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PANORAMA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO BRASIL

AGREDIDA POR SER

ELA


Diagramação e Edição Júlia Mallmann e Natália Walter Orientação Fernanda Nascimento e Ildo Golfetto Este trabalho é experiental com fins totalmente acadêmicos, sendo requisito parcial para a aprovação na disciplina de Jornalismo e Gênero, do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, no semestre 2018.1 Créditos Textos: Super Ela; Politize!; Governo do Brasil; Revista Crescer; Site Migalhas; Jonal O Estado de SP Dados: Agência Patrícia Galvão; Organização Mundial da Saúde; Fórum Brasileiro de Segurança Pública; Agência Brasil; The Intercept Brasil; Ministério Público; Central de Atendimento à Mulher; [Diagnóstico dos homicídios no Brasil/Ministério da Justiça; Ícones: Flaticon; Icons8

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Existem diversos tipos de violências contra a mulher, agravadas pelo machismo, principalmente e pelas construções sociais que impelem à mulher determinados papéis na sociedade. Essas violências se configuram por vários motivos de ordem social, religiosa ou cultural, em diversos locais. A maior parte ocorre no âmbito privado, por pessoas com quem a mulher se relaciona. Em casos de morte, a nomenclatura utilizada é Feminicídio, considerado pela lei como um crime hediondo.Os impactos na vida de uma mulher agredida podem ser dos mais distintos, desde traumas psicológicos quanto os físicos. Na saúde, por exemplo, pode ser demonstrado por doenças como depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, suicídio, gravidez indesejada e transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Também reflete em sua independência financeira ou nos seus objetos acadêmicos. Desde 1979, através da Convenção das Nações Unidas, a ONU trabalha formas de eliminar todos os tipos de discriminação contra as mulheres, o Brasil, também assumiu o compromisso. No país, a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) busca combater essas violências e punir os agressores. Agredida por ser Ela |3


Orquídea discutiu com o marido sobre o orçamento doméstico, no meio da discussão foi agredida com um tapa no rosto. Orquídea sofreu violência física.

Violência Física são agressões ao corpo da vítima, com objetos ou através de socos, chutes, tapas, etc. Dentre esse tipo de violência, está a doméstica - quando a violência acontece no âmbito doméstico, podendo ela ser física ou não. A cada 7.2 segundos uma mulher é vítima de Violência Física no Brasil (Fonte: Relógios da Violência, do Instituto Maria da Penha). 1 em cada 3 mulheres sofreram um tipo de violência no ano de 2016 503 vítimas de agressão a cada hora 5 espancamentos a cada 2 minutos 61% dos casos são por conhecidos 11% procurou uma delegacia da mulher 52% não denunciou por medo 4| Agredida por ser Ela


Giseli não queria ter relações sexuais com o seu parceiro em determinado dia, por insistência do mesmo, acabou cedendo. Giseli foi vítima de violência sexual.

Violência sexual são tentativas - ou atos de relação sexual não consentidos. Pode, inclusive, ser cometida dentro de um casamento, por exemplo. Estão incluídos nessa definição a proibição da utilização de anticoncepcionais ou contraceptivos e obrigar ou impedir de abortar. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1 estupro a cada 11 minutos em 2015. 10 estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país 15,7% dos acusados por estupro foram presos No Rio de Janeiro, há um caso de estupro em escola a cada cinco dias e 62% das vítimas tinham menos de 12 anos

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Joana passou pelo processo de episiotomia durante o parto do seu primeiro filho e, por isso, parou de sentir prazer em suas relações sexuais. Joana foi vítima de violência obstétrica.

Violência obstétrica são agressões verbais ou físicas ocorrida durante o parto ou pré-natal. Podem ser xingamentos, recusa de atendimento, realização de procedimentos não necessários como exames de toque ou grandes episiotomias. É pouco registrada, naturalizada e nem sempre é identificada pelos profissionais de saúde ​Uma em cada quatro mulheres brasileiras é vítima de violência no momento do parto ou pré-natal A episiotomia tem indicação de ser usada em cerca de 10% a 15% dos casos e ela é praticada em mais de 90% dos partos hospitalares da América Latina. 6| Agredida por ser Ela


Cristina é casada a 3 anos e desde então convive com frases de deboche do seu marido sobre o seu peso. Cristina sofre violência psicológica.

