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João Santiago - Fôrma de Música

Pontos de Cultura João Santiago e Fôrma de Música incentivam literatura e música

Dois Pontos de Cultura de São Bernardo do Campo estão mudando a vida de jovens que participam dos projetos e de moradores das comunidades onde estão instalados. Localizado no Jardim Represa, o Ponto de Cultura João Santiago estimula a leitura,

Projeto fortalece estimulo à leitura

Desenvolvido para comple-mentar as iniciativas de formação de novos leitores, o Ponto de Cultura João Santiago coloca os jovens atendidos como protagonistas do processo de criação literária. Página 3

trazendo os jovens para o processo de criação editorial. Já o Fôrma de Música, como o próprio nome indica, usa ritmos e acordes do violão como agentes de transformação da comunidade do Bairro Nova Divinéia. Páginas 3 e 4

Transformação pela arte Editorial destaca atuação dos projetos de São Bernardo d o C amp o, qu e t r i l ham o caminho do bem a partir do estímulo artístico. Os Pontos de Cultura João Santiago e Fôrma de Música provam que é possível fazer a diferença com atitudes que favorecem o convívio pessoal e comunitário com expressões artísticas, como música, literatura, dança e cinema. Conheça a história de cada uma dessas iniciativas, as áreas de atuação e suas propostas para as comunidades. Página 2

Música modifica contexto social

Alunos e moradores da comunidade do Divinéia atestam a importância do Ponto de Cultura Fôrma de Música, que está transformando a vida das pessoas da região. Página 4


Ano I - nº01

Editorial

Transformação cultural Música, literatura, dança, cinema, ou, simplesmente, c u ltu r a . A t r aj e t ór i a e o trabalho desenvolvido pelos dois Pontos de Cultura desta edição, ambos de São Bernardo do Campo, trilha o caminho do bem através das artes. Aos p oucos, cada uma das expressões artísticas qu e o s proj e to s d e s t a c am vão mudando a cara das

comunidades nas quais estão ins er idos. Novas histór i as são construídas a partir dessa mudança, algumas você confere na página 4, mesmo sabendo que elas representam apenas parte de trabalhos com maior abrangência. Os Pontos de Cultura João Santiago e Fôrma de Música são prova do poder transformador que a cultura tem.

Expediente Pontão de Cultura Jornal do Ponto Coordenador Cultural: Murilo Oliveira Articuladora: Eliana Silveira Estagiários: Karina Koch, Marina Schmidt, Eduardo Kaze, Bruno Praun Coelho e Nilton Faria de Carvalho. Oficina de Design Gráfico: Natália Balladas Editoração e Arte Final: Natália Balladas

Pontos de Cultura: João Santiago e Fôrma de Música Participantes: João Santiago: Raimundo Nonato da Silva Filho; Manoel Tavares da Silva Fôrma de Música: Vera Lúcia Ferreira Matos; Renata Maria da Silva; Daniela Arantes da Luz; Diego Augusto S. Moreira.

João Santiago é cultura A Associação de Movimento Integrado de Reivindicações Populares (Amirp) foi fundada em 2002, por Manuel Tavares da Silva e um grupo de amigos incomodados com a forma como a atual administração pensava as políticas públicas para a região do Jardim da Represa e nos bairros vizinhos. Sempre à margem do poder, a Associação, até 2009, exerceu papel coadjuvante no cenário político administrativo de São Bernardo do Campo, visto que seus fundadores defendem uma orientação ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Com a chegada da sigla ao Paço em 2009, a Amirp, ganhou espaço na Secretaria de Cultura, por conta da política de descentralização cultural da administração do prefeito Luiz Marinho, e pôde construir uma agenda cultural para o Jardim Represa. O projeto tem a intenção de valorizar do artista local, de modo que, no biênio 2009/10, a diretoria da ONG em parceria com a Secretaria de Cultura, promoveu eventos dos mais variados gêneros: teatro, sarau, música, esportes, ações de cidadania e concerto de música clássica, em praça pública. Ainda no ano de 2010, a associação, encorajada pelo visível sucesso das

Ponto de Cultura oferece oficinas e estimula a cultura no Jardim Represa

ações culturais, a entidade participou do primeiro edital para implantação dos Pontos de Cultura em São Bernardo do Campo, com o projeto “Ler a Vida”, a Associação assinou convênio com a administração municipal e criou o Ponto de Cultura João Santiago. As atividades oferecidas são oficinas de fotografia, editoração

gráfica, redação, curso preparatório para o ENEM, ballet, yoga, capoeira, cinema, contação de história e apresentações musicais, além da publicação de um jornal, fruto e objeto do projeto, chamado Folha Verde. Conheça o trabalho realizado pelo Ponto de Cultura, na rua Ponta Grossa, nº 01 - Jardim Represa.

