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COSTURA URBANA a cidade pelo avesso


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costura urbana: a cidade pelo avesso trabalho de graduação integrado I.natália pauletto fragalle

INSTITUTO DE ARQUITETURA E URBANISMO UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

SÃO CARLOS, 2013


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PROFESSORES CAP: LUCIA ZANIN SHIMBO JOUBERT JOSÉ LANCHA PAULO CÉSAR CASTRAL PROFESSOR ORIENTADOR GT05: GIVALDO LUIZ MEDEIROS

CADERNO DE APRESENTAÇÃO DA PRIMEIRA ETAPA DE DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO DE GRADUAÇÃO INTEGRADO INTERVENÇÃO URBANA NA CIDADE DE SÃO CARLOS-SP


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ÍNDICE


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INTRODUÇÃO...................................................................10 UNIVERSO PROJETUAL.....................................................20 SÃO CARLOS: CIDADE DE INTERVENÇÃO.........................26 O CENTRO: ÁREA DE INTERVENÇÃO................................30 DIRETRIZES.......................................................................40 PROGRAMA: UNIVER[CIDADE]...........................................50 PROJETO.........................................................................52 ESTUDO DAS FACHADAS.................................................70 QUADRA A QUADRA: INTERVENÇÕES..............................92 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................140


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INTRODUÇÃO: INQUIETAÇÕES

Compatibilizar a conservação com a continuidade histórica: adicionar uma nova camada de tempo que se evidencia e dialoga criticamente com a preexistência conservada. ALMEIDA, Eneida. 2009


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Dentre as várias possibilidades de temáticas a serem escolhidas como ponto de partida para a elaboração de um problema a ser resolvido em forma de projeto de arquitetura e urbanismo, foi escolhido explorar a relação entre a cidade e a memória e de que forma as intervenções urbanas podem criar novos espaços que respeitem a cultura, a identidade e a complexidade de um lugar, levando em consideração as diversas camadas históricas de uma cidade de modo a serem rapidamente apropriados pelos habitantes locais criando novas relações com a cidade e novos vínculos com os moradores. Dessa forma, o presente trabalho surgiu a partir da busca de uma maneira de intervir na cidade preexistente de modo a criar uma nova urbanidade ao mesmo tempo em que se preserva a memória do local.


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Sabe-se que o surgimento das primeiras teorias voltadas à preservação dos bens culturais relaciona-se ao ambiente cultural de formação das metrópoles, quando, a partir das idéias iluministas, percebe-se uma nítida separação entre passado e presente e passa-se a agir criticamente em relação ao passado, uma vez que até então as obras do passado eram adaptadas às necessidades do presente sem nenhuma restrição devido à ausência de uma demarcação evidente entre passado, presente e futuro: A

ativação

da

memória

[...]

nestes

tempos

de

transformações e de aceleração da história, diante da perspectiva da perda, do esquecimento, configurase como uma necessidade premente de reconstrução da própria identidade do indivíduo no seio da nascente sociedade de massa (ALMEIDA, 2009, p.40


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Com isso, passa-se a buscar maneiras de se apropriar criticamente e coletivamente do passado de forma que ele dialogue com o presente, com a perspectiva de transmissão desse legado ao futuro. Neste sentido, a obra de Camillo Sitte, é de extrema relevância, uma vez que ele desenvolve uma compreensão de patrimônio que incorpora também o espaço urbano, sua morfologia, seu traçado, seus gabaritos e suas relações sociais e culturais, superando a seleção exclusiva de edifícios de caráter monumental e de valor arquitetônico, destacando os efeitos positivos e atraentes obtidos pela irregularidade dos tecidos urbanos e afirmando que as cidades estão fadadas ao esquecimento e ao desaparecimento caso não haja uma ação deliberada de resgate cultural.


