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Projeto propaga obras de Monteiro Lobato O Ponto de Cultura Povo de Monteiro Lobato, coordenado pela Associação Cultural Montanha Encantada, é um dos projetos aprovados pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e tem por finalidade desenvolver ações e reflexões pautadas pelo vínculo cultural existente entre o escritor Monteiro Lobato e os habitantes da cidade que leva o seu nome. De um lado, temos toda a tradição cultural mantida pelos habitantes da cidade; de outro, a obra do escritor Monteiro Lobato que metaforiza as preocupações da formação da identidade brasileira. C om of icinas de s ab eres populares, que constrói brinquedos tradicionais e figuras de barro; oficina literária e de audiovisual; apresentações teatrais e estudo histórico, o Ponto de Cultura se propõe a atar as duas pontas da linha, destacando relações, tergiversações, aproximações, saberes e verdades entre a obra do autor e o povo que o inspirou. Página 3

Meninas se apaixonam pela dança

Alunos adaptam “Dom Casmurro” Histórias da região nas escolas

Em uma ação, realizada durante as férias de 2012, as meninas de Monteiro Lobato tiveram uma vivência em dança. A atividade reacendeu os sonhos das garotas e de suas mães e será mantida. Página 3

O ator Roberval Rodolfo percorreu as escolas da cidade contando o que viu e ouviu. Página 3

Com direito à exibição de gala, alunos da 8ª série da escola Maria Ferreira Sonnewend, produziram, interpretaram e adaptaram a obra “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Página 4


Ano I - nº01

Editorial

Povo de Monteiro Lobato confecciona pereirões

Capitalismo e megahair Dizem que foi há muito tempo que as Capitanias Hereditárias eram regra por aqui. Em Portugal, à época dos desbravamentos marítimos, aos suspeitos de crimes e outras obscenidades eram dadas duas possibilidades: serem enforcados ou serem deportados com status de nobres para as novas terras das conquistas lusitanas. - O senhor está sentenciado ao enforcamento em praça pública por ter subtraído aos cofres da Coroa um montante indevido. – Oh primo querido, dá-me cá uma ajuda nesta questão; interceda junto à Vossa Majestade para que de mim tenha misericórdia, que perdoe este pecador! – Pois não! E considere-se um nobre a serviço do Reino em terras brasileiras; a ti lhe serão cedidas terras em abundância! E, assim, nossos nobres vinham moldados por sangue-azul duvidoso e direitos divinos certos e positivos. Nossa política cultural, seguindo os princípios da importância da preservação do patrimônio que nos faz ser quem somos, parece aplicar os mesmos princípios. Com o intuito de

fomentar a produção cultural no Brasil, nossas “Majestades” criaram um mecanismo interessante: as leis de incentivo cultural. Não paguemos os impostos, os invistamos em cultura! Grandes empresas passaram a ditar os rumos da produção cultural brasileira. Não é lindo? Evita-se que a máquina esteja sujeita a corrupção estatal. Perfeito! Espetáculos teatrais, apresentações musicais, shows, megashows, blogs com poesias diferentes, exposições de arte contemporânea tratando dos relacionamentos intimistas da linguagem experimental com a curvatura do inconsciente afetado pelos avanços do capital especulativo na pós-modernidade tardia. Muito interessante. As empresas ligam suas logomarcas aos grandes e afortunados artistas produtores de cultura, não gastam um centavo do próprio bolso e regem a caminhada cultural do país. Para o Reino, ótimo! Nossos nobres condutores das capitanias se encarregam de ditar por onde deve andar a carroça. Artistas e grandes capitais de mãos dadas em prol do desenvolvimento cultural dos

tupiniquins-tapiocas (se tiverem algum trocado para comprar o ingresso, é claro). E o argumento de “Sua Majestade” ainda é muito bom: o trocado investido na indústria cultural a fará desenvolver um mercado interno que com o tempo será o financiador único. Não é bonito? Igual lá no Tio Sam. Faremos filmes aqui com tomadas aéreas, metralhadoras e corridas de carro. Engraçado, já faz mais de dez anos, mas a clientela aumenta: circo parlez-vous français? Hair made in Brodway paulista alguns milhões ex-data - fora de tempo e espaço. Nosso capitalismo é meio megahair: onde há cabelo curto, o estique. Em São José dos Campos, a empresa ainda coloca 20% do próprio bolso. A “Corte” local é inteligente: para que a máquina não seja injusta, se a emperra de vez, o que não impede que um primeiro escalão de peruca branca não se arranje. Enquanto isso, (como diria D. Lili Figueira) “os pobrezinhos da Varge” da cultura que pulsa “viralatando” pelas ruas continuam de pires na mão “tio, eu podia tá roubando, podia tá matando”. Chico dos Bonecos, artista, poeta e arte-educador encontrou-se com nossas crianças nas escolas dos bairros rurais trabalhando temas da oralidade: trava-línguas, parlendas, contos universais e advinhas.

