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Companhia de teatro de São José dos Campos acumula mais de 30 prêmios Em 20 anos de existência, a Companhia Cultural Velhus Novatus, fundada em 1993, conquistou mais de 30 prêmios e indicações em diversos festivais de teatro realizados em cidades do Estado de São Paulo. O programa foi idealizado pelo diretor Ademar Guerra (que faleceu dias antes do início das atividades) e pelo crítico e pesquisador teatral Sebastião Milaré. Com o falecimento de Guerra, a atriz e diretora Elisabeth Hartman assumiu a supervisão prática do projeto. Hoje a Cia desenvolve projetos e ações sociais, culturais e educacionais, que potencializam a cidadania cultural. O grupo busca inspiração na memória e cultura popular da cidade de São José dos Campos e do Vale do Paraíba. Página 5 Página 5

Grupos preservam a cultura tradicional em São José dos Campos

Em parceria com o Ponto de Cultura OCA, três grupos fortalecem e ensinam seus saberes e tradições na região leste. O grupos de Capoeira Raízes, de Jongo Mistura da Raça, e o de Congada Filhos de

N’Zambi encontram na sede do projeto espaço para realização de suas atividades. O Ponto de Cultura também mantém a Rede Jovens Protagonistas, que reúne participantes da oficina de audiovisual Página 3

Projeto resgata a cultura popular brasileira

Fundada em 1989, a Cia Cultural Bola de Meia mantém um trabalho de pesquisa e divulgação da cultura popular brasileira, da tradição oral e da cultura da infância. Com atividades realizadas em escolas, empresas

e espaços públicos da região, a instituição cria espetáculos e músicas infantis a partir das informações coletadas nas pesquisas e conquistou prêmios importantes graças a sua atuação. Página 7


Ano I - nº01

Editorial

Nova gestão, nova proposta Jacqueline Baumgratz Presidente do Ponto de Cultura Bola de Meia Membro da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura Prêmio Tuxáua MINC 2009

O Programa Cultura Viva nasceu em 2004, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi um programa escrito pelo historiador Célio Turino a convite do então ministro da Cultura Gilberto Gil, com a ideia de que “o Brasil precisava de um do-in antropológico para fazer fluir a Cultura de seu povo”. E assim surgiram os primeiros Pontos de Cultura. Com o passar dos anos e com o crescimento inevitável da política pública para a Cultura, houve a necessidade de estadualizar o programa para garantir a continuidade e o avanço da iniciativa como política cultural brasileira. A partir de 2010 ocorreram mudanças políticas e sociais no Brasil. O Programa Cultura Viva amadureceu e é referência internacional. Recebeu prêmios, virou

Expediente

livro, foi pauta de matérias, teses, congressos e bienais, porém, viveu enfrentamentos, devido mudanças no Ministério da Cultura. De certa forma, essa transição trouxe lentidão na resolução de problemas emergenciais para muitos Pontos e Pontões de Cultura do Brasil, provocando o cancelamento de editais e teias por parte do Ministério. Mas a sociedade civil organizada com as comissões estaduais e nacional dos Pontos de Cultura esteve presente na tentativa de retomar o exercício de gestão compartilhada, experimentada no governo anterior. O Programa Cultura Viva é referência em toda América Latina e é cada vez mais respeitado em países europeus, como pude constatar na Alemanha durante o Congresso Pedagógico na Universidade de Siegen em 2011. A Pedagogia Social desenvolvida pelos Pontos de Cultura mostra a eficiência da relação socioeducativa cultural e as inúmeras maneiras criativas de economia. Quanto orgulho da nossa ancestralidade. Editoração e Arte Final: Natália Balladas

Pontão de Cultura Jornal do Ponto Coordenador Cultural: Murilo Oliveira Articuladora: Eliana Silveira Estagiários: Karina Koch, Eduardo Kaze, Bruno Praun Coelho e Nilton Faria de Carvalho. Oficina de Jornalismo: Marina Schmidt - MTB: 66 882 Oficina de Design Gráfico: Natália Balladas

Ponto de Cultura: Ponto de Cultura Óca, Ponto de Cultura Cia Cultural Bola de Meia e Ponto de Cultura Velhus Novatus Participantes: Vanderson da Silva Alves; Alisson Eli de Oliveira Dias; Wangy Alves; João Isidoro Filho; Guilherme Augusto Góes Miranda; Lixa Palosa; Maria Helena Oliveira da Silva; Ari Pereira; Moacyr da Cunha Baumgratz Neto

Este periódico é produto das oficinas de jornal promovidas pelo Pontão de Cultura Jornal do Ponto, projeto da Associação dos Jornais do Interior do Estado de São Paulo (ADJORI-SP) em convênio com o Ministério da Cultura sob o nº 748226/2010.