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rua que corta uma quadra em sรฃo carlos. imagem: natรกlia fragalle


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Entretanto, a corrente moderna que prega a necessidade de modernização urbana em detrimento das possibilidade de preservação do legado do passado, acaba por tornar-se dominante no final do século XIX e início do século XX, principalmente após a Primeira Guerra Mundial, quando, entre as décadas de 20 e 30, o chamado Movimento Moderno passa a adquirir mais prestígio. Passa-se a explorar o potencial dos novos materiais e tecnologias juntamente com o emprego de formas puras e estruturas racionais possibilitadas pela industrialização dos diversos componentes da construção como forma de afrontar as necessidades urbanas e sociais da época, acreditando que as condições que se apresentavam naquele momento nas cidades “eram absolutamente inéditas em relação ao passado e que, portanto, os precedentes históricos não devem ser tidos em conta para afrontar as novas aspirações” (ALMEIDA, 2009, p. 51). Esse modo de pensar a arquitetura e o urbanismo começa a entrar em crise a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, quando começa-se a perceber que as soluções propostas por esse movimento não estavam sendo suficientes para suprir as demandas que se intensificaram com o fim da guerra e a destruição de várias cidades européias. Dessa forma, a partir da década de 60, com a intensificação das críticas às aplicações práticas realizadas a partir do pensamento do Estilo Internacional, a corrente dominante do Movimento Moderno, questões relacionadas à identidade e ao lugar começam a ganhar força novamente no debate sobre os modos de se intervir nas cidades. Surgem uma série de propostas que se opõem ao espaço funcionalista e homogêneo resultante da estandardização na sociedade de massas que têm como objetivo revalorizar os elementos vernaculares e tradicionais das cidades. As atenções se voltam para as necessidades subjetivas e para os significados simbólicos e culturais dos diferentes espaços da cidade, que são construídos através de uma memória coletiva, configurando uma imagem que se mantém mesmo que a cidade “real” se altere (Carvalho in:Ortegosa, 2009). Neste sentido as relações de intimidade que se estabelecem entre as pessoas e o espaço possuem função primordial, configurando uma condição de âncora da memória, uma vez que são essas relações que possibilitam a valorização dos espaços da cidade, transformando-os em patrimônios da humanidade, de uma nação, de uma sociedade ou mesmo individual (Bachelard in Ortegosa, 2009).


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Com isso, o interesse pela permanência de elementos arquitetônicos e traçados urbanos como aspectos fundamentais para a construção e a preservação de uma memória da cidade adquirem um caráter importante ao se pensar novas intervenções na cidade. Todo esse pensamento ganhou ainda mais força com a publicação em 1961 do livro Morte e vida das grandes cidades, de Jane Jacobs, no qual a autora critica os espaços urbanos “mortos” gerados pela monofuncionalidade do planejamento urbano normativo moderno e defende a necessidade de um planejamento urbano que se comunique diretamente com a vida cotidiana, que se aproxime da dinâmica real das ruas, levando em conta as associações intrasubjetivas para a criação de um sentido de lugar. Para isso, a autora afirma que as cidades necessitam possuir uma diversidade de usos


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complexa, densa e constante, propiciando um ambiente vivo. Para gerar tal diversidade, Jacobs cita quatro condições que devem estar associadas para desenvolver e desempenhar potenciais: a multiplicidade de funções, a necessidade de uma ampla possibilidade de percursos, a alta densidade de pessoas e a necessidade de edifícios com idades e estados de conservação variados, enfatizando a adaptação de velhos espaços para novos usos. Dessa forma, passa-se a defender ainda mais o incentivo à apropriação do espaço a partir de usos que já existem e que são decorrentes da vida cotidiana dos habitantes dos diversos espaços da cidade. Esse interesse pela valorização do contexto local, da cultura, da diversidade, da noção de lugar e da experiência ganha, partir da década de 70, ainda mais destaque no debate internacional como forma de se contrapor à visão unificadora do movimento moderno, convertendo valores como a


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fragmentação da configuração urbana e o pluralismo em algo positivo (Ortegosa, 2009). Com isso, surge uma grande quantidade de obras teóricas que formulam propostas de modos de se intervir na cidade, levando em conta a valorização da relação de identidade entre as pessoas e o espaço, como Complexity and Contradiction in Architecture (1966), de Robert Venturi; Collage City (1978) de Colin Rowe, no qual o autor propõe uma ideia de cidade resultante da somatória de diferentes estratégias de intervenção e A Arquitetura da Cidade (1971) de Aldo Rossi, no qual o autor referese ao locus como sendo o princípio característico dos atos urbanos. Rossi discorre sobre a correlação entre a tradição e a inovação, afirmando que a história motiva não só a permanência de elementos que asseguram a unidade na expressão urbana, mas também as transformações que incidem sobre o território. Além disso, cabe ressaltar a importância de Kenneth Frampton, com a teoria do lugar, segundo a qual o espaço deve ser tratado como o lugar de habitar dos homens, e de Francisco de Gracia, com a arquitetura contextual, que estabelece uma rara relação com o contexto onde está inserida por se basear em critérios definidos a