Lobatinho e Emília foram confe ccionados na of icina de Pereirões, realizada pelo Ponto de Cu ltura Povo de Monteiro Lobato em parceria com a Diretoria de Cultura e Turismo da cidade. O processo

Projeto Praia vai ao campo visitar Sítio do Pica-Pau Amarelo

Passamos, com nossos alunos, um agradável dia no Sítio de Monteiro Lobato. Fomos recebidos por D. Lúcia, com quem

Expediente Pontão de Cultura Jornal do Ponto Coordenador Cultural: Murilo Oliveira Articuladora: Eliana Silveira Estagiários: Karina Koch, EduRealização

Realização

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ardo Kaze, Bruno Praun Coelho e Nilton Faria de Carvalho. Oficina de Jornalismo: Marina Schmidt - MTB: 66 882 Oficina de Design Gráfico: Natália Balladas Editoração e Arte Final: Natá-

lia Balladas Ponto de Cultura: Montanha Encantada Participantes: Ricardo Rezende, Roberval Rodolfo de Oliveira, Benedito Domingos

de trabalho contou com a participação do mestre Antenor, mantenedor da tradição que começou lá trás com o famoso Tião Munheca. A imagem os mostra em uma matinê do carnaval de 2011.

dos Santos Este periódico é produto das oficinas de jornal promovidas pelo Pontão de Cultura Jornal do Ponto, projeto da Associação dos Jornais do Interior do Estado de São Paulo (ADJORI-SP) em convênio com o Ministério da Cultura sob o nº 748226/2010.

aprendemos lições sobre a vida do escritor e a sobre a história do local. As crianças ainda fizeram brinquedos.


Ano I - nº01

de Ponto de Cultura mantém vivo Mostra fotografia o legado de Monteiro Lobato O Ponto de Cultura Povo de Monteiro Lobato, coordenado pela Associação Cultural Montanha Encantada, é um dos projetos aprovados pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e tem por finalidade desenvolver ações e reflexões pautadas pelo vínculo cultural existente entre o escritor Monteiro Lobato e os habitantes da cidade que leva o seu nome. De um lado, temos toda a tradição cultural mantida pelos habitantes da cidade; de outro, a obra do escritor Monteiro Lobato que metaforiza as preocupações da formação da identidade brasileira. Desse modo, o povo de Monteiro Lobato, de Buquira, tornou-se

personagem principal da elaboração da identidade brasileira por meio dos textos do autor. O primeiro recurso utilizado por Lobato para inserir-se na discussão sócio-antropológica da formação da identidade nacional foi a metáfora conhecida por todos pela alcunha de “Jeca Tatu”. Lobato, todavia, não parou aí. Foi além, muito além, embora sua face mais popular tenha se ligado a esse tema, gerando ao seu legado apressadas acusações que podem ser resumidas na afirmação infame de que ele era “racista”. E quem são os “Jecas Tatus”, metáforas da identidade nacional? O Ponto de Cultura

Povo de Monteiro Lobato se propõe a atar as duas pontas da linha, destacando relações, tergiversações, aproximações, saberes e verdades, por meio das seguintes ações: 1- Oficinas de saberes populares: construção de brinquedos tradicionais. Figuras de barro foram introduzidas nas escolas públicas da cidade, valorizando o saber popular do Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira, berços culturais dos “Jecas”; 2- Desenvolvimentos literários: foram desenvolvidas oficinas na biblioteca pública local, poemas e poesias na Praça de Cima e dramaturgias baseadas nas histórias locais;

3- Apresentações teatrais: com ênfase na “contação” de histórias, as palavras são valorizadas em sua relação direta com o público; 4- Introdução ao audiovisual: oficinas de vídeo e fotografia nas escolas públicas da cidade, locais onde é visado não apenas o aprendizado dessas linguagens, mas sua utilização para valorização cultural; 5- Estudo histórico: pesquisa, divulgação e formação sobre a obra do escritor Monteiro Lobato. Os principais beneficiados com as ações do Ponto são as escolas públicas urbana e rural da cidade. Entendemos que, desse modo, se faria melhor a multiplicação dos saberes.

