pesadelo do desemprego. 240


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

Uma vida média de 74 anos, cerca de 650 mil horas, com tempo médio gasto no trabalho de 80 mil horas (considerando a jornada de 40 horas por semana) mais 220 mil horas de sono, possibilita mais 350 mil horas livres, reservadas para a pessoa fazer o que quiser. Essa conta é aplicada aos trabalhadores e exclui os sem acesso ao trabalho. O vasto tempo livre compulsório ao ser humano pode e deve ser aproveitado de maneira criativa, saudável e produtiva, no sentido mental e físico. Dentro das organizações, a ciência de planejar e controlar as atividades do trabalho precisa se converter na arte de motivar para a criatividade. Igualmente a massa desocupada, livre da escravidão do trabalho, precisa de uma qualificação que a torne capaz de harmonizar o preparo profissional com o ócio criativo, cuja essência reside em ir a lugares e fazer coisas pelo simples prazer de fazê-las, eis a essência do ócio criativo. O desenvolvimento da filosofia, da arte, da ciência e da política resulta do conceito de vida baseado no gosto pelas coisas simples. A verdadeira riqueza do homem não vem da posse de patrimônios, de objetos úteis ou de prestígio, mas da capacidade de colher e degustar até o fim as sensações e o significado positivos dos objetos, acontecimentos e ideias de todos os dias. O progressivo aprimoramento dessa sensibilidade deve-se à educação do gosto. Educar-se é encher as coisas simples de significado positivo. A pessoas podem aprender a ocupar o tempo livre com atividades que tragam prazer e agreguem valor. O ócio criativo propõe a redistribuição do tempo, do trabalho, da riqueza, do saber e do poder. Ver filmes em cinema e vídeo, ouvir música, passear, viajar, participar de eventos sociais e namorar são atividades lúdicas que fazem o homem transcender às frivolidades humanas.

Cinema e vídeo O homem pode viver o ócio criativo assistindo a filmes instrutivos, agradáveis e divertidos, propiciadores do alargamento das janelas mentais. Através do som e das cores, o cinema e o vídeo mostram culturas diversas, novas tecnologias, atos de nobreza e questões do espírito livre de imposições dogmáticas. Bons filmes podem fortalecer o ânimo de luta, o heroísmo e a esperança. Entre tantos que merecem ser vistos, citam-se os modernos como a Trilogia Matrix, O Mistério da Libélula, O Conde de Monte Cristo, A Viagem de Chihiro, A Era do Gelo e K-Pax. Há ainda os 241


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filmes de arte, sensacionais, alentadores e construtivos, tais como A Voz do Coração, Dupla Confusão, Balzac e a Costureirinha Chinesa, Diários de Motocicleta e muito mais. Do cinema brasileiro, podem ser citados Narradores de Javé, Caminho das Nuvens, Cidade de Deus e muito outros. Cabe aqui um alerta: considerando que a indústria cinematográfica de massa difunde ideias e conceitos com interesse na formação de consumidores alienados e bem comportados, ao ver um filme, o expectador há de manter o espírito crítico. Visto sob o foco crítico, o cinema abre espaço para a criatividade e evolução pessoal. Permite ao homem identificar os próprios erros na existência social, liberta-o da aura de banalidade, das convenções e o faz se reconhecer reflexivo, diferenciado, com motivações nobres e preocupado com os rumos da vida.

Música “A música responde a uma fonte poética de criatividade através de um cérebro que ressoa em resposta às solicitações de um cosmos que fala a ele”. Even Ruud O júbilo musical consiste na alegria extrema, no grande contentamento ou regozijo proporcionado pela combinação harmoniosa e expressiva de ondas sonoras que deleitam os ouvidos. Para Nietzsche, sem a música a vida seria um erro. Alguns defendem que a experiência musical se confunde com a beatitude, um estado permanente de perfeita satisfação e plenitude. É certo que a música pode ser nostálgica ou melancólica. Ainda assim, pode ser um alento até na infelicidade. Às vezes, a melancolia é uma ocasião de deleite e sinal de saúde. Mas, não é essa música que mais interessa na vivência do ócio criativo. A música que desperta a criatividade é uma afirmação ao mundo. Alguns dariam toda a arte pela boa música, o que faz sentido. Aos olhos de Nietzsche, a música constitui uma tripla aprendizagem, ou seja, uma iniciação à felicidade, à vida, à filosofia. Assim, a felicidade depende de pouca coisa: do sopro em uma flauta ou em uma gaita. 242