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partir das características locais, porém com a marca de seu tempo. A partir da década de 80, uma série de locais com significados simbólicos para as cidades tornam-se alvo de projetos de intervenção urbana. Entretanto, percebe-se que em vários destes projetos as questões econômicas são privilegiadas, enquanto os princípios elaborados pela reflexão teórica consolidada são relegados ao segundo plano, resultando em uma certa estetização da relação entre as cidades e a história, tornando-se um espetáculo midiático e gerando artificialização e dessocialização (Ortegosa, 2009). Tais locais, que recebem investimentos massivos para serem reconvertidos, passam a atrair cada vez mais a atenção do mercado imobiliário e, com isso, passam a ser ocupados pelas classes mais altas, enquanto os moradores mais pobres desses locais acabam por serem forçados a se retirar devido ao grande aumento do custo de vida nesses locais. Esse processo acaba por configurar um fenômeno extremamente paradoxal pois, ao mesmo tempo em que intervenções urbanas são feitas para preservar a história, a memória e a cultura de certos locais, a própria população que é responsável pela manutenção dessas múltiplas identidades e culturas acaba por ser eliminada.


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UNIVERSO PROJETUAL


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A cultura e a memória de um local devem ser entendidas como fruto da sociedade, de sua história e de seus saberes e o arquiteto e o planejador urbano devem agir promovendo iniciativas que permitam a sua manutenção. Desta forma, o que se pretende realizar não é apenas um projeto de restauro de um edifício histórico, mas sim um redesenho de todo o conjunto, adicionando uma nova camada de tempo que evidencia e dialoga com a preexistência de modo a gerar uma nova relação entre edifícios e entorno situada entre o passado e o presente, tencionando usos e sugerindo novas formas de apropriação do espaço urbano.


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Neste sentido, o Centro de Lazer Sesc Fábrica da Pompéia, projetado por Lina Bo Bardi (1977-1986), mostra-se como uma das referências de projeto para este trabalho, uma vez que a arquiteta, ao observar o conjunto de galpões de arquitetura industrial do século XIX, foi capaz de identificar diálogos possíveis entre os mesmos e o espaço urbano, criando uma relação de permeabilidade e harmonia entre os edifícios históricos, a intervenção contemporânea e o entorno do conjunto. Essa relação foi construída a partir de um processo de “restauro inventivo”, transformando a “fábrica fria” em uma “fábrica quente”, através da exploração dos materiais empregados e das possibilidades de apropriação do espaço pelos usuários sob uma perspectiva que engloba a cultura popular: Essa poética de reconversão é uma manifestação daquilo que Lina chamou de caráter ‘quente’ da arquitetura: sua possibilidade de intervir, modificar a vida humana e as formas de uma comunidade, porém em um sentido artístico e expressivo, e não em um sentido instrumental, espetacular e manipulativo (SUBIRATES in: VAINAER; FERRAZ, 2013).

Portanto, o procedimento de intervenção adotado por Lina revela aquilo que há de valioso para que, em um segundo momento, novos elementos sejam agregados. Com isso, o projeto possibilitou o estabelecimento de novos vínculos afetivos entre o lugar e as pessoas que já estavam familiarizadas com aquela estrutura existente.


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acima: o espaço do sesc pompéia quando era uma fábrica de tambores e atualmente. montagem: natália fragalle ao lado: estudo da planta do sesc pompéia. desenho e montagem; natália fragalle


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abaixo: estudos de permeabilidade do projeto da praça das artes. croquis 1 e 2: natália fragalle. croqui 3: brasil arquitetura ao lado: 1_ planta de situação do projeto da praça das artes. montagem: natália fragalle 2_inserção da planta do térreo na planta de situação. montagem: natália fragalle