Fôrma de Música conquista Divinéia

Este periódico é produto das oficinas de jornal promovidas pelo Pontão de Cultura Jornal do Ponto, projeto da Associação dos Jornais do Interior do Estado de São Paulo (ADJORI-SP) em convênio com o Ministério da Cultura sob o nº 748226/2010.

Realização

Realização

2

O projeto Fôrma de Música iniciou suas atividades em junho de 2011, e vem conquistando, a cada dia, mais espaço na comunidade onde atua, no bairro Nova Divinéia, em São Bernardo do Campo. O objetivo para os próximos três anos é que além da aula de violão, sejam incluídas também aulas de guitarra e bateria, atendendo cerca de 14 crianças em situação de vulnerabilidade social dentro da expectativa da educação social. A s o f i c i n a s d e mú s i c a , ministradas na entidade, oferecem condições mínimas para que, de forma crítica e consciente, os educandos possam compreender

seus deveres e participar ativamente de todas as ações da sociedade. Esse trabalho tem como visão a inclusão da música no processo educacional dos adolescentes, ou seja, busca acrescentar na sua formação o desenvolvimento da percepção, da criatividade, da emoção e do autocontrole, favorecendo assim o desenvolvimento do senso de equipe, da solidariedade, da produtividade e da colaboração. A ação do Ponto de Cultura está modificando a vida da comunidade e deixando todos surpreendidos com os avanços já realizados. Os pais dos alunos ficaram impressionados com os talentos escondidos dos filhos e

maravilhados com o trabalho que o projeto está proporcionando para cada jovem participante das oficinas. Os envolvidos nas ações oferecidas pelo Ponto de Cultura Fôrma de Música estão orgulhosos com os resultados do trabalho e gratificados porteremaoportunidadedepropiciar aos alunos o desenvolvimento de noções teóricas e práticas de como tocar o instrumento, da capacitação de jovens e adolescentes e a oportunidade de conhecer a diversidade cultural e musical de diferentes ritmos. Entre em contato pelo telefone (11) 4338-2198 ou e-mail: assessoria@solano.org.br. Visite nosso site www.solano.org.br


Ano I - nº01

Ponto de Cultura promove leitura

Trabalho de incentivo Conheça o produto final do trabalho do Ponto de Cultura, o Jornal Folha Verde

Iniciativa estimula interesse dos jovens com oficinas de produção O Ponto de Cultura João Santiago em parceria com a Asso ciação de Movimento Integrado de Reivindicações Populares (Amirp) desenvolve ações que visam promover o interesse pela leitura. A difusão do trabalho acontece por meio de oficinas de editoração gráfica, redação e fotografia, tendo como objetivo final um jornal comunitário. A população beneficiada são os jovens com faixa etária de 14 a 21 anos, estudantes, regularmente matriculados em escolas públicas da região do Grande Batistini. A iniciativa surgiu com a intenção de fortalecer o trabalho feito pelos órgãos oficiais, pois, após obser var as inúmeras campanhas de incentivo à leitura desenvolvida nos últimos anos no

Brasil, fica claro que o trabalho realizado ainda não alcançou o objetivo esperado. Apesar das mais variadas formas de abordagens feitas pelos órgãos oficiais, o país tem um índice de leitura baixo se comparado com outros países. “Incentivar a leitura não é trabalho de uma frente só, pensamos que é preciso criar forças-tarefas para atuar em vários seguimentos, aperfeiçoar as atuais políticas e, sobretudo, encontrar formas de protagonizar o leitor”, afirma Raimundo Nonato da Silva Filho, especialista em gestão de políticas públicas educacionais e coordenador do projeto. “Basta analisarmos o que acontece com o futebol, por exemplo. Alguém já viu alguma campanha de incentivo à pratica

do futebol? Do tipo: ‘o ideal é que cada brasileiro jogue pelo menos dez partidas de futebol por ano’ ou coisas parecidas?”, questiona o coordenador. “Não há necessidade, pois as crianças, ainda no ventre, começam a chutar. Expressões como ‘esse vai ser jogador de futebol’ são corriqueiras”, conclui Nonato. Mas o que futebol tem a ver com campanhas de incentivo à leitura? A resposta é muito s i mpl e s : u m j ove m t ro c a , facilmente, dez livros por uma bola porque no campo existe a possibilidade real de ele alcançar o protagonismo, enquanto como leitor essa possibilidade é mais remota, e quando acontece não carrega em si o valor social que um jogador de futebol tem e que é tão bem divulgado pelas mídias em geral.