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A música torna o espírito livre e dá asas ao pensamento. Quanto mais o homem se torna músico, mais se torna filósofo. Pitágoras dava à terapia pela música o nome de purificação. Sua música curativa se propunha a equilibrar as quatro funções básicas do ser humano: “pensar, sentir, perceber e intuir”. Ouvir música afeta o nível de hormônios como o cortisol (responsável pela excitação e pelo estresse), a testosterona (responsável pela agressividade e pela excitação), a oxitocina (responsável pelo carinho), a endorfina (responsável pelo bom humor) e a serotonina (neurotransmissor que faz a comunicação entre os neurônios). Quando praticada, a música favorece o desenvolvimento cognitivo, a atenção, a memória, a agilidade motora, além de criar uma experiência de unidade entre linguagem, música e movimento. Para Nietzsche, “é preciso aprender a amar, a ouvir uma melodia, saber discerni-la de ouvido, distingui-la e delimitá-la como uma vida por si. É preciso esforço e boa vontade para suportá-la, apesar de sua estranheza, ter paciência com seu olhar e com sua expressão, carinho com o que ela tem de singular; chega enfim o momento em que nos acostumamos com ela, em que a esperamos, em que sentimos que ela nos faria falta, se não chegasse; e doravante ela exerce cada vez mais sobre nós sua violência e fascinação até que tenha feito de nós seus humildes e encantados amantes, que não concebem coisa melhor no mundo e não desejem mais do que ela mesma e nada senão ela mesma. Foi assim que nós aprendemos a amar todos os objetos que agora amamos”. O gosto pela música é uma experiência privilegiada porque tem como efeito suscitar a aprovação de qualquer coisa indiferentemente.

A arte de passear “Andar e pensar situam-se numa contínua relação de confiança. A ciência do andar e a ciência do pensar são, fundamentalmente, uma única ciência”. Thomas Bernhard

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Uma condição da existência física é o movimento do corpo. Apesar de ser de natureza apenas mecânica, o movimento do corpo é exigência necessária à saúde física e intelectual, indispensável à saúde do corpo e ao bom funcionamento do organismo e do intelecto, em razão da ação de influências recíprocas entre o corpo e a mente. O movimento do corpo em passeio é uma diversão criativa. No passeio, a atenção é receptiva, desliza tranquilamente sobre os objetos, acolhendo as impressões das coisas, sem resistência ao seu curso, com uma serenidade alegre, perdida nas ideias e voltando sem cessar às suas próprias reflexões. Os encantos de um passeio elevam o nível de cultura e a bagagem intelectual, beneficiando a saúde do corpo. O passeio repousa o intelecto dos trabalhos mais cansativos, mantendo as forças mentais despertas por uma ocupação agradável e fácil. O revigoramento do homem em um passeio é resultado da apreciação estética da natureza revelada pela ingenuidade do coração presente em uma alma alegre e despreocupada. Passear é o exercício do prazer do movimento livre de regras mecânicas e sujeição servil, importante para a formação pessoal e o desenvolvimento da personalidade capaz de fazer uso racional da liberdade. Qualquer passeio é pleno de encontros, de coisas que merecem ser vistas, de figuras, de poesia viva, de objetos atraentes, de belezas naturais. Seja em meio à natureza ou em um ambiente público, o passeio ideal é realizado em uma paisagem bela de um dia radioso que pode agir com todas as forças sobre o coração do passeante. A grandeza da natureza eleva o horizonte do espírito, causa impressões superiores e liberta o homem das contingências mesquinhas impostas pela selva de pedras. O passeio em lugar público, numa companhia divertida, proporciona momentos de distração e repouso. Ambientes urbanos podem conjugar a dupla impressão da natureza e da humanidade, despertando para atividades humanas como o espetáculo da alegria, as brincadeiras divertidas, o vestuário de bom gosto, o movimento das silhuetas que passam, as peraltices da criança, tudo isso fonte de satisfação para o passeante. Nietzsche revela a importância do passeio quando recomenda: “estar sentado o menos possível; não confiar em nenhum pensamento que não tenha nascido ao ar livre e em plena liberdade de movimentos”.