Em dezembro de 2011, realizamos uma mostra com as fotografias realizadas pelos participantes da oficina de fotografia, coordenado pelo professor Fernando, e pelos participantes do núcleo de fotografia do Ponto de Cultura. As ações funcionavam de modo diferente em seus métodos e nas formas de vinculação dos participantes, mas mantiveram em comum a valorização da cultura lobatense.

Circo de Due fez espetáculo em Monteiro Lobato O Circo de Due apresentou-se em Monteiro Lobato para as comunidades dos bairros São Benedito e Souzas. Receberam, ao final, junto com os aplausos, pedidos para que regressem em breve.

Construção de Brinquedos na Vila Esperança Contação de Histórias nas escolas Um a p arc e r i a e nt re o Pont o d e Cu lt u r a e a e s c o l a mu n i c i p a l d a Vi l a Esperança, permitiu que suas crianças construíss e m br i nqu e d o s t r a d i c i o nais p opu l ares. A ação foi conduzida p elo profess or B enê, p es qu is ador de c u ltur a p opul ar, que t ransm it iu à nova ge r aç ão a ar te p or t r ás d a br inc adeira.

Nossas Pequenas Bailarinas

Durante as férias de 2012 as meninas de Monteiro Lobato tiveram uma vivência em dança. A ação, resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Monteiro

Lobato e o Ponto de Cultura, mobilizou os sonhos das garotas e, claro, de suas mães, que solicitaram a continuidade das aulas. Pedido aceito!

Cantoria nos presépios em Monteiro Lobato Durante as exposições das fotos resultantes da oficina de fotografia e do núcleo de fotografiado Ponto de Cultura, os mestres Varela e Kardec cantaram em louvação aos presépios de Monteiro Lobato. A música popular, mantida, pesquisada e transmitida por esses mestres, coroou a trajetória da argila, moldada pelas mãos da figureira Fátima Santos e dos alunos das escolas municipais de Monteiro Lobato, que a transformaram presépios populares, homenageados por Varela e Kardec.

Ator Roberval Rodolfo percorreu as escolas da cidade contando

histórias recolhidas na região, para os alunos.

Varal Literário

O Varal Literário é uma iniciativa que reúne pessoas ao redor de letras, palavras e histórias. Durante os sábados

de 2011, lobatenses e turistas amantes das letras e da escrita prestigiaram os encontros na Praça de Cima. 3


Ano I - nº01

Ação do Ponto é reconhecida por especialistas em Monteiro Lobato Atração do II Festival de Literatura Infantil de Monteiro Lobato em 2011, o espetáculo Velhus Causus, da Cia Velhus Novatus, foi encenado ao público de Monteiro Lobato, inspiração para muitas das histórias contadas pelo texto narrativo do dramaturgo e

pesquisador da cultura popular do Vale do Paraíba Donizetti, coordenador do Ponto de Cultura Povo de Monteiro Lobato. A encenação foi seguida de um debate muito rico que contou com a presença do público, entre eles, João Acaiabe (ator), Doni-

zetti (autor), atores da Cia., Roberval Rodolfo (ator e mediador da discussão) e dos lobatólogos Oiram e Nelson, da Biblioteca Monteiro Lobato, que destacaram o importante trabalho do Ponto de Cultura Povo de Monteiro Lobato.

Caravana do Cinema Brasileiro

Daniel D’Andrea participa de encontro com professores Com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre o escritor Monteiro Lobato, cuja influência na cidade está no nome e na vida de seus moradores, o pesquisador Daniel D’Andrea realizou uma série de encontros com os professores da rede municipal de ensino do município. A visita permitiu o contato direto com os que responsáveis por difundir a obra do autor.