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Também foi referência para este trabalho outro projeto brasileiro, do escritório Brasil Arquitetura, que lida com a relação entre o antigo, o novo e o lugar: a Praça das Artes (2006-2012), projeto que se molda nos edifícios vizinhos ocupando sobras de lote em um miolo de quadra no centro histórico de São Paulo, explorando a relação com seu entorno através da permeabilidade e da costura urbana estabelecidas devido às possibilidades de circulação criadas a partir do térreo livre que se abre para três faces diferentes da quadra,. Cabe ressaltar que os dois projetos citados apresentam-se como cidadelas, conjuntos aparentemente fechados que então se abrem para o seu entorno através da intervenção projetual. É exatamente essa relação que se pretende trabalhar, intervindo no preexistente de modo a criar novos espaços que o reconectem com a cidade, tencionando a relação entre passado e presente. Serviram também como referência para o TGI dois projetos de habitação propostos para áreas urbanas consolidadas: o Conjunto Habitacional Rue des Suisses do escritório Herzog & De Meuron e o Conjunto Casarão do Carmo, do escritório


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Hector Vigliecca & Associados, no que se refere à relação entre o edifício e a cidade em áreas urbanas consolidadas. Ambos os projetos propõem a adaptação dos novos edifícios às alturas e alinhamentos dos edifícios preexistentes e a passagem de pedestres em seu interior no sentido longitudinal do terreno, sendo que no projeto do arquiteto Hector Vigliecca, o caráter dessa transposição da quadra é essencialmente urbano e público, funcionando como uma ponto de conexão entre ruas, algo que pretendeu-se trabalhar na intervenção realizada no TGI. É importante ressaltar ainda um outro aspecto importante do trabalho do arquiteto Hector Vigliecca como importante referência a partir da sua atuação de projeto em torno do conceito que ele chama de terceiro território, uma estratégia de projeto que potencializa, mutuamente, o lugar e a intervenção que o transforma e é transformada por ele, de modo que o projeto arquitetônico não seja nem uma tabula rasa em relação ao lugar onde ele está inserido e nem refém do contexto. Como já foi dito anteriormente, a importância do lugar é fundamental, entretanto, no processo realizado ao longo da disciplina de TGI I foi possível perceber que, apesar de o lugar ser importante, o modo como o arquiteto o lê e o potencializa a partir de suas ações projetuais é ainda mais essencial. Desta forma, o presente trabalho se propõe a articular indivíduo, lugar e cidade através de uma ação projetual em uma escala local que torne visível ou potencialize as questões espaciais e culturais do lugar, conectando-o à cidade e à população. Isso se dará através de uma ação de costura que articule os espaços internos e externos privilegiando a permeabilidade, a partir da caracterização dos percursos em diferentes níveis e da articulação de volumes com diferentes gabaritos, de modo a criar um novo espaço na cidade e para a cidade, a ser reconhecido e apropriado por todos os seus habitantes. 1

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SÃO CARLOS: CIDADE DE INTERVENÇÃO A cidade de São Carlos surge no contexto da expansão da lavoura cafeeira no estado de São Paulo, em meados do século XIX e apresenta neste período a primeira fase importante do seu desenvolvimento (entre as duas últimas décadas do século XIX e as duas primeiras do século XX). A partir da chegada da ferrovia à cidade em 1884, a área central se firma como local de destaque político e econômico. Neste momento, o centro da cidade passa por um processo de embelezamento, com o surgimento de casarões de arquitetura eclética pertencentes aos grandes barões do café. Ao longo de seu processo de urbanização, a cidade de São Carlos expandiu-se para a periferia enquanto o centro, onde já existia a infraestrutura urbana necessária para receber novos habitantes, permaneceu pouco adensado. Atualmente, a cidade se caracteriza por possuir baixo adensamento urbano e consequentemente baixa verticalização, o que se pode notar ao observar que ainda há uma grande quantidade de lotes vazios no centro da cidade.

ao lado: planta de situação de são carlos com destaque para a área central. montagem: natália fragalle


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O CENTRO: ÁREA DE INTERVENÇÃO