Realização

Realização

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Fundo municipal para arte e cultura Alcemir Palma Sociólogo Integrante do Ponto de Cultura Bola de Meia Membro da comissão organizadora da 1ª CMC de São José dos Campos/SP Membro da Comissão Paulista dos Pontos de Cultura da Macro Região VP, SM e LN

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) 6722/2010, que cria o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (ProCultura). Trata-se da nova legislação que reestrutura a Lei Rouanet e reformula o Fundo Nacional de Cultura (FNC). O diagnóstico do Ministério da Cultura (MinC) mostra que nos 18 anos de existência da Lei Rouanet houve concentração de recursos na Região Sudeste, com quase 80% dos investimentos, apresentando elitização no uso dos recursos. Em 2009 só 3% de projetos captaram

50% dos recursos autorizados. Diante disso e da necessidade do FNC oferecer à sociedade civil mais aportes de recursos, abriram-se consultas públicas e debates para aprimorar a proposta de reformulação da legislação. Repensar a política de renúncia fiscal tornou-se uma realidade. Se, no início da década de 90, o que estava em voga eram as leis de incentivo, hoje, discute-se o fortalecimento de fundos públicos de cultura com decisões compartilhadas do uso de recursos pela sociedade civil. E, tomando como base a postura de debater com a sociedade, é que o Ponto de Cultura Bola de Meia, com outras entidades de São José dos Campos, vem discutindo a importância do fundo municipal. Em 2009, na 1ª Conferência Municipal de Cultura (CMC) de

São José dos Campos, foi aprovada a criação do fundo, que, até o momento, não se concretizou. Mesmo com a falta de iniciativa do poder público municipal, a sociedade civil organizada promoveu debates, aprovou um texto e protocolou na Câmara dos Vereadores, com cópia para a gestora de cultura do município, e no gabinete da prefeitura. A sociedade sabe que está no caminho certo, pois toda cidade que aderir ao Sistema Nacional de Cultura terá que implantar o FMC, condição necessária para o recebimento de recursos do Fundo Nacional, caso o ProCultura seja aprovado. Essa pequena defesa, de uma estratégia de financiamento, é um exemplo claro do fundamento dos Pontos de Cultura: autonomia, protagonismo e empoderamento.

Orgulho do Programa Cultura Viva Elza Fiúza/ABr

Alcemir Palma

Existia no Brasil uma lacuna, um sentimento de débito do governo para seu povo, para a cultura deste país. O Ministério da Cultura durante o governo Lula e a gestão de Gilberto Gil, Juca Ferreira e Célio Turino, entre outros, buscou por meio do Programa Cultura Viva chegar aos cantos em que não se chegava e desvendar um Brasil que não se via. O programa transforma a nossa realidade, equilibra. Este governo demonstra que não é transferência de renda quando também exercita o diálogo com seu povo, busca ser mais “poroso”, compartilhado, debatendo com as bases sociais. Antes do governo Lula, a relação se dava de cima para baixo, lembrando que até pouco tempo distribuíam-se cadeiras de roda e óculos. Isso era uma prática política, assistencial e arrogante. O Programa Cultura Viva propõe três eixos norteadores, são eles: autonomia, protagonismo e

Veronica Sacta, participante da Teia Brasilia 2008, que reuniu 800 pontos de cultura

emancipação. Por meio de editais, os Pontos propõem projetos; realizam; prestam contas; ampliam atuações comunitárias; investem em vocações institucionais de

caráter artístico e cultural, de forma qualificada e amadurecida; estabelecem outra economia de forma mais criativa e sustentável, respeitando seu tempo e lugar.


Ano I - nº01

Ponto de Cultura OCA mantém ação cultural na Vila Tatetuba

Conheça os grupos do OCA Grupo de Capoeira Raízes Com 20 anos de existência, o Grupo Raízes participa desde o inicio do projeto, e é liderado pelo Contra-Mestre Coquinho e coordenado pelo professor Cleber (Guélo), que ministra, no Ponto de Cultura, aulas de capoeira para crianças, jovens e adultos. Além de criar um espaço de intercâmbio com professores e mestres da cidade e região.

União e fortalecimento de grupos culturais são diferenciais Ari Pereira

O Ponto de Cultura OCA, projeto de ação cultural da OSC Celebreiros, recebeu este nome em homenagem a Vila Tatetuba, que em tupi significa “muitos pássaros ou passarada”. Por essa mesma razão, as ruas e praças desta comunidade possuem nomes de diversos pássaros. Na sede do ponto acontecem, de acordo com cronograma semanal, as oficinas, ensaios e apresentações dos grupos, além de eventos culturais e comunitários, como a ‘Festa da Consciência Negra’, que em sua segunda edição reuniu mais de 400 pessoas, com representantes de oito pontos de cultura do Estado e apresentações de quatro grupos de Jongo, mostrando e reverenciando a força da tradição jongueira em nossa região. Além das atividades na Vila Tatetuba, onde esta situada a principal sede do projeto, o Ponto de Cultura também realiza oficinas de audiovisual e educomunicação no bairro Campos de São José, onde mantém o Grupo Jovens Protagonistas, formado a partir

Festa da Consciência Negra no Ponto de Cultura OCA, em novembro de 2011

da oficina de audiovisual. Grupos Desde 2010, quando foram iniciadas as atividades do ponto, além da realização de oficinas e eventos, o local se tornou um núcleo de acolhimento e fortalecimento de grupos culturais, oferecendo a eles toda estrutura para realização de oficinas, en-

saios e eventos, unindo, em um só espaço, o Grupo de Capoeira Raízes, o Grupo de Jongo Mistura da Raça e o Grupo de Congada Filhos de N’Zambi. Assim, a OCA respeita e preserva identidades, compartilha conhecimentos e vivências culturais, e amplia o potencial de cada grupo cultural e comunidade envolvida.