Violência psicológica são atos e falas que visem prejudicar emocional e psicologicamente a mulher. Ameaças, humilhações, imposição de isolamento, controle sobre as decisões, vigilância, insultos, chantagens, podem configurar esse tipo de violência. Considerada

pela Organização Mundial de Saúde como a forma mais presente de agressão intrafamiliar à mulher, sua naturalização é apontada ainda como estímulo a uma espiral de violências. Pode preceder, inclusive, a mais extrema violência, o feminicídio, conforme apontam esses especialistas.

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Betina tem cabelo crespo. Quando resolveu não alisa-los mais, ouviu a seguinte frase de sua colega de trabalho: “tem que ter coragem para assumir cabelo crespo”. Betina sofreu violência de raça. Violência de raça é a discriminação social baseada no conceito de que existem diferentes raças humanas e que uma é superior às outras. Neste caso, o corpo das mulheres negras é perpassado pelas violências de gênero e agravado pelo racismo. Mulheres negras: São 58,86% das vítimas de violência doméstica São 65,9% das vítimas de violência obstétrica São 68,8% das mulheres mortas por agressão Têm duas vezes mais chances de serem assassinadas que as brancas. 8| Agredida por ser Ela


Maria trabalha cinquenta horas por semana todo o seu salario é retido pelo seu marido. Maria sofre violência patrimonial.

Violência patrimonial são condutas que configuram retenção, subtração, destruição parcial ou total dos pertences da mulher. Seja de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

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Anna é motorista de ônibus, frequentemente tem sua vida profissional questionada por ser mulher. Anna sofre violência simbólica.

A violência simbólica estereotipa a mulher e reforça os papéis machistas que a ela foram impostos socialmente. Podem ser piadas depreciativas relacionadas à inteligência, publicidades que a inferiorizam e objetificam, entre outros. A publicidade e as propagandas geralmente reforçam a violência simbólica, naturalizando comportamentos e à falta de respeito com as mulheres.

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Érica terminou com o namorado há duas semanas, um dia depois ele publicou em redes sociais fotos íntimas dela sem a sua autorização. Érica sofreu violência moral.

Violência moral são humilhações, xingamentos e desprezo quanto à mulher. Seja caluniar – falar mentiras a seu respeito –, difamar ou falar injúrias.

Assédios na rua são formas de violência moral. A culpa não é da mulher quando ela está andando de saia - ou com qualquer outra roupa - e é assediada. A culpa não é da saia. A culpa não é do horário. A culpa não é do bairro. A culpa é de quem assediou.

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O Feminicídio é uma forma de violência de gênero que resulta na morte da vítima. Nesse caso, o homicídio é intencional e provocado contra uma mulher, pelo único fato dela ser mulher. Em 2015 foi sancionada a Lei do Feminicídio, que julga esse tipo de crime como hediondo, com o objetivo de aumentar severamente a pena do acusado. A taxa de feminicídios no Brasil é a 5ª maior do mundo, registrando em média 13 casos de feminicídio por dia 35% dos homicídios de mulheres no mundo são cometidos por parceiros

O Lesbocídio é um tipo de violência contra a mulher lésbica que resulta em morte, em que a agressão ocorre pela sua orientação sexual. O crime se diferencia dos outros tipos de lgbtfobia por ter como agravante a misoginia, sendo cometido na maioria dos casos por pessoas com vínculo familiar. 126 mulheres foram mortas no país entre 2013 e 2017 por serem lésbicas 70% dos casos por conhecidos 66% dos casos são cometidos por homens que já se relacionaram com suas parceiras anteriormente 12| Agredida por ser Ela


Central de Atendimento à Mulher - 180 [2016] Tráfico de pessoas

0,24

Patrimonial

1,93

Sexual

4,3

Cárcere privado

4,86

Moral

6,51

Psicológica

31,1

Física

51,06 0

10

20

30

40

50

60

O Transfeminicídio é caracterizado como o assassinato de uma mulher tendo como motivação o seu gênero. Na maioria dos casos, a morte é marcada por uma brutalidade extrema, resultado de uma estrutura social de preconceito.

O Brasil ocupa o primeiro lugar em número de assassinatos no mundo A cada 48 h uma pessoas trans é morta Em 94% dos casos a vitma é uma mulher Agredida por ser Ela |13


DENUNCIE! DISQUE 180

Agredida por ser ela: Panorama da violência contra a mulher no Brasil  

Revista produzida para a disciplina de Jornalismo e Gênero, curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Produzido por Jú...

Agredida por ser ela: Panorama da violência contra a mulher no Brasil  

Revista produzida para a disciplina de Jornalismo e Gênero, curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Produzido por Jú...

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