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A ocupação do centro de São Carlos se deu a partir das bordas das quadras, enquanto os fundos de lote ficaram vazios. Ao observar a fotografia área atual da cidade, nota-se que esses fundos de lote continuam desocupados, apontando o quanto o centro da cidade não se adensou, uma vez que a ocupação ainda apresenta essas reminiscências da primeira fase de urbanização referente ao período cafeeiro. Atualmente, o centro de São Carlos apresenta uso predominantemente comercial e de serviços, o que significa que há um alto fluxo de pessoas durante o dia, porém, com exceção de alguns bares e restaurantes e do Cine São Carlos, há pouquíssima atividade noturna, o que acaba por transmitir uma sensação de insegurança neste período. Com relação ao patrimônio arquitetônico, a centro da cidade ainda possui uma grande quantidade de imóveis de interesse, sendo que boa parte deles conta no Anexo XIX da Lei Municipal nº13.562/05 como “Bens de Interesse Histórico-Cultural”, porém, devido à falta de leis que favoreçam a preservação destes imóveis, muitos deles encontram-se em péssimo estado de conservação ou então descaracterizados devido à especulação imobiliária.


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ao lado: LEVANTAMENTO DO RECORTE DE 72 QUADRAS legendas áreas sub-utilizadas estacionamentos

bens de interesse histórico (anexo XIX da Lei Municipal nº13.562/05)

quadras selecionadas

Partindo de um recorte inicial de 72 quadras da área central, tendo como limites as Ruas Bento Carlos, Carlos Botelho, José Bonifácio e Dom Pedro II, foram realizados três levantamentos. O primeiro diz respeito às áreas sub-utilizadas dessas quadras: os fundos de lote ou estreitos acessos ao interior das quadras que são reminiscências do modo como estas foram loteadas e ocupadas. O segundo levantamento mapeia lotes cujo é extremamente intenso no centro da cidade: os estacionamentos, pensando que algumas dessas áreas pudessem ser apropriadas pela intervenção realizada. Já o terceiro mapeamento levantou todos os Bens de Interesse Histórico-Cultural de São Carlos na área delimitada, a partir do Anexo XIX da Lei Municipal nº13.562/05 e do Projeto Percursos da Fundação Pró-Memória de São Carlos. Desse modo, pretende-se atuar a partir da possibilidade de constituir um centro que nunca se consolidou, mas que ainda preserva importantes elementos de um tempo passado. A partir dos levantamentos realizados, escolheu-se 10 quadras de maior interesse, nas quais as três diretrizes mapeadas apresentam maior conciliação. Procurou-se também escolher quadras que faceassem os espaços públicos da área, de modo que estes pudessem ser articulados ao projeto de intervenção.


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As quadras localizam-se entre as e Dona Alexandrina e Carlos, que compõem mais importantes da facilmente acessadas público.

selecionadas Ruas Episcopal a Avenida São os eixos viários cidade, sendo via transporte

ao lado: MOBILIDADE URBANA NA ÁREA DE INTERVENÇÃO legendas

percurso das linhas de ônibus pontos de ônibus


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ao lado: EDIFÍCIOS E EQUIPAMENTOS DE IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E CULTURAL NA ÁREA DE INTERVENÇÃO E EM SUAS PROXIMIDADES legendas 1_catedral de são carlos borromeu 2_mercado municipal 3_praça pedro de toledo 4_biblioteca municipal amadeu amaral 5_palacete bento carlos 6_fórum criminal 7_palacete conde do pinhal 8_são carlos clube (sede social) 9_câmara municipal 10_escola estadual paulino carlos 11_escola estadual dr. álvaro guião 12_teatro municipal dr. alderico vieira perdigão 13_prefeitrua municipal 14_cdcc-usp (centro de divulgação científica e cultural) 15_estação cultura e fundação pró-memória 16_cine são carlos 17_praça coronel paulino carlos 18_praça dos voluntários 19_praça coronel sales 20_museu da ciência professor mário tolentino 21_centro municipal de cultura afro-brasileira odette dos santos 22_instituto cultural ítalo-brasileiro 23_grêmio recreativo e familiar flor de maio

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ao lado: LEVANTAMENTO DE USO E OCUPAÇÃO legendas comercial serviços residencial

institucional público

institucional privado

misto com habitação

misto sem habitação

outros

áreas sem edificação

edifício desocupdo

edifício parcialmente desocupado

espaços públicos

Nota-se que a área de intervenção apresenta um uso predominantemente de serviços, com poucos lotes residenciais e muitos edifícios desocupados. Destacase também a grande quantidade de edifícios de uso institucional público, uma vez que essa área abriga diversos órgãos e secretarias municipais devido à proximidade da prefeitura.