Grupo de Jongo Mistura da Raça O mestre Jongueiro Laudeni de Souza (reconhecido nacionalmente como Mestre Jongueiro) lidera o grupo, que vem fortalecendo a tradição jongueira em São José dos Campos; realizando oficinas; ensaios e apresentações em diversos eventos. Com isso, o Mistura da Raça amplia e difunde essa manifestação afro brasileira da região sudeste do Brasil. Grupo de Congada Filhos de N’Zambi Liderado pelo Sr. Lourenço e sua família, o grupo foi criado no início deste ano, mas já possui uma extensa pesquisa e vivência da cultura popular brasileira,

em especial a cultura da região do Vale do Paraíba. Os ensaios e estudos são abertos ao público, e, além da congada, o grupo se articula por outras manifestações culturais brasileiras.

Grupo de Capoeira Raízes comemora 20 anos com força total Fundado pelo contra-mestre Coquinho, em 1992, o Grupo de Capoeira Raízes completa 20 anos, e através da parceria com o Ponto de Cultura OCA, vive um momento de plena ascensão, aumentando o numero de alunos e integrantes a cada mês. Neste ano, o grupo se prepara para lançar seu segundo CD como parte das comemorações. Nos treinos e rodas que acontecem no ponto, o Professor Cleber (Guélo) busca transmitir, além dos fundamentos da Capoeira, lições de cidadania e solidariedade, tornando os familiares dos participantes em parte do grupo e levando para dentro do Ponto de Cultura OCA um sentimento de família, onde todos se ajudam e celebram juntos as datas comemorativas. Os integrantes mantêm um intenso intercâmbio com grupos da cidade e região, trocando aulas e treinos com mestres e professores que sempre visitam as Rodas de

Ari Pereira

Roda de Capoeira no Ponto de Cultura OCA

Capoeira, que acontecem todas as sextas feiras às 19h30. Essa troca se reflete no bom rendimento dos

participantes nas rodas, bem como no desenvolvimento sociocultural de cada um como cidadão.

Serviço: Oficinas abertas ao público em geral na Vila Tatetuba: Capoeira, Congada, Percussão e Cultura Popular, Ginástica 3ª idade. Oficinas direcionadas a alunos de escolas públicas no bairro Campos de São José:

Audiovisual e educomunicação Endereço: Praça das Gaivotas s/n – Vila Tatetuba Funcionamento: Segunda à sexta, das 16h ás 21h30, e sábado: das 16h às 19h Informações: (12) 3018 5094 Blog: ocasociocultural.blogspot.com

Rede Jovens Protagonistas A rede concentra um grupo de jovens líderes de escolas públicas da região leste de São José dos Campos, que foram capacitados no segmento audiovisual e vêm produzindo vídeos e eventos que debatem as questões sociais, culturais e ambientais da comunidade sob o olhar do jovem. Desde o início do grupo já foram produzidos nove curtas metragem e o 4º Simpósio de Estudantes de São José dos Campos. Em Dezembro de 2011 o grupo teve um curta premiado pela Secretaria do Meio Ambiente. 3


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Rede Jovens Protagonistas Quem já foi Rei nunca se destaca no audiovisual perde a Majestade Curta-metragem ambiental produzido na oficina de audiovisual recebe prêmio da Secretaria do Meio Ambiente Em dezembro de 2011 um dos curtas-metragens produzido pelos integrantes da Rede Jovens Protagonistas conquistou o primeiro lugar no Festival de Curtas Ambientais da Secretaria de Meio Ambiente de São José dos Campos. O filme foi dirigido pelo aluno Gabriel Fagundes, que levou pra casa um tablet como premiação. “Esperava que conseguíssemos alguma premiação, mas não imaginava que seria o primeiro lugar”, afirmou. Empolgados com a premiação e os resultados do trabalho, os jovens estão conhecendo outros projetos que também trabalham com audiovisual e educomunicação e estão muito entusiasmados em saber sobre outros pontos de cultura que também trabalham com cinema e vídeo. “Essas produções têm ajudado muito na autoestima desses jovens, pois é nítida a percepção de que eles estão mais conscientes dos seus direitos e acreditando no seu potencial para transformar a comunidade”, destaca Eduardo Pane, gestor da rede. Segundo Pane, o atual desafio, nesta fase do projeto, é proporcio-

Produção da oficina de audiovisual conquistou primeiro lugar no festival

nar algum tipo de remuneração para os participantes, pois alguns deles já estão cursando o ensino

médio e estão sendo cobrados pelos familiares para auxiliarem com os custos da casa.