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Viajar O planeta é minha casa, a humanidade é minha família. A vida é uma viagem! Viajar provoca uma mudança de valores e de mentalidade. A viagem feita com a atitude de aprendiz possibilita extrair ensinamentos, lições e subsídios como retorno aos investimentos e ao esforço de deslocar-se pelas diversas regiões. Tomar conhecimentos de variadas culturas, de experiências de vida e do trabalho, além de possibilitar aprender, faz explodir potencialidades pessoais. Viajar é sair do próprio “mundinho” particular, restrito, estreito, rotineiro, mesquinho, alienante, pobre de espírito, frustrante. Favorece a desinibição do indivíduo, libertando-o dos grilhões que o tornam preso, dependente da província, enclausurado nos caixotes de uma sociedade burocratizada, de um cotidiano de pessoas introspectivas, paradas no tempo e no espaço, levando essa mediocridade mental nos atos da existência. Viajar é um método de maior eficácia, prestígio e prioridade na capacitação e crescimento de empreendedores, executivos, enfim, de qualquer humano civilizado, ambicioso, motivado a alçar voos altos. Circular pelo mundo é importante na formação intelectual, cultural e acadêmica de profissionais. Possibilita que executivos ultrapassem as fronteiras tecnicistas e de meros palpiteiros da conjuntura, como fazem muitas vítimas do ensino cartesiano deturpado. Grandes líderes, personalidades de atuação notáveis sempre percorreram o mundo. Che Guevara, um dos líderes da revolução cubana e um viajante incansável, formou sua consciência política deslocando-se pelo planeta, o que o tornou um homem culto, revolucionário, graças a sua motivação e ao hábito de estar sempre com o pé na estrada. Transitar em outros ambientes, lugares, continentes, países e estados se enquadra no projeto de evolução de pessoas refinadas e inovadoras, que fazem da vida uma busca da maturidade. Além de permitir aumentar os conhecimentos adquiridos via comparação entre os diversos locais visitados e de ter um forte peso na internalização de outros modos de vida, a viagem aguça a capacidade de discernimento das pessoas, 245


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principalmente quando feita a espaços desenvolvidos, onde há ricos ensinamentos e cultura de conteúdo. Por fim, estudo da Universidade de Roterdã comprova o que muitos já sabem, viagens curtas, porém mais frequentes, são melhores, do ponto de vista da saúde física e mental, que as viagens mais longas apenas uma vez no ano.

Integração Social Na vivência do ócio criativo, a participação em associações de classe, clubes esportivos e a convivência social em eventos públicos culturais e de lazer podem melhorar a relação com os amigos, com os colegas de equipe na empresa e até mesmo com os clientes. A vida em comunidade favorece o atamento de vínculos de parceria entre as pessoas, gerando uma rede de apoio social, de grande importância à prosperidade e bem-estar de todos os envolvidos. Pessoas que frequentam eventos sociais geralmente são mais tolerantes e solidárias, além de terem mais facilidade de estabelecer novos relacionamentos e, com isso, ampliar o nível de satisfação pessoal e profissional. A integração social permite o exercício de habilidades de liderança, criatividade, comunicação, mobilização, integração, empreendedorismo, organização e coordenação de atividades complexas.

Namorar Para falar sobre namorar como atividade do ócio criativo, nada melhor que o texto “Ter ou não ter Namorado: Eis a questão Fundamental”, de Carlos Drummond de Andrade. “Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

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Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode, não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira de mar, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

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Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente, no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOUCRESÇA.”