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40 40 COSTURA COSTURA URBANA: URBANA: A A CIDADE CIDADE PELO PELO AVESSO AVESSO

DIRETRIZES


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Partindo dos levantamentos e estudos realizados, adotou-se diretrizes para a realização do projeto. Alguns dos edifícios de interesse histórico levantados foram selecionados para serem incorporados à intervenção, juntamente com outros edifícios que não constam no Anexo XIX, mas possuem alguma importância arquitetônica, urbanística ou cultural, de modo a garantir a sua preservação. Além disso, alguns estacionamentos foram retirados e algumas edificações foram demolidas, sendo construções recentes de pouco valor arquitetônico, pequenas edículas ou imóveis extremamente descaracterizados, para dar lugar à intervenção.


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ao lado: DIRETRIZES DE PROJETO legendas

bens de interesse histórico (anexo XIX da Lei Municipal nº13.562/05) a seremapropriados pela intervenção

outros edifícios a serem apropriados pela intervenção

edifícios demolidos

jardins preexistentes a serem preservados

demais edifícios


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2 A 1 a

B

b

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e

C

c

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D

5

d

6 E 7 f 9

F G

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10

8 H

g

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BENS DE INTERESSE HISTÓRICO APROPRIADOS 5

3

4

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12 TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 45

9

8

6

11

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c 46 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

a

b

OUTROS EDIFÍCIOS APROPRIADOS

d

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9 TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 47

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f g


C 48 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

A

B

D

EDIFÍCIOS DEMOLIDOS E


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G

F

H


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PROGRAMA: UNIVER[CIDADE] A maior parte das universidades no Brasil conformam-se em campi universitários, modelo criado pelas universidades americanas no século XIX que possui como objetivo agregar as instalações físicas das diversas áreas do conhecimento em um mesmo espaço para que elas possam ser integradas entre si. Entretanto, esse tipo de conformação acaba por segregar o espaço da universidade da cidade no qual ela está inserida do ponto de vista urbanístico através de barreiras físicas ou sociais que acabam por dar às costas à cidade e aos cidadãos. Na cidade de São Carlos, onde há duas universidades públicas (dois campi da Universidade de São Paulo e a Universidade Federal de São Carlos), pode-se observar claramente a divisão que existe entre a comunidade acadêmica e a população da cidade, onde a primeira não sente verdadeiramente como cidadã sãocarlense e a segunda não se sente à vontade para adentrar o espaço da universidade, mesmo este sendo de caráter público e por tanto de acesso livre apara todos, apesar da existência de muros e do acesso controlado, o que acaba por intimidar aqueles que não possuem vínculo com a universidade.


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Desta forma, o presente trabalho se pretende a tentar construir uma nova relação entre universidade, cidade, comunidade acadêmica e população em São Carlos, a partir da inserção de edifícios que abriguem instalações das universidades públicas, bem como edifícios habitação estudantil na malha urbana do centro da cidade. Além disso, prevê-se que os edifícios de importância histórica e cultural para a cidade selecionados anteriormente sejam incorporados pelas universidades de modo a garantir a sua preservação e manutenção. As instalações universitárias a serem trazidas para o centro da cidade devem ser acessíveis também à população de São Carlos, por isso, o que se pretende é criar espaços que possam ser utilizados por toda a população, como salas de aula, equipamentos culturais, espaços de discussão e divulgação do conhecimento e centros de lazer. Destaca-se ainda a importância de que hajam diversos tipos de equipamentos de cursos distintos e de ambas as universidades públicas coexistindo na área de intervenção para que haja uma maior integração entre as duas universidades entre si e entre elas e a cidade. A presença da habitação estudantil também é de extrema importância, uma vez que o centro habitado, principalmente pela população jovem, torna-se mais seguro e vibrante, uma vez que passa a ser utilizado tanto durante o dia, quanto durante a noite, impedindo a sua estagnação e a sua conseqüente degradação.

ao lado: localização das universidades em são carlos, destacando a área de intervenção. montagem: natália fragalle


