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11. Considerando a salas de turmas como ambiente não mais centralizado no professor, mas sim no aluno, e como espaço de reconhecimento, apropriação e integração das crianças, propõe-se que estas superem a divisão e isolamento – as salas se tornam conjuntos de nichos, divididos através do mobiliário. Caso necessário, a divisão dos ambientes pode ser feita através de painéis móveis. Espera-se que a continuidade das salas ajude a tomada de consciência sobre presença do outro no espaço coletivo, ainda nos momentos de trabalho individual ou pela união de grupos de diferentes tamanhos de acordo com o projeto em andamento. As crianças podem perceber assim que estão conectadas em um mesmo propósito, o de aprender, independentemente de suas idades todas encontram-se na mesma posição para compartilhar suas descobertas. O formato irregular cria recantos que podem ser mais aconchegantes e reclusos ou mesmo uma extensão da sala, de acordo com a disposição do mobiliário. Os usuais corredores ganharam uma larga dimensão – quatro metros, permitindo sua ocupação não mais como local de passagem, mas enquanto extensão da sala. Para garantir a ocupação destas “soleiras” independente do clima foi projetado fechamento exterior em painéis vítreos e sombreamento com de painéis móveis no térreo permitindo maior controle sobre a ventilação e umidade. As paredes do percurso podem ser aproveitadas de maneira lúdica, com quadros de desenhos, como exposição de trabalhos ou como painéis de 58

Ninhos divulgação das atividades ocorridas na escola. As salas de turma do ensino infantil e o solário do ensino infantil estão voltadas a direção Leste, conforme indicação da cartilha de diretrizes para o ensino infantil do ministério da educação. Desníveis criam percursos e recantos para leitura ou brincadeiras. Banheiros infantis nas salas de turmas garantem maior autonomia às crianças, não dependendo assim do tutor para acompanhá-las ou de esperar autorização para sair da sala. O solário conecta-se visualmente à sala, através das janelas de vidro e brises, como extensão desta. Assim, as crianças ganham a liberdade de ocupar e brincar pelo solário como uma extensão da sala enquanto os professores podem manter o olhar atento e cuidado. A altura do peitoril das janelas no andar térreo, de 90 centímetros, permite que as crianças enxerguem o exterior a partir de 3 anos de idade (altura média para 3 anos de 9597cm, alcançando 110cm apenas aos 6 anos). Já o jardim externo funciona como extensão das soleiras, uma expansão dessa área de interação onde o brincar e aprender se complementam. Considerando a dimensão do conjunto educacional, para garantir autonomia e segurança às crianças faz-se necessário algumas barreiras, assim os limites físicos para o solário são definidos pelo desnível do terreno e arbustos, assim como o limite da zona de playground do jardim externo é definido por um pequeno talude.

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Escola da Ponte | TFG FAU USP | Natália Rezende  

Projeto Escola da Ponte - Questionamentos sobre ensino e arquitetura Trabalho de Conclusão de Curso - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo...

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