Livro abrirá biblioteca comunitária

Jovens estão diretamente envolvidos com a produção editorial do jornal

As oficinas no Ponto de Cultura João Santiago tiveram início em agosto de 2011, no entanto, o produto final deste trabalho só foi publicado em dezembro do mesmo ano. Assim, a primeira edição do objeto do projeto, o Jornal Folha Verde, foi publicado com tiragem inicial de 2 mil exemplares, e a distribuição foi feita pelos próprios jovens atendidos. O objetivo é incentivar o jovem a ler mais, colocando-o como um dos protagonistas do projeto. “Entendo que só cons eg uiremos promover a leitura quando o nosso público alvo estiver de fato produzindo conhecimento contextualizado com a realidade local”, diz o professor Raimundo Nonato da Silva Filho, especialista em gestão

de políticas públicas educacionais e coordenador do projeto. O proj eto c ultural é um agente transformador da comunidade envolvida direta ou indiretamente em suas ações e resultados. Assim, o projeto visa alcançar e/ou recuperar ao todo, senão parte do protagonismo e autoestima da comunidade. Ao final do terceiro ano de publicação do jornal, será produzido um livro com as melhores reportagens, melhores crônicas, melhores artigos, melhores editorias, poesias, contos, e outros gêneros. As oficinas acontecem aos sábados das 8h às 12h30, com intervalo para lanche. Para mais informações entre em contato pelo telefone (11) 4357-6240 ou pelo e-mail nonnatto@ig.com.br.

Ponto e jornal no Facebook

Proposta da entidade é publicar um livro e inaugurar uma biblioteca comunitária

O projeto Ler a Vida, do Ponto de Cultura João Santiago, não foi pensado apenas como objeto de democratização da leitura, ele abrange também outra política pública, eternamente sonhada por moradores de comunidades distantes dos centros das cidades: a disseminação de bibliotecas comunitárias como estratégia de

socialização do conhecimento produzido ao longo dos anos. A comunidade do Jardim da Repres a s aiu na f rente ao fundar um jornal como c ond i ç ã o pr i m ord i a l p ar a atender várias necessidades de implementação da leitura e da legitimação da educação não formal. Oferecendo

oficinas de redação, editoração gráfica e fotografia, o projeto tem como produto final um jornal. O objetivo é construir, a partir dele, uma antologia e, posteriormente, um livro. Com esse objetivo alcançado, esse livro deve inaugurar uma biblioteca comunitária para os jovens do complexo Batistin.

Embora integrem um projeto comunitário e destinado a um público especifico, as iniciativas do Ponto de Cultura João Santiago não ficam confinados apenas a sua esfera de atuação. O Ponto possui um perfil no facebook, garantindo abrangência das ações e fomentando a participação. A Folha Verde, jornal produzido pelos jovens que participam do projeto, também não fica atrás e já possui uma página na rede social. As páginas foram criadas há poucos meses, mas já atendem

aos propósitos da instituição, divulgando, por exemplo, oficinas e outras atividades. Para quem tem interesse em acompanhar esse trabalho, mesmo que seja pela internet, basta buscar no facebook as páginas: Ponto de Cultura João Santiago e Folha Verde. Depois, é só curtir! 3


Ano I - nº01

Fôrma de Música transforma a vida com o violão

Mudança notável na comunidade

“Na música, ter conhecimento equivale a uma fonte criativa dentro de sua mente”, afirma oficineiro

“Eu treino bastante em casa e meus pais gostam de me ouvir”, revela Elisangela Feitosa Cenna

Oficineiro Marcelo Antonio e João Gargantini, morador do bairro e incentivador do projeto

O Ponto de Cultura Fôrma de Música tem como foco principal o ensaio do violão, ministrado pelos oficioneiros Wa l t e r S k y e Marcelo Antonio. O instr umento, além de estimular partes do

cérebro, também proporciona ao aluno senso de liderança, trabalho em equipe e maior