52 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

PROJETO


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A partir das questões desenvolvidas neste trabalho, pretendeu-se trabalhar um sistema de espaços que tencionasse o modelo de ocupação urbano existente e o processo de urbanização que se deu ao longo dos anos que privilegiou a expansão urbana para as bordas da cidade, criando uma reconfiguração da área central da cidade a partir da atuação em 10 quadras, articuladas com cinco espaços públicos, de modo a conformar novas maneiras de caminhar e de estar no centro. A declividade acentuada da área foi considerada de grande importância no processo de projeto e, a partir dela, formulou-se uma divisão entre passagem e permanência. Enquanto a parte externa às quadras, isto é, as ruas e calçadas, foram designadas como local de passagem, os miolos de quadra, com o tratamento do terreno e a criação de novos edifícios em conjunto com a apropriação de preexistências, foram designados como local de permanência, ou seja, onde a transposição das quadras é feita de forma lenta e gradual a partir de percursos diferenciados que unem o dentro e o fora.


54 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

ao lado: IMPLANTAÇÃO legendas

edifícios preexistentes incorporados à intervenção

novos edifícios de caráter residencial (habitação estudantil)

passarelas e ruas internas à quadra para pedestres

demais edifícios

novos edifícios de caráter institucional (universidades)

páginas 54 e 55: IMPLANTAÇÃO COM COTAS E CURVAS DE NÍVEL


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56 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


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58 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


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CORTE AA


60 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


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CORTE BB


62 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


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CORTE CC


64 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


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ao lado: CHEIOS E VAZIOS_ATUAL legendas

áreas edificadas áreas não edificadas


66 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

ao lado: CHEIOS E VAZIOS_DIRETRIZES legendas

áreas edificadas

edifícios preexistentes a serem incorporados na intervenção

áreas não edificadas


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68 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


ao lado: CHEIOS E VAZIOS_PROJETO legendas

áreas edificadas

edifícios preexistentes a serem incorporados na intervenção

novos edifícios de caráter institucional (universidades)

novos edifícios de caráter habitacional (habitação estudantil)

áreas não edificadas

passarelas

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70 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

ESTUDO DAS FACHADAS


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Com o objetivo de estudar as relações entre os gabaritos na área de intervenção, foram realizados três estudos das fachadas de todas as quadras da área. O primeiro deles, analisa as quadras de acordo com a situação atual. O segundo analisa as relações a partir das diretrizes aplicadas, destacando-se os elementos a serem incorporados à intervenção e identificando possibilidades de atuação. Já o terceiro apresenta as novas relações que surgem a partir do projeto de intervenção.


72 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA JESUÍNO DE ARRUDA


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RUA TREZE DE MAIO_1


74 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA TREZE DE MAIO_2


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RUA CONDE DO PINHAL_1


76 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA CONDE DO PINHAL_2


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RUA MAJOR JOSÉ INÁCIO_1


78 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA MAJOR JOSÉ INÁCIO_2


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RUA SETE DE SETEMBRO


80 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA Sテグ JOAQUIM


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82 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA DONA ALEXANDRINA_1


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84 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA DONA ALEXANDRINA_2


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 85


86 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

AVENIDA Sテグ CARLOS_1


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 87


88 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

AVENIDA Sテグ CARLOS_2


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 89


90 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

RUA EPISCOPAL


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 91


92 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA A QUADRA: INTERVENÇÕES


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 93


94 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 1

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 95

CROQUI: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


96 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 1

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 97

COTA 809

COTA 812

COTA 815 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas


98 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 2

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 99

CROQUI: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


100 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 2

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 101

COTA 809

COTA 811

COTA 814 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas

COTA 817

COTA 815


102 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 3

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 103

CROQUI: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


104 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 3

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 105

COTA 816 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas


106 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 4

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 107

CROQUIS: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


108 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 4

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 109

COTA 823

COTAS 826 E 829

COTAS 831 E 834

COTA 828

COTAS 833 E 836

COTA 830

ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas


110 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 5

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 111

CROQUI: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


112 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 5

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 113

COTA 827

COTA 830

COTA 833 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas


114 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 6

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 115

CROQUI: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


116 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 6

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 117

COTA 831

COTA 832

COTAS 840, 843, 846 E 849

COTA 834

COTA 837

COTA 835

ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas


118 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 7

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 119

CROQUI: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


120 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 7

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 121

COTA 831

COTA 834 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas


122 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 8

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 123

CROQUI: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DA INTERVENÇÃO


124 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 8

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 125

COTA 834 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas

COTA 837


126 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 9

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 127

CROQUIS: ESTUDOS VOLUMÉTRICOS DOS NOVOS EDIFÍCIOS


128 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 9

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 129

COTA 840

COTA 843 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas

COTA 846


130 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 10: A PRAÇA CORONEL SALES