A Serpente

Em parceria com a Caravana do Cinema Brasileiro, projeto mantido pelo Instituto Votorantim e coordenado por Ivã Mar-

cos de Souza, exibimos o filme “Pequenas Histórias”, no centro de Monteiro Lobato e no bairro dos Souzas. Houve oficina de

Dom Casmurro em Monteiro Lobato

construção de brinquedos e, ao término, curtimos a música de Cauíque Bonsucesso e Trio Por Um Fio.

Onde o Ponto estará em 2012 Local: Escola Sonnewend Atividades: Vídeo, roteiro, adaptação, leitura e estudo dos contos de Monteiro Lobato Local: Escola do São Benedito Atividades: Oficinas de construção de brinquedos tradicionais

Em uma ação conjunta entre o Ponto de Cultura e a escola Maria Ferreira Sonnewend, alunos produziram, interpretaram e adaptaram o texto de Machado de Assis “Dom Casmurro”. A exibição de “gala” mostrou o trabalho cinematográfico para toda comu4

nidade escolar, pais e convidados. A atividade foi realizada pelos educadores Roberval Rodolfo, Erik Garcia, Matheus Rosa, Misae Odo e Benedito Domingos, e atendeu aos alunos das 8ª séries, das professoras Josiane Medeiros e Adriana Datti.

Local: Escola do Taquari Atividades: Oficinas de literatura, brinquedos tradicionais, figuras de barro e modelagem em argila Local: Escola Michelleto Atividades: Vídeo e pesquisa sobre Monteiro Lobato

Há muitos anos, no início do século passado, na época dos grandes fazendeiros, plantadores de café, aconteceu em Tremembé, um fato muito estranho. Havia um fazendeiro muito rico que tinha uma filha muito bonita, que ficou grávida, solteira. Naquele tempo uma moça solteira que engravidasse ficava em situação muito difícil, pois toda a sociedade a rejeitava, inclusive os familiares. A moça ficou desesperada e resolveu esconder o fato. Para isso apertava a barriga com panos e usava roupas largas, para que ninguém suspeitasse de seu estado. Conseguiu enganar todo mundo, e quando chegou a hora de dar à luz, tudo correu bem. Nasceu um menino. A mulher jogou o menino no rio Paraíba e como toda criança que é jogada na água sem batizar vira outra coisa, essa criança virou uma enorme serpente, que passou a assustar as pessoas no rio e a virar os barcos. A serpente ameaçava derrubar a igreja e toda a população ficou assustada. O padre, muito preocupado, foi a Roma pedir ajuda ao Papa, que enviou um padre quase santo para a cidade. O padre reuniu toda a população da cidade dentro da igreja, saiu com o barqueiro e foi para o rio. Quando o barco com o padre foi para o meio do rio Paraíba a enorme serpente levantou-se e veio enfurecida para o lado do padre. Ele pegou uma varinha e ficou batendo com ela na beira do barco e chamando a serpente e falando com ela em latim. A cobra imensa foi se acalmando e se aproximando até pousar a cabeça na beira do barco.

Quando a cobra acalmou-se o padre ordenou que ela entrasse na igreja. Ao ver a enorme serpente entrando na igreja as pessoas ficaram apavoradas, mas o padre acalmou-as e ordenou que ficassem de pé e não saíssem do lugar em que estavam. A serpente entrou, levantou a cabeça e caminhou pela igreja parando em frente de cada mulher. Olhava-as e mudava-se de lugar indo parar na frente de outra mulher. Repetiu esse movimento durante um longo tempo. E todos estavam em profundo silêncio. Depois, parou em frente a uma mulher e não saiu mais de lá. O padre aproximou-se e mandou que a mulher pusesse os seios para fora. A mulher ficou assustada e não queria fazê-lo, mas o padre obrigou-a. Quando ela colocou os seios para fora a cobra mamou neles e no mesmo momento transformou-se em um rapaz. Todos ficaram aterrorizados. - Esse é o filho que você jogou no rio e agora voltou para ser batizado, disse o padre. O padre então batizou o rapaz e a mulher caiu morta no mesmo instante. Dizem que há muitas serpentes iguais no rio Paraíba. Outros dizem que a serpente não queria derrubar a igreja, queria cavar um buraco e ficar debaixo da pia batismal, pois um dia, depois de séculos, uma gota atravessaria o mármore e tocaria a cabeça da serpente, batizando-a e livrando-a da maldição de ter sido jogada no rio sem batismo. História contada pelo seu Dito Serafim


Montanha Encantada