da cultura popular brasileira, Antonio Gusmão não recebeu o merecido reconhecimento pela sua dedicação, porém dois fatos positivos marcaram a trajetória desse homem simples. Em 2000, quando já completava 60 anos como Mestre do Moçambique, ele foi coroado Rei Congo, e se tornou o rei daquilo que sempre foi a razão maior da sua vida. Em 2008, o Ministério da Cultura o reverenciou com o Prêmio Culturas Populares (edição Mestre Humberto de Maracanã). Nos últimos anos de seu reinado, Antonio Gusmão vivenciou o mais importante reconhecimento que esperava: o carinho e atenção do público, Nascido em 29 de agosto de sempre presente nas apresenta1922, Antonio Gusmão convi- ções do grupo e prestigiando o veu desde a infância com a fé, a rei. Gusmão portava a coroa de dança e os bastões do Moçam- majestade com a humildade de bique, inspirado na tradição um grande líder em companhia mantida pelo seu mestre e pai de sua família. Em 2010, durante o mês do Justimiano Gusmão, que faleceu aos 113 anos, deixando para ele folclore, o Ponto de Cultura a importante missão de seguir OCA teve o prazer de receber o Moçambique da Vila Tesouro e com o Moçambique. o Mestre Antonio Em 1940, aos que pro18 anos, Antonio Dança com Gusmão, vou a grandeza e Gusmão assumiu fé o moçam- importância que o Moçambique e, tem para a culcom o passar dos biqueiro, tura do Vale do anos, a família Paraíba. foi crescendo e dança de o grupo se fortaDespedida leceu, tornandosanto Em julho de -se referência do 2011, Mestre Annão é Moçambique na tonio Gusmão reregião do Vale do brincadeira alizou sua ultima Paraíba. apresentação durante o Revelando Diferencial São Paulo. Pouco tempo depois, Como Mestre do Moçambino dia 29 de agosto, quando que da Vila Tesouro, formado por mais de 40 pessoas, dentre completou 89 anos de idade, as quais poucas não são da fa- ele partiu, deixando muita saumília, Antonio Gusmão buscou dade para todos que tiveram diferenciais, como o fato de o privilégio de estar em sua apenas as mulheres tocarem as companhia. Para sua família, caixas e tambores, modificação deixou a missão de levar adiante mantida até hoje. Em entrevista a tradição e a fé que envolve o ao Jornal Valeparaibano, em Moçambique. Novembro de 2008, ele afirmou: “O meu grupo é o mais rápido, e Mestre Antonio Gusmão, a parte de dançar agachado ne- eterno Rei Congo do Estanhum faz”, referindo-se ao pas- do de São Paulo so criado pelo seu filho Nelson Gusmão e que exige habilidade Viva Nossa Senhora do Rosário !! e resistência dos integrantes. Viva São Benedito !! Viva o Moçambique da Reconhecimento Assim como vários mestres Vila Tesouro!!

Jovens que participam do projeto

Produção audiovisual, eleva autoestima dos participantes, afirma gestor

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Ano I - nº01

Velhus Novatus acumula mais de 30 prêmios

Memórias de Sant´Anna

Wangy Alves

A Companhia Cultural Velhus Novatus foi fundada em 1993, a partir do projeto Teatro na Comunidade, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, de São José dos Campos. O programa foi idealizado pelo diretor Ademar Guerra (que faleceu dias antes do início das atividades) e pelo crítico e pesquisador teatral Sebastião Milaré. Com o falecimento de Guerra, a atriz e diretora Elisabeth Hartman assumiu a supervisão prática do projeto. Hoje a Cia desenvolve projetos e ações sociais, culturais e educacionais, que potencializam a cidadania cultural. O grupo busca inspiração na memória e cultura popular da cidade de São José dos Campos e do Vale do Paraíba. Durante quase 20 anos de existência, a companhia conquistou mais de 30 prêmios e indicações em diversos festivais de teatro realizados em cidades do Estado de São Paulo. Projetos da companhia e espetáculos O Velhus Novatus realizou diversos projetos e espetáculos entre 1994 e 2012, que ganharam visibilidade e conquistaram os lugares por onde passaram. Confira alguns:

Grupo de São Gonçalo serviu de inspiração para pesquisa do projeto

Wangy Alves e Vivian Rau O dramaturgo Plínio Marcos em visita ao elenco do espetáculo Homens de Papel

Bailei na Curva (1994 a 1995; 2003) Homens de Papel (1996 a 1997) Projeto Construção (1997)

Roberval Rodolfo e Wangy Alves

Ladrão em Noite de Chuva (1998 a 2000) Projeto: O Teatro Vai à Escola (2000 a 2001) Setesquetes (2003) O Julgamento do Avarento (2003) Mostra de Teatro Velhus Novatus (2003) Primeira Missa do Brasil Eudóxia Espera o Beijo (2003 a 2004) O Auto do Julgamento (2004 a 2006) Velhus Causus I (2005 a 2007) Projeto: Caminhos da Cultura (2010 a 2012)