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A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

Teste da capacidade intelectual Este teste não visa medir o QI, ainda que permita conhecer um pouco melhor as próprias capacidades intelectuais. Retirado do site www.matematica.com.sapo.pt, tem 20 questões que devem ser resolvidas no tempo máximo de 30 minutos. O resultado final depende das respostas certas/erradas e do tempo despendido. 1. Qual das imagens inferiores completa melhor a sequência superior? a) A b) B c) C d) D 2. Sou um homem. Se o filho do Joaquim é o pai do meu filho, qual é o meu grau de parentesco com o Joaquim? a) Avô

b) Pai

c) Filho

d) Neto

e) Eu sou Joaquim

f) Tio

3. Qual das seguintes palavras não se enquadra no grupo? (a) Faca

(b) Cisne

(c) Lápis

(d) Bonito

(e) Livro

(f ) Pluma

4. Das seguintes figuras, uma representa a imagem de outra refletida num espelho. Quais são essas figuras? a) A e B b) A e C c) B e D d) A e E e) C e D f) D e E 249


Fábio Campos Morais

5. Qual é o número seguinte à sequência 9 , 16 , 25 , 36 , ... a) 45

b) 49

d) 72

e) 63

c) 61

6. Qual é a palavra que completa a analogia: “Alto está para baixo assim como céu está para ...” a) Pássaro

b) Avião

c) Montanha

d) Cima

e) Pequeno

f ) Terra

7. Na tabela seguinte, fazendo uma operação aritmética, dois dos números de cada linha ou coluna têm como resultado o terceiro número. Qual é o número que falta? 6 2 4

2 ? 0

4 0 4

a) 0

b) 2

c) 1

d) 10

e) 12

f) NDA

8. Qual das seguintes palavras completa a analogia? “Potencial está para real assim como futuro está para ______” a) Presente

b) Passado

c) Irreal

d) Capacidade

e) Normal

f ) Amanhã

9. Das palavras seguintes, indicar as duas que, pelo seu significado, não traduzem o conceito que as outras sugerem. a) Serra e Grampo

b) Cola e Corda

c) Agrafo e Rato

d) Serra e Cola

e) Serra e Rato

f ) Agrafo e Serra 250


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

10. Montanha está para terra assim com remoinho está para? a) Fluido

b) Mar

c) Chuva

d) Enxaqueca

e) Vulcão

f ) Farinha

11. Qual é o número seguinte à sequência 2 , 3 , 5 , 9 , 17 , ... a) 26

b) 25

c) 36

d) 34

e) 33

f ) NDA

12. Na imagem seguinte, duas das figuras representam um objeto e a sua imagem refletida num espelho. Quais são? a) A e B

b) B e C

c) C e A

d) D e A

e) C e D

f)BeD

13. As estatísticas indicam que os condutores do sexo masculino sofrem mais acidentes de automóvel que as condutoras. Podemos concluir que: a) Como sempre, os homens, típicos machistas, enganam-se na avaliação da perícia das condutoras. b) Os homens conduzem melhor, mas fazem-no com mais frequência. c) Os homens e as mulheres conduzem de igual forma, mas os homens conduzem durante mais quilômetros. d) A maioria dos condutores é de homens. e) As mulheres seduzem os polícias e por isso eles não registram os seus acidentes menos graves. f) Não há dados suficientes para retirar conclusões. 251


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14. Na tabela seguinte, fazendo uma operação aritmética, dois dos números de cada linha ou coluna têm como resultado o terceiro número. Qual é o número que falta? 6 4 24

2 5 10

240 20 ?

a) 14

b) 8

c ) 240

d) 2,4

e) 34

f ) 32

15. Se AxB=24; CxD=32; BxD=48 e BxC=24, quanto é AxBxCxD? a) 480

b) 768

c) 744 d) 576 e) 824

f ) 884736

16. Qual das imagens inferiores completa melhor a sequência superior? a) A b) B c) C d) D 17. Qual destas palavras não pertence ao grupo? a) Microscópio b) Lupa c) Telégrafo d) Telescópio

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A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

18. Das palavras seguintes, indicar duas que tenham significado mais parecido. (A) Ósculo

(B) Raios

(C) Óculos

(D) Beijo

(E) Orgasmo

a) A e C

b) A e E

c) A e D

d) D e E

e) B e D

f)BeE

19. Se ao chegar à esquina, o Antônio virar à direita ou à esquerda pode ficar sem gasolina antes de encontrar uma estação de serviço. Ele passou por uma estação de serviço, mas, se voltar, fica sem gasolina antes de lá chegar. Na direção que leva, ele não vê nenhuma estação de serviço. Então: a) Pode ficar sem gasolina b) Não ficará sem gasolina c) Não deveria seguir na mesma direção d) Deveria virar à direita e) Deveria virar à esquerda 20. Escolha a opção que a imagem sugere: , assim como + - 0 está para:

está para a) + - 0

b) 0 + -

c) + + +

d) - + 0

e) - - +

f)-+-

253


Fábio Campos Morais

Respostas do Teste de Capacidade Intelectual Some 1 ponto para cada item marcado corretamente conforme indicado no gabarito 01) c