A educação musical pode estabelecer um papel fundamental no processo de alfabetização dos indivíduos, auxiliando a construção do raciocínio lógico matemático

confiança. “A educação musical pode estabelece r um papel fundamental no processo de alfabetização dos indivíduos, au x i li an d o a c on s t r u ç ã o do raciocínio lógico matemático”, comenta Walter Sky. A proposta da atividade é trabalhar o lado social, tendo c om o b a s e a s au l a s de violão, ao mesmo tempo, que se ensinam acordes, noções rítmicas, harmonias, entre outras práticas do instrumento. O 4

Fôrma de Música acrescenta em suas atividades a comunicação, abrindo espaço a todos para discussão sobre o lado social do projeto e da vida, mudando o modo de pensar dos jovens frequentadores do projeto e proporcionando algo novo e único na vida deles. O Ponto de Cu ltura não realiza uma mudança apenas no cotidiano de quem c omp are c e à s of i c i n a s , a s pessoas que convivem com os jovens participantes do projeto também notam uma diferença positiva no comportamento, no aprendizado e no modo de ver e conviver com a comunidade. “Na música, ter conhecimento equivale a uma fonte criativa dentro de sua mente, aprimorando seu lado intelectual e af lorando sua intuição”, conclui Sky. Para que cada aluno possa aprender sobre o instrumento e e stu d ar, a S e c re t ar i a d e Cu lt u r a d i s p on i bi l i z a a o s participantes um violão com capa para estudos em casa. O projeto acontece as terças e quintas-feiras, na Sociedade Esportiva Divinéia, localizada na Travessa Nove de Julho, 01A no bairro do Divinéia.

A transformação através da música já é sentida na c omu n i d a d e d o D i v i n é i a . Moradores e os próprios alunos da entidade reconhecem a mudança promovida desde que as oficinas foram iniciadas. José Roberto Gargantini é morador da comunidade do Divinéia e afirma acompanhar o projeto desde o início, há vinte anos. Ele fala com clareza sobre o desenvolvimento e as vantagens que as aulas trouxeram para a região. “O Ponto de Cultura, além de trazer benefício para as crianças, começou a moralizar muito a comunidade, antes havia muitas coisas ilícitas por aqui”, comenta. Gargantini também garante que as crianças participantes estão cada vez mais educadas por conta da cultura e em pouco tempo evoluíram bastante e já estão tocando algumas músicas. Maria Luiza da Rocha lembra que antes não havia nada na sede onde acontecem as aulas de violão e isso facilitava o uso errado do local. A moradora da comunidade do Divinéia fala do bem que o Ponto de Cultura trouxe às crianças: “Todo mundo diz que foi a melhor coisa que teve por aqui, as crianças saem da rua e aprendem coisas interessantes nas aulas, como tocar violão, fico muito feliz com isso”. Com desejo de incluir os netos no projeto, Maria Luiza está esperando apenas a idade mínima para matriculá-los e não deixa de incentivá-los, informando-os sobre a importância das aulas

em suas vidas. Rosa Maria mora em frente ao Ponto de Cultura e acompanha de perto todas as aulas. Com isso, ela conseguiu observar o progresso das crianças e adolescentes que frequentam e afirma que a comunidade também passou por mudanças com o início do projeto “Aqui parou de ser bagunça e se tornou algo que traz cultura para as crianças da comunidade”, afirma ela. O aluno Josué Aparecido Rosa Damião tem 13 anos e frequenta as aulas de violão há quatro meses. Quando recorda o início de sua participação, lembra que passava em frente a sede e viu como era, e com o incentivo dos pais acabou inscrevendo-se. “Sei que as aulas de violão ou qualquer outro curso é muito bom porque posso aprender coisas boas e não as que não devem, como usar drogas ou ficar na rua”, afirma. Hoje, Josué pratica o aprendizado na igreja que frequenta e também ensaia com o seu pai, às vezes até ensina-lhe algumas coisas a ele. Outra participante do projeto, a aluna Elisangela Feitosa Cenna da Silva, 14 anos, revela ter aprendido muito nas aulas de violão, algo que jamais conseguiria fazer. Com o apoio da família, ela não deixa de estudar diariamente. “Eu treino bastante em casa e meus pais gostam de me ouvir”, afirma. “Sempre tento me aprimorar com as pessoas da igreja porque tenho muita vontade de um dia me apresentar lá”, conclui.


Jornal Juntando os Pontos.