Baseado na pesquisa da cultura popular do Vale do Paraíba, com foco no bairro Sant’Anna, o projeto Memórias de Sant’Anna é o inspirador da montagem de um espetáculo desenvolvido pela instituição Velhus Novatus. “Realizamos várias pesquisas de campo, entrevistamos e registramos lugares, pessoas, festas e espaços do cotidiano local, tais como ruas, feiras, igrejas, casas, fachadas e lojas de ofícios, cemitérios, além de bens naturais como antigas e frondosas figueiras e o rio Paraíba do Sul”, afirma Wangy Alves, responsável pela Companhia Cultural Velhus

Novatus. “Pesquisamos, também, livros, textos, artigos e músicas que somadas às pesquisas darão a essência à construção dessa nova história da companhia”, acrescenta. A memória e o cotidiano são reconstruídos na dramaturgia e nas canções, retornando às pessoas e ao bairro de forma poética e teatral. O principal objetivo da Companhia para este ano é a montagem do espetáculo com estreia em outubro, resultado de todo aprendizado e pesquisa adquiridos ao longo de três anos. Hoje, a companhia conta com a orientação do diretor teatral Tin Urbinatti, em parceria com o Projeto Ademar Guerra da Secretaria de Estado da Cultura.

Velhus Novatus nos Caminhos da Cultura Wangy Alves e Vivian Rau

O Projeto Caminhos da Cultura enfatiza as peculiaridades do bairro de Sant’Anna do Paraíba, desenvolvendo ações culturais, oficinas de teatro, iniciação musical, dança folclórica, arte primitivista, artes visuais, dança de rua, brinquedos populares, percussão e empapelamento. O objetivo é fortalecer a memória, a cultura popular, as tradições e as reafirmações das manifestações artísticas existentes no entorno do bairro. Tendo sido um dos símbolos da formação da cidade, do entreposto ligando o Vale às Minas Gerais e da fase industrial joseense, Sant’Anna possui história singular no contexto do município, especialmente em relação às

Cortejo do Bloco Uai Folia

afirmações de identidades, por meio de comunidades ribeirinhas (Piraquaras), dos núcleos operários remanescentes das primeiras indústrias joseenses, dos primeiros habitantes da própria

comunidade, de descendentes mineiros, e de tantos habitantes e admiradores que hoje moram e ou apreciam o bairro e tudo o que ele oferece, tanto no aspecto do lazer quanto da sociabilização.

Velhus Novatus em pesquisa de campo na beira do Rio Paraíba

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Ano I - nº01

Zé da Viola Mestre da cultura popular no exercício da cantoria

Espetáculo Velhus Causus A abordagem do texto, o espetáculo e os autores

Wangy Alves

Zé da Viola mora às margens do rio Paraíba do Sul, Piraquara, do bairro do Pinheirinho (atual Urbanova). Violeiro, começou a tocar aos oito anos de idade, observando o pai, os parentes e os amigos. Atribui o conhecimento musical ao “dom de Deus”. Vivendo primeiramente da pesca, com seu pai e gradativamente no mesmo curso da poluição do rio, migrou sua trajetória de trabalho da pesca para a construção civil, influenciado pela transformação que o bairro Sant’Anna, onde vive desde muito novo, foi sofrendo no final dos anos 40. Apesar de todo “progresso” e transformações que a cidade e o bairro sofreram, Zé não esqueceu da sua viola. Tocava com seu irmão na dupla Mano e Maninho, depois na nova dupla Mano e Deoval Santos, e nas Folias de Reis , Dança de São Gonçalo e, anos depois, com o surgimento das Casas de Cultura, começou a ministrar aulas nos bairros por meio da ACD da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, a partir do ano de 1993. Naquela época, não existiam casas de cultura em São José dos Campos e as oficinas aconteciam em espaços diversos, como escolas, obras sociais, igrejas, praças,

Seu Zé da Viola e o Rio Paraíba do Sul, ao fundo

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Seu Zé e sua inseparável viola

bares, ruas, etc. Hoje, o mestre transmite

A maior parte “dos tocadores de viola existentes em São José dos Campos é ou foi aluno de Zé da Viola

seus conhecimentos aos jovens, “para não perderem a

tradição”, e lembra, a partir de sua cantoria, os tempos de criança, o rio Paraíba que virou um ribeirão e, assim, acomp an ha a e volu ç ão d o bairro e as influências e transformações que não param. “Seo” Zé da Viola, detentor da linguagem característica da chamada paulistânia, com seu andar, costume e devoção, toca para Deus. Na devoção aos santos de sua religião, ensina os filhos, netos e discípulos a perpetuarem esse dom sagrado. Ele, ainda, os prepara para as Folias de Reis, Dança de São Gonçalo, devoções a Nossa Senhora Aparecida, e tem na S e mana S ant a o mome nto maior de devoção religiosa, momento em que só toca na igreja, se for o caso. A música profana já não tem espaço, mas ao nascer do sábado de aleluia, pós-paçoca, oração e devoção, ele volta a devotar e a agradecer aos santos o dom privilegiado, com grande cantoria, em grandes festas e com a alegria que marca todo o ciclo festivo, religioso, e, também, profano, até a próxima quaresma e semana santa, nesse ciclo que não mais imita, pois é a vida! Afirmo, sem receio de errar que, a maior parte dos tocadores de viola existentes em São José dos Campos é ou foi aluno de Zé da Viola, que ministra au las em divers os esp aços culturais da cidade e também em sua residência.