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Resultado do teste de capacidade intelectual: 0 – 5 pontos – Que tal estudar um pouco mais!? 6 – 10 pontos – Pode melhorar! 11 – 15 pontos – Está indo bem! 16 – 20 pontos – Vai longe!

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Índice remissivo

50 vezes mais, 188 alegria, 43, 184, 186, 187, 203, 222, 242, 244, 247, 257 alimentação, 17, 149, 151, 152, 158, 170, 209, 231 amor, 34, 159, 169, 181, 184, 185, 206, 209, 230, 247, 258 animais, 84, 88, 91, 93, 95 - 104, 106, 109, 110, 114, 216 anticonceptivos, 159, 162 aprendizagem, 17, 52, 131, 144, 145, 193 - 195 - 197, 242 atividades físicas, 149, 153 - 156 big bang, 16, 67, 68 - 70, 72, 76, 80, 255 biodiversidade, 16, 98, 99, 216

ciência, 4, 15, 16, 21, 23, 26, 27 29, 32, 34, 35, 37, 39 - 42, 45, 48, 50, 53, 55, 57, 58, 65, 67, 68, 70, 72, 84, 87, 98, 107, 111, 112, 122, 127, 152, 154, 166, 170, 171, 202, 241, 243, 255 257 comunicação, 16, 37, 40, 53, 55, 57, 59, 97, 104, 105, 122, 124, 125, 127, 128, 144, 169, 182, 199, 201, 202, 204 - 206, 213, 233, 243, 246 conhecimento, 13, 15 - 17, 21, 26 - 28, 37, 38, 40 - 42, 45, 50, 53, 65, 111, 114, 118, 123 - 129, 131, 133, 146, 165, 179, 192 - 194, 196, 200, 204, 209, 211 216, 245, 256, 257

bioenergia, 165 - 168, 170 - 172

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consciência, 13, 17, 37, 67, 107, 139, 144, 165, 166, 170, 171, 184, 185, 187, 193, 199, 215, 216, 218, 219, 245, 258

educação, 13, 17, 25, 29, 41, 42, 48 - 51, 65, 136, 144, 154, 159, 183, 193, 194, 196, 206, 207, 209, 211, 241, 256

conscienciologia, 170, 171, 188, 258

empresa(s), 41, 45, 50, 51, 55, 56, 60 - 62, 116, 124 - 129, 137, 139, 145, 175, 177, 194, 196, 197, 201, 202, 204, 205, 212 215, 218, 222, 226, 233 - 235, 246, 256

coreia do sul, 46, 49, 50, 51, 61 cosmos, 13, 17, 18, 34, 67, 83, 84, 242 credo, 122, 123 crescimento pessoal, 15, 17, 26, 139, 143, 144, 146, 189, 200, 231 cultura científica, 42, 43, 52, 58, 258 descobertas, 4, 15, 16, 21, 24, 29, 30, 33, 45, 65, 67, 73, 81, 110, 114, 116, 196, 215, 257 deus, 34, 35, 211, 237, 242 ecológica, 13, 17, 171, 193, 215, 216 - 219 economia, 16, 42, 46, 50, 57, 112, 113, 125 - 128, 131, 132, 134 - 136, 138, 145, 194, 197, 201 - 204, 208, 209, 212, 213, 216, 255, 256

era, 32, 34, 84, 85, 87, 91, 94, 113, 118, 119, 123 - 126, 131, 134, 137, 153, 241 espaço, 13, 31, 32, 42, 56, 61, 67, 68, 70, 72, 73, 76, 77, 80, 83, 92, 107, 134, 137, 166, 178, 214 - 216, 220, 221, 225, 226, 232, 238, 242, 245, 246 espaço-tempo, 17, 220 - 223, 225 229, 231, 232 espiritualidade, 34, 35, 170 estrela(s), 31, 72 - 74, 78 - 81, 83, 84 estresse, 169, 223, 226, 229, 243 evolução, 16, 23, 26, 42, 67, 79, 84, 85, 87 - 89, 91 - 96, 99, 100 - 102, 105, 107, 108, 110, 111, 119, 143, 147, 196, 218, 227, 242, 245 262


