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nacrônico é algo deslocado de seu tempo, enxertado em uma época que não condiz com o contexto. Mas existe algo tão atual quanto o anacronismo?

Nos acostumamos a revirar o tempo. Nossa cultura, música, cinema, literatura vive de explorar outras épocas. Reviver o passado. Imaginar o futuro. Como uma máquina do tempo. Não sei se é daí o nome da banda, mas não seria estranharia se fosse. A começar pela formação da banda, que tocou seus primeiros acordes com Bruno Sguissardi, músico com muita bagagem, ex-guitarrista da banda Extromodos, e dois “pirralhos”: Marcelinho e Marcello Bezerra, então com 14 anos. Isso foi em 2001, antes mesmo da banda Extromodos acabar, o que viria a acontecer em 2004, com a trágica morte do vocalista de guitarrista Bira Ribeiro, em um acidente automobilístico.

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Mas a banda só estaria completa em 2005, com o ingresso da, então psicóloga paulista, Sandra Piola, que acabou conhecendo o grupo em bares e casas de shows da cidade e embarcou no projeto, transformando-se em mais um diferencial do grupo, com sua voz marcante e de grande presença. A partir daí a Anacrônica passou a ser presença certa nos palcos curitibanos, principalmente no Empório São Francisco, onde tocava toda semana, e já começava a planejar o primeiro disco, que viria apenas em 2009, intitulado “Deus e os loucos”. E aí, mais uma vez, o anacronismo fica evidente. As influências presentes no álbum vão desde a obviedade, com Beatles, à então recém estourada banda americana MGMT. Passando por Supergrass, Cardigans, Red Hot Chili Peppers, Butter, Raul Seixas e Legião Urbana. Uma mistura difícil de se imaginar até ouvir o cd. “Eles me querem assim” foi o primeiro single de di-

vulgação do álbum, e provavelmente o primeiro passo para o sucesso. Com a indicação pela Rolling Stone na seção “Ouça também” a banda começou a figurar no Hotlist no site da revista, além de ter o clipe frequentemente exibido na programação da MTV. As canções “Totem”, “Um Adeus”, “Vestígios” e “Deus e os Loucos” seguiram a mesma trilha, colocando a banda no circuito Sul-Sudeste de rock independente e carimbando o passaporte da banda para um sucesso ainda contido, mas comemorado pelos membros e fãs. Ainda em 2009 a repercussão começava a surtir efeito e a Anacrônica foi a única banda independente a se apresentar no palco principal do festival Lulapaluna, evento já tradicional no calendário curitibano que reúne grandes nomes da música nacional e internacional em um final de semana. Mas o melhor ainda estava por vir. Em março de 2010 a banda foi escolhida, entre mais de 20 mil concorrentes, para abrir o show da banda escocesa Franz Ferdinand em São Paulo. E não foi uma votação fajuta pela internet, os próprios astros da noite selecionaram o quarteto curitibano para se apresentar em um dos principais eventos do calendário musical paulista. E com a benção do escoceses, um público cada vez mais devoto e uma agenda cheia, a Anacrônica vai criando asas, mostrando que veio para ficar, ainda que o tempo passe.

www.anacronica.com.br

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Curitiba on the rocks  

Livro feito como trabalho de conclusão de curso de Shuellen Woitovicz e Natália Calvoso, finalizado em 2012.

Curitiba on the rocks  

Livro feito como trabalho de conclusão de curso de Shuellen Woitovicz e Natália Calvoso, finalizado em 2012.

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