Texto Enquanto aguarda o retorno de Dona Lurdinha, que esteve muito doente no hospital, Sabino reúne os amigos e prepara uma festa para recebê-la. Durante o tempo que antecede a chegada de sua mulher, Sabino e os amigos vão relembrando velhas histórias assombradas e velhos causos caipiras. Espetáculo Velhus Causus nasceu de um processo de pesquisa feito pela Cia Cultural Velhus Novatus para produzir outro espetáculo, “O Auto do Julgamento”. A partir de pesquisas e descobrindo o universo da cultura popular da região do Vale do Paraíba, a Cia se deparou com diversas lendas, causos e músicas populares que abriram espaço para a criação de um novo espetáculo. O instituto passou por um processo de reformulação do espetáculo “Velhus Causus” (estreado em 2005), repensando a musicalidade, a estética e a linguagem, caminhando por alguns afluentes do fazer teatral com a intenção objetiva de desaguar definitivamente em águas do teatro narrativo e popular. Para alcançar o objetivo e reformular o espetáculo, a instituição contou com a participação efetiva e colaboração de vários profissionais, tais como: Tin Urbinatti

(orientador do Projeto Ademar Guerra); Donizzeti (dramaturgo e artista popular); Robson Jacqué (bailarino e preparador corporal, também orientador do Projeto Ademar Guerra no ano de 2007). Os atores se desdobram em várias personagens no decorrer da trama, além de assumirem a função musical cantando, tocando e experimentando diversos instrumentos musicais populares, tais como a viola, pandeiro, reco-reco de bambu, caxixi, agogô, agogô de sapucaia e tambores, além da experimentação de alguns objetos percussivos. Autores Originando-se de improvisos no prólogo do espetáculo “O Auto do Julgamento”, que objetivava trazer à realidade do Vale do Paraíba a dramaturgia de Ariano Suassuna, o espetáculo “Velhus Causus” foi aos poucos se desmembrando do “Auto do Julgamento” e assumindo vida própria, a partir da intensificação dos improvisos e construções de roteiros diferenciados, sendo o segundo roteiro assinado pela direção. No ano de 2007, convidamos o dramaturgo Donizetti para desenvolver a dramaturgia final do espetáculo com a estrutura e roteiros já existentes buscando unir, fundir e ligar as diversas histórias para sua materialização.

Ficha Técnica Elenco Personagens Alisson Eli Zé Buchudo Bonny Ribeiro Adão Chris Lobato Tereza João Isidoro João / Percussionista Jhomas Menezes Sabino Lixa Palosa Lurdinha Vanderson Alves Antonio Caçuá / Violeiro Dramaturgia – A Cia e Donizetti; Pesquisa – A Cia; Fotografia – Roberval Rodolfo; Adereços – A Cia; Cenário - A Cia; Figurino - Donizetti; Costureira – Rosa Grossi; Iluminação: Bonny Ribeiro; Sonoplastia

- Wangy Alves; Operação de Luz – Maria Helena; Preparação Corporal – Robson Jacqué; Preparação de Atores – Tin Urbinatti; Preparação Vocal – Guaraci Moreira; Direção Geral – Wangy Alves


Ano I - nº01

Cia Cultural Bola de Meia Ponto, Pontinho e Pontão!

Aprimoramento artístico e cultural

Teatro em Cena

Núcleo artístico Bola de Meia

A Cia Cultural Bola de Meia é uma organização civil de direito privado, sem fins lucrativos, qualificada pelo Ministério da Justiça como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). A instituição foi fundada em 1989 na cidade de São José dos Campos, Vale do Paraíba Paulista, e tem como objetivos a pesquisa, transmissão e circulação da cultura popular brasileira, da tradição oral e da cultura da infância. As atividades são realizadas em escolas; empresas; prefeituras; redes públicas e particulares de ensino; teatros; Pontos, Pontinhos e Pontões de Cultura; praças; auditórios; parques; bibliotecas; espaços sagrados; entre outros. A instituição possui projetos selecionados e aprovados em editais públicos pelo Ministério da Cultura e participa do Programa Cultura Viva com Pontos, Pon-

Folia de Reis de São José

tinhos e Pontões de Cultura. Os fundadores do projeto iniciaram suas pesquisas e registros sobre a cultura popular do Vale do Paraíba a partir de 1983, percorrendo cidades e convivendo com diversos mestres da tradição oral. Com as pesquisas realizadas, foi possível a criação de espetáculos e músicas para o universo infantil. Em 1986 e 1987 foram feitas apresentações artísticas em escolas da rede pública de ensino. No ano seguinte (1998), a instituição firmou parceria com o Programa Crer Para Ver, de iniciativa da Natura Cosméticos, e até 2004 participou de projetos artísticos e culturais por meio de Leis de Incentivo Fiscal, em âmbito municipal e federal. Em 2005, a instituição passou pela seleção e aprovação em edital público do