A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

exames médicos, 17, 149, 162 exames odontológicos, 163 excelência, 17, 105, 135, 145, 159, 193, 197 - 201, 203, 212, 257 feminina, 137, 138, 160, 257 financeira, 17, 116, 133, 143, 171, 193, 206 - 211 formação acadêmica, 17, 193, 194, 195 galáxia(s), 16, 69, 72, 74, 77 - 80, 83, 84 gestão, 25, 127, 134, 137, 145, 204, 209, 212, 216 do tempo, 16, 193, 220 - 223, 225, 226, 231, 232, 257 do conhecimento, 17, 127, 193, 211, 212 graduação, 194, 195 HIV, 24, 121, 160 história, 30, 31, 33, 34, 38, 41, 68, 79, 89, 90, 98, 105, 106, 111, 112, 118, 122, 124, 146, 154, 163, 201, 208, 210, 224, 255, 256, 258

homem, 7, 13, 16 - 18, 23, 25 - 34, 68, 83, 99, 105, 107, 111, 114, 115, 118, 121, 123, 126, 127, 132, 137, 143, 145, 147, 154, 158, 159, 162, 165, 175, 176, 178, 181, 186 - 188, 193, 207, 216, 219, 223, 224, 227, 231, 239 - 245, 249 informação, 13, 16, 23 - 25, 41, 56 - 58, 68, 124 - 128, 131 - 134, 212, 214, 233 inovação tecnológica, 45, 49, 50, 125 intangível, 125, 127 - 129, 132 135, 137, 212 intelectual, 17, 21, 107, 134, 147, 167, 169, 175, 176, 193, 194, 196, 197, 209, 244, 245, 249, 254, 256 inteligência, 4, 17, 104, 107, 127, 146, 147, 149, 176, 186, 208, 210 bioenergética, 17, 147, 165, 197 corporal, 17, 147, 149, 150, 197 emocional, 13, 17, 147, 175 177, 186, 189, 192, 197, 256

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Fábio Campos Morais

mercado, 42, 48, 51, 57, 61, 62, 114 - 116, 121, 123 - 125, 129, 130, 135, 138, 139, 143, 194 -196, 202 - 204, 206, 209, 212 - 214

inteligência humana, 7, 146 intelectual, 17, 147, 176, 193, 197 internet, 33, 51 - 53, 55 - 57, 60 - 62, 119, 121, 125, 131, 189, 201, 204, 205, 208, 232, 259

microcosmo, 70, 80, 89, 257

língua, 113, 122, 206, 228, 256

micro-orgânica, 84, 87, 91, 94

linguagem, 13, 15, 109, 110, 127, 147, 243

mobilização, 171, 246

método científico, 21, 37, 38, 41

morte, 33, 102, 115, 119, 170, 182, 187, 214

longevidade, 32 - 34, 154

ócio criativo, 17, 193, 231, 239, 241, 242, 246

macro-organismos, 84, 95, 100, 101 marketing, 17, 124, 127, 134, 137, 193, 201 - 205, 213, 225, 255, 260 matéria escura, 81 meios de transporte, 29, 30, 122, 154 melhoria profissional, 17, 26, 139, 143, 145, 146, 177, 189, 231 mente (s), 13, 18, 37, 146, 157, 158, 162, 170, 182, 187, 213, 221, 244

ONU, 33, 50, 117, 120, 121 organização, 15 - 17, 25, 29, 32, 48, 55, 56, 58, 85, 99, 113, 116, 117, 119, 120, 124, 130, 144, 177, 193, 195, 196, 202, 212, 213, 215, 217, 219, 227, 233, 240, 246 ôm, 67 paciência, 15, 17, 177, 180, 181, 189, 208, 243 paradigma, 15, 17, 21, 126, 132, 166, 176