CROQUI: ESTUDOS EM PLANTA


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 131

Alvo de uma série de reformas que vem sendo realizadas desde a década de 70 e abrigando a Câmara Municipal e a Escola Paulino Carlos, a praça é conhecida por ser um importante ponto de encontro da população para a realização das mais diversas atividades. Antigamente, a praça apresentava uma configuração totalmente distinta, apresentando ruas internas e um grande edifício em seu centro: o antigo Theatro Polytheama, que veio a se tornar o Cine São Carlos, importante ponto cultural da cidade e pioneiro no Estado de São Paulo. Com a demolição do cinema em 1976, a área da praça foi ampliada e passou a receber eventos cívicos, porém, com o passar dos anos e com mais reformas, a praça acabou adquirindo o caráter de praça seca, o que gerou uma diminuição do seu uso como área de estar. Dessa forma, realiza-se um projeto de intervenção de modo a recuperar o seu passado, ainda presente na memória de muitos habitantes, a partir da construção de um cinema ao ar livre, aproveitando-se do desnível do terreno. Prevê-se ainda a manutenção do caráter cívico da praça nas proximidades da Câmara Municipal e a realocação do Museu da Ciência Prof. Mario Tolentino no centro da praça, abaixo do área cívica e no nível mais baixo do cinema. Já na face que se volta para a Avenida São Carlos, prevê-se uma nova arborização de modo a criar áreas de estar e um percurso coberto por um pergolado que acaba em uma passarela que enquadra dois dos edifícios históricos apropriados pela intervenção.


132 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 10: A PRAÇA CORONEL SALES


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 133

acima: a praça coronel sales na década de 60 imagem: são carlos antigo ao lado: a atual conformação da praça coronel sales imagem: natália fragalle


134 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 10: A PRAÇA CORONEL SALES

DIAGRAMA DE FLUXOS 1:500


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 135

COTA 837 ao lado: ESTUDO DOS PATAMARES legendas

novas áreas edificadas

passarelas ou ruas internas

demais edifícios

áreas não edificadas

COTA 841


136 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

QUADRA 10: A PRAÇA CORONEL SALES


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 137

ao lado: croqui illustrando a intervenção na praça coronel sales nas páginas 136 e 137: perspectiva ilustrando a rua interna que sai da praça coronel sales, chegando à quadra 6


138 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 139


140 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 141

ALMEIDA, Eneida. O “construir no construído” na produção contemporânea: relações entre teoria e prática. 2009. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo. JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000. LIMA, Renata P. O processo e o (des)controle da expansão urbana de São Carlos (1857-1977). 2007. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos, São Carlos. NESBITT, Kate (org). Introdução. In: Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). São Paulo: Cosac&Naify, 2008. ORTEGOSA, Sandra M. Cidade e memória: do urbanismo “arrasa-quarteirão”à questão do lugar. Arquitextos n. 112.07, ano 10. Setembro de 2009. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/10.112/30 Acesso em: 01/12/2013. ROSSI, Aldo. A arquitetura da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 2001. RUBANO, Lizete M (org.). Hipóteses do real: concursos de arquitetura e urbanismo - Vigliecca & Associados. São Paulo: Vigliecca & Associados, 2012. VAINER, André; FERRAZ, Marcelo (org). Cidadela da liberdade: Lina Bo Bardi e o SESC Pompéia. São Paulo: SESC Editora, 2013.


142 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO


TGI 1_NATÁLIA PAULETTO FRAGALLE 143


144 COSTURA URBANA: A CIDADE PELO AVESSO

TGI_1 2014 costura urbana: a cidade pelo avesso  

Caderno de apresentação do trabalho desenvolvido para a disciplina de Trabalho de Graduação Integrado 1 do curso de Arquitetura e Urbanismo...

TGI_1 2014 costura urbana: a cidade pelo avesso  

Caderno de apresentação do trabalho desenvolvido para a disciplina de Trabalho de Graduação Integrado 1 do curso de Arquitetura e Urbanismo...

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