Ministério da Cultura para o Programa Cultura Viva, como Ponto de Cultura, e realizou o Projeto “Cultura Cidadania”. Já em 2009, foi selecionada como Pontão de Cultura com atuação em âmbito nacional com o Projeto “Brinca Brasil” e passou pela seleção e aprovação em edital público da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, como Ponto de Cultura com o Projeto “Arte em Qualquer Parte”. Em 2010, foram ampliadas as ações por meio da parceria com a TV Aparecida e Mundial e o Projeto Ligando os Pontinhos, com realização de programas de TV que valorizavam e divulgavam experiências exitosas no segmento da criança e do adolescente no Brasil. A Cia Cultural Bola de Meia recebeu prêmios como Escola Viva, Tuxáua, Pontinhos de Cultura, Areté, Asas, Itaú UNICEF, Interações artísticas, Culturas Tradicionais, entre outros. Os integrantes da instituição acreditam que todo ser merece viver num mundo melhor, com dignidade, respeito, amor e alegria. Contribuindo com o aprimoramento artístico e cultural de educadores, a fim de torná-los mais preparados, valorizados, brincantes e felizes. Acreditam, também, que é possível e importante estabelecer conexões entre cultura, educação e meio ambiente, e que arte e cultura contribuem para a melhoria da qualidade do ensino, de vida e do planeta, desenvolvendo a Cultura da Paz!

O Ponto de Cultura Bola de Meia promove oficinas e palestras para educadores, artistas e interessados, com os temas: Direito de Brincar, Educador brincante, feliz estudante!, Rodas e brincadeiras cantadas, Manifestações Culturais do Sudeste – Ritos e Crenças do Povo Brasileiro, Construção de brinquedos e fantoches, Eu canto, tu cantas, nós cantamos, Iniciação Musical na Escola, Teatro na Escola, Teatro Comunidade na melhor idade, Ta na lei, ta na vida ! E.C.A - Estatuto da Criança e do Ado-

lescente, Dança, corpo em movimento, Viva a Diversidade! Reflexão sobre a Educação Inclusiva, Preservar o ambiente, mudando hábitos, Processo de Construção poética e literária, Cultura Popular do Vale do Paraíba Paulista, Mestre Calangueiro - Ernesto Villela, Cultura e Memória. Contato (12) 3941-9723 – ciabolademeia@ciabolademeia.org. br – www.ciabolademeia.org.br – Endereço: Rua Porto Príncipe, 40 – Vila Rubi – São José dos Campos/SP

Publicações O trabalho realizado pela fundação gera frutos e renda para a instituição por meio de publicações de livros e CDs. Entre as publicações estão: Livros com CD (Cultura Popular do Vale do Paraíba Paulista, Rodas e brincadeiras Cantadas,

Mestre Calangueiro Ernesto Villela) e livro com CD/DVD Brinca Brasil, além dos CDs: O Vale Encantado; Nos Cantos do Vale; Canoa, minha canoa (infantis); Santo de Casa (Regional) e Tenha modos e Ausculte (instrumental).

Espetáculos em Cartaz Musicais infantis: O Vale Encantado / Canoa, minha canoa Show musical infantil: Rodas e brincadeiras cantadas Comédia musical: Contadores de Causos

Shows instrumentais: Tenha Modos / Ausculte Manifestações da Cultura Popular: Grupo Folia de Reis de São José / Congada NS. Senhora do Rosário

Agenda Oficinas e atividades gratuitas na sede do Ponto de Cultura Bola de Meia. Participe! Teatro para crianças e adolescentes De 7 a 12 anos de idade - toda quarta-feira, às 16h De 12 a 16 anos de idade - toda quinta-feira, às 15h Teatro para jovens e adultos Acima de 17 anos de idade – toda quinta-feira, às 19h Cine no Ponto – Exibição de filme e roda de conversa

Acima de 18 anos – toda sexta-feira, às 19h30 Ciranda de Poesia – Sarau Literário Acima de 16 anos - toda última quarta-feira do mês Núcleo Fabrincar – Construção de brinquedos Acima de 16 anos de idade – toda quinta-feira das 9h às 11h e das 15h às 17h Percussão Para jovens, adultos e crianças a partir de 8 anos de idade - Toda segunda-feira às 20h 7


Ano I - nº01

Benção Mestre!