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A Mente no Cosmos e os Pés no Chão

perdão, 182 - 187, 255

projeciologia, 170, 258

persistência, 17, 155, 177, 180, 181, 200

raça(s), 110, 122, 123, 175, 177, 178

PIB, 46, 48 - 50, 209

reconhecimento social, 17, 139, 143, 145, 146, 177, 189, 231

planeta(s), 7, 16, 17, 23 - 25, 27, 29, 32, 33, 41, 56, 72 - 74 - 77, 79, 83 - 92, 94, 98 - 100, 103, 105, 107, 119, 121, 122, 126, 217, 220, 240, 245

relacionamento(s), 15, 143, 178, 179, 182 - 185, 196, 202 - 205, 215, 226, 246 religião, 26, 113, 123, 183, 211

plano nacional de banda larga, 62

sexualidade, 17, 149, 154, 158, 159, 169, 187

plano nacional de ciência e tecnologia, 50

simbiogênese, 89, 93, 95, 96

política nacional de resíduos sólidos, 220

sociedade, 13, 16, 23, 25, 32, 42, 50, 52, 57, 58, 114, 119, 122 126, 128, 129, 131, 136, 137, 143, 145 - 147, 154, 179, 194, 196, 197, 201, 203, 204, 206, 207, 212, 218, 231, 240, 245

plantas, 73, 84, 88, 92, 93, 95 103, 106, 216 população, 24, 25, 32 - 34, 51, 53, 56, 59, 61, 114, 115, 119, 120, 122, 123, 126, 136

sol, 26, 31, 73, 74 - 76, 85, 92, 94, 97, 172, 224, 248

pré-biótica, 84, 85, 91

sono reparador, 17, 149, 157

produção, 16, 33, 42, 45, 46, 85, 87, 113, 119, 124, 127, 134, 137, 146, 155, 169, 194, 202, 213, 214, 219, 239, 256, 257 produção científica, 29, 40, 45, 46, 48, 58

técnica(s), 15, 16, 26, 27, 40, 53, 87, 92, 111, 113, 114, 136, 144, 154, 164, 171 - 173, 188, 194, 201, 214, 223, 225, 226, 257

265


FĂĄbio Campos Morais

tecnologia(s), 13, 26, 27, 42, 48 50, 57, 58, 60, 84, 92, 114, 118, 126, 127, 133, 135, 145, 154, 196, 197, 201, 214, 241 tempo(s), 13, 15, 16, 25, 27, 29 32, 34, 42, 53, 59, 60, 68, 69, 72, 75, 84, 85, 88, 92, 95, 96, 102, 109 - 111, 117, 119, 124, 126, 130, 134, 135, 137, 139, 149, 150, 154, 172, 177 - 179, 181, 186, 188, 189, 193, 196, 199, 201, 204, 208, 209, 213 215, 220, 221, 223 - 226, 228 234, 237 - 241, 249, 255, 257 tempo livre, 193, 231, 239 - 241 terra, 7, 16, 17, 23, 26 - 29, 31 - 33, 73 - 75 - 79, 83 - 94, 97 103, 105 - 107, 109, 114, 115, 119, 120, 124, 131, 146, 147, 168, 216 - 218, 220, 224, 250, 251, 255

teste, 24, 163, 189, 192, 224, 232, 238, 249, 254 trânsito do poder, 123 universo, 4, 13, 16, 23, 27, 34, 35, 67 - 70, 72, 73, 76 - 81, 83, 84, 146, 166, 167, 211, 221, 225, 226, 255, 256 vida, 7, 13, 15 - 18, 21, 26, 27, 32 - 34, 41, 42, 51, 60, 65, 70, 73, 75, 77, 83 - 85 - 102, 105, 106, 109, 111, 117, 121, 123, 126, 127, 136, 138, 145 - 147, 149, 151, 154, 155, 158, 163 - 166, 170, 173, 176 - 181, 183, 184, 186, 188, 190, 191, 193, 196, 203, 206 - 211, 216 - 218, 221, 223 - 226, 229, 231, 232, 237, 240 - 243, 245, 246, 248, 255, 257

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Este livro composto na fonte Liberation Serif 11/16, tĂ­tulos na fonte Microgramma D 30/36, miolo impresso em papel polĂŠm soft 80g e a capa em cartĂŁo duodesign 240g. Editado pela Design Editorial em out/2010.

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