Novos projetos Jacqueline Baumgratz - Presidente da Cia Cultural Bola de Meia Membro da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura - Prêmio Tuxáua MINC/2009

Mestre Zé Mira com a Folia de Reis de São José

O Ponto de Cultura Bola de Meia homenageia o saudoso Mestre Zé Mira, pede benção aos mestres e mestras dos saberes e fazeres da cultura do povo brasileiro. A i ns t itu i ç ã o s u rg iu e m 1989, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba Paulista, e adotou como padrinhos três pessoas sábias e generosas que acompanham e acompanharam, incentivam e incentivaram, ensinam e ensinaram fazeres e saberes até hoje cultivados: Mestre Zé Mira - Tropeiro (in memorian), Mestre Paizinho (Moçambiqueiro do Parque Bandeirante de Taubaté/SP) e Dona Lili (Figureira do Jardim Ismênia de São José dos Campos/SP). A construção da identidade do povo brasileiro, neste horizonte político-cultural e ideológico dos ensinamentos morais, acadêmicos e sociais te m s e c ar a c te r i z a d o p el a exclusão das culturas ameríndias, indígenas e africanas, sobretudo pela padronização da moderna cultura ocidental de matriz europeia. No entanto, por todo país, com mais de seis mil pontos de Cultura, desenvolve-se o Programa Cultura Viva, um grande movimento de valorização da tradição oral iniciado há muitos anos de forma descentralizada pelos próprios mestres e aprendizes em todo país. Passando pelo m ov i m e nto m o d e r n i st a , a tradição oral teve como expo8

ente o pesquisador Mário de Andrade, que em suas trilhas e caminhadas registrou e valorizou mestres e manifestações culturais, deixando grande legado da memória e da ancestralidade do povo brasileiro a esta nova geração.

Os mestres normalmente são homens e mulheres acima de 60 anos, que possuem saberes e fazeres transmitidos de pai para filho, de geração para geração, oralmente, por meio da palavra, da maneira de viver, fazer e celebrar

Sua atuação como homem público fomentou projetos e iniciativas governamentais, referências nos dias de hoje com implantação, parceria e financiamento de Programas e Projetos Culturais que valorizam a Cultura Popular Brasileira e o Mestre de Tradição Oral: Programa Cultura Viva

pela Secretaria da Cidadania Cultural (SCC), Prêmios aos Mestres pela S ecretaria da Identidade e Diversidade Cultural (SID), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entre outras ações de reconhecimento da Memória e Ancestralidade do povo brasileiro. Esse processo de reconhecimento político, social e econômico dos mestres da tradição oral em diálogo com toda a sociedade brasileira, incluindo os espaços acadêmicos e educativos, deve ser instituído de maneira efetiva e definitiva no centro das políticas públicas e da agenda social e cultural do país. Com base nessa justificativa, a sociedade civil organizada lança um grande movimento de mobilização e articulação nas redes sociais em todo o país, com o objetivo de criar a Lei do Mestre Cultura Viva (ou Lei Griot). O Programa Cultura Viva reconhece a transmissão dos saberes e fazeres dos assim chamados mestres da cultura popular, griôs e/ ou mestres de tradição oral em diálogo com os espaços comunitários. Os mestres normalmente são homens e mulheres acima de 60 anos, que possuem saberes e fazeres transmitidos de pai para filho, de geração para geração, oralmente, por meio da palavra, da maneira de viver, fazer e celebrar.

A Fundação Cultural de Jacarehy, por ocasião do mês do Folclore em agosto de 2011, realizou o Projeto “Viva Tinguera” em memória a um artista e fazedor cultural de seu município. Além de uma série de atrações artísticas e culturais, envolvia o prêmio “Mestre Cultura Viva” com objetivo de destacar, divulgar e valorizar a sabedoria e os fazeres dos mestres e mestras. A Fundação Cultural de Jacareí saiu na frente com essa iniciativa pioneira na região do Vale do Paraíba Paulista e pretende fortalecer outros setores da sociedade para que avancem com projetos culturais, educativos e principalmente legislativos para estímulo da criação de projetos de leis que amparem em forma de prêmios vitalícios a cultura imaterial, ou seja, os mestres da Cultura Viva. Essa iniciativa atende às recomendações sobre a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial decidido na Conferência Geral da UNESCO - 25ª Reunião em Paris, em 15 de novembro de 2009. Sugestões para os gestores de Cultura da região do Vale do Paraíba Paulista: - Lancem editais de premiação

ao longo do ano, como ocorre com prêmios do MINC e da SEC para estimular e fomentar a criação cultural do município e região; - Lancem editais de premiação de aprendiz, nem que seja com um único valor ao ano (Ex.: Prêmio Tuxáua/MINC) para estimular (essa nova geração) a seguir os saberes e fazeres de seus mestres, assim garantindo a continuidade da tradição e da identidade cultural do município; - Anualmente (Ex.: ocasião do mês do folclore), o departamento responsável pela Cultura no município deveria homenagear um mestre de tradição oral já falecido, com o nome do Projeto do mês do folclore, como ocorreu com “Viva Tinguera!”, em Jacareí, em 2011. É uma forma de homenagear e manter viva a memória daqueles que já se foram e muito contribuíram com a construção da identidade cultural da cidade. - A Câmara de Vereadores de cada município do Vale do Paraíba Paulista se esforce no sentido de aprovar um projeto de lei (supra-partidário) que garanta pelo menos um salário mínimo aos mestres acima de 60 anos, comprovada a sua atuação no município, sem nenhum prejuízo de sua aposentadoria, como um prêmio de reconhecimento por sua contribuição sócio-histórico e cultural no município.

Bola de Meia em imagens

Ponto de Prosa  

Jornal Ponto de Prosa de São José dos Campos

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